Como estava previamente planejado, farei um hiato do jornalismo nos próximos meses. Em jornal, rádio, TV, site e neste blog. Que só será quebrado em questões pontuais, como o 2º turno das eleições municipais brasileiras de 27 de outubro, onde eles ainda existirão, e a eleição a presidente dos EUA em 5 de novembro.
A cobertura eleitoral de 2024 começou ainda em 2023, na primeira pesquisa de março daquele ano (confira aqui) que apontava a reeleição de Wladimir Garotinho (PP) a prefeito de Campos em turno único. Que seria confirmada por todas as outras 12 pesquisas, na medição dos 18 meses seguintes, e pela urna.
Ainda em 2023, desde 3 de junho daquele ano foi adiantado (confira aqui) que o professor Jefferson de Azevedo seria o candidato do PT a prefeito de Campos. Assim como a impossibilidade da deputada estadual Carla Machado (PT) em ser candidata a prefeita na Campos de 2024, após já ter sido reeleita prefeita de São João da Barra em 2020.
Um ano depois, Carla tiraria o time de campo (confira aqui) em 26 de junho de 2024, poucos dias depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) barrar (confira aqui) em 18 de junho, por unanimidade, sua candidatura natimorta a prefeita de Campos. E, em 20 de julho, 13 meses após o anúncio da Folha, Jefferson foi homologado em convenção (confira aqui) candidato a prefeito de Campos pelo PT.
A partir de mais de 30 pesquisas, de 13 municípios do Norte e Noroeste Fluminense e Região dos Lagos, foi possível projetar (confira aqui e aqui), antes da urna de 6 de outubro, não só a reeleição de Wladimir no 1º turno de Campos, com o percentual de voto válido dos três primeiros colocados na corrida, mas de outros 9 prefeitos. Como a conquista da prefeitura pela oposição em outros 2 municípios.
Exatamente como antecipado, além de Wladimir no 1º turno de Campos, foram reeleitos os prefeitos Carla Caputi (União) em SJB, Welberth Rezende (Cidadania) em Macaé, Geane Vincler (União) em Cardoso Moreira, Léo Pelanca (PL) em Italva, Valmir Lessa (Cidadania) em Conceição de Macabu, Marcelo Magno (PL) em Arraial do Cabo e Fábio do Pastel (PL) em São Pedro da Aldeia.
Assim, como também antecipado antes da urna, a oposição elegeu Carlos Augusto Balthazar (PL) prefeito em Rio das Ostras e Dr. Serginho (PL) em Cabo Frio. Como as eleições duras projetadas a partir da incerteza das pesquisas (confira aqui e aqui) se confirmaram em São Francisco de Itabapoana e Quissamã, com as respectivas vitórias de Yara Cinthia (SD) e Marcelo Batista (União).
Antes da despedida e sempre com base na análise impessoal das pesquisas, há ainda a projeção (confira aqui) da reeleição do prefeito Ricardo Nunes (MDB) em São Paulo. Como a de uma eleição sem favoritos a presidente dos EUA, entre o ex Donald Trump e a atual vice, Kamala Harris, no sistema sempre mais complexo do colégio eleitoral. A ver.
Pelo já visto, não foi um trabalho ruim. Com uma média de acerto talvez nunca antes vista no jornalismo político do interior fluminense. Embora seja quase impossível, tentaremos melhorar na próxima. Sempre a partir da análise impessoal dos números e dos fatos. E na certeza: quem nega pesquisas para bradar o chavão “eleição é na urna”, quase sempre, vai chorar a dor de corno no quente da cama com a decisão soberana do voto.
Por fim, uma observação: uma oposição que se presta a bater boca com um boneco só pode ser encarada como piada. Isso posto, é pedir sua licença para me dedicar nos próximos meses, finalmente, a um projeto pessoal. E, nessa esfera, muito mais importante que qualquer eleição. Até meados do próximo ano, se Deus quiser, a gente se vê. Inté!
Ricardo Nunes, Guilherme Boulos, Tarcísio de Freitas e Lula (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
A despeito dos “especialistas” cometa, que só passam de 2 em 2 anos para opinar sobre eleição entre os antolhos da paixão e/ou interesse, eleição majoritária de dois turnos se dá entre dois eixos. No 1º turno, uma disputa de piso, definida pela intenção de voto. No 2º turno, uma disputa de teto, determinada pela rejeição.
Salvo algo muito fora da curva nos 14 dias que separam o eleitor das urnas do 2º turno, Ricardo Nunes (MDB) será reeleito prefeito de São Paulo em 27 de outubro. E não há nisso nenhuma expressão de desejo ou simpatia, apenas o reconhecimento objetivo do que os números de todas as pesquisas projetavam desde o 1º turno.
