Guilherme Carvalhal — O último amor de Antônio

 

Carvalhal 22-09-13

 

 

É provável que a maioria das pessoas teve e se lembre do seu primeiro amor. Grosso modo, é algo da adolescência, quando o processo de descoberta do próprio corpo e dos próprios sentimentos começa e daí se irradia a alguém. Talvez seja o mais puro amor possível, desprovido de mágoas passadas que impeçam sua fluidez natural. Há até casos em que o primeiro amor durou até a morte, feito louvável.

Algo a que cabe pouca atenção é o lado oposto, o último amor da vida. Por que? Possivelmente porque ao longo da maturidade a pessoa opte por uma paixão permanente e não o troque, ou então porque o tempo tende a resfriar a capacidade de alguém de auferir tal sentimento. É quase um tabu pensar que alguém de 70 anos possa se apaixonar. Esse último amor é algo insosso, então não o poetizam.

Antônio destoou dessa regra. Teve e aproveitou suas muitas paixões. Namoradas de adolescência que levava para passear na sorveteria, as moças mais soltas em seus vinte e poucos anos, o casamento desfeito após 12 anos de duração e dois filhos, o segundo casamento findo quando se aproximavam os 60 anos. A aposentadoria gerou certo comodismo e preferiu a solidão a concretizar um novo relacionamento.

Aos 72 anos, saiu da sua casa ao fim da tarde, quando costumeiramente contemplava o pôr do sol e respirava ar puro. A hora dos muitos maratonistas correndo, de jovens passeando com cachorros. E ele ali, sentado, de pernas cruzadas, sem fazer nada.

Ela pediu licença e sentou ao seu lado. Comentou sobre como na sua infância quase ninguém frequentava esse local e do choque por atualmente se deparar com tanta gente ali, envolvidas em aulas de ioga ou jogando basquete na quadra. Ele concordou. Frequentava a praça desde criança, integrava um grupo que jogava futebol ali pelo espaço sobrando. Hoje em dia seria impossível disputar espaço com o excesso de transeuntes.

Das lembranças saudosistas, comentaram a respeito de si mesmos. Ele costumava permanecer apenas uma hora ali, e nesse dia deixou o tempo correr, até anoitecer. Dando a hora de retornarem, combinaram de se verem no dia seguinte.

Desse primeiro encontro seguiram diversos outros. Ela chamava Sofia e trabalhou a vida inteira no Tribunal de Contas. Agora aposentada, dedicava-se a ensinar matemática às crianças autistas, um serviço social nascido do tratamento de seu neto. E ela contou sobre o neto, sobre o filho sobre viagens e criaram uma intimidade aprazível, que gerava o desejo de se reverem a cada dia.

Repetiram o rito por meses, em uma relação envergonhada. Assim como o rapaz de 13 anos vai ter receio em falar com a colega de sala, ele vexava perante a vontade de convida-lá para jantar em sua casa. Poderiam considerar um descaramento da sua parte, colocar uma senhora de sua idade sozinha dentro de uma casa. Postergou o pedido até que resolveu dar um tiro no escuro e cogitou se, caso ele a convidasse para jantar, se ela aceitaria.

Sofia justificou-se, tolhida pela preocupação com filhos e netos. O que pensariam ao saber que ela, viúva, andava na companhia de outro homem? E assim o convite foi guardado dentro da gaveta até a semana seguinte, quando ela disse que aceitaria jantar com ele. Ao que tudo indicava, ela refletiu e decidiu se aventurar.

Antônio relembrou a sensação de ter uma mulher dentro de casa, mesmo que em circunstâncias diferentes. Quando começou a trabalhar e alugou seu primeiro apartamento, interessava-se em embebedar mocinhas metidas a moderna e levá-las para a cama. Agora, não sabia como prosseguir. Não bebia mais devido ao coração, então não comprou vinho para acompanhar a macarronada. Acompanharam com suco e desfrutaram o momento com boa música. Ele não recordava a última vez em que se sentiu tão feliz.

Ao final, enquanto ela saía para entrar no táxi que a esperava, ele pegou em sua mão. Entreolharam-se cúmplices, ponderando silenciosamente um beija/não beija, enquanto suas testas colaram e suas mãos se apertaram. Desistiram e se soltaram. Ele a assistiu fechar a porta do carro, sorriso aberto ao rosto, ansioso pelo próximo entardecer quando a encontraria novamente.

