Orlando Thomé Cordeiro — A política dos Gabriel Monteiro

 

Vereador carioca cassado Gabriel Monteiro

 

 

Orlando Thomé Cordeiro, consultor em estratégia

Que falta faz um Gabeira

Por Orlando Thomé Cordeiro

 

O Rio de Janeiro e o Brasil acompanharam com atenção a sessão da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro que aprovou a cassação do vereador Gabriel Monteiro. Foi um resultado acachapante: dos 50 vereadores presentes, 48 votaram a favor essa decisão. Isso só foi possível graças às denúncias feitas e às provas obtidas. Os áudios e vídeos gravados por esse criminoso são revoltantes.

Quem é essa criatura? Como conseguiu se eleger? Bem, assim como muitos fizeram nas eleições de 2018 e 2020, ele surfou na onda do denuncismo e da antipolítica. Tudo começou durante sua conturbada passagem pela Polícia Militar. Enquanto lá esteve, criou uma imagem de um paladino que lutava contra os diversos comandos da corporação. Gravava vídeos denunciando chefias, apresentando-se como perseguido e injustiçado. Depois de várias punições, acabou expulso, mas recorreu à Justiça e obteve a reintegração e 14 dias depois se licenciou para poder concorrer no pleito de 2020.

Em sua campanha e, posteriormente no mandato, manteve o padrão de comportamento, explorando algo que estava latente em parcelas significativas da sociedade: o ressentimento.  Como a tampa de uma panela de pressão que explode, começamos a ver pessoas nas redes sociais, nos ambientes de trabalho, nas reuniões familiares, atacarem ferozmente conquistas civilizatórias obtidas com muita luta.

Para elas, é inadmissível ver as mulheres livres para decidir seus destinos, a comunidade LGBT sair às ruas em suas paradas, os negros e pardos lutando por protagonismo. Sonham e lutam pela volta dos tempos em que menino vestia azul e menina rosa, a família tinha a composição tradicional, a mulher devia obediência ao marido, o homossexualismo era considerado doença a ser extirpada e os negros sabiam que seu lugar era na cozinha ou na senzala.

Adicionalmente, valorizam quem adota um comportamento tosco, grosseiro, em que a agressividade e a falta de urbanidade são características marcantes. O resultado foi a eleição do atual presidente, de governadores e de parlamentares que professam tais crenças e valores, alguns por convicção e outros por puro oportunismo. São defensores de bandeiras e posturas que as sociedades ocidentais aboliram desde o Iluminismo.

Voltando à sessão de ontem, a mídia denunciou que o governador havia entrado em campo, pessoalmente, para tentar salvar o estuprador, seu aliado e companheiro de partido. Segundo notícias, ele ligou diretamente para diversos vereadores propondo que se ausentassem na hora da votação de modo a impedir o quórum necessário. Para quem faz questão de se apresentar publicamente como um cristão convicto e dedicado tal atitude é simplesmente vergonhosa.

Felizmente, o resultado da votação de ontem foi obtido em grande medida devido à pressão da opinião pública e da mídia, além das manifestações nas redes sociais, levando os parlamentares a tomarem a decisão correta, muitos deles, provavelmente, movidos pela vergonha de vir a público defender um estuprador.

Só que o processo não foi concluído ontem. O criminoso, agora cassado, está tentando manter a sua candidatura a deputado federal pelo PL, partido do presidente e do governador. Aliás, o interesse em sua candidatura é de tal ordem que o partido, mesmo após todas as provas apresentadas desde o início do processo, optou por mantê-lo na lista de candidaturas para as próximas eleições. É obrigação do Ministério Público Eleitoral requerer a cassação do registro de candidatura e da Justiça Eleitoral acatar. Provas não faltam, mas sabemos que no Brasil quem tem força política e dinheiro pra contratar bons advogados consegue encontrar brechas processuais para manter diversos criminosos livres, leves e soltos. Nesse caso já se sabe que pretendem usar como argumentação o fato do requerimento da candidatura ter sido feito antes da cassação ser consumada.

Se tal vergonha vier a se consumar, ainda nos resta uma arma que é exercer, de maneira consciente, nosso direito de voto nas próximas eleições. É imprescindível elegermos futuros parlamentares que, independentemente de filiação partidária, tenham uma história pregressa de comportamento ético e responsável, não adotem as conhecidas modalidades de compra de voto e, last but not least, o compromisso inarredável com a defesa do Estado Democrático de Direito.

Precisamos de gente séria e competente, que não troque seus princípios e valores por qualquer negociata ou por orçamentos secretos. Precisamos de quem tenha capacidade de articular com seus pares e com a sociedade a busca de soluções eficazes para os problemas que afligem a população do Rio de Janeiro e do Brasil. Infelizmente, salvo honrosas exceções, a atual representação parlamentar do nosso estado no Congresso Nacional é de muito baixa qualidade. E na Alerj a situação não é diferente.

Estamos a 43 dias das eleições e nós, cidadãos e cidadãs fluminenses, temos nas mãos a possibilidade de escolher candidaturas das quais possamos nos orgulhar. Será a oportunidade de impedir a continuidade, a volta ou a entrada de quem esteja envolvido em casos de corrupção e desvio de dinheiro público.

Nessa hora um nome me vem à mente, de forma recorrente, como símbolo do que precisamos: Gabeira. Que falta ele faz. Minha esperança é elegermos muitas e muitos novos parlamentares desse quilate.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Lula e Bolsonaro nas pesquisas da semana, a 43 dias da urna

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

A campanha eleitoral começou nesta semana. Para muitos, é terreno para torcida. Tanto quanto será, após as urnas de outubro, na Copa do Mundo entre novembro e dezembro. Para quem não torce para político como para time de futebol, a melhor maneira de se acompanhar objetivamente a eleição até sua consumação no voto soberano de 2 de outubro, daqui a 43 dias, é pelas pesquisas. Feitas com metodologias diferentes, mas com base na mesma ciência estatística que as difere de meras enquetes, esta semana trouxe cinco pesquisas a presidente da República, todas polarizadas entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL).

Lula lidera em todas, fora da mesma margem de erro de 2 pontos. E dentro dela, mantém acesa a possibilidade de vencer no 1º tuno. Mas vem seguido por um Bolsonaro que algumas pesquisas mostraram em ascensão. Os motivos do seu crescimento parecem ser três: 1) os efeitos dos seus ataques religiosos ao petista sobre o eleitor evangélico, 2) a sensação de diminuição do preço dos combustíveis sobre o eleitor de classe média e, talvez, 3) já o reflexo do novo Auxílio Brasil de R$ 400,00 a R$ 600,00, pago desde o dia 9, sobre o eleitor pobre.

 

PESQUISAS DA SEMANA — A primeira pesquisa nacional da semana foi a BTG/FSB, que saiu na segunda-feira (15), feita por telefone com 2 mil eleitores entre a sexta (12) e o domingo (14) anteriores. A segunda foi a Ipec (antigo Ibope), que saiu na terça (16), feita presencialmente também com 2 mil eleitores, também entre os dias 12 e 14. A terceira foi a Genial/Quaest, que saiu na quarta (17), feita presencialmente também com 2 mil eleitores, entre a quinta (11) e o domingo anteriores. No mesmo dia, a quarta pesquisa foi a PoderData, feita por telefone com 3,5 mil eleitores entre o domingo e a terça anteriores. Por fim, na noite de quinta (18) saiu a quinta e última pesquisa da semana. A aguardada Datafolha foi feita presencialmente com 5.744 eleitores, maior universo pesquisado até aqui em 2022, entre a terça e a própria quinta.

 

BTG/FSB E IPEC — Entre as duas últimas pesquisas BTG/FSB (8 e 15 de agosto), talvez porque feitas no menor intervalo das pesquisas da semana, Lula registrou seu único crescimento fora da margem erro na consulta estimulada ao 1º turno: de 41% a 45% das intenções de voto, contra os 34% que Bolsonaro tinha e manteve. Na projeção ao 2º turno, houve aumento de diferença: de 51% a 39%, para 53% a 38% ao petista. Na rejeição, Bolsonaro subiu de 53% a 54%, enquanto Lula caiu de 45% a 44%. Já na Ipec, que não fazia pesquisa nacional desde 2021, não há como avaliar crescimento ou queda. Mas Lula apareceu no 1º turno com 44% das intenções de voto, contra 32% de Bolsonaro. Na projeção ao 2º turno, o petista venceria por 51% a 35%. Na rejeição, o capitão apareceu com 46%, contra 33% de Lula.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

GENIAL/QUAEST E PODERDATA — Entre as duas últimas Genial/Quaest (3 e 17 de agosto), Lula cresceu um ponto na estimulada ao 1º turno, de 44% a 45%; como Bolsonaro: de 32% a 33%. Na projeção do 2º turno, de 51% a 37% ao petista, a diferença diminuiu para 51% a 38%. Na rejeição, Bolsonaro e Lula tinham e mantiveram, respectivamente, 55% e 44%. Já entre as duas últimas PoderData (4 e 17 de agosto), Lula cresceu de 43% a 44% no 1º turno, mas Bolsonaro cresceu mais: de 35% a 37%. Na projeção do 2º turno, a diferença aumentou dentro da margem de erro: de 50% a 40%, para 52% a 38% ao petista. O PoderData não divulgou a rejeição dos candidatos, mas na avaliação do governo Bolsonaro, 56% desaprovam, enquanto 40% aprovam.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

DATAFOLHA — Por fim, entre as duas últimas Datafolha (28 de julho e 18 de agosto), Lula tinha e manteve 47% de intenções de voto, enquanto Bolsonaro subiu fora da margem de erro de 29% a 32%. Na projeção ao 2º turno, Lula caiu 1 ponto, de 55% a 54%, enquanto Bolsonaro cresceu 2 pontos: de 35% a 37%. Na rejeição, Bolsonaro caiu de 53% a 51%, enquanto Lula cresceu: de 36% a 37%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

TETO — Dentro da margem de erro, o petista ainda poderia ganhar no 1º tuno pela BTG/FSB, pela Ipec, pela Genial/Quaest e pela Datafolha; pela PoderData, não. Na dúvida, tudo indica que o petista bateu no seu teto de intenções de voto, o capitão ainda não. Mas o espaço vai se estreitando, com 75% dos eleitores dizendo na Datafolha já estar totalmente decididos no voto a presidente, percentual que sobe a 80% nos eleitores de Lula e Bolsonaro.