Guilherme Boulos (Psol), pelo perfil político e grande rejeição, é uma espécie de Marcelo Freixo (hoje, PT) de São Paulo. O paulista, bem verdade, conseguiu pelo menos ir ao 2º turno, a partir do racha da direita no 1º entre Nunes e Pablo Marçal (PRTB). Freixo, contra Cláudio Castro (PL) a governador do RJ em 2020, mesmo trocando o Psol pelo PSB na tentativa de diminuir sua rejeição, nem isso. A chance real de eleição de Boulos seria um 2º turno contra Marçal.
Isso posto, o fato: enquanto a esquerda brasileira não atuar com pragmatismo e matemática no lugar de maniqueísmo ideológico e oba-oba, enquanto não trocar o desejo masoquista de “resistência” pelo de vitória política, continuará abrindo veredas ao crescimento da direita no Brasil. Como se deu e se dá aos olhos de qualquer observador racional destas eleições municipais brasileiras.
A reeleição de Nunes, se confirmada, apontará o grande vencedor em São Paulo: o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Que bancou o prefeito e peitou Marçal, como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não teve coragem de fazer. Como, no caso da improvável eleição de Boulos, o vencedor político seria o presidente Lula (PT). Será semeadura para colher em 2026. A ver.
Francimara Barbosa Lemos foi fundamental para eleger Yara Cinthia prefeita de São Francisco, tanto quanto Fátima Pacheco a Marcelo Batista prefeito de Quissamã (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Como todas as pesquisas projetavam (confira aqui e aqui), as eleições a prefeito que a oposição queria vender como disputadas em Campos ocorreram, na verdade, nos municípios vizinhos de São Francisco de Itabapoana e Quissamã. As duas foram decididas na reta final por duas mulheres, as respectivas prefeitas Francimara Barbosa Lemos (SD) e Fátima Pacheco (União).
Nas duas últimas semanas antes da urna de domingo (6), projetando uma eleição voto a voto a partir das pesquisas e das ruas, Fátima arregaçou as mangas para fazer do vice-prefeito, Marcelo Batista (PP), seu sucessor como novo prefeito de Quissamã. Como Francimara fez para eleger a vereadora e ex-secretária de Educação Yara Cynthia (SD) como prefeita de SFI.
Com a ajuda de Francimara, Yara derrotou o ex-prefeito Pedrinho Cherene (União) por 15.312 votos a 13.681 (diferença de apenas 1.631 votos), ou por 49,64% a 44,35% dos válidos (diferença de 5,29 pontos). Com a ajuda de Fátima, Marcelo bateu o ex-prefeito Armando Carneiro (PL) por 8.256 votos a 7.921 (diferença de apenas 435 votos), ou por 51,02% a 48,36% dos válidos (diferença de 2,66 pontos).
Sem coincidências, nos números e nas circunstâncias, as vitórias de Marcelo em Quissamã e de Yara em SFI foram muito semelhantes. E só vieram graças à capacidade de mobilização na reta final, respectivamente, das prefeitas Fátima e Francimara. Com duas mulheres, o tão falado peso da máquina decidiu as duas disputas a prefeito mais acirradas da região.
Candidato mais votado a vereador em Campos pela frente que uniu seu PT, com PCdoB e PV nas eleições municipais brasileiras, o petroleiro Tezeu Bezerra divulgou ontem um vídeo em suas redes sociais. Ele rebateu as críticas que seu partido tem sofrido (confira aqui e aqui), até (confira aqui) dentro da própria esquerda, antes e depois das urnas do domingo (6). E também denunciou a prática do crime eleitoral de boca de urna na eleição.
Apesar de admitir que a legenda não cumpriu seu principal objetivo na eleição goitacá, que era reconquistar uma cadeira na Câmara Municipal, à qual Tezeu teve 2.181 votos, ele apresentou números para afirmar que “o PT (de Campos) saiu mais forte e bem maior do que na última eleição”. Segundo ele, o PT teve cerca de 4.500 votos a vereador em 2020, passando em 2024 a 7.700 votos.
Segundo as contas que Tezeu apresentou, fruto do balanço de uma reunião de quarta (9) do PT goitacá, teriam faltado à sua federação no domingo, dos 8.413 que teve na eleição proporcional, apenas 513 para alcançar 8.926. E atingir os 80% do quociente eleitoral para eleger um vereador.
Por fim, o petroleiro questionou: “a gente viu na cidade, de todos os outros dois grandes grupos (dos Garotinhos e dos Bacellar), dinheiro enorme ser derramado. Gostaria que fossem apresentados todos esses contratos (de contratação de pessoal para a campanha). Não consegui ver isso nas prestações de conta que estive olhando no Divulga (do TSE)”.
Tezeu foi além em seus questionamentos, inclusive, à própria Justiça Eleitoral: “A gente viu boca de urna na frente das escolas. Todo mundo sabe que isso acontece. E, aí, eu peço uma reflexão da própria Justiça Eleitoral. Que, para as próximas eleições, coloque a Polícia Federal. Para ficar ao redor dos colégios eleitorais para evitar abuso: pessoas comprando voto, fazendo boca de urna”.
Roberto Dutra, Fernando Sousa, Rosana Rodrigues, Geraldo Timóteo, David Maciel e Mauro Macedo Campos se reuniram para debater a retomada do projeto da Escola de Cinema da Uenf, idealizada pelo antropólogo Darcy Ribeiro na implantação da universidade em Campos, em 1993 (Foto: Divulgação)
A Escola de Cinema em Campos está mais perto da vida real. A ideia é retomar o projeto da Escola Brasileira de Cinema e Televisão (EBCTV), pensado pelo antropólogo Darcy Ribeiro na fundação da Uenf em 1993, mas depois abandonado. A atualização do projeto foi apresentada esta semana à reitora da Uenf, Rosana Rodrigues, pelo cineasta carioca Fernando Sousa.
Também participaram da reunião os professores da Uenf Roberto Dutra e Mauro Macedo Campos, ambos do Laboratório de Gestão de Políticas Públicas; Geraldo Timóteo, diretor do Centro de Ciências do Homem (CCH); e David Maciel, coordenador do curso de pós-graduação em sociologia política.
Além da atualização do projeto da Escola de Cinema, foram abordadas algumas ações à sua retomada, como a organização do Seminário de Cinema e Audiovisual do Norte e Noroeste Fluminense e a criação do Festival Internacional Goitacá de Cinema, previsto para agosto de 2025. Essa iniciativa é da produtora carioca Quiprocó Filmes, pensada como marco ao setor audiovisual no município.
Outra pauta abordada na reunião foi a possibilidade de a Uenf ofertar uma disciplina de “cinema e sociedade” já no primeiro semestre de 2025, em níveis de graduação e pós-graduação. Por fim, comentou-se sobre o início de uma interlocução com o sociólogo Juca Ferreira, ex-ministro da Cultura e atual assessor especial do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante.
— Em 16 de agosto, quando se comemorou o 31º aniversário da Uenf, lançamos o curta-metragem “Campos é uma cidade de cinema”, com narração do ator campista Tonico Pereira. Aquele curta foi o embrião para recuperarmos a relação histórica do Norte Fluminense com o cinema brasileiro, encabeçando outras ações voltadas a esse objetivo. Agora, na reunião com a reitora, demos mais um importante passo para que o projeto possa ser colocado em prática — disse Fernando, cineasta, sócio da produtora Quiprocó Filmes e doutorando em sociologia política na Uenf.
Em entrevista ao programa Folha no Ar, em 9 de agosto, a reitora da Uenf disse (confira aqui) sobre a ideia de retomar a Escola de Cinema:
— Uma das minhas intenções é cravar uma bandeira na Escola de Cinema da universidade. A gente acompanhou a história dela lá atrás e sabe que o modelo hoje de docência na Uenf não guarda muita relação com o que a gente tem na formação de recursos humanos na área de Cinema e de Comunicação de um modo geral. Mas entendo que a gente precisa fazer um movimento concreto e definitivo na direção de termos, sim, uma Escola de Cinema na universidade — disse Rosana à Folha FM 98,3.
Nos últimos meses, a Uenf demonstrou maior atenção ao assunto cinema. Em junho, por exemplo, a Casa de Cultura Villa Maria sediou a exibição do documentário “Rio, Negro” (2023), de Fernando Sousa e Gabriel Barbosa, seguida por um debate sobre a proposta de criação do curso de cinema. A partir de indicação de Fernando, a atriz campista Zezé Motta será a primeira pessoa a receber o título de doutora honoris causa da Uenf.
Nos áureos tempos do cinema em Campos, a cidade chegou a ter quase 70 salas para exibições de filmes. Atualmente, conta com apenas três cinemas, todos em shoppings, além de alguns cineclubes, entre eles o Cine Darcy, realizado pela Uenf.
Em relação à produção cinematográfica, a planície goitacá foi palco de gravações de novelas, como “Escrava Isaura” (1976), de Walcyr Carrasco; e filmes, como “Ganga Zumba” (1963) e “Xica da Silva” (1963), de Cacá Dieguez. Produções locais também foram promovidas, com destaque aos filmes “Sobre o domínio da fé” (1995), de Maria Helena Gomes; “Forró em Cambahyba” (2013), de Vitor Menezes; e “Faroeste Cabrunco” (2022), de Victor van Ralse.
Com a assessoria do projeto “Campos é uma cidade de cinema”.
Danilo Barreto em entrevista ao Folha no Ar do último dia 3 de setembro, como único candidato da oposição a prefeito em São João da Barra (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)
Único candidato a prefeito de oposição em São João da Barra, o jovem administrador público Danilo Barreto (Novo) teve uma vitória política nas urnas de domingo, a despeito da sua previsível derrota eleitoral. Com 7.351 votos, ele teve 22,24% dos válidos na urna de 6 de outubro. O que é mais que o dobro dos 9,2% de intenção que a pesquisa Factum, registrada no TSE, lhe atribuiu em 11 de setembro.
