Edmundo Siqueira, servidor do Banco do Brasil; Aluysio Abreu Barbosa, jornalista; Hanania Monjin, advogado; e João Monteiro Pessôa, professor de História do IFF-Guarus (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Reflexo de Picasso no copo de cerveja
Por Edmundo Siqueira, Aluysio Abreu Barbosa, Hanania Monjin e João Monteiro Pessôa
— E fusão do DEM com PSL na quarta? Escolheram o número 44, do PRP, e o nome de União Brasil para a nova sigla. Fundador do PRP em 1945, quando o nazifascismo foi derrotado na 2ª Guerra, Plínio Salgado tinha fundado o integralismo no Brasil dos anos 1930, inspirado no nazismo e no fascismo. Com direito até a encontro com Mussolini. O símbolo do movimento integralista é o Sigma, que significa soma, união. Para virar integralista, só faltam as camisas verdes ao tal União Brasil? — questionou Eduardo, antes de molhar o verde da palavra com o líquido amarelo da cerveja, em cruza “patriótica” involuntária na mesa do bar.
Ao centro, Plínio Salgado em manifestação “patriótica” do integralismo, no Brasil dos anos 1930
— Acho forçosa essa sua analogia da fusão entre DEM e PSL com os integralistas. Que tiveram 17 integrantes mortos no tiroteio, com outras centenas de feridos, na praça do Santíssimo Salvador. Era 15 de agosto de agosto 1937, vermelho de sangue na história goitacá. O PSL serviu para a vitória em 2018 do clã Bolsonaro, que saiu da legenda numa briga mesquinha pelo fundo partidário. Mas a sua analogia com os “galinhas verdes” se prestaria mais aos dois arregos públicos de Bolsonaro, após sua tentativa desastrada de golpe no 7 de setembro — respondeu Aníbal, não sem disfarçar o riso, enquanto tomava um gole de cerveja. E lembrava da imitação do Marcelo Adnet do áudio de um Bolsonaro acovardado, suplicando que os caminhoneiros bolsonaristas liberassem as estradas fechadas após os protestos bolsonaristas.
— Mas o DEM nasceu da Arena, partido que sustentou a ditadura militar brasileira. Com a redemocratização, passou a se chamar PFL. E, nos anos 2000, DEM — argumentou Eduardo.
— E, entre Arena e PFL, também foi PDS até a eleição de Tancredo a presidente, pelo Colégio Eleitoral em 1985. Hoje, a fusão visa abrir vantagem sobre o PSD de Kassab, Eduardo Paes e Wladimir, formando a legenda de maior força na direita e centro-direita do país. Que terá três alternativas na eleição presidencial de 2022. Uma é apoiar Bolsonaro, cuja reeleição hoje seria matematicamente impossível. Como pode ser encarnar ou apoiar uma opção da terceira via, que não Ciro. A última opção não é ruim. Será a maior força de oposição no Congresso a Lula, caso ele chegue de novo ao poder, como apontam todas as pesquisas. Neste caso, o petista pode ter cobrada a fatura de quando era presidente e disse em comício para eleger Dilma em 2010: “Precisamos extirpar o DEM da política brasileira” — lembrou Aníbal.
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— Estou estudando o tema integralismo e pode ser que eu tenha forçado a analogia, Aníbal. Mas faço a ressalva que não se trata de comparar, pelo menos por enquanto, um movimento e outro. Mas foi irresistível a comparação quando eles escolhem o número do PRP e, principalmente, União Brasil como novo nome. Além do DEM ter um histórico ligado à ditadura. Se for um bloco de direita e centro-direita, ótimo, nada mais saudável à democracia. Mas se apoiarem Bolsonaro, mesmo em um eventual segundo turno, se aliarão a um protofascismo muito próximo do integralismo, evidenciado no “Deus, Pátria e Família” e em tantas outras semelhanças nefastas — sustentou Eduardo.
— Já que vocês estão falando de integralismo e nazifascismo, e como é que ficam essas matérias sobre a operação da polícia que prendeu um pedófilo no Rio, na terça? Todas vêm repetindo que as SS eram uma tropa paramilitar ligada ao Partido Nazista. Eu acho que essa definição cabia às SA. Que foram desmobilizadas por ordem de Hitler. As SS, em muitos sentidos, deram origem às tropas de elite das Forças Armadas depois da 2ª Guerra — entrou no papo Hans, que tinha acabado de chegar e sentar à mesa do bar.
— A SS cumpria múltiplas funções na Alemanha Nazista. Era a polícia política com a Gestapo, controlava os campos de concentração e também tinha as unidades militares, as Waffen-SS. E a qualidade dessas tropas era bastante heterogênea. Nas mais de 50 divisões da Waffen-SS, só um punhado se encaixa como tropa de elite. A maioria era de tropas paramilitares, mal treinadas e armadas, compostas por homens mais velhos ou adolescentes. Era uma organização separada da estrutura regular das forças armadas alemães, e subordinada diretamente ao Partido Nazista. Era como a SA, só em maior escala. A semente das atuais forças especiais, nos dois lados da 2ª Guerra, eram as forças de elite aerotransportadas. Na Alemanha, os paraquedistas do exército. Nos Aliados, a famosa SAS britânica — disse Jean, que completara o quarto lugar na mesa do bar. E já entrou em campo fazendo embaixadinha.
— Você está certo nisso, mas existiam comandos especiais da Waffen-SS que também podem ser incluídos aí, em especial a tropa comandada por Otto Skorzeny — armou Hans sua Linha Maginot na defesa da área.
Tenente-coronel da SS Otto Skorzeny, homem de ação preferido de Adolf Hitler
— Skorzeny era da SS, mas paraquedista. E me referi à própria Waffen-SS, cuja maioria das unidades foi formada após 1943, quando a Alemanha já sofria déficit de homens aptos ao serviço militar. Curioso é que cerca de 250 mil prisioneiros de guerra soviéticos acabaram fazendo parte dos efetivos da Waffen-SS, por conta dessa carência de soldados — explicou Jean.
— Li em algum lugar que as Waffen-SS eram as tropas alemãs com maior número de estrangeiros voluntários. Eram muitos franceses, nórdicos em geral, holandeses e belgas, fora os espanhóis que migraram em peso. Se não me engano, até tropas indianas eles tinham — globalizou Hans, antes de molhar a garganta com cerveja.
— Verdade, e algumas das melhores unidades eram compostas por esses estrangeiros. Outro fato curioso, a última unidade combatendo pelos nazistas na batalha de Berlim foi a divisão Carlos Magno, composta por franceses. A realidade às vezes é mais improvável do que qualquer ficção — vaticinou Jean, batendo continência com o copo à boca, em gole longo.
(Clique na imagem e assista ao documentário “O Homem Mais Perigoso da Europa: Otto Skorzeny na Espanha”, na Netflix)
— O Otto Skorzeny era oficial da SS e considerado pelos EUA o homem mais perigoso da Europa. Ele ganhou fama por salvar Mussolini. Está rolando na Netflix um bom documentário espanhol sobre sua vida. Relata a Espanha de Franco, aliado de Hitler que sobreviveu à queda do nazismo e abrigou o nazista Skorzeny, onde ele fez fortuna e trabalhou para o Mossad, serviço secreto de Israel — retornou Eduardo ao papo.
— Ia indicar o filme da Netflix quando o Hans citou o tenente-coronel da SS Otto Skorzeny. Mas sua blitzkrieg, Eduardo, foi mais rápida. Também assisti. Mesmo a quem já acumulou alguma leitura sobre a 2ª Guerra, o documentário é capaz de ensinar coisas novas. Inclusive que o homem de ação favorito de Hitler, que resgatou Mussolini dos Apeninos, mesmo se mantendo um nazista orgulhoso e convicto depois da II Guerra, seria colaborador do Mossad, para proteger Israel. É como sentenciou o Jean: “A realidade às vezes é mais improvável que qualquer ficção” — endossou Aníbal, também de volta ao jogo.
— Eu assisti. É muito bom. Também li o livro dele. Tem uma passagem sobre como Skorzeny meio que assumiu o controle da capital Berlim e frustrou os planos da resistência alemã, no episódio do atentado a Hitler — complementou Hans.
— E Skorzeny aliado ao Mossad, para resguardar Israel do Egito, me fez lembrar que o DEM, após pular fora da ditadura para dar sustentação à eleição de Tancredo em 1985, substituiu este por morte no desastroso governo Sarney. O DEM depois comporia chapa com FHC em seus governos, os primeiros sociais-democratas do Brasil. Como também seriam os de Lula. Os dois sob os mesmos princípios macroeconômicos do liberalismo. O diabo, certamente, não são os outros — finalizou Aníbal, enquanto encarava seu reflexo de Picasso no copo de cerveja.
Com Arnaldo Neto, Cláudio Nogueira e Matheus Berriel
“Bolsonaro se apresenta como uma nostalgia do período militar (…) Lula tem falado muito na necessidade de voltar àqueles bons tempos em que ele era presidente da República. Na minha opinião pessoal, não existe nem volta ao período militar, como Bolsonaro sonha, nem existe volta aos bons tempos com os quais o Lula sonha. São, na verdade, duas nostalgias”. No Folha no Ar da manhã de ontem, na Folha FM 98,3, foi a avaliação que Fernando Gabeira, jornalista da Globo News e deputado federal por quatro mandatos consecutivos, fez do atual presidente da República e do seu antecessor. Ambos favoritos em todas as pesquisas presidenciais às urnas de 2022, daqui a menos de um ano. Defensor de uma opção “olhando para frente, para um projeto de futuro do Brasil”, o ex-candidato a presidente pelo PV na eleição de 1989 acha que o caminho para a terceira via é apostar na decadência popular de Bolsonaro, que “não chegou ainda ao seu limite”. Gabeira também falou sobre jornalismo, fake news, crise econômica do país, meio ambiente, crise hídrica, energias alternativas, pandemia e CPI da Covid, que considera estar cumprindo seu papel, ainda que não acredite no impeachment do atual ocupante do Palácio do Planalto, enquanto Arthur Lira (PP/AL) ocupar a presidência da Câmara Federal. Gabeira também analisou pragmaticamente, mesmo admitindo relativo desinteresse, a disputa do governo do estado do Rio.
(Foto: Divulgação)
Jornalismo sob ataque – Trata-se não só de um problema brasileiro, mas um problema que aconteceu também nos Estados Unidos, com características muito semelhantes à nossa quando surgiu o Donald Trump. São candidatos de extrema direita, com uma visão muito especial e que precisam, de uma certa maneira, se colocar artificialmente. É uma colocação especial contra o sistema. Então eles chamam de sistema não só o sistema político ou as instituições, como também a grande imprensa. Eles precisam se colocar como vítimas da grande imprensa e precisam utilizá-la também como um instrumento de trabalho. Como eles utilizam como instrumento de trabalho? Dizendo barbaridades, fazendo provocações, ainda que sejam aparentemente absurdas, mas eles se colocam numa situação em que forçam a grande mídia a falar deles. Existe essa preocupação permanente de criar esse conflito com a grande imprensa, porque esse conflito é um conflito que interessa a eles. Ao mesmo tempo, eles procuram estabelecer um sistema de informação próprio, que são as bolhas onde eles circulam, e tratam de apresentar as notícias, às vezes e quase sempre, de uma forma muito parcial. Portanto, é uma tática utilizada por ele, copiada do Trump nos Estados Unidos, que só foi e é possível com o advento da internet, com a possibilidade de você criar canais próprios, se colocar como vítima da imprensa, falar o que quiser nos seus canais e utilizar a grande imprensa como um mecanismo de provocação para que o seu nome continue sendo difundido.
