Brasil dos presidentes Jair Bolsonaro, Arthur Lira e Luix Fux; e Estado do Rio de Paulo Ganime, Cláudio Castro, Rodrigo Neves e Marcelo Freixo (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Pré-candidato a governador pelo Novo, Ganime foi o entrevistado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, na última quinta (5). Carioca, engenheiro de produção e de formação liberal, ele costuma pontuar bem no site de avaliação parlamentar Ranking dos Políticos. Onde figura nas melhores posições entre os deputados federais fluminenses de melhor atuação em 2021. Na rádio, ele apresentou uma pesquisa do instituo Atlas a governador do Rio, que ouviu 807 pessoas entre 18 e 22 de junho, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou menos. Na qual ficou em 4º lugar ao Palácio Guanabara, com 3,4% das intenções de voto.
Freixo lidera
Na mesma pesquisa Atlas, com chancela de credibilidade do jornal Valor Econômico, Rodrigo Neves ficou na 3ª colocação a governador do Rio, com 4,4% de intenções de voto. Com folgas, quem lidera a consulta ao Palácio Guanabara foi o deputado federal Marcelo Freixo, que trocou o Psol pelo PSB para se candidatar, e tem 33%. Distante dele, mas também dos demais, o 2º colocado foi o governador Cláudio Castro, com 20,2%. Ganime tem uma aparente desvantagem aos demais nomes até agora postos a governador: é o mais desconhecido. Que, a depender da campanha, pode ser encarado como vantagem no potencial de crescimento.
Castro e Neves
Na pesquisa Atlas, só 11% disseram conhecer bem Ganime. Seu colega na Câmara Federal, Marcelo Freixo é bem conhecido por 68% do eleitorado fluminense, enquanto Cláudio Castro, por 37%. O governador tem, portanto, muito mais terreno para crescer que o ex-psolista. E tem a máquina estadual na mão, mais R$ 14,4 bilhões da venda da Cedae, para fazê-lo. Já Rodrigo Neves é bem conhecido por 21%. O que também revela potencial para crescimento, a depender da campanha. Que o ex-prefeito de Niterói provou no segundo turno a prefeito de Campos em 2020, quando quase deu a vitória a Caio Vianna (PDT), saber fazer como poucos.
“Cenário muito aberto”
Ao microfone da rádio mais ouvida de Campos, Ganime analisou seus possíveis adversários nas urnas daqui a 14 meses: “O Cláudio Castro é um cara bem razoável, tenho respeito por ele, mas olha o secretariado dele. No caso do Freixo, que é um dos nomes mais fortes, ele pensa A e eu não penso nem B; penso Z. E eu não quero que o que ele pensa como solução ao Rio seja implantado, porque vai ser diferente, mas vai ser bem ruim também. Rodrigo Neves tem força em Niterói, tanto que elegeu o candidato dele (a prefeito em 2020), mesmo ele (Rodrigo) tendo sido preso. Mas já estou em empate técnico com ele. Eu vejo um cenário muito aberto”.
Ontem (6), no dia do Santíssimo Salvador, padroeiro de Campos, o programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, entrevistou os dois bispos católicos da cidade: o diocesano Dom Roberto Ferrería Paz e o e o da Administração Apostólica São João Maria Vianney, Dom Fernando Rifan. Além das origens do dia santo na história do Cristo e da própria fundação de Campos, os dois também falaram sobre o lenitivo da fé em tempos de pandemia da Covid-19 e as restrições do Papa Francisco à realização das missas em latim. Eles avaliaram os sete primeiros meses do governo municipal Wladimir Garotinho (PSD). E analisaram os momentos de tensão entre os Poderes da República no Brasil de Jair Messias Bolsonaro (sem partido).
Bispos de Campos, Dom Roberto Ferrería Paz e Dom Fernando Rifan
Origem do Santíssimo Salvador
Dom Roberto – Em 1647, já havia uma pacificação com os índios que permitia uma ocupação. E lá, no quilômetro zero da cidade, foi celebrada a primeira missa, a 6 de agosto de 1652, pelo monge Fernando de Montserrat. Foi a primeira missa e a introdução da devoção ao Santíssimo Salvador, em razão do nome. O governador era Salvador Correia. Então, o culto a São Salvador.
Dom Fernando – Interessante. Tem o detalhe de que o pessoal fala São Salvador, Santíssimo Salvador… É a mesma coisa. Normalmente, se fala Santíssimo Salvador para não se pensar que é um santo como São Jorge e outros. É Santíssimo Salvador, é Jesus Cristo. Mas pode chamar de São Salvador também. Por exemplo: a grande igreja de Santa Sofia, lá em Constantinopla, quem é a Santa Sofia? Não é uma santa, não, é Jesus. Sofia quer dizer sabedoria. Santa Sofia é a divina sabedoria, é o próprio Jesus. Então, assim também aqui em Campos, São Salvador é Jesus Cristo como nosso salvador. Mas, então, esse beneditino trouxe a primeira tradição beneditina. E depois temos o grande Mosteiro de São Bento, em Mussurepe, e a tradição a Santo Amaro, que foi um abade beneditino. Por isso que, em Campos, metade da população se chama Salvador, e a outra metade se chama Amaro (risos). É uma grande difusão dos nomes Amaro e Salvador, por causa dessas duas devoções, que são beneditinas. Depois vieram para cá os jesuítas, que fizeram o Solar do Colégio; e outros padres também, como os redentoristas, que ocuparam ali a Igreja de São Francisco. Campos tem essa multidão também. Vieram os salesianos depois, esses missionários todos que ajudaram aqui na consolidação da fé campista.
Por que o 6 de agosto?