 

VOTO EVANGÉLICO — Com a pressão de pastores evangélicos ligados ao governo, fake news dizendo que Lula vai fechar templos se for eleito presidente e a retórica neopentecostal da primeira-dama Michelle Bolsonaro associando o PT ao demônio, o capitão cresceu nesse segmento, que representa 27% do eleitorado. Pela Datafolha de julho, Bolsonaro tinha 43% dos votos evangélicos, contra 33% de Lula. Essa diferença de 10 pontos chegou na Datafolha de agosto aos 17 pontos: 49% a 32% a favor do presidente. Na única pesquisa Ipec de 2022, Bolsonaro tem vantagem ainda maior, de 18 pontos, entre os evangélicos: 47% contra 29% de Lula.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

VOTO DA CLASSE MÉDIA — Com a redução do preço dos combustíveis, o presidente também assumiu na Datafolha a liderança, dentro da margem de erro, na classe média brasileira, com renda entre 2 a 5 salários mínimos. Na pesquisa de julho do instituto, Lula tinha 40% das intenções de voto desse eleitor, contra 34% de Bolsonaro. O petista caiu 2 pontos na Datafolha de agosto, para 38%, contra os 41% do capitão, que acumulou 7 pontos. A virada dentro dessa faixa já havia sido detectada pela BTG/FSB. Na sua pesquisa de 25 de julho, Bolsonaro perdia para Lula por 36% a 39%. E na de 8 de agosto, o passou por 42% a 30% no voto da classe média. Embora, na BTG/FSB de 15 de agosto, a vantagem já estivesse dentro da margem de erro: 40% a 38% para o presidente.

 

 

 

VOTO DO POBRE — Com o voto virado por Bolsonaro na classe média, o que deve definir a eleição presidencial é resposta à pergunta: o novo Auxílio Brasil de R$ 600,00 mudará ou não o voto do pobre? Pelo Datafolha, Lula cresceu entre julho e agosto com o eleitor que recebe o benefício federal, de 53% a 54%, enquanto o capitão caiu 3 pontos no mesmo período, de 26% a 23%. A BTG/FSB e a Genial/Quaest também não registraram grandes alterações. Mas o PoderData retratou diferente: entre 4 e 17 de agosto, Bolsonaro cresceu 14 pontos, de 25% a 39% das intenções de voto dessa faixa. Nela, onde sempre teve sua maior vantagem, Lula ainda lidera fora de qualquer margem de erro. Mas caiu 11 pontos, de 58% a 47%, no mesmo período.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE

PALAVRA DO ESPECIALISTA — “Pesquisas de intenção de voto são pesquisas de opinião. Por isso, ao contrário do que muitos pensam, pesquisas eleitorais não têm o objetivo de adivinhar o resultado eleitoral, mas de medir as preferências do eleitor em relação a cada candidato. As pesquisas trabalham com amostra porque não há necessidade de entrevistar todos os eleitores para conhecer as intenções de voto, assim como não há necessidade de tomar a sopa inteira para saber seu gosto, seu cheiro e sua temperatura”, comparou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

Datafolha: Lula lidera, mas Bolsonaro avança nos evangélicos e classe média

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Como em todas as demais pesquisas entre junho e agosto, o presidente Jair Bolsonaro (PL) também encurtou a vantagem da liderança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na aguardada Datafolha divulgada na noite de ontem (18), a exatos 45 dias das urnas de 2 de outubro. Que trouxe como diferencial o fato de ter sido a pesquisa a ouvir presencialmente o maior universo de eleitores (5.744) até aqui, entre terça (16) e quinta (18). Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, Lula manteve seus 47% de intenções de voto na consulta estimulada ao 1º turno, percentual em que patina desde junho, enquanto Bolsonaro cresce gradativamente: dos 28% de junho, aos 29% de julho, aos 32% de agosto. A diferença entre os dois, que era de 19 pontos em junho, hoje é de 15 pontos. O crescimento mais recente de 3 pontos do capitão se deu entre os evangélicos e a classe média. Mas ainda sem alteração entre os pobres, com renda até 2 salários mínimos, a partir do novo Auxílio Brasil pago desde o último dia 9.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

VOTOS VÁLIDOS E TETO

Com 51% dos votos válidos contra 35% de Bolsonaro na Datafolha, Lula ainda ganharia a eleição no 1º turno, mas o crescimento do presidente em todas as pesquisas torna esse cenário a cada dia menos considerado pelos analistas sérios. O petista claramente bateu no seu teto de intenções de voto, o capitão ainda não. Mas o espaço vai se estreitando, com 75% dos eleitores dizendo já estar totalmente decididos no voto a presidente, percentual que sobe a 80% nos eleitores de Lula e Bolsonaro.

 

SEGUNDO TURNO E REJEIÇÃO

Na projeção do Datafolha ao 2º turno de 30 de outubro entre os dois, o ex-presidente venceria o atual por 54% a 37%, uma diferença de 17 pontos. Que era de 25 pontos em junho: 58% a 33%. Índice considerado fundamental à definição do 2º turno, o capitão lidera a rejeição em todas as pesquisas, mas também vem caindo. Na Datafolha, dos 55% de junho, aos 53% de julho, aos 51% brasileiros que não votariam nele de jeito nenhum em agosto. Lula, em sentido oposto, vem crescendo a sua: dos 35% de rejeição em junho, aos 36% de julho, aos 37% de agosto.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

VOTO EVANGÉLICO

Com a pressão de pastores evangélicos ligados ao governo, fake news dizendo que Lula vai fechar templos se for eleito presidente e a retórica neopentecostal da primeira-dama Michelle Bolsonaro associando o PT ao demônio, o capitão cresceu nesse segmento, que representa 27% do eleitorado. Pela Datafolha de junho, Bolsonaro tinha 40% dos votos evangélicos, contra 35% de Lula. Essa diferença de 5 pontos subiu em julho para 10 pontos (43% a 33%). E chegou em agosto aos 17 pontos: 49% a 32% a favor do presidente.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

VOTO DA CLASSE MÉDIA

Como efeito da sensação de redução do preço dos combustíveis e, talvez, da queda nas altas taxas de desemprego, o presidente também melhorou nas intenções de voto da classe média, com renda entre 2 a 5 salários mínimos. Pela Datafolha de julho, Lula tinha 40% das intenções de voto desse eleitor, contra 34% de Bolsonaro. O petista caiu 2 pontos em agosto, para 38%, contra 41% do capitão. Que ganhou substanciais 7 pontos e assumiu, em empate técnico na margem de erro, a liderança dentro dessa faixa.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

VOTO DOS POBRES

Apesar do novo Auxílio Brasil já ter chegado ao bolso da população pobre, Bolsonaro ainda não colheu dividendos eleitorais do benefício federal que passou de R$ 400,00 a R$ 600,00 em agosto. Pelo Datafolha, Lula cresceu 1 ponto nesse eleitor, dos 53% das intenções de voto de julho, aos 54% de agosto, enquanto o capitão caiu 3 pontos, dos 26% de julho aos 23% de agosto. A diferença entre eles hoje é de 31 pontos nessa faixa. Na faixa análoga dos que recebem até 2 salários mínimos e representam 51% do eleitorado brasileiro, Bolsonaro manteve em agosto os mesmos 29% de julho. Entre eles, Lula também cresceu 1 ponto, dos mesmos 53% aos mesmos 54% do Auxílio Brasil.

Pela nova Datafolha, o voto dos pobres majoritário a Lula tem equilibrado, até aqui, o avanço de Bolsonaro nos evangélicos e na classe média.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE

ANÁLISE DO ESPECIALISTA

— A maior pesquisa realizada até aqui nesta eleição, com quase 6.000 eleitores em 281 cidades do país, confirma o crescimento de Bolsonaro e a redução da diferença para Lula. Em maio, a distância era de 21 pontos, em julho, de 18 pontos, e agora, em agosto, de apenas 15 pontos. Na estimulada, quando são apresentados os nomes de todos os candidatos, Lula alcança 47% dos votos, contra 32% do atual presidente. Nos votos válidos, Lula alcança 51% e mantém chance de vencer ainda no 1º turno. Em caso de 2º turno, porém, Lula seria eleito para um terceiro mandato com 54% dos votos, contra 37% de Bolsonaro. Isso porque 51% dos eleitores entrevistados declararam não votar em Bolsonaro de jeito nenhum, contra 37% em Lula. A pesquisa mostra ainda que Lula é o preferido dos mais pobres, dos que se declaram pretos e dos que vivem no Nordeste, onde vence por 65% a 25%. 55% dos eleitores com renda até 2 salários mínimos e 56% dos que recebem ou moram com alguém que recebe Auxílio Brasil preferem Lula. Já Bolsonaro é o favorito dos mais ricos (mais de 10 salários mínimos), dos brancos e dos moradores do Centro-Oeste (ganha por 48% a 46%) e do Norte (vence por 48% a 47%). Também é o preferido por 49% dos evangélicos — analisou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

RJ: Romário dá de goleada e Bolsonaro avança no placar

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Romário (PL) continua a dar de goleada na sua tentativa de se reeleger na única vaga do RJ ao Senado. E o presidente Jair Bolsonaro (PL) também avança no placar eleitoral fluminense. No qual ele cresceu 5 pontos na consulta estimulada ao 1º turno. De julho a agosto, o capitão subiu de 34% a 39% das intenções de voto, alcançando o empate exato com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tinha e manteve os mesmos 39%. Na projeção do 2º turno presidencial no RJ, da vitória do petista fora da margem de erro (de 2,5 pontos para mais ou menos) projetada em julho (47% a 38%), o capitão chegou ao empate técnico em agosto: 42% do ex-presidente a 40% do atual. A diferença no turno final entre os dois, que era de 9 pontos, caiu a apenas 2 pontos nos últimos 35 dias. Foi o que revelou a comparação entre as pesquisas Genial/Quaest fluminenses divulgadas em 14 de julho e hoje, 18 de agosto, a 45 dias das urnas de 2 de outubro.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

A SENADOR DO RJ

Na consulta estimulada da Genial/Quaest, Romário teve 30% de intenções de voto a senador. Ele veio seguido bem de longe por um bloco de concorrentes, todos embolados no empate técnico dentro da margem de erro: o deputado federal Alessandro Molon (PSB) e o Cabo Daciolo (PDT), com 10% cada; e os deputados federais Clarissa Garotinho (União), com 8%, e Daniel Silveira (PTB), com 7%. A consulta espontânea, no entanto, evidencia como a eleição está aberta: 88% dos eleitores fluminenses ainda está indecisa no seu voto ao Senado.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

A PRESIDENTE NO RJ

A grande indefinição a senador não se repete no voto fluminense a presidente da República. Embora 33% ainda se mostrem indecisos na consulta espontânea, Bolsonaro vem logo atrás, com 32%, em empate técnico com Lula, que tem 30%. Na consulta estimulada, a que vale tão perto das urnas, o avanço bolsonarista no RJ se explica claramente em quatro faixas: 1) a dos eleitores que recebem o Auxílio Brasil, pago com valor reajustado de R$ 600,00 desde o dia 9; 2) dos que têm renda familiar mensal até 2 salários mínimos e 3) dos católicos e 4) dos evangélicos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

AUXÍLIO BRASIL NO RJ

Entre os eleitores fluminenses que recebem o Auxílio Brasil, Bolsonaro cresceu 8 pontos das Genial/Quaest de 14 de julho a 18 de agosto: de 32% a 40% das intenções de voto. Por sua vez, Lula caiu 7 pontos na mesma faixa: de 47% a 40%. Para chegar ao empate exato onde o petista sempre teve vantagem, a tirada de diferença do capitão foi de 15 pontos em 35 dias. Não por acaso, foram os mesmos 15 pontos em faixa análoga do RJ: os que têm renda familiar mensal até 2 salários mínimos. Entre eles, Lula caiu 6 pontos, de 47% a 41% entre julho e agosto; enquanto Bolsonaro saltou 9 pontos, de 28% a 37%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

VOTO RELIGIOSO NO RJ

A Genial/Quaest revelou que Bolsonaro, como tem ocorrido em todo o país, aumentou sua vantagem sobre Lula entre os eleitores evangélicos do RJ. De julho a agosto, o capitão cresceu 5 pontos entre eles, de 51% a 56%; mas Lula cresceu 2 pontos, de 24% a 26%. A maior novidade a favor de Bolsonaro no voto religioso fluminense foi entre os católicos, onde ele cresceu 7 pontos, de 28% a 35%; enquanto o petista caiu 5 pontos, de 44% a 39%. No voto ligado à fé liderada pelo progressista Papa Francisco, o presidente tirou uma diferença de 12 pontos para Lula no estado do Rio. Tudo isso apenas nos últimos 35 dias.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE

ANÁLISE DO ESPECIALISTA

— Para o Senado, Romário lidera isoladamente com 30% de intenção de votos e deve ficar com a vaga. Cabo Daciolo (10%), Alessandro Molon (10%), Clarissa Garotinho (8%)  e Daniel Silveira (7%) estão tecnicamente empatados na segunda colocação. Na disputa para a presidência, Lula e Bolsonaro aparecem numericamente empatados, ambos com 39% de intenção de votos na pesquisa estimulada ao 1º turno. O empate numérico é resultado do crescimento de 5% na intenção de voto do atual presidente, que subiu de 34%, no levantamento de 14 de julho, para 39%, na aferição de hoje. Lula mantém os mesmos 39% dos dois levantamentos. Em apenas 35 dias, Bolsonaro subiu 9% na intenção de voto dos eleitores fluminenses que ganham até 2 salários mínimos (28% a 37%), enquanto Lula caiu 6% nessa faixa (47% a 41%). Entre os que recebem Auxílio Brasil no estado, o atual presidente subiu 8% (32% a 40%), enquanto o ex-presidente perdeu 7% (47% a 40%). Na simulação de 2º turno, há empate técnico: 44% para Lula e 42% para Bolsonaro. O empate é explicado pela queda do ex-presidente dentro da margem de erro, de 47% para 44%, e pelo crescimento acima da margem de erro do atual presidente, de 38% para 42%. A pesquisa não mediu a rejeição dos candidatos a presidente — analisou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

Genial/Quaest: Castro se descola à frente de Freixo no 1º turno

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Feita entre as últimas sexta (12) e segunda (15), a pesquisa Genial/Quaest no RJ divulgada hoje (18), a exatos 45 dias das urnas de 2 de outubro, coloca o governador Cláudio Castro (PL) na liderança isolada da corrida ao Palácio Guanabara. Entre julho e agosto, ele se descolou do empate técnico, na margem de erro de 2,5 pontos para mais ou menos, do deputado federal Marcelo Freixo (PSB). Castro tinha e manteve 25% das intenções de voto na consulta estimulada ao 1º turno, enquanto Freixo caiu 4 pontos, dos 23% de julho, aos 19% de hoje. Dentro da margem de erro, as intenções de voto do governador também superaram os 24% de indecisos (eram 29% em julho) na consulta estimulada, embora eles ainda cheguem a 78% na espontânea (com 10% a Castro e 6% a Freixo). O que evidencia como a eleição fluminense, mais disputada entre as 27 unidades da Federação, ainda está aberta.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Apesar do descolamento na consulta estimulada ao 1º turno, a projeção de 2º turno de 30 de outubro ainda aponta empate técnico entre Castro e Freixo. Dentro da margem de erro, o governador supera deputado por 36% a 32% das intenções de voto no turno final, com 22% de brancos e nulos e 10% de indecisos. Apontado por analistas como o adversário potencialmente mais difícil para Castro num eventual 2º turno, o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves (PDT) não confirmou essa condição na Genial/Quaest de hoje. Ele varia entre 6% e 7% das intenções de voto nos dois cenários estimulados ao 1º turno, mas perderia fora da margem de erro a projeção do 2º turno ao governador. Que venceria o pedetista por 37% a 24%, com 27% de brancos e nulos e 12% de indecisos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Índice considerado fundamental à definição do 2º turno, Freixo continua liderando a rejeição, em que subiu de 41% dos fluminenses que em julho não votariam nele de jeito nenhum, aos 43% de agosto. Bem abaixo, Castro manteve sua rejeição em 29%, enquanto Neves subiu 1 ponto, de 22% a 23% no índice negativo. Além dele, outro cenário da Genial/Quaest parece favorecer ao governador na disputa direta com o deputado do PSB e demais adversários. Entre julho e agosto, subiu dentro da margem de erro, de 49% a 51%, os que acham que Castro merece uma segunda chance no Governo do Estado. E houve queda fora da margem de erro, de 44% a 39%, os que acham que o atual ocupante do Palácio Guanabara não merece nele permanecer a partir de 2023.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE

— Com entrevistas presenciais, a mesma metodologia usada pelo Datafolha, que entregará uma nova pesquisa hoje à noite, a Genial/Quaest aponta a liderança isolada de Cláudio Castro no primeiro turno das eleições para o governo fluminense. A exatos 45 dias das urnas de 2 de outubro, o governador apresenta 25% de intenção de votos na pesquisa estimulada, quando os nomes dos candidatos são apresentados, contra 19% de Marcelo Freixo, que perdeu 4 pontos de intenção desde a última pesquisa, divulgada no dia 14 de julho. Por outro lado, no segundo turno, a Genial/Quaest aponta que a disputa para governador mais acirrada do Brasil está tecnicamente empatada, com liderança numérica de Castro (36%) sobre Freixo (32%), dentro da margem de erro de 2,5 pontos percentuais. Contudo, Castro apresenta maior probabilidade matemática de ser reeleito dada a sua rejeição 14 pontos menor que a do seu adversário: 29% contra 43% dos eleitores que não votarão em Freixo de jeito nenhum — analisou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

Genial/Quaest: Lula no 1º ou 2º turno, sem reação de Bolsonaro

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Com a mesma metodologia da Datafolha, que amanhã traz nova pesquisa presidencial, a Genial/Quaest divulgou hoje a sua, a exatos 46 dias das urnas de 2 de outubro. Feita de quinta (11) a domingo (14), depois que o novo Auxílio Brasil de R$ 600,00 começou a ser pago no dia 9, não mostrou alteração nessa faixa favorável ao presidente Jair Bolsonaro (PL). O ex-presidente Lula continua na liderança isolada da corrida. Ele subiu um ponto na consulta estimulada ao 1º turno, passando de 44% a 45% das intenções de voto, entre as Genial/Quaest de 3 de agosto e a de hoje. Veio seguido por Bolsonaro, que também subiu um ponto, passando de 32% a 33%. Com os 6% do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), os 3% da senadora Simone Tebet (MDB) e 1% de todos os demais presidenciáveis juntos, a nova pesquisa dá a possibilidade de o petista fechar a eleição ainda em turno único (45% contra 43% somados de todos os outros), dentro da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Na projeção de segundo turno, marcado para 30 de outubro, Lula bateria Bolsonaro por 51% a 38% na nova Genial/Quaest. O petista manteve suas intenções de voto, enquanto o capitão cresceu um ponto, dentro da margem de erro. Índice negativo considerado fundamental à definição do 2º turno, Bolsonaro segue liderando a rejeição. Nos últimos 14 dias, se manteve com 55% dos brasileiros que não votam nele de maneira nenhuma. Como Lula também manteve os mesmos 44% de rejeição. Quando a pergunta da pesquisa foi “o que você tem mais medo?”, as rejeições a Bolsonaro e Lula aparecem mais próximas. São 45% dos brasileiros que responderam ter mais medo da continuidade do capitão, enquanto 40% têm mais medo da volta do PT ao poder. Em todo o mundo, 35% é considerado o limite prudencial para um candidato vencer uma eleição em dois turnos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Depois que duas pesquisas Genial/Quaest da semana passada, no estado de São Paulo na quinta, e na sexta (12) no estado de Minas Gerais, anunciarem uma aparente reação de Bolsonaro entre os eleitores na expectativa de receberem o novo Auxílio Brasil, isso não se confirmou na Genial/Quaest nacional de hoje, feita integralmente após o início do pagamento do benefício, no último dia 9. A avaliação do governo Bolsonaro permaneceu negativa nos últimos 14 dias para 39% dos brasileiros que recebem o Auxílio Brasil, passou de 31% a 34% que acham regular e caiu de 28% para 24% que acham positiva. Até aqui, o resultado eleitoral para o governo foi ainda pior: Lula cresceu fora da margem de erro, de 52% a 57% nas intenções de voto dos que recebem o Auxílio Brasil, enquanto Bolsonaro caiu de 29% a 27%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE

— Com entrevistas presenciais, mesma metodologia usada pelo Datafolha, a Genial/Quaest mantém os mesmos resultados da pesquisa divulgada em 3 de agosto. A exatos 46 dias das eleições em 1º turno, no dia 2 de outubro, Lula e Bolsonaro oscilaram 1 ponto percentual para cima, dentro da margem de erro de 2 pontos. Com isso, o ex-presidente aparece agora com 45% das intenções de voto na pesquisa estimulada, quando os nomes dos demais candidatos são apresentados, contra 33% do atual presidente. Os outros candidatos somados atingem 10 pontos, o que poderia, a exemplo da pesquisa de 14 dias atrás, indicar vitória de Lula ainda no 1º turno, porém dentro da margem de erro, já que o ex-presidente poderia somar 51% dos votos válidos. Para 65% dos eleitores, a decisão do voto é definitiva. Parte da ampliação da vantagem de Lula é explicada pelo aumento da intenção de voto entre aqueles que recebem Auxílio Brasil. Em apenas duas semanas, a intenção de voto do ex-presidente nesta camada da população subiu acima da margem de erro, de 52% para 57%, enquanto a do atual mandatário da República caiu de 29% para 27%. Num eventual e provável segundo turno, a pesquisa da Genial/Quaest mantém, dentro da margem de erro, os mesmos números da pesquisa anterior, desta vez com Lula vencendo Bolsonaro por 51% a 38% — analisou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

Por Arlete Parrilha Sendra, poema de Aluysio Abreu Barbosa

 

“um raio de sol

oblíquo

foi o obstetra”

(Aluysio Abreu Barbosa)

 

ׅ“Ali, na palavra — esperma do imaginário — em

reverberação do ciclo cósmico, eu a

encontrei na vida de seu sêmen nascida”

(Arlete Parrilha Sendra)

 

 

Arlete Parrilha Sendra, professora de Estudos Semióticos e Literaturas de Língua Portuguesa, dramaturga, pesquisadora e membro da Academia Campista de Letras (ACL)

Sem moldura

Por Arlete Parrilha Sendra

 

No mundo de hoje, há lugar para a poesia? De que falamos quando falamos poesia? Ou falamos em poesia? É algo conceituável? Onde podemos encontrá-la? Mas o que é poesia? Será ela um jeito próprio de sentir? Ou um saber ora convencional, ora arbitrário? Será ela desdobramento de um real? Ou será nascitura do imaginário? Será a matéria prima da vida? Será um construto natural que está presente na ordem empírica do mundo?

Não a procurei no pensamento platônico, aristotélico e estoico. Também não a procurei em Dante, em Homero, em Cervantes. Casualmente, Pessoa, Drummond e Joel Mello estavam em férias minhas, enquanto um pânico se espraiava no compromisso com o tempo. Revi guardados. E foi ali sobre minha mesa, solta à deriva dos ventos, sem molduras que roteirizam o pensar, que enquadram o imaginário que eu a vi em antológicos bailados e cores:

 

“criados como crianças

azuis

por parte de céu

e mar

bodiões bailavam cirandas

ciosos de mim”.

 

Pensei neste mim que traz meus “eus” dentro dele e, gramaticalmente, “mins” deveria ser. Pensei em bailados, balés, baianas coreografando em sons de “azuis céu e mar” as expressões líquidas do tempo.

E foi ali, sobre minha mesa, que ela estava, em imaginário passaporte, recompondo, descompondo ancestrais semânticas presentes nos murmúrios do viver.

Ali estava ela! Desconstruindo limites não dialogais, em paradoxais reticências, mostrava-se por tortuosos caminhos, vagueando por virgens territórios.

Ali, na palavra – esperma do imaginário – em reverberações do ciclo cósmico, eu a encontrei, na vida que de seu sêmen nascera,

 

“na babel sustenida

e (n)o estalo das vagas

no palato das pedras

vorazes por algas”.

 

E assim, eu a fotografei.

 

“as tartarugas, não

— distintas dos bodiões

elas eram budistas:

pastavam serenas

arando mesuras

com nadadeiras espátulas”.

 

Vistas como testemunhas e mensageiras das águas dos tempos, como se cosmóforos fossem — e não são? — tartarugas, em linguagem plasticamente poética, nos remetem a antiguíssimos muito antiguíssimos, enquanto mito da representação do universo. E enquanto mito, metaforiza figuras, fatos e ações que, em abstração, falam de um ser, humano ser, angustiado e solitário, vivendo dentro de um universo em movimento em que se acentuam as relações mítico-poéticas, mítico-pictóricas, mítico-musicais. Mítico-solitárias. Mítico aluysianas.

Viageiro dos tempos, escrutinador dos imersos e submersos amanheceres, em aparente descompasso métrico, mas intenso de ritmo, o poeta revisita um tempo outrora, prenhe de angústias e de esperanças em sua não-irreal ilusão dos sentidos. E penetrando em um outro tempo, encontrou raízes que conscientes ou inconscientemente, consistentes ou inconsistentes modelaram o homem, único mamífero vertical, único animal racional e, complementarmente, um ser afetivo. Um ser sentimental. Um ser que conhece a dor de ser só. Ou de só ser.

“Abr’olhos!”, nos disse o poeta.

E não é, apenasmente, um verso poético. Traz geografias em seu semântico poetar. Nos remete a futuros — hoje amanhãs — desdobramentos de ontens não agendados.

“Abr’olhos!”. Há etcéteras a serem vividos,

E nos remetem ao apeiron, princípio indeterminado onde tudo começou, onde tudo está junto e misturado. E nos remetem às paisagens arcoirizadas e virgens que se desdobram ad infinitum.

E foi lá!!!!

 

“abdicado das gueixas

por iemanjá como quenga

com opacas lentes, — … guelras na vista — que o poeta acredita no renascer em novo útero.

 

E foi lá!!! Em busca contínua do mito da palavra, em busca de sua função de palavra ser, em busca dos primórdios fundantes da beleza, que o poeta se fez pintor:

ׅ

“colori os corais

corei coralinas”.

 

E lá!!! Em sonambular viver, a poesia se foi fazendo chegante:

 

“e cruzei com sereias

que deram cria”.

 

Se não aceitarmos as molduras que enquadram nosso pensar, que conformam e limitam nosso imaginar, poderemos enfatizar que o mito prefacia o hoje e tem seus registros em cartórios da infância dos tempos.

Abr’olhos!

Embalados por uma partitura mítico poética, em descompassados compassos entre versos e estrofes, “bodiões e bailarinas” embaralharam ritmos convencionais em registro de um tempo em sempre outro tempo ser, iluminados e iluminando

 

“em luzes adivinhas

ao há de vir”.

 

Instrumento do resplandecer da linguagem, fecundada pela visão mítico-poética aluysiana, a palavra metaforiza vidas que sinalizam os tempos de quando o depois chegar. E o depois chega. E o depois chegou.

E arranca as máscaras dos tempos primevos,

 

“abdicado das gueixas

por iemanjá como quenga”,

 

o poeta ouve vozes vindas de tempos mitológicos, paradoxalmente, na língua e compreensão dos modernos tempos.

Escuta sons que segredam sentires. Ternizam e externizam lembranças.

E foi aí e só aí que conceituei poesia:

 

“um raio de sol

obliquo

foi o obstetra”.

 

 

POEMA DE ALUYSIO ABREU BARBOSA(*):

 

bodiões e baianas

 

criados como crianças

azuis

por parte de céu

e mar

bodiões bailavam ciranda

ciosos de mim

 

seus bicos de papagaio

imitavam silêncios

na babel sustenida

e o estalo das vagas

no palato das pedras

vorazes por algas

 

as tartarugas, não

— distintas dos bodiões

elas eram budistas:

pastavam serenas

arando mesuras

com nadadeiras espátulas

 

abr’olhos!

advertiam os lusos

em luzes adivinhas

ao há de vir

 

abdicado das gueixas

por iemanjá como quenga

vesti guelras na vista…

colori os corais

corei coralinas

e cruzei com sereias

que deram cria

 

um raio de sol

oblíquo

foi o obstetra

 

atafona, 29/01/07

 

(*)Poeta, jornalista e membro da Academia Campista de Letras (ACL)

 

Folha Letras da edição de hoje da Folha da Manhã

 

Castro, Freixo, Lula e Bolsonaro nas pesquisas da semana

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Castro e Freixo em empate técnico

Na eleição a governador do RJ, o início da semana trouxe pouca novidade. Na pesquisa Ipec (antigo Ibope) divulgada na noite de segunda (15), o governador Cláudio Castro continua liderando, com 21% das intenções de voto na consulta estimulada ao 1º turno. Mas ainda empatado tecnicamente com o deputado Federal Marcelo Freixo (PSB), com 17%. Na margem de erro de 3 pontos para mais ou menos, o empate técnico entre os dois líderes já havia sido registrado pela mesma Ipec de 21 de julho. Mas, diferente do mês anterior, o instituto não divulgou em agosto sua projeção de 2º turno, o que arranha a credibilidade da pesquisa.

 

(infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Bolsonaro não confirma reação

Na eleição presidencial, a novidade foi a não confirmação da reação de Jair Bolsonaro (PL) sobre Lula (PT), apontada nas pesquisas da semana passada. Uma delas, a BTG/FSB registrou no dia 8 a virada de 15 pontos do capitão sobre o petista no voto do eleitor de classe média, entre 2 a 5 salários mínimos, com a percepção de queda no preço dos combustíveis. Mas, uma semana depois, Lula virou 10 pontos com o mesmo eleitor de classe média, na BTG/FSB de segunda (15). Que concluiu no relatório da nova pesquisa: “O efeito positivo que o preço dos combustíveis poderia ter na intenção de voto de Bolsonaro em grande parte já se realizou”.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Auxílio Brasil (I)

Duas outras pesquisas da semana passada, as Genial/Quaest do estado de São Paulo divulgada na quinta (11) e a do estado de Minas Gerais, na sexta (12), não foram nacionais. Mas nos dois maiores colégios eleitorais do país, mostraram que a expectativa pelo pagamento do novo Auxílio Brasil de R$ 600,00 alterou o voto daqueles que o recebem. Entre os paulistas, foram 12 pontos virados de Lula a Bolsonaro, 9 pontos entre os mineiros da mesma faixa. Mas, na BTG/FSB nacional de segunda (15), Lula cresceu 8 pontos entre os que recebem o benefício federal (de 53% a 61% das intenções de voto), enquanto Bolsonaro ficou estático nos 24%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Auxílio Brasil (II)

Bem verdade que, na faixa dos que não recebem, mas moram com alguém que recebe o Auxílio Brasil, Lula caiu 9 pontos (de 62% a 53% das intenções de voto) na BTG/FSB do dia 15, enquanto Bolsonaro cresceu 8 pontos (de 20% a 28%). Mas o movimento inverso nos eleitores que sofrem impacto direto e indireto do benefício não permitiu conclusão. No relatório da pesquisa, Marcelo Tokarski, sócio-diretor do Instituto FSB Pesquisa, ressalvou: “Por enquanto, a diferença de Lula sobre Bolsonaro entre quem recebe o benefício continua bastante confortável. Só nas próximas semanas será possível ver se haverá mudança nesse segmento”.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Quadro geral Lula x Bolsonaro

Das fatias ao quadro geral das pesquisas de segunda, a BTG/FSB e a Ipec presidenciais de deram quadros muitos parecidos. Na consulta estimulada ao 1º turno, Lula teve 45% de intenções de voto contra 34% de Bolsonaro na BTG/FSB, e 44% contra 32% na Ipec. Na margem de erro de 2 pontos dos dois institutos, a eleição poderia ser definida pelo petista em turno único. Na projeção do 2º turno, Lula bateria Bolsonaro fora da margem de erro: por 53% a 38% na BTG/FSB; e por 51% a 35%, na Ipec. Índice fundamental à definição do 2º turno, Bolsonaro lidera a rejeição: 54% contra 44% de Lula na BTG/FSB; e 46% a 33%, na Ipec.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Auxílio Brasil (III)

De volta às fatias, a Ipec também trouxe números que frearam a expectativa de reação do presidente a partir no novo Auxílio Brasil. Entre os brasileiros que recebem ou têm alguém em seu domicílio que recebe algum benefício federal, Lula lidera com 52% das intenções de voto, contra 27% de Bolsonaro. Já entre os que não recebem, nem moram com alguém que recebe benefício federal, a vantagem de 25 pontos do petista cai a 6 pontos: 40%, contra 34% do capitão. Como o Ipec não realizava pesquisas nacionais desde dezembro de 2021, não há dados confiáveis para comparar a evolução recente dos números.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Eleitora de Lula

O que a Ipec conseguiu desenhar bem foi o perfil da eleitora majoritária de Lula. Ela é mulher (46% a 27% de Bolsonaro), preta ou parda (48% a 29%), de 16 a 24 anos (52% a 29%), tem ensino fundamental (53% a 25%), ganha até 1 salário mínimo (60% a 19%), mora em municípios até 50 mil habitantes (48% a 28%), na periferia (44% a 28%) e é da região Nordeste (57% a 22%). Aqueles que dizem não enxergar no seu dia a dia a vantagem do petista retratada em todas as pesquisas presidenciais de 2022, deveria antes pesquisar consigo mesmo com que mulheres desse perfil convive, sem que seja como empregadas.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Eleitor de Bolsonaro

A Ipec também desenhou o retrato do eleitor mais bolsonarista, embora nem sempre majoritário. Ele é homem (37% a 42% de Lula), branco (35% a 39%), de 35 a 44 anos (39% a 38%), tem ensino superior (35% a 36%), ganha mais de 5 salários mínimos (46% a 36%), mora em municípios de 50 mil a 500 mil habitantes (35% a 41%), do interior (33% a 44%) e é da região Sul (36% a 39%). Além dos ricos, a única faixa em que Bolsonaro bate Lula fora da margem de erro, é entre os evangélicos: 47% contra 29% do petista. Que reage no voto dos católicos, religião ainda mais popular no Brasil: 51% contra 26% do capitão.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Ipec: Lula no 1º ou 2º turno, Bolsonaro tem voto rico e evangélico

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Lula segue liderando a corrida presidencial, com possibilidade dentro da margem de erro de fechar a eleição no 1º turno, e com projeção de vitória fora da margem de erro no 2º tuno. Feita entre sexta (12) e domingo (14), foi o que revelou a pesquisa Ipec (antigo Ibope) divulgada na noite de ontem 15), a 48 dias das urnas de 2 de outubro, onde Lula tem 44% das intenções de voto na consulta estimulada ao 1º turno, seguido do presidente Jair Bolsonaro (PL), com 32%. Atrás dos dois líderes, vêm o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), com 6%; a senadora Simone Tebet (MDB), com 2%; e a cientista social Vera Lúcia (PSTU), com 1%.

Contados apenas os votos válidos, o petista teria hoje 52%, contra 37% do capitão. Na margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, a eleição poderia ou não ser definida no 1º tuno. Na única projeção de 2º turno feita pela Ipec, Lula levaria com 51% das intenções de voto, contra 35% de Bolsonaro. Índice considerado fundamental para a definição do 2º turno, Bolsonaro lidera a rejeição, com 46% de brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, contra 33% de Lula. Como a Ipec nacional a presidente anterior é de 13 de dezembro de 2021, não há dados seguros para comparar a evolução recente dos números.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE

— Na primeira pesquisa Ipec a nível nacional desde 13 de dezembro de 2021, a vantagem de Lula no 1º turno sobre Jair Bolsonaro é de 12 pontos percentuais. O petista tem 44% das intenções de votos na pesquisa estimulada, contra 32% de Bolsonaro. Números que se aproximam da aferição espontânea: 40% a 30% em favor do ex-presidente. Dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, Lula venceria no primeiro turno, alcançando 52% dos votos válidos. No levantamento de dezembro do ano passado, a diferença era de 27 pontos: Lula tinha 48% das intenções de voto, contra 21% de Bolsonaro. No eventual segundo turno, Lula venceria com uma diferença de 16 pontos: 51% a 35% contra Bolsonaro. O resultado se deve à diferença de 13 pontos na rejeição: 46% dos eleitores não votariam de jeito nenhum no atual presidente, contra 33% dos que não votariam no ex-presidente — analisou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

No que a Ipec trouxe como sua primeira pesquisa presidencial do ano eleitoral, a eleitora majoritária de Lula é mulher (46% a 27% de Bolsonaro), preta ou parda (48% a 29%), de 16 a 24 anos (52% a 29%), tem ensino fundamental (53% a 25%), ganha até 1 salário mínimo (60% a 19%), mora em municípios até 50 mil habitantes (48% a 28%), na periferia (44% a 28%) e é da região Nordeste (57% a 22%). Já o eleitor mais bolsonarista é homem (37% a 42% de Lula), branco (35% a 39%), de 35 a 44 anos (39% a 38%), tem ensino superior (35% a 36%), ganha mais de 5 salários mínimos (46% a 36%), mora em municípios de 50 mil a 500 mil habitantes (35% a 41%), do interior (33% a 44%) e é da região Sul (36% a 39%).

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Outras faixas do eleitorado brasileiro pesquisadas pela Ipec demonstram onde está o maior bastião de Bolsonaro, assim como uma das suas maiores dificuldades para se reeleger. Após demonstrar equilíbrio em pesquisas de outros institutos, entre maio e junho, o eleitorado evangélico parece estar respondendo à proposta de “guerra santa” patrocinada pelo presidente, a primeira-dama Michelle Bolsonaro e pastores ligados ao governo. Entre os evangélicos, Bolsonaro apareceu com sua maior vantagem: 47% contra 29% de Lula. O petista reage entre os católicos, religião ainda majoritária do país: 51% contra 26% do capitão.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A maior dificuldade de Bolsonaro, que o Governo Federal tentou superar com o pagamento dos novos Auxílio Brasil e Auxílio Gás pagos a partir do último dia 9, aparece ainda sólida. Entre os brasileiros que recebem ou têm alguém em seu domicílio que recebe algum benefício federal, Lula lidera com 52% das intenções de voto, contra 27% de Bolsonaro. Já entre os que não recebem, nem moram com alguém que recebe benefício federal, a vantagem de 25 pontos do petista cai a 6 pontos: 40%, contra 34% do capitão.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ipec: Castro e Freixo em empate técnico, com 2º turno no escuro

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

O governador Cláudio Castro (PL) e o deputado federal Marcelo Freixo (PSB) seguem em empate técnico na corrida ao Palácio Guanabara. Na consulta estimulada ao 1º turno da pesquisa Ipec (antigo Ibope) divulgada na noite de ontem (15) e feita entre sexta (12) e domingo (14), Castro apareceu com 21% das intenções de voto, seguido por Freixo, com 17%. Na margem de erro de 3 pontos para mais ou menos, os dois estão empatados tecnicamente. Depois dos dois, vieram o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves (PDT), com 5%; o ex-governador Wilson Witzel (PMB), com 4%; os professores Cyro Garcia (PSTU), Eduardo Serra (PCB) e Juliete Pantoja (UP), com 3% cada; o deputado federal Paulo Ganime (Novo), o metalúrgico Luiz Eugênio (PCO) e o ex-deputado federal Milton Temer (Psol), com 1% cada.

Na Ipec anterior ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, divulgada em 21 de julho, Castro e Freixo também estavam tecnicamente empatados na consulta estimulada ao 1º turno. Em menos de um mês, houve pouca variação. O governador tinha 20% e passou a 21%, enquanto o deputado cresceu um pouco mais, passando de 14% a 17%.  A diferença entre os dois, que era de 6 pontos, diminuiu aos atuais 4 pontos. Mas, diferente de julho, a Ipec de agosto não divulgou simulação de 2º turno a governador, o que compromete a credibilidade da pesquisa. Embora tenha participado dela, o ex-governador e ex-juiz federal Wilson Witzel sofreu impeachment no ano passado e, segundo o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), está inelegível por cinco anos. Por sua vez, o Psol de Milton Temer desistiu de candidatura própria a governador, para apoiar Freixo.

 

(infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE

— Na disputa a governador mais acirrada do país, a pesquisa do Ipec divulgada ontem, a 48 dias do primeiro turno, mostra empate técnico entre Cláudio Castro, com 21% das intenções de voto, e Marcelo Freixo (PSB), que reduziu a diferença numérica de 6 pontos para 4 pontos, apresentando agora 17% das intenções dos eleitores na pesquisa estimulada, quando os nomes de todos os candidatos são apresentados. O empate técnico levaria, neste momento, a eleição para governador do Rio de Janeiro para o segundo turno. No levantamento anterior, de 21 de julho, Castro apresentava 20% e Freixo 14%. No levantamento espontâneo, considerado mais consolidado, quando os eleitores respondem livremente, sem a apresentação dos nomes dos candidatos, a intenção de voto de Cláudio Castro (11%) é maior que o dobro da intenção de Marcelo Freixo (5%) — analisou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

BTG/FSB: Lula no 1º ou 2º turno, sem crescimento de Bolsonaro

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Após o crescimento significativo nas intenções de votos da classe média para o presidente Jair Bolsonaro (PL) na semana passada, por conta da percepção de redução dos preços dos combustíveis, a nova pesquisa BTG/FSB feita entre sexta (12) e domingo (14) demonstra estabilidade, e divulgada hoje, a exatos 48 dias das urnas de 2 de outubro, demonstra estabilidade na corrida presidencial. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continua na liderança isolada. Na última semana, ele ganhou 4 pontos na consulta estimulada ao 1º turno, passando de 41% a 45% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro manteve seus 34%. A diferença de 7 pontos entre os dois, em uma semana cresceu a 11 pontos.

Com os 8% do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), os 2% da senadora Simone Tebet (MDB), mais os 2% de todos os oito demais presidenciáveis somados, a soma de votos válidos de todos no 1º turno seria 46%, contra os 45% de Lula. O que, na margem de erro, reacende a possibilidade estatística de o petista vencer a eleição em turno único. Na projeção do 2º turno de 30 de outubro, ele também aumentou a vantagem ao capitão, a quem bateria por 53% a 38%. A diferença atual de 15 pontos, há uma semana, era de 12 pontos. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos para mais ou menos. Índice considerado fundamental para a definição do 2º turno, Bolsonaro segue liderando a rejeição, na qual aumentou 1 ponto, de 53% aos atuais 54% de brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma. Lula caiu um ponto na rejeição, que se mantém alta, passando de 45% a 44%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE

— A exatos 48 dias para 2 de outubro, a pesquisa do Instituto FSB, encomendada pelo Banco BTG Pactual, é a primeira pesquisa por telefone a apontar a possibilidade de vitória de Lula no 1º turno, nesta reta final de campanha. A projeção resulta do crescimento de 4 pontos percentuais na intenção de voto do petista desde o último levantamento, realizado uma semana atrás. Bolsonaro manteve a mesma pontuação registrada no levantamento de 8 de agosto. Na pesquisa estimulada, Lula subiu de 41% para 45%, enquanto Bolsonaro manteve os mesmos 34%. No eventual 2º turno, Lula venceria Bolsonaro por 53% a 38%. A vantagem do petista ampliou de 12 pontos para 15 pontos, em relação a uma semana atrás, quando a pesquisa BTG/FSB apontou a vitória do ex-presidente por 51% a 39%. Já a diferença da rejeição entre os dois principais candidatos oscilou dentro da margem de erro, de 8 pontos para 10 pontos. Uma semana atrás, 53% dos eleitores ouvidos afirmaram que não votariam em Bolsonaro de jeito nenhum, contra 45% de Lula. Hoje, 54% dos eleitores entrevistados manifestaram rejeição à Bolsonaro, que subiu 1 ponto, enquanto 44% dos eleitores ouvidos rejeitam Lula, que caiu 1 ponto — analisou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

Voto da classe média

Duas análises cruzadas com a economia trazem curiosidades, relativas a preço de combustíveis e recebimento do novo Auxílio Brasil de R$ 600,00, sobre a nova BTG/FSB. Na comparação entre as duas pesquisas anteriores do mesmo instituto, divulgadas em 25 de julho e na última segunda, 8 de agosto, Lula caiu de 39% a 30% de intenções de voto na faixa de 2 a 5 salários mínimos, em que Bolsonaro cresceu de 36% a 42%. Mas, na comparação com a BTG/FSB divulgada hoje, o petista voltou a crescer fora da margem de erro, de 30% a 38% entre esses eleitores de classe média, enquanto Bolsonaro caiu dentro da margem de erro, de 42% a 40% das intenções de voto.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Essas alterações no voto da classe média teriam se dado por conta da sensação de queda dos preços nos combustíveis atribuída ao governo Bolsonaro, que foi registrada na semana anterior, mas que teria se esgotado. “O efeito positivo que o preço dos combustíveis poderia ter na intenção de voto de Bolsonaro em grande parte já se realizou: o percentual dos que perceberam a baixa no valor das bombas ficou estável em quase 2/3 do eleitorado (64%)”, explicou o relatório da nova BTG/FSB. Após subir de 54% a 63%, entre as pesquisas de 25 de julho e 8 de agosto, os eleitores que perceberam os preços dos combustíveis um pouco ou muito menores se manteve estável dentro da margem de erro, aos 64% atuais.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Auxílio Brasil muda eleição?

Entre as duas últimas pesquisas BTG/FSB, de 8 de agosto e a de hoje, também não registraram alteração significativa a partir do novo Auxílio Brasil de R$ 600,00, que começou a ser pago a partir da última terça (9). Entre os eleitores que recebem o benefício, Lula até cresceu sua liderança, passando de 53% a 61% das intenções de voto na última semana, período em que Bolsonaro tinha e manteve 24%. Já entre os eleitores que não recebem, mas que moram com alguém recebe que recebe o Auxílio Brasil, Lula caiu de 62% a 53% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro subiu de 20% a 28%. Ou seja, as alterações entre os afetados direta e indiretamente pelo benefício federal praticamente anulam uma a outra.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Como essa comparação das duas últimas BTG/FSB nacionais sobre o Auxílio Brasil é diferente das alterações a favor de Bolsonaro registradas nas pesquisas Genial/Quaest de quinta (11) no estado de São Paulo, e de sexta (12), no estado de Minas Gerais, dois maiores colégios eleitorais do país, novas pesquisas são necessárias. Demanda que é reforçada no próprio relatório da BTG/FSB de hoje:

— O governo começou o ciclo de pagamento da primeira parcela dos R$600,00 na última terça-feira, dia 9. O calendário de pagamento segue até o dia 22. Por enquanto, a diferença de Lula sobre Bolsonaro entre quem recebe o benefício continua bastante confortável. Só nas próximas semanas será possível ver se haverá mudança nesse segmento — concluiu Marcelo Tokarski, sócio-diretor do Instituto FSB Pesquisa.

 

“Cinco % de remanejamento é chantagear o governo”

 

“Cinco % (de remanejamento ao Executivo no Orçamento de Campos) é querer colocar uma situação, desculpe a franqueza, de chantagear o governo”. Apesar de admitir estar atuando como “bombeiro” para distensionar a disputa entre Garotinhos e Bacellar, foi o que disse na manhã de ontem, em entrevista ao Folha no Ar, o vice-prefeito Frederico Paes (MDB). A crítica foi à tentativa da oposição na Câmara Municipal de reduzir o remanejamento orçamentário do prefeito Wladimir Garotinho, atualmente de 30%. Ele também negou a eleição de Marquinho Bacellar (SD) a presidente do Legislativo goitacá, em 15 de fevereiro, depois anulada pela atual Mesa Diretora, o que acirrou muito a disputa entre os dois grupos políticos. Frederico também cobrou a apuração do caso Ceperj, em que nomes de 10, dos 13 vereadores, são citados por ter assessores e parentes recebendo dinheiro público estadual na boca do caixa, chamando o caso de “Rachalão” — mistura de rachadinha com Mensalão. Em relação a outubro, projetou eleições de Anthony Garotinho (União) a deputado federal e de Rodrigo Bacellar a estadual, com boas votações. Crê que Clarissa Garotinho (União) pode surpreender ao Senado e que, mais que Marcelo Freixo (PSB), Rodrigo Neves (PDT) pode dar trabalho ao governador Cláudio Castro (PL) num eventual segundo turno. A presidente, questionou pesquisas e apostou numa “economia bombando” em favor da reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL).

 

Frederico Paes no Folha no Ar de ontem (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)

 

Garotinhos x Bacellar – Eu sempre atuei, na minha vida pessoal e profissional, de forma a buscar o equilíbrio. Essa relação política da família Bacellar com o grupo Garotinho, acho que não faz bem ao nosso município, deveria ficar apenas nas divergências de ideias e atuação na política. Quando isso passa para o campo pessoal, aí a gente vê o que aconteceu e acontece, isso é muito ruim. E aqui eu não faço nenhum tipo de crítica a A, B ou C, mas você deixa de raciocinar para a cidade e as pessoas para se defender ou atacar as pessoas. Que benefício isso traz para a população? Zero. Que benefício isso traz para a política local ou para reivindicações e necessidades do município ou da região? Nada, muito pelo contrário. Eu cito aqui um exemplo muito clássico, que é o Nordeste. Eles brigam lá e brigam muito, brigam feio mesmo, no facão, mas quando vai para Brasília… Eu via isso, como presidente da Asflucan. Eu via inimigos políticos, entre aspas, de mãos dadas reivindicando as coisas para aquela região. Eu falei: “Esses caras não são inimigos?”. Não, ali eles são amigos. Então, acho que Campos e região pecam muito por isso. A divergência deveria ser no campo da política, no campo das ideias, e deixar a questão pessoal de lado.

Papel de “bombeiro” – Você falou que eu atuei como bombeiro, e é verdade. Conversei com o deputado Rodrigo Bacellar, conversei com o Wladimir, busquei ali um entendimento, sempre em benefício do município de Campos. Mas a situação a falta de confiança de um grupo no outro é muito grande. Isso eu afirmo aqui e fica registrado que é péssimo para a nossa cidade, é péssimo para a nossa região. E é uma oportunidade ímpar que nós temos hoje, o deputado Rodrigo Bacellar com uma força junto ao Governo do Estado muito forte. Ele foi secretário de Governo, um dos cargos mais importantes dentro de uma composição do estado. Nós temos o prefeito Wladimir com uma força incrível, não só no estado, mas no Brasil. Eu acompanho Wladimir em Brasília, vejo a capacidade e o respeito que as pessoas têm. Então, essa briga política é muito ruim para a nossa região, muito ruim. Mas, como a esperança é sempre a última que morre, quem sabe um dia a gente consegue.

Encontro com Cláudio Castro – Falei para o governador há uns 15 dias (no Rio, em 1º de agosto), quando estive com ele: o Wladimir está saindo muito forte disso tudo (após a retirada da pré-candidatura do pai, Anthony Garotinho, na convenção estadual do União em 31 de julho, para apoiar a reeleição de Castro). Nós estivemos lá com o governador Cláudio Castro: eu, Wladimir e Washington Reis, que é candidato a vice-governador. Eu acompanhei o quanto Wladimir sofreu nesse período, porque a família dele não queria apoiar Castro. O Garotinho se lançou o governador, e o Wladimir com um sentimento honesto de gratidão ao que o governador fez por Campos, porque, quando nós assumimos a Prefeitura, pegamos terra arrasada, não tinha dinheiro nem para pagar salário, nem para pagar a conta de luz do mês, e quem nos socorreu foi o Governo do Estado. Isso tem que ser dito e reafirmado. Quem ajudou ao início do governo foi o governador Cláudio Castro, que estendeu a mão. E eu digo que nós não fomos de pires na mão, fomos de prato fundo, porque não tinha dinheiro para nada. Nós achamos R$ 3 milhões na Prefeitura. Com R$ 3 milhões, você não paga nada. Depois, claro que a arrecadação melhorou, royalty melhorou, arrecadação própria melhorou, mas foi depois. E Wladimir honrou isso, por isso ele sofreu, porque gratidão é inegociável. Imagina: seu pai é candidato a governador, e você está apoiando outra pessoa ou quer apoiar outra pessoa. Então, ele sofreu muito. E segurou firme. Mas pedi ao governador que também honrasse com o Wladimir essa capacidade que ele teve de resistir e segurar firme o apoio ao governador. Tanto é que toda a campanha do governador no Norte Fluminense vai ser do Wladimir e do Welberth (Rezende, Cidadania), prefeito de Macaé.

Tentativa da oposição de reduzir remanejamento do Orçamento de 30% a 5% – Isso aí, pelo Bom Senso Futebol Clube, não pode acontecer. Vamos lá: 30% é muito? Vamos colocar para 20%, 25%, o que for. Agora, tem que entender: o orçamento é uma projeção. “Ah, eu sou oposição porque tenho raiva do Frederico e do Wladimir”. Pelo amor de Deus! Imagina você iniciar o ano planejando gastar R$ 20 mil. Por alguma coisa, esse gasto vai para R$ 15 mil ou para R$ 25 mil. Ou seja, você vai ficar engessado naquilo ali? Cinco % não é nada. Cinco % é querer colocar uma situação, desculpe a franqueza, de chantagear o governo. Colocar um remanejamento desse é querer estar com a faca no pescoço de qualquer governo, seja municipal, estadual ou federal. A oposição sabe que não é possível trabalhar dessa forma. Então, há de se haver, repito, um bom senso. “Ah, não concordamos com 30%. Vamos baixar para 20%, 25%, 15%”. É negociar. Agora, ficar querendo botar a guilhotina ali, para, a hora que lhe convier, apertar o que a gente chama de garrote na roça, sufocar o boi? E a população está vendo isso. A gente vê que o governo Wladimir teve tantos avanços na área da Saúde, Educação; tem gargalos ainda no transporte que vamos melhorar. A população vê aonde a gente quer ir. A oposição verdadeira tem que criticar os erros. É muito bom, por exemplo, na área da Saúde, quando a gente vê crítica construtiva: “Está com um problema lá na UBS tal, está com um problema ali, está com um problema aqui”. Isso faz com que a gente avance. A crítica é boa. Quando a gente vê a crítica boa, faz com que você procure melhorar. Quando está tudo bem, todo mundo elogiando, você acaba se acomodando. Então, a oposição para criticar é importante, para a gente ouvir, escutar. Mas, a oposição só para ser oposição, não. E a população está enxergando quem está simplesmente criticando por criticar, quem está fazendo oposição para ter algum benefício próprio.

