Flávio Bolsonaro, Wladimir Garotinho, Filippe Poubel, Alfredo Dieguez, Jober Brito e Thiago Ferrugem (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Tubo de ensaio para incomodar
Fenômeno típico do bolsonarismo, que usa a truculência e o smartphone para tentar converter engajamento nas redes sociais em voto, o deputado estadual Filippe Poubel (PL) nunca foi um pré-candidato sério a prefeito de Campos. A não ser a quem suponha que um município de tradição política nacional desde o ex-presidente Nilo Peçanha (1867/1924) daria palco a um aventureiro de Maricá. Aliado do presidente campista da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), Poubel só serviu para incomodar o governo Wladimir Garotinho (PP). E, de fato, incomodou a ponto de trocar o comando do PL em Campos, trazido ao arco de apoio à reeleição do prefeito.
No PL, entra Alfredo e sai Ferrugem
Na última segunda (18), o blog Opiniões revelou que o PL goitacá passaria a ser presidido pelo empresário Alfredo Dieguez, secretário municipal de Abastecimento e ligado aos grupos de direita da cidade. Ele era o vice municipal da legenda, cargo que passa ao médico Jober Brito, bolsonarista raiz. Chefe de gabinete de Wladimir, o ex-vereador Thiago Ferrugem chegou a ocupar a presidência do PL em Campos. Em certidão emitida pela Justiça Eleitoral, datada do último dia 7. Com as mudanças, ele passou a assumir a coordenação dos partidos no arco de apoio à reeleição de Wladimir.
“L” de Lula, mulher e alvo
Enquanto Rodrigo trabalhava no Rio com seus aliados bolsonaristas da Alerj, Wladimir costurou em Brasília. No dia 21, ele apareceu em vídeo ao lado do senador Flávio Bolsonaro, que declarou seu apoio e do PL à reeleição do prefeito de Campos. Contornado por cima, Poubel passou a fazer ataques em suas redes sociais a membros do governo Wladimir pelo apoio a Lula no segundo turno presidencial de 2022. Nem que este tivesse sido dado pela esposa, como ocorreu com a de Ferrugem, exposta por Poubel em foto fazendo o “L”. No que há de mais abjeto no bolsonarismo: sempre eleger mulheres como alvos preferenciais.
Ataque e defesa
Com a foto da esposa de Ferrugem, Poubel escreveu: “Em destaque, a esposa do atual presidente do PL Campos, fazendo o L. Peço atenção das lideranças do partido”. Como o aluno do ensino fundamental que dedura à “tia”, após a ausência desta, quem teria feito bagunça na sala de aula. Ferrugem reagiu: “Lamentável o comportamento do deputado que, ao invés de vir para o debate, se esconde atrás de bravatas. Agora, usar a imagem da minha esposa, mãe dos meus filhos, só demonstra o caráter desse rapaz. Tenho muito orgulho da minha esposa. Diferente desse sujeito, ela é forte, corajosa e livre para tomar suas próprias decisões”.
Posição de Alfredo
O fato é que a “tia” deu ouvidos à fofoca. Para o PL colocar internamente Poubel de cara virada à parede, o partido em Campos passou a ser liderado por militantes orgânicos de direita. “A gente vem trabalhando para fortalecer a nominata do PL. Mas, para isso, temos que alinhar o todo, pois tem os outros partidos. Já tínhamos conversado na semana passada que Ferrugem poderia, sim, assumir a coordenação de todos os partidos da aliança para a campanha. Enquanto eu vou trabalhar com a ala de direita no PL, conversando com lideranças bolsonaristas da cidade para fortalecer o grupo à eleição”, disse Alfredo Dieguez.
Posição de Jober
Novo vice-presidente do PL goitacá, Jober Brito também se posicionou: “Sempre fui bolsonarista. Acho que a política deve ser assim, porque tem muita gente que pula de um lado ao outro. Acho honroso ter um pensamento e mantê-lo. Seguir uma linha não passa a imagem de falsidade. Sempre mantive a minha como bolsonarista e me associei às ideias do Partido Liberal de Bolsonaro. E continuo até hoje, perdendo ou ganhando. A política tem que ser assim, não esse pula-pula. Isso mostra que muitos não são verdadeiros no pensamento. E seguem a onda do momento. Fico feliz de ter sido lembrado e de estar ajudando com o PL”.
Elísio tem convite, mas fica com Caputi
“Estou fechado com a prefeita Carla Caputi (União). Recebi, sim, na última quarta (13), numa ligação telefônica, o convite de Washington Reis (presidente estadual no MDB) e de Garotinho (pré-candidato a vereador carioca pelo Republicanos) para me candidatar a prefeito de São João da Barra pelo MDB. Respondi que o movimento de oposição perdeu força no município e que esse convite teria que ser feito lá atrás. Vou concorrer à reeleição a vereador em apoio à prefeita Caputi”. Foi o que garantiu na segunda o edil sanjoanense Elísio Rodrigues (PL). Após a versão de que seria candidato de oposição a prefeito ter sido ventilada no final de semana.
Analiel vai ou fica?
Mesmo antes de Caputi assumir a Prefeitura em 5 de abril de 2022, após a renúncia de Carla Machado (PT) ao cargo, Elísio já era considerado o candidato natural da oposição a prefeito em SJB. Mas, como esta coluna adiantou desde 6 de março, o edil de SJB compôs politicamente com a prefeita. Também foi adiantado que o outro vereador de oposição, Analiel Vianna (Cidadania) poderia seguir os mesmos passos, no apoio à reeleição de Caputi. Mas isso ainda continua a demandar conversa entre a prefeita e Analiel. Em Brasília, Elísio se encontrará com o deputado federal Altineu Côrtes (PL). Com quem decidirá se permanece no PL para outubro.
Uma pesquisa do PT para abril e a vinda de Lula a Campos, ainda a ser confirmada. Foi o que o assessor da Câmara de Deputados e secretário de comunicação do PT goitacá, Gilberto Gomes, projetou no Folha no Ar de ontem (19) a este ano eleitoral de 2024. Com objetivo às urnas de 6 de outubro, daqui a exatos 6 meses e 17 dias. Tanto na disputa pela Prefeitura de Campos, em que o jovem petista projeta um segundo turno ainda não indicado em pesquisa, quanto pela Câmara Municipal. Nesta, o próprio Gilberto é pré-candidato e aposta na conquista de duas cadeiras petistas: uma direto e outra na sobra.
Na eleição majoritária, o jovem petista moderou sua fala de 13 de dezembro, quando afirmou aqui: “não há a menor possibilidade de uma estratégia que busque lançar uma candidatura virtual, sem chances de se eleger, para ser substituída às vésperas”. À época, referiu-se à postulação da deputada Carla Machado (PT), que toda a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) dizem não poder se candidatar a prefeita de nenhum município brasileiro em 2024, por já ter sido reeleita prefeita de São João da Barra em 2020. Três meses depois, Gilberto incluiu ontem o nome de Carla entre os três pré-candidatos petistas à Prefeitura de Campos, junto ao professor Jefferson de Azevedo, reitor do IFF, e ao sindicalista Helinho Anomal.
Gilberto Gomes (Foto: Divulgação)
Três pré-candidaturas do PT a prefeito de Campos — Com a confirmação da (pré-)candidatura (a prefeita) da Madeleine (Dykeman, União), uma surpresa para muitos, a candidatura do PT, na forma como está sendo construída, vai ser a grande novidade dessas eleições, principalmente porque nós temos Lula presidente. Nós temos três pré-candidaturas no PT. A Carla Machado, quando o Tezeu (Bezerra, presidente do Sidipetro NF) usa o termo “nuances”, a gente sabe que tem essas questões jurídicas que ainda precisam ser analisadas. Mas, eu sempre pontuo que a Carla Machado, com seus quatro mandatos de prefeita de São João da Barra, como deputada estadual, tem currículo mais que suficiente. O que se precisa aguardar é, realmente, se ela teria essa condição. Mas, independente da condição de Carla ou não, a gente também tem na figura do professor Jefferson (de Azevedo) um quadro extremamente qualificado, técnico, competente, que elevaria o nível do debate em nossa cidade e poderia trazer uma série de soluções alternativas que a cidade de Campos merece e precisa. E na figura do Helinho Anomal, eu sempre pontuo o seguinte: ele é um soldado à disposição do nosso partido. Ele se colocou em 2020 à disposição, como pré-candidato (a prefeito) junto a Zé Maria e Odisséia, e se coloca novamente à disposição agora, ao lado de Carla e de Jefferson.
Peso da máquina e dos RPAs — A gente vai ter, naturalmente, uma presença da máquina municipal muito intensa nessa disputa. Eu venho pontuando que a gente fechou 2021 com um orçamento previsto de R$ 16 milhões para os RPA’s. Nós tivemos agora, em 2023, uma dotação de R$ 88 milhões para os RPA’s. É um crescimento muito considerável. Nós estamos com quase 10 mil RPA’s na cidade. O prefeito avançou, de fato, num ajustamento para que possa, eventualmente, depois terceirizar e a questão dos concursos. Mas, eu acho preocupante também a questão da terceirização, porque aumenta ainda mais esses custos. A própria questão sobre como os RPA’s podem ser utilizados no processo eleitoral, para mim, é muito preocupante. Os RPA’s, naturalmente, têm uma relação de dependência financeira, porque são pessoas muito simples, muito humildes, muito vulneráveis na maior parte das vezes. Se cria, sim, uma relação de dependência financeira com a Prefeitura, e a gente sabe que a relação política que constitui essa dependência financeira pode ter um peso significativo nessas eleições. Tenho estimulado o próprio Jefferson, com quem mantenho mais contato, falando que nós precisamos ter muita atenção com esse debate. Quando a gente fala de quase 10 mil RPA’s, a gente está falando talvez mais de 50 mil pessoas, porque as famílias desses RPA’s são impactadas por essa relação de dependência financeira.
Calcanhar de Aquiles do governo Wladimir — Você vai conversar com a população no dia a dia, você vê críticas muito intensas ao Transporte Público, que é o grande calcanhar de Aquiles do governo Wladimir, porque ao longo desses quatro anos não conseguiu apresentar nenhuma solução. Hoje, a única possível solução que resta para Wladimir resolver a questão do transporte é se for atendida a solicitação dele para o PAC, de R$ 500 milhões, para aquisição de 350 novos ônibus. É uma solicitação muito considerável para o governo Lula. É até difícil, é um valor muito alto para ser contemplado no PAC a uma cidade do interior. Eu torço para que ele tenha sucesso no pleito, para que o Governo Federal possa ajudar a cidade de Campos, mas acho muito difícil. Essa é a única solução que resta. Então, se você conversa com a população sobre o Transporte, sobre a Saúde, a população tem muitas críticas. É onde reside, talvez, a maior rejeição no sentido do governo. A gente precisa de novas pesquisas, claro, para confirmar isso; pesquisas um pouco mais até qualitativas, para a gente ter um pouquinho mais dessa percepção.
Geração de emprego — A gente tem hoje o município de Campos gerando pouquíssimos empregos. Eu fiz uma matéria para a Folha, no nosso blog, comparando a geração de emprego de Campos com uma cidade da Bahia, em que há uma pujança industrial muito maior do que a cidade de Campos, que poderia estar pleiteando esse desenvolvimento, gerando mais emprego, mais renda. Hoje, o maior empregador da cidade de Campos é a Prefeitura. É muito grave quando a gente vê que quem mais emprega na cidade é a Prefeitura, com seus quase 10 mil RPA’s, sem falar dos outros cargos comissionados, que são naturais para a operação e para o funcionamento da máquina pública, dos cargos técnicos que precisam ser ocupados nas secretarias, naturalmente. E eu acredito que o PT pode apresentar soluções, principalmente nesses dois eixos: emprego e renda, e mobilidade urbana. Nós temos currículo e histórico nessas áreas. Se a gente observar a cidade de Maricá, nós temos hoje um sistema de transporte que é exemplo para qualquer cidade média no Brasil, onde a gente consegue operar transporte gratuito. E aí, algumas pessoas podem falar que Maricá está recebendo muitos royalties. E Campos não recebeu muitos royalties por muito tempo? Campos ainda não recebe muitos royalties? É claro que não recebe tanto como já recebeu, mas já recebeu muito. Qual foi o legado de político estruturante que a nossa cidade teve desses royalties? Nenhum!
Segundo turno — Não acredito em vitória (de Wladimir) no primeiro turno. Eu acho que o segundo turno é um fato, dado inclusive agora o número de (pré-)candidatos confirmados que nós temos. Com um número mais enxuto de candidatos que a gente tinha até pouco tempo atrás, talvez o Wladimir pudesse pensar em primeiro turno. Mas, agora, eu acho que o segundo turno começa a se mostrar um pouco mais inevitável. E a gente quer estar nesse segundo turno debatendo a cidade de Campos com a candidatura do PT, qualificando principalmente essas áreas em que nós já temos experiência: qualificando o debate sobre emprego, qualificando o debate sobre Transporte Público na nossa cidade. Eu acho que vão ser bandeiras essenciais, inclusive para qualquer candidato debater. Mas, nós temos currículo e bagagem nesses pontos.
Atrás dos 100 mil votos de Lula em Campos — Os 100 mil votos para o Lula no segundo turno (de 2022) aqui em Campos não foram somente de petistas; muitos foram votos contrários ao bolsonarismo, É por isso que eu acho, inclusive, que a gente pode ter na nossa cidade o efeito de uma grande votação para a candidatura que mais rejeite o bolsonarismo, que eu acredito que vai ser a candidatura do PT. Uma resolução do PT estadual, inclusive, deixa claro que o PT não estará nem irá compor, nem terá qualquer proximidade, nem receberá nas suas nominadas qualquer tipo de candidato que esteja no mínimo próximo ao bolsonarismo. Não terá! Então, a gente consegue explorar um pouco, para o bem e para o mal, essa polarização na nossa cidade. A candidatura da Madeleine surge nesse momento, de fato, como essa candidatura que o Bacellar já teve com o (Dr. Bruno) Calil (em 2020), que tende a desidratar a candidatura do Wladimir, principalmente nesse voto bolsonarista. Inclusive com a Madeleine desidratando esse voto bolsonarista de forma mais qualificada. Muita gente esperava um bolsonarista mais radical, alguém como o (deputado estadual Filippe) Poubel (PL de Maricá). Não, pelo contrário! Acho que isso também vai contribuir com o debate na cidade. E entre essas três a quatro candidaturas, eu acho que o PT vai conseguir correr por fora. O nosso objetivo é chegar no segundo turno; é capturar o máximo possível desses votos que o Lula teve na cidade. Pesquisa do PT — O PT-RJ vai encomendar uma pesquisa agora para o mês de abril, em que a gente vai fazer alguns testes, dessa correlação da votação do Lula com a nossa candidatura. A gente vai poder ter uma boa métrica disso para poder falar isso até com mais propriedade. Mas, eu acredito que a gente vai ter um processo eleitoral que pode repetir, sim, esse cenário. Existe a possibilidade de Caio (Vianna) concorrer novamente, a gente tem observado isso voltando para o debate. Acredito que se isso ocorrer, pode contribuir ainda mais para esse cenário, se de fato concorrer. E a gente tem aí a possibilidade da candidatura do PT, além de Madeleine, possivelmente Caio. Eu acho que, das outras candidaturas bolsonaristas, o Clodomir não acredito que vai ter algum desempenho muito considerável. O Sérgio Mendes gravou um vídeo ontem (18) dizendo que permanece pré-candidato.
Lula em Campos? — Eu estive com a Gleisi (Hoffmann, presidente nacional do PT), o Tezeu esteve com a Gleisi (na sexta, dia 15) e tudo o que ouvimos é que realmente o diretório nacional vai ter uma presença significativa nas eleições aqui. A gente quer trazer o Lula a Campos antes da eleição para uma agenda importante. Estamos construindo para ele vir. Tivemos uma reunião há pouco tempo, muito breve, em Brasília. A gente está propondo. O que eu posso dar de informação é que a gente vai apresentar uma proposta de agenda solicitada pelo (deputado federal) Lindbergh (Farias, PT/RJ). Ele vai fazer contato com a assessoria da presidência da República apresentando essa proposta de agenda, que dialoga com uma tarefa que o Lula tem seguido, que é visitar territórios mais marcados pela presença do bolsonarismo. Ele já fez isso com os governadores, quando ele fez aquela série de agendas passando pelo Tarcísio (Freitas, Republicanos), pelo Cláudio Castro (PL), pelo (Romeu) Zema (Novo), que são governadores eleitos ainda muito aliados ao bolsonarismo. Isso faz parte de uma estratégia de ampliar o próprio campo do PT, e com as prefeituras a tendência é repetir essa estratégia. A gente acredita que dá para trazer ele a Campos. É muito difícil a gente bater o martelo agora. Mas a gente tem prédio novo da UFF para inaugurar. Não tenha dúvida de que Wladimir (que conduziu, como deputado federal, a emenda de bancada para conclusão da obra) estará convidado a estar ao lado de Jefferson, Carla, Helinho.
Nominata do PT — O objetivo é fazer duas cadeiras, estamos focados nisso. Acho que isso é reconhecido. Eu sou pré-candidato nessa nominata. Acredito que a gente faz as duas cadeiras; uma cadeira e uma na sobra. É a conta que o professor Luciano D’Ângelo (ex-diretor da antiga Escola Técnica Federal de Campos, atual IFF, e articulador do PT local) vem conduzindo. A gente está com uma montagem de uma nominata muito competitiva, muito equilibrada. A gente passou por um momento muito ruim em 2020. Em 2016, foi por muito pouco que a gente não elegeu o Professor Alexandre (atual, PDT). Odisseia, o ex-reitor da Uenf Raul Palacio, o próprio professor Alexandre, se não confirmados, estão próximos. O caso da Natália (Soares, Psol), o PT sempre deixou as portas abertas, mas, de fato, passa muito pelas discussões que ela vai ter com a própria base, com o próprio Psol. Há, de fato, um compromisso não somente pragmático, mas ideológico dela com o Psol. Então, eu acredito que é um peso e que deve ter nesse processo. Mas, independente da candidatura de Natália ou não com o PT, a gente tem muita clareza da possibilidade dessas duas cadeiras. A partir do dia 6 de abril, vão começar a surgir alguns nomes que, por uma questão até de estratégia, estarão conosco nessa nominata e não ventilamos ainda, para não dar tanto do nosso mapa. Vamos sair este ano, se Deus quiser, com a nominata completa, junto com os nossos companheiros do PCdoB e do PV, que também compõem a Federação conosco, estão apresentando também os seus nomes. O PT ontem fez uma atividade muito boa de formação com os seus pré-candidatos da nominata. Fui candidato em 2020 e serei candidato agora, em 2024. Há uma diferença muito grande realmente no trabalho. Em 2020, no meio do governo Bolsonaro, a gente estava com um pouco mais de dificuldade. Zé Maria (Rangel, atual gerente executivo de Responsabilidade Social da Petrobras) e eu ainda fizemos uma boa votação, mas, infelizmente, o restante do nominata não teve as condições necessárias. A nominata saiu com menos de 1/3 do que poderia lançar. Esse fato não vai se repetir. Acho que 2020 é um ano para se esquecer do ponto de vista de montagem de nominata. Em 2020, a gente disputou com mais de 800 candidatos a vereador. A gente já vai ter um número mais enxuto nessa eleição, e acho que isso também vai ampliar um pouco o campo que a gente tem de disputa. Inclusive, há a necessidade de a gente eleger mulheres para essa Câmara, que tem 25 homens. A gente precisa diversificar, precisa qualificar. A gente precisa que essa Câmara reflita um pouco mais a cidade de Campos.
Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã
No vídeo abaixo, a entrevista do Gilberto Gomes, na manhã de ontem, ao Folha no Ar:
Engenheiro civil formado pela Universidade de Coimbra, onde fez mestrado em estruturas, e sócio da startup Exo Innovation and Sustainability, José Heitor Soares é o convidado do Folha no Ar desta quarta (20), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará a mudança do perfil dos brasileiros que, como ele, foram estudar e trabalhar em Portugal na última década.
José Heitor também falará da sua experiência da engenharia civil à startup que fundou com outros brasileiros seu colegas em Coimbra (confira aqui na matéria de Ícaro Barbosa), dedicada à sustentabilidade dos ambientes urbanos no conceito de smart cities (“cidades inteligentes”). Por fim, falará da imagem do Brasil na Europa e de como esta foi vista por 10 anos pelos olhos de um campista.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook, no Instagram e no YouTube.
Anthony, Rosinha e Wladimir Garotinho (Foto: Instagram)
“Rosinha sendo um algodão entre cristais”. Foi o que o ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) postou hoje, aqui, em seu perfil no Instagram, para resumir em palavras a foto entre ele, sua esposa, a ex-governadora Rosinha (sem partido), e seu filho e prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PP).
Se, para bom entendedor, pingo é letra, para quem precisar de mais pistas, basta conferir aqui a queixa pública de Garotinho a Wladimir, na segunda passada (11), por este ter sido deixado fora do controle do PL em Campos. O que foi desmentido aqui, no dia seguinte (12), com a notícia de que o veto a Garotinho teria sido do PL nacional.
Com todos os predicados que Rosinha possa ter como esposa e mãe, a pacificação entre o pai ex-governador e o filho prefeito começou a se dar na última quarta (13). Quando o ex-governador se filiou aqui ao Republicanos (REP) do prefeito de Belford Roxo, Waguinho, para ser pré-candidato a vereador carioca. E foi saudado por Wladimir:
— Parabéns, Pai! Sua trajetória é brilhante e tenho certeza que será o vereador mais votado da cidade do Rio, fazendo um trabalho espetacular. Como seu filho fico muito feliz com essa notícia e como pessoa pública tenho muita honra de carregar o seu sobrenome, que tem muito serviço prestado em todo o Estado do Rio. Mesmo com discordâncias pontuais, normais por sermos de gerações diferentes, saiba que eu te amo muito.
Flávio Bolsonaro, Wladimir Garotinho, Alfredinho Dieguez, Jober Brito e Thiago Ferrugem (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
O empresário Alfredinho Dieguez, secretário de Abastecimento do governo Wladimir Garotinho (PP) e ligado aos grupos de direita da cidade, assumirá a presidência do PL em Campos. Ele terá como vice o médico Jober Brito, considerado um bolsonarista raiz.
Chefe de gabinete de Wladimir, o ex-vereador Thiago Ferrugem chegou a ocupar a presidência do PL em Campos (confira aqui) em certidão emitida pela Justiça Eleitoral, datada do último dia 7. Ele agora vai assumir a coordenação dos partidos no arco de apoio à reeleição de Wladimir.
Alfredinho, que passa de vice-presidente a presidente do PL goitacá, falou ao blog:
— A gente vem trabalhando para fortalecer a nominata do PL. Mas, para isso, temos que alinhar o todo, pois tem os outros partidos. Já tínhamos conversado na semana passada que Ferrugem poderia, sim, assumir a coordenação de todos os partidos da aliança para a campanha. Enquanto eu vou trabalhar com a ala de direita no PL, conversando com lideranças bolsonaristas da cidade para fortalecer o grupo à eleição.
Novo vice-presidente do PL em Campos, o médico bolsonarista Jober Brito também comentou:
— Eu sempre fui bolsonarista, sempre segui uma linha. Acho que a política deveria ser assim, porque tem muita gente que pula de um lado para o outro. Acho honroso você ter um pensamento e mantê-lo, independente do seu lado político. Seguir uma linha não passa a imagem de falsidade. Sempre mantive a minha como bolsonarista e me associei às ideias do Partido Liberal de Bolsonaro. E continuo até hoje, perdendo ou ganhando. A política tem que ser assim, não esse pula-pula que vemos muito por aí. Isso acaba mostrando que muitos não são verdadeiros no pensamento. E acabam seguindo a onda do momento. Fico feliz de ter sido lembrado e de estar ajudando com o PL.
Secretário de Comunicação do PT de Campos, assessor do deputado Lindbergh Farias (PT/RJ) na Câmara Federal e pré-candidato petista a vereador, Gilberto Gomes é o convidado do Folha no Ar desta terça (19). Ele falará sobre as declarações controversas do presidente Lula que, junto à subida de preço dos hortifrutigranjeiros, são consideradas as causas da queda de aprovação popular do presidente (confira aqui) em todas as pesquisas recentes.
Gilberto também analisará a polêmica local (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui e aqui), após sua cobrança ao prefeito Wladimir Garotinho (PP) por crédito das verbas federais a Campos. Por fim, ele falará dos três pré-candidatos do PT a prefeito da cidade e tentará projetar (confira aqui) as eleições municipais de 6 de outubro, daqui a exatos 6 meses e 19 dias.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook, no Instagram e no YouTube.
Elísio Rodrigues, Carla Caputi, Washington Reis e Anthony Garotinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
“Estou fechado com a prefeita Carla Caputi (União). Recebi, sim, na última quarta (13), numa ligação telefônica, o convite de Washington Reis (presidente estadual no MDB) e de Garotinho (pré-candidato a vereador carioca pelo Republicanos) para me candidatar a prefeito de São João da Barra pelo MDB. Respondi que o movimento de oposição perdeu força no município e que esse convite teria que ser feito lá atrás. Vou concorrer à reeleição a vereador em apoio à prefeita Caputi”. Foi o que garantiu esta manhã o edil sanjoanense Elísio Rodrigues (PL).
Mesmo antes de Caputi assumir a Prefeitura (confira aqui) em 5 de abril de 2022, após a renúncia (confira aqui) de Carla Machado (PT) ao cargo, Elísio já era considerado o candidato natural da oposição a prefeito em SJB. Mas, como este blog e a coluna Ponto Final, da Folha da Manhã, adiantaram (confira aqui) desde o último 6 de março, Elísio compôs politicamente com a prefeita.
Também foi adiantado que o outro vereador de oposição, Analiel Vianna (Cidadania) poderia seguir os passos de Elísio, no apoio à reeleição de Caputi. Mas isso ainda continua a demandar conversa e acerto entre a prefeita e Analiel. Que, como Elísio e outros edis sanjoanenses, estarão em Brasília de terça (19) à sexta (22). Para a Semana Legislativa na capital federal, destinada à atualização da Legislação Eleitoral a vereadores de todo o Brasil.
Elísio aproveitará a oportunidade para se encontrar com o deputado federal Altineu Côrtes (PL). Com quem decidirá se permanece no PL para concorrer à reeleição como vereador em 6 de outubro, daqui a exatos 6 meses e 19 dias.
Rodrigo Bacellar, Wladimir Garotinho, Madeleine Dykeman, Carla Machado, Caio Vianna, Jorge Magal, Alexandre Buchaul, Clodomir Crespo, Jefferson de Azevedo, Hélio Anomal e Sérgio Mendes (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Rodrigo mostra força e lança Madeleine
Se dúvida havia sobre a força do presidente campista da Alerj, ela foi desfeita na quinta (14) carioca, no Centro de Convenções Expo Mag, onde tomou posse (confira aqui) como presidente estadual do União: Rodrigo Bacellar é hoje o político mais poderoso de Campos. Nome hoje mais empoderado do seu clã, o prefeito Wladimir Garotinho (PP) tentará confirmar seu favoritismo à reeleição em outubro. Se conseguir, sobretudo em turno único, se cacifará a voos mais altos. Antes, a pergunta que ecoa desde quinta terá que ser respondida: lançada por Rodrigo, qual o potencial eleitoral da delegada da Polícia Civil Madeleine Dykeman a prefeita de Campos?
O que as pesquisas dirão?
Com a impossibilidade da deputada estadual Carla Machado (PT), por toda a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF), concorrer à prefeita de Campos ou qualquer outro município brasileiro em 2024, por já ter se reelegido em 2020 prefeita de SJB; e com o titubeio do deputado federal Caio Vianna (PSD) em concorrer outra vez a prefeito, Madeleine é a primeira pré-candidata real da oposição em Campos com potencial para chegar aos dois dígitos de intenção de voto. Mas isso terá que ser evidenciado em pesquisas eleitorais sérias. Antes delas, quem disser que sim ou que não, estará mentindo.
Mulher para tentar rachar a direita
Pesquisas qualitativas foram feitas pelos Bacellar para se chegar ao perfil preenchido por Madeleine, jovem mãe de família, articulada e de carreira profissional brilhante. Antes dela aceitar, também teriam sido sondadas as delegadas Natália Patrão e Pollyana Henriques. Mas Madeleine traz uma característica política própria: a identificação ideológica com a direita. Sua pré-candidatura a prefeita é também uma tentativa de resposta ao apoio do senador Flávio Bolsonaro e do PL à reeleição de Wladimir. Pois o ex-presidente Jair Bolsonaro, mesmo derrotado nacionalmente no 2º turno de 2022, teve nele 63,14% dos votos válidos de Campos.
Nas 98ª e 75ª ZEs
Dentro desse pragmatismo político, onde a ideologia conta menos que a eficiência, o objetivo eleitoral da pré-candidatura de Madeleine, além de rachar com Wladimir os votos de direita e extrema-direita, é penetrar em duas Zonas Eleitorais (ZEs) de Campos. Sobretudo na 98ª, que reúne a classe média e a classe média alta do Centro, e é historicamente refratária aos Garotinhos — tendência que todas as pesquisas de 2023 mostraram ter sido invertida por Wladimir. Mas também tentar entrar na franja de classe média da 75ª, da Penha ao Farol e maior ZE de Campos, a partir dos votos de integrantes das forças de Segurança e familiares.
Magal na 76ª ZE
Para a 76ª ZE, segunda maior da cidade, pegando toda a Guarus à margem direita da BR 101 no sentido Campos/Vitória até a divisa com o Espírito Santo, que sempre foi tradicional reduto do garotismo, a tentativa de tirar votos de Wladimir deve caber ao ex-vereador Jorge Magal. Que anunciou sua pré-candidatura a prefeito pelo SD do vereador Marquinho Bacellar, irmão de Rodrigo e presidente da Câmara de Campos. Como Madeleine e qualquer outro prefeitável novo, o nome de Magal terá que ser testado nas pesquisas. Mas o fato de não concorrer novamente na proporcional indica também a dúvida real que teria para ser eleito vereador.
Buchaul e Clodomir
Em relação à disputa dos votos da direita e da extrema-direita em Campos, além de Wladimir e Madeleine, há outros dois prefeitáveis: o odontólogo Alexandre Buchaul (Novo) e o empresário Clodomir Crespo (DC). Este esteve ontem no Rio, na posse de Rodrigo como presidente estadual do União, com quem teria encontro neste domingo (17). Já Buchaul, que não esteve no Centro de Convenções Expo Mag na quinta, estará hoje, quando o encontro estadual do Novo será sediado no mesmo local. Clodomir e Buchaul também não tiveram seus nomes ainda testados em pesquisas. Mas ambos tendem a buscar votos na 98ª ZE.
Pré-candidatos do PT
Atrás dos 100.427 votos (36,86% dos válidos) que Lula teve no 2º turno presidencial em Campos, o presidente do Sindipetro NF, Tezeu Bezerra, se encontrou ontem com a presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffman. O petroleiro postou a foto e escreveu no Instagram: “Atualizei ela (Gleisi) sobre a política do Norte Fluminense e, em especial, de Campos. Expliquei as três pré-candidaturas que temos: a deputada Carla Machado e suas nuances, Jefferson de Azevedo, nosso reitor do IFF; e o sindicalista Helinho Anomal. Será feita uma reunião com o diretório estadual e a partir daí fechamos todas as estratégias”.
Oposição tem dois objetivos
Já testada em pesquisa (0,5% na consulta estimulada da Iguape de julho), há ainda a pré-candidatura a prefeito do ex-prefeito Sérgio Mendes (Cidadania). Em grupos de WhatsApp da cidade, circulam listas que colocam Madeleine, Carla, Caio, Magal, Clodomir e até o deputado estadual bolsonarista de Maricá, Filippe Poubel (do PL que apoia Wladimir), como candidatos do grupo dos Bacellar a prefeito de Campos. Os que se confirmarem nas convenções de julho, além dos de oposição independentes, têm um objetivo comum: levar a eleição com o prefeito ao 2º turno. E, na pior das hipóteses, puxar as nominatas dos seus partidos a vereador. A ver.
Lula em Adis Abeba, Adolf Hitler e Benjamin Netanyahu (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
No último domingo (10), republiquei (confira aqui) em meu blog, Opiniões, o artigo de Elio Gaspari, a quem considero o maior jornalista brasileiro entre os vivos, publicado em O Globo e na Folha de S.Paulo naquele mesmo dia. Pela precisão da sua análise da queda brusca de popularidade do presidente Lula (PT), registrada pelas recentes pesquisas Quaest e Ipec (antigo Ibope).
Como faço com outros textos que publico sobre política, mesmo quando não de minha autoria, enviei o link daquela republicação por WhatsApp a pessoas que julgo balizadas, em suas múltiplas visões. No intuito de divulgar e, eventualmente, colher alguma repercussão.
Entre as respostas, uma pretendeu justificar a fala de Lula em 18 de fevereiro, em Adis Abeba, capital da Etiópia, sobre os crimes cometidos por Israel na Faixa de Gaza. Que tropeçou no desastre quando Lula comparou Hitler aos judeus, 6 milhões deles exterminados pela Alemanha nazista na II Guerra Mundial (1939/1945). E que, junto à subida de preço dos hortifrutigranjeiros, sangrou a popularidade do presidente do Brasil de hoje.
A tentativa de passar pano não só simulou desdém à realidade presente. Avançou ainda mais no delírio ao apelar à futurologia: “Lula não está tão preocupado com índices de aprovação política. Os posicionamentos dele indicam uma preocupação de sua imagem em nível mundial e a longo prazo. Como ele será lembrado daqui a 30, 50 anos, quando a História for contada?”
Além do sofisma da bola de cristal, a resposta veio com a pessoalidade pretensiosa do “não sejamos ingênuos, Aluysio”. Tanto pior quando o passador de pano é uma referência em sua área profissional, gente boa e dotado de razoável cultura geral. E tudo se esvai no comportamento de seita política, sem tirar nem pôr ao que há de pior no bolsonarismo.
A tréplica ao passador de pano lulopetista, não por acaso, se deu em 13 pontos. Que, por se tratar do debate de um tema de interesse público, estão reproduzidos abaixo:
1 – Sim, aos 78 anos, a idade de Lula pode ser responsável pelas estultices que anda regurgitando, sempre que fala de improviso. Assim como o isolamento e o ressentimento dos 580 dias preso. Como o fato de não ter mais figuras como José Dirceu e Genoíno, caídos em desgraça, e Luiz Gushiken, falecido em 2013, para lhe dizer as verdades.
2 – Hoje, infelizmente, Lula parece dar mais ouvido a Janja e Celso Amorim do que ao seu líder no Senado, Jaques Wagner: “Sou amigo do presidente Lula há 45 anos e tive a naturalidade de visitá-lo e dizer: ‘Não tiro uma palavra do que você disse, a não ser o final, que, na minha opinião, não se traz à baila o episódio do Holocausto para nenhuma comparação’”.
3 – Como todo historiador foge como o diabo da cruz da futurologia, melhor deixar esta às cartomantes. De como a História contará o presente, saberão os pósteros. Pretender legar a ela o julgamento que hoje já faz o eleitor brasileiro, além da bravata, não é nem só ingenuidade; é desinteligência. Oposta ao pragmatismo político que deveria ter quem pretendia recuperar o voto evangélico perdido à disrupção cognitiva do bolsonarismo. Do qual a passação de pano companheira é cópia carbono. Nos dois casos, aprofunda o problema.
4 – Em resposta aos crimes de guerra do Hamas em 7 de outubro, Israel promove de lá até aqui crimes de guerra na Faixa de Gaza. Ambos sem pudor a civis, crianças e mulheres. Se é genocídio em um caso, ou no de quem propõe publicamente em seu estatuto a eliminação do Estado de Israel, o juízo cabe ao Tribunal Penal Internacional de Haia. Que já analisa a denúncia neste sentido feita pela África do Sul, com apoio do Brasil e mais de outros 70 países.
5 – De qualquer maneira, como disse em entrevista ao Folha no Ar do último dia 6 a Letícia Haertel, especialista em Direito Internacional com atuação na Corte Interamericana de Direitos Humanos e na Comissão de Direito Internacional da ONU, o que é necessário para se configurar genocídio é a intenção (Art. 6º do Tratado de Roma). E, a despeito de julgar que, sim, é genocídio, ela também ressalvou que o dolo será objetivamente difícil de provar.
6 – Sim, os EUA ainda se arvoram de “polícia do mundo”. Mas é inverdade que sejam os únicos que determinam “o que pode e o que não pode”. No Conselho de Segurança da ONU, também têm poder de veto GBR, França, Rússia e China. Pelo “pode” dos dois últimos, por exemplo, Putin continua a perpetrar crimes de guerra na Ucrânia. Entre eles a deportação forçada de crianças ucranianas à Rússia. Que já rendeu o mandado de prisão a Putin pelo Tribunal Penal Internacional. Sob o silêncio seletivo e cúmplice de Lula e da esquerda pré-Muro de Berlim.
7 – Tanto quanto seria julgar o Brasil pelas estultices que Bolsonaro ou Lula regurgitam como presidentes, confundir Israel com o governo Benjamin Netanyahu é um erro grosseiro. Que só pode ser cometido por quem ignora a história do povo judeu e da formação do seu Estado moderno. Para a eventual surpresa dos ditos “socialistas” de hoje, mais próximos aos nacional-socialistas (nazistas, na corruptela) de ontem em seu galopante antijudaísmo — antissemitismo ignora que os povos árabes são tão semitas quanto os judeus —, Israel foi arquitetado na mente gigantesca de Ben Gurion, com o socialismo sem aspas como base.
8 – Em seu 6º mandato como primeiro-ministro, Netanyahu não é um político de extrema-direita e/ou fundamentalista religioso. Por oportunismo, tornou-se! Em 2022, na aliança do seu conservador Likud aos partidos ultraortodoxos Judaísmo Unificado da Torá e Shass, e aos da extrema-direita Sionismo Religioso, Força Judaica e Noam. Para ter maioria no Knesset, Parlamento israelense. Que é como se chega ao poder em uma república parlamentarista. Da qual Israel, a despeito dos crimes do seu atual governo, é um exemplo ao mundo. De Estado democrático, eficiente e de forte compromisso cidadão.
9 – Além do Holocausto, houve outros genocídios comprovados do mundo. Como o nosso, em uma América onde os índios foram reduzidos a minorias, o da escravidão negra pela Europa na África, do particular nela promovido no Congo pela Bélgica de Leopoldo II, dos armênios pelo antigo Império Otomano no Medz Yeghern (“Grande Crime”), dos ucranianos pela União Soviética de Stálin no Holodomor (“Terror-Fome”), dos praticados contra o seu próprio povo por Mao Tsé-Tung na Grande Fome da China, ou pelo Kmer Vermelho de Pol Pot no Camboja.
10 – Nenhum desses genocídios comprovados, no entanto, foi estruturado numa linha industrial de morte como a Alemanha nazista de Hitler fez com os judeus na II Guerra. Para não ficar só na mera opinião, tente deixar de lado os contorcionismos da futurologia e leia “O Holocausto: História dos Judeus na Europa na Segunda Guerra Mundial”, do historiador britânico Martin Gilbert. Ou o testemunho detalhado de “Os Fornos de Hitler: A História de Uma Sobrevivente de Auschwitz”, da judia romena Olga Lengyel.
11 – Há outro genocídio comprovado mais próximo em tempo de nós. O da etnia tútsi pela hútu em Ruanda, em 1994. Que deixei aqui para exemplificar as palavras do rabino judeu brasileiro e progressista Nilton Bonder, ao condenar a comparação de Lula: “Não se pode comparar judeus a Hitler, da mesma maneira que não se pode chamar de escravagistas os africanos genocidas de africanos”. O politicamente correto que dá em Chico, dá em Francisco.
12 – Lula poderia ter dito tudo que disse em Abis Abeba, condenando com severidade os crimes de guerra de Israel, mas sem comparar os judeus a Hitler. Defender isso, como bem ressalvou Elio Gaspari, é crer em Lula como profeta. Diferente da subserviência de seita que seus passadores de pano assumem e, pior, tentam impor, Lula não tem infalibilidade papal.
13 – Os petistas questionaram as pesquisas em 2018, como os bolsonaristas em 2022. Com a mesma consequência prática após a urna: chorar a dor de corno no quente da cama. Voltar a questioná-las agora, se for para abraçar a ciência oculta da futurologia, pavimenta a volta da extrema-direita ao poder. No Brasil, porque nos EUA de Biden, a volta de Trump parece a cada nova pesquisa mais provável. Atentos às últimas pesquisas Quaest e Ipec, Tarcísio e Caiado já arrumam neste março de 2024 as malas para Tel Aviv. Como escala prevista a 2026.
Arthur Soffiati, historiador, professor, escritor e crítico de cinema
Um jacaré no esgoto
Por Arthur Soffiati
Em “Devorado vivo” (1976), de Tobe Hooper, o herói-bandido é o psicopata dono de hotel (Neville Brand) que mata os hóspedes para alimentar seu crocodilo. Em “Alligator, o jacaré gigante” (1980), de Lewis Teague, o herói é um jacaré americano. Pegando a onda criada por “Tubarão”, de Spielberg, o jacaré não pode ser mau porque os animais não são cruéis. Contudo, nos filmes, os animais acabam adquirindo personalidade humana. Eles representam o mal e seus caçadores são vistos como símbolo do bem, como heróis.
Sinteticamente, o roteiro mostra um filhote de jacaré tirado do seu meio por uma menina e levado para Chicago como pet. O pai da menina descobre o bichinho e o lança no vaso sanitário. Adeus, jacaré? Não. Ele sobrevive na rede de esgotos da cidade, alimentado por animais mortos cheios de hormônios por um laboratório que faz experiências suspeitas. Pernas e braços começam a aparecer na estação de tratamento de esgoto. A polícia é chamada. Um investigador (Robert Forster) cuida do caso. Quem é o criminoso? Andando pelas galerias de esgoto, o investigador descobre logo tratar-se de um jacaré monstruoso, e não de um bandido. O filme se baseia numa lenda urbana muito popular nas décadas de 1970-80.
Concluindo-se de que se trata de um jacaré, a polícia devia encerrar o caso e passá-lo para bombeiros ou cientistas. Mas as investigações policiais prosseguem com o detetive compulsivo. Os clichês começam a se definir. O policial perdeu um companheiro no passado e se sente culpado por isso. É um homem atormentado que perderá mais um colega para o cruel jacaré gigante. O chefe da delegacia é também típico na sua meia idade e rouquidão. Ambos procuram um especialista. O maior nome em herpetologia é ninguém menos que uma linda moça. O dono do laboratório é um empresário inescrupuloso que tem grande influência sobre o prefeito venal. Esse filme já foi visto várias vezes, trocando-se apenas o vilão e os personagens.
É claro que haverá um romance entre o investigador e a cientista. É claro que haverá sexo, embora, no filme, ele seja discreto. Nem os seios da cientista completamente nus são exibidos. Mas o detetive comenta que ela é inteligente, bonita e tem peitos atraentes. É claro que o jacaré terá comportamento humano. Ele arrebenta o asfalto e avança pela superfície de Chicago, atacando pessoas e veículos. É um animal gigantesco. Parece que ele sabe quem é o homem mau e ataca a festa de casamento do seu filho, devorando muitos convidados e o próprio vilão.
Afastado do caso por ordem do prefeito, o detetive continuará a agir por conta própria com ajuda da cientista. Também já assistimos a esse filme várias vezes. Ambos entram no covil do jacaré e o detonam com dinamite. Caso resolvido? Chicago pode descansar? O filme terminou? O jacaré deixou filhotes. Mas como? Ele era macho ou fêmea? Se macho, não havia como proliferar. Se fêmea, pode-se pensar em partenogênese. O instinto de reprodução é tão forte que algumas plantas, invertebrados, anfíbios e répteis dispensam parceiros machos e se reproduzem. Um caso é focalizado em “Jurassic Park”.
Os jacarezinhos aparecem no final do filme, sugerindo continuação. Muitos filmes com jacarés foram produzidos depois e “Alligator”. Todos eles para caçar espectadores pouco exigentes. Contudo, devemos admitir que muitos filmes nessa linha fizeram sucesso. Não é preciso ir longe para saber que os estúdios dos Estados Unidos querem filmes comerciais que produzam bilheteria.
Anthony Garotinho a vereador pelo Republicanos na cidade do Rio de Janeiro. A possibilidade se confirmou com a filiação de Garotinho na noite de hoje ao Repubicanos, pelas mãos do prefeito de Belford Roxo, Waguinho. Pela nova legenda, ex-governador quer concorrer a vereador do Rio no pleito municipal de 6 de outubro, daqui a 6 meses e 22 dias.
Seu filho, o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PP), incentivou a nova empeitada política do pai:
— Parabéns, Pai! Sua trajetória é brilhante e tenho certeza que será o vereador mais votado da cidade do Rio, fazendo um trabalho espetacular. Como seu filho fico muito feliz com essa notícia e como pessoa pública tenho muita honra de carregar o seu sobrenome que tem muito serviço prestado em todo Estado do Rio. Mesmo com discordâncias pontuais, normais por sermos de gerações diferentes, saiba que eu TE AMO MUITO ❤” — postou Wladimir nas redes sociais.
Garotinho e Wladimir viviam uma crise (confira aqui, aqui e aqui) pelo controle do PL em Campos dos Goytacazes. Ao que parece, foi sanada.
Algumas análises do novo passo de Garotinho:
— Primeiro passo para Garotinho tentar voltar a ser governador do Estado do Rio — projetou o historiador Arthur Soffiati, professor da UFF-Campos.
— Primeiro, segundo consta, ele está inelegível. E esse é um projeto familiar de se espraiar por todos espaços políticos de projeção estadual para pavimentação de um projeto de retorno ao Palácio Guanabara — também projetou o ex-prefeito e pré-candidato a prefeito de Campos Sérgio Mendes (Cidadania), ex-aliado e há anos desafeto político de Garotinho.
— Acho que o Parlamento municipal da capital só tem a ganhar pela experiência que ele tem como governador. E pela movimentação que ele vai implementar no Legislativo. E, certamente, seria um dos mais votados no processo eleitoral carioca de 6 de novembro — apostou o engenheiro da Petrobras Wagner Victer. Ex-secretário estadual em várias pastas, inclusive nos governos Garotinho e Rosinha, ele frisou falar como cidadão carioca.
Flávio Bolsonaro e Wladimir Garotinho, Anthony Garotinho, Rodrigo Bacellar, Filippe Poubel e Thiago Ferrugem (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
“A soberba precede a ruína”?
Trazer o PL ao seu arco de aliança, com o apoio pessoal (confira aqui) do senador Flávio Bolsonaro, talvez tenha sido, depois da aprovação da LOA goela abaixo da oposição na Câmara, o maior feito do prefeito Wladimir Garotinho (PP) neste ano eleitoral de 2024. Mas com o PL e o apoio dos Bolsonaro também vieram problemas. O mais grave foi o protesto do ex-governador Anthony Garotinho (sem partido) ao fato de ter sido deixado de fora do comando do PL goitacá: “Eu não entendo por que o meu filho me excluiu mais uma vez da participação política na cidade. Há um provérbio que diz que a soberba precede a ruína” (Livro dos Provérbios 16:18).
Garotinho e Wladimir com PL
Em vídeo veiculado nas redes sociais, Garotinho deu seu motivo à advertência ao filho. Antes do encontro de Wladimir e Flávio no último dia 21, o ex-governador disse que já vinha articulando a vinda do PL ao seu grupo. Sobre isso, teria conversado por telefone com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e os deputados federais Altineu Côrtes e Sóstenes Cavalcante, ambos do PL fluminense. Garotinho disse ter comunicado isso a Wladimir, que teria se mostrado surpreso. Mas o filho recebeu depois uma ligação de Flávio, para marcar reunião em Brasília, onde o senador manifestou em vídeo seu apoio e do PL à reeleição do prefeito.
Veto da Executiva nacional
Ocorre que, na manhã de ontem (12), o jornalista Ricardo Bueno revelou no site Agenda do Poder: “As críticas de Garotinho ao seu filho, por supostamente ter sido alijado do comando do PL em Campos, não procedem. Uma fonte da direção nacional do PL garantiu que o veto ao ex-governador ter protagonismo na nova executiva municipal foi da Executiva nacional. Entregar a sigla a Wladimir seria suficiente para atender sua estratégia eleitoral à reeleição. Garotinho comandar o processo seria um exagero desnecessário. Estimularia o confronto com o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, de quem o ex-governador é inimigo figadal”.
Pai acertou na Câmara
No fim da tarde de segunda (11), ao comentar sobre o vídeo do ex-governador em protesto aberto ao filho prefeito, o blog Opiniões analisou a manifestação. E sua possível absorção pelo eleitor campista. “Há alguns aspectos a serem considerados nessa rusga pública entre pai e filho. É fato, por exemplo, que Garotinho falou a verdade quando também disse no vídeo: ‘Quando iria acontecer a eleição da Câmara (de Campos, em 15 de fevereiro de 2022) antecipada eu disse (a Wladimir)’: olhe, não antecipe porque vai perder. Perdeu! E vocês viram as complicações que ele teve que enfrentar na Câmara de Vereadores”.
Reações do eleitor ao filho
“Mas há outros aspectos (nessa nova rusga de Garotinho com Wladimir). A reação natural à ofensiva verbal e pública de um pai contra um filho, sobretudo quando este não retruca, costuma ser de lamento e de repúdio ao ataque. Ademais, sobretudo ao eleitor da 98ª Zona Eleitoral de Campos, da classe média e média-alta do Centro da cidade, historicamente refratário a Garotinho, toda mostra de independência política que Wladimir demonstrar do pai será sempre bem vista”, seguiu o blog em sua análise. Que foi enviada a Garotinho, para oferecer-lhe contraditório.
Garotinho, Rosinha e Clarissa fechados
Ainda na noite de segunda, Garotinho enviou resposta: “Obrigado pela consideração de enviar seu ponto de vista. Mas a situação é mais ampla e envolve outros fatores. Eu, Rosinha e Clarissa estamos fechados na reprovação às atitudes políticas de Wladimir. Quanto ao perde e ganha, acho que ele perde mais. E, independente disso, não vale a pena perder o respeito da família”. Mesmo na manhã seguinte, o ex-governador não mostrou acreditar na informação de que o veto ao seu nome no comando do PL goitacá tenha sido decisão do comando nacional do partido. Para evitar “provocação desarrazoada” ao presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar.
Ataque a Ferrugem e sua esposa
Ex-vereador e chefe de Gabinete de Wladimir, Thiago Ferrugem assumiu no sábado (9) a presidência do PL em Campos. No mesmo dia, o deputado estadual bolsonarista Filippe Poubel, do PL de Maricá e tubo de ensaio dos Bacellar a prefeito de Campos, publicou em seu Instagram: “O PL em Campos dos Goytacazes está nas mãos do prefeito Wladimir Garotinho. Em seu primeiro ato, colocou na presidência do partido um político de esquerda, condenado na Chequinho”. E, com foto da esposa de Ferrugem, acrescentou: “Em destaque, a esposa do atual presidente do PL Campos, fazendo o L. Peço atenção das lideranças do partido”.
PL de Campos x PL de Maricá
Essa característica de expor e atacar preferencialmente mulheres talvez seja a pior do dito “bolsonarismo raiz”. Ademais, ao pedir “atenção das lideranças do partido”, Poubel encarnou o aluno ressentido do ensino fundamental que dedura à “tia”, após a ausência desta, quem teria feito bagunça na sala de aula. Ontem, Ferrugem reagiu: “Lamentável o comportamento do deputado. Usar a imagem da minha esposa, mãe dos meus filhos, só demonstra o caráter desse rapaz. Tenho muito orgulho da minha esposa. Diferente desse sujeito, ela é forte, corajosa e livre para tomar suas próprias decisões”.