Dom Roberto – A transfiguração é celebrada em dois momentos na Igreja: em 6 de agosto e no segundo domingo da Quaresma. O 6 de agosto mostra toda a glória, todo o esplendor do ressuscitar. Já na Quaresma, há um encorajamento para os apóstolos viverem o ministério. A festa do 6 de agosto mostra todo o esplendor e a glória do Salvador. Foi Calisto III, no século XV, a raiz de uma vitória militar em defesa da Europa cristã. Parece que Jesus se manifestou neste momento. Já se celebrava em Oriente e regionalmente, mas ampliou-se a festa para toda a cristandade. Quer dizer que, quando Fernando de Montserrat celebrou, em 6 de agosto de 1652, aqui, no quilômetro zero, numa pequenina capela de taipa, ele estava celebrando essa festa, a festa da transfiguração.
Dom Fernando – Jesus estava indo para Jerusalém, e lá ele avisou: “Eu vou ser preso, entregue aos pagãos, vou ser flagelado, crucificado, morto. E no terceiro dia vou ressuscitar”. Então, diante desse panorama da próxima Paixão de Jesus, Jesus quis dar aos apóstolos um alento, que foi a sua transfiguração. Subiu ao Monte, que se supõe ser o Monte Tabor, e lá no alto se mostrou como Deus. Ele sempre aparecia como homem, e ali apareceu mostrou como Deus, brilhante como o sol. Pedro, Tiago e João ficaram extasiados diante daquela transfiguração de Jesus, como ele vai ser depois, ressuscitado e glorioso. A transfiguração une a Paixão e a ressurreição de Jesus. Portanto, é para mostrar aos apóstolos, para eles terem coragem. A festa da transfiguração é para dar a nós, cristãos, a força e a coragem. Mesmo que a gente tenha cruz, sofrimento, vamos passar por isso, mas que tenhamos coragem de um dia ressuscitarmos com o nosso Senhor. É a vitória de Jesus.
Dia do Salvador na pandemia
Dom Roberto – Como disse Dom Fernando, a luz do Salvador é o que nos impulsiona para iluminar esse mistério, que é de cruz, é de perdas. Mas pensar que a Páscoa ilumina. No fulgor da Páscoa de Jesus, vamos ressuscitar, vamos renascer, vamos superar. O mistério pascal é a passagem da cruz para a vitória plena. Então, em toda a nossa vida estamos sempre ressuscitando. Depois desta pandemia, nós ressurgiremos, espero, para um pós-normal mais fraterno, mais compassivo. O Papa já tem muitas visões de sonho de uma humanidade mais unida, reconciliada e mais unida. Pedimos ao Salvador que nos impulsione para isso, é o sonho de Deus aqui na Terra para nós.
Dom Fernando – É exatamente isso que a gente quer: essa união. A Igreja tem que dar o exemplo. E rezar. Se Deus quiser. Ninguém pode perder a esperança. Continuemos na oração. Aliás, esse tempo de pandemia suscitou muito a solidariedade nas pessoas: os médicos, enfermeiros, as pessoas que trabalham, todo mundo está solidário, querendo levantar o ânimo. Infelizmente, muitos telejornais acabam sendo só um obituário, mostrando que está morrendo gente, e as pessoas vão ficando desanimadas. Não vamos ficar, 80%, 90% das pessoas ficam boas. É claro, morre muita gente, e a gente lamenta profundamente. Mas a solidariedade surgiu muito nesse tempo da pandemia.
Restrição do Papa Francisco às missas em latim
Dom Roberto – Eu gostaria de observar que a questão não é só o latim, porque também tem o rito de Paulo VI em latim, e os sacerdotes rezam sem problema. Não é o uso do latim, é o que a Summi Pontificatus (encíclica do Papa Pio XII, de 1939) fala da missa em rito extraordinário. A Summi Pontificatus já tinha algumas observações para rezar essa missa, que era justamente do Bento XVI. Agora, como a celebração extraordinária foi usada de forma ideológica para atacar o Concílio Vaticano II, o Papa Francisco teve por bem, avaliando, que tinha que restringir essa missa, porque se tornava uma questão de divisão contra a unidade. Estava se retrocedendo, dizendo que o Concílio não valia. Isso não pode acontecer. Agora, aqui em Campos eu não vejo uma situação desse tipo. Eu e a Administração (Apostólica São João Maria Vianney), temos uma cordialidade, uma união perfeita. Esse rito extraordinário ficará para com eles, porque eu não tenho por que delegar a alguém quando existe aqui a Administração, delegada pelo próprio Papa para esse rito extraordinário. O problema são esses grupos que estão se afastando progressivamente da comunhão eclesial.
Dom Fernando – Numa conversa pessoal que eu tive com o Papa Francisco, eu estava em Roma. E eu falei: “Santidade, eu estou aqui para o encontro Summorum Pontificum”. E o Papa falou assim: “Eu só sou contra à instrumentalização da missa antiga para usar contra o Papa e contra o Vaticano”. E eu falei: “E eu também, estou aqui para isso, para mostrar exatamente como é o correto uso do latim, da missa tradicional, em adesão ao Papa e em aceitação ao Concílio Vaticano II”. E o papa falou: “Assim está ótimo. Se for assim, é uma das riquezas da Igreja”. Então, na verdade, o papa não aboliu a missa em latim, ele regulamentou. O latim é a língua conservada na igreja porque foi a língua dos primeiros cristãos. Lembra dos primeiros cristãos que nasceram ali em Roma. E é a língua oficial da Igreja até hoje, por isso os documentos oficiais da Igreja estão em latim.
Dom Roberto – Agora, eu gostaria de dizer desses grupos tradicionalistas que, pela primeira vez, não aceitam o papa quando o Concílio Vaticano II colocou um missal. O missal não tirava os outros ritos, nunca tirou outros ritos. Mas foi contestada essa missa. Por isso, não podemos ter esquecimento do que aconteceu também. Antes, acontecia: o Papa determinava um novo missal e ninguém contestava isso. Pela primeira vez, os tradicionalistas contestaram. Agora, pela primeira houve uma contestação, que foi a contestação do missal do Concílio. O missal do Concílio Vaticano II não tinha tirado outros ritos, mas pela primeira vez se contestou isso. Foi necessária a paz litúrgica, que houve aqui e tornou Campos um itinerário para viver essa paz.
Dom Fernando – É bom saber: esses grupos também me atacam muito, porque eu estou em união com o Papa e com o bispo. Me atacam como se eu fosse um traidor, um liberal. Isso é um absurdo. Só por que aceito o Papa e aceito o Concílio Vaticano II? E, de fato, foram esses grupos que provocaram essa intervenção do Papa, porque estava virando uma bagunça. Isso não pode. Quem aceita a missa na forma antiga, a missa tradicional, o rito romano antigo, ele não pode contestar a Igreja.
Governo Wladimir
Dom Roberto – Eu já dei uma nota recentemente (8,5, no Folha no Ar de 6 de julho). A minha avaliação foi bastante positiva, porque vejo que o Wladimir teve o empenho de restabelecer o Restaurante Popular, que, em termos de pandemia e de tanto desemprego, é um recurso importantíssimo na alimentação. Segundo: parece que ele tratou bem da questão da saúde. O problema viário, do transporte, também. Talvez, a única reserva, mas que ele voltou atrás, era a questão do teatro Kapi, que seria administrado por uma administração evangélica. Mas, a primeira impressão que temos, nos primeiros meses de gestão, é de uma gestão que escuta, que vai ao encontro e que trata de acertar e cumprir promessas feitas.
Dom Fernando – Primeiro, uma coisa negativa: lembro que ele falou aqui, neste programa, que tinha ganho R$ 5 milhões para tapar todos os buracos das ruas da cidade. Isso aí não está tudo tapado não, porque eu tenho andado pela cidade, e tem muito buraco ainda (risos). Wladimir, lembra aí, você está devendo isso. Tem que recapear, porque tem muito buraco na cidade. Mas uma coisa que eu acho boa é que eu converso às vezes com funcionários da Prefeitura, e eles dizem que ele tem pago os empregados. Agora, a gente não pode dar nota 10, porque tem muita coisa para fazer ainda. E também seria até injusto eu dizer que vou dar uma nota 7, 8, porque falta muita coisa e acho que ele pretende fazer. Nós vamos pedir, hoje, ao Santíssimo Salvador para que ele continue fazendo o bem, com essa meta de melhorar.
Restrição do Papa Francisco às missas em latim
Dom Roberto – Eu gostaria de observar que a questão não é só o latim, porque também tem o rito de Paulo VI em latim, e os sacerdotes rezam sem problema. Não é o uso do latim, é o que a Summi Pontificatus (encíclica do Papa Pio XII, de 1939) fala da missa em rito extraordinário. A Summi Pontificatus já tinha algumas observações para rezar essa missa, que era justamente do Bento XVI. Agora, como a celebração extraordinária foi usada de forma ideológica para atacar o Concílio Vaticano II, o Papa Francisco teve por bem, avaliando, que tinha que restringir essa missa, porque se tornava uma questão de divisão contra a unidade. Estava se retrocedendo, dizendo que o Concílio não valia. Isso não pode acontecer. Agora, aqui em Campos eu não vejo uma situação desse tipo. Eu e a Administração (Apostólica São João Maria Vianney), temos uma cordialidade, uma união perfeita. Esse rito extraordinário ficará para com eles, porque eu não tenho por que delegar a alguém quando existe aqui a Administração, delegada pelo próprio Papa para esse rito extraordinário. O problema são esses grupos que estão se afastando progressivamente da comunhão eclesial.
Dom Fernando – Numa conversa pessoal que eu tive com o Papa Francisco, eu estava em Roma. E eu falei: “Santidade, eu estou aqui para o encontro Summorum Pontificum”. E o Papa falou assim: “Eu só sou contra à instrumentalização da missa antiga para usar contra o Papa e contra o Vaticano”. E eu falei: “E eu também, estou aqui para isso, para mostrar exatamente como é o correto uso do latim, da missa tradicional, em adesão ao Papa e em aceitação ao Concílio Vaticano II”. E o papa falou: “Assim está ótimo. Se for assim, é uma das riquezas da Igreja”. Então, na verdade, o papa não aboliu a missa em latim, ele regulamentou. O latim é a língua conservada na igreja porque foi a língua dos primeiros cristãos. Lembra dos primeiros cristãos que nasceram ali em Roma. E é a língua oficial da Igreja até hoje, por isso os documentos oficiais da Igreja estão em latim.
Dom Roberto – Agora, eu gostaria de dizer desses grupos tradicionalistas que, pela primeira vez, não aceitam o papa quando o Concílio Vaticano II colocou um missal. O missal não tirava os outros ritos, nunca tirou outros ritos. Mas foi contestada essa missa. Por isso, não podemos ter esquecimento do que aconteceu também. Antes, acontecia: o Papa determinava um novo missal e ninguém contestava isso. Pela primeira vez, os tradicionalistas contestaram. Agora, pela primeira houve uma contestação, que foi a contestação do missal do Concílio. O missal do Concílio Vaticano II não tinha tirado outros ritos, mas pela primeira vez se contestou isso. Foi necessária a paz litúrgica, que houve aqui e tornou Campos um itinerário para viver essa paz.