Eleição de Marquinho Bacellar presidente da Câmara anulada – Não foi eleito. Inclusive, saiu ontem (quinta) à noite um parecer do Ministério Público Estadual, que está lá no Tribunal, sendo julgado, favorável à anulação da eleição. Mas é fato que o vereador Nildo Cardoso (União) não votou. Isso é fato. Tem a posição dele, mas não votou. Então, isso é incontestável, tanto é que ganhou em Campos; no Rio de Janeiro agora já teve uma liminar favorável, dizendo que a eleição realmente foi anulada; teve agora um parecer ontem à noite, do Ministério Público dizendo que a eleição foi anulada. Por mais que se fala que a gente sabia que Nildo Cardoso ia votar em fulano ou beltrano, o fato real, todo mundo sabe, é que ele não votou. Portanto, a eleição está anulada e vai ter outra eleição na hora certa, até dia 31 de dezembro, porque tem que ter este ano.

Caso Ceperj – Precisa ser apurado se alguns desses cargos eram meramente de indicação ou deveriam ter passado por processo seletivo. Não vamos ficar de hipocrisia. Indicação, se tem cargo ali que pode ser indicado, é claro, isso faz parte da política mundial, no Brasil mais ainda: você vai indicar pessoas de sua confiança. Se é cargo de processo seletivo, precisa apurar. Acredito que o Ministério Público vai apurar se não houve processo de seleção. Agora, pior do que isso é o funcionário ou a pessoa não trabalhar. Pessoas “fantasmas” são pessoas que recebiam, a grande mídia nacional está dando nomes, e não trabalhavam. Mais grave, muito grave, é se a pessoa recebeu sem trabalhar. Eu ando muito no meio do povo, a Coagro tem 3 mil funcionários. Eu gosto de conversar com as pessoas, gosto de ouvir. E ouvi de gente que recebia R$ 1 mil e me perguntou: “Doutor, o senhor tem um advogado bom para me indicar?”. Humilde, pobre. Ficava com R$ 500 e devolvia o resto. Então, isso me deixou muito assustado. Eu ouvi isso de uma pessoa, desesperada. Falei: “Calma. Você vai ter que falar a verdade. O Ministério Público deve te chamar, você chega lá e fala o que aconteceu”. Então, isso é muito preocupante na medida do tamanho em que isso está se avolumando. Ao contrário do que muita gente está falando, a grande mídia nacional, a Globo, o UOL não está com informação de denúncia de político, não. Pegou um fio ali, uma denúncia de ex-funcionário; até próprio funcionário do Bradesco denunciou esses saques na boca do caixa. E foi puxando o fio. Essa imprensa investigativa não vai parar, porque são fatos graves, precisam ser apurados. O Ministério Público está em cima. Independente de qualquer situação, deve haver apuração, até para eximir de culpa aqueles que trabalharam. Então, não dá para ficar também generalizando, pegar uma lista e falar que é porque fulano é parente de beltrano, ligado ao vereador ou deputado tal. Se for comprovado que houve rachadinha, Rachalão como já estão chamando, o que leva isso? Qual é o raciocínio? Está na grande mídia: pessoas ganhando R$ 10 mil, R$ 20 mil, R$ 30 mil, R$ 150 mil, sacando na boca do caixa. O que leva? É a certeza da impunidade? Não dá para entender.

Vereadores citados no Ceperj cobram RPAs – Como não sou de fugir de assunto, a questão de RPA, acho que, não sei se vai dar tempo ainda no governo Wladimir ou se no próximo governo, de Wladimir ou de quem quer que seja, vai caminhar para uma solução definitiva. Qual é a solução definitiva? Ou contratação, que está na lei, de empresas terceirizadas para prestar o serviço, porteiros, faxineiros, diversos cargos que a Prefeitura precisa. Se essa contratação deve ser feita de outra forma, se tem que passar por um processo diferente. Isso tem que ser feito. Ponto. Agora, eles estão trabalhando. São pessoas que estão lá no postinho médico, estão lá na escola, varrendo, limpando, abrindo, acendendo a luz, apagando a luz na hora que sai. Pessoas humildes que estão trabalhando. E sempre teve. O governo Rafael teve, o governo da Rosinha teve, o do Arnaldo Vianna teve, Mocaiber. E agora tem no nosso governo também. Nosso querido professor Wainer tem feito um trabalho de projetos e evolução para que se dê uma solução definitiva na questão do RPA. Essa solução não é barata, porque envolve toda uma questão de contratação. As empresas que forem ser contratadas têm que ter lucro. Existe uma solução para isso. Não é fácil, não é rápida, mas vai acontecer.

Eleição a deputado federal e estadual – Dei uma entrevista aqui, no início do ano, em que falei da questão do voto no representante regional. Mantenho essa afirmação. Nós temos que eleger o maior número possível de deputados que se identificam com a nossa região. Pode não ser de Campos, mas que representa a gente. Faço um apelo à população que votem nos deputados estaduais e federais da nossa região. Não podemos votar em gente que só vem aqui de quatro em quatro anos e não sabe o problema da dona Maria, do seu José lá de Tocos. Falando em capacidade de votos: o Garotinho, se ele não sair de casa, se não fizer campanha, vai fazer mais de 100 mil votos. Pode escrever. Ele tem o eleitorado dele, tem um grupo; é um político que não é só de Campos. Estive lá na Baixada (Fluminense) com nosso querido Washington Reis e fiquei impressionado em como o Garotinho é querido lá. E a Baixada tem milhões de pessoas. Não estou aqui pedindo votos para A, B ou C. Estou pedindo votos, sim, para os deputados, seja lá qual for, da região. O Garotinho vai ser, provavelmente, o candidato a deputado federal mais votado do estado do Rio. O Rodrigo Bacellar, como candidato a deputado estadual, deve também ter também muito voto. Acho que Campos deve fazer três deputados estaduais e um ou dois federais. Muita gente perguntou se eu viria. Estou muito feliz em ajudar o Wladimir na Saúde e na Agricultura.

Senado – O Romário (PL) é político dele mesmo, não tem grupo político. Ele fez algumas coisas, mas a gente precisa de renovada nesse segmento. Senador é um cargo muito importante, com um poder de trazer benefícios para o estado e para a região muito forte. Eu acho, sinceramente, que a Clarissa (União) pode surpreender, principalmente se Bolsonaro der um apoio mais forte. O André Ceciliano (PT) é um bom nome, mas acho que está ainda patinando. E o (Alessandro) Molon (PSB) está dividindo a esquerda. A sua candidatura, acho que beneficia a Clarissa. Enfim, acho que pode ter uma surpresa grande aí na frente.

Governador – A preocupação do Castro deveria ser com Rodrigo Neves (PDT). Eu faço um desafio: nós vamos sair daqui, vamos caminhar, sair daqui pelo Centro, vamos caminhar no Mercado Municipal, no Centro da cidade e vamos perguntar: quem é Freixo? Não tem voto. Vamos caminhar na Baixada, como eu faço com Washington Reis. Não tem voto. Eu não sei de onde vêm esses votos do Freixo que estão na pesquisa. É na Zona Sul do Rio de Janeiro? Já o Rodrigo Neves, ele pode crescer. Aí, sim, se tiver um segundo turno entre Castro e Neves, acho que vai dar um trabalho. Se for com Freixo, o segundo turno é pule de 10 (para Castro).

Presidente – Muita gente fala: “Ah, as pesquisas estão erradas”, às vezes na emoção, no coração. Eu acho que as pesquisas, não é que elas estejam tendenciosas ou equivocadas. Eu acho que a pesquisa está, agora (com o crescimento do presidente Jair Bolsonaro), começando a mostrar uma realidade. Acho que os dois candidatos que se apresentam, apesar da posição distinta, têm muita coisa em comum. Quem falar que Bolsonaro, por exemplo, não apoia o social, e o que está sendo feito (com o novo Auxílio Brasil)? Quem falar que o Lula tem apoio de banqueiro, os bancos estão mostrando aí que estão com Lula. Nós não temos alternativas. O Ciro Gomes (PDT) não se mostrou ainda um candidato viável. Nem a da (Simone) Tebet, que é do meu partido, MDB. É lamentável que a gente não tenha uma opção viável eleitoralmente. Então, você vai ter que escolher. Vai ser um plebiscito: concordo com isso, discordo daquilo.

“Economia bombando” – Eu acho que não é só o fato de você dar dinheiro a quem precisa. É o fato de a economia do país estar bombando. Nós saímos de uma pandemia, tivemos uma recessão violenta pela parada da produção mundial, e ainda veio a guerra da Rússia contra a Ucrânia, que impactou no preço do petróleo a nível mundial. Então, por mais que se tenha uma resistência, é fato que a economia brasileira está tendo uma reação forte, e isso é muito importante para nós. Independente de posição, o desemprego está diminuindo, as indústrias estão crescendo, a agricultura está crescendo no país, geração de emprego. A popularidade vai subindo, e a rejeição, diminuindo. Então, aí vem essa injeção de recursos agora, que, por mais que se fale em quem vai pagar essa conta, esse dinheiro vai para o comércio. A pessoa que tem direito a receber esse auxílio emergencial vai pegar o dinheirinho dele e comprar comida, roupa, remédio. Agora, sinceramente, eu acho que, na legislação eleitoral, deveria ser proibido. Isso tem que ser feito antes (do ano eleitoral). É uma opinião.

 

Página 3 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

 

Confira abaixo, em dois blocos, a íntegra da entrevista do vice-prefeito Frederico Paes ao Folha no Ar da manhã de ontem: