A volta às aulas na rede pública de Campos está marcada para 7 de março e não há possibilidade de novo adiamento. Após a retomada, que a grande maioria dos pais de alunos considera atrasada, a secretaria de Educação deve mudar de mãos. O nome do novo titular da pasta ainda não está definido, mas não deve ser mais o professor Marcelo Feres. Egresso da rede federal, seu currículo é muito respeitado. Mas a dificuldade de adaptação à realidade municipal pesa na decisão. Que deve ser oficializada até o próximo mês.
Morreu hoje o cineasta, jornalista e escritor Arnaldo Jabor. Tinha 81 anos e estava internado desde dezembro passado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, após um acidente vascular cerebral (AVC).
Era egresso da segunda geração do Cinema Novo, movimento brasileiro dos anos 1960 e 1970 com base no neorrealismo italiano e da Nouvelle Vague francesa. Que buscava intrepetar as grandes diferenças socioeconômicas do Brasil numa ruptura com a influência do cinema comercial de Hollywood. Estreou na direção de longas com o documentário “Opinião Pública” (1967), antes de se fixar na ficção, a partir de “Pindorama” (1971).
Foi na adaptação da dramaturgia de Nelson Rodrigues que Jabor alcançou sua maior resposta de público e crítico como cineasta. Com trilha sonora do argentino Astor Piazzolla, “Toda Nudez Será Castigada” (1972) teve grande bilheteria, além de conquistar os Ursos de Prata do Festival de Berlim de filme e atriz — para Darlene Glória, no papel da prostituta Geni. Seguiria na adaptação de Nelson no filme seguinte, “O Casamento” (1975), também bem recebido por crítica e público.
Seu filme seguinte, “Tudo bem” (1978), rendeu à diva Fernanda Montenegro o prêmio de melhor atriz no Festival de Brasília, em grande desempenho ao lado de Paulo Gracindo. Com o filme, Jabor abriria sua “Trilogia do Apartamento”, baseada em conflitos amorosos e existenciais entre um casal. Que seria completa com “Eu Te Amo” (1980), unindo Sônia Braga e Paulo César Pereio como casal falido pelo “Milagre Econômico” da ditadura militar no Brasil; e “Eu Sei que Vou Te Amar” (1986), já na redemocratização do país.
Nesse último filme, há uma fala que nunca esqueci, por achar que diante dela nenhum homem teria alguma resposta. Protagonista feminina do filme, no meio da discussão acalorada com seu marido vivido por Thales Pan Chacon, Fernanda Torres o ameaça, na interpretação que lhe renderia a Palma de Ouro em Cannes como melhor atriz:
— Vou dar para um homem muito melhor que você. Vou dar pra Tom Jobim!
Jabor migraria do cinema ao jornalismo a partir dos anos 1990, quando o então presidente Fernando Collor de Mello (hoje, senador do Pros por Alagoas) extinguiu a Embrafilme e feriu quase de morte o cinema nacional. Provocador e sem dogmas ideológicos, Jabor estrearia como articulista de O Globo em 1995. Depois, estenderia sua atuação jornalística à rádio CBN, aos jornais Folha de S. Paulo e Estadão. E, na Rede Globo, ao Jornal Nacional, Jornal da Globo, Bom Dia Brasil, Jornal Hoje e Fantástico.
Vindo da esquerda, como o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, criticou aquela por ressentimento aos governos deste, quando foi erradicada a inflação hoje de volta ao país. Como questionou os governos petistas de Lula — no qual sempre reconheceu, no entanto, a grande inteligência política — e, sobretudo, ao desastre de Dilma Rousseff. No plano estadual, também sempre foi crítico severo do ex-governador campista Anthony Garotinho (hoje, sem partido), ao qual comparava ao ex-ditador venezuelano Hugo Chávez.
Atentado terrorista do fundamentalismo islâmico às Torres Gêmeas de Nova York, em 11 de setembro de 2001
Como articulista, empreendia por vezes criativos diálogos com Nelson Rodrigues, com quem falava através de um imaginário telefone de galalite preto. Do que li, foi de Jabor a melhor definição do mundo ainda estupefato pelos atentados às Torres Gêmeas de Nova York, em 11 de setembro de 2001. Nele, o descendente de judeus-libaneses educado em colégio de padres viu no ato terrorista do fundamentalismo islâmico do Al-Qaeda um alerta ao Ocidente pós-iluminista. Que, com o filósofo alemão Nietzsche, tinha “matado” Deus no século 19. Naquele início de século 21, o jornalista advertiu ao final do seu texto:
— Deus está vivo. E se chama Alá.
Como escritor, Jabor deixa os livros “Os canibais estão na sala de jantar” (1993), “Sanduíches de Realidade” (1997), “A invasão das Salsichas Gigantes” (2001), “Amor É Prosa, Sexo É Poesia” (2004) — que rendeu música em parceria com Rita Lee —, “Pornopolítica” (2006), “Eu Sei Que Vou Te Amar” (2007), “Amigos Ouvintes” (Editora Globo, 2009) e o “O Malabarista – Os Melhores Textos de Arnaldo Jabor” (2014). Vários deles se tornaram best-sellers, alguns desde o lançamento.
Jabor ainda voltaria ao cinema com “A Suprema Felicidade” (2010). É uma ficção biográfica da sua própria vida, a partir da perspectiva do filho de um pai oficial da Aeronáutica frustrado por não pilotar jatos, e uma dona de casa cuja alegria de vida vai cedendo às desilusões do casamento infeliz. Tudo ambientado no bucólico bairro carioca da Urca. Se não chegou a ser um grande filme, é um honesto acerto de contas do cineasta consigo mesmo.
Assim como seu assumido mestre Nelson Rodrigues, Jabor foi um crítico mordaz da família burguesa de classe média, da qual ele mesmo era fruto. Nunca foi de fazer concessões, nem veio ao mundo para concorrer a prêmio de simpatia. Como os títulos de vários dos seus filmes e livros indicam, tinha obsessão pelo amor entre mulher e homem. Sem atenuar dessa relação os conflitos. É mais do que se pode dizer da mediocridade reinante — contra a qual apontou o dedo sem dó, mas sempre com compaixão — que deixa para trás.
Ícaro diz ter crescido em meio às histórias de Pirica, pelo fato deste ter sido meu amigo desde a infância. Entre elas, sempre contei ao meu filho a do primeiro encontro entre os dois. Que relato aqui, antes de passar ao pungente texto do Smart.
Era o início dos anos 2000, quando Christiano, meu irmão e padrinho de Ícaro, nos tinha chamado para vê-lo jogando pelada na quadra de futebol de salão — naquela época, ainda se chama em sua forma portuguesa o futsal de hoje — do Tênis Clube. Fomos e lá estava também Pirica, que gostava de jogar de goleiro, posição que nós dois disputávamos, anos antes, em tantas outras peladas da nossa infância e adolescência comuns.
Ícaro tinha cerca de 2 anos e rápido encheu o saco de ver o futebol dos adultos, preferindo o parquinho infantil ao lado da quadra. Levei ele lá, para se distrair, quando Pirica, no time da cerca, se chegou e ficamos conversando. Após algum tempo de papo, de costas para Ícaro e diante do meu interlocutor, percebi que este ria, olhando por cima do meu ombro, de onde tambem vinham risos.