Dom Fernando – É bom saber: esses grupos também me atacam muito, porque eu estou em união com o Papa e com o bispo. Me atacam como se eu fosse um traidor, um liberal. Isso é um absurdo. Só por que aceito o Papa e aceito o Concílio Vaticano II? E, de fato, foram esses grupos que provocaram essa intervenção do Papa, porque estava virando uma bagunça. Isso não pode. Quem aceita a missa na forma antiga, a missa tradicional, o rito romano antigo, ele não pode contestar a Igreja.
Conflito aberto entre Poderes no Brasil
Dom Roberto – A CNBB, em assembleia geral, colocou um documento claro, em que se preocupa também com a desconstrução da Constituição de 1988. Que ela trabalha justamente a autonomia dos municípios, todo esse problema vertical da União federal com governadores e prefeitos, essa discórdia que aconteceu em relação à pandemia. Isso atrasou, de fato, a vacinação. Leva a óbitos e mortes muito elevados. A Igreja observa assim. E também o choque horizontal entre os seus Poderes, no qual se atacam pessoas. Inclusive, se fala de poder moderador e de alterar as regras de jogo eleitorais, dizendo que, se não se alterar, vai haver uma intervenção. Isso nos dá um clima muito de instabilidade e de certo temor. Nós estamos pensando que queremos eleições com regras, as mesmas. Não se pode alterar no momento. E também queremos superar esta polarização, este conflito, à luz da “Fratelli tutti” (“Todos irmãos”, encíclica) do Papa Francisco. Porque, para reconstruir o Brasil neste momento de pandemia, vamos precisar de pessoas que agreguem, não que polarizem. Pessoas que sejam de diálogo. Nós estamos defendendo o diálogo. Diálogo, fraternidade e amizade social. E é isso que vamos pensar nas eleições de 2022.
Dom Fernando – Eu acho que todo fanatismo é ruim e acaba gerando a polarização, radicalização. Qualquer fanático não enxerga, só enxerga a sua posição. Isso vale para futebol, para qualquer coisa. Se fulano é fanático por um time e o time dele está perdendo, é horrível, ele continua dizendo que é o melhor de todos. Isso vale muito para o pró-Bolsonaro e o contra Bolsonaro. Existe fanatismo do pró-Bolsonaro e do contra Bolsonaro. E aí, ninguém enxerga mais nada. É a mesma coisa essa questão do voto impresso. Acho que podia haver uma conciliação. Tudo bem, Bolsonaro fica insistindo demais nesse negócio de voto impresso. Mas, por outro lado, por que os outros também não cedem? Mas, não, vira uma guerra. Eu acho que isso não contribui para a paz. O que faz a democracia é o equilíbrio entre os três Poderes. O Executivo, o Legislativo e o Judiciário têm que estar equilibrados. Se ficarem brigando o tempo todo, quem vai sofrer? Na briga do mar com as pedras, os caramujos é que sofrem. Na briga do Executivo com o Judiciário, o pobre coitado do povo vai sofrendo com desgoverno. Vamos rezar para que tudo fique em paz e que haja esse equilíbrio entre os três Poderes.
Promotor Marcelo Lessa (Foto: Valimir Oliveira/Folha da Manhã)
Após quatro testes PCR negativos, foi descartado o diagnóstico de Covid-19 do promotor de Justiça Marcelo Lessa Bastos, internado na UTI do Hospital Dr. Beda desde a madrugada de quinta (5). Ainda na tarde desta sexta (6), ele será transferido da UTI do hospital reservada aos pacientes de Covid, para outra, destinada aos enfermos de outras doenças.
Segundo informou ao blog a esposa do promotor, Viviane, o mais provável é que ele tenha uma doença pulmonar de base. Ainda sem diagnóstico fechado, a suspeita é de tromboembolia pulmonar. O fato é que seu quadro ainda é considerado muito grave. Marcelo sofre também de arritmia cardíaca, doença que mantinha controlada. Ele não fuma ou bebe e tinha tomado a primeira dose de vacina contra Covid. Tomaria a segunda na próxima semana.
Sem nenhum sintoma prévio de Covid, Marcelo começou a passar mal durante uma aula online na noite de quarta (4), de 21h às 23h, que insistiu para concluir. Daí sua esposa fez a medição com oxímetro da saturação de oxigênio em seu sangue. A internação, para receber suporte de oxigenação, é recomendada com 95%, e a dele estava em 72%. Ele deu entrada no Beda por volta da 0h de quinta. E após uma tomografia constatar comprometimento dos seus pulmões entre 85% e 90%, passou à UTI Covid por volta das 3h da manhã. Às 4h, chegou a ter uma parada cardíaca, mais foi reanimado pela equipe médica.
Viviane se disse emocionada com as várias manifestações de preocupação, carinho e solidariedade da sociedade para com seu marido. Ela deu seu testemunho da missa na manhã de hoje, realizada na Catedral de Campos pelo bispo diocesano Dom Roberto Ferrería Paz. Tradicionalmente celebrada pela data dedicada ao Santíssimo Salvador, padroeiro da cidade, Dom Roberto a rezou também pela recuperação de Marcelo:
— Estava lá atrás, incógnita, com a Catedral cheia pela missa do padroeiro de Campos. E, na sua homilia, Dom Roberto também disse que a missa era também em intenção da recuperação de Marcelo. Por tudo que ele fez em sua luta como promotor pela sociedade, em especial no combate à Covid. Dom Roberto disse ter muita fé em Deus de que Marcelo vai se curar. E essa é a fé que eu e meus filhos também temos, agora mais aliviados após o diagnóstico de Covid ter sido descartado.
Ontem o Hospital Dr. Beda emitiu nota sobre o estado de saúde de Marcelo, em que informou:
— O hospital Geral Dr. Beda informa que o paciente Marcelo Lessa Bastos permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva deste hospital, aos cuidados do Dr. Marcelo D’avila. O paciente Marcelo Lessa Bastos, encontra-se em estado grave, intubado, em ventilação mecânica (respirando por aparelhos), com parâmetros ventilatórios altos. Está sedado, bloqueado (com medicação para dormir e bloquear os músculos), necessitando de aminas vasoativas (medicações para aumentar a pressão) em doses elevadas. Foi necessário ficar em posição prona. Apresenta piora da função renal.
A partir das 7h da manhã desta sexta (6), dia do Padroeiro da planície goitacá, os convidados para fechar a semana são os dois bispos católicos da cidade: o diocesano Dom Roberto Ferrería Paz e o da Administração Apostólica São João Maria Vianney, Dom Fernando Rifan. Eles falarão do Papa da Argentina, do bispo do Uruguai e, sobretudo, do São Salvador de Campos.
Pastores da Igreja Católica de Roma, os dois também falarão da restrição imposta pelo Vaticano à celebração das missas em latim, no eco ao Concílio Vaticano II entre 1962 e 1965, para o desagrado de alguns fiéis tradicionalistas da região. Por fim, os dois bispos de Campos analisarão o governo Wladimir Garotinho (PSD) e darão suas projeções ao juízo laico das urnas de 2022.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
A partir das 7h da manhã desta quinta (5), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o deputado federal Paulo Ganime (Novo/RJ). Ele falará sobre seu trabalho parlamentar para Campos e região, como as emendas que conseguiu para o IFF. Falará também sobre aliança do Centrão com o governo Jair Bolsonaro (sem partido), e as PECs do voto impresso e dos precatórios no Congresso. E, por fim, analisará o conflito entre os Poderes da República e dará sua projeção para as urnas de 2022.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Ao apertar a mão de Castro, Wladimir disse: “Governador, é um prazer (lhe) receber. Queria agradecer, em nome do povo de Campos e toda a região Norte e Noroeste, o apoio que você está nos dando. E tenho certeza que vai anunciar muitas coisas boas, mais uma vez, para a nossa população”. Ao fazer uso da palavra na sequência do adversário político campista, Bacellar disse: “Agradeço pelas palavras, governador, prefeito Wladimir. Tenha a certeza que com esta junção aqui (falou gesticulando ao governador e ao prefeito), quem ganha é a cidade de Campos e toda a região”.
Juntos?
No vídeo, não foram anunciadas medidas concretas da agenda de quatro dias do governador na cidade. No entanto, o espectador mais atento pôde notar que Wladimir não citou nominalmente Bacellar, nem o cumprimentou, como fez com Castro. Pode ter sido, lógico, só um ato falho, sem nenhuma intenção ou significado. Mas o fato é que o secretário citou o prefeito e acenou a ele, na sua vez de falar. Entre seus dois aliados políticos, que passaram a última semana disputando sua agenda na cidade, o governador está absolutamente certo ao afirmar: “é assim, juntos, que a gente vai conseguir mudar Campos”.
MP pede cassação
Mesmo sem o tradicional aperto de mão com Bacellar, o encontro de ontem foi favorável a Wladimir. Que precisava de uma agenda positiva após o Ministério Público Eleitoral divulgar, na noite de segunda (2), seu parecer na ação em que pediu a cassação do prefeito e o vice, Frederico Paes (MDB). Além da inelegibilidade por oito anos. A denúncia é de abuso de poder econômico e promoção de fake news contra o então candidato Caio Vianna (PDT), ligando este ao ex-prefeito Rafael Diniz (Cidadania), no segundo turno das eleições a prefeito de Campos 2020. Que caberá ao Judiciário apreciar, após as alegações finais da defesa.
Ex-prefeito e ex-presidente da Câmara Municipal de Campos Nelson Nahim, entrevistado do Folha no Ar de terça (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)
Nahim: elogio e crítica
Ex-prefeito e ex-presidente da Câmara Municipal, e tio de Wladimir, Nelson Nahim falou também como advogado ao programa Folha no Ar da manhã de ontem. E, na Folha FM 98,3, disse que o pedido do MP não deve alterar o resultado das urnas de 2020. Ele deu nota 7 aos 7 primeiros meses de governo do sobrinho. “Dentro das condições que encontrou a Prefeitura, faz um governo bom”. Mas, diante das discordâncias na aprovação do pacote na Câmara, em 25 de maio, e na proposta do Código Tributário, que levaram seu filho e vereador Helinho Nahim (PTC) a sair da base, revelou: “eu me afastei e ele (Wladimir) não fala mais comigo”.
Código Tributário, presidente e gratidão
Sobre a volta do Legislativo, seu ex-presidente projetou a aprovação do projeto governista ao qual ele e seu filho são contrários: “Vão colocar ou não na pauta o Código Tributário? Acho que o governo já tem maioria, com as composições do recesso, para aprovar. O que será uma marca ruim ao bom governo que Wladimir está fazendo”. Nahim aprovou o atual presidente: “Fábio Ribeiro (PSD) tem conduzido a Câmara com presteza”. E mostrou gratidão ao secretário estadual de Governo: “Há um bloco que apoia o governo, um bloco independente e um bloco que tem como capitão Rodrigo Bacellar, que deu um apoio fundamental à eleição de Hélio”.