Por outro lado, a reeleição da prefeita Carla Caputi (União) com 25.695 votos, ou 77,76% dos válidos, foi a maior da história de SJB. Com a qual superou os 69,72% da sua aliada, a deputada estadual Carla Machado (PT), quando esta se reelegeu prefeita do município em 2020. No entanto, foi menos do que os 81,9% que a pesquisa Factum projetou a Caputi em setembro.
Com mais que 2 entre cada 10 eleitores do município, Danilo ocupou um espaço importante na oposição de SJB. Que foi deixado vago com a morte do combativo vereador Franquis Arêas em 2023. Como, entre os vivos, pela hesitação do secretário estadual (e deputado estadual licenciado) de Habitação Bruno Dauaire (União) e a composição do vereador Elísio (SD), que se aliou a Caputi para assegurar sua reeleição.
Com a votação que obteve, bem acima do esperado, Danilo sai da urna de domingo cacifado. Talvez para disputar uma vaga de deputado estadual em 2026. E, a ver, pela Prefeitura de SJB em 2028, contra uma Carla Machado que viu a aliada Caputi se reeleger no domingo. Mas acabou derrotada em seus apoios a prefeito em Campos e São Francisco de Itabapoana.
Pelo que já fez, Danilo sai marcado de 2024 por ter provado à oposição sanjoanense que, em política, também é necessário ter coragem.
Atualização às 18h01: Em comentário no Instagram, o ex-deputado federal Caio Vianna (MDB), que chegou a cogitar se lançar a prefeito em SJB neste ano, elogiou (confira aqui) a performance eleitoral de Danilo no domingo. E projetou:
— Danilo Barreto campeão! Ganhou o respeito e admiração de muitos eleitores e também na classe política. Será prefeito de São João da Barra em 2028.
No grupo de WhatsApp que este blog divide com o programa Folha no Ar, o vereador de oposição Helinho Nahim (SD) fez na manhã de hoje (9) alguns questionamentos à análise da eleição municipal de Campos do último domingo (6), publicada no início da madrugada desta quarta na coluna Ponto Final, da Folha da Manhã.
Helinho não conseguiu se reeleger entre os 6 novos vereadores da oposição, contra os 19 eleitos pelo governo. O que não muda em nada o respeito que suas opiniões merecem enquanto cidadão e homem público. Democraticamente, elas seguem abaixo:
Vereador Helinho Nahim no programa Folha no Ar (Foto: Folha da Manhã)
“O Rodrigo cometeu erros políticos, sim, mais por ter pensando em Campos quando ajudou a sua cidade, juntamente com o Governo do Estado. Porém, toda pessoa de caráter cometeria esse erro.
Erros do ponto de vista estratégico de campanhas, nem entro no mérito, pois opiniões divergem e concordo que possam ter sido cometidos.
Sempre elogiei o prefeito por ser bom pedindo verbas federais e estaduais. Isso, sim, é um mérito dele.
Agora, falar em derrame de dinheiro é, no mínimo, hilário. Se tem algo que Wladimir soube usar foi o nosso dinheiro para se reeleger, grande mérito dele.
Afinal, foram 20.000 mil pessoas recebendo o cheque cidadão, mais de 15.000.00 RPAs, não sei quantos mil DAS, além de um mar de ajuda aos seus candidatos.
Um governo que irá termina o ano com R$ 48 milhões em cheque cidadão, menos de R$ 2 milhões investidos no Fundecam e cerca de R$ 500 mil pra qualificação. Sem contar com as crianças que podem tirar qualquer nota que passam de ano na rede pública.
Em resumo, se isso é vitória que cega as pessoas da nossa cidade, tenho pena desse povo, continuando filas e mais filas para a realização de cirurgias, marcação de exames e atendimentos médicos com uma cidade 100% dependendo de royalties de petróleo. Que, quando acabar, sabemos o que acontece. Exemplo foi o governo passado. Mais uma vez, respeito quem pensa que isso é uma vitória!
Na minha humilde opinião (apenas, uma opinião), o prefeito Wladimir ter saído “cassifado” e o Rodrigo com problemas para 2026 é simples: Wladimir, além de ter uma boa eleição, tem alguns problemas bem significativos. Primeiro, não tem unanimidade nem no seu próprio partido para nenhum cargo de majoritário; segundo tem um sobrenome pesado com fama em todo o estado do RJ de escorpião; e terceiro, ao meu ver tem duas escolhas: ou será candidato a deputado federal ou manterá o seu mandato em 4 anos. Mas, o tempo irá dizer. Quanto ao prefeito Eduardo Paes não se pode negar a grande influência política que possui no estado igual (na minha opinião) ao presidente da Alerj que elegeu inúmeros prefeitos pelo estado, alguns vice-prefeitos e centenas de vereadores, além de ligação direta com o PL em alguns municípios.
Eu perdi uma eleição por cometer erros políticos e bater de frente com o sistema. Infelizmente, pautas como oncologia, qualificação, desenvolvimento e investimento aos nossos empreendedores não são prioridades nem para o governo. Que não executou os meus projetos nessas áreas e, também, nem pra boa parte da população.