Tomado pela curiosidade súbita, olhei para trás, para notar Ícaro se divertindo. Não com nenhum brinquedo do parquinho, mas rodando sozinho, até ficar tonto e cair de bunda no chão. Após se refazer, levantava e repetia o pique consigo mesmo, até cair de novo, demonstrando em seus risos de criança o prazer com a sensação de vertigem. Voltei-me novamente a Pirica, quando ele sentenciou, em meio a gargalhadas: “Esse é dos meus!”.
Mesmo com um calafrio me correndo a espinha de pai com a “profecia” — que, graças a Deus, nunca se cumpriu, pelo menos não integralmente —, foi inevitável que eu risse também. Como faziam Ícaro e Pirica na identificação à primeira vista entre ambos, estreitada ao correr dos anos na bela amizade relatada abaixo:
Pirica e Ícaro no “escritório” do primeiro, na calçada da Beira Valão (Foto: Fernanda Toledo)
Ícaro Barbosa, jornalista (Foto: Facebook)
Pirica, muito estranho para viver e muito raro para morrer
Por Ícaro Barbosa
Pirica foi muitas coisas: surfista, radialista, chapeiro, encrenqueiro profissional e vendedor de água. Ele foi o que quis, com um grande coração e sem se preocupar com qualquer julgamento dos ditos “normais”. Tudo isso acabou na última quinta, quando ele foi atropelado e deixado para morrer, abandonado na Salvador Corrêa.
Marcelo Pirica, mais ou menos com a idade que Ícaro tem hoje (Foto: Arquivo Pessoal)
Comecei a ter mais contato com Pirica nos últimos quase dois anos, quando virei seu vizinho. Já o conhecia de vista e através de histórias, por conta da amizade de longa data que Marcelo Silva Martins tinha com meu pai, o jornalista Aluysio Abreu Barbosa. Eu sabia do jeito louco e amigável daquele cara incompreendido… e até me identificava com ele, de certa forma.
Afinidade entre nós dois, o gosto pelo blues e pela cerveja estreitou os laços, a ponto de eu chegar receber o apelido de “Smart” e ser chamado pelo maluco beleza da planície de “irmão” e “filho”.
Frequentemente passava pelo “escritório de Pirica”, aquele trecho final da Beira-Valão que é marcado com colorjet preto nas calçadas, nas muretas e nos arcos com o apelido de Marcelo.
Numa dessas caminhadas, em uma segunda-feira, por volta das 15h, parei e conversei com ele sobre as novidades do mundo do blues. Logo sentei e comecei a mostrar algumas músicas novas para ele. Pirica dançava, acompanhava com atenção e olhos fechados… e com o ouvido afiado ele opinava sobre cada um dos músicos e instrumentos, em cada uma das músicas.
— Gostei disso — disse, se referindo ao headphone conectado no Spotify.
— É a melhor coisa que tem, Pirica… você ouve a música que quiser, de qualquer lugar e a qualquer hora — expliquei.
— Porque você não falou antes, Smart… coloca uma pra mim — pediu, animado com o poder de escolha.
Perguntei qual ele queria e a resposta apressada foi:
— Bota aí “TV Dinners”, do ZZ Top.
A pancada começou no último volume do fone e Pirica entrou em frenesi: balançava a cabeça, tocava uma guitarra imaginária, cantava na calçada do seu escritório e, quando o sinal fechava, estendia o show para a rua — mandando dedo do meio e fazendo caretas para qualquer motorista que por acaso o olhasse meio atravessado.
Quando a música acabou, ele se sentou ao meu lado, na mureta do Valão, de onde eu acompanhava e me divertia com a cena. Pirica, então, devolveu o headphone e voltou a si. Ele falou sério, com os olhos meio marejados, e me deu um abraço: “esse foi o momento mais feliz do meu dia!”, suspirou.
Eu fiquei emocionado com aquilo e resolvi ir numa loja de churrasco das proximidades comprar umas garrafas de cerveja para dividirmos. Ele me acompanhou e conversamos um pouco sobre tudo ao longo do percurso.
Voltamos para o “escritório” e bebemos, assistindo os carros passarem, enquanto no celular tocava The Doors, Eric Clapton, Stevie Ray Vaughan e Barão Vermelho. Quando estava quase acabando a minha segunda garrafa — acompanhando o ritmo pesado de Pirica —, expliquei que tinha que ir embora para fazer algumas coisas em casa.
A gente se despediu e matou o líquido que restava nas garrafas. Pirica enxugou a boca na manga da camisa e sentado, de costas para o valão, arremessou o casco sem se preocupar com o local de aterrissagem. Eu observei, meio incrédulo, a garrafa caindo como bala de morteiro e se estilhaçando no outro lado do declive da Beira Valão. O barulho acabou provocando uma crise de risos em nós dois e chamando a atenção dos transeuntes para a gente… atenção para qual Pirica destinou seu tradicional “FODA-SE”.
Finalmente voltei caminhando pra casa, ainda com um sorriso no canto da boca por causa daquela cena assustadoramente espontânea.
Naquele dia, assim como quando recebi o soco que foi a notícia da sua morte, lembrei de um trecho do livro que estava lendo na época, “Medo e Delírio em Las Vegas”, do jornalista estadunidense Hunter S. Thompson:
“Lá vai ele. Um dos protótipos pessoais de Deus. Uma espécie de mutante de alta potência que nunca foi considerado para fabricação em massa. Muito estranho para viver e muito raro para morrer.”
Numa quinta nebulosa, pensei que nenhuma combinação de palavras ou notas musicais vai ilustrar tão bem o que foi o lendário Pirica. Seja lá o que tenha significado para si mesmo e para todos aqueles tantos campistas que conviveram com ele.
Felipe Drumond, advogado criminalista, professor de Direito Penal e Processo Penal, e colecionador, atirador e caçador (CAC) registrado no Exército Brasileiro
Aumento de armas lícitas e incremento de criminalidade: uma correlação comprovadamente inexistente
Por Felipe Drumond
Desde o início do mandato do atual presidente Jair Bolsonaro, em janeiro de 2019, a possibilidade de a população civil adquirir armas de fogo tem voltado ao centro do debate. Recentes episódios de apreensão de quantidade relevante de armamento e munições de calibres restritos que, em tese, teriam sido legalmente adquiridas por Colecionador, Atirador e Caçador (CAC) registrado no Exército, para serem desviadas para organizações criminosas aumentaram as tensões a respeito do tema. Some-se a isso a iminência da votação, no Senado, do Projeto de Lei (PL) 3.723/2019, que regulamenta a atividade do tiro desportivo, da caça e do colecionismo e seus respectivos acervos de armas.
O contexto tem sido utilizado para que parte considerável da mídia e entusiastas do desarmamento elevem o tom das críticas clamando por mais restrições. Sustenta-se que (pseudos) estudos demonstram que quanto mais armada estiver a sociedade, maior será a violência, além de terem ganhado corpo as alegações de que armas de acervos particulares, especialmente de CACs, são usadas para abastecer a criminalidade, o que seria ainda mais agravado por supostas políticas de afrouxamento no controle das armas pelo Estado. Nada mais equivocado e carente de qualquer comprovação.
Quando, em 2003, entrou em vigor o Estatuto do Desarmamento (Lei nº 10.826/2003), seus entusiastas defendiam mais restrição e maior controle no comércio de armas e munições para se reduzir os índices de violência. No decorrer da década de 80, o Brasil apresentava uma variação de cerca de 14 mil (1980) a 29 mil (1989) homicídios por ano, dentre os quais não se tinha uma porcentagem maior do que 47% desses delitos praticados com armas de fogo. Durante a década de 90 e início dos anos 2000 esses números subiram consideravelmente, com um salto do patamar de cerca de 32 mil, em 1990, para mais de 51 mil homicídios em 2003. O porcentual de emprego de armas de fogo nesses crimes também subiu de maneira progressiva, alcançando a marca de 71% em 2003.
Em 2004, já após início da vigência do Estatuto do Desarmamento, os números totais de homicídios praticados com arma de fogo reduziram em cerca de 5%. Era o contexto perfeito para os desarmamentistas afirmarem que se comprovava a tese de que o aumento de armas em circulação, ainda que lícitas, causava elevação dos índices de violência.
No entanto, não se propagava que os homicídios como um todo haviam sido reduzidos em torno de 5% naquele ano, de modo que as mortes provocadas por armas mantinham-se no mesmo patamar de cerca de 70% das ocorrências. Não havia, portanto, diminuição proporcional nessa prática de violência armada, de modo que não se pode ser atribuído nenhum efeito à política de restrição ao comércio de armas.
Embora os desarmamentistas insistam em afirmar que a restrição às armas poupou milhares de vidas e diminuiu a violência, em nenhum período de vigência do Estatuto do Desarmamento isso pode ser verificado. Ao contrário, a média anual de homicídios praticados com arma de fogo entre os anos de 1987 a 2003 é de 59,99%, enquanto entre 2004 a 2020, após a vigência da lei restritiva, a média é de 71,73%, o que representa um aumento nominal de 11,74 pontos porcentuais. Apesar de ter sido extremamente dificultado o acesso às armas de fogo, não houve redução de seu emprego na violência letal.
Após uma escalada crescente no número de homicídios em plena vigência do Estatuto do Desarmamento, em 2018 houve uma marcante redução nesses indicadores, que registraram 55.914 mortes, 12,29% a menos que em 2017, quando ocorreram 63.748 assassinatos. Por outro lado, no mesmo ano houve um aumento considerável nas novas armas de fogo registradas, totalizando 196.733 unidades, 42,4% a mais que em 2017. Provava-se, mais uma vez, a improcedência da tese central dos desarmamentistas: apesar do aumento de 42,4% de armas em circulação, os homicídios foram reduzidos em cerca de 13%.
Em 2019, ano marcante de estabelecimento das políticas de incentivo às armas de fogo do governo federal, novo recorde foi estabelecido na diminuição de homicídios. Naquele período esse número foi reduzido para 44.033, o que representou 21,25% menos mortes, a maior redução registrada em 40 anos.
Os novos registros de utilização de armas de fogo nesses crimes foram ainda mais notáveis. Enquanto em 2018 41.179 homicídios tiveram emprego de arma, 13,33% a menos que em 2017 (47.510), em 2019 foram 30.825 delitos dessa espécie, o que representou uma queda histórica de 25,14%. Desde 1999 não eram registrados homicídios com arma de fogo em patamar tão reduzido.
Por outro lado, o ano de 2019 representou novo recorde no registros de novas armas. De acordo com dados disponibilizados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entre 2017 e 2019 ocorreu uma elevação de 65,6% nos registros de armas de fogo cadastradas no Sinarm, da Polícia Federal, partindo de 637.972 em 2017 para 1.056.670 em 2019. Apesar disso, os indicadores do Datasus registraram, no período, uma diminuição de 30,93% nos números absolutos de homicídios e de 35,12% nos delitos dessa natureza praticados com armas.
As taxas de homicídio por 100 mil habitantes também têm experimentado reduções históricas, em que pese o aumento vertiginoso das armas lícitas em circulação no país. Após ter sido registrada a mais alta de taxa de homicídios em 2017, com 30,7/100 mil habitantes, a partir de 2018 esses indicadores passaram a diminuir, com 26,8 homicídios/100 mil habitantes, uma queda de 12,64% em comparação ao ano anterior. Em 2019, houve diminuição ainda mais significativa, que não se alcançava desde os idos de 1993, tendo sido registrada taxa 21,87% menor que em 2018, representando 20,9 homicídios por 100 mil habitantes, marca repetida em 2020.
Mas não é só. Tem sido comum a afirmação de que a “facilitação” de acesso às armas representa perigoso instrumento para desvio dos acervos particulares para abastecer a criminalidade. Nesse sentido, são robustecidas as críticas às normas que regem as atividades dos CACs, tendo em vista poderem adquirir, mediante autorização e registro do Exército, quantitativo maior de armas e munições, inclusive modelos semiautomáticos de calibres restrito. Supõe-se, assim, de maneira equivocada, ser corriqueiro CACs adquirirem armas e munições junto à indústria e a lojas do ramo para, posteriormente, repassarem especialmente para organizações criminosas armadas.
Entretanto, tais premissas não se verificam nos dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Do total de armas apreendidas por práticas criminosas, uma parcela ínfima corresponde àquelas registradas no Sigma, sistema vinculado ao Exército Brasileiro, no qual são registrados os armamentos dos CACs e demais produtos controlados. Em 2017, apenas 0,13% das apreensões era de armas registradas no Sigma. Em 2018 essa proporção foi de 0,15%, enquanto, em 2019, mesmo após os sucessivos aumentos exponenciais de novas armas em circulação, foram apenas 0,28% de armas cadastradas no Sigma apreendidas.
Natural seria que os índices de apreensão desses armamentos fossem minimamente robustos se as armas adquiridas por CACs estivessem, de maneira reiterada e volumosa, sendo desviadas para a criminalidade, o que sugere a forçosa conclusão de que não há indicativos concretos de uso relevante dessas armas para abastecimento de criminosos, mas apenas ocorrência de casos isolados sem expressividade global.
É minimamente estranho se supor que o crescimento na aquisição lícita de armas e munições ocorrido a partir de 2018 seja uma preocupante fonte de abastecimento para criminosos. Isso porque o destacado poderio bélico da criminalidade habitual não é novidade no Brasil, sendo certo que há muito tem estado suficientemente abastecida de armas e munições, especialmente em razão da aquisição desses itens por contrabando, mesmo quando de fabricação nacional, uma vez que o armamento aqui produzido não raramente é exportado e, posteriormente, retorna ao Brasil pelas mais distintas vias ilícitas.
É igualmente equivocada a ilação de que as sucessivas modificações por parte do Poder Executivo nas normativas de armas utilizadas pelos CACs têm retirado do Estado um efetivo controle sobre esses produtos. Essa suposição tem sido imprecisamente respaldada, entre outros motivos, no fato de que, em 2020, o Comando Logístico da Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados do Exército editou as Portarias Colog de números 46, 60 e 61, que tratavam, respectivamente, de procedimentos de rastreamento de produtos controlados, de identificação e marcação de armas de fogo e de marcação de embalagens e cartuchos de munição, e posteriormente as revogou por meio da Portaria Colog nº 62/2020.
