Carol Poesia — Sobre Elis

 

Carol Poesia 29-11-16

 

 

 

O que é mais encantador em Elis é a sua perturbação. Não é a voz, não são as canções, não é a beleza. Tudo isso é apaixonante, sem discussão, mas a explosão Elis vem do tédio. Nitidamente vem do tédio. Se eu pudesse diria a ela “Minha musa, não existe tédio mais honesto que o seu”.

A cada performance uma explosão. Uma energia inigualável, inimitável. Elis arrebatou, não apenas pelo seu talento, mas por sua fome de vida, que é, inevitavelmente, também, fome de morte.

Ao assistir ao filme “Elis”, maravilhoso, diga-se de passagem, me veio à mente uma reflexão sobre os artistas. Como é penoso seguir sendo artista frente às demandas de estabilidade. E quando digo “estabilidade”, não restrinjo apenas à estabilidade financeira, que por si só já é um enorme problema de ordem prática, mas estendo a questão ao que diz respeito à estabilidade emocional, psíquica, amorosa, familiar etc.

A vida exige estabilidade, não há saúde que perdure acompanhada de insistente montanha-russa. Tantos bons artistas morreram precocemente. Todos com o mesmo perfil:  enormes para si. Entendo “bons artistas” como aqueles que conseguem, com qualidade, transformar seus incômodos em obras catárticas, e fazer com que tanta gente sinta. Existem artistas que causam euforia apresentando uma “punheta de suas questões”, não é disso que se trata Elis. Os grandes artistas transformam a sua dor em uma dor de todos, porque tornam o outro sensível a ponto de perceber que, de fato, trata-se de uma dor de ser humano. É isso que sinto toda vez que ouço Elis. Sinto uma dor que é a dor de ser humano.

Ser humano dói. E aos artistas, que vivem de tornar esteticamente aceitável o lhe dói, dói ainda mais, porque é uma missão nunca saciada. Vive-se e morre-se um pouco a cada palco. Deixa-se ali carne e alma. O artista não se suporta sem essa doação e não dura muito tempo quando essa doação é total. É a montanha-russa: o prazer de quase morrer e assim perceber que se está vivo.

Para alguns a realidade não basta. Algumas pessoas saciam (temporariamente) o desejo de transcender o real fazendo arte, outros pulam de bungee jumping, outros com entorpecentes, ou com religiosidades, ou com tudo isso.

Temos poetas, temos profetas, temos drogados (vinho, poesia ou virtude, como diria Baudelaire). E temos Elis, que era tudo isso: a dor, o bungee jumping, a montanha-russa, a profecia, as drogas e a poesia. Elis, como artista de tudo, sentia demais. Não cabia em si. De tanta humanidade, virou Deus. E se foi.

 

 “Embriagai-vos!

Deveis andar sempre embriagados. Tudo consiste nisso: eis a única questão. Para não sentirdes o fardo horrível do Tempo, que vos quebra as espáduas, vergando-vos para o chão, é preciso que vos embriagueis sem descanso.

Mas, com quê? Com vinho, poesia, virtude. Como quiserdes. Mas, embriagai-vos.

E si, alguma vez, nos degraus de um palácio, na verde relva de uma vala, na solidão morna de vosso quarto, despertardes com a embriaguez já diminuída ou desaparecida, perguntai ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo que gene, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai que horas são. E o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio vos responderão:

— É a hora de vos embriagardes! Para não serdes escravos martirizados do Tempo, embriagai-vos! Embriagai-vos sem cessar! Com vinho, poesia, virtude! Como quiserdes!”

 

Charles Baudelaire , Petits poémes en prose, 1869.

Nota: Trad. de Paulo de Oliveira (1937).

 

Um brinde à ELIS!

 

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Das reações, seus filtros e suas revelações

melancia na cabeça

 

 

A partir do advento da democracia irrefreável das redes socias, a própria mídia virtual passou a ter mais filtros. No cruzamento entre as interações com você, leitor, entre as manifestações no blog e no link das suas postagens no Facebook, algumas coisas interessantes se revelam.

A postagem, por exemplo, que no último sábado anunciou (aqui) a advogada Mariana Lontra Costa na superitendência de Justiça no governo Rafael Diniz (PPS), mesmo sem nenhum aditivo pago no Facebook, teve lá 882 curtidas e 13 compartilhamentos, enquanto recebeu 31 comentários no blog — destes, 16 críticos.