Eu continuarei minha vida de empresário que sou há anos, realizando eventos em mais de 6 municípios. E, paralelo a isso, continuarei com o instituto do câncer em homenagem a minha mãe, ajudando as pessoas. Não sou o dono da verdade, mas essas são as minhas opiniões!”
Rifado no próprio partido, o Professor Jefferson foi o candidato do PT a prefeito. Ex-reitor do IFF, ele e seus apoiadores aprenderam o que a realidade leciona fora dos muros da escola. Atrás dos 100.427 votos (ou 36,86% dos válidos) de Lula em Campos no 2º turno presidencial de 2022, Jefferson fez o “L” em 2024. Mas teve só 13.222 votos, ou 4,75% dos válidos. O real objetivo do PT nessa eleição era voltar a ter uma cadeira na Câmara Municipal. Que também não foi alcançado. Enquanto o partido foi advertido por integrantes da própria esquerda local por funcionar como legenda de apoio à candidatura conservadora de Madeleine.
Natália e o dilema da esquerda
Como provou nas eleições a prefeita em 2020, a deputada federal em 2022 e a vereadora em 2024, embora não tenha se elegido em nenhuma, o grande nome da esquerda goitacá, hoje, é a professora Natália Soares (Psol). Ela teve no domingo 3.583 votos à Câmara Municipal, mais que os 6 últimos colocados entre os 25 eleitos. Mas esbarrou na sabida limitação de quociente eleitoral do Psol em federação com o Rede. Na qual todos os demais 16 candidatos a vereador, juntos, fizeram só 747 votos (quase 5 vezes a menos que Natália). Como o blogueiro Christiano Abreu Barbosa resumiu na segunda (8): “Esquerda se divide e fica sem vereador em Campos”.
Quem foi o grande vencedor da eleição municipal de Campos? Se não há dúvida ao afirmar que foi o prefeito Wladimir Garotinho (PP), reeleito no 1º turno com 19 dos 25 vereadores, parece também não haver dúvida para reconhecer o grande perdedor do pleito: o presidente da Alerj, deputado Rodrigo Bacellar (União). Isso foi exposto aos campistas na derrama de recursos, com bandeiras do 44 em todas as principais ruas do município. Nada muito diferente do que Anthony Garotinho (hoje, REP) fez em 2004 e 2006, quando Rosinha era governadora, pelo então candidato a prefeito do casal, Geraldo Pudim (hoje, PV e aliado dos Bacellar).
Vaidade desnecessária
Foram vários erros cometidos pela oposição liderada por Rodrigo, a despeito de suas virtudes para chegar tão rápido a presidente da Alerj. O primeiro foi colocar sua imagem pessoal, que não concorria a nada, em toda a propaganda não só da Delegada Madeleine (União) a prefeita, como dos candidatos a vereador. Num exercício de vaidade desnecessário. E desinteligente diante das pesquisas que apontavam a reeleição de Wladimir no 1º turno desde a GPP de março de 2023. Como foi a Iguape de julho daquele ano que sepultou, por baixa intenção de voto, a ideia do presidente da Câmara Municipal, Marquinho Bacellar (União), vir a prefeito.
Com Rodrigo x sem Garotinho
Como a terceirização da principal candidatura majoritária da oposição foi definida ainda em 2023, pela pouca chance de um Bacellar bater o prefeito, por que depois associar Rodrigo a Madeleine na propaganda de 2024? Sobretudo quando nenhuma das 7 pesquisas registradas no TSE neste ano eleitoral, incluindo a desaparecida Paraná de setembro, jamais deixou de apontar a vitória de Wladimir no 1º turno? A primeira decisão, pragmática, é oposta à vaidade da segunda. Ademais, pode ter gerado no eleitor a ideia que Madeleine, se eleita, seria só uma preposta de Rodrigo. Imagem que Wladimir conseguiu desfazer em relação ao pai.
Goleada de 19 a 6 e disputa da artilharia
A maior derrota dos Bacellar no domingo (6), porém, não veio do pleito a prefeito de Campos mais fácil de antever desde a reeleição de Rosinha ao cargo em 2012. Veio naquela que era considerada a especialidade dos presidentes da Alerj e da Câmara de Campos: a eleição legislativa. Onde os recursos de Rodrigo não impediram a goleada de Wladimir nos vereadores por 19 a 6. Com uma derrota particular: Marquinho não teve menos voto só que o governista Kassiano Tavares (PP), reeleito como edil mais votado. Ficou também atrás da jovem estreante Thamires Tavares (PMB). Cuja eleição deve ao pai, o deputado estadual Thiago Rangel (PMB).
Dinheiro x voto
Reeleito prefeito no 1º turno de 2024, em tendência confirmada por 13 pesquisas (incluindo três Quaest não registradas) em mais de 18 meses de medição antes da urna, Wladimir se cacifa a voos maiores em 2026. Assim como o prefeito Eduardo Paes (PSD), reeleito na cidade do Rio também em turno único e virtual candidato a governador do estado daqui a dois anos. Que é o objetivo também de Rodrigo. Se concretizado, a derrota acachapante na Campos de 2024 tem lições a ensinar. A principal? Dinheiro pode ter importância preponderante em eleição proporcional. Na majoritária, embora também influa, o fundamental é ter voto.
Virgem de 2º turno em Campos
Há outra lição. Que se tira da comparação da derrama de recursos nas eleições a prefeito de Campos em 2004 e 2006 (após a primeira ter sido anulada pela Justiça), ambas com os Garotinho no controle do Executivo estadual, e na de 2024 com os Bacellar no controle do Legislativo estadual. Embora tenha perdido duas eleições seguidas ao apostar em Pudim, fraco de voto, Garotinho conseguiu levar seu candidato ao 2º turno a prefeito. Com Bruno Calil (hoje, MDB) em 2020 e Madeleine em 2024, Rodrigo ainda não conseguiu levar um candidato seu além do 1º turno em Campos. Os Bacellar têm que aprender a disputar eleição majoritária.
Com a conclusão da apuração das urnas de domingo (6) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), todos esses 10 candidatos antecipados pela Folha foram eleitos prefeitos. No particular de Campos, além da reeleição de Wladimir em turno único, foi projetado que esta se daria entre 64% a 74% dos votos válidos. E ele teve 69,11%. Como foi projetado que a Delegada Madeleine (União) teria entre 17% e 27% dos votos válidos. E ela teve 24,22%. Como se projetou que o teto do Professor Jefferson (PT) seria de 7% dos votos válidos. E ele teve 4,75%.
Negadas, sonegadas, desaparecidas e até fraudadas (confira aqui e aqui) na eleição de Campos, as pesquisas eleitorais se confirmaram na urna da cidade e de outros 9 municípios do Norte e Noroeste Fluminense e Região dos Lagos. Enquanto quem apostou no chavão “a pesquisa que conta é a das ruas”, como quase sempre, chora desde ontem no quente da cama com o resultado da urna.
Promotor eleitoral de Campos, Fabiano Rangel Moreira fez um balanço do trabalho de fiscalização do Ministério Público Eleitoral (MPE) no processo eleitoral até a decisão soberana e secreta do eleitor na urna de hoje (6). A missão do MPE, segundo ele, “é manter a imparcialidade e garantir que sua atuação não seja indevidamente utilizada para perseguições políticas ou para provocar injustiças. Cabe à instituição zelar pelo equilíbrio do pleito, respeitando as disputas legítimas travadas entre as partes, sem que sua intervenção favoreça um lado em detrimento do outro. Essa ponderação deve ser feita cuidadosamente em cada caso, e, na maioria das vezes, baseia-se em situações semelhantes já analisadas pelos tribunais superiores, essencial à segurança e equilíbrio. Neste cenário, há muitas situações que consideramos ‘injustas’, mas não há o que ser feito”, lamentou o promotor. Que, entre as irregularidades combatidas, destacou: “a ampliação do uso de plataformas digitais e de reclamações relacionadas às fake news, que agora constituem uma parcela significativa das demandas processadas. Dentre as irregularidades mais graves, as denúncias envolvendo abuso no uso de recursos financeiros e candidaturas patrocinadas por organizações criminosas”.
Folha da Manhã — Qual avaliação pode fazer sobre o processo eleitoral até o momento?
Fabiano Rangel Moreira — O Ministério Público entende que o processo eleitoral vem se mantendo dentro da legalidade, sobretudo na verificação da propaganda eleitoral, no registro de candidaturas e na apuração de denúncias. No entanto, há uma série de questões novas, algumas de maior complexidade, como o uso inapropriado de meios tecnológicos, o interesse de organizações criminosas na ocupação de espaços políticos e situações não previstas em leis ou resoluções do TSE.
Folha — O que mais pesou no trabalho do MPE nas eleições deste ano em Campos e região?
Fabiano — A vasta extensão territorial de Campos, aliada à acirrada rivalidade política entre partidos e candidatos, configura um cenário particularmente desafiador. Um dos maiores obstáculos enfrentados pelo Ministério Público Eleitoral é manter a imparcialidade e garantir que sua atuação não seja indevidamente utilizada para perseguições políticas ou para provocar injustiças. Cabe à instituição zelar pelo equilíbrio do pleito, respeitando as disputas legítimas travadas entre as partes, sem que sua intervenção favoreça um lado em detrimento do outro. Essa ponderação deve ser feita cuidadosamente em cada caso, e, na maioria das vezes, baseia-se em situações semelhantes já analisadas pelos tribunais superiores, essencial à segurança e equilíbrio. Neste cenário, há muitas situações que consideramos “injustas”, mas não há o que ser feito. Um dos exemplos é a interpretação, por muitos considerada leniente, da Lei da Ficha Limpa. Além disso, o Ministério Público Eleitoral precisou enfrentar questões práticas de grande relevância, como a fiscalização em áreas de difícil acesso, situações de desvio ou não da máquina pública, o abuso de poder econômico e político nas mais diversas formas, a crescente utilização de mídias digitais e formas de materialização da prova, dentre outras.
Folha — O número de denúncias foi maior ou menor em comparação com a última eleição municipal? Destacaria as mais comuns e as mais graves?
Fabiano — Não temos dados ou sistema que contextualize denúncias entre eleições, sobretudo em razão de haver muitas disparidades entre as matérias. Foi possível perceber uma ampliação do uso de plataformas digitais e de reclamações relacionadas às fake news, que agora constituem uma parcela significativa das demandas processadas. Dentre as irregularidades mais graves, as denúncias envolvendo abuso no uso de recursos financeiros e candidaturas patrocinadas por organizações criminosas.
Folha — Houve muita fake news na campanha eleitoral? Qual a maneira mais eficaz de combatê-las?
Fabiano — A proliferação de fake news se destacou como uma das maiores preocupações neste período eleitoral, exigindo ações do Ministério Público, da Justiça Eleitoral e das plataformas digitais. A Resolução nº 23.610 do TSE oferece ferramentas para uma resposta rápida a conteúdos falsos, incluindo o direito de resposta e a remoção imediata de materiais fraudulentos. A parceria com empresas tecnológicas, como o grupo Meta (Facebook e Instagram), o papel proativo dos advogados eleitorais e a atuação integrada com a Polícia Federal são elementos cruciais no combate à desinformação, reforçando a transparência e a legitimidade do processo eleitoral.
Folha — Quais as principais irregularidades identificadas pelo MPE nas eleições de 2024 em Campos e região?
Fabiano — A maioria das irregularidades verificadas até o momento está relacionada ao uso indevido de recursos de campanha em propagandas digitais, sem a devida comunicação à Justiça Eleitoral. Muitos candidatos não declararam a intenção de utilizar redes sociais para fins eleitorais, mas realizam impulsionamentos pagos, o que viola as regras de transparência previstas na legislação eleitoral.
Folha — Na questão da cota de gênero houve muita diferença entre candidaturas femininas e masculinas?
Fabiano — A cota de gênero, que prevê a reserva mínima de 30% das candidaturas para mulheres, tem sido fiscalizada rigorosamente pelo MPE. Contudo, ainda persiste uma clara disparidade na participação feminina, com indícios de candidaturas laranjas sendo investigadas.
Folha — A fiscalização da lei eleitoral se destaca da cível e da criminal pela celeridade das ações. Como conjugar celeridade com eficiência e capacidade de resolução?
Fabiano — A celeridade da Justiça Eleitoral é assegurada por procedimentos próprios que agilizam a tramitação de ações, como as representações eleitorais e as ações de investigação judicial eleitoral. O uso de sistemas eletrônicos, aliados à estrutura híbrida do Ministério Público, permite uma atuação rápida e eficiente, sem que isso comprometa a qualidade. Isso não impede que haja interpretações divergentes, como em todas as demais esferas processuais.
Folha — Qual sua expectativa do processo eleitoral até as urnas de 6 de outubro?
Fabiano — A expectativa é que, com o fortalecimento das ações de fiscalização e a cooperação com entidades de monitoramento digital, o processo eleitoral se desenvolva de forma mais transparente e com menor interferência de práticas ilícitas. Prevemos um aumento nas denúncias, principalmente relacionadas à propaganda irregular e ao abuso de poder econômico. A principal dificuldade enfrentada pelo MPE é a análise de denúncias anônimas, muitas vezes sem fundamentação jurídica suficiente, o que dificulta as investigações da Polícia Federal, da equipe de fiscalização e do grupo de agentes policiais que auxilia os promotores. Nosso objetivo é garantir que o processo eleitoral seja justo, seguro aos eleitores e transparente, assegurando que o eleitor tenha plena liberdade para votar de forma livre.
Folha — Qual o papel do MPE no exercício e manutenção da democracia através do voto popular?
Fabiano — O Ministério Público Eleitoral desempenha um papel essencial na preservação da democracia, assegurando a legalidade e a integridade do processo eleitoral. Desde a fiscalização das candidaturas até o combate à corrupção eleitoral, o MPE atua em todas as fases, garantindo que o voto seja exercido de forma livre e consciente. A independência do Ministério Público e a imparcialidade da magistratura são fundamentais para resguardar o voto, para que o processo eleitoral continue se desenvolvendo em conformidade com os princípios democráticos.
George Gomes Coutinho, cientista político, sociólogo e professor da UFF-Campos
Eleições 2024, a questão democrática e Campos
Por George Gomes Coutinho
O ano de 2024 foi aguardado com indisfarçável ansiedade por politólogos de todo mundo. De janeiro até o presente ocorreram inúmeras eleições em diferentes continentes e países, em níveis variados (eleições locais, regionais, nacionais, transnacionais) e tipos (plebiscitos, eleições majoritárias, proporcionais, por vezes tudo ao mesmo tempo).
De maneira geral o que une tantas eleições em diferentes pontos do globo terrestre é o diagnóstico dos riscos para a democracia representativa. Nosso século trouxe a ressurgência dos movimentos de extrema-direita dotados da capacidade de atrair as massas. Além da sedução, também se mostraram bons de voto e vitoriosos, derivando em desastres como o Brexit ou gestões homicidas, vide o caso brasileiro na pandemia que ajudou a produzir o número de 700 mil concidadãos mortos sem direito a luto.
O abalo das instituições se dá, dentre outros vetores, pela imoderação destes líderes e de seus liderados, todos dotados de discursos e práticas que ferem de morte um princípio basilar das sociedades democráticas: o pluralismo, o que envolve o acordo tácito coletivo pela preservação e respeito da diversidade realmente existente de nossas populações. O objetivo dos extremistas é produzir uma homogeneidade artificial, imposta pelo uso de diferentes tipos de violência, onde só é “povo” quem é igual aos seus próprios pares. Uma sociedade das supostas “maiorias”, como vociferou Bolsonaro em dada ocasião. Restaria nesta distopia da extrema-direita uma única forma de professar a fé, amar, se relacionar e imaginar o mundo, tudo isso temperado com um patriotismo fajuto que se prostra diante do primeiro tirano estrangeiro que seja objeto de libido dessa gente.
Portanto, me unindo a outros colegas de continentes diversos, interpreto que estas eleições de 2024 são moduladas pelo antagonismo campo democrático versus extrema-direita. E no campo democrático há, por óbvio, espaço para esquerda e direita, o que explica os diferentes movimentos de frente ampla alhures. O que uniria democratas dos dois lados do espectro político? A defesa das regras do jogo e dos princípios morais, valorativos e civilizatórios de uma sociedade democrática.
As eleições municipais brasileiras, que tem seu primeiro turno hoje, estão imersas, de maneira mais ou menos explícita, nesta disputa entre autoritários de direita e democratas de ambos os lados do espectro político. São eleições fundamentais para antevermos a correlação de forças que irá dar o tom das nossas eleições de 2026.
Indo direto para Campos, é curioso que neste pleito de 2024 parte da esquerda nativa tenha se fixado em outro par de oposição, o velho e conhecido garotismo ou anti-garotismo. É um vício interpretativo que já produziu a aliança de setores politicamente conservadores com quadros partidários do petismo, em um vale tudo contra o “Senhor das Moscas”, tudo temperado com contradições programáticas e ideológicas constrangedoras. Vale dizer que este é um risco genético dos movimentos anti-garotismo. Afinal, o garotismo é filho do embate justamente com as oligarquias que dominaram a cidade por décadas até caírem podres na esteira dos movimentos de redemocratização dos anos 1980. Parte do petismo local, ao eleger como grande e eterno alvo a família Garotinho, só poderia ser arrastado pelas forças gravitacionais mais tradicionais locais.
O meu leitor petista que aposta na aliança de conservadores e “esquerda esclarecida” em uma luta de vida ou morte com os Garotinho, pode estar a pensar sobre qual a saída possível. Por enquanto sugiro que compreenda como os Garotinho se encontraram, mesmo que de forma insuficiente, com as demandas populares concretas locais. Para além de querer regrar os interesses desta camada da população, o caminho seria pelo diálogo franco e respeitoso com estes ofertando mais do que os Garotinho já foram capazes de fazer, algo ainda apenas esboçado nos melhores momentos da campanha do professor Jefferson de Azevedo. Até porque, vale pensar qual lugar era ocupado pelas demandas populares nos tempos de dominância política, administrativa e simbólica das oligarquias latifundiárias, o que ajuda a entendermos a persistência da popularidade da família Garotinho. Um projeto progressista local digno desse nome só pode partir dos Garotinho e ir adiante, superá-lo. Jamais ir ao ponto histórico-político anterior para buscar aliados de ontem ou de hoje.
E Wladimir? Tudo indica que será reeleito hoje, confirmando a tese da vantagem do incumbente cujo governo é bem avaliado. Fez um governo aprovado por amplos setores da população, onde entra aí o mérito político-administrativo individual do prefeito e o contraste com impopular governo Rafael Diniz. O segundo governo provavelmente manterá a configuração plural deste primeiro mandato, incluindo em seu estafe nomes de esquerda e da direita, desautorizando classificar Wladimir apressadamente como um “palhaço macabro”, termo utilizado por Caetano Veloso para classificar lideranças de extrema-direita. Contudo, nós, democratas, podemos sim ressaltar criticamente os sinais de “semilealdade” ao projeto democrático por parte do prefeito reeleito ao confraternizar com lideranças de extrema-direita, mesmo que sem muita convicção e sob desconfiança da direita local organizada. Então prefeito, de qual lado o senhor estará neste segundo mandato? Torço que aproveite a ocasião para reafirmar seu compromisso intransigente com a democracia.