A revogação dessas normas não representa afrouxamento na fiscalização de produtos controlados por parte do Exército. Ocorre que as portarias em questão impunham providências para a comercialização de armas e munições que, em última análise, viabilizaria o mercado exclusivamente para a indústria nacional, impondo ainda mais uma prática monopolista que retiraria a possibilidade de concorrência com produtos estrangeiros. Isso levaria, inclusive, à subtração das forças de segurança governamentais da possibilidade de receberem equipamentos de ponta e de maior confiabilidade em relação aos nacionais. Por outro lado, as determinações das normas revogadas não proporcionavam, sob o ponto de vista técnico, controle e rastreabilidade efetivos e inéditos em relação às armas de fogo e munições.
Entretanto, em 15 de setembro de 2021, com a finalidade de suprir a necessidade de mais controle e rastreabilidade, o Exército editou a Portaria Colog nº 213/2021, que aprova normas regulamentadoras de dispositivos de segurança e procedimentos para identificação e marcação de armas de fogo e suas peças, fabricadas no país, exportadas e importadas, e que vigorará a partir do mês de março de 2022.
Com a implementação da atual política de acesso às armas, para além do aumento no número de seus registros, observa-se um incremento considerável nos estabelecimentos de comercialização de produtos e de prestação de serviços relacionados a armas de fogo, bem como nas práticas de tiro esportivo, modalidade absolutamente pacífica, sem intercorrências criminosas e violentas registradas, responsável pela primeira medalha de ouro olímpica para o Brasil, conquistada por Guilherme Paraense na Antuérpia, em 1920. Atualmente são milhares de empregos criados e mantidos em razão das atividades relacionadas às armas, que são responsáveis por expressiva geração de riqueza e movimentação da economia em momento de retração econômica no país e no mundo.
É lamentável se observar que um tema de tão destacada importância esteja, cada vez mais, sendo tratado com base em preferências e paixões políticas pessoais, em detrimento de um debate técnico, voltado para a observação de índices estatísticos isentos dos impactos das armas de fogo na defesa e na segurança da sociedade, além de sua repercussão no mercado de um país desejoso de crescimento econômico.
“Quem não conhece Pirica, não conhece Campos”. Dada por ele mesmo numa entrevista informal em vídeo ao meu filho, Ícaro, adotado pelo entrevistado, essa era a melhor definição de Marcelo Silva Martins, o Pirica. E da sua exata correlação com a cidade, que amanheceu quinta mais triste com a sua morte precoce, aos 50 anos. Estava no Hospital Ferreira Machado (HFM), para onde fora levado algumas horas antes, após ser atropelado na noite de quarta, na subida da Beira Valão com a Salvador Corrêa, uma das raras da planície que o tinha em alta conta. E baixou “à úmida terra imposta” na manhã de ontem, no Campo da Paz, levando no caixão a bandeira de uma das suas maiores paixões em vida: o Fluminense Football Club.
Nos vários testemunhos que pipocaram após sua morte, alguns foram emblemáticos. Entre eles, o dado pelo amigo comum George Gomes Coutinho, sociólogo, cientista político, professor da UFF-Campos e músico nas horas vagas. Pois Pirica era, sem nenhum favor, um dos maiores conhecedores de blues e rock da cidade. Escreveu George e publiquei no blog Opiniões, ao final do texto para anunciar a morte sentida: “Filho das classes altas campistas, optou por fazer de sua existência algo entre o desbunde e o mais profundo ‘foda-se’ aos tradicionalismos da planície escravista. Ele debochava solenemente dos lambe botas da açucarocracia. Fazia sentido. Era filho legítimo da contracultura”.
Na definição do sociólogo está a de Pirica sobre si. Filho do hoje falecido empresário Maurício Martins, dono da Big 13, ele foi filho também do boom que as malharias tiveram na cidade nos anos 1980. Foi na década em cujo início nos conhecemos, ainda crianças, na colônia de férias do Auxiliadora. E no final da qual estudamos juntos, embora em turmas separadas, no mesmo colégio. Entre uma coisa e outra, teria fim a última ditadura militar brasileira, em 1985. A mesma que, 37 anos depois, alguns afirmam não ter existido. Os mesmos que pregam pela morte de crianças, questionando nelas a aplicação da vacina contra a Covid.
Criança e adolescente, Pirica sorveu da fase áurea das confecções. Como em outro testemunho, dado pessoalmente por outro amigo comum de adolescência, o médico Pedro Ribeiro Gomes: “Ninguém diria que aquele cara desdentado, quando criança, conheceu a Disney”. Pirica conheceu. E optou, na vida adulta, por rir do Mickey Mouse, seus príncipes encantados e Patetas, com a boca escancarada. Mas não cheia de dentes, como a cantada por Raul Seixas. Rir de deboche da vida burguesa, “ouro de tolo” a quem a mastigou, sorveu e cuspiu. Conhecer Pirica era conhecer Campos, tanto pela sua elite, quanto por quem não lhe dá a mínima. Sem nunca perder a capacidade de rir de si mesmo. E de, naturalmente, fazer rir.
Como também testemunhou ontem, em seu velório, o radialista Ricardo Salgado: “Pirica era a essência do bom humor; um humor infantil, um humor doce. Ele disse não à riqueza da família dele, mas não de uma maneira marginalizada. Ele foi viver a vida, foi curtir a vida. E curtiu a vida, em toda sua essência, à maneira dele. Era uma ótima pessoa. Quem não conheceu Pirica, não conheceu a essência do campista. Pirica era bem-humorado, Pirica era politizado, Pirica conhecia muito bem as coisas de Campos. Vai deixar um espaço muito grande no meio underground, no meio do rock, do blues. A juventude de Campos perdeu, talvez, um dos maiores bon vivants da nossa geração”.
Do tempo dos lados B dos discos, dos quais conhecia de cabeça todos os músicos de qualquer gravação de rock ou blues, Pirica nunca ignorou que há a outra face em qualquer moeda. Na contabilidade das suas, outro amigo comum, o empresário Pedro Vianna também deu seu testemunho. Marcado pela bifurcação entre a sua própria vida e a breve de Pirica: “Tinha uma personalidade sempre controversa desde novo. Como Eu, foi buscar no mundo das drogas uma fuga para o não enfrentamento de questões que não vêm ao caso agora externar. Sete de dezembro de 2000, no churrasquinho do Sangue Bom, por volta das 3h da manhã, foi o meu último diálogo com Ele. Dali, Eu saí para busca de uma nova forma de viver e Ele infelizmente não se permitiu a mesma oportunidade”.
Na dúvida, como numa letra de blues, ficam os versos da “cantiga” de Dante Milano: “A vida é tempo perdido./ O que se ganha é bem pouco./ Que vale ao morto o vivido?/ Que vale ao vivo, tampouco?”. Cerca de duas décadas atrás, lembro de os ter repetido a Pirica, numa madrugada ébria daquelas conversas sobre tudo. Na afluência de alma entre os rios Paraíba do Sul e Mississipi, foi no Bar do Afrânio, pé sujo mais tradicional de uma planície deltaica. Bem perto de onde seu frequentador mais assíduo seria colhido por um carro e pela vida, após quedar sozinho no meio da rua e de uma outra noite, tantos anos depois.
Também lembro que, com o fundo de uma música brega que tocava no jukebox do Afrânio, Pirica protestou aos versos. E, com seus inconfundíveis dois dedos entre a boca e o bigode, ecoou em sua voz rouca de bluseiro a resposta às indagações do grande poeta modernista brasileiro: “A minha vida valeu!”.
