Campos/SJB 2024: Bacellar e Carla x Wladimir e Caio sob análise

 

“Toda ação provoca uma reação igual e em sentido contrário”. Terceira Lei de Newton, serve para explicar do universo à política humana. À tentativa do grupo dos Bacellar de lançar (confira aqui) a deputada estadual Carla Machado (PT) à prefeita de Campos, os Garotinhos responderam com a possibilidade (confira aqui) de lançar o deputado federal Caio Vianna (PSD) prefeito de São João da Barra.

Na prática, nenhum dos dois movimentos parece capaz de afetar o grande favoritismo que os prefeitos, respectivamente, Wladimir Garotinho (PP) e Carla Caputi (sem partido), têm em todas as pesquisas (confira aqui e aqui) para se reelegerem em 6 de outubro de 2024. a pouco mais de 9 meses. Mas as movimentações políticas entre os dois municípios, a favor e contra a corrente do Paraíba do Sul, têm gerado marolas no leito do rio.

Abaixo, a leitura delas, por fontes balizadas da política planiceana, sejam seus integrantes ou analistas:

 

Em cima: Wladimir Garotinho, Caio Vianna, Rodrigo Bacellar, Carla Machado e Carla Caputi. Observados abaixo por Nelson Nahim, Marcão Gomes, Guiomar Valdez, George Gomes Coutinho e William Passos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Nelson Nahim (MDB), ex-prefeito de Campos, ex-deputado federal, ex-presidente da Câmara Municipal e advogado — “Tanto Wladimir como Carla Caputi têm candidaturas muito fortes, isso confirmado até agora em todas as pesquisas. Caio candidato em São João da Barra, na minha opinião, seria uma aventura. Bem como em Campos, até agora, não vemos uma candidatura para bater o prefeito. Carla, na minha modesta opinião, está impedida pela legislação eleitoral de se candidatar por Campos, fora a discussão de sua ilegitimidade”.

Marcão Gomes, ex-deputado federal, ex-presidente da Câmara de Campos, servidor federal, advogado e pré-candidato a vereador em 2024 — “O mandato de deputado federal de Caio depende diretamente da benção de Eduardo Paes (PSD). Caso contrário, volta a ser suplente. O deputado estadual Rodrigo Amorim (PRD), fiel escudeiro do Rodrigo Bacellar (União), é quem mais tem antecipado o confronto direto com o Paes à Prefeitura do Rio, numa prévia do que deve acontecer de maneira cada vez mais intensa até o ano que vem. Eduardo resolveu também mexer o tabuleiro aqui na região, determinando a Caio o afastamento de Bacellar e aproximação com Wladimir. Então o Caio, na verdade, tem que cumprir a missão dada por Paes, seja aqui em Campos ou SJB”.

Roberto Henriques, ex-prefeito de Campos e ex-deputado estadual — “Pelas redes sociais, dirigentes do PT campista festejaram a transferência de domicílio eleitoral da deputada Carla Machado e sua candidatura. Uma breve pesquisa junto à nota pública à época, nas redes sociais da deputada, encontrará declarações dos petistas dizendo que a mudança eleitoral e a candidatura da deputada seria para ‘dar maior visibilidade ao Partido dos Trabalhadores’. Esse tipo de declaração é uma confissão descarada de renúncia à cidade. Julgo que é tratar Campos e São João da Barra com menoscabo; é acinte, é política rasteira. Quem patrocina e participa desse ‘tráfico eleitoreiro’, não está à altura da importância da nossa região. Quando os dois lados, Carla e Caio, falam mal um do outro, os dois estão com a razão”.

Guiomar Valdez, historiadora e professora do IFF — “Garotinhos + Viannas + Dauaires X Bacellares + Machados = pensando aqui… Se continuarem a fomentar o nome de Carla Machado em Campos, mesmo com outras intenções, os Bacellares vão pagar esse preço que está ficando alto? Onde estarão as suas certezas? Quanto à opinião do PT de Campos, expressa pelo Gilberto (confira aqui), me veio a necessidade de observar a situação do PT no Estado do Rio. Ora sob total domínio de Quaquá, vice-presidente de Gleise Hoffmann no PT nacional, ora disputando a hegemonia com Lindbergh. Poderíamos ampliar o território analisado e observar o movimento do PT em Macaé, por exemplo. O diretório de lá está em pé de guerra, entre os que aderiram ao governo Welberth (Rezende, Cidadania), na ocupação da secretaria de Educação, e os que, como o ex-vereador petista de dois mandatos Marcel Silvano, expõem sua insatisfação nas redes sociais”.

George Gomes Coutinho, cientista político, sociólogo e professor da UFF-Campos — “A dinâmica bastante crua da disputa de poder na conjuntura campista, em minha perspectiva, tem algo de déjà vu. Porém, não é a singularidade nossa no Norte Fluminense que está exposta. Falamos aqui de algo profundo, do inconsciente político brasileiro em sua aparição mais rude, crua, bruta. É a disputa de grupos rivais, organizados em clãs, o que envolve regras de pertencimento, hierarquia, configuração familial e entre nós o domínio de um patriarca. Tudo pelo poder em um dado território e sobre o destino das pessoas que habitam este mesmo território. Oliveira Vianna, teórico político conservador, fez a radiografia dessa característica clânica da política brasileira na primeira metade do século XX. Neste cenário não há espaço para disputa de ideias. Há é o grupo organizado que mantinha, quase por milagre, a unicidade daquela comunidade. A estabilidade se instaura, algo necessário para o pequeno burguês tocar seu comércio, quando um grupo mantém o domínio. E o circo pega fogo quando um grupo se depara com a concorrência de outros. Essa descrição é de uma força política concreta pré-moderna. Não há uso público da razão, disputas programáticas entre socialistas, liberais e suas subdivisões. Há é Montéquios e Capuletos (famílias inimigas na política da Verona de ‘Romeu e Julieta’, tragédia de William Shakespeare) em disputa franca, onde dedo no olho e golpes abaixo da cintura são permitidos. Projetos e soluções coletivas negociadas se apresentam como meros adornos, quando aparecem. Talvez essa mentalidade clânica seja o que guia os grupos em disputa. E não, isso não é nada bom para uma sociedade com a nossa complexidade. Vianna descreveu a sociedade colonial, a do Império e parou na Primeira República. Não custa lembrar que estamos em momento pós-Constituição de 1988”.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística pelo IBGE, especialista em pesquisas — “Wladimir vem se revelando uma personagem muito interessante. E, num certo sentido, surpreendente dentro do garotismo. Pragmático, político de composição, pode ajudar a tornar atrativo o pleito de São João da barra, que parecia bastante previsível. Acompanhemos!”

 

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Jefferson: Sou pré-candidato do PT a prefeito de Campos

 

Jefferson de Azevedo, Carla Machado e Gilberto Gomes (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Cogitado como candidato do PT a prefeito de Campos em 2024 (confira aqui) desde junho deste ano, mais de quatro meses antes da deputada estadual petista Carla Machado transferir seu domicílio eleitoral (confira aqui) de SJB a Campos com olho no pleito, o professor Jefferson de Azevedo garantiu hoje:

— Reafirmo minha pré-candidatura (a prefeito de Campos em 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 9 meses) como uma das alternativas da nossa Federação, que reúne PT, PCdoB e PV. E que terá uma candidatura no próximo ano para debater o futuro de nossa cidade, apresentando alternativas e proposições para o enfrentamento das grandes questões estruturais de nosso município, assim como daquelas que afetam o cotidiano da vida das pessoas — pregou o atual reitor do IFF.

A manutenção por Jefferson do seu nome no jogo veio em sequência à manifestação no mesmo sentido, dada pelo secretário de Comunicação do PT de Campos e assessor parlamentar do deputado federal Lindbergh Farias (PT/RJ), Gilberto Gomes. Na manhã de hoje, ele garantiu (confira aqui) que seu partido não lançará nome a prefeito de Campos para trocá-lo no prazo legal de até 20 dias antes do pleito.

— Não há a menor possibilidade de uma estratégia que busque lançar uma candidatura virtual, sem chances de se eleger, para ser substituída às vésperas, conforme aventou (confira aqui) o advogado Cleber Tinoco. Independente das questões jurídicas que envolvem a candidatura de Carla, o professor Jefferson tem acumulado apoios e feito todos movimentos necessários para viabilizar uma candidatura tecnicamente qualificada, competitiva eleitoralmente e reconhecida pelos principais dirigentes estaduais e nacionais do PT como uma das grandes revelações do partido para o próximo pleito — apostou Gilberto.

Segundo toda a jurisprudência até aqui estabelecida (confira aqui) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF), Carla está inelegível a qualquer disputa a prefeita em 2024. Como já concorreu e venceu a reeleição a prefeita de SJB em 2020, não pode ser candidata ao cargo em nenhum outro município pela terceira vez seguida. O que configuraria a figura jurídica do “prefeito itinerante”, vedada pela Legislação Eleitoral.

 

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PT de Campos não lançará prefeitável para depois trocar

 

Não há possibilidade de o PT apresentar uma candidatura a prefeito de Campos em 2024 só para fazer campanha e ser substituída às vésperas do pleito, por não ter condições jurídicas reais de elegibilidade. Como toda a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) apontam (confira aqui) ser o caso da deputada estadual petista Carla Machado. À disputa com o prefeito Wladimir Garotinho (PP) em 6 de outubro próximo, sem Carla, o PT tem o professor Jefferson de Azevedo.

Foi o que garantiu o secretário de Comunicação do PT de Campos, assessor parlamentar do deputado federal Lindbergh Farias (PT/RJ) e pré-candidato a vereador Gilberto Gomes. Ele também analisou a possibilidade do deputado federal Caio Vianna (PSD) se lançar (confira aqui) a prefeito na São João da Barra em 2024, com apoio do ex-opositor Wladimir. Como resposta ao apoio do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), ao nome de Carla em Campos.

