Rosinha e Edson Batista querem vender Campos para pagar rombo

Ponto final

 

 

No Natal, presente de grego

Todos os bens imóveis, créditos e direitos creditórios do município de Campos. No mês do Natal, esse é o presente de despedida da prefeita Rosinha Garotinho (PR) e seu subserviente presidente da Câmara, Edson Batista (PTB). Eles manobram para que o presente de grego seja desembrulhado hoje, em plena Casa do Povo, pelos vereadores que assumirem publicamente seu descompromisso com o futuro da própria cidade, onde cada um, suas famílias e eleitores habitam. O motivo? Tapar o rombo que o governo Rosinha deixou no Previcampos. Se ninguém fora do atual governo sabe a cifra exata, já se fala em mais de R$ 400 milhões.

 

Rosinha: todos os imóveis

Pelo projeto de lei nº 0101/2016 assinado por Rosinha, todos os bens imóveis do município poderão ser usados para pagar as dívidas deixadas pela prefeita com o sistema de previdência dos servidores municipais. Para pagá-la, caso o projeto seja aprovado, Campos poderá perder todo seu patrimônio físico, incluindo o prédio da própria Prefeitura, o Cepop, o Teatro Trianon, o Teatro de Bolso, a Cidade da Criança, o Museu Histórico de Campos, o Palácio da Cultura, o Museu Olavo de Carvalho , o Mercado Municipal, o Camelódromo, a Rodoviária Roberto Silveira e o Shopping Estrada.

 

Edson: todos os créditos

Achou muito? Pois não há nada que um serviçal do Executivo travestido de presidente do Legislativo não possa piorar. Pela emenda modificativa 001/2016 ao projeto de lei, Edson incluiu, além dos bens imóveis do município, todos os seus créditos e direitos creditórios. Significa dizer que, se os vereadores aprovarem o projeto e a emenda, ficarão comprometidas todas as receitas futuras de Campos com royalties, participações especiais e repasses estaduais e federais. Isso, depois do mesmo governo Rosinha já ter empenhado (aqui) R$ 367 milhões dos royalties da cidade até 2026, na “venda do futuro” aprovada pela mesma Câmara.

 

Não faça o que eu fiz

Para servir a quem foi grampeado pela Polícia Federal (PF) chamando de “comandante”, o acinte de Edson foi ainda adiante. Ele também é autor de outra emenda modificativa: a 002/2016. Se também aprovada pela Câmara, nem Rafael Diniz (PPS), quando assumir a Prefeitura, poderá renegociar o pagamento determinado em 60 parcelas mensais (5 anos) do rombo rosáceo na Previcampos. Após não cumprir o parcelamento e reparcelamento da sua tunga no bolso dos servidores, o governo Rosinha quer impedir seus sucessores de tentarem renegociar a dívida que ele mesmo fez, sabe-se lá para quê.

 

Deus e o Diabo

Se está certo o ditado que Deus e o Diabo moram nos detalhes, não há muita dúvida para que lado pendem os pormenores da tentativa rosácea de inviabilizar não o futuro governo, mas a sobrevivência da própria cidade de Campos. No Art. 2º do projeto da prefeita, a avaliação dos prédios do município usados para cobrir o rombo no Previcampos não caberá a alguém do mercado imobiliário, mas a um engenheiro indicado pela própria Rosinha.  Já no Art. 4º, fica garantido que se os imóveis vendidos estiverem “eventualmente ocupados por órgãos desta municipalidade, ficará o Município responsável pelo pagamento de locação ao Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Campos dos Goytacazes”.

 

Cautela

Aos vereadores que estiverem pensando em votar pela aprovação desse projeto de lei de Rosinha e das duas emendas modificativas de Edson, recomenda-se no mínimo cautela. Não só com suas biografias, ou com o que dirão seus filhos, netos, cônjuges, amigos, vizinhos e eleitores. Nem apenas com as consequências das Ações de Investigação Judicial Eleitoral (Aijes) do “escandaloso esquema”, na denúncia (aqui) do Ministério Público Eleitoral (MPE) da troca de Cheque Cidadão por voto, que pesam sobre 11 candidatos a vereador rosáceos eleitos em 2 de outubro, sete deles já com assento  na atual Legislatura.

 

Aviso

Após o casal Garotinho entrar de cabeça na investigação da Lava Jato, com a denúncia (aqui) de R$ 9,5 milhões em propina recebidos pela Odebrecht, para que a empreiteira vencesse as licitações do “Morar Feliz”, no valor total de mais de R$ 1 bilhão, todo cuidado é pouco. Afinal, ao que conste, não há no Tribunal Regional Federal (TRF) do Paraná nenhuma Luciana Lóssio, ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que deu habeas corpus a todos os presos pela operação “Chequinho”. E, sejam usados para pagar o rombo de Rosinha na Previcampos ou qualquer outro fim, royalties, participações especiais e repasses da União são verbas federais.

 

Publicado hoje (13) na Folha da Manhã

 

Com os detaques do blog, o projeto de lei de Rosinha:

 

Projeto Rosinha 1

 

Projeto Rosinha 2

 

 

 

Com os destaques do blog, as duas emendas modificativas de Edson: 

 

Emenda Edson 1

 

 

Emenda Edson 2

 

Emenda Edson 3

 

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Previcampos — Prédios e créditos do município para pagar rombo de Rosinha

 

Minha cidade, meu amor

 

 

Qual o tamanho do rombo da prefeita Rosinha Garotinho (PR) no Previcampos? Se a imensa maioria da população não sabe a resposta, embora já se fale em mais de R$ 400 milhões, a prefeita quer disponibilizar todos os bem imóveis do município, como Trianon, Teatro de Bolso, Cepop e a própria sede da Prefeitura, para pagar a dívida que ela deixará com os servidores. E, escudada pelo subserviente presidente da Câmara Edson Batista (PTB), todos os créditos e direito creditórios de Campos, como royalties, participação especial e repasses governamentais, também poderão ser usados para cobrir o rombo de Rosinha.

O alerta foi feito pelos vereadores de oposição (e futuros governistas) Marcão Gomes (Rede) e Fred Machado (PPS). Preocupadas com a falta de dabetes na Câmara, em manobras sucessivas de Edson, eles denunciam que os vereadores rocáeos tentarão aprovar na sessão desta terça, amanhã, dia 13, o projeto de lei 0101/2016 , junto com as emendas modificativas 001/2016 e002/2016. Pela primeiro, proposto por Rosinha, ficam comprometidos todos os bens imóveis do município. Já pelas emendas de Edson, não só se compormete os créditos e direitos creditórios de Campos, como também se proíbe o parcelamento que Rosinha não honrou à dívida que gerou no Previcampos.

 

Confira amanhã na coluna “Ponto Final”

 

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Denunciados pela Odebrecht — “Que se vão todos!”

Conhecido apenas parte do teor da “delação do fim do mundo”, feita por 75 executivos da empreiteira Odebhecht, o jornalista e blogueiro Ricardo Noblat escreveu um texto que resume o que a imensa maioria da população pensa acerda dos políticos denunciados, do Planalto Central à Planície Goitacá, onde o casal Garotinho apareceu (aqui) como destinatário de R$ 9,5 milhões de propina para manipular as licitações do “Morar Feliz”, no valor total de mais de R$ 1 bilhão.

Confira abaixo:

 

Inocente

 

“A delação da Odebrecht, que mal começou, já provoca espanto, horror e nojo. Os atingidos por ela se dizem vítimas inocentes de infâmias e apostam que no futuro serão absolvidos pela Justiça e redimidos pela História.

E nós? O que falta para concluirmos que fomos governados nos últimos 14 anos por um bando de suspeitos de corrupção, mas que seguimos governados ainda por uma parte expressiva deles?

Digo suspeitos porque à luz das leis é o que eles são. Mas é difícil acreditar na inocência deles”.

 

Leia aqui a íntegra do texto do Noblat

 

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Debate — Opiniões além da democracia irrefreável das redes sociais

 

Dia desses, li um comentário na democracia irrefreável das redes sociais goitacá, sobre a postagem de link numa linha do tempo do Facebook, no qual se afirmava que ninguém em Campos leria mais blogs. Fazia menção, por óbvio, àqueles hospedados fora da Folha Online.

Foi mais ou menos na mesma época que este blog postou aqui, no final de novembro, um texto dizendo: “No cruzamento entre as interações com você, leitor, entre as manifestações no blog e no link das suas postagens no Facebook, algumas coisas interessantes se revelam”.

Na revelação feita pela comparação, meu artigo pulicado no último domingo (11), tratando de eventos da semana no Planalto Central à Planície Goitacá, publicado aqui no blog e linkado aqui e aqui no Facebook, gerou um debate muito mais amplo e profícuo neste “Opiniões”, do que nas redes sociais.

Até o presente momento, foram 19 cometários gerados pelo texto a partir da publicação solitária neste blog. Já em seus dois links no Facebook, um na linha do tempo pessoal do blogueiro, outo na página do “Opiniões”, surgiram apenas dois comentaristas — o primeiro apenas para parabenizar, mas se eximindo do debate.

Abaixo, na relevância maior de postagem, segue a reprodução de parte destes comentários, centrados sobretudo na posição do vereador e prefeito eleito Rafael Diniz (PPS) contra o Uber em Campos, nos quais o blog se julgou instado a debater. Quem quiser ler a íntegra da discussão democrática na publicação original, pode também fazê-o aqui.

No orgulho confesso deste “Opiniões” por servir de ágora à multiplicidade das suas opiniões, leitor, confira:

 

 

debate

 

 

 

  • carlinhos j.Carioca

    11 DE DEZEMBRO DE 2016 AT 9:54

    Otimo texto! Sabemos q a situação do Rafael será difícil na Gestão da nossa cidade(q agora será nossa mesmo),devido as condições q ELE irá pegar.Porém,teremos um cara com uma mente sadia,com caráter e acima de tudo um cidadão e verdadeiro campista.Nasceu,foi muito bem criado,com formação escolar superior(afinal na sua familia todos estudaram e trabalharam apesar de ter um avô pai e avô politico),de formas q esperamos muito dele,principalmente pelo seu caráter.

     

    • Aluysio

    11 DE DEZEMBRO DE 2016 AT 15:49

    Caro Carlinhos,

    Endosso seu juízo sobre o caráter do prefeito eleito e o quadro de caos que ele herdará do governo Rosinha.

    Abç e grato pela generosidade!

    Aluysio

     

     

    • Renata

    11 DE DEZEMBRO DE 2016 AT 13:30

    Não acho que isso tenha denegrido a imagem de Rafael.

     

    • Aluysio

    11 DE DEZEMBRO DE 2016 AT 15:51

    Cara Renata,

    Não diria denegrir. Mas, como dito no texto, poderia servir para enxergar a luz amarela. Até pelas decisões muito mais difíceis que virão pela frente.

    Abç e grato pela chance do reforço!

    Aluysio

     

     

    • Edimar

    11 DE DEZEMBRO DE 2016 AT 13:53

    Parabéns ao Rafael Diniz, por sua coragem intrépida, em subir a tribuna da Câmara Municipal e, defender aquilo que acreditas. Mesmo sabendo que desagradaria grande parcela da população campista.

     

    • Aluysio

    11 DE DEZEMBRO DE 2016 AT 15:57

    Caro Edimar,

    Com todo o respeito, parabenizar um político recentemente eleito por “grande parcela da população campista” pela “coragem intrépida” de desagradar esta mesma “grande parcela da população campista”, pode não ser conselho dos mais sábios.

    Abç e grato pela chance da ressalva!

    Aluysio

     

     

    Savio

    11 DE DEZEMBRO DE 2016 AT 14:08

    Eu não teria uma única vírgula para acrescentar a este texto, o mesmo está perfeito.
    Pode ser que o nosso novo Prefeito esteja ávido para mostrar serviço, pode ser, e é provável que tenha sido, que adotou uma atitude impensada, embora o açodamento quase sempre conduz ao pior dos resultados!

    É melhor que ele analise que estamos num período de crise geral no país, e Campos dos Goytacazes está em plena “pane seca”, sem instrumentos de navegação e com uma torre incomunicável, seus “operadores” gozam suas felicidades particulares após 8 anos mamando na teta do desgoverno irresponsável.

    É necessário que o novo Prefeito se lembre que deve sempre atender ao desejo da maioria, caso contrário se torna novamente candidato mas ao nefasto posto de “Comandante”, que nós, eleitores campistas, não queremos nunca mais!

     

    • Aluysio

    11 DE DEZEMBRO DE 2016 AT 16:00

    Caro Savio,

    Também não tenho nenhuma vírgula a acrescentar aos dois primeiros parágrafos do seu comentário. Mas, com todo o respeito, acho o terceiro exagerado.

    Abç e grato pela chance do debate!

    Aluysio

     

     

    • Elton Tavares

    11 DE DEZEMBRO DE 2016 AT 14:17

    Quanto ao STF no caso Renan, é só lembrar que Luis Inácio falou, Luis Inácio avisou: “Temos um STF acovardado”
    Quanto ao Juizeco Moro, não é de hoje que é denunciado como instrumento da oposição para golpear a democracia.
    Quanto aos Garotinho, já era esperado seus nomes envolvidos em denúncias desse tipo.
    Quanto ao prefeito eleito, imagino estar buscando apoios para a governabilidade, e isso exige postura as vezes obtusa. Espero que consiga sucesso na empreitada sem comprometer sua integridade.

     

    • Aluysio

    11 DE DEZEMBRO DE 2016 AT 16:08

    Caro Elton,

    Quanto ao que “Luiz Inácio falou, Luiz Inácio avisou”, bom lembrar que só soubemos da sua opinião de um “STF acovardado” porque ele teve essa conversa grampeada e divulgada pela Lava Jato, sob comando de Sérgio Moro. Tanto ele, quanto o STF (pelo menos antes da decisão inconstitucional para beneficiar Renan), quanto Rafael, representam esperança à maioria. E por isso mesmo têm que estar mais atentos do que nós, meros mortais, aos reflexos dos seus atos.

    Abç e grato pela chance do debate!

    Aluysio

    P.S. Concordamos em gênero, número e grau qt aos Garotinho.