Pirica não morreu. Desaguou no Paraíba para encontrar Neivaldo na foz.
Campos entre o prefeito Wladimir Garotinho, o senador Carlos Portinho, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, o ex-procurador José Paes Neto, o ex-prefeito Rafael Diniz e o ícone goitacá Marcelo Pirica (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Wladimir em Brasília por Campos
“O acordo entre o município de Campos e a Caixa Econômica Federal (CEF) está próximo de sair nos próximos meses”. Foi o que projetou ao blog Opiniões, na tarde de quinta (10), o prefeito Wladimir Garotinho (PSD). Falou de Brasília, onde teve naquela mesma tarde uma reunião com o presidente da CEF, Pedro Guimarães. A pauta foi a negociação para retomar o pagamento da cessão de crédito feita em maio de 2016 pela então prefeita Rosinha Garotinho (hoje, Pros), no apagar das luzes do governo Dilma Rousseff (PT), chamada à época de “venda do futuro”. O valor da dívida, hoje considerada impagável, está na casa do R$ 1,2 bilhão.
Campos e Caixa
“A reunião foi muito produtiva e as equipes técnicas avançaram bem. Podemos estar próximos de um acordo histórico, resolvendo um passivo imenso acumulado por inadimplência irresponsável. Esse assunto é tratado na CEF com muita mágoa, pela maneira que o Executivo municipal o tratou na gestão passada (Rafael Diniz, Cidadania). Além de resolver esse litígio, o mais importante foi a reaproximação das instituições”, completou Wladimir. Na reunião na sede da CEF, ele foi acompanhado do senador Carlos Portinho (PL/RJ) e de Thiago Ferrugem, assessor da deputada federal Clarissa Garotinho (Pros), que não pode estar presente.
Histórico da dívida
Pela resolução 43/2001 do Senado, assim como pela autorização da Câmara Municipal de Campos em 2016, os pagamentos da operação financeira não poderiam exceder 10% das receitas petrolíferas do município. Só que o limite não foi obedecido pelo contrato entre a CEF e o governo Rosinha. Mas foi imposto pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), em julho de 2017. Graças a uma tese do então procurador do Legislativo goitacá, Robson Maciel Junior, que entrou junto com o governo Rafael. A CEF recorreu e a juíza federal Rosângela Martins determinou, em 2021, que as duas partes fizessem um acordo.
Dívida está em R$ 1,2 bilhão
Wladimir e Clarissa já tinham se reunido na sede da CEF em agosto de 2021. “Desde então, as equipes técnicas do município e da Caixa estão negociando. A solução é aumentar o prazo e diminuir o percentual dos pagamentos. A dívida foi paga em dia até dezembro de 2016. E não paga de 2017 até o momento. Rafael judicializou e a dívida ficou impagável”, disse o prefeito. Se não houver acordo, a execução da dívida significaria a insolvência financeira do município. Em caso de litígio, é consensual no meio jurídico que a Caixa ganharia. E com a correção, que é um dos principais pontos da negociação, o montante chegou a R$ 1,2 bilhão.
José Paes responde
No grupo de WhatsApp que o blog Opiniões divide com o programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, o ex-procurador-geral do município na gestão Rafael, José Paes Neto, respondeu às acusações de Wladimir ao seu antecessor no cargo. E respondeu às provocações do atual prefeito: “Curiosa a forma como o prefeito de Campos trata a questão. A mãe (Rosinha) celebra um acordo completamente ilegal, que desrespeita os termos da autorização dada pela Câmara, e ele ainda tem a coragem de colocar a culpa em Rafael, que se valeu do Judiciário apenas para fazer valer o que o Senado e a Câmara Municipal autorizaram“.
E Rafael?
José Paes completou: “não fosse a ação da Procuradoria do Município (em 2017, junto à então Procuradoria da Câmara), os efeitos teriam sido catastróficos à cidade. Ao invés de inventar desculpas, Wladimir deveria agradecer a Rafael por ter enfrentado a irresponsabilidade dos pais dele”. Rixa política ao largo, o ex-procurador não falou sem lógica. Tanto que ele não foi respondido por nenhum dos vários integrantes do atual governo, na democracia do mesmo espaço virtual. Onde talvez não haja lógica é no fato de Rafael, que integra o mesmo grupo de WhatsApp, não falar por ele mesmo. E, aparentemente, se escudar na defesa de ex-assessores.
O exemplo de Pirica
Foi como combativo vereador de oposição que Rafael conquistou sua vitória consagradora em 2016, se elegendo prefeito de Campos em 2016 no primeiro turno. Negar essa característica da sua ascensão política meteórica, se isolando do povo com seus assessores na Prefeitura, o levou à derrocada nas urnas de 2020. Se não fez um bom governo, o ex-prefeito é uma excelente pessoa e um cristão verdadeiro, como provou na manhã de ontem, ao prestigiar o velório de Marcelo Silva Martins, o icônico Pirica, vítima de atropelamento na quinta. É mais em Pirica e menos nos seus assessores que Rafael deveria se inspirar para sair do casulo.
Sob a imagem de Jesus, Pirica foi velado na Capela A do Campo da Paz, acompanhado no caixão pela bandeira de uma das suas maiores paixões, o Fluminense Football Club (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)
Com a advertência de que contém cenas fortes, abaixo o vídeo:
Pirica foi depois também socorrido pelos Bombeiros, sendo encaminhado ao HFM. Lá, chegou a ser atendido, mas acabou não resistindo aos ferimentos, vindo a falecer algumas horas depois.
Abaixo, o vídeo do sepultamento de Pirica na manhã de hoje, feito pelo repórter-fotográfico da Folha Genilson Pessanha, segudo de três testemunhos. O primeiro, também em vídeo, do radialista e promotor de eventos Ricardo Salgado, foi tomado no velório:
Também presente ao velório, o ex-prefeito Rafael Diniz, foi outro que deu seu testemunho sobre Pirica à reportagem da Folha:
Ex-prefeito de Campos, o rubro-negro Rafael Diniz se despediu do grande tricolor Marcelo Pirica (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)
Rafael Diniz — “Marcelo, nosso querido Pirica, foi uma pessoa muito especial para mim e para minha família. Nossas famílias sempre foram muito amigas. Quem teve a oportunidade de conhecer Pirica com mais proximidade, assim como eu, sabia do cara especial que ele era. Era muito inteligente, com um humor que encantava todos que estavam próximos dele, um cara incapaz de fazer mal ao próximo. Se Marcelo fez alguma coisa, pode ter certeza que foi pra ele… para os outros ele só fazia o bem. Que Deus o receba com todo seu amor e misericórdia, e cuide de seus filhos”.
O terceiro testemunho, escrito pelo empresário Pedro Vianna, aborda a delicada questão da dependência química. Da qual Pedro se trata com êxito há mais de 20 anos:
Pedro Vianna, empresário
Ele e Eu
Por Pedro Vianna
Pirica, bom colega da minha adolescência. Atleta das divisões de base do Americano e filho de próspero empresário de Campos. Estudamos juntos também.
Tinha uma personalidade sempre controversa desde novo. Como Eu, foi buscar no mundo das drogas uma fuga para o não enfrentamento de questões que não vêm ao caso agora externar.
Sete de dezembro de 2000, no churrasquinho do Sangue Bom, por volta das 3h da manhã, foi o meu último diálogo com ele. Dali, Eu saí para busca de uma nova forma de viver e Ele infelizmente não se permitiu a mesma oportunidade.
Uma pena, nos deixa um cara que, até aquela data, posso dizer se tratar de uma pessoa alegre, de bom trato e que não arrumava problema com ninguém. Fica para mim a certeza que, quando fiz a minha escolha, acertei e venho acertando desde então e a tristeza de ver uma vida de um colega ser interrompida dessa forma.
Desejo pêsames à famíla e a todos que, como Eu, de alguma forma, puderam desfrutar de bons momentos com Ele.
Houve ou não omissão de socorro?
O caso está sendo investigado na 134ª DP, cuja assessoria de imprensa respondeu à demanda gerada pela reportagem da Folha: “A 134ª trabalha e está apurando o caso. Testemunhas foram intimadas e as imagens das câmeras foram coletadas. É tudo que podemos informar”. Para tentar esclarecer pela luz da razão o debate sobre omissão ou não de socorro no atropelamento, sempre passional quando se trata da morte trágica de uma figura querida como Pirica, o blog procurou a análise de três especialistas:
João Paulo Granja, advogado do Grupo Folha
João Paulo Granja — “Pelas imagens do circuito de câmeras, percebe-se que o veículo que atropelou Marcelo encontrava-se em velocidade compatível com o local, não havendo como ser imputado ao condutor a intenção de atropelar, ou atuação com imperícia, negligência ou imprudência, pressupostos da culpa. No que concerne à omissão de socorro, as imagens não deixam claro se, no espaço de tempo entre o atropelamento e o momento em que o condutor deixou o local, este ou terceira pessoa teria solicitado socorro da vítima, cumprindo os requisitos do art. 304 do Código de Trânsito, sendo certo não lhe ser exigido realizar qualquer atendimento médico ou prover socorro em seu veículo, conduta não recomendada nessas hipóteses”.
Felipe Drumond, advogado criminalista
Felipe Drumond — “É preciso averiguar se o condutor dirigia sem imperícia, imprudência ou negligência. Além disso, é preciso verificar se, em que pese ter se evadido do local, tomou alguma providência para que a vítima fosse socorrida. Se ficar constada falta de cuidado ao volante, o motorista terá cometido o crime de homicídio culposo, previsto no art. 302 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Além disso, se for constatado que o motorista não tomou providências para o socorro da vítima, incidirá a causa especial de aumento de pena de 1/3 prevista no art. 302, § 1º, inciso III, do CTB. Nessa hipótese, não haveria crime autônomo de omissão de socorro. Se for concluído que o motorista dirigia com os devidos cuidados, mas atropelou a vítima sem que fosse razoável exigir que fosse evitado, não há crime de homicídio culposo. No entanto, se o motorista sequer tomou providências para que as autoridades socorressem a vítima, cometeu o crime de omissão de socorro, previsto no art. 304 do CTB. Por fim, o fato de o motorista ter saído do local do acidente indica a provável prática do crime previsto no art. 305 do CTB, quando o condutor se afasta do local de acidente para se furtar à responsabilidade penal ou civil. Seu afastamento, no entanto, poderia ser justificado para buscar ajuda ao imediato socorro da vítima, o que não parece ter ocorrido”.
Filipe Estefan, advogado e presidente da OAB-Campos
Filipe Estefan — “Pelas imagens divulgadas, inicialmente entendo que houve omissão de socorro, no art. 135 do Código Penal. E consiste numa conduta típica em deixar de prestar assistência, sem risco pessoal, quando possível fazê-la, ou não pedir socorro à autoridade pública competente. Porém, a decisão do indiciamento fica por conta do investigador, que irá analisar as características objetivas e subjetivas do fato”.
Atualizado às 13h36: em respeito à verdade dos fatos e à memória de Pirica, a postagem sofreu várias alterações entre o início da manhã e da tarde de hoje, para correção e inclusão de novas informações.
Presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, e Wladimir Garotinho em reunião na tarde de hoje, em Brasília (Foto: Divulgação)
“O acordo entre o município de Campos e a Caixa Econômica Federal (CEF) está próximo de sair nos próximos meses”. Foi o que projetou ao blog o prefeito Wladimir Garotinho (PSD), falando de Brasília, onde teve nesta tarde uma reunião com o presidente da CEF, Pedro Guimarães. A pauta foi a negociação para retomar o pagamento da cessão de crédito feita em maio de 2016 pela então prefeita Rosinha Garotinho (hoje, Pros), no apagar das luzes do governo Dilma Rousseff (PT), chamada à época de “venda do futuro”.
— A reunião foi muito produtiva e as equipes técnicas avançaram bem. Podemos estar próximos de um acordo histórico, resolvendo um passivo imenso acumulado por inadimplência irresponsável. Esse assunto é tratado na CEF com muita mágoa, pela maneira que executivo municipal tratou na gestão passada (Rafael Diniz, Cidadania). Além de resolver esse litígio, talvez o mais importante, marcou a reaproximação das instituições — disse Wladimir. Na reunião hoje com o presidente da CEF, ele foi acompanhado do senador Carlos Portinho (PL/RJ) e do ex-vereador de Campos Thiago Ferrugem, assessor da deputada federal Clarissa Garotinho (Pros), que não pode estar presente
Pela resolução 43/2001 do Senado, assim como pela autorização da Câmara Municipal de Campos em 2016, os pagamentos da operação financeira não poderiam exceder 10% das receitas petrolíferas do município. Só que o limite não foi obedecido pelo contrato entre a CEF e o governo Rosinha. Mas foi imposto pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), em julho de 2017. Graças a uma tese do então procurador do Legislativo goitacá, Robson Maciel Junior, que entrou junto com o governo Rafael. A CEF recorreu e a juíza federal Rosângela Martins determinou, em 2021, que as duas partes fizessem um acordo.
Para tentar o acordo, Wladimir e Clarissa já estiveram na sede da CEF, em 18 de agosto de 2021. “Desde então, as equipes técnicas do município e da Caixa estão negociando. Rafael judicializou e a dívida ficou impagável. A solução é aumentar o prazo e diminuir o percentual dos pagamentos”, disse o prefeito de Campos. Se não houver acordo, a execução da dívida com a Caixa significaria a insolvência financeira do município.
Campos perdeu hoje uma das suas figuras mais icônicas. Pela manhã, morreu no Hospital Ferreira Machado (HFM) Marcelo Silva Martins, aos 52 anos, mais conhecido como Pirica. Ele foi atropelado na noite de ontem na rua Salvador Corrêa, em frente ao flat Jardim de Allah. O velório na Capela A do Campo da Paz atrasou, por conta da liberação do corpo no IML, e só deve começar às 19h de hoje. O enterro está programado para às 9h30 da manhã desta sexta (11). Ele deixa os filhos Naiana, Felipe e Ketlen.
Seguem abaixo as imagens do momento do seu atropelamento, nas ruas noturnas de Campos, nas quais nunca foi difícil se encontrar Pirica em vida:
Pirica era filho do já falecido empresário Maurício Martins, que marcou época na cidade com a malharia Big 13, cujo prédio das antigas instalações, na saída da cidade, o filho morava. O conheci no início dos anos 1980, na colônia de férias do Auxiliadora, onde ele estudou e voltaríamos a nos encontrar, como alunos do ensino médio, ainda naquela década. Filho da classe média alta goitacá, optou adulto pela vida do underground goitacá, onde era figura folclórica e conhecida de toda a boemia. Foi, sem favor, um dos grandes entendedores de blues e rock da cidade. Torcedor apaixonado do Fluminense, era também um grande conhecedor de futebol.
Nessas coisas de cidade de porte médio, mas que ainda mantém algumas das tradições do interior, Pirica se tornou também amigo do meu filho, Ícaro. A quem ele trata de “meu irmão” e “meu filho”. Em vídeo gravado por ambos em 2021, quem hoje nos deixou a todos meio órfãos talvez tenha dado a mais precisa definição da relação entre ele e esta cidade que tanto marcou: “Quem não conhece Pirica, não conhece Campos”.
Sempre contestador, deixou em outro vídeo com definição pouco lisonjeira sobre o campista médio. Após fazer sua mensagem de cobrança: “Cadê a educação e a saúde?”. A provar que loucos talvez sejam aqueles que julgam “normal” não lhe dar ouvidos:
Abaixo, o relato do músico, sociólogo, cientista político e professor da UFF-Campos, George Gomes Coutinho, sobre essa figura da nossa geração que tanto marcou a nossa cidade:
George Gomes Coutinho e Marcelo Pirica
“Este 10 de fevereiro nublado se tornou ainda mais cinza para todos que viveram e vivem o underground campista. Marcelo Pirica nos deixou. Pirica se encontrou de maneira violenta com uma das Moiras e fez seu caminho para outro plano ainda mais misterioso da existência.
O conheci ali no final da minha adolescência e início da vida adulta entre a fauna do bar Bicho André. Batemos muito papo. Pirica era um blues rocker em minha perspectiva. Sim, amava o blues. Mas, em nossos papos, demonstrava predileção pela versão eletrificada que gente como Hendrix ou Steve Ray Vaughan popularizaram.
Pirica, além de sua cultura musical, era o nosso ‘doido da tribo’. Filho das classes altas campistas, optou por fazer de sua existência algo entre o desbunde e o mais profundo ‘foda-se’ aos tradicionalismos da planície escravista. Ele debochava solenemente dos lambe botas da açucarocracia. Fazia sentido. Era filho legítimo da contracultura.
Fará falta. Descanse em paz, Marcelo. E que haja a elucidação plena do fato que causou sua passagem prematura.”
Atualizado às 17h56 com novas informações sobre o velório e o enterro de Pirica.
Aompanhado de Clarissa, o presidente Bolsonaro foi recebido no aerporto Bartolomeu Lisandro na última segunda, pelo prefeito Wladimir (Foto: Supcom)
Com Joseli Mathias e a assessoria da deputada federal Clarissa Garotinho
No dia 26, a deputada federal Clarissa Garotinho (Pros) confirmou a visita do presidente Jair Bolsonaro (PL) a Campos e São João da Barra, realizada na última segunda (31). Era esperado que o capitão anunciasse R$ 14 milhões para de um novo prédio ao Hemocentro de Campos. Mas isso acabou adiado para uma reunião de Clarissa, acompanhada do prefeito Wladimir Garotinho (PSD), mais o senador Carlos Portinho (PL/RJ), com o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, na próxima quinta (10), em Brasília. O que Bolsonaro de fato anunciou para Campos, com recursos federais, são três obras de ampliação das BRs 101 e 356, dentro do trecho urbano do município. Elas já têm verbas garantidas de R$ 20 milhões no Orçamento da União de 2022, após articulações de Wladimir e Clarissa no Congresso Nacional. O texto final do Orçamento foi sancionado pelo presidente no final de janeiro.
Na quinta, atendendo à demanda gerada pella reportagem da Folha da Manhã, a assessoria do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) confirmou na quinta (03) o anúncio do presidente na segunda. E deu prazo para a licitação: “As intervenções a serem realizadas na cidade de Campos dos Goytacazes são na BR 101, entre o Trevo do Índio e o Hotel Doce Lar, com obras de duplicação. Outro segmento a ser duplicado é entre o final da avenida Presidente Kennedy, no bairro Jóquei Clube, e o trevo com a avenida Alberto Lamego. Os projetos estão em fase final de desenvolvimento e têm previsão de lançamento de edital de licitação em abril/2022. Os recursos são da ordem de R$ 20.000.000,00 e estão previstos na LOA (Lei Orçamentária Anual) 2022”.
Ampliação da capacidade de tráfego com o alargamento das BR 101, implantando-se duas faixas de rolamento novas, uma em cada sentido, entre o Km 64,1, na altura do Hotel Doce Lar; e o Km 67, no trevo de entrada da cidade (Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr./Foto: Rodrigo Silveira)
Conclusão da duplicação do trecho da BR 356 entre o final da avenida Presidente Kennedy, já duplicada até o Cepop, num total de 1,5 Km (Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr./Foto: Rodrigo Silveira)
Também demandada pela Folha, a assessoria do ministério da Infraestrutura confirmou na sexta (04) as informações do Dnit. Além das duas obras, há uma terceira solicitada pelo município. É a conclusão da interligação da av. Estilac Leal com as BRs 101 e 356, visando facilitar o acesso à ponte Alair Ferreira para escoamento do sentido Sul, sem os atuais transtornos causados pelo acesso provisório. Para que saia, caberá à Prefeitura fazer as desapropriações necessárias.
Interligação das BRs 356 e 101 à avenida Estilac Leal, para permitir a plena utilização de acesso à Ponte Alair Ferreira. Será uma intervenção num trecho de 200 metros. Dentro da área urbana, são coincidentes os trechos da BR 356, sob administração do Dnit; e da BR-101, sob administração da concessionária Arteris (Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr./Foto: Rodrigo Silveira)
Clarissa garantiu que as intervenções nas BRs vêm sendo tratadas como prioridade pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, desde que ele foi procurado, em agosto do ano passado, pela deputada e Wladimir, em Brasília. A demanda se encontra em fase de elaboração do projeto Dnit. A etapa seguinte será a abertura do processo de licitação prevista para abril. O anúncio das obras foi feito na segunda pelo presidente e o ministro Tarcísio, durante a entrevista à afiliada local de uma rede de TV ligada nacionalmente a Bolsonaro. Na ocasião, o presidente chamou Clarissa para uma participação ao vivo, agradecendo pelo trabalho que ela vem fazendo na região. “A vinda de Bolsonaro é um passo para o fortalecimento da nossa região. As obras na BR 101 são a cereja do bolo”, disse a deputada.
Wladimir também considerou produtiva a agenda, principalmente no sentido de estreitar as relações com o Governo Federal e trazer investimentos: “Estamos sempre buscando parcerias para que a população tenha qualidade de vida muito melhor”, disse o prefeito.
Prós e contras das obras na visão dos especialistas
Ricardo Paes Teixeira, arquiteto
“Vejo as três propostas de intervenções anunciadas como melhorias restritas ao entorno da cidade de Campos. São bem-vindas como obras complementares. Mas ainda não é o que se espera para uma cidade do nosso porte. Necessitamos de propostas muito mais amplas, resultantes de um profundo estudo que contemple todas nossas características socioeconômicas atuais. Que seja base para um plano diretor de mobilidade urbana para atender às nossas necessidades momentâneas. Mas que deixe propostas mais ambiciosas para ações futuras”, foi como analisou o arquiteto Ricardo Paes Peixeira as obras anunciadas nas BR 101 e 356 por Bolsonaro.
