Lula e Bolsonaro nas pesquisas a 36 dias da urna

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

A semana foi marcada pelas sabatinas dos presidenciáveis no Jornal Nacional (JN), na Rede Globo, que entrevistou o presidente Jair Bolsonaro (PL) na segunda (22), o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) na terça (23), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na quinta (25) e a senadora Simone Tebet (MDB), na sexta (26). Esta última, depois desta matéria ser escrita. Mas não é preciso nem ter assistido a todas para se ter certeza: os eleitores de Bolsonaro e Lula acharam que seus respectivos candidatos deram de 7 a 1 no principal adversário e na “Globolixo”. Já os eleitores Ciro e Tebet lamentarão como os seus candidatos são muito mais preparados, respectivamente, à esquerda e à direita, do que os dois líderes da corrida presidencial. Mas tudo isso sempre será subjetivo. Hoje, a exatos 36 dias das urnas de 2 de outubro, o que há de concreto está nos números de duas pesquisas presidenciais desta mesma semana. Que, na comparação com as cinco da semana anterior, confirmam a tendência de diminuição lenta da vantagem de Lula sobre Bolsonaro nas intenções de voto.

PESQUISAS DA SEMANA – A primeira pesquisa presidencial da semana foi a BTG/FSB, que saiu na segunda, feita por telefone com 2 mil eleitores entre a sexta (19) e o domingo (21) anteriores. A segunda foi a Exame/Ideia, que saiu na quinta, feita por telefone com 1.500 eleitores entre a sexta e a quarta anteriores. E a diferença entre Lula e Bolsonaro caiu nas consultas induzidas ao 1º e 2º turnos, nas duas pesquisas.

BTG/FSB – Entre as BTG/FSB de 15 e 22 de agosto, com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, o petista manteve os 45% de intenções de voto no 1º turno, enquanto o capitão subiu de 34% a 36%. A diferença de 11 pontos, em sete dias, caiu a 9 pontos. Na projeção de 2º turno, Lula caiu de 53% a 52%, período em que Bolsonaro cresceu de 38% a 39%. A diferença de 15 pontos, em uma semana, caiu para 13 pontos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

EXAME/IDEIA – Entre as Exame/Ideia de 21 de julho e 25 de agosto, com margem de erro de 3 pontos para mais ou menos, o petista tinha e manteve 44% de intenções de voto no 1º turno, enquanto o capitão subiu de 33% a 36%. A diferença de 11 pontos, em 35 dias, caiu a 9 pontos. Na projeção de 2º turno, Lula cresceu de 47% a 49% nos 35 dias anteriores, período em que Bolsonaro cresceu mais, de 37% a 40%. A diferença de 10 pontos, em pouco mais de um mês, caiu a 9 pontos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

PESQUISAS DA SEMANA PASSADA – Todas as mudanças estão na margem de erro das duas pesquisas presidenciais desta semana. E confirmam as cinco da semana anterior: a BTG/FSB do dia 15; a Iepc (antigo Ibope) do dia 16, a Genial/Quaest e a PoderData do dia 17, e a Datafolha do dia 18. Lula também liderou isolado as projeções do 1º e 2º turnos em todas. Mas veio seguido por um Bolsonaro em tendência lenta de crescimento. Que parece se operar em três eleitores: 1) de classe média, por conta da redução no preço dos combustíveis; 2) o evangélico, por conta dos ataques religiosos dos Bolsonaro ao PT; e 3) o pobre, por conta do Auxílio Brasil de R$ 600,00 pago desde o dia 9.

George Gomes Coutinho, cientista político e professor da UFF-Campos

ANÁLISE DO CIENTISTA POLÍTICO –  “Se há aumento da preferência de Bolsonaro, é discreta e não se apresenta com energia para redundar em uma virada rápida de mesa. Lula segue estável e ganharia no 2º turno, tal como nas outras pesquisas. Bolsonaro tem potencial de crescimento sim. A questão é a velocidade deste crescimento. Creio também que os dois primeiros colocados, estão fazendo um esforço além do suportável para meros mortais na meta para terem menos erros. Até porque a eleição não está ainda definida. Um erro crasso de tática pode ser o imponderável que um dos lados deseja para obter melhoria em suas intenções de voto visando: 1) atrair votos dos outros candidatos fora da polarização; 2) diminuir rejeição; e 3) captar os votos dos eleitores não ideológicos, os pragmáticos, do adversário”, analisou o cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos.

