Bispos de Campos falam do Santíssimo, Wladimir e Brasil

 

Com Cláudio Nogueira e Matheus Berriel

 

Ontem (6), no dia do Santíssimo Salvador, padroeiro de Campos, o programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, entrevistou os dois bispos católicos da cidade: o diocesano Dom Roberto Ferrería Paz e o e o da Administração Apostólica São João Maria Vianney, Dom Fernando Rifan. Além das origens do dia santo na história do Cristo e da própria fundação de Campos, os dois também falaram sobre o lenitivo da fé em tempos de pandemia da Covid-19 e as restrições do Papa Francisco à realização das missas em latim. Eles avaliaram os sete primeiros meses do governo municipal Wladimir Garotinho (PSD). E analisaram os momentos de tensão entre os Poderes da República no Brasil de Jair Messias Bolsonaro (sem partido).

 

Bispos de Campos, Dom Roberto Ferrería Paz e Dom Fernando Rifan

 

Origem do Santíssimo Salvador

Dom Roberto – Em 1647, já havia uma pacificação com os índios que permitia uma ocupação. E lá, no quilômetro zero da cidade, foi celebrada a primeira missa, a 6 de agosto de 1652, pelo monge Fernando de Montserrat. Foi a primeira missa e a introdução da devoção ao Santíssimo Salvador, em razão do nome. O governador era Salvador Correia. Então, o culto a São Salvador.

Dom Fernando – Interessante. Tem o detalhe de que o pessoal fala São Salvador, Santíssimo Salvador… É a mesma coisa. Normalmente, se fala Santíssimo Salvador para não se pensar que é um santo como São Jorge e outros. É Santíssimo Salvador, é Jesus Cristo. Mas pode chamar de São Salvador também. Por exemplo: a grande igreja de Santa Sofia, lá em Constantinopla, quem é a Santa Sofia? Não é uma santa, não, é Jesus. Sofia quer dizer sabedoria. Santa Sofia é a divina sabedoria, é o próprio Jesus. Então, assim também aqui em Campos, São Salvador é Jesus Cristo como nosso salvador. Mas, então, esse beneditino trouxe a primeira tradição beneditina. E depois temos o grande Mosteiro de São Bento, em Mussurepe, e a tradição a Santo Amaro, que foi um abade beneditino. Por isso que, em Campos, metade da população se chama Salvador, e a outra metade se chama Amaro (risos). É uma grande difusão dos nomes Amaro e Salvador, por causa dessas duas devoções, que são beneditinas. Depois vieram para cá os jesuítas, que fizeram o Solar do Colégio; e outros padres também, como os redentoristas, que ocuparam ali a Igreja de São Francisco. Campos tem essa multidão também. Vieram os salesianos depois, esses missionários todos que ajudaram aqui na consolidação da fé campista.

 

 

Por que o 6 de agosto?

Dom Roberto – A transfiguração é celebrada em dois momentos na Igreja: em 6 de agosto e no segundo domingo da Quaresma. O 6 de agosto mostra toda a glória, todo o esplendor do ressuscitar. Já na Quaresma, há um encorajamento para os apóstolos viverem o ministério. A festa do 6 de agosto mostra todo o esplendor e a glória do Salvador. Foi Calisto III, no século XV, a raiz de uma vitória militar em defesa da Europa cristã. Parece que Jesus se manifestou neste momento. Já se celebrava em Oriente e regionalmente, mas ampliou-se a festa para toda a cristandade. Quer dizer que, quando Fernando de Montserrat celebrou, em 6 de agosto de 1652, aqui, no quilômetro zero, numa pequenina capela de taipa, ele estava celebrando essa festa, a festa da transfiguração.

Dom Fernando – Jesus estava indo para Jerusalém, e lá ele avisou: “Eu vou ser preso, entregue aos pagãos, vou ser flagelado, crucificado, morto. E no terceiro dia vou ressuscitar”. Então, diante desse panorama da próxima Paixão de Jesus, Jesus quis dar aos apóstolos um alento, que foi a sua transfiguração. Subiu ao Monte, que se supõe ser o Monte Tabor, e lá no alto se mostrou como Deus. Ele sempre aparecia como homem, e ali apareceu mostrou como Deus, brilhante como o sol. Pedro, Tiago e João ficaram extasiados diante daquela transfiguração de Jesus, como ele vai ser depois, ressuscitado e glorioso. A transfiguração une a Paixão e a ressurreição de Jesus. Portanto, é para mostrar aos apóstolos, para eles terem coragem. A festa da transfiguração é para dar a nós, cristãos, a força e a coragem. Mesmo que a gente tenha cruz, sofrimento, vamos passar por isso, mas que tenhamos coragem de um dia ressuscitarmos com o nosso Senhor. É a vitória de Jesus.

 

Dia do Salvador na pandemia

Dom Roberto – Como disse Dom Fernando, a luz do Salvador é o que nos impulsiona para iluminar esse mistério, que é de cruz, é de perdas. Mas pensar que a Páscoa ilumina. No fulgor da Páscoa de Jesus, vamos ressuscitar, vamos renascer, vamos superar. O mistério pascal é a passagem da cruz para a vitória plena. Então, em toda a nossa vida estamos sempre ressuscitando. Depois desta pandemia, nós ressurgiremos, espero, para um pós-normal mais fraterno, mais compassivo. O Papa já tem muitas visões de sonho de uma humanidade mais unida, reconciliada e mais unida. Pedimos ao Salvador que nos impulsione para isso, é o sonho de Deus aqui na Terra para nós.

Dom Fernando – É exatamente isso que a gente quer: essa união. A Igreja tem que dar o exemplo. E rezar. Se Deus quiser. Ninguém pode perder a esperança. Continuemos na oração. Aliás, esse tempo de pandemia suscitou muito a solidariedade nas pessoas: os médicos, enfermeiros, as pessoas que trabalham, todo mundo está solidário, querendo levantar o ânimo. Infelizmente, muitos telejornais acabam sendo só um obituário, mostrando que está morrendo gente, e as pessoas vão ficando desanimadas. Não vamos ficar, 80%, 90% das pessoas ficam boas. É claro, morre muita gente, e a gente lamenta profundamente. Mas a solidariedade surgiu muito nesse tempo da pandemia.

 

 

Restrição do Papa Francisco às missas em latim

Dom Roberto – Eu gostaria de observar que a questão não é só o latim, porque também tem o rito de Paulo VI em latim, e os sacerdotes rezam sem problema. Não é o uso do latim, é o que a Summi Pontificatus (encíclica do Papa Pio XII, de 1939) fala da missa em rito extraordinário. A Summi Pontificatus já tinha algumas observações para rezar essa missa, que era justamente do Bento XVI. Agora, como a celebração extraordinária foi usada de forma ideológica para atacar o Concílio Vaticano II, o Papa Francisco teve por bem, avaliando, que tinha que restringir essa missa, porque se tornava uma questão de divisão contra a unidade. Estava se retrocedendo, dizendo que o Concílio não valia. Isso não pode acontecer. Agora, aqui em Campos eu não vejo uma situação desse tipo. Eu e a Administração (Apostólica São João Maria Vianney), temos uma cordialidade, uma união perfeita. Esse rito extraordinário ficará para com eles, porque eu não tenho por que delegar a alguém quando existe aqui a Administração, delegada pelo próprio Papa para esse rito extraordinário. O problema são esses grupos que estão se afastando progressivamente da comunhão eclesial.

Dom Fernando – Numa conversa pessoal que eu tive com o Papa Francisco, eu estava em Roma. E eu falei: “Santidade, eu estou aqui para o encontro Summorum Pontificum”. E o Papa falou assim: “Eu só sou contra à instrumentalização da missa antiga para usar contra o Papa e contra o Vaticano”. E eu falei: “E eu também, estou aqui para isso, para mostrar exatamente como é o correto uso do latim, da missa tradicional, em adesão ao Papa e em aceitação ao Concílio Vaticano II”. E o papa falou: “Assim está ótimo. Se for assim, é uma das riquezas da Igreja”. Então, na verdade, o papa não aboliu a missa em latim, ele regulamentou. O latim é a língua conservada na igreja porque foi a língua dos primeiros cristãos. Lembra dos primeiros cristãos que nasceram ali em Roma. E é a língua oficial da Igreja até hoje, por isso os documentos oficiais da Igreja estão em latim.

Dom Roberto – Agora, eu gostaria de dizer desses grupos tradicionalistas que, pela primeira vez, não aceitam o papa quando o Concílio Vaticano II colocou um missal. O missal não tirava os outros ritos, nunca tirou outros ritos. Mas foi contestada essa missa. Por isso, não podemos ter esquecimento do que aconteceu também. Antes, acontecia: o Papa determinava um novo missal e ninguém contestava isso. Pela primeira vez, os tradicionalistas contestaram. Agora, pela primeira houve uma contestação, que foi a contestação do missal do Concílio. O missal do Concílio Vaticano II não tinha tirado outros ritos, mas pela primeira vez se contestou isso. Foi necessária a paz litúrgica, que houve aqui e tornou Campos um itinerário para viver essa paz.

Dom Fernando – É bom saber: esses grupos também me atacam muito, porque eu estou em união com o Papa e com o bispo. Me atacam como se eu fosse um traidor, um liberal. Isso é um absurdo. Só por que aceito o Papa e aceito o Concílio Vaticano II? E, de fato, foram esses grupos que provocaram essa intervenção do Papa, porque estava virando uma bagunça. Isso não pode. Quem aceita a missa na forma antiga, a missa tradicional, o rito romano antigo, ele não pode contestar a Igreja.