Sérgio Mansur, engenheiro civil
“São três obras de fácil execução, que permitirão uma melhor fluidez no trânsito devido a separação dos sentidos de deslocamento e duplicação das faixas de rolamento. Por ainda não termos conseguido a retirada do trânsito rodoviário da área urbana, acrescido do movimento de cargas gerado pelo Porto do Açu, como também da expansão urbana às margens das BRs, somos obrigados a criar soluções alternativas para amenizar os impactos. Essas três, que conseguimos, irão permitir um alívio em trechos já bastante congestionados. E, o mais importante, são soluções factíveis a curto prazo”, explicou Sérgio Mansur, engenheiro civil com especialização em transporte e subsecretário de Mobilidade de Campos.
Chapa presidencial de Lula e Geraldo Alckmin foi confirmada pelo vereador carioca petista Lindbergh Farias, que também confirmou o apio do PT a Marcelo Freixo (PSB) a governador do RJ, com o presidente petista da Alerj, André Ceciliano, a senador (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Lula/Alckmin (I)
Enquanto Campos vai a Brasília por seu futuro, a Folha FM trouxe os bastidores do futuro do Brasil a Campos. Na última quarta (02), o entrevistado do Folha no Ar foi o vereador carioca Lindbergh Farias (PT). Ex-senador, ele participa das decisões de cúpula do seu partido. E garantiu: “Essa chapa Lula/Alckmin já é uma realidade”. Líder isolado em todas as pesquisas presidenciais, o ex-presidente já disse não esperar nenhum voto em São Paulo, onde o ex-tucano Geraldo Alckmin foi governador duas vezes, por tê-lo como vice. Mas Lula quer com ele mandar um sinal, oposto ao radicalismo do presidente Jair Bolsonaro (PL): a conciliação.
Lula/Alckmin (II)
“Tudo indica que seja no PSB a filiação de Alckmin (que deixou o PSDB e está sem partido). Mas pode ser que seja em outro partido, porque as coisas estão evoluindo, ninguém sabe para onde vai o PSD do (Gilberto) Kassab. O Solidariedade tudo indica que venha para o lado de cá (do PT) também. Então, a tendência é ir ampliando. À medida que chega a eleição, os deputados vão vendo quem melhor ajuda as suas candidaturas. Nessa base do Centrão que está aí com Bolsonaro, vai ter um bocado de traição, de gente que vai pular para o lado do Lula. Isso é o que mais existe no Congresso Nacional. Acho que a chapa presidencial Lula/Alckmin já é uma realidade, já está consolidada”, disse Lindbergh à Folha FM.
Lula/Alckmin (III)
Lula já disse que não reeditará em 2022 a “Carta aos Brasileiros”, garantindo que respeitaria a economia de mercado e fundamental à sua primeira eleição presidencial em 2002. Após perder no 2º turno a reeleição de Lula em 2006, Alckmin seria agora a “Carta aos Brasileiros” do petista. Com ele de vice, como acusar o ex-presidente de dois governos socialdemocratas de “comunista”, como deliram os bolsonaristas? Isso enquanto, em plena crise internacional da Ucrânia, Bolsonaro vai se encontrar este mês com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Que é ex-agente da KGB, serviço secreto da comunista União Soviética, extinta desde 1991.
Ceciliano a senador
Além de dar como certa a chapa entre o ex-presidente trabalhista e o ex-governador paulista considerado conservador, Lindbergh também analisou na Folha FM como os movimentos nacionais interferirão no tabuleiro eleitoral do RJ. Ele descartou a hipótese do presidente da Alerj, deputado André Ceciliano (PT), concorrer a governador, como aventado no Folha no Ar de 14 de janeiro pelo jornalista Luiz Carlos Azedo, articulista político do Correio Braziliense. “O melhor caminho ao Ceciliano é colar no Freixo (PSB, pré-candidato a governador) e no Lula, e crescer. Não tenho dúvida de que ele vai crescer muito para o Senado”, apostou o ex-senador.
Lula/Freixo x Bolsonaro/Castro
Pré-candidato a deputado federal, para Lindbergh a eleição a governador do Rio, com seus cobiçados palanques a presidente, estaria entre dois polos: “O PT está no processo da formação da federação com PSB, PCdoB e PV. É como se esses partidos virassem um só nos próximos quatro anos. Não tem como o PSB ter um candidato e o PT ter outro. Lula declarou que o nosso candidato (a governador) no Rio será o Marcelo Freixo. E o Ceciliano é o nosso nome a senador. Nossa chapa é Lula, Freixo e Ceciliano. A outra será Bolsonaro e Cláudio Castro (PL). Só não sei ainda quem será a senador: Romário (PL), Washington Reis (MDB)?”.
Confira abaixo, em três blocos, os vídeos com a íntegra da entrevista do vereador carioca petista Lindbergh Farias ao Folha no Ar da última quarta (02):
Pelo futuro de Campos, o prefeito Wladimir vai se reunir nesta quinta em Brasília com a deputada Clarissa, o senador Carlos Portinho e o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Futuro de Campos (I)
Nesta quinta-feira (10), o futuro de Campos pode ser decidido em Brasília. De um lado da mesa, estarão o prefeito Wladimir Garotinho (PSD) e sua irmã, a deputada federal Clarissa Garotinho (Pros), reforçados pelo senador Carlos Portinho (PL/RJ). Os três serão recebidos na sede da Caixa Econômica Federal (CEF) pelo presidente da instituição, o economista Pedro Guimarães. Na pauta a cessão de créditos dos royalties do petróleo, feita em maio de 2016 e chamada à época de “venda do futuro”, entre o governo municipal Rosinha Garotinho (hoje, Pros) e a CEF, no apagar das luzes do governo federal Dilma Rousseff (PT).
Futuro de Campos (II)
Pela resolução 43/2001 do Senado, assim como pela autorização da Câmara de Campos em 2016, os pagamentos da operação financeira não poderiam exceder 10% das receitas petrolíferas do município. Só que o limite não foi respeitado pelo contrato entre a CEF e o governo Rosinha. Mas foi imposto pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), em julho de 2017. Graças a uma tese do então procurador do Legislativo goitacá, Robson Maciel Junior, que entrou junto com o governo Rafael Diniz (Cidadania). A CEF recorreu e a juíza federal Rosângela Martins determinou, em 2021, que as duas partes fizessem um acordo.
Futuro de Campos (III)
Para tentar o acordo, Wladimir e Clarissa já estiveram na sede da CEF, em 18 de agosto de 2021. “Desde então, as equipes técnicas do município e da Caixa estão negociando. Rafael judicializou e a dívida ficou impagável. Vamos a essa reunião de quinta na esperança concreta de resolver o problema, que significaria a insolvência financeira de Campos. A solução é aumentar o prazo e diminuir o percentual dos pagamentos. As bases legais do acordo já estão resolvidas”, adiantou à coluna o prefeito. Se conseguir, Wladimir marcará um gol ainda mais importante do que a reabertura do Restaurante Popular em 2021, fechado por Diniz em 2017.