Prefeito Wladimir Garotinho se reúne nesta quarta como o ministro das Cidades Jaber Barbalho Filho para resolver o problema da titularidade das casas das mais de 700 famílias de baixa renda que ocupam desde 2021 o conjunto habitacional Novo Horizonte (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
A titularidade das 772 casas do conjunto habitacional Novo Horizonte, no Parque Jardim Carioca, está mais perto das famílias de baixa renda que as ocuparam desde 2021, no meio da crise sanitária da pandemia da Covid 19. Nesta quarta (14), no Rio de Janeiro, o prefeito Wladimir Garotinho (PP) se reúne com o ministro das cidades, Jader Barbalho Filho (MDB), nesse sentido.
Através do projeto “Minha Casa, Minha Vida” — que, no governo Jair Bolsonaro (PL), virou o “Casa Verde e Amarela” —, o governo Lula 3 passará a titularidade dos imóveis ao município de Campos. Que, por sua vez, o repassará na sequência às famílias que os ocupam.
No seminário “Solução Fundiárias na Justiça Federal da 2ª Região”, realizado no Rio pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) no final de julho passado, o procurador-geral do município, Roberto Landes antecipou que o impasse estava próximo de resolução:
— A participação da procuradoria-geral mostra a importância do diálogo e da articulação do município, que têm marcado a atual gestão, preocupada em cultivar relações nas várias esferas de governo. Por meio da articulação do município com o ministério das Cidades, com a Caixa Econômica Federal e com o próprio Judiciário, conseguimos criar um ambiente favorável à conciliação entre todos os envolvidos. Estamos bem perto de equacionar esse problema, que é a ocupação irregular dessas famílias que hoje residem nesse empreendimento — disse o procurador de Campos, menos de um mês antes de Wladimir se reunir amanhã com o ministro Jader para resolver o problema.
Reitor do IFF, o professor Victor Saraiva é o convidado do Folha no Ar desta quarta (14), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará da sua trajetória, do campus Cabo Frio à reitoria do IFF (confira aqui e aqui) e dos seus primeiros meses no cargo.
Victor também falará da criação da pró-reitoria de Políticas Estudantis e do escritório de Projetos e Captação de Recursos, além dos demais projetos da sua administração até 2028. Por fim, com base nas pesquisas (confira aqui, aqui e aqui), ele tentará projetar as eleições a prefeito e vereador de Campos e São João da Barra em 6 de outubro, daqui a exatos 54 dias.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.
Flávio Bolsonaro e Wladimir, Ciro Nogueira e Wladimir (Fotos: Divulgação/montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Os senadores Flávio Bolsonaro (PL/RJ) e Ciro Nogueira (PP/PI) são esperados no lançamento da candidatura à reeleição do prefeito Wladimir Garotinho (PP), a partir das 19h desta segunda (19), na Multiplace. No dia 31, a convenção do PP goitacá homologou (confira aqui) a candidatura de Wladimir.
O apoio de Flávio à reeleição do prefeito de Campos já tinha sido anunciado em vídeo gravado e divulgado (confira aqui) em 21 de fevereiro. Presidente nacional do PP, partido de Wladimir, Ciro foi ministro-chefe da Casa Civil do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
As presenças do presidente estadual do MDB, Washington Reis, e do deputado federal Dr. Luizinho (PP/RJ) também já foram confirmadas no lançamento da candidatura à reeleição de Wladimir, dia 19.
“Não sou pivô de nenhum desentendimento entre meus pais (Anthony e Rosinha Garotinho) com meu irmão (Wladimir). Não posso dizer o motivo, não cabe a mim, mas posso garantir: não tem nada a ver com disputa de espaço entre meu pai e meu irmão no governo de Campos”. Foi o que garantiu ao blog Clarissa Garotinho (União), ex-deputada federal.
No último dia 2, a ex-governadora do Rio e ex-prefeita de Campos, Rosinha, publicou em seu perfil no Instagram:
— Já é bíblico que chegaria o tempo em que os filhos se voltariam contra seus pais. E que o amor esfriaria. Eu só não me preparei pra passar por isso dentro da minha família. Não adianta nos enaltecer em público, por interesses pessoais, se no secreto humilha, pisa, nos neutraliza como se fôssemos um fantoche. É muito difícil sentir esta dor que corrói o peito. Construímos uma vida para servir ao povo e assim vivemos. Não quero julgamentos se exponho minha família ou não. Minha vida é pública e não posso deixar que o público tenha uma percepção equivocada da vida pública que estamos passando. Um desabafo de uma mãe rejeitada, doída e sofrida por sentir tanta covardia.
Ao que Clarissa, então, comentou na postagem da mãe:
— É triste, mas te entendo. Infelizmente nem tudo pode ser escrito. Fica bem!
Prefeito de Campos candidato à reeleição, Wladimir (PP) não quis comentar à época a postagem de Rosinha.
Os primeiros acordes da campanha: Campos dos Goytacazes e o espetáculo eleitoral
Por Edmundo Siqueira
Campos dos Goytacazes, com suas ruas recapeadas, água barrenta e fuligem, se prepara para viver um novo e dúbio ciclo: de esperanças e desilusões. A cidade, que já foi o palco de tantas batalhas políticas, viverá, agora com candidatos já postos oficialmente, mais uma temporada de promessas, sorrisos forçados e apertos de mão calculados. Mas também é um genuíno e excelente momento de refletir sobre a cidade.
Vivemos um cenário eleitoral diferente há algum tempo. As redes sociais deram amplitude aos políticos, e se transformaram em um diário oficioso de quem pretende ocupar ou já ocupa cargos públicos. Ali falam aos seus eleitores, muitas vezes sem qualquer mediação, e recebem comentários de apoiadores e críticos a cada postagem. O que antes era feito de forma mais fria, agora é em tempo real e permite interação.
As primeiras movimentações nos bastidores em Campos, principalmente a partir do início das convenções, indicam que este será um processo eleitoral daqueles. Pacificação, rompimento, ofensas, relação conflituosa entre poderes, denuncismo e conflito de gerações políticas e exposição de atritos familiares. Não faltam elementos para fazer crer que a eleição não será ao som de música clássica, ou de um balé coreografado. Se mostra mais para uma roda punk.
Os marqueteiros — hoje também chamados de “adms” das páginas dos candidatos em rede social — verdadeiros alquimistas da imagem pública, já começam a moldar personagens que se encaixem no gosto popular – ora heróis, ora mártires, dependendo da ocasião. Ensaiam suas falas, revisitam slogans desgastados, e muitas vezes caem em velhas promessas. Outras, com palavras novas, esperando que a plateia acredite que agora vai ser diferente.
E, no meio disso tudo, o povo de Campos dos Goytacazes, como um espectador fiel e resiliente, assiste a mais uma temporada, a mais uma peça de um espetáculo democrático que por vezes exige paciência e uma dose de antiácido. Os candidatos, em seus lugares políticos, e com a coreografia bem ensaiada, vão dançar de acordo com a música.
Mas em Campos, nada é simples. Cada eleição é uma ópera barroca, cheia de reviravoltas, traições, ofensas e, claro, momentos de brilho e de confrontação benéfica de ideias. O primeiro ato já começou, e quem conhece a peça sabe que o enredo pode mudar a qualquer momento. Os aplausos, no entanto, ficam para depois, talvez para o fim, quando o último voto for contado, e o futuro, mais uma vez, estiver nas mãos de quem ainda acredita.
Mas, por trás desse teatro político, há uma realidade que não pode ser ignorada. A cidade, com suas desigualdades e problemas estruturais, espera mais do que promessas vazias. A histórica dependência do petróleo e outras questões de fundo, como transporte e infraestrutura, são latentes. E o eleitorado, embora acostumado com o ciclo eleitoral, espera mais de todos os candidatos e candidatas E é em conversas discretas entre vizinhos e amigos que o verdadeiro termômetro da eleição se revela.
Nesse espetáculo, o enredo nunca é linear. Há sempre uma surpresa à espreita, um momento inesperado que pode virar a maré. Afinal, por mais que tudo pareça repetido, por mais que o passado e a história imponham algumas questões, o futuro, aqui, ainda tem o poder de surpreender. Mas sempre lembrando a frase icônica de um velho político, o ex-vice-presidente do Brasil Marco Maciel: “tudo pode acontecer, inclusive nada”.
Wladimir Garotinho e Madeleine Dykeman (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
O poder das palavras
Quando desceu do palanque da convenção do União que a lançou candidata a prefeita de Campos, em 26 de julho, a delegada Madeleine Dykeman foi filmada dizendo “vai acontecer, porra”. Repetiu seu slogan de campanha e o pontuou com uma palavra que, se de baixo calão, dificilmente geraria questionamento se estivesse na boca de um candidato homem. Esse vídeo teria sido usado por grupos de WhatsApp da militância de Wladimir Garotinho (PP), chamando a adversária evangélica e conservadora de “boca suja”. E gerou resposta do inspetor de Polícia Civil Cristiano Dykeman, marido de Madeleine.
Mais palavras
Em status do WhatsApp, que sai do ar após 24 horas, Cristiano escreveu: “O problema não é xingar! O problema é roubar por anos um povo e ter os pais presos #vaiacontecer. Sua hora está chegando! Sivis pacem para bellum (‘se você quer paz, prepare-se para a guerra’)”. O que Wladimir entendeu como ameaça e representou (confira aqui) contra o policial no Ministério Público e na Corregedoria de Polícia Civil. Cristiano preferiu só falar do caso nas representações. Por sua vez, Madeleine postou ontem (9) no Instagram: “Não vai ser com intimidação que vão me calar. Honro minha família, não tenho medo de bandido e farei tudo para protegê-la”.
E as palavras saúde, transporte e educação?
A “guerra”, como definiu seu maior teórico moderno, o alemão Carl von Clausewitz, “é a política por outros meios”. Pode tanto ser entendida como metáfora ao enfretamento político natural de uma eleição, como por esses “outros meios”. Wladimir assim entendeu: “não vão transformar a política de Campos nesse vale tudo, não vão mesmo. Política não é lugar de intimidação e ameaça, nem a mim e nem a nenhum outro candidato”. Os ânimos estão acirrados, hoje, só a 57 dias das urnas de 6 de outubro. Para serená-los, dentro do que interessa ao eleitor, como saúde, transporte e educação, lamentável o tratamento mútuo entre “boca suja” e “bandido”.
Felipe Drumond, advogado criminalista
O que é uma ameaça?
Mas o que é, de fato, uma ameaça? O advogado criminalista Felipe Drumond definiu juridicamente à coluna: “O crime de ameaça se configura com a promessa a alguém, por palavras, escritos, gestos ou qualquer meio simbólico, de causar mal injusto e grave. O delito tem por objetivo proteger a tranquilidade e a paz de espírito de cada indivíduo. Para que ocorra o crime de ameaça não se exige que a promessa consista na prática de um crime, mas é preciso que se identifique a presença de menção a uma conduta que seja capaz de gerar dano à pessoa ameaçada ou a qualquer terceiro com quem tenha vínculos afetivos”.
Rodrigo Bacellar, Wladimir Garotinho e Thiago Rangel medirão seu tamanho eleitoral em Campos também pelas votações, respectivamente, de Marquinho Bacellar, Dudu Azevedo e Thamires Rangel à Câmara Municipal (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Marquinho, Dudu, Thamires, Anderson e Abdu?
Não há nenhuma pesquisa a vereador de Campos registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) à eleição de 6 de outubro. Mesmo se houvesse ou houver, pesquisas a eleição proporcional são sempre bem mais imprecisas que as de eleição majoritária, como a prefeito. Sem dado estatístico, o que se comenta nos bastidores, no entanto, é que algumas candidaturas a vereador estariam brigando, mais que pela eleição, pela maior votação à Câmara Municipal de Campos. A do seu atual presidente, Marquinho Bacellar (União), a de Dudu Azevedo (REP) e de Thamires Rangel (PMB). Além dos edis Abdu Neme (PL) e Anderson de Mattos (REP).
Disputa de caciques
Em seu 5º mandato de vereador, Abdu foi o mais votado ao cargo em 2020. Dublê de pastor e vereador, Anderson será o primeiro da Igreja Universal, que tem cadeira cativa na Câmara de Campos em rodízio desde 1992, a tentar bisar o mandato. Mas o primeiro é candidato de força individual, e o segundo de uma agremiação religiosa. É atrás dos outros três que está a grande disputa dos caciques eleitorais locais e seus grandes egos: Marquinho, do irmão e presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União); Dudu, do amigo e prefeito candidato à reeleição, Wladimir Garotinho (PP); e Thamires, do seu pai, o deputado estadual Thiago Rangel (PMB).
Surpresas, céu e terra
Pesquisas e bastidores à parte, toda a eleição a vereador de Campos costuma trazer surpresas. Às vezes, aqueles de quem se espera votações consagradoras não chegam nem a se eleger. Como, quase sempre, são eleitos nomes pelos quais ninguém dava muita coisa antes da apuração das urnas. Ademais, se todas as previsões dos partidos e federações a vereador se confirmassem, Campos teria que ter umas 100 cadeiras em sua Câmara, no lugar de 25. Mas é certo que Rodrigo, com Marquinho; Wladimir, com Dudu; e Thiago, com Thamires, moverão céus e terras para mostrar quem tem o maior cacife eleitoral. A ver.
Pesquisa com Carla e Thiago
A única pesquisa de Campos até aqui registrada (confira aqui) no TSE, da Prefab Future, foi a prefeito. Nela, Wladimir teve na consulta estimulada 53,7% de intenção de voto. E aprovação de governo de 70,5%. São números que indicam possibilidade de reeleição no 1º turno, como indicavam todas as pesquisas de 2023. O que, se confirmado na urna, pode trazer a reboque a maior bancada de vereadores. O problema é que essa última pesquisa é de 26 de abril, quando os deputados estaduais Carla Machado (PT) e Thiago ainda eram prefeitáveis. Carla teve 18,7% de intenção de voto na estimulada, com 2,5% de Thiago. Só que os dois desistiram da disputa.
Madeleine, Thuin e Jefferson
A delegada de Polícia Civil Madeleine Dykeman (União) teve 6,8% na consulta estimulada do final de abril. Sem Carla e com o apoio de Rodrigo, tudo indica que ela assumirá o 2º lugar da disputa, mesmo que à distância de Wladimir. Pesquisas internas, tanto dos Garotinhos, quanto dos Bacellar, indicam isso. Mas é preciso a confirmação por números registrados no TSE. Atual vereador, Raphael Thuin (PRD) seria vice de Thiago. Após este pular fora, assumiu a candidatura a prefeito. Se terá os votos ou apoio efetivo do deputado, é tão incerto quanto dizer que o professor Jefferson Azevedo (PT) herdará votos e apoio da correligionária Carla.
Reitora da Uenf, a professora Rosana Rodrigues é a convidada para encerrar a semana do Folha no Ar nesta sexta (9), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ela falará sobre a denúncia anônima (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) de assédio na universidade e do papel desta (confira aqui e aqui) na reforma do Solar dos Jesuítas, prédio do séc. XVII que abriga o Arquivo Público Municipal.
Rosana também fará um balanço dos seus oito primeiros meses na reitoria da Uenf, apontando acertos, erros e principais projetos. Por fim, com base nas pesquisas (confira aqui, aqui e aqui), ela tentará projetar as eleições a prefeito e vereador de Campos em 6 de outubro, daqui a exatos 59 dias.
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Felipe Fernandes, cineasta publicitário e crítico de cinema
Reinício e fim no Multiverso
Por Felipe Fernandes
Criado em 1991 pelo controverso Rob Liefeld, Deadpool surgiu como um vilão, que era uma paródia do vilão Exterminador da DC Comics. Somente em 1998 ele começou a ganhar algum destaque e suas principais características, como seu humor ácido, referências satíricas à cultura pop e a quebra da quarta parede.
Ganhou sua primeira versão cinematográfica no tenebroso “X-men Origens: Wolverin”. E e em 2016 ganhou um filme solo, que trouxe de fato o personagem dos quadrinhos para as telas, se tornando um grande sucesso, em um projeto arriscado que só saiu do papel devido ao empenho do ator Ryan Reynolds.
Passados 8 anos, o mercenário tagarela chega ao seu terceiro filme solo, em um longa que introduz o personagem ao Universo Cinematográfico da Marvel e faz uso do multiverso para construir uma narrativa que homenageia os filmes de super-heróis da Fox (hoje parte do conglomerado Disney) e traz de volta o ator Hugh Jackman revivendo Wolverine, um dos personagens mais queridos dos fãs de quadrinhos.
Em uma recente entrevista o diretor James Mangold (“Wolverine” e “Logan”), relatou que o multiverso é a morte da narrativa. Não dá pra tirar sua razão, é uma ferramenta que permite muita originalidade, mas que ao mesmo tempo pode retirar o peso dramático de qualquer acontecimento.
Um dos elementos característicos das histórias do Deadpool é o alto grau de violência, um perfil que não combina muito com a Disney. Porém, o novo longa do personagem teve liberdade criativa para manter o nível de violência gráfica e verbal, que convenhamos, é intrínseco aos dois personagens.
O longa faz uso do multiverso para trazer Wolverine de volta, de uma forma que não desonra o legado deixado pelo personagem na franquia X-men e, principalmente, em seu último filme solo. Basicamente, é uma desculpa para trazer o mesmo personagem de volta, sem na teoria ser o mesmo personagem. O tipo de bagunça muito recorrente nos quadrinhos, que a Marvel resolveu levar para os cinemas.
O filme trabalha uma história meio absurda, com um conceito interessante de uma espécie de limbo para personagens, funcionando como uma grande homenagem aos filmes de super-heróis da Fox. Que, no final dos anos 90, foi quem deu pontapé para essa febre que se tornaram os filmes de super-heróis.
Com um ritmo intenso, muitas piadas (algumas delas com críticas à própria Marvel) e violência, o filme é repleto de participações especiais, que vão fazer a alegria dos fãs. É um longa que existe em função do fan service e de suas piadas, tendo uma história costurada em torno disso. É sem dúvidas uma experiência divertida, mas muito dependente desse efeito surpresa.
É prazeroso rever Hugh Jackman como Wolverine, em uma versão amargurada do personagem, criando um contraste com Deadpool, um personagem que não leva nada a sério. O filme cria essa improvável dupla de personagens, buscando uma mistura de humor com doses de drama, que nem sempre funciona.
Reynolds e Jackman são atores que estão extremamente confortáveis em seus personagens — difícil imaginar outros atores interpretando qualquer um dos dois. E a amizade entre eles transborda às telas, construindo uma parceria de personagens em busca de redenção e propósito, que funcionam como motivações básicas.
Um dos grandes sucessos do ano, “Deadpool e Wolverine” é uma grande homenagem aos filmes da Fox, que funciona como fusão desses dois universos. É uma aventura descompromissada, repleta de surpresas e com dois personagens muito queridos. Se propõe a ser um bom entretenimento e entrega o que promete.
Adílio, craque e eterno camisa 8 do Flamengo campeão do Mundial de Clubes e da Libertadores da América em 1981, tricampeão do Brasileirão de 1980, 1982 e 1983, no qual marcou o gol do título (Foto: Divulgação)
Adílio formou o maior meio de campo da história do Flamengo, ao lado de Andrade e Zico (Foto: Divulgação)
Dia contraditório em emoções. Sobretudo aos rubro-negros. Pouco depois da atleta do Flamengo Rebeca Andrade conquistar o ouro em Paris na apresentação solo da ginástica, e se tornar a (o) maior medalhista da história do Brasil nas Olimpíadas, partiu o grande Adílio, aos 68 anos. Vítima de câncer no pâncreas, foi uma lenda do Flamengo e do futebol brasileiro.
Eterno camisa 8 da Gávea, foi campeão da Libertadores da América e do Mundial de Clubes, no qual marcou um dos 3 a 0 na final contra o Liverpool, em 1981. E foi tricampeão do Brasileirão em 1980, 1982 e 1983. Neste, mesmo com Zico em campo, foi Adílio o grande craque da final contra o Santos, em outro 3 a 0, no qual marcou o gol do título. Naquela campanha de 1983, testemunhei o Flamengo 7 a 1 Rio Negro, na primeira vez em que eu e meu irmão, o tricolor Christiano, fomos ao Maracanã, com nossos pais.
Também tricolor, meu pai se ufanava de ter visto Pelé, Garrincha, Puskás, Didi, Zizinho e tantos outros grandes craques do passado jogarem no Maracanã. E, para mim, ainda é do velho Aluysio, ex-campeão juvenil do futebol de Campos pelo Rio Branco, a melhor definição que já ouvi sobre o Adílio: “esconde a bola no pé”.
Como parece agora relevante a conversa recente que tive com Chiquinho, boleiro sexagenário, motorista da Folha e entre as pessoas que mais gosto de conversar sobre futebol. Ao elogiar o futebol do De La Cruz com Chiquinho, eu disse: “lembra até Adílio”. A quem o viu jogar, cria da comunidade da Cruzada São Sebastião, ao lado da Gávea, a referência mais alta é Adílio, não o craque uruguaio.
Na Seleção Brasileira, Adílio teve o azar de jogar na mesma época de Sócrates. Mas, diferente deste, foi campeão do mundo. Condição que, no futebol de clubes, concedeu a uma geração de flamenguistas ainda crianças, nascidos só após o Tri do Brasil em 1970 e que só veriam o Tetra em 1994 já adultos.
Adílio foi um herói da minha infância. Sempre será!
Repressão das forças de segurança, militares e paramilitares do regime Nicolás Maduro a protestos do povo da Venezuela contra a suposta fraude eleitoral no país já deixou 21 mortos (Foto: Samir Aponte/Reuters)
Edmundo Siqueira, jornalista, servidor federal, blogueiro do Folha1 e membro da bancada do Folha no Ar
A banalidade da moral
Por Edmundo Siqueira
Conceituar a “moral” sempre exige um exercício de compreensão da sociedade, uma vez que é nela e a partir dela que será definido o que é algo moralmente aceito como conduta individual. Pela coletividade, temos o conceito da ética, que se confunde com a moral, mas se trata de algo mais coletivista, inclusive classista, como os códigos de ética relativos à determinada categoria social.
A moral é, portanto, um conjunto de valores, sejam eles individuais ou coletivos. A questão é sobre a sua universalidade. Caberia a mesma moral da sociedade brasileira em um país vizinho? A característica de laicidade do sistema político do Brasil permite que os mesmos preceitos éticos e morais sejam aplicados em uma teocracia muçulmana? Ou ainda, caberia a mesma moral em uma comunidade periférica e um bairro abastado da mesma cidade?
A partir de uma visão revolucionária, baseada na luta de classes, principalmente de origem marxista, é possível encontrar o conceito da “moral tradicional”. Para alguns pensadores dessa linha, há valores que são apregoados como universais e dogmáticos, mas que na realidade, na práxis, eles estariam a serviço dos interesses da burguesia, ou de suas representações temporais (hoje, algo como o empresariado ou comerciantes). E estariam essas morais dogmáticas sendo usadas para impedir que movimentos revolucionários fossem aceitos na sociedade, ganhassem forma.
Essa moral tradicional seria defendida e apoiada pela “pequena burguesia intelectual”. Esses “pequenos burgueses” com atuação intelectual poderiam ser jornalistas, acadêmicos, escritores, professores e parte do funcionalismo público intelectualizado e burocrático.
Segundo essa perspectiva revolucionária, a moral e ética, e a democracia, em última análise — e quem as sustentam — são artifícios para a manutenção do status quo e a perpetuação dos interesses dominantes. Mas, temos exemplos contemporâneos que mostram que revoluções são usadas para apenas alterar os grupos dominantes. Um caso notório é o da Venezuela, onde a figura do presidente Nicolás Maduro se torna central na discussão.
Maduro, herdeiro político de Hugo Chávez, tem sido alvo de acusações de fraudes eleitorais e repressão política. As eleições do último domingo foram amplamente contestadas, com alegações de manipulação de votos e intimidação de opositores. Organizações internacionais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Centro Carter não puderam atestar que as eleições foram limpas. A União Europeia e os EUA questionaram a legitimidade do processo, classificando-o como uma fraude que minou a vontade popular.
A crise venezuelana não é apenas uma questão de fraude eleitoral; envolve também uma complexa rede de interesses econômicos e geopolíticos. A moral e a ética, aqui, se tornam ferramentas de retórica tanto para o governo quanto para a oposição. Maduro e seus aliados frequentemente evocam a moral revolucionária e o anti-imperialismo para justificar suas ações, enquanto a oposição apela para princípios democráticos e direitos humanos universais.
O que se observa, portanto, é uma batalha pela definição e controle da moralidade pública. Os valores proclamados pelo governo Maduro são apresentados como defensores da soberania nacional e dos direitos dos desfavorecidos, enquanto a oposição e grande parte da comunidade internacional os denunciam como pretextos para a perpetuação do poder e a violação das liberdades civis.
Assim, a discussão sobre a moralidade e a ética, seja na Venezuela ou em qualquer outra sociedade, transcende a simples análise de valores individuais ou coletivos. Ela se revela um campo de batalha onde se travam lutas intensas pelo controle narrativo e pela legitimação do poder. A questão venezuelana ilustra com clareza brutal como, em tempos de crise, a moral e a ética são armas de retórica, brandidas com fervor por todos os lados. Nesse cenário, a moral não é um farol de princípios universais, mas um espelho fragmentado, refletindo os interesses de quem detém a força para moldar a realidade conforme suas ambições.
O venezuelano Nicolás Maduro, o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, o chileno Gabriel Boric, o uruguaio Pepe Mujica e os campistas Carla Machado, Jefferson Azevedo e Wladimir Garotinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Venezuela divide a esquerda na América do Sul
A aparente fraude eleitoral para perpetuar Nicolás Maduro presidente da Venezuela, no domingo (28), pode ser um divisor de águas na esquerda da América do Sul. De um lado, o futuro com a esquerda democrática. Representada pelo jovem presidente do Chile, Gabriel Boric, que disse (confira aqui) sobre a suposta vitória de Maduro: “é difícil de acreditar”. Do outro lado, a esquerda do passado. Representada, com ditaduras “companheiras”, pelo PT. Cuja nota oficial na terça (30), chamou a crise da Venezuela de “jornada pacífica, democrática a soberana”. Cujo resultado anunciado revoltou sua população, reprimida com 21 mortes (confira aqui) e 1,2 mil presos (confira aqui).
Geracional ou compromisso com a democracia?
Líder maior do PT, o presidente Lula tem 78 anos. Condutor da sua política internacional, Celso Amorim tem 82. Presidente do PT, a deputada federal Gleise Hoffmann tem 58. Presidente chileno, Boric tem só 38. Mas a diferença na defesa da democracia no continente não é apenas geracional. Ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica tem 89 — 11 a mais que Lula, 7 a mais que Amorim, 31 a mais que Gleisi. E o uruguaio mais emblemático à esquerda sul-americana disse (confira aqui) sobre Maduro: “pode chamá-lo de ditador”. Ao considerá-lo “democrático”, o PT pode pagar o ônus nas eleições municipais do Brasil de 6 de outubro, daqui a apenas 64 dias?
Compromisso moral de Lula e do PT
Lula foi eleito pela 3ª vez presidente (confira aqui) na perspectiva de defender a democracia do país dos ataques reincidentes do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Que se materializariam na tentativa de golpe de estado de 8 de janeiro de 2023. Dos maus perdedores das urnas do 2º turno presidencial de 30 de outubro de 2022 por apenas 1,8 ponto — nos votos válidos, Bolsonaro 49,1% a 50,9% Lula. Por diferença tão pequena, Lula só se elegeu, para além dos petistas, com o voto de quem acreditou que ele era a opção viável para preservar a democracia no Brasil. Lula e o PT teriam, portanto, compromisso moral de defendê-la também nos países vizinhos.
Influência nas eleições municipais do Brasil
Cientista político e CEO da Quaest, conceituado instituto de pesquisa do Brasil, Felipe Nunes já disse que quanto maior for o município, maior será a influência na sua eleição da polarização política nacional e internacional. Quanto menor, afetará menos. Assim, pode ter uma importância maior na cidade de São Paulo, em que as pesquisas apontam o empate técnico na liderança (confira aqui) do atual prefeito, Ricardo Nunes (MDB), com o deputado federal Guilherme Boulos (Psol) e o apresentador José Luiz Datena (PSDB). E pode ter pouca importância numa cidade de porte médio, mesmo de maioria bolsonarista (confira aqui), como Campos. Menos ainda em cidades pequenas.
Ricardo Nunes, Guilherme Boulos e José Luiz Datena lideram a última pesquisa Quaest a prefeito de São Paulo em empate técnico na margem de erro
Hamilton Garcia, cientista político e professor da Uenf
O projeto bolivariano
“O projeto bolivariano na Venezuela é uma atualização do modelo revolucionário clássico, com Cuba como modelo. A disputa eleitoral só era aceita se legitimasse o ‘poder revolucionário’. O jogo democrático tinha só valor instrumental, com a destruição das instituições, como a divisão entre os Poderes do Estado e a liberdade de opinião. Quando as urnas começaram a se desencontrar do ‘poder revolucionário’, a partir da queda no preço do petróleo em 2014, a repressão à contestação política e ao direito de opinião se agravaram dramaticamente”, contextualizou outro cientista político, Hamilton Garcia, professor da Uenf.
Não ajuda o PT de Campos
“A autoproclamada vitória de Maduro, ao arrepio dos documentos eleitorais, é a crônica da morte anunciada da democracia venezuelana. O PT e o MST estiveram, desde sempre, ao lado dos objetivos ‘revolucionários’ do bolivarianismo. Parcelas importantes de sua ala radical possuem a mesma visão ‘revolucionária’ ao Brasil. O desenlace venezuelano terá impacto efetivo sobre a imagem do lulopetismo na eleição de 6 de outubro, sobretudo nas capitais. E pode, em 2026, esgarçar as franjas centristas que apoiaram Lula em 2022. Em Campos, onde o PT tem poucas perspectivas a prefeito, não ajudará a eleger vereador”, advertiu Hamilton.
George Gomes Coutinho, cientista político, sociólogo e professor da UFF-Campos
Limites da influência
“Há uma importação da questão venezuelana, por vezes em termos caricatos e simplistas. Mirando o curto prazo nas eleições municipais brasileiras: 1) o tema irá mobilizar grupos e agentes já suficientemente ideologizados; 2) a agenda internacional não costuma alterar a percepção política de eleitores comuns; 3) estados brasileiros que estão geograficamente mais próximos da Venezuela podem importar, por razões concretas, a pauta das eleições por lá; e 4) em Campos já há um conjunto de pautas ao eleitor comum: empregos, saúde, transporte”, avaliou outro cientista político, George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos.
Condição minoritária
George não crê que a crise da Venezuela e a posição do PT sobre ela afete o partido em Campos: “A exploração do tema contra o PT campista é improvável. O PT é uma minoria política, talvez não atraia ataques persistentes por sua condição minoritária, o que não se pode falar do prefeito (Wladimir Garotinho, PP, candidato à reeleição e líder em todas — confira aqui e aqui — as pesquisas). Eleitores que não votariam no PT continuarão não votando. Petistas simpatizantes votarão no PT. E os eventuais eleitores passíveis de serem seduzidos a votar no PT nestas eleições municipais talvez não sejam demovidos pela questão venezuelana”.
“Maduro ditador” e “castelo de areia”
No Folha no Ar da manhã de ontem, o sociólogo Fabrício Maciel, professor da UFF-Campos e da Uenf, foi direto ao avaliar a real condição de Maduro e sua tentativa de relativização pelo PT: “Maduro é um ditador. Isso é a pura verdade, não dá para aliviar. A figura de Maduro, hoje, não tem nada a ver com democracia. Mas a Gleisi Hoffmann pode soltar uma nota, como petista clássica, dizendo isso? Não pode! Porque ela está presa a um certo negacionismo. É uma mentira que um partido de esquerda precisa manter, num certo sentido. Porque se abre o jogo e diz, você tem um castelo de areia”.
“Muito difícil tirar de Wladimir”
“Carla Machado (deputada estadual que desistiu — confira aqui — da pré-candidatura a prefeita de Campos por — confira aqui e aqui — impossibilidade jurídica) tem votos por causa dela. Não tem nada a ver com o PT. É uma política tradicional, conhecida na região. O Jefferson (Azevedo, candidato a prefeito de Campos pelo PT) vai ter dificuldade em (confira aqui) herdar votos aí. Também não há influência da polarização nacional numa cidade como Campos. É difícil alguém tirar essa (eleição) de Wladimir. Está muito cristalizada a situação, ele fez um governo estável. Mais uma vez a ideia (confira aqui) do meu querido amigo George: não vai haver surpresa nessa eleição”, apostou Fabrício.