Decoro à política de Campos e favoritismo de Wladimir

 

Wladimir Garotinho, Rodrigo Bacellar, Anthony Garotinho, Marcos Bacellar, e Rosinha Garotinho; Pedro Emílio Braga, George Gomes Coutinho, Hamilton Garcia, Igor Franco e Fabrício Maciel; Clarissa Garotinho, Luciano D’Ângelo, Jefferson Manhães, Gel Coutinho e Cilêncio Tavares (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr)

 

Pelo decoro na política goitacá (I)

“A pacificação (entre Garotinhos e Bacellar) é delicada. Há contraposição natural entre os dois grupos. E temos uma eleição a prefeito no ano que vem. É quase uma obrigação combater o grupo adversário, se você quer se estabelecer dentro do território original de ambos, que é um só. Mas esse enfrentamento precisa existir com maturidade, cada um mostrando o que propõe e fazendo política. Não tem que haver enfrentamento carnal, mais pessoal. Que é algo que não enriquece em nada o debate, só atrapalha”. Foi o que advertiu no Folha no Ar da manhã de ontem o delegado de Polícia Civil Pedro Emílio Braga, campista titular da 123ª DP de Macaé.

 

Pelo decoro na política goitacá (II)

O discurso do delegado pela imposição dos limites de decoro na política goitacá tem sido consenso. No Folha no Ar de 8 de agosto, foi o cientista político George Gomes Coutinho (confira aqui), professor da UFF: “a disputa de adversários é legítima no âmbito democrático. Agora, sem utilizar de recursos vis como a violência, a ameaça, a intimidação”. No dia 15, foi a vez de outro cientista político, Hamilton Garcia (confira aqui), professor da Uenf: “O mesmo (ex-governador Anthony) Garotinho (União) que está flechando o (presidente da Alerj, Rodrigo) Bacellar (União), por uma série de acusações que têm que ser provadas, também respondeu à Justiça”.

 

Pelo decoro na política goitacá (III)

No Folha no Ar de 22 de agosto, o especialista em finanças Igor Franco (confira aqui), professor do Uniflu, engrossou o coro pelo decoro político em Campos: “a manifestação de (Marcos) Bacellar (ex-vereador, contra a ex-governadora Rosinha) tem que ser rechaçada. Ele voltou atrás, percebeu que se excedeu. Esse passo atrás deveria ser a linha no chão”. No dia 29, foi a vez do sociólogo Fabrício Maciel (confira aqui), outro professor da UFF-Campos reforçar essa linha riscada pela sociedade aos homens públicos do município: “o não decoro na política pode ter efeitos irreversíveis na forma como a sociedade pensa a política. E isso é bastante grave!”

 

Ainda é cedo

Limites éticos postos e repostos aos políticos de Campos, Pedro Emílio não questionou no Folha no Ar de ontem só a pacificação entre Garotinhos e Bacellar. Mas também a projeção da reeleição do prefeito ainda no primeiro turno de 2024, segundo (confira aqui) todas as pesquisas de 2023: “Wladimir lidera as pesquisas de intenção de voto. Só que, a mais de 12 meses da eleição, ainda é muito cedo. Ele faz um bom governo e isso é comentado na cidade. Mas a gente tem uma outra liderança política de Campos, que é Rodrigo Bacellar. Com o início das movimentações eleitorais, esse cenário pode remexer”, ponderou o titular da 123ª DP.

 

Clarissa Garotinho

A precaução do delegado de Polícia Civil não parece ser compartilhada entre os Garotinho. “Natural que Wladimir lidere com folga a disputa (a prefeito em 2024). A comparação é inevitável. Campos saiu de um governo (Rafael Diniz, Cidadania) sem nenhuma articulação política e com uma equipe inexperiente. Agora temos à frente alguém de uma família que possui um legado. Eu mesma, como parlamentar, trouxe um caminhão de recursos a Campos. O governo anterior não pagou dezembro e o 13º aos servidores. Wladimir será reeleito no primeiro turno. É só comparar”, propôs a ex-deputada federal Clarissa Garotinho (União).

 

Luciano D’Ângelo

Fora do grupo político dos Garotinho, há divergências. “As pesquisas a prefeito são feitas sem que as eventuais candidaturas estejam expostas. Embora se coloque possíveis nomes, fica desigual inserir o prefeito com outros. Serve muito mais para falar de Wladimir como prefeito do que como candidato à reeleição. As chances de conclusão em primeiro turno, ao contrário do que muitos andam dizendo, são pequenas. A aliança entre Garotinhos e Bacellar não vai funcionar para 2024”, apostou o professor Luciano D’Ângelo, articulador do PT de Campos. Que deve ter o professor Jefferson Manhães, reitor do IFF, como candidato a prefeito.

 

Gel Coutinho

Fora da família Garotinho, também há divergência também sobre o favoritismo do prefeito: “Wladimir só perde a próxima eleição para ele mesmo ou, claro, para o imponderável. Não há nenhuma candidatura posta ou percebida com capacidade de fazer sombra à força política acumulada pelo prefeito. A firmeza com que se posicionou em defesa da aliança com o grupo opositor na Câmara, em especial a família Bacellar, se colocando acima e além da questão familiar, foi, para mim, a coroação definitiva de que não é um mero prefeito de plantão”, analisou o industrial Gel Coutinho, durante anos dirigente do PSDB em Campos.

 

Cilênio Tavares

Esse espírito mais conciliador, em relação à sua família, parece reforçar o favoritismo de Wladimir. Como as obras pela cidade, mas a depender da conclusão. “Pesquisas refletem o momento. Neste momento, pode-se dizer que o prefeito tem grande vantagem. Wladimir tem se mostrado conciliador, em contraponto ao temperamento dos pais. Por outro lado, se há uma convivência supostamente pacífica na Câmara de Vereadores, quem garante que dura até outubro de 2024? Hoje, há obras para todos os lados. Mas, se não forem concluídas a tempo, o humor do eleitor pode mudar”, ressalvou o jornalista Cilênio Tavares.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Carlão abre debate com candidatos a reitor da Uenf nesta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Professor e candidato a reitor da Uenf pela oposição, Carlão Rezende é o convidado do Folha no Ar desta quarta (13), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Em pauta que será a mesma com a professora e candidata à reitora da situação, Rosana Rodrigues, no Folha no Ar desta quinta (15), Carlão falará amanhã sobre evasão, expansão e inclusão na universidade, incluindo segurança e transporte público.

