Garotinho/Castro/RJ/Campos no Folha no Ar desta 4ª

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O vereador de oposição Helinho Nahim (Agir) é o convidado do Folha no Ar desta quarta (3), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará sobre o apoio do tio e ex-governador Anthony Garotinho (União) ao governador Cláudio Castro (PL) em outubro, e suas consequências na disputa entre governo e oposição municipais na Câmara de Campos.

Helinho também dará sua projeção das eleições a governador, deputado federal e estadual na região, além de presidente da República. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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O que apoio de Garotinho a Castro muda em Campos?

 

Rodrigo Bacellar, Cláudio Castro, Anthony Garotinho, Helinho Nahim, Frederico Paes, Washigton Reis, Castro, Wladimir Garotinho e Bruno Dauaire (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

A foto da convenção estadual do União no domingo (31), com o governador Cláudio Castro (PL) e o ex-governador Anthony Garotinho (União) de rostos constrangidos, foi notícia de repercussão nacional. Mas o que muda em Campos, na composição da nova Mesa Diretora da Câmara Municipal e na tentativa de imposição pela oposição de 5% de remanejamento no Orçamento de 2023 ao governo Wladimir Garotinho (sem partido), que também esteve Castro na segunda (1º)? O prefeito de Campos não revelou o que acordou com o governador, mas reforçou seu apoio a ele em outubro:

— Vou trabalhar pela reeleição de Cláudio Castro e vou confiar no que ele me disse, que neste momento cabe a mim e a ele — disse Wladimir.

Já segundo o vereador de oposição Helinho Nahim (Agir), primo do prefeito, o apoio de Garotinho a Castro não muda nada na Câmara de Campos:

— Falei ontem por telefone com o nosso líder, o deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL, que só saiu da secretaria de Governo de Castro para se candidatar à reeleição na Alerj). E orientação dele foi de que nada mudou na Câmara. O que tem que mudar é a maturidade do prefeito. Rodrigo disse que Castro não esperava o apoio de Garotinho (formalizado na convenção do União) e ficou até constrangido. Se tiver condições jurídicas para se candidatar (espera julgamento previsto para sexta, dia 5, das provas da Chequinho no Supremo Tribunal Federal), Garotinho deve se eleger deputado federal. O que, na minha opinião, seria bom para Campos. Por ter mais um representante em Brasília e para ele parar de ficar se metendo na política da cidade. Mas, para Campos, é só isso — garantiu Helinho, sobrinho de Garotinho.

O prefeito Wladimir respondeu ao primo, também em tom forte:

— Quanto às palavras do vereador Helinho Nahim, quem precisa de maturidade é ele, que ainda não entendeu que não vou ceder a chantagem.

Outras fontes governistas dão conta que o apoio de Garotinho à candidatura de Castro a governador, a quem vinha atacando de maneira pesada, pode sim mudar a relação entre governo de Campos e a oposição comandada pelos Bacellar. Quer seja na mudança do percentual de remanejamento do prefeito no Orçamento a ser aprovado na Câmara, quer seja na composição da sua nova Mesa Diretora, que tem até dezembro para ser eleita.

Candidato a vice-governador na chapa de reeleição de Castro e ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB) é aliado dos Garotinho. E tem disputado espaço com Rodrigo dentro do governo estadual.

 

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Morre aos 63 anos o mestre Marcelino Moreira

 

Mestre Marcelino Moreira

Mineiro radicado em Campos desde os anos 1980, morreu em sua casa,  por volta das 3h da manhã de hoje, o mestre Marcelino Moreira. Tinha 63 anos e lutava há mais de dois anos contra um câncer de próstata. Faixa preta de 7ª dan e grão-mestre de taekwondo, ele foi o introdutor da arte-marcial coreana em Campos, onde formou gerações de atletas no esporte. Formado em Educação Física, foi também poeta, compositor e professor de violão clássico, além de líder do movimento Hare Krishna na cidade. Seu corpo será sendo velado na capela do Cemitério do Caju, onde será sepultado às 16h. Ele deixa a esposa Maria Amália e os filhos Marcelo, Marcelino e Matheus.

Marcelino era natural de Betim, na zona metropolitana de Belo Horizonte, onde teve na capoeira seu primeiro contato com o mundo das lutas. Segundo disse em entrevista ao Folha no Ar, na Folha FM 98,3, seu objetivo quando menino era ser um homem forte. No final dos anos 1970, se mudou à cidade do Rio de Janeiro. Lá, chegou a praticar boxe inglês, na academia do lendário treinador Santa Rosa. Mas não quis se profissionalizar, por conta dos danos do esporte em contraste com o pouco retorno financeiro. E acabaria se encontrando quando conheceu no Rio outra lenda, o mestre Woo-Jae Le, ex-militar e ex-monge da Coréia do Sul que introduziu o taekwondo no Brasil.

Após se destacar como pupilo do mestre Lee, Marcelino foi por ele usado para expandir o taekwondo no estado do Rio. E veio para Campos em 1981, onde abriu a Academia Faixa Preta, nos altos de um sobrado na rua João Pessoa. Na segunda metade da década de 1980, mudaria a academia para espaço mais amplo, nos altos de outro prédio, na rua do Ouvidor. Depois, nos anos 1990, se mudaria para a academia TKD, na rua Saldanha Marinho. Nos anos 2000, Marcelino passaria a dar aulas de taekwondo na academia Estação Saúde.

Mais conhecido no mundo as artes-marciais, Marcelino era também íntimo de outras artes. Compositor e exímio violonista, lecionou violão clássico durante anos no antigo Conservatório de Música de Campos, na rua 13 de Maio. Da composição musical, enveredou também pela poesia literária, onde se destacava pelo lirismo. Do seu contato com a filosofia oriental, através da luta, acabou se convertendo ao Hare Krishna, uma das várias vertentes religiosas do hinduísmo. E foi, também durante muitos anos, um dos líderes do movimento em Campos.