     

     

    • Samuel

    11 DE DEZEMBRO DE 2016 AT 16:13

    Fico pensando que solução os comentaristas teriam pra dar se prefeito eleito fossem….Em política, se agrada uns e desagrada outros. Nem Jesus agradou a todos, embora devessem todos ficar satisfeitos…Parabéns prefeito eleito!!!.

     

    • Aluysio

    11 DE DEZEMBRO DE 2016 AT 16:29

    Caro Samuel,

    Uma das coisas que deveriam ter sido sepultadas pela vitória acachapante do prefeito eleito, são essas infelizes analogias da política goitacá com Jesus, indesejadas igualmente por crentes e laicos responsáveis.

    Abç e grato pela chance da lembrança!

    Aluysio

     

     

     

    • Lucas Veiga

    11 DE DEZEMBRO DE 2016 AT 17:10

    Num texto também sobre o Supremo e Renan, você foi à Antiguidade para lembrar de Pirro. E hoje, no mesmo dia, o Elio Gaspari fez a mesma coisa. Parabéns!

    http://www1.folha.uol.com.br/colunas/eliogaspari/2016/12/1840367-o-impa-oferece-uma-aula-de-ma-aritmetica.shtml

     

    • Aluysio

    11 DE DEZEMBRO DE 2016 AT 17:48

    Caro Lucas,

    Entre os vivos, tenho Gaspari na conta de maior jornalista brasileiro. Ele usou o rei Pirro numa das suas famosas missivas “psicografadas” eletronicamete para Renan, advertindo que o Supremo pode estar esperando o senador na curva; enquanto eu usei o general grego numa analogia de alerta a Rafael, caso perdesse a Mesa Diretora da Câmara. Ressalvado que não há contra Rafael ou seu candidato a presidente da Câmara, vereador Marcão (Rede), a torcida da imensa maioria pela cassação de Renan, me orgulha a referência comum entre os textos publicados no mesmo dia.

    Abç e grato pela lembrança!

    Aluysio

     

     

    11 DE DEZEMBRO DE 2016 AT 19:38

    Lula foi um dos presidentes que teve o maior índice de aprovação.Olha a situação dele hoje.

     

    • Aluysio

    11 DE DEZEMBRO DE 2016 AT 22:09

    Caro Cesar,

    Pertinente lembrança. Só que o caso de Lula não foi desatenção ao acender do sinal amarelo, mas ter cruzado o vermelho várias vezes. E achar que iria ficar tudo por isso mesmo. Réu, por enquanto, em quatro ações, acompanhemos atentos às consequências.

    Abç e grato pela chance da digressão!

    Aluysio

     

     

    • Robson

    11 DE DEZEMBRO DE 2016 AT 19:44

    Primeiramente, agradeço ao jornal por promover esse tipo de debate que expõe opiniões diversas dos leitores.
    Quanto ao nosso prefeito, creio que essa foi uma ação de sacrifício momentâneo de sua popularidade no intuito de conseguir apoio em seu governo, já que ao meu ver, a batalha contra o UBER até o momento, tem se demonstrado uma batalha perdida.

    Recado aos amigos taxistas: Saiam da zona de conforto e aproveitem a oportunidade para inovar. Quem não recebe bem as mudanças, sempre vai ficar para trás em mundo competitivo.

     

    • Aluysio

    11 DE DEZEMBRO DE 2016 AT 22:35

    Caro Robson,

    O blog e o jornal que o hospeda é que agradecem pelo debate que vcs, leitores, ensejam com seus comentários.

    Qt ao prefeito eleito e atual vereador, concordo que ele fez uma análise de custo/benefício, pelos motivos expostos no artigo. Só não sei se a avaliação foi correta, pois a Câmara tem, sim, o poder de decidir se o Uber entrará ou não em Campos.

    Endosso seu conselho aos taxistas. Em gênero, número e grau.

    Abç e grato pela chance do debate!

    Aluysio

     

     

    • Leandro

    11 DE DEZEMBRO DE 2016 AT 19:58

    Torço mesmo para que o Rafael faça um bom governo, até mesmo porque confiei a ele o meu insignificante voto. Mais torço muito mais para que esta cidade possa encontrar seu rumo para um crescimento sustentável.

    O que observei nos últimos anos foi uma briga intensa pura e unicamente pelo poder, onde o feudo foi colocado como único a sofrer.

    Espero que o novo prefeito governe com imparcialidade e que realmente seja o que se propõe. porque ninguém merece mais nem este governo que se finda nem os de seus antecessores, sem citar nomes!

     

    • Aluysio

    11 DE DEZEMBRO DE 2016 AT 22:49

    Caro Leandro,

    Nem seu voto, nem nenhum dos 151.462 votos que Rafael recebeu, são insignificantes. Como não é a torcida.

    Modestamente, assino embaixo de todo o resto.

    Abç e grato pela chance da ressalva e da concordância!

    Aluysio

     

     

    • Edimar

    11 DE DEZEMBRO DE 2016 AT 20:37

    Prezado Aluysio,
    Apenas ressaltei sua coragem. Longe de mim aconselhar quem quer sejas.
    Se atitude foi a mais acerta ou não? Entendo ser essa uma outra discussão.
    Grato ao espaço democrático.
    Abraço!

     

    • Aluysio

    11 DE DEZEMBRO DE 2016 AT 22:58

    Caro Edimar,

    A coragem dialética de Rafael foi bem demonstrada nos debates da campanha, sobretudo o último, da InterTV. Mas se fosse apenas por isso, talvez o eleito fosse Rogério Matoso, considerado o mais impetuoso dos candidatos.

    Sem coragem não se faz um líder. Nem só com ela. Creio que é na sua indagação, repetida após cada ato do novo prefeito, que habitará a resposta. Como, de resto, acontece com todos nós.

    Abç e obrigado a vc, pela participação!

    Aluysio

     

     

    • jomares

    11 DE DEZEMBRO DE 2016 AT 22:44

    Ai que dor kkkkkkk

     

    • Aluysio

    12 DE DEZEMBRO DE 2016 AT 0:55

    Caro Jomares,

    Os R$ 9,5 milhões de propina da Odebreht ao casal Garotinho estão doendo?

    Abç e grato pela chance da indagação!

    Aluysio

     

     

    • Carla Andrade

    12 DE DEZEMBRO DE 2016 AT 10:30

    Em relação ao Uber: a discusão sobre transporte vai longe. Particularmente, acho muito cedo para proibir o serviço numa cidade com uma frota de ônibus deficiente que atende a necessidade da população de forma ainda precária,táxis com valores abusivos e as vans que não oferecem nenhuma segurança. O problema vai muito além do Uber.

     

    • Aluysio

    12 DE DEZEMBRO DE 2016 AT 12:11

    Cara Carla,

    Concordo integralmente: é mt cedo para proibir o Uber na cidade, sobretudo a partir do lobby mal disfarçado dos taxistas na Câmara Municipal. E, por certo, a discussão do transporte público de Campos é muito mais complexa.

    Abç e grato pela chance do endosso!

    Aluysio

     

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O que uniu a semana do STF, Sérgio Moro e Rafael Diniz?

 

Pompeia Sula, ex-esposa de Júlio César
Pompeia Sula, ex-esposa de Júlio César

 

 

É preciso parecer

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Roma, 62 a.C. (antes de Cristo). Júlio César (100/44 a.C.) fora recentemente eleito como pontífice máximo (pontifex maximus), sumo-sacerdote da religião estatal e pagã dos antigos romanos. Sua esposa, Pompeia Sula, realizou um festival em homenagem a “Boa Deusa” (Bona Dea) em sua casa, no qual homem nenhum poderia participar. Porém, o jovem Públio Clódio Pulcro conseguiu entrar, disfarçado de mulher, aparentemente com o objetivo de seduzir a anfitriã. Pego, o intruso foi processado por sacrilégio. César não apresentou nenhuma evidência no julgamento contra Clódio, que acabou inocentado. Mesmo assim, se divorciou de Pompeia, afirmando: “minha esposa não deve estar nem sob suspeita”.

Brasil, 2016 d.C. (depois de Cristo). No domingo, 4 de dezembro, milhares de pessoas foram às ruas em 82 cidades do país. Vestidas de verde e amarelo, gritaram “Fora Renan!” e protestaram pacificamente em apoio à operação Lava Jato e ao poder Judiciário, contra o que entenderam ter sido uma reação parlamentar contra os juízes e promotores do país, na corrupção legislativa das medidas contra a corrupção propostas pelo Ministério Público Federal (MPF).

A resposta pareceu ter sido dada de maneira imediata, quando no dia seguinte (05) o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello deu uma decisão liminar, acolhendo o pedido do partido Rede Sustentabilidade, pela determinação constitucional que proíbe réus em processos de ocuparem a linha da sucessão à presidência da República — caso do presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB/AL). Não havia novidade, pois pelo mesmo princípio constitucional Eduardo Cunha (PMDB/RJ) já fora afastado da presidência da Câmara Federal, antes de ter o mandato cassado, ser preso e conduzido à carceragem da Polícia Federal (PF) de Curitiba.

Renan, no entanto, simplesmente se recusou a ser oficiado do seu afastamento pelo oficial de justiça. O descumprimento acintoso da determinação judicial ganhou caráter institucional, quando na terça (06) a Mesa Diretora do Senado decidiu que a decisão liminar de Marco Aurélio simplesmente não seria cumprida. A alegação é de que se esperaria o julgamento do mérito da questão pelo plenário do STF. Mais ou menos como o ladrão que, condenado monocraticamente pelo juiz de primeira instância, dissesse que só aceitaria ser preso após o julgamento do seu recurso pelo plenário do TJ (Tribunal de Justiça).

E, quando todos esperavam que o STF fosse rugir como um leão, miou feito gatinho angorá. Na quarta-feira (07), por 6 votos a 3, o Supremo, cuja função é resguardar a Constituição, resolveu reescrevê-la: Renan poderia permanecer presidente do Senado, a não ser juízo contrário de seus pares que já o tinham apoiado, mas estava afastado da sucessão à presidência da República. Também não era novidade, posto que o então presidente do STF Ricardo Lewandowski, em conluio com Renan, havia decido em agosto manter os direitos da presidente cassada Dilma Rousseff (PT), também a despeito da Constituição.

Para completar a quarta-feira na qual o Judiciário foi frontalmente de encontro aos cidadãos que saíram às ruas em sua defesa, o juiz federal Sérgio Moro foi fotografado rindo e conversando ao pé do ouvido com o senador Aécio Neves (PSDB/MG), cujo nome apareceu como suposto beneficiário de doações ilegais da Odebrecht na operação Lava Jato. A foto foi tirada no evento “Brasileiros do Ano de 2016”, promovido pela revista “Isto É”.

Pelo menos aos campistas, as surpresas continuaram. Na sessão de quinta-feira (08) da Câmara Municipal, o vereador e prefeito eleito Rafael Diniz (PPS) usou a tribuna para se colocar oficialmente contra o funcionamento do Uber em Campos, serviço de transporte que tem colhido majoritariamente elogios, na comparação com os táxis, onde é implantado. Não por outro motivo, Rafael foi severamente criticado na mesma democracia irrefreável das redes sociais que foi fundamental à sua acachapante vitória sobre o garotismo, ainda no primeiro turno das eleições de 2 de outubro, em todas as sete Zonas Eleitorais do município.

Tanto no caso do STF, quanto do prefeito eleito de Campos, pesaram contas de custo/benefício aparentemente equivocadas à maioria. Na decisão que manteve o alagoano à frente do Senado, em nome de uma “governabilidade” do país, atuaram nos bastidores não só dois ex-presidentes da República, José Sarney (PMDB) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB), como quem assumiria a Casa Alta, caso Renan fosse afastado: o senador Jorge Viana (PT/AC). Em outras palavras: PMDB, PSDB, PT e o Supremo preferiram ignorar a Constituição e apostar na tese de que, ruim com Renan, pior, pelo menos por ora, sem ele.

Já na posição de Rafael contra o Uber, ele apoiou o projeto que veta o uso do aplicativo em Campos, elaborado pelo vereador de oposição (e futuro governista) José Carlos. Ele é filiado ao PSDC do deputado estadual João Peixoto, que entrou na política a partir da presidência do Sindicato dos Taxistas. Como estes são 700 em Campos, a contabilidade contra o Uber gira em torno de 3 mil eleitores, calculados entre taxistas e familiares.

Na dúvida de como pensam os demais 356 mil eleitores do município, também entraram na conta os acordos visando à eleição da Mesa Diretora da Câmara, que se anuncia difícil e, se vencida por Anthony Garotinho (PR), pode fazer com que Rafael tenha uma vitória de Pirro (317/272 a.C.), general grego que, mesmo vitorioso em batalha, acabou não levando a melhor sobre os antigos romanos. Ademais, para os edis e taxistas que hoje falam grosso contra o Uber, resta saber onde se esconde a macheza diante das lotadas dominadas pelas milícias, que atuam livremente na cidade.

Nesta semana ruim, encerrada ontem com a denúncia de que a Odebrecht pagou R$ 9,5 milhões em propina ao casal Garotinho, para ganhar as licitações do “Morar Feliz”, no valor total de mais de R$ 1 bilhão, talvez nada tenha personificado a desconfiança quanto a foto de Moro com Aécio. Mesmo que possa ser fato menos sólido que os episódios do STF com Renan e de Rafael, com o Uber, sobretudo quando se lembra da foto do mesmo Aécio, em outro sorriso conjunto, no Senado, ao lado (aqui) de Lewandowski e Dilma, um dia antes desta ser cassada.

Por fiações diferentes, o que conecta os três casos da semana ao mesmo sinal amarelo aceso é melhor resumido na frase cunhada a partir do exemplo de Pompeia: “À mulher de César não basta ser honesta, é preciso parecer”.

 

Publicado hoje (11) na Folha da Manhã

 

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Fabio Bottrel — O Latim está Morto e Deus Também

 

Sugestão para escutar enquanto lê: George Winston – December

 

 

 

 

Criação do homem por Michelangelo, no teto da Capela Sistina (Foto: Reprodução)
Criação do homem por Michelangelo, no teto da Capela Sistina (Foto: Reprodução)

 

No início desse ano fui a uma palestra no IFF, onde uma das professoras que mais marcaram minha vida dissertava sobre o latim vivo entre nós. Refletindo sobre o assunto escrevi esse e-mail para ela com o que gostaria de ter questionado no momento, tomando Deus como parâmetro de existência a partir do pensamento de Heráclito para analisar a vivência do latim e segue o texto abaixo:

A ideia do latim estar vivo me remeteu ao conceito de semelhança a Deus de Heráclito, não a um Deus específico, mas ao conceito sociocultural de divindade. Seu pensamento, reinterpretado por Hanna Arendt em A Condição Humana, seguia: um homem só se assemelha a Deus ao buscar a fama imortal, quando deixa fatos imorredouros que lhe perpetuarão a existência. Tal como a divindade, não morre, pois transcende o seu próprio tempo, onde está a sua vida. Deus já existia antes d’eu nascer, existe enquanto vivo e continuará existindo após a minha morte, portanto se assemelharia ao ser transcendente quem alcançasse tal relevância, os outros, satisfeitos com o que a natureza lhes forneceu, viveram e morreram como animais. Desse modo, Gandhi e Einstein por exemplo, não morrem.

Dizer, hoje: o latim está vivo pelo seu legado, é ressignificar o pensamento contemporâneo de morte a um conceito filosófico pré-socrático. A ideia de morte na Roma Antiga era deixar de estar entre os homens, o que convém até hoje, pois a particularidade não existe ao mundo. Se eu me isolar da sociedade sem deixar vestígios em pouco tempo ninguém saberá da minha existência, estarei morto, por mais que meu corpo não padeça.

Nossa própria experiência é um excelente parâmetro para essa reflexão como explicou o mitólogo Joseph Campbell em o Poder do Mito. Imagine uma pessoa que estava próxima, viva, quente, conversando e agora está distante, deitada, fria e apodrecendo. Havia nela uma coisa que não está mais ali, essa coisa, estopim é o estopim do existir, combustível da vida. Os animais também passam pela experiência de ver seus companheiros morrerem, mas não há evidências de reflexão sobre isso. Agora, elevando essa reflexão além dos animais, à língua, como ela não permeia o ciclo biológico de nascimento, crescimento e morte física, é possível parcializar o conceito direcionado ao objeto de desejo adaptando da maneira que lhe convém mais relevância do que exerce atualmente.

Então onde está a existência, no legado ou na vivência? Se aceitarmos que está no legado muitos de nós não morreremos, escritores por exemplo. Mas se pensarmos que está na vivência, cumpriremos a ideia comum de vida: nascimento, crescimento, morte e deixaremos nossas representações para a posteridade, penso ser cabível. Eu vivo com a genética herdada do meu pai, mas quem vive sou eu e não ele. Penso no latim como o pai do português, quem vive é o português, e não ele. O que existe entre nós é o legado do latim impregnado no português e em outras, tal como a genética de nossos pais está impregnada em nós.

Seguindo essa linha de pensamento, Deus não pode morrer, pois nunca viveu. Falta-lhe o combustível da vida, a coisa viva esvaída do homem quente, agora jaz apodrecendo. Assim, Deus não teria alma, viveria pelo legado, representações do que lhe fora atribuído através de valores humanos.

Talvez a necessidade de criar um ser livre de constrangimentos para lhe atribuir a culpa da nossa existência seguindo o pensamento de liberdade e servidão em Espinoza, ou talvez o medo da imanência, o princípio e o fim em si, e a criação de um ser transcendente, eterno, para que oremos: a nossa vida também pode ser. Portanto o fim não existe mais, a morte é apenas um recomeço, muito mais bonito do que o silêncio do ponto final. Ou mesmo, a fraqueza em suportar a dor de ser humano e atribuir-lhe o fardo de suas incompetências seguindo o pensamento de Bertrand Russell.

Se o latim ressuscitar, então, Deus terá uma chance.

 

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Bem aventurados os que guardaram sete mil amores

Estátua de Tom Jobim, em 03/12/14, quando era instalada à beira mar entre Ipanema e Arpoador (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
Estátua de Tom Jobim, em 03/12/14, quando era instalada à beira mar entre Ipanema e Arpoador (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

Ontem (08) completaram-se 22 anos da morte de Tom Jobim (1927/94). Lembro que, após receber a notícia, na redação da Folha, acelerei o dia de trabalho e, depois, o carro até o Pontal de Atafona. Ao chegar, bati no balcão do botequim para pedir de cara uma cachaça. E tomei, na sua sequência parideira, um porre homérico.

Na exata metade da minha vida, a saudade do garoto de 22 anos e gestos dramáticos, só não é maior do que a sentida por quem considero, ao lado de Cartola (1908/80) e Chico Buarque, o maior compositor da Música Popular Brasileira (MPB).

Como músico popular, certamente foi o maior entre os brasileiros. Já enquanto letrista, função que exercia menos, também pelo prazer generoso de compor em parceria, foi quem na MPB mais se aproximou da poesia literária de João Cabral de Melo Neto (1920/99). Quem nunca notou, que ouça novamente “Águas de Março”.

Maestro de formação erudita, discípulo dos mestres Heitor Villa-Lobos (1887/1959) e Radamés Gnattali (1906/88), conferiu a sofisticação harmônica do jazz à riqueza melódica e rítmica do samba. Nesta mistura, fundou a Bossa Nova, no final dos anos 1950. E soube aproveitar o sucesso internacional do novo estilo para pavimentar nos EUA uma carreira de igual sucesso.

Nos States, gravaria com Frank Sinatra (1915/98), em 1967, um disco de grande sucesso — também pela insistência de Jobim em ter na percussão um brasileiro, Dom Um Romão (1925/2005). Apesar da competência da orquestra de Sinatra, comandada por Claus Orgeman (1930/2016), Tom sabia que os gringos tinham “cintura dura” no batuque do samba.

O convite de Sinatra já faz parte da mitologia, como tantas outras histórias protagonizadas pelos dois mais conhecidos parceiros da MPB. Feito numa ligação telefônica ao antigo Bar Veloso, hoje “Garota de Ipanema”, onde os compositores da música Tom e Vinicius de Moraes (1913/80) bebiam e acharam inicialmente se tratar de um trote.

Enquanto pianista, Tom teve grande influência do toque dissonante do gênio do jazz Thelonius Monk (1917/82). Já na condição de compositor, foi considerado pela exigente crítica especializada dos EUA como um dos grandes do séc. 20, ao lado de monstros como George Guershwin (1898/1937), Cole Porter (1891/1964) e Irving Berlin (1888/1989).

O prestígio de Tom serviu para consolidar a carreira de outros mitos. Foi o caso de Elis Regina (1945/82), que a partir do disco “Elis & Tom”, de 1974, buscou e alcançou um novo status enquanto intérprete, a partir do sucesso de público e crítica, no Brasil e no mundo. Com ambos, a cabralina “Águas de Março” nunca foi tão derramada.

Seu disco que mais me marcou, talvez pela contemporaneidade do prazer de comprá-lo ainda inédito na saudosa Caiana do tio Dionísio Barbosa (1934/1994), foi “Passarim”. Nele, Jobim revelava duas letras para melodias que haviam feito grande sucesso em duas minisséries da Globo naqueles anos 1980.

Faixa título do disco, “Passarim” tivera sua versão instrumental, ainda sem a letra do próprio Tom, como tema da minissérie “O Tempo e o Vento” (1985). Era baseada na obra de Érico Veríssimo (1905/75). Já a música “Anos Dourados” (1986), que batizou a homônima série de TV, apresentaria só no disco a atrasada letra de Chico Buarque.

Em 1992, o maestro que se chateava quando não reconhecido como compositor de samba, ganhou sua maior homenagem: foi enredo e destaque do desfile da Mangueira. Um ano antes, gravara o disco “No Tom da Mangueira”, com músicas de bambas como Cartola, Noel Rosa (1910/37), Nelson Cavaquinho (1911/86), Carlos Cachaça (1902/99) e Jamelão (1913/2008).

Além dos mestres cuja música revolucionara, Tom convidou outro para traduzir seu sentimento, em palavras, sobre a sua música. Na última parceria com Chico, “Mandei subir o piano pra Mangueira” abre o disco e o coração de um sambista tão assumido, quanto acanhado:

“Mangueira/ Estou aqui na plataforma/ Da Estação Primeira/ O Morro veio me chamar/ De terno branco e chapéu de palha/ Vou me apresentar à minha nova parceira/ Já mandei subir o piano pra Mangueira// A minha música não é de levantar/ Poeira/ Mas pode entrar no barracão/ Onde a cabrocha pendura a saia/ No amanhecer da quarta-feira/ Mangueira/ Estação Primeira de Mangueira”.

Na faixa título de “Paratodos”, de 1993, na qual Chico reverencia a lembrança dos maiores cânones da MPB, ele canta ao fechamento da estrofe primeira e final: “Meu maestro soberano/ Foi Antonio Brasileiro”. Se, na última parceria de ambos, ele falou por Tom, falando deste ecoava uma nação.

No que há de particular, minha música preferida do maestro soberano sempre foi “Luiza”, composta para a novela “Brilhante”, exibida pela Globo em 1982. Mais que a personagem interpretada por Vera Fischer, no auge da beleza, Jobim depois revelaria sua verdadeira musa:

“Ana Luíza foi uma moça bonita que apareceu no Antonio’s, num dia que estava chovendo. Ela correu para aquela varandinha do Antonio’s. Era uma moça alta, grande, uma grande moça e uma moça grande. Estavam lá Chico Buarque, Carlinhos de Oliveira, uma quadrilha imensa. Chico começou a falar com aquele riso dele, aquelas palavras incríveis e depois a chuva passou e ela foi embora. E ficou o nome”.

Revelados como um brilhante que partiu a luz e a explodiu em sete cores, bem aventurados os que guardaram sete mil amores para dar somente a alguém.

 

 

 

 

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Paula Vigneron — Sonhos

 

Atafona, 15/11/14 (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
Atafona, 15/11/14 (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

 

Abriu os olhos. Os primeiros e incômodos raios de sol invadiam as frestas da janela, incidindo sobre ela. Tentou retornar ao sonho. Era encantada por eles. No último desta manhã, andava por um campo florido. Na parte final, uma figura desconhecida a esperava. Não identificou quem era. Um homem. Sem nome e sem rosto. Apenas sentia uma paz vinda daquela imagem. Correu. Quanto mais acelerava, mais o outro se afastava. Acordou cansada, mas queria voltar a dormir para poder alcançar a aparição.

Uma mão tocou seus cabelos. Respirou fundo antes de reabrir os olhos para encarar a realidade. Um sorriso. Um homem. Gestos e atenções direcionados a Clara. Retribuiu os carinhos. Eram vazios. Sem vida. Frios. Mas ele não percebia que o corpo ao seu lado permanecia sem alma. Fazia festas, trazia flores, preparava jantares. Arrumava os cantos da casa. Organizava os papéis. Acumulava tarefas para não precisar fazer o exercício de pensar sobre sua vida.

— Bom dia, meu amor.

— Bom dia, Augusto.

Ele manteve o sorriso. Ficava feliz quando acreditava receber o carinho de Clara. Concentrava parte de seus dias em atos e fatos que pudessem ganhar a aprovação da mulher.

Ela, por outro lado, percebia os esforços. Quanto mais difícil para Augusto, maior o desprezo de Clara. Sentia pena por ver um homem, tão bonito, fracassar em inúmeras tentativas de reverter um processo tragicamente concluído.

O marido se levantou. Caminhou até a porta. Saiu. Enquanto ouvia seus passos, Clara assistia a um filme. Aos 15 anos, os dois se conheceram. A garota vinha de outra escola e entrara na turma dele. O rapaz, o mais atraente da turma, fazia parte de um grupo de meninos bagunceiros, mas tinha algo que o diferenciava. Era educado. Gentil. Conseguia, ao mesmo tempo, irritar e encantar os professores.

Depois de atritos, os dois se tornaram amigos. Preenchiam o dia inteiro juntos, tanto dentro quanto fora da escola. Assim foi durante todo o ensino médio. Quando foram cursar diferentes faculdades, passaram anos sem se encontrar.  Com meses de formado, Augusto recebeu a oportunidade de trabalhar na cidade em que Clara morava. Sem analisar efetivamente a proposta, se arriscou.

O reencontro foi bonito. Eram sentimentos sinceros que ambos compartilhavam. Passaram pelos rituais: namoraram, noivaram e casaram. Sete anos. Os passos aumentaram à medida que Clara recobrava a consciência. Todas as cenas foram transmitidas em um segundo, tempo que, para ela, era suficiente para dedicar às lembranças do casal.

— Trouxe um suco para você. Sei que não gosta de comer pela manhã, mas não gosto que saia de casa sem se alimentar de alguma forma. O que fará hoje? — perguntou enquanto entregava o copo à esposa, que agradeceu com um aceno de cabeça.

— Tenho uma consulta com Eduardo. Preciso tomar banho para não me atrasar.

— Não sabia que tinha voltado à análise.

— Ainda não, mas vou voltar hoje. Acho que preciso organizar as coisas dentro e fora de mim — e, agradecendo novamente, após beber o suco, entregou o copo ao marido. Preocupou-o. Temia, sem expor sua opinião, para que caminho o tratamento poderia levá-los.

Clara escolheu um vestido azul e uma sapatilha. Pegou as roupas e as bijuterias. Andou vagarosamente em direção ao banheiro. Ainda se sentia cansada. Trancou a porta. Ligou o chuveiro. Encarou sua imagem no espelho. Estava envelhecida. A pele ressecada, assim como os cabelos. Os olhos inexpressivos. As sobrancelhas bagunçadas. Era uma mulher cuja aparência mostrava uma idade além da real.

Ouviu o carro sair. Era Augusto. Não costumava sair sem se despedir, mas sabia que ele ficara incomodado ao ouvir o nome “Eduardo”. O psicanalista, muitas vezes, parecia querer que os dois se separassem. Era assim que o cansaço de Clara, entediada do marido, poderia ser compreendido pelo homem. A responsabilidade jamais seria dela, a menina romântica com quem escolhera construir uma vida. Não admitiria que o outro não era capaz de influenciar as decisões da mulher.

A partida do veículo foi recebida com leveza por Clara. Fechou o chuveiro. Deixou o vestido em cima do cesto de roupas. As sapatilhas foram lançadas a um canto. Foi, novamente, para o quarto e se deitou. Não existia mais Eduardo. Há meses, havia abandonado o tratamento. Mas continuava a ser a sua desculpa para afastar Augusto. Tentou, desde o término forçado das consultas, não mentir sobre sua vida. No entanto, ela não sabia mais distinguir mentiras e verdades; sua personalidade e a que foi criada para manter o casamento; suas vontades e a vontade da esposa de Augusto; os seus e os outros sonhos.

A palavra lhe trouxe à mente a figura do homem desconhecido. O rosto não visto. Corria. Corria cada vez mais na tentativa de se aproximar daquela imagem. Perturbação e paz. Serenidade e violência. Calmaria e agitação. Mesmo com os olhos abertos, continuava em disparada atrás do estranho a quem procurava, dias e noites, para suprir suas necessidades e desejos.

Voltou para a cama. Antes de se entregar ao sono, uma mão tocou seus cabelos. Respirou fundo. Um sorriso. Um homem. Gestos e atenções direcionados a Clara. Não abriu os olhos. Não queria perdê-lo. Afastou o frio e se sentiu guiada para sua realidade.

 

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Renan e o Supremo — Alguém ainda duvida da sabedoria das ruas?

 

Depois do Supremo Tribunal Federal (STF) decidir (aqui) agora há pouco, por 6 votos a 3, que Renan Calheiros (PMDB/AL) pode permanecer na presidência do Senado, alguém ainda duvida da sabedoria das ruas?

 

Manifestante em São Paulo, nos protestos do último domingo (04) deu a sentença das ruas ao Supremo Tribunal Federal (Foto: Redes Sociais)
Manifestante em São Paulo, nos protestos do último domingo (04) deu a sentença das ruas ao Supremo Tribunal Federal (Foto: Redes Sociais)

 

 

E, com o Brasil a reboque, segue a saga entoada no refrão do cantor e compositor Sérgio Ricardo, para o clássico “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964), do visionário Glauber Rocha (1939/81):

 

“Se entrega, Corisco!

Eu não me entrego não!”

 

 

 

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Artistas de Campos com medo de calote do governo Rosinha

 

Rosinha bate tambor
Rosinha exibindo seu dotes artísticos em cima do trio eletétrico (Foto: Divulgação)

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Num governo que chegou a ter a luz recentemente cortada na sede da Prefeitura por falta de pagamento e que promove desligamentos em massa dos servidores por Recibo de Pagamento Autônomo (RPA), enquanto convoca concursados ignorados por oito anos para tentar inviabilizar os próximos Executivo e Legislativo da cidade, não é de se espantar que a Cultura também seja alvo desse caldo cultural administrativo já no fundo do tacho. Artistas de Campos que realizaram e foram premiados em vários eventos, criados a partir de editais do Fundo Municipal de Cultura (FMC), usaram a democracia irrefreável das redes sociais para denunciar que até hoje não foram pagos. A 24 dias do fim da atual gestão municipal, todos confessam ter medo do calote rosáceo.

Atual presidente do FMC e do Conselho Municipal de Cultura, o professor e diretor teatral Orávio de Campos Soares se mostrou preocupado e até constrangido com a situação:

— O Fundo Municipal de Cultura foi criado na minha gestão. Quem possibilitou aos artistas terem uma forma de ganho com o exercício das suas atividades, fui eu. Todos os processos foram enviados à (secretaria de) Fazenda. Já foram nove: Arte de Grafite, Street Dance, Produção Videográfica, Contação de Histórias, Prêmio Literário (Crônicas), Festival Curta de Teatro, Samba de Terreiro, Folias de Reis e Poesia Rap. Estou profundamente chateado com isso tudo. Quem assinou os editais fui eu. A cara na reta é a minha. Para se aborrecer dessa maneira, seria melhor não ter feito nada.

Também ouvido pela reportagem, o secretário de Fazenda Roberto Landes recebeu da Folha Dois a lista dos processos assumida por Orávio. Após checar nos dados da sua secretaria, Landes retornou e esclareceu:

— No sistema da Fazenda, constam seis pagamentos relativos ao Fundo Municipal de Cultura, que já foram autorizados: dois no valor de R$ 2.904,80, cada. Um deles, datado de 03/11, é relativo à Poesia Rap, enquanto o outro, de 23/11, para Street Dance. Os outros quatro também são de 03/11, todos destinados à Premiação de Jovens Talentos. Destes, dois são de R$ 3.736,13 e outros dois, de R$ 5.219,36, cada um. E não consta que nenhum deles tenha sido estornado. Quanto a outros pagamentos em aberto, os processos podem ainda estar cumprindo os trâmites burocráticos antes de chegarem à Fazenda do município.

Segundo Orávio, todos os curadores dos eventos já foram pagos e o que estaria faltando seriam as premiações. Para a produtora cultural Anna Franthesca, curadora do Festival Arte de Rua, promovido em 10 de novembro, uma coisa não basta sem a outra. Foi ela quem fez a denúncia inicial em sua linha do tempo no Facebook, gerando intenso debate entre os vários artistas que exigem o que lhes é devido pelo governo Rosinha Garotinho (PR).

Cobrada pessoalmente pelos participantes e vencedores do evento que promoveu, Franthesca revelou seu drama:

— Então, o esclarecimento é que o dinheiro existe, porém o trâmite administrativo é lento e demorado. Parece que o dinheiro está empenhado e já foi pra Fazenda. Agora cabe a eles liberarem nas nossas contas.  Isso é tudo o que eu sei e repito já há dois meses para os artistas. Só que está ficando feio pra mim, que não sou responsável pelo pagamento. Isso está me deixando bastante estressada .

As consequências do não pagamento do governo rosáceo aos artistas de praticamente todos os segmentos da cidade, apesar da publicação integral dos editais em Diário Oficial (DO), são sofridas também por servidores municipais. Instrutor de arte do Departamento de Literatura da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), Edeilson Fernandes desabafou:

— Estamos enfrentando o mesmo problema. Ficamos responsáveis pelos concurso de crônicas e contação de histórias. Os vencedores do concurso de crônicas cobram o que lhes é de direito, mas os pais das crianças que venceram o concurso de contação de histórias são da comunidade Portelinha e estão nos ameaçando quase diariamente, exigindo um pagamento que não nos cabe. É preciso que o Sr. Suledil Bernardino (secretário municipal de Controle) libere os pagamentos, pois a verba do Fundo já estava reservada para essas finalidades. Os concursos tiveram suas culminâncias no dia 1º de outubro e até hoje ninguém recebeu nada.

 

Capa da Folha Dois de hoje (07)
Capa da Folha Dois de hoje (07)

 

Publicado hoje (07) na capa da Folha Dois

 

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Ocinei Trindade — Ferreira Gullar em três atos ou mais

 

Ferreira Gullar e Analice Martins
Ferreira Gullar e Analice Martins

 

 

Há dois dias Ferreira Gullar está morto. Porém, não tanto. Soube no domingo pela televisão de sua partida. Lamentei. Tive vontade de ir velá-lo, mas não tanto. Sei lá. Quis me despedir. Quis até falar-lhe, mas perdi a chance. Aliás, perdi três exatas chances de poder dirigir-me a ele. Trago nitidamente em minha memória estas tais três ocasiões.  Lamentei também por isto. Perdemos o poeta e eu perdi a oportunidade de poder trocar algumas palavras. Mas o que poderia eu falar a ele?

Era sábado, no Rio de Janeiro, em plena Avenida Rio Branco, na calçada em frente aos prédios da Biblioteca Nacional e o Museu de Belas Artes, na semana em que se encerrara o carnaval, mas naquele dia haveria o desfile das escolas de samba campeãs, na Marquês de Sapucaí. Eu estava acompanhado de um amor que muito amei e ainda amo, mas que se foi. O sol da tarde era forte sobre nossas cabeças e o centro da cidade estava bem esvaziado de gente. De repente, a uns cinquenta metros, surge Ferreira Gullar caminhando em nossa direção. Não demorou reconhecê-lo assim que o avistei. Magro, muito elegante, cabelos alvíssimos e lisos caindo sobre os olhos. Fiquei nervoso. Ensaiei um cumprimento, um aceno assim que nos cruzássemos. Emudeci. Ele passou e eu fiquei parado olhando-o seguir pela avenida semi-deserta. Silêncio.

Dois anos depois, Ferreira Gullar participa da Bienal do Livro de Campos, minha cidade natal. Ele divide o palco com Analice Martins, doutora em literatura, amiga amada, mestra e musa de muitos de nós. A bela e a fera em cena, alguém poderia provocar. O auditório lotado ouviu suas opiniões acerca de muitos temas literários, sobretudo a poesia. Fiz várias fotos da apresentação, uma delas ilustra esta crônica. O homem espantoso do poema sujo e de ideias neoconcretistas entrou e saiu do local sem chance de falar-lhe. Era tanto assédio em cima daquele ilustre convidado com mais de oitenta anos de idade que ele sumiu rapidamente no meio da multidão que abarrotava os corredores do evento.

Não demorou muito, alguns meses, creio, voltei ao Rio de Janeiro para assistir ao espetáculo teatral À beira do abismo me cresceram asas, de Maitê Proença, outra musaEra fim de novembro, lembro bem.  Enquanto aguardava a peça começar, fui circular pelo antigo shopping em Copacabana que abriga o Teatro Tereza Raquel (atual Net Rio) e tantas galerias de arte. Em uma delas acontecia um coquetel durante  exposição de esculturas e livros de arte caríssimos. Entrei sem convite, já que a porta estava aberta. Logo descobri que a mostra era de peças produzidas por Ferreira Gullar, e em seguida, soube que ele estava atrás de mim, bem presente, a uns dois metros de distância, Cercado de gente, animado, ele sorria e conversava com seus convidados. Na festa, encontrei a cantora Silvia Machete, musa e amiga de redes sociais digitais. Ela estava linda com um decote inacreditável. Nos cumprimentamos eu e ela e, quando dei por mim, estava em cima da hora para a peça com Maitê Proença começar. Me despedi e sai correndo. Ferreira Gullar ficou para trás. Não consegui outra vez lhe cumprimentar, pelo menos.

Não sei exatamente quando ouvi falar de Ferreira Gullar pela primeira vez. Por falta de dinheiro, não comprei a reunião de seus livros em uma publicação comemorativa no início deste ano. Mas levei Drummond para casa, pois o dinheiro deu. Gullar era um homem soturno, apesar de ter nascido na ensolarada e linda São Luis do Maranhão. Demorei saber que ele era maranhense, Quando estive lá, só me lembrava dos Sarney, do Josué Montello e da cantora Alcione. Entretanto, Gullar foi, talvez, o mais nobre dos maranhenses (sem querer desmerecer os outros). Não era bonito. Também não era feio. Era o que minha mãe costumava chamar alguns seres especiais: um feio-bonito, assim como Maria Bethânia (que eu acho belíssima) é.

Seu poema que mais gosto? Nunca poderia responder, pois minha memória não acolhe tantos gênios.  Todavia, passei a prestar mais atenção em Ferreira Gullar justamente em um show de Maria Bethânia chamado Brasileirinho (2003)dirigido por Bia Lessa. Na abertura do espetáculo registrado em dvd, uma imagem enorme de Ferreira Gullar é projetada em tela líquida, onde ele aparece recitando os seguintes versos do poema Descobrimento, de Mario de Andrade:

 

Abancado à escrivaninha em São Paulo

Na minha casa da rua Lopes Chaves

De supetão senti um friúme por dentro

Fiquei trêmulo, muito comovido

Com o livro palerma olhando pra mim.

 

Não vê que me lembrei lá do Norte, meu Deus!

muito longe de mim

Na escuridão ativa da noite que caiu

Um homem pálido magro de cabelos escorrendo nos olhos,

Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,

Faz pouco se deitou, está dormindo.

 

Esse homem é brasileiro que nem eu.

 

    Eu poderia jurar que o poema fora escrito por Ferreira Gullar, mas cabe a Mario de Andrade a autoria. De algum modo, o Descobrimento também é de Gullar, é meu, é de todos nós. Há pouco, antes de escrever esta crônica, troquei mensagens de texto com Analice Martins, e comentei com ela as muitas fotos que tenho dela com o poeta que veio do Maranhão e que se portou valentemente diante da vida até o fim. Ela fez uma referência a ele como um homem de espantos com a frase “a poesia é fruto do espranto”, mas depois corrigiu a grafia e escreveu “espanto”. Eu a respondi afirmando que a poesia é para mim um “espranto” mesmo, misto de espanto e pranto. Ainda não chorei a morte de Ferreira Gullar, mas assim que conseguir, não perderei a chance.

 

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Pezão sanciona projeto de Bruno Dauaire sobre isenções fiscais

 

Bruno Dauaire (Foto: Divulgação)
Bruno Dauaire (Foto: Divulgação)

 

O governador Luiz Fernando Pezão sancionou a lei que suspende a concessão de novos incentivos fiscais pelos próximos dois anos para empresas sediadas ou que venham a se instalar em território fluminense. O projeto, de autoria do deputado Bruno Dauaire (PR), em coautoria com Luiz Paulo (PSDB), foi aprovado por unanimidade na Assembleia Legislativa (Alerj) no início de novembro. A lei foi publicada nesta terça-feira (6) no Diário Oficial do Estado do Rio.

As exceções, segundo o texto, são taxistas, portadores de deficiência na aquisição de veículos e projetos culturais, esportivos, gastronômicos, de ciência e tecnologia e doação ao Fundo Estadual de Cultura. De acordo com a lei, a secretaria estadual de Fazenda vai definir um órgão para, semestralmente, verificar os requisitos e condicionantes dos benefícios já concedidos, com encaminhamento à Alerj e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE/RJ).

– É uma vitória importante neste momento grave pelo qual passa o Estado do Rio de Janeiro. É preciso evitar perda de receita e buscar, ao mesmo tempo, mais controle e fiscalização na concessão de isenções. A situação requer cautela e definição de prioridades, porque é inadmissível que servidores não recebam seus salários em dia, que serviços essenciais não funcionem, enquanto isenções fiscais são distribuídas por decreto – disse Bruno Dauaire.

 

Da assessoria do deputado Bruno Dauaire (PR)

 

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