Câmara de Campos deve ser presidida por Fábio Ribeiro, em acordo costurado entre Wladimir e Caio para derrotar Rodrigo (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Seja para prefeito, vereador ou Mesa Diretora do Legislativo, eleição só acaba quando termina. Mas salvo algo muito fora da curva nos próximos quatro dias, o prefeito eleito Wladimir Garotinho (PSD) venceu a queda de braço com o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) pelo controle da Câmara Municipal de Campos, que deve mesmo ser presidida pelo vereador Fábio Ribeiro (PSD). A sensação entre os 25 vereadores eleitos, é que Wladimir venceu a disputa após selar um acordo no dia 20 (relembre aqui) com seu adversário no disputado segundo turno a prefeito, Caio Vianna (PDT), que fez três vereadores. A aliança deve ser oficializada em uma nota do PDT, com a anuência de Rodrigo Neves, prefeito de Niterói e principal apoiador de Caio.
Vice-prefeito eleito, Frederico Paes entrou no jogo político e costurou acordo com o vereador Marcione (Foto: Divulgação)
Ciente da derrota, Rodrigo Bacellar já teria liberado antes do Natal seus seis vereadores. À exceção de Marquinho Bacellar (SD), irmão de Rodrigo, que deve ficar na oposição, o deputado estadual teria liberado os outros cinco edis eleitos por seu grupo político, para a eleição da nova Mesa Diretora. Assim, além dos 18 vereadores que a candidatura de Fábio a presidência já teria — contando com Bruno Pezão (PL), mais os pedetistas Marquinhos do Transporte, Luciano Rio Lu e Leon Gomes — os edis do grupo dos Bacellar também podem apoiar os Garotinho no Legislativo, fazendo a conta chegar a 21 ou 22. Marcione da Farmácia (DEM) já é considerado certo, em acordo costurado também pelo vice-prefeito eleito Frederico Paes (MDB). Silvinho Martins (MDB), Rogério Matoso e Helinho Nahim (PTC), podem seguir o mesmo caminho.
Vereadores Silvinho Martins e Rogério Matoso (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
— Rodrigo conversou com a gente antes do Natal e nos liberou. Caminharíamos com uma candidatura própria do grupo à mesa diretora se tivéssemos chance. Mas eles (os Garotinho) já têm 18 vereadores. O xeque-mate foi o acordo entre Wladimir e Caio. Agora, o que nós ainda tentamos pleitear é a segunda secretaria da mesa diretora. Acredito que Marquinho (Bacellar) vai ficar na oposição. Mas isso é uma opinião pessoal minha — disse o edil Silvinho Marins, aliado dos Bacellar
— Para nosso grupo disputar a presidência da Casa, tem que definir quem seria o presidente. Quem seria? Em Marquinho, eu talvez votasse. Mas não em Abdu Neme (Avante) ou Nildo Cardoso (PSL). Com todo o respeito que eu tenho aos dois, por que votaria em um deles? Com quem eles caminharam no segundo turno a prefeito? E como eu vou explicar isso ao meu eleitor e ao meu grupo político, depois de ter apoiado Dr. Bruno Calil (SD) no primeiro turno, mas apoiando publicamente Wladimir no segundo? Como eu vou apoiar um candidato a presidente do Legislativo só porque ele (Nildo) foi o último voto a se definir? Isso não é critério. Se ele foi o último eu sou o penúltimo voto. Campos precisa de paz, de diálogo — pregou Rogério Matoso, que também confirmou a reunião em que Rodrigo Bacellar teria liberado os votos na Mesa Diretora.
Com a admissão, dentro do grupo dos Bacellar, de que os Garotinho devem vencer a disputa pela Mesa Diretora, esta tem duas contas praticamente fechadas: Fábio Ribeiro na presidência e Juninho Virgílio (Pros) na 1ª vice-presidência. Confirmado o acordo com Caio, também seria certo um dos três vereadores do PDT na 1ª secretaria. As outras duas vagas ainda dependem de composição. Maycon Cruz (PSC) surge com força para a 2ª vice presidência, enquanto a 2ª secretaria pode ficar com Dandinho do Rio Preto (PSD), embora este possa ceder o cargo para algum vereador que vier dos Bacellar.
— Só posso elogiar a maturidade de Caio nas negociações. Após um segundo turno a prefeito bastante acirrado, ele demonstra capacidade de articulação e seu compromisso com a governabilidade. Até por ter ficado próximo de levar a Prefeitura, ele sabe o tamanho das dificuldades que teremos pela frente. Teremos Poderes independentes, sim, mas trabalhando em harmonia pela cidade. Não podemos ser oposição a Campos. E Caio até aqui tem mostrado estar bem ciente disso — ressaltou Fábio Ribeiro.
“Cristo de São João da Cruz” (1951), óleo sobre tela de Salvador Dalí, Museu e Galeria de Arte de Kelvingrove, em Glasgow, Escócia (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
Hoje, véspera do dia a que se atribui o aniversário do Cristo, deveria ser de reflexão. Sobretudo ao final de um ano tão difícil ao mundo quanto foi 2020. Questão de fé é uma coisa muito particular. E, dentro da mesma fé, há particularidades. Assim, o seu Cristo, leitor, é o seu. Ele não é exatamente o mesmo Cristo do Papa Francisco, por sua vez diferente do Cristo do Patriarca Teodoro II, diferente do Cristo de Lutero, diferente do Cristo de Tomás de Aquino, diferente do Cristo de Agostinho, diferente do Cristo de Saulo de Tarso, diferente do carpinteiro e rabi da Galileia chamado em vida de Yeshua, Iisoús em grego, Iesus em latim.
O fato histórico é que Jesus morreu jovem, aos 33 anos. E como parece ser uma infeliz coincidência com outros grandes líderes que pregaram a paz, teve uma morte muito violenta. Mas sua vida curta e grande obra bifurcaram o mundo. Por isso o nosso calendário romano e cristianizado serve de referência mesmo às civilizações humanas de outra matriz, que mantêm suas próprias datações. E o faz dividido em antes e depois do nascimento de Cristo. Que hoje o Ocidente e parte do Oriente celebram em reuniões familiares reduzidas, ou como deveriam ser, em tempos de pandemia da Covid-19.
Sobretudo na Civilização Ocidental, a influência de Jesus está no seu éthos, no seu alicerce moral. A despeito dos crimes cometidos em seu nome ao longo da História. Como, de resto, em nome de todas as religiões. Mesmo as que assim não se consideram, em seu pretensioso ateísmo iluminista, como o liberalismo, o marxismo e o nazifascismo. Ainda assim, o legado de Jesus ao Ocidente — e mesmo à Civilização Islâmica, onde é considerado profeta e chamado por seu nome árabe de Issa — teve peso agregador e civilizatório. Que manteve a Europa unida no milênio da Idade Média, ou “das Trevas”, entre a queda de Roma e a colonização das Américas.
Muitos pensadores consideram o amor como o maior legado de Jesus, sua grande revolução. Não só o amor na relação do homem com Deus, que permitiu ao cristianismo entrar na Europa e nas Américas de uma maneira que o judaísmo e o islamismo — religiões do mesmo Deus de Abraão — nunca conseguiriam, mas também no amor do homem pelo homem. “Amarás ao próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:39) nas palavras com que Jesus, abaixo apenas do amor a Deus, deu seu segundo mandamento. E com ele universalizou o que o judaísmo do Velho Testamento reservava só aos filhos de Israel: “Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo, mas amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Levítico 19:18).
Essa capacidade de olhar o semelhante como irmão, independente de raça ou tribo, sobretudo em caso de necessidade, é a maior contribuição do cristianismo à humanidade. Ao final de um ano bastante difícil para esta mesma humanidade, de muito trabalho e muitas perdas, mas também de relativo sucesso profissional ao Grupo Folha (relembre aqui), que o amor pregado por Jesus seja o grande presente a você, leitor. E a todos a quem o aniversariante nos ensinou a olhar como irmãos.
Abaixo, seguem três poemas. O primeiro, junto com sua interpretação pelo falecido ator Paulo Autran, é de Alberto Caeiro, heterônimo do poeta português Fernando Pessoa. O segundo, um soneto de Gregório de Matos, nosso maior barroco, segue com sua interpretação pelo ator Miguel Falabella. E o terceiro, com o perdão aos dois primeiros autores pela companhia, assim como ao modernista Carlos Drummond de Andrade, que abre o poema final de minha autoria:
Menino Jesus e Fernando Pessoa
Num meio-dia de fim de Primavera
(Alberto Caeiro/Fernando Pessoa, parte VIII de “O guardador de rebanhos”)
Num meio-dia de fim de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas —
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o Sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou —
«Se é que ele as criou, do que duvido.» —
«Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres.»
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.
……
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre.
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.
A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.
A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.
Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do Sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
……
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
……
Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?
Gregório de Matos
Buscando a Cristo
(Gregório de Matos)
A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos
Que, para receber-me, estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados.
A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lágrimas abertos,
Pois, para perdoar-me, estais despertos,
E, por não condenar-me, estais fechados.
A vós, pregados pés, por não deixar-me,
A vós, sangue vertido, para ungir-me,
A vós, cabeça baixa, pra chamar-me
A vós, lado patente, quero unir-me,
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme.
“Pois que, eu essência, não habito Vossa arquitetura imerecida; Meu Deus e meu conflito”
(carlos drummond de andrade)
A Morte e o cavaleiro Antonius Block, interpretado por Max von Sydown, jogam xadrez em “Sétimo Selo” (1956), clássico do cinema escrito e dirigido pelo sueco Ingmar Bergman
Pastor da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) e vereador eleito de Campos com a segunda maior votação (4.905 eleitores), Anderson de Matos (Republicanos) questionou ontem (confira aqui) a defesa do lockdown imediato para tentar frear (confira aqui) o aumento de casos de Covid-19 no município. E foi questionado não só pelos médicos que a defendem, como por acadêmicos das ciências humanas e até por uma fiel da Iurd, também estudante da Uenf.
No vídeo que gravou e veiculou ontem contra o lockdown em Campos, Anderson dirigiu seus questionamentos ao médico Geraldo Venâncio, secretário de Saúde confirmado (confira aqui) pelo governo eleito Wladimir Garotinho (PSD). Em tempo de eleição da nova Mesa Diretora da Câmara Municipal, Geraldo não quis responder ao vereador eleito. Postura política que foi seguida pelo novo subsecretário municipal de Saúde, o também médico Paulo Hirano.
Médicos Rodrigo Carneiro, Cléber Glória e Nélio Artiles responderam aos questionamentos do vereador eleito Anderson de Matos, pastor da Iurd, sobre a adoção ou não do lockdown em Campos para conter o aumento dos casos de Covid (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Outros médicos, porém, fora da política, que também defenderam o lockdown em Campos pelos mesmos motivos científicos de Geraldo e Hirano, reagiram às declarações do vereador eleito e pastor da Iurd:
— O vereador eleito diz que “sempre meu posicionamento será a favor da ciência”. O que os estudos mostram, os maiores especialistas dizem é exatamente o contrário do que ele afirma.
A população não adere satisfatoriamente ao distanciamento mesmo com toda orientação passada. A obrigação do Estado é proteger a população mesmo que para isso medidas impopulares tenham que ser tomadas — destacou o médico infectologista Rodrigo Carneiro, cuja entrevista (confira aqui) na última quinta (17) ao programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, gerou o debate sobre a necessidade da adoção imediata do lockdown para Campos.
— Com todo o respeito ao ilustre edil recém eleito, seu posicionamento apresenta uma série de contradições principalmente no que diz respeito a dados científicos de eficiência de lockdown. Isso é totalmente compreensível por não se tratar de um profissional da área de saúde. Acho que todos têm direto a opinião, porém ao se tratar de assunto técnico e relacionado a área de saúde pública, devemos deixar as autoridades sanitárias, dr. Geraldo Venâncio principalmente, à vontade para tomar suas condutas com o objetivo claro de salvar vidas. Sabemos de todas as dificuldades econômicas, mas o que vemos diariamente no hospital é o reflexo da total irresponsabilidade da população em não seguir medidas de isolamento e a falta de ação do governo municipal para conter a Covid-19 em Campos. Espero que o próprio vereador e a população campista entendam que medidas amargas devem ser adotadas para salvar vidas — disse o médico Cléber Glória, diretor-clínico da Santa Casa de Misericórdia, e um dos primeiros a alertar (confira aqui) sobre o novo aumento dos casos de Covid em Campos.
— O lockdown deve ser avaliado considerando diversas variáveis desde as taxas de transmissão como de ocupação de leitos hospitalares assim como também questões econômicas. É uma decisão de política pública de grande responsabilidade. O vírus continuará transmitindo mesmo com um lockdown mais radical e caso haja uma decisão técnica pela secretaria de Saúde, o objetivo seria prevenir uma saturação na rede de assistência e impedir filas para leitos de UTI, por exemplo. O lockdown não é desejado por ninguém, porém liberar serviços sem a devida fiscalização resultará em um início de ano bem conturbado, após perspectivas reais de novas aglomerações. Quanto menos restrições, maiores devem ser as responsabilidades — alertou o médico infectologista Nélio Artiles.
A matéria com o vídeo do vereador eleito e pastor da Iurd, questionando a orientação de vários médicos de Campos pela adoção do lockdown, também gerou críticas nas redes sociais:
João Monteiro Pessôa, historiador e professor do IFF-Guarus
— Essa notícia (o questionamento do vereador eleito Anderson de Matos ao lockdown em Campos) lembra uma cena da série da HBO sobre Chernobil (usina nuclear da extinta União Soviética que, em 1986, teve um incêndio em um dos seus reatores, causando contaminação e mortes por radiação). Um chefão do Partido (Comunista) esnoba o alerta de uma cientista e ela lembra que é física nuclear, enquanto ele era gerente de uma fábrica de sapatos. Ao que o burocrata responde: “eu trabalhei numa fábrica e agora comando o Partido em Minsk, viva a República Socialista dos Trabalhadores Soviéticos”! Pois só faltou o cidadão (o vereador eleito) dizer igual: “vocês são médicos e eu sou vereador”! — comparou o historiador João Monteiro Pessôa, professor da IFF-Guarus, no grupo de WhatsApp do blog e do Folha no Ar.