Desde que a notícia da sua morte na madrugada passou a correr nas redes sociais da cidade, no início da manhã de hoje, centenas de comentários sentidos de ex-alunos e pais de ex-alunos atestaram como esse mineiro que, quando menino, queria ser um homem forte, marcou fortemente sua passagem de 40 anos por Campos. Grande lutador, dono de uma plasticidade invejável de movimentos, lutou até o final contra o câncer. Com a vida calçada em conceitos como dedicação, disciplina, autoconhecimento e respeito ao próximo, foi um mestre de vida muito além das artes-marciais.

Na sua última entrevista ao Folha no Ar, em 2 de agosto de 2021, há exatamente um ano da sua morte hoje, ele deixou sua mensagem final:

 

 

— A mensagem é que a vida é a vida é muito breve. E nós temos que ter um cuidado muito esmerado com o corpo, cuidar bem da alma, do espírito, através de uma boa alimentação, através de relações sadias, através de valores como a honestidade, a compaixão, a benevolência, ser mais filantrópicos, altruístas. O ser humano tem que ter essa preocupação, porque é essa característica que o torna distinto das demais formas de vida. A vida humana destina-se à autorrealização espiritual. Quando foge desse escopo, a vida se torna medíocre; você vive mais como um animal sofisticado do que como um ser humano.

 

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De Miracema ao Brasil, voto impresso X urna eletônica

 

Formado pela Faculdade de Direito de Campos (FDC) em 1993, José Souto Tostes é advogado eleitoral, consultor em gestão pública e especialista em licitações. Foi procurador municipal em Miracema, no Noroeste Fluminense, de onde é natural e sobre a qual mantém um blog há 15 anos, dedicado a acompanhar a política local.

Em seu blog, também chamado Miracema, o advogado eleitoral publicou um texto sobre sua experiência acompanhando votações com votos em papel e urna eletrônica. Que serve de exemplo a todo o Brasil, onde o presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus apoiadores pretendem voltar a um tempo saudoso apenas a quem não o viveu. Ou, se viveu, finge que esqueceu.

Confira abaixo:

 

Primeira urna eletrônica usada no ano de 2000 (Reprodução do blog “Miracema”)

 

José Souto Tostes, advogado eleitoral, ex-fiscal de apuração na passagem do voto impresso à urna eletrônica no Brasil e autor do blog “Miracema”

Em tempos de equipamentos usando comando de voz, ainda questionam urna eletrônica

Por José Souto Tostes

 

Este texto merece um breve introito para revelar que participo do processo eleitoral desde 1988, quando acompanhei a votação e apuração da eleição municipal, que elegeu Jairo Barroso Tostes (1989/1992) prefeito de Miracema. Em 1992 estive bem próximo na fiscalização da votação e apuração dos votos que elegeram Ivany Samel (1993/1996) também prefeito de Miracema.

Em 1996 o Brasil iniciou a implantação da urna eletrônica, em municípios com mais de 200 mil habitantes, que já usaram a nova tecnologia. A eleição de 1996, que elegeu Gutemberg Damasceno (1997/2000) prefeito de Miracema, ainda ocorreu sob a votação manual e estive fiscalizando a votação e apuração. No ano 2000, Gutemberg foi reeleito na urna eletrônica (2001/2004), primeira eleição em que a tecnologia foi adotada em 100% dos municípios brasileiros.

Dessas quatro eleições que acompanhei, no modelo de votação por cédulas, a primeira como observador e estagiário da OAB e as demais já atuando como delegado partidário e advogado, posso afirmar que a experiência não foi nada boa, tanto no processo de votação, no dia da eleição, como no processo de apuração manual e contagem de votos.

VOTAÇÃO — O processo de votação não flui, como deveria, no voto no papel nos moldes do que acontece na votação via urna eletrônica. É muito mais demorado. Lembrando que na votação municipal há o voto do prefeito, que pode ocorrer pelo número ou nome e o voto no candidato a vereador, que são 5 números. O eleitor menos letrado tem dificuldades, fica nervoso, as filas são enormes. E nessas filas, nessa aglomeração, facilita-se a ocorrência da fraude e da compra de votos.

Há históricos, em Miracema, mas que servem para ilustrar ocorrências repetidas em todos os municípios brasileiros, de abordagem de eleitores por candidatos e cabos eleitorais na vias que dão acesso à votação e nos locais onde ficavam as urnas. Na votação eletrônica o processo é muito mais rápido e a possibilidade do eleitor ser abordado é infinitamente menor.

APURAÇÃO — O maior problema ocorre certamente na apuração. A contagem manual depende da leitura e interpretação, pelo membro da mesa de apuração, que julga ler o que ele quer. E como o volume para contagem é muito grande, impossível o fiscal parar a cada cédula e questionar a contagem dada ao candidato A ou ao candidato B.

Se o responsável pela contagem é partidário de um candidato, facilmente ele interpreta votos escritos para quem ele quiser. Até o X ou a marcação na cédula do espaço dedicado a cada candidato, pode ser interpretado. Imagine uma cédula em papel que tem um espaço para o candidato A e um quadradinho na frente onde o eleitor deve marcar com X. Se o eleitor, por descuido marcar fora do quadradinho, o responsável pela contagem pode escolher se o voto é de A ou de B, dependendo de sua livre interpretação, sob a alegação de que o X ou outra marca, estava mais próximo do nome de A ou B. Uma verdadeira “loteria”. E a possibilidade de fiscalização é zero.

Numa dessas eleições em Miracema impugnamos algumas urnas, por suposto erro na contagem. De 8 urnas, o Juiz Eleitoral acatou 3. A contagem apresentou número totalmente diferente da primeira. O adversário pediu recontagem, obtendo-se um terceiro número. Que segurança há nisso? Nenhuma!

O problema é maior no momento da indicação dos eleitos. No Brasil o mais votado nem sempre é eleito (para eleições do Legislativo). Esse cálculo não é de fácil realização. E os chamados arredondamentos, são de livre contagem. Um horror!

URNA ELETRÔNICA — A urna eletrônica apresenta processo totalmente transparente, desde o início da votação até a apuração. Para quem nunca acompanhou, veja o relato de como funciona.

