“Pátria de chuteiras” — Governo agora ameaça intervir no futebol brasileiro

Ministro Aldo Rebelo e o presidente da Fifa, Joseph Blater
Ministro Aldo Rebelo e o presidente da Fifa, Joseph Blater

 

Que a derrota por 7 a 1 da Seleção Brasileira para a Alemanha, nas semifinais de uma Copa do Mundo dentro do Brasil, na última terça (08/07) deixou marcas tão profundas quanto precisam ser as mudanças necessárias à reformulação do futebol brasileiro, ninguém duvida. Mas se alguma incerteza ainda havia sobre intenção do atual governo Dilma Rousseff (PT) em intervir diretamente no futebol da Seleção e dos clubes, numa estatização real do conceito “pátria de chuteiras”, criado pelo jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues (1912/80), o ministro dos Esportes Aldo Rebelo (PC do B) esclareceu as coisas na manhã desta quinta-feira, no briefing diário organizado pela Fifa durante a Copa, no Rio de Janeiro. Comparando a derrota por 7 a 1 em 2014 com o vice-campeonato mundial em 1950, mas ignorando qualquer utilização da Copa e da Seleção para fins políticos neste ano de eleição presidencial, o ministro de Dilma defendeu uma presença maior do governo na gestão do esporte:

— Já manifestei mais de uma vez a minha opinião e volto a repeti-la: o futebol brasileiro precisa de mudanças. A derrota para a Alemanha evidencia ainda mais essa necessidade. Depois da redemocratização do país, surgiu um clamor contra a presença do Estado dentro do mundo do esporte e principalmente do futebol. Era coisa do regime militar, que promovia intervenção na antiga CBD. E surgiu uma legislação que tirou completamente o Estado e entregou o futebol praticamente ao mercado, aos grandes empresários e aos dirigentes, que passaram a gerir o futebol sem qualquer interferência do Estado. Na época, fui contra por considerar que o esporte é matéria de interesse público e nacional e hoje estamos promovendo um esforço para rediscutir esse tema e retomar o protagonismo do esporte brasileiro. Temos pouca ingerência na regulamentação principalmente da gestão do clubes e acho que precisamos ter alguma presença. Não para nomear dirigente, interventor, mas para que em determinadas situações o Estado possa preservar o interesse nacional e público.

Sem explicar como um governo envolvido em várias denúncias de corrupção, incluindo o superfaturamento dos gastos na construção e reforma de estádios para a Copa, ao custo de R$ 9 bilhões, 95% deles custeados pelo dinheiro público, num gasto superior ao que África do Sul (2010) e Alemanha (2006) investiram juntas para realizar seus Mundiais, assim mesmo teria capacidade para sanear o esporte brasileiro, Aldo rechaçou uma caça às bruxas neste momento:

— Não sou a pessoa mais indicada a promover um clima de caça às bruxas em um momento de dificuldade. Para todo grande problema geralmente aparece uma solução óbvia, fácil e geralmente errada. Então creio que é preciso ter a consciência de que as mudanças no futebol brasileiro precisam ser feitas, mas é preciso encontrar a eficiência em promovê-las. E que isso não se faça somente pela dor da derrota sofrida para a Alemanha. É preciso que as mudanças tenham sentido de continuidade e erradiquem as causas mais profundas daquilo que conduziu a esse vexame. Nosso futebol tem problemas que precisam ser enfrentados.

Na Nigéria

Enquanto isso, ontem (09/07), a Fifa suspendeu a Federação Nigeriana de Futebol (NFF, em inglês) por causa de ingerências governamentais na entidade. Conforme o Artigo 13, do Estatuto da Fifa, os membros associados estão obrigados a administrar os assuntos de forma independente e sem interferência de terceiros. Antes de aplicar a punição, a entidade havia encaminhado uma carta à federação, no dia 4 de julho, em que expressava preocupação com o processo judicial contra a federação e a ordem judicial do Alto Tribunal da República Federal da Nigéria, que impedia o presidente, os membros do comitê executivo e o congresso da NFF de administrar o futebol do país africano.

Com a suspensão, nem as seleções e nem clubes nigerianos podem participar de torneios regionais, continentais ou internacionais. A punição inclui as partidas amistosas e determina que nenhum membro ou integrante da NFF participe de programas de desenvolvimento ou cursos promovidos pela Fifa e a CAF durante o período de vigência da suspensão. Se a medida permanecer até o dia 15 de julho, a Nigéria ficará fora da próxima Copa Mundial Feminina Sub-20 da Fifa, que será disputada entre 5 e 24 de agosto.

 

Com informações da Globo.com e Agência Brasil

 

 

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Neymar é Messi F.C. na final, lamenta injustiça de Barbosa e fala de Zúñiga

Companheiros no Barcelona, Neymar vai torcer por Messi e sua Argentina da final da Copa
Companheiros no Barcelona, Neymar vai torcer por Messi e sua Argentina na final da Copa

 

Argentina na final — O merecimento de Alemanha e Argentina por terem chegado à final, vem sendo muito grande. Eu desejo sorte às duas equipes. Mas espero que vençam meus companheiros. Eu tenho dois companheiros na Argentina: Messi e o Mascherano. E eu acho que pro futebol, pela história que o Messi tem, de ter conquista muita coisa, de ter conquistado quase tudo em sua carreira, eu acho que ele merece, sim, ser campeão. Estou torcendo, sim, por ele. Porque é um amigo, é um companheiro e desejo muita sorte.

Lembrança de Barbosa — Não é por causa de um derrota, de uma goleada que sofremos, que essa história vai ser terminada. Eu acho que isso é uma continuidade da história que a gente tem para estar traçando pela Seleção Brasileira neste século. Na minha história, eu já fui vaiado, fui aplaudido e estou fazendo essa história. Infelizmente, vamos ficar marcados por uma goleada. Mas eu acho um pouco de injustiça se a gente ficar marcado por isso, como ocorreu em 1950, com Barbosa, que meu pai me contou a história e eu também concordei que foi uma injustiça. E a gente tem que dar a volta por cima de tudo isso que está acontecendo. Temos que voltar a sorrir. Não podemos ficar de cara feia, não podemos ficar chorando todos os dias. Já passou, já sofremos e já choramos o que tínhamos que chorar. E agora é voltar a sorria novamente. Tem que treinar, temos que nos dedicar e entrar sábado (na disputa do 3º lugar, contra a Holanda) em campo para vencer a partida; para nós! Para nós, para os nosso torcedores, para nossas famílias.

Lance da contusão — Foi um lance que eu não concordo, eu não aceito. Não vou falar que foi desleal, que ele (o lateral direito colombiano Juan Zúñiga) foi me machucar, que ele veio na maldade, porque eu não estou na cabeça dele para pensar e para saber disso. Mas todo mundo que entende de futebol, todo mundo sabe que uma entrada daquela não é normal vcê fazer. Quando você quer fazer uma falta para parar o jogo, para quebrar o contra-ataque, principalmente quando o cara está de costas. você chuta o tornozelo, segura, empurra, mas da forma que ele veio e da forma que a bola tava chegando, foi uma entrada que não é situação de jogo;não tem como. E muitos de vocês (imprensa) falam que eu sou cai-cai. E eu nem ligo para o que falam disso. Porque quando eu estou de frente, quando eu tenho a visão periférica, eu consigo me defender; como eu venho me defendendo até hoje. Mas de costas eu não consigo me defender. A única coisa que pode me defender de costas é a regra. E quando se tem a regra você tem estar protegido dentro de campo. E foi um lance que eu não tinha como me proteger e acabei me machucando. E por muito pouco; acho que Deus me abençoou naquele lance também. Se fosse dois centímetros pra dentro, eu, hoje.. (chora)… eu hoje poderia estar de cadeira de rodas. É complicado você falar de um lance, num momento tão importante da minha carreira, e acabar sofrendo. Mas faz parte, aconteceu e faz parte. Vida que segue. “Vãobora”! (Choro)

Desculpas de Zúñiga — Desculparia, sim, eu perdoaria. Eu não tenho rancor, não sinto rancor dele, não sinto ódio, não sinto nada. Ele até me ligou no dia seguinte, pedindo desculpas, falando que não queria me machucar,  que sentiria muito e tudo mais; falou um bocado de coisa legal. Tanto que eu não sinto rancor dele, não sinto ódio. Desejo que Deus o abençoe, que ele tenha sucesso na carreira dele, enfim tudo de melhor.

Messi Futebol Clube — Você parar para pensar e falar assim: “Pô, um brasileiro torcendo para a Argentina”. Não, eu não estou torcendo para a Argentina; estou torcendo por dois companheiros, para uma pessoa que eu aprendi a admirar ainda mais, estando ao lado dele todos os dias. Um jogador que eu tinha como espelho, como ídolo, que admirava de longe, pelas suas qualidades dentro de campo. E ali (no Barcelona), eu passei a admirá-lo como pessoa, com o jogador, e ver que nos treinos ele é tão ou mais especial do que nos jogos. Então, por isso que a minha torcida é sempre pro Messi. Se você falar que eu sou Messi Futebol Clube, eu sou; eu torço por ele. Só que eu tinha brincado com ele, tinha brincado com ele que queria a Argentina na final, porque o Brasil iria chegar na final. Mas infelizmente não chegou e eu desejo toda a sorte do mundo para ele, para o Mascherano, que são dois companheiros, duas grande pessoas, que pela história que têm no futebol, eles merecem.

 

(Neymar, em coletiva neste momento na Granja Comary)

 

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Neymar: “Falhamos, erramos, não demonstramos um futebol de Seleção Brasileira”

Após a coletiva na tarde de hoje, na Granja Comary, Neymar foi aplaudido pelos jornalistas  (foto de Heuler Andrey / Mowa Press)
Após a coletiva na tarde de hoje, na Granja Comary, Neymar foi aplaudido pelos jornalistas (foto de Heuler Andrey / Mowa Press)

 

“A gente teve a oportunidade e fizemos de tudo para conseguir, para ter a oportunidade de sermos campeões no nosso país, de marcarmos nossos nomes na história de forma positiva. E falhamos, erramos, deixamos a desejar. Sabemos que não fizemos um campanha boa, que não demonstramos o nosso melhor futebol, um futebol de Seleção Brasileira. Demonstramos um futebol regular, por isso é que chegamos às semifinais. Mas não demonstramos um futebol de Seleção Brasileira, que é superior, que encanta a todos”.

“Eu admiro cada um desses caras que estão aí (na Seleção). Todos eu vi jogar, quando era menor. E são pessoas que eu passo a admirar ainda mais. Depois dessa derrota que a gente tomou, a gente se sente humilhado, a gente se sente envergonhado. Porque a gente não queria isso, porque a gente tem família, a gente tem um povo que torcia pela gente. Ninguém precisa dizer pra gente: ‘Ah, vocês são a vergonha do Brasil!’.  Eu não tenho vergonha de ser brasileiro. Eu não tenho vergonha que fiz parte dessa equipe que tomou de 7 a 1. Eu não tenho vergonha nenhuma! A única coisa que eu tenho para falar é que eu sinto orgulhos dos meus companheiros, de falar que eu joguei com Thiago Silva, de falar que eu joguei com Fred, de falar que eu joguei com Júlio César”.

 

(Neymar, em coletiva que ocorre neste momento na Granja Comary)

 

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Blog escala sua seleção das semifinais

Definidos Alemanha e Argentina como os finalistas do Mundial, no tira-teima das que disputaram em 1986 e 1990, conheça abaixo a seleção das semifinais, incluindo time, técnico e gol mais bonito da rodada, que certamente será lembrada para sempre na história do futebol, pela tragédia das tragédias na Copa das Copas:

 

Goleiro: Sergio Romero (Argentina)
Goleiro: Sergio Romero (Argentina)

 

Lateral direito: Philipp Lahm (Alemanha)
Lateral direito: Philipp Lahm (Alemanha)

 

Zagueiro: Ron Vlaar (Holanda)
Zagueiro: Ron Vlaar (Holanda)

 

Zagueiro: Ezequiel Garay (Argentina)
Zagueiro: Ezequiel Garay (Argentina)

 

Lateral esquerdo: Dirk Kuyt (Holanda)
Lateral esquerdo: Dirk Kuyt (Holanda)

 

Volante: Sami Khedira (Alemanha)
Volante: Sami Khedira (Alemanha)

 

Volante: Javier Mascherano (Argentina)
Volante: Javier Mascherano (Argentina)

 

Meia: Toni Kroos (Alemanha)
Meia: Toni Kroos (Alemanha)

 

Lionel Messi

 

Atacante: Thomas Müller (Alemanha)
Atacante: Thomas Müller (Alemanha)

 

Atacante: Miroslav Klose (Alemanha)
Atacante: Miroslav Klose (Alemanha)

 

 

Técnico: Joachim Löw (Alemanha)
Técnico: Joachim Löw (Alemanha)

 

 

Na linha de passe que colocou o Brasil na roda de bobo dentro do Brasil e diante do mundo, o gol do brilho coletivo com cara de pelada de uma brilhante geração germânica, segundo do craque Toni Kroos — destaque individual da rodada, ao lado do volante argentino Javier Mascherano — e quarto da Alemanha nos históricos 7 a 1 de 8 de julho de 2014:

 

 

 

 

Conheça aqui, aqui e aqui, respectivamente, as seleções da fase de grupos, das oitavas e quartas de final.

 

 

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Jogador alemão declara amor ao Brasil e pede: “Respeite a AMARELINHA e sua história”

Além do belo futebol de toque de bola e rapidez, com que ontem derrotaram o Brasil por 7 a 0, os alemães têm conquistado fãs neste Mundial pelo respeito e a simpatia com que têm se relacionado com o país da Copa e seu povo. O atacante Lukas Podolski nem jogou ontem, como tem sido pouco aproveitado pelo técnico Joachim Löw. Mas confira abaixo o que o jogador alemão postou aqui, após a partida, em português e na democracia irrefreável das redes sociais:

 

Podolski com os índios Pataxós no litoral sul da Bahia, onde a seleção da Alemanha buscou sua sede na Copa
Podolski com os índios Pataxós no litoral sul da Bahia, onde a seleção da Alemanha buscou sua sede na Copa

 

“Respeite a AMARELINHA com sua história e tradição. O mundo do futebol deve muito ao futebol brasileiro, que é e sempre será o país do futebol.

A vitória é consequência do trabalho, viemos determinados, todos nós crescemos vendo o Brasil jogar, nossos heróis que nos inspiraram são todos daqui.

Brigas nas ruas, confusões, protestos não irão resolver ou mudar nada. Quando a Copa acabar e nós formos embora, tudo voltará ao normal então muita paz e amor para esse povo maravilhoso, um povo humilde, batalhador e honesto. Um país que eu aprendi a amar”.

 

Podolski

 

 

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Daniel Alves: “Sei que um monte de babacas vão fazer chacota”

Depois de mobilizar o mundo contra o racismo ao comer uma banana atirada em sua direção no campo, enquanto defendia a camisa do Barcelona, o lateral direito Daniel Alves não teve papas na língua ao voltar a entrar firme em outra polêmica, em defesa do grupo eliminado ontem por 7 a 1 pela Alemanha, utilizando mais uma vez a democracia irrefreável das redes sociais, mas desta vez gerando reações mais variadas. Acompanhe aqui a polêmica em tempo real e confira abaixo a transcrição do desabafo do jogador brasileiro:

 

Eu quero aproveitar esse momento duro, difícil, complicado para todos nós que escolhemos o futebol como profissão e que fomos escolhidos, para representar nosso país, nessa copa do mundo. Gostaria de dizer que, Para mim poder compartilhar todos esse tempo com vocês foi prazer inigualável, sei que um monte de babacas vão fazer chacota, sei que um monte de perdedores do jogo mais importante do mundo, que é o da vida, vão se alegrar por isso, mas, gostaria de dizer publicamente que vocês são fodas, que sou um privilegiado de formar parte desse grupo, que vocês são os melhores, que vocês são campeões, onde todos esses babacas nunca serão, pois vocês se superaram e conseguiram vencer na vida, vocês hoje são respeitados, aqui pode que não, mas, no resto do mundo tenho certeza que sim. Dias ruins, vem nas nossas vidas, para aprendermos a valorizar os dias bons de uma maneira que somente quando temos os dias ruins nos damos conta disso!

 

 

Seleção grupo

 

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Àqueles cujos navios de guerra afundaram no mar!

Em pé: Dante, Maicon, Júlio César, Fred, David Luiz e Luiz Gustavo. Agachados: Oscar, Fernandinho, Bernard, Marcelo e Hulk
Em pé: Dante, Maicon, Júlio César, Fred, David Luiz e Luiz Gustavo. Agachados: Oscar, Fernandinho, Bernard, Marcelo e Hulk

 

Se você acha que desperdiçou ontem 90 minutos, mais 15 de intervalo, para no final tomar de sete, não deixe de investir outros 61 minutos da sua vida para assistir ao vídeo abaixo e resgatar consigo mesmo, enquanto brasileiro, uma dívida de 64 anos. O documentário é do jornalista Geneton Moraes Neto.

 

Em pé: Barbosa, Augusto, Danilo, Juvenal, Bauer e Bigode. Agachados: Friaça, Zizinho, Ademir, Jair, Chico e o massagista Mário Américo
Em pé: Barbosa, Augusto, Danilo, Juvenal, Bauer e Bigode. Agachados: Friaça, Zizinho, Ademir, Jair, Chico e o massagista Mário Américo

 

Canto a mim mesmo (18)

(Walt Whitman)

 

Com música forte eu venho,

com minhas cornetas e meus tambores:

não toco hinos

só para os vencedores consagrados,

toco hinos também

para as pessoas batidas e assassinadas

 

Vocês já ouviram dizer

que ganhar o dia é bom?

Pois eu digo que é bom também perder:

batalhas são perdidas

Com o mesmo espírito que são ganhas.

 

Eu rufo e bato o tambor pelos mortos

e sopro nas minhas embocaduras

o que de mais alto e mais jubiloso

posso por eles.

 

Vivas àqueles que levaram a pior!

e àqueles cujos navios de guerra

afundaram no mar!

E a todos os generais

das estratégias perdidas,

que foram todos heróis!

E ao sem-número dos heróis desconhecidos,

tombados na vanguarda do combate,

equivalentes aos heróis maiores

que se conhecem!

 

 

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Seleção não aguentou a pressão da “pátria de chuteiras”, nem da Alemanha

 

(Capa da edição de hoje da Folha, com edição de Rodrigo Gonçalves, foto de Valmir Oliveira, concepção gráfica de Aluysio Abreu Barbosa e diagramação de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ontem, desde o apito final do árbitro mexicano Marco Rodríguez, começou uma nova Copa do Mundo no Brasil. De um lado, entre os que acham entender de futebol, para ver quem mais repete: “Eu avisei!”. Do outro, entre quem não entende nada, mas ainda pensa tirar proveito político da maior tragédia da história do futebol brasileiro, a disputa será para saber quem mais ecoa: “Fizemos a Copa das Copas, só faltou time!”.

O fato é que na maior goleada sofrida pela Seleção Brasileira em 100 anos, a Alemanha massacrou o Brasil por 7 a 1, ontem, no Mineirão. E o mais triste talvez tenha sido assistir a uma geração de jogadores tão comprometida não ter forças para reagir à pressão do clima de “pátria de chuteiras”, no qual foi envolvida desde o início da campanha, assim como foi ontem por um futebol baseado no toque de bola, que já foi nosso, mas mudou de pátria há alguns anos e foi ditado diante do mundo em fluente alemão.

Antes da semifinal de ontem, os três gols até então sofridos pela Alemanha da Copa haviam saído pelo lado esquerdo da sua defesa, onde o zagueiro Benedikt Höwedes atuava improvisado como lateral. Por isso a crônica esportiva foi quase unânime ao saudar a coragem de Felipão quando, depois de mistério nas escalações dos dois times, uma hora antes do jogo foi anunciado que quem entraria na vaga de Neymar seria o jovem Bernard, justamente para jogar no lado direito do ataque brasileiro — e envergando a camisa 20, a mesma usada pelo campista Amarildo para entrar no lugar de Pelé e ajudar na conquista da Copa de 1962. Por outro lado, o técnico alemão Joachim Löw, além de Höwedes na esquerda, confirmou a escalação do veterano centroavante Miroslav Klose, de 36 anos, no comando do ataque germânico, numa formação mais conservadora.

 

Primeiro gol da Alemanha, marcado por Thomas Müller, que surgiu sozinho na área brasileira
Primeiro gol da Alemanha, marcado por Thomas Müller, que surgiu sozinho na área brasileira

 

Marcada desde a Copa das Confederações, vencida em 2013 pela pressão no campo adversário nos minutos iniciais, a esperança de que a coragem brasileira surtisse resultado durou exatamente 10 minutos. Foi quando Marcelo perdeu a bola na ponta esquerda e gerou um contra-ataque rápido com Sami Khedira e Thomas Müller, que acabou em escanteio. Grande nome do jogo, o meia Toni Kroos bateu pela direita e Müller apareceu sozinho dentro da área para abrir o placar, num erro de toda a defesa brasileira, mas sobretudo de David Luiz que marcou a bola.

Mas o pior estaria porvir…

 

Aos 36 anos, Klose marcou o segundo gol da Alemanha, se tornando o maior artilheiro na história das Copas, com 16
Aos 36 anos, Klose marcou o segundo gol da Alemanha, se tornando o maior artilheiro na história das Copas, com 16

 

Dos 21 aos 27 minutos, num espaço de apenas seis, a até então sólida defesa brasileira tomaria nada menos que outros quatro gols. Aos 21, Fernandinho furou uma bola na entrada da área, que sobrou para Kross achar Müller dentro da área. Ele serviu a Klose, que chutou à defesa parcial de Júlio César, mas pegou a sobra para fazer o segundo gol alemão no jogo e seu na Copa, chegando aos 16 marcados em todos os Mundiais, deixando para trás o recorde de Ronaldo.

 

Nome do jogo, o meia Kroos comemora seu primeiro gol, o terceiro da Alemanha
Nome do jogo, o meia Kroos comemora seu primeiro gol, o terceiro da Alemanha

 

Aos 23, o meia Mezut Özil enfiou o lateral Philipp Lahm no apoio, que cruzou da ponta direita. Novamente solto dentro da área, Müller furou a bola, mas não Kroos, que bateu no canto direito de Júlio César. Aos 27, novamente Kroos apareceu para roubar a bola de Fernandinho, tabelar com Khedira e receber dentro da área, para bater forte e marcar seu segundo gol no jogo.

 

Após roubar a bola de Fernandinho e tabelar com Khedira, Kroos marcou seu segundo gol, o quarto da Alemanha
Após roubar a bola de Fernandinho e tabelar com Khedira, Kroos marcou seu segundo gol, o quarto da Alemanha

 

Para acabar de fechar a tampa do caixão brasileiro ainda no primeiro tempo, o zagueiro Mats Hummels roubou uma bola na raça e lançou Khedira, que tocou para Ozil dentro da ártea, na direita. Ele devolveu para Khedira marcar totalmente à vontade o quinto gol.

 

Em outra linha de passe alemã, Khedira comemora o quinto gol da Alemanha
Em outra linha de passe alemã, Khedira comemora o quinto gol da Alemanha

 

Diante do quadro praticamente irreversível, alguns torcedores brasileiros começaram a deixar o estádio, enquanto os que ficaram perderam a paciência aos 39, quando começaram a vaiar o Brasil. Até que, no minuto seguinte, ecoou das arquibancadas do Mineirão o mesmo coro ofensivo que gerou tanta polêmica na abertura da Copa, no Itaquerão: “Ei, Dilma, vai tomar no c(…)!”

No segundo tempo, com Ramires e Paulinho nos lugares de Hulk e Fernandinho, o Brasil tentou novamente pressionar, mas esbarrou no goleiro Manuel Neuer. Aos 5, aos 6 a aos 7 minutos, em duas conclusões de Oscar, e em outras duas de Paulinho, na mesma jogada, Neuer faz quatro grandes defesas consecutivas.

Aos 12, substituído pelo atacante André Schürrle, Klose saiu aplaudido por alemães e brasileiros como o maior artilheiro da história das Copas. Em contrapartida, no minuto seguinte, o centroavante brasileiro Fred bateu de fora da área e foi vaiado sonoramente pela torcida, que depois repetiu contra ele o coro da presidente Dilma: “Ei, Fred, vai tomar no c(…)!”. E não ficou sozinho, quando aos 17 o telão do Mineirão mostrou Ronaldo, que assistiu seu recorde ser batido por Klose, enquanto comentava o jogo pela Globo, e também foi vaiado pela torcida.

 

Em respeito ao Brasil, desde o final do primeiro tempo, a Alemanha pareceu querer diminuir o ritmo, mas não Schürrle, que entrou no jogo querendo mostrar serviço, ao marcar o sexto
Em respeito ao Brasil, desde o final do primeiro tempo, a Alemanha pareceu querer diminuir o ritmo, mas não Schürrle, que entrou no jogo querendo mostrar serviço, ao marcar o sexto

 

Dentro do campo, Lahm lançou Khedira pela ponta direita e correu para receber de volta e cruzar para Schürrle marcar o sexto da Alemanha, aos 23. Felipão aproveitou enquanto a torcida ainda tentava contar quantos gols tinha tomado, para tirar Fred, que era tão perseguido pelas vaias da torcida da casa, quanto foi o brasileiro Diego Costa nos três jogos que fez na Copa pela Espanha.

Aos 33, num contra-ataque, Müller cruzou da ponta esquerda. David Luiz, que tentava apoiar o ataque, chegou atrasado na marcação de Schürrle. O alemão dominou dentro da área de perna direita e emendou uma petardo de canhota, no ângulo de Júlio César: Alemanha 7 a 0.

 

Num bomba de canhota, que ainda bateu no travessão antes de entrar, Schürrle fez o seu segundo gol na partida, o sétimo da Alemanha
Num bomba de canhota, que ainda bateu no travessão antes de entrar, Schürrle fez o seu segundo gol na partida, o sétimo da Alemanha

 

Em outro contra-ataque, aos 44, Özil saiu cara a cara com Júlio César, na entrada da área brasileira. O meia alemão tocou com consciência, mas a bola saiu pela linha de fundo, rente à trave. Aos 45, Marcelo lançou Oscar, que recebeu na área, dominou, driblou o zagueiro Jérôme Boateng e bateu na altura da marca do pênalti, sem chance para Neuer. Foi o gol de honra, naquela que pôde existir na maior derrota da Seleção Brasileira em todos os tempos.

 

Depois de levar sete gols da Alemanha, Oscar marcou o gol de honra do Brasil
Depois de levar sete gols da Alemanha, Oscar marcou o gol de honra do Brasil

 

Na dúvida do que será ainda pior, entre ter que assistir a Argentina disputar a final do dia 13 no Maracanã, ou enfrentá-la na disputa pelo terceiro lugar, dia 12, em Brasília, uma certeza: ninguém tem o direito de repetir nessa tragédia do futebol brasileiro o mesmo feito em outra, há 64 anos, com os ex-jogadores Barbosa, Juvenal e Bigode, responsabilizados pela derrota brasileira na final da Copa de 1950. E isso vale tanto para os que rapidamente se converteram no culto de martirização midática de Neymar, quanto para os que cerraram fileiras na “caça às bruxas” virtual contra o lateral colombiano Juan Zúñiga, responsável pela contusão do craque brasileiro numa disputa imprudente.

Nesse mesmo oba-oba patriótico que só surge entre os brasileiros de quatro em quatro anos, todos da crônica esportiva do país da Copa acusados de sofrer de “complexo de vira latas” por apontar críticas táticas e técnicas ao time, ou à maneira como ele tentou ser descaradamente utilizado para fins políticos em ano de eleição presidencial, também não devem ceder à nenhuma pequenez. Nela, dá de goleada a grandeza demonstrada pelo zagueiro David Luiz, símbolo maior desse time, que mesmo sem ter feito grande partida deu sua cara a tapa ainda na saída do campo:

— Eu só queria poder dar uma alegria ao meu povo, à minha gente que sofre em tantas outras coisas. Infelizmente não conseguimos. Desculpa a todo mundo. Desculpa a todos os brasileiros. Eu só queria ver meu povo sorrir. Todo mundo sabe o quanto seria importante para mim ver o Brasil feliz pelo menos por causa do futebol. Eles foram melhores (…) É um dia de muita tristeza, mas de muito aprendizado também (…) Eu, na minha vida, aprendi a ser homem em todos os momentos. Não vou fugir de nada. Vou assumir tudo. E nunca vou desistir. Uma dia ainda vou alegrar esse povo de alguma forma.


No futebol, a primeira coisa a ser assumida diante da belíssima exibição de futebol dada ontem pela Alemanha, que agora fará a final no Maracanã como favorita contra o vencedor entre Argentina e Holanda, não veio de nenhum analista ou cronista esportivo, mas de um torcedor anônimo saindo do Mineirão, entrevistado a esmo por uma das redes de TV que cobriu a partida:

— É até uma vergonha dizer isso, mas o Brasil tinha que ter entrado com mais medo. Não temos mais futebol para enfrentar a Alemanha de igual para igual.

Fora do futebol, entre os muitos outros erros revelados nesta Copa, cada um assuma o que quiser.

 

Súmula Alemanha 7 x 1 Brasil

 

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Mineiraço: Brasil é massacrado por 7 a 1 pela Alemanha, na maior goleada da sua história

Marcelo perdeu a bola na ponta esquerda e gerou contra-ataque pela direita, com Khedira e Müller. O lateral brasileiro correu para se recuperar e ceder o escanteio. Líder de assistências na Copa, Kross bateu o escanteio da direita e Müller apareceu sozinho dentro da área para fazer seu quinto gol nesta Copa. Erro primário de posicionamento de toda a defesa brasileira no lance de bola parada, sobretudo de David Luiz, que faz uma grande Copa,  mas marcou a bola.

Aos 21 minutos, Fernandinho furou uma bola na entrada da área, que sobrou para Kross tocar na direita para Müller, dentro da área. Ele serviu a Klose, que chutou e Júlio César defendeu, mas a bola sobrou o para centroavante fazer o segundo gol alemão no jogo e seu na Copa, chegando aos 16 marcados em todos os Mundiais, deixando para trás o recorde de Ronaldo.

Aos 23, o meia Ozil enfiou o lateral Lahm no apoio, que cruzou da ponta direita. Dentro da área, Müller furou a bola, mas não Kroos que bateu no canto direito de Júlio César.

Aos 26, os primeiros torcedores começam a abandonar o Mineirão.

Aos 27, o meia Kroos roubou a bola de Fernandinho, recebeu de volta dentro da área após tabela com Khedira, e bateu forte dentro da área para fazer seu segundo gol no jogo: Alemanha 4 a 0.

Aos 28, o zagueiro Hummels roubou uma bola na raça e lançou Khedira, que tocou para Ozil dentro da ártea, na direita. Ele devolveu para Khedira marcar totalmente à vontade o quinto gol.

Aos 32, a minoria alemã nas arquibancadas começou a gritar olé para o toque de bola do time que, dentro do campo, parecia maioria.

Aos 39, os torcedores brasileiros começaram a vaiar seu time.

Aos 40, ecoou das arquibancadas do Mineirão o mesmo coro ofensivo que gerou tanta polêmica na abertura da Copa, no Itaquerão: “Ei, Dilma, vai tomar no c(…)!”

 

Atualizado às 17h55

 

No segundo tempo o Brasil voltou com Ramires no lugar de Hulk e Paulinho, no de Ferandinho. Na Alemanha, saiu o zagueiro Hummels para a entrada de outro, Mertesacker.

Aos 5, aos 6 a aos 7 minutos, em duas conclusões de Oscar, e em outras duas, no mesmo lance, de Paulinho, Neuer faz quatro grandes defesas. Mas a torcida que ainda restava ao Mineirão volta a gritar “Brasil” das arquibancadas.

Aos 12, Klose saiu aplaudido por alemães e brasileiros como o maior artilheiro da história das Copas. Em seu lugar, entra Schürrle.

Aos 13, Fred bate de fora da área e é vaiada sonoramente pela torcida, que depois repete contra ele o coro que já tinha cantado no final do primeiro tempo para a presidente Dilma: “Ei, Fred, vai tomar no c(…)!”

Aos 15, Müller bateu de fora da área pela direita, de curva. Antes da bola entrar no ângulo osposto, Júlio César voa e troca de mão para fazer uma defesa excepcional.

Aos 16, David Luiz lança Maicon dentro da área, pela direita. Mas no lugar de tentar a jogada, o lateral repete um hábito da Seleção nesta Copa, cai para tentar simular um pênalti e é vaiada pela própria torcida.

Aos 17, o telão do Mineirão mostra Ronaldo, que viu seu recorde ser batido por Klose, enquanto comentava o jogo pela Globo. Ele também é vaiado pela torcida.

Aos 20, a torcida volta novamente a entoar o coro contra a presidente da República: “Ei, Dilma, vai tomar no c(…)!”

Aos 23, Lahm lança Khedira pela ponta direita, penetra pela pela área e recebe de volta e cruza para Schürrle marcar o sexto da Alemanha. Felipão aproveita enquanto a torcida ainda estava atônita para tirar Fred de campo, que era tão perseguido pelas vaias do torcida brasileira, quanto foi na Copa inteira o Diego Costa.

Aos 32, apesar da imensa inferioridade numérica, os cantos intraduzíveis da torcida alemã ecoam sobre o silêncio sepulcral da brasileira.

Aos 33, num contra-ataque, Müller cruza da ponta esquerda. David Luiz, que tentava apoiar o ataque, chega atrasado na marcação de Schürrle, que domina de perna direita e emenda uma patada de canhota, no ângulo de Júlio César. Alemanha 7 a 0.

Aos 34, a torcida brasileira que ainda restava perde a paciência e passa a vaiar generalizadamente a Seleção Brasileira. David Luiz é único poupado.

Aos 36, na linha de passe da seleção alemã no campo defensivo do adversário, brasileiros e germânicos gritam “olé!” das arquibancadas a cada toque da bola de pé em pé.

Aos 44, em outro contra-ataque, Özil sai de cara com Júlio César, na entrada da área brasileira. O meia alemão toca com consciência, mas a bola sai pela linha de fundo, rente à sua trave direita.

Aos 45, Marcelo lança Oscar, que recebe na área, domina, dribla Boateng, e bate da altura da marca do pênalti sem chance para Neuer. Foi o gol de honra, naquela que pôde existir na maior derrota da Seleção Brasileira em todos os tempos.

 

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