Bruno Dauaire propõe imposto estadual sobre recursos repatriados

Deputado Bruno Dauaire na Alerj (Foto: divulgação)
Deputado Bruno Dauaire na Alerj (Foto: divulgação)

 

 

Projeto de lei de autoria do deputado estadual Bruno Dauaire (PR) propõe a cobrança do imposto estadual sobre doação e transmissão causa mortis para os recursos declarados no programa de legalização de ativos mantidos ocultos no exterior. Com a aprovação do projeto de repatriação, os contribuintes que aderirem ao programa especial seriam obrigados a apresentar também declaração à secretaria estadual de Fazenda, informando se bens e recursos declarados têm ou não origem em doação ou sucessão.

Bruno explica que a legislação federal regulamentou o procedimento de legalização dos recursos e bens mantidos no exterior, mas não tratou da incidência de impostos estaduais passíveis de serem cobrados sobre os mesmos recursos declarados. A justificativa também cita que o ingresso de recursos ajudaria no cumprimento das obrigações constitucionais do Estado do Rio, tendo em vista o contexto de calamidade financeira atual.

— É um montante considerável de recursos. Em todo o país já foram repatriados, de janeiro até agora, R$ 130 bilhões. Nosso projeto quer criar uma situação de igualdade tributária, já que o contribuinte só não pagou os tributos porque os recursos não estavam devidamente declarados — disse o deputado.

 

Da assessoria do deputado

 

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Adriano Moura lança “Todo verso merece um dedo de prosa”, hoje, às 19h

 

convite Adriano

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Hoje, às 19h, no espaço Casa Verde Bar, na rua Baronesa da Lagoa Dourada, nº 29, o professor, dramaturgo, ator e escritor Adriano Moura lança seu segundo livro de poesia. No entanto, “Todo verso merece um dedo de prosa”, da editora Chiado, é um livro de conteúdo híbrido em sua fidelidade ao título, misturando poemas com crônicas e contos, alguns publicados pelo autor nesta mesma Folha Dois.

No começo deste ano, quando o novo livro, apesar de já ter o título atual, ainda era pensado em dedicação exclusiva à poesia, a Folha Letras de 8 de janeiro trouxe um misto de resenha crítica e testemunho em primeira pessoa. Não tratava apenas de “Todo verso merece um dedo de prosa”, mas das transformações que os versos do autor sofreram desde o lançamento do seu primeiro livro de poemas. No diálogo entre passado e presente, uma prova do que você, leitor, poderá conferir no futuro próximo da noite de hoje:

 

Folha Letras de 08/01/16
Folha Letras de 08/01/16

 

Como externei na orelha do seu primeiro livro, “Liquidifca(dor) — Poesia para vita mina”, de 2007, pela Imprimatur, conheci o Adriano Moura nos FestCampos de Poesia realizados no Palácio da Cultura, ainda nos anos 1990. Antes mesmo de ler, lembro do impacto que foi ouvir os versos de “Os donos do poder”, meu primeiro poema dele, e perceber alguém da mesma idade, vivendo na mesma cidade, fazendo a mesma coisa, mas por caminhos que eu ainda sequer sabia existirem.

Naquilo que Cazuza (1958/90) chamou de “inveja criativa” em relação a Renato Russo (1960/96), dois ícones da nossa geração, dividir tempo, espaço e lida com Adriano, fez crescer muito meu fazer poético, levado adiante a partir da leitura e do estudo que vi refletidos nos versos dele. Em Campos, talvez seja o mais destacado exemplo de poeta egresso do magistério em Letras, fenômeno contemporâneo que tem dominado a arte de versejar nas grandes capitais do Brasil.

Independente da origem, assumo não sem orgulho que, entre conterrâneos e contemporâneos, “ninguém outro poeta no mundo” me influenciou tanto — na referência de Manoel de Barros (1916/2014) a Vladímir Maiakóvski (1893/1930). E é força de gravidade ainda presente, engordada pela leitura prévia dos originais de “Todo poema merece um dedo de prosa”, novo livro de poesia que Adriano projeta lançar nos próximos meses, ainda neste ano da Graça de 2016.

Aliado ao “lirismo profundamente amargo, mutilante e sem concessões” que a professora Analice Martins tão bem define no prefácio do primeiro livro, o segundo evidencia uma clara influência sintática de Manoel de Barros, como por outro lado revela o uso mais desavexado do humor, quase sempre cáustico e debochado, herdado da prosa de um autor também dramaturgo, e talvez dos poemas-piada de Oswald de Andrade (1890/1954), que tanto marcaram o Modernismo brasileiro.

Entre seus dois livros de poemas, Adriano deu-se a conhecer no presente em prosa:

 

Adriano Moura
Adriano Moura

“Minha produção poética atual permanece bastante diversificada, assim como a que deu origem ao meu primeiro livro ‘Liquidifica(dor)’. Porém acredito que eu esteja amadurecendo e caminhando para uma poética de voz mais definida. Tenho me ocupado mais com o trabalho de elaboração de imagens poéticas e, em alguns poemas, optado por certo rigor formal.

A poesia de autores como Manoel de Barros e do moçambicano José Craveirinha (1922/2003) me tem servido de escola no plano imagem, assim como os clássicos de sempre como Arthur Rimbaud (1854/91) e Fernando Pessoa (1888/1935). A influência é importante. Por meio dos grandes mestres do passado e do presente, atingimos nossa dicção poética pessoal e única.

Os poemas de meu novo livro ‘Todo verso merece um dedo de prosa’ ainda são poemas de um autor em formação. Talvez eu nunca tenha uma voz poética definitiva, já que me vejo sempre buscando novas experimentações.

Minha inspiração, se é que isso existe, tem brotado mais de experimento do que de musas.

Mas o essencial mesmo para mim é o incômodo e o espanto com os fatos da vida, sejam os mais extraordinários ou cotidianos”.

 

Emblematicamente, no poema “Técnica”, do novo livro, o poeta verseja a confissão: “pra poesia não basta inspiração/ tem de saber olhar as coisas/ pela janela”. Através das muitas abertas pela obra desse irrequieto imagético das letras campistas, foram escolhidos dois poemas, um de cada livro, para ilustrar esta página entre os segredos do mar e as nuvens do verso:

 

 

Atafona, agosto de 2015 (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
Atafona, agosto de 2015 (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

Com quantas conchas se faz um verso

 

Apanhar palavras no vento

É como ouvir os segredos do mar

Nas conchas do caramujos,

São notas perdidas no tempo

À espera de composição.

Cato palavras no vento

Que não me lança contra rochedos em dia de fúria

Mas segredos…

Não há como os do mar!

Então eu ouço os segredos de um,

Colho palavras do outro

E conto para o mundo:

Eis a minha infidelidade.

Queria aventurar-me a maiores turbulências

Mas sou poeta de horas vagas e concursos literários,

Subtraído pelos livros de ponto

E prestações de conta.

Deito a tranquilidade das brisas

E guio o leme dos meus versos.

Vez em quando cato uma concha das grandes

E fico sentido saudade do Ulisses que não fui.

O vento sabe da minha preferência pelo mar,

Por isso em dia de fúria

Varre todos os caramujos da minha margem.

 

(Do livro “Liquidifca(dor) — Poesia para vita mina”)

 

 

Atafona, novembro de 2014 (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
Atafona, novembro de 2014 (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

Não meta linguagem

 

Hoje amanheci de poesia

mas não soube dizer,

esperei o verso cair do céu

mas ele quis continuar nuvem,

pensou que mais chuva inundaria meus rios

bueiros

buracos

beiras,

provocaria deslizamentos,

frases orações períodos inteiros

e viraria texto.

Entendo a condição de nuvem do verso:

metamorfose

pode ser planta bicho monstro gente: Deus.

Chuva: apenas gota água lama onda lágrima.

Mas enquanto durar a estiagem,

aprendo a pilotar aviões

e a navegar nuvens.

 

(Do livro “Todo verso merece um dedo de prosa”)

 

 

Capa da Folha Dois de hoje (29)
Capa da Folha Dois de hoje (29)

 

 

Publicado hoje (29) na capa da Folha Dois

 

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TRE nega embargos de Rosinha e reabre novela da sua cassação

Próximos capítulos

 

 

Quase sempre à frente na divulgação das notícias rosáceas, o blogueiro Ralfe Reis noticiou aqui que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) julgou e negou na noite de hoje, em sessão extraordinária, os embargos de declaração (não infringentes, como incialmente  divulgado) da defesa da prefeita Rosinha Garotinho (PR), que ontem havia conseguido (aqui) liminar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para recorrer no cargo.

Em resumo, recomeça a novela: assim que o resultado do novo julgamento do TRE for publicado em Diário Oficial (DO), ela será afastada do cargo, assim como o vice Dr. Chicão (PR), abrindo espaço para que o presidente da Câmara Municipal Dr. Edson Batista (PTB) assuma a Prefeitura que ontem recusou (aqui), mesmo após ter sido oficiado pela Justiça Eleitoral (aqui) para fazê-lo.

Novamente correndo contra o relógio, os advogados de Rosinha agora preparam uma medida cautelar no TSE para tentar mantê-la no cargo até o julgamento do recurso especial.

 

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Transição: Seis dias depois, Rosinha responde a Rafael e marca reunião

Em resposta datada do dia 26, seis após o ofício para abrir a transição dos governos Rosinha Garotinho (PR) e Rafael Diniz (PPS) ter sido entregue (aqui) por representantes daquele eleito no primeiro turno das urnas de 2 de outubro, a administração atual, que dará adeus ao poder em 2017, deu sua resposta também por meio de ofício. A reunião entre as duas equipes foi marcada para 3 de novembro, na sede da Prefeitura.

Em resposta a Rafael, Rosinha designou o atual procurador-geral de Campos, Matheus José da Silva, para coordenar a Comissão de Transição rosácea, que terá representantes das atuais secretarias de Controle Orçamentário e Auditoria, de Gestão de Pessoas e Contratos, de Governo, de Fazenda, de Educação, Cultura e Esportes; e de Saúde.

Após o próximo procurador de Campos (aqui), o advogado José Paes Neto, junto com o também advogado Fábio Bastos, coordenador da transição designado por Rafael, terem oficiado o governo Rosinha desde o último dia 20, confira abaixo o ofício de resposta, mais de uma semana depois, assinada pelo procurador que deixará de sê-lo nos próximos dois meses:

 

Ofício transição

 

Atualização às 23h24 para correção de datas

 

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Paula Vigneron — O outro

 

Fogueira acesa para a roda de jongo em Machadinha, comunidade quilombola de Quissamã, em 27/10/16 (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
Ao pôr do sol, fogueira acesa à roda de jongo no terreiro diante da igreja de Machadinha, comunidade quilombola de Quissamã, em 27/10/16 (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

 

Entre pingos de chuva e gotas de lágrimas, trafego por caminhos interiores, perdidos, escondidos. Isolados. Aquieto-me em um canto escuro, refúgio onde não serei encontrada facilmente. Ando, paro, volto. Olho, analiso. Reflito. Nas retinas, imagens sobrepostas. Diante da expressão aparentemente fria, apática, cética, que guarda casos e memórias, aparências se desfazem e se refazem. Idas e vindas. As dores estampadas em capas e caras, pertencentes a outros, muitos, vários. Elas falam diretamente a mim. Gritam em minha direção nomes, passados, presentes e futuros.

Ontem, éramos crianças que corriam atrás de bolas, bonecas, brincadeiras. Encontrávamos braços quentes à nossa espera em casas de gritos sufocados propositalmente. As histórias transformadas em memórias revisitadas ocasionalmente para que seja possível seguir em frente. Ao meu lado, presencio perdas e ganhos. Perdas e danos. Danos, perdas, ganhos que fazem parte de uma vida que se torna minha por empatia.

“Não pense desta forma, menina. A vida é bonita”, diz um homem ao meu lado, capaz de capturar meus sentimentos a olho nu.

“Só para Gonzaguinha, seu moço. Para mim, a vida é bonita, feia; mãe, madrasta; amor, sangue; Pai, Filho e Espírito Santo.”

Ele apreende cada palavra não saída de minha boca, que, levemente puxada, esboça reações atípicas de um dia nebuloso. Seus olhos conservam espanto.

De volta ao interior, invadido por um estranho conhecedor de mim que desaparece tal qual a neblina, libero-me das amarras e me cedo ao outro, que permanece camuflado em minhas entranhas. Estás refletido em mim, meu caro. Ele claudica. Sigo junto a ele, que não é capaz de me ver. Só sente. Sinto-o com a mesma intensidade. Em seu rosto, enigmas indecifráveis. Em meus traços, oculto está o que arde e clama. Entrelaçamos dedos, carne e ossos em movimentos repetitivos e intensos. Por trás de seus olhos, minhas feições. Reconheço-o em meus pés, mãos, braços, pernas. Pelos, cabelos. Amores. Conflitos. Confrontos. Contrastes, imagens.

Prosseguimos eu e o outro. Caminhos perdidos na solidão.

 

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Nahim: “Em breve estarei com aqueles que me conhecem e oraram por mim”

Ex-vereador Nelson Nahim
Ex-vereador Nelson Nahim

 

Distante de Campos, mas também do Rio de Janeiro, foi da capital fluminense que o blogueiro recebeu há poucos minutos uma ligação da parte do ex-presidente da Câmara Municipal goitacá Nelson Nahim. Após conseguir um habeas corpus, como antecipou aqui o jornalista Esdras Pereira, Nahim foi posto em liberdade agora há pouco, após ter sido condenado no caso conhecido como “Meninas de Guarus”, e falou ao blog:

— Agora só posso dizer que estou feliz e que é hora de ficar com a minha família. Mas em breve estarei em Campos, junto daqueles que me conhecem, oraram por mim e nunca duvidaram da minha inocência.

 

 

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Com Rosinha ou Edson, prefeito de fato e ressentimento se mantêm

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Parto agora para uma reportagem em município vizinho, da qual só volto à noite. Até lá, mais que provavelmente já se saberá quem é o prefeito de Campos.

Caso o marido e secretário da prefeita Rosinha Garotinho (PR) consiga conseguir (o pleonasmo no verbo tropeça ao pular o mais correto) uma liminar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de Brasília, onde sua alma ressentida com derrota das urnas de 2 de outubro vaga 25 dias depois para tentar suspender a cassação (aqui) da esposa e do primo Chicão, pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), e continuar a ser prefeito de fato do município pelo menos nos últimos dois meses.

Caso não consiga, volta do Planalto à Planície, onde o presidente da Câmara Municipal Edson Batista (PTB) tenta, desde ontem, manter a fama da fidelidade canina e evitar assumir o lugar de Rosinha. Se o tempo não for suficiente e a posse como prefeito for imposta pela Justiça Eleitoral a Edson (aqui), até o fim da tarde de hoje, seu líder também continuará a governar a cidade nos próximos dois meses, só que com a alma um pouco mais ressentida.

 

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“Corra que a Polícia vem aí” de comédia pastelão a filme de terror

A vereadora eleita (sem certeza de posse) Linda Mara (PR), a ex-secretária municipal de Assistência e Renda Ana Alice Nogueira, além da repórter Beth Megafone, do programa “Fala, Garotinho”, até o momento foragidas dos mandados de prisão expedidos na nova fase da operação “Chequinho”, da Polícia Federal (PF), deflagrada (aqui) no início da manhã de hoje, podem ser consideradas uma espécie de trailer do novo sucesso cinematográfico goitacá.

Porque depois que delegada federal Carla Dolinski informou hoje que a “Chequinho” ainda vai contar com vários desdobramentos — “São mais de 30 candidatos investigados, além de cabos eleitorais, intermediários. Ainda vamos contar ter muitas etapas desta operação, já que a investigação é bem ampla” —, a necesidade fez os rosáceos elegerem um novo blockbuster, “arrasa quarteirão” em inglês, termo usado para filmes com grande apelo de público.

No caso, se trata de uma comédia pastelão transformada em filme de terror por quem é assombrado pelos fanstamas do “escandaloso esquema”, na troca de Cheques Cidadão por voto, que o Ministério Público e a Justiça Eleitorais de Campos conseguiram “exorcizar” nas últimas eleições municipais. Confira abaixo o cartaz e o trailer do filme que, associado aos que têm culpa (ainda a ser expiada) no cartório, já virou coqueluxe na democracia irrefreável das redes sociais:

 

Clássico da comédia pastelão de 1988, estrelado pelo veterano Leslie Nielsen e dirigido por David Zucker, que se transformou em “filme de terror” a quem tem culpa no cartório em Campos
Clássico da comédia pastelão de 1988, estrelado pelo veterano Leslie Nielsen e dirigido por David Zucker, que se transformou em “filme de terror” para quem tem culpa no cartório goitacá

 

 

 

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Governo Rafael: Zé Paes será procurador, Brand faz transição na Educação

Ponto final

 

 

Time de Rafael (I)

O primeiro nome do secretariado do governo Rafael Diniz (PPS) está definido: o jovem advogado José Paes Neto será o procurador geral do município, a partir de 1º de janeiro de 2017. Após conquistar notoriedade por exitosas ações contra contratações do governo Rosinha Garotinho (PR) pelo Regime Especial de Direito Administrativo (Reda), em detrimento de aprovados em concurso público, Zé Paes também presidiu o Observatório Social de Campos. Antes da eleição, seu nome chegou a ser cogitado para uma candidatura a vereador, mas ele preferiu se dedicar à campanha vitoriosa de Rafael a prefeito.

 

Time de Rafael (II)

Na equipe de transição do prefeito eleito, que funcionará como tubo de ensaio à montagem da sua equipe de governo nestes pouco mais de dois meses até a posse, outro nome é o do professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) Brand Arenari. Dono de currículo acadêmico inatacável, apesar da pouca idade, é doutor em sociologia pela Universidade de Humboldt, de Berlim, com graduação e mestrado na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). Ele coordenará a área de Educação na equipe de transição de Rafael. Zé Paes é colaborador da Folha às quintas, enquanto Brand o sucede nesta página às sextas.

 

Time de todos os tempos

Ontem morreu, aos 72 anos, vítima de infarto, o ex-craque de bola Carlos Alberto Torres. Considerado pela Fifa como um dos maiores laterais direitos da história do futebol, nela ficou marcado pelo chute potente, em passe de Pelé, com o qual estufou as redes e selou a goleada de 4 a 1 do Brasil sobre a Itália, na final da Copa do México de 1970. Capitão daquele time, considerado o melhor que já entrou num gramado, sua imagem erguendo e beijando a taça Jules Rimet, no Tri da Seleção Brasileira, sobreviverá enquanto alguém amar o futebol, independente de tempo ou cores da camisa.

 

A salvadora (I)

A policial Elisângela Vieira, de 39 anos, que é terceiro sargento do 29° Batalhão de Polícia Militar (BPM), em Itaperuna, no Noroeste Fluminense, viveu uma experiência marcante, no último fim de semana. Durante atendimento de rotina pelo serviço 190, ela salvou a vida de uma criança de apenas três meses, que havia se engasgado com o leite materno e já estava praticamente sem os sinais vitais.

 

A salvadora (II)

Pelo telefone, a sargento prosseguiu o atendimento e controlou a situação. Com tranquilidade, ela ensinou as técnicas para desobstruir as vias aéreas da menina e salvar a vida dela. A PM ficou ainda mais emocionada ao saber que a menina que ela salvou tem o mesmo nome de sua filha de 3 anos. Segundo ela, quando finalmente ouviu o choro da menina, lembrou do choro da sua filha. Por coincidência ou destino, ela também se chama Sophia.

 

O Papa não vem

A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tinham a expectativa da visita do Papa Francisco ao país no próximo ano. No entanto, o Vaticano já informou que Francisco não poderá voltar ao Brasil nas comemorações dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida. A notícia foi dada ao vice-presidente da CNBB, dom Murilo Krieger, pelo próprio papa. Os próximos países sul-americanos a serem visitados por Francisco são Argentina (sua terra natal), Uruguai e Chile.

 

Em busca da sorte

Acumulada, a Mega-Sena terá um prêmio na casa de R$ 60 milhões no sorteio de hoje. O sorteio acontece às 20h, no Caminhão da Sorte, da Caixa Econômica Federal, em Teresina (PI). As apostas podem ser feitas até o fechamento das lojas lotéricas, que, em Campos, acontece às 18h.

 

Com a colaboração do jornalista Antunis Clayton

 

Publicado hoje (26) na Folha da Manhã

 

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O império contra-ataca — Rosinha denuncia Cassiano na Corregedoria da PF

O império contra-ataca
Cartaz de “O Império contra-ataca” (1980), escrito por George Lucas e dirigido por Irvin Kershner, segundo filme da saga original “Guerra nas Estrelas” (clique na imagem para assistir ao trailer)

Aqui, o Blog do Bastos registrou que uma matéria do jornal O Diário anunciara a entrada em cena do conceituado advogado criminalista Fernando Augusto Fernandes, na desfesa dos interesses rosáceos, naquilo que o Ministério Público Eleitoral (MPE) de Campos denunciou como “escandaloso esquema”. Para dimensionar o valor do reforço, o blogueiro lembrou:

— Para se ter uma ideia do peso, ele (Fernando Augusto Fernandes) firmou contrato de R$ 5 milhões para defender o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, preso durante a Lava Jato. Ele também cuida da defesa do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto (PT), outro investigado na Lava Jato.

Se ainda não conseguiu tirar da cadeia os vereadores Ozéias (PSDB) e Miguelito (PSL), presos desde o dia 23 pela Polícia Federal (PF) na operação “Chequinho”, por coação de testemunha, o famoso criminalista cumpriu hoje a promessa de representar contra o delegado Paulo Cassiano na Corregedoria da PF. Nela, seguiu linha parecida à adotada na defesa dos seus clientes na operação Lava Jato, tentando desqualificar depoimentos das testemunhas e a atuação da PF.

Por e-mail, Fernando Augusto Fernandes já havia afirmado que Paulo Cassiano teria dito que não soltaria testemunhas “se não assinassem declarações contendo informações inverídicas”. E prometeu: “Estamos produzindo uma ata notarial comprovando a existência dessas declarações e que será encaminhada para a Corregedoria da Polícia Federal”.

Pois hoje, novamente por e-mail, o criminalista cumpriu a promessa. Confira na transcrição abaixo:

 

Criminalista Fernando Augusto Fernandes (reprodução)
Criminalista Fernando Augusto Fernandes (reprodução)

 

“Defesa de Rosinha Garotinho denuncia a Corregedoria da Polícia Federal por abusos

 

“O advogado Fernando Augusto Fernandes, com escritórios no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, que defende a prefeita Rosinha Garotinho (PR) no caso Cheque Cidadão, denunciou hoje (25/10) o delegado Paulo Cassiano, da Corregedoria da Polícia Federal ao Procurador Geral da Justiça Eleitoral por ‘terríveis coações que testemunhas e presos estão sofrendo’. A testemunha Veronica Ramos Daniel, que foi presa, relatou ter sido ameaçada se não dissesse o que o delegado queria ouvir. Só após, a testemunha foi liberada. O advogado Fernando Augusto Fernandes ainda direcionou ao Juiz da 100ª Vara Federal a denúncia de que o delegado está coagindo as testemunhas e usando prisões temporárias, requerendo providências. ‘O juiz da 100ª Vara Eleitoral não pode servir a este papel de decretar prisões para o delegado coagir as pessoas. É preciso responsabilidade e se espera que providências sejam tomadas. Chegam-se constantes informações que as investigações são direcionadas e o juízo não pode permitir isto’, conclui o advogado”.

 

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Tetra de Rosinha em cassações da Prefeitura — A análise séria e a gaiata

 

AS QUATRO CASSAÇÕES DE ROSINHA GAROTINHO DA PREFEITURA DE CAMPOS

 

27/05/10 – Rosinha Garotinho e o vice Dr. Chicão tiveram o mandato cassado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE)  por uso indevido de meios de comunicação. O marido da prefeita e outros políticos também foram condenados à inelegibilidade. Em princípio, a prefeita e o vice não saíram do cargo, mas durante o julgamento dos recursos em 28 de junho daquele ano, foi determinado o afastamento. Em 16 de dezembro, eles voltaram aos cargos, após decisão do ministro Marcelo Ribeiro, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que deferiu liminar. A decisão também suspendeu a realização de novas eleições marcadas para o dia 6 de fevereiro de 2011, até o julgamento, pelo TSE, de um recurso de agravo por instrumento.

 

Capa da Folha de 28/05/10
Capa da Folha de 28/05/10

 

 

28/09/11  – Nova cassação de Rosinha Garotinho: a condenação por abuso de poder econômico também a declarou inelegível por três anos, a contar da eleição de 2008. Também condenados o marido da prefeita e outros políticos. Na ocasião, Rosinha ficou acampada na Prefeitura até obter liminar de 30 dias, através de decisão liminar monocrática concedida pelo desembargador federal Sergio Schwaitzer, do TRE.

 

Capa da Folha de 29/09/11
Capa da Folha de 29/09/11

 

 

15/07/15 – O juiz da 99ª Zona Eleitoral (ZE) de Campos, Luiz Alfredo Carvalho Júnior, além de cassar o mandato da prefeita Rosinha Garotinho e o vice, Dr. Chicão, tornou ambos inelegíveis por oito anos, a contar de 2012. Segundo o juiz, os réus abusaram do poder político e econômico, ao realizarem, às vésperas das eleições, contratação de milhares de servidores temporários, através do Regime Especial de Direito Administrativo (Reda). Eles puderam recorrer no cargo.

 

Capa da Folha de 16/07/15
Capa da Folha de 16/07/15

 

 

24/10/16 (ontem) – Por 4 votos a 3, o TRE deu provimento ao recurso do Ministério Público Eleitoral (MPE) e cassou os mandatos da prefeita Rosinha Garotinho, e seu vice, Dr. Chicão, por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação na eleição municipal de 2012. A contar dela, Rosinha e Chicão também ficam inelegíveis por oito anos, até 2020. Cabe recurso ao TSE, mas os dois serão afastados do cargo tão logo a condenação do TRE seja publicada em Diário Oficial (DO), o que está previsto para acontecer na próxima segunda-feira, 31 de outubro. De acordo com o relator do processo, desembargador eleitoral Marco Couto, a publicidade institucional no portal oficial da Prefeitura de Campos na internet, em 2012, foi “gravemente desvirtuada” para promover Rosinha e Chicão, com o “nítido propósito de favorecer sua reeleição “.

 

Capa da Folha de hoje (25/10/16)
Capa da Folha de hoje (25/10/16)

 

 

A ANÁLISE SÉRIA E A GAIATA

Na análise séria, pode até parecer um acinte ao eleitor de Campos o afastamento da prefeita Rosinha e o vice Dr. Chicão pelo TRE, a apenas dois meses da conclusão dos seus mandatos, antes de serem sucedidos pelo oposicionista Rafael Diniz (PPS), que bateu os últimos oito anos de governo municipal nas setes Zonas Eleitorais de Campos, ainda no primeiro turno das urnas de 2 de outubro.

Todavia, é também pela seriedade na leitura dos resumos das quatro cassações, que se percebe o abuso de poder político e econômico, além do uso indevido dos meios de comunicação, parece ser uma constante tanto na eleição (2008), quanto na reeleição (2012) de Rosinha e Chicão.

Mas isso tudo é pela análise séria. Na mais descontraída, se o artilheiro que marca três vezes num mesmo jogo da rodada do final de semana, pode escolher a música que servirá de fundo à exibição dos seus gols no “Fantástico”, pelo apresentador Tadeu Schmidt, o que se pode dizer de alguém cassado quatro vezes do cargo de prefeita de Campos, fique ou não no cargo em seu apagar das luzes?

É a pergunta que o gaiato talvez respondesse com lembrança histórica da transmissão pela Globo da final da Copa dos EUA de 1994, com narração de Galvão Bueno e comentários de Pelé, na qual o Brasil voltou a ser campeão do mundo em futebol após um hiato de 24 anos.

Na dúvida e sem perder o bom humor, enquanto Rosinha recorre ao TSE correndo contra o relógio do DO do TRE, reveja o vídeo abaixo:

 

 

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Ocinei Trindade — Quando não há nada para dizer, somos obrigados

Ocinei 25-10-16

 

 

 

Passa da meia-noite. Os prazos da vida se impõem. Não quero escrever, nem pensar, mas neste ofício fica difícil. Todo dia a vida nos exige algo, e muitas vezes não queremos atender. Hoje, me sinto assim. Entretanto, há o compromisso de entregar o texto para esta coluna quinzenal. É uma falta de inspiração misturada ao cansaço. E quem não se sente cansado nestes dias conturbados? Queria escrever um texto maravilhoso, inesquecível, longo do jeito que mais me agrada. Só que hoje acho que vai ser diferente. Tentarei obedecer ao limite, não falar mal de Garotinho, Lula e afins.

Nas últimas duas semanas tanta coisa aconteceu. Situações que me renderiam páginas e páginas, mas o que fazer quando não há ânimo para contar? Estou escrevendo uma dissertação de mestrado sobre transliteratura na rede social Facebook, uma pesquisa que me exige ler muitos livros, absorver ideias de tantos autores, escritores, músicos, compositores, cineastas, atores. Não sei se esta coluna caberia discorrer sobre este tema, e se o leitor vai achar interessante. Poderia falar sobre o Bob Dylan e seu Nobel literário que tem a ver com minha investigação acadêmica, mas o mundo todo já falou.

Estou desenvolvendo ou aprimorando meu conceito de ciberraiz no campo da leitura e da escrita no ambiente virtual em rede, mas não sei se é uma boa hora para academicismo. Poderia falar sobre a crise que atinge a Universidade Estadual do Norte Fluminense onde estudo no programa de cognição e linguagem, mas não sei se o leitor vai se agradar. Falar da crise econômica do estado do Rio de Janeiro e da disputa de Freixo e Crivella para a prefeitura carioca poderia até ser interessante, além da prisão de Eduardo Cunha ao especular se ele vai delatar ou não o PMDB, o Michel Temer e seus pares, mas não sei se vale a pena também dizer sobre isso. O policial federal hipster e bonitão na prisão de Cunha também deixou de ser novidade, mas quem sabe, falo um dia dele.

Cogitei de falar de cirurgia plástica ou dessas intervenções que pessoas andam fazendo como se fosse algo natural e necessário, mas desisti. Assisti no Youtube vários vídeos da cantora Rosemary, dona de uma voz e talento incríveis, mas que aos 68 anos de idade (segundo o dedo-duro do Wikipedia) resolveu paralisar o rosto com essas aplicações que me apavoram. Também demovi da ideia, melhor não tocar nesse assunto. Navegando pela Internet, a Rosemary me levou ao programa do Ronnie Von na TV Gazeta, que me levou a uma entrevista com a diva Bibi Ferreira que passou dos 90 anos e está cantando Frank Sinatra em um concerto. Poderia contar sobre o show de Bibi que assisti em Campos, no Trianon, mas achei que seria melhor deixar para outra ocasião (foi lindo aquele espetáculo, mas eu pessoalmente estava em uma infelicidade de irritar crentes e ateus).

Talvez, a solidão me inspirasse escrever. É um tema que sempre me desperta, assim como a morte, o sexo, o cinema, as paixões. Todavia, queria um texto curto, enxuto, e estas questões me fariam querer dedicar muitas linhas e isto levaria tempo. Ah, o tempo também é uma inspiração, desde o Eclesiastes a Shakespeare com suas reflexões, porém hoje não sei se dá tempo meditar sobre as coisas que o tempo apressado e voraz anda fazendo conosco. Dizem que ele é sábio.

Outro assunto que eu deveria mencionar é sobre a reforma pretendida pelo governo federal para a educação no ensino médio, do que venho revendo nas escolas estaduais que eu tenho frequentado para estagiar em um curso de licenciatura em letras, porém hoje não será possível. Estive em um interessante congresso latino-americano de humanidades na Uenf, onde conheci o casal de peruanos Elena Martinez Puma e Elmer Rivera, doutores e pesquisadores adoráveis com quem penso trabalhar, mas não é hora disto. A Uenf também sediou nova mostra de ciência e tecnologia, onde conheci uma jongueira de Campos, Dona Noinha, que discorreu sobre cultura africana, umbanda e racismo em um momento maravilhoso, mas deixarei para outro momento.

Nestes últimos dias, perdi duas pessoas que encontrei em diferentes momentos da vida. Valdeli Simões, um amigo querido de Macaé, poderia dispensar muitas páginas sobre ele e sua família, mas hoje não será possível. Assim como não poderei falar muito sobre a morte do Senhor Hernon, pai do meu querido amigo Hernon, que morreu no Dia do Poeta, último 20 de outubro. A reunião da família e dos amigos no funeral me renderia uma crônica ou poesia póstuma, uma homenagem reflexiva, mas a vida tem disto, inspira e expira até mesmo quando se pretende escrever. Não consigo fazer muito hoje. E amanhã? Caminhemos.

Talvez, eu devesse seguir o conselho da jornalista Jane Nunes para que eu enxugue mais os meus textos, pois a maioria das pessoas não se anima ler tanto. Teimoso, ainda não consegui. Até abri uma conta no Twitter e depois abandonei, pois para mim, a vida não cabe bem em 140 caracteres, mas às vezes a vida nos deixa sem palavras, sem uma sequer. Contudo, hoje, farei um esforço ao finalizar este texto com a condição twitterista:

Inspiração é algo muito particular. É uma partícula divina,quem sabe. Quisera ser Deus e escrever algo tocante e revolucionasse vidas. Amor?

 

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