Antes da abertura da votação, a urna é apresentada aos fiscais dos partidos no local onde ocorrerá a votação (geralmente a votação acontece em escolas). Nesse momento é emitida a impressão dos votos da urna (que no caso está zerado). O responsável pela mesa aciona a urna e emite esse documento. Assim, todos recebem essa contagem de votos com o voto zero para os candidatos. É chamada de zerésima. Por esse documento impresso dá para se perceber que não há votos inseridos na urna. É uma espécie de auditoria prévia ao início da votação.

Os fiscais podem permanecer durante todo o dia no local, observando os eleitores e o comportamento dos integrantes da mesa de votação.

Ao final do dia, o mesmo processo utilizado pela manhã se repete. Nesse momento é impressa a votação dada, naquele urna, para cada candidato. Os partidos podem obter cópia desse documento. Para uma apuração paralela, basta que o fiscal, que está no local da votação, envie uma foto daquele material impresso, para contagem externa.

Portanto, a apuração acontece no próprio local onde os eleitores votam, sem interferência externa nenhuma. Após isso, a urna é levada para uma central, nas proximidades do local de votação, para que se faça a totalização dos votos de todas as urnas daquela zona eleitoral.

Se o partido político quiser, por exemplo, realizar uma apuração paralela dos votos colhidos em Miracema, por exemplo, basta que aloque fiscais para cada sessão de votação e eles enviarão, ao final do dia, para um determinado lugar, os votos obtidos por presidente, governador, deputados (federal e estadual) e senador. E assim, o partido, se desejar, pode realizar contagem paralela em todo o Brasil.

Importante refletir que a tecnologia das urnas permite auditoria antes, durante e depois da votação. Nunca assisti qualquer indício de fraude. Nunca presenciei, desde o ano 2000, nenhuma denúncia ou queixa válida sobre a utilização das urnas eletrônicas.

Como qualquer equipamento eletrônico, já assisti equipamentos quebrarem. Mas com substituição imediata, sem perda dos votos. Mas isso é margem muito pequena. Raros casos em cidades menores.

Estamos entrando na era da utilização de equipamentos usando comando de voz, como é o caso da Alexa e seus concorrentes. O que se faz em mecanismo eletrônico é possível de ser apurado, não há como apagar. Daí, impossível admitir-se que seja possível a fraude eletrônica sem que ninguém, até hoje, em mais de 20 anos, venha a desacreditar esse modelo de tecnologia tão vitorioso.

Note-se que além dos fiscais partidários, que atuam desde o TSE, quando são inseridos os dados nas urnas, a Justiça Eleitoral conta com servidores públicos, todos cidadãos eleitores, com suas preferências, com opção partidária distinta, todos a assistir a utilização das urnas. Houvesse fraude, algum já teria apontado onde ele ocorreu e de que forma. Teria que a Justiça combinar a fraude com muitos envolvidos…

Além desses, o processo de votação é assistido pelo Ministério Público Federal Eleitoral, por juízes eleitorais, advogados dos partidos e técnicos especializados, em todas as instâncias.

Garanto a vocês, que nunca tiveram a oportunidade de assistir esse processo de perto, que não há fraude na urna eleitoral. É muito mais seguro que a votação manual. O resto, é choro de quem já viu que vai perder a eleição…

 

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Eleição a governador e presidente no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Jornalista e analista político dos jornais Correio Braziliense e Estado de Minas, Luiz Carlos Azedo é o convidado do Folha no Ar desta terça (02), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele dará sua projeção das eleições a governador e senador do Estado do Rio de Janeiro.

Azedo também tentará projetar a eleição a presidente da República. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Lula, Bolsonaro, pesquisas e o maior escândalo de corrupção

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Este artigo é escrito antes da nova Datafolha presidencial ser divulgada, cujos resultados estão hoje detalhados na matéria do jornalista Aldir Sales, com análise do geógrafo William Passos, com especialização doutoral em estatística no IBGE. Tanto os eleitores, quanto a própria mídia, tendem a olhar só os resultados das intenções de voto na consulta estimulada. Que são importantes para apontar os dois candidatos que passarão do primeiro turno, marcado para 2 de outubro, daqui a exatos 64 dias. Mesmo sem saber os números Datafolha, não há dúvida que os dois líderes são o ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL).

As Datafolha de maio e junho, como outros institutos nestes meses, indicaram a possibilidade de Lula fechar a eleição já no primeiro turno. Mas, antes da Datafolha de julho, todas as pesquisas do mês indicaram a eleição presidencial definida só no segundo turno de 30 de outubro. Em ordem cronológica, indicaram isso: 1) a Genial/Quaest feita de 29 de junho a 2 de julho, 2) a PoderData de 3 a 5 de julho, 3) a BTG/FSB de 8 a 10 de julho, 4) a nova PoderData de 17 a 19 de julho, 5) a Exame/Ideia de 15 a 20 de julho, 6) a XP/Ipespe de 20 a 22 de julho, e 7) a nova BTG/FSB de 22 a 24 de julho.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Todas indicam a mesma coisa: fora da margem de erro, a vantagem de Lula no primeiro turno. Como, também fora da margem e erro, o segundo turno com vitória de Lula. No primeiro turno das sete pesquisas, Lula lidera entre 41% e 45%, com Bolsonaro entre 31% e 37%. No segundo, Lula venceria entre 47% e 54%, contra Bolsonaro entre 34% e 38%. O favoritismo do petista não é novidade. Mesmo após ser preso por corrupção pela Lava Jato, em 7 de abril de 2018, ele liderava a corrida presidencial. Até ter o registro da sua candidatura indeferido em 31 de agosto. No mesmo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) hoje atacado por Bolsonaro.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Na referência às duas últimas pesquisas presidenciais de 2022, Lula liderava em 2018 com vantagem maior do que tem hoje. Na Datafolha de 20 a 21 de agosto de 2018, tinha 39% das intenções de voto, contra 19% de Bolsonaro. Na BTG/FSB de 25 e 26 de agosto de 2018, tinha 35%, contra 22% de Bolsonaro. Só com Lula tirado do páreo e representado pelo preposto Fernando Haddad, o capitão se elegeu presidente no segundo turno de 2018. Para fazer do ex-juiz Sergio Moro, após condenar Lula, ministro da Justiça. Antes deste sair em abril de 2020 atirando no governo. Chamado de “rato” pelos que antes o aclamavam como “Super-Moro”.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Esse fenômeno de disrupção cognitiva, a partir do disparo em massa de mensagens de ódio e fake news nas redes sociais, transforma “heróis” em “traidores” da noite ao dia. Atinge não só os “idiotas da aldeia”, como advertia o filósofo e semiólogo italiano Umberto Eco, como idiotiza até os inteligentes. Pode ser um comerciante e formador de opinião que deforma a sua. E ecoa que os banqueiros que assinaram o manifesto lançado por juristas da USP em defesa da democracia, o teriam feito por raiva do… PIX. Que foi criado no governo Michel Temer (MDB). Cego e surdo à lógica elementar: quando Bolsonaro e quem o apoia se ressentem de um manifesto em defesa da democracia, são ressentidos contra a democracia.