REJEIÇÃO – Citada pelo cientista político, a rejeição é fundamental à definição do 2º turno. Bolsonaro a lidera em todas as pesquisas, seguido na maioria por Lula. A diferença não caiu entre as BTG/FSB de 15 e 22 de agosto, nas quais o capitão passou de 54% a 55% dos brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, enquanto o petista manteve os 44%. Porém, entre as Exame/Ideia de 21 de julho e 25 de agosto, a diferença na rejeição já estava em empate técnico no limite da margem de erro. E encurtou mais: Bolsonaro caiu de 46% a 45%, enquanto Lula cresceu de 40% a 42% dos brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma. As mudanças da semana também se mantiveram dentro da margem de erro.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

VOTO EVANGÉLICO E DA CLASSE MÉDIA – Com as fake news dizendo que Lula vai fechar templos se for eleito presidente e a retórica neopentecostal da primeira-dama Michelle Bolsonaro associando o PT ao demônio, todas as pesquisas da semana passada mostraram a ascensão de Bolsonaro entre os evangélicos. Entre as Datafolha de 28 de julho e 18 de agosto, o capitão passou de 43% a 49% nessa faixa, enquanto Lula caiu de 33% a 32%. O presidente também virou o voto no eleitor de classe média, entre 2 a 5 salários mínimos. Na Datafolha de julho, Lula ganhava nessa faixa por 40% a 34% de Bolsonaro. Que apareceu liderando a Datafolha de agosto por 41% a 38%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

AUXÍLIO BRASIL NO VOTO DO POBRE – A única dúvida da semana passada era o crescimento de Bolsonaro também entre aqueles que recebem o novo Auxílio Brasil. Apenas a PoderData registrou esse movimento. Entre as suas pesquisas de 4 e 17 de agosto, Lula caiu de 58% a 47% das intenções de voto dos que recebem o benefício federal, enquanto o capitão cresceu de 25% a 39%. Esse seu avanço no voto dos pobres, onde Lula sempre teve a maior vantagem, foi confirmada pela nova BTG/FSB desta semana. Nela, entre os que recebem o Auxílio Brasil, Bolsonaro cresceu de 24% a 31% nos últimos sete dias, enquanto o petista caiu de 61% a 52%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

TETO – Além de confirmar o crescimento de Bolsonaro no eleitor pobre, a BTB/FSB de segunda também mostrou que sua ascensão continua na classe média e nos evangélicos. No eleitor de 2 a 5 salários mínimos, o capitão subiu de 40% a 43%, enquanto Lula caiu de 38% a 36%. Entre os evangélicos, o presidente cresceu de 49% a 56%, enquanto o petista tinha e manteve 30%. Lula patina há mais tempo na liderança da consulta estimulada ao 1º turno. Na série de 10 pesquisas BTG/FSB de 2022, de 21 de março a 22 de agosto, ele variou entre 41% e 46% das intenções de voto. Hoje tem 45%. Não cai muito há cinco meses, mas também não sobe. Lula bateu no seu teto. Bolsonaro cresce lentamente e ainda não bateu no seu.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE

ANÁLISE DO ESTATÍSTICO – “As pesquisas da semana apontam para a possibilidade de Lula ter atingido um teto e de Bolsonaro estar diminuindo a desvantagem de intenção de voto. Considerando os dois principais institutos que divulgaram pesquisa nesta semana, a diferença entre os dois antagonistas varia de 8 pontos, no caso da Ideia (Lula 44% a 36%), a 9 pontos, no caso do FSB (Lula 45% a 36%). Basicamente, o crescimento de Bolsonaro se deu entre os evangélicos, a classe média e os mais pobres, até 2 salários mínimos. Por isso, a redução do ICMS sobre os combustíveis e o Auxílio Brasil de R$ 600 têm sido convertidos em ganhos eleitorais para Bolsonaro. Muito embora, até aqui, insuficientes para uma virada nas urnas”, concluiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

Lula entre erros e acertos na sabatina do Jornal Nacional

 

O ex-presidente Lula diante dos jornalistas William Bonner e Renata Vasconcellos, na noite de hoje do Jornal Nacional

 

Se alguém realmente tinha dúvida que a bancada do Jornal Nacional (JN), formada pelos jornalistas William Bonner e Renata Vasconcellos, seria tão assertiva na sua sabatina com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na noite de hoje, quanto foi na segunda (22) com o presidente Jair Bolsonaro (PL), terá que fazer a mesma autocrítica que costuma cobrar a quem governou o país por 13 anos. Sem refresco, a entrevista de 40 minutos com o petista foi dividida em oito temas: 1) corrupção, 2) Procuradoria Geral da República (PGR), 3) economia, 4) governo Dilma Rousseff (PT), 5) Centrão, 6) Geraldo Alckmin (PSB), 7) radicalismo da militância petista e 8) política internacional e apoio a ditaduras “companheiras” na América Latina. Ao final, como foi com Bolsonaro, duas certezas: quem já votava em Lula, continuará votando; quem já votava no capitão, também.

Lula começou visivelmente nervoso. Indagado de cara por Bonner sobre a corrupção sistêmica e comprovada nos governos do PT, o ex-presidente deu conhecidas e gastas respostas prontas: “a corrupção só aparece quando se permite que ela seja investigada”, “a Lava Jato causou prejuízos e desemprego no Brasil”, “tem que investigar os corruptos, mas não quebrar as empresas”.

Perguntado depois por Renata sobre uma questão fundamental às investigações, sobre o fato de não revelar se vai respeitar ou não a lista tríplice do Ministério Público Federal (MPF) para escolher o sucessor de Augusto Aras, escolhido por Bolsonaro fora da lista, Lula deu uma resposta tão tucana quanto o vice “socialista” da sua chapa: “tem que deixar as pessoas com uma pulguinha atrás da orelha”. Aliás, foi falando sem dizer sobre a PGR, que o ex-presidente citou pela primeira vez Geraldo Alckmin. E o faria novamente diversas vezes.

Quando Bonner voltou para falar de economia, Lula se saiu tão bem quanto, supreendentemente, se saiu Bolsonaro na segunda. Lembrou dos feitos do seu governo na área, tão comprovados quanto a corrupção, e citou um tripé. Não o macroeconômico meta de inflação/superávit fiscal/câmbio flutuante que copiou do “neoliberal” Fernando Henrique Cardoso (PSDB), mas outro: “credibilidade, previsibilidade e estabilidade”. E, junto ao seu bordão mais famoso, emendou um novo para acenar ao mercado: “Nunca antes na história desse país houve uma chapa, como a Lula/Alckmin, para gerar credibilidade externa e interna”.

Se lembrou dos feitos econômicos dos seus dois governos, Lula também foi confrontado pelos desacertos na área cometidos por Dilma. Da qual admitiu erros. Mas disse que, após a própria Dilma supostamente tê-los reconhecido, buscando mudanças na economia, teria sido impedida por Eduardo (a quem citou duas vezes, sem lembrar do sobrenome Cunha) na Câmara e por Aécio Neves (PSDB) no Senado. Quando Bonner perguntou por que os erros de Dilma não se repetiriam no eventual novo governo Lula, este deu sua entrada mais de sola: “Quando outro assumir o lugar de Bonner no JN, você vai descobrir que ‘rei morto é rei posto’”.

Quando foi cobrado a falar do Centrão, que apoiou o seu governo, o do FHC, o de Dilma, apoia o de Bolsonaro e apoiará qualquer outro, Lula deu sua melhor resposta após Renata lembrar do Mensalão como fórmula de negociação do PT com o Congresso. O ex-presidente lembrou do Orçamento Secreto, que classificou corretamente como “uma excrecência”. Disse nada com coisa nenhuma ao lembrar que “o Centrão não é um partido político”. Mas foi contundente ao lembrar que o Orçamento Secreto “não é moeda de troca, é usurpação de poder. Bolsonaro não governa nada, é refém do Congresso. Quem faz o orçamento é o (Artur) Lira (PP/AL)”.

Questionado por Bonner sobre a não aceitação de Alckmin por parte da militância do PT, manifesta em diversos episódios de vaias ao seu vice, Lula buscou prestigiá-lo para acenar novamente ao eleitor de centro que definirá a eleição presidencial: “O Alckmin já foi aceito de corpo e alma. A experiência dele como governador de São Paulo e vice do (falecido ex-governador paulista Mário) Covas (PSDB) vai me ajudar a governar”. Disposto a encarnar em sua chapa a reação da Nova República contra o bolsonarismo, disse uma frase que deixou saudosos os democratas de meia e terceira idade: “O Brasil era feliz com o PT x PSDB”. Não chamou os tucanos de “nazistas”, como fez na campanha de reeleição de Dilma, no Recife, em 2014.

Quando Bonner insistiu na questão da radicalidade de parte da militância petista, à qual o próprio Lula já definiu melhor como “aloprados” e que de fato criou no país o clima de “nós contra eles” espelhado no bolsonarismo, o ex-presidente apelou a metáforas com o futebol. Tão ao seu gosto como as de Bolsonaro com o casamento. O petista disse que “militância de partido é igual a torcida organizada, que não é a torcida do time”. Buscou se eximir da sua responsabilidade como líder de ambas. E, na única vez durante a sabatina, lembrou da “picanha e da cervejinha” que o povo voltaria a consumir se ele voltar ao poder.

Foi quando Renata perguntou do motivo de grande parte do agronegócio hoje apoiar Bolsonaro, que Lula cometeu sua maior gafe. Disse que era porque seu governo e o de Dilma foram rigorosos “na política em defesa da Amazônia, do Pantanal, da Mata Atlântica”. Só após ser lembrado por Renata que sua resposta transformava todo o agronegócio brasileiro em criminoso ambiental, que o petista separou o joio do trigo. E pediu que a jornalista entrevistasse as lideranças do setor para falar de como este se teria se dado bem durante os seus governos.

Na última pergunta, Bonner ainda teve tempo de perguntar sobre política internacional e do apoio pessoal do ex-presidente às ditaduras de esquerda na América Latina. Como de fato são os governos de Cuba, Venezuela e Nicarágua. Ganhando a luta por pontos, Lula se esquivou do último golpe com uma finta retórica: “Cada país que cuide do seu nariz”. Em sua declaração final de um minuto, prometeu ao futuro a maior virtude do seu passado como presidente: “colocar o pobre no orçamento do país, na universidade”. E acenou a quem, até agosto, inclina ao seu lado a eleição de outubro: “vamos negociar as dívidas de 70% das famílias brasileiras, a maioria mulheres”.

 

Mauro Silva abre mão da candidatura a deputado estadual

 

Jornalista, advogado, ex-secretário estadual e de Campos, além de figura querida mesmo entre os detratores do grupo político dos Garotinho, ao qual sempre pertenceu em sua vida pública, Mauro Silva (PP) abriu mão da sua candidatura a deputado estadual em outubro. Ele anunciou sua decisão na noite de hoje, em seu perfil no Instagram.

Mauro se definiu por receio de que questões jurídicas advindas da sua candidatura a vice-prefeito de Campos, na eleição municipal de 2016, pudessem afetar sua candidatura e eventual mandato na Alerj. Abaixo a íntegra da sua decisão:

 

Mauro Silva (Foto: Instagram)

 

— “Sempre que a vida exigir, tenha a humildade de dar um passo atrás, sem entender isso como uma derrota. E, acima de tudo, nunca deixe de falar a verdade”.

Eu aprendi isso com meus pais e esses conselhos têm me acompanhado ao longo da minha trajetória. São valores que deixo para os meus filhos.

Ser candidato a deputado estadual, buscando a oportunidade de servir ao povo do estado do Rio de Janeiro, foi uma grande honra e alegria.

No entanto, questões judiciais relacionadas às Eleições de 2016, nas quais fui candidato a vice-prefeito de Campos, poderiam causar incertezas na regularidade de minha candidatura.

Tenho a consciência tranquila de sempre ter agido de forma limpa e honesta, mas não considero justo, principalmente com os eleitores que me honrariam com seu voto, manter uma candidatura que, mesmo deferida pela Justiça Eleitoral, poderia vir a sofrer uma impugnação no futuro.

Isso eu não poderia admitir. Porque, acima de tudo, nossa relação é de confiança.

Assim sendo, tomei a decisão que me parece a mais acertada neste momento, ainda que dolorosa: abrir mão da minha candidatura a deputado estadual nestas eleições de 2022.

A todos que me acompanharam ao longo da campanha, deixo meu agradecimento carinhoso. E uma mensagem: mesmo que não sejam concluídos nas urnas, nossos laços continuam mais fortes do que nunca, assim como o meu desejo de contribuir por um estado do Rio de Janeiro melhor para todos.

Juntos, somos mais fortes e, independentemente de cargos ou posições, podemos fazer muito!

Um forte abraço e até breve!

 

Semana política de Campos, RJ e Brasil no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A semana do Folha no Ar será encerrada a partir das 7h da manhã desta sexta (26), a 37 dias das urnas de 2 de outubro, com a análise político/eleitoral dos planos de Campos, Norte Fluminense, estado do Rio e Brasil pela bancada do programa. Que virá completa com os jornalistas Arnaldo Neto e Aluysio Abreu Barbosa, sob comando do radialista Cláudio Nogueira.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Exame/Ideia: Lula lidera, mas patina, enquanto Bolsonaro cresce

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

A 38 dias das urnas de 2 de outubro, a vantagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o presidente Jair Bolsonaro (PL) na corrida eleitoral continua caindo. Foi o que confirmou a pesquisa Exame/Ideia feita de sexta (19) a quarta (24) e divulgada hoje (25), cuja consulta estimulada ao 1º turno deu 44% das intenções de voto ao petista, contra 36% do capitão. A diferença atual de 8 pontos era de 11 pontos (44% a 33%) na Exame/Ideia de 21 de julho. Indica que o ex-presidente bateu em seu teto e patina, enquanto o atual cresce. Lula continua vencendo a projeção ao 2% turno de 30 de outubro, no qual hoje bateria Bolsonaro por 49% a 40%, fora da margem de erro de 3 pontos para mais ou menos. A pesquisa foi feita por telefone com 1.500 eleitores.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Índice considerado fundamental à definição do 2º turno, a rejeição também vem se encurtando entre Lula e Bolsonaro. Hoje há empate técnico entre os 45% dos brasileiros que não votariam de maneira nenhuma no capitão, contra os 42% do petista. A diferença na rejeição, que era de 6 pontos em julho, caiu pela metade, para apenas 3 pontos em agosto. Mês que confirmou a cristalização da polarização da eleição entre o ex-presidente e o atual. Na consulta espontânea, sem apresentação dos nomes dos candidatos, Lula teve 33% das intenções de voto, em outro empate técnico com os 30% de Bolsonaro. A diferença atual de 3 pontos entre os dois também caiu pela metade, em relação aos 6 pontos (36% a 30%) na espontânea de julho. Para 83% dos eleitores, o voto a presidente já está definido. Para cobiçados 13% dos brasileiros, o voto ainda pode mudar.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística pelo IBGE

