Triste e dura realidade — Homeschooling na casa de Noca

 

 

Quinta-feira, noite de 26 de abril. Já se encaminhando para dormir, o moderador de um grupo de WhatsApp conceituado em sua cidade, por manter sua diversidade em tempos em que uma simples discordância é encarada como declaração de guerra, esta parece se formar. O assunto é educação das crianças em casa — homeschooling na casa de Noca:

Segue link para votação de Consulta Pública do Senado sobre o projeto que busca regulamentar a educação domiciliar. Vamos votar NÃO. A educação escolar é direito constitucional inalienável de crianças e adolescentes — encaminhou o link convocatório no grupo, às 21h57, a produtora cultural Eliana Montinho, de formação marxista.

— VOTANDO SIM DEZ VEZES E COMPARTILHANDO! — respondeu a jornalista Anita Ohl, assessora da secretaria de educação da cidade, reenviando outra mensagem pronta de WhatsApp em que formou sua opinião.

— Sem querer ofender… quem for não? Blz. Quem for sim? Blz. Não acho legal impor uma ideia! SOCORRO MODERADOR!!! KKK — opinou o advogado conservador Adriano Saraiva, presidente de um tradicional clube social da região.

— @Adriano Saraiva, penso que esse tipo de postagem não deveria estar aqui. Difícil ignorar — entrou na discussão a professora e sindicalista Eliete Matos, cuja foto no WhatsApp é uma foice cruzada com um martelo.

— Qual? A minha? — arguiu o conservador Adriano.

— Estou me referindo ao compartilhamento da proposta, ao meu ver, indecente —carregou no adjetivo a comunista Eliete.

— @Adriano Saraiva e @Eliete Matos, temperança — pediu um moderador convocado e sonolento.

— Essa é a questão! Dar o direito de quem deseja fazer, decidir por suas escolhas — concordou a jornalista Anita com o advogado Adriano.

— Lugar de criança é na escola. Somente isso — sentenciou a professora e sindicalista Eliete.

— Mas a escola não é onde a criança estiver? — filosofou a jornalista Anita.

— Censura? E se a educação familiar for suficiente? Discriminação? — entrou no papo o deputado estadual e delegado da Polícia Civil Hermínio Labruna, em questionamento a Eliete, já na madrugada de sexta.

— Posso fazer uma enquete? Quem é favorável é descriminalização da maconha? Vou votar contra! Vote NÃO! Posso compartilhar aqui? Só uma pergunta! — forçou na analogia o advogado conservador Adriano. Já se faziam avançados 7 minutos da meia-noite.

ZZZZZZZZZZZ…

— No reservado, @Hermínio Labruna teve a deferência de me informar que sua acusação de censura se deu ao comentário da @Eliete Matos, em debate com o @Adriano Saraiva. Aos quais, como moderador e já indo dormir, me ative a pedir moderação. Mas que trouxeram à tona, neles e em outros, opiniões reveladoras, da educação das crianças à… descriminação da maconha. Nos poucos mais de quatro meses que temos até o primeiro turno de 2 de outubro, os debates políticos se acirrarão ainda mais. Tento ter e manter neste grupo um termômetro da sociedade. Com todos os seus delírios e idiossincrasias, de lado a lado. Espero que, pelo menos neste nosso aquário virtual, não cozinhemos na ebulição — voltou o moderador ao grupo, às 10h22 da manhã de sexta, após ter dormido, acordado e indagado o deputado/delegado sobre sua acusação de censura.

— Sou totalmente a favor da regulamentação, e não da proibição, do homeschooling. Ao invés de tentarmos impor o proibicionismo absoluto, típico de um Estado altamente interventor inchado e autoritário, deveríamos pensar em critérios mínimos necessários e obrigatórios ao homeschooling e maneiras efetivas de se fiscalizar — entrou no debate o advogado criminalista Fábio Armond.

— Para começar qualquer discussão a respeito, um pouco de informação — entrou também no debate o ondontólogo conservador Alessandro Abud, postando link de matéria do G1 sobre o projeto de lei aprovado na Câmara Federal sobre a educação em casa.

— Decisão do STF a respeito do tema — postou abaixo do print dela o advogado da UFF Glauber Trindade.

— As exigências a serem cumpridas pelas famílias, dentro do projeto de lei, me parecem justamente atender a posição do STF — disse o odontólogo André, postando link de outra matéria do G1, tratando de uma estudante de homeschooling que foi aprovada na USP e entrou na Justiça para tentar fazer matrícula.

— O Brasil com a maior inflação em 26 anos, com um sem número de semelhantes catando no lixo para ter o que comer, com nossa democracia sob ameaça à luz do sol real, e estamos discutindo a questão “nórdica” da educação das crianças em casa, homeschooling na casa de Noca? É isso mesmo? Independente do resultado das urnas, o diversionismo é o grande vencedor em seus danos talvez irreparáveis ao pensamento nacional. Como disse antes, este grupo é revelador. Mas, como seu moderador, peço licença para sair um pouco dele para passear com meu cachorro. Até para observar nele um pouco de racionalidade — disse um moderador já na tampa de uma função por vezes penosa.

— Fascismo em Marcha! — advertiu o jornalista João Cláudio Azevedo, de sólida formação marxista e articulista do jornal gaúcho Zero Hora, postando no grupo o link de um vídeo no YouTube, com o título autoexplicativo: “Milícia Nacional: exército de civis que tornaria o Brasil inconquistável à (sic) qualquer potência militar”.

— Sugiro o filme “Um dia muito especial” (1977), de Ettore Scola, mostrando como o fascismo (na Itália de Benito Mussolini) entendia cada homem e mulher destinados a casar e ter filhos para contar com soldados, mesmo sem farda. Uma espécie de milícia preparada para a guerra. E como um celibatário deveria pagar uma taxa por não se casar e ter geração — indicou o historiador e ambientalista Athos Garibaldi.

— Exatamente. É uma discussão nórdica na casa de Noca. Temos muitas outras questões anteriores que precisam ser colocadas em pautas e resolvidas antes dessa. Sugere, neste momento, ser um tema que poderá encobrir outros muito mais urgentes e necessários. Democracia exige, entre tantas outras coisas, que saibamos identificar as questões mais urgentes e necessárias — dialogou com o moderador a médica Vânia Mendes. Era exatamente o meio-dia de sexta.

— O homeschooling não é uma questão de somenos importância, conecta-se com as questões da violência, da igualdade, da cidadania e da democracia, tanto que mereceu a atenção da Unicef, que vem trabalhando pela garantia dos direitos de cada criança e adolescente, concentrando seus esforços naqueles mais vulneráveis, com foco especial nos que são vítimas de formas extremas de violência — reforçou seu ponto de vista o advogado Glauber Trindade, postando no grupo um link da Unicef alertando sobre o tema.

— Mas aqui no Brasil ameaçado pelo fascismo é mais um passo na escalada de desobrigar o Estado das suas obrigações mínimas. Creio que como bem assinalou @Moderador e em posterior assunto do @João Cláudio Azevedo, o amplo diversionismo toma conta das atenções, do tempo e da energia das instituições e da sociedade. Enquanto o fundamental dos direitos dos jovens, adolescentes, idosos não está assegurado. No rumo que vamos, não haverá futuro civilizatório — projetou a produtora cultural Eliana Montinho, voltando na tarde de sexta ao grupo e ao debate que havia aberto na noite de quinta.

— No passeio breve pelas ruas da cidade, homem e cão observaram duas pessoas, em pontos diferentes, catando o que comer no lixo de condomínios de classe média alta. Creio que até ao cão ficou nítido que o Brasil tem problemas mais urgentes do que a educação das crianças em casa, homeschooling na casa de Noca — testemunhou um moderador de volta à casa e ao debate virtual.

— Triste e dura realidade — endossou o historiador e museólogo Cláudio Farias, dando ponto final ao debate com um emoji de choro. Eram 14h54 de sexta.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

União de Garotinho no apoio de Castro a governador?

 

Anthony Garotinho, Wladimir Garotinho, Cláudio Castro e Luciano Bivar (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Garotinho e Wladimir antecipados

Ontem à noite, enquanto o debate sobre os servidores dominava a Câmara Municipal, o ex-governador Anthony Garotinho (União) anunciava uma live sobre a sua pré-candidatura a governador. Em matéria de análise sobre a interferência da disputa política de Campos, entre os Garotinhos e os Bacellar, na eleição de outubro a governador, a Folha do último sábado (21) lembrou como o Ponto Final adiantou desde quarta (18) as palavras de Garotinho: “serei candidato a governador, ou a nada”. Assim como a posição do prefeito Wladimir (sem partido) sobre a pré-candidatura do pai: “vou esperar as convenções partidárias”.

 

Bivar joga areia na farofa

Além de antecipar as palavras do pai ex-governador e do filho prefeito, a coluna revelou há uma semana que Garotinho teria recebido sinal verde do presidente nacional do União, deputado federal Luciano Bivar, em Brasília, no dia anterior (17). Só que na segunda (23), após implodir a terceira via a presidente, Bivar também jogou areia na farofa de Garotinho. Como a mídia carioca noticiou e o Blog do Arnaldo Neto registrou no Folha1, disse o dono do União: “Temos um apoiamento ao governador Cláudio Castro (PL). Ele (Garotinho) entrou com o pedido de pleitear a candidatura dele como governador (…) Não há uma decisão”.

 

(Reprodução do Facebook)

 

Combinou com os russos?

No dia 10, a ex-prefeita Rosinha (União) tinha usado suas redes sociais para expor publicamente o filho Wladimir. Ela se ressentia da falta de apoio do filho prefeito à filha deputada federal, que deve se lançar em outubro à Alerj. No dia 12, uma força-tarefa saiu de Campos ao Rio para tentar a pacificação entre os Garotinho. Na qual foi acordado o que interessa à família: 20 mil votos em Campos para Clarissa (União) e outros 20 mil à reeleição do deputado estadual Bruno Dauaire (União). A Folha lembrou a advertência do craque Mané Garrincha: “faltou combinar com os russos”. Parece que entre Garotinho e Bivar, também.