 

 

Escudo do Flamengo do Piauí

De qualquer maneira, além dos banqueiros que assinaram o manifesto da Faculdade de Direito da USP, a poderosa Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) prepara o seu próprio manifesto em defesa da democracia. Que será lançado em 11 de agosto. Com a democracia no país, sem ruptura institucional e de contratos, inclusive o social, defendida até por banqueiros e pela Fiesp, o comerciante de Campos que apoia Bolsonaro e suas ameaças autoritárias gera um quadro insólito. É como se o Flamenguinho do Piauí avocasse para si o Mundial de Clubes conquistado em 1981 pelo Flamengo da Gávea. E noção de ridículo nunca fez mal a ninguém.

Do delírio à realidade, Lula não lidera a corrida presidencial só agora. O fazia até ser impedido de concorrer em 2018. E continuou a fazê-lo tão logo teve seus direitos eleitorais e políticos restituídos, em março de 2021 pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Que não inocentou Lula, como bradam os petistas em seus próprios delírios. Apenas considerou o foro do Paraná inadequado. Como, em junho, considerou parcial o julgamento de Moro. Entre os dois fatos, a Datafolha fez uma pesquisa de 11 a 12 de maio de 2021. Cuja estimulada deu Lula com 41 % das intenções de voto a presidente para 2022, seguido bem de longe por Bolsonaro, com 23%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“Lula ladrão!”. É o que bradam os apoiadores de Bolsonaro. Com a mesma convicção dos que, no lado oposto, esgoelam “Bolsonaro fascista! ”, “Bolsonaro homofóbico!”, “Bolsonaro racista!”, “Bolsonaro machista!”, “Bolsonaro genocida!”, “Bolsonaro miliciano!” ou “Fora Bolsonaro!”. De fato, mais do que as intenções de voto, parece ser a rejeição aos dois principais candidatos o fator determinante à definição das urnas presidenciais de outubro. Sobretudo em um eventual segundo turno, onde a rejeição tem por natureza fixar o teto de crescimento aos dois maiores pisos de voto alcançados no primeiro turno.

Bolsonaro é o líder da rejeição em todas as pesquisas. Nas duas últimas de julho, antes da Datafolha, o capitão apareceu com 58% dos brasileiros que não votam nele de maneira nenhuma na XP/Ipespe e na BTG/FSB. Instituído no Brasil com a Constituição de 1988, o segundo turno só existe para que o candidato eleito tenha o mínimo de 50% mais 1 dos votos válidos. Para quem tem 58% de rejeição, como Bolsonaro tem, a eleição é aritmeticamente impossível. Com 43% de rejeição na XP/Ipespe e 42%, na BTG/FSB, Lula também tem que se cuidar. Mas, na batalha entre antibolsonarismo e antipetismo, o primeiro hoje é mais forte.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Definido no “Lula ladrão!”, o antipetismo se justifica, sobretudo, nos escândalos comprovados do Mensalão e do Petrolão. O primeiro foi a compra de apoio de deputados federais que explodiu em 2005, no governo Lula. O segundo, os desvios na Petrobras, em esquema envolvendo partidos, políticos e empreiteiras nos governos Lula e Dilma, eviscerado a partir de 2014 na Lava Jato. O Mensalão gerou desvio de dinheiro público estimado pelo Ministério Público Federal (MPF) e Tribunal de Contas da União (TCU) de, pelo menos, R$ 101,6 milhões. Já o Petrolão causou prejuízos à Petrobras estimados pelo TCU em R$ 18 bilhões.

Criado em 2020, no auge da pandemia da Covid no Brasil, o Orçamento Secreto são emendas com dinheiro público a deputados federais e senadores, sem revelar o nome do parlamentar ou destino da verba, nem fiscalizar sua aplicação. Foi uma ideia do ministro/general Luiz Eduardo Ramos, preocupado com os já mais de 100 pedidos de impeachment contra Bolsonaro na Câmara Federal. Que teve acolhida do Centrão, ao qual Bolsonaro sempre pertenceu em 30 anos de vida parlamentar, e do deputado federal Arthur Lira (PP/AL), presidente da Câmara e aprendiz de Eduardo Cunha (hoje, PTB) que superou o mestre.

 

Eduardo Cunha e Arthur Lira em sessão da Câmara de 2015 (Foto: Luís Macedo/Câmara dos Deputados)

 

O fato é que a soma do Mensalão e do Petrolão do PT é de R$ 18,1 bilhões. O Orçamento Secreto de Bolsonaro consumiu 16,5 bilhões do dinheiro público em 2020, R$ 16,9 bilhões em 2021 e já tem reservados R$ 19 bilhões a serem gastos em 2023, também para financiar a reeleição de Lira a presidente da Câmara no próximo ano. Somadas as faturas, as já pagas e a ainda a pagar, o Orçamento Secreto custou aos cofres públicos R$ 52,4 bilhões. Na subtração simples, operação tão praticada nos governos petistas e de Bolsonaro, o PT fica R$ 34,3 bilhões atrás do governo do “acabou a mamata”, apoiado pelos “cidadãos de bem”.