— A vantagem de Lula para Bolsonaro diminuiu dentro da margem de erro, o que pode indicar leve redução da diferença ou manutenção da distância. No levantamento anterior, divulgado em 21 de julho, a diferença era de 11 pontos (44% a 33%). Na pesquisa divulgada hoje, caiu para 8 pontos (44% a 36%). O crescimento de 3 pontos para cima, dentro da margem de erro, pode indicar ganho de intenção de Bolsonaro. Ciro Gomes (PDT) oscilou 1 ponto para cima, passando a 9%. Simone Tebet (MDB) mantém os 4% da sondagem anterior. Na pesquisa espontânea, Lula e Bolsonaro empatam dentro da margem de erro, com o primeiro numericamente à frente (33% a 30%). Refletindo o grau de consolidação e de definição do voto, 83% dos eleitores entrevistados declararam que o voto para presidente já está definido, contra apenas 13% que disseram que ainda podem mudá-lo — concluiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

Diferente de outras pesquisas recentes, como a BTG/FSB de segunda (22), ou a aguardada Datafolha da quinta anterior (18), a Exame/Ideia de hoje não divulgou os números das intenções de voto por fatias. Assim, é impossível confirmar se o crescimento de Bolsonaro se deu no voto dos evangélicos e da classe média, como indicam todas as pesquisas das duas últimas semanas. Assim como no voto dos pobres que recebem o novo Auxílio Brasil pago desde o dia 9, como indicaram a PoderData do dia 17 e a BTG desta semana. Sobre esse eleitor que recebe o benefício federal, a Exame/Ideia se limitou a projetar que representa 18% dos brasileiros.

— Para Maurício Moura, fundador do Ideia, que realizou a pesquisa, a definição do voto está acontecendo cada vez mais cedo. Ou seja, há pouco espaço de convencimento de eleitores que podem mudar de voto”. Ele acrescenta que, entre os que poderiam mudar de voto, um dos grupos mais relevantes é o de jovens, de 16 a 24 anos. “Talvez eles tenham um grau de desencanto maior com as alternativas que estão na corrida eleitoral. É um grupo que vai ser fundamental nesta reta final. Além disso, existe a classe C, de pessoas que ganham entre três e seis salários-mínimos e que votaram no Bolsonaro (em 2018). Atualmente, essa parcela não vota mais nele no mesmo grau de intensidade” — complementou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística pelo IBGE.

 

Presidente, governador e usina no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Industrial, proprietário da usina Paraíso e ex-dirigente do PSDB em Campos, Geraldo Hayen Coutinho é o convidado do Folha no Ar desta quinta (25), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará (confira aqui e aqui) a liderança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas eleitorais, assim como o crescimento recente do presidente Jair Bolsonaro (PL) nas intenções de voto dos evangélicos, da classe média e dos pobres.

Geraldo também tentará projetar as urnas a deputado estadual e federal da região, a senador e governador do RJ. Por fim, ele analisará o governo Wladimir Garotinho (sem partido) em Campos, a reabertura da usina Paraíso em arrendamento para a Coagro e a tentativa de retomada da vocação agropecuária do município.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Bolsonaro no Jornal Nacional e nas pesquisas com Lula

 

O presidente Jair Bolsonaro entrevistado por William Bonner e Renata Vasconcellos na noite de segunda no Jornal Nacional

 

 

Bolsonaro no Jornal Nacional

Desde a noite de segunda (22), do Planalto Central à planície goitacá, uma questão dominou as redes sociais e rodas de conversa: o presidente Jair Bolsonaro (PL) foi bem ou mal na sua entrevista de 40 minutos, ao vivo, no Jornal Nacional (JN)? E os jornalistas William Bonner e Renata Vasconcellos, titulares do principal telejornal da TV aberta brasileira, escolhidos como em 2018 para fazerem as sabatinas presidenciais da Rede Globo? Em análise ainda na noite de segunda, o blog Opiniões, hospedado no Folha 1, arriscou uma análise: “Bolsonaro não deve ter perdido ou ganho nenhum eleitor com sua entrevista no Jornal Nacional”.

 

Nova pesquisa da semana

Primeira pesquisa presidencial da semana, feita entre sexta (19) e domingo (21), também na segunda foi divulgada a nova BTG/FSB. Ela revelou que, para 79% dos brasileiros, a decisão do voto já está tomada e não há como mudar. O número sobe a 81% nos que votarão no ex-presidente Lula (PT), sem chance de mudar. E sobe mais, a 89%, nos que votarão em Bolsonaro sem chance de mudar. Aos 81% de eleitores irredutíveis de Lula, Bolsonaro foi um fiasco no JN. Aos 89% do capitão, ele “mitou” a “Globolixo”. Nenhum desses dois eleitores mudou, nem mudaria, por conta da entrevista. Mas são os 20% que podem mudar o voto que interessam.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Pesquisas da semana passada

Na edição de sábado (20), a Folha trouxe o resumo das cinco pesquisas presidenciais da semana passada: a BTG/FSB anterior, do dia 15; a Iepc (antigo Ibope) do dia 16, a Genial/Quaest e a Poder Data do dia 17, e a Datafolha do dia 18. Lula lidera isolado as projeções do 1º e 2º turnos em todas. Mas vem seguido por um Bolsonaro que algumas pesquisas mostraram em crescimento. Que se opera em três eleitores: 1) de classe média, por conta da redução no preço dos combustíveis; 2) o evangélico, por conta dos ataques religiosos dos Bolsonaro a Lula; e 3) o pobre, por conta do Auxílio Brasil de R$ 600,00 pago desde o dia 9.

 

Evangélicos e classe média

Com as fake news dizendo que Lula vai fechar templos se for eleito presidente e a retórica neopentecostal da primeira-dama Michelle Bolsonaro associando o PT ao demônio, todas as pesquisas da semana passada mostraram a ascensão de Bolsonaro entre os evangélicos. Na Datafolha de 18 de agosto, comparada com a de 28 de julho, o capitão passou de 43% a 49% nessa faixa, enquanto Lula caiu de 33% a 32%. O presidente também virou o voto no eleitor de classe média, entre 2 a 5 salários mínimos. Na Datafolha de julho, Lula ganhava nessa faixa por 40% a 34% de Bolsonaro, onde apareceu liderando a Datafolha de agosto por 41% a 38%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Auxílio Brasil

A única dúvida da semana passada era o crescimento de Bolsonaro também entre aqueles que recebem o novo Auxílio Brasil. Apenas a PoderData registrou esse movimento. Na sua pesquisa de 17 de agosto, comparada com a de 4 de agosto, Lula caiu de 58% a 47% das intenções de voto dos que recebem o benefício federal, enquanto o capitão cresceu de 25% a 39%. Esse seu avanço no voto dos pobres, onde Lula sempre teve a maior vantagem, foi confirmada pela nova BTG/FSB desta semana. Nela, entre os que recebem o Auxílio Brasil, Bolsonaro cresceu de 24% a 31% nos últimos sete dias, enquanto o petista caiu de 61% a 52%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Bolsonaro cresce, Lula patina

Além de confirmar o crescimento de Bolsonaro no eleitor pobre, a BTB/FSB semanal de segunda também mostrou que sua ascensão continua na classe média e nos evangélicos. No eleitor de 2 a 5 salários mínimos, o capitão subiu de 40% a 43%, enquanto Lula caiu de 38% a 36%. Entre os evangélicos, o presidente cresceu de 49% a 56%, enquanto o petista tinha e manteve 30%. Lula patina há muito mais tempo na liderança da consulta estimulada ao 1º turno. Na série de 10 pesquisas BTG/FSB de 2022, de 21 de março a 22 de agosto, ele variou entre 41% e 46% das intenções de voto. Hoje tem 45%. Não cai muito há cinco meses, mas também não sobe.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Teto, 2º turno e rejeição

Lula claramente bateu no seu teto. Bolsonaro cresce lentamente e ainda não bateu no seu. Ele passou de 34% a 36% das intenções de voto na estimulada BTG/FSB ao 1º turno. A não ser que as próximas pesquisas mostrem aceleração dessa ascensão, sobretudo no voto mais numeroso dos pobres, é improvável que candidato favorito destes seja ultrapassado nos 39 dias que hoje separam o eleitor das urnas de 2 de outubro. Mas a projeção mais provável hoje é o 2º turno de 30 de outubro. Que será definido pela rejeição, onde o capitão apareceu na BTG/FSB com 55% de brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, contra 44% de Lula.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Mudanças

Entre as bolhas dos que acham que Bolsonaro foi um fiasco, ou que “mitou” no JN de segunda, até as pesquisas fazem pouca diferença. Só fará o que furar uma dessas bolhas nos 20% da BTG/FSB que dizem poder mudar o voto. O capitão tem que ficar atento para que a repercussão não pare ou reverta seu crescimento recente, sobretudo entre os pobres. As consultas no Google dos seus dois vídeos de 2021 imitando doentes terminais de Covid sufocando, que negou na Globo ter feito, cresceram 4.700% nos últimos dois dias. O que não deveria mudar é a toda inquisitória do JN com Bolsonaro, bem mais amena na noite de ontem com Ciro Gomes (PDT).

 

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Lula, Bolsonaro e eleição no RJ no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ex-diretor da Escola Técnica Federal de Campos (atual IFF), ex-secretário municipal de Campos e Niterói, e articulador político, o professor Luciano D’Ângelo é o convidado do Folha no Ar desta quarta (24), ao vivo a partir das 7h, na Folha FM 98,3. Ele analisará (confira aqui e aqui) a liderança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas eleitorais para outubro, assim como o crescimento recente do presidente Jair Bolsonaro (PL) nas intenções de voto dos evangélicos, da classe média e dos pobres.

Luciano também tentará projetar as urnas a deputado estadual e federal da região, a senador e governador do RJ. Por fim, ele analisará o governo Wladimir Garotinho (sem partido) em Campos, assim como a tentativa de retomada da vocação agropecuária do município. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Bolsonaro sai do JN sem perder ou ganhar nenhum eleitor

 

O presidente Jair Bolsonaro entrevistado por William Bonner e Renata Vasconcellos na noite de hoje no Jornal Nacional

 

Muita expectativa, 40 minutos de entrevista no Jornal Nacional e seis temas: 1) democracia, 2) pandemia, 3) economia, 4) desmatamento, 5) Centrão e 6) corrupção. O presidente Jair Bolsonaro (PL) sobreviveu aos jornalistas William Bonner e Renata Vasconcellos. E, em um deles, na economia, pareceu se sair melhor. Sobretudo no momento em que a sensação de redução no preço dos combustíveis e a queda das taxas ainda altas de desemprego têm virado as intenções de voto da classe média brasileira ao seu favor nas pesquisas eleitorais.

Sobre o tema democracia, onde foi mais acossado por Bonner, o capitão chamou de fake news a lembrança de que xingou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Para depois ser forçado a admitir que chamou Alexandre Moraes, também presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de “canalha”. Mas, ao final, disse que aceitará o resultado das urnas independente do resultado, “desde que as eleições sejam limpas e transparentes”. Seja lá o que isso queira dizer, deu a impressão de que, ao seu estilo morde e assopra, aceitou por ora os conselhos para baixar a bola.

No segundo tema, à insistência de Renata com a pergunta se estava arrependido por ter imitado um paciente terminal de Covid sufocando, disse que não teve “uma atitude politicamente correta”. Defendeu o tratamento precoce e a liberdade da clínica dos médicos que o prescreveram, mesmo depois de provado pela ciência e a OMS como absolutamente inútil, e mataram brasileiros. E lembrou do Auxílio Emergencial criado em 2020, transformado em outro dos seus trunfos eleitorais de 2022: o Auxílio Brasil que, desde 9 de agosto, votou ao valor de R$ 600,00.

No terceiro tema, o presidente eleito em 2018 admitindo não entender nada de economia, sempre a evocar seu “Posto Ipiranga” Paulo Guedes, se saiu bem. No quarto, sobre os recordes de desmatamento na Amazônia em seu governo, Bolsonaro conseguiu sair só com queimaduras de 1º grau. No quinto, sobre corrupção e os dois pastores que, sem cargo público, pediam propina dentro do ministério da Educação para liberar verbas federais a prefeitos, Bolsonaro indagou: “A questão de ter dois pastores, qual é o problema?”

Sobre o Centrão, Bonner só lembrou de passagem o episódio recente em que o capitão foi chamado publicamente de “tchuthcuca do Centrão” por um youtuber, sem citar o termo. Mas foi argumentativo demais na pergunta, quando deveria guardar o fato (e o termo) para encaixá-lo depois. E ouviu como resposta uma típica bravata de Bolsonaro, para os seus eleitores bradarem “mitou” nas redes sociais: “Você quer que eu me torne um ditador?”. O fato é que, dessa vez, não mentiu: desde Fernando Henrique Cardoso (PSDB) nos anos 1990, nenhum presidente consegue governar sem o Centrão.

Nas suas considerações finais de 1 minuto, Bolsonaro não voltou a constranger a Rede Globo com fez em 2018. Quando leu ao vivo o editorial do jornal O Globo, após o golpe civil-militar de 1964, escrito e publicado em seu apoio. No lugar do outsider fake de 4 anos atrás, preferiu falar como o que é: o candidato da situação, do sistema, do Centrão. E, além de voltar a falar em redução do preço dos combustíveis e do novo Auxílio Brasil, que já dão resultados nas pesquisas, chamou de seu o PIX projetado no governo Michel Temer (MDB).

Bolsonaro não deve ter perdido ou ganho nenhum eleitor com sua entrevista no Jornal Nacional. Mas não cometeu nenhuma gafe imperdoável que já não tenha normalizado na vida política nacional. Provavelmente, a bancada titular do programa vai usar o mesmo tom inquisitório em suas demais entrevistas. Na terça (23), com Ciro Gomes (PDT); na quinta (25), com Lula; e na sexta (26), com Simone Tebet (MDB). Em nome da equidade, agora não pode mesmo fazer diferente.

Mas, ao jornalismo brasileiro e a eleições menos tensas, o JN prestaria um imenso favor se fosse mais Roberto D’avila e menos William Bonner.

 

Economia na eleição a presidente no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Igor Franco, especialista em finanças e professor do Uniflu, e José Alves de Azevedo Neto, economista e professor da Universo, são os convidados do Folha no Ar desta terça (23), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Eles analisarão a influência de fatores econômicos (confira aqui e aqui) como a sensação de redução no preço dos combustíveis e o novo Auxílio Brasil de R$ 600,00 nas pesquisas da corrida presidencial polarizada entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL).

Por fim, Igor e José Alves também analisarão o quadro econômico do estado do Rio de Janeiro, com sua possível interferência na eleição a governador, além de Campos e região. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Lula lidera, mas patina. Bolsonaro cresce nos evangélicos, classe média e pobres

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Na confirmação da tendência eleitoral apresentada em várias pesquisas da semana passada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém sua liderança isolada na corrida presidencial para as urnas de 2 de outubro, daqui a exatos 41 dias. Mas continua estacionado em seu teto, onde bateu e patina desde março, enquanto o presidente Jair Bolsonaro (PL) confirma sua tendência lenta, mas gradual de crescimento. Na nova pesquisa BTG/FSB feita de sexta (19) a domingo (21), e divulgada hoje (22), Lula manteve os 45% de intenções de voto na consulta estimulada ao 1º turno. Já Bolsonaro cresceu dentro de margem de erro de 2 pontos, passando de 34% a 36% na última semana.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

SEGUNDO TURNO E REJEIÇÃO — A diferença entre os dois na projeção do 2º turno também caiu 2 pontos: da vitória do petista por 53% a 38% na pesquisa BTB/FSB de 15 de agosto, aos 52% a 39% de hoje. Mas no índice considerado fundamental à definição do 2º turno, o capitão continua sem apresentar melhora: ele segue liderando a rejeição, na qual cresceu de 54% aos 55% dos brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, enquanto Lula se manteve nos mesmos 44%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

VOTO EVANGÉLICO — O crescimento de Bolsonaro veio em faixas do eleitorado que também já tinham projetadas nas pesquisas da semana passada. Entre as BTG/FSB de 15 e 22 de agosto, o capitão ampliou sua vantagem sobre o petista no voto dos evangélicos: de 49% a 30% (19 pontos) para 56% a 30% (26 pontos).

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

VOTO DA CLASSE MÉDIA E COMBUSTÍVEIS — O presidente também votou a crescer sua vantagem sobre o ex nos votos da classe média, com renda familiar mensal entre 2 e 5 salários mínimos: de 40% a 38% (2 pontos, empate técnico na margem de erro) para 43% a 36% (7 pontos, fora da margem de erro). Esse crescimento está associado à sensação de redução no gasto dos combustíveis: em 15 de agosto, eram 64% que achavam os preços um pouco ou muito menores. Índice que cresceu 8 pontos no espaço de uma semana, aos 72% de hoje.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

VOTO DO POBRE E AUXÍLIO BRASIL — Faixa em que tem sua maior desvantagem a Lula, Bolsonaro também cresceu entre os mais pobres na última BTG/FSB. Entre os que têm renda mensal até 1 salário mínimo, o petista caiu 2 pontos: de 66% das intenções de voto a 64%. Mas o capitão cresceu 5 pontos: de 15% a 20%. Na faixa seguinte, com renda de 1 até 2 salários mínimos, não houve alteração fora da margem de erro. Entre as duas faixas, a alteração é fruto do novo Auxílio Brasil de R$ 600,00, que passou a ser pago em 9 de agosto. Entre os que recebem diretamente o benefício federal, Lula também mantém a liderança folgada, mas caiu 9 pontos, de 61% a 52% das intenções de voto. Em movimento oposto, Bolsonaro cresceu 7 pontos na última semana, de 24% a 31% no voto do brasileiro mais pobre.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística pelo IBGE

ANÁLISE DO ESPECIALISTA — A pesquisa indica a possibilidade de Lula ter atingido o teto de intenção de votos neste 1º turno, ao mesmo tempo que aponta para a redução da diferença para Bolsonaro até o dia da votação. Assim, a tendência é de que haja 2º turno e de que Lula vença por uma margem mais estreita do que apontavam as pesquisas anteriores. Importante destacar nesta pesquisa da BTG/FSB que 79% dos eleitores ouvidos afirmaram que a decisão do voto para o dia 2 de outubro já está tomada, enquanto somente 20% informaram que ainda podem mudar o voto. Já 95% deram certeza de que comparecerão às urnas. Os ganhos relativos de intenção de Bolsonaro entre os evangélicos, a classe média, os pobres e os que recebem Auxílio Brasil indicam que são a divisão religiosa, a economia e a comida que chega no prato, ou a falta dela, os grandes determinantes do voto desta eleição — concluiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

Procurador-geral do RJ em Campos na 3ª por Marcelo Lessa

 

Procurador-geral de Justiça do RJ, Luciano Oliveira Mattos de Souza, e o promotor carioca/goitacá Marcelo Lessa Bastos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

O procurador-geral de Justiça do estado do Rio de Janeiro, Luciano Oliveira Mattos de Souza, virá a Campos nesta terça-feira (23). Inaugura oficialmente, às 17h, a placa do promotor de Justiça Marcelo Lessa Bastos, no prédio do MP que este batiza na comarca. Marcelo faleceu precocemente, aos 51 anos, em 14 de agosto de 2021. E, como o blog anunciou em 25 de novembro daquele ano, desde o dia anterior passou a batizar o edifício do MP, na rua Antônio Jorge Young, nº 40, parque Conselheiro Thomaz Coelho. A placa com a homenagem devida ao promotor carioca/goitacá foi instalada no prédio do MP desde 11 de agosto.