Da Grécia a Campos dos Goytacazes, o mundo dos homens e o das ideias

Foz do Paraíba do Sul, no último sábado (16) de Atafona (foto de Aluysio Abreu Barbosa)
Casario no entorno da foz do Paraíba do Sul, no último sábado (16), em Atafona (foto de Aluysio Abreu Barbosa)

 

 

Eu e as torcidas juntas do Olympiakos e do Panathinaikos, principais clubes gregos de futebol, já escrevemos sobre a diferença básica entre as escolas de pensamento do ateniense Platão (428/348 a.C.) e seu discípulo de Estagira, Aristóteles (384/322 a.C.).

Muito marcada pela influência do seu mestre Sócrates (469/399 a.C.), na filosofia de Platão o principal era o mundo das ideias. Daí sua grande influência no Cristianismo, já na Antiguidade Tardia (300/ 476 d.C) e por toda a Idade Média (sécs. V a XV d.C.), a partir do neoplatonisno aproximado com a religião pelo teólogo e santo católico Agostinho de Hipona (354/430 d.C.).

Já a Aristóteles se deve a própria segmentação da filosofia grega em ciências particulares, a partir da enciclopedização do conhecimento produzido desde Tales de Mileto (623/543 a.C.), considerado primeiro filósofo. Filho de um médico, o pensamento de Aristóteles era mais voltado ao homem que à alma. Ainda assim, foi nele que outro santo católico e pensador da fé, Tomás de Aquino (1225/1274), buscou basear sua teologia cristã, tomando por exemplo o que Averróis (1126/1198), dentro da Europa, já havia feito no islamismo.

Dia considerado sagrado para muitos, o domingo, ontem, reservou uma boa surpresa para quem acha que política e fé devem jamais se misturar em conteúdo, tampouco em forma. Se o advogado e publicitário Gustavo Alejandro Oviedo, argentino caído em Campos, tem se revelado na circunscrição goitacá das redes sociais um defensor do liberalismo político e econômico, além de crítico contumaz dos regimes de esquerda na América do Sul, ele encontrou aqui, nos cometários das suas postagens, um respeitável (em todos os sentidos) adversário: George Gomes Coutinho, professor de Ciências Sociais da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Campos.

Naquilo de melhor que as redes sociais têm reeditado da ágora grega, berço da democracia que sempre destaco como “irrefreável” em sua expressão virtual, lendo atentamente cada um dos comentários de Gustavo e George, em dado momento fui involuntariamente teletransportado à ágora real de Atenas.

Afinal, quem falava era Alejandro, mas soava (aqui) a Aristóteles:

— eu justifico o existente, você justifica o que não existe.

E respondeu Coutinho, como se ecoasse (aqui) Platão:

— eu prefiro o não existente por uma questão moral.

A discussão não teve fim na Grécia Antiga, logo depois esticada pelo rei Alexandre da Macedônia (356/323 a. C.), aluno de Aristóteles, até o rio Indo, na Índa. E, mais de 23 séculos depois, convenhamos, seria uma pretensão amazônica se conhecesse sua foz conosco, nesta terra de planície parida e cortada pelo Paraíba do Sul.

Mas enquanto seguir seu curso no nível mantido por Gustavo, George e alguns outros participantes, num debate instigante que afluiu em dezenas de outros comentários, também pelo dia de hoje, ainda há esperança de que possamos atravessar essas águas agitadas sobre as quais navegam o Brasil e o mundo, desembarcando no porto do outro lado como naquele em que entramos: diferentes, mas juntos.

 

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Do assassino de Trotsky ao ex-tesoureiro do PT

O artigo publicado (aqui) na postagem anterior, da lavra do jornalista Rodrigo Gonçalves, não carecia de companhia domingueira. Aborda com lucidez a sequência de erros do governo Rosinha Gartinho (PR) até os boatos de surto de meningite no município, gerados a partir da omissão de quem depois mostrou desespero (e despreparo) ao negar. Mas da planície ao Planalto, acabei de ler só agora o texto principal da coluna dominical do decano Elio Gaspari, em O Globo, e fiquei igualmente impressionado sobre as várias caras que essa questão da negação é capaz de assumir.

Já disse mais de uma vez que tenho o jornalista brasileiro nascido na Itália como o (ainda) maior na mídia escrita por tupiniquins viventes sob a última for do Lácio. Pela contudência sem maniqueísmo, memória impressionante, criação de personagens impagáveis, como “Eremildo, o Idiota”; pelo estilo quase literário, ainda que sempre objetivo; uma das coisas que Gaspari gosta de fazer é “psicografar” missivas de personalidades históricas falecidas para remetê-las aos ainda carnados que parecem demandar conselhos do além.

A carta “póstuma” publicada hoje é “assinada” pelo catalão Ramon Mercader (1913/78). Espião a soldo do genocida soviético Joseph Stálin (1878/1953), ele assassinou covardemente, pelas costas, com golpes de picador de gelo sobre o crânio, o ex-líder da Revolução Russa (1918) e criador do Exército Vermelho, Leon Trotsky (1879/1940), dentro da casa deste, em exílio na Cidade do México.

Mercader cumpriu 20 anos de cadeia sem contar o que todos sabiam (que Stálin lhe mandara executar seu opositor) e sua história pode ser melhor conhecida no bom livro “O homem que amava os cachorros”, do cubano Leonardo Pandura. Redivivo na coluna de hoje do Gaspari, o assassino de Trotsky “escreveu” para aconselhar ao ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, condenado a 15 anos de cadeia na Lava Jato, mas com tendência de aumentar a pena, a falar o que todos também já parecem saber, sobretudo os poucos que ainda insistem negar.

