Marquinho Bacellar fala como presidente da Câmara

 

Por Aluysio Abreu Barbosa, Arnaldo Neto, Cláudio Nogueira e Matheus Berriel

 

Eleito presidente da Câmara Municipal de Campos no pleito anulado pela atual Mesa Diretora, Marquinho Bacellar (SD) espera que a Justiça ou o prazo máximo da eleição até dezembro confirme o resultado de 15 de fevereiro. Mas ciente de que sua maioria mínima de 13 vereadores caminha à ampliação, no caso da reeleição em outubro do irmão Rodrigo Bacellar (PL) e de Cláudio Castro (PL), respectivamente, a deputado estadual e a governador. Em entrevista no início da manhã de ontem (17) ao Folha no Ar, Marquinho falou do seu nome como de consenso na oposição, defendeu o voto do edil Maicon Cruz (PSC) que definiu sua vitória, revelou nomes de colegas que podem ampliar sua vantagem, das defecções governistas e seus motivos, da ameaça aos mandatos oposicionistas, do ex-governador Anthony Garotinho (União), do trabalho estadual de Castro e Rodrigo por Campos, do prefeito Wladimir Garotinho (sem partido), da queixa-crime contra o atual presidente Fábio Ribeiro (PSD), da redução do remanejamento do Executivo no Orçamento municipal e voltou a negar qualquer acordo para a eleição da Mesa Diretora.

 

Marquinho Bacellar no microfone da Folha FM 98,3 (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)

 

Nome de consenso da oposição – Meu nome não era apresentado como presidente. A gente tinha dois nomes no grupo: Helinho Nahim (PTC), sempre imaginando que o governo iria antecipar essa eleição, pela história de vida que ele tem com o grupo, ele já imaginava isso. E tinha o nome de Nildo Cardoso (União), por toda a experiência. Foi decidido realmente no dia da votação que teria que ser o meu nome, para unificar o grupo. Houve resistência da minha parte, da parte do meu irmão, do meu pai, porque realmente, num primeiro mandato, eu, particularmente, considero que precisava de uma bagagem maior para o posto de presidente. Mas, vendo a incapacidade administrativa e de grupo do atual presidente, vendo o quadro de ter que ter um nome para unificar o grupo, para gente não ter um grupo dividido, me coloquei à disposição. Como todos sabem, sou filho de Marcos Bacellar. Não sou omisso, não fujo de uma briga. Graças a Deus, conseguimos articular bem, em cima da hora, e conseguimos vencer a eleição. Como todos puderam ver, foi declarada a minha vitória. Infelizmente, essa eleição está por conta do Judiciário. Acredito que a eleição para presidente está decidida.

Após assumir compromisso com governo, Maicon define vitória da oposição – Se durante a plenária, com todos assistindo, a imprensa toda, quase foi agredido pelo vice-presidente da Casa (vereador Juninho Virgílio, União), imagina dentro de uma sala trancada. Se ele diz “não vou votar”, o que aconteceria ali dentro? Se, em vídeo, está comprovado que houve uma tentativa de agressão física, houve agressão verbal. Então, eu realmente não sei o que se passou lá dentro. Não julgo o Maicon por isso, tanto que posso conversar com ele e, hoje, já falei várias vezes para ele que foi corajoso demais ao tomar a atitude que tomou. É muito difícil você sair de baixo de um cabresto de Garotinho.

Após Maicon e Dandinho (Rio Preto, PSD) quem é o 15º vereador da oposição? – Para a mídia, não parece, mas o nosso 15º vereador é Marcione (da Farmácia, União): apoia Rodrigo Bacellar para deputado estadual e está na base do prefeito. A gente tem Silvinho (Martins, MDB), que foi eleito no grupo de Rodrigo e também está na base do governo. Então, se a gente for avaliar em questão de apoio a Rodrigo, não são nem 14 no grupo. Abdu tem um candidato dele (a deputado estadual), Bruninho (Vianna, PSD) é pré-candidato a deputado estadual e está no grupo. Mas, no contexto geral, 15º para a oposição ainda não tem. O Dandinho, a conversa dele foi exclusiva de apoio ao Rodrigo. Foi uma conversa que eles tiveram. Na Câmara, o 15º depende da incompetência ou da má gestão de Wladimir. Se ele continuar com projetos complicados para a população, que desgastam o vereador e prejudicam a população, ele vai desgastar a base do governo. Ninguém vem para outro grupo política se não tiver insatisfeito. Eu comecei o meu mandato sozinho na oposição. Fui aprendendo a falar. Fui o único que não votei em Fábio Ribeiro para presidente. E fui aprendendo no dia a dia. Lógico, com toda a história do meu pai, do meu irmão. Mas, hoje, a figura é Marquinho Bacellar, um cara que sempre foi de bastidor e aceitou o desafio de estar à frente. Devagar, no dia a dia, fui vendo: Abdu (Neme, Avante) muito experiente, insatisfeito; Nildo, muito experiente, insatisfeito.

Saída de Fred (Machado, Cidanania), Raphael (Thuin, PTB) e Bruno da base no projeto do Código Tributário – Ali (em maio de 2021), no aumento de imposto, foi algo que eu particularmente nunca vi daquela forma que foi feita. Mandar um chumaço de projeto de 500 folhas às 15h para a gente apresentar um voto às 17h deixou claro que nem a base do governo leu. “Toma e vota!”.  Digo hoje que, graças a Deus, com a experiência de Fred Machado, que já foi presidente daquela Casa, Thuin e Bruninho realmente eram mais próximos, conversaram e chegaram num entendimento de que, daquela forma, não ia passar. A gente conseguiu tirar de pauta na madrugada, foi até 3h da manhã. E a gente veio brigando com aquilo. Infelizmente, passou grande parte, mas alguma parte a gente conseguiu travar.

Wladimir disse: “Ou vai ou racha” – E rachou. Rachou e rachou muito. Por isso que eu digo: o prefeito não está tendo o poder de articulação que se esperava dele.

Ameaça de afastamento dos 13 vereadores de oposição – A questão do afastamento ou o nome que ele (Fábio Ribeiro) quer dar, eu entendo como cassação de mandato. Foi uma forma covarde. Como a gente costuma dizer, jogou fora da bola com os colegas ali. Todo mundo sabe a luta de cada colega que está ali. Político já é muito difamado na rua, mas a gente sabe o suor que a gente tem para chegar ali, a história política a gente tem que ter. Eu, particularmente, considero mais fácil a minha trajetória, por toda a história do meu pai, do meu irmão. Mas, eu sei o que me doei para estar ali. E há colegas ali que não têm uma família política como eu tenho. Então, por causa de uma divergência, de perder uma batalha política, você pedir a cassação de um mandato… O senhor não está pedindo um vereador; está afetando a família, o grupo e os eleitores desse vereador. Então, é algo que fugiu da bola. Graças, a Deus o Ministério Público e o juiz de Campos entenderam que não cabe cassação de vereador.

Eleição da Mesa Diretora – Fábio realmente se perdeu no meio dessa pressão de grupo político e de tomar atitudes erradas. Está por conta da Justiça do Rio, aguardando o parecer do Ministério Público do Rio também, para o juiz tomar a decisão. Mas, diferente do juiz de Campos, o parecer do juiz do Rio deu a entender, sim, que se for considerado que houve uma falta de atitude correta por parte do presidente, ele vai intervir e dizer que a eleição tem que ser mantida ou tem que ser refeita de imediato, ou, na pior das hipóteses, no final do ano. Eu confio muito na Justiça. Assim que o Ministério Público der o parecer deles, espero que seja favorável à gente e acredito que vai ser, eu acho que essa eleição vai ser colocada em pauta antes da eleição para deputado, governador e presidente. Assim espero. Pelo que o Judiciário diz, a gente também está confiante nisso.

“Puxadinho da Prefeitura” – o A gente já entende que a Câmara, usando o linguajar popular, é um puxadinho da Prefeitura. E acho que não pode ser assim. Você pode, sim, ter um presidente da base do prefeito. Mas, com limites. E ali não está tendo.

Papel de Garotinho – Em relação ao Garotinho, é lógico que tem que ser respeitada toda a história dele na política, onde ele chegou, mas eu considero que Garotinho hoje perdeu o tempo da política. Eu respeitava muito ele por articulação, por ter sempre um grupo à mão. Hoje, a gente não vê isso. Hoje, a gente não vê ele conseguindo interferir tanto no prefeito, que é filho dele. Eu vejo ele mais atrapalhar o Wladimir do que ajudar. E essa forma de falar. “Ah, Garotinho falou que alguém vai te trair”. Se a gente for botar ao pé da letra tudo o que Garotinho fala, o mundo acaba. Inventa cada coisa e faz os vídeos dele, algo mirabolante, de que sempre tem alguém perseguindo. Agora ele cismou que o Rodrigo está perseguindo ele. Se você olhar a agenda de Rodrigo, é insana. Eu não consigo falar com meu irmão. Então, o Rodrigo vai tirar tempo para perseguir Garotinho?

Castro e Rodrigo – O tamanho, hoje, que o Cláudio (Castro, PL) está trabalhando e Rodrigo está trabalhando, quanto mais Campos evoluir, independentemente do prefeito, é bom para a população e é bom para todo mundo. O que eles estão se desdobrando para ajudar a reconstruir nossa cidade, não está brincadeira. O que o governador vem fazendo por Campos, na minha curta passagem na política, eu não vi nenhum governador fazer. É lógico, o Cláudio é muito bom, mas quem está lá é o Rodrigo, um cara da cidade, um cara que tem um irmão vereador e que tem uma trajetória política toda construída aqui dentro. Então, é lógico que ele está puxando para Campos, está trazendo o que ele puder para ajudar Campos.

Briga de grupos? – “Ah, existe uma briga política”. Eu não considero uma briga de grupos políticos em Campos, considero uma briga de vaidade do prefeito em não assumir que existem outros grupos políticos que podem ajudar Campos, se ele permitir. Você já imaginou se parasse essa picuinha do prefeito em atacar Rodrigo em rede social, atacar vereador de oposição? Ele vai inaugurar uma UBS dele e, em vez de falar das qualidades, vai bater em vereador de oposição. Então, todo momento que ele tem para unificar Câmara, Prefeitura e Governo do Estado, ele usa para piorar uma situação.

Elogio e críticas a Wladimir – Já pude falar em plenária e falei para o prefeito diretamente: quanto mais ele se afastar do pai, da mãe e da irmã, ele vai ter oportunidade. O pai e a mãe realmente têm mostrado um desgaste em rede social com ele, expondo briga familiar sem necessidade, vendo que seu filho está num turbilhão de problemas, precisaria de apoio e não de críticas familiares expostas ainda ao público. Então, se ele se afastar e se ele voltar a botar a carreira dele na linha, como estava em Brasília. Ainda dá tempo de fazer o nome dele na história. Ninguém pede para ele: “Ah, não sou mais filho de Garotinho”. Não! Constrói a sua história na política. Ele recebeu muitos elogios na passagem dele por Brasília, era assumido isso na rua: “Está mostrando um poder de articulação muito bom”. E quando ele venceu, eu vi esperança, achei que fosse fazer o nome dele, porque largou o mandato em Brasília para assumir um desafio grande, porque a Prefeitura realmente está numa dificuldade financeira muito grande. Achei que ele não fosse vir jogar o nome dele. Não votei nele, não apoiei. O grupo de Rodrigo escolheu (apoiar) ele. Fiquei na minha, fiquei em casa. Não apoiei nem o Caio nem ele, respeitando a maioria do grupo. E fui vendo, no dia a dia, que não está construindo a história. Está repetindo os erros do pai. Costumo falar para o meu pessoal: meu pai é o melhor pai do mundo, é lógico. Qualidades extremas, demais. Defeitos, tem, como todo mundo tem. Então, acho que o papel de todo filho é a evolução. Você pega o que o seu pai tem de bom, e o que ele errou, você vai tentando não errar. E eu vejo Wladimir cometendo os erros que o pai cometeu, e até de forma maior, nessa questão de perseguir, de não dar autonomia para o grupo. Se você for ver uma questão: vereadores que estavam na base do governo e hoje estão na oposição, sobem no plenário para falar toda sessão, coisa que não falavam dia nenhum. Então, você vê a liberdade, a tranquilidade de a pessoa subir e defender (o conserto de) uma lâmpada queimada, um buraco na rua, uma falta de médico, um transporte caótico. Coisa que, na base do governo, se você fizer você, vai ter retaliação. E é algo que você está fazendo não é para criticar Wladimir, mas para alertar o secretário.

Queixa-crime da oposição contra Fábio – Após a decisão da eleição, aquela confusão do vice-presidente tentar agredir Maicon, se encerrou a sessão naquele momento. Pude ir lá atrás, na sala do Fábio, e falei com ele: “Você perdeu uma batalha, não perdeu a guerra. Não se preocupe que não haverá perseguição de forma alguma no nosso mandato como presidente. Fique tranquilo para trabalhar de forma tranquila, você só perdeu uma batalha”. Ele muito me agradeceu, falou que ia botar a cabeça em ordem, que estava ainda atordoado do movimento precipitado que fez. Então, ali, no meu entender, eu já dei uma forma de abrir um diálogo com ele. O movimento antecipado dele não deu certo. E a gente procurou a delegacia porque o artigo 156 e o artigo 281 nos dão direito a falar na sessão. Se você pegar o regimento, se eu pedir artigo 156, eu tenho direito a falar; se eu pedir explicação pessoal, eu tenho direito a falar. E eu digo: como presidente, se um vereador quiser falar, ele não tem que usar o regimento. A Casa ali é para isso, é para debate. Se um vereador está lá e disser que quer falar, não cabe mais no regimento: dá a palavra ao vereador. O ele vai fazer? Se ele atacar de forma ilegal, se ele bater fora da bola, a gente vai encerrar. Mas, deixa o vereador falar. Ali é uma Casa para se debater, para se discutir, para se chegar numa solução. E ele vem retaliando a gente. A gente não podia falar. Desde a votação, a gente pediu uma palavra para explicar o que aconteceu, e não dava. De forma descarada: “Não vou dar”. Se a gente está ali com o regimento embaixo do braço e não está sendo respeitado, a gente ia fazer o que mais? Cruzar o braço e deixa-lo tocar a sessão da forma que ele quisesse, sem nos dar direito a falar e se defender? Então, a única solução de imediato que a gente buscou foi ir à delegacia. Por questão de abuso de poder, a gente não está podendo exercer a nossa função.

Mudança do Regimento Interno da Câmara – Já pude antecipar para os colegas, os 13, agora 14, e alguns veículos de imprensa também. Acho que um dos primeiros passos que a gente tem que ter ali dentro é a reformulação desse Regimento Interno, porque não pode um Regimento que tem que ser seguido à risca ter várias interpretações. Realmente, se você ler o regimento de forma branda, sem puxar para lado nenhum, você chega no entendimento do regimento. Mas, quando você está mal-intencionado a puxar para um lado ou puxar para o outro, você consegue ali dentro achar caminhos que possam levar para onde você quer. E eu acho que o regimento não pode ser assim, a constituição tem que ser taxativa. É assim, é assim, não é assim. Como todos sabem, o que ele usou do regimento foi de que Nildo não votou. Nildo tinha uma chapa apresentada. Ele abre a votação, apresenta a chapa dele. Nildo levanta no púlpito da plenária e diz: “Estou retirando a minha chapa, estou apresentando a chapa de Marquinho Bacellar e peço aos colegas que entrem comigo na chapa”. Deu-se a entender a todo mundo que assistia à sessão, ao primeiro-secretário Leon (Gomes, PDT), ao presidente Fábio, que Nildo antecipou o voto dele na minha chapa. Feito assim, Leon não fez a chamada nominal de Nildo. Isso ninguém nega, está num vídeo no YouTube. Então, dá-se a entender que, por má fé, por eu (Fábio) ter perdido, vou usar isso aqui do regimento e vou embargar essa eleição. Agora, se eu for seguir o regimento ao meu favor, eu consigo também. Nildo antecipou, o voto dele está gravado em vídeo. Se existe dúvida, pergunta ao Nildo qual é o seu voto. A maioria no plenário decide, vamos botar para o plenário decidir.

Remanejamento do Orçamento de 30% para 5% ao prefeito – Mesmo com 30%, se a gente for ver no quadro geral, a cidade demonstra total abandono. Eu estava vendo uns tópicos: UBS fechada, hospital sem pediatra, esgoto a céu aberto em Travessão, criança sem merenda, Vila Olímpica do Jóquei abandonada. A gente vê que não é questão de remanejamento que vai melhorar a nossa cidade. Eu acho que a questão do remanejamento de 30% dá muita autonomia a ele para tomar atitudes sem precisar da Câmara. E eu acho que quanto mais um prefeito precisar da Câmara, é melhor para a população. Se fossem 50%, 100%, a cidade permaneceria a mesma coisa. Então, não é desculpa dele falar assim: “Ah, a oposição quer em 5% para me amarrar”. Nós estamos tendo várias conversas entre os vereadores, o jurídico dos vereadores, figuras importantes da nossa cidade com experiência política, e estamos tentando chegar num consenso do que seria melhor de remanejamento, visto que o servidor está sem reajuste há sete anos e você vê o descaso do prefeito com o sindicato mais uma vez entrando em greve. Ele tem que mandar para a Casa, sim, onde ele vai gastar, e a gente tem que aprovar. O nosso papel ali é esse: propor projetos bons para a população e fiscalizar o prefeito.

Acordo para a Mesa Diretora? – Eu acho que não pode haver acordo na Mesa Diretora, porque a nossa chapa está montada. Com qualquer acordo ali, você vai descumprir uma palavra com os vereadores que vêm com a gente ali, lutando no dia a dia, que aceitaram o desafio de acreditar na independência deles ali dentro. Então, eu acho que não tem acordo. Para a população, não seria interessante um acordo, porque talvez o medo deles (do governo) é ter uma Câmara realmente independente. E em qualquer cidade, em qualquer parlamento, a Câmara tem que ser independente. Isso é bom para a população, é a única forma de a população ser protegida se o prefeito cometer algum excesso.

 

Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

Confira abaixo, em quatro blocos, a íntegra da entrevista do vereador de oposição Marquinho Bacellar ao Folha no Ar de ontem (17):

 

 

 

 

 

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Wladimir entre os Bacellar e o “fogo amigo” dos Garotinho

 

Wladimir, prefeito de Campos, entre Marquinho Bacellar, Rodrigo Bacellar e Cláudio Castro, e o “fogo amigo” de Rosinha, Clarissa e Anthony Garotinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

De 30% a 5%, remanejamento é a questão

Levantado por esta coluna no último sábado (14), a redução do remanejamento do Orçamento de Campos pelo prefeito, doas atuais 30% a 5%, foi pauta confirmada no Folha no Ar de ontem. Que entrevistou o vereador de oposição Marquinho Bacellar (SD). Como exemplificado na Folha FM, remanejamento é o seguinte: na reforma da casa, o sujeito orçou gastar 2X na sala e 1X no banheiro. No correr da obra, a sala saiu por 1,7X, enquanto a do banheiro estourou o orçamento. No caso do prefeito, ele pega esses 30% que sobraram de um lugar e remaneja a outro. Com 5%, só poderia usar os 25% restantes com autorização da Câmara.

 

Com um pé no grupo dos Garotinho e outro no grupo dos Bacellar, os vereadores Dandinho Rio Pretio, Marcione da Farmácia e Silvinho Martins (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Bacellar ampliam maioria

Se já tem a maioria simples de 13 edis para a mudança do percentual de remanejamento do prefeito Wladimir Garotinho (sem partido), que elegeu Marquinho presidente da Câmara no biênio 2023/2024, em pleito anulado pela atual Mesa Diretora, o líder da oposição confirmou que sua maioria seria hoje ainda mais folgada. Além de Dandinho Rio Preto (PSD), que já declarou se manter na base de Wladimir, como seu apoio ao deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL), irmão de Marquinho, este deu ontem mais dois nomes de vereadores que já estariam com um pé em cada grupo: Marcione da Farmácia (DEM) e Silvinho Martins (MDB).

 

Anulação para ganhar tempo

Adversa é a realidade que Wladimir deve enfrentar na segunda metade do seu mandato de prefeito. Pela nova contabilidade dos apoios da Câmara Municipal — com a possibilidade de Rodrigo chegar à presidência da Alerj, caso seja reeleito em outubro, como Cláudio Castro (PL) a governador —, a maioria legislativa que já deu a vitória à oposição goitacá no pleito de 15 de fevereiro tende a ser ainda mais reforçada. A anulação deu no máximo tempo aos Garotinhos. Que, tudo indica, não terão vida fácil assim que a eleição da nova Mesa Diretora da Câmara for finalmente consumada. E tem até dezembro para ser, se a Justiça não abreviar esse calendário.

 

Wladimir espremido

Enfrentar os Bacellar nunca foi fácil. Desde que o presidente da Câmara de Campos era o ex-vereador Marco Bacellar (hoje, SD), os Garotinhos deveriam ter aprendido isso. Com a ascensão de Rodrigo à condição de homem forte do governo estadual Cláudio Castro, a parada ficou ainda mais indigesta. Se já é difícil tê-los pela frente, as coisas ainda ficam pior quando também se enfrenta também o “fogo amigo” do próprio grupo. Como é o caso hoje de Wladimir, atacado publicamente até pela própria mãe, Rosinha Garotinho (União). Que, quando prefeita de Campos, navegou em mar de almirante com 50% de remanejamento.

 

Origem do “fogo amigo” (I)

A relação entre mãe e filho é uma coisa sagrada. E a de Rosinha com Wladimir sempre foi de carinho verdadeiro. Mas a coisa sai do plano familiar quando a desavença além de tornada pública, se dá por disputa de poder público. As coisas entre os dois começaram a degringolar quando Rosinha cobrou Wladimir sobre o apoio do prefeito à irmã Clarissa Garotinho (União) em outubro. Se não é segredo que Clarissa pensa em trocar a Câmara Federal pela Alerj nas urnas de outubro, tampouco é segredo que Wladimir sempre foi muito ligado ao deputado estadual Bruno Dauaire (União), que deve tentar a reeleição.

 

Empresário Marcelo Mérida, pré-candidato a deputado federal, e o deputado estadual Bruno Dauaire (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Origem do “fogo amigo” (II)

Depois, em reunião na executiva estadual do União, Garotinho descobriu que sua nova legenda tinha filiado o empresário Marcelo Mérida, que deixou o governo Wladimir por sua pré-candidatura a deputado federal. Como não sabia, o ex-governador não gostou e ligou ao prefeito. Que informou ter sido uma decisão sua e de Bruno. A conversa desandou quando Garotinho teria ameaçado anular a filiação. Wladimir teria respondido que proibiria seus secretários de falar com o pai. Ao que este teria dito, não sem razão, não precisar da Prefeitura de Campos para se eleger em outubro — pelo menos não a deputado estadual ou federal.

 

(Reprodução do Facebook)

 

Bombeiros em ação

Ao chegar do União à casa, no bairro carioca do Flamengo, Garotinho teria comentado a discussão com Rosinha. Que, já aborrecida por um apoio que julgava aquém do merecido do filho a Clarissa, publicou no dia 10 em suas redes sociais: “Wladimir, você só chegou onde está com o carimbo Garotinho. Não pelos seus belos olhos verdes”. Os bombeiros do grupo entraram em ação. Na quinta (12) foram ao Rio os vereadores Fábio Ribeiro (PSD), Juninho Virgílio (União) e Álvaro Oliveira (PSD), e os ex-vereadores Thiago Virgílio (União) e Thiago Ferrugem (União). A foto deles com Clarissa também foi postada por Rosinha em suas redes sociais.

 

Thiago Ferrugem, Juninho Virgílio, Clarissa Garotinho, Fábio Ribeiro, Álvaro Oliveira e Thiago Virgílio no Rio da última quinta (Foto: Facebook de Rosinha Garotinho)

 

Garotinho: governador ou nada?

Com Clarissa e Waguinho, prefeito de Belford Roxo, Garotinho foi ontem (17) à sede do União de Brasília, conversar com o presidente nacional, deputado federal Luciano Bivar. Daria duas opções em outubro ao seu novo partido: ou vem a governador, ou a nada. Se for a governador, teria pouca chance. Mas poderia dificultar a vida de Cláudio Castro. Se for a nada, Clarissa poderia vir a deputada federal, com Juninho Virgílio a estadual. Entre os edis governistas, Thiago Rangel (Podemos) e Marcos Elias (PSC) também são pré-candidatos à Alerj. O ex-governador deve anunciar hoje seu destino. Que, até as convenções, é sujeito a mudanças.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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LBGBTfobia e novo curso do IFF no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Reitor do IFF, o professor Jefferson Manhães de Azevedo é o convidado do Folha no Ar desta quarta (18), ao vivo a partir das 7 da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará da semana com programação de eventos contra a LGBTfobia na escola. Falará também do novo curso superior de enfermagem, a ser abrigado no IFF-Guarus.

Por fim, Jefferson tentará projetar as eleições de outubro a deputado estadual, federal, governador e presidente. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Vereador Marquinho Bacellar no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Vereador da oposição eleito presidente da Câmara Municipal de Campos em 15 de fevereiro, no pleito anulado pela atual Mesa Diretora, Marquinho Bacellar (SD) é o convidado do Folha no Ar, ao vivo, a partir das 7h da manhã desta terça (17), na Folha FM 98,3. Ele falará da crise na Casa do Povo, aberta com a anulação, na disputa de poder entre os grupos políticos dos Garotinho e dos Bacellar.

Marquinho analisará também as contas da ex-prefeita Rosinha Garotinho (hoje, União) de 2016, reprovadas na Legislatura passada, seguindo parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE), e também anuladas pela atual Câmara, assim como a aparente crise no grupo político a que sempre se opôs. Por fim, o edil projetará as eleições de outubro a deputado estadual, federal, governador e presidente.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Pesquisas, liderança de Lula e armadilha de Bolsonaro

 

Lula e Bolsonaro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr).

Estamos hoje a exatos 141 dias, pouco mais de quatro meses e meio, da eleição presidencial de 2 outubro. Mesmo aos eleitores mais apaixonados do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), do ex-governador paulista João Doria (PSDB), do deputado federal André Janones (Avante), da senadora Simone Tebet (MDB) e do cientista político Luiz Felipe d’Avila (Novo), entre outros menos cotados, parece não sobrar mais tempo para dúvida racional. Salvo qualquer ponto muito fora da curva — como a prisão ou a facada de 2018 —, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL) disputarão o segundo turno em 30 de outubro.

Nas pesquisas dos principais institutos feitas neste mês de maio, Lula mantém sua liderança isolada, com Bolsonaro também isolado em segundo lugar, fora de qualquer margem de erro. Nas consultas estimuladas de intenções de voto, o ex-presidente apareceu com 40% contra 35,2% do atual, na Paraná feita entre 28 de abril e 3 de maio; com 44% contra 31%, na XP/Ipespe feita entre 2 e 4 de maio; com 40,6% contra 32%, na CNT/MDA feita em 4 e 7 de maio; com 46% contra 29%, na Genial/Quaest feita entre 5 e 8 de maio; e com 42% do petista contra 35% do capitão, na PoderData feita entre 8 a 10 de maio.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Em terceiro lugar em todas as pesquisas, Ciro apareceu com 7,4% de intenções de voto, na Paraná; 8%, na XP/Ipespe; 7,1%, na CNT/MDA; 7%, na Genial/Quaest; e 3,8%, na PoderData. A diferença que o separa da vice-liderança de Bolsonaro hoje é no mínimo de 22 pontos, pela Genial/Quaest. E no máximo de 31,2 pontos, pela PoderData. Em um universo eleitoral de quase 150 milhões de brasileiros aptos a votar, 22 pontos significam 33 milhões de eleitores. Enquanto 31,2 pontos significam 46,8 milhões de votos. Com o slogan “A rebeldia da esperança” criado por João Santana, ex-marqueteiro de Lula e de Dilma Rousseff (PT), haja esperança ao ex-governador do Ceará. Tanto mais a quem vem ainda depois dele.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Não tão significativa quanto a diferença aos demais, ainda assim continua considerável a que hoje separa Lula de Bolsonaro. Pela Paraná, na menor diferença das pesquisas de maio entre ambos, os 4,8 pontos que os separam significam 7,2 milhões de eleitores. Pela XP/Ipespe, a diferença de 13 pontos do ex-presidente para o atual significa 19,5 milhões de votos. Pela CNT/MDA, a diferença de 8,6 pontos do líder ao vice significa 12,9 milhões de sufragistas. Pela Genial/Quaest, na maior diferença entre o petista e o capitão, os 17 pontos entre eles significam 25,5 milhões de brasileiros aptos a votar. Pela PoderData, a diferença de 7 pontos de Lula a Bolsonaro significa 10,5 milhões de eleitores.

Se a tarefa de tentar ultrapassar Lula na corrida do primeiro turno não parece fácil nestes quatro meses e meio até as urnas, a maior dificuldade de Bolsonaro para continuar no cargo é outra. E está no segundo turno. Para se chegar lá, contam a qualquer candidato as intenções de voto. Mas, para vencê-lo, conta a rejeição, por fixar o teto de crescimento dessas mesmas intenções de voto entre os dois turnos. Como questão aritmética, não política, o vencedor final precisa alcançar o mínimo de 50% mais um dos votos válidos.

Em todas as pesquisas, a posição entre Lula e Bolsonaro no índice positivo nas intenções de voto é invertida no índice negativo da rejeição. Na Paraná, o capitão teve 52,4% de eleitores afirmando não votar nele de maneira nenhuma, contra 46,3% do petista. Na XP/Ipespe, Bolsonaro teve 60% de rejeição, contra 43% de Lula. Na CNT/MDA, o presidente teve 53,9% de rejeição, contra 44,1% do ex-presidente. Na Genial/Quaest, Bolsonaro teve 59% de rejeição, contra 43% de Lula. E, na PoderData, o capitão teve 50% de rejeição, contra 37% do petista.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Quem tem 52,4%, ou 60%, ou 53,9%, ou 59%, ou 50% de rejeição, como Bolsonaro tem, não pode alcançar 50% mais um dos votos para vencer no segundo turno. Mais uma vez, não é uma questão política, mas aritmética. Aos analistas do mundo, o limite prudencial da rejeição ao vencedor de uma eleição em dois turnos é de 35%. Lula tem mais do que isso em todas as pesquisas. Mas, até aqui, sua sorte é ter como principal adversário alguém ainda mais rejeitado, cuja vitória hoje é matematicamente inviável.

Não por outro motivo, Lula bate Bolsonaro nas simulações de segundo turno de todas as pesquisas. A despeito das besteiras que o primeiro anda dizendo, como na questão do aborto que nunca propôs ao Congresso quando presidente, ou contra o teto de gastos criado pelo ex-presidente do Banco Central dos seus oito anos de governo, Henrique Meirelles (PSD). Nada comparável à bravata da privatização da Petrobras, para Bolsonaro tentar tirar o dele da reta do constante aumento no preço dos combustíveis, ou da maior inflação do país em 26 anos.

O fato é que hoje o petista liquidaria a fatura do segundo turno sobre o capitão por 46,4% a 38,7%, na Paraná; por 54% a 34%, na XP/Ipespe; por 50,8% a 36,8%, na CNT/MDA; por 55% a 34%, na Genial/Quaest; e por 49% a 38%, na PoderData. No turno final, a menor diferença de Lula para Bolsonaro, pela Paraná, hoje seria de 7,7 pontos — ou 11,55 milhões de eleitores. A maior, pela Genial/Quaest, hoje está em 21 pontos — ou 31,5 milhões de votos. Na dúvida, a certeza: é voto pra danar!

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Mais do que tentar ultrapassar Lula no primeiro turno, a única chance real de Bolsonaro seria diminuir sua rejeição para o segundo turno. Mas, em pastiche de Donald Trump no ataque aos votos pelos correios em sua anunciada derrota eleitoral à presidência dos EUA em 2020, o capitão força o discurso no Brasil de 2022. Contra a urna eletrônica, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF). Com o apoio de parte das Forças Armadas, que na quinta (12) teve resposta firme do sereno ministro Edson Fachin, presidente do TSE: “Quem trata de eleições são forças desarmadas!”. O tom de Bolsonaro é como o termômetro do peru Sadia: quanto mais sobe, maior a certeza de estar pronto para ser fatiado e servido.

 

 

Pesquisas não são infalíveis. Ainda que a Datafolha de setembro de 2017 já apontasse que, sem Lula na corrida, Bolsonaro era o favorito a vencer a eleição presidencial de mais de um ano depois. Como foi ali, pesquisas revelam tendências. As de 2022? A primeira, Lula parece ter alcançado há alguns meses seu teto no primeiro turno, patinando na casa dos 40%. Se não falar ou fizer nenhuma nova besteira, tende a manter.

A segunda tendência? Após crescer com a herança dos votos da desistência do seu ex-ministro da Justiça Sergio Moro (União), Bolsonaro também aparenta já patinar em seu teto, na casa dos 30%. Talvez rebaixado porque, após crescer nas pesquisas — as mesmas que os bolsonaristas dizem não acreditar — e se sentir empoderado, o presidente voltou ao seu manjado morde e assopra contra o estado democrático de direito.

Quanto mais radicalizar o discurso, para agradar sua bolha e desagradar o eleitor não fanatizado à direita ou à esquerda, mais o capitão que adora demitir generais, brigadeiros e almirantes ficará refém da armadilha que montou para si.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Castro, Bacellar, Wladimir, contas Rosinha e “carimbo Garotinho”

 

À frente de Washington Reis, Wladimir Garotinho, Frederico Paes e o empresário Renato Abreu, presidente do Grupo MPE, o governador Cláudio Castro discursou após a missa de abertura de safra da Coagro (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)

 

 

Castro amigo de Rodrigo e Wladimir

“Eu sou amigo do Rodrigo (Bacellar, PL) e do Wladimir (Garotinho, sem partido). Eles que se entendam. A questão das disputas políticas de Campos não tem nada a ver comigo. Eu sou governador do estado e tenho que trabalhar com os dois. Se tiver um terceiro, que brigue com os dois, eu vou trabalhar com ele também. Assim como se tiver um quarto. Eu sou governador e não me meto nessas questões municipais”. À reportagem da Folha, foi o que disse na manhã de ontem (10) o governador Cláudio Castro (PL), na missa de abertura de safra da Usina Sapucaia. Que é arrendada a Coagro, presidida por Frederico Paes (MDB), vice-prefeito de Campos.

 

Entre os vereadores de oposição Helinho Nahim, Igor Pereira, Raphael Thuin, Marquinho Bacellar, Anderson de Matos e Bruno Vianna, Cláudio Castro posou fora do palanque oficial (Foto: Divulgação)

 

Mais edis de oposição que do governo

Wladimir Garotinho marcou presença no evento, não Rodrigo Bacellar, que deixou a secretaria estadual de Governo para tentar se reeleger deputado estadual em outubro. Mas, irmão de Rodrigo e vereador eleito presidente da Câmara de Campos em 15 de fevereiro, no pleito depois anulado pela atual Mesa Diretora governista, Marquinho Bacellar (SD) também esteve lá. Como vários edis da oposição, entre eles Helinho Nahim (PTC), Bruno Vianna (PSD), Raphael Thuin (PTB), Igor Pereira (SD) e Anderson de Matos (Republicanos). Entre os governistas, estiveram os vereadores Marcione de Farmácia (DEM) e Silvinho Martins (MDB).

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Castro e as pesquisas

Quem veio junto com Cláudio Castro, como adiantado pelo blog foi Washington Reis (MDB). Ex-prefeito de Duque de Caxias, ele é o nome mais cotado para ser o vice na chapa da tentativa de reeleição do governador. Sobre as pesquisas às urnas estaduais, daqui a menos de cinco meses, Castro disse à Folha: “Eu tenho como postura não comentar pesquisa, até porque você nem sabe ainda quem são os candidatos. As pesquisas só vão valer depois que saírem as convenções e pudermos saber quem são. Por exemplo, as pesquisas nacionais falavam em (Sergio) Moro (União) e hoje nem candidato (a presidente) ele é mais”.

 

Castro e Freixo

Apesar de dizer que não comenta pesquisas, Castro não deixou de alfinetar quem elas apontam como seu mais forte adversário na corrida ao Palácio Guanabara. Com o cuidado de não citar o nome do deputado federal Marcelo Freixo, pré-candidato do PSB a governador, o atual detentor do cargo disse: “O meu adversário (Freixo, que lidera até aqui as pesquisas, com Castro em segundo) comenta e toda hora ele tem que ficar buscando na pesquisa um dado em que está melhor. Eu sigo uma postura diferente. Acho que quem está na oposição faz campanha e quem está no governo governa. Eu estou governando e essa é minha postura”.

 

Cláudio Castro na Coagro com Elísio Rodrigues, presidente da Câmara de SJB (Foto: Instagram)

SJB e Castro

Após a missa, discursaram Frederico, Renato Abreu, proprietário da usina; Washington, Wladimir e Castro. O ex-prefeito de Duque de Caxias foi o mais político, saudando a presença do deputado federal Juninho do Pneu (União) e do estadual Bruno Dauaire (União). Pai deste, o ex-prefeito de São João da Barra, Betinho Dauaire (PSC) também foi ao evento. Assim como os vereadores do G-5 sanjoanense: o atual presidente da Câmara, Elísio Rodrigues (PL); o presidente eleito, Alan de Grussaí (Cidadania); além de Analiel Vianna (Cidadania), Franquis (PSC) e Kaká (Podemos). Elísio é outro político da região ligado a Rodrigo Bacellar.

 

Parque Saraiva e Ponte da Integração (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Pq. Saraiva e Ponte da Integração

Política à parte, o evento trouxe boas notícias concretas a Campos, SJB e São Francisco de Itabapoana, cujos vereadores Renato Roxinho e Eleno (ambos, do SB) também estiveram presentes. Wladimir anunciou “para os próximos dias” a retomada de obras no Parque Saraiva, em parceria do município com o Governo do Estado. Por sua vez, Castro finalmente deu prazo para a entrega da Ponte da Integração, ligando SJB a SFI: “A entrega está pré-marcada para 31 de maio de 2023”. Morto pela Covid em 2020, após brigar tanto em vida pela obra iniciada em 2014, infelizmente o deputado estadual João Peixoto não estará aqui para ver.

 

Rosinha improcedente

A Câmara de Campos teve a temperatura da sessão de ontem elevada por dois fatos externos. Ambos ligados à ex-prefeita Rosinha Garotinho (União), mãe do prefeito Wladimir. Primeiro foi a decisão judicial do último dia 29 que julgou improcedente a anulação, pela atual Legislatura, da reprovação das contas de Rosinha de 2016 pela Legislatura anterior, seguindo parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE). No Folha no Ar, a anulação já havia sido considerada aberrante por juristas conceituados, como o ex-presidente da OAB-Campos e seu atual vice-presidente, respectivamente, Cristiano Miller e Carlos Alexandre de Azevedo Campos.

 

(Reprodução do Facebook)

 

“Olhos verdes”

Quem levantou na Câmara a decisão da juíza Danielle Coutinho Cunha Gomes, da 3ª Vara Cível de Campos, contrária a Rosinha, foi o Marquinho Bacellar. Coube a ele levantar também o segundo fato incendiário do dia. Foi uma postagem de Rosinha no Facebook em cobrança ao filho: “Wladimir, você só chegou onde está com o carimbo Garotinho. Não pelos seus belos olhos verdes”. Verdade ou não, não é mentira que qualquer mãe só deveria cobrar seu filho dessa maneira no reservado. Jamais publicamente. Skakespeare advertiria: “o ciúme é um monstro de olhos verdes que se alimenta da própria carne” (“Othelo”, ato 3, cena 3).

 

Rosinha e Wladimir em postagem do dia das mães (Foto: Instagram)

 

Com informações dos jornalistas Ícaro Barbosa, Aldir Sales, Arnaldo Neto e do repórter-fotográfico Genilson Pessanha.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Castro em Campos: “Sou amigo do Rodrigo e do Wladimir”

 

À frente de Washington Reis, Wladimir Garotinho, Frederico Paes e o empresário Renato Abreu, presidente do Grupo MPE, o governador Cláudio Castro discursou após a missa de abertura de safra da Coagro (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)

 

“Eu sou amigo do Rodrigo (Bacellar, PL) e do Wladimir (Garotinho, sem partido). Eles que se entendam. A questão das disputas políticas de Campos não tem nada a ver comigo. Eu sou governador do estado e tenho que trabalhar com os dois. Se tiver um terceiro, que brigue com os dois, eu vou trabalhar com ele também. Assim como se tiver um quarto. Eu sou governador e não me meto nessas questões municipais”. À reportagem da Folha, foi o que disse hoje de manhã o governador Cláudio Castro (PL), na missa de abertura de safra da Usina Sapucaia. Que pertence ao Grupo MPE e é arrendada a Coagro, presidida por Frederico Paes (MDB), vice-prefeito de Campos.

Wladimir Garotinho marcou presença no evento, não Rodrigo Bacellar, que deixou a poderosa secretaria estadual de Governo para tocar sua pré-candidatura à reeleição como deputado estadual em outubro. Mas, irmão de Rodrigo e vereador eleito presidente da Câmara de Campos em 15 de fevereiro, no pleito anulado pela atual Mesa Diretora governista, Marquinho Bacellar (SD) também esteve lá. Como vários edis da oposição, entre eles Helinho Nahim (PTC), Bruno Vianna (PSD), Raphael Thuin (PTB), Igor Pereira (SD) e Anderson de Matos (Republicanos). Quem veio junto com Cláudio Castro, como adiantado pelo blog em 5 de maio, foi Washington Reis (MDB). Ex-prefeito de Duque de Caxias, ele é considerado o nome mais cotado para ser o vice na chapa da tentativa de reeleição do governador.

 

Entre os vereadores de oposição Helinho Nahim, Igor Pereira, Raphael Thuin, Marquinho Bacellar, Anderson de Matos e Bruno Vianna, Cláudio Castro posou fora do palanque oficial (Foto: Divulgação)

 

Leia a cobertura completa da visita de Castro a Campos e região na edição desta quarta (11) da Folha da Manhã.

 

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Política de Campos, RJ e Brasil sob o jornalismo mulher

 

Por Aluysio Abreu Barbosa, Cláudio Nogueira e Matheus Berriel

 

A semana em que o Folha no Ar trouxe só entrevistadas mulheres ao programa matinal do Folha FM 98,3, se encerrou na sexta (06) com quatro delas. Mais acostumadas a fazer perguntas do que a dar respostas, as jornalistas Dora Paula Paes, Flávia Ribeiro, Júlia Maria Assis e Suzy Monteiro, em ordem alfabética, foram da política da planície goitacá em disputa pelos Garotinhos e os Bacellar, refletida numa Câmara Municipal só de homens, ao Planalto Central ainda mais polarizado entres as pré-candidaturas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL). No meio, passaram ainda pela eleição ao Palácio Guanabara, que teve tantos dos seus últimos ocupantes presos e hoje as pesquisas projetam em outra polarização, entre o deputado federal Marcelo Freixo (PSB) e o governador Cláudio Castro (PL). A presidente e governador, analisaram também algumas opções da chamada terceira via, incluindo a única presidenciável mulher até aqui, a senadora Simone Tebet (MDB). Entre tantas disputas eleitorais que se desenham encarniçadas, Dora, Flávia, Júlia e Suzy confessaram o temor comum pelo destino da democracia no Brasil. Como a fé que as quatro depositam nessa forma feminina de governo.

 

Jornalistas Dora Paula Paes, Flávia Ribeiro, Júlia Maria Assis e Suzy Monteiro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Folha da Manhã – Qual sua visão da crise na Câmara de Campos composta só de homens na disputa de poder entre os grupos políticos dos Garotinho e dos Bacellar?  

Dora Paula Paes – Observar a Câmara de Campos, hoje, não é uma coisa muito fácil. Não tem mulheres. Então, a coisa não tem sensibilidade nenhuma. Pelo contrário, é uma vergonha pura assistir a uma sessão. Tenho um filho de 13 anos, ele não vota, mas acompanha o meu trabalho, porque está em casa e eu estou em casa ouvindo a sessão. Esses dias, assistindo a uma sessão comigo, ele falou assim: “Mãe, essa Câmara parece com a novela ‘Poliana’”. É uma novela de criança, de dona de casa, que tem 900 capítulos. E ele frisou uma coisa que me chamou a atenção: “Ela (a Câmara) tem muita enrolação, como a novela”. E ele está certo. Tem muita enrolação, tem muita briga. O Executivo é um poder, o Legislativo é outro, e o Judiciário é outro. Desde a eleição de 2004, a política de Campos perdeu a vergonha de ir para a Justiça. E, quando você perde a vergonha de ir para a Justiça, é muito sério. Tudo vira uma batalha de oposição e situação. E é uma vergonha assistir a isso, seja presencialmente, seja pela internet. Para mim, o Legislativo perdeu a vergonha. Eu acho que a Justiça também fez o papel dela nessa situação, porque querer caçar 13 (vereadores) é uma situação complicada.

Flávia Ribeiro – Não é uma situação de a gente se orgulhar. Dora falando, eu fico me lembrando: já acompanhei confusão na Câmara; sai prefeito, tira prefeito eleito, prefeito assume na Câmara. Parece que não é uma coisa séria. E aí eu fico olhando a política como um todo no Estado do Rio. O que nós estamos fazendo, enquanto sociedade, que a gente não consegue eleger ninguém que tenha decência para terminar um mandato no Executivo? No Legislativo, até que a gente encontra algumas pessoas, mas o nosso histórico moral é muito ruim. Se você é eleito para representar o povo, você tem que ter decência em representar. Você não pode legislar só para o seu grupo, governar só para o seu grupo. E é isso que eu tenho visto. Sinceramente, fico olhando de longe, e campista se espalha para o mundo inteiro. Em todo lugar que eu vou tem um campista aqui em Niterói. Mas, quando não tem campista, se fala: “Você é de Campos? E a política?”, e já dá aquele risinho. Eu falo: “Olha, sou campista com todo orgulho do mundo, mas não sou dessa laia de quem está representando mal a cidade”. Sinceramente, acho vergonhoso. Parece que é uma brincadeira.

Júlia Maria Assis – O Legislativo é um espaço de representatividade, o embate é normal. A calmaria absoluta no Legislativo nunca é um bom sinal. Só que esse caso específico da Câmara de Campos, infelizmente, é a eleição de 2022. Desde fevereiro, não se tem as sessões, e a população precisa que o Legislativo atue para votar seus projetos de lei, para fiscalizar o Executivo, para debater as coisas da cidade. E há um embate por poder, por Mesa Diretora. O Legislativo com essa hegemonia de apoio ou oposição nunca é um bom sinal. A situação é lamentável porque não tem as sessões. Óbvio que não podia ser de outro jeito, esse afastamento dos vereadores era uma coisa realmente bastante complicada. Judicializou, a Justiça está fazendo o papel dela. Mas isso faz com que o cidadão passe a detestar e a desprezar a política cada vez mais. A negação da política já nos fez muito mal. Falta mulher na Câmara, sim, mas sobretudo falta comprometimento com o cidadão. Ninguém está trancando pauta lá para defender interesse de projeto, defender interesse do cidadão; está para uma disputa de poder, para uma eleição que acontece este ano. É lamentável.

Suzy Monteiro – Dora lembrou a eleição de 2004, e eu digo que é a eleição que nunca acabou. Desde 2004, já vinha essa questão de recorrer à Justiça, que é um direito. Isso vem se prolongando, de uma certa forma, desde então. Neste caso, também não é diferente. Acho que o presidente da Câmara (Fábio Ribeiro, PSD) errou ao antecipar uma eleição que podia ser feita depois. Ele sabia que não tinha ampla vantagem. Ele apostou e perdeu. Tem essa questão de Nildo (Cardoso, União), mas, com certeza, se a vitória tivesse sido da atual Mesa Diretora, isso não teria nem sido levantado por eles. Isso é fato. Os vereadores da oposição estão unidos. E isso está se fortalecendo. De vez em quando eu entro, leio a Folha e vejo alguma coisa que está acontecendo. De vez em quando, para matar a saudade, ouço até sessão da Câmara. Minha filha fica falando: “Mãe, você é doida, fica ouvindo isso”. Eu vi ontem que teve mais um vereador (Dandinho Rio Preto, PSD) que disse que está na base do prefeito, mas que vai apoiar o Rodrigo (Bacellar, PL, na reeleição a deputado estadual), enfim. Não se pode servir a dois senhores. Mas, acho que procurar a Justiça foi importante, era necessário.

 

 

Folha – Como projeta a eleição ao Governo do Estado, que as pesquisas apontam polarizada entre o deputado federal Marcelo Freixo e o governador Cláudio Castro? Ex-prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT) ou algum outro nome da terceira via tem chances?

Dora – Sobre a eleição para governador, eu vejo o Freixo com pautas fortes, pautas sociais muito fortes. Tem um discurso muito bom. O mesmo eu considero sobre o Rodrigo Neves (PDT). Já entrevistei os dois. O Rodrigo Neves tem a seu favor a questão de ter feito um ótimo governo em Niterói, bem avaliado. E, em relação ao Cláudio Castro, eu o conheço desde criança, brincando na vila onde eu morava com os meus irmãos. Foi uma surpresa encontrá-lo na política. Percebo o lado positivo do governo dele, com uma menor experiência em relação aos outros dois. Mas ele estava nas tragédias; estava naquele caso da BR 356 aqui em São João da Barra, quando rompeu o dique, veio e, diferente de outros, fez um gabinete ali, no meio daquela água. A ex-prefeita Carla Machado (hoje, PT) foi lá, passou o problema, com medo de Barcelos ser toda invadida, e ele chamou todos os secretários e falou: “Vamos fazer. O que cada um tem que fazer?”. Foi uma grata surpresa, porque o vice é sempre escondido. O que a gente espera dessa eleição é que tenhamos um governador e um vice que a gente não precise assistir na TV sendo levados num camburão, sendo transferidos de um presídio para outro.

Flávia – Eu já falei da vergonha que é a gente ter esse histórico de governadores. O Rodrigo Neves tem, sim, uma avaliação boa aqui em Niterói. O governo dele foi bom, ele se comportou super-bem na pandemia, ele seguiu a ciência, ele fez tudo o que a UFF disse que era para fazer. Não conheço nem o Freixo nem o Cláudio Castro como as meninas conhecem, mas tem uma tia do Freixo aqui no meu prédio. Mas, o que eu acho que a gente tem que prestar atenção é na internet. A eleição, embora polarizada, vai ser cada vez mais na internet como um campo de busca por muito voto, de virada de muita coisa. E a gente tem que ficar muito ligado também nas fake news. A gente já viu conterrâneo (o ex-governador Anthony Garotinho, hoje União) sendo preso, gritando na ambulância. Mas a gente precisa pensar também que eles não perdem a regalia. Eles vão presos, mas vão continuar comendo banquete de comidinha árabe, ar-condicionado, revestimento para não esquentar muito na cela. É o nosso papel de cidadão, enquanto comunicador, combater a mentira. Ser honesto e fazer as coisas direito não é uma vantagem, é uma obrigação. Não está fazendo nenhum favor.

Júlia – Se a gente estava falando aqui sobre o problema que a gente tem da crise de confiança do eleitor no voto que ele, as últimas eleições do Estado do Rio de Janeiro simbolizam isso melhor do que qualquer outro cenário no país inteiro, porque a gente tem um histórico de problemas sérios envolvendo vários ex-governadores. A pesquisa da Datafolha de abril dá um empate técnico, com vantagem para o Freixo. São dois candidatos que têm um desafio especial para o interior. O Cláudio Castro era desconhecido até pouco tempo. Mas, com a máquina, sendo governador, tem aproveitado essas condições para fazer as incursões no interior e se fazer conhecer. O Freixo é mais capital, mas com uma estrutura de esquerda, com a vantagem do Lula no cenário nacional. Tudo indica um segundo turno entre essas duas forças. Mas se a gente volta e vê a eleição do (Wilson) Witzel (em 2018), a gente não pode prever nada. Rodrigo Neves é um bom quadro, tem o Felipe (Santa Cruz, PSD) também despontando. É uma eleição que tende ao segundo turno, e aí vão ocorrer as alianças, que são válidas. Historicamente, precisa se resgatar a confiança do eleitor.

Suzy – Como Júlia falou, o cenário se está se desenhando para Freixo e Cláudio Castro. Acho que a falta de uma terceira via é muito ruim, tanto a nível estadual quanto nacional. Não que a gente não tenha (pré-)candidatos bons, mas, por uma série de razões, não estão decolando. Amo o Freixo de paixão, o conheço pessoalmente desde que ele era assessor do Chico Alencar (Psol) e vinha para Campos sábado de manhã, eu pau da vida para ir para porta de presídio para ele fazer vistoria. O pessoal que é mais de direita fala que ele defendia bandido e não sei o quê. As pessoas não entendem que isso é importante também. As prisões são necessárias, as leis são necessárias; precisa prender e precisa punir; mas, precisa também dar uma chance a quem pode ser recuperado. Quem é a população carcerária hoje? É negro, é pobre, são meninos jovens na maioria, que, quando não morrem aqui fora, vão presos e ficam numa escola do crime. E aí, fazendo justiça a Cláudio Castro, ele tem feito um trabalho que eu identifico como muito bom. O Segurança Presente tem dado um resultado excelente. Tem outras coisas, essa articulação com prefeitos, de qualquer ramificação que seja.

 

 

Folha – E a eleição presidencial, ainda mais polarizada entre o ex-presidente Lula e o presidente Jair Bolsonaro? Ciro Gomes (PDT) tem chance? E Simone Tebet (MDB), única mulher entre os presidenciáveis? Preocupam os ataques de Bolsonaro ao sistema eleitoral?