Patricia Matias, estudante universitária e fiel da Iurd
— Esse futuro vereador é uma piada. Sou da Universal, mas nem em sonho votaria em alguém que nem a cidade conhece, e o que conhece é por terceiros. Deveriam se preocupar com a capacidade máxima que a Igreja não está controlando. A Igreja tem colocado as faixas de contenção nos bancos sim, tem álcool em gel e medição de distância. Porém, os fiéis e até mesmo alguns obreiros retiram as faixas e sentam. A Igreja fica aberta o tempo todo durante o horário de culto e isso acaba fazendo com que as pessoas entrem e sentem. Não há obreiros, pastores ou seguranças para conter a capacidade. Acho que são 2.000 lugares sentados, o que deveria ser aí por volta de 600 pessoas por culto. Mas não é o que parece. Além do mais, pessoas sintomáticas, tossindo e espirrando, frequentam normalmente. As obreiras e obreiros usam luvas para proteção. Porém, ao pegar as crianças que choram no salão, estão com as mesmas luvas que estão usando o tempo todo. Apenas acho que deveria haver um controle maior e mais cuidado. Sou e tenho orgulho da minha fé, mas estão deixando a desejar — comentou no Facebook a estudante universitária Patrícia Matias, fiel da Iurd.
Procurada pelo blog para comentar as declarações do vereador eleito Anderson de Matos, a médica infectologista Andreya Moreira, chefe da Vigilância em Saúde do governo Rafael Diniz (Cidadania), preferiu deixar a resposta pelo gabinete de crise criado para combater a pandemia da Covid em Campos. Com a demanda gerada à superintendência de Comunicação (Supcom), o gabinete de crise enviou a nota:
— A decisão de mudança ou permanência de fase é tomada a partir de avaliação técnica criteriosa da Prefeitura, somada à análise do departamento de Vigilância em Saúde sobre o cenário epidemiológico. O modelo matemático e estatístico para avaliação da pandemia no município considera 12 indicadores que avaliam constantemente dois grandes grupos. Um diz respeito à disseminação do coronavírus nos últimos sete dias no município e o outro a capacidade de atendimento da Saúde. Esse plano existe desde 1º de junho, vem surtindo efeito até o momento e continua em vigor. Essa avaliação inclui a ocupação de leitos. Abaixo, segue a ocupação de leitos públicos, próprios e contratualizados, aptos ao tratamento da Covid-19 nessa terça, dia 22: UTI, 69%; clínica médica, 57%.
Vereador Anderson Matos gravou vídeo sobre posição do médico Geraldo Venâncio sobre lockdown, mas sem dizer que elas tiveram o endosso científico dos também médicos Rodrigo Carneiro, Nélio Artiles, Cléber Glória e Paulo Hirano (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
O dia de hoje, que amanheceu (confira aqui) com a prisão por corrupção do prefeito carioca Marcelo Crivella, ex-ministro da Pesca do governo Dilma Rousseff (PT) e hoje aliado do clã presidencial Bolsonaro, não foi bom para o Republicanos — partido da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). Em novembro, a força eleitoral dos seus fiéis fez de Anderson de Matos, pastor da Iurd, o segundo vereador mais votado de Campos, com 4.905 votos. E hoje ele gravou um vídeo para questionar a necessidade de adoção do lockdown em Campos, defendida neste blog (confira aqui) pelo médico Geraldo Venâncio, secretário de Saúde confirmado (confira aqui) do governo eleito Wladimir Garotinho (PSD), para tentar conter o avanço da pandemia da Covid-19 no município:
— Eu gostaria de fazer uma análise da fala do médico, dr. Geraldo Venâncio, com respeito ao lockdown. Ele diz assim: “O lockdown em Campos tinha que ser decretado agora. E sem besteiras como o lockdown parcial”. O senhor (Geraldo) diz que essa medida radical deveria ser adotada agora porque nós estamos agora, como o senhor colocou, que nós não tivemos em abril, maio e junho: pessoas sentadas em poltronas com falta de ar e à espera de vaga (…) É triste, é lamentável, é revoltante saber que pessoas estão nessa situação, dependendo de um atendimento médico-hospitalar. Mas, doutor (Geraldo), não estamos falando de algo novo, não se trata de algo inédito — disse o vereador eleito no vídeo, passando a nele exibir reportagens sobre problemas de atendimento na Saúde Pública de Campos antes da chegada da pandemia. E prosseguiu:
— Por que só agora querem decretar lockdown (que já foi decretado em Campos, confira aqui, em maio) e trancar a cidade toda? (…) Eu penso que trancar a cidade toda, decretar o lockdown, como o senhor (Geraldo) está sugerindo, “medida radical” como o senhor mesmo colocou, na minha opinião é piorar a situação. Porque já foi feito lockdown em vários lugares (na Europa, confira aqui, vários países voltaram a adotá-lo desde o início de novembro, para combater o novo crescimento da Covid), faz o lockdown, volto do lockdown, volta para o lockdown de novo. E o vírus está aí, infectando todo o mundo. Essa é que é a realidade, triste, lamentável, mas é a realidade (…) Eu acredito que o enfrentamento da situação é a conscientização da população, com uma campanha fortíssima. A população precisa cooperar, necessita drasticamente de ter a utilização da máscara, manter o distanciamento. Isso não é algo para você fazer só quando vier ao Centro (…) Mas daí a se adotar esse tipo de medida radical (lockdown), eu também sou radicalmente contra. Eu acredito que o que tem que ser feito é o que o prefeito Wladimir anunciou que conseguiu hoje, mais 20 leitos de UTI (na verdade, Wladimir anunciou ontem, confira aqui, mais 20 respiradores). Confesso ao senhor (Geraldo), com todo respeito à sua autoridade, ao seu conhecimento científico, isso aqui não é negar a ciência de forma alguma, sempre o meu posicionamento será a favor da ciência; mas de forma equilibrada, onde possamos manter a cidade funcionando. Se não, vamos ter dois problemas depois, que são as empresas falidas, as pessoas desempregadas, na miséria, e o vírus contaminando, infectando todo o mundo.
Andreya Moreira, chefe da Vigilância em Saúde do governo Rafael
Embora tenha se dirigido a Geraldo Venâncio, o vereador Anderson não fez menção em seu vídeo aos outros médicos de Campos que concordaram com ele na mesma matéria deste blog: os infectologistas Rodrigo Carneiro (cujo alerta, feito aqui, no programa Folha no Ar da última quinta, projetando o pico da pandemia para o mês janeiro, gerou toda essa repercussão) e Nélio Artiles; Cléber Glória, diretor-clínico da Santa Casa; e Paulo Hirano, subsecretário de Saúde do governo municipal eleito. A médica ouvida que disse não ver necessidade de adoção agora do lockdown em Campos foi a infectologista Andreya Moreira, chefe da Vigilância em Saúde do governo Rafael Diniz (Cidadania), como o blog também noticiou.
Confira abaixo a íntegra do vídeo do vereador eleito Anderson Matos:
A partir das 7h da manhã desta quarta (23), quem fecha a semana do Folha no Ar, encurtada pelo Natal, será o vereador eleito Juninho Virgílio (Pros). Na Folha FM 98,3, ele analisará as eleições municipais de novembro, assim como a renovação do Legislativo goitacá, alguns, como ele, representando nomes conhecidos da política local.
Por fim, Juninho falará da principal disputa política de Campos após o segundo turno a prefeito da cidade: pela nova Mesa Diretora da Câmara. Que tem ele como candidato garotista a 1º vice-presidente, cargo que gerou o racha entre os grupos políticos do prefeito eleito Wladimir Garotinho (PSD) e do deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD). Para entender o caso, da tentativa de aliança à ruptura entre os Garotinhos e os Bacellar, leia aqui, aqui, aqui e aqui.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Secretário estadual Bruno Dauaire com a prefeita e o vice-prefeito eleitos de Cardoso Moreira, Geane Vincler e Wladmir Lopes (Foto: Divugação)
O secretário estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, deputado estadual Bruno Dauaire (PSC), visitou nesta segunda-feira (21) a prefeita eleita de Cardoso Moreira, Geane Vincler (PSD). Na ocasião, ele prometeu instalar na cidade um Centro Integrado de Atendimento à Mulher (Ciam).
Nesse novo local, as mulheres vítimas de violência doméstica terão acolhimento e acompanhamento especializados. O Ciam contará com psicólogos, advogados e assistentes sociais, que também fazem o acompanhamento nas audiências e visitas domiciliares. Além disso, serão ofertadas palestras e campanhas de sensibilização.
O secretário ainda se colocou à disposição como facilitador na interlocução entre o município e o Governo do Estado, abrindo as portas para outros investimentos, principalmente na área social.
Da assessoria do governo eleito de Cardoso Moreira
A partir das 7h da manhã desta terça (22), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, será o médico e secretário de Saúde confirmado do governo eleito Wladimir Garotinho (PSD), Geraldo Venâncio. Ele falará sobre o aumento dos casos de Covid-19 em Campos e dos sinais de colapso da rede de saúde pública e privada para atender à crescente demanda.
Geraldo analisará também as consequências do contato maior entre as pessoas no Natal e Réveillon, que fazem janeiro de 2021 ser aguardado (confira aqui) como o pior mês da pandemia no Brasil, e da necessidade de adoção imediata do lockdown de Campos, defendida (confira aqui) por ele. Por fim, o secretário falará do compromisso do prefeito eleito Wladimir (confira aqui) com a compra da vacina Coronavac, desenvolvida em parceria com o Instituto Butantan, e da projeção de início da vacinação dos campistas.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Disputa do controle da Câmara de Campos entre os grupos políticos do prefeito eleito Wladimir Garotinho e do deputado estadual Rodrigo Bacellar, para o experiente vereador Nildo Cardoso, estaria hoje indefinida (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Um dos vereadores mais experientes da nova Câmara Municipal de Campos, na qual inicia seu quarto mandato a partir de 1º de janeiro de 2021, para Nildo Cardoso (PSL) a eleição da Mesa Diretora do Legislativo goitacá estaria hoje (21) indefinida. Pelo menos até o momento, a reunião ontem (20) entre o prefeito Wladimir Garotinho (PSD) e seu adversário no segundo turno, o ex-prefeitável Caio Vianna (PDT), ainda não surtiu o efeito desejado: a confirmação do apoio dos vereadores pedetistas Marquinhos do Transporte, Luciano Rio Lu e Leon Gomes à candidatura do garotista Fábio Ribeiro (PSD) à presidência da Casa. Para Nildo, o placar na disputa dos Garotinho contra o grupo do deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) pelo controle da Câmara (entenda aqui a disputa) hoje estaria empatado em 12 a 12. E o ausente nesta conta entre os 25 vereadores poderia definir a questão.
Após já ter sido contabilizado pelos garotistas como fechado com eles, após o racha com os Bacellar por conta da 1ª vice-presidência, Nildo não confirmou essa informação. Ele disse que, para isso, teria que se reunir primeiro com o prefeito eleito Wladimir, o que até agora não teria acontecido. Para o veterano edil, a questão ainda vai sofrer muitas idas e vindas dos dois lados, sobretudo entre os vereadores de primeiro mandato — 17 dos 25 eleitos. Sobre os quais os dois grupos políticos tentam demonstrar sua força e capacidade de articulação nas negociações. A definição da nova Mesa Diretora, para Nildo, só se dará mesmo no último dia 30 deste ano, na quarta-feira da próxima semana. “Até lá, seguirá como está, com vereador almoçando com um grupo político e comendo a sobremesa com o outro”, ironizou o político da Baixada Campista.
Segundo alta fonte garotista, Nildo seria uma opção mais apaziguadora dos Bacellar à presidência da Câmara, do que Marquinho Bacellar e Abdu Neme (Montagem: Eliabe de Souza o Cássio Jr.)
Atualização às 13h15: Após a postagem com a análise de Nildo sobre a disputa do controle da Câmara Municipal, uma alta patente dos Garotinho, que preferiu se manter na garantia constitucional do sigilo de fonte, disse que o veterano vereador do PSL estaria buscando, na verdade, a presidência da Câmara, caso feche com o grupo dos Bacellar. Segundo a fonte do governo eleito Wladimir Garotinho, Nildo teria a capacidade de apaziguar o Legislativo goitacá, que os demais nomes dos Bacellar à presidência da Casa do Povo, Marquinho Bacellar (SD) e Abdu Neme (Avante), não teriam. Indagada se o vereador Igor Pereira (SD) também não estaria nessa disputa, a fonte garotista de alto escalão nada respondeu.
Noticiada desde o período eleitoral (confira aqui, aqui, aqui e aqui), o aumento do número de casos e mortes causadas pela Covid-19 em Campos tem preocupado médicos e autoridades da Saúde Pública da cidade. Que só ontem (19) registrou oficialmente (confira aqui) mais três mortes e 22 novos casos da doença.
Por conta dessa tendência de alta, que deve se agravar após o contato entre as pessoas no Natal e Réveillon, o médico infectologista Rodrigo Carneiro foi categórico (confira aqui) em entrevista ao Folha no Ar, na Folha FM 98,3, na última quinta (17): “janeiro será o pior mês da pandemia, em Campos e no Brasil”. Para tentar atenuar isso, o especialista foi enfático na rádio mais ouvida de Campos: “fase Vermelha, lockdown, é o que a gente necessita (para Campos)”.
Também médica infectologista e chefe da Vigilância em Saúde do município, Andreya Moreira discordou do colega: “Precisamos da conscientização da população, que está sendo bem difícil, com ou sem lockdown. A decisão (de não adotar o lockdown) não foi política”. Só que, no dia seguinte (18), Rodrigo teria seu alerta endossado (confira aqui) pelos colegas Nélio Artiles, também infectologista; e Cléber Glória, diretor-clínico da Santa Casa de Misericórdia; além do secretário e do subsecretário de Saúde (confira aqui) do governo eleito Wladimir Garotinho (PSD), respectivamente os também médicos Geraldo Venâncio e Paulo Hirano. O primeiro foi contundente: “Lockdown em Campos tinha que ser decretado agora”.
Antes de o governo municipal eleito assumir em 1º de janeiro, é grande a expectativa pela atuação que o vice de Wladimir, Frederico Paes (MDB), terá também na Saúde Pública, já que além de industrial do açúcar e álcool, ele também vem de uma experiência exitosa como dirigente hospitalar, no Hospital Plantadores de Cana (HPC). A pedido do blog, ele também se posicionou sobre o enfrentamento do município ao novo coronavírus, que já matou 520 campistas. Frederico garantiu: “Nossa equipe está preparada em adotar as medidas necessárias para minimizar os danos da pandemia”. E também falou sobre o comprometimento de Wladimir (confira aqui) com a compra de vacinas do Instituto Butantan: “Nossa equipe técnica já fez contato com o Instituto Butantan, para informar o desejo do prefeito Wladimir Garotinho em comprar a vacina para imunizar a população”.
No dia seguinte à sua entrevista ao Folha no Ar, que causou grande repercussão, o infectologista Rodrigo Carneiro usou as redes sociais (confira aqui) para voltar a se posicionar sobre o enfrentamento do município à Covid. E fez uma proposta ao prefeito Rafael Diniz (Cidadania) e ao seu sucessor a partir de 2021: “Nenhum político fica confortável em implementar o chamado ‘lockdown’. É uma medida impopular, a curto prazo faz perder apoiadores e consequentemente votos. Por isso a minha sugestão é que o prefeito Rafael Diniz, com apoio público e irrestrito do prefeito eleito Wladimir Garotinho, decrete o aumento do rigor das medidas de isolamento. Isso salvará vidas e ambos serão lembrados pelo posicionamento”.
Confira abaixo a íntegra do posicionamento de Frederico Paes sobre o combate à pandemia, além da proposta feita por Rodrigo Carneiro de uma ação conjunta entre os prefeitos Rafael e Wladimir, por Campos e contra a Covid:
Vice-prefeito eleito de Campos, Frederico Paes, e o médico infectologista Rodrigo Carneiro se posicionaram sobre o combate à pandemia da Covid-19 em Campos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr)
Frederico Paes — A orientação do prefeito Wladimir Garotinho é no sentido de sempre ouvirmos os nossos técnicos. Nossa equipe está preparada em adotar as medidas necessárias para minimizar os danos da pandemia. Temos médicos experientes, como Dr. Geraldo Venâncio, Dr. Paulo Hirano e Dr. Charbell Kury, em uma força tarefa para as primeiras medidas do novo governo. Também estamos em contato com os técnicos do atual governo para que a transição não prejudique os trabalhos de combate ao coronavírus.
Na quinta (17) uma equipe nossa esteve no Rio com o secretário estadual de Saúde para termos apoio do Estado do Rio para a nossa cidade. O ainda deputado federal Wladimir, já solicitou ao ministério da Saúde a doação de 20 respiradores, que deverão chegar já para janeiro de 2021.
Vamos começar uma campanha forte de conscientização da população já que a pandemia ainda está ceifando vidas.
Nossa equipe técnica já fez contato com o Instituto Butantan, para informar o desejo do prefeito Wladimir Garotinho em comprar a vacina para imunizar a população.
Rodrigo Carneiro — Sou médico infectologista na cidade de Campos, atuo no Hospital Geral de Guarus (HGG). Ontem, em entrevista ao programa “Folha no Ar”, expressei minhas preocupações com o avanço desenfreado da pandemia do novo coronavírus em nossa região. Os casos voltaram a subir vertiginosamente. Com isso, as internações e óbitos também subiram muito. Piorando a situação os leitos para internação diminuíram, trazendo o caos ao município. Já estamos vivendo uma situação dramática. Hoje (na sexta, dia 18), só no HGG, há 13 pacientes com diagnóstico de Covid-19 e 11 com suspeita da infecção, alguns bastante graves. Não conseguimos transferir os pacientes para os leitos específicos (na Beneficência/CCCC, HEAA, Santa Casa…) pela falta de vagas.
Usei termos duros ao me referir às condutas atuais da Prefeitura frente a esse cenário. Termos duros, porém, necessários, exatamente para provocar a discussão. O prefeito Rafael Diniz em sua resposta hoje, no mesmo programa, optou por “jogar a responsabilidade” para o competente corpo técnico da Secretaria Municipal de Saúde, capitaneado pela minha colega de especialidade Dra. Andreya Moreira.
O objetivo principal da minha fala foi alertar a população para os riscos que todos estamos correndo, e também explicitar a necessidade imediata de endurecer as medidas de distanciamento social, essas já demonstradas como as mais eficazes para diminuição do número de casos.
Exatamente por isso farei um novo convite à reflexão. Nenhum político fica confortável em implementar o chamado “lockdown”. É uma medida impopular, a curto prazo faz perder apoiadores e consequentemente votos. Por isso a minha sugestão é que o prefeito Rafael Diniz, com apoio público e irrestrito do prefeito eleito Wladimir Garotinho, decrete o aumento do rigor das medidas de isolamento. Isso salvará vidas e ambos serão lembrados pelo posicionamento.
Câmara Municipal de Campos, entre os Garotinho e os Bacellar, deve ser presidida por Fábio Ribeiro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Garotinhos, Bacellar e Mesa Diretora na história política de Campos
Tinha uma 1ª vice no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma 1ª vice. Quem acha a eleição presidencial do colégio eleitoral dos EUA complexa, é porque nunca acompanhou os bastidores da eleição de uma Mesa Diretora da Câmara Municipal de Campos. Se ninguém tem muita dúvida de que o novo presidente do Legislativo goitacá será Fábio Ribeiro (PSD), as outras quatro vagas tinham sido divididas salomonicamente pelo prefeito eleito Wladimir Garotinho (PSD) e o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD).
Amarrado pessoalmente por Wladimir e Rodrigo em encontros na quinta (08) e no sábado (10) da semana passada, na cidade do Rio, o acordo dava a 1ª vice-presidência e a 2ª secretaria da Mesa para vereadores dos Garotinho, ficando a 1ª secretaria e a 2ª vice-presidência para os edis dos Bacellar. Que ainda levariam a Companhia de Desenvolvimento do Município de Campos (Codemca) e Fundação Municipal da Infância e Juventude (FMIJ).
Com a Codemca e a FMIJ, Rodrigo tentaria relocar um dos dois edis eleitos do DEM, Rogério Matoso ou Marcione da Farmácia. E poderia cumprir seu acordo com o ex-vereador Marcos Alexandre, cuja esposa Néia, eleita primeira suplente do DEM, assumiria uma cadeira na Câmara. Livrando esta do constrangimento de não ter nenhuma mulher entre seus novos 25 ocupantes. Na mesma Casa do Povo que elegeu ainda nos anos 1970 suas duas primeiras vereadoras: as saudosas Hermeny Coutinho e Antônia Leitão.
Tudo muito bom, tudo muito bem. Estaria pacificada politicamente a cidade, após a eleição de segundo turno a prefeito mais disputada da sua história. E de um primeiro turno em que Rodrigo gravou e veiculou nas redes socias um vídeo com ataques pessoais abaixo da linha da cintura contra Wladimir. O que custou ao primeiro a censura do seu padrinho na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o presidente André Ceciliano (PT).
Mas vai daí que, na noite de segunda (14), mudou a pedida dos Bacellar. Eles agora queriam a 1ª vice-presidência da Câmara, mais a 2ª secretaria da Mesa. Quem conhece o Legislativo campista, sabe que o cargo de 1º secretário tem mais relevância efetiva na condução dos seus trabalhos do que a 1ª vice. Por que, então, a inversão na pedida no acordo? Elementar, caro leitor!
Caso a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) por fake news na campanha chegue à inelegibilidade por oito anos contra Wladimir e seu vice, o empresário Frederico Paes (MDB), como foi pedido pelo Ministério Público Eleitoral, assumiria a Prefeitura o presidente da Câmara Municipal. E esta seria assumida por quem? Ele mesmo! Seu primeiro vice-presidente.
Assim, nesta mera conjectura, os Bacellar poderiam tentar emparedar o prefeito dos Garotinho. Como o ex-vereador Marcos Bacellar (SD), pai de Rodrigo e combativo chefe do clã, fez quando presidiu a Câmara e o prefeito era Alexandre Mocaiber (hoje, sem partido). Boa pessoa, seu temperamento dócil arruinaria seu governo, a despeito de legados importantes como a Estrada dos Ceramistas, a ponte Alair Ferreira e parte da avenida Arthur Bernardes.
Fábio Ribeiro tem temperamento bem distinto de Mocaiber. Ainda assim, se governasse com os Bacellar de volta ao comando da Câmara, teria uma enorme pedra no sapato. Se isso hoje não passa de mera conjectura, foi por um mero detalhe técnico, a desincompatibilização fora do prazo de Frederico da direção do Hospital Plantadores de Cana (HPC), que Rodrigo levou a decisão das urnas de Campos ao “terceiro turno” do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Que, nos dois turnos a prefeito, havia contabilizado os votos de Wladimir como sub judice.
Com um olho nas possibilidades do futuro e o outro nos exemplos do passado, os Garotinho negaram no presente a 1ª vice-presidência da Câmara aos Bacellar. Que escolheram o mensageiro mais indicado, seu vereador Helinho Nahim (PTC), primo e amigo de Wladimir, para levar a este uma nova proposta na quarta (16). A pedida não eram mais dois cargos na Mesa Diretora, mas apenas um. Ganha um pote e chuvisco, em calda ou cristalizado, quem disser: a 1ª vice. A fixação no alvo explicitou ainda mais a intenção. E gerou outro não.
Na noite de quinta (17), com a possibilidade de perder os seis vereadores dos Bacellar, os Garotinho reuniram, além dos nove edis que elegeram, outros cinco: Pastor Anderson (Republicanos), Bruno Vianna (PSL), Bruno Pezão (PL), Raphael Thuin (PTB) e o atual presidente da Câmara, Fred Machado (Cidadania). Para definir o próximo, todos se reuniram na tradicional foto em torno de Fábio Ribeiro. Ela só não foi divulgada porque outro vereador esperado, Nildo Cardoso (PSL), não esteve presente.
Enquanto os Garotinho “namoram” outros edis para fechar a conta da Mesa Diretora, sem precisar rachá-la com os Bacellar, estes, que nunca desistem de uma luta antes do fim, têm em Abdu Neme (Avante) seu principal arauto para tentar diminuir a diferença desfavorável. E os alvos, além do Nildo ausente na quinta, são os lá presentes Bruno Pezão e Fred Machado. Este, porém, a despeito do histórico antigarotista, é um político raro, daqueles que não rompem a palavra empenhada.
O ex-deputado federal Paulo Feijó cunhou uma frase que se tornou bordão: “Na política de Campos, só falta boi voar”. Caso nenhum bovino alce voo na planície, Fábio Ribeiro será o presidente da Câmara Municipal. E deve ter como 1º vice-presidente Juninho Virgílio (Pros). Thiago Rangel (Pros) diz também querer o cargo, mas deve se contentar com o Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT). Mais do que de Wladimir, Fábio e Juninho são nomes do pai do prefeito eleito, o ex-governador Anthony Garotinho (sem partido).
De qualquer maneira, como se tratam dos Bacellar do outro lado, cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém. E é sempre bom lembrar que, antes de ser deputado federal por cinco mandatos e cunhar sua frase mais famosa, Feijó derrotou um Garotinho no auge. Foi em 1993, em seu único mandato de vereador, quando o então tucano surpreendeu a todos ao se eleger presidente da Câmara de Campos. E causou problemas ao governo do então prefeito Sérgio Mendes (hoje, Cidadania), um dos tantos garotistas depois feito opositor.
Aglomeração no Boulevard Francisco de Paula Carneiro, na manhã de hoje, cujos reflexos na explosão de casos de Covid aparecerão daqui a 15 dias, em uma cidade cujo sistema de saúde já começa a dar sinais de colapso pela pandemia (Foto: Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)
“O lockdown em Campos (por conta do agravamento da pandemia da Covid) tinha que ser decretado agora. E sem besteiras como lockdown parcial. Até semanticamente, lockdown (“confinamento”) parcial não cabe. Lockdown, ele existe ou não. Eu penso que o prefeito Rafael Diniz (Cidadania) deveria ter a determinação de implementar essa medida radical agora. Porque nós estamos em Campos com uma situação que nós não tivemos em abril, maio, junho: pessoas sentadas em poltronas, com falta de ar, esperando vaga. Só ontem (17), na rede privada e pública, foram em torno de 14 pacientes de Covid esperando vaga. Então está se tentando, inclusive para se atender a demanda judicial (confira aqui), a abertura de mais 20 ou 30 leitos. Já foram feitos contratos para o município receber monitores ou respiradores e já tem dois, talvez três hospitais, que possam disponibilizar esses 30 leitos. Até fevereiro, nós vamos ter tempos duros e difíceis, como o Rodrigo Carneiro mencionou”. Foi o que afirmou ao blog o médico Geraldo Venâncio, secretário de Saúde confirmado (confira aqui) pelo governo eleito Wladimir Garotinho (PSD). Geraldo comentou o alerta feito ontem (confira aqui) no programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, o médico infectologista Rodrigo Carneiro:
Médicos Geraldo Venâncio, Rodrigo Carneiro, Nélio Artiles, Cléber Glória e Paulo Hirano cobram o isolamento social em Campos (Montagem: Eliabe de Souza,o Cássio Jr.)
— Janeiro será o pior mês da pandemia em Campos e no país. A gente vai ter o Natal, o Réveillon, as festas de final de ano. Se não houver o distanciamento, a tendência é que essa aceleração de casos se mantenha por mais um mês, 40 dias. Provavelmente vai ser pior do que foi no meio deste ano. Voltamos a ter 900 mortes por dia de Covid no país. Em Campos, estão morrendo três, quatro pessoas todo dia, há vários dias. Os números estão aí para quem quiser ver. Essa medida, por exemplo, da Prefeitura, de abrir as lojas abertas 24 horas (confira aqui) para tentar diluir o movimento, a gente sabe o que vai acontecer. O pessoal não vai querer ir para a loja de noite, de madrugada; as pessoas vão se aglomerar no horário comercial. E a gente teve o exemplo claro nas eleições. A gente corre o risco de ter uma nova exposição em massa de pessoas e, com isso, teremos o retardamento da queda do número de casos. E aí, milhares e milhares de vidas humanas serão perdidas — alertou ontem Rodrigo, na rádio mais ouvida de Campos. Hoje, 24 horas depois, a aglomeração intensa de pessoas no Boulevard, para as compras de Natal, foi registrada (confira aqui) pela reportagem da Folha da Manhã. E tem se repetido diariamente.
O alerta do médico infectologista no Folha no Ar não contou só com o endosso do secretário municipal de Saúde que assume em 1º de janeiro. Vários colegas de ambos na área médica de Campos também são da mesma opinião:
— Concordo com Rodrigo que em duas semanas não haverá mudanças no comportamento e conduta das pessoas, não só em Campos, mas em todo país. As taxas estão em crescente e a tendência é de crescimento, sim, principalmente considerando as perspectivas de aglomerações de fim do ano. Sinto falta neste momento de maiores ações da gestão pública tanto nas ações de restrições, como campanhas de prevenção. Sendo assim, cabe a nós profissionais de saúde e da imprensa tentar uma maior conscientização da população — convocou Nélio Artiles, também médico infectologista.
— Estamos dentro de um ônibus correndo contra uma parede de concreto. E o nosso último motorista simplesmente pulou do ônibus. Estamos exaustos, estou sendo bem sincero. A situação da saúde do município, pública ou privada, está no limite. O nível de esgotamento está elevadíssimo. A população não coopera, mas cobra tudo de todos os profissionais de saúde de uma forma desmedida. As instituições realmente estão no limite. Tenho conversando com outros diretores de hospitais e todos estão sendo unânimes: não sei por quanto tempo vamos aguentar tudo isso. Irresponsabilidade de governantes, preços abusivos de medicação, insensibilidade da população. Até quando? — questionou Cléber Glória, diretor-clínico da Santa Casa de Misericórdia de Campos.
— Eu assino embaixo de tudo que o Rodrigo falou na entrevista à Folha. A previsão é realmente de termos um aumento expressivo no número de casos de Covid no início do ano, por contas das festas de Natal e Réveillon. Se hoje as pessoas já estão como estão, sem respeitar o distanciamento social, não usando máscara, o pior é que essas coisas agora vão acontecer dentro das famílias. Nas reuniões familiares, se tiver um, será todo mundo contaminado. Então, a previsão é de uma explosão de casos em janeiro no país inteiro, e aqui, em Campos, não vai ser diferente. A gente está sempre um pouco atrás do que acontece lá fora, com a Europa fechando tudo por conta da contaminação em massa. E, aqui, a gente vai chegar nisso. A única saída é a vacina. Eu só acho que deveria ter uma comunicação mais forte, incisiva, em relação à conscientização da população dessa responsabilidade consigo mesma e com o próximo. É simples, são três coisas: ter o distanciamento social, usar as máscaras e higienizar as mãos. É isso que as pessoas têm que fazer até chegar a vacina. E mesmo depois que começar a vacinação, vamos ter que continuar durante um bom período com o distanciamento. Isso é inevitável — decretou o médico Paulo Hirano, subsecretário de Saúde do governo eleito de Campos.
CONTRADITÓRIO
Médica infectologista e chefe em Vigilância em Saúde do governo Rafael, Andreya Moreira ontem respondeu à cobrança do colega Rodrigo Carneiro. Que cobrou a adoção imediata do lockdown em Campos para tentar conter o avanço da pandemia em uma cidade cujo sistema de saúde começa a colapsar:
Andreya Moreira, chefe da Vigilância em Saúde do governo Rafael
— Ninguém lavou as mãos. Temos um trabalho muito sério. Todos os epidemiologistas e infectologistas estão tendo a mesma visão em relação às festas do fim de ano. O cenário é drástico. Medidas restritivas estão sendo feitas, ampliação do comércio para evitar aglomeração é importante nesta época do ano. E sabemos que medidas extremas de fechamento geram graves consequências. Precisamos da conscientização da população, que está sendo bem difícil, com ou sem lockdown. A decisão não foi política. Estamos orientando sobre a necessidade de distanciamento nas reuniões de Natal e Ano Novo para diminuir a circulação viral. A Fiocruz lançou um material sobre isso, que estamos utilizando para orientação. E a questão da vacinação não tem segredo. Temos um dos melhores programas de imunização do mundo, com uma boa estratégia, equipe capacitada e locais apropriados. É só a vacina chegar. Nosso ritmo tem sido muito intenso. Precisamos conviver com o vírus. Trabalho com o Rodrigo Carneiro. Concordo que não é um problema que acabará com a chegada da vacina. Levará um tempo para imunizarmos todos os grupos — disse Andreya.
Médico infectologista Rodrigo Carneiro projetou “janeiro negro” da Covid em Campos, na região e no Brasil
“Todo dia, caem no Brasil quatro aviões cheios (de passageiros, com os mortos diários pela Covid-19 no país). E a população continua na fila para embarcar. Eu entendo perfeitamente a realidade econômica que motiva as flexibilizações (do isolamento social). A alternativa seria, primeiro, nós termos o registro emergencial das vacinas que já estão disponíveis e adquirir essas vacinas. A que é mais fácil é a que já é produzida em solo nacional, que é a Coronavac (em parceria com o instituto Butantan, em São Paulo). E elas devem começar a ser aplicadas imediatamente, de preferência antes do final do ano. Se você já tem o Reino Unido aplicando, os EUA aplicando, por que o Brasil não pode começar a aplicar? Por que esperar 25 de janeiro? O que alguns epidemiologistas colocam é que o janeiro vai ser negro se continuar assim; o janeiro será o pior mês da pandemia”. O alerta foi dado no início da manhã pelo médico infectologista Rodrigo Carneiro, no programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3.
CONSEQUÊNCIAS DO NATAL E RÉVEILLON
O especialista também explicou porque os casos de Covid devem aumentar no Brasil:
— A projeção não é boa. A gente vai ter o Natal, o Réveillon, as festas de final de ano. Se não houver o distanciamento, a tendência é que essa aceleração de casos se mantenha por mais um mês, 40 dias. Provavelmente vai ser pior do que foi no meio deste ano porque a estrutura hospitalar que nós tínhamos, o Brasil e a região não têm mais, o número de leitos (para Covid) foi reduzido. Após o Natal e o Réveillon, o número de casos vai acelerar ainda mais. Nós podemos ter, então, grande parte da população doente e, o pior, aumentar o número de óbitos. Comemorem o seu Natal, o seu Ano Novo, basicamente com a sua família, que não passe de quatro, cinco, seis pessoas. Porque se houver aglomeração, já está demonstrado: vai aumentar o número de casos. Quando a gente conseguiu fazer um distanciamento razoável, a gente já viu a diminuição do número de casos que houve, no país e na cidade. E quando a gente parou com isso, principalmente por causa das campanhaz eleitorais, os casos voltaram a subir.
PROJEÇÃO DE 237 MIL MORTOS PELA COVID NO BRASIL
O médico infectologista também explicou que, até que a vacinação comece e possa fazer algum efeito real, o número de óbitos pela doença no país, que hoje ultrapassa os 181 mil, deve chegar a 237 mil:
— Quem vai vacinar primeiro é o Estado de São Paulo (que fez a parceria com a Coronavac, chamada pelos bolsonaristas de “vacina chinesa”). A previsão é 25 de janeiro, daqui a pouco mais de um mês. Até que a gente possa imunizar, na melhor das hipóteses, uma quantidade razoável de pessoas, vamos colocar mais 60 dias. E aí a gente tenta fazer uma mediana do número de óbitos. Hoje estamos tendo entre 850 a 900 por dia, provavelmente vai subir para mil, mil e poucos óbitos (diários no Brasil), para depois voltar a cair. Com 800 óbitos/dia, por 60 dias, se tudo ocorrer muito bem com a vacinação, a gente chega a esse número. Agora, a gente falar: “Ah, 237 mil óbitos!”. A gente já está com mais de 180 mil, que nós conversávamos em abril. E ficava todo mundo: “Meu Deus, 180 mil óbitos!”. E a gente hoje já passou.
VACINAÇÃO COM NOVAS MEDIDAS DE ISOLAMENTO
Rodrigo Carneiro também explicou porque, para tentar minimizar esse genocídio da população brasileira, as medidas de isolamento terão que ser adotadas mesmo depois de iniciada a vacinação:
— Vai ser necessário continuar com as medidas de isolamento mesmo após o início da vacinação. Você imagina um absurdo de eficiência, em que a gente conseguisse vacinar 2 milhões de pessoas por dia. Isso estatisticamente não representa muita coisa. A gente vai levar 20 dias para vacinar 40 milhões de pessoas, e nestes 20 dias o vírus continuará circulando, até porque a vacina leva de duas a três semanas para estimular a produção de anticorpos. A gente, além de tentar que encurtar a vacinação, vai ter que ter rigor com as medidas de distanciamento, no mínimo por mais dois, três meses. Isso para que a gente consiga frear essa subida e não tenhamos um número de casos tão grande. A gente já tem uma quantidade de casos bastante parecida com que a gente tinha no meio do ano, mas com menos leitos, e nós estamos ainda em aceleração. Por isso os epidemiologistas apontam que nós teremos em janeiro o pior mês da pandemia no Brasil.
COMPROMISSO DE WLADIMIR COM COMPRA DE VACINAS
Na questão local do combate à Covid, o especialista também analisou o anúncio feito ontem (confira aqui) pelo prefeito eleito Wladimir Garotinho (PSD), em resposta (confira aqui) à cobrança da Folha, de se comprometer com a compra de vacinas para o município. E criticou o atual governo, do prefeito Rafael Diniz (Cidadania), por não ter feito o mesmo antes e por conta própria:
— Voltamos a ter 900 mortes por dia de Covid no país. Em Campos, estão morrendo três, quatro pessoas todo dia, há vários dias. Os números estão aí para quem quiser ver. Com relação à vacina (para Campos), antes tarde do que nunca. Já era para a gente ter uma previsão de compra da vacina, de preferência antes do governo atual acabar, para a gente já entrar no próximo governo com essa intenção de compra. Eu espero que no dia 2 de janeiro, o prefeito já esteja com isso tudo pronto para assinar o contrato de compra e que, o mais rápido possível, a vacina chegue. Se a gente for depender do Governo Federal, do ministério da Saúde, do Governo do Estado, a gente só vai vacinar lá para fevereiro, março. Campos foi abandonada pelo Governo Estadual, a Prefeitura teve que se virar sozinha. A gente tem que vacinar e tem que fazer o isolamento.
GOVERNO RAFAEL LAVOU AS MÃOS?
Sobre essa necessidade do isolamento social, apesar do bom papel no começo da pandemia, quando inaugurou em 30 de março (relembre aqui) o Centro de Controle e Combate ao Cororavírus (CCC) de Campos e decretou o lockdown da cidade em maio (relembre aqui), o governo Rafael, segundo o médico infectologista, teria “lavado as mãos”:
— Essa medida, por exemplo, da Prefeitura, de abrir as lojas abertas 24h (confira aqui) para tentar diluir o movimento, a gente sabe o que vai acontecer. O pessoal não vai querer ir para a loja de noite, de madrugada; as pessoas vão se aglomerar no horário comercial. Então, a única coisa que a gente pode pedir é que a população se conscientize. Se não vai piorar. E a gente teve o exemplo claro nas eleições. A gente corre o risco de ter uma nova exposição em massa de pessoas e, com isso, teremos o retardamento da queda do número de casos. E aí, milhares e milhares de vidas humanas serão perdidas. A impressão que eu tenho é: a Prefeitura de Campos lavou as mãos. “Eu vou fazer essa medida, eu agrado aos lojistas e eu empurro a batata quente para a população”. Foi isso que a Prefeitura fez. Eu entendo, mas discordo. O fato é: a Prefeitura cedeu mais do que deveria aos interesses econômicos. Se o prefeito saindo, no apagar das luzes, ele tomasse uma medida mais impopular, que é fase Vermelha, lockdown, que é o que a gente necessita, acho que ele interpreta talvez como a pá de cal na sua carreira política. A história vai julgar. Nós, campistas, daqui a alguns anos, poderemos julgar se foi o correto ou não. Eu tenho certeza que a área técnica dele falou que o correto é retroagir, fazer o isolamento social.
CHEFE DA VIGILÂNCIA EM SAÚDE: “NINGUÉM LAVOU AS MÃOS”
À noite, informada pelo blog da matéria feita da entrevista ao Folha no Ar pela manhã com Rodrigo Carneiro, sua colega médica infectologista e chefe da Vigilância em Saúde do governo Rafael, Andreya Moreira se manifestou. Ela garantiu que ninguém na atual gestão “lavou as mãos” no combate à pandemia da Covid em Campos, que comanda desde o primeiro momento. E que a decisão de não adotar o lockdown no município “não foi política”. No entanto, a infectologista confirmou o “cenário drástico” previsto para janeiro em consequência das festas de final de ano:
Andreya Moreira, chefe da Vigilância em Saúde do governo Rafael
— Ninguém lavou as mãos. Temos um trabalho muito sério (que Rodrigo endossou e elogiou em sua entrevista). Todos os epidemiologistas e infectologistas estão tendo a mesma visão em relação às festas do fim de ano. O cenário é drástico. Medidas restritivas estão sendo feitas, ampliação do comércio para evitar aglomeração é importante nesta época do ano. E sabemos que medidas extremas de fechamento geram graves consequências. Precisamos da conscientização da população, que está sendo bem difícil, com ou sem lockdown. A decisão não foi política. Estamos orientando sobre a necessidade de distanciamento nas reuniões de Natal e Ano Novo para diminuir a circulação viral. A Fiocruz lançou um material sobre isso, que estamos utilizando para orientação. E a questão da vacinação não tem segredo. Temos um dos melhores programas de imunização do mundo, com uma boa estratégia, equipe capacitada e locais apropriados. É só a vacina chegar. Nosso ritmo tem sido muito intenso. Precisamos conviver com o vírus. Trabalho com o Rodrigo Carneiro. Concordo que não é um problema que acabará com a chegada da vacina. Levará um tempo para imunizarmos todos os grupos.
Confira abaixo nos vídeos os três blocos da entrevista do médico infectologista Rodrigo Carneiro ao Folha no Ar: