Professores da Uenf, o sociólogo Roberto Dutra e o cientista político Hamilton Garcia são os convidados do Folha no Ar desta quarta (20), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Eles falarão sobre desigualdade social e políticas públicas para combatê-la, tema do livro lançado recentemente por Roberto e do seminário com ele e outros, organizado por Hamilton, a partir das 16h15 do dia 27, no miniauditório do CCH da Uenf.
Roberto e Hamilton também analisarão o discurso do presidente Lula na manhã de hoje, na Assembleia Geral da ONU. Falarão ainda dos limites éticos na política goitacá (confira aqui) e tentarão projetar o pleito a prefeito de Campos (confira aqui as três pesquisas eleitorais feitas em 2023) em 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 12 meses.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Dom Roberto Ferrería Paz espera no dia 25 de novembro os prefeitáveis Wladimir Garotinho, Marquinho Bacellar, Jefferson Azevedo e Sérgio Mendes. Assim como Thiago Rangel, Caio Vianna e CVC Direita Campos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Como fez em maio de 2019 (relembre aqui), com os então pré-candidatos a prefeito à eleição de novembro de 2020, a Diocese da Igreja Católica Romana em Campos, liderada por seu bispo Dom Roberto Ferrería Paz, promoverá um encontro para tentar nivelar por cima o debate sobre a cidade. E entre os nomes que hoje têm a pretensão de governá-la. Está marcado para às 10h da manhã do próximo dia 25 de novembro, na Igreja Nossa Senhora do Rosário, a popular Igreja do Saco. Quando faltarão pouco mais de 10 meses para as urnas municipais de 6 de outubro de 2024.
Só a partir das convenções partidárias, em julho do próximo ano, se poderá falar em candidatos a prefeito. Mas a Diocese se baseou no levantamento dos prefeitáveis feito pela Folha, reforçado em três pesquisas de intenção de voto (confira seus números aqui), para convidar o prefeito Wladimir Garotinho (PP); o presidente da Câmara Municipal, vereador Marquinho Bacellar (SD); o reitor do IFF, professor Jefferson Azevedo (PT); o ex-prefeito Sérgio Mendes (Cidadania), o deputado estadual Thiago Rangel (sem partido), o deputado federal Caio Vianna (PSD) e o militante bolsonarista CVC Direita Campos.
Como fez em 2019, véspera do pleito de 2020 que elegeria Wladimir prefeito no segundo turno, a Diocese e sua Pastoral da Cidadania frisam que o evento da véspera das urnas de 2024 não será um debate, apenas uma oportunidade para exposição de ideias. Ainda assim, dois meses antes do evento, confira as expectativas de alguns dos principais convidados que já confirmaram presença na Igreja do Saco, na manhã de 25 de novembro:
(Arte: Diocese de Campos)
Wladimir Garotinho — “É um espaço de ideias que, em todas as eleições, o bispo Dom Roberto e a Diocese promovem. É um momento de falar sobre valores democráticos e de projetos para a cidade. Mais uma vez estarei presente, como em todas as outras”.
Marquinho Bacellar — “Desde sua chegada ao município, o bispo Dom Roberto Ferrería tem estimulado importantes reflexões, sempre aberto ao diálogo e preocupado com o desenvolvimento de Campos. Vai ser um espaço importante para apontar caminhos e refletir sobre o atual momento de Campos. Uma cidade com mais de 140 mil pessoas e 30% da população em situação de extrema pobreza. Retrato de uma pobre cidade bilionária. Não podemos fechar os olhos para essa realidade. Isso sem falar de outros problemas crônicos que serão analisados”.
Jefferson Azevedo — “Gostaria de parabenizar a Diocese de Campos, em especial nosso bispo Dom Roberto, pois propostas como essa revelam o compromisso de construção de uma sociedade mais justa, fraterna e solidária da fé cristã. Bem como o compromisso com a vida plena para todos, em atendimento ao pedido de atenção do Papa Francisco para que não haja ‘nenhuma família sem casa, nenhum agricultor sem terra e nenhum trabalhador sem direitos’. Pensar a realidade e apresentar proposições de futuro que visem superar as enormes desigualdades econômicas e sociais de nosso município são iniciativas que sempre contarão com meu apoio como educador, cristão e cidadão.
Sérgio Mendes — “Acho fundamental essa iniciativa de Dom Roberto, na medida que vamos participar dessa exposição cidadã imbuídos em oferecer opiniões diferentes com relação ao desenvolvimento social, político e econômico de nosso município. Resumidamente, é fundamental compreendermos o que cada postulante a PMCG propõe como novos caminhos de uma governança participativa e transparente”.
Aluysio e Ícaro Abreu Barbosa, Iquipari, 2004 (Foto: Rosana Vinhosa)
Álvares de Azevedo
Era chamado de 1º grau naquela primeira metade dos anos 1980. Todo cursado no Liceu de Humanidades de Campos, quando o ensino público era referência. Hoje, acrescidos ao antigo primário como últimos quatro anos do ensino fundamental. Lá tomou conhecimento do Romantismo no Brasil. Entre outros, ouviu falar pela primeira vez no poeta Fagundes Varela. E varou madrugadas assombrado pelo retrato em branco e preto do poeta Álvares de Azevedo.
Castro Alves
Naquela época, aos 14 anos, seria capturado pela poesia. Não em nenhuma didática escolar. Mas, por indicação paterna, da primeira leitura de “O navio negreiro”, de Castro Alves. Ainda sem saber como, ali destinou-se: queria despertar nas pessoas, antes de ler Pessoa, a “turba de infantes inquieta”. Em empatia às “Legiões de homens negros como a noite,/ Horrendos a dançar” no canto daquele baiano libérrimo, audaz. Que, aos 21 anos, a brisa do Brasil beijou e balançou. Na visão do albatroz alçada em 1868, quando o homem ainda não voava.
Na passagem dos séculos seguintes, o adolescente já era homem e pai do filho único, nascido em 1999. Um pouco mais tarde, em 2007, o poeta e ensaísta Alexei Bueno lançou “Uma história da poesia brasileira”. Que, no Romantismo, pinça a resposta de Castro Alves sobre o poeta que mais admirava: “Entre os mortos, Álvares de Azevedo; entre os vivos, Fagundes Varela”.
Fagundes Varela
No livro de Bueno, o pai deu com o poema “O cântico do calvário”, considerado a obra-prima de Varela, e suas circunstâncias. Que o poeta romântico, então aos 21 anos, dedica “à memória de meu Filho morto a 11 de dezembro de 1863”. E no qual sentencia antes de beber até morrer 12 anos depois: “Eras a glória, — a inspiração, — a pátria,/ O porvir de teu pai!”.
Impactado, como quando adolescente e leu a primeira vez “O navio negreiro”, o pai tremeu com aquela nova perspectiva. Não mais do albatroz sobrevoando “um sonho dantesco”. Mas de dentro deste, em sua visão mais profunda. Em empatia próxima à que teve pelos africanos escravizados e acorrentados no “porão negro, fundo,/ Infecto, apertado, imundo” de um navio, anotou à caneta no branco lateral da página do livro. Como não poderia sentir um homem que nunca teve filho: “Sei de Fagundes Varela. Sei da sua dor. E o amo por isso”.
Manuel Bandeira
Modernista após o início parnasiano, o poeta e crítico Manuel Bandeira foi outro impactado pela leitura de “O cântico do calvário”. Que classificou como “uma das mais belas e sentidas nênias da poesia em língua portuguesa. Nela, pela força do sentimento sincero, o Poeta atingiu aos 21 anos uma altura que, não igualada depois, permaneceu como um cimo isolado em toda a sua poesia”.
Pensava em tudo isso enquanto caminhava no Boulevard de Campos, no final da manhã da última quarta-feira, dia 13, em direção à Catedral. Onde a mãe havia colocado na missa do meio-dia o nome do filho de ambos. Cuja morte precoce, aos 23 anos, completava quatro meses naquele dia contrastante de setembro, em vento e sol igualmente fortes.
Paula Meehan
O pai encontrou a mãe. Chorava sob a sombra de uma das colunas da entrada da igreja matriz. Veio-lhe a lembrança imediata de um poema que havia enviado a ela dois dias antes. Considerada entre os maiores nomes da poesia contemporânea da Irlanda, terra dos poetas por excelência, a pós-moderna Paula Meehan desvelou em versos a face materna da dor do romântico Varela. Indizível a qualquer mãe ou pai, “gota por gota brilhante vermelha”:
Médico, ex-vereador e secretário de Saúde de Campos, Paulo Hirano é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar, ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará o quadro da Saúde Pública do município, apontada pelos campistas nas pesquisas (confira aqui, aqui e aqui) entre as principais virtudes e queixas do governo Wladimir Garotinho (PP).
Com base nas mesmas pesquisas (confira aqui os resultados das três feitas em 2023), Hirano também tentará projetar as eleições a prefeito e vereador de Campos em 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 12 meses. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Professora e candidata da situação à reitora da Uenf, Rosana Rodrigues é a convidada do Folha no Ar desta quinta (14), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Na mesma pauta do Folha no Ar de hoje (13) com o professor Carlão Rezende, candidato a reitor da oposição, Rosana falará amanhã sobre evasão, expansão e inclusão na universidade, incluindo segurança e transporte público.
A candidata da situação também analisará o atraso na reforma do Solar dos Jesuítas que abriga o Arquivo Público Municipal, com R$ 20 milhões liberados pela Alerj (confira aqui) desde outubro de 2021, e das atividades na Villa Maria como formas de integração com a cidade. Por fim, Rosana falará do regime de dedicação exclusiva, da relação com os servidores e os Poderes em âmbito municipal e estadual.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Wladimir Garotinho, Rodrigo Bacellar, Anthony Garotinho, Marcos Bacellar, e Rosinha Garotinho; Pedro Emílio Braga, George Gomes Coutinho, Hamilton Garcia, Igor Franco e Fabrício Maciel; Clarissa Garotinho, Luciano D’Ângelo, Jefferson Manhães, Gel Coutinho e Cilêncio Tavares (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr)
Pelo decoro na política goitacá (I)
“A pacificação (entre Garotinhos e Bacellar) é delicada. Há contraposição natural entre os dois grupos. E temos uma eleição a prefeito no ano que vem. É quase uma obrigação combater o grupo adversário, se você quer se estabelecer dentro do território original de ambos, que é um só. Mas esse enfrentamento precisa existir com maturidade, cada um mostrando o que propõe e fazendo política. Não tem que haver enfrentamento carnal, mais pessoal. Que é algo que não enriquece em nada o debate, só atrapalha”. Foi o que advertiu no Folha no Ar da manhã de ontem o delegado de Polícia Civil Pedro Emílio Braga, campista titular da 123ª DP de Macaé.
Pelo decoro na política goitacá (II)
O discurso do delegado pela imposição dos limites de decoro na política goitacá tem sido consenso. No Folha no Ar de 8 de agosto, foi o cientista político George Gomes Coutinho (confira aqui), professor da UFF: “a disputa de adversários é legítima no âmbito democrático. Agora, sem utilizar de recursos vis como a violência, a ameaça, a intimidação”. No dia 15, foi a vez de outro cientista político, Hamilton Garcia (confira aqui), professor da Uenf: “O mesmo (ex-governador Anthony) Garotinho (União) que está flechando o (presidente da Alerj, Rodrigo) Bacellar (União), por uma série de acusações que têm que ser provadas, também respondeu à Justiça”.
Pelo decoro na política goitacá (III)
No Folha no Ar de 22 de agosto, o especialista em finanças Igor Franco (confira aqui), professor do Uniflu, engrossou o coro pelo decoro político em Campos: “a manifestação de (Marcos) Bacellar (ex-vereador, contra a ex-governadora Rosinha) tem que ser rechaçada. Ele voltou atrás, percebeu que se excedeu. Esse passo atrás deveria ser a linha no chão”. No dia 29, foi a vez do sociólogo Fabrício Maciel (confira aqui), outro professor da UFF-Campos reforçar essa linha riscada pela sociedade aos homens públicos do município: “o não decoro na política pode ter efeitos irreversíveis na forma como a sociedade pensa a política. E isso é bastante grave!”
Ainda é cedo
Limites éticos postos e repostos aos políticos de Campos, Pedro Emílio não questionou no Folha no Ar de ontem só a pacificação entre Garotinhos e Bacellar. Mas também a projeção da reeleição do prefeito ainda no primeiro turno de 2024, segundo (confira aqui) todas as pesquisas de 2023: “Wladimir lidera as pesquisas de intenção de voto. Só que, a mais de 12 meses da eleição, ainda é muito cedo. Ele faz um bom governo e isso é comentado na cidade. Mas a gente tem uma outra liderança política de Campos, que é Rodrigo Bacellar. Com o início das movimentações eleitorais, esse cenário pode remexer”, ponderou o titular da 123ª DP.
Clarissa Garotinho
A precaução do delegado de Polícia Civil não parece ser compartilhada entre os Garotinho. “Natural que Wladimir lidere com folga a disputa (a prefeito em 2024). A comparação é inevitável. Campos saiu de um governo (Rafael Diniz, Cidadania) sem nenhuma articulação política e com uma equipe inexperiente. Agora temos à frente alguém de uma família que possui um legado. Eu mesma, como parlamentar, trouxe um caminhão de recursos a Campos. O governo anterior não pagou dezembro e o 13º aos servidores. Wladimir será reeleito no primeiro turno. É só comparar”, propôs a ex-deputada federal Clarissa Garotinho (União).
Luciano D’Ângelo
Fora do grupo político dos Garotinho, há divergências. “As pesquisas a prefeito são feitas sem que as eventuais candidaturas estejam expostas. Embora se coloque possíveis nomes, fica desigual inserir o prefeito com outros. Serve muito mais para falar de Wladimir como prefeito do que como candidato à reeleição. As chances de conclusão em primeiro turno, ao contrário do que muitos andam dizendo, são pequenas. A aliança entre Garotinhos e Bacellar não vai funcionar para 2024”, apostou o professor Luciano D’Ângelo, articulador do PT de Campos. Que deve ter o professor Jefferson Manhães, reitor do IFF, como candidato a prefeito.
Gel Coutinho
Fora da família Garotinho, também há divergência também sobre o favoritismo do prefeito: “Wladimir só perde a próxima eleição para ele mesmo ou, claro, para o imponderável. Não há nenhuma candidatura posta ou percebida com capacidade de fazer sombra à força política acumulada pelo prefeito. A firmeza com que se posicionou em defesa da aliança com o grupo opositor na Câmara, em especial a família Bacellar, se colocando acima e além da questão familiar, foi, para mim, a coroação definitiva de que não é um mero prefeito de plantão”, analisou o industrial Gel Coutinho, durante anos dirigente do PSDB em Campos.
Cilênio Tavares
Esse espírito mais conciliador, em relação à sua família, parece reforçar o favoritismo de Wladimir. Como as obras pela cidade, mas a depender da conclusão. “Pesquisas refletem o momento. Neste momento, pode-se dizer que o prefeito tem grande vantagem. Wladimir tem se mostrado conciliador, em contraponto ao temperamento dos pais. Por outro lado, se há uma convivência supostamente pacífica na Câmara de Vereadores, quem garante que dura até outubro de 2024? Hoje, há obras para todos os lados. Mas, se não forem concluídas a tempo, o humor do eleitor pode mudar”, ressalvou o jornalista Cilênio Tavares.
Professor e candidato a reitor da Uenf pela oposição, Carlão Rezende é o convidado do Folha no Ar desta quarta (13), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Em pauta que será a mesma com a professora e candidata à reitora da situação, Rosana Rodrigues, no Folha no Ar desta quinta (15), Carlão falará amanhã sobre evasão, expansão e inclusão na universidade, incluindo segurança e transporte público.
O candidato de oposição também analisará o atraso na reforma do Solar dos Jesuítas que abriga o Arquivo Público Municipal, com R$ 20 milhões liberados pela Alerj (confira aqui) desde outubro de 2021, e das atividades na Villa Maria como formas de integração com a cidade. Por fim, Carlão falará do regime de dedicação exclusiva, da relação com os servidores e os Poderes em âmbito municipal e estadual.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Delegado de Polícia Civil titular da 123ª DP de Macaé, o campista Pedro Emílio Braga é o convidado do Folha no Ar desta terça (12), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará da Segurança Pública em Macaé e Campos, além das diferenças entre os dois municípios vizinhos.
Por fim, na condição de cidadão e a partir das últimas pesquisas de avaliação de governo e intenção de voto em Campos (confira aqui a análise das três feitas em 2023), Pedro tentará projetar as urnas a prefeito e vereador de 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 12 meses.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Hoje, em Brasília, a presidente Lula, o almirante Marcos Sampaio Olsen (comandante da Marinha), o general Tomás Ribeiro Paiva (Exército), o brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno (Aeronáutica) e o ministro da Defesa José Múcio entrelaçaram as mãos e a normalidade institucional do Brasil (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Um 7 de setembro normal. Este foi o anormal de hoje. Dia em que o presidente da República democraticamente eleito, também como comandante em chefe das Forças Armadas, cumprimentou e foi cumprimentado pelos chefes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. Sem transformar essa relação institucional em ato político ou comício eleitoral. Tampouco em ameaça de golpe de estado, ao estilo “valente” de boteco.
A normalidade foi o que tivemos hoje. Com o desfile cívico-militar em Brasília e no resto do Brasil. A pavimentar normalidade no Dia da Independência e nas instituições de Estado pelos próximos três anos. E para além deles.
Não, nossa bandeira jamais será vermelha. Embora devesse. Já que o nome Brasil deriva da cor de brasa da madeira da árvore Pau Brasil. Que batiza o país e é usada para tingir tecidos de vermelho desde o século 16, mais de 300 anos antes do nascimento de Karl Marx. Duzentos anos depois, o brasileiro adulto que hoje crê em “ameaça comunista” evidencia a cognição das crianças de creche que creem no Velho do Saco.
Verde e amarela, na cópia às respectivas cores das casas reais dos Bragança e dos Habsburgos da bandeira do Brasil Império, a bandeira da República do Brasil é da “res publica” (“coisa pública”). Pertence a todos. Não a nenhum grupo político.
Bandeira do Brasil Império
Antes tarde do que nunca, o dia de hoje é valiosa lição a quem aplaudiu um presidente da República xingando um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) de “canalha”, bravateando que não cumpriria mais suas decisões judiciais, como (relembre aqui) foi no 7 de setembro de 2021. E, no 7 de setembro de 2022, engrossou (relembre aqui) o coro de “imbrochável” que ridicularizou o bicentenário da Independência do Brasil, aos olhos do presidente de Portugal e do mundo.
Nessa questão cromática de pertencimento na Independência, a quem ainda não aprendeu que a democracia e suas instituições independem do seu desejo e delírio, uma singela dica: chupa que é de uva!
Que vale também à esquerda identitária muda diante da vexaminosa saída da ex-atleta de vôlei Ana Moser do ministério dos Esportes do Lula 3. Para dar lugar ao deputado federal André Fufuca (PP/MA), homem do presidente da Câmara de Deputados, Arthur Lira (PP/AL). Sem o qual Bolsonaro não governou e Lula não governará.
Na dúvida entre patriarcado e pragmatismo, a certeza: é o que Bismarck, alemão como Marx, batizou de realpolitik. Ou, na língua de Luís de Camões, jogo jogado. Real e muito mais complexo do que a sala de estar burguesa na qual a esquerda identitária delira poder transformar o mundo. Para gerar neste a reação em Trumps, Putins, Erdogans, Orbáns, Dutertes e Bolsonaros.
A quem ainda se presta a tentar defender o último, travestido de verde e amarelo, a língua roxa de uva pode servir para adoçar a boca. Na expectativa do amargo que virá da delação premiada à Polícia Federal (PF) do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro preso desde 6 de maio. E que ontem (6) esteve no STF para dizer que abrirá o bico. Como o canário que simboliza a camisa amarela da Seleção Brasileira de futebol.
Lula recebe a continência, hoje, no desfile cívico-militar em Brasília, devida ao comandante em chefe das Forças Armadas eleito pelo voto popular (Foto: Reprodução)
Wladimir Garotinho, Jefferson Manhães, Sérgio Mendes, Natália Soares, Bruno Vianna, Marcão Gomes, Hamilton Garcia e Eduardo Shimoda analisaram pesquisas de avaliação de governo de 2023 e da eleição de prefeito e vereador de Campos em 2024 (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Wladimir na pesquisa Prefab
“Agradeço mais uma vez à confiança dos campistas. Os resultados são fruto do trabalho. É no trabalho que estou focado. Temos muitas entregas por fazer ainda. A eleição é ano que vem e trataremos dela no momento oportuno”. Foi o que disse o prefeito Wladimir Garotinho (PP) após a divulgação na segunda (4) da pesquisa Prefab Future, feita em 29 e 30 de agosto, com margem de erro de 3 pontos para mais ou menos. Que registrou 77% de aprovação popular ao governo de Campos. E projetou sua reeleição ainda no primeiro turno de 6 de outubro de 2024, daqui a exatos 13 meses, com 66,8% das intenções de voto na consulta estimulada.
Jefferson destaca reprovação
“É preciso comparar o que é comparável. As três pesquisas usam gradações de avaliação do governo diversas. Entendo não ser correto dizer que a aprovação do governo saltou de 55,5% para 74,7%, na Iguape. E, deste patamar, para 77%, na Prefab. Nas duas últimas pesquisas está sendo incluído o ‘regular’ como ‘aprovação do governo’, que foi excluído na primeira, a GPP. Pelo contrário, o movimento é o inverso. A ‘reprovação do governo’ é que vem aumentando. Sai de 8,8% na GPP, vai para 12,3% na Iguape e 12,8% na Prefab”, apontou nos números o professor Jefferson Manhães, reitor do IFF e provável candidato do PT a prefeito de Campos.
Sérgio Mendes questiona
“Friso o trecho da análise da pesquisa feita à Folha por William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE: ‘Por convenção, as pesquisas usam a amostragem da população do Censo Demográfico do IBGE de 2010. A Prefab optou por entrevistar uma proporção maior de segmentos mais propensos a votar em Wladimir’. E indago: qual o tamanho da reprovação do governo em Transportes, Saúde e Segurança? Por que a estimulada não colocou meu nome como opção? Quem foi o contratante da pesquisa Prefab?”, questionou o ex-prefeito Sérgio Mendes (Cidadania).
Pesquisa Iguape: prefeito x Câmara
Antes da pesquisa Prefab, a Folha divulgou no sábado (2) a pesquisa Iguape de julho, na parte relativa à disputa sempre mais complexa a vereador. Na qual constatou que, dos 25 prováveis candidatos mais citados em consulta espontânea, 18 são ligados a Wladimir. Encomendada pelo grupo dos Bacellar, a consulta apontou que a atual Câmara Municipal, presidida por Marquinho Bacellar (SD), é reprovada por 38,6% e aprovada por 35,5% dos campistas, com 26,6% que não responderam. Enquanto o governo Wladimir é aprovado por 74,7% (39,2 pontos a mais que o Legislativo) e reprovado por 22% (16,6 pontos a menos que a Câmara).
Natália Soares: números de vereador
“A Saúde Pública aparece na Iguape como ponto mais frágil da gestão, antes do Transporte. A pesquisa proporcional também demonstra a força dos Garotinho, com 18 dos 25 nomes citados. Óbvio que tende a aparecer quem já é vereador. Se algo grita aos olhos é a ausência de mulheres na lista. A eleição legislativa se decide sempre às vésperas da eleição. Enquanto o Legislativo for visto como secundário, estaremos fadados a repetir o quadro que ora se apresenta na própria Câmara de Campos”, alertou a professora Natália Soares (Psol). Que surgiu na Iguape logo abaixo dos 25 primeiros, com 0,1% de intenção de voto a vereadora.
Bruno Vianna e Marcão: números de vereador
“Sobretudo a vereador, pesquisa não quer dizer muita coisa. Mas é lógico que nos motiva ver o nosso nome citado de forma espontânea. Vamos continuar trabalhando para que isso ocorra mais vezes”, garantiu o edil Bruno Vianna (PSD), nome mais bem colocado na Iguape dentro do grupo dos Bacellar, com 0,4% de intenção de voto, atrás dos quatro primeiros governistas. “A questão dos mais citados pertencerem ao grupo do prefeito aponta que provavelmente ele irá eleger um grande número de vereadores ligados aos partidos aliados para sua reeleição”, projetou Marcão Gomes (PL), ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara de Campos.
Análise do cientista político
“Natural que num sistema dominado por ‘grupos políticos’, a distribuição de cadeiras legislativas municipais se dê mais pelo poder de atração das oligarquias, sobretudo a que controla a Prefeitura. Em Campos, todo o mais estável, principalmente o preço do petróleo, a tendência é a reeleição do prefeito bem avaliado, com uma cauda de vereadores candidatos. Talvez, em meio a uma nova crise do petróleo, possam se abrir brechas, como a que propiciou a eleição de Rafael Diniz (Cidadania) em 2016; uma oportunidade, infelizmente, desperdiçada”, lamentou o cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf.
Análise do estatístico
“Existe uma tendência de estabilidade, considerando os meses de março (pesquisa GPP), julho (Iguape) e agosto (Prefab), quanto ao índice de aprovação do governo. Historicamente, acima de 50% de aprovação, é muito provável que o candidato seja reeleito. Não estou falando que isso vai acontecer, porque sou estatístico, não Pai Dinah (risos)”, disse no Folha no Ar da manhã de ontem Eduardo Shimoda, professor de Estatística do Doutorado em Planejamento Regional e Gestão da Cidade da Universidade Candido Mendes. “A tendência, hoje, pelos números, é de definição da eleição (a prefeito) em primeiro turno”, completou o estatístico.
Professor de Estatística do Doutorado em Planejamento Regional e Gestão da Cidade da Universidade Candido Mendes, Eduardo Shimoda é o convidado do Folha no Ar desta terça (5), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará da importância do seu trabalho estatístico no combate à pandemia da Covid-19 em Campos.
Shimoda também tentará projetar as eleições a prefeito e vereador de 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 13 meses, a partir dos números das pesquisas (confira aqui a comparação entre as três realizadas em 2023).
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
A Folha teve acesso à integra de três pesquisas de 2023 sobre avaliação do governo de Campos e projeção às urnas a prefeito e vereador de 2024: a GPP, feita de 10 a 12 de março (confira aqui); a Iguape, feita em 10 de julho (confira aqui); e, hoje, à Prefab Future, feita de 29 a 30 de agosto, na semana passada. Ressalvadas as diferenças de metodologia das três, a comparação entre elas sugere uma curva ascendente na avaliação popular da gestão Wladimir. Na GPP de março ela era aprovada por 55,5%. Quatro meses depois, a aprovação pulou para 74,7%. Um mês depois, na Prefab do final de agosto, a administração goitacá agora aparece aprovada por 77% dos campistas.
WLADIMIR COM 66,8% DE INTENÇÕES DE VOTO? — Feita a partir de 1.103 entrevistas presenciais, com margem de erro de 3 pontos para mais ou menos, e divulgada hoje, a pesquisa Prefab foi também a que mais alto projetou as intenções de voto na provável tentativa de reeleição de Wladimir nas urnas de 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 13 meses: 48,8% na consulta espontânea e 66,8%, na estimulada.
COMPARAÇÃO — Na Iguape de julho, o prefeito bateu 27,8% de intenções de voto na espontânea (21 pontos abaixo da Prefab) e 55,4% na estimulada (11,4 pontos abaixo da Prefab). Na GPP de março, a reeleição do chefe do Executivo municipal seria a opção para 38,6% na espontânea (10,2 pontos abaixo da Prefab) e 50,4% na estimulada (16,4 pontos abaixo da Prefab).
APROVAÇÃO DE GOVERNO E VOTO ESPONTÂNEO — Além dos 77% dos campistas que hoje aprovariam o governo Wladimir, a pesquisa Prefab listou 12,8% que não aprovam, 9,3% que não souberam responder e 0,9% que não respondeu. Na consulta espontânea, onde o eleitor pode responder o que quiser, além dos 48,8% dos que manifestaram intenção de voto na reeleição do prefeito, 6,6% disseram querer votar no ex-governador Anthony Garotinho (União), 3,2% no deputado federal Caio Vianna (PSD), 2,3% no ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT), 0,4% na ex-governador Rosinha Garotinho (União), 0,3% na deputada estadual Carla Machado (PT), 0,2% no vereador Marquinho Bacellar (SD), 1,2% em outros nomes, 8,2% disseram que votarão em branco ou anularão, com 28,8% declarando não saber e estar ainda indeciso.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
ELEIÇÃO MAIS OU MENOS ABERTA? — Esse percentual de 28,8% de indecisos da Prefab projeta uma eleição com menos chance matemática de reversão que as duas pesquisas anteriores. A consulta espontânea da Iguape de julho registrou 52,7% de indecisos, 23,29 pontos a mais que a Prefab. A GPP de março deu 46% de indecisos, 17,2 pontos mais que a Prefab.
DEMAIS NOMES A PREFEITO — Na consulta Prefab estimulada a prefeito, com a apresentação dos nomes dos possíveis candidatos, além dos 66,8% que manifestaram intenção de voto em Wladimir, 8,6% disseram que votarão em Caio, 1,6% em Marquinho, 0,8% no deputado estadual Thiago Rangel (sem partido), 0,7% no militante bolsonarista CVC Direita Campos, e 0,2% no professor Jefferson Manhães (PT), reitor do IFF. Outros 10% disseram que votarão em branco ou nulo, 10,3% ainda estão indecisos e 1% não respondeu.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
REJEIÇÃO — Como nas pesquisas GPP de março e Iguape de julho, Caio também apareceu na Prefab do final de agosto liderando a rejeição. São 19,2% de campistas dizendo que nunca votariam no deputado a prefeito. Atrás dele, seguiram no índice negativo: 9% para Thiago, 8,4% para Marquinho, 6,3% para Wladimir, 2,5% para Jefferson, e 1,3% para CVC. Outros 16,4% disseram não rejeitar ninguém, 34% estão indecisos sobre a sua rejeição e 2,9% não responderam.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
REJEIÇÃO A WLADIMIR E CAIO — Muito baixa para um político em exercício de mandato executivo, a rejeição de 6,3% a Wladimir registrada na Prefab foi 5,8 pontos maior nos 12,1% da Iguape de julho (onde Caio liderou com 22,2%). Como, na GPP de março, a rejeição do campista ao seu prefeito apareceu 12,1 pontos maior nos 18,4% que disseram ter dele uma imagem negativa (que Caio liderou com 24,3%).
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE
ANÁLISE DO ESTATÍSTICO — “Por convenção estatística, as pesquisas costumam utilizar amostragem baseada na distribuição da população do Censo Demográfico realizado pelo IBGE em 2010. A Prefab, por sua vez, optou por entrevistar uma proporção maior de segmentos da população mais propensos a votar em Wladimir. Entre estes, estão os evangélicos e aqueles com renda até dois salários mínimos. Ainda assim, a aprovação ao governo Wladimir, a intenção de voto espontânea e a rejeição ao atual prefeito se aproximam, em alguma medida, daquelas apuradas por outros institutos, que utilizam distribuição da amostragem mais parecida com a do Censo 2010. Isso pode indicar grande homogeneidade na intenção de Wladimir. Quando há esse tipo de homogeneidade, a alteração nos parâmetros de estratificação da amostra acaba sendo insuficiente para alterar demais o resultado da pesquisa, comparativamente a outros institutos. É o que pode explicar a convergência com outros institutos no padrão do resultado da estimulada e no padrão do resultado da rejeição”, concluiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.