Dora – Que hoje a política nacional está polarizada entre Lula e Bolsonaro, é inegável. Em relação ao Bolsonaro, eu acho que os militares vão precisar tomar cuidado se pensarem em mexer no resultado de uma eleição. As Forças Armadas já têm muito a responder pelo passado. Então, ter mais essa mancha não seria bom para uma instituição tão forte e que nos representa. Em relação à terceira via, foi citada a Simone Tebet. Mas, o próprio MDB já está começando a minar a (pré-)candidatura dela. Recentemente, fizeram um jantar para o Lula, porque o MDB quer estar onde o poder está. Acho que a eleição vai continuar polarizada entre Lula e Bolsonaro. A gente só espera que, indo para um segundo turno, o Brasil esteja forte, que o eleitor esteja ciente e que não seja tão danoso fazer uma escolha. Vamos votar. Que as instituições mantenham o seu papel firme. A população está carente. Não saímos ainda de uma pandemia, a economia está em frangalhos. A situação não está boa para ninguém. Hoje, a renda do brasileiro não dá para nada. A situação está cada vez mais miserável. A gente não precisa ir muito longe: Campos tem uma parcela grande na miséria. A Folha já mostrou isso.

Flávia – Acho que é um ano perigoso até. Sinceramente, eu tenho medo dessa polarização, desses lados tão duros assim: ou você é uma coisa ou você é outra. Tem coisa que é muito perigosa. Tem coisa que não é o bom senso, que é uma retomada, um caminho que parece que é para o vale das trevas. É a Caverna do Dragão. Parece que você está lá dentro e não vai sair nunca de lá; que o Mestre dos Magos nunca vai te apresentar a porta para sair. Mas, eu acredito também na democracia. Tenho fé. Fico pensando que somos tantas mulheres, que somos 53% de eleitoras, estamos comemorando 90 anos que podemos votar. Eu conheço muitas senhoras e senhores de 90 anos. Quando essas mulheres nasceram, elas não tinham direito ao voto. O que eu vejo é um carrinho de compras cada vez menor. Cada vez a gente deixa mais dinheiro no supermercado e traz menos comida. Isso a gente, que está numa parcela da população, digamos, privilegiada. E quem é menos ainda? E, mulheres, prestem atenção: o voto de vocês é o que vai decidir. Nós estamos sofrendo toda essa leva de violência porque a violência está validada. É direito agora bater? Estamos caminhando para trás.

Júlia – Bolsonaro subiu um pouco com a desistência do Moro. Começa a se desenhar talvez a possibilidade de segundo turno. É polarizada, mas não quer dizer que a gente deva fazer essa equivalência de dois extremos. Estão subindo o tom, colocando em dúvida a validade da eleição. Em qualquer processo democrático decente, termina a eleição, a vitória é anunciada, quem perde a eleição agradece os votos, deseja boa sorte ao vencedor e vai para o campo democrático fazer oposição. É assim que funciona. Quando você questiona, quando você começa a colocar dúvida no resultado da eleição porque está vendo a pesquisa desfavorável, você infla uma parte do eleitorado, que não é tão expressiva, mas é barulhenta e passional, para fazer um estrago. Você tem uma estrutura organizada de disparo de fake news. E, por outro lado, um esforço permanente de desacreditar as instituições, de enfraquecer o Supremo Tribunal Federal, enfraquecer o Poder Legislativo, criminalizar a oposição e a imprensa. A Simone Tebet tem um espaço, vai ser importante no debate. O Ciro tem o espaço dele, é importante no debate. Mas não é um processo eleitoral normal. É pior do que em 2018.

Suzy – Se a gente chegar ao final do segundo turno, havendo segundo turno, ainda vivendo numa democracia, com as instituições de pé e todo mundo por aqui, a gente já vai estar numa grande vantagem. Dizendo isso, acho que a pré-campanha de Lula precisa entender o que está acontecendo no Brasil. Não entendeu quatro anos atrás. Lula governou este país, está aí desde a década de 1970, 1980. Lembro de mim, pequenininha, assistindo televisão e vendo Lula discursando no meio dos metalúrgicos. O que me despertou para a política foi isso. Mas, (precisa) parar de brincar. É alguém segurar o Lula, porque ele tem entrado numas coisas que não têm nada a ver. Vai falar de aborto, ele sabe que não vai passar. Ficou 16 anos no poder. Botou o aborto na pauta? Então, vai falar isso para quê? Não sou de direita, não sou conservadora, mas quando Lula falou de aborto, eu falei: Para quê? Arrumou briga de Big Brother. É absolutamente sem noção. O Brasil ainda é um país conservador, que ainda pensa de uma determinada forma. É errada? Talvez sim, talvez não. Mas, existem coisas muito mais importantes que precisam ser faladas: desemprego, violência contra a mulher.

 

 

Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

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Siprosep ameaça greve, Castro em Campos, Bienal e Câmara

 

Elaine Leão, Wladimir Garotinho e acampamento dos servidores diante da Prefeitura (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Siprosep dá prazo: reajuste ou greve

Dia 30 deste mês. É o limite dado pelo Siprosep ao governo Wladimir Garotinho (sem partido) para promover a reposição salarial aos servidores de Campos. O que, se não acontecer, levará a categoria a declarar greve por tempo indeterminado. Foi o que afirmou na manhã de quarta (04), no programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, a presidente do Siprosep e servidora municipal da Saúde, Elaine Leão. “Em ano de eleição, nós temos limite (de tempo) para passar pela Câmara. Nós temos até 8 de julho para (o reajuste) estar aprovado e sancionado. Nós vamos na negociação até 30 de maio. Se não, é greve por tempo indeterminado”.

 

 

Falta de diálogo

Elaine se preocupou em dizer à Folha FM que vem tentando o diálogo. E acusou o prefeito Wladimir de a estar evitando como presidente do Siprosep: “O que está adoecendo a gente é não ver o respeito. Quando você (Wladimir) não atende o sindicato, fala para uma presidente de sindicato eleita: ‘Com você eu não converso’. Quando você vira as costas dentro do Ferreira Machado, você está desrespeitando 20 mil servidores. ‘Com ela eu não converso’? Por quê? Por que a gente quer abrir a caixa preta? Por que nós não estamos deixando o rombo do Previcampos (deixado pelo governo Rosinha Garotinho) ser pago pelo servidor?”.

 

Transparência?

Elaine lembrou que, em 16 de março, o Siprosep entregou ao governo municipal um pedido de informações, com 15 pontos para esclarecer as contas da Prefeitura com pessoal. Sem resposta, gerou paralisação de 24h na segunda-feira (02) e passeata dos servidores pela avenida Nilo Peçanha, até a frente da Prefeitura, onde montaram acampamento. Após 30 horas, eles foram recebidos na terça (03) pelo secretário de Administração e Recursos Humanos, Wainer Teixeira. E o governo divulgou nota dizendo que as informações pedidas estariam no Portal da Transparência do município. O que os servidores contestam.

 

Frederico Paes, Wladimir Garotinho, Cláudio Castro e Washington Reis

 

Castro em Campos na terça?

Wladimir se prepara para receber, às 10h da manhã da próxima terça (10), dois aliados políticos de peso: o governador Cláudio Castro (PL) e o nome mais cotado a vice na sua chapa para tentar a reeleição em outubro, o ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis (MDB). Segundo o vice-prefeito Frederico Paes (MDB), também presidente da Coagro, Castro e Reis foram convidados e confirmaram presença na missa da abertura de safra da Usina Sapucaia, às margens da BR 356, no trecho Campos/Itaperuna. A Coagro é arrendatária da Sapucaia, que pertence ao Grupo MPE do empresário Renato Abreu, que também estará no evento.

 

Força sucroalcooleira

A previsão para a safra 2022/2023 é moer 1 milhão de toneladas de cana, para produzir 65 milhões de litros de álcool e 300 mil sacas de açúcar. Com o arrendamento da Usina Paraíso pelo Grupo MPE o seu subarrendamento pela Coagro, a previsão é que ela vá moer 300 mil toneladas de cana na safra 2023/2024, para produzir 21 milhões de litros de álcool. Na parceria entre MPE, Coagro e a família Coutinho, proprietária de Paraíso, foram investidos R$ 50 milhões na modernização de equipamentos e recuperação de lavouras, para que a usina da Baixada Campista volte a moer no próximo ano.

 

Auxiliadora Freitas

Bienal do Livro em novembro

No Folha no Ar de quinta (05), dia seguinte à entrevista de Elaine Leão, a convidada da semana feminina do programa foi a presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), professora Auxiliadora Freitas. Ela confirmou a XI Bienal do Livro de Campos para novembro, inicialmente entre os dias 11 e 20, um dia antes do início da Copa do Mundo de futebol. A novidade é que o evento será realizado na região de Guarus. Ela também confirmou que o FestCampos de Poesia Falada e o Concurso Nacional de Contos José Cândido de Carvalho voltarão a ser realizados no município. Ambos, dentro da programação da Bienal.

 

Prosa e poesia sem diletantantismo

“A Bienal vai acontecer em novembro. A gente preferiu deixar para depois da eleição. Este ano, como queremos uma Bienal de todos, vai ser em Guarus. Um dos projetos do plano de governo é a descentralização da cultura. Para que a gente possa ter todas as escolas do lado de lá e do lado de cá participando”, disse Auxiliadora. Em relação aos concursos de contos e poesia, tão importante quanto sua retomada, será a qualificação dos jurados. Que tem que ser composto de literatos e/ou produtores de prosa, para julgar prosa, e de poesia, para julgar poesia. Não um júri de junta amigos diletantes que já corrompeu outros festivais do passado.

 

Natália Soares, Maicon Cruz e Leon Gomes (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Maicon e Leon confirmam Natália

Encerrada ontem (06), com a entrevista das jornalistas Dora Paula Paes, Flávia Ribeiro, Júlia Maria Assis e Suzy Monteiro, reproduzida na página 2 desta edição, a semana feminina do Folha no Ar foi aberta na segunda (02) pela professora Natália Soares, pré-candidata do Psol de Campos a deputada federal. Que disse: “O que aparece como crise da Câmara é o fatiamento da coisa pública para as eleições, pelo grupo dos Bacellar e dos Garotinho. E é horrível!”. Dois dias depois, na sessão de quarta (04), com a troca de acusações rasteiras na tribuna, os edis Maicon Cruz (PSC) e Leon Gomes (PDT) confirmaram Natália: foi horrível!

 

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Cláudio Castro aguardado na missa da Coagro desta 3ª

 

Frederico Paes, vice de Wladimir Garotinho e presidente da Coagro, aguarda Cláudio Castro e Washington Reis para a missa de abertura de safra da Sapucaia/MPE/Coagro às 10 da manhã desta terça (Montagem: Joseli Mathias)

 

O governador Cláudio Castro (PL) e o nome mais cotado a vice na sua chapa para tentar a reeleição, o ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB), são esperados em Campos nesta terça (10), às 10h da manhã, para a missa da abertura de safra da Usina Sapucaia. Segundo o vice-prefeito de Campos e presidente da Coagro, Frederico Paes (MDB), o convite ao governador e a Washington foi feito e confirmado. A Coagro é arrendatária da Sapucaia, que pertence ao Grupo MPE do empresário Renato Abreu, que também estará no evento. Assim como o prefeito Wladimir Garotinho (sem partido).

A previsão de Sapucaia para a safra 2022/2023 é moer 1 milhão de toneladas de cana, com 500 mil, ou metade, de lavoura da usina e dos produtores cooperados. Para produzir 65 milhões de litros de álcool e 300 mil sacas de açúcar. Com o arrendamento da Usina Paraíso pelo Grupo MPE o seu subarrendamento pela Coagro, a previsão é que ela vá moer 300 mil toneladas de cana na próxima safra, produzindo 21 milhões de litros de álcool. Na parceria entre MPE, Coagro e a família Coutinho, proprietária de Paraíso, foram investidos R$ 50 milhões na modernização de equipamentos e recuperação de lavouras, para que a usina volte a moer em 2023.

 

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Campos, RJ e Brasil por jornalismo mulher no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

As jornalistas Dora Paula Paes, Flávia Ribeiro, Júlia Maria Assis e Suzy Monteiro, em ordem alfabética e todas com larga experiência em jornalismo político, são as convidadas para fechar a semana do Folha no Ar, ao vivo a partir das 7h da manhã desta sexta (06), na Folha FM 98,3. Elas analisarão a crise na Câmara de Campos e as eleições de outubro a deputado estadual e federal na região.

Dora, Flávia, Júlia e Suzy também falarão da eleição ao Governo do Estado do Rio, que as pesquisas apontam polarizadas entre o deputado federal Marcelo Freixo (PSD) e o governador Cláudio Castro (PL). Por fim, analisarão outra polarização ainda mais indicada por todas as pesquisas, às urnas que definirão o Brasil daqui a cinco meses: entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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“Campos é um feudo fatiado entre Garotinhos e Bacellar”

 

Revelação das eleições a prefeito de Campos em 2020 e pré-candidata do Psol goitacá a deputada federal em 2022, Natália Soares analisou o caos produzido por uma Câmara Municipal só de homens (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Campos fatiada?

Como a Folha tem noticiado, é uma disputa de poder (na Câmara de Campos). Parece um feudo, com dois grupos tentando fatiar a cidade. O que está por trás disso, a gente vê na exoneração dos cargos, em quem é nomeado. Os equipamentos públicos estão sendo fatiados por conta de interesses políticos e promoção pessoal”. Foi o que a professora Natália Soares denunciou no Folha no Ar da manhã de segunda (02), na Folha FM 98,3. Pré-candidata do Psol de Campos a deputada federal, ela foi a grande revelação da eleição a prefeito em 2020, numa campanha sem recursos que ficou em 5º lugar no primeiro turno, com 11.622 votos.

 

Feudo entre Garotinhos e Bacellar?

“O que hoje aparece como crise da Câmara é, na verdade, o fatiamento da coisa pública visando as eleições de 2022 e 2024, pelo grupo dos Bacellar e o grupo dos Garotinhos. E é horrível! Como é que a gente pode deixar que a nossa cidade fique entregue a esses grupos, como se Campos fosse um feudo, ou o quintal da sua casa? O que está por trás disso é o que na verdade nos indigna mais.  São os trabalhos legislativos paralisados. Mas quais são as intenções?”, indagou Natália, sem nenhuma resposta concreta dos 25 vereadores desde que a crise na Câmara estourou de vez, na eleição a presidente da Casa de 15 de fevereiro.

 

Cidade refém de dois grupos?

“A gente tem o Fábio (Ribeiro, PSD, presidente da Câmara) que coloca a votação (da eleição a presidente no próximo biênio), mesmo podendo fazer até o final do ano, porque ele acredita que tem uma base, que vai ganhar. No final das contas, perde e judicializa a questão, tentando impugnar o processo que ele próprio disse que havia perdido. A res publica (em latim, “coisa pública”, origem da palavra república) se transforma no quintal da casa, ao bel prazer daqueles que ocupam cargo público. Isso é muito triste! E muito sintomático de uma cidade que fica refém na mão desses grupos. E não consegue escapar!”, lamentou a psolista.

 

Ingovernabilidade?

Natália fez a historiografia da crise da Câmara e do governo: “Desde maio de ano passado, no Código Tributário que Wladimir (Garotinho, hoje sem partido) tentou aprovar na Câmara, teve o racha. Agora (em 15 de fevereiro), quando Maicon Cruz (PSC), que era da base e estava cotado para votar em Fábio, mas votou em Marquinho Bacellar (SD), isso foi a derrocada. O governo, que tinha (até maio de 2021) uma base forte, de 22 vereadores, hoje não consegue ter nem uma maioria simples (13 vereadores). É uma situação de ingovernabilidade. Isso atrapalhou o salário dos professores, que poderia ser reajustado antes e só foi agora”.

 

Poder pelo poder?

“Quem está ali (na disputa pelo poder na Câmara), não está pensando na população, não está pensando no bem comum. E quando você percebe que o que está acontecendo é espúrio, isso causa muita revolta. Na verdade, é patrimonialismo, é clientelismo, os equipamentos fatiados entre os vereadores. Você percebe uma enxurrada de gente que vai ser demitida porque uma decisão não foi acatada, ou porque um grupo se colocou diferente. Que autonomia para representar os interesses do povo que essas pessoas têm? Não têm! Está cada um ali pensando em si, no cargo político, no poder que quer alcançar. É poder!”, definiu Natália.

 

Erros gigantescos dos dois lados

Para a pré-candidata a deputada federal pelo Psol, entre os grupos dos Garotinho e dos Bacellar que enfrentou na eleição a prefeito, não há lado sem erros na crise da Câmara: “Ambos os grupos são patrimonialistas. Ambos os grupos utilizam o que deveria ser público para promoção pessoal, se utilizam da própria população. Que está sofrendo com as mazelas do que não anda na Câmara, porque não há pensamento coletivo. O tempo inteiro são os seus próprios interesses (dos vereadores). Os equívocos dos dois grupos, que disputam como feudos, são gigantescos. Se pensassem na população, não agiriam como agem”.

 

 

A presidente e governador

Na política nacional, Natália fez crítica à chapa do ex-presidente Lula com o ex-tucano Geraldo Alckmin (PSB). Mas defendeu o voto a presidente no petista, que terá apoio do Psol, na contraposição entre civilização e a barbárie que vê representada no presidente Jair Bolsonaro (PL). Na eleição ao Palácio Guanabara, ela projetou outro afunilamento, entre o governador Cláudio Castro (PL), com apoio de Bolsonaro, dos Bacellar e dos Garotinho, e o ex-psolita Marcelo Freixo, que migrou ao PSB na mesma tentativa de Lula de se aproximar do centro. O apoio formal do Psol a governador do RJ, que tende a Freixo, será definido em 14 de maio.

 

Carla Machado e Elaine Leão, entrevistadas do Folha no Ar, respectivamente, ontem e hoje (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Carla Machado e Elaine Leão

Ex-prefeita de São João da Barra, Carla Machado foi a convidada de ontem na semana feminina do Folha no Ar. Que segue na manhã de hoje com a presidente do Siprosep, Elaine Leão, para falar das reivindicações do servidor municipal e do pedido de informação ignorado pelo governo Wladimir. Sobre a política de SJB e sua pré-candidatura de deputada estadual, o que Carla falou está na reprodução da sua entrevista nas páginas 2 e 3 desta edição. Na eleição presidencial, quis evitar polêmica com o bolsonarismo, mas admitiu “o coração vermelho” no voto em Lula. Certeza que não teve a governador, admitindo não ser próxima a Freixo.

 

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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