Senadora e candidata a presidente da República, Simone Tebet (MDB) abriu a na terça (26) a primeira rodada de entrevistas da semana da Globo News com os presidenciáveis de outubro. Com as ausências imperdoáveis de Lula e Bolsonaro às sabatinas, a política da centro-direita democrática que não foi abduzida pela extrema-direita do país disse com conhecimento de causa de ex-candidata a presidente do Senado e para quem quisesse ouvir: “O Orçamento Secreto é o maior escândalo de corrupção da história”.

 

Publicado hoje (30) na Folha da Manhã.

 

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BTG/FSB e XP/Ipespe: Lula lidera 1º e 2º turno, Bolsonaro a rejeição

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Dois turnos a presidente e governador

A contar de hoje, faltam 67 dias para as urnas das eleições nacionais de 2 de outubro. Até aqui, todas as pesquisas de julho projetam o 2º turno de 30 de outubro, entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL). Assim como para governador do Rio, entre o atual, Cláudio Castro (PL), e o deputado federal Marcelo Freixo (PSB). A diferença está no resultado do 2º turno. A governador, o cenário projetado é a incerteza do empate técnico, na margem de erro. A presidente, fora da margem de erro, todas as pesquisas apontam a vitória final de Lula.

 

Duas novas pesquisas nacionais

No sábado (23), a coluna analisou três pesquisas: a PoderData e a Exame/Ideia foram nacionais; e a Ipec, só no RJ. Na segunda (25), mais duas pesquisas nacionais foram divulgadas: a XP/Ipespe, feita de quarta (20) a sexta (22); e a BTG/FSB, de sexta a domingo (24). Ao 1º turno, a BTG/FSB deu Lula com 44% das intenções de voto, contra 31% de Bolsonaro. Com a vitória do petista no 2º turno, com 54% contra 36% do capitão. Ao 1º turno, a XP/Ipespe deu Lula com 44%, contra 35% de Bolsonaro. Com a vitória do petista no 2º turno, com 53% contra 36% do capitão.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Vantagem de Lula no 1º e 2º turno

A BTG/FSB e a XP/Ipespe ouviram, cada uma, o mesmo quantitativo de 2.000 eleitores e via Cati (entrevistas telefônicas assistidas por computador). Nas projeções do 1º turno, a vantagem de Lula para Bolsonaro ficou em 13 pontos na BTG/FSB. E em 8 pontos na XP/Ipespe. Nas simulações do 2º turno, a vitória de Lula sobre Bolsonaro se daria por 18 pontos de vantagem na BTG/FSB. E por 17 pontos na XP/Ipespe. Na margem de erro de 2 pontos (FSB) ou 2,2 pontos (Ipespe) para mais ou menos, as duas pesquisas viram coisas próximas no 1º turno. E o mesmo no 2º turno.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Vantagem cresce ou diminui? (I)

Com muitas semelhanças na metodologia e na projeção dos resultados do 1º e 2º turnos presidenciais, ambos com liderança de Lula, BTG/FSB e XP/Ipespe têm também diferenças. Comparada com a XP/Ipespe anterior, de 1º de junho, a de ontem revelou queda de 1 ponto de Lula, que foi de 45% a 44% de intenções de voto no 1º turno. Como o crescimento de 1 ponto de Bolsonaro, de 32% a 33%. Comparada com a BTG/FSB anterior, de 11 de julho, a de segunda registrou crescimento de 3 pontos de Lula, de 41% a 44% no 1º turno. E a queda de 1 ponto de Bolsonaro: de 32% a 31%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Vantagem cresce ou diminui? (II)

Em intervalo de tempo menor, de apenas 14 dias, as duas últimas BTG/FSB revelaram aumento da vantagem de Lula sobre Bolsonaro no 1º turno: de 9 pontos para os atuais 13 pontos. Em intervalo de tempo maior, de 55 dias, as duas últimas XP/Ipespe registraram queda da vantagem de Lula a Bolsonaro no 1º turno: dos 11 pontos de junho aos 9 pontos de julho. Antes da XP/Ipespe e da BTG/FSB, a pesquisa presidencial anterior foi a Exame/Ideia de quinta. Que trouxe aumento da vantagem de Lula sobre Bolsonaro: dos 9 pontos de junho (45% a 36%) aos 11 pontos de julho (44% a 33%).

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Eleição cristalizada

Todas essas diferenças estão na margem de erro das pesquisas, como as evoluções dos demais presidenciáveis, o que demonstra a estabilidade do quadro. O que difere essa eleição presidencial de todas as demais desde 1989, quando passaram a ser em dois turnos e voltaram a ser pelo voto popular, são os altos índices de intenção espontânea desse voto. Que revela como a eleição de outubro já está cristalizada. Da boca do eleitor, sem que lhe sejam apresentados os nomes dos candidatos, ele já dá os mesmos 40% a Lula e 30% a Bolsonaro, na BTG/FSB e na XP/Ipespe espontâneas.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

RJ/Brasil

Tão perto das urnas, o que serve para projetá-las é a consulta estimulada, com os nomes dos candidatos. Na pesquisa Ipec de quinta a governador do Rio, Castro teve 20% de intenção de voto na estimulada do 1º turno, com 14% a Freixo. Já na espontânea, Castro não foi além dos 12%, com 8% a Freixo. A diferença proporcional entre espontânea e estimulada, como geralmente ocorre, ainda é grande. Já Lula, com 40% na espontânea, só chega a 44% nas estimuladas BTG/FSB e XP/Ipespe. Por sua vez, com 30% na espontânea, Bolsonaro só chega a 31% na estimulada BTG/FSB. E a 35% na XP/Ipespe.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

As desvantagens de Bolsonaro

O que as pesquisas revelam, qualquer um pode notar: quem vota em Lula, já vota; quem vota em Bolsonaro, também. Mas o presidente tem três desvantagens. A primeira é o piso eleitoral inferior. A segunda, que fixa o teto de crescimento no 2º turno, é a rejeição. Bolsonaro a lidera na BTG/FSB e na XP/Ipespe, com 58% que não votam nele de maneira nenhuma. Lula tem 42% de rejeição na BTG/FSB, e 43% na XP/Ipespe. A terceira desvantagem são os ataques do capitão à democracia e à urna eletrônica. Que só agradam ao voto que já tem. E crescem quem não vota nele de maneira nenhuma.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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BTG/FSB: cresce vantagem de Lula a Bolsonaro no 1º e 2º turno

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Ainda que dentro da margem de erro, de 2 pontos para mais ou menos, cresceu a vantagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao presidente Jair Bolsonaro (PL) na corrida pelas urnas de 2 de outubro, daqui a exatos 69 dias. Foi o que revelou a pesquisa BTG/FSB feita por telefone com 2.000 eleitores, entre sexta (22) e domingo (24). Comparada com a BTG/FSB anterior, divulgada em 11 de julho, na de hoje Lula cresceu suas intenções de voto de 41% para 44%, enquanto Bolsonaro caiu de 32% para 31%. A diferença entre os dois, que era de 9 pontos há 14 dias, agora subiu para 13 pontos.

Na projeção ao segundo turno de 30 de outubro, apontado por todas as pesquisas presidenciais de julho e confirmado pela nova BTG/FSB, Lula também aumentou sua vantagem para Bolsonaro. Se venceria o turno final por 53% a 37% na pesquisa de 11 de julho, na de hoje o ex-presidente apareceu batendo o atual por 54% a 36%. A diferença entre os dois, que era de 16 pontos na projeção do segundo turno feita há 14 dias, abriu agora para 18 pontos de vantagem do petista sobre o capitão.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Separado fora da margem de erro dos dois líderes da corrida presidencial, a consulta estimulada do primeiro turno da BTG/FSB confirmou o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), com 9% de intenções de voto, na terceira posição. Ele veio seguido da senadora Simone Tebet (MDB) e do deputado federal André Janones (Avante), com 2% cada; e do influenciador digital Pablo Marçal (Pros), com 1%. Na simulação do segundo turno, Lula bateria também Ciro, por 48% a 32%; assim como a Tebet, por 54% a 25%. Bolsonaro, além de Lula, perderia o segundo turno também para Ciro: 38% a 49%. E ficaria no empate exato com Tebet: 41% a 41%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O que explica a projeção de derrota para Bolsonaro no segundo turno contra Lula ou Ciro é a rejeição. O segundo turno só existe para que o candidato vencedor alcance o mínimo de 50% mais um dos votos válidos. Para passar pelo primeiro turno, valem as intenções de voto. Aos dois que chegam ao segundo turno, vale a rejeição. É ela que fixa o teto de crescimento dessas mesmas intenções de voto entre os dois turnos. Pela BTG/FSB de hoje, 58% dos brasileiros que não votariam de maneira nenhuma em Bolsonaro, contra 42% de Lula e 47% de Ciro. Para quem tem 58% de rejeição, como Bolsonaro tem, é aritmeticamente impossível alcançar 50% mais um dos votos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE

— No cenário estimulado ao primeiro tunro, Lula cresceu 1 ponto acima da margem de erro de 2 pontos, saindo de 41%, na pesquisa divulgada em 11 de julho, para 44%, na pesquisa publicada hoje, enquanto Bolsonaro, ao cair de 32% para 31%, oscilou numericamente para baixo dentro da margem de erro. O levantamento estimulado para o segundo turno da pesquisa divulgada hoje aponta para estabilidade em relação à pesquisa divulgada em 11 de julho, com Lula oscilando numericamente 1 ponto percentual para cima: de 53% para 54%. E Bolsonaro caindo 1 ponto percentual para baixo: de 37% para 36%. Na rejeição, 58% continuariam a não votar em Bolsonaro de jeito nenhum, o mesmo percentual registrado na pesquisa de 11 de julho, enquanto 42% não votariam em Lula, contra 44% da última pesquisa — analisou o geógrafo William Passos, com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

Sempre dentro da margem de erro, as tendências de crescimento de Lula e de queda de Bolsonaro, nas projeções ao primeiro e segundo turno, são confirmadas na comparação da BTG/FSB de hoje com a pesquisa presidencial anterior, a Exame/Ideia divulgada na quinta (21). Foram as duas primeiras após o ato promovido pelo presidente no Palácio do Alvorada, com estrutura pública do governo, no dia 18. Quando reuniu embaixadores de 70 países estrangeiros para repetir mentiras comprovadas contra o mesmo sistema eleitoral que elegeu Bolsonaro e seus filhos. E mereceu a condenação maciça de instituições públicas do país e do mundo. Incluindo o Departamento de Estado dos EUA. Pesquisas internas do próprio PL, partido do capitão, já revelaram que seus ataques sem provas à urna eletrônica que o elegeu em 2018 são encarados como discurso de mau perdedor em 2022.

 

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Como o blog adiantou, Garotinho vem a deputado federal

 

Anthony Garotinho

O ex-governador Anthony Garotinho (União) confirmou ontem, na sexta (22), o que o blog já tinha adiantado desde terça (19): se tiver condições jurídicas, será candidato a deputado federal nas eleições de 2 de outubro. O que espera para ser confimado no próximo dia 31, na convenção do União, que não deu a vaga para o político de Campos disputar mais um vez o Palácio Guanabara. Fica assim desmontada a bravata de Garotinho: “serei candidato a governador, ou a nada”. Que também foi adiantada por este blog, em 18 de maio.

 

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Pesquisas da semana a presidente, governador e senador

 

Favoritos das pesquisas a 70 dias das urnas de 2 de outubro: Lula, Bolsonaro, Castro, Freixo, Romário e Lula (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

A presidente, governador e senador

A semana trouxe três pesquisas que tornaram mais claro o horizonte no Brasil e no RJ às urnas de 2 de outubro, daqui a 70 dias. A PoderData presidencial foi feita de 17 a 19 de julho, a Exame/Ideia presidencial foi feita de 15 a 20 de julho, e a Ipec (antigo Ibope), feita de 17 e 19 de julho, trouxe a projeção do RJ das eleições a governador. E também a senador e presidente. As três confirmaram as tendências das pesquisas anteriores de julho: 1) segundo turno entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL), com vitória de Lula; 2) segundo turno entre Cláudio Castro (PL) e Marcelo Freixo (PSB), em empate técnico; e 3) liderança folgada de Romário (PL) na corrida ao Senado.

 

Contraste a presidente

A PoderData e a Exame/Ideia confirmaram todas as demais pesquisas, com a liderança isolada de Lula no primeiro turno. Mas com uma importante diferença: na PoderData, como todas as pesquisas presidenciais de julho, a diferença entre Lula e Bolsonaro diminuiu. Comparada a PoderData desta semana com a anterior, divulgada em 6 de julho, a diferença de Lula a Bolsonaro diminuiu: de 8 pontos (44% a 36%) aos 6 atuais (43% a 37%). Comparada a Exame/Ideia desta semana com a anterior, divulgada em 23 de junho, a diferença de Lula para Bolsonaro aumentou: de 9 pontos (45% a 36%) para os atuais 11 (44% a 33%).

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Reação a mentiras

Na margem de erro das duas pesquisas, as diferenças apontam estabilidade. Mas trazem alerta a Bolsonaro. Embora dentro da margem de erro, o presidente vinha crescendo em todas as pesquisas de julho. E caiu na Exame/Ideia, primeira a pegar de maneira consistente o reflexo das mentiras comprovadas repetidas pelo capitão contra o sistema eleitoral que elegeu ele e seus filhos, diante de embaixadores estrangeiros, na segunda (18). Assim como a reação forte contra a ameaça golpista de Bolsonaro, por várias instituições públicas do país e do mundo. Inclusive o Departamento de Estado dos EUA, na quarta (20), último dia da Exame/Ideia.

 

Chequinho nacional

Pesquisas internas do próprio PL, partido de Bolsonaro, revelam que os ataques deste contra a urna eletrônica que o elegeu presidente são encaradas pela maioria do eleitorado como choro de mau perdedor. Após rasgar a legislação eleitoral com a sua PEC Kamikaze, para injetar R$ 41,2 bilhões numa Chequinho em plano nacional, na tentativa de comprar o voto do eleitor mais pobre com o qual Lula tem sua maior vantagem, as pesquisas de agosto são esperadas. Para saber o efeito eleitoral da chegada desse dinheiro no bolso do povo. Como faz com a economia do país, Bolsonaro parece já gastar por conta um voto que ainda não tem.

 

Segundo turno a presidente

Após muitas pesquisas de maio e junho — incluindo duas Datafolha, principal instituto de pesquisas do país — apontarem a possibilidade de Lula vencer a eleição já no primeiro turno, todas as pesquisas de julho indicam até aqui o segundo turno em 30 de outubro. E, em todas, Lula bate Bolsonaro fora da margem de erro. Na PoderData, o petista bateria o capitão por 51% a 38% no segundo turno. E por 47% a 37% na Exame/Ideia. A PoderData não divulgou rejeição, mas sua projeção de segundo turno indica que a de Bolsonaro é a mais alta. Como registrou a Exame/Ideia, com 46% que não votariam no presidente de maneira nenhuma.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Empate técnico a governador

O segundo turno também parece ser a única certeza, até aqui, da eleição a governador do RJ. Com os dois primeiros colocados em empate técnico, dentro da margem de erro, no primeiro e segundo turnos. Na Ipec divulgada na quinta (21), Castro apareceu com 20% de intenções de voto, contra 14% de Freixo, na consulta estimulada do primeiro turno. E um segundo turno projetado pela pesquisa em 34% de Castro a 33% de Freixo, quase um empate exato. Freixo tem, no entanto, a desvantagem da rejeição. São 26% os eleitores fluminenses que não votariam nele de maneira nenhuma a governador. Castro tem rejeição bem menor: 15%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A senador e presidente no RJ

Na maior vantagem registrada nas pesquisas eleitorais da semana, Romário (PL) caminha até aqui tranquilo em sua tentativa de ficar com a única vaga do RJ ao Senado. No cenário principal da Ipec, ele tem 30% de intenções de voto na consulta induzida. Segundo colocado, sem ainda ter definido se concorrerá a senador, Marcelo Crivella (Republicanos) tem 11%. Romário e Crivella são aliados de Bolsonaro. O que contrasta com a pesquisa Ipec do voto fluminense a presidente. No RJ, Lula lidera fora da margem de erro a corrida ao primeiro turno: 41% a 34% de Bolsonaro. A quem bateria também no segundo turno, por 47% a 39%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Rufino Gomes de Barros

Comércio de luto

Morreu na quinta (21) e foi sepultado ontem, no Cemitério do Caju, o comerciante Rufino Gomes de Barros. Português de São João do Ver e radicado em Campos, foi fundador e proprietário da Refrigeração Portuguesa, que marcou época no comércio goitacá por 40 anos, na rua Barão de Amazonas, até fechar as portas há seis anos. Ele estava internado há cerca de 15 dias na Santa Casa de Misericórdia de São João da Barra, onde residia, por conta da Covid-19. Que, mesmo com as quatro doses de vacina, evoluiu para pneumonia e parada cardiorrespiratória. A coluna registra seu pesar à família, aos amigos e ex-clientes.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Morre, aos 80, o comerciante Rufino Gomes de Barros

 

Rufino Gomes de Barros

Morreu ontem (21), aos 80 anos, o comerciante Rufino Gomes de Barros. Português de São João do Ver e radicado em Campos, foi fundador e proprietário da Refrigeração Portuguesa, que marcou época no comércio goitacá por 40 anos, na rua Barão de Amazonas, até fechar as portas há seis anos.

Rufino estava internado há cerca de 15 dias na Santa Casa de Misericórdia de São João da Barra, onde residia, por conta da Covid-19. Que, mesmo com as quatro doses de vacina, evoluiu para pneumonia e parada cardiorrespiratória. Seu corpo está sendo velado na capela do Cemitério do Caju, onde será sepultado às 14h de hoje. Ele deixa a esposa Arleta, os filhos Teresa e Marcelo, e os netos João Marcelo, Arthur e Liz.

Conheci Seu Rufino desde a adolescência, através da amizade com seus filhos Marcelo e Teresa. A eles e a toda a família, o mais sincero sentimento de pesar.

 

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Exame/Ideia também projeta 2º turno de Lula e Bolsonaro

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Feita entre as últimas sexta (15) e quarta (20), a pesquisa presidencial Exame/Ideia divulgada hoje é a quinta deste mês de julho a apontar o segundo turno entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL). Isso depois que as pesquisas de maio e junho vinham apontando a possibilidade de o petista fechar a fatura já no primeiro turno. Segundo a Exame/Ideia, Lula permanece na liderança isolada da corrida, com 44% de intenções de voto na consulta estimulada. São 11 pontos de vantagem sobre os 33% de Bolsonaro. Na projeção do segundo turno de 30 de outubro, o ex-presidente bateria o atual por 47% a 37%. A pesquisa ouviu 1.500 pessoas por telefone, com margem de erro de 3 pontos para mais ou menos.

Na Exame/Ideia estimulada ao primeiro turno, depois de Lula e Bolsonaro, vieram o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), com 8%; a senadora Simone Tebet (MDB), com 4%; o deputado federal André Janones (Avante), com 2%; e o cientista político Luiz Felipe D’Ávila (Novo) e o empresário Pablo Marçal (Pros), com 1% cada; mais 4% de branco e nulo e 2% de indecisos. Os demais presidenciáveis ficaram abaixo de 1 ponto percentual.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Se as pesquisas de maio e junho, incluindo duas Datafolha, chegaram a indicar a possibilidade de Lula ganhar a eleição já no primeiro turno, todas as pesquisas de julho vinham mostrando, dentro das suas margens de erro, queda de Lula e recuperação de Bolsonaro. Foi o que revelaram as duas últimas pesquisas PoderData, divulgadas em 6 e 20 de julho, assim como a Genial/Quaest de 6 de julho e a BTG/FSB de 11 de julho. Comparado com sua pesquisa anterior de 23 de junho, a Exame/Ideia de hoje registrou queda de 1 ponto de Lula: de 45% a 44%. Mas também registrou queda ainda maior, de 3 pontos, de Bolsonaro: de 36% a 33%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A depender de confirmação das próximas pesquisas, essa queda do presidente só na Exame/Ideia pode refletir a reação ao ato promovido por ele no Palácio do Alvorada, com estrutura pública do governo, na última segunda (18). Quando reuniu embaixadores de 70 países estrangeiros para repetir mentiras comprovadas contra o mesmo sistema eleitoral que elegeu Bolsonaro e seus filhos. E mereceu a condenação de quase todas as instituições e pessoas públicas do país. Assim como da embaixada e do Departamento e Estado dos EUA, que reforçaram sua crença na lisura das eleições brasileiras e cobraram respeito ao resultado. Pesquisas internas do próprio PL, partido do capitão, já revelaram que seus ataques sem provas à urna eletrônica que o elegeu em 2018 são encarados como discurso de perdedor em 2022.

— A exemplo do que vem apontando os demais institutos, por diferentes metodologias, a 73 dias das eleições, a Exame/Ideia, divulgada hoje também aponta para um segundo turno entre Lula e Bolsonaro. Lula oscilou 1 ponto percentual para baixo, com 44% das intenções de votos, enquanto Bolsonaro caiu numericamente 3 pontos, para 33%. No levantamento anterior, divulgado em junho, Lula tinha 45% e Bolsonaro, 36%. Na PoderData divulgada ontem, Lula registrou 43% e Bolsonaro 37%. Considerando a margem de erro das duas pesquisas, 2 pontos para cima ou para baixo no caso da PoderData, os resultados são idênticos, reforçando a pouca mudança na intenção de votos dos eleitores e a alta probabilidade de segundo turno — analisou o geógrafo William Passos, com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

O fato é que a Exame/Ideia confirmou todas as demais pesquisas de julho. No segundo turno hoje projetado, Lula venceria não só Bolsonaro fora da margem de erro. Mas qualquer outro possível adversário. O ex-presidente bateria Ciro por 44% a 31% e Tebet por 48% a 25%. Por sua vez, o atual presidente venceria Ciro, mas no empate técnico, por 39% a 35%. E, fora da margem de erro, bateria Tebet por 40% a 26%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O que explica a derrota do capitão para Lula no segundo turno, como seu empate técnico com Ciro, é a rejeição. Bolsonaro lidera o índice negativo. Pela Exame/Ideia ele tem 46% dos eleitores que não votariam nele de maneira nenhuma. Lula vem logo atrás, com rejeição também muito alta de 40%. Bem atrás, Ciro tem 19%, com apenas 7% para Tebet.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

— No segundo turno entre Lula e Bolsonaro, a Exame/Ideia mostra intenção de voto um pouco menor para Lula, de 47%, em relação à PoderData divulgada ontem: 51%. Mas nada que altere a vitória do petista no segundo turno. Já as intenções de voto de Bolsonaro, dentro da margem de erro, são as mesmas pelas duas pesquisas realizadas por telefone. Na Exame/Ideia de hoje, Bolsonaro alcança 37%. Na PoderData de ontem, 38%. Quanto à rejeição, o cenário se mantém estável nas oscilações entre as duas pesquisas. Na Exame/Ideia, 46% dos eleitores não votariam de forma alguma em Bolsonaro, contra 52% da PoderData. Já 40% na Exame/Ideia não votariam de jeito nenhum em Lula, contra 38% da PoderData — finalizou William.

 

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