Vereador reeleito com a maior votação de Campos (5.552 votos), Marcão (Rede) é candidato a presidente da Câmara Municipal na próxima legislatura. Entre os principais aliados do prefeito eleito Rafael Diniz (PPS), desde os tempos de ambos na bancada de oposição a partir da qual derrotaram nas urnas a situação, Marcão quebrou o silêncio ao qual a Câmara foi mergulhada nesta semana, com as manobras do atual presidente Edson Batista (PTB), para a não realização das sessões, evitando o debate sobre a Operação “Chequinho”, da Polícia Federal (PF), e seus resultados no início dos julgamentos dos envolvidos.
Confira o que o parlamentar falou ao blog:
— O (senador Ronaldo) Caiado (DEM) já chamou (aqui) Garotinho (PR), na cara dele, em pleno Congresso Nacional, de chefe de quadrilha e frouxo. E só o que se vê hoje no seu grupo político é gente de cabeça baixa, escondida, até chorando, com medo de ser presa pela Polícia Federal. Alguém em Campos acredita que a ex-secretária (de Desenvolvimento Humano e Social Ana Alice Ribeiro) e a coordenadora do Cheque Cidadão (Gisele Koch Soares, ambas presas aqui pela Polícia Federal em 23 de setembro) tenham armado o esquema sem a autorização do chefe? Aliás, quem seria o chefe do “escandoloso esquema”? A ordem para desembolsar R$ 3,6 milhões/mês com 18 mil Cheques Cidadão, que seriam trocados por voto, como denunciou o Ministério Público Eleitoral (MPE), partiu de quem?
Confira amanhã (12) a matéria completa na edição da Folha da Manhã
Atafona, aurora de 16/07/16 (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
— Há quanto tempo você está trancada neste quarto?
— Oito anos.
— Por vontade própria?
— Sim.
— Tem algum motivo específico?
— Não.
— Fale mais sobre você. Ou prefere que eu pergunte?
— Não fará diferença.
— O que você guarda dentro da caixa?
— Lembranças.
— Posso vê-las?
— Não. Está vazia.
— Onde estão as lembranças?
— Eu preferi apagá-las.
— Por que não as guardou?
— Por que ninguém me guardou?
— Rebater com perguntas. Não funciona comigo.
— Não era para funcionar.
— Quer falar algo? Em que posso ajudá-la?
— Em nada. Procure se ajudar.
— O que são essas frases na parede?
— Eu.
— Você?
— Meus gritos sufocados que ninguém quis ouvir.
— Você tentou dizer?
— Sempre tentei, mas não deu certo.
— Quer falar para mim?
— Você pode ler.
— Eu prefiro te ouvir.
— A leitura é sempre mais prazerosa. Acredite. Li a minha vida toda e me poupei de escutar coisas insatisfatórias.
— Ler é uma ótima opção. Ajudou você?
— Me ajudou a entender mais do que precisava e menos do que gostaria.
— Não é possível entender tudo.
— Não é possível entender nada.
— Vamos dar uma volta?
— Me dê um motivo para isso.
— Vamos observar. Você pode tirar novas conclusões sobre o mundo.
— O tempo passa e coisas mudam, mas minhas conclusões sobre o mundo serão as mesmas.
— Você levou quanto tempo para escrever nas paredes?
— Eu ainda não terminei. E não sei quando terminarei. É uma eterna construção. É a minha saída quando o silêncio me sufoca.
— Por que não experimenta conversar com sua família?
— Porque ela nunca experimentou me ouvir. Não havia tempo para isso.
— Eu posso te ouvir.
— Tarde demais, doutor. Eu não sei mais falar. Não sei empregar as palavras certas fora da minha escrita.
— Eu escuto suas confusões e ajudo você a entendê-las.
— Se eu não as entendo, lamento, mas não será você quem as entenderá.
— Posso te surpreender.
— Ah, não. Eu nem consigo me lembrar da última pessoa que conseguiu me surpreender. Desculpe desapontá-lo.
— E esses CDs? São seus?
— Meus companheiros de melancolia. Se anseio por uma voz, recorro a eles.
— Não sente falta de uma voz amiga?
— Eles são as vozes amigas das quais você fala.
— Por que caneta preta?
— Porque as palavras saem envoltas em um misto de sensações que, para mim, é escuro e impenetrável.
— Suas roupas combinam com a escuridão das paredes.
— Minhas roupas são o reflexo do meu interior.
— É frio aí dentro?
— Muito.
— Nem a luz do sol, quando passa pelo vidro, te aquece?
— Não. Estou afastada dos raios. O frio também é impenetrável.
— Não pensa em voltar ao mundo real?
— Eu estou no mundo real.
— Não. Você está fugindo dele.
— O que é o mundo real?
— É a vida que te espera ali, na saída do quarto.
— Nada me espera. E acredito que você saiba que nada te espera. Nada espera ninguém.
— Você é jovem e tem uma vida toda pela frente. Como acredita que não há esperança?
— Devido às minhas experiências. Repetitivas, vazias e cansativas.
— Mas você tem muitas coisas para viver.
— Não sei. Quem me garante, doutor?
— Pela lógica da vida.
— A vida não tem lógica. Acho que, no fundo, você sabe disso.
— Permita-se viver coisas novas.
— Seu discurso vai de encontro ao que você realmente pensa. É visível a falta de emoção quando fala. Você quer me salvar, mas sabe que, para isso, tem que se entender.
Suspiros invadiram o ambiente.
— Vá, doutor. Pegue a caneta e use a minha parede para dizer suas verdades. Para expressar o que ninguém soube ouvir.
Por decisão de ontem do ministro Ricardo Lewandowisi, do Supremo Tribunal Federal (STF), o empresário Gustavo Ribeiro Poubaix Monteiro, filho do empreiteiro Ari Pessanha, será solto, com efeito estendido a mais cinco igualmente condenados pelo caso conhecido como “Meninas de Guarus”, pelo qual agora rsponderão em liberdade. Três dos beneficiados são o empresário Renato Pinheiro Duarte, o ex-vereador Marcos Alexandre dos Santos Ferreira e Cleber Rocha da Silva. Os outros dois serão conhecidos tão logo o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) receba, provavelmente ainda esta tarde, a comunicação da decisão do STF para proceder a soltura.
Consultada pelo reportagem da Folha a secretaria estadual de Administração Penitenciária (Seap), informou que os seis beneficiados com a decisão do Supremo, por enquanto, continuam presos. Abaixo a atualização das situações de cada um dos 11 condenados em primeira instância:
1 – Nelson Nahim de Oliveira: encontra-se em liberdade desde 27/10/2016.
2 – Renato Pinheiro Duarte: encontra-se na Penitenciária Bandeira Stampa, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu.
3 – Tiago Machado Calil: encontra-se na Penitenciária Bandeira Stampa, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu.
4 – Fabrício Trindade Calil: encontra-se na Penitenciária Bandeira Stampa, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu.
5 – Marcus Alexandre dos Santos Ferreira: encontra-se na Penitenciária Bandeira Stampa, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu.
6 – Cléber Rocha da Silva: encontra-se na Penitenciária Bandeira Stampa, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu.
7 – Jayme César de Siqueira: encontra-se em liberdade desde 24/08/2016.
8 – Sérgio Crespo Gimenes Júnior: encontra-se em liberdade desde 27/06/2016.
9 – Dovany Salvador Lopes da Silva Batista: encontra-se na Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu.
10 – Leilson Rocha da Silva: encontra-se na Penitenciária Bandeira Stampa, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu.
11 – Gustavo Ribeiro Pourbaix Monteiro: encontra-se na Penitenciária Bandeira Stampa, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu.
Confira amanhã a cobertura completa do caso na edição da Folha da Manhã
Atualização às 20h55 para complemento de informação
Além dos seus conhecidos aspectos político e militar, no brilhante documentário “Arquitetura da destruição” (1989), escrito e dirigido pelo sueco Peter Cohen, o nazismo que levou a Alemanha e o mundo à II Guerra Mundial (1939/45) é dissecado em sua proposta antropológica. Na união de nacionalismo, racismo, fascismo italiano e revanchismo alemão pela perda da I Guerra (1914/18), foram canalizados os recalques de um pintor e arquiteto frustrado: Adolf Hitler (1889/1945). Criado por ele, o nazismo foi também uma tentativa de reação estética ao Modernismo que mudou e ditou as artes do mundo no séc. 20.
Castelo de areia
Inegável que a vitória do empresário Donald Trump na eleição a presidente dos EUA, contrariando todas as previsões das pesquisas e da mídia internacional, foi uma reação à globalização que se estendeu sobre o mundo a partir dos anos 1990. Após a queda do Muro de Berlim (1989) e a dissolução da União Soviética (1991), sob a égide da questionável Pax Americana (a lembrar a Pax Romana dos Césares da Antiguidade), foi aberto um período de livre fluxo dos capitais e aparente estabilidade mundial sob a hegemonia estadunidense, que agora parece se dissolver como um castelo de areia.
Vitória é derrota
Também não se pode negar que a vitória de Trump teve prenúncios desse reacionarismo antiglobalizante pelo mundo. O voto do eleitor dos EUA que ontem definiu seu próximo presidente, tem as digitais do sufrágio britânico que escolheu sair da União Européia, em junho deste ano, ou do carioca que em outubro elegeu prefeito um bispo da Igreja Universal do Reino de Deus. Mesmo que mude seu discurso racista, machista e isolacionista, como já dá sinais, espanta como Trump possa tê-lo usado e vencido. Seu triunfo foi a maior derrota da democracia representativa no séc. 21, de consequências ainda imprevisíveis.
A ver
Para quem vê no resultado da eleição presidencial dos EUA um sinal dos estertores do capitalismo, previsível deveria ser como a passagem da frota nuclear russa pelo Canal da Mancha, entre Inglaterra e França, há pouco mais de um mês, evocaria velhos fantasmas que se julgava exorcizados, todos simpáticos a Trump. Ex-chefe da KGB (serviço secreto da ex-União Soviética) e atual presidente vitalício da Rússia, Vladimir Putin torcia explicitamente pela derrota da democrata Hillary Clinton e ontem parabenizou o republicano vencedor, afirmando que a Guerra Fria (tensão bipolar e nuclear do mundo entre 1945 e 1991) já acabou. A ver…
Sem coligações
O plenário do Senado aprovou ontem, em primeiro turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com as coligações partidárias nas eleições proporcionais e institui a cláusula de barreira para os partidos políticos. O texto ainda deverá passar por três sessões de discussão antes da votação em segundo. Se aprovada a proposta, não haverá mais coligações na eleição proporcional (para deputados e vereadores). O fim favorece os grandes partidos, uma vez que um “nanico” não poderia se unir a outros para aumentar sua força.
Fidelidade
De autoria dos senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Ricardo Ferraço (PSDB-ES), a PEC também reforça a fidelidade partidária ao estabelecer que políticos eleitos já no pleito deste ano perderão os mandatos caso se desfiliem de seus partidos, bem como suplentes ou vices perdem a possibilidade de atuar como substitutos se também mudarem de legenda. A PEC também estabelece uma cláusula de barreira que divide os partidos políticos em dois tipos: os com funcionamento parlamentar e os com representação no Congresso Nacional.
Barreira
Os partidos com funcionamento parlamentar serão os que obtiverem no mínimo 2% dos votos nas eleições gerais de 2018 e 3% nas de 2022. Tais siglas poderão ter acesso a fundo partidário e tempo de rádio e televisão e estrutura funcional própria no Congresso. Já os com representação no Congresso, os que não superarem a barreira, terão o mandato de seus eleitos garantidos, embora percam o acesso aos benefícios. Os políticos filiados a eles também terão o direito de mudar de legenda sem perder o mandato. Se o texto for aprovado em dois turnos no Senado, ele seguirá para a Câmara dos Deputados, onde ainda poderá ser alterado.
Brand com o chefe de o presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Rodrigo Lamego (Foto: Divulgação)
Um dia após a primeira reunião oficial (aqui) entre as equipes de transição, o professor Brand Arenari, responsável pela Educação neste processo, está em Brasília estreitando o diálogo em busca de parcerias. Nesta quarta-feira (09) ele se reuniu com o chefe de gabinete do presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Rodrigo Lamego.
Na pauta, convênios que já existem entre a Prefeitura e o FNDE, além da possibilidade de novas ações em conjunto. “Vamos manter os atuais convênios e ampliar essa relação”, explicou Brand, que também esteve no Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).
No Ministério da Saúde, Brand também deixou parcerias bem encaminhadas:
— Foram abertas possibilidades de várias parcerias, já que o nosso município é estratégico para a implantação de programas nas áreas da Saúde, Educação e Assistência Social.
Da assessoria do governo eleito Rafael Diniz
Brand com coordenadoras e diretoras do ministério da Saúde (Foto: Divulgação)
O que esperar de uma prefeita que, perto de se despedir do poder após oito anos, com desempenho administrativo sofrível nos últimos quatro, perde por isto a chance de fazer seu sucessor nas urnas, derrotada ainda no primeiro turno, e depois adia por duas vezes a primeira reunião de transição com a equipe do opositor eleito, sob a justificativa reincidente de querer estar presente para passar o bastão, mas não dá as caras quando o encontro finalmente acontece? Quem ainda não sabia por que o garotismo está sendo despejado da Prefeitura de Campos que dominou por 28 anos, ontem pode tirar qualquer dúvida.
Idas de quem não ia
A transição entre os governos Rosinha Garotinho (PR) e Rafael Diniz (PPS) foi iniciada quando o segundo enviou ao primeiro um ofício neste sentido, datado de 20 de outubro. Só quase uma semana depois, no dia 26, os rosáceos responderam, marcando a reunião para 3 de novembro. Em 1º de novembro, alegando que a atual prefeita não poderia estar presente, mas queria, se deu o primeiro adiamento, com o encontro remarcado ao dia 7. Só que, neste dia, no lugar da abertura da transição, ocorreu outro adiamento, sob a mesma justificativa: após dizer querer estar presente, Rosinha estaria ausente; mas iria se fosse no dia seguinte.
Presença rosácea
Apesar de ter aquiescido pela segunda vez com o adiamento solicitado pelo mesmo motivo, o governo Rafael impôs o limite: seria a última vez. E ontem, quando a primeira reunião finalmente se deu, o governo que deixará o poder daqui a pouco mais de 40 dias se fez representar por Matheus da Silva José, Thiago Lisboa, Geraldo Venâncio, Roberto Landes, Leandro Siqueira, José Felipe e Fábio Ribeiro. Como você, leitor, pode perceber, nenhum deles era a atual prefeita de direito, ou o ainda de fato, seu marido e secretário de Governo.
Prefeito que foi
Ao contrário de quem substituirá em 1º de janeiro, Rafael esteve presente ao encontro de ontem, até pela expectativa de que Rosinha também estivesse, como alegou querer para adiar a transição duas vezes. Ao centro da mesa, o prefeito eleito pregou concórdia em torno dos interesses do município: “Nós queremos fazer uma transição sem revanchismo, sem perseguição. É um ajudar ao outro pelo bem maior: Campos. Sabemos que acima de todos nós está a nossa cidade, por isso buscamos o diálogo, por isso buscamos o diálogo permanente para que possamos fazer as coisas terem andamento”.
Ausências da paz
Ao observador mais atento, no entanto, não passou despercebido o fato de que, entre seus oito coordenadores da transição cujas presenças foram antecipadas ontem nesta coluna, Rafael escolheu se sentar entre os dois mais violentamente atacados pelo marido da atual prefeita: Fabiana Catalani (Saúde) e Leonardo Wigand (Fazenda). Só que, talvez pelo fato da conversa ter sido cara a cara, com paridade no verbo, não à distância segura e monocórdia do seu blog ou do microfone da sua rádio, quem atacou preferiu confirmar suas núpcias na ausência. E, sem o casal mais famoso da Lapa, tudo transcorreu em paz.
Julgamentos
O juiz Eron Simas começou a julgar ontem os vereadores eleitos que foram denunciados pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) de participação no “escandaloso esquema” da troca de Cheque Cidadão por voto. A celeridade que a população cobrou nas ruas parece ter tido efeito para marcação das audiências. Vamos aguardar se vai ocorrer o mesmo quanto às sentenças. Em caso de condenação, boa parte da Câmara para a próxima legislatura passa por mudanças, já que 11 eleitos foram denunciados.
Defesa
A denúncia da troca de Cheque Cidadão por votos aponta que candidatos a vereador do grupo governista utilizaram de um programa social da máquina pública para obter vantagens. Os eleitos e réus das ações de ontem não foram ao julgamento, como previsto e assegurado a eles, mas foram representados por advogados que também têm proximidade com a máquina: Fabrício Ribeiro, ex-procurador do município, e Maxuel Barros Monteiro, que é, também, procurador da Câmara.
Rafael no centro da primeira reunião da transição, entre as equipes do seu governo e de Rosinha (Foto de Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)
Após adiar duas vezes (aqui e aqui) a primeira reunião de transição entre o governo atual e o eleito de Campos, sob alegação de que queria estar presente, a prefeita Rosinha Garotinho (PR) acabou não aparecendo hoje. O novo prefeito Rafael Diniz (PPS), no entanto, estava lá, junto com os oito membros da sua equipe de transição, anunciados hoje (aqui) pela coluna “Ponto Final”, da Folha da Manhã: Fábio Bastos (Governo), José Paes Neto (Procuradoria), Fabiana Catalani (Saúde), Leonardo Wigand (Fazenda), Felipe Quintanilha (Controle Orçamentário e Auditoria), Brand Arenari (Educação), André Oliveira (Gestão de Pessoas e Contratos) e Alexandre Bastos (Chefia de Gabinete).
A reunião começou no horário marcado de 15h e durou cerca de 1h40. Quem esperava um clima de tensão, pelas críticas violentas que todos os coordenadores da equipe de Rafael sofreram do marido da atual prefeita e seu secretário de Governo, se surpreendeu com a cordialidade com que os representantes rosáceos se portaram com aqueles que os substituirão na Prefeitura, daqui a pouco mais de 40 dias.
O único senão ficou por conta do relatório entregue pelo atual governo, que o futuro procurador geral do município, José Paes, julgou incompleto. O atual titular do cargo, Matheus da Silva José, prometeu complementar as informações, que são esperadas pelo governo eleito antes da nova reunião, marcada entre as duas equipes de transição para o próximo dia 17.
Presente, mesmo diante a ausência de Rosinha do marido desta, Rafael ressaltou:
— Precisamos de uma transição propositiva, sem revanchismos, na qual a cidade esteja acima dos grupos políticos.
Leia a cobertura completa da primeira reunião de transição na edição de amanhã (09) da Folha da Manhã
Ao pensar no título desta crônica, me deparei com esses sentimentos de dúvida da escrita. A palavra “choro” pode ter o significado de chorar, com verbo conjugado na primeira pessoa do presente (acento aberto ou agudo no primeiro “o” sonorizando “chóro”), ou ainda o estilo musical “choro” que carinhosamente preferimos chamar “chorinho”. Acrescentei o verbo “lacrimejar” para fazer alusão ao ato de chorar, mas mesmo assim, a frase ou o título pode gerar duplo sentido. A música também pode fazer chorar. Poderia ter mudado o título para “O mistério do chorar”, ou apenas seguir a ideia original “O mistério do choro”. Na verdade, eu preferiria escrever “chôro” para diferenciar cada uma dessas expressões, acentuando do jeito que falo, “choro, chóro, chôro”, mas não sou léxico, gramático, deus da reforma ortográfica, esses trens da língua. Gosto de trens e de línguas. Idiomas, inclusive. Brincar com palavras é divertido.
Dei essa volta toda para dizer que tenho dificuldade de chorar.
Há uma diferença, me parece, pelo menos é assim que sinto, entre chorar e se emocionar. Eu tenho uma certa facilidade de me comover, mas dificuldade em chorar. Explico: filmes e músicas são capazes de me comover, assim como reportagens e documentários onde pessoas que sofrem por alguma razão dão testemunhos de suas agruras e desgraças. Sou capaz de chorar bastante por isto. A beleza também é algo que me comove e me faz lacrimejar com emoção. Hoje estava assistindo ao Globo Repórter que visitou a Noruega com a jornalista Dulcineia Novaes. Aquela beleza toda, além de ver um país que funciona em todas as suas necessidades básicas me causaram tremenda emoção. Chorei. Aliás, devo ter chorado de inveja, este que é um dos piores pecados humanos.
Faz uns meses, voltando para casa de noite, coloquei uma coletânea do Queen para tocar. Coisa boa carro com ar-condicionado, música de qualidade nas alturas e trânsito livre, combinação que, segundo a atriz e escritora Maitê Proença, é perfeita. Concordo com ela. Lembro que no dueto do Freddie Mercury com David Bowie na canção “UnderPressure” abri o berreiro ao dirigir. Mesmo não dominando fluentemente toda letra, foram as vozes e os arranjos instrumentais que mexeram com algum lugar do meu cérebro e memória me fazendo chorar repetidas vezes. Aliás, reproduzi a canção umas cinco vezes. Precisava daquela carona na música para eu chorar pelas coisas que não consigo. Um verso de “UnderPressure” diz assim:
“…Pois o amor é uma palavra tão fora de moda. E o amor te desafia a se importar com as pessoas no limite da noite. E o amor desafia você a mudar nosso modo de nos preocupar com nós mesmos. Esta é nossa última dança. Isto somos nós mesmos sob pressão, sob pressão, pressão”.
Ontem, tarde da noite, voltando para casa, repeti o disco com a mesma canção, mas não chorei, nem me comovi. Faltou apertar algum botão em mim para tentar aliviar o cansaço e as pressões que atravesso. Não funcionou desta vez.
Quando meu pai morreu assassinado em 1985, lembro que levei uns três anos para chorar sua morte. Com a morte da minha mãe, há três anos, levou menos tempo: uns três ou quatro meses. Creio que até hoje não chorei o suficiente pela perda deles, assim como não chorei o bastante pela morte de amigos e amores que partiram. Pode ser um mecanismo de defesa. Parece que não dá tempo se descabelar com essas partidas, pois a vida é dura e exige de nós força para sobreviver e seguir adiante. Onde vai dar? Não sei exatamente, mas sei que no fim vai dar em nada. Ou melhor, vai dar na morte. Uma pena. Ou um alívio. Lembro da atriz Cristina Pereira fazendo uma peça de teatro em que sua personagem ria ou gargalhava de todas as desgraças e mazelas que vivia. Assaltos, traições, salário atrasado, fila de banco errada, vizinho escroto, funk pornográfico arrebentando os ouvidos em carros na rua enquanto você tenta dormir. nada escapava das risadas da vítima. Ela dizia que se chorasse, não parava nunca mais. Sendo assim, ria.
Não consegui chorar de rir, nem chorar de lamentar a prisão da radialista e colega Linda Mara Silva, por exemplo. Acho lamentável essa situação e acusações de corrupção envolvendo ela e tantas pessoas de minha cidade. Apesar dessa degradação ser motivo para chorar, me vejo tomado pela apatia quase indiferente. Aliás, não há nada pior e desumano que a indiferença. Onde vamos parar? O sonho norueguês ou escandinavo parece cada vez mais distante desta terra goitacá ou de tupinambás e maracajás extintos. Sobraram uns parcos guaranis, mas o Estado Rio de Janeiro adora um extermínio de gente de todo tipo. Não dá vontade de chorar? Mas cadê lagrima?
Estava pensando em escutar “Se eu quiser falar com Deus”, do Gilberto Gil. Não sei se com ele ou com a Elis Regina. A interpretação da IthamaraKoorax também é tocante. Quem sabe, choro ou me comovo, talvez.
“Se eu quiser falar com Deus, tenho que ficar a sós, tenho que apagar a luz, tenho que calar a voz…” . Honestamente, acho que o Gilberto Gil, esta maravilha de brasileiro, pode me ajudar.
A primeira reunião de transição entre os governos Rosinha Garotinho (PR) e Rafael Diniz (PPS) acontece hoje, às 15h, na sede da Prefeitura. Já foram dois adiamentos por parte da atual governo, derrotado ainda nas urnas do primeiro turno de 2 de outubro. A pedido da equipe de transição do prefeito eleito, feito no dia 20, o atual governo demorou quase uma semana para marcar, só no dia 26, a reunião para 3 de novembro — última quinta-feira. E de lá para cá, remarcou a data duas vezes: primeiro para ontem (06), quando adiou mais uma vez, para hoje.
Presença da Rosinha ausente
O motivo para o primeiro adiamento, segundo o atual procurador geral do município, Matheus José da Silva, foi o fato de que a prefeita Rosinha queria participar pessoalmente do encontro. O que levou Rafael a se prontificar a fazer o mesmo. Só que, com a reunião adiada para ter a presença da prefeita, ontem ela se fez novamente ausente. Coincidentemente, desde que saíram os primeiros mandados de prisão para os envolvidos naquilo que o Ministério Público Eleitoral (MPE) denunciou como “escandaloso esquema”, na troca de Cheque Cidadão por voto, Rosinha e seu marido e secretário de Governo têm ficado pouco em Campos.
Basta nos adiamentos
Após o segundo adiamento de ontem para hoje, o coordenador da transição do governo Rafael, o advogado Fábio Bastos ressalvou em nota: “Fomos informados que amanhã (hoje), com ou sem a presença da prefeita, a reunião será realizada”. Se o prefeito eleito vai esperar a confirmação da presença de Rosinha, para saber se vai ou não, foi definido na noite de ontem que sua equipe de transição irá comparecer à reunião, mesmo que os rosáceos tentem adiá-la pela terceira vez.
Maturidade prevalecerá?
Com ou sem Rosinha, hoje irão os coordenadores de transição Fábio Bastos (Governo), José Paes Neto (Procuradoria), Fabiana Catalani (Saúde), Leonardo Wigand (Fazenda), Felipe Quintanilha (Controle Orçamentário e Auditoria), Brand Arenari (Educação) e André Oliveira (Gestão de Pessoas e Contratos). Além deles, estará presente mais um nome confirmado da equipe de Rafael: o jornalista e blogueiro Alexandre Bastos, que coordenará a Chefia de Gabinete. Ontem, o novo governo municipal apelou ao atual: “Neste momento a cidade está acima de qualquer diferença partidária e a maturidade deve prevalecer”.
Equipe de transição do prefeito eleito Rafael Diniz (Arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Manobra jurídica
Como a disputa por cadeiras na Câmara conta com um “segundo turno” jurídico, o grupo rosáceo disponibilizou uma tropa jurídica para os investigados que conquistaram cadeiras na Câmara. Uma das manobras jurídicas para garantir a diplomação e posse dos candidatos seria o não comparecimento dos políticos aos julgamentos, forçando a remarcação das audiências e, consequentemente, possibilitando que eles consigam responder no cargo.
Quem entra? (I)
Nos bastidores, familiares e assessores dos suplentes não escondem a torcida pela condenação da “turma do cheque”. Foram eleitos e estão na mira: Thiago Virgílio (PTC), Jorge Rangel (PTB), Thiago Ferrugem (PR), Kellinho (PR), Magal (PSD), Ozéias (PSDB), Roberto Pinto (PTC), Cecília Ribeiro Gomes (PT do B), Vinicius Madureira (PRP), Linda Mara (PTC) e Miguelito (PSL). Se os vereadores forem condenados, quem assume as cadeiras?
Quem entra? (II)
Em caso de condenação dos 11, mas com os votos contabilizados para as coligações, os seguintes suplentes entrariam: Álvaro Oliveira (SD), Neném (PTB), Joilza Rangel (PSD), Apóstolo Luciano (PSB), Tô Contigo (PRB), José Cláudio (PT do B), Alonsimar (PTC), Jairinho (PTC), Beto Cabeludo (PTC), Josiane Morumbi (PRP) e Marquinho do Transporte (PRP).
Quem entra? (III)
Se os vereadores forem condenados e os votos anulados, seria necessário um novo cálculo do quociente eleitoral. Com isso, ganhariam espaço nomes de partidos como PMDB, PPS e PT. Entrariam: Nédio Gabriel (PMDB), Professor Alexandre (PT), Fabinho Almeida (PPS), Dr. Admardo (PSDC), Rosilani do Renê (PSC), Neném, Joilza, Alonsimar, Josiane Morumbi, Beto Cabeludo e Apóstolo Luciano.
Em caso de condenação da Justiça, quem sai e quem entra da Câmara de Campos (Arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Rosinha e Rafael (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Depois de pedir para adiar a primeira reunião de transição entre os governos Rosinha Garotinho (PR) e Rafael Diniz (PPS), marcada incialmente (aqui) para última quinta-feira (03), mas transferida (aqui) para hoje (07) a pedido da atual prefeita, esta acabou de solicitar e conseguir mais um adiamento.
Da primeira vez, Rosinha adiou porque alegou querer marcar presença no encontro, hoje o adiamento se deu por sua ausência, que estaria no Rio de Janeiro. Assim adiada inicialmente para às 15h de hoje, a primeira reunião de transição foi novamente adiada para amanhã (08), às 15 h.
Confira abaixo a explicação na nota gerada pela equipe de transição de Rafael:
No final da manhã desta segunda-feira (07) o Procurador Geral do Município de Campos, Matheus José, entrou em contato para solicitar que a reunião da transição, marcada para às 15h de hoje, fosse remarcada para amanhã, no mesmo horário. De acordo com ele, trata-se de um pedido da prefeita Rosinha Garotinho, que pretende estar presente. Na última quinta-feira, primeira data marcada para a reunião entre as esquipes, a prefeita já havia solicitado que fosse remarcada para esta segunda-feira.
Logo após a vitória no primeiro turno o prefeito eleito Rafael Diniz deixou claro que esperava uma transição técnica, transparente, e sem revanchismo. A equipe de transição do prefeito eleito, que protocolou ofício solicitando informações ao atual governo desde o último dia 20, espera pela reunião desde a semana passada. Por solicitação da prefeita, este encontro passou da última quinta-feira para esta segunda-feira. Hoje, mais uma vez por solicitação da prefeita, a reunião foi remarcada com a promessa de que não haverá mais alterações. “Neste momento a cidade está acima de qualquer diferença partidária e a maturidade deve prevalecer. Fomos informados que amanhã, com ou sem a presença da prefeita, a reunião será realizada”, diz o advogado Fábio Bastos, coordenador da equipe de transição do prefeito eleito.
Vários foram os fatores que levaram à vitória acachapante de Rafael Diniz (PPS), nas sete Zonas Eleitorais, ainda no primeiro turno, pela Prefeitura de Campos:
A contagiante campanha do vitorioso na democracia irrefreável das redes sociais e na propaganda de TV, concebida por profissionais locais, que compensou pouco tempo com dinamismo e criatividade;
A articulação e o desassombro de Rafael nos debates, aliado ao desempenho claudicante do candidato governista Dr. Chicão (PR), sobretudo no último, de maior e decisória audiência, da InterTV Planície;
A atuação firme do Ministério Público e Justiça Eleitorais, além da Polícia Federal (PF), certamente inspirados na Operação Lava Jato, a provar que a cidade, como o país, não aceitam mais determinadas práticas dos seus governantes;
A diarreia verbal (aqui e aqui) do marido e secretário de Governo da prefeita Rosinha Garotinho (PR), no microfone da sua rádio, com contornos de surto psicótico, sobretudo na última semana de campanha, quando desidratou de vez a candidatura governista.
Mas talvez nada tenha definido os rumos da eleição quanto a surpreendente posição do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PMDB). Ao romper (aqui e aqui) com a candidatura do filho único Caio Vianna (PDT), questionando publicamente (aqui e aqui) o preparo deste, para apoiar (aqui,aquieaqui) a de Geraldo Pudim (PMDB), há quem tenha dito, talvez não sem razão, que Arnaldo teria assassinado não dois, mas três coelhos numa cajadada solitária e trapalhona: a pretensão de Caio em ser prefeito, quando ainda liderava (aqui) as pesquisas de intenção de voto, a de Pudim e o próprio arnaldismo — outrora popular derivação do populismo garotista, em sua oposição carbono.
A opinião de que a atitude de Arnaldo e suas consequências, mais que quaisquer outros fatores, definiram a eleição de Campos, ainda no primeiro turno de 2 de outubro, ganhou reforço sobretudo na análise, Brasil afora, do resultado final das eleições municipais, findo o segundo turno do dia 30. Como observou o jornalista Paulo Celso Pereira:
— Em quatro das cinco maiores capitais, a disputa foi marcada pela ascensão de candidatos que se apresentavam como outsiders ou representantes de uma “nova política”. Foi assim no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Fortaleza.
Assim, por mais distinções que Rafael possua, respectivamente, dos também eleitos Marcelo Crivella (PRB), João Doria (PSDB) e Alexandre Kalil (PHS), além do ex-PM Capitão Wagner (PR), derrotado por pouco na capital do Ceará, o que os uniu e impulsionou foi a busca do eleitor pelo novo, diante de um modelo tradicional de fazer política cuja falência é outra consequência inequívoca da Lava Jato.
Foi esse desejo de ruptura que definiu as urnas de Campos e São Paulo ainda no primeiro turno, e do Rio e de Belo Horizonte no segundo. Como elegeu, por exemplo, o jovem Nelson Marchezan em Porto Alegre (RS), ou o azarão Dr. Hildon, em Porto Velho (RO), outras duas capitais do total de sete que serão governadas pelo PSDB — vencedor nacional do pleito municipal, cujo maior perdedor foi o PT. De terceira maior legenda do país em número de prefeituras, o partido dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff desceu a ladeira à 10ª posição.
E quem tem dúvida local sobre os danos ao PT da sua associação, eviscerada na Lava Jato, ao que sempre houve de pior na tradição fisiológica da política brasileira, que se pergunte quantos votos faria o vereador Marcão (Rede), merecidamente reeleito com a maior votação legislativa de Campos, caso tivesse permanecido no partido pelo qual conquistou seu primeiro mandato.
Antes de qualquer particularidade regional, Rafael foi eleito na esteira de um fenômeno nacional, por quem buscou novidade, mudança. E a esperança chegou a ser endereçada a Caio, antes do seu pai extraviar a correspondência, assumida com competência pelo destinatário final da maioria nas urnas.
Se nenhum prefeito a partir de 1º de janeiro de 2017 terá vida fácil na crise econômica legada pelos 13 anos de governo federal do PT, tanto pior no Estado do Rio condenado à insolvência pelo PMDB, uma oitava abaixo pela bancarrota na qual os oito anos do governo Rosinha afundaram Campos. Isso, lógico, enquanto quem bateu a carteira agora grita “pega ladrão!”, ao eco de delírios sobre anulação das eleições, Pátio Norte e outras manjadas variantes da sua ideação persecutória.
O jovem prefeito eleito, como a maioria dos nomes da sua equipe, antecipados (aqui, aqui e aqui) pela coluna “Ponto Final”, são de uma geração nascida nos anos 1980. E amanhã eles terão (aqui) a primeira reunião de transição com a atual administração, possivelmente na presença de Rosinha, mais seu secretário de Governo. Estes, por sua vez, de uma geração que chegou ao poder nos mesmos anos 1980 — década na qual também se conjugou crise com esperança.
Trinta anos depois, neste domingo de Enem, a lição parece simples: quem não aprender a sua é posto para fora da sala.