Reação – Evidentemente, esta tentativa, tanto do Trump quanto do Bolsonaro, sofreu alguns problemas com o advento da pandemia. Foi necessário, de uma certa maneira, acreditar na imprensa, que prestou um serviço extraordinário, e a imprensa se colocando também como aliada da ciência. Imprensa e ciência se colocaram de uma forma mais ou menos uniforme, integrada, compacta, oferecendo uma interpretação da pandemia e indicações para sobreviver à pandemia, que é entrar em confronto, lá nos Estados Unidos, com a primeira visão inicial negacionista do Trump, não era tão forte, e com a visão negacionista do Bolsonaro aqui no Brasil. Então, você teve: de um lado, o Trump foi derrotado nas eleições americanas praticamente por isso também, é um grande fator na derrota dele. Outro elemento dessa tática é o descredenciamento, que é deslegitimação das eleições. Nos Estados Unidos, esse processo passou por uma denúncia de fraude nas eleições a partir dos votos pelo correio. Aqui no Brasil, a deslegitimação foi tentada a partir de um questionamento dos votos eletrônicos, mas ambas com a mesma intenção de se posicionar, em caso de derrota, com uma denúncia mais ou menos estabelecida de que as eleições foram fraudulentas.
Fake news – Eu diria que é uma coisa até mais longa na história da humanidade. Você vê que eu fui candidato no Rio de Janeiro, e eles faziam panfletos, fizeram um milhão de panfletos dizendo que eu ia acabar com o feriado de Nossa Senhora, umas coisas desse tipo. Existe um livro de um grande intelectual alemão, Hans Magnus Enzensberger, que chama “Política e crime”. Então, ele levanta, ao longo da história da humanidade, a quantidade de governos que caíram por causa de boatos. Os boatos eram, na Idade Antiga, as fake news de hoje: eram informações falsas que corriam de boca em boca em certos momentos, até derrubarem o governo. Quer dizer, é uma tática antiga, mas que foi evidentemente potencializada pela internet. Por quê? Primeiro, porque a internet multiplica essas informações. Segundo, porque, através da internet também, você pode criar bolhas em que as pessoas vivem encerradas e só acreditam naquelas informações que saem de determinadas fontes. Então, você pode ter uma bolha de pessoas que acreditam que a Terra é plana e recebem informações fortalecendo a sua convicção de que a Terra é plana. Todas as notícias que vêm para elas são notícias dentro do contexto e da visão de um mundo, segundo qual a Terra é plana.
Futuro do jornalismo – Essa destruição das fake news foi uma espécie de necessidade. Mas, dentro do jornalismo, da indústria jornalística, sempre se dedicou uma parte do orçamento para justificar as notícias que se publica. Há empresas jornalísticas do mundo que produzem notícias e gastam 30% do seu orçamento de produção das notícias só na checagem. Então, esse trabalho de checagem é um trabalho específico da indústria que dá a ela mais respeitabilidade, porque, para você ganhar, de uma certa maneira, a confiança de tomadores de decisão, tanto no campo econômico como no campo político, você precisa ter informações checadas na base. Portanto, esse trabalho de desfazer as fake news é apenas um trabalho secundário. O principal é o trabalho que a imprensa utiliza para checar as suas próprias notícias, para evitar que as próprias notícias não sejam falsas, a ponto de as pessoas, com o tempo, passarem a confiar naqueles organismos que publicam notícias verdadeiras.
Aliança com a ciência – No caso da pandemia, foi preciso definir qual é o campo em que você vai atuar. Se nós vamos tratar de uma pandemia, qual é o nosso aliado? Qual é a nossa fonte? A fonte é a ciência. São cientistas. Então, vamos estabelecer com eles uma associação e vamos tentar popularizar e divulgar as teses científicas reconhecidas e aprovadas na pandemia. Eu acho que o futuro do jornalismo ficou bastante evidenciado aí, também na necessidade de você, cada vez mais, se associar àquelas fontes que são fontes legítimas e poderosas em cada tema, para poder continuar ganhando a confiança das pessoas. Se você examinar bem, a produção da notícia custa dinheiro. Fazer a notícia custa dinheiro. Eu estou aqui fazendo um trabalho sobre a crise hídrica, mas estou consumindo, usando um hotel, num quarto de um hotel, eu almoço, alugo carro, e isso tudo é importante. De um modo geral, grande parte dos comentários da internet são a partir de notícias que nós produzimos, que a empresa produz.
Crise econômica do Brasil – Nós já estávamos com dificuldades econômicas no Brasil antes da pandemia. Que, de uma certa maneira, aprofundou bastante essa crise. Ela reduziu a atividade econômica, ela aumentou o número de desempregados, ela inibiu o investimento, e nós tivemos o comportamento do presidente da República também muito negativo em relação a isso. Ele hesitou em iniciar o processo de vacinação, a compra das vacinas.
Alternativa ambiental – Quando você olha a crise econômica também em outros países, quase todos eles, pelo menos os países europeus, eles procuram determinar algumas linhas para sair dela. Uma das linhas que a Europa define, e que poderia estar presente no Brasil, é a compreensão da importância do meio ambiente. Na Europa, um dos pontos da retomada é exatamente a retomada verde. E o Brasil está, nessas circunstâncias históricas, diante de um mundo que vê a questão ambiental de uma outra maneira. Ela está presente na agenda dos principais líderes mundiais, inclusive no programa do Biden. Ela um ponto decisivo, ela está presente na Europa, ela está presente no plano quinquenal chinês, em 10 dos 13 pontos. E o Brasil, como potência ambiental, deveria estar exatamente compreendendo que grande parte do seu potencial está exatamente em valorizar a natureza e utilizar esse instrumento para projetos de crescimento. Mas, o que o governo brasileiro faz? Ele ainda está ancorado numa visão de crescimento antiga, que não se inibe na destruição do meio ambiente. E, com isso, afasta investimento. As empresas, hoje, são regidas por uma linha de trabalho chamado ESG (Environmental, Social and corporate Governance, ou melhores práticas ambientais, sociais e de governança). Os fundos de pensão passam a ser muito cobrados nos investimentos se eles escapam dessa compreensão da importância do meio ambiente. Então, você tem grandes países do mundo colocando o meio ambiente como o centro da sua agenda. Você tem as empresas internacionais determinando que o meio ambiente é muito importante.
Brasil dá as costas ao mundo – O Brasil dá as costas para essas possibilidades. A primeira decisão do presidente da República foi uma decisão de romper com um fundo amazônico da Noruega e da Alemanha, que era um investimento a fundo perdido, exatamente para proteger a Amazônia, exatamente para dar condições de você proteger a Amazônia. E, nesse contexto, o Brasil poderia avançar até para poder tirar algum proveito do carbono que a própria Amazônia consegue reter, e também tirar proveito da possibilidade de explorações científicas da floresta, de unir o conhecimento à floresta e de buscar daí os caminhos também de crescimento. O governo brasileiro dá as costas para isso. Essa é uma visão tão estreita, que dificulta a retomada a ponto de você ter, por exemplo, um leilão, como o leilão de petróleo desta semana, que foi um fracasso. Você vai leiloar áreas ambientalmente sensíveis, não há mais empresa internacional que queira investir nisso, entende? Então, é uma é uma contradição entre a visão do Governo e a visão da realidade mundial.
Gasolina a R$ 7,00 o litro – Compreendo o sentimento de indignação com o preço da gasolina, mas não é um mecanismo que a gente possa controlar com facilidade. Não só a gasolina é cara, como ela é extremamente cara para o nosso futuro. Ela é um combustível condenado historicamente. Então, nós vemos hoje, por exemplo, que o Brasil já deveria ter avançado numa série de campos que ficaram para trás. As nossas fábricas de automóvel, como a Ford, foram embora porque não compreenderam que está havendo uma mudança ao elétrico. Com todo o mundo em modificação, o Brasil tinha que perceber e tentar se adaptar a ele. Existe agora um esforço de baixar a gasolina por intervenção do governo. Eu acho que conseguir com redução de imposto, tudo muito bem, mas eu acho que você criar um fundo para financiar a gasolina, acho que vai acabar entrando numa luta contra um adversário mais forte do que os governos podem imaginar, entende? Porque eles não têm recursos para segurar uma situação internacional desse tipo internamente, eles não conseguem segurar esse ponto.
Brasileiros passando fome – É preciso que haja realmente uma política decidida sobre a fome, é preciso reconhecer isso e ter uma política decidida sobre isso. Agora, para isso, também é preciso liberar recurso. Você vê o que se passou na pandemia: milhares e milhares de pessoas desempregadas, 14,5 milhões. Mas você viu algum nível de sacrifício que o Estado resolveu fazer, algum nível de admissão entre governadores, deputados, senadores, juízes, desembargadores de reduzir uma parcela do seu salário nessas circunstâncias? Você não viu. Nem falam nisso. E, na verdade, era preciso uma resposta nacional solidária para esse tipo de situação que a gente viveu. Você viu na sociedade, sim, alguns movimentos, mas veio de baixo para cima. De cima para baixo, não houve nenhum gesto de solidariedade. Eles continuam se comportando como se nada tivesse acontecido. Então, eu acho muito difícil, diante de um mundo em transição, diante de uma pandemia com essas dimensões, e as pessoas continuarem achando no poder que tudo será como antes, que houve apenas uma interrupçãozinha porque passou um vírus por aí.
Discurso de Bolsonaro em setembro na ONU – A passagem dele pela ONU foi uma passagem em que ele se transformou para o mundo numa figura exótica. A credibilidade nacional, no que depender dele, ficou muito abalado. Os investimentos, no meu entender, tendem a cair também, porque ele não somente mentiu, não, ele foi também o dínamo de uma instabilidade muito grande no país. Então, é difícil você pensar em investir num país onde há perigo de um golpe, onde o presidente participa de manifestações em que se fala de intervenção militar. Todos eles sentem a instabilidade no ar. Então, esse discurso dele na ONU marcou uma situação muito difícil, porque você já tem a questão ambiental, que isolou muito o país, e acrescentou uma outra questão, que é a questão da pandemia. Ele rompeu o código de honra da ONU, ele foi o único não vacinado a participar do encontro. Ele desafiou, praticamente, a perspectiva da vacinação. E ele se transformou também num símbolo internacional do negacionismo. Então, embora o Brasil tenha avançado no nível da vacinação, independente dele, tem avançado, mas como é que você pode também acreditar num país liderado uma pessoa que nega duas realidades acachapantes? Uma é a pandemia, que só no Brasil já matou 600 mil pessoas, e outra é o aquecimento global, que é um ponto de referência dos eventos extremos (na natureza) que estão produzindo grandes estragos no mundo. Se você parte da negação de dois fenômenos dessa natureza, quem que vai acreditar em você para investir no seu país? É um país em que a liderança nacional está afastada das realidades mais elementares, em um universo próprio, entende? Um universo paralelo.
Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã
Crise hídrica – Quando você observa o Brasil no conjunto, o país está secando. Em três décadas nós perdemos 15,9% da nossa superfície de água. O Pantanal perdeu 29% das águas. Então, tudo isso mostra que nós estamos vivendo um processo cada vez mais difícil. E isso se acrescenta também ou é potencializado pelo fenômeno do aquecimento global. Então, o Brasil precisa se adaptar a essa nova situação. Por isso que eu estou tentando até evitar esse conceito de seca, e tentando trabalhar com conceito mais de estiagem, não é um relâmpago no céu azul. Quando a gente fala em seca, se chover, resolve. Não resolve mais. E até pode chover, tem chovido, mas não está chovendo mais o necessário. Então, eu acho que, primeiro aspecto, a gente tem que tentar romper um pouco a dependência da produção de energia hidrelétrica. A gente tem que avançar um pouco mais na eólica, na solar, em todas as formas de energia chamadas alternativas. Na eólica, por exemplo, o Nordeste hoje não tem grandes problemas energéticos, porque grande parte da matriz no Nordeste já foi alterada. O outro aspecto fundamental é: nós vamos aceitar perder a nossa água? O que nós vamos fazer com as nascentes? Vamos protegê-las ou deixar que elas continuem sendo destruídas? O que nós vamos fazer com as matas ciliares? Nós vamos protegê-las, replantá-las ou deixar que elas não existam mais? Isso tudo precipita o caminho do país para um deserto. Não no deserto completo, mas um país já empobrecido em recursos hídricos. E você sabe que sem a água, além do problema essencial que nós temos de energia, outros setores da economia vão degringolar. Por exemplo, a agricultura, que depende enormemente da água. É preciso mudar completamente o comportamento em relação à defesa das nascentes, à proteção, a um consumo mais racional, entende? O governo foi incapaz de fazer campanhas para consumo mais racional da água. Você pode até chegar ao racionamento, mas em São Paulo já se começa a ver desabastecimento. E o que o Bolsonaro fez foi dizer: “Não tomem banho de chuveiro quente”. Ou então: “Não andem de elevador, andem de escada”.
Termelétrica GNA no Porto do Açu e energia solar em Campos – Eu acho que não só tem que aproveitar para ajudar o país, como para ajudar a própria Campos. Ela pode ser uma cidade muito mais rica, muito mais próspera, se ela tomar esse caminho. Se o caminho dela é por uma energia mais limpa, ela está colocando um pé no futuro. Então, é necessário que ela se disponha a isso. Não sei qual é a posição da política dominante na cidade, se ela vai ter capacidade de compreender isso. Agora, quanto ao solar, eu acho que esse potencial também pode ser visto no caminho da descentralização. Em muitos lugares do mundo, o solar é visto também como um espaço onde a produção de energia não é mais centralizada. Cada um dentro dos seus limites, cada grupo, vai produzindo sua energia. O próprio George Bush (ex-presidente dos EUA), num determinado momento do governo dele, financiou a energia solar em residências das pessoas. Anteontem, eu estava andando pelas ruas de Chapecó (em Santa Catarina) e vi um anúncio: “Compre energia solar, instale energia solar na sua casa; você vai pagar por prestação o mesmo que paga na conta de luz hoje, e em três anos você vai, de uma certa maneira, amortizar, acabar com essa dívida”. Em três anos, passa a ter a energia de graça, e durante três anos você paga exatamente o que paga na conta de luz. E é muito melhor, porque você descentraliza, entende? Agora, se Campos tem esse potencial, era preciso que o Governo do Estado, o próprio Governo Federal, o BNDES, tivessem essa visão e abrissem uma linha de financiamento para as pessoas terem a sua energia solar instalada.
Saldo da CPI da Covid perto do fim – Essa CPI tem uma característica um pouco diferente das outras. Ela tratou inicialmente de um tema que todos já sabiam, que era a maneira como o governo conduziu o combate à pandemia. Ela denunciou o negacionismo do presidente da República em várias etapas, até o negacionismo que foi o mais importante para o momento da CPI, que em torno da compra de vacina. Ele resistia à compra de vacinas, resistiu à compra de vacinas do Butantã (Coronavac), e a CPI funcionou como instrumento de pressão para que ele apressasse o processo de imunizar a população brasileira. Eu acho que, nesse sentido, ela teve um papel importante. Ao longo do caminho também, ao denunciar esse processo de negação do presidente da República, processo de negação que tem várias etapas. Ele negava a importância da pandemia, em determinado momento uns bolsonaristas negavam até a existência dos mortos. Eu vi uma mulher, por exemplo, uma vez dizendo que estavam enterrando os corpos com tijolos dentro, que não havia morto por Covid. Depois, começaram a admitir os mortos, mas passaram a questionar o número dos mortos: “Ah, existem mortos, mas vocês estão aumentando o número, eles estão dando como morte por Covid gente que morreu de outra coisa”. E progressivamente. Depois, a vacina. E como o presidente precisava negar a pandemia, porque ele achava que a pandemia ameaçava o governo dele, ao invés de compreender que era uma realidade e tratá-la, ele procurou uma bala de prata, que era a hidroxicloroquina. É uma forma de negar também a pandemia: “Eu tenho um remédio que resolve isso”. Na verdade, nós sabemos que não existia, não existe remédio que resolve isso. Todo nosso investimento teria que estar voltado, todo investimento emocional, político, até financeiro, para a vacina. Era a única maneira que existia de deter o processo de pandemia. Com todas as limitações, era a única maneira. E o presidente da República não aceitou isso. Então, a CPI serviu, até esse ponto.
“Quadrilhas” na compra de vacinas – Quando a CPI começou a denunciar as hesitações no campo da vacina, ela começou a denunciar também as dificuldades que o presidente da República teve em negociar com empresas estabelecidas internacionalmente e com capacidade de negociação regular, como a Pfizer, por exemplo, e as várias quadrilhas que estavam tentando vender outras vacinas por mecanismos completamente diferentes. Então, foi um outro aspecto que a CPI revelou.
Prevent Senior “levou à morte de muita gente” – Finalmente, a CPI chegou a um aspecto também importante, que está associado ao negacionismo e à busca de uma bala de prata: o caso da Prevent Senior, que foi a tentativa de levar a tese de que era possível resolver essa questão com um remédio, um kit especial que acabaria com a doença. Isso é um problema sério, levou à morte de muita gente, levou à demissão de alguns médicos, levou ao desespero de muitas famílias. Então, eu acho que a CPI tem condições de denunciar o presidente por crime de responsabilidade e outros crimes comuns. Neste sentido, a CPI cumpriu o seu papel.
Arthur Lira segura impeachment, mas quer Bolsonaro frágil – Acho muito difícil. Eu acho que ele (Lira, presidente da Câmara Federal) quer, na maior parte do tempo, manter o Bolsonaro frágil. Quanto mais ameaças de impeachment houver, mais ele valoriza o poder que ele tem de pedir ou não o impeachment. E ele vai tentar valorizar esse poder obtendo do presidente uma série de vantagens, obtendo do próprio poder uma série de vantagens. Uma dessas vantagens é o chamado orçamento secreto. Na verdade, é a emenda de relator, alguns milhões, talvez até mais, bilhões, que eles possam distribuir entre o grupo que não só apoia o governo, como apoia o Artur Lira. A possibilidade de ter dinheiro para distribuir e fazer as próprias campanhas, as próprias políticas, é tudo o que eles querem, entende? E, simultaneamente, na medida em que o governo se enfraquece, ocupar mais espaço na administração para fazer também a sua política. A eles (do Centrão) interessa um Bolsonaro fraco na maior parte do tempo, para eles poderem realmente realizar a sua política, que é uma política, evidentemente, de interesse fisiológico. Que só pode ser negada quando eles sentirem que existe uma pressão irresistível contra o Bolsonaro nas ruas e no próprio meio político. Então, aí eles abandonam o barco e diz que nunca apoiaram ele realmente, entende? Eles são Lula ou eles são aquele outro que virá para o poder.
Nostalgias de Bolsonaro e Lula – A polarização representa, na verdade, algo muito diferente de supor que sejam dois polos idênticos. São muito diferentes em qualidade. Eu acho que o Bolsonaro é inigualável na sua incapacidade de governar o país. Agora, eu vejo os dois como duas nostalgias. O Bolsonaro se apresenta como uma nostalgia do período militar. Ele sempre sonhou com aquele período militar, sempre sonhou com aquele tempo mais tranquilo do governo militar, ele sempre sonhou em recuperar aquele momento. Ele olha muito para aquele momento. Uma retropia (retorno a um passado mitificado, que nunca existiu de fato, do qual se selecionam só algumas partes), entende? Ele olha aquele passado como se aquele momento da ditadura fosse um momento em que tudo ocorria muito bem. Por seu lado, o Lula, não sei como ele vai se apresentar como candidato. Até o momento, ele tem falado muito na necessidade de voltar aos tempos em que ele era presidente da República, aqueles bons tempos em que ele era presidente da República. Na minha opinião pessoal, não existe nem volta ao período militar, como Bolsonaro sonha, nem existe volta aqui aos bons tempos com os quais o Lula sonha. São, na verdade, duas nostalgias. Uma, um pouco mais atrasada que a outra; mas duas nostalgias. Seria interessante que o próximo presidente da República ou que as eleições brasileiras tivessem olhando para frente, para um projeto de futuro do Brasil. E quando eu digo um projeto de futuro, que levasse em conta essas alterações que houve no mundo nesses últimos anos. Alterações que escaparam completamente do Bolsonaro, que é obtuso. Mas escapam também ao Lula de uma certa maneira.
O que seria o novo governo Lula, 13 anos depois, com o país em crise e sem contexto internacional favorável? — Eu sou um pouco distante dele, eu leio algumas coisas e consigo ver, até o momento, que ele apresenta para a sociedade uma espécie de volta àqueles tempos. Mas, as conjunturas nacionais não dependem da vontade de um homem, elas são produtos de processos históricos mais profundos e muito mais complexos. Portanto você vai viver uma conjuntura que eu diria basicamente diferente daquela. E como, até o momento, ele promete aquilo que aconteceu no passado, eu fico sem saber como ele vai fazer, o que ele vai fazer diante dessa nova realidade. Primeiro, eu prefiro esperar que ele tome contato com essa nova realidade e fale qual é o programa dele em função dessa nova realidade, entende? Por exemplo, o meio ambiente. Será que ele tem consciência de que a importância da questão ambiental aumentou muito em relação àquele período em que ele foi presidente? Ele estaria disposto a aceitar? Ele sempre teve um certo pé atrás com esse tema. Não tanto quanto Bolsonaro, evidentemente. Bolsonaro é inigualável. Mas, será que ele está mudado?
Lula e o mundo digital – Por exemplo, esse mundo digital, essas transformações digitais, que são importantíssimas. No governo dele (de Lula), eu mesmo combati o projeto deles de inclusão digital, levado pelo PSB, na época, que era um projeto esdrúxulo: levar ônibus aos bairros, ônibus comprados a um preço exorbitante, para mostrar computador às pessoas. Esse tipo de inclusão digital era uma balela. Qual é a visão que existe de colocação no Brasil nesse mundo digital? Eu não sei como, porque a experiência que eu tenho com o PT nesse particular de comunicações, foi negativa. Eu era chamado de traidor, porque eu fui um dos defensores da quebra do monopólio das telecomunicações. Me lembro que, num congresso do PT que eu fui, as pessoas falavam: “E o meu telefone? Você está prometendo telefone para as pessoas”. E parecia uma coisa leviana você dizer que a quebra das telecomunicações traria telefone para um número maior de pessoas. Hoje, eu te diria que até eu, que era favorável, fico surpreso com o número de pessoas que têm telefones no Brasil e com o avanço dessa tecnologia.
Decadência de Bolsonaro como caminho à terceira via – O processo de decadência do Bolsonaro, eleitoral, não chegou ainda ao seu limite. Limite que eu diria, por exemplo, é acontecer o que aconteceu com o Crivella (ex-prefeito do Rio, que perdeu a reeleição no segundo turno para Eduardo Paes). É a pessoa se desmoralizar completamente como governante e talvez ficar arriscado no segundo turno. Então, uma grande possibilidade da terceira via existir e competir é precisamente a decadência do Bolsonaro. Crivella foi ao segundo turno, mas era facilmente derrotável. Qualquer pessoa que fosse ao segundo turno com Crivella, venceria. Eu tenho a impressão de que pode acontecer com o Bolsonaro, de ele não ir ao segundo turno, porque as crises que sucedem no Governo Federal são mais complexas, não é? São mais duras. Por exemplo: a situação econômica, pega mais. Então, existe uma possibilidade de o Bolsonaro perder energia nesse processo, progressivamente. Responsável que ele é pela condução do país e incapaz como ele é de dar solução a esses problemas todos que nós estamos vendo, é possível que um outro candidato possa ameaçá-lo. E, ameaçando, possa derrotá-lo, indo para o segundo turno. E, uma vez indo ao segundo turno o Lula contra um candidato que não seja o Bolsonaro, pode acontecer alguma coisa também.
Eleição a governador do Rio – Na verdade, em relação ao Rio, eu ando meio defasado. Eu acompanho menos o Rio do que eu deveria acompanhar. O governador (Cláudio Castro), eu não o acompanho muito. Sei que existe, tem um nome, deve estar fazendo uma campanha típica dos governadores, de conquistar prefeitos, de fazer seus votos. Mas, eu não eu não acompanho o momento, não me interesso, eu não consigo ler nada sobre ele, porque, nas coisas que eu leio, o nome dele não aparece. Eu não vejo nada a respeito dele, entende? Eu tenho visto a movimentação do Marcelo Freixo (pré-candidato a governador pelo PSB). A minha experiência em eleições no Rio de Janeiro é de que, para sermos candidatos ligados à opinião pública, que dependem da opinião pública, a candidatura a prefeito no Rio é sempre muito mais promissora que a candidatura a governador. Eu acho que a capacidade de você tornar governador no Rio de Janeiro, estado com as características que tem, é muito difícil para um candidato urbano com um apoio dos setores mais esclarecidos da opinião pública, exceto quando ele consegue romper um pouco essas limitações e consegue ser um candidato não só popular na cidade do Rio de Janeiro, como consegue também avançar muito na Baixada Fluminense, na área metropolitana do Rio de Janeiro. Quando há essa presença forte e popular na área metropolitana, é possível confrontar um candidato tradicional. E candidato tradicional, para mim, é o clientelista, que utiliza o apoio dos prefeitos para poder se eleger.
Apoio dos Bolsonaro a Castro e o 7 de setembro – Olha, eu acho que um peso sempre tem. Mas esse peso vai depender também das circunstâncias. Hoje, eu te diria que tem um peso. Hoje, o Bolsonaro, efetivamente, leva mais gente para a rua do que todos os outros, tanto no Rio como no Brasil inteiro. Bolsonaro, por exemplo fez aquela manifestação do 7 de setembro, que foi uma manifestação, em termos de público, muito superior a qualquer outra que a esquerda faz ou até que a frente de oposição a ele faz. Agora, ele já não faria hoje a mesma manifestação que fez no 7 de setembro. Daquela manifestação para frente, ele já perdeu um nível de apoio, mesmo porque ele sugeriu, naquela manifestação, um desfecho que ele não podia dar. Ele teve que recuar, entende? E esse recuo já o isolou de um certo setor. Então, eu não sei. Eu acho que a condução da pandemia, a condução da economia, a crise se agravando no Brasil, a crise social se agravando, e um presidente tão insensível como ele, né? O Bolsonaro, ontem, vetou ajuda às mulheres pobres para suas necessidades mais elementares de higiene (de absorventes íntimos). Não se sabe até onde ele pode chegar em termos de isolamento. Eu diria que o apoio dele tem um peso, mas não sei como será no ano que vem. No momento, eu acho que ele ainda consegue contribuir com um candidato. Mas, eu não sei se essa contribuição vai se estender ao longo do tempo, depende do prestígio dele.
Apoio de Lula na eleição a governador – Eu acho que o Lula vai observar as chances de cada um. Ele vai ver como cada um cria sua própria força, e, dependendo disso, ele vai tomando as posições. Eu acho que, inicialmente, em termos mais abertos e tal, ele tende a apoiar o Freixo. E faz parte também de um entendimento nacional que envolve o PSB. Eu acho que, inicialmente, ele pode apoiar o Freixo. Agora, o que pode acontecer no futuro, é difícil dizer. Ele pode apoiar o Freixo, mas, num determinado momento, se ele sentir que existe uma correlação de forças diferente e que ele, como candidato a presidente da República, precisa assumir posições mais realistas, pode ser que ele assuma.
O que seria o governo Gabeira na cidade do Rio, quando perdeu a eleição de prefeito de 2008 para Paes, no segundo turno, por apenas 1,6% dos votos? – Olha, naquela época era uma projeção de um conjunto de pessoas, não é? Havia uma discussão, primeiro porque a campanha partiu de grupos discutindo programas. Então, surgiu um grupo discutindo saúde, um grupo discutindo educação, outro grupo discutindo urbanismo, outro grupo discutindo meio ambiente. Havia não só uma disposição na sociedade, como um conjunto de pessoas decididas a participar do governo. Eu tenho a impressão de que era possível fazer um bom governo ali, de acordo com o programa que a gente imaginava de transformar o Rio numa cidade mais habitável, de avançar no meio ambiente, na posição internacional das cidades, avançar no desenvolvimento da cultura, avançar no desenvolvimento da inteligência, um instrumento também econômico na cidade, abrir a cidade para processos de criação, trazer até gente do mundo inteiro. Naquela época já, e hoje mais agudamente, não importa muito certas empresas onde elas estão, desde que você tenha boas comunicações. Certas empresas de criação poderiam estar no Rio também. Então, era uma visão de uma cidade integrada ao mundo a partir do próprio prestígio que o Rio tem, e uma tentativa de solucionar os problemas sociais da cidade. Não sei se hoje eu conseguiria reunir uma equipe com aquela dimensão e perspectiva. E também não sei se veria na classe média e em vários setores do povo a mesma expectativa com a política que havia naquele momento. A política se degradou mais ainda.
Vida política encerrada? – Olha, se você entender a política como política eleitoral, sim. Mas se você entender a política como a participação nas questões coletivas, a crítica ou a aprovação de governos e de políticas de governo, a discussão dos temas nacionais, não. Eu permaneço, eu escrevo em dois importantes jornais brasileiros toda semana: uma vez por semana em “O Globo”, e de 15 em 15 dias no “O Estado de S. Paulo”. Escrevo sobre temas políticos. Da mesma maneira, o fato de eu ser, pela circunstância da pandemia, comentarista da Globo News, me coloca também como uma pessoa que fala sobre política. A própria resenha dos 25 anos da Globo News, no campo da política, eu apresentei. E, no ano que vem, é possível até que eu faça trabalho de jornalismo ligado à eleição. É possível.
Página 3 da edição de hoje da Folha da Manhã
Confira abaixo em vídeo a íntegra da entrevista de Fernando Gabeira ao Folha no Ar da manhã de sexta:
Prefeito Wladimir Garotinho, deputados federais Chico D‘Ângelo e Felício Laterça, e a região da Bacia de Campos no mapa (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
“Campos tem liderança natural na região, até porque todos os municípios da região usam nossos serviços e quase nenhum paga por isso. Daí vem o grande dilema do nosso orçamento municipal, que mesmo robusto não atende somente à nossa cidade. Com a metropolização da região da Bacia de Campos serão necessários investimentos de todos os entes federativos por aqui. Os executivos municipais, por si sós, não terão condições de acompanhar a celeridade do processo em curso. Neste caso, o relacionando político atrelado a bons projetos é o que fará toda a diferença, principalmente no setor de mobilidade”. Foi o que disse o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PSD), sobre processo de metropolização da região da Bacia de Campos, que tem como polo o município que a batiza. E que teve impulso na inédita abertura de voos comerciais regulares, pela Azul, de Campos e Macaé para a Europa.
William Passos, geógrafo e consultor especializado em estatística e desenvolvimento
— Como campista, considero importante que políticos e intelectuais influentes do nosso estado se mobilizem para defender um processo de metropolização da região Norte/Noroeste, tendo a cidade de Campos como seu polo. Tenho acompanhado com entusiasmo que vários pré-candidatos ao governo do estado já se manifestaram sobre o tema, afirmando que, caso sejam eleitos, farão de Campos uma segunda capital do estado. Muito me orgulha saber que Rodrigo Neves (ex-prefeito de Niterói e pré-candidato do PDT a governador) assumiu esse compromisso que, certamente, irá trazer grandes benefícios para o desenvolvimento de nossa empobrecida região. Um dos fatos que contribuem para a viabilização dessa proposta é o excelente parque universitário existente em Campos com três reconhecidas instituições públicas de ensino: o IFF, a UFF e a Uenf. Sugiro que esse núcleo de dirigentes dê partida na reflexão sobre a tese da metropolização e incorpore colaborações de diversos atores sociais relacionados ao tema. Somos muitos os que acreditamos que esse é um caminho promissor. Está na hora de acreditar na força de nossa Campos e região —convocou o parlamentar Chico D’Ângelo.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
— Li o artigo do William, com base no estudo que ele fez sobre o processo de metropolização da região da Bacia de Campos. Nós vamos tentar resgatar 50 anos da nossa Campos dos Goytacazes. Nas décadas de 50 e 60 do século 20, Campos alcançou uma pujança que foi se perdendo, por uma série de fatores. Mas o que a gente vê hoje, com o Porto do Açu, com as rotas de gás de Macaé e Campos, nós vamos voltar a ter uma grande pujança. E temos trabalhado muito, no nosso mandato de deputado federal, para fazer a questão da mobilidade acontecer. Então o término da duplicação da rodovia BR 101, dentro do trecho em que corta Campos, e a questão da Estrada de Ferro (EF) 118, são necessárias para de fato alavancar a nossa região. Nós temos as termelétricas que estão sendo inauguradas, a primeira da GNA, no Porto de Açu, com a segunda prevista. Nós temos as termelétricas de Macaé, várias já licenciadas, uma já para terminar. A rota do gás é uma realidade. Nós temos que trazer as indústrias que vão se beneficiar do gás, próximas à sua produção, na Bacia de Campos, não só como fonte de energia, mas também insumo. Temos a questão das cerâmicas, das indústrias de fertilizantes. Então esse é o nosso papel como deputado federal: ajudar a alavancar a nossa região. Que agora se torne mais fácil com a abertura de voos regulares, dos aeroportos de Campos e Macaé, para o exterior — constatou o deputado Felício Laterça.
A partir das 7h da manhã desta sexta (08), quem fecha a semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é Fernando Gabeira, jornalista, escritor, fundador do Partido Verde e ex-deputado federal por quatro mandatos consecutivos. Ele falará sobre jornalismo, fake news e divisão da sociedade. Analisará também as crises econômica e hídrica, a pandemia e sua condução no Brasil pelo governo Jair Bolsonaro (sem partido), e CPI da Covid no Senado.
Por fim, Gabeira falará da sua passagem na política e dará sua projeção das urnas de 2022 a presidente da República e governador do estado do Rio. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
A partir das 7h desta quinta (07), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o vereador Bruno Vianna (PSL). Ele falará sobre as novelas do novo Código Tributário e do IPTU, questionado na Justiça e por vereadores no MP. Analisará também a mudança de perspectivas do município, da sua grave crise financeira à condição de líder do protagonismo da região da Bacia de Campos. Por fim, falará da sua pré-candidatura a deputado estadual e dará sua projeção às eleições de 2022 a governador e presidente.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
William Passos, Arthur Soffiati, Clarissa Garotinho, Fábio Ribeiro, Christino Áureo e o mapa da região da Bacia de Campos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Campista, o jovem acadêmico tem se dedicado ao estudo da região da Bacia de Campos em sua tese de doutorado no Ippur/UFRJ. Antes, William fez graduação no antigo Cefet, atual IFF, e mestrado na Uenf. É fruto do polo universitário de Campos. Cuja parceria com o poder público e a sociedade civil é apontada como saída ao município e à região. Declarações e visitas recentes de políticos estaduais foram identificados como sinal da metropolização do Norte e Noroeste Fluminense, e parte da Região dos Lagos. A três políticos regionais a coluna indagou: liderado por Campos, o destino da região é de protagonismo estadual?
Clarissa Garotinho
“Precisamos que isso se reverta também em melhores condições para a população. É aí que Campos dos Goytacazes pode exercer seu papel histórico de centralidade. Um meio de fazer isso é liderando consórcios que planejem ações conjuntas para problemas comuns do Norte e Noroeste Fluminense. Hoje, já temos um processo de conturbação (área urbana contínua formada pelo crescimento de cidades diferentes), em que cidades estão atravessando as fronteiras umas das outras. A tendência é que esse movimento se intensifique. Campos tem que ser protagonista nesse processo”, pregou a deputada federal Clarissa Garotinho (Pros).
Fábio Ribeiro
Do grupo político dos Garotinho e presidente da Câmara Municipal de Campos, o vereador Fábio Ribeiro (PSD) também preside o Parlamento Inter-Regional do Norte e Noroeste Fluminense. Ele lembrou que “os 22 municípios do Norte e Noroeste são distantes da capital, mais próximos do Espírito Santo e Minas Gerais, com alíquotas de ICMS menores nestes dois estados vizinhos do que no Rio de Janeiro. Isso, ao longo de 50 anos, afetou muito o desenvolvimento dessas duas regiões. Porque qualquer investidor que fizesse um estudo de viabilidade econômica iria preferir andar mais 60 km e estar em solo capixaba ou mineiro”.
Parlamento Inter-Regional
“A análise do William é oportuna, pois nesse cenário regional, Campos se destaca, por sua história e por ter hoje mais de 400 mil eleitores. O secretário estadual de Governo (Rodrigo Bacellar, SD) é de Campos. E uma das maiores aliadas do governador Cláudio Castro (PL) está em Campos, que é a família Garotinho. Há a influência da família Bacellar, mas há também o peso político, em todo o estado, dos Garotinho; que é inegável. A tendência é, sim, do fortalecimento do interior. E é por conta disso que nós criamos Parlamento Inter-Regional, porque nós temos problemas e interesses em comum”, concluiu Fábio Ribeiro.
Christino Áureo
Deputado federal como Clarissa, Christino Áureo (PP) é de Macaé. E carrega a experiência de ter sido secretário estadual em várias pastas, incluindo Agricultura e Desenvolvimento Econômico. “Chamo a nossa região, que se estende do Espírito Santo até a zona metropolitana do Grande Rio, de orla petroleira. Ela talvez gere um processo de conurbação como no Sul Fluminense, entre Volta Redonda, Barra Mansa, Barra do Piraí, que se uniram fisicamente. Porque, no Norte, nossas distâncias são um pouco maiores. Mas essa orla petroleira tem em Campos a sua expressão máxima, sendo naturalmente sua capital e seu epicentro”.
Caiu a ficha?
“Campos tem que dizer: ‘nós já somos a capital geopolítica, unificamos serviço, conhecimento universitário’. A hora em que a classe política e empresarial de Campos entender que já exerce naturalmente essa liderança, para disputarmos juntos recursos na Federação, como é que aloca recursos das emendas, a questão da BR 101, da ferrovia EF-118, o resto fica mais fácil. Eu sou de Macaé, muito ligado ao meu município, mas que reconheço essa condição. Acho que o artigo do William vai na direção correta. A gente só não pode cair na cantilena de quem só em época eleitoral e pré-eleitoral vem a Campos dar esse valor”, ressalvou Christino.
Soffiati questiona
Em comentário ao artigo de William no blog Opiniões, quem também se manifestou foi o historiador Arthur Soffiati, professor da UFF-Campos: “Políticos representativos do estado ressaltam a importância de Campos, chegando mesmo a defender, como no caso de Eduardo Paes (PSD), duas capitais para o estado do Rio de Janeiro. Uma continuaria a ser a cidade do Rio. A outra seria Campos. O colégio eleitoral de Campos deve ser considerado e as eleições para presidente, governador, senador, deputados federais e estaduais estão próximas. Haverá sinceridade nas palavras desses políticos ou apenas bajulação?”, questionou.
Diferente da retomada de voos dos municípios da Bacia de Campos aos EUA, não há até o momento venda de passagens para a Europa saindo de Cabo Frio. Com o início das vendas pelo aplicativo da Azul de passagens saindo de Campos e Macaé com destino final a Lisboa, é a primeira vez que a região se conectará diretamente, por via aérea comercial e regular, com a Europa. O primeiro voo está sendo vendido para 28 de fevereiro de 2022.
Para Lisboa, os voos têm duração de 16h45min, saindo do Bartolomeu Lisandro, em Campos; e de 18 horas, para quem sair do aeroporto Joaquim de Azevedo Mancebo, em Macaé. A passagem em classe econômica Campos/Lisboa está sendo vendida a R$ 2.802,57 (ou 441,34 Euros). A mesma passagem Macaé/Lisboa com uma escala (Bartolomeu Lisandro) e duas conexões (Santos Dumont e Viracopos) está saindo a R$ 5.741,98 (ou 904,24 euros) para a data de 28 de fevereiro de 2021. É permitida a cada passageiro uma bagagem de mão de até 10 kg e uma despachada, até 23 kg.
William Passos, geógrafo e consultor especializado em estatística e desenvolvimento regional
— É mais uma evidência de que a região da Bacia de Campos está passando por um processo de metropolização. É uma prova também da importância econômica dessa mesma região, que começa a retomar suas atividades, parcialmente interrompidas durante a pandemia, ampliando agora suas conexões até a Europa. Há algo de novo no ar, é uma transformação profunda e que veio para ficar: a metropolização do nosso interior — analisou o geógrafo William Passos, consultor especializado em estatística e desenvolvimento regional, que tem se dedicado ao estudo da Bacia de Campos para sua tese de doutorado no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ippur/UFRJ).
A partir das 7 da manhã desta quarta, o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é Wagner Victer, engenheiro, diretor da Alerj e ex-secretário estadual em várias pastas. Ele falará sobre o Porto do Açu, projeto do qual foi um dos idealizadores, e analisará a crise econômica do Brasil e de Campos. Ex-presidente da Cedae, falará também da venda da companhia estadual, da crise hídrica nacional, de termelétricas e fontes alternativas de energia.
Por fim, Victer analisará os governos Jair Bolsonaro (sem partido), Cláudio Castro (PL) e Wladimir Garotinho (PSD), dando sua projeção das eleições federal e estadual de 2022. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
A partir das 7h da manhã desta terça, o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é Carlos Alexandre de Azevedo Campos, advogado tributarista e ex-assessor do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele falará sobre IPTU, novo Código Tributário e o Termo de Ajustamento de Conduta (TAG) de Campos. Falará também do anteparo do STF aos arroubos autoritários do governo Jair Bolsonaro (sem partido) e as tentativas de agressão física do PT ao presidenciável Ciro Gomes (PDT) em São Paulo, nas manifestações antibolsonaristas do sábado (02).
Por fim, Carlos Alexandre dará suas projeções às eleições de 2022, tanto em Brasília, quanto ao estado do Rio. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Com Campos como polo, municípios do interior fluminense que integram o processo de metropolização da região da Bacia de Campos
William Passos, geógrafo e consultor especializado em estatística e desenvolvimento regional
Metropolização da região da Bacia de Campos veio para ficar
Por William Passos
Os recentes acenos do presidente da Alerj, André Ceciliano (PT), do pré-candidato a governador Marcelo Freixo (PSB), do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), e até mesmo a própria aliança do governador Cláudio Castro (PL) com as famílias Bacellar e Garotinho, ao mesmo tempo, mostram a força simbólica de Campos dos Goytacazes como capitalidade do interior do estado do Rio de Janeiro.
As termelétricas instaladas no Açu, assim como os demais investimentos instalados e que virão, ao contrário do entusiasmo do presidente da Alerj e das expectativas, não devem produzir grandes transformações no Norte Fluminense porque o Complexo do Açu instalou-se em São João da Barra sob a forma de um enclave. Ou seja, separado da cidade e mantendo muito mais relações com o exterior e com outras partes do Brasil, do que propriamente com o território do Norte Fluminense.
Nesse sentido, as declarações de Ceciliano, em conjunto com os acenos de Freixo, Paes e Castro, que recentemente visitou a região e vem atraindo os prefeitos, devem ser interpretadas como o reflexo do fortalecimento de Campos e região, e da capitalidade histórica de Campos — influência e referência de capital, mesmo sem sê-la. Campos configurava a principal concentração de nobres do Brasil (barões, viscondes, comendadores, etc) por metro quadrado no Segundo Reinado (período D. Pedro II); chegou a reivindicar a condição de capital de uma nova província que seria criada pelo desmembramento do norte do Rio de Janeiro e do sul do Espírito Santo; e elegeu um presidente da República (Nilo Peçanha) e três governadores do estado do Rio de Janeiro, contando com o próprio Nilo.
No entanto, os acenos de Ceciliano e demais figuras de peso no cenário político fluminense estão muito mais associadas ao fortalecimento econômico da porção territorial que vai de Araruama até São João da Barra, pelo litoral e acompanhando a produção da Bacia de Campos, do que propriamente pelas termelétricas instaladas (ou ainda a serem instaladas) no Açu, pelo potencial de energia solar do Norte Fluminense ou mesmo pela força do maior colégio eleitoral do interior do estado (Campos dos Goytacazes), com quase 400 mil eleitores. Ainda que não constitua um componente explícito do discurso destes personagens políticos, há algo de novo sob o Sol gerado pelo petróleo. No fundo, todos eles sabem que o estado do Rio de Janeiro já não é mais o mesmo.
Há algo de novo no ar, e esse é novo é uma transformação profunda e que veio para ficar. Essa transformação é a metropolização do nosso interior. E o interior do Rio de Janeiro não existe sem Campos!
Cláudio Castro, governador do estado do Rio de Janeiro
Mais investimentos no Rio de Janeiro com contas sob controle
Lei Orçamentária Anual do Governo Estadual prevê déficit zero para 2022
Por Cláudio Castro
Desde que assumi o governo, deixei claro que o diálogo, o trabalho e a simplicidade seriam a base da minha gestão, e a responsabilidade fiscal seria a tônica da minha gestão. A partir daí, nos esforçamos diariamente para recolocar o Rio de Janeiro no caminho certo. Realizamos a concessão do saneamento, temos mantido as contas e os salários dos servidores em dia e anunciamos o maior pacote de investimentos do governo para os próximos anos: o PactoRJ, o alicerce da retomada do crescimento econômico e mola propulsora na melhora da qualidade de vida de milhões de fluminenses.
Agora, enviamos para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro todo o nosso planejamento financeiro para o ano que vem, o Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2022, com déficit zero. Isso significa que todas as nossas despesas previstas serão honradas. É o que a sabedoria popular ensina: a gente só gasta o que pode pagar.
E por que algo que deveria ser corriqueiro, se tornou um marco?
Primeiro, porque desde 2017 vivíamos no vermelho. Em 2021, começamos o ano com um rombo de R$ 23 bilhões nas contas estaduais. Em harmonia e em colaboração com todos os Poderes, revertemos o que parecia sem solução.
Depois, porque as despesas previstas para 2022 não são apenas as obrigatórias ou as que servem somente para a manutenção da máquina pública. Nesta proposta orçamentária, destinamos mais de R$ 6 bilhões para investimentos, o que vai permitir a realização de projetos que trazem melhorias para todo o estado. Só em infraestrutura, serão aplicados mais de R$ 3 bilhões, que vão resultar em contratações, geração de emprego e desenvolvimento econômico. Em nosso planejamento, também não nos esquecemos dos que mais precisam. Reforço nosso compromisso com os mais pobres, ao garantir no orçamento mais de R$ 1 bilhão para ações de desenvolvimento social e cidadania, o quádruplo do que foi destinado em 2021.