Confira abaixo:

 

Gilberto Gomes, Carla Machado, Jefferson de Azevedo, Caio Vianna, Wladimir Garotinho e Rodrigo Bacellar (Foto: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“Se confirmada a informação (de Caio se candidatar a prefeito de SJB com apoio de Wladimir), chama atenção a rapidez com que Caio aceitou se tornar balão de ensaio de Wladimir, até pouco tempo inimigos, para revidar os movimentos de Carla e, por consequência, Bacellar. As motivações para esse movimento de Caio parecem ser maiores que um mero ressentimento com Bacellar.

Quanto ao PT, até o momento, não há a menor possibilidade de uma estratégia que busque lançar uma candidatura virtual, sem chances de se eleger, para ser substituída às vésperas, conforme aventou (confira aqui) o advogado Cleber Tinoco. Independente das questões jurídicas que envolvem a candidatura de Carla, o professor Jefferson tem acumulado apoios e feito todos movimentos necessários para viabilizar uma candidatura tecnicamente qualificada, competitiva eleitoralmente e reconhecida pelos principais dirigentes estaduais e nacionais do PT como uma das grandes revelações do partido para o próximo pleito”, apostou Gilberto.

 

Atualização às 23h10: Presidente do PT de Campos, a professora e ex-vereadora Odisséia Carvalho fez comentários ao link desta postagem no Instagram. Em que questionou a opinião do seu secretário de Comunicação:

— Não é a opinião do PT de Campos, mas do Gilberto Gomes. Tudo vai depender da convenção do partido (em julho de 2024). Hoje, existem três pré-candidaturas: Carla Machado, Jefferson e Hélio Anomal. No momento certo, teremos a definição partidária. Opiniões, todos podem ter, mas o que vai prevalecer é a decisão partidária.

 

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Caio candidato a prefeito em SJB com apoio de Wladimir?

 

Caio Vianna, Wladimir Garotinho, Carla Machado, Rodrigo Bacellar, Carla Caputi, Elísio Rodrigues e Bruno Dauaire (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Deputado federal sazonal (confira aqui), Caio Vianna (PSD) será o candidato dos Garotinho a prefeito de São João da Barra em 2024? No último dia 18, o jornalista Rodrigo Gonçalves, editor de Política da Folha, já havia levantado a possibilidade (confira aqui) no blog Caminhos: “Caio já é especulado (em SJB) em jogada ensaiada com os Garotinhos, dispostos a tentar um contra-ataque ao fato de Carla ter transferido seu título para Campos”.

O motivo aventado há 25 dias está correto. Todas as pesquisas eleitorais de Campos (confira aqui) e SJB (confira aqui) mostram que seus atuais prefeitos, respectivamente, Wladimir Garotinho (PP) e Carla Caputi (sem partido), são os grandes favoritos à reeleição em 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 9 meses. Mas tanto a deputada estadual Carla Machado (PT), quanto o federal Caio são novidades com potencial para mexer nos tabuleiros.

Ex-prefeita reeleita de SJB em 2020, Carla Machado (PT) está inelegível, segundo toda a jurisprudência (confira aqui) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF), para concorrer pela terceira vez seguida a prefeita na Campos de 2024. A estratégia real do grupo dos Bacellar seria usá-la na campanha, para trocá-la por alguém juridicamente viável até 20 dias antes do pleito. Como o advogado Cleber Tinoco explicou (confira aqui) no Folha no Ar de quinta (7):

— Uma mudança que libere a candidatura da Carla Machado não vai acontecer. Ela pode disputar a governadora, presidente, parlamentar; não interessa. Mas a prefeita, não pode. Por que alguém se arriscaria a colocar um candidato correndo risco de se tornar inelegível e ter os votos anulados? Isso pode ser uma estratégia, porque a legislação eleitoral permite a alteração do candidato faltando 20 dias para o pleito. Você teria o nome (de Carla), que faria toda a campanha, e aí outro candidato assumiria o posto dela.

Já em SJB, se vingar seu acordo tabulado com os Garotinho, Caio anunciará a troca do seu domicílio eleitoral de Campos ao município vizinho — em mão oposta ao que Carla já fez (confira aqui) em 5 de outubro. Pela legislação eleitoral, para concorrer em outubro do próximo ano, a troca de domicílio do candidato pode ser feita até 6 de abril. Mas o filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT) poderia antecipar isso até o final deste ano.

Vereador de oposição e prefeitável sanjoanense, Elísio Rodrigues (PL) também passou a conversar com os Garotinhos (confira aqui). Foi uma consequência ao fato do seu antigo aliado, o deputado estadual e presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), encampar Carla Machado em Campos e apoiar Carla Caputi em SJB.

Nessa nova arrumação, se Caio se lançar a prefeito em SJB, Elísio concorreria à reeleição a vereador. Para não ficar sem mandato e porque ocuparia também o espaço do falecido colega Franquis Arêas (PSC, confira aqui), aliado dos Dauaire, família oposta a Carla Machado na política sanjoanense. Cujo secretário de Habitação do RJ, Bruno Dauaire (União), se elegeu duas vezes deputado estadual com apoio de Wladimir. Que disputou e venceu a prefeito de Campos contra Caio no segundo turno duríssimo de 2020.

Elísio, no entanto, garantiu na noite de hoje ao blog que nada sobre sua candidatura à reeleição como vereador, ou da de Caio a prefeito de SJB, foi conversado com ele. O edil de oposição e prefeitável sanjoanense ressaltou que esteve, sim, com Wladimir, mas nenhum desses assuntos foi debatido entre os dois.

 

VÍDEO DE WLADIMIR E CAIO

 

Atualização às 18h25: A postagem sobre os frutos da costura entre Wladimir e Caio, com possíveis consequências no tabuleiro eleitoral de SJB e Campos, foi publicada às 16h21. Às 18h02, Wladimir marcou Caio na sua postagem do vídeo dos dois em Brasília, na sede do Dnit, sobre o trabalho conjunto pela duplicação do segundo trecho urbano da BR 101 em Campos, com o primeiro já em fase final. Segundo o prefeito, o edital de licitação deverá ser publicado ainda este ano. Confira abaixo:

 

 

Atualização às 20h24 para acrescentar a posição do vereador de oposição e prefeitável de SJB Elísio Rodrigues.

 

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Felipe Fernandes — “O mundo depois de nós” na Netflix

 

 

Felipe Fernandes, filmmaker publicitário e crítico de cinema

Apocalipse Moderno

Por Felipe Fernandes

 

Filmes sobre o fim do mundo são praticamente um gênero que sempre esteve presente no cinema. Imaginar diferentes formas de como tudo chega ao fim é um exercício interessante que chama a atenção do grande público. E nem mesmo a pandemia parece ter afetado esse fascínio.

Baseado no livro de Rumaan Alam, “O mundo depois de nós” é um projeto que nasceu grande, com seus direitos tendo sido comprados pela Netflix antes mesmo do lançamento literário da obra original. Com um elenco sempre atrelado a grandes nomes, o escolhido para levar o livro às telas foi o diretor e roteirista Sam Esmail, conhecido pela série “Mr.Robot”.

Partindo de uma premissa simples, a história traz uma tradicional família de classe média que sai de férias e vai para uma casa luxuosa e isolada, precisando lidar com estranhos acontecimentos, que pouco a pouco vão os excluindo do mundo. Em um mundo cada vez mais conectado, a perda de sinal de celular, TV e internet já parece ser assustador o suficiente à maioria.

A chegada de um homem e sua filha que alegam ser os reais donos da casa, traz uma nova dinâmica para a casa e a narrativa. O filme arranha uma óbvia questão racial, mas que fica muito na superfície. Compartilhar uma casa com estranhos, enquanto o mundo desmorona lá fora, é apenas uma das questões que o longa busca abordar.

A obra conta com uma trilha sonora estridente, que busca o tempo todo estimular a ideia de que algo está errado. Essa sensação também é reforçada pela direção de Esmail, que abusa do plongée e de planos em que a câmera atravessa paredes e mostra os personagens abaixo de sua linha, criando algumas composições bem estranhas, que tiram mais o espectador da trama do que intensificam essa sensação incessante de estranhamento. Esmail parece um diretor iniciante, deslumbrado com as possibilidades de movimentos de câmera e seu virtuosismo. É difícil compreender algumas de suas escolhas.

Dividido em capítulos (uma escolha narrativa que nunca se justifica), o longa parece um episódio de “Além da imaginação”, ou talvez um episódio de “Black Mirror”, para os mais novos. Abordando a questão tecnológica, a presença de animais selvagens cercando a casa e as relações entre as duas famílias, o longa traz críticas ao estilo de vida moderno, apresentando nossa fragilidade como uma sociedade cada vez mais dependente das facilidades da modernidade.

Trabalhando a paranóia crescente, um elemento forte dentro dos Estados Unidos, abordando a questão homem x modernidade x natureza. E apresentando até mesmo alguns elementos que sugerem a presença de uma força superior, situação totalmente ligada à pequena Rose, uma adolescente que nunca é ouvida mas vê os sinais. O longa busca lidar com diversas questões atuais e relevantes, mas não se aprofunda em nenhuma delas. Essa falta de foco acaba prejudicando o resultado final.

Utilizando diálogos expositivos para desenvolver os personagens e ainda desconstruir seu quebra cabeças, o texto frágil acaba sendo ajudado pelo bom elenco, que não salva a obra, mas ao menos traz alguma credibilidade. É difícil comprar o núcleo familiar principal, principalmente porque a química entre Julia Roberts e Ethan Hawke não existe. Nesse sentido, o filme funciona melhor para Mahershala Ali e Myha´la, que com muito pouco conseguem construir um laço familiar mais consistente.

Para um longa sobre como a família moderna lida com o fim do mundo, as poucas explicações podem incomodar quem gosta de tudo devidamente explicado. A forma conveniente como a questão principal é explanada deve incomodar quem busca coerência. É um longa que se perde na construção do suspense e ao tentar lidar com várias temáticas, sem se aprofundar em nenhuma delas, acaba se esvaindo de sentido e de força em seu discurso.

Um filme de fim de mundo pode ser puro entretenimento. Mas quando busca a reflexão, pode alcançar alguns de nossos maiores medos, algo que “O mundo depois de nós” não consegue.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Confira o trailer do filme, lançamento da Netflix:

 

 

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Wladimir, Bacellar e Carla na Campos de 2024 e Janja de Geni

 

Wladimir Garotinho, Rodrigo Bacellar, Carla Machado, Celso Cordeiro Filho, Cleber Tinoco, Nelson Nahim e Janja da Silva (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Wladimir em céu de brigadeiro

“Pode-se até discordar de algumas ações do governo Wladimir Garotinho (PP). Mas cabe reconhecer sua determinação para harmonizar os interesses comunitários. O êxito está em receber e dialogar com todas lideranças representativas dos segmentos produtivos, ignorando siglas partidárias. Ágil e competente no uso da mídia digital, o filho de Rosinha e Anthony Garotinho desponta como a mais promissora liderança política de Campos, com penetração nas regiões Norte e Noroeste Fluminense”. A análise foi feita ontem (13) pelo experiente jornalista Celso Cordeiro Filho, no grupo de WhatsApp do blog Opiniões e do programa Folha no Ar.

 

Reeleição no 1º turno? (I)

Com 76 anos de idade e 50 de jornalismo, onde foi e é referência na cidade, Celso estendeu sua análise ao pleito municipal de 2024: “Se a eleição fosse hoje, Wladimir se reelegeria no primeiro turno. Quem já votou nele, está satisfeito. Quem não votou, tende a consagrá-lo nas urnas. Não esperava ver o crescimento vertiginoso de uma liderança jovem no plano político e na dinâmica que imprimiu nas ações administrativas em favor de todos. A constatação é fruto da observação diária do seu estilo moderno e profundamente dinâmico de governar”, frisou Celso. Que é irmão do ex-prefeito e pré-candidato a prefeito Sérgio Mendes (Cidadania).

 

Rodrigo Bacellar e Carla Machado

Certo que o “crescimento vertiginoso” atribuído por Celso a Wladimir, nos planos municipal e regional, foi alçado ao patamar mais elevado do Estado do Rio pelo campista Rodrigo Bacellar (União). Que, em seu segundo mandato de deputado estadual, chegou à presidência da Alerj. E repetiu o mesmo feito de Sérgio Cabral (MDB) em 1995, antes de se eleger duas vezes governador, em 2006 e 2010. Por enquanto, a pré-candidata dos Bacellar a prefeita de Campos é a deputada estadual Carla Machado (PT). Que, com base em toda a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF), está inelegível à disputa.

 

“A prefeita, Carla não pode”

No último dia 28, esta coluna ouviu (confira aqui) seis juristas respeitados na comarca, todos com experiência em direito eleitoral. Para quatro deles, Carla é carta fora do baralho na Campos de 2024. Dois outros apostaram na possibilidade de revisão. E, se demanda revisão, é porque hoje ela não pode. Em entrevista do Folha no Ar da última quinta (7), também jurista conceituado e com experiência eleitoral, Cleber Tinoco reforçou o entendimento da maioria: “Uma mudança que libere a candidatura da Carla Machado não vai acontecer. Ela pode disputar a governadora, presidente, parlamentar; não interessa. Mas a prefeita, não pode”.

 

Esquentando o lugar?

A insistência no nome de Carla a prefeita de Campos em 2024, mesmo inelegível após já ter sido reeleita prefeita em São João da Barra em 2020, teria para Cleber outro objetivo real: “Por que alguém se arriscaria a colocar um candidato correndo risco de se tornar inelegível e ter os votos anulados (como foi com o ex-prefeito Arnaldo Vianna na reeleição de Rosinha Garotinho a prefeita em 2012)? Isso pode ser uma estratégia, porque a legislação eleitoral permite a alteração do candidato faltando 20 dias para o pleito. Você teria o nome (de Carla), que faria toda a campanha, e aí outro candidato assumiria o posto dela”.

 

Reação rápida no transporte

Se merece críticas, é pelas virtudes do governo Wladimir que ele chega ao final de 2023 como favorito em todas as pesquisas (confira aqui) à reeleição em 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 9 meses. Mesmo no seu maior calcanhar de Aquiles, o transporte público, a reação rápida impediu que a situação ruim piorasse. No sábado (9), um incêndio pela manhã, na garagem da São Salvador, destruiu (confira aqui) 21 ônibus. E, na tarde do mesmo dia, com o apoio do Ministério Público e da Polícia Militar, o Executivo goitacá promoveu (confira aqui) a requisição administrativa de 25 ônibus na garagem da Turisguá. Assim, evitou (confira aqui) que o sistema entrasse em colapso na segunda (11).

 

Reeleição no 1º turno? (II)

Antes dos eventos de sábado, Cleber tinha projetado 2024 na quinta: “O grande favorito é Wladimir. Não havendo até as eleições fato novo que desgaste a sua imagem, até para ganhar no primeiro turno”, disse no Folha no Ar. No mesmo programa, o ex-prefeito e ex-presidente da Câmara de Campos Nelson Nahim (MDB) tinha dito no dia anterior (6): “Wladimir só perde essa eleição para ele mesmo. Ele conseguiu uma coisa importantíssima: desligar seu nome do pai. E está fazendo um ótimo governo. Hoje, diria que leva no primeiro turno”, disse o tio do prefeito, pai do vereador de oposição Helinho Nahim (Agir) e integrante do grupo dos Bacellar.

 

Janja entre críticas e ofensas

Evidente aos não lulopetistas, o deslumbramento da primeira-dama Janja da Silva é alvo de críticas. Ela não tem mandato ou legitimidade para apitar no governo Lula3. Como, sem comparar as figuras humanas, o vereador carioca Carluxo (Rep) não tinha para apitar no único governo Jair Bolsonaro (PL). Isso posto, os ataques ofensivos e misóginos que Janja sofreu ao ter a conta hackeada na rede social X (ex-Twitter), na segunda, revelam o pior do bolsonarismo. Que merece todo o rigor da Justiça. Bandido bom não é bandido morto. Mas a cadeia, como no caso do 8 de janeiro, tem didática viva. Estão aí os 16 anos da Lei Maria da Penha para provar.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Frederico Paes fecha a semana do Folha no Ar nesta sexta

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Vice-prefeito de Campos, presidente da Coagro e engenheiro agrônomo, Frederico Paes (MDB) é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar nesta sexta (8), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará sobre a lacuna e o legado do empresário Renato Abreu, falecido (confira aqui) no último dia 30, da safra da cana de 2023 (confira aqui), da Agricultura e do projeto do Ceascam (confira aqui).

Ex-dirigente hospitalar, Frederico também falará das vistorias (confira aqui) e do seu trabalho na Saúde Pública do município, que é apontada pela população (confira aqui) como virtude e problema do governo Wladimir Garotinho (PP). E, com base nas pesquisas de 2023 (confira aqui), tentará projetar as eleições a prefeito e vereador de Campos em 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 9 meses.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nas páginas da Folha FM 98,3 no Facebook e no Instagram.

 

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Bárbara Gazineu — Napoleão entre eu, eu mesma e Joaquin

 

 

Bárbara Gazineu, médica e cinéfila

Eu, eu mesma e Joaquin

Por Bárbara Gazineu

 

Sou apaixonada por cinema e por quem faz cinema. Então sempre que vou assistir a algo, mesmo em casa, estou sempre torcendo para que aquilo que verei seja bacana, ou ao menos intrigante e me traga algo que não conhecia. Como gosto do Ridley Scott, adoro o primeiro “Alien” (“O Oitavo Passageiro”1979) dele e gosto muito de “Gladiador” (2000) e de “O Último Duelo” (2021), queria muito ver o seu “Napoleão”.

Não tenho muito conhecimento sobre a personagem histórica. Conhecia aquela batalha inicial contra as fragatas da Inglaterra, a sua maior vitória em Austerlitz, a derrota para o frio na Rússia e em Waterloo. Tudo muito básico, de estudante mesmo. E não me lembro de ter visto algum filme anterior sobre ele.

Achei a história contada de maneira meio irregular, não gosto muito de datas anotadas na tela, achei tudo um pouco apressado e entrecortado. O espectador (eu) fica um pouco perdido e achei o desenvolvimento do personagem principal também meio incompleto. Dito isso, gostei bastante do todo e não senti às 2h30 do filme.

Empolguei-me com as cenas maravilhosas de batalha e com o relacionamento entre Napoleão e Josefina. Não liguei pra incongruências porque, honestamente, não conhecia muito a história de como aconteceu realmente. Gosto de mulheres fortes e não sabia dessa dependência emocional que ele tinha dela.

Achei o filme bem realizado e uma boa diversão. Como um pouco injusta essa implicância com ele por boa parte da crítica. Gostei de ver na telona, acho que é filme para a melhor e maior tela que houver. Ainda bem que existe em Campos! Oxalá dure bastante!

 

Confira as críticas anteriores ao filme, feitas por Aluysio Abreu Barbosa (aqui), Felipe Fernandes (aqui) e Edmundo Siqueira (aqui).

 

Confira também o trailer do filme, que se mantém em cartaz em Campos, no Cinfelix, no Shopping Avenida 28, pelo menos até a próxima quarta-feira, dia 13:

 

 

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Protesto dos estudantes e bloqueio às entradas da FMC

Coagidos por alunos da FMC que tentaram impedir a saída do prédio na noite de segunda, conselheiros da Fundação Bendito Pereira Nunes tiveram que abrir caminho fisicamente para exercer seu direito de ir e vir (Foto: Reprodução de vídeo)

O direito de protestar existe em qualquer democracia. E, em qualquer democracia, jamais se sobrepõe ao direito de ir e vir de ninguém. Na noite de segunda (4), após realizarem protesto legítimo contra aumento de mensalidade da Faculdade de Medicina de Campos (FMC), alunos desta tentaram impedir “o livre trânsito de entrada e saída da FMC de professores, funcionários e membros do Conselho Supremo da Fundação (Benedito Pereira Nunes, FBPN)”.

Como foi registrado em vídeo, alguns conselheiros egressos de instituições da sociedade civil organizada, após a reunião concluída na noite de segunda, não aceitaram ser cerceados no seu direito de ir e vir (confira aqui) pelos estudantes da FMC. Na saída desta, chegou a haver troca de empurrões. Cujo vídeo circulou nas redes sociais como uma suposta agressão de quem, na verdade, não aceitou ser fisicamente encurralado e retido pelos manifestantes.

Abaixo, a nota oficial sobre o lamentável episódio, divulgada hoje pela Fundação Benedito Pereira Nunes/Faculdade de Medicina de Campos:

 

 

Manifestação dos estudantes e bloqueio nas entradas da FMC

A diretoria da Fundação Benedito Pereira Nunes e a direção-geral da sua mantida Faculdade de Medicina de Campos vem a público manifestar seu total desacordo com a atitude de alguns estudantes da nossa Faculdade, quando durante ato democrático de dissonância com o reajuste das mensalidades para 2024, impediu o livre trânsito de entrada e saída da FMC de professores, funcionários e membros do Conselho Supremo da Fundação.

A FMC como instituição de ensino superior integrada à comunidade campista há mais de 50 anos defende o direito constitucional de ir e vir de todos os cidadãos, semeia a democracia entre os membros da comunidade acadêmica e preza pelas liberdades democráticas.

O mote do protesto já foi explicado pela FBPN/FMC em nota anterior, ressaltando que não cabe a nossa instituição incorrer em atos administrativos que venham a ser questionados pelo Ministério Público das Fundações, órgão fiscalizador da nossa instituição.

 

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Promessa da natação brasileira no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Atleta de natação do Flamengo e estudante, Heitor Tinoco terá a companhia do pai, o advogado Cléber Tinoco, como convidados do Folha no Ar desta quinta (7), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Heitor falará da sua vida de adolescente campista de 13 anos dividida com a rotina de treinamentos e competições de uma das promessas da natação brasileira.

Por sua vez, Cléber analisará a condição jurídica para a deputada estadual e ex-prefeita de SJB, Carla Machado (PT), se candidatar (confira aqui) a prefeita de Campos em 2024. Eleição que, com base nas pesquisas de 2023 (confira aqui), ele também tentará projetar.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nas páginas da Folha FM 98,3 no Facebook e no Instagram.

 

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Protestos de lojistas e de alunos da FMC contra o direito de ir e vir

 

Protestos de sexta, dos comerciantes da rua Barão de Miracema, e de segunda, dos alunos da FMC, impediram o direito de ir e vir de outros cidadãos de Campos (Fotos: Redes sociais e Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

 

O limite dos protestos

Comerciantes do entorno da rua Barão de Miracema ficaram insatisfeitos com as novas ciclofaixas. Estudantes da Faculdade de Medicina de Campos (FMC) ficaram insatisfeitos com o aumento da mensalidade. Como quaisquer outras categorias dentro de uma democracia, têm todo o direito de reclamar e protestar. Mas não têm o direito de cercear o direito de ir e vir de outras pessoas. Como fizeram os comerciantes que queimaram pneus na tarde de sexta (1º) para fechar uma via pública. Ou os estudantes da FMC que tentaram, na noite de segunda (4), impedir a saída do prédio dos conselheiros da Fundação Benedito Pereira Nunes (FBPN).

 

Resposta dura

Sobre os excessos dos comerciantes, o prefeito Wladimir Garotinho (PP) deu resposta dura na própria sexta: “As ruas e os espaços públicos não são garagens, pertencem a todos os cidadãos! A cidade cresceu e é necessário adaptar sua mobilidade urbana. As ciclofaixas beneficiam milhares de ciclistas e trabalhadores. Temos a cultura de estacionar na porta do local de destino, contrária à de qualquer cidade mediana que evoluiu. Não adianta depredar patrimônio público ou destruir o que está sendo realizado, até em movimentos orquestrados por políticos de oposição. Vamos identificar e multar os responsáveis”, prometeu.

 

Exemplo e motivação

Queimar pneus para interditar vias públicas já foi prática do próprio grupo dos Garotinho. Que fechou a BR 101 quando a então prefeita Rosinha (hoje, União) foi afastada do cargo, em 2010. Foi tão errado lá quanto é 13 anos depois, na adoção do mesmo método por lojistas contra uma decisão do governo do filho de Rosinha. Ademais, nem todos os contrários à ampliação das ciclofaixas, certos ou errados, têm opinião ditada pela oposição. “Lamento que a questão esteja sendo politizada pelo poder público. Boa parte de pessoas que reclamam não tem interesse político-partidário na questão”, ressaltou o advogado criminalista Felipe Drumond.

 

“A vanguarda do atraso”

Mesmo quem é contrário à ampliação das ciclofaixas condenou a forma do protesto: “Fogo na rua é absurdo!”, denunciou Felipe Drumond. À maioria que apoia as ciclofaixas, a condenação foi geral: “Retrato de um dos tipos de comerciantes da área nobre de Campos. Amanhã, os vizinhos que não foram consultados irão cobrar pelo prejuízo à pintura das suas fachadas”, lembrou a professora Luciana Portinho. “Triste episódio. O prefeito tenta oferecer uma alternativa ao trânsito de Campos e assistimos a esse ato de vandalismo. Querem que Campos continue sendo a vanguarda do atraso”, sentenciou o economista José Alves de Azevedo Neto.

 

Direito de protestar e de ir e vir

Da rua Barão de Miracema à avenida Alberto Torres, onde fica a FMC, alunos desta fizeram manifestação na segunda contra o aumento da mensalidade. Que a FBPN alega ter sido “apenas o reajuste mínimo baseado no IPCA de outubro de 2023: 4,82% (…) Caso a FBPN/FMC não cumpra o reajuste, estaria implicando em renúncia de receitas”. Isso não isenta a instituição dos protestos dos alunos. Desde que estes não se sintam no direito de arbitrar quem pode ou não sair do prédio. Deveria ser simples, a comerciantes, a futuros médicos e a qualquer cidadão: o direito de protestar não se sobrepõe ao direito de ir e vir de ninguém.

 

Wladimir nas pesquisas

“As pesquisas (a prefeito em 2024) mostram que o abismo entre Wladimir e o segundo colocado vem das ações do governo. Falam que o prefeito é sortudo, mas tem que falar da sua capacidade de administração. É reabrir uma UBS por mês, o HGG, clínica de hemodiálise, SOS Coração. Na educação, crianças de comunidade com tablet. E há a desarticulação da oposição. Os Bacellar não conseguiram ainda criar um nome. Acho que o de Carla (Machado, PT) é para segurar uma vaga. O principal adversário se aproxima, que é Caio Vianna (PSD)”. Foi o que disse ao Folha no Ar de ontem (5) o jornalista Gustavo Matheus, secretário de Comunicação.

 

No primeiro turno?

Indagado sobre a possibilidade de Wladimir se reeleger em turno único em 2024, na projeção das pesquisas de 2023, o secretário de Comunicação disse: “Tenho plena confiança de que é possível. Nem todos os players estão no jogo ainda. Mas o que talvez confirme essa possibilidade de primeiro turno é que o governo não teve, como o Botafogo (no Campeonato Brasileiro), um momento de pipocada. Quando a gente acha que vai ter uma crise, o governo responde bem, com fatos políticos novos. Hoje, a realidade é de vitória no primeiro turno. Agora, como o prefeito falou, o que não pode acontecer é qualquer tipo de soberba”.

 

Crescimento na “pedra”

Sobre o crescimento de Wladimir que as pesquisas registraram na “pedra”, a 98ª Zona Eleitoral de Campos, que sempre foi refratária aos Garotinho, Gustavo ponderou: “O Wladimir tinha muito a sombra do pai, mas eles têm perfis diferentes. O prefeito sempre foi um conciliador dentro dos limites da razoabilidade, sempre tentou o caminho da construção. Claro, Frederico (Paes, MDB) contribuiu tanto na eleição quanto contribui hoje. Na política, a rejeição é complexa, difícil de tirar. Acho que foi a habilidade dele em dialogar com o terceiro setor, com o comércio, com todo mundo. Wladimir não deixou ninguém de fora desse governo”.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Ex-prefeito Nelson Nahim no Folha no Ar desta quarta

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ex-prefeito e ex-presidente da Câmara de Campos, Nelson Nahim é o convidado do Folha no Ar desta quarta (6), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele avaliará os governos Lula 3 (PT), Cláudio Castro (PL) e Wladimir Garotinho (PP).

Nahim também analisará a relação entre Prefeitura e Câmara a partir do fim da pacificação entre Garotinhos e Bacellar. Por fim, com base nas pesquisas divulgadas em 2023 (confira aqui), tentará projetar as eleições a prefeito e vereador de Campos em 6 de outubro de 2024, daqui a 10 meses.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nas páginas da Folha FM 98,3 no Facebook e no Instagram.

 

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