Pauta de 2021 e aposta a 2022
Sobre a vinda de Cláudio Castro a Campos e região, Nahim listou o que ela pode trazer: “é importante para a Ponte da Integração, e os compromissos em Guarus com a Restaurante Popular e o posto de Detran. Não tem que ter rixa. É uma oportunidade excepcional ter o governador aqui no dia do Padroeiro da cidade, coisa que há muito tempo não acontece”. Sobre as urnas de 2022, o experiente político campista apostou na eleição do atual governador: “Vejo um segundo turno entre Castro e Marcelo Freixo (PSB). Rodrigo Neves (PDT) não vai ter capilaridade, sobretudo no interior. E acho que o governador vai ganhar a eleição”.
Campista aposta e ganha
Outro campista, André Paes Viana também apostou. E faturou a bagatela de US$ 51,2 mil, que rendem no câmbio de hoje cerca de R$ 270 mil. Em tempo das Olimpíadas em Tóquio, ele conquistou a medalha de prata no pôquer, no evento Sunday Million. Com o nome Andre “Paes232” Viana, escapou da eliminação várias vezes. Chegou a ser “lanterna” da competição, mas provou que, como bom brasileiro, campista não desiste nunca. Com uma incrível reação, brilhou para alcançar o segundo prêmio máximo. O evento, no PokerStars, teve início no domingo e a mesa final foi jogada na segunda.
A partir das 7h da manhã desta quarta (4), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o vereador Raphael Thuin (PTB), ex-campeão mundial de natação. Como ex-atleta, ele avaliará a atuação do Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio. E, na transição do esporte à política, falará sobre a mudança do projeto Paraespeorte da Fundação Municipal dos Esportes para a Uenf, e da sua relação hoje com o governo Wladimir Garotinho (PSD).
Por fim, o edil analisará o retorno da Câmara Municipal, as perspectivas do projeto do novo Código Tributário e a força do setor produtivo goitacá. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
A partir das 7h da manhã desta terça (3), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é Nelson Nahim, ex-prefeito e ex-presidente da Câmara Municipal de Campos. Ele avaliará os sete primeiros meses de governo do prefeito Wladimir Garotinho (PSD). Falará também sobre sua expectativa para a retomada dos trabalhos do Legislativo goitacá, o governo estadual Cláudio Castro (PL) em Campos e as urnas de 2022.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Rodrigo Bacellar promete trazer o projeto Segurança Presente para Campos (Foto: Divulgação)
Um dos programas de maior aprovação do Governo do Estado, o Segurança Presente, vai chegar a Campos ainda este ano. O secretário estadual de Governo, Rodrigo Bacellar (SD), informou que, após autorização do governador, estudos já estão em andamento para o início dos trabalhos em Campos. Outra notícia importante é sobre a confirmação de um Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRV) no 5º Distrito de São João da Barra, em Pipeiras, um pedido do poder público municipal em sintonia com o Porto do Açu.
Segundo Rodrigo, o Segurança Presente, coordenado pela secretaria estadual de Governo, está sendo expandido para o interior e Campos será uma das cidades escolhidas. “É um modelo, muito bem sucedido, de policiamento de proximidade que complementa a atuação da Polícia Militar. Promovemos ações de segurança pública, cidadania e atendimento social, visando um ambiente mais seguro e acolhedor aos moradores, comerciantes e turistas das regiões onde atua”, destacou Rodrigo.
Com resultados impactantes de redução de criminalidade no horário e área de atuação, a Operação Segurança Presente ganhou a confiança da população fluminense e se tornou uma marca forte e desejada por todos.
O efetivo é formado por policiais militares, agentes civis (egressos das Forças Armadas) e assistentes sociais.
O patrulhamento é feito a pé, de bicicleta, de motocicleta e viaturas.
BPRV — Em São João da Barra, na localidade de Pipeiras, no 5º Distrito, será construído um Batalhão da Polícia Rodoviária (BPRV). “Em diálogo junto ao poder público municipal e representantes do Porto do Açu, foi passada a importância deste Batalhão, diante do fluxo gerado pelo Porto.
A partir das 7h da manhã desta segunda (2), quem abre a semana do Folha no Ar é Marcelino Moreira, mestre de taekwondo e referência do esporte em Campos. Ele analisará o desempenho brasileiro em lutas como o seu taekwondo, mas também no judô e no boxe inglês, nas Olimpíadas de Tóquio. Também falará das perdas de atletas marciais de Campos para a Covid-19. E, por fim, explicará terapias alternativas de tratamento de saúde, vindas do Oriente.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta segunda pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Cláudio Castro, Rodrigo Bacellar, Wladimir e Anthony Garotinho (Montagem: Joseli Mathias)
Projeto Fênix com Castro
Na próxima sexta (6), o projeto Fênix será apresentado e entregue ao governador Cláudio Castro (PL), durante um café empresarial às 8h da manhã, na CDL-Campos. Em busca de alternativas de desenvolvimento autossustentado ao Norte e Noroeste Fluminense, o documento final será apresentado em reunião nesta terça (2), às 18h30, na Fundenor. Por seus 22 signatários, representantes do setor empresarial, agropecuário e agroindustrial da região. Na entrega ao governador, a ideia é formalizar junto ele um protocolo para formar grupos de trabalho em torno dos temas propostos.
Questão regional
A entrega do projeto Fênix a Cláudio Castro, visando o desenvolvimento autossustentado da região, foi confirmada em reunião na última quinta (29), no Rio. Dela participaram o secretário estadual de Governo, Rodrigo Bacellar (SD), e os diretores da Folha, Diva e Christiano Abreu Barbosa. No sentido de aproveitar a presença do Governo do Estado itinerante em Campos, entre quinta (5) e domingo (8). E é fruto também da série de 11 painéis feitos pela Folha da Manhã, entre julho e setembro de 2020, ouvindo 34 representantes da sociedade civil organizada. Na qual se buscou debater alternativas à crise financeira do município.
Questão militar
Das grandes questões regionais às nacionais, entre a tarde e a noite de ontem (30) a Folha FM 98,3 e a Plena TV transmitiram ao vivo o debate virtual “A questão militar: do Império aos nossos dias”. Promoção da Fundação Astrojildo Pereira (FAP), o evento teve como debatedores o ex-ministro da Defesa Raul Jungmann, o historiador e professor da UFRJ José Murilo de Carvalho e o general da reserva Francisco de Brito Filho. A entrevista deste ao programa Folha no Ar no último dia 23 foi reproduzida na edição do jornal impresso do último sábado (24). A coordenação foi do cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf.
Campos no debate nacional
É a segunda parceria da FAP e o Grupo Folha para colocar Campos na discussão dos principais temas do país, com nomes nacionais. A primeira foi o debate “A política econômica do desenvolvimento: de Vargas aos nossos dias”, em 14 de maio. Que reuniu dois ex-ministros, os professores Luiz Carlos Bresser-Pereira e Cristovam Buarque, este também ex-senador e ex-governador de Brasília. Ambos foram entrevistados pela Folha. Destaca-se nesses eventos o trabalho do professor Hamilton. Que pensa para além da academia debates genuínos. Não só variações do mesmo pensamento, como infelizmente ocorre no polo universitário de Campos.
Parecer da PRE
A Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) do Rio de Janeiro pediu a condenação de Wladimir Garotinho (PSD) a oito anos de inelegibilidade, por captação ilícita de sufrágio. O processo não tem ligação com o atual mandato de prefeito, é uma denúncia do Psol, do pleito de 2018, no qual ele foi eleito deputado federal. Segundo o partido, escutas telefônicas da operação Verde Oliva comprovariam que Wladimir e o deputado estadual Bruno Dauaire (PSC) teriam sido beneficiados pelo tráfico para fazer campanha no Eldorado. Apesar de pedir a condenação de Wladimir, que nega a irregularidade, a Procuradoria se posicionou pela absolvição de Bruno.
“Desacelerada”?
Em 16 de junho, foi transcrita nesta coluna uma análise de Wladimir sobre o ex-governador Anthony Garotinho (sem partido), feita no programa Folha no Ar do dia 11 daquele mês. Apesar de endossar a pré-candidatura do pai “a deputado, ou estadual, ou federal”, o prefeito pontuou: “Meu pai está com 61 anos, está na hora de dar uma desacelerada”. Ontem, em suas redes sociais, Garotinho acelerou. E colocou em dúvida a urna eletrônica, citando sua não ida ao 2º turno na eleição a governador de 2014, disputado entre Marcelo Crivella (Republicanos) e o vencedor Luiz Fernando Pezão (MDB), entrevistado de ontem no Folha no Ar.
2014 sem paixão
Quem observou aquela eleição de 2014 sem paixão, pôde observar que um político até então marcado pela agudeza da inteligência, Garotinho começou a cometer ali decisões que se revelaram desastradas. Embora, no final daquele ano a queda do preço do barril de petróleo no mercado internacional tenha marcado o início das “vacas magras” para Campos, há quem também credite aos compromissos que Garotinho assumiu para tentar se eleger a governador, e não pôde cumprir, como outro motivo à decadência do governo municipal Rosinha. Que piorou quando seu marido, sem ter o que fazer, se mudou a Campos para assumir de vez.
Naufrágios e desculpas
Questionar as urnas eletrônicas, sem uma única denúncia de fraude comprovada desde que começaram a ser implantadas no Brasil em 1996, parece ser acelerar à parte mais funda do rio Paraíba em uma canoa furada. De jet-ski no Lago do Paranoá, maior de Brasília, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vê naufragar a PEC 135, que tenta no Congresso o comprovante impresso do voto. Cujo afundamento já é dado como certo até por aliados do governo federal. Garotinho prega contra a urna eletrônica como desculpa de que não perdeu no passado. Bolsonaro insiste nela como desculpa à possível derrota no futuro próximo de 2022.
— Agora que sobreviveu à guerra, o que fará quando chegar em casa? — indaga Brad Pitt na pele do tenente Aldo Reiner, líder do pequeno grupo de soldados judeus dos EUA na França ocupada pela Alemanha Nazista na II Guerra Mundial (1939/1945). Dispostos a levar terror a quem levou terror ao mundo, são batizados de “Bastardos Inglórios”, batizando o filme de Quentin Tarantino de 2008.
— Vou abraçar minha mãe como nunca a abracei! — responde o soldado nazista apavorado, após revelar a posição de outras tropas alemães aos inimigos que executaram a sua.
— Isso não é lindo? E você vai tirar o uniforme?
— Vou tirá-lo e queimá-lo! — jura de pés juntos o nazista ajoelhado.
— Foi o que pensamos. Não gostamos disso. Gostamos de nazistas de uniformes para identificá-los de imediato. Se tiram os uniformes, ninguém saberá que são nazistas. Então lhe darei uma coisa para não tirar mais! — diz Pitt, enquanto saca sua faca da bainha, usando-a para riscar a suástica para sempre na carne da testa do nazista cuja vida poupou.
Da ficção à realidade, vários são os fatos que marcam a associação entre o bolsonarismo e o nazifascismo. Muito embora alguns bolsonaristas pensem poder negá-la como um nazista que tira o uniforme. Por igualmente pensarem que todos ignoram a História quanto eles próprios.
Para quem não ignora pelo menos a História do Brasil dos últimos anos, vamos aos fatos:
Roberto Alvim, ex-secretário da Cultura de Jair Bolsonaro, e Joseph Goebbels, ex-ministro da Propaganda de Adolf Hitler
1 – Era 16 de janeiro de 2020. Quando, ao som de Richard Wagner, ídolo assumido do líder nazista Adolf Hitler, o então secretário de Cultura do presidente Jair Bolsonaro, Roberto Alvim, proclamou em pronunciamento oficial ao vivo nas redes sociais: “A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada”. Ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels proclamou em 1933: “A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”. Diretor teatral, o secretário de Bolsonaro copiou minuciosamente, além das palavras de Goebbels, também a indumentária, a entonação verbal e o cenário do ministro de Hitler.
2 – Era a madrugada de 31 de outubro de 2020. Quando o grupo bolsonarista autointitulado “300 do Brasil”, que não chegava a 30 integrantes, promoveu uma marcha em Brasília com máscaras, roupas negras e tochas acesas, copiando a estética das manifestações públicas dos nazistas e da Ku Klux Klan (KKK), grupo supremacista branco dos EUA. O protesto terminou com ameaças diante do Supremo Tribunal Federal (STF) e foi liderado pela ativista Sara Winter, ex-coordenadora de políticas de maternidade do ministério da Saúde no governo Bolsonaro.
3 – Era 24 de janeiro de 2021. Quando, três meses antes da CPI da Covid ser aberta, o Senado cobrava ao então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, explicações sobre o trabalho do governo federal — ou ausência dele — para adquirir vacinas ao povo brasileiro. Enquanto falava Rodrigo Pacheco (DEM/MG), presidente do Senado, atrás dele o assessor de Bolsonaro para Assuntos Internacionais, Filipe Martins, foi flagrado fazendo duas vezes o gesto mundialmente reconhecido e condenado como símbolo do supremacismo branco. Com três dedos significando a letra “w” e dois o “p” (“white power”, ou “poder branco”).
Líder fascista Benito Mussolini e presidente brasileiro Jair Bolsonaro
Neta de ministro de Hitler e deputada alemã de extrema-direita investigada como neonazista, Beatrix von Storch posa para foto com Bolsonaro e seu marido
5 – Era 26 de julho de 2021, última segunda-feira. Quando a deputada alemã Beatrix von Storch publicou em suas redes sociais a foto de um encontro na semana anterior, com Jair Bolsonaro. Fora da agenda oficial deste e que não teve o motivo revelado pelo governo brasileiro. Do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), fundado em 2013 com bandeiras racistas, sexistas, islamofóbicas, antissemitas, xenófobas e anti-imigração, a parlamentar é investigada pelo serviço de Inteligência alemão por propagar ideias neonazistas. Em 2016, ela defendeu publicamente que a polícia do seu país abrisse fogo contra imigrantes, incluindo mulheres e crianças, que tentassem entrar ilegalmente na Alemanha. Beatrix é neta de Lutz Graf Schwer, ministro das Finanças de Adolf Hilter.
O STF não proibiu o governo federal de agir na pandemia! Uma mentira contada mil vezes não vira verdade! Compartilhe este vídeo e leve informação verdadeira a mais pessoas. #VerdadesdoSTF#FakeNewsNãopic.twitter.com/FpmLgNia0z
Outro ministro de Hitler, copiado pelo ex-secretário da Cultura de Bolsonaro, foi associado diretamente pelo STF ao capitão e à capacidade patológica de mentir que caracteriza ele e seus seguidores. Era 28 de julho, última quarta. Quando a Corte mais alta do país veiculou um vídeo nas redes sociais tão caras ao bolsonarismo: “Uma mentira repetida mil vezes vira verdade? Não. É falso que o Supremo tenha tirado poderes do presidente da República de atuar na pandemia. É verdadeiro que o STF decidiu que União, estados e prefeituras tinham que atuar juntos, com medidas para proteger a população. Não espalhe fake news!”.
Sentença mais famosa de Goebbels, “uma mentira contada mil vezes vira verdade” foi usada pelo STF para responder a Bolsonaro. Que havia repetido mais uma vez, em entrevista a uma rádio da Bahia, que o Supremo deu muito mais poderes para governadores e prefeitos do que a ele, no combate à Covid-19. Contada milhões de vezes pelo presidente e sua seita, a mentira tenta mascarar a verdade, como um nazista que pensa poder deixar de sê-lo ao tirar o uniforme: a responsabilidade do governo federal na morte de mais de 554 mil brasileiros. Em meio milênio da História do Brasil, é o mais próximo ao Holocausto dos judeus pelos nazistas.
Charge de Vitor Flynn ao jornal francês Le Monde, baseada em cena do filme “Dr. Fantástico” (1964), de Stanley Kubrick
Na dúvida, os números. Com 2,7% da população mundial, se o Brasil mantivesse a média de baixas do resto da Terra durante a pandemia, teria 113.400 óbitos. As outras 440.600 vidas humanas perdidas no país ficam na conta do negacionismo do seu governo, da sua aposta assassina na imunidade de rebanho e em medicamentos ineficazes como a Cloroquina, do seu atraso doloso na compra de vacinas ofertadas dezenas de vezes por laboratórios mundialmente respeitados, enquanto se dava preferência a negociações no mínimo suspeitas com atravessadores desqualificados, em busca de propina. Tudo revelado e ainda a revelar na CPI da Covid. E que aderiu ao governo Bolsonaro o adjetivo bem conhecido de “ladrão”, aos de apreensão popular mais difusa, como “genocida”, “fascista” ou “nazista”.
(Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)
Ainda assim, foi emblemática a suástica riscada na testa do bolsonarismo pelo STF. Com a sentença nazista que melhor define o movimento, o governo e as fake news que o elegeram em 2018. Cuja marca não será esquecida com a queima do uniforme após as urnas de 2022. Que, na noite de quinta (29), ficaram mais próximas. Quando Bolsonaro admitiu em sua live semanal não ter prova das fraudes que nunca existiram no Brasil com o voto eletrônico.