Conclusões técnica e política da novela do Ideb de Campos

 

Jefferson de Azevedo, Wladimir Garotinho, Gilberto Gomes, Marcelo Feres, Auxiliadora Freitas, Eduardo Shimoda e George Gomes Coutinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

No dia 14 foi divulgado (confira aqui)  o novo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) com aumento da nota de Campos. No mesmo dia, o prefeito Wladimir Garotinho (PP) gravou e divulgou (confira aqui) vídeo no Instagram, comemorando o fato. Que foi ironizado e questionado (confira aqui) em vídeo gravado e divulgado no dia seguinte (15), pelo professor Jefferson de Azevedo, ex-reitor do IFF e candidato do PT a prefeito.

— Parabéns a toda equipe da secretaria de Educação, aos professores, diretores, auxiliares e demais funcionários! Aos que só sabem criticar e atacar com discursos de salvadores da pátria, está aí mais uma prova que nosso trabalho está gerando resultados, transformando a vida das pessoas e cuidando do futuro da cidade. A educação é a base da transformação social — celebrou Wladimir no dia 14.

— A nota do Ideb leva em consideração, entre outros fatores, a aprovação do aluno e em Campos o governo adotou o sistema de aprovação automática. Ou seja, nossos estudantes passam de ano mesmo se não souberem ler ou escrever. O dublê de digital influencer que se diz prefeito deveria se preocupar com o futuro das nossas crianças e não em enganar a população com notícias maquiadas — bateu Jefferson no dia 15.

Ocorre que, na coluna Ponto Final publicada na quarta (21), os questionamentos de Jefferson foram questionados (confira aqui) não por políticos adversários, mas por dois colegas seus da própria academia: Eduardo Shimoda, professor de Estatística e de Indicadores de Qualidade da Educação no Mestrado e Doutorado em Planejamento Regional e Gestão da Cidade da Universidade Candido Mendes; e o cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos.

Questionado tecnicamente por seus pares da academia, Jefferson dobrou a aposta e reforçou seus questionamentos (confira aqui) na quinta (22). Quando disse ao blog Opiniões:

— O resultado do Ideb é mais uma maquiagem do governo Wladimir Garotinho e a educação do município continua nas piores colocações do Norte Fluminense, mesmo com um orçamento gigantesco. O único valor histórico que poderia ser anunciado em forma de ‘petáculo’ deveria ser o da taxa de aprovação, que, em 2023, foi de 95%, ultrapassando até mesmo a marca de 91% do período da pandemia, quando todas as escolas estavam fechadas — reafirmou Jefferson. Que recebeu o apoio de Gilberto Gomes, candidato a vereador e secretário de Comunicação do PT de Campos:

— Penso que neste momento eleitoral, além da análise dos dados do Ideb como importante indicador, pesa também a questão propositiva de uma candidatura como a de Jefferson, ligada diretamente ao tema da educação. Não é possível deixar de analisar o conteúdo político para adotar apenas uma leitura técnica sobre os dados do Ideb. Politicamente, concordo com Jefferson que a educação de Campos deixa muito a desejar — disse Gilberto.

Ontem, na sexta (23), após ser criticado diretamente por Jefferson como “ex-secretário de Educação”, sem ser nominado, o professor Marcelo Feres, candidato a vereador pelo PDT, devolveu na mesma moeda. E questionou diretamente (confira aqui) seu ex-colega de magistério no IFF, onde lecionou até 2017, e hoje opositor político:

— Vejo uma insistência descabida de candidatos a prefeito de Campos em negarem o fato de que a educação municipal está tomando o rumo certo, conforme refletido no Ideb 2023. É nítido que há uma torcida contra o avanço da educação se o mérito não couber em um modelo narcisista. O questionamento do Ideb 2023 de Campos foi uma encenação precipitada, irônica e sem base científica — rebateu Feres.

Ex-secretária de Educação de Campos de 1997 a 2003, nos governos Anthony Garotinho e Arnaldo Vianna, além de ex-vereadora, a professora Auxiliadora Freitas também se posicionou:

— Sou totalmente contra o sensacionalismo político criado em torno do Ideb. A qualidade da educação deve ser avaliada e analisada com mais profundidade. Quando o índice fica baixo tentam colocar como se a educação fosse péssima e quando fica um pouco melhor, como se fosse ótima. As análises precisam ser mais consistentes, menos simplistas, com fins que não sejam a qualidade da educação — pregou Auxiliadora.

Wladimir, Jefferson, Gilberto, Feres e Auxiliadora são políticos. Mesmo os que têm formação e experiência em educação são parte nas eleições de 6 de outubro, daqui a apenas 43 dias. A qualquer observador racional, deveria servir de referência nessa polêmica sobre o Ideb as posições técnicas, desapegadas de interesse político/partidário, do estatístico Eduardo Shimoda e do cientista político George Coutinho.

— Nos anos iniciais, de 2021 a 2023, o índice de aprovação aumentou de 91% para 95%, a nota Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica, que avalia conhecimento dos alunos em português e matemática) aumentou de 5,13 para 5,74 e o Ideb foi de 4,70 para 5,40. Parece que a proficiência dos alunos melhorou e aumentou a aprovação. Com mais conhecimento dos alunos, a aprovação aumenta. Não há indício que o aumento do Ideb foi produzido ‘artificialmente’ por aumento da aprovação. O índice de aprovação de Campos foi igual à média do Estado do Rio — lecionou Shimoda.

— O PT de Campos só não explicou por que, se há problema no Ideb, ele não está no instrumento de avaliação do MEC? Que está nas mãos do PT, o (ministro) Camilo Santana é um quadro do PT. Ao tentar desmoralizar o prefeito, se desmoraliza o instrumento. O PT local resolveu, por tática eleitoral, atacar Wladimir. Se houver um hipotético 2º turno sem o PT, ele vai apoiar a candidatura de Madeleine, de extrema-direita de fato? São 5.565 municípios no Brasil. Se maquiar é tão simples, por que não tivemos a explosão no Ideb Brasil afora? — questionou George.

Se a explicação de Shimoda sobre o aumento da nota de Campos no Ideb está correta, a crítica de Jefferson não tem objeto. E isso não depende de simpatia política, mas de fato estatístico. Se os questionamentos de George estão corretos, e o PT de Campos servir de apoio ao que o cientista político chama de “extrema-direita de fato”, o problema político pode ser mais grave. Não só para 2024, como para 2026. A ver.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Gestão aprovada faz 7 prefeitos da região favoritos à reeleição

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Duas novas pesquisa de Campos na 2ª

Campos tem duas pesquisas a prefeito programadas no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para serem divulgadas nesta segunda-feira (26): dos institutos Paraná Pesquisas e Real Time Big Data. Esta já teve uma pesquisa eleitoral de Campos registrada no TSE para divulgação em 25 de julho. O que não ocorreu (confira aqui) por desavenças entre o instituto e o contratante, o jornal carioca O Dia. Por sua vez, pesquisas Paraná a prefeito já foram feitas neste ano eleitoral em Macaé, Cabo Frio, Arraial do Cabo, São Pedro da Aldeia e Rio das Ostras. Em Campos, virá em boa hora, pois a última pesquisa registrada, do instituto Prefab Future, foi feita (confira aqui) em 26 de maio.

 

O que era em maio

Naquela pesquisa Prefab de maio, o prefeito Wladimir Garotinho (PP) liderava com larga vantagem a corrida: 53,7% de intenção de voto na consulta estimulada (com a apresentação dos nomes dos candidatos). Dos então pré-candidatos da oposição, a única que apareceu com dois dígitos na estimulada, mesmo bem distante, foi a deputada estadual Carla Machado (PT): 18,7%. Mas, como a Folha adiantou (confira aqui) desde novembro de 2023, ela não poderia ser candidata a prefeita em 2024, por já ter sido reeleita prefeita de São João da Barra em 2020. O que o TSE confirmou por unanimidade (confira aqui) em 16 de junho. E Carla anunciou sua retirada (confira aqui) 10 dias depois.

 

Wladimir e Madeleine em agosto?

De lá para cá, a pergunta passou a ser: para onde foram os votos de Carla? Pesquisas internas não registradas, tanto dos Bacellar quanto dos Garotinhos, indicam a pulverização. Dos candidatos confirmados em suas respectivas convenções partidárias, mesmo que a Prefab, a Paraná e a Big Data usem metodologias diferentes, não será surpresa se Wladimir crescer um pouco mais nas intenções de voto. Assim como a delegada Madeleine Dykeman (União), que teve 6,8% na consulta estimulada da Prefab. Não será surpresa se ela aparecer agora com dois dígitos de intenção de voto. Embora não deva chegar, por ora, aos 18,7% de Carla em abril.

 

Aprovação de governo = intenção de voto (I)

Wladimir teve (confira aqui) mais de 50% de intenção de voto em todas as pesquisas de 2023 e na, até aqui, única registrada em 2024. Nada indica que vá ter menos nestas duas pesquisas com divulgação prevista na segunda. O que manterá a perspectiva real de fechar a eleição em turno único. Além de Madeleine, outro candidato da oposição precisará chegar aos dois dígitos de intenção de voto para que, desejo pessoal à parte, a chance do 2º turno possa matematicamente existir. A vantagem de Wladimir na disputa, como de qualquer outro governante do mundo candidato à reeleição, é a aprovação popular à sua gestão. Que estava em 70,5% na Prefab de 26 de abril.

 

Aprovação de governo = intenção de voto (II)

As urnas municipais de 6 de outubro serão abertas daqui a 43 dias. Neste ano eleitoral, a partir de pesquisa registradas no TSE, a Folha analisou o panorama da disputa a prefeito em 10 municípios da região: Campos, São João da Barra, Macaé, Cardoso Moreira, Rio das Ostras, Cabo Frio, Arraial do Cabo, São Pedro da Aldeia, Silva Jardim e, mais recentemente, Itaperuna. Em todos eles, a regra é a mesma: se o governo municipal é bem avaliado, o prefeito que tenta a reeleição é favorito nas intenções de voto. E vice-versa: se o governo da cidade é mal avaliado, quem lidera a corrida para sucedê-lo é a oposição.

 

Aprovação de governo = intenção de voto (III)

Wladimir em Campos, Carla Caputi (União) em SJB, Welberth Rezende (Cidadania) em Macaé, Geane Vincler (União) em Cardoso, Marcelo Magno (PL) em Arraial, Fábio do Pastel (PL) em São Pedro e Maira de Jaime (MDB) em Silva Jardim lideram a disputa à reeleição com grande vantagem nas consultas estimulada e espontânea. O motivo é claro nas pesquisas: todos os sete têm governos de ampla aprovação popular. Por outro lado, prefeitos que tentam a reeleição com administrações de baixa aprovação da população, como é o caso de Magdala Furtado (PV) em Cabo Frio, não passam do 3º lugar nas intenções de voto.

 

Rio das Ostras e Itaperuna

Há o caso de Rio das Ostras, onde o governo do prefeito Marcelino da Farmácia (sem partido) tem baixa aprovação popular. E apoia Maurício BM (PV) para sucedê-lo, atrás do líder nas pesquisas Carlos Augusto Balthazar (PL). Como há o caso particular do prefeito de Itaperuna, Alfredo Paulo Marques Rodrigues, o Alfredão (União). Ele apareceu liderando a disputa na consulta estimulada da pesquisa do instituto Personel, outra encomendada pelo jornal carioca O Dia, com 35,9% de intenção de voto. No entanto, na espontânea, não foi além do empate técnico, na margem de erro de 4,5 pontos: ele teve 21,9% contra Nel (PL), com 15,3%.

 

Aprovação de governo = intenção de voto (IV)

O que torna a projeção da eleição a prefeito de Itaperuna particular, a partir da pesquisa de um instituto pouco conhecido e encomendada pelo jornal O Dia, é o fato: o levantamento não divulgou a aprovação do governo Alfredão. O que pode ser um indicador, a olhos mais treinados, de que essa aprovação não é tão alta assim. Diretor do instituto de pesquisa Pro4, o empresário Murillo Dieguez desagradou a oposição de Campos (confira aqui) ao projetar no Folha no Ar de terça (20) o teto de Wladimir nas urnas de 6 de outubro: “em torno de 70% dos votos válidos” (descontados os brancos e nulos). Não por coincidência, é sua aprovação de governo.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Ideb de Campos: Feres vê “torcida contra avanço na educação”

 

Marcelo Feres, Jefferson de Azevedo, Wladimir Garotinho, Eduardo Shimoda, George Gomes Coutinho e Auxiliadora Freitas (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“Vejo uma insistência descabida de candidatos a prefeito de Campos em negarem o fato de que a educação municipal está tomando o rumo certo, conforme refletido no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, confira aqui e aqui) 2023. É nítido que há uma torcida contra o avanço da educação se o mérito não couber em um modelo narcisista”. Foi o que disse hoje o professor Marcelo Feres, que se afastou da secretaria de Educação do governo Wladimir Garotinho (PP) para ser candidato a vereador pelo PDT.