Se você ainda não leu, vale a pena investir alguns minutos desse início de noite de domingo para conferir abaixo:

 

Com seu busto no fundo, à esquerda, rscritório da casa de Trotsky na Cidade do México, onde ele foi assassinado pelas costas, com golpes de picador de gelo contra seu crânio, pelas mãos de Ramon Mercader, em 1940 (foto de Aluysio Abreu Barbosa)
Com seu busto no fundo, à esquerda, escritório da casa de Trotsky na Cidade do México, onde ele foi assassinado pelas costas, com golpes de picador de gelo contra seu crânio, pelas mãos de Ramon Mercader, em 1940 (foto de Aluysio Abreu Barbosa)

 

 

Jornalista e escritor Elio Gaspari
Jornalista e escritor Elio Gaspari

De ramon.mercader@edu para j.vaccari@pol

Por Elio Gaspari

 

Companheiro Vaccari,

Você não é Ramon Mercader. Como eu, houve poucos no mundo. Matei o Leon Trotsky em 1940, passei 20 anos na cadeia e não contei o que todos sabiam: acabei com o velhote a mando do Stálin. Quando saí da prisão, você tinha dois anos e quando morri, em 1978, você tinha acabado de se filiar ao sindicato dos bancários de São Paulo. Eu era um velho de 65 anos e você, um garoto de 20. Não vou tomar seu tempo contando minha história porque se você não leu “O Homem que Amava Cachorros”, do cubano Leonardo Padura, peça-o a sua família. O final do livro não presta, mas de resto é coisa fina, sobretudo para quem está preso.

Vaccari, eu era do aparelho de segurança soviético, você era do braço do sindicalismo bancário petista, coisas inteiramente diversas. Daqui, já percebi que você, o José Dirceu e dois diretores da Petrobras (Duque e Zelada) estão em silêncio. No seu caso, a condenação está em 15 anos e deve aumentar. Se você tiver que pagar cinco anos em regime fechado, sairá da cela, em 2020, aos 62 anos. Admiro sua resistência e seu vigor ideológico, mas escrevo-lhe para dizer que são fúteis.

Na cadeia, eu sabia que tinha sido condecorado com a Ordem de Lênin. Ao sair, fui proclamado “Herói da União Soviética”. Vivi bem em Moscou e em Cuba. Você nunca será um “Herói do PT”. Sua família sofre com sua prisão, enquanto minha mãe estimulava meu silêncio.

Tudo o que o PT pode lhe oferecer são algumas visitas discretas de parlamentares. Não ouvi ninguém louvar publicamente seu silêncio.

Durante os 20 anos que ralei, eu sabia que no dia 1º de Maio a União Soviética desfilava seus foguetes na praça Vermelha. Graças a artes do PT (e suas), o presidente do Brasil chama-se Michel Temer e Dilma Rousseff vai morar em Porto Alegre.

Os empreiteiros que atendiam teus pedidos disseram coisas horríveis a teu respeito. Estão no conforto de suas tornozeleiras eletrônicas e posso supor que as solícitas OAS e Odebrecht colocarão mais cadeados nas tuas grades. Todos viverão com patrimônios superiores ao teu.

Eu morri com saudades de Barcelona, a cidade onde nasci, mas quando os comunistas espanhóis ofereceram-me ajuda para visitá-la, queriam que eu contasse minha história. Morri em Cuba sem rever a Catalunha e minhas cinzas foram para Moscou.

Valeu a pena? Não sei, mas garanto que no teu lugar, eu chamaria o Ministério Público para uma conversa exploratória.

Saudações socialistas

Ramon Mercader

 

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Artigo do domingo — Meningite: faltou informação e credidilidade ao governo

Joyci e Ana Vitória, de 6 e 1 ano, mortas na UPA de Campos após serem atendidas e liberadas no HGG (foto: arquivo da família)
Joyci e Ana Vitória, de 6 e 1 ano, mortas na UPA de Campos após serem atendidas e liberadas no HGG (foto: arquivo da família)

 

 

 

Jornalista Rodrigo Gonçalves, editor-geral da Folha
Jornalista Rodrigo Gonçalves, editor-geral da Folha

Por Rodrigo Gonçalves

 

Uma das práticas mais comuns nas administrações públicas é colocar cadeado após a porta arrombada. E a de Campos deu mais um exemplo disso ao responder tardiamente sobre os casos de meningite ocorridos no município. Só depois de o medo ter se espalhado é que a Prefeitura resolveu intensificar o trabalho de orientação para afastar o “boato” de um possível surto da doença. Para isso, tem contado com profissionais independentes, já que nem mesmo as declarações da própria prefeita Rosinha Garotinho (PR) surtem o efeito necessário.

O fato é que o município já tem confirmados sete óbitos pela doença, entre os 23 casos diagnosticados. Por mais que os números estejam dentro da média anual, conforme informa a secretaria de Saúde, a morte de duas irmãs que estavam vacinadas contra o tipo C, imunização disponível pelo SUS, colocou muito em dúvida a eficácia. Por mais que tecnicamente isso seja possível, para nenhum pai isso é intelegível facilmente, principalmente quando não se sabe ainda de fato que tipo de meningite matou as meninas.

O resultado disso foi uma busca por vacinas contra meningite de outros tipos nas clínicas particulares, além da elaboração de um abaixo-assinado feito por mães que buscam a imunização gratuita para os tipos de meningite A, B, C, W, e Y através da rede pública de Saúde. Bom ressaltar que a exigência não é feita só à Prefeitura, já que cabe ao ministério da Saúde a implantação de vacinas em caso de necessidade real.

Se as mortes já registradas e a preocupação da população não podem ser mais evitadas, a própria prefeita Rosinha, como mãe e avó, foi a primeira a se manifestar publicamente sobre o “boato de surto” de meningite. Talvez não tenha feito isso tão bem ao tentar politizar o assunto, misturando, inclusive, com o “boato da Polícia Federal na Prefeitura”. Ela perdeu uma boa oportunidade, que tem com a abrangência da sua rede social, de tranquilizar os pais, sem tirar o foco do que realmente interessava.

Agora, o grupo rosáceo, que nega o surto de meningite, informou que levou o caso para a polícia. Em programa de rádio na manhã deste sábado, o marido da prefeita informou que há interesse comercial por trás das informações sobre um suposto surto, que ganharam as ruas e redes sociais. Com cada vacina custando cerca de R$ 700,00, ele alega que foram vendidas mais de seis mil doses em 15 dias no município.

Charbell Kury, responsável técnico da Vigilância em Saúde, disse que muita gente está se aproveitando do pânico. “Essa é uma estratégia antiga. E tudo começou após o caso das meninas em maio (cuja mãe foi orientada por ele para não falar com a imprensa). São muitas fofocas e poucos fatos concretos. Eu desafio qualquer pessoa. Se há fundamento, entrego o cargo”, frisou, ressaltando que teve gente deixando de comer para comprar a vacina.

Mas até onde isso também não é fruto da falta de informação e também de descredibilidade deste governo? Tanto que agora para tentar minimizar à proporção que o assunto ganhou a Prefeitura recorre a especialistas independentes para tentar tranquilizar a população. Exemplo disso é que amanhã, às 11h, no Hospital Ferreira Machado, o secretário municipal de Saúde, Geraldo Venâncio, concederá entrevista coletiva sobre meningite, com a presença do médico infectologista Nélio Artiles, do neurocirurgião Mackoul Moussalem e outros especialistas.

A Prefeitura também está intensificando as publicações em seu site oficial desde a última sexta-feira com especialistas para contornar a situação. Numa delas, o depoimento do infectologista e professor Nélio Artles é o que mais chama a atenção: “Sou infectologista há 30 anos e uma das pessoas que atende casos de meningite na rede de urgência e emergência de Campos sou eu. Não tenho nenhum cargo político e não trabalho na secretaria municipal de Saúde. Sou um servidor público e afirmo categoricamente que não existe, neste momento, surto ou epidemia de meningite em Campos”.

Ao ressaltar a independência do profissional, a Prefeitura só confirma a falta de credibilidade de seus gestores, não por incompetência de quem está na pasta de Saúde, mas por quem os comanda e que por muitas vezes é visto como mentiroso.

 

Publicado hoje (17) na Folha da Manhã

 

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Fabio Bottrel — Pinturas

Van Gogh - autorretrato
Autorretrato de Vincent Van Gogh

 

 

 

Música: Camargo Guarnieri – Violin Concerto nº2, 2º Movimento

 

 

 

 

 

 

Escrito por

 

Fabio Bottrel

 

Rio de Janeiro/RJ

Maio de 2013

 

01   INT. ATELIÊ – TARDE         01

 

Mulher coberta parcialmente por um tecido leve posando para seu marido, que pinta a sua imagem.

No ateliê, belos quadros, livros e uma janela grande com vista para a cidade.

 

João (pintor) é acometido por uma forte dor de cabeça e sua

visão começa a escurecer. Vemos sua esposa vir acudi-lo.

 

ESPOSA

João! João!

 

02   INT. CORREDOR DO HOSPITAL – NOITE         02

 

João está deitado em uma maca em movimento. O ambiente é

confuso. Pessoas correndo em volta, Esposa continua

chamando seu nome.

 

03   INT. QUARTO DO HOSPITAL – DIA         03

 

João deitado com uma faixa nos olhos e estático, de repente faz um pequeno movimento e ESPOSA ao lado percebe.

 

ESPOSA

Enfermeira!

 

04   INT. CONSULTÓRIO MÉDICO – NOITE  04

 

João sentado em uma cadeira, médico tira a faixa de seus

olhos. Sua visão embaçada começa a voltar ao normal.

 

MÉDICO

Olá, João.

 

JOÃO

O que está acontecendo? Eu nãoconsigo enxergar direito.

 

Médico pinga gotas de um remédio nos seus olhos.

 

MÉDICO

Sua visão voltará ao normaldentro de instantes.

 

Médico pondera junto com Mulher as próximas frases.

 

MÉDICO (CONT)

Infelizmente as notícias que tenho para lhe dar não são boas, João.

 

JOÃO

Que notícias?

 

MÉDICO

Você sofreu uma degeneração macular aguda. É uma doença que tem propensão a atingir pessoas da sua idade.

 

Médico usa uma cópia palpável de um olho para explicar.

 

MÉDICO (CONT’D)

A degeneração macular é causada pelo dano na área ao redor dos vasos sanguíneos que abastecem a mácula.

 

JOÃO

Eu continuarei enxergando?

 

Médico mostra uma lauda do exame.

 

MÉDICO

O que aconteceu com você foi uma raridade. Apareceram também hemorragias e acúmulo de líquido devido ao surgimento de vasos sanguíneos anormais sob a retina…

 

JOÃO

(Corta)

Você não respondeu a minhapergunta.

 

MÉDICO

Você perderá a visão completamenteem breve.

 

JOÃO

Em breve quando?

 

MÉDICO

Três dias, no máximo.

 

Após um silêncio.

 

JOÃO

(À Mulher)

O quadro…

 

ESPOSA

Você não precisa…

 

JOÃO

Essa é a minha maior obra. Eupreciso terminá-lo.

 

MÉDICO

O importante é não deixar se abaterpela doença e…

 

JOÃO

(Corta)

Você não entendeu, doutor. Não meabati pelos meus olhos. Estes são apenas uminstrumento para a minha arte, a decepção de nunca concluir minha maior obra, essa destruiria a minha vida mais que qualquer doença conhecida.

 

05   INT. ATELIÊ – DIA       05

 

Mulher em pose. João de frente para ela, observando minúcias:

Os poros, o suor, a lágrima, os olhos, o bater do coração, o cabelo levantado suavemente pelo vento, as rugas, a murches dos lábios.

 

MULHER

João, você não vai conseguir pintarapenas com a lembrança.

 

JOÃO

Não é com a lembrança que eu ireipintar.

 

João continua a observar. Esposa abaixa a cabeça, parece desistir.

 

JOÃO (CONT)

Você quer continuar viva para mim?

 

MULHER

Sim.

 

JOÃO

Então não desista, essa é a última vez que olharei o seu sorriso, suas lágrimas,seu peito inflar ao respirar…

 

Esposa retorna à pose.

Os traços observados por João aos poucos vão se transformando em pinceladas. Dias e noites passam e João permanece de frente para sua esposa, observando-a. Até que a imagem se transforma completamente em pinceladas e tudo se apaga.

 

06   INT. ATELIÊ – NOITE         06

 

Cena em que percebemos João cego.

Sugestão para direção:

João, de costas para a câmera e de frente para a janela, como se observasse a cidade iluminada afora.

Vira-se e percebemos que está cego.

 

07   INT. ATELIÊ – NOITE         07

 

João de frente para o quadro. Tenta continuar a pintura.

Treme, sente insegurança. Mão de Mulher se põe sobre sua mão e tenta guiá-lo em alguns traços. Até que ele se exalta, derruba algumas coisas e tem uma crise misturada com melancolia.

 

08   EXT. TERRAÇO ATELIÊ – NOITE      08

 

João aparenta observar a cidade iluminada mesmo cego, como se estivesse em sua janela. (Direção) Logo após vemos que ele está na ponta de um precipício, apenas um passo o separa da queda. O vento bate forte em seu corpo.

 

09   INT. ATELIÊ – NOITE         09

 

Esposa entra no ateliê e não encontra João.

 

ESPOSA

João? João?!

 

Esposa sobe as escadas que termina no terraço e vê João de costas na ponta do precipício. Se põe ao seu lado e segura

sua mão. Os dois estão a um passo da queda.

 

João começa a sentir a mão de Esposa, vira-se para ela, seu

pé passa no vazio. Ela também se vira para ele, um de frente para o outro. João apalpa Esposa lentamente, como se

sentisse cada detalhe do seu corpo.

 

10   INT. ATELIÊ – NOITE         10

 

Esposa posando para João, mesmo cego. João pintando o quadro, para de pincelar, um sinal de término.

 

Esposa se levanta e vai olhar o quadro. Emociona-se.

Vemos o quadro, alguns borrões coloridos se juntam à imagem antiga que jazia na tela, tornando-se uma pintura abstrata.

 

JOÃO

Aqui, a sua pele já não se faz maispresente.

 

 

 

FIM

 

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Pudim pelo apoio do DEM com presidente da Câmara eleito ontem

Pudim e o presidente da Câmara Federal eleito na madrugada de hoje, Rodrigo Maia (foto: divulgação)
Pudim e o presidente da Câmara Federal eleito na madrugada de onem (14), Rodrigo Maia (foto: divulgação)

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Eleito na madrugada de ontem como novo presidente da Câmara Federal, numa vitória significativa (aqui) do governo do presidente interino Michel Temer (PMDB) sobre seus opositores e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o deputado federal fluminense Rodrigo Maia teve uma agenda agitada depois de dormir um pouco. E entre os primeiros que recebeu, já como um dos homens fortes da República, foi (aqui) o deputado estadual Geraldo Pudim (PMDB), que depois dali ainda estaria com Temer, numa reunião do presidente com representantes de assembléias legislativas de todo o Brasil.

Provocando inveja em quem chega a dedicar um blog à política estadual e nacional, mesmo com atuação política hoje encolhida à secretaria de governo de Campos, Pudim colocou o município administrado pela prefeita Rosinha Garotinho (PR) na mesa de discussão com Rodrigo Maia. Para o político campista, é necessária a união das legendas de oposição contra o grupo do qual ele mesmo fez parte e que governa a cidade desde 1989:

— Fui deputado federal com Rodrigo Maia de 2007 a 2010. Falei da importância de se ter um presidente da Câmara que é do Rio de Janeiro e como isso poderá produzir efeitos benéficos para o Estado, sobretudo nas negociações com Governo Federal. Neste sentido, Campos só teria a ganhar, se também estivesse integrada a esse alinhamento, no qual o PMDB e o DEM, pela força que representam, poderiam caminhar juntos na eleição de outubro.

Rodrigo, cujo DEM tem como pré-candidato a prefeito de Campos o edil Nildo Cardoso, ouviu Pudim, mas não se manifestou — nem contra, nem a favor. Mesmo tendo sido o vereador mais votado em Campos na última eleição municipal, Nildo tem enfrentado dificuldades para manter sua pré-candidatura à Prefeitura. Primeiro, teve que deixar o PMDB (aqui), após o próprio Pudim nele se integrar pela mão do próprio presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani (PMDB), para ser pré-candidato à sucessão de Rosinha.