Apesar das regras da Folha Online, que vedam o anonimato nos comentários, seus filtros são menores do que no Facebook, onde os perfis fakes se revelam muito mais facilmente. E, nos links da postagem do blog no Face, tanto (aqui) na linha do tempo pessoal do blogueiro, quanto (aqui) na página do “Opiniões”, nenhum comentário foi feito.

Para um observador medianamente atento, fica evidente que a indicação de Mariana sofreu um ataque encomendado nos comentários do blog, onde o anonimato, mesmo vedado, é mais fácil de ser mantido. Na exposição maior do autor no Facebook, nenhum comentarista deu as caras.

De autor bem conhecido foi o comentário (aqui) no blog feito pelo advogado Filipe Estefan, ex-presidente da OAB-Campos e futuro procurador geral do governo Carla Machado (PP) em São João da Barra, à indicação da jovem colega à próxima administração de Campos:

— Dra. Mariana Oliveira Lontra Costa está qualificada pra assumir a referida pasta. Competente, dinâmica, inteligente e profunda conhecedora do direito de Família e Cível, é a pessoa certa pra desenvolver um trabalho profícuo em defesa dos cidadãos hipossuficientes de Campos dos Goytacazes. Parabéns Dra. Mariana!

Entre esses filtros cruzados da mídia virtual, acaba se encontrando de tudo. Há até quem se disponha a não enxergar as mazelas da sua própria geração, que desaguaram em desastres como o garotismo e o lulopetismo, enquanto questiona as mudanças provocadas no mundo pela chamada “geração Y”, nascida entre os anos 1980 e 90.

Talvez fosse ridículo questionar isso no Facebook, criação de Mark Zuckerberg, o maior expoente, aos 32 anos, da tal geração Y e suas revoluções de ordem global. Mas ser do contra, por sê-lo, ainda que anacrônico, pode ser mais divertido. Mesmo que do outro lado esteja a lógica. E que existam maneiras mais inteligentes de envelhecer.

 

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Fernando Rossi vai assumir direção do Teatro de Bolso

Como a jornalista Suzy Monteiro adiantou aqui, vai tomando forma a equipe que, com Cristina Lima à frente, assumirá a Cultura de Campos a partir de 1º de janeiro de 2017. O Tetro de Bolso Procópio Ferreira, por exemplo, que foi alvo de uma ocupação pelos artistas e coletivos culturais da cidade, entre maio e junho deste ano, será dirigido por alguém bastante conhecido na classe: Fernando Rossi.

Diretor de teatro desde 1979, Rossi pisou no palco do Teatro be Bolso pela primeira vez em 1974, ainda como ator infantil. De lá para cá, já dirigiu mais de 20 peças no TB. Nos últimos anos, com o fechamento de espaços culturais importantes, que serão entregues pelo Governo Rosinha Garotinho (PR) sem serem reabertos, Fernando comandou uma ilha de resistência à frente da programação cultural do Sesi, onde se dividirá com a nova função no governo Rafael Diniz (PPS).

Do que pretende após assumir o TB, o conhecido diretor teatral adiantou:

 

Fernando Rossi
Fernando Rossi (Foto: Facebook)

 

— Minha intenção é devolver aos artistas de Campos esse espaço tão importante, de tantas histórias. E, trabalhando juntos, teremos a missão de levar a comunidade de volta ao Teatro de Bolso.

 

Confira amanhã (29) na coluna “Ponto Final”

 

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Tempo passa e leva ao poder em Campos uma geração que muda o mundo

Ponto final

 

 

(infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Geração Y

Geração Y. É assim que a Sociologia se refere aos nascidos entre os anos 1980 até meados dos 90, num mundo digital, preocupado com o meio ambiente, com livre fluxo de informação e relativamente mais estável — sobretudo após a queda do Muro de Berlim (1989). Estudiosos, como o pesquisador canadense Don Tapscott, se dedicam a entender como esses jovens têm mudado rapidamente os rumos do planeta. A jornalista brasileira Rita Loiola descreveu assim a geração à qual pertence: “Eles já foram acusados de tudo: distraídos, superficiais e até egoístas. Mas (…) têm fortes valores morais e estão prontos para mudar o mundo”.

 

Geração da ruptura

Em Campos, a vitória de Rafael Diniz (PPS) nas sete Zonas Eleitorais, ainda no 1º turno da eleição a prefeito, seria por si só um case sobre a chegada da ao poder da geração Y. E as primeiras indicações do novo governo mostram que, além do caso individual, se trata da vitória de uma geração sobre aquela que, em Campos, havia tomado o poder nos mesmos anos 1980 na qual nasceram seus sucessores. Daí estes terem sido chamados ontem, (aqui) nesta coluna, de “geração da ruptura”, em relação aos nomes de mais idade e péssimos resultados, que pouco ou nada variaram entre os governos Alexandre Mocaiber e Rosinha Garotinho (PR).

 

Thiago e Mariana

Ontem, o governo Rafael confirmou mais dois nomes da sua equipe: o publicitário Thiago Bellotti, a quem caberá a coordenação da transição na pasta da Comunicação, além da advogada Mariana Lontra Costa, que comandará a superintendência de Justiça. Thiago se graduou pela Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, em Comunicação Visual, grade na qual depois lecionou no Instituto Federal Fluminense (IFF).

 

Feito

Após vários cursos de especialização na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), também no Rio, Bellotti passou a atuar no mercado publicitário, sobretudo no ramo imobiliário, conquistando contas de empresas importantes do setor, como Cyrela e PDG, além de Petrobras, LLX e EBX. Em marketing político, coube a ele a coordenação da campanha eleitoral de Rafael em TV, rádio e na democracia irrefreável das redes sociais, considerada fundamental na acachapante vitória das urnas de 2 de outubro.

 

Retomada

Por sua vez, Mariana se graduou na Faculdade de Direito de Campos (FDC), na qual também fez graduação em Civil e Processo Civil. Atualmente, é conselheira da OAB-Campos, na qual também dirige a Escola Superior de Advocacia. Entre 2001 a 2005, foi estagiária da então secretaria municipal de Justiça, implantada por sua mãe, a advogada Elizabeth Oliveira. Transformada em superintendência, a filha assumirá, com referencial de retomada: “Tenho um carinho enorme pela pasta, onde pude aprender muito e crescer profissionalmente. Fiz parte desse órgão em um período que o serviço funcionava com excelência”.

 

Tempo de Campos

Além dos currículos pessoais, os dois novos nomes do governo eleito pertencem à mesma geração Y. Dos 15 até agora indicados à transição, é o caso de nove: os advogados José Paes Neto (Procuradoria), Fábio Bastos (Governo) e Felipe Quintanilha (Controle Orçamentário); os sociólogos Brand Arenari (Educação) e Sana Gimenes (Assistência Social); o jornalista Alexandre Bastos (Chefia de Gabinete) e o empresário Helinho Nahim (Entretenimento); além de Thiago e Mariana. Isso sem contar o próprio prefeito Rafael Diniz, que assumirá o poder com a sua geração. Só é incapaz de entender a mensagem quem não viu o próprio tempo passar.

 

Tempo de Cuba

Para Fidel Castro (aqui), o tempo deixou de passar desde ontem, quando morreu aos 90 anos. Quando tinha apenas 33, o cubano liderou um feito em precedentes. Era 1959, quando um punhado de jovens idealistas derrubou pela força das armas o governo corrupto de Fulgencio Batista (1901/73), apoiado pelos EUA, numa ilha canavieira apenas 165 km distante de Miami. Da erradicação do analfabetismo e da saúde universalizada à supressão de liberdades e execução de dissidentes, Fidel oscilou ao longo dos anos, e ideologias, entre herói e ditador. Na dúvida de como a História o julgará, a certeza (saudosa?) de que seu tempo passou.

 

Publicado hoje (27) na Folha da Manhã

 

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Lembranças após a morte de Fidel

Da notícia hoje da morte de Fidel Castro, aos 90 anos, pela proximidade do testemunho de um amigo nos tempos em que a pequena ilha caribenha ainda abrigava sonhos de um mundo melhor — como permanecerá sendo, para alguns —, o texto que mais me tocou foi o do confrade Ricardo André Vasconcelos.

Ao contrário dele, o livro que me revelou a odisseia cubana não foi o famoso “A Ilha”, do também jornalista Fernando Moraes, mas “A Revolução Cubana”, do sociólogo Emir Sader, que devo ter lido mais ou menos quando Ricardo esteve em Cuba, acompanhando o então jovem prefeito de Campos Anthony Garotinho. Isso sem contar a Cuba pré-Revolução de 1959, que conheci nos romances “O Velho e o Mar” e “As Ilhas da Corrente”, de Hemingway (1899/1961) — Ernest(o) de batismo, como Guevara (1928/67).

Dos quatro principais líderes da Revolução Cubana, Fidel sempre estave longe de ser meu preferido, mesmo nos tempos marxistas da adolescência e juventude. Tampouco seu irmão mais novo, Raúl Castro, que continua a governar Cuba nos mesmos moldes — pelo menos enquanto der. Aos dois, preferia, lógico, o charme do Che, xará argentino de Hemingway.

Mas o revolucionário da Sierra Maestra com a qual mais simpatizei, de cara, foi o cubano Camilo Cienfuegos (1932/59). Militarmente superior aos três mais famosos, era ainda assim o mais humilde. Para completar sua mística de herói trágico, logo após a conquista de Havana, cuja vanguarda ele liderou, desaparecia num misterioso acidente de avião, sem que nenhum destroço ou corpo tenham sido até hoje encontrados.

Abaixo, o texto do Ricardo sobre Fidel, com uma ressalva: embora concorde que o ex-presidente dos EUA John Kennedy (1917/63) seja sobrevalorizado, ele merece mais do que Fidel a legenda de responsável pela sobrevivência do mundo, após a Crise dos Mísseis de Cuba, em outubro de 1962. Kennedy e o líder soviético Nikita Kurshev (1989/1971) tiveram que contornar a vontade dos seus próprios altos comandos militares para selarem a paz. Enquanto Fidel, declaradamente, queria manter os mísseis nucleares soviéticos em Cuba, mesmo ao custo de uma guerra atômica.

 

Fidel

 

 

Calou-se o Comandante

Por Ricardo André Vasconcelos

 

Das ruínas do socialismo sobrou o sorriso do mais carismático de seus líderes e, sem dúvidas, uma das personalidades mais amadas e odiadas da segunda metade do século XX. Fidel Alejandro Castro Ruz morreu na madrugada deste sábado, aos 90 anos, sem sua Cuba.

A geração que começou a tentar entender alguma coisa no final dos anos 70 e início dos 80, foi apresentada ao “comandante” pelo jornalista e escritor Fernando Moraes, com o seu livro “A Ilha”. Apesar de apontar avanços e problemas na pequena ilha do Caribe, que àquela época contava com menos de  três décadas de governo revolucionário, aquele quadro de analfabetismo zero e acesso de todos à saúde, encantou os jovens que ainda sonhavam transformar o mundo  numa sociedade só de iguais.

Mais que isso, a mim particularmente encantava como uma pequena ilha distante 165 km de Key West,em Miami, Flórida, enfrentava — com êxito — a maior potência militar do Planeta. A proximidade é tanta, que os cubanos dizem, talvez com uma dose de exagero, que do Malecon (dique que protege o centro da capital da Baía dos Porcos), é possível avistar as luzes de Miami em noites de lua nova.

Exagero ou não, Cuba esteve na mira e nos calcanhares dos norte-americanos desde que Fidel e seus companheiros desceram a Sierra Maestra para derrubar o ditador Fulgencio Batista; depois de virem do México a bordo do legendário “Il Granma”, pequeno barco que virou monumento público numa praça de Havana. Inúmeras foram as tentativas de eliminar Fidel, ou tomar mesmo o país, como tentou o não menos legendário (talvez injustificadamente) Kennedy, com a frustrada tentativa de invasão da Baía dos Porcos, em torno da qual se situa Havana.

Meses depois, Cuba foi o centro do mundo e o estopim de uma quase-guerra total, quando o líder soviético Nikita Kruschev mandou instalar mísseis no interior da ilha e apontados diretamente para os EUA. A crise ficou conhecida como “os treze dias que abalaram o mundo”  e contornada pela diplomacia K&K (Kennedy-Kruschev).

Na verdade, no ápice da Guerra Fria, Cuba era a ponta de lança dos soviéticos, que trocavam petróleo pelo açúcar, e mantinha uma economia artificial financiando um meio-socialismo que alguns críticos apontam como marketing de um sistema que já se mostrava impossível.

Em 1991 estive em Cuba em visita oficial acompanhando o então prefeito Anthony Garotinho, de quem era secretário de Comunicação. Cheguei ao aeroporto José Marti (um pouco maior que o nosso Bartholomeu Lysandro) com sonhos e ilusões numa pequena mala.

De fato, durante uma semana, vi boas escolas e avanços na área de saúde preventiva e pesquisas científicas, mas também algumas decepções: vigilância exacerbada, mendicância no coração da Havana Velha, serviços públicos (todos os serviços na época eram públicos) muito deficientes e o pior: o comandante estava inacessível em uma de suas muitas casas onde se escondia quando estava sujeito a atentados reais ou fictícios. Naquela semana de 1991, quatro opositores do regime tinham sido fuzilados no paredão.

Sim, Cuba, a romântica ilha que ainda guarda no Restaurante Floridita a mesa onde Ernest Hemingway tomava seus daiquiris, a Cuba livre de nossos sonhos e da ternura que não se perderia jamais, era, sim, uma ditadura com seus esqueletos, como qualquer outra.

Ausente do poder há quase uma década por causa de doença e com o poder repassado ao irmão Raul, Fidel já tinha virado lenda em vida e caberá a história julgar seu legado.

 

Confira o texto aqui

 

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Fabio Bottrel — Uma Palavra Escrita com Lágrimas

 

Sugestão para escutar após a leitura: DmitriShostakovich – The Jazz álbum

 

 

 

 

Bottrel 26-11-16

 

 

Quando minhas primeiras palavras derramadas das lágrimas molharam suas mãos era 26 de março desse ano, o líquido que vem da alma se empoçou e compôs o primeiro texto a ser publicado nesse recinto intitulado O Anfitrião Goytacá. Águas de março chovendo na mente previa que a poça se tornaria um rio a ser represado nas páginas desse livro Uma Palavra Escrita com Lágrimas, coletânea de contos e crônicas escritos por mim e postado por Aluysio Abreu Barbosa em seu blog Opiniões, que com toda a minha gratidão me honra esse espaço. De lá para cá, com esse texto, contam 33 escritos fluidos como a correnteza que leva a natureza, também levou nos bits as palavras transitivas no cerne intransitivo. Com a capa pronta para ser apreciada aqui em primeira mão, o livro começou a ser editado por mim mesmo, que me dedico a fazer todo o processo desde a escrita à confecção, iniciando com a diagramação após a capa, a escolha do papel para deitar em sua mão com todo o carinho, a impressão, o corte, a costura e por fim a encadernação. Com toda a dedicação, o título não poderia ser diferente, cada palavra teve a sua dor e a alegria, não raro me emocionava enquanto escrevia, tal como no conto A Filha da Natureza, sobre uma índia goitacá escrito em homenagem ao dia do índio. Emocionante em todas as releituras.

Como a proposta da escrita “bloguesca” é transformar todos os eventos que me marcaram ou a história local em literatura, o livro conta com um rico material todo ambientado em Campos dos Goytacazes, são 33 histórias diferentes que se passaram nessa terra goitacá, às vezes com personagens reais, denúncias metafóricas, e um pé na autoficção quando dilui a fronteira entre o real e o imaginário. Mal terminei essa proposta e já fervilha outra na mente que nascerá não só como livro, se debatendo dentro de mim para que seja posta em prática e ganhe vida o quanto antes.

Relembrando o texto tido como o primeiro passo dessa caminhada, apresento aqui O Anfitrião Goytacá, escrito cheio de esperança de que um dia eu te escrevesse dessa maneira, sobre o livro escrito com as lágrimas desses textos, obrigado.

 

 

O Anfitrião Goytacá

 

— Campos é uma cidade em busca da juventude perdida como uma criança que não teve infância, meu jovem, se tem projetos de vida, veio ao lugar certo. – Disse o homem de pele marcada, virando uma dose de cachaça assim que eu me ajeitei no balcão.

— Não se escuta isso de quem viveu 50 anos tomando o mesmo café, usando o mesmo açúcar, espreitando da janela a cana velha que nessa terra não nasce mais.

Por arrancarem meus olhos com foice enferrujada não enxerguei o futuro, me afundei no passado. Hoje o que me resta é o reflexo no fundo desse copo de cachaça com tabaco, em cada dose as palavras que me faltaram, os sorrisos que desconheci.

Escute bem, meu rapaz, afofei essa terra com cuspe e sangue quente, aqui plantarás sua semente e dela colherás frutos somente se enraizar na sua mente. Sou descendente dos Goytacazes, não me dizimará mãos de capatazes, honre a minha memória e faça dela a glória. Quantos oceanos há de atravessar para encontrar o seu lugar?

— Meu senhor, nasci de um aborto, meu dente é rente, é tilintar pro teu sangue quente, se Campos me deu lugar, aqui, vou ficar. Não se engane, quando a guerra acaba sou o soldado no campo de batalha, defendo a minha pátria nem que seja com navalha. Afaste de mim essa enxada, cheguei até aqui com as palavras colhidas das flores, nelas vou pra onde a minha vista não alcança e levo junto o teu nome pra longe dessa manada.

— Rapaz, tire do seu peito esse ranço, veja na minha pele que a vida não me fez manso, não deixe que ela faça o mesmo com você. O dia já está se deitando pra noite aconchegar, deveria procurar um lugar ou alguém que faça o teu sorriso se abrir.

— Senhor, vejo tuas marcas, bem sabes que a ferida maior está onde não se pode ver. A verdade é que poucos desamados sabem ser altruístas, tempos mortos para o meu coração não se transformam em virtudes, aguçam a pobreza da minha essência. Meu senhor, devolverei teus olhos, facão nenhum cortará a tua gana, nessas palavras está o meu sangue e dele você há de beber. — Terminei a dose de um só gole e bati o copo no balcão, limpei a boca com o dorso da mão.

— Não tenha pressa garoto, seria melhor se não deixássemos esse bar, já sabemos o que nos espera lá fora. Pegue uma cadeira, sente-se, agora temos todas as semanas, nesse mesmo dia, para te contar o que vivi…

Campos dos Goytacazes, 26/03/2016

 

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Transição: Thiago Bellotti na pasta de Comunicação de Rafael

Thiago Belloti
Thiago Bellotti

 

 

A advogada Mariana Lontra Costa, confirmada (aqui) para comandar a superintendência de Justiça, não foi o único novo nome do governo Rafael Diniz (PPS) anunciado hoje. Além dela, também já faz parte da equipe de transição, à frente da pasta de Comunicação, o publicitário Thiago Bellotti, coordenador da decisiva campanha eleitoral do prefeito eleito em TV, rádio e na democracia irrefreável das redes sociais.

 

Confira amanhã (27) na coluna “Ponto Final”

 

 

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Mariana Lontra Costa na superintendência de Jutiça do governo Rafael

Mariana Lontra Costa
Mariana Lontra Costa

 

 

 

O prefeito eleito Rafael Diniz (PPS) divulgou hoje mais um nome do seu estafe de governo. A jovem advogada Mariana Lontra Costa assumirá a partir de 1º de janeiro de 2017 a superintendência de Justiça, órgão que analisa e encaminha juridicamente as demandas da população, sobretudo a mais carente, num serviço de Defensoria Pública ofertado pela Prefeitura de Campos.

 

Confira amanhã (27) na coluna “Ponto Final”

 

 

 

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Rafael deixará Cultura com Cristina Lima e Entretenimento, com Hélio Nahim

Ponto final

 

 

Exemplo a não ser seguido

Unanimidade entre a classe artística do município como péssima gestão, a cultura pública do município foi deliberadamente reduzida, durante os oito anos do governo Rosinha Garotinho (PR), à política do pão e circo — como morreu denunciando o poeta e diretor teatral Antonio Roberto Góes Cavalcanti, o saudoso Kapi (1955/2015). Sob o comando de Patrícia Cordeiro, cuja maior (e talvez única) “qualificação” é ser amiga da prefeita, a cultura é a única pasta onde o governo Rafael Diniz (PPS) não deseja transição. Como os artistas da cidade, o jovem prefeito entende que a política cultural rosácea só serve como exemplo a não ser seguido.

 

Cristina Lima e Helinho Nahim

Diante do desafio, o prefeito ontem bateu o martelo para anunciar que a boa filha à casa torna. Primeira presidente da Fundação Cultural batizada com o nome do seu pai, o jornalista Oswaldo Lima (1912/73), a professora Cristina Lima voltará ao cargo que ocupou entre 1989 e 1996, nas gestões Anthony Garotinho (PR) e Sérgio Mendes (PPS). No governo Rafael Diniz, a maior novidade é que a pasta será dividida: Cristina comandará a Cultura, enquanto o empresário Hélio Montezano, mais conhecido como Helinho Nahim, ficará à frente do Entretenimento e Lazer.

 

Currículo

Professora estadual aposentada de Língua Inglesa, além de ex-presidente da Fundação Oswaldo Lima que voltará a assumir a partir de 1º de janeiro de 2017, Cristina foi também gerente municipal de Cultura, entre 2006 e 2008, além de presidente da Fundação Teatro Municipal Trianon, de março a dezembro de 2008, durante o governo Alexandre Mocaiber. Atualmente, ela é presidente da Liga Espírita de Campos, mantenedora do Hospital Psiquiátrico Dr. João Vianna, além de assessora parlamentar do deputado estadual Dr. Julianelli (Rede).

 

Missões

Por sua vez, Helinho é formado em marketing e tem vasta experiência em produção de shows e eventos no município de Campos e região, além de outros estados, como Espírito Santo e Minas Gerais.  Enquanto Cristina terá como objetivo resgatar a Cultura do município relegada ao abandono, num esforço coletivo junto à classe artística da cidade, Helinho assumirá com missão de curtíssimo prazo: tocar a programação de verão de Farol de São Tomé. Muito embora, ele afirme que pretende tornar a praia campista atrativa o ano todo.

 

(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Agenda cheia

Além de anunciar novos nomes, o prefeito eleito teve uma agenda bem movimentada nesta semana. Sem deixar de cumprir o seu atual mandato de vereador — mesmo que na Câmara as sessões estejam sendo relâmpago, por conta de manobras rosáceas para evitar o debate sobre o “escandaloso esquema” eleitoreiro do Cheque Cidadão —, Rafael e sua equipe têm feito uma série de articulações, visando uma gestão participativa a partir de janeiro de 2017.

 

Parcerias

O prefeito eleito tem buscado conhecer um pouco mais sobre cada área e as formas de buscar melhorias através de parcerias. Por mais segurança, esteve no 8º Batalhão de Polícia Militar (BPM) com o novo comandante, o tenente-coronel Fabiano Santos de Souza. Na Firjan, junto de vereadores e empresários, discutiu meios para a geração de emprego. Com José Paes Neto, futuro procurador do município, Rafael foi também à Defensoria Pública para implementação de uma câmara técnica, que vai ajudar a reduzir o número de processos na área da Saúde.

 

Do campo ao asfalto

O melhor aproveitamento da Uenf por parte do governo municipal também foi tema de reunião com a reitoria da universidade, inclusive com proposta de cooperação não só neste momento de crise. Rafael esteve ainda junto de alguns membros da equipe de transição, no Banco do Brasil, onde conversou sobre diversos assuntos, principalmente os relacionados a créditos para a Agricultura. E para finalizar a semana, ele esteve com o diretor superintendente da Autopista Fluminense, Odílio Ferreira, para discutir maneiras de tornar a BR 101 menos perigosa e mais eficiente para os usuários.

 

Com a colaboração do jornalista Rodrigo Gonçalves

 

Publicado hoje (26) na Folha da Manhã

 

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Cristina Lima na Cultura e Hélio Nahim no Entretenimento

 

Cristina Lima e Helinho Nahim (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Cristina Lima e Helinho Nahim (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Um dos símbolos do fracasso da gestão Rosinha Garotinho (PR), a cultura pública municipal reduzida a pão e circo nos últimos oito anos voltará a ser representada por um rosto mais familar. A partir de 1º de janeiro de 2017, a professora Cristina Lima reassume a Fundação Cultural batizada com o nome do seu pai: o jornalista Oswaldo Lima (1912/73). No governo de Rafael Diniz (PPS), a pasta será dividida, com Cristina comandando a Cultura, enquanto o empresário Hélio Nahim ficará à frente do Entretenimento e Lazer.

 

Confira amanhã (25) na coluna “Ponto Final”

 

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Rafael anuncia transição no Desenvolvimento e Assistência Social

Ponto final

 

 

Transição com novos nomes

Depois dos oito nomes conhecidos em primeira mão nesta coluna, o prefeito eleito Rafael Diniz anunciou, anteontem (23) e ontem (24), mais dois quadros da sua equipe de transição. Na manhã de quarta, em reunião na Firjan, ele revelou que o arquiteto Victor Aquino coordenará a pasta de Desenvolvimento Econômico. Já na manhã de quinta, em reunião com a reitoria da Uenf, foi a vez de o jovem prefeito divulgar a socióloga e advogada Sana Gimenes, na coordenação da Família e Assistência Social.

 

Victor Aquino

Formado na Universidade Santa Úrsula em Arquitetura, Victor Aquino fez especialização na de hospitais, na qual passou a lecionar na PUC Rio e, depois, no Isecensa. Ele traz no currículo os projetos do Hospital Geral de Guarus (HGG), do Prontocardio e do Hospital da Unimed, em Campos. Para a cooperativa de médicos, assinou ainda às plantas dos hospitais da Unimed em Rio das Ostras e Macaé. Neste município, foi quem projetou o Hospital Público Municipal. Na vida pública, traz a experiência de secretário de Planejamento de São João da Barra, no segundo governo Carla Machado, entre 2007 e 2011.

 

Sana Gimenes

Por sua vez, Sana Gimenes se graduou em Direito pela Faculdade de Direito de Campos (FDC) e em Sociologia, na Uenf, onde fez mestrado e doutorado em Sociologia Política. Atualmente, é professora de Direito da Universidade Candido Mendes (Ucam), da FDC e da Faculdade Redentor de Campos. Tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em Sociologia Política, e Direito, sobretudo Constitucional, trabalhando com as temáticas: estudos de gênero, direitos humanos e cidadania.

 

Geração da ruptura

Se Victor traz a experiência desejada num novo governo que deve herdar o caos após oito anos de gestão Rosinha Garotinho (PR), Sana é outra jovem da mesma geração de Rafael. Ambos nascidos nos anos 1980, como os também advogados José Paes Neto (Procuradoria), Fábio Bastos (Governo) e Felipe Quintanilha (Controle Orçamentário e Auditoria), o sociólogo Brand Arenari (Educação) e o jornalista Alexandre Bastos (Chefia de Gabinete). Antes tarde do que nunca, representam a ruptura com uma equipe de governo que variou pouco ou nada entre os governos Alexandre Mocaiber e Rosinha — piores da história recente de Campos.

 

(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Liberdade a Garotinho

Apesar da assessoria do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter afirmado, ainda nessa quarta-feira, que o habeas corpus de Anthony Garotinho (PR) não tinha prazo para entrar na pauta, a matéria foi apreciada pelo plenário na manhã de ontem. Por seis a um, os ministros seguiram o voto da relatora Luciana Lóssio pela liberdade do ex-governador, que já estava em prisão domiciliar também por ordem dela.

 

Não acabou

O próprio Garotinho e sua esposa Rosinha comemoraram a decisão e logo se espalhou pelas redes socais de muitos rosáceos a informação de que o ex-governador havia sido inocentado das acusações de chefiar com “mãos de ferro” o “escandaloso esquema” de compra de voto com uso do Cheque Cidadão. Uma coisa é conseguir a liberdade sob pena de multa de R$ 88 mil e com restrição de não poder voltar a Campos, outra é o processo que segue na 100ª Zona eleitoral de Campos e ainda será julgado.

 

Não se iludam 

Fato é que para um grupo político que vem sofrendo uma sucessão de derrotas em Campos, antes mesmo das urnas no primeiro turno, o resultado de ontem no TSE repercutiu como uma grande vitória. Mas que não se iludam os que acreditam que Garotinho tem poderes suficientes para anular uma eleição, assim como também não devem se iludir os que enxergam o ex-governador como um político incapaz de se reerguer. O tempo dirá…

 

 

Com a colaboração do jornalista Rodrigo Gonçalves

 

Publicado hoje (25) na Folha da Manhã

 

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Transição: Rafael anuncia nomes no Desenvolvimento e Assistência Social

 

Victor Aquino e Sana Gimenes (Montagem; Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Victor Aquino e Sana Gimenes (Montagem; Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ontem, na reunião da Firjan (aqui), e na de hoje, na Uenf (aqui), o prefeito eleito Rafael Diniz (PPS) anunciou mais dois nomes da sua equipe de transição: o arquiteto Victor Aquino, na coordenação do Desenvolvimento Econômico; e da advogada e socióloga Sana Gimenes, na Família e Assistência Social.

 

Confira amanhã (24) na coluna “Ponto Final”

 

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