 

Thiago Ferrugem, Juninho Virgílio, Clarissa Garotinho, Fábio Ribeiro, Álvaro Oliveira e Thiago Virgílio no Rio da última quinta (Foto: Facebook de Rosinha Garotinho)

 

Waguinho, prefeito de Belford Roxo e presidente estadual do União

Pressão em Castro

Garotinho ainda tem muitos votos no Estado do Rio, sobretudo no Norte e Noroeste Fluminense, Região Serrana e na populosa Baixada Fluminense. Nesta, tem um aliado importante, Waguinho, prefeito de Berford Roxo e presidente estadual do União. Que foi com ele e Clarissa à reunião com Bivar em Brasília. Uma candidatura do político da Lapa a deputado federal ou estadual seria considerada pule de 10. Mas dificilmente teria condições de voltar a ser governador. E ele sabe disso. Mas pode tirar votos de Castro, talvez decisivos se o embate for apertado. E o governador candidato à reeleição também sabe disso.

 

Alvo, Bacellar alveja

Garotinho quer pressionar Castro a diminuir o espaço do deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL). Que só saiu da secretaria estadual de Governo para disputar a reeleição à Alerj, também considerada pule de 10. Já Wladimir precisa de Castro para tocar seu governo, concluir as obras do Hospital Geral de Guarus (HGG) e retomar as obras no Parque Saraiva. Com a iminência de Marquinho Bacellar (SD), irmão de Rodrigo, assumir a Câmara Municipal no biênio 2023/2024. Ontem, em mais um passo neste caminho, a oposição impôs R$ 400,00 à indicação da retomada do auxílio alimentação ao servidor, o dobro do que queria o governo.

 

Servidores de Campos em peso na Câmara foram atendidos pela oposição hoje liderada por Marquinho Bacellar (Fotos: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

Frederico Paes, vice-prefeito e presidente da Coagro

Fator vice

Com Wladimir pressionado pelas derrotas sucessivas na Câmara, pela greve dos servidores, pela demanda de verbas estaduais e pela própria família, a Folha de sábado também lembrou o fator vice na equação do prefeito. Após colocar em risco a própria candidatura na eleição municipal de 2020, ao bancar o industrial Frederico Paes em sua chapa contra as investidas de Rodrigo Bacellar na Justiça Eleitoral, o projeto ambicioso do vice de reforma da Saúde Pública de Campos, usando sua experiência como dirigente hospitalar, foi para o estaleiro. E, no sentido oposto a Garotinho, Frederico tem buscado abrir pontes com Rodrigo e Castro.

 

Frederico homenageado

Como a coluna registrou em 11 de maio, dia seguinte à missa de abertura de safra da Coagro, da qual Frederico é presidente, o evento teve a participação de Castro e Wladimir. E de muito mais vereadores de Campos da oposição que da situação. Como a Folha lembrou no sábado, o vice-prefeito foi sondado pelos Bacellar como candidato a prefeito pelo grupo em 2020. Esta semana, foi anunciado que ele receberá da Firjan NF o prêmio “construtor do desenvolvimento regional”, como presidente da Coagro. Junto com o economista e produtor rural Gonçalo Meirelles. Está marcado para 8 de junho, no teatro Firjan/Sesi de Campos.

 

Armas e Aras

Ontem, além da presença maciça de servidores, a sessão da Câmara foi marcada pela revista dos vereadores. Presidente da Casa, Fábio Ribeiro (PSD) determinou o acautelamento de armas no Legislativo, mas disse que não determinou a revista. Da planície goitacá ao Planalto Central, também ontem, durante a sessão do Conselho Superior do Ministério Público Federal, o procurador-geral da República (PGR), Augusto Aras, bateu boca e chegou a partir para cima do colega procurador Níveo de Freitas. Conhecido por desempenhar a função de advogado do governo Jair Bolsonaro (PL), não de PGR, Aras prestou ontem mais um desserviço ao MPF e ao país.

 

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Wladimir entre os Bacellar, Castro e Garotinho a governador

 

Por Aluysio Abreu Barbosa e Aldir Sales

 

 

Wladimir Garotinho, André Ceciliano, Anthony Garotinho, Rodrigo Bacellar e Cláudio Castro com Marquinho Bacellar e os demais vereadores de oposição na missa da Coagro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

A coluna Ponto Final, de opinião da Folha da Manhã, adiantou em sua edição de quarta (18): “Com Clarissa e Waguinho, prefeito de Belford Roxo, Garotinho foi ontem (17) à sede do União de Brasília, conversar com o presidente nacional, deputado federal Luciano Bivar. Daria duas opções em outubro ao seu novo partido: ou vem a governador, ou a nada”. O Ponto Final de quarta também antecipou o anúncio de Garotinho: “O ex-governador deve anunciar hoje (quarta) seu destino”. E, na mesma quarta, ele anunciou o que a Folha havia adiantado. Literalmente, repetiu: “Não serei candidato a nada se não for candidato a governador”.

Não por acaso, a nota em que a Folha adiantou os passos e palavras do político da Lapa, já indagava desde o seu título: “Garotinho: governador ou nada?”. Embora venha cometendo sucessivos erros de avaliação desde a eleição a governador de 2014, que disputou sem conseguir ir nem ao segundo turno, quando Luiz Fernando Pezão (MDB) derrotou Marcelo Crivella (Republicanos), o conhecimento político de Garotinho não deve ser desprezado.

Fábio Ribeiro

Garotinho avisou — Na eleição a presidente da Câmara Municipal de Campos, por exemplo, o ex-governador insistiu para que o pleito só fosse realizado com a contabilidade de 15 vereadores pró-governo. Presidente da Casa, Fábio Ribeiro (PSD) podia tentar sua reeleição até dezembro, mas resolveu marcá-la em 15 de fevereiro contando ter apenas 13 edis, maioria mínima. E, embora não se admita isso publicamente no governo, ninguém dentro ou fora dele supõe que Fábio tenha decidido algo de tamanha importância sem a anuência do prefeito Wladimir Garotinho (sem partido).

Maicon Cruz

O resultado, todos já sabem. Conhecido desde suas origens atafonenses, suas duas candidaturas a vereador derrotadas em São João da Barra e sua elevação à burocracia do ensino público quando trabalhou com o ex-secretário estadual de Educação Pedro Fernandes, antes deste acabar preso, o edil Maicon Cruz (PSC) assinou um termo de compromisso com a reeleição de Fábio, orou com ele por sua reeleição, mas votou em Marquinho Bacellar (SD). E definiu a vitória deste, pelos mesmo 13 a 12 que esperava ter o governo. Que depois anulou a eleição para ganhar tempo, se a Justiça não abreviar a questão, até dezembro.

Igor Pereira

Histórico do remanejamento — Garotinho estava certo. Fábio e Wladimir, errados. No que já não é mais segredo, o prefeito se isolou após a derrota na Câmara. Ele sabe bem a conta que seu governo pagará pelo erro no biênio 2023/2024. A oposição já acena com a fatura: a diminuição do percentual de remanejamento do Orçamento, dos atuais 30%, para apenas 5%. Manobra que o vereador Igor Pereira (SD), aliado de Rodrigo Bacellar (hoje, PL) desde a eleição deste a deputado estadual em 2018, tentou no final de 2019. Ali, no comando do G-8, Igor liderou um movimento no Legislativo goitacá para tentar limitar o remanejamento do então prefeito Rafael Diniz (Cidadania), de 30% para 10%.

Fred Machado

A manobra só foi derrotada porque, então deputado federal, Wladimir já antevia em 2019 a possibilidade de concorrer e vencer a prefeito de Campos em 2020. Ele se aliou pontualmente a Rafael contra Igor, o G-5 e os Bacellar. O acordo para chegar aos 20% de remanejamento foi costurado pelo então presidente da Câmara, vereador Fred Machado (Cidadania). Nas idas e voltas da política, Fred e boa parte do grupo de Rafael hoje estão com os Bacellar. Fred, diga-se de passagem, assim como Raphel Thuin (PTB) e Bruno Vianna (PSD), foram três edis que o governo perdeu de graça, na votação do Código Tributário em maio de 2021, em outro erro absolutamente desnecessário.

 

Marquinho Bacellar ao microfone da Folha FM 98,3 na terça (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)

 

“Esteira rolante” aos Bacellar — O fato é que se a eleição da Mesa Diretora da Câmara fosse hoje, como o próprio Marquinho revelou em sua entrevista ao Folha no Ar da última terça, os vereadores Dandinho Rio Preto (PSD), Marcione de Farmácia (União) e Silvinho Martins (MDB) já estão com um pé no grupo dos Garotinho e outro no dos Bacellar. Se Cláudio Castro (PL) se reeleger governador, após assumir a liderança do deputado federal Marcelo Freixo (PSD) na pesquisa Genial/Quaest de 12 a 15 de maio, e se Rodrigo Bacellar se reeleger deputado estadual, aposta considerada pule de 10, o muro que hoje separa os vereadores do grupo dos Garotinho do grupo dos Bacellar, nas palavras do próprio Marquinho à Folha FM, se transformará numa “esteira rolante”.

Espremido entre o poder crescente dos Bacellar, na Câmara de Campos e talvez até numa possível futura presidência de Rodrigo na Alerj, Wladimir também enfrenta o “fogo amigo” dentro da própria família. Descontente com o que considera falta de apoio do filho prefeito à filha deputada, bem como com uma discussão áspera por telefone entre Wladimir e Garotinho, a ex-prefeita Rosinha (União) postou em seu Facebook na terça (10) da semana passada: “Wladimir, você só chegou onde está com o carimbo Garotinho. Não pelos seus belos olhos verdes”.

