Gestor público e chefe do Centro Estadual de Pesquisa da Pesagro em Campos, Ronaldo Soares é o convidado do Folha no Ar desta quinta (29), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará da vocação agropecuária de Campos e região, e do papel da Pesagro em seu desenvolvimento.
Ronaldo também falará da sua atuação na secretaria estadual de Agricultura e no Conselho Municipal de Política Agrária e Pecuária de Campos. E, como cidadão e com base nas pesquisas (confira aqui, aqui e aqui), tentará analisar as eleições a prefeito e vereador da cidade em 6 de outubro, daqui a 39 dias.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.
Médica pediatra e poeta Ângela Sarmet (Foto: Divulgação)
Morreu hoje, aos 82 anos, a médica pediatra e poeta Ângela Maria Sarmet Moreira. Ela estava internada há cerca de 20 dias no Hospital Prontocardio, com problemas cardíacos e infecção pulmonar, vindo a óbito por falência múltipla dos órgãos. Seu velório se inicia às 14h, na Capela F do Cemitério Campo da Paz, onde será sepultada às 17h.
Ângela dedicou cerca 50 anos da sua vida ao exercício da medicina, cuidando da saúde das crianças. Formada nos anos 1960, só parou de clinicar em 2020, por conta da pandemia da Covid-19. Escreveu dois livros de poesia, “Eu só sei falar de amor” e “Rumando ao infinito”. Deixa também os filhos Pedro, Marcos e Matheus, e sete netos: Mariana, Daniel, Maria Clara, Isabela, Krislley, Lívia e Ângela, a mais nova, de 6 anos, batizada em homenagem à avó.
Filho, mãe e médicos Pedro e Ângela Sarmet
Seu filho mais velho, o também médico Pedro escreveu sobre a mãe:
— Hoje me despeço da pessoa física, dessa mãe que, desde a tenra idade, me ensinou os valores cristãos, principalmente o amor ao próximo. Dividi minha mãe com outras tantas crianças que necessitaram de seus cuidados e até mesmo de seu amor, abraçou meus amigos como se fossem seus próprios filhos. Apoiou-me nas minhas decisões mais difíceis, inclusive quando deixei seu seio para viver meu sonho de exercer minha profissão de médico na Amazônia. Me entregou sempre nas mãos do Criador… hoje você me deixa a certeza que sua missão aqui encerrou, mas seus ensinamentos ficarão internalizados em mim e farei jus ao seu último pedido: “cuidar das pessoas com o zelo com que sempre cuidou dos que estavam ao seu redor”. Te amo, até o nosso reencontro, mãezinha!
Amante das artes de maneira geral, Ângela também integrou o grupo musical “Boa Noite, Amor”. Que se manifestou hoje sobre a perda:
Ângela Sarmet se apresentando no grupo “Boa Noite, Amor” (Foto: Antônio Filho)
— O “Grupo Boa Noite, Amor” tem hoje a dolorosa missão de se despedir de uma das suas mais preciosas integrantes, a amada Dra. Ângela Sarmet. Deus a acolheu de volta, mas a eternizou em nossos corações em forma de admiração e saudade. Os inspiradores versos da sua poesia, que abrilhantaram as nossas apresentações durante tantos anos, serão agora as nossas melhores e inesquecíveis lembranças. Que o Céu seja para Ângela a nova fonte de inspiração. Deus a receba! — disse a nota assinada por Ana Maria, Janilce Simões, Amália Marins, Lúcia Maria, José Assad e Luiz Omar Monteiro, integrantes do grupo “Boa Noite, Amor”.
Sou amigo de Pedro Sarmet, primogênito de Ângela, desde o início do ensino fundamental, curso primário naquela passagem dos anos 1970 a 1980, na Escola Santo Antônio, onde hoje fica o Hortifruti da Formosa. Conheci e convivi com a mãe dele, a quem tratava quando criança de tia, desde que me entendo por gente. E sempre tive por ela admiração e carinho.
Mãe zelosa, era também conselheira dos amigos dos filhos, sempre com cuidado geracional de nos compreender, no lugar de tentar se impor. Médica vocacionada, o que é cada vez mais raro no mundo de hoje, tinha o mesmo carinho com todas as crianças que cuidou como pediatra, tratando-os de maneira maternal. Profissional e pessoalmente, era uma humanista convicta.
Na última vez que fui a Atafona, caminhando com o cachorro entre dunas e ruínas, passei na casa de praia que foi de Ângela, Pedro, Marcos e Matheus. Hoje à mercê do avanço do mar, foi palco de incontáveis verões, brincadeiras, conversas, comidas, porres, carnavais e pescarias, sobretudo no mangue do antigo Pontal hoje aterrado de areia. A casa dos Sarmet em Atafona sempre foi um porto seguro para os amigos. E isso vinha muito de Ângela.
Na minha vida adulta, chegamos a trocar algumas impressões sobre poesia, quando nos cruzávamos eventualmente em eventos de literatura na cidade. Mas meu convívio com ela, desde que Pedro foi morar em Niterói, depois em São Paulo e, finalmente, em Roraima, ficaram mais escassos.
Ângela nasceu fevereiro em 1942, em plena II Guerra Mundial (1939/1945), quando os nazistas ainda levavam a melhor. Ela é fruto de uma geração, a mesma dos meus pais, que viveram e legaram pela cultura oral seus testemunhos vivos de histórias e da História. E, na ausência física gradual deles, corremos o risco de repetir erros que não deveríamos mais cometer.
Hoje, quando soube da sua morte, liguei imediatamente a Pedro. A quem transmiti meu mais sincero sentimento de solidariedade e pesar, extensivo a todos os seus familiares e amigos, antes de tomar informações para anunciar jornalisticamente sua morte, seu velório e enterro. Mas não poderia deixar de falar da um pouco da sua vida. A vida de uma grande mulher! Que deixa exemplo, legado e saudade.
A eleição a prefeito de Campos é em 6 de outubro, daqui a 39 dias. Divulgada na segunda (26), pelo jornal carioca O Dia, a pesquisa do instituto Paraná deu (confira aqui) a Wladimir Garotinho (PP) 63% de intenção de voto na consulta estimulada e aprovação de governo de 76,3%. Divulgada na terça (27), em programa da Rede Record, a pesquisa do instituto Real Time Big Data deu (confira aqui) a Wladimir os mesmos 63% de intenção de voto na estimulada, com aprovação de governo de 73%. Com 373.553 eleitores habilitados a votar pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Campos é o único município da região que pode ter 2º turno. Mas o fato é que, até aqui, nada indica isso.
Jefferson de Azevedo, Rapahel Thuin, Fabrício Lírio, Alexandre Buchaul e Pastor Fernando (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Madeleine e os demais
Com 17,9% de intenção de voto na estimulada Paraná e 15% na Big Data, a delegada de Polícia Civil Madeleine Dykeman (União) cresceu com o apoio dos Bacellar, mas segue à distância como 2ª colocada na corrida. Ex-reitor do IFF, o professor Jefferson de Azevedo (PT) está em 3º: 2,7% na primeira pesquisa e 4% na segunda. Na Paraná, completaram a lista o vereador Raphael Thuin (PRD), com 1,1%; o empresário Fabrício Lírio (Rede), com 0,7%; o odontólogo Alexandre Buchaul (Novo), com 0,6%; e Pastor Fernando (PRTB), com 0,1%. Na segunda pesquisa, Thuin, Lírio, Buchaul e Pastor Fernando tiveram, cada um, os mesmos 1%.
Lições de 2020 a 2024
Das pesquisas ao fato, Wladimir teve 42,94% dos votos no 1º turno a prefeito de 2020. Para que houvesse o 2º turno, Caio Vianna fez 27,71%, Dr. Bruno Calil — então apoiado pelos Bacellar — fez 13,17% e o então prefeito Rafael Diniz (5,45%) e a estreante professora Natália Soares (4,68%) fizeram, juntos, 10,13%. Isso nos votos válidos, computados pela apuração do TSE para definir o vencedor, excetuados os brancos e nulos. Feita a mesma conta nos números de hoje, Wladimir teria os mesmos 73,26% dos votos válidos segundo as duas pesquisas. Enquanto a 2ª colocada, Madeleine, oscilaria entre 20,81% na Paraná e 17,44% na Big Data.
Para haver 2º turno a prefeito de Campos em 2024, quem repetirá a votação que Caio Vianna, Bruno Calil, Rafael Diniz e Natália Soares tiveram no 1º turno de 2020? (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
A lição do Botafogo
Além do mínimo de 6,9 pontos que faltam para Madeleine chegar nas pesquisas de 2024 aos votos de Caio no 1º turno de 2020, a distância é maior entre as intenções que Jefferson tem e os votos que Bruno teve. Sem que ninguém, entre Thuin, Lírio, Buchaul e o Pastor hoje se aproxime, em 4º e 5º lugar nas intenções, dos dois dígitos de votos que Rafael e Natália tiveram juntos há quatro anos. Há quem encare eleição como torcida de futebol. Pode ser a quem torce. Mas só grita campeão ao final do Brasileirão quem somar o maior número de pontos na tabela. Ainda que o Botafogo de 2023 lecione: não existe campeão de véspera.
Favorito em 2024 desde 2023
Em todas as pesquisas eleitorais a prefeito de Campos, da Paraná e Big Data mais recentes à única antes registrada, da Prefab Future de 26 de maio, às três de 2023 (relembre aqui), Wladimir sempre foi favorito para se reeleger no 1º turno. Isso valia quando seu maior potencial adversário era Caio, seu hoje aliado. Continuou valendo quando se tentou fabricar a deputada Carla Machado (PT) candidata a prefeita de Campos, mesmo impedida por toda a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e do TSE, que se impôs em julgamento (confira aqui) por 7 a 0 — mais acachapante que os 7 a 1 da Alemanha. E, a 39 dias da urna, continua valendo com Madeleine.
Como Wladimir, prefeitos da região com governos aprovado e favoritos à reeleição: Carla Caputi em São João da Barra, Welberth Rezende em Macaé, Geane Vincler em Cardoso Moreira, Valmir Lessa em Conceição de Macabu, Marcelo Magno em Arraial do Cabo, Fábio do Pastel em São Pedro da Aldeia e Maira de Jaime em Silva Jardim (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Mudar o povo?
Entre os prefeitos que tentam a reeleição na região, a regra também se confirma pela via oposta. Ontem foi divulgada (confira aqui) uma nova pesquisa Paraná sobre a disputa à Prefeitura de Cabo Frio. Na qual o favorito é o deputado estadual Dr. Serginho (PL), com 59,6% das intenções de voto na consulta induzida, contra 17,2% da prefeita Magdala Furtado (PV). O motivo? O governo municipal é desaprovado por 63,1% da população. A quem deseja que o mesmo se desse em Campos, talvez sirva o conselho de Delfim Netto após Jânio Quadros vencer Fernando Henrique Cardoso na eleição a prefeito de São Paulo em 1985: “mudar o povo”.
As novas pesquisas Paraná (confira aqui) e Big Data (confira aqui) a prefeito de Campos, como outras disputas às prefeituras da região (confira aqui, aqui e aqui) nas urnas de 6 de outubro, daqui a apenas 40 dias, serão o tema do Folha no Ar desta quarta (28), ao vivo, a partir das 7 da manhã, na Folha FM 98,3. O debate ocorrerá entre os jornalistas Aluysio Abreu Barbosa, Edmundo Siqueira e Gabriel Torres, sob a mediação do radialista Cláudio Nogueira.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.
O deputado estadual Dr. Serginho (PL) aumentou seu favoritismo na eleição a prefeito de Cabo Frio. Na pesquisa Paraná divulgada hoje (27), feita entre 23 e 26 de agosto, ele lidera a corrida 59,6% de intenção e voto na consulta estimulada. No levantamento do mesmo instituto, com a mesma metodologia, feito entre 30 de janeiro e 4 de fevereiro, ele já liderava com 38,2% na estimulada. Cresceu, portanto, 21,4 pontos na intenção de voto dos últimos 6 meses, a apenas 40 dias das urnas de 6 de outubro.
Prefeita avança pouco com apoio do ex-prefeito — Na pesquisa Paraná de fevereiro, o 2º colocado na corrida à Prefeitura de Cabo Frio era o ex-prefeito Marquinho Mendes (MDB), com 23,9% na consulta estimulada. Só que, em 15 de agosto, ele decidiu retirar sua candidatura para apoiar a reeleição da prefeita Magdala Furtado (PV). Ao que parece, sem grande efeito prático: dos 12,9% de intenção de voto que a prefeita tinha na estimulada Paraná do início de fevereiro, onde estava em 3º lugar, ela chega ao final de agosto com 17,2%. Na 2ª colocação da corrida, ganhou só 4,3 pontos nos últimos 6 meses.
Reprovação do governo é a causa — O principal motivo para o desempenho ruim de Magdala nas pesquisas é a reprovação popular à sua gestão. E fevereiro, ela foi desaprovada na pesquisa Paraná pela maioria de 60,3% do eleitorado cabofriense, com 34,6% que aprovaram e 5,1% que não souberam opinar. Em agosto, novo levantamento do mesmo instituto mostra que essa reprovação aumentou numericamente: hoje, 63,1% da população desaprovam o governo de Cabo Frio, com 32,8% que aprovam e 4,1% que não souberam opinar.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Aprovação de governo = intenção de voto — A relação entre aprovação de governo e intenção de voto da prefeita Magdala em Cabo Frio, que a distancia da possibilidade de se reeleger, é inversamente a mesma que faz de prefeitos com governos aprovados na região favoritos à reeleição em 6 de outubro. Como as pesquisas mostram ser Wladimir Garotinho (PP) em Campos, Carla Caputi (União) em São João da Barra, Welberth Rezende (Cidadania) em Macaé, Geane Vincler (União) em Cardoso Moreira, Valmir Lessa (Cidadania) em Conceição de Macabu, Marcelo Magno (PL) em Arraial do Cabo, Fábio do Pastel (PL) em São Pedro da Aldeia e Maira de Jaime (MDB) em Silva Jardim
Estimulada — Na estimulada da Paraná de agosto a prefeito de Cabo Frio, atrás dos 59,6% de intenção de voto de Dr. Serginho e dos 17,2% de Magdala, vieram Rafael Peçanha (Rede), com 4,1%; Vinícius Seguraço (UP), com 1,1%; e Fernando Luiz Cardoso (Novo), com 0,7%. Outros 9,7% do eleitorado cabofriense disseram que votarão em nenhum/branco/nulo, enquanto 7,6% não souberam responder.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Espontânea — Na consulta espontânea, onde o eleitor diz da própria cabeça em quem vai votar, medindo a cristalização dessa intenção, Dr. Serginho também lidera com 30,4%. Depois dele vieram Magdala (7,6%) e Rafael (0,7%), com 0,8% a outros nomes citados. No entanto, a maioria de 52,5% ainda não soube responder, o que revela uma eleição matematicamente ainda aberta, com 7,9% que votarão em ninguém/branco/nulo.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Rejeição — Para avançar sobre essa maioria ainda indecisa, o dado mais importante é a rejeição. Que Magdala lidera, com 48,5% afirmando que não votariam nela de jeito nenhum. Ela foi seguida à distância no índice negativo por Vinícius (14,8%), Rafael (14,6%), Dr. Serginho (13,5%) e Fernando (11.3%), os quatro em empate técnico na margem de erro de 3,8 pontos. A pesquisa foi feita com 710 eleitores, sob o registro RJ-04791/2024 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE
Análise do especialista — “Com grau de confiança de 95%, a pesquisa apresenta excelente qualidade técnica, com margem de erro de 3,8 pontos percentuais para mais ou para menos. Para as urnas de 6 de outubro, Cabo Frio tem 172.792 eleitores habilitados a votar no TSE, segundo o TSE, o que significa impossibilidade de segundo turno. Com administração desaprovada por 63,1% do eleitorado, superior aos 60,3% da sondagem de fevereiro do mesmo instituto, a pesquisa não projeta a reeleição da prefeita Magdala Furtado, que aparece com apenas 17,2% de intenção na estimulada, contra os 59,6% de Dr. Serginho. Magdala também é a candidata mais rejeitada (48,5%), à frente de Vinícius Seguraço (14,8%), Rafael Peçanha (14,6%), Dr. Serginho (13,5%) e Fernando Luiz Cardoso (11,3%). Nesse cenário, a exatos 40 dias do primeiro turno, o instituto Paraná Pesquisas projeta vitória de Dr. Serginho no maior município das Baixadas Litorâneas e da Região dos Lagos”, disse William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.
Geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE, William Passos bate um papo no Folha no Ar desta terça (27), ao vivo, das 7h às 9h da manhã, com os jornalistas Aluysio Abreu Barbosa e Gabriel Torres, ancorados pelo radialista Cláudio Nogueira, na Folha FM 98,3. Com base nas pesquisas (confira aqui, aqui e aqui), eles falarão sobre as eleições a prefeito e vereador de 6 de outubro, daqui a 41 dias, em Campos e outros municípios da região.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.
No sábado (24), a coluna Ponto final projetou (confira aqui) as novas pesquisas a prefeito de Campos programadas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para divulgação hoje (26): “não será surpresa se Wladimir (Garotinho, PP) crescer um pouco mais na intenção de voto (tinha 53,7% na consulta estimulada da pesquisa Prefab de 26 de abril). Assim como a delegada Madeleine Dykeman (União), que teve 6,8%. Não será surpresa se ela aparecer agora com dois dígitos. Embora não deva chegar, por ora, aos 18,7% de Carla (Machado, PT) em abril”. Pois na pesquisa Paraná divulgada hoje, Wladimir cresceu para 63,0% de intenção de voto na estimulada. E na possibilidade de definir a eleição no 1º turno de 6 de outubro, daqui a 41 dias. Enquanto Madeleine cresceu para 17,9% — abaixo do que Carla tinha no final de abril.
Estimulada — O instituto Paranás Pesquisas, de renome nacional, ouviu 710 eleitores de Campos entre 22 e 25 de agosto, com margem de erro de 3,8 pontos, sob o registro RJ-00920/2024 no TSE. É a primeira pesquisa registrada desde as convenções partidárias que definiram os 7 candidatos a prefeito a cidade. Na consulta estimulada, abaixo dos 63% de Wladimir e dos 17,9% de Madeleine, vieram o professor Jefferson de Azevedo (PT), com 2,7%; Raphael Thuin (PRD), com 1,1%; Fabrício Lírio (Rede), com 0,7%; Alexandre Buchaul (Novo), com 0,6%; e Pastor Fernando (PRTB), com 0,1%. Outros 8,2% disseram que votarão em nenhum/branco/nulo, com 5,8% que não souberam responder.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Aprovação de governo = intenção de voto — A maior vantagem de Wladimir na sua reeleição a prefeito é a aprovação popular ao seu governo. Que, na pesquisa Paraná, é aprovado por 76,3% dos campistas e desaprovado por 19,4%, com 4,2% que não souberam opinar. Essa relação direta entre aprovação de governo e favoritismo à reeleição se repete (confira aqui) com os prefeitos Carla Caputi (União) em São João da Barra, Welberth Rezende (Cidadania) em Macaé, Geane Vincler (União) em Cardoso Moreira, Valmir Lessa (Cidadania) em Conceição de Macabu, Marcelo Magno (PL) em Arraial do Cabo, Fábio do Pastel (PL) em São Pedro da Aldeia e Maira de Jaime (MDB) em Silva Jardim. Mas, entre todos estes, Campos é o único município que, com mais de 200 mil eleitores, pode ter 2º turno.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Eleição matematicamente aberta na espontânea — A consulta espontânea, em que o eleitor diz da própria cabeça em quem votará, mostra, no entanto, uma eleição matematicamente ainda aberta. Embora Wladimir também lidere com folga, com 31,8% de intenção de voto cristalizada, e seguido à distância por Madeleine (5,8%), Jefferson (0,8%), Lírio e Thuin (empatados, com 0,1% cada), além de 1,0% a outros nomes, a maioria de 53,9% do eleitorado ainda não soube responder. Outros 6,3% disseram que votarão em nenhum/branco/nulo.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Rejeição — Fundamental para definir não só o teto de crescimento num eventual 2º turno, como para tentar avançar ainda no 1º turno sobre esses eleitores indecisos, é a rejeição. Que, na pesquisa Paraná, foi liderada por Madeleine, com 20,3% dos campistas dizendo que não votariam nela de jeito nenhum. Em empate técnico na margem de erro, ela foi numericamente seguida no índice negativo por Wladimir (16,3%), Jefferson (16,1%), Thuin (14,4%) e Lírio (13,1%). Completaram a lista Pastor Fernando (12,1%) e Buchaul (12,0%). Outros 28,5% não souberam responder, enquanto 10,4% disseram poder votar em todos.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Murillo Dieguez, diretor do instituto de pesquisa Pro4, empresário e colunista da Folha da Manhã
Votos válidos — Em entrevista ao Folha no Ar no dia 20, o empresário Murillo Dieguez, diretor do instituto de pesquisa Pro4, projetou o teto de Wladimir (confira aqui) nessa eleição: “em torno de 70% dos votos válidos”. Descontadas na consulta estimulada da pesquisa Paraná os 8,2% de nenhum/branco/nulo e os 5,8% que não souberam dizer em quem votarão, Wladimir tem hoje 73,26% de intenção nos votos válidos. Madeleine ficou com 20,81%, Jefferson com 3,14%, Thuin com 1,28%, Lírio com 0,81%, Buchaul com 0,89%, e Pastor Fernando com 0,11%.
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE
Análise do estatístico — “Com grau de confiança de 95% e 710 entrevistados, a pesquisa apresenta excelente qualidade técnica, com margem de erro de 3,8 pontos. Para as urnas de 6 de outubro de 2024, o maior colégio eleitoral do interior fluminense registra 373.553 eleitores habilitados a votar pelo TSE, o que significa possibilidade de eleição em 2º turno. Entretanto, o instituto Paraná projeta reeleição em 1º turno de Wladimir, com 63,0% na pesquisa estimulada. O resultado é explicado especialmente pela avaliação positiva do seu governo, que com 57,2% na soma de ótimo ou bom. Ainda na estimulada, outro dado importante que a pesquisa traz são os 17,9% de intenção da delegada Madeleine, que absorveu muito mais que o professor Jefferson, com 2,7%, do espólio eleitoral da ex-candidata Carla Machado”, observou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.
Republicado aqui, no Folha1, por problemas técnicos com o blog.
Com governo aprovado e líder nas intenções de voto, prefeito de Conceição de Macabu, Valmir Lessa, repete a correlação que favorece também a reeleição de Wladimir Garotinho em Campos, Carla Caputi em São João da Barra, Welberth Rezende em Macaé, Geane Vincler em Cardoso Moreira, Marcelo Magno em Arraial do Cabo, Fábio do Pastel em São Pedro da Aldeia e Maira de Jaime em Silva Jardim (Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Com governo aprovado por 68,4% da população, o prefeito de Conceição de Macabu, Valmir Lessa (Cidadania) é o favorito para se reeleger em 6 de outubro, daqui a apenas 42 dias, com 41,2% das intenções de voto na consulta induzida — com a apresentação dos nomes dos candidatos. É o que aponta a pesquisa Factum feita com 376 eleitores do município, entre 19 e 20 de agosto, com margem de erro de 5 pontos para mais ou menos, sob o registro RJ 05220/2024 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Aprovação de governo = intenção de voto — Nessa relação direta entre aprovação de governo e liderança nas intenções de voto, Valmir é o oitavo prefeito da região que aparece nas pesquisas como favorito a se reeleger. Assim como (confira aqui) Wladimir Garotinho (PP) em Campos, Carla Caputi (União) em São João da Barra, Welberth Rezende (Cidadania) em Macaé, Geane Vincler (União) em Cardoso Moreira, Marcelo Magno (PL) em Arraial do Cabo, Fábio do Pastel (PL) em São Pedro da Aldeia e Maira de Jaime (MDB) em Silva Jardim.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Aprovação de governo e consulta estimulada — Além dos 68,4% de aprovação, o governo municipal de Conceição foi desaprovado por 28,7% da população, com 2,9% que não souberam ou quiseram responder. Na consulta induzida, atrás dos 41,2% de intenção de voto de Valmir, vieram o ex-prefeito Cláudio Linhares (PP), com 23,1%; Dr. Leopoldo (PDT), com 10,1%; e Tedi (PT), com 2,9%. Outros 12,3% se disseram indecisos, 7,5% disseram que votarão em branco ou nulo, e 2,9% não souberam responder.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Espontânea — O prefeito Valmir também liderou a consulta espontânea, em que o eleitor fala da própria cabeça em quem vai votar, com 34% de intenção e voto consolidada. Ele foi seguido por Cláudio, com 19,2%; Dr. Leopoldo, com 6,1%; e Tedi, com 2,1%. Outros 28,2% se disseram indecisos, 7,5% disseram que votarão em branco ou nulo, e 2,9% não souberam responder.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Rejeição — Além de liderar nas intenções de voto das consultas induzida e espontânea, Valmir apareceu na pesquisa com a menor rejeição entre os quatro candidatos a prefeito de Conceição. Apenas 10,1% disseram que não votariam nele de jeito nenhum, atrás dos 10,4% de Dr. Leopoldo, dos 21% de Cláudio e dos 30% de Tedi, revelando uma rejeição ao PT que aparece cristalizada nas pesquisas em quase todos os municípios do interior do Estado do Rio.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE
Análise do especialista — “O controle da máquina administrativa e do orçamento municipal tende a favorecer os prefeitos que buscam reeleição, sobretudo aqueles que apresentam avaliação positiva acima de 50%. Nesse caso, o favorecimento é ainda maior nos municípios com turno único, isto é, aqueles com menos de 200 mil eleitores. Todas as pesquisas dos três institutos que mediram o cenário dos 8 municípios apresentados apresentam boa qualidade técnica e confiabilidade para a medição do cenário eleitoral até o momento. Destaca-se que novas pesquisas deverão ser realizadas nos próximos dias, com destaque para as duas que deverão ser divulgadas amanhã (26), pelos institutos Paraná Pesquisas e Real Time Big Data, que deverão confirmar a manutenção na liderança das intenções de voto de Wladimir Garotinho (PP) e seu favoritismo à reeleição no maior colégio eleitoral do interior do estado do Rio de Janeiro”, disse William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.
“Estamos preocupados com a possibilidade de os partidos políticos não cumprirem a cota mínima de 30% de candidaturas femininas exigida por lei e praticar novas fraudes contra o sistema de cotas”. É o que disse o promotor eleitoral Fabiano Moreira, sobre as nominatas à Câmara Municipal de Campos. Em que seis vereadores foram afastados pela Justiça (relembre aqui) na atual Legislatura por fraude nas cotas femininas na eleição municipal de 2020. Ele advertiu que se as candidaturas a vereadora indeferidas não forem substituídas por outras mulheres até as urnas de 6 de outubro, para preencher o mínimo de 30%, os responsáveis podem ser condenados à impugnação de candidaturas e inelegibilidade.
— Isso denota evidente abuso, um novo capítulo ao sistema de fraudes à exigência legal ao número de candidaturas femininas. A lei não só exige que os partidos registrem 30% de candidatas mulheres, mas também que esse percentual seja mantido até o dia da eleição. Se os partidos não substituírem essas candidatas por outras mulheres, poderão enfrentar sanções, incluindo a impugnação das candidaturas dos respectivos DRAPS (Demonstrativos de Regularidade de Atos Partidários) e possíveis inelegibilidades dos responsáveis, notadamente os representantes dos partidos — disse o promotor eleitoral. Que foi adiante:
— Observamos que muitos partidos, ao registrarem suas candidaturas, indicaram exatamente o mínimo de 30% de mulheres exigidos pela lei. Isso ainda é uma preocupação e demonstra a desigualdade entre os sexos e a falibilidade do sistema com a baixa participação feminina nesse processo democrático — disse Fabiano. Que foi além em sua advertência:
— O que é ruim pode ser ainda pior. Ao analisar os registros de candidaturas e as condições de elegibilidade e inelegibilidade de cada um dos candidatos, temos observado número elevado de indeferimento de candidaturas femininas em Campos, algumas até por clara falta de interesse, o que notamos nos casos de renúncia e ausência da simples apresentação de documentos. Essa diferença é bem expressiva e desproporcional aos indeferimentos masculinos — comparou Fabiano.
Ele disse que o Ministério público vem orientando os partidos para que, ao longo do processo eleitoral, monitorem suas candidaturas e façam as substituições necessárias de forma adequada e em tempo hábil. “O que deve ser feito a partir de agora para os casos já conhecidos. Isso é essencial para garantir que a lei seja cumprida e que as mulheres tenham a devida participação no pleito. Queremos que a sociedade entenda a importância desse tema. A presença feminina na política é fundamental, e o respeito à cota de gênero é uma conquista que deve ser preservada”, completou o promotor eleitoral de Campos.
George Gomes Coutinho, cientista político e professor da UFF-Campos
A posição do Ministério Público em defesa da cota feminina nas eleições municipais de Campos recebeu apoio. Como o do cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos:
— A preocupação do MP é a preocupação de todos nós que seguimos vigilantes com a qualidade da democracia brasileira. Nosso sistema, dentre outras definições, é chamado de “democracia representativa”. Portanto, se espera que o poder político constituído “represente” sua população. Isso implica que os agentes políticos realmente existentes, aqueles em exercício, de alguma maneira “tenham a cara” da população que vota e os mantém com pagamento de impostos diretos e indiretos. Em um país cuja maioria é de mulheres é um contrassenso termos uma classe política majoritariamente masculina. Idem com relação ao que verdadeiramente somos em termos raciais e de classe social — disse George. Que seguiu:
— A classe política brasileira ainda é desproporcionalmente branca e economicamente privilegiada, o que gera o fenômeno da super-representação desses interesses em detrimento de nossas maiorias concretas em termos populacionais. Inclusive esta falta de representatividade, por óbvio, leva água ao moinho para o que chamamos de “crise das democracias contemporâneas”. Não é crível criticarmos o eleitor quanto este se queixa de não se enxergar na classe política. O fenômeno da super-representação de setores ajuda a compreendermos esse alheamento de parte da sociedade, faticamente sub-representada, com relação ao poder político exercido formalmente — completou o cientista político.
Jefferson de Azevedo, Wladimir Garotinho, Gilberto Gomes, Marcelo Feres, Auxiliadora Freitas, Eduardo Shimoda e George Gomes Coutinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
No dia 14 foi divulgado (confira aqui) o novo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) com aumento da nota de Campos. No mesmo dia, o prefeito Wladimir Garotinho (PP) gravou e divulgou (confira aqui) vídeo no Instagram, comemorando o fato. Que foi ironizado e questionado (confira aqui) em vídeo gravado e divulgado no dia seguinte (15), pelo professor Jefferson de Azevedo, ex-reitor do IFF e candidato do PT a prefeito.
— Parabéns a toda equipe da secretaria de Educação, aos professores, diretores, auxiliares e demais funcionários! Aos que só sabem criticar e atacar com discursos de salvadores da pátria, está aí mais uma prova que nosso trabalho está gerando resultados, transformando a vida das pessoas e cuidando do futuro da cidade. A educação é a base da transformação social — celebrou Wladimir no dia 14.
— A nota do Ideb leva em consideração, entre outros fatores, a aprovação do aluno e em Campos o governo adotou o sistema de aprovação automática. Ou seja, nossos estudantes passam de ano mesmo se não souberem ler ou escrever. O dublê de digital influencer que se diz prefeito deveria se preocupar com o futuro das nossas crianças e não em enganar a população com notícias maquiadas — bateu Jefferson no dia 15.
Ocorre que, na coluna Ponto Final publicada na quarta (21), os questionamentos de Jefferson foram questionados (confira aqui) não por políticos adversários, mas por dois colegas seus da própria academia: Eduardo Shimoda, professor de Estatística e de Indicadores de Qualidade da Educação no Mestrado e Doutorado em Planejamento Regional e Gestão da Cidade da Universidade Candido Mendes; e o cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos.
Questionado tecnicamente por seus pares da academia, Jefferson dobrou a aposta e reforçou seus questionamentos (confira aqui) na quinta (22). Quando disse ao blog Opiniões:
— O resultado do Ideb é mais uma maquiagem do governo Wladimir Garotinho e a educação do município continua nas piores colocações do Norte Fluminense, mesmo com um orçamento gigantesco. O único valor histórico que poderia ser anunciado em forma de ‘petáculo’ deveria ser o da taxa de aprovação, que, em 2023, foi de 95%, ultrapassando até mesmo a marca de 91% do período da pandemia, quando todas as escolas estavam fechadas — reafirmou Jefferson. Que recebeu o apoio de Gilberto Gomes, candidato a vereador e secretário de Comunicação do PT de Campos:
— Penso que neste momento eleitoral, além da análise dos dados do Ideb como importante indicador, pesa também a questão propositiva de uma candidatura como a de Jefferson, ligada diretamente ao tema da educação. Não é possível deixar de analisar o conteúdo político para adotar apenas uma leitura técnica sobre os dados do Ideb. Politicamente, concordo com Jefferson que a educação de Campos deixa muito a desejar — disse Gilberto.
Ontem, na sexta (23), após ser criticado diretamente por Jefferson como “ex-secretário de Educação”, sem ser nominado, o professor Marcelo Feres, candidato a vereador pelo PDT, devolveu na mesma moeda. E questionou diretamente (confira aqui) seu ex-colega de magistério no IFF, onde lecionou até 2017, e hoje opositor político:
— Vejo uma insistência descabida de candidatos a prefeito de Campos em negarem o fato de que a educação municipal está tomando o rumo certo, conforme refletido no Ideb 2023. É nítido que há uma torcida contra o avanço da educação se o mérito não couber em um modelo narcisista. O questionamento do Ideb 2023 de Campos foi uma encenação precipitada, irônica e sem base científica — rebateu Feres.
Ex-secretária de Educação de Campos de 1997 a 2003, nos governos Anthony Garotinho e Arnaldo Vianna, além de ex-vereadora, a professora Auxiliadora Freitas também se posicionou:
— Sou totalmente contra o sensacionalismo político criado em torno do Ideb. A qualidade da educação deve ser avaliada e analisada com mais profundidade. Quando o índice fica baixo tentam colocar como se a educação fosse péssima e quando fica um pouco melhor, como se fosse ótima. As análises precisam ser mais consistentes, menos simplistas, com fins que não sejam a qualidade da educação — pregou Auxiliadora.
Wladimir, Jefferson, Gilberto, Feres e Auxiliadora são políticos. Mesmo os que têm formação e experiência em educação são parte nas eleições de 6 de outubro, daqui a apenas 43 dias. A qualquer observador racional, deveria servir de referência nessa polêmica sobre o Ideb as posições técnicas, desapegadas de interesse político/partidário, do estatístico Eduardo Shimoda e do cientista político George Coutinho.
— Nos anos iniciais, de 2021 a 2023, o índice de aprovação aumentou de 91% para 95%, a nota Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica, que avalia conhecimento dos alunos em português e matemática) aumentou de 5,13 para 5,74 e o Ideb foi de 4,70 para 5,40. Parece que a proficiência dos alunos melhorou e aumentou a aprovação. Com mais conhecimento dos alunos, a aprovação aumenta. Não há indício que o aumento do Ideb foi produzido ‘artificialmente’ por aumento da aprovação. O índice de aprovação de Campos foi igual à média do Estado do Rio — lecionou Shimoda.
— O PT de Campos só não explicou por que, se há problema no Ideb, ele não está no instrumento de avaliação do MEC? Que está nas mãos do PT, o (ministro) Camilo Santana é um quadro do PT. Ao tentar desmoralizar o prefeito, se desmoraliza o instrumento. O PT local resolveu, por tática eleitoral, atacar Wladimir. Se houver um hipotético 2º turno sem o PT, ele vai apoiar a candidatura de Madeleine, de extrema-direita de fato? São 5.565 municípios no Brasil. Se maquiar é tão simples, por que não tivemos a explosão no Ideb Brasil afora? — questionou George.
Se a explicação de Shimoda sobre o aumento da nota de Campos no Ideb está correta, a crítica de Jefferson não tem objeto. E isso não depende de simpatia política, mas de fato estatístico. Se os questionamentos de George estão corretos, e o PT de Campos servir de apoio ao que o cientista político chama de “extrema-direita de fato”, o problema político pode ser mais grave. Não só para 2024, como para 2026. A ver.
Campos tem duas pesquisas a prefeito programadas no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para serem divulgadas nesta segunda-feira (26): dos institutos Paraná Pesquisas e Real Time Big Data. Esta já teve uma pesquisa eleitoral de Campos registrada no TSE para divulgação em 25 de julho. O que não ocorreu (confira aqui) por desavenças entre o instituto e o contratante, o jornal carioca O Dia. Por sua vez, pesquisas Paraná a prefeito já foram feitas neste ano eleitoral em Macaé, Cabo Frio, Arraial do Cabo, São Pedro da Aldeia e Rio das Ostras. Em Campos, virá em boa hora, pois a última pesquisa registrada, do instituto Prefab Future, foi feita (confira aqui) em 26 de maio.
O que era em maio
Naquela pesquisa Prefab de maio, o prefeito Wladimir Garotinho (PP) liderava com larga vantagem a corrida: 53,7% de intenção de voto na consulta estimulada (com a apresentação dos nomes dos candidatos). Dos então pré-candidatos da oposição, a única que apareceu com dois dígitos na estimulada, mesmo bem distante, foi a deputada estadual Carla Machado (PT): 18,7%. Mas, como a Folha adiantou (confira aqui) desde novembro de 2023, ela não poderia ser candidata a prefeita em 2024, por já ter sido reeleita prefeita de São João da Barra em 2020. O que o TSE confirmou por unanimidade (confira aqui) em 16 de junho. E Carla anunciou sua retirada (confira aqui) 10 dias depois.
Wladimir e Madeleine em agosto?
De lá para cá, a pergunta passou a ser: para onde foram os votos de Carla? Pesquisas internas não registradas, tanto dos Bacellar quanto dos Garotinhos, indicam a pulverização. Dos candidatos confirmados em suas respectivas convenções partidárias, mesmo que a Prefab, a Paraná e a Big Data usem metodologias diferentes, não será surpresa se Wladimir crescer um pouco mais nas intenções de voto. Assim como a delegada Madeleine Dykeman (União), que teve 6,8% na consulta estimulada da Prefab. Não será surpresa se ela aparecer agora com dois dígitos de intenção de voto. Embora não deva chegar, por ora, aos 18,7% de Carla em abril.
Aprovação de governo = intenção de voto (I)
Wladimir teve (confira aqui) mais de 50% de intenção de voto em todas as pesquisas de 2023 e na, até aqui, única registrada em 2024. Nada indica que vá ter menos nestas duas pesquisas com divulgação prevista na segunda. O que manterá a perspectiva real de fechar a eleição em turno único. Além de Madeleine, outro candidato da oposição precisará chegar aos dois dígitos de intenção de voto para que, desejo pessoal à parte, a chance do 2º turno possa matematicamente existir. A vantagem de Wladimir na disputa, como de qualquer outro governante do mundo candidato à reeleição, é a aprovação popular à sua gestão. Que estava em 70,5% na Prefab de 26 de abril.
Aprovação de governo = intenção de voto (II)
As urnas municipais de 6 de outubro serão abertas daqui a 43 dias. Neste ano eleitoral, a partir de pesquisa registradas no TSE, a Folha analisou o panorama da disputa a prefeito em 10 municípios da região: Campos, São João da Barra, Macaé, Cardoso Moreira, Rio das Ostras, Cabo Frio, Arraial do Cabo, São Pedro da Aldeia, Silva Jardim e, mais recentemente, Itaperuna. Em todos eles, a regra é a mesma: se o governo municipal é bem avaliado, o prefeito que tenta a reeleição é favorito nas intenções de voto. E vice-versa: se o governo da cidade é mal avaliado, quem lidera a corrida para sucedê-lo é a oposição.
Aprovação de governo = intenção de voto (III)
Wladimir em Campos, Carla Caputi (União) em SJB, Welberth Rezende (Cidadania) em Macaé, Geane Vincler (União) em Cardoso, Marcelo Magno (PL) em Arraial, Fábio do Pastel (PL) em São Pedro e Maira de Jaime (MDB) em Silva Jardim lideram a disputa à reeleição com grande vantagem nas consultas estimulada e espontânea. O motivo é claro nas pesquisas: todos os sete têm governos de ampla aprovação popular. Por outro lado, prefeitos que tentam a reeleição com administrações de baixa aprovação da população, como é o caso de Magdala Furtado (PV) em Cabo Frio, não passam do 3º lugar nas intenções de voto.
Rio das Ostras e Itaperuna
Há o caso de Rio das Ostras, onde o governo do prefeito Marcelino da Farmácia (sem partido) tem baixa aprovação popular. E apoia Maurício BM (PV) para sucedê-lo, atrás do líder nas pesquisas Carlos Augusto Balthazar (PL). Como há o caso particular do prefeito de Itaperuna, Alfredo Paulo Marques Rodrigues, o Alfredão (União). Ele apareceu liderando a disputa na consulta estimulada da pesquisa do instituto Personel, outra encomendada pelo jornal carioca O Dia, com 35,9% de intenção de voto. No entanto, na espontânea, não foi além do empate técnico, na margem de erro de 4,5 pontos: ele teve 21,9% contra Nel (PL), com 15,3%.
Aprovação de governo = intenção de voto (IV)
O que torna a projeção da eleição a prefeito de Itaperuna particular, a partir da pesquisa de um instituto pouco conhecido e encomendada pelo jornal O Dia, é o fato: o levantamento não divulgou a aprovação do governo Alfredão. O que pode ser um indicador, a olhos mais treinados, de que essa aprovação não é tão alta assim. Diretor do instituto de pesquisa Pro4, o empresário Murillo Dieguez desagradou a oposição de Campos (confira aqui) ao projetar no Folha no Ar de terça (20) o teto de Wladimir nas urnas de 6 de outubro: “em torno de 70% dos votos válidos” (descontados os brancos e nulos). Não por coincidência, é sua aprovação de governo.
Marcelo Feres, Jefferson de Azevedo, Wladimir Garotinho, Eduardo Shimoda, George Gomes Coutinho e Auxiliadora Freitas (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
“Vejo uma insistência descabida de candidatos a prefeito de Campos em negarem o fato de que a educação municipal está tomando o rumo certo, conforme refletido no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, confira aqui e aqui) 2023. É nítido que há uma torcida contra o avanço da educação se o mérito não couber em um modelo narcisista”. Foi o que disse hoje o professor Marcelo Feres, que se afastou da secretaria de Educação do governo Wladimir Garotinho (PP) para ser candidato a vereador pelo PDT.
Divulgado no dia 14, o aumento da nota de Campos no Ideb foi comemorado na semana passada por Wladimir, em vídeo postado (confira aqui) no Instagram. Que foi mostrado em vídeo do professor Jefferson de Azevedo (confira aqui), ex-reitor do IFF e candidato do PT a prefeito de Campos, ironizando e questionando o prefeito também no Instagram.
Na quarta (21), os questionamentos de Jefferson foram questionados não por adversários políticos, mas por (confira aqui) dois colegas seus da academia: Eduardo Shimoda, professor de Estatística e de Indicadores de Qualidade da Educação no Mestrado e Doutorado em Planejamento Regional e Gestão da Cidade da Universidade Candido Mendes; e o cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos.
— O Ideb de Campos não mostrou resultado muito bom, mas de fato melhorou. O município era o 85º entre 91 municípios fluminenses na nota Saeb de 2021. E, em 2023, passou para 69º entre 92 municípios. ‘Pedalada’ seria aumentar o nível de aprovação, que em Campos subiu muito pouco, de 91% a 95%. Se os alunos passassem sem saber, seria inútil, porque o Ideb tenderia a cair em 2025. A aprovação não é a causa do aumento do Ideb. Foi a nota Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), ao subir de 5,13 a 5,74, demonstrando uma proeficiência melhor dos alunos, que aumentou a aprovação. Não foi maquiagem, os alunos é que estão sabendo mais — concluiu o estatístico Shimoda. Que também advertiu: “o resultado será explorado politicamente em ano de eleição municipal”.
— O PT de Campos só não explicou por que, se há problema no Ideb, ele não está no instrumento de avaliação do MEC? Que está nas mãos do PT, o (ministro) Camilo Santana é um quadro do PT. Ao tentar desmoralizar o prefeito, se desmoraliza o instrumento. O PT local resolveu, por tática eleitoral, atacar Wladimir. Se houver um hipotético 2º turno sem o PT, ele vai apoiar a candidatura de Madeleine, de extrema-direita de fato? São 5.565 municípios no Brasil. Se maquiar é tão simples, por que não tivemos a explosão no Ideb Brasil afora? — questionou o cientista político George Coutinho.
Após ser questionado na quarta, Jefferson reforçou seus questionamentos (confira aqui) na quinta (23). E, sem nominar, criticou diretamente Feres como “ex-secretário de Educação”:
— O resultado do Ideb é mais uma maquiagem do governo Wladimir Garotinho e a educação do município continua nas piores colocações do Norte Fluminense, mesmo com um orçamento gigantesco. Diferentemente do que foi afirmado pelo ex-secretário de educação, o maior valor de aprendizagem, medido pelo Saeb em português e matemática na nossa rede municipal, foi em 2007, com um valor de 6,23, o que supera o de 2023, no valor de 5,74. Porém, o único valor histórico que poderia ser anunciado em forma de ‘petáculo’ deveria ser o da taxa de aprovação, que, em 2023, foi de 95% — dobrou a aposta Jefferson.
Ex-colega de Jefferson no IFF, onde lecionou até 2017, antes de se integrar ao IF Brasília, Feres também ocupou vários cargos no ministério da Educação, de 2008 a 2016, nos governos Lula e Dilma Rousseff, chegando a secretário nacional de Educação Profissional e Tecnológica. Ao ter seu trabalho criticado, o ex-secretário de Educação de Campos classificou como “teses insustentáveis” as críticas do colega de magistério e hoje opositor político, ainda que sem nominar Jefferson:
— A defesa de teses insustentáveis via narrativas políticas ignora análises científicas de especialistas imunes a viés político partidário (como é o caso de Shimoda e George), que comprovam que os alunos da rede municipal alcançaram notas mais altas na prova Saeb de língua portuguesa e matemática. Esse resultado é fruto do esforço e da competência dos alunos, professores e gestores da rede municipal. O questionamento do Ideb 2023 de Campos foi uma encenação precipitada, irônica e sem base científica — disse Feres. Que foi além:
— Como afirmado por uma liderança do PT local, tal questionamento foi uma opção política de quem entende que “não é possível deixar de analisar o conteúdo político para adotar apenas uma leitura técnica sobre os dados do Ideb” (declaração do candidato a vereador do PT Gilberto Gomes). Preocupa que políticos com experiência na área de educação se manifestem a partir de narrativas políticas, típicas de não especialistas, em detrimento das evidências científicas e da ética da boa ciência — alfinetou o ex-secretário de Educação de Campos, que ascendeu no ministério da Educação nos governos do PT.
Quem também se posicionou sobre a polêmica do Ideb foi a professora Auxiliadora Freitas, ex-vereadora e também ex-secretária de Educação de Campos de 1997 a 2003, nos governos Anthony Garotinho e Arnaldo Vianna:
— O Ideb é apenas um indicador, sujeito a falhas tanto na variável de fluxo escolar quanto na variável do Saeb, mais relacionado ao grupo de estudantes que efetivamente faz as provas. Entendo que o índice tem relevância, mas sou totalmente contra o sensacionalismo político criado em torno do Ideb. A qualidade da educação deve ser avaliada e analisada com mais profundidade. Quando o índice fica baixo tentam colocar como se a educação fosse péssima e quando fica um pouco melhor, como se fosse ótima. As análises precisam ser mais consistentes, menos simplistas, com fins que não sejam a qualidade da educação — cobrou Auxiliadora. Que foi além:
— Como educadora que torce pela educação de nossos pequenos e pequenas, que bom que a rede municipal conseguiu melhorar o Ideb. Fico feliz pelos esforços de todos nessa conquista. Os resultados deveriam ser diagnósticos, como eram no início. Os resultados eram enviados, indicando as fraquezas no desempenho dos estudantes, para que os sistemas de ensino e as escolas promovessem as mudanças necessárias — lembrou a ex-secretária de Educação de Campos.