 

Governo Wladimir

Dom Roberto – Eu já dei uma nota recentemente (8,5, no Folha no Ar de 6 de julho). A minha avaliação foi bastante positiva, porque vejo que o Wladimir teve o empenho de restabelecer o Restaurante Popular, que, em termos de pandemia e de tanto desemprego, é um recurso importantíssimo na alimentação. Segundo: parece que ele tratou bem da questão da saúde. O problema viário, do transporte, também. Talvez, a única reserva, mas que ele voltou atrás, era a questão do teatro Kapi, que seria administrado por uma administração evangélica. Mas, a primeira impressão que temos, nos primeiros meses de gestão, é de uma gestão que escuta, que vai ao encontro e que trata de acertar e cumprir promessas feitas.

Dom Fernando – Primeiro, uma coisa negativa: lembro que ele falou aqui, neste programa, que tinha ganho R$ 5 milhões para tapar todos os buracos das ruas da cidade. Isso aí não está tudo tapado não, porque eu tenho andado pela cidade, e tem muito buraco ainda (risos). Wladimir, lembra aí, você está devendo isso. Tem que recapear, porque tem muito buraco na cidade. Mas uma coisa que eu acho boa é que eu converso às vezes com funcionários da Prefeitura, e eles dizem que ele tem pago os empregados. Agora, a gente não pode dar nota 10, porque tem muita coisa para fazer ainda. E também seria até injusto eu dizer que vou dar uma nota 7, 8, porque falta muita coisa e acho que ele pretende fazer. Nós vamos pedir, hoje, ao Santíssimo Salvador para que ele continue fazendo o bem, com essa meta de melhorar.

 

Restrição do Papa Francisco às missas em latim

Dom Roberto – Eu gostaria de observar que a questão não é só o latim, porque também tem o rito de Paulo VI em latim, e os sacerdotes rezam sem problema. Não é o uso do latim, é o que a Summi Pontificatus (encíclica do Papa Pio XII, de 1939) fala da missa em rito extraordinário. A Summi Pontificatus já tinha algumas observações para rezar essa missa, que era justamente do Bento XVI. Agora, como a celebração extraordinária foi usada de forma ideológica para atacar o Concílio Vaticano II, o Papa Francisco teve por bem, avaliando, que tinha que restringir essa missa, porque se tornava uma questão de divisão contra a unidade. Estava se retrocedendo, dizendo que o Concílio não valia. Isso não pode acontecer. Agora, aqui em Campos eu não vejo uma situação desse tipo. Eu e a Administração (Apostólica São João Maria Vianney), temos uma cordialidade, uma união perfeita. Esse rito extraordinário ficará para com eles, porque eu não tenho por que delegar a alguém quando existe aqui a Administração, delegada pelo próprio Papa para esse rito extraordinário. O problema são esses grupos que estão se afastando progressivamente da comunhão eclesial.

Dom Fernando – Numa conversa pessoal que eu tive com o Papa Francisco, eu estava em Roma. E eu falei: “Santidade, eu estou aqui para o encontro Summorum Pontificum”. E o Papa falou assim: “Eu só sou contra à instrumentalização da missa antiga para usar contra o Papa e contra o Vaticano”. E eu falei: “E eu também, estou aqui para isso, para mostrar exatamente como é o correto uso do latim, da missa tradicional, em adesão ao Papa e em aceitação ao Concílio Vaticano II”. E o papa falou: “Assim está ótimo. Se for assim, é uma das riquezas da Igreja”. Então, na verdade, o papa não aboliu a missa em latim, ele regulamentou. O latim é a língua conservada na igreja porque foi a língua dos primeiros cristãos. Lembra dos primeiros cristãos que nasceram ali em Roma. E é a língua oficial da Igreja até hoje, por isso os documentos oficiais da Igreja estão em latim.

Dom Roberto – Agora, eu gostaria de dizer desses grupos tradicionalistas que, pela primeira vez, não aceitam o papa quando o Concílio Vaticano II colocou um missal. O missal não tirava os outros ritos, nunca tirou outros ritos. Mas foi contestada essa missa. Por isso, não podemos ter esquecimento do que aconteceu também. Antes, acontecia: o Papa determinava um novo missal e ninguém contestava isso. Pela primeira vez, os tradicionalistas contestaram. Agora, pela primeira houve uma contestação, que foi a contestação do missal do Concílio. O missal do Concílio Vaticano II não tinha tirado outros ritos, mas pela primeira vez se contestou isso. Foi necessária a paz litúrgica, que houve aqui e tornou Campos um itinerário para viver essa paz.

Dom Fernando – É bom saber: esses grupos também me atacam muito, porque eu estou em união com o Papa e com o bispo. Me atacam como se eu fosse um traidor, um liberal. Isso é um absurdo. Só por que aceito o Papa e aceito o Concílio Vaticano II? E, de fato, foram esses grupos que provocaram essa intervenção do Papa, porque estava virando uma bagunça. Isso não pode. Quem aceita a missa na forma antiga, a missa tradicional, o rito romano antigo, ele não pode contestar a Igreja.

 

Conflito aberto entre Poderes no Brasil

Dom Roberto – A CNBB, em assembleia geral, colocou um documento claro, em que se preocupa também com a desconstrução da Constituição de 1988. Que ela trabalha justamente a autonomia dos municípios, todo esse problema vertical da União federal com governadores e prefeitos, essa discórdia que aconteceu em relação à pandemia. Isso atrasou, de fato, a vacinação. Leva a óbitos e mortes muito elevados. A Igreja observa assim. E também o choque horizontal entre os seus Poderes, no qual se atacam pessoas. Inclusive, se fala de poder moderador e de alterar as regras de jogo eleitorais, dizendo que, se não se alterar, vai haver uma intervenção. Isso nos dá um clima muito de instabilidade e de certo temor. Nós estamos pensando que queremos eleições com regras, as mesmas. Não se pode alterar no momento. E também queremos superar esta polarização, este conflito, à luz da “Fratelli tutti” (“Todos irmãos”, encíclica) do Papa Francisco. Porque, para reconstruir o Brasil neste momento de pandemia, vamos precisar de pessoas que agreguem, não que polarizem. Pessoas que sejam de diálogo. Nós estamos defendendo o diálogo. Diálogo, fraternidade e amizade social. E é isso que vamos pensar nas eleições de 2022.

Dom Fernando – Eu acho que todo fanatismo é ruim e acaba gerando a polarização, radicalização. Qualquer fanático não enxerga, só enxerga a sua posição. Isso vale para futebol, para qualquer coisa. Se fulano é fanático por um time e o time dele está perdendo, é horrível, ele continua dizendo que é o melhor de todos. Isso vale muito para o pró-Bolsonaro e o contra Bolsonaro. Existe fanatismo do pró-Bolsonaro e do contra Bolsonaro. E aí, ninguém enxerga mais nada. É a mesma coisa essa questão do voto impresso. Acho que podia haver uma conciliação. Tudo bem, Bolsonaro fica insistindo demais nesse negócio de voto impresso. Mas, por outro lado, por que os outros também não cedem? Mas, não, vira uma guerra. Eu acho que isso não contribui para a paz. O que faz a democracia é o equilíbrio entre os três Poderes. O Executivo, o Legislativo e o Judiciário têm que estar equilibrados. Se ficarem brigando o tempo todo, quem vai sofrer? Na briga do mar com as pedras, os caramujos é que sofrem. Na briga do Executivo com o Judiciário, o pobre coitado do povo vai sofrendo com desgoverno. Vamos rezar para que tudo fique em paz e que haja esse equilíbrio entre os três Poderes.

 

Página 5 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

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Marcelo Lessa: Covid descartada e transferência de UTIs

 

Promotor Marcelo Lessa (Foto: Valimir Oliveira/Folha da Manhã)

 

Após quatro testes PCR negativos, foi descartado o diagnóstico de Covid-19 do promotor de Justiça Marcelo Lessa Bastos, internado na UTI do Hospital Dr. Beda desde a madrugada de quinta (5). Ainda na tarde desta sexta (6), ele será transferido da UTI do hospital reservada aos pacientes de Covid, para outra, destinada aos enfermos de outras doenças.

Segundo informou ao blog a esposa do promotor, Viviane, o mais provável é que ele tenha uma doença pulmonar de base. Ainda sem diagnóstico fechado, a suspeita é de tromboembolia pulmonar. O fato é que seu quadro ainda é considerado muito grave. Marcelo sofre também de arritmia cardíaca, doença que mantinha controlada. Ele não fuma ou bebe e tinha tomado a primeira dose de vacina contra Covid. Tomaria a segunda na próxima semana.

Sem nenhum sintoma prévio de Covid, Marcelo começou a passar mal durante uma aula online na noite de quarta (4), de 21h às 23h, que insistiu para concluir. Daí sua esposa fez a medição com oxímetro da saturação de oxigênio em seu sangue. A internação, para receber suporte de oxigenação, é recomendada com 95%, e a dele estava em 72%. Ele deu entrada no Beda por volta da 0h de quinta. E após uma tomografia constatar comprometimento dos seus pulmões entre 85% e 90%, passou à UTI Covid por volta das 3h da manhã. Às 4h, chegou a ter uma parada cardíaca, mais foi reanimado pela equipe médica.

Viviane se disse emocionada com as várias manifestações de preocupação, carinho e solidariedade da sociedade para com seu marido. Ela deu seu testemunho da missa na manhã de hoje, realizada na Catedral de Campos pelo bispo diocesano Dom Roberto Ferrería Paz. Tradicionalmente celebrada pela data dedicada ao Santíssimo Salvador, padroeiro da cidade, Dom Roberto a rezou também pela recuperação de Marcelo:

— Estava lá atrás, incógnita, com a Catedral cheia pela missa do padroeiro de Campos. E, na sua homilia, Dom Roberto também disse que a missa era também em intenção da recuperação de Marcelo. Por tudo que ele fez em sua luta como promotor pela sociedade, em especial no combate à Covid. Dom Roberto disse ter muita fé em Deus de que Marcelo vai se curar. E essa é a fé que eu e meus filhos também temos, agora mais aliviados após o diagnóstico de Covid ter sido descartado.

Ontem o Hospital Dr. Beda emitiu nota sobre o estado de saúde de Marcelo, em que informou:

— O hospital Geral Dr. Beda informa que o paciente Marcelo Lessa Bastos permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva deste hospital, aos cuidados do Dr. Marcelo D’avila. O paciente Marcelo Lessa Bastos, encontra-se em estado grave, intubado, em ventilação mecânica (respirando por aparelhos), com parâmetros ventilatórios altos. Está sedado, bloqueado (com medicação para dormir e bloquear os músculos), necessitando de aminas vasoativas (medicações para aumentar a pressão) em doses elevadas. Foi necessário ficar em posição prona. Apresenta piora da função renal.

 

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Bispos de Campos no Folha no Ar da sexta do Salvador

 

(Arte: Joseli Mathias)

 

A partir das 7h da manhã desta sexta (6), dia do Padroeiro da planície goitacá, os convidados para fechar a semana são os dois bispos católicos da cidade: o diocesano Dom Roberto Ferrería Paz e o da Administração Apostólica São João Maria Vianney, Dom Fernando Rifan. Eles falarão do Papa da Argentina, do bispo do Uruguai e, sobretudo, do São Salvador de Campos.

Pastores da Igreja Católica de Roma, os dois também falarão da restrição imposta pelo Vaticano à celebração das missas em latim, no eco ao Concílio Vaticano II entre 1962 e 1965, para o desagrado de alguns fiéis tradicionalistas da região. Por fim, os dois bispos de Campos analisarão o governo Wladimir Garotinho (PSD) e darão suas projeções ao juízo laico das urnas de 2022.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Deputado federal do Novo/RJ no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Joseli Mathias)

 

A partir das 7h da manhã desta quinta (5), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o deputado federal Paulo Ganime (Novo/RJ). Ele falará sobre seu trabalho parlamentar para Campos e região, como as emendas que conseguiu para o IFF. Falará também sobre aliança do Centrão com o governo Jair Bolsonaro (sem partido), e as PECs do voto impresso e dos precatórios no Congresso. E, por fim, analisará o conflito entre os Poderes da República e dará sua projeção para as urnas de 2022.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Castro, Wladimir e Bacellar, Nahim e apostas de Campos

 

 

 

Wladimir Garotinho, Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar, acenando aos dois primeiros (Imagem: Reprodução de vídeo)

Castro une Wladimir e Bacellar

Na antevéspera do governador Cláudio Castro (PL) chegar a Campos, onde ficará de amanhã a domingo (8), ele ontem atuou para pacificar seus dois maiores aliados políticos no município: o prefeito Wladimir Garotinho (PSD) e o secretário estadual de Governo, Rodrigo Bacellar (SD). Os três almoçaram ontem, no Rio. À tarde, Wladimir divulgou um vídeo do encontro em suas redes sociais. Nele, Castro disse: “Queria agradecer a presença aqui, lado a lado, do prefeito Wladimir e do deputado (estadual licenciado) Bacellar, secretário. Porque é assim, juntos, que a gente vai conseguir mudar Campos e todo o Norte e Noroeste”.

 

Campos e região

Ao apertar a mão de Castro, Wladimir disse: “Governador, é um prazer (lhe) receber. Queria agradecer, em nome do povo de Campos e toda a região Norte e Noroeste, o apoio que você está nos dando. E tenho certeza que vai anunciar muitas coisas boas, mais uma vez, para a nossa população”. Ao fazer uso da palavra na sequência do adversário político campista, Bacellar disse: “Agradeço pelas palavras, governador, prefeito Wladimir. Tenha a certeza que com esta junção aqui (falou gesticulando ao governador e ao prefeito), quem ganha é a cidade de Campos e toda a região”.

 

Juntos?

No vídeo, não foram anunciadas medidas concretas da agenda de quatro dias do governador na cidade. No entanto, o espectador mais atento pôde notar que Wladimir não citou nominalmente Bacellar, nem o cumprimentou, como fez com Castro. Pode ter sido, lógico, só um ato falho, sem nenhuma intenção ou significado. Mas o fato é que o secretário citou o prefeito e acenou a ele, na sua vez de falar. Entre seus dois aliados políticos, que passaram a última semana disputando sua agenda na cidade, o governador está absolutamente certo ao afirmar: “é assim, juntos, que a gente vai conseguir mudar Campos”.

 

MP pede cassação

Mesmo sem o tradicional aperto de mão com Bacellar, o encontro de ontem foi favorável a Wladimir. Que precisava de uma agenda positiva após o Ministério Público Eleitoral divulgar, na noite de segunda (2), seu parecer na ação em que pediu a cassação do prefeito e o vice, Frederico Paes (MDB). Além da inelegibilidade por oito anos. A denúncia é de abuso de poder econômico e promoção de fake news contra o então candidato Caio Vianna (PDT), ligando este ao ex-prefeito Rafael Diniz (Cidadania), no segundo turno das eleições a prefeito de Campos 2020. Que caberá ao Judiciário apreciar, após as alegações finais da defesa.

 

Ex-prefeito e ex-presidente da Câmara Municipal de Campos Nelson Nahim, entrevistado do Folha no Ar de terça (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

Nahim: elogio e crítica

Ex-prefeito e ex-presidente da Câmara Municipal, e tio de Wladimir, Nelson Nahim falou também como advogado ao programa Folha no Ar da manhã de ontem. E, na Folha FM 98,3, disse que o pedido do MP não deve alterar o resultado das urnas de 2020. Ele deu nota 7 aos 7 primeiros meses de governo do sobrinho. “Dentro das condições que encontrou a Prefeitura, faz um governo bom”. Mas, diante das discordâncias na aprovação do pacote na Câmara, em 25 de maio, e na proposta do Código Tributário, que levaram seu filho e vereador Helinho Nahim (PTC) a sair da base, revelou: “eu me afastei e ele (Wladimir) não fala mais comigo”.

 

 

Código Tributário, presidente e gratidão

Sobre a volta do Legislativo, seu ex-presidente projetou a aprovação do projeto governista ao qual ele e seu filho são contrários: “Vão colocar ou não na pauta o Código Tributário? Acho que o governo já tem maioria, com as composições do recesso, para aprovar. O que será uma marca ruim ao bom governo que Wladimir está fazendo”. Nahim aprovou o atual presidente: “Fábio Ribeiro (PSD) tem conduzido a Câmara com presteza”. E mostrou gratidão ao secretário estadual de Governo: “Há um bloco que apoia o governo, um bloco independente e um bloco que tem como capitão Rodrigo Bacellar, que deu um apoio fundamental à eleição de Hélio”.

 

 

Pauta de 2021 e aposta a 2022

Sobre a vinda de Cláudio Castro a Campos e região, Nahim listou o que ela pode trazer: “é importante para a Ponte da Integração, e os compromissos em Guarus com a Restaurante Popular e o posto de Detran. Não tem que ter rixa. É uma oportunidade excepcional ter o governador aqui no dia do Padroeiro da cidade, coisa que há muito tempo não acontece”. Sobre as urnas de 2022, o experiente político campista apostou na eleição do atual governador: “Vejo um segundo turno entre Castro e Marcelo Freixo (PSB). Rodrigo Neves (PDT) não vai ter capilaridade, sobretudo no interior. E acho que o governador vai ganhar a eleição”.

 

Campista aposta e ganha

Outro campista, André Paes Viana também apostou. E faturou a bagatela de US$ 51,2 mil, que rendem no câmbio de hoje cerca de R$ 270 mil. Em tempo das Olimpíadas em Tóquio, ele conquistou a medalha de prata no pôquer, no evento Sunday Million. Com o nome Andre “Paes232” Viana, escapou da eliminação várias vezes. Chegou a ser “lanterna” da competição, mas provou que, como bom brasileiro, campista não desiste nunca. Com uma incrível reação, brilhou para alcançar o segundo prêmio máximo. O evento, no PokerStars, teve início no domingo e a mesa final foi jogada na segunda.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Olimpíadas e política de Campos no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Joseli Mathias)

 

A partir das 7h da manhã desta quarta (4), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o vereador Raphael Thuin (PTB), ex-campeão mundial de natação. Como ex-atleta, ele avaliará a atuação do Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio. E, na transição do esporte à política, falará sobre a mudança do projeto Paraespeorte da Fundação Municipal dos Esportes para a Uenf, e da sua relação hoje com o governo Wladimir Garotinho (PSD).

Por fim, o edil analisará o retorno da Câmara Municipal, as perspectivas do projeto do novo Código Tributário e a força do setor produtivo goitacá. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Nahim analisa Wladimir e Câmara no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Joseli Mathias)

 

A partir das 7h da manhã desta terça (3), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é Nelson Nahim, ex-prefeito e ex-presidente da Câmara Municipal de Campos. Ele avaliará os sete primeiros meses de governo do prefeito Wladimir Garotinho (PSD). Falará também sobre sua expectativa para a retomada dos trabalhos do Legislativo goitacá, o governo estadual Cláudio Castro (PL) em Campos e as urnas de 2022.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Segurança Presente em Campos e BPRV no 5º de SJB

 

Rodrigo Bacellar promete trazer o projeto Segurança Presente para Campos (Foto: Divulgação)

 

Um dos programas de maior aprovação do Governo do Estado, o Segurança Presente, vai chegar a Campos ainda este ano. O secretário estadual de Governo, Rodrigo Bacellar (SD), informou que, após autorização do governador, estudos já estão em andamento para o início dos trabalhos em Campos. Outra notícia importante é sobre a confirmação de um Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRV) no 5º Distrito de São João da Barra, em Pipeiras, um pedido do poder público municipal em sintonia com o Porto do Açu.

Segundo Rodrigo, o Segurança Presente, coordenado pela secretaria estadual de Governo, está sendo expandido para o interior e Campos será uma das cidades escolhidas. “É um modelo, muito bem sucedido, de policiamento de proximidade que complementa a atuação da Polícia Militar. Promovemos ações de segurança pública, cidadania e atendimento social, visando um ambiente mais seguro e acolhedor aos moradores, comerciantes e turistas das regiões onde atua”, destacou Rodrigo.

Com resultados impactantes de redução de criminalidade no horário e área de atuação, a Operação Segurança Presente ganhou a confiança da população fluminense e se tornou uma marca forte e desejada por todos.

O efetivo é formado por policiais militares, agentes civis (egressos das Forças Armadas) e assistentes sociais.

O patrulhamento é feito a pé, de bicicleta, de motocicleta e viaturas.

BPRV — Em São João da Barra, na localidade de Pipeiras, no 5º Distrito, será construído um Batalhão da Polícia Rodoviária (BPRV). “Em diálogo junto ao poder público municipal e representantes do Porto do Açu, foi passada a importância deste Batalhão, diante do fluxo gerado pelo Porto.

 

Da assessoria do secretário estadual de Governo

 

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Luta do Brasil em Tóquio no Folha no Ar desta 2ª

 

(Arte: Joseli Mathias)

 

A partir das 7h da manhã desta segunda (2), quem abre a semana do Folha no Ar é Marcelino Moreira, mestre de taekwondo e referência do esporte em Campos. Ele analisará o desempenho brasileiro em lutas como o seu taekwondo, mas também no judô e no boxe inglês, nas Olimpíadas de Tóquio. Também falará das perdas de atletas marciais de Campos para a Covid-19. E, por fim, explicará terapias alternativas de tratamento de saúde, vindas do Oriente.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta segunda pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Fênix — Setor produtivo de Campos com Castro na sexta

 

 

Cláudio Castro, Rodrigo Bacellar, Wladimir e Anthony Garotinho (Montagem: Joseli Mathias)

 

Projeto Fênix com Castro

Na próxima sexta (6), o projeto Fênix será apresentado e entregue ao governador Cláudio Castro (PL), durante um café empresarial às 8h da manhã, na CDL-Campos. Em busca de alternativas de desenvolvimento autossustentado ao Norte e Noroeste Fluminense, o documento final será apresentado em reunião nesta terça (2), às 18h30, na Fundenor. Por seus 22 signatários, representantes do setor empresarial, agropecuário e agroindustrial da região. Na entrega ao governador, a ideia é formalizar junto ele um protocolo para formar grupos de trabalho em torno dos temas propostos.

 

Questão regional

A entrega do projeto Fênix a Cláudio Castro, visando o desenvolvimento autossustentado da região, foi confirmada em reunião na última quinta (29), no Rio. Dela participaram o secretário estadual de Governo, Rodrigo Bacellar (SD), e os diretores da Folha, Diva e Christiano Abreu Barbosa. No sentido de aproveitar a presença do Governo do Estado itinerante em Campos, entre quinta (5) e domingo (8). E é fruto também da série de 11 painéis feitos pela Folha da Manhã, entre julho e setembro de 2020, ouvindo 34 representantes da sociedade civil organizada. Na qual se buscou debater alternativas à crise financeira do município.

 

Questão militar

Das grandes questões regionais às nacionais, entre a tarde e a noite de ontem (30) a Folha FM 98,3 e a Plena TV transmitiram ao vivo o debate virtual “A questão militar: do Império aos nossos dias”. Promoção da Fundação Astrojildo Pereira (FAP), o evento teve como debatedores o ex-ministro da Defesa Raul Jungmann, o historiador e professor da UFRJ José Murilo de Carvalho e o general da reserva Francisco de Brito Filho. A entrevista deste ao programa Folha no Ar no último dia 23 foi reproduzida na edição do jornal impresso do último sábado (24). A coordenação foi do cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf.

 

Campos no debate nacional

É a segunda parceria da FAP e o Grupo Folha para colocar Campos na discussão dos principais temas do país, com nomes nacionais. A primeira foi o debate “A política econômica do desenvolvimento: de Vargas aos nossos dias”, em 14 de maio. Que reuniu dois ex-ministros, os professores Luiz Carlos Bresser-Pereira e Cristovam Buarque, este também ex-senador e ex-governador de Brasília. Ambos foram entrevistados pela Folha. Destaca-se nesses eventos o trabalho do professor Hamilton. Que pensa para além da academia debates genuínos. Não só variações do mesmo pensamento, como infelizmente ocorre no polo universitário de Campos.

 

Parecer da PRE

A Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) do Rio de Janeiro pediu a condenação de Wladimir Garotinho (PSD) a oito anos de inelegibilidade, por captação ilícita de sufrágio. O processo não tem ligação com o atual mandato de prefeito, é uma denúncia do Psol, do pleito de 2018, no qual ele foi eleito deputado federal. Segundo o partido, escutas telefônicas da operação Verde Oliva comprovariam que Wladimir e o deputado estadual Bruno Dauaire (PSC) teriam sido beneficiados pelo tráfico para fazer campanha no Eldorado. Apesar de pedir a condenação de Wladimir, que nega a irregularidade, a Procuradoria se posicionou pela absolvição de Bruno.

 

“Desacelerada”?

Em 16 de junho, foi transcrita nesta coluna uma análise de Wladimir sobre o ex-governador Anthony Garotinho (sem partido), feita no programa Folha no Ar do dia 11 daquele mês. Apesar de endossar a pré-candidatura do pai “a deputado, ou estadual, ou federal”, o prefeito pontuou: “Meu pai está com 61 anos, está na hora de dar uma desacelerada”. Ontem, em suas redes sociais, Garotinho acelerou. E colocou em dúvida a urna eletrônica, citando sua não ida ao 2º turno na eleição a governador de 2014, disputado entre Marcelo Crivella (Republicanos) e o vencedor Luiz Fernando Pezão (MDB), entrevistado de ontem no Folha no Ar.

 

2014 sem paixão

Quem observou aquela eleição de 2014 sem paixão, pôde observar que um político até então marcado pela agudeza da inteligência, Garotinho começou a cometer ali decisões que se revelaram desastradas. Embora, no final daquele ano a queda do preço do barril de petróleo no mercado internacional tenha marcado o início das “vacas magras” para Campos, há quem também credite aos compromissos que Garotinho assumiu para tentar se eleger a governador, e não pôde cumprir, como outro motivo à decadência do governo municipal Rosinha. Que piorou quando seu marido, sem ter o que fazer, se mudou a Campos para assumir de vez.

 

Naufrágios e desculpas

Questionar as urnas eletrônicas, sem uma única denúncia de fraude comprovada desde que começaram a ser implantadas no Brasil em 1996, parece ser acelerar à parte mais funda do rio Paraíba em uma canoa furada. De jet-ski no Lago do Paranoá, maior de Brasília, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vê naufragar a PEC 135, que tenta no Congresso o comprovante impresso do voto. Cujo afundamento já é dado como certo até por aliados do governo federal. Garotinho prega contra a urna eletrônica como desculpa de que não perdeu no passado. Bolsonaro insiste nela como desculpa à possível derrota no futuro próximo de 2022.

 

Com o jornalista Arnaldo Neto

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Nazifascismo, bolsonarismo, uniforme e marca na testa

Charge: Walter Jr.

 

— Agora que sobreviveu à guerra, o que fará quando chegar em casa? — indaga Brad Pitt na pele do tenente Aldo Reiner, líder do pequeno grupo de soldados judeus dos EUA na França ocupada pela Alemanha Nazista na II Guerra Mundial (1939/1945). Dispostos a levar terror a quem levou terror ao mundo, são batizados de “Bastardos Inglórios”, batizando o filme de Quentin Tarantino de 2008.

— Vou abraçar minha mãe como nunca a abracei! — responde o soldado nazista apavorado, após revelar a posição de outras tropas alemães aos inimigos que executaram a sua.

— Isso não é lindo? E você vai tirar o uniforme?

— Vou tirá-lo e queimá-lo! — jura de pés juntos o nazista ajoelhado.

— Foi o que pensamos. Não gostamos disso. Gostamos de nazistas de uniformes para identificá-los de imediato. Se tiram os uniformes, ninguém saberá que são nazistas. Então lhe darei uma coisa para não tirar mais! — diz Pitt, enquanto saca sua faca da bainha, usando-a para riscar a suástica para sempre na carne da testa do nazista cuja vida poupou.

 

 

Da ficção à realidade, vários são os fatos que marcam a associação entre o bolsonarismo e o nazifascismo. Muito embora alguns bolsonaristas pensem poder negá-la como um nazista que tira o uniforme. Por igualmente pensarem que todos ignoram a História quanto eles próprios.

Para quem não ignora pelo menos a História do Brasil dos últimos anos, vamos aos fatos:

 

Roberto Alvim, ex-secretário da Cultura de Jair Bolsonaro, e Joseph Goebbels, ex-ministro da Propaganda de Adolf Hitler

 

1 – Era 16 de janeiro de 2020. Quando, ao som de Richard Wagner, ídolo assumido do líder nazista Adolf Hitler, o então secretário de Cultura do presidente Jair Bolsonaro, Roberto Alvim, proclamou em pronunciamento oficial ao vivo nas redes sociais: “A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada”. Ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels proclamou em 1933: “A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”. Diretor teatral, o secretário de Bolsonaro copiou minuciosamente, além das palavras de Goebbels, também a indumentária, a entonação verbal e o cenário do ministro de Hitler.

 

 

2 – Era a madrugada de 31 de outubro de 2020. Quando o grupo bolsonarista autointitulado “300 do Brasil”, que não chegava a 30 integrantes, promoveu uma marcha em Brasília com máscaras, roupas negras e tochas acesas, copiando a estética das manifestações públicas dos nazistas e da Ku Klux Klan (KKK), grupo supremacista branco dos EUA. O protesto terminou com ameaças diante do Supremo Tribunal Federal (STF) e foi liderado pela ativista Sara Winter, ex-coordenadora de políticas de maternidade do ministério da Saúde no governo Bolsonaro.

 

 

3 – Era 24 de janeiro de 2021. Quando, três meses antes da CPI da Covid ser aberta, o Senado cobrava ao então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, explicações sobre o trabalho do governo federal — ou ausência dele — para adquirir vacinas ao povo brasileiro. Enquanto falava Rodrigo Pacheco (DEM/MG), presidente do Senado, atrás dele o assessor de Bolsonaro para Assuntos Internacionais, Filipe Martins, foi flagrado fazendo duas vezes o gesto mundialmente reconhecido e condenado como símbolo do supremacismo branco. Com três dedos significando a letra “w” e dois o “p” (“white power”, ou “poder branco”).

 

Líder fascista Benito Mussolini e presidente brasileiro Jair Bolsonaro

 

4 – Eram 9 e 23 de maio, 12 e 26 de junho, e 10 de julho de 2021. Quando Jair Bolsonaro promoveu motociatas, respectivamente, nas ruas de Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Chapecó (SC) e Porto Alegre (RS). Enquanto prepara outra, marcada para 7 de agosto, em Florianópolis, novamente em Santa Catarina. Manifestações de apoio político até então inéditas no Brasil, todas têm inspiração aberta no mesmo tipo de evento promovido pelo líder fascista Benito Mussolini, na Itália dos anos 1920 e 1930.

 

Neta de ministro de Hitler e deputada alemã de extrema-direita investigada como neonazista, Beatrix von Storch posa para foto com Bolsonaro e seu marido

 

5 – Era 26 de julho de 2021, última segunda-feira. Quando a deputada alemã Beatrix von Storch publicou em suas redes sociais a foto de um encontro na semana anterior, com Jair Bolsonaro. Fora da agenda oficial deste e que não teve o motivo revelado pelo governo brasileiro. Do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), fundado em 2013 com bandeiras racistas, sexistas, islamofóbicas, antissemitas, xenófobas e anti-imigração, a parlamentar é investigada pelo serviço de Inteligência alemão por propagar ideias neonazistas. Em 2016, ela defendeu publicamente que a polícia do seu país abrisse fogo contra imigrantes, incluindo mulheres e crianças, que tentassem entrar ilegalmente na Alemanha. Beatrix é neta de Lutz Graf Schwer, ministro das Finanças de Adolf Hilter.

 

 

Outro ministro de Hitler, copiado pelo ex-secretário da Cultura de Bolsonaro, foi associado diretamente pelo STF ao capitão e à capacidade patológica de mentir que caracteriza ele e seus seguidores. Era 28 de julho, última quarta. Quando a Corte mais alta do país veiculou um vídeo nas redes sociais tão caras ao bolsonarismo: “Uma mentira repetida mil vezes vira verdade? Não. É falso que o Supremo tenha tirado poderes do presidente da República de atuar na pandemia. É verdadeiro que o STF decidiu que União, estados e prefeituras tinham que atuar juntos, com medidas para proteger a população. Não espalhe fake news!”.

Sentença mais famosa de Goebbels, “uma mentira contada mil vezes vira verdade” foi usada pelo STF para responder a Bolsonaro. Que havia repetido mais uma vez, em entrevista a uma rádio da Bahia, que o Supremo deu muito mais poderes para governadores e prefeitos do que a ele, no combate à Covid-19. Contada milhões de vezes pelo presidente e sua seita, a mentira tenta mascarar a verdade, como um nazista que pensa poder deixar de sê-lo ao tirar o uniforme: a responsabilidade do governo federal na morte de mais de 554 mil brasileiros. Em meio milênio da História do Brasil, é o mais próximo ao Holocausto dos judeus pelos nazistas.

 

Charge de Vitor Flynn ao jornal francês Le Monde, baseada em cena do filme “Dr. Fantástico” (1964), de Stanley Kubrick

 

Na dúvida, os números. Com 2,7% da população mundial, se o Brasil mantivesse a média de baixas do resto da Terra durante a pandemia, teria 113.400 óbitos. As outras 440.600 vidas humanas perdidas no país ficam na conta do negacionismo do seu governo, da sua aposta assassina na imunidade de rebanho e em medicamentos ineficazes como a Cloroquina, do seu atraso doloso na compra de vacinas ofertadas dezenas de vezes por laboratórios mundialmente respeitados, enquanto se dava preferência a negociações no mínimo suspeitas com atravessadores desqualificados, em busca de propina. Tudo revelado e ainda a revelar na CPI da Covid. E que aderiu ao governo Bolsonaro o adjetivo bem conhecido de “ladrão”, aos de apreensão popular mais difusa, como “genocida”, “fascista” ou “nazista”.

 

(Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

 

Ainda assim, foi emblemática a suástica riscada na testa do bolsonarismo pelo STF. Com a sentença nazista que melhor define o movimento, o governo e as fake news que o elegeram em 2018. Cuja marca não será esquecida com a queima do uniforme após as urnas de 2022. Que, na noite de quinta (29), ficaram mais próximas. Quando Bolsonaro admitiu em sua live semanal não ter prova das fraudes que nunca existiram no Brasil com o voto eletrônico.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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General revela o voto de confiança traído pelo capitão

 

Com Cláudio Nogueira e Matheus Berriel

 

“Um voto de confiança que foi traído”. Foi assim que o general Francisco Mamede de Brito Filho definiu a atuação do presidente e capitão da reserva do Exército Jair Bolsonaro (sem partido), diante da aposta de parte do alto oficialato das Forças Armadas Brasileiras, incluindo ele mesmo, no governo do Brasil eleito em 2018. Militar também da reserva, ele comandou o contingente brasileiro nas Forças de Paz da ONU no Haiti, a Força de Pacificação no Complexo da Maré-RJ e o Estado-Maior do Comando Militar do Nordeste, antes de servir à atual administração federal como chefe do gabinete do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), do ministério da Educação. Mas, nas suas palavras, “a decepção chegou muito rápido”. Sobre esse e outros assuntos, o general tratará no debate virtual “A questão militar: do Império aos Nossos Dias”, ao lado do ex-ministro da Defesa Raul Jungmann e do historiador José Murilo de Carvalho, professor da UFRJ, em evento da Fundação Astrojildo Pereira, a partir das 16h da próxima sexta (30), com transmissão ao vivo na Folha FM 98,3 e da Plena TV.

Em entrevista na manhã de ontem, ao programa Folha no Ar, da Folha FM, o general Brito Filho foi sereno, mas firme, nas críticas ao governo que ajudou a eleger e integrou. Como participou da gestão Lula, em função técnica no ministério do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). À qual foi designado pelo comando do Exército. Diferente da “decisão pessoal” que levou Bolsonaro a fazer do general Eduardo Pazuello ministro da Saúde, em plena pandemia da Covid-19 no país. Ele tampouco contemporizou a ameaça que, segundo o jornal O Estado de São Paulo, o também general da reserva e ministro da Defesa, Walter Braga Netto, teria feito ao presidente da Câmara Federal, o governista Arthur Lira (PP/AL): “Sem o voto impresso, não haverá eleições em 2022”. “Ele (Braga Netto) não tem esse direito de manifestar um pensamento (…) que agride frontalmente outro Poder”, asseverou Brito Filho. Sobre a possibilidade de o Brasil ter sua democracia de fato ameaçada, o general garantiu: “trago aqui o testemunho, por conhecer as pessoas que estão no alto comando (das Forças Armadas), de que é uma situação inimaginável”.

 

General de brigada do Exército Brasileiro Francisco Mamede de Brito Filho (Foto: Divulgação)

 

Generais do governo – Os militares que estão ali junto ao governo Bolsonaro, o general (Augusto) Heleno (hoje, ministro do GSI) comandou o componente militar da missão de estabilização da ONU no Haiti. Desempenhou o mesmo cargo o general (Luiz Eduardo) Ramos (ministro da Casa Civil, de mudança ao ministério da Secretaria Geral, para dar mais espaço ao Centrão no governo). O general Braga Netto não teve nenhuma participação, pelo menos de comando, nas operações no Haiti. Mas comandou o Comando Militar do Leste, como responsável pela coordenação de segurança dos Jogos Olímpicos. Então, traz uma bagagem de experiência que é referência de sucesso na parte de competência de técnicas militares. De alguma maneira, isso foi levado em conta e colocado, talvez, como algum critério na escolha do presidente Bolsonaro em cima desses militares que trazem essa bagagem de experiências exitosas na carreira militar.

Voto de confiança – É lógico, todos tinham conhecimento a respeito do perfil do candidato Jair Bolsonaro à presidência. É um político que se mantinha na mídia através de declarações polêmicas. Então, a estratégia ao longo da sua carreira política, além do seu passado como militar, estavam todos presentes. Durante a campanha, ele, por ser proveniente de um partido político muito pequeno, que não dispunha de quadros suficientes para montar um governo, já anunciava que ia mobilizar o governo com militares das Forças Armadas. Então, ao surgir essa oportunidade, alguns militares depositaram um voto de confiança, até mesmo porque acreditavam que se aquele perfil que o presidente Bolsonaro, se era para se manter em evidência, uma vez eleito presidente ele estava no cargo máximo, poderia abandonar essa estratégia das polêmicas, se conscientizar da responsabilidade do cargo, assumir não apenas a chefia do governo, como também a chefia do Estado, na condição de estadista, num país com a dimensão do Brasil. É lógico que não levaram em consideração aquilo que acabou se configurando, que é o desejo de se manter no poder e, uma vez eleito, passar a pensar na sua própria reeleição. E com isso manter a mesma atitude inadequada de um presidente, como se estivesse em campanha. Com isso, houve a decepção de grande parte dos militares que se apresentavam ou que aceitaram o convite para participar do governo.

Experiência no governo – Muitos abandonaram o barco, eu fui um deles, acreditei nessa promessa. Embora tenha aceitado um cargo de não muita evidência, de chefe do gabinete do Inep, que é uma autarquia dentro do ministério da Educação, na condição de não participar de nenhum evento de natureza política. Mas, mesmo assim, num cargo de terceiro escalão, a decepção chegou muito rápido. Então, acabei decidindo por não participar mais do governo.

Voto de confiança traído – Aqueles que permanecem têm as suas motivações pessoais. Não podemos, em princípio, condenar que essas motivações sejam com base em má fé ou interesses escusos ou pessoais. Mas, acredito que, ainda, de alguma maneira, permanecem no cargo com a intenção de contribuir com o país e, de alguma maneira, impor ainda alguns limites oferecer sugestões e aconselhamentos em cima de atitudes não muito democráticas que o próprio presidente às vezes assume em manifestações públicas e declarações públicas. Acredito que o que aconteceu foi isso: um voto de confiança que foi traído. Quando se manifestou a certeza dessa traição, era tarde demais, talvez, para abandonar, e talvez até mesmo um ato de responsabilidade se ausentar do governo, em razão de tudo o que já tinha ocorrido e em razão do que poderia acontecer ainda, de pior, sem a presença deles no governo. Prefiro acreditar nessa boa fé dos militares que ainda permanecem no governo ao lado do presidente Bolsonaro.

Que traição? – Não acredito que seja apenas eu a ter essa visão. As atitudes do presidente foram muito explícitas. Promessas de campanha foram abandonadas já no primeiro momento de exercício do governo, culminando agora com essa declaração mais recente, inclusive, de que ele sempre foi Centrão. Isso já traduz o nível de não comprometimento com as coisas. Imagino a vergonha do general Heleno ao ver a realidade dos fatos, hoje, ao lembrar das suas primeiras declarações públicas (cantou “Se gritar pega Centrão, não fica um, meu irmão”, na convenção nacional do PSL de 22 de julho de 2018, em paródia ao samba “Se gritar pega ladrão”, de Bezerra da Silva) e suas primeiras atitudes no início do governo.

 

 

Bolsonaro de “o que tinha de velho ficou para trás”, em 2020, ao “eu sou Centrão” de 2021 – É difícil avaliar, diante de tantas inconsistências, o comportamento do nosso presidente, infelizmente. Nós vimos aí, inclusive, até mesmo declarações de militares, que lamento, de que há um discurso presidencial para a internet e um discurso presidencial para a realidade. Isso, de alguma maneira, já deixa bastante claras as contradições pessoais do presidente Bolsonaro nas suas declarações. De alguma maneira, isso aí nos leva a desacreditar em tudo o que ele fala. Mas, a questão da participação dele na frente do QG (do Exército, em Brasília, quando disse a frase de 2020) por si só, é uma imagem bastante forte. No dia, inclusive, 19 de abril, se comemora o Dia do Exército. Há brechas, inclusive, que nós podemos identificar, que acabaram possibilitando que o general (Eduardo) Pazuello, um militar da ativa, viesse a ocupar um cargo de ministro (da Saúde) e permanecer na ativa. Isso daí mostra um pouco o descuido que, eu diria, o meio político teve em inibir essas questões que permitem criar essas situações que podem levar à politização das Forças Armadas.

PEC contra participação de militares em cargos civis da administração pública – Hoje, nós já temos uma PEC (21/21) da deputada Perpétua Almeida (PCdoB/AC), até apelidada de PEC do Pazuello, que pretende justamente proibir a participação de militares da ativa em cargos civis no governo. Veja em que retardo isso acontece. Nós estamos em 2021. E outra: foi necessário acontecer a crise para que se tomasse uma providência. Acredito que isso demonstra, de alguma maneira, o descuido que o meio político dedica a regular essa relação do Estado com o segmento militar. E digo mais: essa PEC ainda vem de uma maneira incompleta, porque ela apenas proíbe que o militar da ativa ocupe o cargo civil. Eu acredito que tem que ser debatido no Congresso, durante a aprovação, talvez um complemento que imponha inclusive quarentena. Porque, se a pessoa pode assumir de imediato um cargo de governo político, nada impede que ele, durante os últimos dias na ativa, esteja a realizar campanhas em seu próprio nome ou até mesmo no sentido de arrebanhar partidários ou eleitores.

General Edson Pujol: “Pazuello ferrou a si e ferrou o Exército” Não há como não concordar. Sempre me manifestei contrário às possibilidades de um militar da ativa ocupar cargo civil no governo. Agora, antes de abordar exatamente a questão, no que diz respeito à situação criada pelo general Pazuello, é muito importante a gente fazer uma distinção entre cargos de natureza militar e de cargos de natureza civil. Nós temos cargos de natureza militar dentro do governo, como, por exemplo, no próprio GSI, comandado pelo general Heleno.

Passagem técnica no governo Lula – Eu mesmo servi lá (no GSI), no governo Lula, e era responsável por assessorias militares dentro de uma secretaria de coordenação e acompanhamento de assessorias militares. É um cargo de natureza militar, eu ia trabalhar fardado e desempenhava atividades de natureza militar; Atividades de Estado, não de governo. Essa natureza militar, não vejo problema algum, deve ser ocupada por militares da ativa. São cargos que vão exigir um desempenho em cima daquilo que está relacionado com a minha formação como militar. Mais uma observação: a minha indicação para servir lá no GSI, ocupando esse cargo de natureza militar, foi uma decisão do comando do Exército. O comandante do Exército faz uma seleção, utilizando a diretoria de avaliação, e seleciona perfis que são condizentes com a execução daquele cargo. Então, eu fui parar lá com aval do comandante da minha Força.

Pazuello na Saúde foi decisão pessoal – O general Pazuello, que ocupou um cargo de natureza civil, ele não seguiu esse protocolo. É um convite de caráter pessoal do presidente ao general Pazuello. Não foi uma indicação do comandante da Força, do comandante do Exército. Foi um convite pessoal. E, ao aceitar o convite, ele manifestou a sua decisão pessoal de participar do governo. No meu entender, pode ser que ele tenha se julgado, ao aceitar o convite, com a competência necessária para o desempenho do cargo. No meu caso, eu, de antemão, recusaria esse convite. Numa autocrítica muito superficial, muito rápida, eu poderia chegar à conclusão de que não tenho as competências necessárias para desempenho daquele cargo. E tenho certeza que o comandante da Força, se fosse chamado para participar do processo, chegaria à mesma conclusão. O cargo de ministro da Saúde é muito específico, tem muitas peculiaridades que eu entendo que o general Pazuello não tinha. E a Força, se fosse chamada a intervir ou a participar do processo decisório para indicação do seu nome, ela iria se manifestar dessa maneira. Mas não foi. Para nós, que conhecemos a dinâmica, os protocolos nas relações entre as Forças Armadas e o governo, nós, facilmente, chegamos à conclusão de que, ao decidir aceitar o convite para ser ministro da Saúde, ele assume uma responsabilidade pessoal, que não pode ser transferida para a instituição. Agora, é impossível que essa mesma visão seja compartilhada com toda a sociedade, pelo fato de ele ter permanecido na ativa.

Imagem na sociedade – O nome do general Pazuello no cargo de ministro vai estar sempre vinculado, na maior parte da sociedade, à instituição a que ele pertence. Ele chegou a general, com certeza mostrou qualidades para isso, passou por um processo de seleção muito sério. Mas, para ser general oriundo do quadro do serviço de intendência, ao qual ele pertence; ele não pertence a nenhuma arma combatente. O que faltou, talvez, nesse processo todo, foi essa consciência do militar na ativa, que foi convidado para assumir um cargo complexo e, ao aceitar, não ter suposto ou imaginado a responsabilidade que ele assumia também perante à instituição. Isso, para mim, era evidente. E, para muitas pessoas, ficava evidente que o resultado dele não seria satisfatório e acabaria comprometendo a imagem da instituição, como acabou acontecendo. Mas, por conta de todas essas questões que regularam esses processos que levaram à nomeação de um general da ativa ao cargo de ministro da Saúde. O fato de o presidente ter feito um convite de caráter pessoal e ele ter aceitado e ter assumido o cargo de um ministério para o qual ele não tinha preparo nem competência.

Decisão pessoal e responsabilidade de Bolsonaro – Ele (Pazuello) ocupou o cargo de ministro da Saúde não como militar, mas como cidadão. E é uma decisão pessoal do presidente. Então, se alguma medida tivesse que ser tomada no sentido de mantê-lo no cargo diante do quadro da pandemia e do seu desempenho inicial, ou de retirá-lo do cargo diante das peculiaridades que foram trazidas pela pandemia, colocando alguém mais experiente, é uma decisão que cabia ao chefe de governo, ao presidente Bolsonaro, e a ele deve ser atribuída a responsabilidade, seja pelos erros como pelos acertos. Para o bem e para o mal. Se o general Pazuello tivesse tido um desempenho excepcional no combate à pandemia, essa glória toda caberia ao presidente que escolheu aquela pessoa para ocupar aquele cargo. Se o desempenho foi fraco e, mesmo, durante bom tempo, ele ainda permaneceu com a decisão de mantê-lo no cargo, a decisão é pessoal do presidente. Agora, se a decisão do presidente foi acertada ou não, a minha opinião pessoal é de que foi equivocada. Por isso nós temos hoje instalada no Senado uma Comissão Parlamentar de Inquérito no sentido de apurar as irresponsabilidades. Isso demonstra o vigor das nossas instituições democráticas. Mas é muito importante deixar muito claro a responsabilidade pessoal daqueles militares que aceitam desempenhar cargos civis no governo, quebrando qualquer relação com a instituição, uma vez que a escolha dos nomes não passa pelo comando da Força.

 

General da ativa, Pazuello participa de ato político em apoio a Bolsonaro no Rio de Janeiro, em 25 de maio, o que é vetado pelo estatuto das Forças Armadas (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

 

Pazuello participa de ato político vedado pelo estatuto do Exército e é perdoado Como militar da reserva, ainda pertenço e nunca deixarei de pertencer à instituição. E ainda estou subordinado ao comando do Exército. Por uma questão de disciplina, subordinados não podem fazer comentários a respeito de decisões superiores. Então, eu me manifestei, inclusive no meu Twitter, sobre o processo decisório. Mas, também faz parte da cultura militar, uma vez tomada a decisão por quem de direito, não cabe mais nenhum tipo de crítica. Tem que ser aceito. Mas, a minha preocupação durante o processo decisório era justamente para que fosse tomada uma medida enérgica.

Sigilo de 100 anos ao perdão Prestar contas à sociedade daquilo que ocorre no âmbito das Forças é uma obrigação do comando. Então, volto a dizer que houve aí também alguma falha de comunicação em uma decisão, no sentido de decretar sigilo nas razões que foram levadas em considerações pelo comandante, que nos deixa sem acesso. E nós, como militares disciplinados, temos que acreditar que ali existem boas e fortes razões para que ele tenha adotado isso, sem deixar que se possa fazer análises, e aqui não é nenhuma crítica, no sentido de defender sempre a questão da transparência e da clareza como a obrigação de qualquer servidor público, no sentido de manter informada a sociedade a que serve.

Troca do comando das Forças Armadas por Bolsonaro – Ela aconteceu numa situação diferenciada, numa situação em que não é normal. Mas, não colocaria dentro do contexto de uma grande crise. Até por conta, mais uma vez, do comportamento do nosso presidente, que foi quem tomou a decisão. Então, ele costuma ter decisões um pouco inesperadas, surpreendentes, assim como fez para a escolha (do procurador-geral da República), desprezando a lista tríplice, ou seja, a fuga completa ao protocolo. Então, a troca do comando do ministério da Defesa e dos comandantes militares, não é que tenha sido normal. O normal é que, durante todo o mandato presidencial, os comandantes, pelo menos, permaneçam os mesmos.

Saída do ex-ministro da defesa, general Fernando Azevedo e Silva – Aí eu fico muito livre para falar, porque não posso fazer críticas àqueles que estão na ativa, aos quais estou subordinado. Mas posso a um militar da reserva que desempenha um cargo civil, assim como já critiquei o desempenho do general Ramos na secretaria do Governo, quando estava lá. No caso específico da saída do general Fernando, o que aconteceu foi uma saída inesperada e não justificada. A mensagem de despedida do general Fernando do cargo é lacônica e dá margem a muitas leituras e interpretações, ela é enigmática, diz simplesmente que sai do cargo com a certeza e convicção de que trabalhou firmemente no sentido de não permitir a politização das Forças. Daí eu posso depreender várias coisas: será que ele foi cobrado de algum envolvimento político por parte das Forças Armadas, da parte do presidente, e se recusou a fazer isso? A sociedade merecia uma explicação a esse respeito dos motivos que levaram à demissão do general Fernando e à troca dos comandantes. Porque, se isso não vem à tona, não é tornado como claro, a sociedade como um todo, diante do inesperado, passa a fazer uma série de conjecturas que podem confundir tudo e não ter nenhuma aderência à realidade dos fatos. Achei muito salutar o fato de o Congresso ter sinalizado à possibilidade de chamar o (ex-)ministro da Defesa para que ele ali colocasse para a sociedade os motivos daquela troca ministerial e da troca dos comandantes. Mas, isso não chegou a ser concretizado.

 

Página 2 da Folha da Manhã de hoje

 

Primeiro à direita, general Francisco de Brito Filho no comando do contigente brasileiro nas Forças de Paz da ONU no Haiti (Foto: Divulgação)

 

Gratidão? – Na demissão do ministro Fernando, causa estranheza também, mais uma vez, o comportamento do presidente, que nem ao menos agradeceu aos comandantes militares o trabalho que eles realizaram durante o governo dele. Isso aconteceu de uma maneira muito singela, e acredito que também depois de uma certa pressão, alguns dias depois, (dizendo) que deixava ali o agradecimento aos comandantes militares. Mas, isso entra no rol das estranhezas que nós encontramos no perfil do nosso presidente.

“Ocupação em massa de militares em cargos civis” Voltando ainda especificamente à saída do ministro Fernando, eu acho que ele, ao declarar que combateu a politização, e isso até coloquei em comentário no Twitter, a realidade não mostra que aquela declaração realmente corresponde à realidade. Porque foi na administração dele que o general Pazuello saiu da ativa e ocupou o cargo no ministério da Saúde. Foi na administração dele que muitos militares saíram da ativa, não apenas o Pazuello, e ocuparam cargos no governo. E aí passava pelo crivo dele como ministro. Caberia a ele, se quisesse defender dessa politização, realmente, se manifestar contra essa ocupação maciça, em massa, de militares em cargos civis no governo. E isso não ocorreu. Então, eu fico imaginando que ponto limite se chegou ao ponto de ele não aceitar permanecer mais no cargo diante de uma eventual demanda do presidente que possa ter ferido esse princípio, que dizia ter, de combater a politização das Forças.

Reação forte do almirante Ilques Barbosa à sua substituição no comando da Marinha – Também li essa reportagem. Infelizmente, foi um relato, uma notícia com base em fontes não reveladas. Então, fica sempre aquela suspeita de que se aquilo realmente aconteceu e se aconteceu daquela maneira. De qualquer maneira, é aceitável imaginar que a decisão tomada pelo presidente quanto à demissão não só do ministro da Defesa, como do comandante do Exército (general Edson Pujol), e parece que depois foi adotada como pedir demissão dos outros dois (Ilques Barbosa e Antonio Carlos Bermudez, da Aeronáutica) pode causar indignação diante de um quadro em que um comandante que está desempenhando as suas funções institucionais com zelo, com seriedade, com responsabilidade, de uma hora para a outra ser excluído, ser destituído daquele comando sem nenhuma explicação razoável.

Saídas de Sergio Moro e Santos Cruz do governo – Faço um paralelo à situação do ministro (da Justiça) Moro, e à própria saída do ministro (da Secretaria de Governo e general da reserva) Santos Cruz também. Eles saíram, mas colocaram à sociedade os motivos que os levaram a sair. Eles deixaram claro, foram transparentes e comunicaram as razões à sociedade. Eu fico muito triste em saber que isso não foi feito na época pelo general Fernando. Eu acho que, se ele tivesse deixado um testemunho a respeito das razões, ele teria feito uma grande contribuição, não só para a sociedade, no sentido de dar a ela essa oportunidade de tomar conhecimento das razões que levaram àquela decisão, até mesmo para a instituição a que ele pertence, as Forças Armadas, no sentido de deixá-las protegidos no que diz respeito ao desempenho pessoalmente daqueles outros comandantes que iriam assumir. Podem ter ocorrido outras coisas nos bastidores, mas eu acho essencial que isso tivesse sido tratado em público, como uma prestação de contas à sociedade.

General Hamilton Mourão – Acredito que alguma afinidade existiu nas ideias, na maneira de pensar dele, ao aceitar construir a chapa, como vice-presidente, com o presidente Bolsonaro. Através das suas declarações públicas, ficou evidente para quem acompanha o cenário político esse alinhamento de pensamento com o presidente Jair Bolsonaro em alguns pontos, que, a meu ver, são negativos, indesejáveis, especialmente no que se refere a reverências a supostas participações de militares, durante o governo militar, em experiências de tortura. Mas, no conjunto, eu acho que ele vem desempenhando um papel, apesar de ter sido também traído em alguns desvios de rota adotados pelo presidente Jair Bolsonaro após a eleição. As declarações dele em cima de situações mais polêmicas sempre trazem uma mensagem de estabilidade. Ele, como vice-presidente, pois eu não poderia analisá-lo como general, é uma pessoa que está consciente da responsabilidade do cargo que ocupa. Ele tem noção do tamanho da cadeira em que ele está sentado. Tem sido uma coisa necessária, inclusive. Uma coisa é você transmitir estabilidade quando não é necessário, outra é vir a público com coragem e se posicionar em cima de crises, muitas vezes até mesmo contrário às próprias declarações do presidente, e passar à sociedade uma mensagem de tranquilidade.

Braga Netto a Arthur Lira: “Sem o voto impresso, não haverá eleições em 2022” – É um caso muito recente. Há versões diferentes envolvendo os três atores principais, que seriam o órgão de imprensa que noticiou (jornal O Estado de São Paulo); o autor da mensagem, que seria o ministro da Defesa, Braga Netto; e o suposto emissário, que teria levado essa mensagem. Não vou discutir a credibilidade do órgão de imprensa que noticiou, muito menos das declarações do presidente da Câmara e do ministro da Defesa, Braga Netto. O que não foi negado peremptoriamente, deixando bem claro, para trazer o fato concreto, é se ele em algum momento fez aquela declaração ou não. Porque o que foi negado na sua declaração, ontem (na quinta, dia 22), ao público, é que, se ele precisasse levar alguma mensagem ao presidente da Câmara, ele faria pessoalmente e não usaria um intermediário. Entretanto, ele não negou ter declarado aquilo que foi noticiado, que seria justamente essa mensagem a respeito de uma não realização de eleições caso o voto impresso não fosse aprovado.

General Villas Bôas antes da votação do habeas corpus de Lula no Supremo – Essa situação me leva até a fazer uma analogia com o tweet do general Villas Bôas em 2018. De alguma maneira, ali foi uma forma mais explícita, ele usou a conta pessoal do seu Twitter e se manifestou como comandante da Força, deixando ali no ar, uma coisa que foi muito criticada por toda a sociedade, uma ameaça velada às votações que iriam ocorrer no STF no dia seguinte (do habeas corpus de Lula).

 

 

PEC do voto impresso no Congresso e desinformação – Hoje, nós estamos diante de um movimento do Legislativo no sentido de aprovar ou não a adoção de medidas complementares de segurança ao sistema eleitoral que está em vigor. Não usou o Twitter, mas pode ter usado a desinformação ou uma declaração realizada em ambiente informal ou não. Mas, o fato é que a mensagem surgiu, foi explorada pela mídia e entrou no debate público. Não deixa de ser uma maneira de também exercer uma certa pressão, diante da indefinição de se de fato ocorreu ou não essa declaração. Mas, somente o fato da suposição já exerce, de alguma maneira, alguma pressão dentro do processamento dessa aprovação no que diz respeito ao voto impresso na Câmara.

Além da bravata? – Eu acredito aí que, sem entrar nos detalhamentos de como tudo aconteceu, até porque não temos certeza de como se processou, vamos ampliar um pouco o espectro e imaginar: se realmente nessa mensagem teria que haver uma conotação que vá além da simples bravata… As Forças Armadas estão muito bem comandadas e lideradas, têm passado mensagens de votação democrática e respeito às instituições; as Forças Armadas estrutura militar, militares da ativa, alto comando. Um sistema eleitoral que está estabelecido, e a autoridade competente para se manifestar a respeito da credibilidade ou não já se manifestou, o presidente do TSE, por inúmeras vezes, garantindo à sociedade de que é um sistema seguro e que não há a mínima possibilidade de fraude. E temos aí a palavra de um presidente que vem levantar suspeitas e que faz denúncias de que houve fraude nas eleições passadas, sem apresentar provas.

“Situação inimaginável” – Diante dessas três realidades, é possível que a sociedade imagine que essas Forças Armadas vão atuar em defesa do pensamento equivocado de um presidente em detrimento do respeito ao Poder Judiciário, que detém o sistema eleitoral e garante que é confiável? Eu, honestamente, trago aqui o testemunho, por conhecer as pessoas que estão no alto comando, de que é uma situação inimaginável. Está aí a declaração do nosso vice-presidente: nós não estamos numa república de bananas. As instituições estão já fortalecidas o suficiente para que se um tipo de bravata dessa, mesmo que tenha sido conduzida em ambiente informal, coisa que não deveria acontecer.

“Não tem esse direito” – O que eu gostaria de salientar é que, às vezes, os militares não têm noção do peso das suas declarações quando investidos de um cargo com a projeção que tem um ministro da Defesa, um chefe da Casa Civil, seja lá qual for o cargo do primeiro escalão. Eles têm que ter muito cuidado com o que falam, porque além de a mensagem ter um potencial muito grande, por trás daquela declaração, e mesmo sendo da reserva, ele coloca por trás da declaração a própria instituição a que ele pertence: as Forças Armadas. Então, é um cuidado redobrado. Acredito que todo civil que ocupa cargo público tem que ter essa consciência das declarações que fazem ao público, e muito mais cuidado deve ser tomado pelas autoridades que são militares da reserva, por conta dessa vinculação que a sociedade imediatamente faz, de uma maneira automática, em associar aquelas declarações feitas como cidadão ocupante de cargo civil e o vínculo com as Forças Armadas, que detêm o monopólio do uso da força. A associação é automática. Por isso, o general Braga Netto, como ministro da Defesa, em relação ao tema que foi abordado na notícia, ele estaria até obrigado de pensar isso. Ele não poderia em nenhum momento fazer esse tipo de declaração, mesmo em ambiente controlado ou em ambientes informais. Ele não tem esse direito de manifestar um pensamento dessa natureza, que agride frontalmente a um ou outro Poder. Eu estou aqui trabalhando suposições, não posso, de alguma maneira, dizer que ele fez a declaração ou não, porque é um ponto obscuro. Mas, a maneira como esse assunto chegou ao conhecimento da sociedade leva a acreditar que alguma coisa houve.

CPI da Covid investiga denúncias de corrupção de militares na negociação de vacinas Primeiro, em relação ao envolvimento dos militares, no caso o coronel Elcio (Franco, da reserva do Exército), secretário-executivo do ministério da Saúde (hoje assessor especial da Casa Civil) em suspeitas de corrupção. Eu entendo que os militares, por se levarem uma vida muito restrita, a caserna, de certa forma, podemos conceituá-los como ingênuos. Não estou querendo de antemão afirmar que as questões levantadas não são verdadeiras ou que os militares se deixaram envolver por ingenuidade. Mas, é uma possibilidade. O fato é que não existe nada comprovado ainda. É importante esperar, saber a comprovação dos fatos para se omitir algum juízo a esse respeito. Mas, eu deixo a mensagem em relação a esse primeiro aspecto da seguinte maneira: os militares são muito vulneráveis a se envolverem com essas negociatas, porque não têm a expertise do que com certeza eles não fazem na caserna, porque não lidaram com isso durante a sua carreira. Mas, não estou querendo dizer de antemão que tenha ocorrido isso, até porque, conhecimentos básicos, todo coronel que chega a esse posto tem conhecimento obrigatório. Nos comandos dos batalhões, eles têm atividades que estão relacionadas com essa questão administrativa, de conhecer bem a lei de licitações e contratos. Então, também não são tão ingênuos a ponto de se deixar envolver inadvertidamente. Mas, é algo que a gente tem que aguardar.

Presidente da CPI, senador Omar Aziz fala em “banda podre” dos militares e gera reação forte das Forças Armadas Em relação ao atrito, à troca de declarações infelizes ambas, na minha opinião, entre o presidente da CPI e o comandante do Exército (general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira), é aquele ditado: existem três coisas que não voltam: a flecha atirada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida. Nesse caso, o presidente da CPI, o senador, foi infeliz ao usar o termo “banda podre”, porque transmite uma ideia de que há uma quantidade considerável de corruptos dentro do Exército, ao ponto de merecer esse rótulo, coisa que não têm aderência com a realidade. Em seguida, ao saber da repercussão daquela declaração, ele, de imediato, se pronunciou de maneira muito correta, muito educada, muito civilizada, deixando claro que aquela manifestação, aquela declaração não tinha nenhuma intenção de atingir a instituição como um todo. Mas, mesmo assim, veio a nota, que não saiu do comandante do Exército, a quem foi dirigida aquela palavra agressiva, mas já de uma maneira conjunta dos três comandantes das Forças e assinada pelo ministro da Defesa. Também veio em um tom inadequado, porque, embora tenha usado o termo infeliz, não havia o porquê, depois da retratação feita logo em seguida, de ter aquele tipo de reação.

Reações e reações – Acredito até que a maneira mais eficiente de se manifestar a esse respeito para alguém que está interessado em não alimentar discórdia, em promover a união, que é uma obrigação de toda liderança antes de tudo… Quando servimos a um Estado, temos que trabalhar para manter esse Estado unido, sua sociedade… Poderíamos ter declarações bem mais amenas, como no sentido de que, se há uma “banda podre”, conte com o nosso suporte, o nosso apoio, para que sejam identificadas as responsabilidades, porque também nós estamos imbuídos de identificar irregularidades e desvios, e punir de maneira adequada e justa. Ao invés de ir contra, se juntar a ele no sentido de manifestar interesse de identificar os possíveis erros, comprovadamente, e adotar as medidas justas, sejam elas criminais ou disciplinares. Então, acredito que foi uma infelicidade, não só em relação ao termo que foi usado pelo presidente da CPI, como também o tom da resposta dos três comandantes das Forças. Acho que não contribui em nada no processo de unidade, de não alimentar discórdias no âmbito da sociedade.

Carreira política? – A gente nunca pode dizer que dessa água não beberei. No momento, não tenho nenhuma ambição nessa área. As minhas participações têm sempre sido com a intenção de trazer informações, trazer esclarecimentos relativos a uma instituição à qual servi com orgulho durante 40 anos, e carrego esse orgulho até hoje. Então, eu, na condição de militar da reserva, sem querer ser porta-voz dessa instituição, mas com base na experiência desses 40 anos de serviço, tenho me manifestado, sempre que julgo necessário, no sentido de defender as ideias em que eu acredito, os valores com os quais fui formado na minha carreira militar.

Orgulho do Exército – Tudo o que eu tenho na vida, devo ao Exército. Entrei no Exército aos 15 anos de idade, oriundo de Fortaleza, de uma família que não tinha militares. Meus pais eram professora e advogado. E consegui chegar ao curso de general. Isso daí é uma coisa da qual me orgulho. E reconheço muito essa postura da instituição em cima de adotar a meritocracia e levar aos postos elevados pessoas que demonstram durante a sua carreira um desempenho merecedor. Então, tenho essa gratidão muito grande à instituição e sempre terei, pela minha formação e pelas minhas convicções. Tenho essa intenção de colaborar e defender a instituição quando é possível defender. Quando não é possível, não vamos defender o indefensável, vamos criticar, vamos trazer para o debate. Mas, sempre com o objetivo de melhorar a instituição e, no sentido mais amplo, já que agora sou cidadão numa maior plenitude do que já era como militar, contribuir para o pensamento do processo democrático e o desenvolvimento da nossa sociedade. Essa é a minha motivação, isso é o que posso responder no momento.

 

Página 3 da Folha da Manhã de hoje

 

Confira abaixo em vídeo os três blocos com a íntegra da entrevista do general Francisco de Brito Filho ao Folha no Ar da manhã de sexta (23):

 

 

 

 

Atualizado às 9h12 para inserção de links e correção de informação.

 

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