O candidato de oposição também analisará o atraso na reforma do Solar dos Jesuítas que abriga o Arquivo Público Municipal, com R$ 20 milhões liberados pela Alerj (confira aqui) desde outubro de 2021, e das atividades na Villa Maria como formas de integração com a cidade. Por fim, Carlão falará do regime de dedicação exclusiva, da relação com os servidores e os Poderes em âmbito municipal e estadual.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Segurança Pública e urnas 2024 no Folha no Ar desta terça

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Delegado de Polícia Civil titular da 123ª DP de Macaé, o campista Pedro Emílio Braga é o convidado do Folha no Ar desta terça (12), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará da Segurança Pública em Macaé e Campos, além das diferenças entre os dois municípios vizinhos.

Por fim, na condição de cidadão e a partir das últimas pesquisas de avaliação de governo e intenção de voto em Campos (confira aqui a análise das três feitas em 2023), Pedro tentará projetar as urnas a prefeito e vereador de 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 12 meses.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Lições do 7 de setembro: cores, bandeiras e pertencimento

 

Hoje, em Brasília, a presidente Lula, o almirante Marcos Sampaio Olsen (comandante da Marinha), o general Tomás Ribeiro Paiva (Exército), o brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno (Aeronáutica) e o ministro da Defesa José Múcio entrelaçaram as mãos e a normalidade institucional do Brasil (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

 

Um 7 de setembro normal. Este foi o anormal de hoje. Dia em que o presidente da República democraticamente eleito, também como comandante em chefe das Forças Armadas, cumprimentou e foi cumprimentado pelos chefes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. Sem transformar essa relação institucional em ato político ou comício eleitoral. Tampouco em ameaça de golpe de estado, ao estilo “valente” de boteco.

A normalidade foi o que tivemos hoje. Com o desfile cívico-militar em Brasília e no resto do Brasil. A pavimentar normalidade no Dia da Independência e nas instituições de Estado pelos próximos três anos. E para além deles.

Não, nossa bandeira jamais será vermelha. Embora devesse. Já que o nome Brasil deriva da cor de brasa da madeira da árvore Pau Brasil. Que batiza o país e é usada para tingir tecidos de vermelho desde o século 16, mais de 300 anos antes do nascimento de Karl Marx. Duzentos anos depois, o brasileiro adulto que hoje crê em “ameaça comunista” evidencia a cognição das crianças de creche que creem no Velho do Saco.

Verde e amarela, na cópia às respectivas cores das casas reais dos Bragança e dos Habsburgos da bandeira do Brasil Império, a bandeira da República do Brasil é da “res publica” (“coisa pública”). Pertence a todos. Não a nenhum grupo político.

 

Bandeira do Brasil Império

 

Antes tarde do que nunca, o dia de hoje é valiosa lição a quem aplaudiu um presidente da República xingando um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) de “canalha”, bravateando que não cumpriria mais suas decisões judiciais, como (relembre aqui) foi no 7 de setembro de 2021. E, no 7 de setembro de 2022, engrossou (relembre aqui) o coro de “imbrochável” que ridicularizou o bicentenário da Independência do Brasil, aos olhos do presidente de Portugal e do mundo.

Nessa questão cromática de pertencimento na Independência, a quem ainda não aprendeu que a democracia e suas instituições independem do seu desejo e delírio, uma singela dica: chupa que é de uva!

Que vale também à esquerda identitária muda diante da vexaminosa saída da ex-atleta de vôlei Ana Moser do ministério dos Esportes do Lula 3. Para dar lugar ao deputado federal André Fufuca (PP/MA), homem do presidente da Câmara de Deputados, Arthur Lira (PP/AL). Sem o qual Bolsonaro não governou e Lula não governará.

Na dúvida entre patriarcado e pragmatismo, a certeza: é o que Bismarck, alemão como Marx, batizou de realpolitik. Ou, na língua de Luís de Camões, jogo jogado. Real e muito mais complexo do que a sala de estar burguesa na qual a esquerda identitária delira poder transformar o mundo. Para gerar neste a reação em Trumps, Putins, Erdogans, Orbáns, Dutertes e Bolsonaros.

A quem ainda se presta a tentar defender o último, travestido de verde e amarelo, a língua roxa de uva pode servir para adoçar a boca. Na expectativa do amargo que virá da delação premiada à Polícia Federal (PF) do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro preso desde 6 de maio. E que ontem (6) esteve no STF para dizer que abrirá o bico. Como o canário que simboliza a camisa amarela da Seleção Brasileira de futebol.

 

Lula recebe a continência, hoje, no desfile cívico-militar em Brasília, devida ao comandante em chefe das Forças Armadas eleito pelo voto popular (Foto: Reprodução)

 

Pesquisas a prefeito e vereador por atores de 2024 e especialistas

 

Wladimir Garotinho, Jefferson Manhães, Sérgio Mendes, Natália Soares, Bruno Vianna, Marcão Gomes, Hamilton Garcia e Eduardo Shimoda analisaram pesquisas de avaliação de governo de 2023 e da eleição de prefeito e vereador de Campos em 2024 (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Wladimir na pesquisa Prefab

“Agradeço mais uma vez à confiança dos campistas. Os resultados são fruto do trabalho. É no trabalho que estou focado. Temos muitas entregas por fazer ainda. A eleição é ano que vem e trataremos dela no momento oportuno”. Foi o que disse o prefeito Wladimir Garotinho (PP) após a divulgação na segunda (4) da pesquisa Prefab Future, feita em 29 e 30 de agosto, com margem de erro de 3 pontos para mais ou menos. Que registrou 77% de aprovação popular ao governo de Campos. E projetou sua reeleição ainda no primeiro turno de 6 de outubro de 2024, daqui a exatos 13 meses, com 66,8% das intenções de voto na consulta estimulada.

 

Jefferson destaca reprovação

“É preciso comparar o que é comparável. As três pesquisas usam gradações de avaliação do governo diversas. Entendo não ser correto dizer que a aprovação do governo saltou de 55,5% para 74,7%, na Iguape. E, deste patamar, para 77%, na Prefab. Nas duas últimas pesquisas está sendo incluído o ‘regular’ como ‘aprovação do governo’, que foi excluído na primeira, a GPP. Pelo contrário, o movimento é o inverso. A ‘reprovação do governo’ é que vem aumentando. Sai de 8,8% na GPP, vai para 12,3% na Iguape e 12,8% na Prefab”, apontou nos números o professor Jefferson Manhães, reitor do IFF e provável candidato do PT a prefeito de Campos.

 

Sérgio Mendes questiona

“Friso o trecho da análise da pesquisa feita à Folha por William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE: ‘Por convenção, as pesquisas usam a amostragem da população do Censo Demográfico do IBGE de 2010. A Prefab optou por entrevistar uma proporção maior de segmentos mais propensos a votar em Wladimir’. E indago: qual o tamanho da reprovação do governo em Transportes, Saúde e Segurança? Por que a estimulada não colocou meu nome como opção? Quem foi o contratante da pesquisa Prefab?”, questionou o ex-prefeito Sérgio Mendes (Cidadania).

 

Pesquisa Iguape: prefeito x Câmara

Antes da pesquisa Prefab, a Folha divulgou no sábado (2) a pesquisa Iguape de julho, na parte relativa à disputa sempre mais complexa a vereador. Na qual constatou que, dos 25 prováveis candidatos mais citados em consulta espontânea, 18 são ligados a Wladimir. Encomendada pelo grupo dos Bacellar, a consulta apontou que a atual Câmara Municipal, presidida por Marquinho Bacellar (SD), é reprovada por 38,6% e aprovada por 35,5% dos campistas, com 26,6% que não responderam. Enquanto o governo Wladimir é aprovado por 74,7% (39,2 pontos a mais que o Legislativo) e reprovado por 22% (16,6 pontos a menos que a Câmara).

 

Natália Soares: números de vereador

“A Saúde Pública aparece na Iguape como ponto mais frágil da gestão, antes do Transporte. A pesquisa proporcional também demonstra a força dos Garotinho, com 18 dos 25 nomes citados. Óbvio que tende a aparecer quem já é vereador. Se algo grita aos olhos é a ausência de mulheres na lista. A eleição legislativa se decide sempre às vésperas da eleição. Enquanto o Legislativo for visto como secundário, estaremos fadados a repetir o quadro que ora se apresenta na própria Câmara de Campos”, alertou a professora Natália Soares (Psol). Que surgiu na Iguape logo abaixo dos 25 primeiros, com 0,1% de intenção de voto a vereadora.

 

Bruno Vianna e Marcão: números de vereador

“Sobretudo a vereador, pesquisa não quer dizer muita coisa. Mas é lógico que nos motiva ver o nosso nome citado de forma espontânea. Vamos continuar trabalhando para que isso ocorra mais vezes”, garantiu o edil Bruno Vianna (PSD), nome mais bem colocado na Iguape dentro do grupo dos Bacellar, com 0,4% de intenção de voto, atrás dos quatro primeiros governistas. “A questão dos mais citados pertencerem ao grupo do prefeito aponta que provavelmente ele irá eleger um grande número de vereadores ligados aos partidos aliados para sua reeleição”, projetou Marcão Gomes (PL), ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara de Campos.

 

Análise do cientista político

“Natural que num sistema dominado por ‘grupos políticos’, a distribuição de cadeiras legislativas municipais se dê mais pelo poder de atração das oligarquias, sobretudo a que controla a Prefeitura. Em Campos, todo o mais estável, principalmente o preço do petróleo, a tendência é a reeleição do prefeito bem avaliado, com uma cauda de vereadores candidatos. Talvez, em meio a uma nova crise do petróleo, possam se abrir brechas, como a que propiciou a eleição de Rafael Diniz (Cidadania) em 2016; uma oportunidade, infelizmente, desperdiçada”, lamentou o cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf.

 

Análise do estatístico

“Existe uma tendência de estabilidade, considerando os meses de março (pesquisa GPP), julho (Iguape) e agosto (Prefab), quanto ao índice de aprovação do governo. Historicamente, acima de 50% de aprovação, é muito provável que o candidato seja reeleito. Não estou falando que isso vai acontecer, porque sou estatístico, não Pai Dinah (risos)”, disse no Folha no Ar da manhã de ontem Eduardo Shimoda, professor de Estatística do Doutorado em Planejamento Regional e Gestão da Cidade da Universidade Candido Mendes. “A tendência, hoje, pelos números, é de definição da eleição (a prefeito) em primeiro turno”, completou o estatístico.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Pesquisas à urna de Campos/2024 no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Professor de Estatística do Doutorado em Planejamento Regional e Gestão da Cidade da Universidade Candido Mendes, Eduardo Shimoda é o convidado do Folha no Ar desta terça (5), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará da importância do seu trabalho estatístico no combate à pandemia da Covid-19 em Campos.

Shimoda também tentará projetar as eleições a prefeito e vereador de 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 13 meses, a partir dos números das pesquisas (confira aqui a comparação entre as três realizadas em 2023).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Outra pesquisa confirma favoritismo de Wladimir a 2024

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A Folha teve acesso à integra de três pesquisas de 2023 sobre avaliação do governo de Campos e projeção às urnas a prefeito e vereador de 2024: a GPP, feita de 10 a 12 de março (confira aqui); a Iguape, feita em 10 de julho (confira aqui); e, hoje, à Prefab Future, feita de 29 a 30 de agosto, na semana passada. Ressalvadas as diferenças de metodologia das três, a comparação entre elas sugere uma curva ascendente na avaliação popular da gestão Wladimir. Na GPP de março ela era aprovada por 55,5%. Quatro meses depois, a aprovação pulou para 74,7%. Um mês depois, na Prefab do final de agosto, a administração goitacá agora aparece aprovada por 77% dos campistas.

WLADIMIR COM 66,8% DE INTENÇÕES DE VOTO? — Feita a partir de 1.103 entrevistas presenciais, com margem de erro de 3 pontos para mais ou menos, e divulgada hoje, a pesquisa Prefab foi também a que mais alto projetou as intenções de voto na provável tentativa de reeleição de Wladimir nas urnas de 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 13 meses: 48,8% na consulta espontânea e 66,8%, na estimulada.

COMPARAÇÃO — Na Iguape de julho, o prefeito bateu 27,8% de intenções de voto na espontânea (21 pontos abaixo da Prefab) e 55,4% na estimulada (11,4 pontos abaixo da Prefab). Na GPP de março, a reeleição do chefe do Executivo municipal seria a opção para 38,6% na espontânea (10,2 pontos abaixo da Prefab) e 50,4% na estimulada (16,4 pontos abaixo da Prefab).

APROVAÇÃO DE GOVERNO E VOTO ESPONTÂNEO — Além dos 77% dos campistas que hoje aprovariam o governo Wladimir, a pesquisa Prefab listou 12,8% que não aprovam, 9,3% que não souberam responder e 0,9% que não respondeu. Na consulta espontânea, onde o eleitor pode responder o que quiser, além dos 48,8% dos que manifestaram intenção de voto na reeleição do prefeito, 6,6% disseram querer votar no ex-governador Anthony Garotinho (União), 3,2% no deputado federal Caio Vianna (PSD), 2,3% no ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT), 0,4% na ex-governador Rosinha Garotinho (União), 0,3% na deputada estadual Carla Machado (PT), 0,2% no vereador Marquinho Bacellar (SD), 1,2% em outros nomes, 8,2% disseram que votarão em branco ou anularão, com 28,8% declarando não saber e estar ainda indeciso.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

ELEIÇÃO MAIS OU MENOS ABERTA? — Esse percentual de 28,8% de indecisos da Prefab projeta uma eleição com menos chance matemática de reversão que as duas pesquisas anteriores. A consulta espontânea da Iguape de julho registrou 52,7% de indecisos, 23,29 pontos a mais que a Prefab. A GPP de março deu 46% de indecisos, 17,2 pontos mais que a Prefab.

DEMAIS NOMES A PREFEITO — Na consulta Prefab estimulada a prefeito, com a apresentação dos nomes dos possíveis candidatos, além dos 66,8% que manifestaram intenção de voto em Wladimir, 8,6% disseram que votarão em Caio, 1,6% em Marquinho, 0,8% no deputado estadual Thiago Rangel (sem partido), 0,7% no militante bolsonarista CVC Direita Campos, e 0,2% no professor Jefferson Manhães (PT), reitor do IFF. Outros 10% disseram que votarão em branco ou nulo, 10,3% ainda estão indecisos e 1% não respondeu.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

REJEIÇÃO — Como nas pesquisas GPP de março e Iguape de julho, Caio também apareceu na Prefab do final de agosto liderando a rejeição. São 19,2% de campistas dizendo que nunca votariam no deputado a prefeito. Atrás dele, seguiram no índice negativo: 9% para Thiago, 8,4% para Marquinho, 6,3% para Wladimir, 2,5% para Jefferson, e 1,3% para CVC. Outros 16,4% disseram não rejeitar ninguém, 34% estão indecisos sobre a sua rejeição e 2,9% não responderam.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

REJEIÇÃO A WLADIMIR E CAIO — Muito baixa para um político em exercício de mandato executivo, a rejeição de 6,3% a Wladimir registrada na Prefab foi 5,8 pontos maior nos 12,1% da Iguape de julho (onde Caio liderou com 22,2%). Como, na GPP de março, a rejeição do campista ao seu prefeito apareceu 12,1 pontos maior nos 18,4% que disseram ter dele uma imagem negativa (que Caio liderou com 24,3%).

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE

ANÁLISE DO ESTATÍSTICO — “Por convenção estatística, as pesquisas costumam utilizar amostragem baseada na distribuição da população do Censo Demográfico realizado pelo IBGE em 2010. A Prefab, por sua vez, optou por entrevistar uma proporção maior de segmentos da população mais propensos a votar em Wladimir. Entre estes, estão os evangélicos e aqueles com renda até dois salários mínimos. Ainda assim, a aprovação ao governo Wladimir, a intenção de voto espontânea e a rejeição ao atual prefeito se aproximam, em alguma medida, daquelas apuradas por outros institutos, que utilizam distribuição da amostragem mais parecida com a do Censo 2010. Isso pode indicar grande homogeneidade na intenção de Wladimir. Quando há esse tipo de homogeneidade, a alteração nos parâmetros de estratificação da amostra acaba sendo insuficiente para alterar demais o resultado da pesquisa, comparativamente a outros institutos. É o que pode explicar a convergência com outros institutos no padrão do resultado da estimulada e no padrão do resultado da rejeição”, concluiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

Dos 25 nomes a vereador mais citados, 18 são de Wladimir

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Se as votações mais importantes da Câmara de Campos têm se definido pela margem mínima de 13 votos a 12, a eleição por voto popular a vereador hoje se desenha, a pouco mais de 13 meses da urna de 6 de outubro de 2024, com larga vantagem aos possíveis candidatos apoiados por Wladimir Garotinho (PP). A mesma pesquisa Iguape feita em 10 de julho, com 1.001 campistas, que projetou em três cenários estimulados a reeleição do prefeito no primeiro turno, com quase 60% dos votos válidos, desenhou um cenário ainda mais dominante a vereador. Dos 25 possíveis candidatos mais citados na consulta espontânea ao Legislativo, 18 deles (ou 72%) estão no grupo político de Wladimir. Ressalvado que as 25 cadeiras da nova Câmara não serão definidas em eleição majoritária, mas proporcional, sempre mais complexa.

AVALIAÇÃO DA CÂMARA, MELHOR E PIOR DE WLADIMIR — Encomendada pelo grupo dos Bacellar, a pesquisa Iguape também revelou que o eleitor considera as Obras como a melhor área de atuação do prefeito. Assim pensam 32,4%, quase um terço dos campistas. A segunda melhor área de atuação é a Saúde Pública, que é apontada como a maior virtude de Wladimir por outros 12,2% da população. Que, curiosamente, é também a pior área de atuação do prefeito para 36%, mais de um terço do eleitorado. Fica à frente do Transporte Coletivo, principal problema do governo para outros 10,8%. Comandada por seu presidente, Marquinho Bacellar (SD), a atual Câmara Municipal é reprovada por 38,6% da população, enquanto 35,5% aprovam e 26% não souberam opinar.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

APROVAÇÃO DO GOVERNO E ELEIÇÃO ABERTA — Como a Folha da Manhã revelou (confira aqui) no último sábado (26), a mesma pesquisa Iguape registrou a aprovação do governo Wladimir por 74,7% da população. É ótima para 12,6%, boa para 38,5% e regular positiva para 23,6%. Os 22% que reprovam o governo municipal se dividem entre os 9,7% de regular negativo, 6,2% de ruim e 6,1% de péssimo. A partir dessa aprovação, além dos três cenários estimulados, o prefeito também liderou isolado a consulta espontânea, com 27,8% de intenções de voto consolidadas. Muito embora, sem apresentação de nomes dos prefeitáveis, a maioria de 52,7% não soube opinar. O que revela uma eleição matematicamente ainda aberta.

IMPORTÂNCIA ELEITORAL DA SAÚDE — O que está ainda aberto ao pleito do próximo ano pode ser definido pela Saúde Pública. Além da Iguape ter indagado qual a melhor e a pior área de atuação do prefeito, também perguntou, sem associar a ele, qual o maior problema do município. E 39,1% dos campistas disseram ser a Saúde Pública. Que veio seguida de Transporte Coletivo (13,9%), Segurança Pública (13,4%), Oportunidade de Emprego (8,1%) e Saneamento Básico (6,4%).

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

LISTAS DO PIOR E MELHOR DO PREFEITO — Quando posta na conta de Wladimir, a queixa popular obedece à ordem e números parecidos, com algumas pequenas diferenças. Além da Saúde Pública aparecer como pior área de atuação do prefeito (36%), seguida do Transporte Coletivo (10,8%), a lista negativa trouxe ainda Segurança Pública (7,3%), Educação (6,2%) e Emprego (2,4%). Na melhor área de atuação do chefe do Executivo, depois de Obras (25,2% + 4,5% de Asfaltamento + 2,7% de Pavimentação = 32,4% de Obras) e Saúde Pública (12,2%), vieram Educação (8,3%, em outra medição aparentemente contraditória entre virtude e defeito), Áreas de Lazer (4,3%) e Limpeza Pública (2,8%).

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

MARCOS ELIAS, KASSIANO, PEZÃO E JUNINHO LIDERAM A VEREADOR — Na corrida sempre complexa à Câmara Municipal, o líder nas intenções de voto é o vereador governista Pastor Marcos Elias (PSC), com 1,2% de intenção de voto na consulta espontânea. Puxada por ele, os quatro líderes da corrida são todos da bancada da situação. Do segundo ao quarto lugar, vêm KassianoTavares (PSD), com 1,1%; Bruno Pezão (PL), com 1,0%; e Juninho Virgílio (União), com 0,9%.

THIAGO RANGEL — Eleito como vereador em 2020, e em 2022 como deputado estadual, Thiago Rangel (sem partido) também foi citado a vereador, com 0,7% de intenção de voto. Mas ele busca uma legenda para se candidatar a prefeito contra Wladimir. E, certamente, não largaria a Alerj para tentar voltar à Câmara Municipal.

BRUNO VIANNA COM COTHE E PAULO HENRIQUE — Ligado ao grupo dos Bacellar, o mais bem colocado foi o jovem vereador Bruno Vianna (PSD). Ele ficou em 5º lugar, com 0,4% e empatado com outros dois, atualmente sem mandato. Mas que também estão no grupo político de Wladimir: Paulo Cothe (sem partido), que tem seu reduto político em Guarus; e Paulo Henrique (sem partido), da Penha.

DANDINHO E MATOSO — Atrás dos três, vêm também empatados dois outros edis ligados aos Bacellar: Dandinho Rio Preto (PSD) e Rogério Matoso (União). Cada um com 0,3% de intenção de voto. Com 0,2%, surgem 17 nomes. Destes, 12 são governistas. Dos quais sete já são vereadores: Álvaro Oliveira (PSD), Cabo Alonsimar (Podemos), Marcione da Farmácia (União), Nildo Cardoso (União), Paulo Arantes (PDT), Fábio Ribeiro (PSD) e Leon Gomes (PDT). Os dois últimos, licenciados para ocupar, respectivamente, a secretaria de Obras e a Fundação da Infância e Juventude.

SEM MANDATO, COM INTENÇÃO DE VOTO — Atualmente sem mandato, mas igualmente abrigados no grupo dos Garotinho e com 0,2% de intenção de voto a vereador, apareceram na pesquisa Iguape Alexandre Biscoito, Bruno Invik, Duda de Ururaí, Geraldinho de Santa Cruz e o ex-vereador Roberto Pinto. Como os outros governistas eleitos em 2020, todos esperam a definição do arco de apoio a Wladimir para definirem seu partido de destino em 2024.

OUTROS DOS BACELLAR — Também com 0,2% de intenção de voto, mas do grupo dos Bacellar, ficaram os vereadores Marquinho e Igor Pereira (SD). Muito embora o atual presidente da Câmara tenha seu nome especulado para uma eventual candidatura a prefeito, caso a pacificação com os Garotinho azede. Sem mandato, mas em busca de um, Marlon Guido também aparece nessa lista com 0,2% de intenção de voto e ligado aos Bacellar.

AINDA 83,8% INDECISOS — O 25º nome mais citado na Iguape a vereador, com os mesmos 0,2% de intenção de voto dos sete edis que tentarão a reeleição no próximo ano, é Gordinho da Empada. É o único que não seria ligado, pelo menos atualmente, aos Garotinho ou aos Bacellar. Mas, se a eleição a prefeito está aritmeticamente indefinida, com 52,7% de indecisos na consulta espontânea, tanto mais a vereador. Sempre mais complexa, pelo cálculo proporcional dos partidos e suas alianças, ou pelo fato de que 83,8% dos campistas ainda não sabem em quem votarão para representá-los na Câmara Municipal.

ANÁLISE DO ESTATÍSTICO — “A apuração da intenção de votos para cargos legislativos é muito mais difícil do que para cargos executivos no Brasil. Por razões históricas e culturais, o grosso do voto a vereador, deputados e senador costuma ser definido na última hora. Por isso, os institutos só costumam fazer pesquisa espontânea e nelas a intenção é muito pulverizada. O único ponto positivo da espontânea é a consolidação da intenção. Dificilmente, a pouco mais de 13 meses das urnas, o voto definido pelo eleitor ao Legislativo municipal é alterado. Com isso, o resultado da espontânea para vereador pode ser utilizado como um piso da intenção de voto. Outro dado relevante é a vantagem de quem tem mandato. Quem é vereador é mais conhecido, aparece mais, pode explorar mais a própria influência, realizar entregas durante o mandato e tem mais capacidade de mobilizar recursos financeiros e partidos”, explicou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística pelo IBGE.

 

Página 2 de hoje da Folha da Manhã

 

Pesquisa a prefeito entre atores e sociedade, decoro pela academia

 

Wladimir Garotinho, Thiago, Rangel, Jefferson Manhães, Sérgio Mendes, Caio Vianna e Arnaldo Vianna; Cléber Tinoco, Priscila Marins, João Paulo Granja, Rodrigo Bacellar, Anthony Garotinho e Juninho Virgílio; Geraldo Coutinho, Edmundo Siqueira, George Coutinho, Hamilton Garcia, Igor Franco e Fabrício Maciel (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Pesquisa a prefeito: palavras e silêncio

A eleição a prefeito de Campos é em 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 13 meses. Mas o favoritismo que Wladimir Garotinho (PP) tem hoje à reeleição, mais que nas palavras do seu grupo político, é aferida por formadores de opinião não alinhados. Como pelo silêncio do grupo dos Bacellar sobre a pesquisa Iguape a prefeito (confira-a na íntegra aqui) que encomendaram. E nela colocaram entre as opções de prefeito ao eleitor, em consulta estimulada, o presidente da Câmara Municipal, vereador Marquinho Bacellar (SD), e seu pai, o ex-vereador Marcos Bacellar (SD). Assim como a deputada estadual Carla Machado (PT), mesmo impedida de concorrer.

 

Prefeitáveis que sabem falar

Marquinho, Marcos e Carla não são obrigados a falar com ninguém. Como quem lhes ofereceu voz, através de suas assessorias, não é obrigado a ignorar o que o silêncio ensurdecedor dos três quer dizer. Através dos números, hoje muito favoráveis a Wladimir, há caminhos para se afirmar o óbvio: nada está definido. Foi o que refletiram sobre a pesquisa Iguape prefeitáveis (confira aqui) como o deputado estadual Thiago Rangel (sem partido). Assim como o professor Jefferson Manhães (PT), reitor do IFF, e o ex-prefeito Sérgio Mendes (Cidadania). Que levantaram o histórico eleitoral dos Garotinho e fizeram vários questionamentos ao governo Wladimir.

 

Caio lança Arnaldo inelegível

Segundo colocado em todas as pesquisas, o deputado federal Caio Vianna (PSD) tentou criar um fato novo. No lugar de analisar a larga distância que hoje o separa de quem perdeu por margem estreita o segundo turno a prefeito de 2020. Em agosto de 2023, Caio quis lançar seu pai, o ex-prefeito Arnaldo Vianna (hoje, PDT), a prefeito em 2024. Mas, sem apresentar nenhum jurista a endossá-lo, teve sua pretensão confrontada por documentos jurídicos analisados (confira aqui) por advogados politicamente independentes e conceituados de Campos: Cléber Tinoco, Priscila Marins e João Paula Granja. Aos três, Arnaldo seguirá inelegível até o pleito.

 

Exemplo de Rodrigo e análise de Juninho

Recorrer aos juristas é o caminho que um hábil advogado e hoje presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), usou para parar na Justiça (confira aqui e aqui) as denúncias contra ele que vinham sendo feitas por Anthony Garotinho (União), pai de Wladimir. O que reforça o favoritismo deste, com possibilidade de conclusão no primeiro turno. Como projetou a pesquisa Iguape que nenhum dos vereadores do grupo dos Bacellar quis comentar à coluna. Ao contrário do edil governista Juninho Virgílio (União): “O prefeito reconhece que existem coisas a resolver, mas o saldo de realizações é positivo. Esse crédito de confiança da população salta nos números da pesquisa”.

 

Desafio do segundo governo

Para formadores de opinião do setor produtivo do município, a partir do que mostrou a pesquisa Iguape, o grande obstáculo do prefeito não seria nem sua reeleição. Mas o que seria seu segundo governo. “A eleição será o problema menor, o futuro mandato será o maior desafio. Este último turno é que definirá os movimentos seguintes na trajetória de Wladimir. Se até agora bastou se apresentar melhor que seu antecessor (Rafael Diniz, Cidadania), para boa avaliação no segundo mandato terá que se superar. E para isso precisa inovar, surpreender. Mais do mesmo será mal visto”, advertiu o industrial Geraldo Coutinho.

 

Longe da agressividade

Outro formador de opinião independente politicamente, o servidor federal, jornalista e blogueiro do Folha1, Edmundo Siqueira, também não se furtou em analisar à coluna a pesquisa Iguape: “Os números e a presença carismática do prefeito nas redes sociais e ruas tendem a manter a oposição apagada, as críticas necessárias melindradas e a tal pacificação mantida. O cenário tende a se perpetuar, e a vitória em primeiro turno só não se concretiza pelo imponderável. E mesmo que a pacificação se desfaça, Wladimir vem conseguindo se manter afastado do denuncismo do pai e de sua agressividade. Isso é bem visto pelo eleitorado”.

 

Decoro na política goitacá (I)

A linha no chão à agressividade na política goitacá vem sendo riscada pelo polo universitário do município. No Folha no Ar do dia 8, foi o cientista político George Coutinho (confira aqui), professor da UFF: “Disputa de adversários é legítima. Mas sem utilizar recursos vis como a intimidação”. No dia 15, outro cientista político, Hamilton Garcia (confira aqui), professor da Uenf: “Garotinho, que flecha o Bacellar por acusações que têm que ser provadas, também respondeu à Justiça”. No dia 22, o especialista em finanças Igor Franco (confira aqui), professor do Uniflu: “A manifestação de (Marcos) Bacellar (contra Rosinha) tem que ser rechaçada. O passo atrás dele deve ser a linha no chão”.

 

 

Decoro na política goitacá (II)

No Folha do Ar da manhã de ontem (29), foi a vez do sociólogo Fabrício Maciel, outro professor da UFF-Campos, tentar lecionar razão aos desatinos verbais trocados justamente por alguns dos políticos mais experientes de Campos: “Fiquei pensando: talvez seja uma estratégia do Garotinho e Bacellar pai manter essa briga e uma visibilidade, enquanto os filhos fazem a pacificação na prática. E a imagem do Wladimir não fica deteriorada. Só que, se for uma estratégia, ela peca ao ignorar que o não decoro na política pode ter efeitos irreversíveis na forma como a sociedade pensa a política. E isso é bastante grave!”

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Pesquisa a prefeito de Campos com quem fala e quem cala

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Wladimir Garotinho

“Fico honrado com a confiança de cerca de 75% da população de Campos. Trabalho muito e me dedico pela cidade que tanto amo. Esses números mostram que o caminho que escolhemos trilhar foi acertado: ao lado da população, sem falsas promessas e com muitas entregas, que muitos até duvidavam que fossem possíveis devido a um passado recente de abandono e discurso pessimista do antigo prefeito”. Foi como o atual, Wladimir Garotinho (PP), reagiu desde sexta (25) em suas redes sociais à divulgação em resumo da pesquisa Iguape, feita na quinta (24, confira aqui), pelo portal Folha1 e o blog Opiniões. Ambos trouxeram no sábado (26, confira aqui) a análise da íntegra da pesquisa. Que, por projetar a reeleição no primeiro turno do prefeito de Campos, em 6 de outubro de 2024, gerou também a ressalva:

— Faço um alerta. Em hipótese alguma, números favoráveis irão gerar acomodação em mim e na equipe, queremos fazer mais e melhor — pregou Wladimir. Na pesquisa Iguape feita em 10 de julho, com 1.001 campistas e margem de erro de 3,1 pontos para mais ou menos, ele liderou com larga vantagem os três cenários estimulados. Com a apresentação de nomes ao eleitor, pontuou entre 57,8% e 59,1% das intenções de votos válidos.

FAVORITO EM ELEIÇÃO MATEMATICAMENTE ABERTA — Na consulta espontânea, em que o eleitor fala por conta própria, Wladimir também liderou à distância dos demais, com 27,8% das intenções de voto. Todavia, como essa consulta revelou a maioria de 52,7% dos campistas ainda sem opinar, a eleição daqui a pouco mais de 13 meses permanece aritmeticamente aberta.

Caio Vianna

EM SEGUNDO, CAIO LANÇA ARNALDO — Segundo colocado em todas as pesquisas, o deputado federal Caio Vianna (PSD) comentou a Iguape de julho no domingo (27). Entre 8,5% e 8,9% nos três cenários estimulados, com 2,5% na espontânea, ele liderou, no entanto, a rejeição: hoje, 22,2% dos campistas não votariam nele a prefeito de maneira nenhuma em 2022. Se evitou analisar os números desfavoráveis, o parlamentar tentou trazer um personagem novo para mexer no tabuleiro eleitoral até aqui favorável a Wladimir:

— Estou focado no mandato de deputado federal. São mais de R$ 10 milhões que conseguimos através do meu mandato de investimento para Campos em menos de três meses. Esse é meu foco. Eleição se discute na eleição, ninguém ganha ou perde de véspera. Como meu avô sempre me ensinou: a soberba precede a ruína. Detalhe, eu nunca anunciei pré-candidatura para prefeito na próxima eleição. Inclusive, estou organizando a filiação do meu pai, Arnaldo Vianna, no PSD. Ele estará apto para concorrer e pode ser o candidato a prefeito do nosso grupo — lançou Caio. E foi ecoado no Folha1 na segunda (30, confira aqui), após parecer favorável inicial do advogado João Paulo Granja.

Arnaldo Vianna

ARNALDO INELEGÍVEL — No entanto, após análise de documentos da situação jurídica do ex-prefeito recebidos ainda na noite de segunda pelo blog Opiniões, o advogado inverteu seu juízo: “Terminei a leitura do material e, de fato, constitui óbice à candidatura de Arnaldo”. Ele foi seguido pela advogada Priscila Marins: “A princípio, com esses documentos, entendo que a candidatura de Arnaldo não seria viável, na medida que ele foi condenado à suspensão dos direitos políticos”. O advogado Cleber Tinoco analisou no mesmo sentido: “Arnaldo está com os direitos políticos suspensos por 5 anos, a partir de ato datado de 9 de agosto de 2023. Que se pode considerar como certidão de trânsito em julgado, embora não tenha sido expressa neste sentido. Todos os direitos políticos suspensos: não pode votar nem se candidatar” (confira a análise dos três juristas aqui).

Thiago Rangel

THIAGO RANGEL — Da Justiça de volta aos números da pesquisa Iguape de julho, o deputado estadual Thiago Rangel (sem partido) ficou em terceiro lugar em dois cenários estimulados e quarto no restante, variando entre 2,5% e 2,8% das intenções de voto, com 0,1% na consulta espontânea. Ele também ficou em segundo no índice negativo da rejeição, com 12,3%, atrás de Caio (22,2%) e à frente de Wladimir (12,1%).

— Fiquei feliz em saber que a população de Campos lembrou do meu nome, já que até o momento não me lancei como pré-candidato. Pesquisa eleitoral é apenas o registro de um instante, tal como uma fotografia. Sobre a eleição, sabemos como começa, mas ninguém sabe como termina. Mesmo assim, por enquanto a pesquisa revela ser muito apertada a margem para definir a eleição em primeiro turno. A eleição parece indefinida — apostou Thiago, com base na consulta espontânea.

Jefferson Manhães

JEFFERSON DO IFF — Reitor do IFF, o professor Jefferson Manhães é o provável candidato do PT a prefeito de Campos em 2024, diante da impossibilidade jurídica da deputada estadual petista Carla Machado, ex-prefeita de São João da Barra, concorrer a terceira eleição majoritária consecutiva em município limítrofe. Identificado na pesquisa como Jefferson do IFF, ele variou entre 1,2% e 1,3% nas três consultas estimuladas, com 0,3% na espontânea. Mas, com apenas 5,4% de rejeição, cobrou das próximas pesquisas a medição da taxa de conhecimento dos prefeitáveis entre o eleitorado, para dimensionar o potencial de crescimento de cada um:

— A Iguape foi realizada em 10 de julho. Com distanciamento de 14 meses para outubro de 2024, pesquisas qualitativas teriam maior valor. Das quantitativas, como a Iguape, quais “verdades” extrair? Na consulta espontânea, o atual prefeito tem 27,8% das intenções de voto, padrão histórico de votação da família Garotinho. Mesmo estando o prefeito cotidianamente em evidência, quase em voo solo, e os demais ainda não. Além disso, a espontânea revela que mais da metade da população ainda não tem foco nas eleições municipais. Outro dado importante é que não foi aferido na pesquisa o grau de conhecimento das potenciais candidaturas. Não há dúvida de que o prefeito é muito conhecido, mas muitas outras possíveis candidaturas ainda não o são. O que aumenta muito o potencial de crescimento destas candidaturas, pela baixa rejeição da maior parte delas. Com as proposições à cidade debatidas, com contraditório às ações e omissões da administração, o que não vem ocorrendo pela “trégua política”, o segundo turno é inevitável — apostou Jefferson.

Sérgio Mendes

SÉRGIO MENDES — O ex-prefeito Sérgio Mendes (Cidadania) ficou entre 0,5% e 0,6% em dois dos três cenários estimulados, sem conseguir pontuar na consulta espontânea. E ficou com 10% de rejeição, considerada alta entre os candidatos com menos intenção de voto. Mas, como Jefferson, ele não se furtou da análise dos números da pesquisa Iguape, comparando-os com a votação histórica dos Garotinho, grupo pelo qual chegou a governar a cidade entre 1993 e 1996:

— Fundamental observar a evolução histórica da votação dos Garotinho. Em 1988, Garotinho pai venceu com 36,22% dos votos válidos. Em 1996, Garotinho pai venceu com 70,61% dos votos válidos. Em 2008, Rosinha Garotinho venceu com 54,47% dos votos válidos. Em 2012, Rosinha Garotinho venceu com 69,96% dos votos válidos. Em 2020, Garotinho filho (Wladimir) se elegeu com 52,40% dos votos válidos. Na pesquisa Iguape, Garotinho filho teve pequena evolução sobre 2020: está na média com 58% de intenções de votos válidos, a 13 meses das eleições de 2024. Considerados esses percentuais de votações, creio que o cenário pode se reverter na medida que o Garotinho filho está surfando na onda das intervenções, em sua maioria absoluta, feitas pelo Governo do Estado no nosso município. Importantes as reflexões: o governo tem em torno de R$ 1 bilhão em caixa. E os transportes coletivos melhoraram? A iluminação pública melhorou? Ter 9 mil RPAs em regime de escravidão está correto? — questionou Sérgio.

CVC Direita Campos

CVC DIREITA CAMPOS — Militante bolsonarista que chegou a ser preso pela Polícia Federal em 19 de janeiro deste ano, por suspeita de envolvimento nos atentados antidemocráticos em Brasília no dia 8 daquele mês, sendo solto em 13 de fevereiro, Carlos Victor Carvalho, o CVC Direita Campos, oscila entre se candidatar a prefeito ou vereador em 2024. Ao pleito majoritário, teve 0,1% de intenção de voto em um dos três cenários estimulados. Não pontuou na consulta espontânea, mas teve uma das rejeições mais baixas entre as medidas: 1,7%. CVC questionou a Iguape:

— A respeito do levantamento Iguape de julho, mais uma vez a pesquisa não reflete a realidade encontrada nas ruas de Campos. O crescimento do conservadorismo no município terá reflexo nas eleições de 2024. Onde, certamente, teremos vereadores e prefeito aliados ao pensamento cristão e voltados à economia liberal.

MARQUINHO, MARCOS E CARLA — Também citados na pesquisa Iguape, o presidente da Câmara Municipal, vereador Marquinho Bacellar (SD), ficou em terceiro lugar em um dos três cenários estimulados, com 3,1% de intenção de voto, além de 0,4% na espontânea e 8,0% de rejeição. Seu pai, o ex-vereador Marcos Bacellar (SD), também teve o nome testado em outro dos três cenários estimulados. Ficou em quarto lugar, com 2,0% de intenções de voto, além de 0,1% na espontânea e 1,4% de rejeição, menor entre as medidas.

 

Marquinho Bacellar, Marcos Bacellar e Carla Machado (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Como Carla Machado, que não pode concorrer a prefeita de Campos em 2024, mas teve 2,3% em um dos três cenários estimulados, 0,3% na espontânea e 4,4% de rejeição, Marquinho e Marco Bacellar também foram procurados, por meio de suas assessorias, para comentar seus números na pesquisa Iguape. Que foi encomendada e paga pelo grupo dos Bacellar. Os três prefeitáveis preferiram não comentar.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Arnaldo não pode se lançar a prefeito, como queria Caio

 

Justiça interpretada pelos juristas Cléber Tinoco, Priscila Marins e João Paulo Granja indica que a inelegibilidade de Arnaldo Vianna está mantida ao pleito municipal de 2024, no qual o deputado federal Caio Vianna queria lançar o pai novamente a prefeito de Campos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Lançado por seu filho (confira aqui), o deputado federal Caio Vianna (PSD), o ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT, de mudança ao PSD) não poderá ser candidato a prefeito em Campos em 2024. Essa foi a conclusão a que chegaram três juristas independentes politicamente e conceituados da comarca: os advogados Cléber Tinoco, Priscila Marins e João Paulo Granja.

Advogado do Grupo Folha, Granja chegou ontem a considerar Arnaldo elegível após consulta, como queria Caio. Mas, tão logo noticiou o possível elemento novo na eleição à Prefeitura de Campos em 6 de outubro de 2024, o blog recebeu documentos jurídicos indicando a manutenção da inelegibilidade do ex-prefeito. Após analisá-los, Granja inverteu seu juízo inicial:

— Terminei a leitura do material e, de fato, constitui óbice à candidatura de Arnaldo. Já que reconhece a sua inelegibilidade para os cinco anos seguintes ao trânsito em julgado da sentença, ocorrido em 2023.

A análise do advogado seguiu caminho parecido à da sua colega Priscila Marins, também com vasta experiência eleitoral:

— A princípio, na análise desses documentos, entendo que a candidatura de Arnaldo não seria viável, na medida que ele foi condenado à suspensão dos direitos políticos como uma das condenações. Que só se iniciaria a partir do trânsito em julgado, até porque o julgamento da apelação se deu em junho de 2023. De igual forma há uma certidão acerca da não interposição de recurso, o que, em tese, faria com que a pena começasse a ser cumprida agora. A menos que ele tenha um outro provimento judicial, suspendendo os efeitos desta condenação, a sua candidatura caiaria na Lei da Ficha Limpa.

Outro jurista consultado pelo blog, Cléber Tinoco foi de opinião semelhante ao considerar o ex-prefeito sem direitos políticos no próximo ano:

— Arnaldo está com os direitos políticos suspensos por cinco anos após ter tido condenação em ação de improbidade confirmada pelo TJ-RJ. O período de suspensão teve início em 9 de agosto de 2023, com o trânsito em julgado da decisão, mediante certidão de não interposição de recursos pelos interessados. Ele bem que poderia ter recorrido desta decisão para evitar o trânsito em julgado, mesmo que não vislumbrasse chances de reverter a condenação, de modo a adiar o trânsito em julgado. Aliás, existe julgado do STJ considerando que, em havendo muitos réus, como neste caso, bastaria o recurso de um deles para impedir o trânsito em julgado. Porém, como já existe certidão indicando a não interposição de recurso, todos seus direitos políticos estão suspensos: não pode votar nem se candidatar.

O problema da inelegibilidade atormenta o ex-prefeito desde a eleição de 2012. Quando insistiu em concorrer ao cargo, teve seus votos considerados nulos pela Justiça Eleitoral e favoreceu à reeleição da então prefeita Rosinha Garotinho (hoje, União) no primeiro turno. Em abril de 2019, Arnaldo também tentou (relembre aqui) se lançar a prefeito em 2020, mas desistiu.

 

Atualizado às 18h35 para correção.

 

Arte e política do Brasil à Espanha no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Estilista e ativista cultural de Campos radicada na Espanha, Lívia Amorim é a entrevistada do Folha no Ar desta quarta (30), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ela falará de como o Brasil de Bolsonaro ao Lula 3 é visto na Espanha do primeiro-ministro progressista Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).

Lívia falará também do seu trabalho no fomento à cultura nos dois lados do oceano Atlântico, entre Europa e Brasil. E, como campista, analisará o governo Wladimir Garotinho (PP), além de tentar projetar as eleições municipais de 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 13 meses.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.