Diante do empenho de nossa equipe econômica, a perspectiva é de aumentar a arrecadação em quase 20%, em relação a 2021, o que confirma que o Estado conseguiu reativar sua economia. Além disso, controlamos as despesas de pessoal e mantivemos as de custeio no mesmo patamar do ano anterior, por meio do acompanhamento diário dos gastos públicos.
Os números positivos vêm acompanhados da adoção de inovações gerenciais. Trabalhamos para integrar o planejamento e orçamento do Estado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, medida que nos colocará totalmente alinhados às necessidades e apelos do planeta.
Outra novidade será a abertura do ano orçamentário, especificamente para investimentos, em 2 de janeiro de 2022. A medida inovadora vai permitir que o governo ganhe tempo com a execução do planejamento.
O processo de retomada levará algum tempo e não será de um dia para o outro. Neste último ano, construímos os pilares para o crescimento econômico e a geração de empregos. Estamos consolidando novos tempos que permitam ao nosso povo sonhar com um futuro melhor. Muita mais que apenas números, o reflexo da gestão é percebido também em cada oportunidade de trabalho criada, cada empresa desembarcando no Rio e cada vida transformada.
Com Arnaldo Neto, Cláudio Nogueira e Matheus Beriel
Ainda que incapaz de fazer valer sua oposição e desejo do impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na bancada federal do Partido Novo que fundou em 2010, mesmo sendo ex-presidente da legenda e pré-candidato por ela a presidente da República em 2018, o empresário e engenheiro João Amoêdo levanta a bandeira do liberalismo pela necessidade de uma terceira via na eleição presidencial de 2022. Usada pelo capitão para se eleger, a quem apoiou no segundo turno, a face nacionalmente mais conhecida do Novo julga que qualquer compromisso com o liberalismo na economia do país, assim como com a luta contra a corrupção, foram abandonados pelo governo federal. Amoêdo, no entanto, não vê no ex-presidente Lula (PT), favorito em todas as pesquisas e principal opositor de Bolsonaro, uma opção melhor para governar o país, nas urnas de daqui a um ano. Em entrevista ao programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, na manhã de ontem (1º), ele disse que votaria nulo em um segundo turno entre o ex-presidente e o atual. Homem do mercado, criticou os empresários que ainda continuam apoiando Bolsonaro. Assim como o PT que “em nenhum momento teve a hombridade e a coragem de dizer ‘nós erramos’. E quando alguém não reconhece os seus erros, a minha leitura é de que ele está pronto para cometê-los novamente”.
João Amoêdo (Foto: Divulgação)
Gravidade da crise econômica no Brasil – Realmente, o quadro é muito ruim. E o reflexo disso, que é a pior coisa, é que nós temos aí 19 milhões de brasileiros passando fome e 110 milhões de brasileiros numa insegurança alimentar, quer dizer, não sabem se terão um prato de comida no dia seguinte. Nesse cenário de inflação, nesse mês de agosto, a gente teve o IPCA que foi o mais alto desde o Plano Real. Então, é um quadro dramático. E, infelizmente, o que eu entendo é que está por trás disso a falta de ação do governo. O resultado disso é que o Brasil, apesar de crescer, provavelmente vai crescer um pouquinho superior a 1%. E as previsões para 2022, que começaram lá na faixa de 2%, por bancos, instituições financeiras, hoje já estão na casa de 0,5%. Então, é um cenário muito ruim para 2022, certamente também terá impacto aí no quadro eleitoral. O Brasil já vem há muito tempo, alguns anos, com um quadro onde gasta mais do que arrecada. Então, nós temos um déficit nas contas públicas mesmo antes de fazer o pagamento dos juros. Isso faz com que o governo acabe demandando capital, acabe demandando investimentos para pagar suas contas, demanda dinheiro do poupador. Esse dinheiro, que poderia estar indo para a geração de emprego, para iniciativa privada, boa parte vai financiar a dívida pública. E, além disso, você tem um nível de insegurança muito grande no quadro político brasileiro, muitas incertezas, até mesmo em relação ao processo eleitoral conduzido pelo presidente da República.
Sem reformas e venda de estatais – Nós teríamos que fazer reformas estruturais. No Brasil, a gente gasta mais de 50% do gasto do Estado com pagamento de aposentadorias. A reforma da Previdência foi feita. Só que toda a economia que foi prevista para os próximos 10 anos foi gasta aí praticamente durante a pandemia. Nós precisaríamos fazer também uma reforma tributária, porque o Brasil é um país que tem não só uma carga elevada de tributos, como ela é muito complexa. Então, você, para calcular os seus impostos, gasta muito tempo. Isso traz uma série de inseguranças e, depois, passivos fiscais. O Brasil é um país que tem muitos privilégios, especialmente na classe política, e em certo nível de servidores públicos. Isso também precisaria ser feito com a reforma administrativa, que trouxesse eficiente a máquina, e não foi feito. A reforma tributária não aconteceu, o Brasil não conseguiu equilibrar suas contas. Havia uma promessa também de que nós vendêssemos estatais, porque o governo deveria estar atuando naquilo que é essencial paro brasileiro: saúde, segurança, educação, e não administrando posto de gasolina, administrando extração de petróleo, instituições financeiras. E isso também não aconteceu. E nós temos ainda no Brasil quase R$ 350 bilhões que são benefícios fiscais dados por determinados setores, dados para determinados grupos. É dinheiro que sai do bolso do pagador de impostos para privilegiar setores que conseguem justamente colocar seus interesses aí à frente dos interesses da grande maioria. Então, tudo isso precisaria ser revisto.
Promessas x prática – Apesar do discurso do ministro Paulo Guedes e das promessas de campanha do presidente Bolsonaro, isso não aconteceu na prática. E, claro, com todo o quadro da pandemia, nós estamos ficando para trás. Estamos, hoje, num cenário de estagflação. Você está estável, você não cresce e, ao mesmo tempo, você tem inflação. Então, apesar de não crescer, o Banco Central sobe a taxa de juros para desestimular a economia. Então, nesse cenário, como é que a gente vai gerar renda, como é que a gente vai permitir que as pessoas tenham emprego quando o cenário é muito adverso? Então, eu volto a dizer, o que a gente deveria fazer seria implementar essas reformas. O governo privatizar, diminuir o ruído político, para que as pessoas pudessem ter segurança no Brasil para investir. Não só os brasileiros, mas também aqueles investidores externos. Em razão de tudo isso, eu acho que nós temos um quadro muito preocupante. A gente vê esses sinais todos não só na economia real, quanto no mercado também. Dólar subindo, consequentemente sobe a gasolina, consequentemente há uma série, vamos dizer, um ciclo vicioso que nos impede de crescer e gerar renda. O Brasil, nos últimos 10 anos, teve praticamente um crescimento negativo da renda per capita, né? Então, de novo, nós não estamos conseguindo combater a pobreza na medida em que o país não consegue gerar riqueza.
Guedes “virou a chave” – Paulo Guedes sempre teve um bom discurso de linha liberal, na linha das reformas que precisavam ser feitas no Estado brasileiro, para permitir que o empreendedor, especialmente o pequeno, possa sobreviver, e não apenas os grandes, no ambiente com pouca concorrência. Isso era para melhorar a vida das pessoas, gerar mais emprego. Então, ele sempre teve um discurso alinhado naquilo que eu acredito. Mas, infelizmente, na execução foi muito ruim. Não foi capaz de colocar o Congresso para tratar esses temas como a pauta prioritária. Ultrapassamos agora mil dias de governo e praticamente nada foi feito, com exceção da reforma da Previdência, que já vinha do governo Temer. Guedes se comprometeu com várias coisas, inclusive dando prazos, e nada aconteceu. Ficou transparente que ele mudou a chave. Passou a trabalhar com propostas que têm como principal objetivo não resolver a vida do brasileiro, mas dar algum alívio temporário, única e exclusivamente com foco nas eleições de 2022, sem fazer as reformas estruturais que são relevantes. E eu não vejo ele mudando esse roteiro. O que ele vai tentar fazer é aumentar um outro auxílio emergencial, mas não serão reformas estruturais. Então, obviamente, para quem quer investir, fica a sensação de que nada mudou. E, consequentemente, você não atrai recursos para reverter esse fato. Ele passou a ser muito mais um propagandista do governo. Está mais para ministro da Comunicação do que ministro da Economia, infelizmente.
Racha no Novo por impeachment de Bolsonaro – O Novo está muito consciente dessa pauta econômica. As grandes desavenças que existem no partido, hoje, estão mais ligadas a um apoio político ou não ao presidente Bolsonaro. Enquanto o partido se declarou como oposição, inclusive a favor do impeachment do presidente, a bancada federal, que eu diria que é o grupo de mandatários mais relevantes do Novo, esse grupo não se coloca majoritariamente favorável ao partido se colocar como oposição e a favor do impeachment. Então, isso, no meu ponto de vista, como filiado e como eleitor, cria uma dubiedade. Afinal de contas, esse partido é oposição a esse governo ou esse partido apoia esse governo? Eu acho que talvez fosse uma dúvida que pudesse existir nos primeiros seis meses, quando você fica esperando que as promessas de campanha sejam cumpridas. Mas, passados aí mil dias, tendo visto tudo o que foi feito e, principalmente, o que não foi feito, o desempenho do governo do presidente durante a pandemia, esse quadro econômico, na minha avaliação, nada justifica ainda não ter uma postura de oposição em relação ao governo.
Liberalismo é viável no Brasil? – Eu diria que o liberalismo não é só viável, como é muito necessário no Brasil. E é importante entender isso, porque muita gente diz o seguinte: “Bom, o Brasil é um país muito pobre. Como é que nós podemos diminuir o tamanho do Estado num país que tanto tem tantas carências?”. O problema é que o Estado brasileiro cresceu e inchou não para atender aos interesses do cidadão; ele cresceu e inchou, para atender a certos grupos privilegiados, para atender à classe política que se perpetua no poder. E todo esse crescimento deixou um ônus ao cidadão brasileiro. Nós temos incentivos fiscais de R$ 350 a 360 bilhões, que são 10 vezes o volume do Bolsa Família. Então, há uma inversão no nosso processo. É um Robin Hood às avessas. Ele concentra a renda para quem mais tem, tirando daquele que precisa. E qual é a ideia do liberalismo? A ideia do liberalismo é que o Estado de novo coloque o cidadão no centro do poder; tire o poder do grupo de privilégios, de grupos de interesse. É óbvio que nós precisamos de um Estado eficiente, de um Estado que possa atender aos mais pobres através de programas sociais que funcionem, mas que também, principalmente, crie um sistema educativo em que as pessoas possam crescer, que dê liberdade para elas empreenderem. Se tem uma carga tributária tão complexa, tão difícil, que você acaba viabilizando exclusivamente os grandes grupos, o que faz com que diminua a concorrência.
Como ficariam programas sociais com Banco do Brasil e Caixa Econômica privatizados? — Essa é uma boa questão. Eu continuo totalmente favorável à privatização da Caixa e do Banco do Brasil. Eu entendo que esses bancos privatizados teriam eficiência maior na sua atuação. Os programas assistenciais são importantes, especialmente o Bolsa Família, do qual sempre fui um grande defensor. A única coisa sempre que eu pontuo é que o sucesso do programa deve ser não pela quantidade de pessoas que ele atende, mas pela quantidade de pessoas que ele deixa de atender. Isso mostra que a pessoa, a partir de determinado momento, conseguiu montar o seu pequeno negócio, conseguiu um emprego e não está mais dependente daquilo. Essa é a única ressalva que eu faço. E esses programas que são conduzidos pelo Banco do Brasil, pela Caixa, eles recebem dinheiro do governo. Por exemplo, o próprio auxílio emergencial, que foi o único e exclusivamente distribuído pela Caixa. A verba veio do governo. Essa verba poderia ter sido direcionada para qualquer banco. Qualquer instituição poderia ter feito esse trabalho pelo governo, até talvez melhorasse para o cidadão. A gente viu, durante a pandemia, pessoas fazendo fila na Caixa Econômica para receberem o auxílio. Se, ao invés da Caixa apenas, tivéssemos o Banco do Brasil ou uma instituição privada, o Bradesco, o Itaú, participando disso também, seria melhor serviço. Então, acho que os produtos, hoje, os serviços podem, sim, continuar suportados pelo governo, mas não necessariamente com exclusividade para os bancos públicos, porque isso também é uma armadilha dos nossos políticos. Ao colocar o dinheiro, por exemplo, pela Caixa, parece que aquilo é algo que está sendo feito pelo presidente da República, quando, na verdade, aquilo é uma ação do Estado. Dá, sim, para fazer a privatização e manter os programas, de forma até talvez mais eficiente.
Privatização da Petrobras com várias estatais do petróleo no mundo – Primeiro, é interessante, e eu acho que essas menções até ajudam a mostrar a importância da privatização. Várias das empresas dos países citados são em países de estado árabe. Países claramente com viés estatal, como a China. Interessante que nessa lista, vamos deixar a Noruega de lado, a gente já volta a ela, que talvez seja o único ponto fora da curva aí, mas nós não tivemos nenhuma empresa da Alemanha, nenhuma empresa dos Estados Unidos, nenhuma empresa da Austrália, onde, justamente, a qualidade de vida do cidadão é muito melhor do que desses países citados. Isso é muito interessante. Quer dizer, a renda per capita dos países que não têm empresas estatais é muito maior, a qualidade de vida é muito melhor. Por quê? Porque, com a concorrência, você tem preços melhores. Porque não cabe ao Estado fazer esse trabalho de prospecção, ele pode ser feito pela iniciativa privada, e preferencialmente sem que monopólio. Hoje, mais de 90% do refino de petróleo no Brasil é feito único e exclusivamente pela Petrobras. Então, você tem um monopólio na atuação. E o ideal para o consumidor é que você tenha concorrência, para que ele tenha preços mais competitivos, serviços melhores. A Noruega é um país bem menor, tinha uma tradição já de uma economia diferente da nossa. Acho que um exemplo citado também, que é a Venezuela, é um país rico em petróleo e que tem um caos na sua economia. Então, fica claro que esses países foram por esse caminho, basicamente, porque têm uma visão de concentração no Estado, de concentração de poder, e não de melhoria de vida da população.
Porto do Açu e nova termelétrica GNA – Eu acho que é um importante investimento, sem dúvida. O Rio é um polo no setor de gás e óleo. Então, é fundamental a gente poder usar isso como uma vantagem competitiva, para nós crescermos. Mas acho que quando isso vem junto com a iniciativa privada, você tem algo muito mais sustentável e mais eficiente. Eu acho que é uma melhor alocação dos recursos. Então, se puder sempre, nesses casos, serem feitas parcerias público-privadas, sai um processo mais interessante, com maior capacidade de crescimento. Mas, sem dúvida, o Rio tem esse destaque e tem que aproveitar essa sua vantagem competitiva nesse segmento.
Série de painéis da Folha aponta retomada da vocação agropecuária, parceria com universidades e pregão eletrônico como soluções à crise financeira de Campos — Eu gosto muito das três. Se eu tivesse que acrescentar mais uma, até aproveitando a questão do polo universitário, que é algo fundamental hoje no mundo, seria mais inclusão digital. Quer dizer, geração de tecnologia, geração de software. Eu acho que a gente, o Rio de Janeiro, e aí falo não de Campos, mas do estado como um todo, poderia, sim, ser como a gente brinca que tem nos Estados Unidos um Vale do Silício. Quer dizer, o Rio poderia ser um lugar para formação nessa área tecnológica, de um ambiente mais digital. Quer dizer, geração de softwares, usando a inteligência que existe das pessoas no estado, o preparo para isso. Então, eu acrescentaria apenas esse quarto polo. Mas, acho que é um ótimo caminho, porque sempre esses programas e a estrutura que se faz têm que ser baseados nas suas vantagens competitivas. Acho que o ponto de partida é esse. Então, acho que foram muito bem acertados os pontos que vocês levantaram aí.
Página 2 da Folha da Manhã de hoje
Empresariado é hoje único segmento em que Bolsonaro tem maioria – Apesar de Bolsonaro estar em tendência clara de derretimento, ainda tem essa aceitação no grupo empresarial (47%, segundo a Datafolha de setembro). Na sua campanha, Bolsonaro se comprometeu com a Lava Jato, não se aliar a forças do Centrão, retomar o crescimento econômico, fazer privatizações, liberar economia, aumentar a nossa competitividade, fazer as reformas. E nada disso aconteceu. Quer dizer, o Bolsonaro foi exatamente na direção contrária: desfez a Lava Jato, aparelhou órgãos de Estado, tinha trazido o ministro Sérgio Moro no primeiro momento e tirou. No plano econômico, tem a atuação muito ruim do ministro da Economia, com volta de inflação e desemprego. Para piorar tudo isso, há duas características que, no meu entender, são muito graves: primeiro, o tratamento que ele deu à pandemia. Lá em março de 2020, ele disse que aquilo não era um problema, que poucas mortes existiriam. A partir de então, ele trabalhou a favor do vírus, privilegiando manifestações, não usando máscara, retardando a compra da vacina, não dando exemplo. Isso tudo foi muito ruim. E o segundo é o ataque às instituições democráticas, o questionamento do nosso sistema eleitoral, que vem funcionando há muitos anos. Com tudo isso e com os resultados que ele tem apresentado, no meu entender, a avaliação deveria ser ainda pior. E eu acredito que irá piorar, sim, porque o brasileiro está sentindo no bolso. Essa semana, a gente teve aí fotos das pessoas indo atrás de ossos, porque estão passando fome. É uma situação deplorável, fruto de uma má gestão pública. Não há nenhuma avaliação positiva do governo federal, em nenhuma frente. Para complementar, a questão do meio ambiente. Fazendo com que o Brasil, inclusive, tenha uma imagem no exterior hoje muito ruim. E o presidente vai à ONU e faz um discurso totalmente descolado da realidade. Então, de novo, eu me admiro com esses 47% dos empresários que ainda dão como positivo. Em março de 2020, no pronunciamento do Bolsonaro sobre a pandemia, me coloquei já defendendo que ele renunciasse. E, logo no mês seguinte, em abril de 2020, há praticamente um ano e meio, passei a defender o impeachment, pelos inúmeros crimes de responsabilidade que ele já tinha cometido. E continua cometendo.
Dos oito deputados federais do Novo, só três votaram com a orientação do partido contra o voto impresso – Eu acho que não tem explicação. Previamente à votação (em 17 de agosto, na Câmara Federal), eu coloquei nas redes sociais uma menção dizendo que, infelizmente, a gente, naquele dia, veria mais uma vez alguns integrantes da bancada do Novo votando contra a orientação do partido. Como a gente já sabia que havia posicionamentos destoantes em relação a ser oposição e ao impeachment. Eu fiz exatamente essa observação, que causou até um certo incômodo: se não há alinhamento dos mandatários com o partido nas pautas relevantes, não me parece que faria sentido aqueles mandatários concorrerem novamente pelo partido num próximo pleito. Eles podem ter lá os motivos pelos quais votaram diferente da instituição, mas não faz sentido você estar na instituição se, para temas relevantes, você tem um entendimento tão distinto. E o governo Bolsonaro, claramente, não segue os princípios e valores do Novo: os princípios da transparência, os princípios de cortar privilégios e benefícios. Bolsonaro é o presidente que mais gasta cartão corporativo. É um governante que ataca constantemente as instituições, ataca a imprensa, não tem preocupação com a vida humana. São coisas que nós assistimos frontalmente contrárias ao que o Novo acredita, ao que o Novo nasceu para existir. Então, não tem como, na minha avaliação, um partido político que foi concebido com princípios, com a vocação diferente, diametralmente oposta à do Bolsonaro, não se colocar como oposição a isso tudo. Centenas de milhares de brasileiros morreram pela irresponsabilidade do presidente da República. Não tem como, enquanto partido político, nós ficarmos calados e não nos colocarmos como oposição, uma voz forte gritando contra isso. Mas, hoje, eu sou apenas um filiado.
Experiência da eleição presidencial de 2018 – Eu digeri extremamente bem as eleições de 2018. Eu acabei chegando em quinto lugar, não sendo uma figura pública, no primeiro pleito em que eu participei, num partido pequeno, sem usar dinheiro público, sem participar de nenhum debate. E, mesmo assim, cheguei à frente de pessoas que estão na política há muito tempo, como o senador Álvaro Dias (Podemos), a ex-senadora Marina Silva (Rede), o ex-ministro Henrique Meirelles (MDB). E relativamente próximo do candidato do PSDB (ex-governador paulista Geraldo Alckmin), que gastou muito mais recurso e tinha uma estrutura muito maior. Então, óbvio que eu digeri muito bem. Meu grande problema é com as realizações ou a falta de realizações do governo Bolsonaro.
Bolsonaro renova a força do PT – A minha crítica a Bolsonaro, forte, não tem nada a ver com o pleito de 2018. Mas, sim com a atuação dele após as eleições. Inclusive, como a gente está vendo nas pesquisas, muita gente dizia que estava votando no Bolsonaro porque não gostava do PT, para derrotar o PT, e o que estamos assistindo hoje é um PT mais forte do que nunca, apesar de tudo o que fez lá atrás, basicamente pela aversão que o Bolsonaro criou em torno de si e do seu governo. Olhando 2022, o que que a gente vê hoje, a grosso modo, são 40% a 45% dizendo que votarão no Lula, 25% a 30% dizendo votarão no Bolsonaro.
Terceira via – Os outros cerca de 30% entre indecisos, brancos, nulos e distribuídos aí em meia dúzia de candidatos. E ninguém conseguiu ainda ser um polo catalizador desse desejo do nem Lula e nem Bolsonaro. Na medida em que o tempo passa e nenhum desses se torna esse polo e a aversão ao Bolsonaro vai ganhando mais espaço, o Lula, mesmo sem aparecer, mesmo sem fazer nada, vai conquistando esses votos. E a plateia, vamos dizer, os eleitores fiéis do Bolsonaro vão diminuindo, mas tem um núcleo duro que permanece com ele. Aparentemente, hoje, esse é o cenário que vai se consolidando. A minha visão é de que, nos próximos 30, 60 dias, teremos aí várias definições. A primeira é essa questão do PSDB, que terá suas prévias. Então, a gente vai saber se se será Eduardo Leite ou João Dória, está muito indefinido ainda. Outra questão importante é se o Moro, que tem também aí a questão da Lava Jato, é reconhecido como alguém que combateu a corrupção de forma muito eficaz, vai entrar ou não no pleito. Mas, mesmo essas definições podem ainda fazer com que a gente continue nessa situação. O que eu acho que mudaria radicalmente esse quadro seria, de fato, o impeachment do Bolsonaro, que é devido. Acho que é um quadro que seguirá indefinido por um tempo.
Divisão na divisão – Esse é um problema que acontece hoje: as candidaturas, não podia ser diferente, elas nascem dentro dos partidos. E os partidos políticos, hoje, têm uma divisão interna. A gente falou um pouco do Novo, mas não é só no Novo. Vários partidos: o DEM, o MDB, o PSDB, estão entre uma ala mais pró-governo e uma ala antigoverno. E essas divisões internas têm dificultado o endosso de uma candidatura única naquele partido. O Mandetta, por exemplo, na minha avaliação, é o exemplo disso: ele já se colocou lá como quadro no DEM, mas acaba não tendo, por parte do partido, a validação. Porque o DEM, ao mesmo tempo, tem quadros estaduais que são favoráveis ao Bolsonaro e que querem concorrer. Então, você tem uma Tereza Cristina, atual ministra da Agricultura, que vai sair para Mato Grosso do Sul; um Onyx Lorenzoni, ministro do governo Bolsonaro, que vai provavelmente sair para o Rio Grande do Sul. Então, eu acho que nós teremos ainda muitas indefinições no nível federal, enquanto os partidos, os seus membros vão tentar fazer as estratégias locais dentro do seguinte raciocínio: se no final das contas a gente realmente ficar numa eleição totalmente polarizada, com pouca chance de reverter, deixa eu pelo menos fazer a minha bancada de deputados e os meus representantes majoritários.
Siga o dinheiro – Por que que a bancada de deputados é muito importante para esses partidos? Porque eles vivem do fundo eleitoral e do fundo partidário. E esses recursos são proporcionais à quantidade de deputados federais que você tem. É um sistema muito ruim, porque é dinheiro do cidadão brasileiro que deveria estar indo para saúde, para educação. O Novo não usa fundo eleitoral e não usa fundo partidário, dinheiro que poderia estar sendo alocado em outras áreas e está sendo utilizado para campanhas políticas ou para manutenção de partidos e até de salários. Recentemente, saiu uma matéria mostrando que o ex-presidente Lula, o Ciro Gomes (PDT) como (pré-)candidato, o Roberto Jefferson (PTB), todos eles recebem remunerações dos partidos, que são bancadas pelo dinheiro público. Quem está nos assistindo, é bom saber que está pagando algum imposto em algum produto, que um pedaço desse imposto está indo pagar o salário do Roberto Jefferson. Então, eu acho que esse quadro ainda está muito indefinido e, pelos partidos, vai ser difícil uma reversão, na minha avaliação.
Pouca evolução – Uma mobilização da sociedade, em manifestações e em outras formas, nas mídias sociais, vai ser fundamental para a gente dar viabilidade a um candidato. Essa terceira via evoluiu muito pouco nessas discussões. Eu cheguei a participar de um ou outro movimento, quando a gente fez uma carta em defesa da democracia, mas o fato é que esse grupo pouco evoluiu. Acho que deveria ter evoluído numa pauta comum para retomada da economia, que é fundamental para o Brasil. Uma pauta comum para defesa do meio ambiente, para responsabilidade fiscal, para problemas sociais, e também um compromisso de que o próximo governante deste bloco se comprometesse a um único mandato. Seria uma forma de você não estar preocupado com reeleição, não ter nenhum acordo que pudesse trazer qualquer tipo de interesse contrário ao cidadão brasileiro. Mas, houve pouca evolução. Ainda tenho esperança que isso possa acontecer, mas o tempo está passando. A gente está aí a 12 meses exatos do pleito. Eu ainda estou vendo com algum ceticismo o combate a essa polarização hoje existente, o que não quer dizer que eu não vá continuar a trabalhar como cidadão e aproveitando a exposição dada pelo pleito de 2018 para tentar viabilizar algo. De novo: um programa, um pleito e alguns compromissos daquele que poderia ser o único representante, para que a gente possa agregar e ter mais chance nessa briga com os dois, que têm, obviamente, uma base eleitoral, uma exposição muito maior do que os demais nomes.
Pouco público nas manifestações antibolsonaro de 12 de setembro sem PT e Psol – Em termos de público, as manifestações de 12 de setembro, de fato, foram fracas. Mas elas tiveram um componente que eu julguei muito relevante. Estavam lá praticamente ou participaram dela, em tese, todos os presidenciáveis do outro lado. Estavam nas manifestações o Eduardo Leite, a Simone Tebet (MDB), o Henrique Mandetta, Ciro Gomes, o Alessandro Vieira (Cidadania). Então, assim, se mostrou ali que existe uma possibilidade de união. Nesse sentido, eu achei muito positivo. Agora, de fato, a gente volta ao ponto que eu comentei: a sociedade precisa se engajar, precisa participar. Sem isso, sem demonstrar que há um desejo genuíno da sociedade de mudança, que não pode ser expresso apenas numa vontade quando perguntado sobre uma pesquisa de como é que vai o governo Bolsonaro, tem que ser um processo muito mais ativo. E que isso não aconteceu nas manifestações.
Possibilidade de liquidar a fatura no primeiro turno – Se não houver esse enfrentamento, fica mais provável, de fato, a gente ter, daqui a 12 meses, uma polarização muito forte já no primeiro turno. E, eventualmente, até uma definição no primeiro turno. Agora, a gente precisa ter consciência também de que todo esse recuo do Bolsonaro, essa carta escrita pelo Temer, isso tudo são movimentos estratégicos com os quais ele não tem nenhuma convicção. Ele fez apenas para ganhar terreno, um terreno em que ele avançou fortemente. Ele cruza as barreiras e depois retrocede um pouquinho. Mas ele vai, com isso, ganhando espaço mais à frente. E se a gente não fizer como sociedade, dado que o Congresso não está fazendo isso, esse bloqueio, essa conta será nossa lá em 2022.
Nem Lula, nem Bolsonaro – Não gostaria de ter nenhum dos dois como presidente da República: o Bolsonaro, por todos o desgoverno que ele fez, por todos os atentados à democracia. E vamos imaginar num cenário em que ele é eleito, isso será ainda pior, né? Sem ter que fazer as promessas que no primeiro momento ele fez, ele vai dobrar as apostas. E, do outro lado, um presidente que participou de um partido que teve o Petrolão, teve o Mensalão, teve recessão (no governo Dilma Rousseff), e um partido que em nenhum momento teve a hombridade e a coragem de dizer “nós erramos”. E quando alguém não reconhece os seus erros, a minha leitura é de que ele está pronto para cometê-los novamente. E com projeto também de perpetuação no poder, numa linha populista.
O que falta? – Esse quadro me preocupa muito. Para revertê-lo, a gente precisa ter consciência, de fato, que só acontecerá se houver engajamento da população. Então, hoje, o cenário ainda é preocupante, porque não adianta nós ficarmos achando que virá alguém que, do nada, aparecerá e será capaz de conjugar um excelente plano de governo, conjugar a popularidade, um carisma, um cacife eleitoral que, nesses próximos meses, irá suplantar esses dois. É um processo difícil. Vamos lembrar que o Lula, antes de ser eleito, concorreu três vezes à presidência. Ele foi eleito na quarta, né? E é uma pessoa que fala bem, tem carisma. Podemos discordar do que ele fala, e eu discordo frontalmente dos conceitos, mas é uma pessoa que tem essa capacidade. Mas, mesmo assim, teve vários pleitos até ser eleito.
Voto nulo entre Lula e Bolsonaro – E até brinquei uma vez numa entrevista: você prefere morrer enforcado ou com um tiro? Porque, assim, eu me sinto morrendo junto com o Brasil e perdendo, eventualmente, mais uma década. Porque os dois, vamos lá: o Bolsonaro é um péssimo gestor, nunca foi um mandatário relevante, isso é fato. Com 28 anos, ele se mostrou, na prática, incapaz de colocar uma equipe, não tem conceitos em relação ao que deve ser o Estado. As suas prioridades, hoje, a um ano de eleição, e já há algum tempo, sempre foram eleitoreiras. Ele mostra que não está muito preocupado com o Brasil, foi um péssimo gestor, populista, não foi um líder, foi um mau chefe, eu diria. Escolheu pessoas em algumas pastas em que a gente teve muitos problemas, né? Meio Ambiente, Educação, o outro no Ministério das Relações Exteriores, uma série de cenários. Está muito mais preocupado consigo e sua família, com os filhos, em se proteger de acusações, do que propriamente governar o país. Para o que ele não tem nem vontade nem capacidade, e o país precisa muito disso. O presidente que assumir em 2023 vai pegar uma economia dilacerada, pessoas passando fome, um meio ambiente totalmente destruído, as instituições enfraquecidas. Então, não será um trabalho fácil. Do Lula, do outro lado, muita gente diz: “não, mas o Lula é mais democrático”. Eu não tenho esse entendimento, porque um partido que fez um esquema de voto de compra de votos nacional não me parece algo democrático. Você está indo brutalmente contra a democracia quando você está comprando pessoas lá. De novo: nos entregou, por ideias equivocadas, especialmente no trato da economia, um período de também realizações ruins. No governo da Dilma, não vamos esquecer, tivemos recessão forte em dois anos, e muito do crescimento que o Lula disse que teve, se mostrou que é insustentável. Programas assistenciais que não fizeram com que o Brasil, de forma consistente, saísse estruturalmente da pobreza. E tem o mesmo discurso populista de salvador da pátria. Acho que os dois têm essa característica. Não é isso que a gente precisa para a nação. E tem práticas também contra a liberdade, liberdade de imprensa, ele já falou que pretende regulamentar a mídia. Então, assim, são dois cenários, motivos alguns semelhantes, outros um pouco diferentes, mas que não farão com que o Brasil possa ser um país onde as pessoas tenham uma qualidade de vida melhor. Por isso coloco um voto nulo aí, porque não gostaria de endossar nenhum dos dois. E deixar esse alerta, de que a gente precisa trabalhar fortemente para ter outra opção.
Eleição a governador do Rio – Estou fora lá do Novo, até do processo seletivo. Eu não sei se o (deputado federal) Paulo Ganime já é definido (como pré-candidato a governador pelo Novo). A notícia que eu tenho é de que também tem outra pessoa, que é a Juliana Benicio, que foi candidata pelo Novo à Prefeitura de Niterói, que também me parece que vai participar ou já está participando da disputa interna pela vaga de candidata. Então, do Novo, talvez ainda tenha essa indefinição aí de quem seria o candidato. De novo, no Rio eu acho que está se formando também essa mesma polarização que a gente tem em nível nacional. Eu diria que de um lado, pelo governo Bolsonaro, a gente tem o Cláudio Castro (PL), atual governador, representando isso. E do outro lado, apesar de não estar concorrendo, o Eduardo Paes (PSD, prefeito do Rio) acho que se coloca como uma liderança principal nesse processo. E, ao que tudo indica, com o apoio do ex-presidente Lula. E aí, trazendo quadros como o Molon (PSB), talvez até como o Freixo (pré-candidato a governador do PSB), para participar desse processo. Há um certo afastamento dos extremos. Acho que, no Rio, a gente tende a ter esse embate, Lula e Bolsonaro, representado por esses candidatos (Freixo e Castro). O quadro me parece ainda muito incerto. Há também a ideia de que talvez viesse o presidente da OAB, o Felipe Santa Cruz, representando um nome trazido pelo Paes, com o apoio do Lula, junto com Alessandro Molon. Então, ainda está difícil a gente vislumbrar o que vai ser aqui no Rio. A gente sabe que as eleições no Rio sempre causam surpresa. A gente viu isso quando o Witzel (PSC, ex-governador), que era uma pessoa bastante desconhecida, do nada apareceu ali. Mas, na minha visão, eu acho que a gente vai ter essa polarização entre Lula e Bolsonaro refletida no ambiente estadual. E, de novo, como eu acho que o Bolsonaro continuará essa curva, pelas pesquisas, de aumento da sua rejeição. Portanto, o lado contrário ao Bolsonaro tende a ganhar força aí nesse processo. Vamos ver se surge algo independente que pudesse aí nos tirar dessa polarização e estar realmente focado na gestão do estado. E não nessa briga política que não nos interessa como cidadão fluminense.
Página 3 da edição de hoje da Folha da Manhã
Confira abaixo, nos três blocos, a íntegra dos vídeos com a entrevista de João Amoêdo na manhã de ontem (1º) ao Folha no Ar, na Folha FM 98,3: