Na segunda: vice-prefeito Frederico Paes, candidato a vice-governador na chapa de Castro, Washington Reis; o governador Cláudio Castro, o prefeito Wladimir Garotinho e o deputado estadual Bruno Dauaire. No domingo: Castro e o ex-governador Anthony Garotinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Wladimir esteve com Castro no dia seguinte ao seu pai, o ex-governador Anthony Garotinho (União), declarar apoio à reeleição do atual governador, a quem vinha fazendo pesadas críticas. Desde então, especula-se que o realinhamento estadual teria como consequência a pacificação em Campos. Em entrevista ao Folha no Ar na quarta (3), o vereador de oposição Helinho Nahim (Agir) fez a ressalva: “Existe o 022 (DDD do de Campos) e o 021 (DDD da cidade do Rio de Janeiro). O 021 que pode interferir em Campos, não com o grupo inteiro (os 13 vereadores de oposição), mas com boa parte do grupo, chama-se Rodrigo Vieira Bacellar”.
(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Genial/Quaest e PoderData a presidente
A semana trouxe mais duas pesquisas presidenciais. E repetem as tendências, a partir das diferenças de metodologia. As presenciais indicam a vitória do ex-presidente Lula (PT) ainda no 1º turno de 2 de outubro. As por telefone também indicam a vitória do petista, mas só no 2º turno de 30 de outubro, contra o presidente Jair Bolsonaro (PL). Divulgada na quarta (3), a Genial/Quaest presencial deu Lula no 1º turno. Mas dentro da margem de erro, com 51% dos votos válidos, contra 37% do capitão. Divulgada na quinta (4), a PoderData por telefone também deu a vitória do petista. Mas só no 2º turno, com 50% x 40% de Bolsonaro.
Diferença fácil de entender
A diferença dos números das pesquisas, a partir da diferença das metodologias, é fácil de entender. Todas mostram que a maior vantagem de Lula sobre Bolsonaro é entre o eleitor de baixa renda. Como muitos deles estão com dificuldade para fazer três refeições por dia, pagar a conta telefônica passou a ser um “luxo”. São brasileiros menos acessíveis às pesquisas por telefone, como a PoderData, onde a vantagem do petista ao capitão é sempre menor. Essa dificuldade de falar com o eleitor mais pobre inexiste às pesquisas presenciais, como a Genial/Quaest e a Datafolha, onde a vantagem de Lula sobre Bolsonaro é sempre maior.
Em busca do pobre
Clara em todas as pesquisas de 2022, a liderança de Lula só é questionada por quem trocou a razão pela torcida. Ninguém parece acreditar mais nas pesquisas do que Bolsonaro. Quanto mais elas confirmam o favoritismo do petista, mais o capitão questiona as urnas eletrônicas que o elegeram presidente em 2018. E usa um incerto apoio das Forças Armadas para ameaçar a democracia. Dentro dela, a última esperança eleitoral do presidente parece ser o reforço do Auxílio Brasil, custeado com os R$ 41,2 bilhões da PEC Kamikaze, que começa a ser pago a partir da próxima terça (9). Justamente ao eleitor pobre, onde Lula tem sua maior vantagem.
Posição dos ricos
Apesar de registrar vantagem menor de Lula a Bolsonaro, a PoderData evidenciou como é difícil a missão de tentar virar o voto do eleitor pobre. Nas três últimas pesquisas do instituto, duas em julho e a de agosto, o petista subiu suas intenções de voto de 43%, a 52%, aos atuais 58% dos eleitores que recebem o Auxílio Brasil. Entre estes mesmos brasileiros pobres, o capitão caiu de 37%, a 32%, aos atuais 25%. Isto, mais a posição no outro lado da pirâmide social, assumida por banqueiros e pela poderosa Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em defesa da democracia, não desenham quadro favorável a quem a ameaça.
Padroeiro
Campos celebra hoje (6) o padroeiro da cidade, o Santíssimo Salvador — para os católicos, o próprio Jesus. A festa, em sua 370ª edição, tem a marca especial do reencontro. Nos últimos dois anos, como aconteceu com praticamente todas as atividades econômicas e sociais, as celebrações foram de forma virtual ou restrita. A novena em preparação para o dia maior dos festejos terminou nessa sexta-feira (5). Hoje, as missas na Catedral acontecem às 6h30, 7h30, 10h, 13h30, 15h e 16h, sendo a das 10h presidida pelo bispo titular da Diocese de Campos, Dom Roberto Francisco Ferrería Paz.
Tradições
Após a missa das 16h, haverá a procissão do Santíssimo Salvador. No retorno à Catedral, Dom Roberto dará a benção aos quatro cantos da cidade. Além da programação religiosa, a festa conta com a retomada de outras tradições. Ao lado da Catedral, o canteiro. Na principal praça da cidade, além de shows, os vendedores ambulantes e o 31º Festival da Comissão de Entidades Sociais e Assistenciais do Município de Campos (Coesa), com barracas de entidades filantrópicas e de doceiras. O período também sempre foi de atividades esportivas. E, na sua 75ª edição, a prova ciclística do Santíssimo Salvador volta a acontecer neste dia 6 de agosto.
Na segunda: vice-prefeito Frederico Paes, candidato a vice-governador na chapa de Castro, Washington Reis; o governador Cláudio Castro; o prefeito Wladimir Garotinho e o deputado estadual Bruno Dauaire. No domingo: Castro e o ex-governador Anthony Garotinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Ampliar o percentual de remanejamento de 5% (atualmente, são 30%), que a maioria da oposição legislativa quer impor ao prefeito Wladimir Garotinho (sem partido) no Orçamento de 2023, mais a composição na formação da nova Mesa Diretora da Câmara, a ser eleita até dezembro. Estes teriam sido os pontos acordados entre o governador Cláudio Castro (PL) e Wladimir Garotinho na segunda (1º), a partir do apoio no domingo (31) à tentativa de reeleição do primeiro pelo pai do segundo, o ex-governador Anthony Garotinho (União).
As possibilidades da consequência em Campos do alinhamento estadual para a eleição de outubro foram colocadas na tarde de ontem, numa reunião no gabinete do prefeito, entre este e os 12 vereadores da sua base na Câmara Municipal. Entre eles, Dandinho do Rio Preto (PSD), que vota com o governo, mas deve apoiar a tentativa de reeleição a deputado estadual de Rodrigo Bacellar (PL), líder da oposição.
No Folha no Ar de quarta (3), o vereador de oposição Helinho Nahim (Agir), primo de Wladimir, refutou a possibilidade de acordo municipal a partir do apoio do tio Garotinho ao governador Castro:
— Existe o 022 (DDD de Campos) e existe o 021 (DDD da cidade do Rio de Janeiro). O 021 que pode interferir em Campos, não com o grupo inteiro (os 13 vereadores de oposição), mas com boa parte do grupo, chama-se Rodrigo Vieira Bacellar. O 021, para mim, que pode mudar alguma coisa em Campos é o 021 Rodrigo Bacellar. Não estou falando pelos 13, estou falando por boa parte dos 13. E só haverá isso por parte de Rodrigo, conhecendo ele como eu conheço, se houver maturidade por parte do prefeito. Não vai ser golea abaixo. Não vai!”
Se as últimas pesquisas presenciais (Datafolha, divulgada em 28 de julho, e Genial/Quaest, em 3 de agosto) apontam para a decisão da eleição presidencial no primeiro turno, a exatos 59 dias para 2 de outubro, a pesquisa PoderData, divulgada hoje, a exemplo das demais pesquisas realizadas por telefone, confirma projeção de segundo turno, caso as eleições fossem hoje. Realizada entre 31 de julho e 2 de agosto de 2022, com 3.500 eleitores com 16 anos de idade ou mais em 322 municípios brasileiros, Lula (PT) aparece com 43% das intenções de voto na pesquisa estimulada, quando os nomes dos demais candidatos são apresentados, contra 35% de Jair Bolsonaro (PL).
Na pesquisa PoderData anterior, realizada entre 17 e 19 de julho, Lula aparecia com 43% e Bolsonaro com 37%. Como a margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou menos, os resultados da pesquisa divulgada hoje são idênticos aos da pesquisa divulgada no dia 20 de julho, mostrando estabilidade, consolidação e cristalização do cenário eleitoral. A soma da intenção de voto de todos os demais candidatos juntos é de 15%. Com isso, nos votos válidos, descontando brancos e nulos, Lula alcançaria 45% no primeiro turno e Bolsonaro, 37%. Para vencer no primeiro turno, o primeiro colocado precisa alcançar 50% + 1 do total dos votos válidos.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Diferença entre Lula x Bolsonaro no 2º turno cai em 2 meses
Na simulação de segundo turno entre Lula e Bolsonaro, o ex-presidente venceria com 50% dos votos, contra 40% do atual presidente – uma diferença de 10 pontos percentuais. A vantagem do petista, porém, já foi maior. Há duas semanas, era de 13% (51% a 38%, oscilando dentro da margem de erro), mas no final de junho, chegou a 17% (52% a 35%).
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Lula sobe entre quem recebe Auxílio Brasil
Na pesquisa divulgada hoje, a PoderData não mediu a rejeição aos candidatos, mas calculou a intenção de voto para presidente entre os eleitores que receberam alguma parcela do Auxílio Brasil, que substituiu o Bolsa Família, criado no primeiro governo Lula (2003-2006). Entre os que receberam o benefício no último mês, 58% pretendem votar no ex-presidente, enquanto somente ¼ deste eleitorado (25%) tenciona votar em Bolsonaro.
Desde o início de julho, os percentuais de intenção vêm crescendo progressivamente em favor do ex-presidente e diminuindo em relação ao atual. Há um mês, 43% dos beneficiários do Auxílio Brasil pretendiam votar em Lula, contra 37% dos que preferiam Bolsonaro. Há 15 dias, Lula cresceu para 52% e Bolsonaro caiu para 32% de intenção sobre este eleitorado, até a diferença ampliar para 33% na sondagem divulgada hoje. No caso da intenção de voto entre os beneficiários do Auxílio Brasil, a margem de erro é de 3,4% para mais ou para menos.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Metodologia
O PoderData ouviu, por telefone, 3.500 eleitores em todo o Brasil, entre 31 de julho e 2 de agosto de 2022, com margem de erro de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo. O intervalo de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no TSE como BR-08398/2022.
Wiliam Passos
(*)William Passos é geógrafo com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.
A Prefeitura de Campos informa que saiu o acordo com a Caixa Econômica Federal (CEF), sancionado em 1º de agosto pela Justiça Federal, para a retomada dos pagamentos da cessão de crédito, usando como garantia os royalties do petróleo, feita em 2016 pelo governo Rosinha Garotinho (hoje, União) e chamada à época de “venda do futuro”. Após várias reuniões do prefeito Wladimir Garotinho (sem partido) com a direção da CEF, em Brasília, ficou pactuado que a Prefeitura de Campos pagará mensalmente 10% da sua arrecadação de royalties e, trimestralmente, das Participações Especiais.
Os pagamentos de Campos à CEF tinham sido interrompidos desde julho de 2017, quando o governo Rafael Diniz (Cidadania) ganhou uma decisão no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF 2). Pela resolução 43/2001 do Senado, assim como pela autorização da Câmara Municipal de Campos em 2016, os pagamentos da operação financeira não poderiam exceder 10% das receitas petrolíferas do município. Só que o limite, agora restabelecido, não foi obedecido pelo contrato entre a CEF e o governo municipal Rosinha, no apagar das luzes do Governo Federal Dilma Rousseff (PT).
A CEF recorreu da vitória judicial momentânea do governo Rafael e a juíza federal Rosângela Martins determinou, em 2021, que as duas partes fizessem um acordo. Desde então, Wladimir se reuniu várias vezes com a direção da CEF em Brasília, contando com a intermediação da deputada federal Clarissa Garotinho (União) e do senador Carlos Portinho (PL/RJ), para restabelecer o diálogo e fechar os termos do acordo.
O valor da dívida, considerada impagável, estava na casa do R$ 1,2 bilhão. Se o município insistisse na contenda judicial, é quase unânime entre os juristas que a CEF ganharia o direito de executar, com quisesse, a dívida. O que significaria a insolvência do município.
— A Prefeitura de Campos galgou mais um degrau, no 1º de agosto, no processo de recuperação de sua capacidade de pagamento e de avaliação por organismos federais de crédito e receitas, com a homologação do acordo com a Caixa, por força da decisão da Justiça Federal. Com a decisão judicial, ficou pactuado que a Prefeitura de Campos pagará 10% de sua arrecadação de royalties e Participações Especiais. A retomada do diálogo com o Governo Federal e estadual estão recolocando o município no caminho do equilíbrio institucional e no radar de novos investimentos governamentais e privados — comemorou o prefeito Wladimir.
George e Hamilton também darão suas projeções às eleições de deputado federal e estadual na região, a senador e governador do RJ. Por fim, tentarão projetar também a eleição ao Palácio do Planalto, bem como as ameaças à democracia no país feitas pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Faltam, hoje, exatos 60 dias para as urnas de 2 de outubro. E o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue na liderança isolada da corrida presidencial, com possibilidade de definir a eleição já no primeiro turno. Segundo colocado, o presidente Jair Bolsonaro (PL) vem diminuindo gradativamente a diferença para o petista nas intenções de voto, assim como na rejeição, fundamental para definir o vencedor no eventual segundo turno. Na pesquisa Genial/Quest divulgada hoje, e feita entre 28 e 31 de julho, Lula tem 44% de intenções de voto na consulta estimulada, seguido por Bolsonaro, com 32%. São 12 pontos de diferença. Mas, na soma dos votos válidos, o ex-presidente venceria em turno único, com 51% dos votos válidos. Na margem de erro de 2 pontos da pesquisa, a possibilidade do segundo turno segue aberta.
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE
— Com metodologia de entrevistas presenciais, a mesma do Datafolha, que representa a coleta de informação mais confiável, a Genial/Quaest confirma os resultados das suas duas pesquisas anteriores (junho e julho), apontando vitória de Lula (PT) no 1º turno com 51% dos votos válidos, contra 37% de Jair Bolsonaro (PL). Com os resultados da pesquisa Datafolha divulgada no dia 28 de julho, que apontou 52% dos votos válidos para Lula no primeiro turno, as duas principais pesquisas que utilizam o tipo de levantamento com maior precisão estatística, sinalizam para a vitória do ex-presidente já no dia 2 de outubro — analisou o geógrafo William Passos, com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Bem atrás de Lula e Bolsonaro na consulta estimulada, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) tem hoje 5% das intenções de voto. Atrás dele vêm a senadora Simone Tebet (MDB) e o deputado federal André Janones (Avante), cada um com 2%; e o influenciador digital Pablo Marçal (Pros), com 1%. Janones estuda abrir mão da sua candidatura para apoiar Lula. Como afirmou Felipe Nunes, diretor do instituto Quaest, em seu Twitter (@felipnunes): “Hoje, é impossível afirmar se a eleição será definida em primeiro ou em segundo turno, porque a soma de Bolsonaro e outros candidatos (42%) fica na margem de erro da soma de intenção de votos de Lula (44%)”. Se for ao segundo turno, marcado para 30 de outubro, o petista ganharia fora da margem de erro. E bateria o capitão por 51% a 37%. Bolsonaro segue liderando a rejeição, com 55% dos brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, contra 44% do petista.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Erro muitas vezes cometido não só pelos (e)leitores, mas também pela mídia, o hábito é se olhar apenas os resultados finais da útima pesquisa. Mas é na comparação com as anteriores, feitas pelo mesmo instituto e com a mesma metodologia, que se revelam as tendências. Comparadas as Genial/Quaest de junho e julho com a divulgada hoje, no início de agosto, Lula vem caindo nas intenções de voto no primeiro e segundo turno, como crescendo na rejeição. Sempre dentro da margem de erro, essas tendências se revelam inversas nas curvas de Bolsonaro.
Na consulta estimulada ao primeiro turno, Lula tinha 46% de intenções de voto em junho, caiu a 45% em junho e hoje tem 44%. Por sua vez, Bolsonaro tinha 30% em junho, subiu a 31% em julho e hoje tem 32%. Na simulação de segundo turno entre os dois, a vantagem do petista sobre o capitão era de 23 pontos em junho (55% a 32%), caiu para 19 pontos em julho (53% a 34%) e hoje está em 14 pontos (51% a 37%). Fundamental à vitória no segundo turno, a rejeição mantém Bolsonaro como líder, mas diminuindo gradativamente: dos 60% de junho, aos 59% de julho, aos 55% de hoje. Em curva inversa, Lula vem aumentando no índice negativo: dos 40% de junho, aos 41% de julho, aos 44% de hoje.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
— A Genial/Quaest ouviu presencialmente 2.000 eleitores de 120 municípios do Brasil com 16 anos ou mais, entre 28 e 31 de julho de 2022. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança dos resultados é de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-02546/2022. O levantamento custou R$ 139.005,86 e foi pago pela Genial Investimentos. Na simulação de segundo turno, Lula segue vencendo Jair Bolsonaro, agora por 51% a 37%. Brancos e nulos somam 9% e indecisos, 3%. Na pesquisa de junho, Lula vencia por 55% a 32% e, na de julho, por 53% a 34%. Em junho, a rejeição a Lula era 40%, passando para 41% em julho e 44% agora em agosto. Já 60% dos eleitores declararam não votar em Bolsonaro de jeito nenhum em junho, percentual que caiu para 59% em julho e 55% agora em agosto — reforçou William.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Numa eleição em que boa parte dos eleitores de Lula são os que não querem a continuidade do governo Bolsonaro, ao passo que a maioria dos eleitores deste não quer a volta do PT ao poder, a pesquisa Genial/Quaest também confirma que o anibolsonarismo hoje é mais forte que o antipetismo. Os que têm mais medo de outros quatro anos do capitão são 48% dos brasileiros, contra 38% que têm mais medo do retorno do PT. O antibolsonarismo, no entanto, tem diminuído gradativamente: dos 52% de junho, aos 51% de julho, aos 48% de hoje. Estável nos 35% de junho e julho, o antipetismo cresceu aos 38% de hoje.
Por Matheus Berriel, Aluysio Abreu Barbosa e Cláudio Nogueira
O novo presidente do Brasil tende a ser decidido pelo carrinho de supermercado. Foi o que indicou nessa terça-feira (2) o jornalista e analista político Luiz Carlos Azedo, dos jornais “Correio Braziliense” e “Estado de Minas”, em entrevista ao Folha no Ar, da Folha FM 98,3. Além de destacar a influência do fator econômico no voto da população brasileira, ele também indicou a alta taxa de rejeição, especialmente a Jair Bolsonaro (PL), como um fator importante para o resultado das urnas, citando um favoritismo de Lula, mas em cenário aberto graças à existência de brasileiros que têm no voto sua única participação nas decisões do Brasil. Azedo também vê como polarizada, mas não cristalizada, a corrida ao governo do Rio de Janeiro, tendo na possibilidade de apoio do PT à candidatura de Rodrigo Neves (PDT) uma chance de alteração no quadro. Na visão dele, ao anunciar apoio a Cláudio Castro (PL) após a retirada da sua candidatura ao cargo, o ex-governador Anthony Garotinho (União) buscou a “saída mais pragmática” para sobreviver politicamente. Porém, o fato de ter saído do caminho não significa que ele irá carregar Castro “nas costas”. No que se refere ao Senado, Azedo enxerga como provável a vitória de Romário (PL).
Luiz Carlos Azedo (Foto: Divulgação)
Possível apoio do PT a Neves – A eleição no Rio de Janeiro tem uma peculiaridade: você tem dois processos políticos eleitorais em curso simultaneamente e com característica completamente diferente. As eleições na capital e na Baixada, principalmente, têm característica de guerra de movimento. Você tem um contingente eleitoral muito grande que se desloca rapidamente na reta final. Já a eleição nos demais municípios do estado, tem as características tradicionais da política fluminense, que é uma política refinada desde o Império, de muita articulação. Então, a dificuldade do Marcelo Freixo (PSD) na eleição contra o Cláudio Castro (PL) é sair do Rio (capital). O voto da esquerda no Rio de Janeiro vai do Grajaú ao Leblon, que é onde também está o voto conservador mais ideológico. Quem sair dali e conseguir ir para o subúrbio, e agora para a Barra da Tijuca, ganha a eleição. Mas, a esquerda tem, tradicionalmente, dificuldade de sair desse universo. Então, esse movimento que o PT está fazendo de aproximar o Rodrigo Neves e o André Ceciliano (PT), que é um político com mais características do político do antigo estado do Rio, do que do petista da Zona Sul do Rio, ela tem muito mais possibilidades de ganhar eleição no interior, do que o Freixo ganhar a eleição na capital e disputar o voto no interior. É aí que o Cláudio Castro leva uma vantagem, porque ele tem a máquina do estado trabalhando, está com dinheiro em caixa por causa da venda da Cedae, oferecendo recursos aos prefeitos no interior. Agora, ele tem um problema: está fazendo aliança com o que existe de mais queimado na política do antigo estado do Rio. São personalidades políticas desgastadas por envolvimento em denúncias de corrupção, e ele está se alinhando a esse povo. A possibilidade de apoio do PT a Rodrigo Neves é uma tendência que está posta. Se acontecer, muda todo o cenário, porque a candidatura do Rodrigo Neves ganha um aliado poderosíssimo, e a do Freixo vai se enfraquecer. Não sei como isso vai evoluir, mas a possibilidade de essa aliança se consolidar é real. Ela se consolidando, muda o cenário. Quer dizer que vai mudar a eleição? Não sei. Mas, em termos de ação política das forças que disputam o poder, muda o jogo.
Romário favorito ao Senado – O Alessandro Molon (PSB) tem dificuldade de entrar no interior do estado. Já o André Ceciliano tem mais facilidade de entrar na capital por causa da estrutura do PT na capital. A candidatura do Romário é muito forte, porque o Romário é um cara popular, tem uma personalidade que faz com que ele se identifique muito com o povão, fora o fato de que foi um craque, campeão do mundo. Sempre foi um jogador polêmico, corajoso. Mas, ele não é um político de expressão como um cara que articula, que tem grandes projetos. O Molon, embora não seja senador, tem uma atuação parlamentar muito mais expressiva do que o Romário. Então, ele tem um reconhecimento da sociedade. Agora, não sei se ele sai da capital. Já o André Ceciliano é um cara que é da política do estado, articulador. Acho que a única coisa que pode tirar a eleição do Romário é a desconstrução da imagem dele como um bom representante do povo.
Eleição ao governo do Rio polarizada, mas não cristalizada – Isso ocorre primeiro porque o Cláudio Castro não foi eleito governador; ele assumiu o governo. Então, ele não tem uma memória na população de uma campanha eleitoral em que a figura dele foi confrontada por outros candidatos. Na minha avaliação, a projeção eleitoral dele deriva do peso da máquina da administração do estado na política e no dia a dia das pessoas. Mas, esse peso também vai se relativizando, porque, se você pegar as grandes corporações do estado, o posicionamento delas é diferente. Talvez o pessoal da área de segurança pública o apoie, mas, por exemplo, professores não vão apoiar; o pessoal da área da saúde. Então, esse peso acaba, de uma certa forma, sendo neutralizado no processo eleitoral. Você não tem nenhum outro candidato que já tenha sido governador. O que tinha era o Garotinho (União) e ele desistiu. Os 10% (de intenção de voto) do Garotinho vão se transferir automaticamente para ele? Não acredito, porque o empenho do candidato a governador não é o mesmo quando ele deixa de ser candidato e passa a apoiar alguém. Então, é uma eleição que a gente ainda pode considerar aberta.
Garotinho de crítico a apoiador de Castro – O Garotinho correria sério risco de ser impugnado, por causa dos problemas dele com a Justiça. Por outro lado, é uma figura política importante do Rio de Janeiro, foi governador, mas cuja liderança eu acho que ficou muito contingenciada à política do Norte do estado, principalmente Campos. Ele perdeu muita influência no estado, embora tenha um potencial eleitoral expressivo, porque se você entra numa disputa com 10%, você tem expressão. Mas, acho que, na armação da política, ele estava com muita dificuldade, porque tinha que buscar uma possibilidade de ele sobreviver na política. Ele buscou a saída mais pragmática que poderia fazer. Até porque, não sei se os outros quereriam tirar essa foto com ele. Não acredito que o Freixo e o Rodrigo Neves fariam essa foto (com Garotinho).
Lula favorito à presidência – Em 2018, o candidato favorito era o Lula. A prisão do Lula abriu espaço para Bolsonaro, e ele surpreendeu no processo eleitoral. Foi o ápice da insatisfação popular em relação aos partidos e aos políticos tradicionais. Aquele era um momento que passou, porque houve um processo de acomodação, haja vista a aliança do Bolsonaro com o Centrão, que é o eixo da sua candidatura à reeleição. Uma coisa que tem que se levar em conta é que todo presidente candidato à reeleição se reelegeu, mesmo a Dilma depois de 2013, Lula depois do Mensalão. Então, a lógica nessa eleição seria o Bolsonaro ser o candidato favorito, e não o Lula. Agora, o Lula é o candidato favorito primeiro porque ele tem um legado de serviços prestados à população de baixa renda. Ele deixou o governo com o país crescendo, com regime de pleno emprego. Então, existe essa memória. E se nós levarmos em conta que o Lula em 2018 era o favorito, é uma coisa que explica um pouco o que está acontecendo. Agora, não explica tudo. O fenômeno Bolsonaro tem uma componente antropológica: capturou a ideia de que a família unicelular patriarcal tem que ser preservada a qualquer custo; e é um sentimento muito forte na população de baixa renda, especialmente entre os evangélicos. Isso dá ele um lastro eleitoral na população e é quase imune às críticas que ele recebe por causa das coisas que fala, por causa das alianças esdrúxulas. E do outro lado, o Lula tem um partido enraizado nos movimentos sociais. O Lula esteve preso, e o PT em momento algum o abandonou. E o PT, na oposição, se voltou para entidades da sociedade civil, passou a atuar de novo nos movimentos sociais, a fazer alianças. O Lula virou uma espécie de mono opção à esquerda. Você não tem outro candidato a presidente de esquerda (entre os principais nas pesquisas), a não ser o Ciro Gomes (PDT). Essa coisa explica um pouco a polarização. Agora, o que pode mudar esse cenário é a rejeição, principalmente do Bolsonaro.
Candidaturas de terceira via têm sua função – Acho que as candidaturas que estão disputando o espaço do que seria uma terceira via têm uma funcionalidade nesse processo eleitoral, que é de fazer com que a distância entre o Bolsonaro e o Lula se mantenha grande. Isso pode ser muito importante na virada do primeiro para o segundo turno, porque desfaz a narrativa da fraude eleitoral, que tende a se fortalecer muito se o Bolsonaro virar encostado no Lula. Ao mesmo tempo em que isso pode levar uma eleição para o segundo turno, leva obrigando tanto o Lula como o próprio Bolsonaro a tentar ampliar as suas alianças ao centro, principalmente esse centro liberal, democrático, o que vai ser bom para a democracia. Mas não sei se é o que vai acontecer. Eu acho que o Lula pode ganhar a eleição no primeiro turno com essa diferença que ele tem em relação ao Bolsonaro, que o Datafolha (do final de julho) mostrou, e essas forças vão contribuir para que essa diferença se mantenha. Do ponto de vista eleitoral, o PT fazer campanha por voto útil é mais que legítimo. Mas, numa análise política do que está acontecendo, é bobagem achar que essas candidaturas não têm um papel a cumprir na eleição.
O peso do carrinho do supermercado – O Bolsonaro conseguiu a proeza, naquela reunião com os embaixadores, de perder o apoio do establishment brasileiro empresarial, do mundo jurídico. Depois que começar o horário eleitoral, se ficar evidente pela rejeição do Bolsonaro, que é muito alta, que ele não tem a menor chance de ganhar do Lula, a candidatura dele pode se inviabilizar junto a esses setores, e eles buscarem uma alternativa. É nisso que o Ciro Gomes aposta, é nisso que a Simone Tebet (MDB) aposta: no Bolsonaro se inviabilizar como alternativa de poder por causa da rejeição dele, e ao mesmo tempo numa alta rejeição do Lula, que pode crescer na campanha, porque eles vão se atacar mutuamente. Isso pode mudar o cenário. É a tendência principal? Não. A tendência principal é de voto muito consolidado, uma margem muito estreita, uma diferença muito pequena entre os resultados das pesquisas espontâneas e as pesquisas induzidas. Acho que isso vai ser decidido no carrinho do supermercado. O que o povo faz é o seguinte: como está o carrinho do supermercado? No governo Lula, ele vinha cheio ou vinha vazio? No governo Bolsonaro, ele vem cheio ou vem vazio?
Rejeição – Acho que a polarização neutraliza a rejeição do ponto de vista da possibilidade de um terceiro nome, porque você tem uma rejeição muito alta do Bolsonaro, e aí o sujeito vai votar no Lula porque não quer o Bolsonaro de jeito nenhum e não tem outra opção; e vice-versa. Essa lógica está se mantendo, e tanto o Lula como o Bolsonaro se apropriaram disso. No jogo eleitoral, eles retroalimentam isso. Agora, o que pode acontecer é no horário eleitoral surgir uma alternativa a isso. Pode haver um deslocamento. Eu acho mais fácil esse deslocamento ocorrer em relação ao Bolsonaro, apesar do peso da máquina do Governo Federal, porque existe uma simetria entre o sistema de aliança do Bolsonaro e a sua base eleitoral. A base parlamentar do Bolsonaro no Congresso está muito vulnerável eleitoralmente, porque ela está se deslocando para o Lula. Se observar o cenário, o Lula vai ampliando as alianças dele, e o Bolsonaro vai se isolando. Agora, como eu disse, a tendência é a disputa ser entre os dois. Pode mudar. Prefiro deixar essas coisas acontecerem.
Possíveis apoios a Lula em eventual segundo turno – Geralmente, o que acontece nas eleições é que o deslocamento do eleitor aos candidatos no segundo turno se dá quase que espontaneamente. Os candidatos a presidente têm influência? Têm. Isso acontece quando você tem um político com a base fidelizada. E o Ciro tem um eleitor que é fiel a ele já há várias eleições. Mas, a dificuldade do Ciro é política, porque, como ele tem um programa nacional desenvolvimentista, e é o único que tem um programa, ele sofre uma rejeição muito grande dos setores liberais, dos setores de centro. E a esquerda está congestionada para ele, porque foi o espaço ocupado pelo Lula. Então, ele fica espremido ali. E tem a Simone, que fala bem, é preparada, tem traquejo político e tal. A gente vai ter que esperar chegar o horário eleitoral, acompanhar a primeira semana. É um momento de muita gente indecisa. Você tem razões objetivas para que a polarização exista; uma delas é o fato dos serviços prestados pelo Lula, quando foi presidente da República, e pelo Bolsonaro, no seu primeiro mandato. O confronto de realizações entre eles vai ser medido muito em função do carrinho de supermercado. É uma eleição polarizada, você tem uma tendência principal, que está evidente. Mas, ela tem linhas de força no processo que podem alterar esse resultado. Uma delas é a rejeição muito alta dos dois candidatos, que tende a aumentar mais na medida em que eles se atacaram reciprocamente. E já começou.
Ensaio de golpe no 7 de setembro – A mobilização que está sendo feita pela extrema direita tem um caráter golpista. Se ele forçar a barra nisso aí, o voto útil vai vir com toda força, na minha avaliação, para tirar ele; e esse voto vai favorecer a quem estiver na frente. Bolsonaro está usando a autoridade dele, de comandante em chefe das Forças Armadas, para constranger os generais, os militares. Essa é uma coisa que as pessoas às vezes não levam em conta: o militar é disciplinado. Quem está no vértice da hierarquia militar é o Bolsonaro. Quando ele fala um negócio desse, pode tanto estar querendo realmente fazer o tal desfile militar em Brasília e na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro como ele pode estar querendo testar a cadeia de comando para ver quem são os generais que vão se opor a ele nisso. É difícil saber o que passa pela cabeça dele. Agora, é uma coisa absurda ele transformar as Forças Armadas em instrumento de campanha eleitoral. O que a oposição tem que fazer? Recorrer ao tribunal e tomar a decisão proibindo. E aí, o Exército vai ter que escolher entre uma ordem ilegal ou cumprir a Constituição.
Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã
Confira abaixo, em dois blocos, os vídeos com a íntegra da entrevista do jornalista Luiz Carlos Azedo ao Folha no Ar de terça:
Rodrigo Bacellar, Cláudio Castro, Anthony Garotinho, Marquinho Bacellar, Frederico Paes, Washington Reis, Castro, Wladimir Garotinho e Bruno Dauaire (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Após fazer pesados ataques a Castro, Garotinho surpreendeu ao abraçá-lo no domingo. O constrangimento dos dois era visível. Tanto que foi alvo da mídia nacional. Em Campos, especula-se que o apoio poderia arrefecer a intenção da oposição de reduzir o remanejamento de Wladimir no Orçamento de 2023, dos atuais 30%, para apenas 5%. Como na composição da nova Mesa Diretora da Câmara, na qual Marquinho chegou a ser eleito presidente no último dia 15 de fevereiro. O pleito foi depois anulado pela atual Mesa, mas a oposição ainda detém a maioria dos votos. E nada indica que isso vá mudar até dezembro, limite para a eleição.
Castro/Garotinho/Campos (III)
Após o pai no domingo, na segunda (1) Wladimir também foi ao Rio se encontrar e posar para foto com Castro. E com o candidato a vice na chapa de reeleição do governador, Washington Reis (MDB). Ex-prefeito de Duque de Caxias, ele talvez seja a principal figura na reaproximação entre Castro e os Garotinhos. Aliado destes, Reis rivaliza com Rodrigo uma briga interna no poder estadual. Em que tinha sido derrotado com o irmão Rosenverg Reis (MDB) na eleição a conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Vencida pelo deputado estadual Márcio Pacheco (PSC), na paga por antes ter perdido a secretaria estadual de Governo para Rodrigo.
Castro/Garotinho/Campos (IV)
Não é preciso entender de política para constatar a diferença na expressão constrangida de Castro e Garotinho no domingo, com o alívio das expressões na segunda do mesmo Castro, de Reis e de Wladimir. Que, na noite do mesmo dia, foi nominalmente lembrado pelo jornalista da Globo News André Trigueiro, no telejornal Em Pauta das 20h, como o principal motivo para o giro de 180º do pai em relação a Castro. Que na segunda convidou o prefeito de Campos para, junto com o de Macaé, Welbert Rezende (Cidadania), coordenar a campanha de reeleição do governador em todo o Norte Fluminense e parte do Noroeste.
Castro/Garotinho/Campos (V)
Junto com Wladimir, Castro e Reis, estiveram também no Rio o deputado estadual Bruno Dauaire (União) e o vice-prefeito Frederico Paes (MDB). Todos ouviram o que foi acordado entre o governador e o prefeito. Este, no entanto, não quis adiantar. Na manhã de ontem, se limitou a dizer ao blog Opiniões: “Vou trabalhar pela reeleição de Cláudio Castro e confiar no que ele me disse, que neste momento cabe a mim e a ele”. Vale lembrar, no entanto, que quando foi vereador carioca, mesmo sendo de oposição ao então prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), Castro votou contra seu engessamento no remanejamento orçamentário.
A tréplica de Helinho viria na tribuna da Câmara: “O acordo do ex-governador nada passa por esta Câmara. Em meu nome, dos colegas vereadores e de Rodrigo Bacellar. Se é que tem acordo, passa pela vergonha na cara e lavar a boca de falar o que falou. Seja homem (Wladimir) como há muito tempo não é. Se for homem, fale qual é a chantagem. Se realmente falou, seja homem para dizer. Ou vai dizer que o jornalista errou? É afirmação: seja homem ou coloque o rabinho entre as pernas e peça desculpa”. Diante do jornalista que ouviu ele e o primo prefeito, Helinho é o convidado do Folha no Ar, ao vivo, no início da manhã de hoje.
Helinho também dará sua projeção das eleições a governador, deputado federal e estadual na região, além de presidente da República. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Rodrigo Bacellar, Cláudio Castro, Anthony Garotinho, Helinho Nahim, Frederico Paes, Washigton Reis, Castro, Wladimir Garotinho e Bruno Dauaire (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
A foto da convenção estadual do União no domingo (31), com o governador Cláudio Castro (PL) e o ex-governador Anthony Garotinho (União) de rostos constrangidos, foi notícia de repercussão nacional. Mas o que muda em Campos, na composição da nova Mesa Diretora da Câmara Municipal e na tentativa de imposição pela oposição de 5% de remanejamento no Orçamento de 2023 ao governo Wladimir Garotinho (sem partido), que também esteve Castro na segunda (1º)? O prefeito de Campos não revelou o que acordou com o governador, mas reforçou seu apoio a ele em outubro:
— Vou trabalhar pela reeleição de Cláudio Castro e vou confiar no que ele me disse, que neste momento cabe a mim e a ele — disse Wladimir.
Já segundo o vereador de oposição Helinho Nahim (Agir), primo do prefeito, o apoio de Garotinho a Castro não muda nada na Câmara de Campos:
— Falei ontem por telefone com o nosso líder, o deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL, que só saiu da secretaria de Governo de Castro para se candidatar à reeleição na Alerj). E orientação dele foi de que nada mudou na Câmara. O que tem que mudar é a maturidade do prefeito. Rodrigo disse que Castro não esperava o apoio de Garotinho (formalizado na convenção do União) e ficou até constrangido. Se tiver condições jurídicas para se candidatar (espera julgamento previsto para sexta, dia 5, das provas da Chequinho no Supremo Tribunal Federal), Garotinho deve se eleger deputado federal. O que, na minha opinião, seria bom para Campos. Por ter mais um representante em Brasília e para ele parar de ficar se metendo na política da cidade. Mas, para Campos, é só isso — garantiu Helinho, sobrinho de Garotinho.
O prefeito Wladimir respondeu ao primo, também em tom forte:
— Quanto às palavras do vereador Helinho Nahim, quem precisa de maturidade é ele, que ainda não entendeu que não vou ceder a chantagem.
Outras fontes governistas dão conta que o apoio de Garotinho à candidatura de Castro a governador, a quem vinha atacando de maneira pesada, pode sim mudar a relação entre governo de Campos e a oposição comandada pelos Bacellar. Quer seja na mudança do percentual de remanejamento do prefeito no Orçamento a ser aprovado na Câmara, quer seja na composição da sua nova Mesa Diretora, que tem até dezembro para ser eleita.
Candidato a vice-governador na chapa de reeleição de Castro e ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB) é aliado dos Garotinho. E tem disputado espaço com Rodrigo dentro do governo estadual.
Mineiro radicado em Campos desde os anos 1980, morreu em sua casa, por volta das 3h da manhã de hoje, o mestre Marcelino Moreira. Tinha 63 anos e lutava há mais de dois anos contra um câncer de próstata. Faixa preta de 7ª dan e grão-mestre de taekwondo, ele foi o introdutor da arte-marcial coreana em Campos, onde formou gerações de atletas no esporte. Formado em Educação Física, foi também poeta, compositor e professor de violão clássico, além de líder do movimento Hare Krishna na cidade. Seu corpo será sendo velado na capela do Cemitério do Caju, onde será sepultado às 16h. Ele deixa a esposa Maria Amália e os filhos Marcelo, Marcelino e Matheus.
Marcelino era natural de Betim, na zona metropolitana de Belo Horizonte, onde teve na capoeira seu primeiro contato com o mundo das lutas. Segundo disse em entrevista ao Folha no Ar, na Folha FM 98,3, seu objetivo quando menino era ser um homem forte. No final dos anos 1970, se mudou à cidade do Rio de Janeiro. Lá, chegou a praticar boxe inglês, na academia do lendário treinador Santa Rosa. Mas não quis se profissionalizar, por conta dos danos do esporte em contraste com o pouco retorno financeiro. E acabaria se encontrando quando conheceu no Rio outra lenda, o mestre Woo-Jae Le, ex-militar e ex-monge da Coréia do Sul que introduziu o taekwondo no Brasil.
Após se destacar como pupilo do mestre Lee, Marcelino foi por ele usado para expandir o taekwondo no estado do Rio. E veio para Campos em 1981, onde abriu a Academia Faixa Preta, nos altos de um sobrado na rua João Pessoa. Na segunda metade da década de 1980, mudaria a academia para espaço mais amplo, nos altos de outro prédio, na rua do Ouvidor. Depois, nos anos 1990, se mudaria para a academia TKD, na rua Saldanha Marinho. Nos anos 2000, Marcelino passaria a dar aulas de taekwondo na academia Estação Saúde.
Mais conhecido no mundo as artes-marciais, Marcelino era também íntimo de outras artes. Compositor e exímio violonista, lecionou violão clássico durante anos no antigo Conservatório de Música de Campos, na rua 13 de Maio. Da composição musical, enveredou também pela poesia literária, onde se destacava pelo lirismo. Do seu contato com a filosofia oriental, através da luta, acabou se convertendo ao Hare Krishna, uma das várias vertentes religiosas do hinduísmo. E foi, também durante muitos anos, um dos líderes do movimento em Campos.
Desde que a notícia da sua morte na madrugada passou a correr nas redes sociais da cidade, no início da manhã de hoje, centenas de comentários sentidos de ex-alunos e pais de ex-alunos atestaram como esse mineiro que, quando menino, queria ser um homem forte, marcou fortemente sua passagem de 40 anos por Campos. Grande lutador, dono de uma plasticidade invejável de movimentos, lutou até o final contra o câncer. Com a vida calçada em conceitos como dedicação, disciplina, autoconhecimento e respeito ao próximo, foi um mestre de vida muito além das artes-marciais.
Na sua última entrevista ao Folha no Ar, em 2 de agosto de 2021, há exatamente um ano da sua morte hoje, ele deixou sua mensagem final:
— A mensagem é que a vida é a vida é muito breve. E nós temos que ter um cuidado muito esmerado com o corpo, cuidar bem da alma, do espírito, através de uma boa alimentação, através de relações sadias, através de valores como a honestidade, a compaixão, a benevolência, ser mais filantrópicos, altruístas. O ser humano tem que ter essa preocupação, porque é essa característica que o torna distinto das demais formas de vida. A vida humana destina-se à autorrealização espiritual. Quando foge desse escopo, a vida se torna medíocre; você vive mais como um animal sofisticado do que como um ser humano.
Formado pela Faculdade de Direito de Campos (FDC) em 1993, José Souto Tostes é advogado eleitoral, consultor em gestão pública e especialista em licitações. Foi procurador municipal em Miracema, no Noroeste Fluminense, de onde é natural e sobre a qual mantém um blog há 15 anos, dedicado a acompanhar a política local.
Primeira urna eletrônica usada no ano de 2000 (Reprodução do blog “Miracema”)
José Souto Tostes, advogado eleitoral, ex-fiscal de apuração na passagem do voto impresso à urna eletrônica no Brasil e autor do blog “Miracema”
Em tempos de equipamentos usando comando de voz, ainda questionam urna eletrônica
Por José Souto Tostes
Este texto merece um breve introito para revelar que participo do processo eleitoral desde 1988, quando acompanhei a votação e apuração da eleição municipal, que elegeu Jairo Barroso Tostes (1989/1992) prefeito de Miracema. Em 1992 estive bem próximo na fiscalização da votação e apuração dos votos que elegeram Ivany Samel (1993/1996) também prefeito de Miracema.
Em 1996 o Brasil iniciou a implantação da urna eletrônica, em municípios com mais de 200 mil habitantes, que já usaram a nova tecnologia. A eleição de 1996, que elegeu Gutemberg Damasceno (1997/2000) prefeito de Miracema, ainda ocorreu sob a votação manual e estive fiscalizando a votação e apuração. No ano 2000, Gutemberg foi reeleito na urna eletrônica (2001/2004), primeira eleição em que a tecnologia foi adotada em 100% dos municípios brasileiros.
Dessas quatro eleições que acompanhei, no modelo de votação por cédulas, a primeira como observador e estagiário da OAB e as demais já atuando como delegado partidário e advogado, posso afirmar que a experiência não foi nada boa, tanto no processo de votação, no dia da eleição, como no processo de apuração manual e contagem de votos.
VOTAÇÃO — O processo de votação não flui, como deveria, no voto no papel nos moldes do que acontece na votação via urna eletrônica. É muito mais demorado. Lembrando que na votação municipal há o voto do prefeito, que pode ocorrer pelo número ou nome e o voto no candidato a vereador, que são 5 números. O eleitor menos letrado tem dificuldades, fica nervoso, as filas são enormes. E nessas filas, nessa aglomeração, facilita-se a ocorrência da fraude e da compra de votos.
Há históricos, em Miracema, mas que servem para ilustrar ocorrências repetidas em todos os municípios brasileiros, de abordagem de eleitores por candidatos e cabos eleitorais na vias que dão acesso à votação e nos locais onde ficavam as urnas. Na votação eletrônica o processo é muito mais rápido e a possibilidade do eleitor ser abordado é infinitamente menor.
APURAÇÃO — O maior problema ocorre certamente na apuração. A contagem manual depende da leitura e interpretação, pelo membro da mesa de apuração, que julga ler o que ele quer. E como o volume para contagem é muito grande, impossível o fiscal parar a cada cédula e questionar a contagem dada ao candidato A ou ao candidato B.
Se o responsável pela contagem é partidário de um candidato, facilmente ele interpreta votos escritos para quem ele quiser. Até o X ou a marcação na cédula do espaço dedicado a cada candidato, pode ser interpretado. Imagine uma cédula em papel que tem um espaço para o candidato A e um quadradinho na frente onde o eleitor deve marcar com X. Se o eleitor, por descuido marcar fora do quadradinho, o responsável pela contagem pode escolher se o voto é de A ou de B, dependendo de sua livre interpretação, sob a alegação de que o X ou outra marca, estava mais próximo do nome de A ou B. Uma verdadeira “loteria”. E a possibilidade de fiscalização é zero.
Numa dessas eleições em Miracema impugnamos algumas urnas, por suposto erro na contagem. De 8 urnas, o Juiz Eleitoral acatou 3. A contagem apresentou número totalmente diferente da primeira. O adversário pediu recontagem, obtendo-se um terceiro número. Que segurança há nisso? Nenhuma!
O problema é maior no momento da indicação dos eleitos. No Brasil o mais votado nem sempre é eleito (para eleições do Legislativo). Esse cálculo não é de fácil realização. E os chamados arredondamentos, são de livre contagem. Um horror!
URNA ELETRÔNICA — A urna eletrônica apresenta processo totalmente transparente, desde o início da votação até a apuração. Para quem nunca acompanhou, veja o relato de como funciona.
Antes da abertura da votação, a urna é apresentada aos fiscais dos partidos no local onde ocorrerá a votação (geralmente a votação acontece em escolas). Nesse momento é emitida a impressão dos votos da urna (que no caso está zerado). O responsável pela mesa aciona a urna e emite esse documento. Assim, todos recebem essa contagem de votos com o voto zero para os candidatos. É chamada de zerésima. Por esse documento impresso dá para se perceber que não há votos inseridos na urna. É uma espécie de auditoria prévia ao início da votação.
Os fiscais podem permanecer durante todo o dia no local, observando os eleitores e o comportamento dos integrantes da mesa de votação.
Ao final do dia, o mesmo processo utilizado pela manhã se repete. Nesse momento é impressa a votação dada, naquele urna, para cada candidato. Os partidos podem obter cópia desse documento. Para uma apuração paralela, basta que o fiscal, que está no local da votação, envie uma foto daquele material impresso, para contagem externa.
Portanto, a apuração acontece no próprio local onde os eleitores votam, sem interferência externa nenhuma. Após isso, a urna é levada para uma central, nas proximidades do local de votação, para que se faça a totalização dos votos de todas as urnas daquela zona eleitoral.
Se o partido político quiser, por exemplo, realizar uma apuração paralela dos votos colhidos em Miracema, por exemplo, basta que aloque fiscais para cada sessão de votação e eles enviarão, ao final do dia, para um determinado lugar, os votos obtidos por presidente, governador, deputados (federal e estadual) e senador. E assim, o partido, se desejar, pode realizar contagem paralela em todo o Brasil.
Importante refletir que a tecnologia das urnas permite auditoria antes, durante e depois da votação. Nunca assisti qualquer indício de fraude. Nunca presenciei, desde o ano 2000, nenhuma denúncia ou queixa válida sobre a utilização das urnas eletrônicas.
Como qualquer equipamento eletrônico, já assisti equipamentos quebrarem. Mas com substituição imediata, sem perda dos votos. Mas isso é margem muito pequena. Raros casos em cidades menores.
Estamos entrando na era da utilização de equipamentos usando comando de voz, como é o caso da Alexa e seus concorrentes. O que se faz em mecanismo eletrônico é possível de ser apurado, não há como apagar. Daí, impossível admitir-se que seja possível a fraude eletrônica sem que ninguém, até hoje, em mais de 20 anos, venha a desacreditar esse modelo de tecnologia tão vitorioso.
Note-se que além dos fiscais partidários, que atuam desde o TSE, quando são inseridos os dados nas urnas, a Justiça Eleitoral conta com servidores públicos, todos cidadãos eleitores, com suas preferências, com opção partidária distinta, todos a assistir a utilização das urnas. Houvesse fraude, algum já teria apontado onde ele ocorreu e de que forma. Teria que a Justiça combinar a fraude com muitos envolvidos…
Além desses, o processo de votação é assistido pelo Ministério Público Federal Eleitoral, por juízes eleitorais, advogados dos partidos e técnicos especializados, em todas as instâncias.
Garanto a vocês, que nunca tiveram a oportunidade de assistir esse processo de perto, que não há fraude na urna eleitoral. É muito mais seguro que a votação manual. O resto, é choro de quem já viu que vai perder a eleição…