Promotor que arquivou caso Cambaíba em 2012: “Não há vestígios de corpos na usina”

 

Por Arnaldo Neto e Aluysio Abreu Barbosa

O promotor estadual Marcelo Lessa vê com surpresa a conclusão do Ministério Público Federal (MPF) de que corpos foram incinerados na usina Cambaíba, durante a ditadura. Em 2012, ele decidiu pelo arquivamento da investigação das denúncias e diz que hoje reitera tal posição.

 

Promotor estadual Marcelo Lessa (Foto: Folha da Manhã)

 

Folha da Manhã – Em 10 de agosto de 2012, você decidiu pelo arquivamento da investigação das denúncias de queima de corpos de 12 presos políticos da ditadura militar nos fornos da usina, feitas pelo ex-delegado do Dops Cláudio Guerra no livro “Memórias de uma Guerra Suja”, lançado naquele ano. Como viu o inquérito do MPF sobre o caso, divulgado esta semana, que concluiu no sentido de validar as denúncias?

Marcelo Lessa – Não cheguei a ver o inquérito, mas as notícias divulgadas por meio da imprensa sobre as conclusões do aludido inquérito, que, segundo o que li, teria resultado em denúncia em face do ex-delegado do Dops (sic).  Caso a informação esteja correta, recebo com surpresa, a uma porque tais crimes estão anistiados, a duas porque prescritos, a três pela própria competência da Justiça Federal na espécie, e a quatro pela materialidade de tais delitos: como se conseguiu demonstrá-la, tantos anos depois? Ratifico o entendimento que adotei à época e que levou ao arquivamento do procedimento investigatório criminal que havia no âmbito do Ministério Público Estadual, o que, acredito, era a solução mais técnica, ainda que não exatamente a mais popular, na espécie.

 

Folha – A investigação que você conduziu foi instaurada a partir de notícia-crime do empresário Jorge Lyzandro, um dos herdeiros do espólio de Cambaíba, por conta das denúncias do livro. Por que pediu o arquivamento sem ouvir Cláudio Guerra?

Marcelo – Por um razão muito simples: ele já havia escrito e publicado um livro inteiro sobre o assunto.  Duvido que tivesse algo a acrescentar. Naquele momento, julguei que o que ele buscava era se promover e, neste caso, achei que não era o papel do Ministério Público contribuir para este tipo de promoção, sobretudo da forma espampanante como se pretendia.  Além do mais, segundo o entendimento que adotei e hoje reitero, tecnicamente não fazia sentido investigar um crime prescrito e anistiado. Não é esta a finalidade de um procedimento investigatório criminal.

 

Folha – No documentário “Forró em Cambaíba” (2013), feito pelo Sindipetro e dirigido por seu assessor de imprensa Vitor Menezes, você chegou a declarar sobre as denúncias de Cláudio Guerra: “Não vou bater palmas para maluco dançar”. Isso não é uma desqualificação a priori?

Marcelo – Eu não assisti ao documentário e, tanto tempo depois, não consigo me recordar o contexto em que teria sido dita esta frase. No entanto, dentro da resposta anterior, está explicada no sentido de que, se considero o crime anistiado e prescrito, ouvir o autor do livro no momento em que estava fazendo a divulgação do mesmo, seria tão-somente garantir um espaço para fazer “merchandising”, o que não é o papel do Ministério Público, ao menos na minha percepção.

 

Folha – O caso voltou à tona após o presidente Jair Bolsonaro (PSL), na segunda (29), questionar a atuação da OAB na investigação da facada que recebeu de Adélio Bispo em Juiz de Fora (MG). E atacar o presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz: “Um dia se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto para ele. Ele não vai querer ouvir a verdade”. Na página 58 do livro de Guerra, ele conta como, em 1974, transportou o corpo do ex-militante de esquerda Fernando Santa Cruz, pai de Felipe, da Casa da Morte em Petrópolis, para ser incinerado em Cambaíba. O que achou do episódio?

Marcelo – Eu não acho apropriado, como membro do Ministério Público e num momento de polarização político-ideológica sem precedentes como esse em que vivemos nos dias atuais, fazer qualquer consideração crítica acerca de uma manifestação pública do presidente da República. Peço desculpa, portanto, por não responder concretamente à pergunta. No entanto, falando em termos gerais, tenho que nenhuma morte, de nenhuma pessoa, seja em que circunstância ocorra, legítima ou ilegítima, deva ser objeto de deboche ou qualquer tipo de comentário irônico. Pouco importa, é uma morte de qualquer maneira. Antes de tudo, temos que ser solidários aos familiares de quem foi morto, não importa em que circunstância foi; nunca fazer ironia com isto.

 

Folha – Ainda na segunda, após a reação nacional à sua declaração, Bolsonaro afirmou em live que Fernando Santa Cruz teria sido morto pelos companheiros da Ação Popular Marxista-Leninista (APML), que integrava. E foi desmentido pela revelação do relatório secreto RPB 655, da Aeronáutica, que atestou que Fernando foi preso em 22 de fevereiro de 1974. A verdade pode ser distorcida pela ideologia? Isso não é ainda mais grave no presidente da República?  

Marcelo – Aqui, mais uma vez, peço desculpa por não responder diretamente, já que a pergunta se refere a uma fala do presidente da República, que não me cabe criticar sob o ponto de vista político. Não julgo apropriado a um membro do Ministério Público fazer isso. Agora, não posso deixar de reiterar que a verdade deve ser um compromisso de qualquer autoridade pública, doa a quem doer.

 

Folha – A Comissão Nacional da Verdade, que investigou esse e outros milhares de casos no regime militar, deu duas possibilidades ao destino do corpo de Fernando Santa Cruz: sepultado pela ditadura numa vala comum no Cemitério dos Perus, em São Paulo, ou incinerado em Cambaíba. Na sua experiência de investigador, acha possível se chegar a uma conclusão definitiva?

Marcelo – Esse foi um dos fundamentos pelos quais arquivei aquele procedimento investigatório: a impossibilidade técnica, segundo os recursos investigatórios de que dispunha, para comprovar se um dia algum corpo foi de fato queimado nos fornos da usina. Pelo tempo que passou e por todas as intempéries a que o local foi exposto, do ponto de vista técnico, não creio ser possível determinar sinais ou vestígios de que corpos tenham passado pelo local, quando mais identificar de quem eram.

 

Folha – Alguns, como você, alegam que os crimes cometidos pela ditadura, assim como pelos grupos de esquerda que fizeram oposição armada ao regime, ficaram para trás com a Lei da Anistia de 1979. Outros, como procuradores da República de Campos, alegam que o crime da tortura é imprescritível. Como fica essa discussão no plano jurídico?

Marcelo – Anistia e prescrição são institutos que não se confundem. Anistia é um ato de política legislativa que resolve “perdoar” a infração, conduzindo à extinção da punibilidade de seus autores. Foi o que ocorreu com a Lei da Anistia, “ampla, geral e irrestrita”, como se dizia nos anos 80. Da mesma forma como os militantes de esquerda não precisam mais se preocupar com eventuais crimes de sequestro, organização criminosa armada, por exemplo, os integrantes do regime não precisam se preocupar mais com abusos de autoridade e outros crimes. Foi uma opção política do legislador, que preferiu apagar os efeitos jurídicos dos crimes cometidos por ambos os lados. Se foi uma boa ou uma má opção, é outra questão. Porém, de uma forma ou de outra, a opção foi feita e precisa ser respeitada, por todos, independentemente de qualquer posição ideológica. A anistia é uma figura jurídica prevista na Constituição e atribuição do Poder Legislativo. Anistia não se confunde com prescrição; uma coisa não impede a outra, e inclusive, ambas as figuras jurídicas podem se sobrepor, como na espécie se sobrepõem. A prescrição é a perda do direito de punir, por parte do Estado, em face do decurso do tempo. A tortura é um crime prescritível. Só existem dois tipos de crimes imprescritíveis, na atual Constituição: o racismo e a ação de grupos armados, civis ou militares, contra ordem constitucional e o estado democrático (art. 5º, XLII e XLIV, da Constituição). A tortura não está, portanto, dentre os crimes imprescritíveis. O que a tortura é e, mesmo assim, nos termos da atual Constituição, é insuscetível de graça e anistia. Mas a Lei de Anistia de que estamos falando é anterior à atual constituição. E, além disto, no caso concreto, o que investigava não era a tortura, que teria ocorrido na “Casa da Morte”, em Petrópolis, e, sim, o crime de ocultação de cadáver, que não se confunde com a tortura quando em vida, já que os cadáveres supostamente teriam sido transportados para serem incinerados em Campos. Eram cadáveres, segundo o livro. Portanto, as pessoas já haviam sido mortas quando seus corpos eram trazidos para Campos. O crime, portanto, é outro: ocultação de cadáver. Que não se confunde com a tortura daquelas pessoas quando em vida, supostamente consumada, inclusive, em outra comarca.

 

Publicado hoje (04) na Folha da Manhã

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Greve dos médicos: substituições serão pagas em agosto, mas falta resolver o ponto

 

 

Um dia antes da greve decretada ontem (aqui) pelos médicos do serviço público municipal para a próxima quarta-feira (07), em assembleia fechada à imprensa, a Pefeitura já tinha liberado o atendimento ao principal pleito da categoria. Supensas com o contingenciamento anunciado (aqui) pela Prefeitura no último dia 12, as substituições dos médicos serão pagas. Em 31 de julho, o secretário de Saúde Addu Neme (PR) já tinha solicitado que a folha de substituição de junho, no valor de R$ 1.392.862,30, será paga neste mês de agosto. O dinheiro é esperado da Participação Especial (PE) de petróleo relativo ao segundo trimestre do ano, que costuma entrar por volta do dia 10.

Outro ponto em discussão com a categoria é o ponto biométrico. Desde que ele foi instalado em 15 de julho, obrigando os servidores a cumprirem seus horários, o estacionamento do Hospital Ferreira Machado (HFM), por exemplo, não dá mais conta da demanda de carros. Para todos os demais servidores do município, a checagem no ponto biométrico é a cada 6h. Isso gerou grande reação entre os médicos. Em reunião na terça (30), Abdu chegou a oferecer uma execção só para categoria: nos plantões de 12h, checagem no ponto só na entrada e na saída; nos plantões 24h, checagem na entreda, 12h depois e na saída. Assim mesmo, os médicos oferecem resistência.

O blog tentou contato a tarde inteira com Abdu Neme, para saber como ficará a questão do ponto eletrônicos para os servidores da Saúde. Mas o secretário não retornou.

 

Confira aqui e aqui evolução do caso dos médicos, no blog “Coxinha de mortadela”, do Edmundo Siqueira

 

Atualização às 20h36 para incluir correção de informações passadas pelo procurador-geral de Campos, José Paes Neto

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Condenado no “Meninas de Guarus”, Thiago Calil tem exoneração publicada no DO

 

Exoneração de Thiago Calil publicada hoje (02) em Diário Oficial

 

Condenado a 25 anos de prisão por prostituição infantil no caso “Meninas de Guarus”, Thiago Calil teve sua exoneração da Câmara Municipal publicada hoje em Diário Oficial. No mesmo DO, em 18 de julho, ele havia sido nomeado (aqui) chefe de gabinete do vereador Paulo Arantes (PSDB). Após forte reação popular, uma semana depois, o vereador anunciou (aqui) que voltou atrás na sua decisão:

 

Vereador Paulo Arantes e Thiago Calil (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

— Diante dos fatos e, principalmente, do meu respeito à população campista, não poderia deixar de me pronunciar sobre uma atitude que tomei inadvertidamente. Assim que tomei conhecimento detalhado sobre o fato, de imediato revi da decisão, seguindo à risca minha consciência e meus princípios de família (…) Soube sim de toda a história, mas sem tomar conhecimento de sua dimensão. Além disso, atrelado a laços de amizade e baseado na Lei da Ficha Limpa do Legislativo, assinei a nomeação, que já foi desfeita. Sigo com minha consciência limpa de que fiz o certo! — antecipou o vereador, em 25 de julho, a decisão oficializada no DO de hoje.

Em 8 de junho de 2016, a juíza Daniela Asumpção, condenou vários acusados de envolvimento no caso conhecido como “Meninas de Guarus”. Nele, até 15 menores de idade, alguns entre 8 e 11 anos, eram confinados em casas de Custodópolis, onde eram explorados sexualmente em serviço de prostituição. Segundo a Justiça, Thiago Calil mantinha os menores em cárcere privado, os obrigava a consumir drogas e os levava de carro aos locais dos programas sexuais. Ele foi condenado a 25 anos pelos crimes de estupro, associação criminosa, submissão de criança/adolescente à prostituição/exploração sexual, tirar proveito da prostituição alheia e cárcere privado.

Como recorria em liberdade, à espera do julgamento do recuso na segunda instância, Thiago Calil não poderia ser barrado pela lei municipal da Ficha Limpa, de autoria do vereador Jorge Virgílio (PRP), restrita aos condenados criminalmente em decisão colegiada. Foi a reação da sociedade após a divulgação da notícia que forçou o vereador Paulo Arantes e a própria Câmara, também atingida no juízo popular, a suspenderem a nomeação. Além do “Meninas de Guarus”, Calil também ja tinha sido condenado por comandar no distrito de Villa Nova um esquema de compra de votos, na eleição de 2008, para a então candidata a prefeita Rosinha Garotinho (hoje, Patri).

 

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Em atos e palavras, até que ponto Wladimir não repetirá os erros de Garotinho?

 

 

(Foto de Antonio Cruz – Folha da Manhã)

 

Wladimir: prós e contras

Deputado federal, Wladimir Garotinho (PSD) tem conseguido (aqui) recursos aos hospitais conveniados da planície. E, caso aprove seu projeto (aqui) para classificar o clima do Norte e Noroeste Fluminense como semiárido, pode beneficiar os produtores rurais de 22 municípios, que teriam acesso a linhas de crédito com juros mais baixos. Por isso tem se cacifado como pré-candidato a prefeito de Campos em 2020. Seu principal obstáculo é a enorme rejeição do seu pai, Anthony Garotinho (sem partido). Que só conseguirá driblar se agir diferente do ex-governador, maior colecionador de desafetos na política goitacá e fluminense.

 

Espaço concedido

Todas as iniciativas de Wladimir que trouxeram benefícios a Campos e região foram noticiadas na Folha. No programa matinal Folha no Ar, o deputado já foi em duas oportunidades, desde que a Folha FM 98,3 entrou no ar em 28 de março. Exatamente o mesmo número de vezes que o prefeito Rafael Diniz (Cidadania). Nesta semana, após ter um áudio com críticas injustas aos assistentes sociais divulgado (aqui) no blog do Frederico Monteiro, hospedado no Folha1, Wladimir pediu e teve espaço para resposta (aqui) no blog “Opiniões” do diretor de redação da Folha, Aluysio Abreu Barbosa. Assim como (aqui) na edição de ontem desta coluna.

 

“Aprendiz do Bozomor”

Assim mesmo, na última terça (30), em outra rádio do município, Wladimir se referiu à Folha como “uma espécie de diário oficial do município”. Nas redes sociais, na postagem do link da sua polêmica com Frederico, foi advertido (aqui) pelos leitores: “o ‘Chequinho’ (…) só saiu da formatação original por obra e graça do próprio Wladimir (…) querendo que fosse ampliada a ação ilegal para beneficiar seu grupo de candidatos”, acusou Sérgio Provisano. “Wladimir está fazendo jus ao nome Garotinho (…) atacou até a Folha da Manhã, que sempre abre espaço pra ele”, lembrou Pedro Brandão Soares. “Aprendiz do feiticeiro Bozomor”, definiu Sylvia Paes.

 

Papai mandou?

Na aprovação da Reforma da Previdência na Câmara Federal, que ficou contra, após ter se pronunciado a favor até a semana da votação, Wladimir perdeu muitos votos entre a parcela mais conscientizada do eleitorado campista. Nas redes de WhatsApp da cidade, quase todos atribuíram a súbita mudança de opinião do jovem deputado aos ditames do seu pai. A avaliação, não sem razão, foi de que não seria diferente se ele fosse eleito prefeito de Campos. Por este motivo, a incoerência do deputado e sua aparente origem no que “papai mandou” foram tema (aqui) da coluna em 11 de julho, dia seguinte à votação fundamental ao futuro do país.

 

Constrangido

Sobre a Reforma da Previdência, a incoerência de Wladimir foi contrastada com a coerência dos outros três deputados federais da região: sua irmã Clarissa Garotinho (Pros), Christino Áureo (PP) e Felícia Laterça (PSL). Este foi ontem citado junto com Wladimir pela jornalista Berenice Seara, no jornal carioca Extra: “Laterça criou climão na abertura da Festa Agropecuária de Quissamã, na última sexta (26). Ao microfone, afirmou ter ouvido várias vezes o vizinho de gabinete ganhar broncas, por telefone, do pai, o ex-governador Garotinho. Wladimir ficou sério e preferiu não tocar no assunto quando chegou sua vez de discursar”.

 

Da família

A imprensa nacional começou a noticiar que a namorada do “doleiro dos doleiros”, Dario Messer, preso na última quarta-feira, é da família do ex-governador Garotinho. Myra de Oliveira é filha da ex-deputada federal Alcione Athayde, prima de primeiro grau do político da Lapa, e do o empresário e cirurgião dentista Carlos Jader, que foi vereador em Campos. Ontem, em sua coluna na Folha, Esdras Pereira também informou que Messer tinha sido presa no apartamento da campista, em um luxuoso apartamento nos Jardins, em São Paulo. Só não sabia, ainda, o grau de envolvimento entre os dois.

 

Sogra na prisão

Há alguns anos afastada do cenário político, a sogra do “doleiro dos doleiros” foi deputada federal por dois mandatos, assumidos como suplente, e ocupou cargos na Prefeitura de Campos e no governo do Estado. Alcione foi presa na operação Pecado Capital, em agosto de 2008. A ação apurava desvios de cerca de R$ 60 milhões na secretaria de Saúde estadual na gestão da ex-governadora Rosinha Garotinho, e também prendeu o ex-secretário de Saúde Gilson Cantarino. Alcione ficou detida pouco mais de um mês.

 

Com Arnaldo Neto

 

Publicado hoje (02) na Folha da Manhã

 

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Com 18 assinaturas, CPI será aberta na Câmara para investigar rombo no Previcampos

 

Líder da bancada governista na Câmara Municipal, o vereador Genásio (PSC) vai propor a CPI do Previcampos. Ele já colheu 18 assinaturas para sua instalação, que será apresentada e votada em plenário na primeira sessão com quórum, talvez já na próxma quarta-feira (07).

A intenção é apurar possíveis irregularidades na gestão de recursos da previdência do servidor municipal, como: 1) a devolução indevida de recursos à Prefeitura, 2) perda de recursos com investimentos em fundos com ativos frágeis ou inexistentes, 3) realização de investimentos sem observância do Conselho Monetário Nacional e da secretaria de Previdência Social, e 4) a diminuição do patrimônio do Previcampos em 500 milhões de reais entre dezembro/2015 a dezembro/2016, durante a administração Rosinha Garotinho (hoje, Patri).

 

(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Em matéria do útimo domingo, a Folha mostrou (aqui) como o Previcampos viu seu patrimônio passar R$ 1,305 bilhão em dezembro de 2015 para R$ 804 milhões em dezembro de 2016. Embora os R$ 804 milhões restantes sejam um valor significativo, destes, R$ 457 milhões foram aplicados em investimentos de alto risco — a maioria investigada pela Polícia Federal e com resgate somente a partir de 2021.

 

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Antes de restar só você. E o que foi capaz de defender

 

Que você, leitor, tenha votado em Bolsonaro para impedir o PT de voltar ao poder, não é nem preciso concordar para entender. Imcompreensível é a passação de pano sobre o indefensável.

Seja pelo voto, ou abreviado pela consequência dos atos e palavras do presidente, acredite: o bolsonarismo passará. Aí só restará você. E o que foi capaz de defender pelo seu “político de estimação”.

Há quem tenha conseguido enxergar antes (tarde do que nunca). E teve a coragem de optar pela própria consciência. É o caso (aqui) do DJ Ricardo Sá. A quem o blog pede licença para reproduzir abaixo:

 

 

DJ Ricardo Sá

Ponderei muito sobre escrever algo nesse momento ou não. Mas estou apostando que a maioria das pessoas, inclusive as que discordam sistematicamente de mim, devem ter feito essa reflexão, ou se não fizeram, precisam fazer.

Não se trata de pautas políticas, essas são legítimas.

Você ser a favor de privatizações, da reforma da previdência, de pautas defendidas pela direita democrática, está dentro do âmbito institucional republicano – nós concordando ou não com elas.

Até aqui, estamos de acordo?

Muito bem!

Agora…

Se você já teve de defender:

— Nepotismo

— Liberação de agrotóxicos proibidos em outros países.

— Blindagem de investigação de Senador e Laranjas.

— Autorização para exploração indevida da Floresta Amazônica.

— Invasão de reservas indígenas.

— Tortura e assassinatos no período da ditadura.

— Prisão para jornalista que está exercendo legalmente suas funções.

Talvez você esteja precisando rever seus conceitos ou assumir de fato seus valores.

Ter votado no Bolsonaro por não querer o PT é uma justificativa razoável. Concordar com essas declarações estapafúrdias desse homem que ganhou de presente a presidência e dizer amém pra tudo que ele faz, não é saudável nem pra você, nem para a sociedade e nem pro Brasil.

Está cada vez mais fácil de identificar quem votou contra o PT e quem votou por afinidade às ideias absurdas de Bolsonaro. E por incrível que pareça — ISSO É MUITO BOM —  porque vai ficando claro quem é quem em nossas rodas de amigos, familiares e pessoas próximas.

Pense!

 

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Wladimir pede desculpas a assistentes sociais e faz ligação de blogueiro com Rafael

 

“Retirar um trecho fora de contexto, na maioria das vezes é com intuito de prejudicar alguém. Foi isso que fez o blogueiro Frederico Monteiro, presidente da juventude do Cidadania (partido do prefeito) e que também é nomeado na prefeitura com salário de cerca de 5 mil reais.

De toda forma, caso algum profissional tenha se sentido pessoalmente atingido, peço desculpas de pronto e afirmo que nunca foi minha intenção.

Fica aqui registrado meu carinho a todos os servidores públicos municipais, nesse caso em específico aos assistentes sociais”.

 

Wladimir Garotinho e Frederico Monteiro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Esta foi a nota gerada hoje pelo deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), sobre uma declaração sua sobre o trabalho dos assistentes sociais na seleção de um programa social. Gravada em áudio, a fala do parlamentar foi divulgada aqui, pelo blogueiro Frederico Monteiro. E gerou aqui uma nota de repúdio do secretário de Desenvolvimento Humano e Social Marcão Gomes (PR).

A polêmica foi registrada aqui, em matéria da Folha, na qual Wladimir foi procurado, mas ontem preferiu não se pronunciar.

Sobre o fato do Frederico Monteiro, blogueiro hospedado no Folha1, ser membro do Cidadania e do governo Rafael Diniz, talvez coubesse lembrar que o ex-vereador Thiago Ferrugem (PR), do grupo político de Wladimir, escreve há anos como colaborador da Folha da Manhã. É o que se chama democracia. Em nome dela, o blog publica abaixo a resposta de Frederico, citado nominalmente pelo deputado federal:

“Em nenhum momento retirei do contexto o vídeo publicado, inclusive, não vejo problemas em publicá-lo por completo. Tentar distorcer o que é dito não é uma manobra que aprendi, apesar de ter crescido numa cidade onde essa era a prática comum, agora finalmente livre. Infelizmente, Wladimir age como pai, gosta de se vitimizar e atacar. Convido o deputado a manusear o portal da transparência, ferramenta muito evolutiva, a fim de verificar o verdadeiro salário. Aliás, minhas funções eu conquistei e tento mantê-las com muito esforço, não cresci em torno do garotismo”.

 

Atualizado às 18h17, para incluir a manifestação de Frederico Monteiro.

 

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À espera de inquérito do MPF, MPE não viu indícios de queima de corpos em Cambaíba

 

 

Bolsonaro mirou na OAB, acertou em Cambaíba e mentiu sobre prisão de preso político (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr)

 

Cambaíba e o MPF

Concluído no último dia 26 e ainda sob sigilo, o inquérito do Ministério Público Federal (MPF) de Campos sobre a suposta queima de corpos de presos políticos na usina Cambaíba, durante a ditadura militar (1964/85), se tornou bastante aguardado após a polêmica criada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL). Na segunda (29), ele disse poder contar ao presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz, como o pai deste, o militante de esquerda Fernando Santa Cruz, “desapareceu no período militar”. Preso no Rio em fevereiro de 1974, ele teria sido torturado e morto em Petrópolis. E seu corpo transportado a Campos, para ser incinerado em Cambaíba.

 

MPE não viu indícios

Esse roteiro entre a Casa da Morte de Petrópolis, centro de tortura e execução de presos políticos na ditadura, à usina de Campos, é narrado pelo ex-delegado do Dops Cláudio Guerra, no livro “Memórias de uma Guerra Suja” (2012). Na página 58, ele faz menção nominal a Fernando Santa Cruz. Assim que o livro saiu, um dos herdeiros de Cambaíba, o empresário Jorge Lyzandro, pediu que o Ministério Público Estadual (MPE) de Campos abrisse investigação. Em 10 de agosto de 2012, o promotor Marcelo Lessa concluiu: “desses supostos assassinatos ou ocultação de cadáver, não há o menor indício sério e idôneo de quem possam ter ocorrido em território campista”.

 

Rede nacional

Ontem, o inspetor de Polícia Civil José Bainha, da família dos proprietários do espólio de Cambaíba, falou com a coluna. Ele lembrou que, enquanto a investigação do MPF de Campos é aguardada por toda a imprensa brasileira em 2019, a feita pelo MPE da comarca em 2012 concluiu que o relato de Cláudio Guerra “parece ser um devaneio irresponsável (…) talvez para se promover e angariar alguns segundos de fama em rede nacional, o que até acabou conseguindo, infelizmente às custas da honra alheia”. Quase sete anos depois, com o caso novamente em rede nacional, ontem Bolsonaro questionou a Comissão da Verdade: “isso aí é balela”.

 

Da família dos proprietários de Cambaíba, José Bainha diz ser impossível a incineração de corpos na usina (Foto Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

 

Questionamentos

Para reforçar que “isso é impossível de ter acontecido”, José Bainha disse que os fornos da usina ficavam em frente a uma via pública, diante de um vilarejo com 200 casas. Contou que, no período da moagem, os fornos operavam 24h, com 20 funcionários em cada turno de 12h. E que, no total, a usina tinha 300 funcionários, mais o movimento dos caminhões de cana. “Meu avô (o usineiro Heli Ribeiro Gomes, duas vezes deputado federal e vice-governador biônico do antigo Estado do Rio) era um político importante e conhecido na cidade. Se isso tivesse acontecido, diante de tanta gente, não seria explorado na época?”, questionou o neto.

 

Possibilidades e certeza

A versão de que o corpo de Santa Cruz teria sido incinerado em Cambaíba não é a única. A Comissão da Verdade aponta também a possibilidade dele ter sido sepultado em vala comum, no Cemitério do Perus, em São Paulo. Na dúvida, a certeza é que Bolsonaro mentiu ao dizer em live que o pai do presidente da OAB foi morto pelo próprio grupo, o Ação Popular Marxista-Leninista (APML). O relatório secreto RPB 655 da Aeronáutica atesta que ele foi preso em 22 de fevereiro de 1974. Independente do destino do corpo, foi morto pela ditadura que o presidente nega ter existido. E falta com o decoro ao cargo ao usar isso como arma, enquanto ri, contra um filho.

 

Relatório secreto RPB 655, do Comando Costeiro da Aeronáutica atesta que Fernando Santa Cruz foi preso pela ditadura

 

Orávio quer Chicão

No Folha no Ar da manhã da última segunda, o jornalista, professor e dramaturgo Orávio de Campos Soares lançou uma opção ao vivo no microfone de rádio mais ouvido de Campos. Garotista histórico, para ele seria importante que Wladimir Garotinho (PSD) desse seguimento ao seu mandato na Câmara Federal. Como opção do grupo político na eleição a prefeito de Campos em 2020, Orávio lançou Dr. Chicão. Vice-prefeito das gestões municipais Rosinha (hoje, Patri), ele foi o candidato governista na eleição de 2016, vencida no primeiro turno pelo então opositor e atual prefeito, Rafael Diniz (Cidadania).

 

Chicão quer Wladimir

Ouvido ontem pela coluna, Chicão se disse “lisonjeado” pela lembrança. Mas negou a possibilidade: “Estou completamente mergulhado na medicina”. Entre os pediatras mais conceituados da cidade, tem se dividido entre sua clínica, o atendimento na saúde pública municipal, onde é médico concursado, e Quissamã. Recentemente, ganhou um título de cidadão quissamaense, “pelo trabalho como médico, não como ex-vice-prefeito de Campos”. Primo de Wladimir, Chicão considera o deputado o melhor candidato do grupo: “Vi a entrevista dele no Folha no Ar (no dia 22) e o achei muito amadurecido e embasado”.

 

Publicado hoje (31) na Folha da Manhã

 

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Bolsonaro ignora respeito aos mortos e a Constituição para atacar presidente da OAB

 

 

Enquanto cortava o cabelo, Bolsonaro gravou live ontem à tarde para dizer que o pai do presidente da OAB teria sido morto pelo grupo de esquerda que integrava, ao contrário do que concluiu a Comissão da Verdade (Reprodução)

 

Bolsonaro mira OAB e acerta Campos

Em mais uma de suas declarações polêmicas, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) atirou na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e acertou em Campos dos Goytacazes. Mesmo sem querer, a nova celeuma do mandatário da nação envolve a suposta queima de corpos de presos políticos nos fornos da usina Cambaíba, denunciada pelo ex-delegado do extinto Departamento de Ordem Política e Social (Dops) Cláudio Guerra no livro “Memórias de uma Guerra Suja” (2012), escrito por Marcelo Netto e Rogério Medeiros, que gerou inquérito já concluído no Ministério Público de Campos.

 

Quem é quem

Ontem, Bolsonaro indagou a jornalistas: “Por que a OAB impediu que a Polícia Federal entrasse no telefone de um dos caríssimos advogados (do ex-militante do Psol Adélio Bispo, que esfaqueou o então candidato durante ato de campanha em Juiz de Fora, elegendo-o presidente)? Qual a intenção da OAB? Quem é essa OAB?”. E revelou quem é a pessoa do presidente da República, com uma provocação pessoal, de caráter no mínimo duvidoso, contra o presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz: “Se o presidente da OAB quiser saber como o pai dele desapareceu no período militar, eu conto. Ele não vai querer ouvir a verdade”.

 

Os mortos e a Constituição

O pai de Felipe Santa Cruz foi o militante de esquerda Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, desaparecido em 23 de fevereiro de 1974, nos anos de chumbo da ditadura militar (1964/1985). Pelo nível rasteiro do ataque, as reações foram imediatas. Em qualquer sociedade, o respeito aos mortos é valor cultivado. Se não pela moral, a OAB lembrou em uma nota de repúdio os limites da Constituição: “Todas as autoridades do País, inclusive o senhor presidente da República, devem obediência à Constituição, que tem entre seus fundamentos a dignidade da pessoa humana, na qual se inclui o direito ao respeito da memória dos mortos”.

 

No STF

Por sua vez, o presidente nacional da OAB classificou Bolsonaro em carta aberta: “O mandatário da República deixa patente seu desconhecimento sobre a diferença entre público e privado, demostrando mais uma vez traços de caráter graves em um governante: a crueldade e a falta de empatia”. É a falta de empatia, a incapacidade de enxergar o outro como semelhante, que configura a psicopatia. Da psiquiatria que explica esfaqueadores e esfaqueados, à Justiça que os julga por seus atos, Santa Cruz disse que vai acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para que o presidente conte o que sabe sobre a morte do seu pai.

 

Passado condena

Preocupado com a forte reação ao seu mais recente episódio de incontinência verbal, Bolsonaro depois recorreu às redes sociais para tentar dourar a pílula amarga: “Isso que aconteceu, não foram os militares que mataram ele, não, tá? É muito fácil culpar os militares por tudo. Isso mudou. Mudou através do livro ‘A Verdade Sufocada’, o depoimento do Brilhante Ustra”. Por homenagear Ustra, único militar condenado pela Justiça por tortura na ditadura militar, em seu voto pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que a teria torturado, a OAB já tinha representado contra o então deputado federal Jair Bolsonaro.

 

Cambaíba

Questionada pelo general linha dura Rocha Paiva — que chamou o vereador Carlos Bolsonaro (PSL) de “idiota inútil” e foi chamado pelo pai-presidente de “melancia” (verde por fora, vermelho por dentro) —, a Comissão da Verdade concluiu que Fernando Santa Cruz foi morto pelas forças de repressão da ditadura. Na página 58 do livro “Memórias de uma Guerra Suja”, Cláudio Guerra narra: “Fiz outras viagens entre a Casa da Morte (centro de tortura e execução em Petrópolis) e a usina de Campos (Cambaíba) para levar corpos, que eu identifiquei serem de Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira (…) transportei os cadáveres para a incineração”.

 

MPF de Campos

Com o caso vindo novamente à tona, o procurador da República em Campos, Guilherme Virgílio, informou ontem à reportagem da Folha que o inquérito sobre a suposta queima de corpos de presos políticos em Cambaíba foi concluído na semana passada. E que o MPF está trabalhando na finalização do que será apresentado à Justiça. O procurador confirmou que Cláudio Guerra disse no livro e em depoimentos na Comissão da Verdade que o corpo de Fernando Santa Cruz foi incinerado na usina, mas não pôde dar mais detalhes porque o procedimento ainda está sob sigilo. Que, acredita, será levantado ainda esta semana.

 

A lei e a moral

Que os grupos de resistência armada à ditadura militar pretendiam implantar uma ditadura socialista no Brasil, é atestado por todos os documentos destes mesmos grupos. Inclusive a Ação Popular Marxista-Leninista (APML), em que militava o pai do presidente da OAB. Mas se o Brasil vivia uma guerra, até nela há regras. Para isso foram feitas as Convenções de Genebra, na Suíça. Que criminalizaram a tortura e o assassinato de prisioneiros de guerra. Para esses crimes, há o Tribunal Internacional de Justiça em Haia, na Holanda. Antes dele, ou de se usar a morte de um pai para atacar um filho, há ou deveria haver outra coisa: escrúpulo moral.

 

Publicado hoje (30) na Folha da Manhã

 

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Rafael e PT rebatem Joilson. Wladimir, Carla, Rodrigo, Gil e Mérida gostam. Caio cala

 

Charge do José Renato publicada hoje (30) na Folha

 

 

No último domingo (28) a Folha publicou (aqui) uma entrevista de duas páginas com o empresário Joilson Barcelos (PP), falando sobre a possibilidade dele se lançar candidato a prefeito de Campos em 2020. E gerou bastante repercussão, sobretudo pelas análises elogiosas e críticas que ele fez de lideranças políticas locais, regionais e nacionais. Citado criticamente, em encontros pessoais narrados por Joilson, o prefeito Rafael Diniz (Cidadania) reagiu com veemência, acusando o entrevistado de faltar com a verdade:

 

Joilson Barcelos (Foto de Antonio Leudo – Folha da Manhã)

 

Prefeito Rafael Diniz

— Joilson começa super-mal sua vida política, faltando com a verdade e elogiando os Garotinho. Só estive em sua casa perto da eleição de 2018, quando ele me convidou para conversar com representantes de instituições e pediu que eu liberasse pessoas do nosso grupo para apoiar Marcelo Mérida (então PSD, de mudança ao PSC). Deixei claro que não poderia fazer isso porque nosso candidato era Marcão. Mas será que ele se esqueceu de todas as audiências que solicitou comigo para tratar de seus empreendimentos, a última delas há três semanas? E convenhamos: quem considera Garotinho um fenômeno precisa mesmo procurar motivos para discordar do que eu tenho feito para reerguer Campos, depois do fenômeno de má administração e corrupção na gestão dos Garotinho. Mas Joilson deve ter seus motivos pessoais. Vou manter foco naquilo que me propus a fazer: reconstruir nossa cidade.

Deputado federal Wladimir Garotinho

Por sua vez, o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) reagiu bem à maneira mais complacente com que foi analisado pelo entrevistado: “tem experiência de pai e mãe com gestões, chegaram a ser governadores”. Ao falar do ex-governador Anthony Garotinho (sem partido), Joilson disse: “esse cara é um fenômeno”. Filho de Garotinho, o pré-candidato a prefeito retribuiu:

— Joilson é um grande empresário de sucesso, um homem que todo campista deve reconhecer o bem que o grupo empresarial dele faz a cidade, na geração de empregos e fluxo de renda. Concordo muito com ele quando diz que ser gestor privado é completamente diferente de ser gestor público, tem muitas pessoas que pensam que é a mesma coisa e pode se usar os mesmos métodos, mas não funciona assim. Sendo ele candidato ou não, é uma pessoa importante no processo.

Prefeita Carla Machado

Quem também gostou da citação elogiosa foi a prefeita sanjoanense Carla Machado, do mesmo PP de Joilson, por quem foi chamada de “uma grande líder”. Ela respondeu:

— Joilson é um grande empreendedor e conhecedor da realidade da região. É natural que seu nome ganhe relevância no debate sobre o desenvolvimento regional. Ele tem uma vivência empresarial que é importante e o fato de ocupar hoje um espaço político é absolutamente legítimo do ponto de vista democrático. Sou muito grata a Joilson pelo reconhecimento ao nosso esforço para organizar a Prefeitura de São João da Barra e avançar nas políticas públicas. Temos conseguido resultados muito bons, mesmo com as dificuldades que herdamos, que não são poucas e até hoje impactam nossa gestão. Também fico feliz com a citação ao amigo Dodozinho (ex-prefeito de SJB e vice-prefeito nos dois primeiros mandatos de Carla).

Deputado estadual Rodrigo Bacellar

Considerado pelo empresário como político de “uma experiência muito boa de articulação”, o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) também devolveu a avaliação generosa. Mas foi mais econômico nas palavras que os demais:

— Não podia esperar nada diferente de um homem educado como o Joilson, grande empresário e empreendedor que não pode ser desprezado e muito menos subestimado no tabuleiro político para 2020.

Pré-candidato a prefeito Caio Vianna

Mais econômico ainda foi o pré-candidato a prefeito do PDT, Caio Vianna. Depois de ter sua falta de experiência criticada pelo empresário — “ele não tem visão nenhuma de gestão pública, conhecimento, de experiência de gestão de nada” —, o filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna (MDB) se limitou a dizer: “Prefiro não comentar”.

Deputado estadual Gil Vianna

Vice na chapa de Caio na eleição a prefeito de 2016, o hoje deputado estadual e pré-candidato a prefeito Gil Vianna (PSL) preferiu analisar o lado bom das palavras de Joilson, que o chamou de “um cara bacana”, embora tenha questionado: “mas não sei se tem uma visão dessa gestão, do que é uma gestão de poder público, e digo Campos, especialmente, com R$ 2 bi de orçamento”. Gil respondeu:

— Joilson é um grande empreendedor do município, um visionário. Mas a política requer uma outra visão. A gente, que anda na rua fazendo política, sabe disso. Agradeço por ele ter se referido a mim como “um cara bacana”. Também acho ele um cara bacana, com origem de família humilde, mas de gente de caráter, como a minha. E eu acho que tem que ser por aí mesmo. Como sempre digo, em Campos você tem a política dividida entre famílias: os Garotinho, os Vianna, os Bacellar, os Diniz. Nesse ponto, eu e Joilson nos parecemos. Tivemos valores das nossas famílias e com eles fizemos nossos caminhos por conta própria. Se ele vier a prefeito em 2020, será mais uma opção ao eleitor. Uma opção que não foi testada na disputa majoritária, como são Rafael, prefeito e candidato natural à reeleição, e Caio, que disputou em 2016. Joilson, eu, Wladimir, Rodrigo e Mérida nunca fomos testados em eleição majoritária.

Pré-candidato a prefeito Marcelo Mérida

Considerado parceiro de Joilson no grupo empresarial local que aspira representação política, Marcelo Mérida está com um pé no PSC, pelo qual também pode ser pré-candidato a prefeito de Campos. Ainda que seja o partido do governador Wilson Witzel, a quem o entrevistado de domingo se referiu como “outro que caiu de paraquedas”. Elogiado, apesar disso, como “um líder da sua categoria”, Mérida devolveu:

— Nós temos uma visão clara e um compromisso com o desenvolvimento, geração de emprego e um entendimento que é preciso discutir Campos e não nomes. Acredito que estamos desbravando caminhos para inserir o modelo de gestão na política. Em tese concordo com seu posicionamento quando cita o laboratório que realizamos em 2018 (quando Mérida concorreu a deputado federal e ficou atrás de Wladimir, Marcão Gomes e Caio) na minha visão vitorioso pelo olhar da experiência adquirida.

Presidente da CDL/Campos, Orlando Portugal

Outro integrante do grupo empresarial de Joilson e Mérida, o presidente da CDL/Campos, Orlando Portugal foi também citado na entrevista, por conta da polêmica criada com o secretário de Governo de Rafael, jornalista Alexandre Bastos. Este acusou que algumas cobranças públicas da CDL a Prefeitura se deviam ao fato de Orlando, como Mérida, ter sido secretário do governo Rosinha Garotinho (hoje, Patri). Defendido por Barcelos, Portugal foi recíproco:

— Como presidente da CDL, atendo os anseios e necessidades de nossos associados, as demandas do setor produtivo chegam diariamente. As cobranças ao governo municipal quanto as melhorias no tocante ao transporte público e as pessoas que vivem em vulnerabilidade social em nossa cidade, são antigas, desde mandatos anteriores da CDL. Estamos vivendo momento crítico em relação a esses dois pontos. Não há por parte do presidente e sua diretoria qualquer movimento político em relação a esses fatos, embora tenha participado do governo anterior, consigo não misturar as estações. Tenho um grande respeito pelo amigo e empresário Joilson. E tenho nele um exemplo de esforço, dedicação e, acima de tudo, garra para desenvolver os seus negócios empresariais.

Pré-candidato a prefeito José Maria Rangel

Como Rafael, quem devolveu as críticas de Joilson na mesma moeda foram representantes do PT de Campos, cujo líder preso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi chamado de “corrupto” e “safado” pelo empresário. Ele também questionou a perda do dedo de Lula no trabalho como metalúrgico, afirmando que teria sido proposital. Outro candidato de Campos a deputado federal em 2018 e cogitado como pré-candidato em 2020 pelo partido, o petroleiro José Maria Rangel bateu duro no entrevistado:

— A fala dele sobre Lula e sobre os trabalhadores é preconceituosa, bem ao estilo de muitos empresários. Está filiado ao PP, partido com mais envolvidos na Lava Jato. Contraditório, né? Elogia Bolsonaro, por ter sido deputado por 30 anos e sequer sabe que ele apresentou projetos de lei que não enchem uma mão, nenhum para segurança pública. Elogia Moro, que pelas revelações do Intercept está revelando ser um corrupto e chefe de uma organização criminosa junto com Dallagnol. Ninguém é obrigado a gostar de Lula, mas é inegável que nos oito anos de governo dele todos os números da economia cresceram, muito provavelmente foi neste período que o grupo Super Bom (do qual Joilson é proprietário) cresceu. E, por fim, cita Deus como um vingador. Francamente.

Membro da Juventude do PT Gilberto Gomes

No blog de Frederico Monteiro, hospedado no Folha 1, outro petista reagiu ontem com força às palavras duras de Joilson sobre Lula. Estudante da Uenf e membro da Juventude do PT, Gilberto Gomes questionou:

—  O que mais me preocupa é como um empregador tão importante para nossa cidade pode pensar que um trabalhador seria capaz de se automutilar por folga ou indenização. Será que esta é a postura que Joilson assume quando um de seus funcionários sofre um acidente de trabalho? Joilson deveria tomar cuidado com as verdades que revela nas entrelinhas, uma vez que já existem denúncias de ex-empregados de sua rede pelo não cumprimento de obrigações trabalhistas. E ao ser questionado sobre como enxergava a figura de Anthony Garotinho, que nos jogou para um buraco sem precedentes, Joilson apenas respondeu: “Rapaz, eu acho esse cara um fenômeno”. Joilson ataca Lula, responsável pelos maiores avanços sociais do Brasil, e abraça Garotinho, que afundou Campos. Mais do que nunca, se encaixa aqui que: quando Joilson me fala sobre Lula, sei mais de Joilson que de Lula.

 

Página 2 da edição de hoje (30) da Folha

 

Publicado hoje (30) na Folha da Manhã

 

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Em outra polêmica, Bolsonaro mira na OAB e acerta em antiga usina de Campos

 

Presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz, e seu pai, que teria sido morto pela ditadura militar e tido o corpo queimado na usina Cambaíba (Montagem)

 

“Memórias de uma Guerra Suja”, livro de Marcelo Netto e Rogperio Medeiros sobre as revelações do ex-delegado do Dops Cláudio Guerra

Hoje o presidente Jair Bolsonaro (PSL) deu mais uma das suas polêmicas declarações. Sobre um dos seus assuntos preferidos: a nossa última ditadura militar (1964/1985). Só que desta vez envolveu Campos dos Goytacazes, mesmo sem querer, na nova celeuma. O caso envolve a suposta queima de corpos de presos políticos nos fornos da usina Cambaíba, denunciada pelo ex-delegado do extinto Departamento de Ordem Política e Social (Dops) Cláudio Guerra no livro “Memórias de uma Guerra Suja” (2012), e em seu depoimento na Comissão da Verdade.

Hoje de manhã, falando a jornalistas, Bolsonaro se mostrou descontente com a atuação da Ordem os Advogados do Brasil (OAB) nas investigações sobre o caso de Adélio Bispo. Como é notório, o ex-militante do Psol lhe deu uma facada durante a campanha presidencial de 2018, em Juiz de Fora (MG), considerada fundamental para sua vitória nas urnas:

— Por que a OAB impediu que a Polícia Federal entrasse no telefone de um dos caríssimos advogados (do Adélio)? Qual a intenção da OAB? Quem é essa OAB? — questionou o presidente.

Logo depois, como é do seu estilo, Bolsonaro partiu para o ataque pessoal contra o próprio presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz, que teve o pai Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, militante de esquerda desaparecido em 1974, nos anos de chumbo da ditadura:

—  Um dia se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto para ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Eu conto para ele. Não é minha versão. É que a minha vivência me fez chegar às conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco, e veio a desaparecer no Rio de Janeiro.

 

 

A declaração gerou nota de repúdio da OAB, que lembrou os limites da Constituição ultrapassados pelo presidente: “Todas as autoridades do País, inclusive o Senhor Presidente da República, devem obediência à Constituição Federal, que instituiu nosso país como Estado Democrático de Direito e tem entre seus fundamentos a dignidade da pessoa humana, na qual se inclui o direito ao respeito da memória dos mortos”.

Jurema Werneck, da Anistia Internacional

Em carta aberta a Bolsonaro, Felipe Santa Cruz disse: “O mandatário da República deixa patente seu desconhecimento sobre a diferença entre público e privado, demostrando mais uma vez traços de caráter graves em um governante: a crueldade e a falta de empatia”. Diretora da Anistia Internacional, Jurema Werneck ressaltou que “é terrível que o filho de um desaparecido pelo regime militar tenha que ouvir do presidente do Brasil, que deveria ser o defensor máximo do respeito e da justiça no país, declarações tão duras”.

Após a reação, Bolsonaro voltou a se manifestar sobre o assunto nas redes sociais, atribuindo a morte de Fernando Santa Cruz aos próprios movimentos de oposição à ditadura:

— Tinha o Santa Cruz, que era jovem, veio para o Rio de Janeiro. De onde eu obtive as informações? Com quem eu conversei na época, ora bolas. Conversava com muita gente. […]. E o pessoal da AP (Ação Popular) do Rio de Janeiro ficou, primeiro, ficaram estupefatos, ‘como é que pode esse cara vir do Recife se encontrar conosco aqui?’. O contato não seria com ele, seria com a cúpula da Ação Popular de Recife. E eles resolveram sumir com o pai do Santa Cruz (…) Isso que aconteceu, não foram os militares que mataram ele, não, tá? É muito fácil culpar os militares por tudo o que acontece. Isso mudou. Mudou através do livro “A Verdade Sufocada”, o depoimento do Brilhante Ustra.

Diferente da versão de Bolsonaro e do falecido coronel Carlos Brilhante Ustra, único militar a serviço da ditadura condenado por tortura e morte de presos políticos no Brasil, o ex-delegado do Dops Cláudio Guerra conta na página 58 do livro “Memórias de uma Guerra Suja”:

 

Cláudio Guerra, ex-delegado do Dops convertido em pastor evangélico

 

Página 58 do livro “Memórias de uma Guerra Suja” (Foto: Vitor Menezes)

— Fiz outras viagens entre a Casa da Morte e a usina de Campos (Cambaíba) para levar corpos, que eu identifiquei, pelo livro, serem de Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira, Eduardo Coleia Filho, José Roman e Luiz Ignácio Maranhão Filho. Mais uma vez não torturei, não matei. Somente transportei os cadáveres para a incineração. Perdigão e Vieira passaram a contar com a usina de Campos como um braço operacional das execuções, uma alternativa para eliminar os vestígios dos mortos pelo regime.

Com base no testemunho de Cláudio Guerra e outros, a Comissão Nacional da Verdade concluiu que Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira foi “preso e morto por agentes do Estado brasileiro”. A partir das revelações do livro, o Ministério Público Federal de Campos abriu uma investigação sobre a suposta queima de corpos de presos políticos durante a ditadura na usina Cambaíba.

Procurador da República da comarca, Guilherme Virgílio assumiu as investigações após a transferência de Eduardo Santos Oliveira para o Rio de Janeiro. Ele informou hoje que o inquérito foi concluído na semana passada e que o MPF está trabalhando na finalização e no que será apresentado à Justiça. O procurador confirmou que Cláudio Guerra disse no livro e em depoimentos na Comissão da Verdade que o corpo de Fernando Santa Cruz foi incinerado em Cambaíba, mas não pôde dar mais detalhes porque o procedimento ainda está sob sigilo. No entanto, disse acreditar que o sigilo será levantado ainda nesta semana. Assim que o sigilo cair, ele vai encaminhar todas as peças da investigação.

Vitor Menezes, diretor do documentário “Forró em Cambaíba”

Diretor do documentário “Forró em Cambaíba” (2013), que trata das denúncias de Cláudio Guerra e a ocupação da terras da usina pelo MST, o jornalista campista Vitor Menezes disse hoje sobre o caso, que voltou à tona com a nova polêmica de Bolsonaro:

— Se o presidente disse estar informado sobre as circunstâncias da morte do militante Fernando Santa Cruz, tem a obrigação moral de revelar para a família e para a sociedade o que ocorreu. No caso específico de Cambaíba, contribuiria também para elucidar o suposto uso do local para queima de corpos de presos políticos. Seria o modo honrado de lidar com a história, especialmente em se tratando de crime praticado pelo Estado e sendo Bolsonaro, agora, seu mais importante representante.

Cristiano Miller, presidente da OAB/Campos

Presidente da OAB/Campos, Cristiano Miller também comentou as declarações do presidente da República sobre o pai do presidente nacional da OAB:

— Esses ataques, em verdade, atingem à advocacia como um todo. Independente da escolha político-partidária de cada um. E todos nós somos livres, óbvio, para tê-las. As ofensas da forma como estão sendo feitas são inaceitáveis e não podem contar com o nosso apoio.

Jornalista Erick Bretas

Um dos primeiros a fazer o elo (aqui) das declarações de Bolsonaro com a antiga usina de Campos foi o jornalista niteroiense Erick Bretas, influenciador virtual que trabalha radicado nos EUA, na área de tecnologia da Globo:

— Bolsonaro cruzou, mais uma vez, a fronteira da simples estupidez e da deselegância e entrou num território muito delicado ao falar hoje cedo de Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, pai do presidente da OAB, desaparecido em 23 de fevereiro de 1974, no Rio de Janeiro (…) É ocioso continuar deitando falação sobre as grosserias e impropriedades ditas pelo presidente da República. Mas é importante apontar as consequências dessas falas, inclusive legais. As prerrogativas de presidente não significam inimputabilidade. Mais cedo ou mais tarde Bolsonaro terá que prestar contas pelo que diz.

 

Colaborou o jornalista Aldir Sales

 

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Rafael: Joilson estreia na política super-mal, falta com a verdade e elogia os Garotinho

 

Na entrevista sobre a possibilidade de se lançar candidato a prefeito de Campos em 2020, publicada (aqui) na Folha do último domingo (28), o empresário Joilson Barcelos também analisou alguns quadros políticos locais, regionais e nacionais. Se foi complacente com alguns, como o ex-governador Anthony (sem partido) e o deputado Wladimir Garotinho (PSD), foi contundente na crítica a outros. Foram os casos, por exemplo, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do prefeito de Campos, Rafael Diniz (Cidadania).

Sobre o que Joilson disse de Lula, a quem chamou de “corrupto” e “safado”, a resposta veio forte e rápida, pelo universitário Gilberto Gomes, do DCE da Uenf e membro da Juventude do PT. O blogueiro da Folha Frederico Monteiro a divulgou aqui.

Rafael também de manifestou. E enviou sua análise ao blog. Nela, desmentiu e questionou algumas das informações dadas pelo empresário na entrevista. Confira abaixo a resposta do prefeito:

 

Rafael Diniz e Joilson Barcelos (Fotos: Folha da Manhã – Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Joilson Barcelos começa sua tentativa de vida pública super-mal: faltando com a verdade e elogiando os Garotinhos. Nunca estive na casa dele na época da minha candidatura, tampouco logo depois que ganhei a eleição. Quando estive, foi em 2018, quando ele me convidou para conversarmos com representantes de instituições, como CDL, Acic, Firjan, Fundenor. E me pediu que eu liberasse algumas pessoas do nosso grupo para apoiar Marcelo Mérida (então PSD, de mudança ao PSC), que também estava presente. Conversamos sobre temas variados, assim como deixei claro que não poderia ajudar Mérida, uma vez que nosso candidato a deputado federal era Marcão.

Mas será que ele se esqueceu que todas as outras vezes que solicitou audiência comigo foi para tratar apenas de seus empreendimentos? Como a última, que aconteceu há três semanas?

E, convenhamos, quem considera Garotinho um fenômeno realmente precisa procurar motivos para discordar de ações que fazemos para reerguer nossa cidade, diante dos fenômenos de má administração e corrupção implantados na gestão dos Garotinhos à frente do Estado e do município. Mas ele deve ter seus motivos pessoais para achar Garotinho um fenômeno.

De todo modo, o importante é mantermos o foco naquilo para o qual sempre estivemos preparados e dispostos a fazer: reconstruir a cidade, ajustando as contas e preparando o município para além dos royalties, através de uma gestão técnica e responsável.

 

Confira na edição da Folha desta terça (30) a repercussão completa dos outros citados por Joilson na entrevista: a prefeita sanjoanense Carla Machado (PP), Wladimir, os deputados estaduais Gil Vianna (PSL) e Rodrigo Bacellar (SD), os também pré-candidatos a prefeito José Maria Rangel (PT), Caio Vianna (PDT) e Marcelo Mérida, além do presidente da CDL/Campos, Orlando Portugal.

 

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