 

(Reprodução do Facebook)

 

Dois dias depois, os bombeiros saíram de Campos ao Rio. Os edis Fábio, Álvaro Oliveira (PSD) e Juninho Virgílio (União) e os ex-vereadores Thiago Virgílio (União) e Thiago Ferrugem (União) se encontraram com Clarissa. Novamente nas redes sociais, Rosinha postou a foto. O que não tornou público foi o acordo firmado para a pacificação familiar: o grupo se comprometeu em lutar para dar 20 mil votos a Clarissa em Campos, a deputada estadual, e outros 20 mil à reeleição de Bruno Dauaire (União) à Alerj, nome de Wladimir. Como advertiria o craque Mané Garrincha ao técnico Vicente Feola na Copa de 1958: “só faltou combinar com os russos”.

 

Thiago Ferrugem, Juninho Virgílio, Clarissa Garotinho, Fábio Ribeiro, Álvaro Oliveira e Thiago Virgílio no Rio da última quinta (Foto: Facebook de Rosinha Garotinho)

 

Frederico Paes

Fator vice — Fora da família, mas ainda dentro do grupo, Wladimir pode ter mais motivos para preocupação. Há quem comente que o médico Paulo Hirano, que seria o vice de Rosinha como prefeita em 2008, tenha sido posto agora pelo casal no governo do filho como anteparo aos ambiciosos planos de mudança que o vice-prefeito Frederico Paes tinha para a Saúde Pública de Campos, baseado em sua experiência como gestor hospitalar.

O fato é que, antes de aceitar compor chapa com Wladimir, que bancou seu vice contra processos de Rodrigo na Justiça Eleitoral, Frederico chegou a ser sondado como possível candidato a prefeito de Campos pelo grupo dos Bacellar para 2020. Após uma troca forte de palavras com Marquinho em 2021, Frederico tem buscado criar pontes com Rodrigo. Que chegou a ser convidado pelo vice-prefeito, também presidente da Coagro, para a missa de abertura de safra da usina Sapucaia arrendada ao Grupo MPE. Rodrigo não foi. Mas Cláudio Castro esteve lá. Como oito vereadores da oposição, incluindo Marquinho. Entre os edis governistas, mas com um pé lá e um cá, foram apenas Marcione e Silvinho.

Castro garante Wladimir — Wladimir também foi ao evento na Coagro. E os presentes mais atentos notaram em certo momento as faces tensas de Wladimir e Castro, em diálogo mais reservado que mantiveram. Uma mosca que os sobrevoasse poderia ter ouvido Wladimir se queixar da influência de Rodrigo na Câmara e a confissão do receio em acabar cassado por um Legislativo dominado pela oposição. Assim como teria ouvido a palavra firme do governador ao prefeito: “Eu garanto você!”

Por isso Garotinho se lançou pré-candidato a governador. Tem conhecimento empírico de sobra para saber ter pouca ou nenhuma chance de voltar ao Palácio Guanabara. Como sabe, e Castro também, que pode tirar votos deste, sobretudo no Norte e Noroeste Fluminense, Região Serrana e na populosa Baixada Fluminense. Não por acaso, como o Ponto Final de quarta revelou, o ex-governador levou um prefeito da Baixada, Waguinho (União), de Belford Roxo, junto com a filha e deputada federal Clarissa Garotinho (União), para o encontro de terça em Brasília com o presidente nacional do União, o deputado federal Luciano Bivar. De quem teve sinal verde para se colocar como “bode na sala” de Castro.

Wladimir precisa de Castro para manter o Restaurante Popular, concluir a reforma do HGG e retomar as obras do Parque Saraiva (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Enquanto as convenções não vêm — Apoiador declarado da reeleição de Castro, de quem precisa em iniciativas fundamentais ao município, como a manutenção do Restaurante Popular, a conclusão da reforma do Hospital Geral de Guarus (HGG) e a retomada das obras no Parque Saraiva, Wladimir foi perguntado na noite de quinta (19) pela reportagem da Folha sobre o lançamento da pré-candidatura do pai a governador. Foi em evento no Palácio da Cultura, para marcar os 21 anos do Arquivo Público Municipal de Campos e sua reforma em parceria com a Uenf e a Alerj. Cujo presidente, André Ceciliano (PT), também esteve presente. O prefeito respondeu:

— Prefiro não comentar, até porque as convenções partidárias ainda acontecerão. Sou grato ao governador Cláudio Castro, nunca neguei isso. Mas quanto à questão de candidatura, vou esperar as convenções partidárias.

Assim como as palavras do pai na sua pré-candidatura a governador, as de Wladimir sobre ela também foram adiantadas no Ponto Final de quarta:

— Se (Garotinho) for a governador, teria pouca chance. Mas poderia dificultar a vida de Cláudio Castro. Se for a nada, Clarissa poderia vir a deputada federal, com Juninho Virgílio a estadual. Entre os edis governistas, Thiago Rangel (Podemos) e Marcos Elias (PSC) também são pré-candidatos à Alerj. O ex-governador deve anunciar hoje (na quarta, como fez) seu destino. Que, até as convenções, é sujeito a mudanças.

 

Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

“No segundo turno, é preciso votar contra o Bolsonaro”

 

Dividido entre a condição de pré-candidato a deputado federal e analista político, função que desempenhará na revista Veja até o prazo legal de 30 de junho, Ricardo Rangel (Cidadania) defende a terceira via de Rodrigo Neves (PDT) a governador do Estado do Rio e da senadora Sinome Tebet (MDB) a presidente. Mas não nega as dificuldades que ambos terão em eleições até aqui polarizadas em todas as pesquisas, respectivamente, pelo governador Cláudio Castro (PL) e o deputado federal Marcelo Freixo (PSD), e pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL). Entrevistado na manhã de ontem (20) no programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, Ricardo considera, inclusive, que a polarização fluminense é uma consequência negativa da polarização presidencial. Se elogiou Freixo como parlamentar, a despeito das diferenças ideológicas, lembrou suas dificuldades recorrentes em conquistar um cargo eletivo no Executivo. Como enxerga virtudes no desempenho de Castro como governador. Com muitas críticas a Lula e Bolsonaro, cuja disputa classifica como uma escolha entre os anos 1970 e o século XVII, ele não tem dúvida caso os dois passem pelas urnas de 2 de outubro: “No segundo turno, é preciso votar contra o Bolsonaro, seja lá qual for a alternativa”. Entre Brasil e Estado do Rio, também analisou a Campos dos Garotinho e Bacellar.

 

Ricardo Rangel (Foto: Divulgação)

 

Briga entre os Garotinho – Evidentemente, tenho que falar com cuidado desse assunto, porque é a política aí de Campos, que eu não acompanho no dia a dia. Mas, é uma tragédia shakespeariana ou grega, em que membros da mesma família se ameaçam. É sempre uma coisa um pouco consternadora você ver uma mãe chamar a atenção de um filho em público, ainda mais pessoas poderosas. A Rosinha foi governadora, Wladimir é prefeito e tem, obviamente, um interesse de ascensão política. É sempre uma coisa um pouco triste, dentro de uma família, uma briga desse tipo. Não sei exatamente o que está na cabeça do Garotinho pai. Nem todo pai se envaidece do sucesso do filho. Há muita ciumeira entre pai e filho, e muita competição, especialmente se estão na mesma profissão e trilhando o mesmo caminho. Obviamente, o Wladimir quer ser governador em algum momento. O pai já foi prefeito. Agora, o Wladimir precisa governar. Então, ele não pode só ficar alimentando a briga com os Bacellar que o pai quer. Ele precisa de verba do governo. Então, ele tem que se entender com o Cláudio Castro. Agora, isso é uma coisa que político entende. Então, deveria conversar e combinar na mesa do jantar, em casa, em vez de discutir isso nas redes sociais. Agora, sei lá, vamos ver para onde é que vai, porque tem a Clarissa também, a Rosinha acha que o Wladimir não apoia, porque vai apoiar outro, essas coisas.

Garotinho a governador – Eu não acredito muito nessa pré-candidatura (a governador), acho que é uma movimentação política. Acho que é uma questão de equilíbrio de poder ali com o Cláudio Castro. Não sei exatamente o que exatamente o Garotinho pretende, mas eu acho que é uma coisa ali para deixar o Cláudio Castro um pouco na defensiva. É claro que, se o Garotinho de fato for candidato, mesmo que ele retire a candidatura depois, ele tem uma capacidade de desequilibrar o jogo um pouco. Ele ainda tem um eleitorado forte. Então, ele pode atrapalhar um pouco o jogo do Cláudio Castro. Mas eu acho que é mais uma movimentação política, um posicionamento, do que uma disposição efetiva de ser candidato. Até porque, eu não eu não acho que ele consiga vencer. Isso está acontecendo porque o Bacellar está muito forte no governo Castro. Então, eu acho que é essa a briga de poder, que, no fundo, é regional. No fundo, é uma briga dessas duas famílias pelo poder e pela capacidade de influenciar o governo.

Shakespeare na política goitacá – Wladimir está nesse problema porque a Clarissa quer deixar de ser deputada federal para ser deputada estadual, e ele não está apoiando ela ou pelo menos não está apoiando com a intensidade que a família, que a Rosinha em particular, esperaria. Então, a situação ali já está um pouco difícil. Mas, o Wladimir tem que apoiar o governador. Ele precisa das verbas do Governo do Estado. Como é que ele vai arredondar essa bola, a gente vai ter que ver, mas eu acho que ele não consegue escapar de apoiar o Cláudio Castro. Se isso acontecer, ele briga com o pai mais ainda. Ele precisa fazer essas pazes rápido, senão vira Shakespeare mesmo.

Castro, pela primeira vez, passa Freixo na pesquisa a governador – O Freixo é aquele candidato que a gente diz que tem piso alto e teto baixo. Ele sempre larga bem, mas não chega lá, ele não cresce. Eu acho que isso é claro. Ele é um bom parlamentar. Ainda que eu discorde do Freixo em muita coisa, ele é um parlamentar sério, tanto na Alerj quanto na Câmara Federal. Mas, para o Executivo, ele é um colecionador de derrotas, perdeu várias vezes. E as propostas para o Executivo que ele fez no passado, sobretudo relação à Prefeitura do Rio, eram muito equivocadas. Ele queria criar banco municipal de desenvolvimento, estatizar os transportes, uma coisa irresponsável. Ele caminhou muito para o centro e está sendo apoiado por muitos liberais. O Armínio Fraga (diretor do Banco Central no governo Fernando Henrique Cardoso), por exemplo, veio a público apoiar o Freixo. Mas, ainda assim, ele tem essa herança de alguém um pouquinho incendiário. Ele também sempre foi muito próximo ao Lula. Ele dizia que não, mas sempre estava ali no palanque do Lula. O Cláudio Castro, primeiro, ele é o candidato do Bolsonaro na eleição. Existem duas coisas. Uma é o medo da esquerda, e outra é o bolsonarismo. São duas coisas se confundem, mas não são exatamente a mesma coisa. Outra coisa é que ele (Castro) é mais competente do que as pessoas pensam. Ele deu uma entrevista outro dia ao “O Globo” perfeita, uma coisa de competência política. Então, ele está se movendo bem. Acho que a pré-campanha vai andando, e tem uma hora em que o Freixo vai ficando pelo caminho. Não me surpreende, não. Eu acho que isso era esperado.

Polarização nacional a governador e terceira via – O Cláudio Castro é o candidato do bolsonarismo, e o Freixo é o candidato do Lula. Mesmo que isso não seja exatamente verdade, é essa a percepção do eleitorado. Eu acho isso muito ruim. A polarização é muito ruim. Até porque, são dois movimentos muito diferentes que estão em oposição, mas que não trazem propostas para o Brasil; é só uma briga de que “você deve ficar comigo porque eu sou melhor do que ele”. Isso acontecer aqui no Rio é muito ruim para nós. Agora, eu acho que é inescapável. Isso está acontecendo. E, da mesma maneira em que há uma tentativa de fazer uma terceira via no plano nacional, que é, finalmente, a Simone Tebet (MDB), eu acho que aqui também há uma tendência. O Rodrigo Neves (PDT) é alguém que foi bom prefeito em Niterói, fala coisa com coisa, não está associado a essa briga de foice entre direita e esquerda, entre duas coisas que que já foram. O petismo, o Lula, já foi, a gente viu o que aconteceu. O que o Bolsonaro representa, o que ele gostaria de fazer, a gente também sabe, já foi: é a ditadura militar (1964/1985). Então, a gente precisava de alguma coisa mais nova, e o Rodrigo Neves se propõe a ser isso e é quem tem a maior chance. Tem que ver o que o Eduardo Paes (PSD) vai fazer, porque por enquanto está apoiando o Felipe Santa Cruz, que é um candidato com menos perspectivas eleitorais. Mas, de que essa polarização está acontecendo no Rio de Janeiro, não tenho dúvida. Volto a falar aqui como como pré-candidato: o Cidadania, que é o meu partido, decidiu, na executiva estadual, apoiar o Rodrigo Neves, como no plano nacional está apoiando a Simone Tebet e foi um dos principais articuladores pela candidatura da Simone. O Cidadania está se colocando muito claramente como a favor de uma terceira via, tanto no plano nacional quanto aqui no Rio, neste caso com Rodrigo Neves.

Eleição presidencial entre os anos 1970 e o século XVII – Eu acho que está muito polarizado e, como eu disse, não é bom para o Brasil. E são dois projetos antigos. O Lula parece que quer nos levar de volta para os anos 1970. E o Bolsonaro às vezes dá a impressão de que vai nos levar de volta para o século XVII. São dois projetos não vitoriosos. São projetos que não são para o futuro, que não têm proposta para levar o Brasil a algum lugar bom. E essa questão da polarização é muito difícil, porque ninguém constrói nada com ódio. E o próximo presidente, seja quem for, vai herdar a verdadeira herança maldita: crise econômica, inflação, desemprego, recessão. A gente precisa reconstruir o Brasil e reconstruir as instituições também, que estão sendo muito atacadas. Então, a gente precisa ter alguém que una o país. Houve um tempo em que a gente discutia sem brigar. O meu partido foi uma peça muito importante na negociação da candidatura da terceira via, que é a Simone Tebet. A polarização entre Lula e Bolsonaro está muito forte, mas há muita gente que não quer nenhum dos dois. Por volta de 30% da população, talvez mais, não querem nenhum dos dois, querem alguém diferente. Então, ainda que falte pouco para a eleição, a gente precisa estimular isso, precisa fazer com que isso ande para frente e dê certo. Eu espero que essa briga com João Doria (PSDB) se acerte e que todo mundo apoie a Simone como a terceira via, a figura que não é nem Lula nem Bolsonaro. Essa é a posição clara do meu partido, que foi muito importante para fazer essa aliança, e a minha, pessoal, há muito tempo, inclusive como analista. Eu acho que esse desenho que a gente tem de polarização é muito ruim para o Brasil, já digo isso desde 2018. Então, como pré-candidato, obviamente vou fazer parte desse esforço. E, estando na Câmara (Federal), vou ajudar o próximo presidente a reconstruir o país.

E Ciro Gomes? – O Moro foi muito inábil, o Doria tem as circunstâncias dele, pelas quais nunca conseguiu se viabilizar, e o Ciro nunca foi uma hipótese de terceira via real, pois é muito identificado com a esquerda. O centro e os liberais não votam no Ciro, porque ele é nacional desenvolvimentista e tem uma proposta de política econômica imprudente. E o cara que é de esquerda vota logo no Lula. Por que vai votar no Ciro? Então, o Ciro é identificado com a esquerda demais para ser essa terceira via. Tanto é que ele não se mexe. Ele está parado ali, ele é o terceiro. Não sai da terceira da terceira colocação, mas não se mexe. Com a Simone aparecendo, se ela crescer como eu espero que cresça, o Ciro fica numa situação muito difícil, porque fica claro que ele não vai. E o PDT, o partido dele, vai gastar uma fortuna num candidato a presidente que não tem a menor chance? Não é melhor gastar esse dinheiro nos deputados? Ele vai começar a sentir uma pressão para abandonar a candidatura, o que, provavelmente, é a coisa mais inteligente que ele pode fazer. Se ele abandonar a candidatura e for ser ministro da Simone, dentro de um quadro que inclua o fim da reeleição, que é uma coisa que seria benéfica e ajudaria muito a fazer uma aliança. Então, você pega um cara como o Ciro, por exemplo, com o histórico de sucesso na educação. Se ele for ministro da Educação, com alta visibilidade, ele pode ser um candidato a presidente daqui a quatro anos. A mesma coisa com o Doria. Se o Doria ficar brigando, ele vai fracassar e vai ter um desgaste tal que vai cair numa espécie de limbo, que pode destruir a carreira dele. Vamos ver se vai haver essa gravidade que atraia todo mundo para o barco da Simone. Eu acho que ela deveria anunciar logo que ela vai ser a favor do fim da reeleição.

Simone Tebet atrás de André Janones nas pesquisas presidenciais – Ninguém disse que é fácil. Mas, eu acho que o fato de não ser fácil não significa que deva ser abandonada, até porque é a única hipótese de não ser nem Lula nem Bolsonaro. Mas, dito isso, a Simone, diferentemente de todos esses outros, Moro, Daria, Ciro, ela está jogando parada e calada. Ela praticamente não fez declarações. Há pequenos avanços. Teve um momento em que o machismo da política brasileira tentou relegá-la para a vaga de vice do Eduardo Leite (PSDB). Aí, ela apareceu assim: “Não serei vice de ninguém”. Mas, ela falou muito pouco, ela apareceu muito pouco, enquanto os outros estão na mídia, em geral brigando, em geral fazendo confusão. Doria brigou muito com o seu próprio partido. O Moro, com seu próprio partido, depois brigou um pouco com o União Brasil. E a Simone, não. Nas próximas pesquisas, talvez o nome do Doria não vá aparecer. A gente vai ver o que que vai acontecer. Da mesma maneira que o Moro saiu da pesquisa e esses votos migraram para o Bolsonaro, como era esperado, o Doria saindo na pesquisa, os votos migram pra Simone. É o esperado, pelo menos. Ou é ela ou é essa polarização de Lula e Bolsonaro mesmo.

MDB de Sinome já dividido entre Lula e Bolsonaro – Em grande medida, está. E, na verdade, a gente tem que dizer que a terceira via até hoje não se viabilizou de uma maneira concreta, não é por acaso, é porque ninguém quis. O MDB tem uma parte que é Lula e a outra parte é Bolsonaro; o União Brasil, é em geral, Bolsonaro; o PSDB está cheio de Bolsonaro, a começar pelo Aécio. O PSDB é bolsonarista em vários estados brasileiros. É a questão da gravidade que o presidente exerce. É muito poder. Ele atrai para a sua órbita. Especialmente num país como o Brasil, que tem um pacto federativo em que você precisa de dinheiro, de verba federal. E, se você tem um presidente que, ainda por cima, está jogando dinheiro na mão dos políticos, orçamento secreto. A qualidade da representação política no Brasil é muito precária. É preciso melhorar. Muita gente fala: “Eu quero ficar com o Bolsonaro” ou “Se eu sou contra o Bolsonaro, vou ficar com o Lula”. Então, essa terceira via até hoje não aconteceu. Doutor Ulysses (Guimarães) tinha uma frase boa para os tempos de hoje: “Política não se faz com ódio, porque não é função hepática”. Fica todo mundo se xingando, não chegam a lugar nenhum. Precisa conversar.

Segundo turno e rejeição – Haverá segundo turno, com toda certeza, aconteça o que acontecer. A rejeição aos dois principais candidatos, Lula e Bolsonaro, é fortíssima. O Lula não ganhou no primeiro turno nem quando ele tinha 85% de aprovação. Agora, que ele tem 45% de rejeição, é que não será. E, ainda por cima, o Lula tem feito um discurso muito estranho, muito radicalizado, que não o ajuda. Ele vai continuar no mesmo lugar para as pessoas que não querem votar nele. O Bolsonaro hoje tem uma rejeição de 60%, muitíssimo maior do que tinha na última eleição. Nem Lula nem Bolsonaro tem condições de vencer no primeiro turno. A Simone, por mais espetacular que seja a arrancada dela, não tem a menor hipótese de ganhar no primeiro turno. Então, haverá um segundo turno.

Voto no segundo turno entre Lula e Bolsonaro? – Acho que tanto o Bolsonaro como o Lula são atrasos significativos para o Brasil. Agora, eu acredito que o Cidadania, assim como eu, acredita que é preciso tirar o Bolsonaro do poder. Ele está causando uma destruição institucional muito forte. Nós sabemos pela experiência de outros países. Na Hungria, em Israel, na Polônia, nas Filipinas, quando há um presidente autocrático, antidemocrático, como é o caso do Bolsonaro, é no segundo mandato que eles quebram a espinha dorsal da democracia. No começo, você tem todos esses ataques. Se ele ganha, ninguém consegue mais resistir, as pessoas não têm mais ânimo. Aí aumenta o número de ministros no Supremo, dilui, controla. O Bolsonaro já controla a Procuradoria Geral da República, já controla em grande medida a Polícia Federal, controla o Centrão, que é a metade do Congresso. Se ele controlar o Supremo também… A democracia está sob risco, está sob ataque. Então, é preciso tirar o Bolsonaro do poder. No segundo turno, é preciso votar contra o Bolsonaro, seja lá qual for a alternativa. E aí, a alternativa, depois a gente vê o que faz. Mas, é preciso impedir que o Bolsonaro tenha mais quatro anos. Oito anos disso seria muito ruim para o Brasil.

 

Página 3 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

Confira abaixo, em vídeo, os três blocos com a íntegra da entrevista de Ricardo Rangel ao Folha no Ar de ontem (20):

 

 

 

 

Colunista da Veja analisa Campos, RJ e Brasil no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Colunista da revista Veja e pré-candidato a deputado federal, Ricardo Rangel (Cidadania) é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar nesta sexta (20), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará da importância de Campos e do Norte Fluminense para um pré-candidato a deputado federal da capital, bem como da sua bandeira liberal abrigada no Cidadania, nome atual do secular Partido Comunista Brasileiro.

Ricardo também analisará o tabuleiro da eleição ao Governo do Estado, com o governador Cláudio Castro (PL) ultrapassando o deputado federal Marcelo Freixo (PSB) nas pesquisas e com a entrada do ex-governador Anthony Garotinho (União) na disputa. Por fim, projetará as eleições presidenciais de outubro polarizadas entre o ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Amin Botequim vai abrir filial este mês na Pelinca

 

Amin Botequim, no Parque Corrientes (Foto: Divulgação)

 

Instalado na rua Amin Salim, penúltima tranversal da avenida Alberto Torres, no Parque Corrientes, o Amin Botequim conquistou clientes assíduos na cidade. Não só por seu cardápio variado e de qualidade, ou pela cerveja sempre gelada, mas também por ser uma opção para quem quer fugir do eixo da avenida Pelinca. Mas, até o fnal deste mês de maio, se prepara para abrir uma filial também na Pelinca, na esquina com a rua Formosa, onde funcionou o Sistema Bruto.

A ideia do casal Eleonora e Areno Parente, proprietário do Amin, surgiu há cerca de três meses. De lá para cá, o novo local passa por reformas. Responsável pela cozinha, Eleonora diz que pretende levar alguns pratos do Amin original à filial da Pelinca, mas quer também lançar alguns pratos novos. O botequim manterá o serviço de delivery do tradicional ponto do Parque Corrientes. Que seguirá abrindo de quarta a domingo (a partir das 18h de quarta a sexta e do meio-dia, nos finais de semana). Na Pelinca, a ideia inicial é abrir de segunda à segunda, a partir das 10h da manhã.

 

Filial do Amin, na esquina da Pelinca com a Formosa, deve abrir no final deste mês (Foto: Divulgação)

 

Diretora do Arquivo de Campos no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Historiadora e diretora do Arquivo Público Municipal de Campos, Rafaela Machado é a convidada do Folha no Ar desta quinta (19), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ela falará das comemorações dos 21 anos no Arquivo, com programação aberta a partir das 18h da própria quinta, no Palácio da Cultura. Falará também do impasse na utilização das verbas da Alerj, em parceria com a Uenf e a municipalidade, para a reforma do prédio do Arquivo, instalado no Solar dos Jesuítas erguido no século 17.

Por fim, Rafaela analisará a política cultural dos governos Wladimir Garotinho (sem partido) e Jair Bolsonaro (PL), assim como a cultura enquanto tema das campanhas a deputado estadual, federal, governador e presidente. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Marquinho Bacellar fala como presidente da Câmara

 

Por Aluysio Abreu Barbosa, Arnaldo Neto, Cláudio Nogueira e Matheus Berriel

 

Eleito presidente da Câmara Municipal de Campos no pleito anulado pela atual Mesa Diretora, Marquinho Bacellar (SD) espera que a Justiça ou o prazo máximo da eleição até dezembro confirme o resultado de 15 de fevereiro. Mas ciente de que sua maioria mínima de 13 vereadores caminha à ampliação, no caso da reeleição em outubro do irmão Rodrigo Bacellar (PL) e de Cláudio Castro (PL), respectivamente, a deputado estadual e a governador. Em entrevista no início da manhã de ontem (17) ao Folha no Ar, Marquinho falou do seu nome como de consenso na oposição, defendeu o voto do edil Maicon Cruz (PSC) que definiu sua vitória, revelou nomes de colegas que podem ampliar sua vantagem, das defecções governistas e seus motivos, da ameaça aos mandatos oposicionistas, do ex-governador Anthony Garotinho (União), do trabalho estadual de Castro e Rodrigo por Campos, do prefeito Wladimir Garotinho (sem partido), da queixa-crime contra o atual presidente Fábio Ribeiro (PSD), da redução do remanejamento do Executivo no Orçamento municipal e voltou a negar qualquer acordo para a eleição da Mesa Diretora.

 

Marquinho Bacellar no microfone da Folha FM 98,3 (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)

 

Nome de consenso da oposição – Meu nome não era apresentado como presidente. A gente tinha dois nomes no grupo: Helinho Nahim (PTC), sempre imaginando que o governo iria antecipar essa eleição, pela história de vida que ele tem com o grupo, ele já imaginava isso. E tinha o nome de Nildo Cardoso (União), por toda a experiência. Foi decidido realmente no dia da votação que teria que ser o meu nome, para unificar o grupo. Houve resistência da minha parte, da parte do meu irmão, do meu pai, porque realmente, num primeiro mandato, eu, particularmente, considero que precisava de uma bagagem maior para o posto de presidente. Mas, vendo a incapacidade administrativa e de grupo do atual presidente, vendo o quadro de ter que ter um nome para unificar o grupo, para gente não ter um grupo dividido, me coloquei à disposição. Como todos sabem, sou filho de Marcos Bacellar. Não sou omisso, não fujo de uma briga. Graças a Deus, conseguimos articular bem, em cima da hora, e conseguimos vencer a eleição. Como todos puderam ver, foi declarada a minha vitória. Infelizmente, essa eleição está por conta do Judiciário. Acredito que a eleição para presidente está decidida.

Após assumir compromisso com governo, Maicon define vitória da oposição – Se durante a plenária, com todos assistindo, a imprensa toda, quase foi agredido pelo vice-presidente da Casa (vereador Juninho Virgílio, União), imagina dentro de uma sala trancada. Se ele diz “não vou votar”, o que aconteceria ali dentro? Se, em vídeo, está comprovado que houve uma tentativa de agressão física, houve agressão verbal. Então, eu realmente não sei o que se passou lá dentro. Não julgo o Maicon por isso, tanto que posso conversar com ele e, hoje, já falei várias vezes para ele que foi corajoso demais ao tomar a atitude que tomou. É muito difícil você sair de baixo de um cabresto de Garotinho.

Após Maicon e Dandinho (Rio Preto, PSD) quem é o 15º vereador da oposição? – Para a mídia, não parece, mas o nosso 15º vereador é Marcione (da Farmácia, União): apoia Rodrigo Bacellar para deputado estadual e está na base do prefeito. A gente tem Silvinho (Martins, MDB), que foi eleito no grupo de Rodrigo e também está na base do governo. Então, se a gente for avaliar em questão de apoio a Rodrigo, não são nem 14 no grupo. Abdu tem um candidato dele (a deputado estadual), Bruninho (Vianna, PSD) é pré-candidato a deputado estadual e está no grupo. Mas, no contexto geral, 15º para a oposição ainda não tem. O Dandinho, a conversa dele foi exclusiva de apoio ao Rodrigo. Foi uma conversa que eles tiveram. Na Câmara, o 15º depende da incompetência ou da má gestão de Wladimir. Se ele continuar com projetos complicados para a população, que desgastam o vereador e prejudicam a população, ele vai desgastar a base do governo. Ninguém vem para outro grupo política se não tiver insatisfeito. Eu comecei o meu mandato sozinho na oposição. Fui aprendendo a falar. Fui o único que não votei em Fábio Ribeiro para presidente. E fui aprendendo no dia a dia. Lógico, com toda a história do meu pai, do meu irmão. Mas, hoje, a figura é Marquinho Bacellar, um cara que sempre foi de bastidor e aceitou o desafio de estar à frente. Devagar, no dia a dia, fui vendo: Abdu (Neme, Avante) muito experiente, insatisfeito; Nildo, muito experiente, insatisfeito.

Saída de Fred (Machado, Cidanania), Raphael (Thuin, PTB) e Bruno da base no projeto do Código Tributário – Ali (em maio de 2021), no aumento de imposto, foi algo que eu particularmente nunca vi daquela forma que foi feita. Mandar um chumaço de projeto de 500 folhas às 15h para a gente apresentar um voto às 17h deixou claro que nem a base do governo leu. “Toma e vota!”.  Digo hoje que, graças a Deus, com a experiência de Fred Machado, que já foi presidente daquela Casa, Thuin e Bruninho realmente eram mais próximos, conversaram e chegaram num entendimento de que, daquela forma, não ia passar. A gente conseguiu tirar de pauta na madrugada, foi até 3h da manhã. E a gente veio brigando com aquilo. Infelizmente, passou grande parte, mas alguma parte a gente conseguiu travar.

Wladimir disse: “Ou vai ou racha” – E rachou. Rachou e rachou muito. Por isso que eu digo: o prefeito não está tendo o poder de articulação que se esperava dele.

Ameaça de afastamento dos 13 vereadores de oposição – A questão do afastamento ou o nome que ele (Fábio Ribeiro) quer dar, eu entendo como cassação de mandato. Foi uma forma covarde. Como a gente costuma dizer, jogou fora da bola com os colegas ali. Todo mundo sabe a luta de cada colega que está ali. Político já é muito difamado na rua, mas a gente sabe o suor que a gente tem para chegar ali, a história política a gente tem que ter. Eu, particularmente, considero mais fácil a minha trajetória, por toda a história do meu pai, do meu irmão. Mas, eu sei o que me doei para estar ali. E há colegas ali que não têm uma família política como eu tenho. Então, por causa de uma divergência, de perder uma batalha política, você pedir a cassação de um mandato… O senhor não está pedindo um vereador; está afetando a família, o grupo e os eleitores desse vereador. Então, é algo que fugiu da bola. Graças, a Deus o Ministério Público e o juiz de Campos entenderam que não cabe cassação de vereador.

Eleição da Mesa Diretora – Fábio realmente se perdeu no meio dessa pressão de grupo político e de tomar atitudes erradas. Está por conta da Justiça do Rio, aguardando o parecer do Ministério Público do Rio também, para o juiz tomar a decisão. Mas, diferente do juiz de Campos, o parecer do juiz do Rio deu a entender, sim, que se for considerado que houve uma falta de atitude correta por parte do presidente, ele vai intervir e dizer que a eleição tem que ser mantida ou tem que ser refeita de imediato, ou, na pior das hipóteses, no final do ano. Eu confio muito na Justiça. Assim que o Ministério Público der o parecer deles, espero que seja favorável à gente e acredito que vai ser, eu acho que essa eleição vai ser colocada em pauta antes da eleição para deputado, governador e presidente. Assim espero. Pelo que o Judiciário diz, a gente também está confiante nisso.

“Puxadinho da Prefeitura” – o A gente já entende que a Câmara, usando o linguajar popular, é um puxadinho da Prefeitura. E acho que não pode ser assim. Você pode, sim, ter um presidente da base do prefeito. Mas, com limites. E ali não está tendo.

Papel de Garotinho – Em relação ao Garotinho, é lógico que tem que ser respeitada toda a história dele na política, onde ele chegou, mas eu considero que Garotinho hoje perdeu o tempo da política. Eu respeitava muito ele por articulação, por ter sempre um grupo à mão. Hoje, a gente não vê isso. Hoje, a gente não vê ele conseguindo interferir tanto no prefeito, que é filho dele. Eu vejo ele mais atrapalhar o Wladimir do que ajudar. E essa forma de falar. “Ah, Garotinho falou que alguém vai te trair”. Se a gente for botar ao pé da letra tudo o que Garotinho fala, o mundo acaba. Inventa cada coisa e faz os vídeos dele, algo mirabolante, de que sempre tem alguém perseguindo. Agora ele cismou que o Rodrigo está perseguindo ele. Se você olhar a agenda de Rodrigo, é insana. Eu não consigo falar com meu irmão. Então, o Rodrigo vai tirar tempo para perseguir Garotinho?

Castro e Rodrigo – O tamanho, hoje, que o Cláudio (Castro, PL) está trabalhando e Rodrigo está trabalhando, quanto mais Campos evoluir, independentemente do prefeito, é bom para a população e é bom para todo mundo. O que eles estão se desdobrando para ajudar a reconstruir nossa cidade, não está brincadeira. O que o governador vem fazendo por Campos, na minha curta passagem na política, eu não vi nenhum governador fazer. É lógico, o Cláudio é muito bom, mas quem está lá é o Rodrigo, um cara da cidade, um cara que tem um irmão vereador e que tem uma trajetória política toda construída aqui dentro. Então, é lógico que ele está puxando para Campos, está trazendo o que ele puder para ajudar Campos.

Briga de grupos? – “Ah, existe uma briga política”. Eu não considero uma briga de grupos políticos em Campos, considero uma briga de vaidade do prefeito em não assumir que existem outros grupos políticos que podem ajudar Campos, se ele permitir. Você já imaginou se parasse essa picuinha do prefeito em atacar Rodrigo em rede social, atacar vereador de oposição? Ele vai inaugurar uma UBS dele e, em vez de falar das qualidades, vai bater em vereador de oposição. Então, todo momento que ele tem para unificar Câmara, Prefeitura e Governo do Estado, ele usa para piorar uma situação.

Elogio e críticas a Wladimir – Já pude falar em plenária e falei para o prefeito diretamente: quanto mais ele se afastar do pai, da mãe e da irmã, ele vai ter oportunidade. O pai e a mãe realmente têm mostrado um desgaste em rede social com ele, expondo briga familiar sem necessidade, vendo que seu filho está num turbilhão de problemas, precisaria de apoio e não de críticas familiares expostas ainda ao público. Então, se ele se afastar e se ele voltar a botar a carreira dele na linha, como estava em Brasília. Ainda dá tempo de fazer o nome dele na história. Ninguém pede para ele: “Ah, não sou mais filho de Garotinho”. Não! Constrói a sua história na política. Ele recebeu muitos elogios na passagem dele por Brasília, era assumido isso na rua: “Está mostrando um poder de articulação muito bom”. E quando ele venceu, eu vi esperança, achei que fosse fazer o nome dele, porque largou o mandato em Brasília para assumir um desafio grande, porque a Prefeitura realmente está numa dificuldade financeira muito grande. Achei que ele não fosse vir jogar o nome dele. Não votei nele, não apoiei. O grupo de Rodrigo escolheu (apoiar) ele. Fiquei na minha, fiquei em casa. Não apoiei nem o Caio nem ele, respeitando a maioria do grupo. E fui vendo, no dia a dia, que não está construindo a história. Está repetindo os erros do pai. Costumo falar para o meu pessoal: meu pai é o melhor pai do mundo, é lógico. Qualidades extremas, demais. Defeitos, tem, como todo mundo tem. Então, acho que o papel de todo filho é a evolução. Você pega o que o seu pai tem de bom, e o que ele errou, você vai tentando não errar. E eu vejo Wladimir cometendo os erros que o pai cometeu, e até de forma maior, nessa questão de perseguir, de não dar autonomia para o grupo. Se você for ver uma questão: vereadores que estavam na base do governo e hoje estão na oposição, sobem no plenário para falar toda sessão, coisa que não falavam dia nenhum. Então, você vê a liberdade, a tranquilidade de a pessoa subir e defender (o conserto de) uma lâmpada queimada, um buraco na rua, uma falta de médico, um transporte caótico. Coisa que, na base do governo, se você fizer você, vai ter retaliação. E é algo que você está fazendo não é para criticar Wladimir, mas para alertar o secretário.

Queixa-crime da oposição contra Fábio – Após a decisão da eleição, aquela confusão do vice-presidente tentar agredir Maicon, se encerrou a sessão naquele momento. Pude ir lá atrás, na sala do Fábio, e falei com ele: “Você perdeu uma batalha, não perdeu a guerra. Não se preocupe que não haverá perseguição de forma alguma no nosso mandato como presidente. Fique tranquilo para trabalhar de forma tranquila, você só perdeu uma batalha”. Ele muito me agradeceu, falou que ia botar a cabeça em ordem, que estava ainda atordoado do movimento precipitado que fez. Então, ali, no meu entender, eu já dei uma forma de abrir um diálogo com ele. O movimento antecipado dele não deu certo. E a gente procurou a delegacia porque o artigo 156 e o artigo 281 nos dão direito a falar na sessão. Se você pegar o regimento, se eu pedir artigo 156, eu tenho direito a falar; se eu pedir explicação pessoal, eu tenho direito a falar. E eu digo: como presidente, se um vereador quiser falar, ele não tem que usar o regimento. A Casa ali é para isso, é para debate. Se um vereador está lá e disser que quer falar, não cabe mais no regimento: dá a palavra ao vereador. O ele vai fazer? Se ele atacar de forma ilegal, se ele bater fora da bola, a gente vai encerrar. Mas, deixa o vereador falar. Ali é uma Casa para se debater, para se discutir, para se chegar numa solução. E ele vem retaliando a gente. A gente não podia falar. Desde a votação, a gente pediu uma palavra para explicar o que aconteceu, e não dava. De forma descarada: “Não vou dar”. Se a gente está ali com o regimento embaixo do braço e não está sendo respeitado, a gente ia fazer o que mais? Cruzar o braço e deixa-lo tocar a sessão da forma que ele quisesse, sem nos dar direito a falar e se defender? Então, a única solução de imediato que a gente buscou foi ir à delegacia. Por questão de abuso de poder, a gente não está podendo exercer a nossa função.

Mudança do Regimento Interno da Câmara – Já pude antecipar para os colegas, os 13, agora 14, e alguns veículos de imprensa também. Acho que um dos primeiros passos que a gente tem que ter ali dentro é a reformulação desse Regimento Interno, porque não pode um Regimento que tem que ser seguido à risca ter várias interpretações. Realmente, se você ler o regimento de forma branda, sem puxar para lado nenhum, você chega no entendimento do regimento. Mas, quando você está mal-intencionado a puxar para um lado ou puxar para o outro, você consegue ali dentro achar caminhos que possam levar para onde você quer. E eu acho que o regimento não pode ser assim, a constituição tem que ser taxativa. É assim, é assim, não é assim. Como todos sabem, o que ele usou do regimento foi de que Nildo não votou. Nildo tinha uma chapa apresentada. Ele abre a votação, apresenta a chapa dele. Nildo levanta no púlpito da plenária e diz: “Estou retirando a minha chapa, estou apresentando a chapa de Marquinho Bacellar e peço aos colegas que entrem comigo na chapa”. Deu-se a entender a todo mundo que assistia à sessão, ao primeiro-secretário Leon (Gomes, PDT), ao presidente Fábio, que Nildo antecipou o voto dele na minha chapa. Feito assim, Leon não fez a chamada nominal de Nildo. Isso ninguém nega, está num vídeo no YouTube. Então, dá-se a entender que, por má fé, por eu (Fábio) ter perdido, vou usar isso aqui do regimento e vou embargar essa eleição. Agora, se eu for seguir o regimento ao meu favor, eu consigo também. Nildo antecipou, o voto dele está gravado em vídeo. Se existe dúvida, pergunta ao Nildo qual é o seu voto. A maioria no plenário decide, vamos botar para o plenário decidir.

Remanejamento do Orçamento de 30% para 5% ao prefeito – Mesmo com 30%, se a gente for ver no quadro geral, a cidade demonstra total abandono. Eu estava vendo uns tópicos: UBS fechada, hospital sem pediatra, esgoto a céu aberto em Travessão, criança sem merenda, Vila Olímpica do Jóquei abandonada. A gente vê que não é questão de remanejamento que vai melhorar a nossa cidade. Eu acho que a questão do remanejamento de 30% dá muita autonomia a ele para tomar atitudes sem precisar da Câmara. E eu acho que quanto mais um prefeito precisar da Câmara, é melhor para a população. Se fossem 50%, 100%, a cidade permaneceria a mesma coisa. Então, não é desculpa dele falar assim: “Ah, a oposição quer em 5% para me amarrar”. Nós estamos tendo várias conversas entre os vereadores, o jurídico dos vereadores, figuras importantes da nossa cidade com experiência política, e estamos tentando chegar num consenso do que seria melhor de remanejamento, visto que o servidor está sem reajuste há sete anos e você vê o descaso do prefeito com o sindicato mais uma vez entrando em greve. Ele tem que mandar para a Casa, sim, onde ele vai gastar, e a gente tem que aprovar. O nosso papel ali é esse: propor projetos bons para a população e fiscalizar o prefeito.

Acordo para a Mesa Diretora? – Eu acho que não pode haver acordo na Mesa Diretora, porque a nossa chapa está montada. Com qualquer acordo ali, você vai descumprir uma palavra com os vereadores que vêm com a gente ali, lutando no dia a dia, que aceitaram o desafio de acreditar na independência deles ali dentro. Então, eu acho que não tem acordo. Para a população, não seria interessante um acordo, porque talvez o medo deles (do governo) é ter uma Câmara realmente independente. E em qualquer cidade, em qualquer parlamento, a Câmara tem que ser independente. Isso é bom para a população, é a única forma de a população ser protegida se o prefeito cometer algum excesso.

 

Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

Confira abaixo, em quatro blocos, a íntegra da entrevista do vereador de oposição Marquinho Bacellar ao Folha no Ar de ontem (17):

 

 

 

 

 

Wladimir entre os Bacellar e o “fogo amigo” dos Garotinho

 

Wladimir, prefeito de Campos, entre Marquinho Bacellar, Rodrigo Bacellar e Cláudio Castro, e o “fogo amigo” de Rosinha, Clarissa e Anthony Garotinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

De 30% a 5%, remanejamento é a questão

Levantado por esta coluna no último sábado (14), a redução do remanejamento do Orçamento de Campos pelo prefeito, doas atuais 30% a 5%, foi pauta confirmada no Folha no Ar de ontem. Que entrevistou o vereador de oposição Marquinho Bacellar (SD). Como exemplificado na Folha FM, remanejamento é o seguinte: na reforma da casa, o sujeito orçou gastar 2X na sala e 1X no banheiro. No correr da obra, a sala saiu por 1,7X, enquanto a do banheiro estourou o orçamento. No caso do prefeito, ele pega esses 30% que sobraram de um lugar e remaneja a outro. Com 5%, só poderia usar os 25% restantes com autorização da Câmara.

 

Com um pé no grupo dos Garotinho e outro no grupo dos Bacellar, os vereadores Dandinho Rio Pretio, Marcione da Farmácia e Silvinho Martins (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Bacellar ampliam maioria

Se já tem a maioria simples de 13 edis para a mudança do percentual de remanejamento do prefeito Wladimir Garotinho (sem partido), que elegeu Marquinho presidente da Câmara no biênio 2023/2024, em pleito anulado pela atual Mesa Diretora, o líder da oposição confirmou que sua maioria seria hoje ainda mais folgada. Além de Dandinho Rio Preto (PSD), que já declarou se manter na base de Wladimir, como seu apoio ao deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL), irmão de Marquinho, este deu ontem mais dois nomes de vereadores que já estariam com um pé em cada grupo: Marcione da Farmácia (DEM) e Silvinho Martins (MDB).

 

Anulação para ganhar tempo

Adversa é a realidade que Wladimir deve enfrentar na segunda metade do seu mandato de prefeito. Pela nova contabilidade dos apoios da Câmara Municipal — com a possibilidade de Rodrigo chegar à presidência da Alerj, caso seja reeleito em outubro, como Cláudio Castro (PL) a governador —, a maioria legislativa que já deu a vitória à oposição goitacá no pleito de 15 de fevereiro tende a ser ainda mais reforçada. A anulação deu no máximo tempo aos Garotinhos. Que, tudo indica, não terão vida fácil assim que a eleição da nova Mesa Diretora da Câmara for finalmente consumada. E tem até dezembro para ser, se a Justiça não abreviar esse calendário.

 

Wladimir espremido

Enfrentar os Bacellar nunca foi fácil. Desde que o presidente da Câmara de Campos era o ex-vereador Marco Bacellar (hoje, SD), os Garotinhos deveriam ter aprendido isso. Com a ascensão de Rodrigo à condição de homem forte do governo estadual Cláudio Castro, a parada ficou ainda mais indigesta. Se já é difícil tê-los pela frente, as coisas ainda ficam pior quando também se enfrenta também o “fogo amigo” do próprio grupo. Como é o caso hoje de Wladimir, atacado publicamente até pela própria mãe, Rosinha Garotinho (União). Que, quando prefeita de Campos, navegou em mar de almirante com 50% de remanejamento.

 

Origem do “fogo amigo” (I)

A relação entre mãe e filho é uma coisa sagrada. E a de Rosinha com Wladimir sempre foi de carinho verdadeiro. Mas a coisa sai do plano familiar quando a desavença além de tornada pública, se dá por disputa de poder público. As coisas entre os dois começaram a degringolar quando Rosinha cobrou Wladimir sobre o apoio do prefeito à irmã Clarissa Garotinho (União) em outubro. Se não é segredo que Clarissa pensa em trocar a Câmara Federal pela Alerj nas urnas de outubro, tampouco é segredo que Wladimir sempre foi muito ligado ao deputado estadual Bruno Dauaire (União), que deve tentar a reeleição.

 

Empresário Marcelo Mérida, pré-candidato a deputado federal, e o deputado estadual Bruno Dauaire (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Origem do “fogo amigo” (II)

Depois, em reunião na executiva estadual do União, Garotinho descobriu que sua nova legenda tinha filiado o empresário Marcelo Mérida, que deixou o governo Wladimir por sua pré-candidatura a deputado federal. Como não sabia, o ex-governador não gostou e ligou ao prefeito. Que informou ter sido uma decisão sua e de Bruno. A conversa desandou quando Garotinho teria ameaçado anular a filiação. Wladimir teria respondido que proibiria seus secretários de falar com o pai. Ao que este teria dito, não sem razão, não precisar da Prefeitura de Campos para se eleger em outubro — pelo menos não a deputado estadual ou federal.

 

(Reprodução do Facebook)

 

Bombeiros em ação

Ao chegar do União à casa, no bairro carioca do Flamengo, Garotinho teria comentado a discussão com Rosinha. Que, já aborrecida por um apoio que julgava aquém do merecido do filho a Clarissa, publicou no dia 10 em suas redes sociais: “Wladimir, você só chegou onde está com o carimbo Garotinho. Não pelos seus belos olhos verdes”. Os bombeiros do grupo entraram em ação. Na quinta (12) foram ao Rio os vereadores Fábio Ribeiro (PSD), Juninho Virgílio (União) e Álvaro Oliveira (PSD), e os ex-vereadores Thiago Virgílio (União) e Thiago Ferrugem (União). A foto deles com Clarissa também foi postada por Rosinha em suas redes sociais.

 

Thiago Ferrugem, Juninho Virgílio, Clarissa Garotinho, Fábio Ribeiro, Álvaro Oliveira e Thiago Virgílio no Rio da última quinta (Foto: Facebook de Rosinha Garotinho)

 

Garotinho: governador ou nada?

Com Clarissa e Waguinho, prefeito de Belford Roxo, Garotinho foi ontem (17) à sede do União de Brasília, conversar com o presidente nacional, deputado federal Luciano Bivar. Daria duas opções em outubro ao seu novo partido: ou vem a governador, ou a nada. Se for a governador, teria pouca chance. Mas poderia dificultar a vida de Cláudio Castro. Se for a nada, Clarissa poderia vir a deputada federal, com Juninho Virgílio a estadual. Entre os edis governistas, Thiago Rangel (Podemos) e Marcos Elias (PSC) também são pré-candidatos à Alerj. O ex-governador deve anunciar hoje seu destino. Que, até as convenções, é sujeito a mudanças.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

LBGBTfobia e novo curso do IFF no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Reitor do IFF, o professor Jefferson Manhães de Azevedo é o convidado do Folha no Ar desta quarta (18), ao vivo a partir das 7 da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará da semana com programação de eventos contra a LGBTfobia na escola. Falará também do novo curso superior de enfermagem, a ser abrigado no IFF-Guarus.

Por fim, Jefferson tentará projetar as eleições de outubro a deputado estadual, federal, governador e presidente. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Vereador Marquinho Bacellar no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Vereador da oposição eleito presidente da Câmara Municipal de Campos em 15 de fevereiro, no pleito anulado pela atual Mesa Diretora, Marquinho Bacellar (SD) é o convidado do Folha no Ar, ao vivo, a partir das 7h da manhã desta terça (17), na Folha FM 98,3. Ele falará da crise na Casa do Povo, aberta com a anulação, na disputa de poder entre os grupos políticos dos Garotinho e dos Bacellar.

Marquinho analisará também as contas da ex-prefeita Rosinha Garotinho (hoje, União) de 2016, reprovadas na Legislatura passada, seguindo parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE), e também anuladas pela atual Câmara, assim como a aparente crise no grupo político a que sempre se opôs. Por fim, o edil projetará as eleições de outubro a deputado estadual, federal, governador e presidente.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Pesquisas, liderança de Lula e armadilha de Bolsonaro

 

Lula e Bolsonaro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr).

Estamos hoje a exatos 141 dias, pouco mais de quatro meses e meio, da eleição presidencial de 2 outubro. Mesmo aos eleitores mais apaixonados do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), do ex-governador paulista João Doria (PSDB), do deputado federal André Janones (Avante), da senadora Simone Tebet (MDB) e do cientista político Luiz Felipe d’Avila (Novo), entre outros menos cotados, parece não sobrar mais tempo para dúvida racional. Salvo qualquer ponto muito fora da curva — como a prisão ou a facada de 2018 —, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL) disputarão o segundo turno em 30 de outubro.

Nas pesquisas dos principais institutos feitas neste mês de maio, Lula mantém sua liderança isolada, com Bolsonaro também isolado em segundo lugar, fora de qualquer margem de erro. Nas consultas estimuladas de intenções de voto, o ex-presidente apareceu com 40% contra 35,2% do atual, na Paraná feita entre 28 de abril e 3 de maio; com 44% contra 31%, na XP/Ipespe feita entre 2 e 4 de maio; com 40,6% contra 32%, na CNT/MDA feita em 4 e 7 de maio; com 46% contra 29%, na Genial/Quaest feita entre 5 e 8 de maio; e com 42% do petista contra 35% do capitão, na PoderData feita entre 8 a 10 de maio.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Em terceiro lugar em todas as pesquisas, Ciro apareceu com 7,4% de intenções de voto, na Paraná; 8%, na XP/Ipespe; 7,1%, na CNT/MDA; 7%, na Genial/Quaest; e 3,8%, na PoderData. A diferença que o separa da vice-liderança de Bolsonaro hoje é no mínimo de 22 pontos, pela Genial/Quaest. E no máximo de 31,2 pontos, pela PoderData. Em um universo eleitoral de quase 150 milhões de brasileiros aptos a votar, 22 pontos significam 33 milhões de eleitores. Enquanto 31,2 pontos significam 46,8 milhões de votos. Com o slogan “A rebeldia da esperança” criado por João Santana, ex-marqueteiro de Lula e de Dilma Rousseff (PT), haja esperança ao ex-governador do Ceará. Tanto mais a quem vem ainda depois dele.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Não tão significativa quanto a diferença aos demais, ainda assim continua considerável a que hoje separa Lula de Bolsonaro. Pela Paraná, na menor diferença das pesquisas de maio entre ambos, os 4,8 pontos que os separam significam 7,2 milhões de eleitores. Pela XP/Ipespe, a diferença de 13 pontos do ex-presidente para o atual significa 19,5 milhões de votos. Pela CNT/MDA, a diferença de 8,6 pontos do líder ao vice significa 12,9 milhões de sufragistas. Pela Genial/Quaest, na maior diferença entre o petista e o capitão, os 17 pontos entre eles significam 25,5 milhões de brasileiros aptos a votar. Pela PoderData, a diferença de 7 pontos de Lula a Bolsonaro significa 10,5 milhões de eleitores.

Se a tarefa de tentar ultrapassar Lula na corrida do primeiro turno não parece fácil nestes quatro meses e meio até as urnas, a maior dificuldade de Bolsonaro para continuar no cargo é outra. E está no segundo turno. Para se chegar lá, contam a qualquer candidato as intenções de voto. Mas, para vencê-lo, conta a rejeição, por fixar o teto de crescimento dessas mesmas intenções de voto entre os dois turnos. Como questão aritmética, não política, o vencedor final precisa alcançar o mínimo de 50% mais um dos votos válidos.

Em todas as pesquisas, a posição entre Lula e Bolsonaro no índice positivo nas intenções de voto é invertida no índice negativo da rejeição. Na Paraná, o capitão teve 52,4% de eleitores afirmando não votar nele de maneira nenhuma, contra 46,3% do petista. Na XP/Ipespe, Bolsonaro teve 60% de rejeição, contra 43% de Lula. Na CNT/MDA, o presidente teve 53,9% de rejeição, contra 44,1% do ex-presidente. Na Genial/Quaest, Bolsonaro teve 59% de rejeição, contra 43% de Lula. E, na PoderData, o capitão teve 50% de rejeição, contra 37% do petista.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Quem tem 52,4%, ou 60%, ou 53,9%, ou 59%, ou 50% de rejeição, como Bolsonaro tem, não pode alcançar 50% mais um dos votos para vencer no segundo turno. Mais uma vez, não é uma questão política, mas aritmética. Aos analistas do mundo, o limite prudencial da rejeição ao vencedor de uma eleição em dois turnos é de 35%. Lula tem mais do que isso em todas as pesquisas. Mas, até aqui, sua sorte é ter como principal adversário alguém ainda mais rejeitado, cuja vitória hoje é matematicamente inviável.

Não por outro motivo, Lula bate Bolsonaro nas simulações de segundo turno de todas as pesquisas. A despeito das besteiras que o primeiro anda dizendo, como na questão do aborto que nunca propôs ao Congresso quando presidente, ou contra o teto de gastos criado pelo ex-presidente do Banco Central dos seus oito anos de governo, Henrique Meirelles (PSD). Nada comparável à bravata da privatização da Petrobras, para Bolsonaro tentar tirar o dele da reta do constante aumento no preço dos combustíveis, ou da maior inflação do país em 26 anos.

O fato é que hoje o petista liquidaria a fatura do segundo turno sobre o capitão por 46,4% a 38,7%, na Paraná; por 54% a 34%, na XP/Ipespe; por 50,8% a 36,8%, na CNT/MDA; por 55% a 34%, na Genial/Quaest; e por 49% a 38%, na PoderData. No turno final, a menor diferença de Lula para Bolsonaro, pela Paraná, hoje seria de 7,7 pontos — ou 11,55 milhões de eleitores. A maior, pela Genial/Quaest, hoje está em 21 pontos — ou 31,5 milhões de votos. Na dúvida, a certeza: é voto pra danar!

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Mais do que tentar ultrapassar Lula no primeiro turno, a única chance real de Bolsonaro seria diminuir sua rejeição para o segundo turno. Mas, em pastiche de Donald Trump no ataque aos votos pelos correios em sua anunciada derrota eleitoral à presidência dos EUA em 2020, o capitão força o discurso no Brasil de 2022. Contra a urna eletrônica, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF). Com o apoio de parte das Forças Armadas, que na quinta (12) teve resposta firme do sereno ministro Edson Fachin, presidente do TSE: “Quem trata de eleições são forças desarmadas!”. O tom de Bolsonaro é como o termômetro do peru Sadia: quanto mais sobe, maior a certeza de estar pronto para ser fatiado e servido.

 

 

Pesquisas não são infalíveis. Ainda que a Datafolha de setembro de 2017 já apontasse que, sem Lula na corrida, Bolsonaro era o favorito a vencer a eleição presidencial de mais de um ano depois. Como foi ali, pesquisas revelam tendências. As de 2022? A primeira, Lula parece ter alcançado há alguns meses seu teto no primeiro turno, patinando na casa dos 40%. Se não falar ou fizer nenhuma nova besteira, tende a manter.

A segunda tendência? Após crescer com a herança dos votos da desistência do seu ex-ministro da Justiça Sergio Moro (União), Bolsonaro também aparenta já patinar em seu teto, na casa dos 30%. Talvez rebaixado porque, após crescer nas pesquisas — as mesmas que os bolsonaristas dizem não acreditar — e se sentir empoderado, o presidente voltou ao seu manjado morde e assopra contra o estado democrático de direito.

Quanto mais radicalizar o discurso, para agradar sua bolha e desagradar o eleitor não fanatizado à direita ou à esquerda, mais o capitão que adora demitir generais, brigadeiros e almirantes ficará refém da armadilha que montou para si.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.