Divulgado no dia 14, o aumento da nota de Campos no Ideb foi comemorado na semana passada por Wladimir, em vídeo postado (confira aqui) no Instagram. Que foi mostrado em vídeo do professor Jefferson de Azevedo (confira aqui), ex-reitor do IFF e candidato do PT a prefeito de Campos, ironizando e questionando o prefeito também no Instagram.

Na quarta (21), os questionamentos de Jefferson foram questionados não por adversários políticos, mas por (confira aqui) dois colegas seus da academia: Eduardo Shimoda, professor de Estatística e de Indicadores de Qualidade da Educação no Mestrado e Doutorado em Planejamento Regional e Gestão da Cidade da Universidade Candido Mendes; e o cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos.

— O Ideb de Campos não mostrou resultado muito bom, mas de fato melhorou. O município era o 85º entre 91 municípios fluminenses na nota Saeb de 2021. E, em 2023, passou para 69º entre 92 municípios. ‘Pedalada’ seria aumentar o nível de aprovação, que em Campos subiu muito pouco, de 91% a 95%. Se os alunos passassem sem saber, seria inútil, porque o Ideb tenderia a cair em 2025. A aprovação não é a causa do aumento do Ideb. Foi a nota Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), ao subir de 5,13 a 5,74, demonstrando uma proeficiência melhor dos alunos, que aumentou a aprovação. Não foi maquiagem, os alunos é que estão sabendo mais — concluiu o estatístico Shimoda. Que também advertiu:  “o resultado será explorado politicamente em ano de eleição municipal”.

— O PT de Campos só não explicou por que, se há problema no Ideb, ele não está no instrumento de avaliação do MEC? Que está nas mãos do PT, o (ministro) Camilo Santana é um quadro do PT. Ao tentar desmoralizar o prefeito, se desmoraliza o instrumento. O PT local resolveu, por tática eleitoral, atacar Wladimir. Se houver um hipotético 2º turno sem o PT, ele vai apoiar a candidatura de Madeleine, de extrema-direita de fato? São 5.565 municípios no Brasil. Se maquiar é tão simples, por que não tivemos a explosão no Ideb Brasil afora? — questionou o cientista político George Coutinho.

Após ser questionado na quarta, Jefferson reforçou seus questionamentos (confira aqui) na quinta (23). E, sem nominar, criticou diretamente Feres como “ex-secretário de Educação”:

— O resultado do Ideb é mais uma maquiagem do governo Wladimir Garotinho e a educação do município continua nas piores colocações do Norte Fluminense, mesmo com um orçamento gigantesco. Diferentemente do que foi afirmado pelo ex-secretário de educação, o maior valor de aprendizagem, medido pelo Saeb em português e matemática na nossa rede municipal, foi em 2007, com um valor de 6,23, o que supera o de 2023, no valor de 5,74. Porém, o único valor histórico que poderia ser anunciado em forma de ‘petáculo’ deveria ser o da taxa de aprovação, que, em 2023, foi de 95% — dobrou a aposta Jefferson.

Ex-colega de Jefferson no IFF, onde lecionou até 2017, antes de se integrar ao IF Brasília, Feres também ocupou vários cargos no ministério da Educação, de 2008 a 2016, nos governos Lula e Dilma Rousseff, chegando a secretário nacional de Educação Profissional e Tecnológica. Ao ter seu trabalho criticado, o ex-secretário de Educação de Campos classificou como “teses insustentáveis” as críticas do colega de magistério e hoje opositor político, ainda que sem nominar Jefferson:

— A defesa de teses insustentáveis via narrativas políticas ignora análises científicas de especialistas imunes a viés político partidário (como é o caso de Shimoda e George), que comprovam que os alunos da rede municipal alcançaram notas mais altas na prova Saeb de língua portuguesa e matemática. Esse resultado é fruto do esforço e da competência dos alunos, professores e gestores da rede municipal. O questionamento do Ideb 2023 de Campos foi uma encenação precipitada, irônica e sem base científica — disse Feres. Que foi além:

— Como afirmado por uma liderança do PT local, tal questionamento foi uma opção política de quem entende que “não é possível deixar de analisar o conteúdo político para adotar apenas uma leitura técnica sobre os dados do Ideb” (declaração do candidato a vereador do PT Gilberto Gomes). Preocupa que políticos com experiência na área de educação se manifestem a partir de narrativas políticas, típicas de não especialistas, em detrimento das evidências científicas e da ética da boa ciência — alfinetou o ex-secretário de Educação de Campos, que ascendeu no ministério da Educação nos governos do PT.

Quem também se posicionou sobre a polêmica do Ideb foi a professora Auxiliadora Freitas, ex-vereadora e também ex-secretária de Educação de Campos de 1997 a 2003, nos governos Anthony Garotinho e Arnaldo Vianna:

— O Ideb é apenas um indicador, sujeito a falhas tanto na variável de fluxo escolar quanto na variável do Saeb, mais relacionado ao grupo de estudantes que efetivamente faz as provas. Entendo que o índice tem relevância, mas sou totalmente contra o sensacionalismo político criado em torno do Ideb. A qualidade da educação deve ser avaliada e analisada com mais profundidade. Quando o índice fica baixo tentam colocar como se a educação fosse péssima e quando fica um pouco melhor, como se fosse ótima. As análises precisam ser mais consistentes, menos simplistas, com fins que não sejam a qualidade da educação —  cobrou Auxiliadora. Que foi além:

— Como educadora que torce pela educação de nossos pequenos e pequenas, que bom que a rede municipal conseguiu melhorar o Ideb. Fico feliz pelos esforços de todos nessa conquista. Os resultados deveriam ser diagnósticos, como eram no início. Os resultados eram enviados, indicando as fraquezas no desempenho dos estudantes, para que os sistemas de ensino e as escolas promovessem as mudanças necessárias — lembrou a ex-secretária de Educação de Campos.

 

Questionado, Jefferson reforça questionamento ao Ideb de Campos

 

Jefferson de Azevedo, Wladiir Garotinho, Eduardo Shimoda, George Gomes Coutinho e Gilberto Gomes (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“O resultado do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, confira aqui e aqui) é mais uma maquiagem do governo Wladimir Garotinho (PP) e a educação do município continua nas piores colocações do Norte Fluminense, mesmo com um orçamento gigantesco”. Foi o que disse hoje (22) o professor Jefferson de Azevedo, ex-reitor do IFF e candidato do PT a prefeito de Campos. Que foi além em sua avaliação crítica:

— Diferentemente do que foi afirmado pelo ex-secretário de educação, o maior valor de aprendizagem, medido pelo Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) em português e matemática na nossa rede municipal, foi em 2007, com um valor de 6,23, o que supera o de 2023, no valor de 5,74. Porém, o único valor histórico que poderia ser anunciado em forma de ‘petáculo’ deveria ser o da taxa de aprovação, que, em 2023, foi de 95%, ultrapassando até mesmo a marca de 91% do período da pandemia, quando todas as escolas estavam fechadas.

Divulgado no dia 14, o aumento da nota de Campos no Ideb foi comemorado na semana passada por Wladimir, em vídeo postado (confira aqui) no Instagram. Que foi mostrado em vídeo de Jefferson (confira aqui) também postado no Instagram, ironizando e questionando o prefeito.

Os questionamentos de Jefferson, no entanto, foram questionados (confira aqui) não por adversários políticos, mas por dois colegas seus da academia: Eduardo Shimoda, professor de Estatística e de Indicadores de Qualidade da Educação no Mestrado e Doutorado em Planejamento Regional e Gestão da Cidade da Universidade Candido Mendes; e o cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos.

— O Ideb de Campos não mostrou resultado muito bom, mas de fato melhorou. O município era o 85º entre 91 municípios fluminenses na nota Saeb de 2021. E, em 2023, passou para 69º entre 92 municípios. ‘Pedalada’ seria aumentar o nível de aprovação, que em Campos subiu muito pouco, de 91% a 95%. Se os alunos passassem sem saber, seria inútil, porque o Ideb tenderia a cair em 2025. A aprovação não é a causa do aumento do Ideb. Foi a nota Saeb, ao subir de 5,13 a 5,74, demonstrando uma proeficiência melhor dos alunos, que aumentou a aprovação. Não foi maquiagem, os alunos é que estão sabendo mais — analisou tecnicamente Shimoda. Ele também advertiu:  “o resultado será explorado politicamente em ano de eleição municipal”.

Questionado ontem, Jefferson reforçou hoje seus questionamentos:

— Não se trata de uma questão de estatística, muito menos de crítica ao modelo de cálculo do Ideb. O que houve foi manipulação de uma das dimensões de cálculo do Ideb, por meio da aprovação automática, estendida do período da pandemia para os anos de 2022 e 2023. Agora, se calculássemos o Ideb de 2007, usando o Saeb de 2007 (6,23) e a taxa de aprovação maquiada de 2023 (0,95), chegaríamos ao valor de Ideb de 5,9, muito superior aos 5,4 anunciados. Aí sim, este seria o maior índice histórico, porém os dois fatores deste produto despertam suspeição — contra-argumentou o candidato do PT a prefeito de Campos. E foi adiante:

— Aproveito para tristemente informar que, de acordo com o novo índice do MEC de Alfabetização na Idade Certa de crianças até os 7 anos, Campos apresenta a vexatória penúltima posição do Norte Fluminense, com 39% das crianças até 7 anos alfabetizadas, enquanto a média nacional é de 56%. Se continuarmos assim, não só o presente, mas nosso futuro estará muito comprometido — advertiu hoje Jefferson. Que, ontem (21) teve sua posição nos questionamentos também questionada politicamente:

— O PT de Campos só não explicou por que, se há problema no Ideb, ele não está no instrumento de avaliação do MEC? Que está nas mãos do PT, o (ministro) Camilo Santana é um quadro do PT. Ao tentar desmoralizar o prefeito, se desmoraliza o instrumento. O PT local resolveu, por tática eleitoral, atacar Wladimir. Se houver um hipotético 2º turno sem o PT, ele vai apoiar a candidatura de Madeleine, de extrema-direita de fato? São 5.565 municípios no Brasil. Se maquiar é tão simples, por que não tivemos a explosão no Ideb Brasil afora? — indagou o cientista político George Coutinho.

Pré-candidato a vereador e secretário de Comunicação do PT de Campos, Gilberto Gomes também se posicionou hoje sobre os questionamentos de Shimoda e George, feitos ontem, aos questionamentos de Jefferson ao aumento na nota de Campos no Ideb:

—Penso que neste momento eleitoral, além da análise dos dados do Ideb como importante indicador, pesa também a questão propositiva de uma candidatura como a de Jefferson, ligada diretamente ao tema da educação. Enquanto candidatos que somos, não é possível deixar de analisar o conteúdo político para adotar apenas uma leitura técnica sobre os dados do Ideb. Politicamente, concordo com Jefferson que a educação de Campos deixa muito a desejar, quando deixou de pautar, por exemplo, a educação em tempo integral e reduziu a carga horária de português e matemática. Ou mesmo com o fechamento de escolas em áreas rurais — disse Gilberto. Que foi além:

— Os dados do Ideb conflitam com a própria percepção dos professores em sala de aula, que reclamam de pressão por parte da secretaria de Educação para aprovação automática e não reconhecem investimentos na valorização profissional. Isso, além da ausência de concursos, que mantém o quadro de servidores da educação defasado e com alguns professores já contratados em regime de RPA. Cabe a um candidato a prefeito analisar todos estes aspectos para confrontar a comemoração em torno de um dado que, por si só, não é capaz de analisar todo desempenho da educação municipal — ponderou Gilberto.

 

Prefeito de Itaperuna, Alfredão lidera eleição disputada

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Prefeito de Itaperuna e candidato à reeleição, Alfredo Paulo Marques Rodrigues, o Alfredão (União), lidera uma corrida eleitoral que promete ser disputada no município polo do Noroeste Fluminense. Na pesquisa do instituto Personel, encomendada e divulgada (confira aqui) ontem (21) pelo jornal carioca O Dia, feita com 471 eleitores entre 16 e 18 de agosto, com margem de erro de 4,5 pontos e sob registro RJ-08141/2024 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alfredão apareceu liderando a consulta espontânea, com 21,9%. Mas em empate técnico com o candidato de oposição Nel (PL), que teve 15,3%. Na consulta estimulada, o prefeito liderou com 35,9% das intenções de voto, fora da margem de erro, sobre os adversários.

Espontânea — Na consulta espontânea, onde o eleitor diz da própria cabeça em quem votará em 6 de outubro, depois de Alfredão (21,9%) e Nel (15,3%), vieram Kadu Novaes (REP), com 9,6%; Dr. Bruno (Novo), com 4,7%; Adilson Ribeiro (PT), com 0,8%; e 1,1% de nenhum/branco/nulo. Além do empate técnico na liderança, como a maioria de 46,7% não respondeu, é uma eleição matematicamente aberta.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Estimulada — Na consulta estimulada, onde o eleitor diz em quem vai votar a partir da apresentação dos nomes dos candidatos, depois de Alfredão (35,9%) liderando fora da margem de erro, vieram Nel (23,8%), Kadu (18,0%), Dr. Bruno (11,0%) e Adilson (4,5%). Outros 4,5% não souberam ou quiseram responder, com 2,3% de nenhum/branco/nulo.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Rejeição — A rejeição também indica uma eleição disputada. Se o petista Adilson Ribeiro lidera o índice negativo, com 30,8% dizendo que não votariam nele de jeito nenhum, a segunda maior rejeição é do prefeito Alfredão, com 25,5%. Ele ficou numericamente à frente do seu principal adversário, Nel, com 18,5%. Kadu teve 14,0% de rejeição, com 12,1% de Dr. Bruno. Expressivos 32,3% disseram que poderiam votar em todos, com 6,4% rejeitando todos os candidatos e 4,7% que não souberam ou quiseram opinar.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Por que sem avaliação de governo? — Além da consulta espontânea e da rejeição, a pesquisa trouxe outro indicativo de que a eleição a prefeito de Itaperuna tende a ser disputada. Mesmo com o prefeito e candidato à reeleição liderando a pesquisa, esta não trouxe aprovação de governo. O que, pela ausência, pode significar que o governo Alfredão não é tão bem avaliado assim.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE

Análise do especialista — “Com grau de confiança de 95,0% e amostragem de 471 entrevistados, a pesquisa apresenta boa qualidade técnica, apesar da margem de erro de 4,5 pontos ser um pouco acima da habitual margem de erro máxima de 4,0%. Para as urnas de 6 de outubro de 2024, Itaperuna possui um eleitorado habilitado a votar pelo TSE de 76.809 eleitores, o que significa que o município terá eleição apenas no primeiro turno. Nesse contexto, o cenário projetado pela Personel Agência de Serviços e Pesquisas aponta para a reeleição do prefeito Alfredão, que lidera na pesquisa estimulada com 35,9%, apesar do empate técnico dentro da margem de erro na sondagem espontânea: 21,9% das intenções de votos, contra 15,3% das intenções de Nel. Importante destacar que a pesquisa não apurou a avaliação do governo do prefeito Alfredão, mas mediu a rejeição do atual incumbente, que empata tecnicamente com Nel dentro da margem de erro”, avaliou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

Lucas Barbosa — “Alien: Romulus” e a identidade da franquia

 

 

Lucas Barbosa, estudante de Letras do IFF e crítico de cinema

Franquia reconhecível

Por Lucas Barbosa

 

Algo muito interessante na franquia Alien acaba sendo a relação autoral de seus filmes. Por mais que, a conexão entre eles pareça meio tênue no tom, mesmo os filmes ruins conseguem se destacar por uma personalidade bem própria. “Alien: Romulus” mantem essa tradição, trazendo junto disso uma grande homenagem à franquia como um todo. É algo positivo, mas ao mesmo tempo, pela mão pesada em alguns momentos, também é quando perde potência.

Fede Álvarez opta por um retorno as raízes da franquia. Ele se utiliza de sua experiência no cinema de horror para construir essa relação de gêneros, priorizando justamente o caráter de terror acima de qualquer coisa. Ele explora as possibilidades da tensão das cenas com maestria. Não é uma direção de caráter pretencioso, que chama para si os holofotes, como grande parte do cinema de horror contemporâneo, optando pelo melhor recurso para cada cena. Assim, Álvarez vai desde o horror corporal até o suspense mais tradicional, utilizando recursos como o da câmera em primeira pessoa, ou da ausência de trilha sonora, com excelência.

De certo modo, a relação com o elenco jovem se liga a essa homenagem, já que o primeiro filme aposta em adequar o cinema slasher, e outros gêneros do cinema lado B, a uma lógica de sci fi de prestígio. Logo, o elenco jovem, bem como o andamento de suas mortes, remete a um tipo de cinema bem próximo a do que o próprio Álvarez trabalhou na sua versão de “Evil Dead”. A ligação com o sexual é mais apagada, mas o filme não perde a disputa de classes como motor, mesmo que agora, essas duas coisas não estejam diretamente relacionadas.

Se no primeiro Alien temos a invasão, ou melhor, penetração dos perigos do capitalismo nas relações do espaço de trabalho opressivo, em “Romulus” temos a penetração desse mesmo sistema em uma desumanização das relações familiares. Essa invasão não se dá com a mesma violência sexual de uma figura fálica como no longa de 1979, mas ainda é potente enquanto dano psicológico. Óbvio que o sexo está presente, pensando em tudo ao redor da personagem Kay. Mas o filme me parece mais preocupado com a consequência dessa invasão, como recurso de sobrevivência, do patógeno, e as consequências dele.

Ainda assim, a relação familiar mais explorada é a irmandade, algo sugerido já pelo título que apela para a história de Rômulo e Remo. Admito que esperava algo mais aprofundado, mas Álvarez não vai além do arroz e feijão do que se espera da franquia. Rain e Andy são bons personagens, mas a natureza de sua relação é simples. São irmãos, não há questionamento sobre isso. Mesmo a artificialidade dessa relação não é algo novo, soa familiar com outros sintéticos da franquia. Eis aqui o grande problema. Nessa relação de homenagem aos filmes antigos, ele perde potência no que é novo, nessas possíveis novas discussões inéditas na franquia.

Sim, “Alien: Romulus” usa muito bem a base dos filmes anteriores. E explora essa mesma base com muito domínio, mas sem ir além dela. Digam o que quiserem de “Alien 4” e “Prometheus”, mas eles tiveram coragem de fazer isso. Não que isso prejudique o todo. Na verdade, talvez o ideal para uma franquia como Alien nesse momento seja justamente essa sustentação no básico. Ao tornar a franquia reconhecível, os envolvidos estão de parabéns.

 

Publicado aqui.

 

Confira o trailer do filme:

 

Felipe Fernandes — Equilíbrio e homenagem em “Alien: Romulus”

 

 

Felipe Fernandes, cineasta publicitário e crítico de cinema

Equilíbrio e homenagem

Por Felipe Fernandes

 

Lançado em 1979, “Alien: O oitavo passageiro” se tornou um clássico. Referência quando pensamos em horror no espaço, o filme gerou várias continuações, prelúdios, um universo expandido em games, livros, quadrinhos, tornando o Xenomorfo uma das criaturas mais famosas da sétima arte.

Eis que chega aos cinemas “Alien: Romulus”, longa que busca abrir uma nova ramificação dentro da mitologia da franquia, expandindo a narrativa. Situado entre os dois primeiros filmes, a história acompanha um grupo de jovens mineradores, dispostos a fugir da miséria no planeta em que vivem. Controlados por uma mega corporação, eles fogem para uma estação espacial abandonada. Lá, encontram um local destruído e habitado por criaturas mortais, forçando-os a lutar por sua sobrevivência.

“Romulus” é o primeiro filme a explorar um planeta propriamente dentro das questões relacionadas à corporação Weyland-Yutani. Acompanhamos um grupo de jovens mineradores, que vivem em um planeta insólito, presos em um regime de quase escravidão. A corporação é provavelmente a grande vilã da franquia, já que tudo o que acontece é em decorrência da ganância da empresa.

Escrito e dirigido pelo cineasta uruguaio Fede Alvarez, chama a atenção como o filme é cuidadoso com o restante da franquia. Além de referenciar diversos elementos de praticamente todos os filmes, chegando ao ponto de repetir cenas e diálogos — homenagens que nem sempre funcionam —, existe uma preocupação com questões de continuidade. O design de produção da estação espacial repete exatamente o visual da nave Nostromo do filme de 1979. Os computadores, os formatos dos corredores, são níveis de detalhes muito interessantes.

O filme funciona como um híbrido entre os dois primeiros filmes, buscando um equilíbrio entre o suspense do filme de Ridley Scott e a ação do filme de James Cameron. Alvarez é bem sucedido nessa proposta, ainda que principalmente em sua segunda metade, o filme ganhe uma ação hiperbólica, que remete mais a “Alien: A ressurreição”. Mas se o filme de Jeunet remete a um quadrinho, aqui temos uma versão para as novas gerações, com uma ação acelerada, digna de um game.

Um elemento interessante é a mistura de efeitos práticos com CGI, outro ponto de equilíbrio que funciona muito bem, construindo um visual orgânico. E que reforça a sensação de ameaça constante, que pode vir de qualquer lugar.

Uma característica da franquia que sempre me chamou a atenção é o fato de, a cada novo filme, nós descobrirmos um pouco mais sobre a natureza fisiológica dos Xenomorfos e toda essa relação parasitária com outras espécies. “Romulus” expande essa questão, agregando questões como maternidade e o corpo feminino, temas já abordados em longas anteriores e que, aqui, ganham outra abordagem.

Agrada-me a forma como o roteiro de Alvarez trabalha a dinâmica entre os personagens. Ainda que nenhum deles receba um grande desenvolvimento, nem mesmo a protagonista, a sequência do grupo no planeta é muito eficiente nessa construção. Cria um senso de unidade que funciona, muito também pela economia de personagens. É um grupo pequeno.

Em outra constante na franquia, o andróide David é uma boa adição, se tornando peça central no embate entre o cuidado entre a vida humana e os interesses da corporação. As mudanças que o personagem sofre no decorrer da trama o tornam um personagem ambíguo, reforçando a sensação de perigo.

“Alien: Romulus” consegue ser um filme que funciona como uma grande homenagem ao misturar elementos de praticamente todos os filmes anteriores, mas consegue ter o mínimo de personalidade. Alvarez se arriscou ao construir uma narrativa na busca do equilíbrio entre escolhas estéticas e narrativas. Cria um longa consistente, que se não chega perto dos dois clássicos originais, ao menos se prova um ponto positivo na franquia, com potencial para renovar seu público.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Confira o trailer do filme:

 

Reeleição no 1º turno com teto de 70% dos votos válidos?

 

Murillo Dieguez, Wladimir Garotinho, Makhoul Moussallem, Madeleine Dykeman e Jefferson de Azevedo (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Especialista em pesquisa crê no 1º turno

“Hoje, acredito em eleição (de Wladimir Garotinho, PP, a prefeito) no 1º turno. Embora ninguém ganhe de véspera e a campanha vá começar no dia 30, até a divergência pública com os pais favorece Wladimir, porque quebra a resistência histórica ao garotismo na 98ª (Zona Eleitoral de Campos, a chamada ‘pedra”). As premissas: aprovação de governo, baixa rejeição, imagem, referência ao governo anterior (Rafael Diniz, Cidadania). Não é sempre que quadra tudo a favor. Mas está tudo quadrando”, foi o que disse no Folha no Ar da manhã de ontem o empresário Murillo Dieguez, colunista da Folha e diretor do instituto de pesquisa Pro4.

 

Teto de 70% dos votos válidos?

Com a expertise de quem detectou em pesquisas do instituto Pro4 a ascensão eleitoral de Rafael, que levou este à vitória no 1º turno a prefeito de Campos em 2016, Murillo afirmou: “Wladimir bateu no teto, mas numa margem em que não posso dar número”. Perguntado se esse teto seria, hipoteticamente, de 60% de intenções de voto, ele respondeu: “Acho que esse teto é maior nos votos válidos” (descontados os brancos e nulos). Indagado se esse suposto teto seria de 70%, Murillo confirmou ao programa Folha no Ar: “Em torno de 70% dos votos válidos, minha impressão é que ele tem uma margem por aí. Mas não há vitória antecipada”.

 

“Pau do circo da economia campista”

“Não tenho dúvida nenhuma que essa eleição (a prefeito de Campos) será da continuidade. Tudo que tenho visto aponta isso. É uma percepção não só da aprovação do governo, como de outros dados correlatos. Mas isso não pode vir acompanhado da soberba. Há questões muito sérias no município que precisariam ser tocadas de maneira diferente numa próxima gestão. Mais de 90% da população acredita que Campos não pode só depender dos royalties, tem que ter um novo modelo de desenvolvimento econômico. O pau do circo da economia campista é o governo municipal”, advertiu o empresário e especialista em pesquisas.

 

“Quem vai ser o Makhoul dessa eleição?”

Apesar do favoritismo de Wladimir à reeleição como prefeito, Murillo acredita que “essa eleição pode vir a credenciar alguns atores ao cenário político de Campos. Hoje, a Delegada (Madeleine Dykeman, União) e o professor Jefferson (Azevedo, PT) brigam por isso. Não os vejo capazes de ameaçar a reeleição. Mas quem vai ser o Makhoul (Moussallem, saudoso médico e candidato a prefeito de Campos pelo PT em 2012, quando foi bem votado em 2º lugar, mas a então prefeita Rosinha se reelegeu no 1º turno) dessa eleição? Se Madeleine ou Jefferson, isso vai depender da construção da campanha”.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Confira no vídeo abaixo a entrevista de Murillo Dieguez ao Folha no Ar de terça:

 

 

Questionamento do PT ao Ideb de Campos é questionado

 

Índide de desenvolvimento de Educação Básica (Ideb), Eduardo Shimoda, George Gomes Coutinho, Jefferson de Azevedo e Wladimir Garotinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Questionamento ao Ideb questionado

O crescimento na nota de Campos (confira aqui e aqui) no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) não foi produzido artificialmente pela aprovação automática dos alunos do ensino fundamental. Foi o que afirmou à coluna Eduardo Shimoda, professor de Estatística e Indicadores de Qualidade da Educação no Doutorado em Planejamento Regional e Gestão da Cidade da Candido Mendes. Após o prefeito Wladimir Garotinho (PP) comemorar (confira aqui) o Ideb e ser questionado (confira aqui) pelo professor Jefferson Azevedo, ex-reitor do IFF e candidato a prefeito do PT, Shimoda ressalvou: “o resultado será explorado politicamente em ano de eleição municipal”.

 

Mais conhecimento dos alunos

Após analisar os dados do Ideb de Campos e do RJ, aferidos na multiplicação dos números de aprovação pelos do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Seab), Shimoda concluiu: “Nos anos iniciais, de 2021 a 2023, o índice de aprovação aumentou de 91% para 95%, a nota Saeb aumentou de 5,13 para 5,74 e o Ideb foi de 4,70 para 5,40. Parece que a proficiência dos alunos melhorou e aumentou a aprovação. Com mais conhecimento dos alunos, a aprovação aumenta. Não há indício que o aumento do Ideb foi produzido ‘artificialmente’ por aumento da aprovação. O índice de aprovação de Campos foi igual à média do Estado do Rio”.

 

“Ideb não muito bom, mas melhorou”

“O Ideb de Campos não mostrou resultado muito bom, mas de fato melhorou. O município era o 85º entre 91 municípios fluminenses na nota Saeb de 2021. E, em 2023, passou para 69º entre 92 municípios. ‘Pedalada’ seria aumentar o nível de aprovação, que em Campos subiu muito pouco, de 91% a 95%. Se os alunos passassem sem saber, seria inútil, porque o Ideb tenderia a cair em 2025. A aprovação não é a causa do aumento do Ideb. Foi a nota Saeb, ao subir de 5,13 a 5,74, demonstrando uma proeficiência melhor dos alunos, que aumentou a aprovação. Não foi maquiagem, os alunos é que estão sabendo mais”, lecionou Shimoda.

 

Questionamento político

O questionamento de Jefferson foi questionado também pelo cientista político George Coutinho, professor da UFF-Campos: “O PT local só não explicou por que, se há problema no Ideb, ele não está no instrumento de avaliação do MEC? Que está nas mãos do PT, o Camilo Santana do PT. Ao tentar desmoralizar o prefeito, se desmoraliza o instrumento. O PT local resolveu, por tática eleitoral, atacar Wladimir. Se houver um hipotético 2º turno sem o PT, ele vai apoiar a candidatura de Madeleine, de extrema-direita de fato? São 5.565 municípios no Brasil. Se maquiar é tão simples, por que não tivemos a explosão no Ideb Brasil afora?”

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Empresário e especialista em pesquisas no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Empresário, colunista da Folha da Manhã e diretor do instituto de pesquisa Pro4, Murillo Dieguez é o convidado do Folha no Ar desta terça (20), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará o governo Lula3, sua relação com o Banco Central e o empresariado brasileiro, que votou majoritariamente no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2022.

Por fim, com base nas pesquisas, Murillo tentará projetar as eleições a prefeito de 6 de outubro, daqui a 48 dias, em Campos (confira aqui, aqui e aqui), São João da Barra (aqui e aqui) e Macaé (aqui). E analisará a correlação entre aprovação de governo e favoritismo à reeleição (confira aqui e aqui) dos prefeitos dos três e outros municípios da região.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

Welberth com governo aprovado e favorito à reeleição em Macaé

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Governos bem avaliados são favoritos à reeleição. Universal, a regra vale aos municípios do Norte Fluminense às eleições a prefeito de 6 de outubro, daqui a 48 dias. Pesquisa do instituto Paraná, feita entre 15 e 18 de agosto, com 680 eleitores e sob o registro RJ-05616/2024 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), deu ao prefeito de Macaé, Welberth Rezende (Cidadania), 70,3% de intenções de voto na consulta estimulada. Na margem de erro de 3,8 pontos para mais ou menos, é o mesmo número da sua aprovação de governo: bom (39,3%) ou ótimo (33,2%) para 72,5% da população macaense.

ESTIMULADA — Na consulta estimulada (com a apresentação dos nomes dos candidatos), os 70,3% de intenção de voto do prefeito Welberth são seguidos de longe pelo ex-prefeito Dr. Aluízio Júnior (PDT), com 10,7%; Danilo Funke (PSB), com 2,9%; Fábio Pereira Passos (Avante), com 1,8%; e Felício Laterça (PP), com 0,7%. Não souberam ou quiseram responder 6,8%, enquanto outros 6,8% disseram que votarão branco, nulo ou em nenhum.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

APROVAÇÃO DE GOVERNO — Quanto à aprovação da administração Welberth, além dos 33,9% que a consideram ótima, boa para 39,3%, regular para 18,2%, ruim para 3,8% e péssima para 3,5%, enquanto 1,9% não souberam ou não opinaram. Em outra métrica, quando o eleitor é perguntado apenas se aprova ou desaprova o governo municipal de Macaé, 85% disseram aprovar e 12,1% desaprovar, com 2,9% que não souberam responder ou opinar.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

CONSULTA ESPONTÂNEA — Apesar da grande vantagem do prefeito à reeleição, a consulta espontânea (onde o eleitor fala em quem vai votar da própria cabeça) mostra uma eleição matematicamente ainda aberta. Se a liderança de Welberth na corrida aparece com 43,2% de intenção de voto cristalizada, seguido dos 2,1% de Dr. Aluízio, 0,7% de Funke e 0,3% de Fábio, com 0,9% que citaram outros nomes, a maioria de 46,6% ainda não souberam ou não responderam, com 6,6% de ninguém/branco/nulo.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

REJEIÇÃO — Todavia, para avançar sobre esses eleitores ainda indecisos, a rejeição mostra outra dado favorável a Welberth e incomum ao desgaste natural de quem está no poder. O mais rejeitado é Dr. Aluízio, com 41,5%. Ele veio seguido por Funke, com 22,8%; Laterça, com 16,8%; Fábio, com 14,3% e Welberth, com apenas 8,1% de rejeição. Não souberam ou não responderam em quem não votariam 17,5%, enquanto outros 7,4% poderiam votar em todos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IGBE

ANÁLISE DO ESPECIALISTA — “Com amostragem de 680 eleitores, grau de confiança de 95% e margem de erro de até 3,8 pontos, a pesquisa apresenta qualidade técnica respeitável. A 48 dias das urnas de 6 de outubro, Macaé tem 182.529 eleitores habilitados a votar, o que significa eleição de turno único. Nesse cenário, o instituto Paraná Pesquisas projeta reeleição do atual prefeito Welberth Rezende, numa sondagem também com os nomes dos candidatos Dr. Aluízio Júnior, Danilo Funke, Fábio Pereira Passos e Felício Laterça. Na consulta espontânea, Welberth aparece com 43,2% das intenções de voto, enquanto na estimulada, sua intenção sobe para 70,3%. Welberth também é o candidato com a menor rejeição (8,1%), na comparação com os concorrentes, e beneficia-se de uma avaliação de governo considerada ótima ou boa por 72,5% do eleitorado macaense. Assim, tudo o mais constante, a tendência é de reeleição de Welberth Rezende em Macaé”, projetou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE.

 

Favoritos na guerra, na política e no basquete de Paris

 

O francês Victor Wembanyama, com 2,24m, é encoberto pela parábola da bola do armador Stephen Curry, de 1,88m, antes dela cair na cesta e marcar mais 3 pontos para os EUA, na final vencida contra a França na Olimpíada de Paris (Foto Getty Images)

Nem sempre os favoritos vencem. Maior conflito bélico da humanidade, a II Guerra Mundial durou seis anos: de 1939 a 1945. Ao final de junho de 1940, após invadir e conquistar Holanda, Bélgica e França no espaço pouco mais de seis semanas, e entrar com suas tropas marchando em Paris sob o Arco do Triunfo de Napoleão, a Alemanha nazista de Hitler era a grande favorita do confronto. Só que hoje, oito décadas depois, o mundo fala inglês, não alemão.

O favoritismo nazista se inverteu falando russo, na definição da Batalha de Stalingrado, em fevereiro de 1943. Após bater a biltzkrieg germânica, a extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) só pararia em Berlim. Onde pôs fim, à bala, ao conflito na Europa. Enquanto todos os outros Aliados juntos, liderados pelos EUA, completavam o serviço do outro lado. É consensual entre historiadores e militares que foi o esforço de guerra em duas frentes que esgotou a Alemanha.

Maior teórico moderno da guerra, o alemão Carl von Clausewitz a definiu como “a política por outros meios”. E, na política, favoritos também acabam derrotados. Antes das eleições presidenciais dos EUA em 2016 e de governador do estado do Rio em 2018, Hillary Clinton e Eduardo Paes eram os respectivos favoritos a vencer em todas as pesquisas. E, como se sabe, Donald Trump acabou eleito à Casa Branca e Wilson Witzel ao Palácio Guanabara.

Seja no voto popular direto do sistema brasileiro ou no mais complexo do colégio eleitoral estadunidense, onde o presidente é eleito na soma de delegados de cada estado, os institutos de pesquisa fizeram ajustes metodológicos a partir de seus erros em 2016 e 2018. Como as companhias aéreas em seus procedimentos de checagem de equipamento e pessoal após cada acidente fatal no meio de transporte comprovadamente mais seguro.

Possíveis só a partir do advento hoje mais compreendido e mensurável das redes sociais, talvez o Trump de 2016 e o Witzel de 2018 sejam a exceção que confirma a regra. Como a endossaram os lulopetistas de 2018, os trumpistas de 2020 e os bolsonaristas de 2022, a regra é quase sempre a mesma: quem questiona pesquisas eleitorais sérias durante a campanha vai chorar a dor de corno no quente da cama com o resultado da urna.

Dos favoritos que se confirmam, nas pesquisas e bolsas de aposta, os exemplos são tão mais numerosos que é difícil escolher. Entre os mais recentes e marcantes mundialmente, há o da seleção de basquete masculina dos EUA na Olimpíada de Paris. À qual só levou sua força máxima após a provocação do velocista estadunidense Noah Lyles. Que disse após o Boston Celtics ser campeão da NBA em 17 de junho:

— Tenho que ver as finais da NBA e vê-los se chamando de “Campeões do Mundo”. Campeões mundiais do quê? Dos Estados Unidos? Não me leve a mal, eu amo os EUA, às vezes, mas não somos o mundo. Aqui (no Mundial de Atletismo), sim, somos o mundo. Aqui todos os países estão representados, lutando para ganhar. Na NBA não existem bandeiras. Devemos fazer mais. Devemos representar o mundo.

 

 

Após as principais estrelas dos EUA na NBA terem esnobado o Mundial de Basquete de 2023, no qual sua seleção nacional não passou do 4º lugar, o veterano astro LeBron James viu na provocação de Lyles uma janela de oportunidade. Convocou seus maiores rivais de geração na NBA, Stephen Curry e Kevin Durant, e os outros grandes jogadores estadunidenses da liga para Paris. E naturalizaram o pivô camaronês Joel Embiid para o jogo de garrafão.

Na estreia contra seu adversário sabidamente mais duro, os EUA bateram a Sérvia por 110 a 84. E fecharam a fase de grupos com 103 a 86 contra o Sudão do Sul e 104 a 83 sobre Porto Rico. Nas quartas de final, amassaram o Brasil por 122 a 87. E quando todos pensaram que viria outro passeio na semifinal, em outro confronto com a Sérvia, veio o maior susto do basquete masculino dos EUA em Paris.

Atrás do placar nos três primeiros quartos de jogo, os EUA só conseguiram virar no último após o astro sérvio Nikola Jokić cometer a quarta falta. Pendurado, ele não pôde ajudar mais na marcação efetiva, sob o risco de ser eliminado pela quinta falta. E, com quatro jogadores de fato na defesa adversária, brilhou a estrela de Stephen Curry. Que virou o placar com a última das suas 9 bolas de 3 pontos no jogo, a 2 minutos do fim. Final: EUA 95 a 91 Sérvia.

Curry impressionou não só pelo que jogou contra a Sérvia. Mas porque, até ali, em Paris, não tinha sido nem uma pálida sombra de quem comandou o Golden State Warriors em quatro títulos da NBA. E, pelo que fez na final do último sábado (10) contra a França, dentro da França, ele passou à história do basquete e das Olimpíadas. Acertou quatro arremessos de 3 pontos nos últimos 3 minutos de jogo. E deu a vitória e o ouro aos EUA por 98 a 87.

Na guerra, na política, nos esportes e na vida, nem sempre os favoritos vencem. Nem o brilho do ouro costuma ser tão contraditório e complementar quanto o de Nyles, nos 100 metros rasos de Paris, e de LeBron. Como se fossem EUA e URSS irmanados na II Guerra.

Mais rara que a vitória dos azarões é a parábola da bola de Curry.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.