Sem espaço no PMDB, ele acabou migrando ao PSD. Quando o partido depois foi oferecido (e quase aceito aqui e aqui) ao deputado federal Paulo Feijó (PR), Nildo se refugiou no DEM, tirando o partido (aqui) do controle do empresário Helinho Nahim, pré-candidato. Após perder o DEM para Nildo, Helinho acabou encontrando abrigo (aqui) no PPS do vereador e pré-candidato a prefeito Rafael Diniz.

Depois de “vender seu peixe” na eleição municipal junto ao novo presidente da Câmara Federal, Pudim foi cumprir protocolo pela Alerj, representando-a como seu primeiro-secretário, junto ao presidente Temer. Na pauta de discussão, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 47, que visa ampliar o poder de legislação das assembleias estaduais em todo o Brasil.

 

Página 2 da edição de hoje (15) da Folha
Página 2 da edição de hoje (15) da Folha

 

Publicado hoje (15) na Folha da Manhã

 

Aqui, o jornal carioca O Dia noticiou hoje (15) a mesma coisa

 

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Pudim com o presidente da Câmara Federal eleito hoje

Pudim e o presidente da Câmara Federal eleito na madrugada de hoje, Rodrigo Maia (foto: divulgação)
Pudim e o presidente da Câmara Federal eleito na madrugada de hoje, Rodrigo Maia (foto: divulgação)

 

Eleito (aqui) na madrugada de hoje novo presidente da Câmara Federal, o deputado federal fluminense Rodrigo Maia (DEM) recebeu durante o dia um velho conhecido. Deputado estadual e pré-candidato a prefeito de Campos, Geraldo Pudim (PMDB) falou sobre vários coisas com o novo homem forte da República, inclusive da necessidade de união na eleição à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) em Campos. Com o vereador Nildo Cardoso como pré-candidato a prefeito pelo seu DEM, Rodrigo só ouviu.

Depois, representando a Alerj como seu primeiro-secretário, Pudim também se reuniu com o presidente interino Michel Temer (PMDB), num encontro com representantes das assembleias legislativas de todo o país, para tratar da PEC-47.

 

Confira amanhã (15) a reportagem completa na edição impressa da Folha

 

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Dr. Chicão ou Dr. Hirano? Patologia de quem precisa dividir para reinar

Ponto final

 

 

Chicão ou Hirano

Primeiro foi o Núcleo de Organização Social (NOS), depois as prévias, depois a desistência dos áulicos — como bem lhes definiu em entrevista à Folha, o saudoso ex-governador Leonel Brizola (1922/2004) —, depois o conselhão. Agora eis que surge uma pesquisa para dar “precisão” à definição do candidato governista à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR). Para quem gosta de bater palma para maluco dançar, esse roteiro de ópera bufa é um prato cheio. Já para quem não vê graça na insanidade alheia, como esta coluna tem adiantado (aqui aqui), são dois os nomes de fato: o vice-prefeito Dr. Chicão (PR) e o vereador Dr. Paulo Hirano (PR).

 

Chicão na pesquisa

Se o candidato fosse definido por pesquisa, ele seria (aqui) Chicão, desde a consulta do instituto Pro4, feita entre 8 e 10 de junho, com 620 eleitores das sete zonas eleitorais do município. Além de liderar (aqui) entre os pré-candidatos rosáceos na espontânea, o vice-prefeito foi o único, em cenário estimulado, a empatar na margem de erro com os três prefeitáveis de oposição que lideram a corrida: Caio Vianna (PDT) e os vereadores Tadeu Tô Contigo (PRB) e Rafael Diniz (PPS).

 

Rosinha nas pesquisas

Encomendada e divulgada homeopaticamente pela Folha, em suas edições dominicais de 12, 19 e 26 de junho, os números do Pro4 sobre a corrida à Prefeitura teriam sido muito semelhantes aos de uma pesquisa do instituto Precisão que, segundo fontes governistas, foi feita no mesmo período. Mas estes não foram divulgados tanto pelo dolo de não dar vantagem a Chicão, quanto por terem sido ainda mais catastróficos do que os do Pro4 (aqui), no que se refere à avaliação do governo Rosinha — fato depois referendado (aqui) pela pesquisa do instituto Pappel, feita entre 14 e 22 de junho, com 3.150 campistas das sete zonas eleitorais.

 

Dividir para reinar

Diante do impacto dos números favoráveis a Chicão, houve uma reação dos vereadores governistas. Estimulado por Edson Batista (PTB), presidente da Câmara e primeiro (aqui) a pular fora da disputa à Prefeitura, correu um documento (aqui) entre os edis rosáceos no sentido de pleitear que o candidato governista à sucessão de Rosinha fosse um vereador do PR. Se não há dúvida lógica de que o movimento foi feito (aqui) para beneficiar Hirano, pode existir alguma sobre quem deu a determinação a Edson? Ou de quem tem o prazer patológico de colocar seus seguidores uns contra os outros e depois posar de Salomão capaz de dividir a criança para reinar?

 

Mauro briga na vice

Há ainda o vereador Mauro Silva (PSDB). Mas ele só teria chance de encabeçar chapa se o governo lançasse duas candidaturas. Diante não só da liderança de Caio, Tô Contigo e Rafael, quanto dos 70,8% dos campistas que o Pro4 identificou dispostos a votar num candidato de oposição, “para que ele faça as mudanças que Campos precisa”, a vice na chapa única governista passou a ser a melhor aposta para Mauro. Neste sentido, suas fichas estão todas empilhadas no generoso tempo de propaganda do PSDB, imprescindível aos governistas, sobretudo numa campanha curta.

 

Caio “adoçou” João

Enquanto o governo não se decide entre Chicão ou Hirano, com ou sem Mauro na vice, os oposicionistas se movimentam. Bem perto de pegar (aqui, aqui e aqui) o PT e seu tempo de propaganda ainda mais generoso que do PSDB, Caio também está a um passo de consumar a aliança com o PSB, tendo o vereador Gil Vianna na sua vice. E o que é ainda melhor ao filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PEN): sem perder o apoio do deputado estadual João Peixoto (PSDC). Após ensaiar (aqui) um “dá ou desço”, Peixoto revelou (aqui) ao jornalista Alexandre Bastos, em matéria na página 3 desta edição, que aceita ceder a vice de Caio a Gil e ainda assim caminhar com os dois na campanha.

 

Rafael e Rogério

Num encontro casual na ExpoAgro, foram vistos conversando Rafael e o ex-vereador e também pré-candidato a prefeito Rogério Matoso (PPL). Após um estranhamento em redes sociais, pelo qual se chegou a cogitar Matoso como candidatura de apoio aos rosáceos, o papo entre os dois fluiu muito bem, num momento em que Rafael parece ter perdido o vice, Gil, para Caio. À coluna, o ex-vereador reafirmou estar na briga pela Prefeitura, prometeu surpresas partidárias e deixou claro sua posição política nesta eleição: “Gosto muito de Chicão, Hirano e Mauro. Mas como pessoas. Politicamente, esse governo deles é indefensável”.

 

Publicado hoje  (14) na Folha da Manhã

 

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Presidência da Câmara: quem perdeu, quem venceu e quem era o melhor

Aqui, o sempre atento jornalista Arnaldo Neto foi o primeiro na blogosfera goitacá a noticiar a vitória do deputado federal fluminense Rodrigo Maia (DEM) na eleição à presidência da Câmara Federal, no início da madrugada de hoje.

Mas se você quiser entender melhor o significado desse processo eleitoral, seu resultado, suas causas e possíveis consequências, leia a análise em resumo feita aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, por um dos seus faróis nestes tempos turvos da vida nacional, o Ricardo Rangel, diretor de operações da Conspiração Filmes, a quem este “Opiniões” pede licença para reproduzir abaixo:

 

Rodrigo Maia comemora a vitória na eleição a presidente da Câmara (foto de Jorge William - Agência O Globo)
Rodrigo Maia comemora a vitória na eleição a presidente da Câmara (foto de Jorge William – Agência O Globo)

 

 

Ricardo Rangel, destaque na ágora das redes sociais
Ricardo Rangel, destaque na ágora das redes sociais

Rodrigo Maia é o novo presidente da Câmara dos Deputados, por 285 x 170.

QUEM PERDEU
Rogério Rosso
Marcelo Castro
Eduardo Cunha
Lula
A neo-oposição

QUEM VENCEU
Rodrigo Maia
Michel Temer
A antiga oposição
A Câmara dos Deputados
O Brasil

A nota dissonante são os 6 votos para Miro Teixeira, sem dúvida, o melhor candidato.

 

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Guilherme Carvalhal — Silvana retorna hoje

Carvalhal 14-07-16

 

 

O sorriso revigorado matutino causou espanto. Que se passa com ele, cotidianamente carrancudo, a tromba encolhida a espantar simpatia, bom dias proferidos entre dentes, um impulso de voz mais para dentro dos pulmões que para fora?

Atravessou majestoso a esquina e em efusão saudou os conhecidos. Os passos largos e os braços balançando obliteravam a memória do sujeito entrevado, de articulações densas e enferrujadas. Parecia renascido, ou então evoluído:

— Quero as mais belas flores disponíveis — disse à jovem vendedora da banca na praça — Monte para mim um ramalhete, não qualquer um, mas o mais belo, pois o entregarei à mais linda de todas as mulheres. Não devo dizer a ninguém, mas hoje Silvana volta.

A moça o felicitou sem saber o porquê e entregou o feixe de rosas vermelhas, amarelas e brancas. Pagou e deixou o troco, em um mútuo arfar de contentamento.

Mais adiante, em uma banca de frutas, pediu ao atendente os pêssegos mais amarelos e maduros:

— Silvana retorna hoje e quero agradá-la. Essas são suas frutas preferidos e desejo que tenha a maior das satisfações quando chegar.

Munido do saco e da alegria, ele enfiou-se radiante pelos corredores do prédio até seu cubículo. Do porteiro ao vizinho de área de trabalho, todos se espantaram perante sua nova postura. Nem piou com o barulho da betoneira trabalhando no prédio ao lado, motivo constante de suas reclamações. O mal hálito da supervisora passou desapercebido, até respirável:

— Ué? — essa interjeição coletivamente ditou a tônica dessa jornada.

Uma mais afoita não se conteve e precisou perguntar qual a razão da repentina satisfação, da mudança abrupta de hábitos:

— Hoje Silvana retorna para casa, por isso o meu dia está mais completo e feliz.

Como ninguém sabia de sus vida particular, todos o parabenizaram crentes da ranhetice ser fruto de brigas conjugais e que a estabilidade reencontrada o deixava mais equilibrado e sereno. A menina do RH o analisou ao longe, repassando as aulas da faculdade onde estudou questões de motivação. “Tudo aquilo faz sentido”, concluiu.

Ao fim do expediente, saiu com uma saudação sonora, despedindo-se afetuosamente, indicando a bela noite a lhe aguardar. Parou pelo caminho e comprou um vinho no mercado, dizendo ao caixa que escolheu um chileno de safra especial especialmente para beber com Silvana, que finalmente regressava para casa.

Quando entrou em casa, Silvana estava sentada ao sofá, os pés para cima, a televisão ligada:

— Amor, é tão bom tê-la de volta após todos esses anos. A saudade me matava e espero tudo igual a quando nos conhecemos, prometo ser um homem melhor, mais simpático, mais tolerante. Juro que jamais irei cometer os mesmos erros de antes. Tudo será melhor de agora em diante, sem as mesmas discussões, sem briga nem nada. Quero amá-la pelo resto da minha vida, nada além disso.

Silvana levantou com uma aparência de susto:

— Norberto, do que você está falando? Somo casados há 12 anos e nunca brigamos. Você não é perfeito, mas é um bom marido, apesar dessa cara sempre feia. Mas eu nunca iria embora. Sou feliz contigo. Nem saí hoje, fiquei o dia inteiro à toa. Aconteceu algo com você?

Aquele semblante feliz portado durante todo o dia se perdeu. Colocou o vinho e as flores sobre a mesa, apesar da pulsão por arremessá-los longe. Era um bom marido, conforme ela disse, e não iria praticar um ato de violência. Resignou-se a tomar banho, amofinado em sua própria pequenez aguardando que as flores murchassem.

 

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Mais perto de Caio, PT deve dividir seu apoio com Rafael para outubro

Ponto final

 

 

“Criança” encomendada?

O que significa de fato a foto tirada e postada ontem, (aqui) nas redes sociais, por Caio Vianna, pré-candidato do PDT à Prefeitura de Campos, de mãos dadas com o folclórico Washington Quaquá, prefeito de Maricá (RJ) e presidente estadual do PT? Pode até significar (aqui) que, além do namoro assumido, as núpcias foram previamente consumadas. Fruto dessa união, a “criança” já pode ter sido até encomendada. Mas as alianças ainda não foram trocadas diante do padre, pastor ou juiz de paz.

 

Sem dança de maluco

Como esta coluna havia adiantado (aqui) desde o dia 2 deste mês, apesar do seu tremendo desgaste junto ao eleitor e da previsão de debandada interna em novembro, o PT ainda é desejado para disputar as eleições de outubro, por seu generoso tempo de propaganda. Em Campos, vinha sendo cortejado por três pré-candidaturas a prefeito: a de Caio, a do vereador Rafael Diniz (PPS) e a de quem quer que seja o escolhido pelo governo Rosinha Garotinho (PR) — disputa que, excetuado quem bate palma para maluco dançar, sempre esteve restrita (aqui) ao vice-prefeito Dr. Chicão (PR) e aos vereadores Paulo Hirano (PR) e Mauro Silva (PSDB).

 

Planalto na planície

Mesmo que Mauro hoje talvez tenha chance real (aqui) apenas como vice, a necessidade de ter o tempo de propaganda também generoso do seu PSDB na chapa governista, acabou fazendo os rosáceos desistirem do PT por exigência tucana. E esses reflexos da intestina conjuntura nacional, a partir do afastamento da presidente Dilma Rousseff, passaram também a afetar diretamente os demais pretendentes locais. Rafael, do PPS, partido desde o início à vanguarda do impeachment, foi prejudicado. Em contrapartida, Caio saiu beneficiado por pertencer ao PDT, um dos últimos aliados que restaram à estrela cadente petista.

 

PT tem Anomal, mas…

Bem verdade que o PT tem pré-candidato à sucessão de Rosinha. Mas Hélio Anomal teria ainda menos chance a prefeito do que Dilma de voltar à presidência. Presidente municipal da legenda, André Oliveira defende, no entanto, a candidatura própria, para marcar uma posição com vistas a 2018, na esperança do improvável retorno messiânico de Lula. Mas admite que as negociações presentes com o PDT, que reserva o intempestivo Ciro Gomes como opção presidencial para daqui a dois anos, estão bastante avançadas em nível regional, a favor da aliança com Caio para 2016.

 

De novo 2004?

Como esta coluna também revelou (aqui), tanto Rafael quanto Caio foram sabatinados pela executiva municipal do PT, respectivamente, nos dois últimos sábados (02 e 09). E embora o segundo impressione pela articulação em alguém que nunca exerceu cargo público, o desempenho do vereador chegou a fazer muita petista goitacá lamentar sua pré-candidatura ser pelo PPS. Ainda assim, é quase certo que, prevalecendo a tendência de aliança oficial com Caio, vá se repetir entre ele e Rafael a mesma divisão do PT no pleito municipal de 2004, quando parte do partido apoiou Carlos Alberto Campista e a outra, caminhou com Paulo Feijó.

 

HGG em choque

Fundado para ser a referência no atendimento de quem vive na margem esquerda do rio Paraíba do Sul, o Hospital Geral de Guarus (HGG) há anos passa por um processo de sucateamento e é alvo constante de denúncias, tanto de quem frequenta o local, como de quem trabalha. São inúmeros os descasos, mas nenhum supera as mortes ocorridas e atreladas à falta de estrutura, como a mostrada (aqui) na página 8 desta edição.

 

Choque no HGG?

Dias desses, o marido da prefeita Rosinha disse que, a pedido dela, ia dar plantão nos hospitais públicos, citando o HGG e sem poupar crítica à administração da unidade. Prometeu um choque de gestão e que “não adianta ter dinheiro se não tiver uma boa administração”. Discurso de quem teve quase oito anos para fazer isso, mas, só agora, às vésperas da eleição, dá dica a quem vai às urnas: “não adianta ter dinheiro se não tiver uma boa administração”.

 

Com a colaboração do jornalista Rodrigo Gonçalves

 

Publicado hoje (13) na Folha da Manhã

 

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Leal e Garotinho — Do moleque da ficção às “coisas de garoto” da vida real

Ponto final

 

 

Ficção com base real

Entre as várias falas do filme “Tropa de Elite” (2007, de José Padilha) que se transformaram em bordão nacional, está a ressalva do Capitão Nascimento, imortalizado pelo ator Wagner Moura, feita ao aspirante a oficial do Bope Neto Gouveia, interpretado por Caio Junqueira (reveja a cena aqui). Após este tentar tomar uma posição que não se mostrou capaz de sustentar, ouviu do superior: “Você não é Caveira, você é moleque!”. Nascimento esbofeteia Neto antes de repetir mais uma vez, com o dedo em riste na cara do fanfarrão desmascarado: “Você é moleque!”.

 

Ficção na vida real

Da ficção baseada na realidade, às ficções reveladas no mundo real, ontem foi categoricamente desmentido pelo deputado federal Hugo Leal (PSB) a informação de que ele teria ligado para o marido e secretário de Governo da prefeita Rosinha Garotinho (PR), Anthony Garotinho (PR), na última sexta-feira (08) para “oferecer” o vereador Gil Vianna à chapa governista. Repassada por Garotinho aos seus comandados, essa versão foi registrada (aqui) ontem (11) nesta coluna de opinião.

 

Na verdade

Na verdade, foi Garotinho quem teria ligado a Leal, pré-candidato do PSB à presidência da Câmara Federal, na eleição de amanhã (13), para tentar saber dos grandes debates nacionais e tentar ainda posar de ator relevante, mesmo neles hoje reduzido a “papagaio de pirata”. Mais ou mesmo como fez na votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara Federal, quando, segundo (aqui e aqui) a mídia nacional, negociou a ausência da filha grávida do neto pela terceira “venda do futuro” de Campos, no valor de R$ 367 milhões, junto à Caixa Econômica Federal, consumada (aqui) no apagar das luzes do governo federal petista.

 

Na mentira

Na ocasião, além de apequenar nacionalmente uma deputada federal promissora como Clarissa Garotinho (PR), seu pai não conseguiu convencer (aqui e aqui) nem mesmo o correligionário Paulo Feijó (PR). Ao votar com convicção pelo impeachment de Dilma, o experiente parlamentar não só recusou qualquer oferta do líder, como ainda foi obrigado a desmentir uma nota em sentido contrário, numa “barriga” (notícia inverídica, no jargão jornalístico) dada (aqui) pelo jornalista carioca Fernando Molica, plantada pelo próprio Garotinho.

 

Quem decide é Gil

Segundo Hugo Leal, após sondá-lo sobre a eleição da Câmara Federal, sonhando com um cenário que não é mais seu, Garotinho pousou à própria realidade e perguntou: “E Campos?”. Ao que o deputado federal respondeu ao ex: “Quem decide é Gil”. Como este já revelou (aqui) que seguirá a decisão da executiva estadual, próxima de uma aliança com o PDT de Caio Vianna à sucessão de Rosinha, Garotinho parece ter repetido um velho hábito, cada vez mais manjado: tentar diminuir o valor daquilo (ou de quem) não tem mais cacife para barganhar.

 

Uso do cachimbo

Se tem razão o dito popular “o uso do cachimbo faz a boca torta”, não custa lembrar que é a segunda vez que Garotinho é desprezado por Leal em suas tentativas de atrair o PSB. Em abril, numa reunião para definir nominatas, o marido da prefeita ligou (aqui) ao deputado. Para mostrar “força” diante da sua tropa, como o Neto de “Tropa de Elite”, Garotinho colocou a ligação no viva voz, sem informar ao interlocutor. Assim que soube da atitude de fanfarrão pela qual fôra exposto, Leal ficou muito bravo. Não entendeu como um ex-governador poderia ter feito o que classificou de “coisa de garoto”, dizendo que “a chance de aliança não é zero, é menos um”.

 

Publicado hoje (12) na Folha da Manhã

 

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Carol Poesia — Oásis

Carol Poesia 13-07-16

 

 

Oásis

 

Não tenho conseguido escrever.

Não me vem nada de bom.

De ruim então… nem se fala.

 

Fui de Campos à Caçapava

pensando em ter papel…

No Oásis aquele pastel…

 

Fazer o quê? Comi.

 

Me sobrou guardanapo e óleo:

o primeiro até dava gasto

o segundo é que atrapalha o caso.

 

Escrevi assim mesmo

meias palavras

sobre o sexo que nunca fiz:

 

aquele óleo de fritura

naquele corpo mulato

escorrendo desavergonhado

pelas curvas do muy guapo

cara-de-pastel que conheci.

 

Era de bom e de ruim aquela transa.

Tinha espelho, tinha aroma, tinha cama.

Só o sabor é que me desarranja,

lembrar de toda aquela gordura…

 

Tal qual guardanapo ensopado

veio ele todo suado

a fim de me consumir.

“UI! Eis que és um paspalho!”

 

Fazer o quê? Comi.

 

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