 

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Gerp: Maioria dos campistas aprova o governo Rosinha Garotinho

Info Gerp Rosinha 22-09-16

 

 

Publicada (aqui) ontem, com exclusividade pela Folha, a pesquisa do instituto Gerp, feita entre os dias 16 e 18 de setembro, com 500 eleitores, não registrou apenas a aparente igualdade entre as candidaturas de Dr. Chicão (PR) e Rafael Diniz (PPS), que se alternaram na liderança das consultas estimulada e espontânea por apenas um ponto de vantagem. O Gerp também avaliou o governo Rosinha Garotinho (PR), que de maneira geral foi aprovado por uma maioria de 52% dos campistas, enquanto 40% desaprovaram e 8% não souberam ou quiseram responder.

Medida em sua avaliação mais clássica, o governo Rosinha foi considerado ótimo por 7% dos campistas, bom para 31%, regular para 29%, ruim para 12% e péssimo para 18%. Se a aprovação do governo é considerada fundamental à candidatura de Chicão, não é possível fazer uma análise da evolução do índice a partir da única pesquisa realizada do Gerp.

Na comparação com a série de pesquisas do instituto Pro4, que adotou metodologia diferente para medir a avaliação da gestão rosácea, esta vinha melhorando sua imagem. Se em junho deste ano, a aprovação ao governo era de apenas 33,9%, evoluiu a 36,9% em agosto e para 42,1%, no mesmo mês de setembro que o Gerp encontrou 52%, diferença significativa de 10 pontos percentuais a favor dos atuais ocupantes da Prefeitura.

A mesma diferença pró-Rosinha, na comparação entre a série Pro4 e a única pesquisa do Gerp, se repete por conseguinte da desaprovação. Pelo primeiro instituto, em junho, eram 62,4% os que desaprovavam o governo de Campos, percentual que caiu para 52,1%, em agosto, e 50,2%, em setembro — mesmo mês que o Gerp mediu a desaprovação em 40%.

 

Página 3 da edição de hoje (22) da Folha
Página 3 da edição de hoje (22) da Folha

 

Publicado hoje (22) na Folha da Manhã

 

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Pro4: Pedro Cherene abre boa vantagem para ser reeleito em São Francisco

Info Pro4 SFI 22-09-16

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Reservado aos municípios com mais de 200 mil eleitores, o instituto do segundo turno inexiste no pleito que definirá o prefeito de São Francisco de Itabapoana. Mas, se existisse, ele talvez fosse desnecessário, com o atual prefeito Pedro Cherene (PMDB) conquistando a reeleição com 56,4% dos votos válidos do município. Foi o que apontou a pesquisa do instituto Pro4 feita no dia 15 de setembro, com base em 426 entrevistas, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob número 09868/2016.

Com margem de erro de 4,7 pontos percentuais para mais ou menos e um intervalo de confiança de 95%, a pesquisa apontou a liderança isolada de Cherene tanto nas consultas estimulada, quanto na espontânea. Diante à apresentação do disco com os nomes dos três candidatos, Cherene teve a preferência de 50,%5 dos eleitores, seguido por Francimara (PSB), com 32,6%; e de Marcelo Garcia (PSDB), com 6,3%. Descontados os 4,2% de branco e nulo e os 6,3% que não souberam ou quiseram responder, Cherene bateria os 56,4 % dos votos válidos; Francimara teria 36,5% e Marcelo, 7,1%.

Com números diferentes, a mesma ordem se repetiu na espontânea: Cherene repetiu a liderança isolada, com 46,7%; acompanhado de Francimara, que teve 27,7%; e de Marcelo, com 5,4%. Nesta consulta, 17,1% não souberam ou quiseram responder, enquanto 3,1% disseram que irão optar pelo voto branco ou nulo.

A pesquisa também mediu o índice negativo da rejeição dos candidatos. Quando perguntados em qual dos candidatos o eleitor não votaria de jeito nenhum, os três adversários ficaram em empate técnico: Cherene com 23,7%; Francimara, com 20,4%; e Marcelo, com 18,1%.

 

 

Página 5 da edição de hoje (22) da Folha
Página 5 da edição de hoje (22) da Folha

 

Publicado hoje (22) na Folha da Manhã

 

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“Escandaloso esquema” será julgado por juiz da “Machadada”

Ponto final

 

 

Antes tarde

Ontem, exatamente uma semana depois que seis dos sete promotores eleitorais de Campos propuseram uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije), com pedido de tutela de urgência, em face do uso do Cheque Cidadão na troca por votos na candidatura de Dr. Chicão (PR) a prefeito e de 34 candidaturas governistas a vereador, o caso finalmente voltou a caminhar para ser julgado. Após se darem por impedidos os juízes da 76ª e 98ª Zonas Eleitorais (ZEs), respectivamente Heitor Campinho e Elizabeth Longobardi, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) designou que o juiz Eron Simas, da 99ª ZE, assuma o caso.

 

“Escandaloso esquema”

Classificado de “escandaloso esquema” pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), o caso foi substanciado em farto material apreendido pela fiscalização do TRE. Em 28 de agosto (aqui), num galpão da av. Alberto Lamego com adesivos da campanha de Dr. Chicão; em 29 de agosto (aqui), na casa do vereador Ozéias (PSDB), que chegou a ser preso em flagrante por suspeita de compra de voto; em 2 de setembro, na secretaria municipal de Desenvolvimento Social e em três Centros de Referência de Assistência Social (Cras); e em 6 de setembro (aqui), na casa do vereador Albertinho (PMB).

 

R$ 200/mês por voto

Nas palavras da assessoria do MPE, o que foi encontrado nas quatro operações evidenciou o “abuso de poder político e econômico decorrente de um grande esquema organizado pelos atuais gestores públicos de Campos dos Goytacazes, incluindo a prefeita Rosinha Garotinho, para a obtenção de votos em favor de candidatos por eles apoiados. Em troca, por meio de cabos/apoiadores eleitorais a eles ligados, são oferecidas inscrições fraudulentas no programa social Cheque Cidadão, cujo crédito mensal é de R$ 200 por beneficiário”.

 

Joio do trigo

A tutela de urgência não foi pedida pelo MPE não para todo o programa Cheque Cidadão, só à suspensão seletiva dos 18 mil cadastrados na troca por voto iniciada a partir do mês de março. Para se ter uma idéia do crescimento exponencial do benefício, a partir da sua desvirtuação pelos Garotinho à condição de cocho de curral eleitoral, antes de março eram apenas 12 mil os que recebiam o Cheque Cidadão. Para estes, inscritos anteriormente por sua demanda social, não a de votos do governo, o benefício continuaria a ser pago normalmente.

 

Histórico do juiz

Para quem não se lembra do juiz Eron Simas, foi ele quem desenterrou, em abril de 2016, o julgamento da “Machadada”, que vinha parado dede 2013. Nesse caso, a então prefeita de São João da Barra Carla Machado teria cometido abuso de poder econômico na cooptação de candidatos a vereador em benefício da candidatura vitoriosa de Neco a prefeito. Réus no mesmo julgamento, hoje Carla e Neco disputam entre eles a Prefeitura.

 

Pesquisas

E por falar em São João da Barra, os números da pesquisa Pro4 continuam a gerar polêmica entre os militantes de Carla e Neco. O prefeito usou seu perfil nas redes sociais para acusar que ocorreram fraudes nas sondagens. Até os institutos de pesquisa emitiram posicionamento, como mostra matéria na página 6 desta edição. Fato é que a Pro4 apontou, como a Folha divulgou na terça-feira, um cenário eleitoral praticamente definido no município da margem direita da foz do Paraíba, com ampla vantagem para Carla Machado.

 

Parece irreversível

Na margem esquerda do velho Paraíba, o jogo eleitoral também parece sacramentado. O Pro4 aponta o prefeito Pedrinho Cherene (PMDB) com ampla vantagem sobre os seus concorrentes, como pode ser conferido em mais detalhes na matéria da página seguinte. As pesquisas do Pro4 na região reveladas pela Folha nesta semana, aliás, só deixou em dúvida o resultado eleitoral em Quissamã. Armando Carneiro (PSB) aparece em vantagem, mas Fátima Pacheco (PTN) ainda com chance de alcançá-lo. Nos municípios da foz do Paraíba, porém, o resultado parece irreversível a 10 dias da decisão nas urnas.

 

Com a colaboração do jornalista Arnaldo Neto

 

Publicado hoje (22) na Folha da Manhã

 

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Designado novo juiz para julgar denúncia do Cheque Cidadão

TRE Cheque Cidadão

 

 

Foi designado hoje, pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o novo juiz para responder pela 76ª Zona Eleitoral (ZE) no julgamento da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) proposta por seis dos sete promotores eleitorais de Campos, contra a prefeita Rosinha e 34 candidatos governistas a vereador (conheça-os aqui), pela utilização eleitoral do Cheque Cidadão. Caberá ao juiz Eron Simas julgar aquilo que o Ministério Público Eleitoral (MPE) chamou (aqui) de “escandaloso esquema”. O magistrado está respondendo pela 99ª ZE, cobrindo licença médica da colega Maria Daniela Binato.

 

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Ponto Final — O que vai definir o resultado final entre Chicão e Rafael

Ponto final

 

 

“Pesos” da máquina

Quem há de negar em qualquer eleição, em qualquer parte, a importância do “peso da máquina”? Custa crer que em outro lugar do mundo esse “peso” possa prevalecer tanto tempo à margem da lei, com um benefício trocado por voto e suspenso, em 2004, para continuar sendo usado pelo mesmo grupo político, na prática do mesmo ilícito eleitoral, uma dúzia de anos depois. É o caso do Cheque Cidadão que o Ministério Público Eleitoral (MPE) denunciou (aqui) continuar sendo usado pelos Garotinho, num “escandaloso esquema” para eleger os 34 candidatos a vereador governistas (aqui) cujas caras estampam a capa desta edição.

 

Nem tão fácil assim

Mas se essa máquina é usada de forma tão acintosa, diante da passividade de uma Justiça Eleitoral que em uma semana ainda não julgou o que o MPE evidenciou como ilícito ao pedir decisão com tutela de urgência, como duvidar da capacidade desse poder em ser usado como bem entender para continuar a ser poder? De fato, diante deste quadro reincidente de abuso de poder político e econômico dissociado de consequências, chega a espantar que parte considerável do eleitorado teime em sinalizar que as coisas podem não ser tão fáceis assim.

 

Tudo igual

Instituto com 33 anos de tradição no mercado, o Gerp fez uma pesquisa entre os dias 16 e 18 de setembro, com base em 500 entrevistas. E, pelo menos na disputa da Prefeitura de Campos, o quadro que enxergou (aqui) foi de aparente igualdade na polarização entre duas candidaturas: a do governista Dr. Chicão (PR) e do oposicionista Rafael Diniz (PPS).

 

Ordens dos fatores

Em maiores detalhes, a Folha traz os números da pesquisa Gerp tanto na manchete da capa, quanto na matéria principal da página anterior desta edição. Em suma, com uma margem de erro de 4,47 pontos percentuais para mais ou menos, Chicão lidera por um ponto à frente de Rafael na consulta estimulada das intenções de voto (28% a 27%). E a vantagem mínima se reverte entre os dois candidatos na espontânea: Rafael à frente de Chicão por 42% a 41%.

 

Certeza?

Considerados esses números, o segundo turno entre Chicão e Rafael seria uma certeza. Tanto quanto o Gerp ou qualquer outro instituto de pesquisa possa aferir. E, pelo menos até agora, nenhuma outra consulta recente trouxe a público nenhuma projeção diferente. Como pequena é a diferença, dentro da margem de erro do Gerp, que apontou o placar final de 36% contra 32% a favor do jovem candidato da oposição, nas urnas hipotéticas do turno final de 30 de outubro.

 

Indecisão

Ocorre que, se fossem destinados a um candidato, segundo o Gerp, os votos dos 52% de indecisos na consulta estimulada elegeriam qualquer um em turno único, como ainda ambiciona fazer com Chicão seu maior cabo eleitoral, Anthony Garotinho (PR). E mesmo diante do disco com o nome dos seis candidatos, nada menos que 24% do eleitorado campista não souberam ou quiseram fazer uma opção, enquanto outros 7% disseram não escolher nenhum dos postulantes à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR).

 

O possível e o provável

Diante de tamanha indecisão do eleitor, nestes 11 dias que nos separam das urnas inaugurais de 2 de outubro, qualquer prognóstico, de quiromancista a estatístico, está sujeito a ir parar com sua vaca no mesmo brejo no qual se afogou melancolicamente aquela da Lapa, no primeiro turno da última eleição a governador. Assim, ainda é tão possível que Chicão liquide a fatura no primeiro turno, quanto Rafael neste superá-lo. Muito embora, o mais provável seja mesmo um segundo turno entre ambos, com o governista parcialmente à frente.

 

Respostas cruzadas

Para quem entende um pouco de eleição — e, em Campos, ninguém entende mais do que Garotinho — a definição de quem assumirá a partir de 2017 uma Prefeitura falida, depende da resposta a três outras perguntas. A primeira: atrelado à imagem em recuperação do governo do qual foi vice-prefeito por oito anos, qual é o teto de Dr. Chicão? A segunda: qual é o teto de Rafael Diniz? E a derradeira: essa maioria espontânea de eleitores ainda indecisos quer mudar ou continuar o que aí está?

 

Debate na InterTV

Afiliada da Globo, a InterTV Planície, que tem participação do Grupo Folha,  realiza no próximo dia 29, debate entre os candidatos a prefeito de Campos. O evento, tradicional, será após Velho Chico. Uma reunião segunda-feira com assessores dos candidatos definiu os detalhes. A mediadora será a jornalista Beth Lucchesi.

 

Com a colaboração da jornalista Suzy Monteiro

 

Publicado hoje (21) na Folha da Manhã

 

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Gerp: tudo igual entre Chicão e Rafael leva eleição ao 2º turno

(Infográfico de Eiabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico de Eiabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Se o segundo turno pela sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) parece se confirmar a cada divugação de uma nova pesquisa, a grande dúvida a 11 dias das urnas de 2 de outubro parece ser quem hoje lidera a corrida: Dr. Chicão (PR) ou Rafael Diniz (PPS)? Esta é pergunta deixada no ar pela consulta mais recente, feita pelo instituto Gerp, que entrevistou 500 eleitores campistas entre os dias 16 e 18 de setembro. Com margem de erro de 4,47 pontos percentuais, quem ficou liderou na pesquisa estimulada foi Chicão, com 28% das intenções de voto, seguido bem de perto por Rafael, que bateu 27%. Na simulação do segundo turno, o empate técnico entre os dois permanece, mas com a abertura de uma vantagem maior para o jovem oposicionista, que faria 36% contra os 32% do vice-prefeito de Rosinha.

Embora menor, a ligeira vantagem de Rafael sobre Chicão foi também registrada na consulta espontânea do Gerp, na qual o primeiro liderou com 42% contra 41%. E, embora normalmente desprezadas diante de tão poucos dias do pleito, as intenções de voto declaradas espontaneamente revelam outro dado impressionante, de consequências imprevisíveis: 52% declararam ainda não saber em quem vão votar.

 

(Infográfico de Eliebe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico de Eliebe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Mesmo diante do disco com os nomes dos seis candidatos, os eleitores que não responderam ou não souberam fazer uma opção somaram 24%, terceiro maior índice da pesquisa estimulada, atrás apenas, mas dentro da margem de erro, das intenções de voto em Chicão (28%) e Rafael (27%). Diante de tanta indecisão do campista, a pouco mais de uma semana das urnas, um outro dado da pesquisa pode favorecer o candidato da oposição, tanto no primeiro, quanto no eventual segundo turno: apenas 8% dos entrevistados afirmaram não ter nenhuma possibilidade de votar nele. Diante do nome de Chicão, a medição no índice negativo foi bem maior: 22% de rejeição.

Depois de chegar a liderar as pesquisas de intenções de voto até agosto, Caio Vianna se distanciou dos líderes na polarização entre Rafael e Chicão. Na estimulada, ele ficou em terceiro lugar, com 14%; seguido de Nildo Cardoso (DEM), com 6%; e Geraldo Pudim (PMDB) e Rogério Matoso (PPL), ambos com 5%. A ordem foi quase a mesma na espontânea, na qual Caio marcou 12%; Nildo e Pudim, 2% cada; e Rogério, 1%.

Como apenas Caio apareceu não tão descolado dos dois líderes, mesmo separado deles bem além da margem de erro, só sua rejeição foi também medida na metodologia do Gerp: diante do seu nome, 14% disseram não ter nenhuma possibilidade de votar nele. O instituto também simulou o desempenho do pedetista no segundo turno, mas só contra Rafael, que também venceria, mas por margem muito maior do que sobre Chicão: 39% contra 22%.

 

Página 3 da edição de hoje (21) da Folha
Página 3 da edição de hoje (21) da Folha

 

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Sucessão de Rosinha — Folha publica pesquisa Gerp nesta quarta

Gerp

 

 

Quer saber quem está liderando a corrida pela Prefeitura de Campos, cujo primeiro turno da eleição será daqui a 12 dias? Haverá segundo turno ou não? Quem são os favoritos?

A Folha publica nesta quarta (21), com exclusividade, os resultados mais recentes da acirrada sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR), na pesquisa do instituto Gerp, com 33 anos de tradição, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob número RJ-08015/2016.

 

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Pro4: Carla vencerá em SJB por mais de 7 entre cada 10 votos válidos

(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Reservado a municípios com mais de 200 mil eleitores, de acordo com a última pesquisa do instituto Pro4, mesmo se existisse, o segundo turno seria desnecessário em São João da Barra, onde a ex-prefeita Carla Machado (PP) seria reeleita em turno único, com 79,9% dos votos válidos. Entretanto, quando comparada com a consulta do mesmo instituto feita em julho, a pesquisa mais recente, realizada entre os dias 16 e 18 de setembro, junto a 1.090 eleitores dos seis distritos sanjoanenses, revelou uma queda de Carla e a reação do prefeito Neco (PMDB).

Na pesquisa estimulada, a ex-prefeita caiu de 71,1% para os atuais 65,7% das intenções de voto, enquanto Neco subiu de 12,4% para 17,2%. Dentro da margem de erro de três pontos percentuais para mais ou menos, os eleitores que declararam votar em branco e nulo oscilaram pouco (os 3,1% de julho subiram para 4,6%), assim como os indecisos que não souberam, ou quiseram responder: de 13,4% para 12,5%.

Mas se registrou queda de 5,4 pontos percentuais na consulta estimulada das intenções de voto, curiosamente Carla cresceu quase o dobro na pesquisa espontânea: dos 50,2% em julho, para os 60,9% de setembro. Por sua vez, Neco cresceu ainda mais, de 9,9% para 16,6%. Se aqueles que se manifestaram pelo voto branco ou nulo pouco oscilaram, dos 2,3% de julho, aos atuais 3,4%, a espontânea registrou um declínio acentuado no número de eleitores que não souberam ou quiseram responder em quem votarão: de 37,1% para 19,1%.

 

(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número 09108/2016, a pesquisa foi encomendada pelo próprio Pro4 Pesquisa e Mídia Ltda, que tem sofrido questionamentos e ataques nas redes sociais, por parte dos militantes da candidatura Neco. Ainda assim, segundo os números do instituto, o prefeito teve uma significativa diminuição em sua rejeição. Se, em julho, o número de sanjoanenses que não votaria de jeito nenhum em Neco bateu a espantosa marca de 73,2%, o índice negativo baixou em setembro para os atuais 58,9%. Ainda torna sua reeleição difícil, a apenas 12 dias do pleito, mas é uma queda considerável de 14,32 pontos percentuais.

Já a rejeição de Carla subiu pouco, dentro da margem de erro. Se, em julho, 11,50% dos sanjoanenses não votariam de jeito nenhum na ex-prefeita, em setembro o índice não foi além dos atuais 13,1%.

 

Página 5 da edição de hoje (20) da Folha
Página 5 da edição de hoje (20) da Folha

 

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Carol Poesia — Sem tempo pra poesia

(Foto de Wendel Vasconcelos)
(Foto de Wendel Vasconcelos)

 

 

“Há muitas maneiras sérias de não dizer nada,

mas só a poesia é verdadeira”. (Manoel de Barros)

 

Diferente do que comumente se pensa, a poesia não está no papel, nem na tela do computador ou do celular. A poesia está no olhar, por isso pode estar em todo lugar. Por isso, há poetas que escrevem e outros que não escrevem. Assim como também há quem olha e olha de novo e há quem não tenha tempo para olhar.

Vivemos o fenômeno do flash, da selfie, o tão citado culto à imagem — instantânea e rapidamente obsoleta, a imagem sem precedentes ou consequências. Sofremos da falência do que se pretende eterno (palavra que foi ressignificada tendendo à cafonice) e experienciamos, todos os dias (dias? que dias? minutos!), o fortuito.

Onde fica a poesia no meio desse trânsito? Pois não paramos! Transitamos. E poesia exige mergulho, exige disposição para a imersão. Não damos conta de poesia com braçadas na superfície, movimentos repetitivos, mecânicos ou automáticos. E, nesse sentido, a arte existe para desautomatizar. Por isso é ela que nos devolve a humanidade. Por isso ela, talvez, nos devolva a saúde que perdemos no cotidiano apressado cheio de pragmatismo.

Não por acaso, o site poeme-se vende poemas em pílulas. Não por acaso, autores como Ella Berthoud & Susan Elderkin “receitam” literatura contra melancolia, depressão e excesso de peso. Não por acaso, cada vez mais neurologistas e psiquiatras receitam yoga contra os mesmos males: para desautomatizar, estabilizar a respiração, os batimentos cardíacos e nos livrar de certas ansiedades e medos.

O poeta Manoel de Barros, que neste ano de 2016 faria um século de vida, declarou que usa “entulho” e “desutensílios” para a “confecção” de seus poemas. Afinal, o mundo já está cheio de coisas úteis. Sob este ponto de vista, a poesia seria — hoje — realmente inútil; e por isso desprezada por muitos.

Mas é esta “inutilidade”, ironicamente, que a faz tão necessária e que garante a ela, frente à modernidade que nos atravessa, todo o sentido e importância. Nunca fomos tão carentes de “desutensílios”. Nunca fomos tão carentes de poesia. Por um mundo mais subjetivo!

 

 

A POESIA É INVIÁVEL

 

Poesia é paulada do alívio

é balada terrível sem pegação

poesia NÃO É SURUBA

NÃO É CARETICE

NEM É FIDELIDADE

poesia é madura liberdade

cara-metade da inadequação.

 

A poesia não cala. Não simula. Ela é.

É toda prosa, embora não carinhosa.

Incomoda, incomoda, incomoda…

 

Às vezes fico na dúvida se o que pensei a vida inteira

— poesia é o sustenta, e tenta, sedenta, não-ser —

dá lugar ao seu contrário

— algo panfletário, receita, clichê —

…

 

Eu sei que poesia nem é isso tudo.

Mas tudo com poesia perde o “pra quê”.

 

E essa é a vingança dos perdidos.

 

 

(Foto de Wendel Vasconcelos)
(Foto de Wendel Vasconcelos)

 

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Pesquisas de SJB e Quissamã hoje, de Campos amanhã e Justiça para depois

Ponto final

 

 

Equilíbrio no debate de SJB

Pelo andar da carruagem no debate de ontem, (aqui) no Instituto Federal Fluminense (IFF) de São João da Barra, entre os dois candidatos a prefeito do município, o atual Neco (PMDB) a ex Carla Machado (PP), tudo indica que o primeiro acertou na decisão recente de subir o tom para responder às investidas da sua antecessora. Se não contribuiu à discussão de ideias e propostas administrativas, pareceu ao menos ter equilibrado o jogo político, que vinha sendo vencido nos três anos anteriores pela combatividade de Carla.

 

Tarde demais?

Mas se veio com a campanha, a partir da orientação de uma competente equipe de marketing vinda de fora, a reação de Neco talvez tenha acontecido tarde demais. Na pesquisa do instituto Pro4 feita em setembro e divulgada (aqui) na página seguinte, sobretudo quando comparada à consulta realizada em julho pelo mesmo instituto, é incontestável que o atual prefeito reagiu, crescendo nas intenções de voto e diminuindo uma espantosa rejeição. Mas nada que pareça ter vindo a tempo de mudar os rumos do pleito de daqui a apenas 12 dias.

 

Ibope e urnas

Segundo a consulta estimulada do Pro4 com 1.090 eleitores dos seis distritos de SJB, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou menos, se 2 de outubro fosse hoje, Carla seria eleita prefeita, com 79,2% dos votos válidos. E tentar desqualificar o instituto Pro4, no nível ao que militantes de Neco têm descido nas redes sociais, reproduzindo o que de pior o rio Paraíba leva de Campos ao município vizinho, tende a se tornar ainda mais irrelevante (e constrangedor) quando considerada não só a proximidade das urnas, como o fato de que o Ibope pode divulgar uma pesquisa (aqui) da disputa sanjoanense no próximo sábado, dia 24.

 

Quissamã

Embora não com a mesma vantagem, ouvindo menos gente (600 entrevistados) e, portanto, com uma margem de erro maior (quatro pontos percentuais para mais ou menos), o instituto Pro4 também apontou (aqui) uma vitória na eleição majoritária de Quissamã de outro ex-prefeito: Armando Carneiro (PSB). Liderando tanto a pesquisa estimulada (45,2%), quanto a espontânea (37,7%), ele enfrenta, no entanto, um adversário eleitoralmente mais consistente do que Neco tem se mostrado em SJB: a ex-vereadora Fátima Pacheco (PTN).

 

Diferente de SJB?

Com 36,3% das intenções de voto na consulta estimulada (8,9 pontos percentuais abaixo do ex-prefeito) e 30,3% na espontânea (7,4 pontos atrás), Fátima ostenta uma rejeição menor. Ela ficou com 9,5% no índice negativo, contra 12,2% de Armando, ambos abaixo dos impressionantes 48% do atual prefeito Nilton Furinga (PSDB). Apesar da proximidade da adversária, o representante da tradicional família Carneiro a bateria no pleito, segundo o Pro4, por 51,4% contra 41,4% dos votos válidos. Diferente de SJB, ainda dá para apostar contra.

 

Em branco ou nulo

Enquanto o eleitor se aproxima da sua decisão na urna, quem optou por não tomar decisão nenhuma foi o juízo da 76ª Zona Eleitoral (ZE). Após receber do Ministério Público Eleitoral (MPE), desde a última quarta (14), o pedido de antecipação de tutela numa Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) pela utilização eleitoral evidenciada (aqui) do Cheque Cidadão pelos Garotinho, desmembrada (aqui) no sábado (17) em ações individualizadas contra 34 candidatos governistas a vereador, cuja celeridade na decisão foi formalmente cobrada (aqui) pelo PMDB no domingo (18), o magistrado fez (aqui) a opção do eleitor que vota em branco ou nulo: delegou sua decisão a outro.

 

De presente

Só cinco dias depois do que poderia ter feito desde o início, o titular da 76ª ZE de Campos pediu seu afastamento do caso, solicitando ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) outro juiz só para julgar o que já foi condenado pela Justiça Eleitoral de Campos desde 2004. Naquela oportunidade, sem nenhuma omissão, o Cheque Cidadão foi suspenso após ser usado pelo mesmo grupo político, para a prática do mesmo ilícito, em outro pleito municipal goitacá. Se nos últimos 12 anos, os Garotinho adquiriram expertise na troca de dinheiro público por voto, ontem também ganharam mais tempo para continuar a fazê-lo.

 

Pesquisa no forno

Como a festa da democracia, essa antiga invenção grega de antes de Cristo, é o momento em que o simples cidadão mais se aproxima de quem também deveria ter como função decidir pelo melhor à coletividade, mediante a observância às leis e à própria consciência individual, mais uma pesquisa sobre a acirrada disputa da sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) é esperada para amanhã (21). Para se manter informado, basta ao leitor continuar acompanhando a Folha da Manhã.

 

Publicado hoje (20) na Folha da Manhã

 

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Corrida às prefeituras de São João da Barra e Quissamã nesta terça na Folha

Pro4 logo

 

Quer saber quem está liderando a disputa pelas prefeituras de São João da Barra e Quissamã? Então leia, amanhã (19), a edição impressa da Folha, com todos os dados das pesquisas Pro4 nos dois municípios.

Em São João, foram 1090 entrevistados, entre os dias 16 e 18 de setembro. Já em Quissamã, a consulta foi feita com 600 eleitores, no dia 14.

 

 

SJB e Quissamã

 

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