Por Sérgio Arruda, “os oito secos” de Aluysio Abreu

 

Sérgio Arruda de Moura, professor de Letras da Uenf e escritor

POR UMA POÉTICA DO ESSENCIAL (OU DA SECURA)

Por Sérgio Arruda de Moura

 

Não é de hoje que a literatura (poesia e ficção) se alimenta de suas próprias arquiteturas, isto é, de seus espaços no mundo, construídos pela arte com a palavra. Pois, se o lugar no mundo da literatura é o espaço que ela própria criou — ainda que procuremos desesperadamente aquilo de que ela fala — a primeira armadilha já está feita e falta só um passo para caírem dentro dela o poeta e o leitor, dentre eles, o leitor-crítico. Falo isso em função das dificuldades de leitura que um poema apresenta, e das saídas fáceis para escrevê-los “legíveis” e, pior ainda, floreados. Mas é bom viver iludido, levantando castelos e taperas no ar, colocando gente dentro deles, fazendo-os falar, se estarrecer, refletir sobre a tarefa de viver, encarar o outro e a si, enfim, buscar na palavra algum recanto de onde possa lançar a inumerável pergunta: que é a poesia e o que o poeta faz para fazer poesia? Não vale escrever dissertando, defendendo teses e quebrando as frases no meio da linha para criar a ilusão de que está fazendo um poema…

O poema — eu sei, é desconfortável — tem que trazer algum hermetismo. Tem que fisgar desde o título: Pois bem, lá vai: o que são oito secos, por exemplo?

O que se sucede é um desfile de personagens — da voz, dos músicos instrumentistas, da própria poesia, do romance, do cinema e até do futebol. Mas principalmente da própria poesia — de ontem e de hoje.

A poesia se faz a partir do seu próprio interior. O poeta não vive sem se enfurnar dentro dos versos alheios e das vivências de poetas, de onde vai buscar a seiva de seus próprios versos.

Se encararmos a tradição milenar da literatura — a arte de narrar, cantar em versos —, vamos perceber que ela é a única atividade humana a se manter tal como sempre foi: encantamento, mergulho em si, beleza gratuita, cavada de dentro, sem utilidade finalista, elevação, beleza… Tiro tudo isso da belíssima evocação que o poeta mexicano Octávio Paz (1914-1998) faz da poesia, em O arco e a lira. Sim, parece que só um poeta tem a chave da definição exata do que seja a poesia — e que nem é tão exata assim. Pois vejam só:

“A poesia é conhecimento, salvação, poder, abandono […]. Pão dos eleitos; alimento maldito. Isola; une. Inspiração, respiração, exercício muscular. Súplica ao vazio, diálogo com ausência, é alimentada pelo tédio, pela angústia e pelo desespero. Oração, litania, epifania, presença. Exorcismo, conjuro, magia. Sublimação, compensação, condensação do inconsciente”.

Essas linhas iniciais me recordam do grave exercício da crítica ou do ensaio num terreno tão incerto e, a uma só vez, sombrio e revelador — que é a poesia. Se a linguagem revela e esconde no mais comum dos pronunciamentos humanos, o que esperar dela quando seu exercício é no interior de uma proposição poética? Trago o arco e a lira comigo desde sempre, a me lembrar do alto elogio que a linguagem faz de si mesma quando envereda pela poesia. E se tornou uma bíblia onde tudo está dito e onde checo a pertinência da poesia que me assalta.

Como disse desde lá em cima, o exercício da literatura é interno à palavra. Não procuremos seus sentidos lá fora, sem antes ver a arquitetura cá dentro. Eventualmente ela é manifesto, mas aí ela é bandeira para os exercícios de novas safras e novas visadas.

N’os oito secos, poema de Aluysio Abreu, o painel talvez seja o de uma vida inteira do poeta, um recorte da memória de quem com a voz, com os instrumentos, com a destreza com a bola, com os versos secos e descarnados, com a frase exaurida até o extremo de floreios linguísticos inspirou a poesia no poema. Sim, tem o poema e tem a poesia, e nem sempre os dois estão juntos.

Neste painel em marca d’água ao lado ao qual se sobrepõe o poema os oito secos figuram os oito secos, oito figuras ilustres da poesia, do romance, da música, do canto, da interpretação. Mas o poema traz mais. Lembro do extremo exercício de aridez essencial e necessária que há em Graciliano e Hemingway e os recomendo aos meus alunos iniciantes na escrita — tão propensos aos excessos despontuados típicos.

Desses oito secos, eu fico com todos. Procurei a secura de De Niro e — sim — não tem ninguém mais low profile quando encarna um papel no cinema. Do Cabral neoparnasiano — não, não é ofensiva a alcunha — nem se fala: da secura de subjetividades de sua poesia salte talvez o que de mais seco haja na poesia brasileira, com o sacrifício público do eu-poético em favor do exercício da palavra.

Pois bem. Com esse painel, o poeta Aluysio Abreu bem que podia lançar o Manifesto em favor da secura na poesia, bastante útil para iniciar os poeta novos ou reiniciar os velhos acometidos de comichões adolescentes e revolucionárias incabíveis em versos intensamente molhados.

Os oito secos enfim é um poema com poesia e metapoética, pois disseca a poesia que há em cada canto do mundo, mesmo quando o instrumento não é a palavra. Billie Holiday, por exemplo, é a dona da navalha afiada na produção da dicção da sílaba e do afiamento da lâmina cortando fora o que não é essencial à nota. Tão cabralino o rastreio que o poeta Aluysio Abreu faz! De quebra, a vida triste da cantora, breve, quase como convém ao artista…

O painel de ensinamentos sobre a secura prossegue com Chet Baker ladeado por João Gilberto: lacônicos, secos, essenciais, sem pirotecnias. Tem Eric Clapton, descendo o tom, trocando instrumentos, passeando em poéticas, cortando o excesso. O mais problemático pra mim, segue com Zidane: como tirar poesia de um jogador de futebol? Já fizeram isso com inúmeros garrinchas e pelés, mas com esse francês, é a primeira vez, eu que o conhecia só da testada que deu em outro e daí foi expulso do gramado de onde tirava versos, certamente com seu bailado com a bola. Difícil pra mim, mas aceitei no poema, tal a confiança que já tenho no poeta Aluysio Abreu.

O cortejo se recupera na secura de Graciliano que nas suas vidas secas só poupou da secura a cachorrinha Baleia, que me botou um dia a chorar…

Por fim, tem Cabral de Melo Neto, o João, que todos sabem ser o seu deus no manejo da secura: “degolou a confissão/ na poética sem sombra ao meio-dia”.

Os oito secos é um poema de maturidade, escondendo o que podia ser óbvio, no mistério do verso contido, seco, explodindo em uma poética… Magistral sacação do conceito poético com uso do que há de mais (i)maculado na palavra, sem afetação do senso comum e do floreio, de truques para captar os bons sentimentos cansados. É o contido. É o seco e cerebral. O leitor, se assim o quiser, que o umedeça nas suas lágrimas, ou nas águas do Capibaribe ou de Atafona.

 

Os oito secos: Billie Holiday, Chet Baker, Eric Clapton e João Cabral de Melo Neto; Zinédine Zidane, Graciliano Ramos, Robert De Niro e Ernest Hemingway (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

POEMA DE ALUYSIO ABREU BARBOSA(*):

 

os oito secos

 

(1)

billie holiday tinha a dicção

das sílabas em postas

com sangue de escansão

gume da navalha a cada nota

 

com ella fitzgerald ao cutelo

o “meu homem foi embora”

saiu pra comprar cigarro

billie só cantava o que não volta

 

pelo pescoço pendurado à árvore

fruto estranho o corpo preto

vida e arte, poro, pele

de gardênia branca no cabelo

 

de prostituta a sofisticada dama

entre meninos e meninas

alforriou depois do antes

para morrer algemada a uma cama

 

(2)

chet baker também era do jazz

anglo-saxão, da costa oeste

norte a joão gilberto

lacônico na voz e no trompete

 

na vilania da heroína mastigado

após surra de traficante

reagiu novo caminho

reaprendeu a tocar sem os dentes

 

improviso em saliva à ponta da língua

avesso a partituras

pedia só o tom

chegava aonde não desce a pirotecnia

 

atafona, diálogo a dois do lamento:

“stay little valentine, stay!”

— você nunca pediria isso!

— só o mar e chet sabem que tentei!

 

(3)

eric clapton, elevado deus da guitarra

do rock, por ser do blues

alcunha na mão lenta

foi a jimi hendrix o que odisseu foi a aquiles

 

largou o yarbirds, rebatizado led zeppelin

mergulhou na música negra

robert johnson em ínterim

ao creme da maior banda da terra

 

inglês branco, custou se assumir bluseiro

trocou guitarra por viola

sentou três cães ao berço

cagado pelo homem negacionista

 

frases melódicas em notas longas

voz no timbre de ray charles

é como um português

se divino no samba da mangueira

 

(4)

cabral de melo neto, o joão

afiou faca só lâmina

degolou a confissão

na poética sem sombra ao meio-dia

 

derramamento ao espelho de medusa

do recife à sevilha

música só das siguiriyas

em estudos a uma bailadora andaluza

 

é cante que não canta ou se enfeita

pedra do sono desperta

para estranhar a alma

dos homens ossudos, do cão sem plumas

 

capibaribe ao paraíba do sul

canavial de vidas

severinas sob céu azul

dois rios a caminho do mesmo mar

 

(5)

zinédine zidane, o futuro atleta

que joão cabral boleiro

passou pra ser poeta

e o francês tirar da grama versos

 

pé negro africano, filho de argelinos

pensava só na vertical

arquiteto ambidestro

duas pernas longas à bacia do cérebro

 

nunca tinha feito gol de cabeça?

meteu dois no brasil

na final do mundial

noutra, mesmo ao se perder, usou a testa

 

lento, infiltrava seu tempo ao jogo

no lençol nos ronaldos

fez do barroco concreto

colocar dobradiça na espinha do outro

 

(6)

graciliano ramos não era da relva

detestava futebol

pregou outro uso de pernas

a rasteira como esporte nacional

 

da caatinga, em oposição ao verde

oposta também sua prosa

à suculência dos sertões

na cunha de euclides, veredas em rosa

 

vidas secas emergiram antes

na baleia sem plumas

dois meninos sem nome

de fabiano e sinhá vitória

 

em rasteira dada por recebida

um papagaio mudo

comido por gente muda

e devorada crua atrás do sonho

 

(7)

robert deniro, de corpo inteiro

argila de escultura

contraído só no rosto

todo sujeito que passa pela rua

 

alter ego a martin scorsese

mifune de kurosawa

fúria taxista sem bandeira

à do touro indomável do boxe

 

às mãos de palma erigiu al capone

rachou crânio com taco

com coppola e corleone

oscar da paridade a marlon brando

 

missão de mercenário a jesuíta

à espada do curumim

olha a arma, ao menino fita

em silêncio, grita humanidade ali

 

(8)

ernest hemingway fez-se personagem

no limite, pela essência

porre, pesca, caça, guerra

prosa do jornalismo no romance

 

quando seu protagonista foi o outro

velho chamado santiago

os tubarões do mar de cuba

comeram aos ossos a literatura

 

loucos anos de paris como uma festa

ao câmbio de erza pound

pugilato por poesia

viu quem tinha maior com fitzgerald

 

resgatou john donne ao modernismo

nos sinos que dobram por ti

trocou tiro com o fascismo

personagem, deu ponto final a si

 

campos, 09/04/22

 

(*)Jornalista, poeta e membro da Academia Campista de Letras (ACL)

 

Folha Letras da edição de hoje da Folha da Manhã

 

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Garotinhos, Bacellar, bolsonarismo, PT, Psol e placa quebrada

 

Filippe Poubel, Wladimir Garotinho, Carla Machado, Rodrigo Amorim, Marquinho Bacellar, Jefferson Azevedo, Thiago Rangel, Caio Vianna, Natália Soares, Bruninho Vianna e Wainer Teixeira (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Tubo de ensaio

Ontem, o general da reserva e ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do governo Jair Bolsonaro (PL), Augusto Heleno, deu depoimento tenso na CPMI do 8 de janeiro. Foi um pouco depois do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes votar pela condenação à prisão de mais cinco réus bolsonaristas pelo 8 de janeiro. Ainda assim, o bolsonarismo parece buscar relevância na disputa a prefeito de Campos, em 6 de outubro de 2024. Também ontem, a jornalista Berenice Seara lançou (confira aqui), no jornal Extra, o deputado estadual bolsonarista Filippe Poubel (PL) pré-candidato a prefeito da “capital do Norte Fluminense”.

 

A jogada ensaiada

O Extra afirmou que “o prefeito Wladimir Garotinho (PP) desponta como favorito”. E listou a deputada estadual Carla Machado entre os nomes do PT à Prefeitura de Campos, mesmo que o entendimento do STF a impeça por já ter se reelegido prefeita da vizinha SJB em 2020. Na mesma toada incerta, Berenice também disse que Poubel já é “o pré-candidato a prefeito em Maricá”. Ainda assim, anunciou a visita dele a Campos em 20 de outubro, com os colegas bolsonaristas de Alerj, Alan Lopes (PL) e Rodrigo Amorim (PTB). “Para audiência pública (e, quem sabe, uma operaçãozinha de fiscalização?) da Comissão Contra a Desordem Urbana”.

 

Bolsonarismo, CVC e Wladimir

“A Câmara dos Vereadores, presidida por Marquinho Bacellar (SD), integrante da família historicamente inimiga dos Garotinho, já estendeu o tapete vermelho (ui!) para o trio”, fechou o Extra a sua nota. Que ignorou, além do impedimento de Carla, que o bolsonarismo já tem dois prefeitáveis em Campos. O primeiro é o militante bolsonarista CVC Direita Campos, que já figura nas (confira aqui) pesquisas a prefeito. E chegou a ser preso por suspeita de envolvimento nos atentados de 8 de janeiro, quando era assessor de… Filippe Poubel. O segundo é o próprio Wladimir, que declarou voto a Bolsonaro (confira aqui e aqui) no segundo turno presidencial de 2022.

 

Marquinho com Jefferson

Citado na mídia carioca pelo suposto “tapete vermelho” que estenderia aos deputados estaduais bolsonaristas, Marquinho ontem apareceu mais próximo da bandeira vermelha do PT. Quando postou em suas redes sociais uma foto com o reitor do IFF, professor Jefferson Azevedo, também citado pelo Extra como possível candidato do PT a prefeito de Campos — o que esta coluna adiantou (confira aqui) desde 3 de junho. O encontro teve seu caráter institucional resguardado pelas condições de presidente do Legislativo goitacá e de reitor da maior instituição de ensino da cidade e da região. Mas, logicamente, também tratou de política.

 

Com Thiago Rangel e Caio

Com seu nome aventado nas pesquisas a prefeito, como CVC e Jefferson, Marquinho tem se encontrado com outros. Além de Jefferson, o edil esteve no dia anterior (25) com o deputado federal Caio Vianna (PSD). Assim como com o deputado estadual Thiago Rangel (sem partido), na semana passada. Como o próprio Wladimir teve encontro e gravou um vídeo muito amistoso com Jefferson e outros integrantes do PT, em defesa da Petrobras, na última quinta (21), durante a 6ª Feira de Oportunidades do IFF. O mesmo Wladimir que, no dia seguinte (22), fez críticas em suas redes sociais ao aborto, tentando não se afastar do eleitor bolsonarista.

 

Mão dupla e placa quebrada

Tudo isso faz parte da política. Embora tenham caminhado com Bolsonaro em 2022, os Bacellar nunca esconderam a admiração pelo presidente Lula (PT). Por ser egresso da política sindical, como o patriarca do clã, o ex-vereador Marcos Bacellar (SD). Reunir-se com o petista Jefferson não impede Marquinho de depois receber com “tapete vermelho” um deputado como Rodrigo Amorim. Que se notabilizou na campanha de 2018 por ter quebrado (confira aqui) a placa da vereadora Marielle Franco (Psol), assassinada a tiros naquele ano. Como a bandeira política trabalhista dos Garotinhos não os impediu de apoiarem Bolsonaro, com os Bacellar, em 2022.

 

Lição aos bolsonaristas e ao Psol

Uma eleição não garante outra. Supor que a maioria bolsonarista no 2º turno presidencial de Campos em 2022 (63,14%) vá se repetir na eleição a prefeito em 2024, é ignorar a de 2020. Quando, após Bolsonaro ter 64,87% dos campistas no 2º turno presidencial de 2018, os dois candidatos a prefeito bolsonaristas, Tadeu Tô Contigo (REP) e Jonathan Paes (PMB), tiveram juntos 2,68% dos votos. Foi pouco mais da metade dos 4,68% da estreante Professora Natália (Psol). Que, ainda assim, perdeu com a assistente social Danielle Pádua a eleição a presidente municipal do seu partido, no último sábado (23), vencida (confira aqui) pelo sindicalista Vanderson Gama.

 

Bruninho e Wainer

Ontem, em sessão quente da Câmara e mais um capítulo da tensa novela da pacificação entre Garotinhos e Bacellar, o jovem vereador Bruninho Vianna (PSD) se queixou de secretários municipais que dão entrevistas ao Folha no Ar, mas não atendem a requerimentos dos edis “independentes”. Após o próprio Bruno ter sido convidado e adiado sua ida ao programa, ontem foi a vez do secretário de Administração e RH, Wainer Teixeira. Ele expôs a reestruturação dos servidores e RPAs de Campos, e admitiu que pode concorrer a vereador. Bruninho tem futuro promissor. E pode, já em 2024, surpreender e concorrer a prefeito. A ver.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Ucrânia, direitos humanos e patrimônio no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Advogada com especialização em Direito Internacional, Direitos Humanos e Patrimônio Cultural, além de assessora da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Costa Rica), Letícia Machado Haertel é a convidada do Folha no Ar desta quarta (27), ao vivo, a partir das 7h da manhã, no Folha no Ar. Ela analisará a invasão da Rússia à Ucrânia (confira aqui), denunciada (confira aqui) à Corte Internacional de Justiça (CIJ) e ao Tribunal Penal Internacional (TPI), aos olhos do Direito Intencional.

Letícia também falará sobre Direitos Humanos no mundo e no Brasil, em casos como o abandono aparentemente doloso da etnia Yanomami pelo governo Jair Bolsonaro (PL) e o elevado índice de crimes de gênero no país. Além da questão da repatriação de Patrimônio Cultural das antigas potências colonialistas aos seus países de origem.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Servidor e eleição a vereador e prefeito no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Secretário de Administração e Recursos Humanos de Campos, Wainer Teixeira é o convidado do Folha no Ar desta terça (26), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará sobre a reestruturação dos servidores municipais, concursos públicos e adequações ao Termo de Ajustamento de Gestão (TAG) com o Tribunal de Contas do Estado (TCE), que visam vetar os recursos dos royalties do petróleo para gasto com pessoal.

Wainer também falará da relação entre Prefeitura e Câmara de Campos, e da pacificação entre Garotinhos e Bacellar em oposição aos secretários que, como ele, devem se candidatar a vereador em 2024. Por fim, o secretário tentará projetar a eleição a prefeito a partir das pesquisas (confira aqui as três feitas no município em 2023).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Brasil, RJ e Campos com Ceciliano no Folha no Ar desta 2ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ex-presidente da Alerj e atual secretário de Assuntos Federativos do ministério das Relações Institucionais, André Ceciliano (PT) é o convidado para abrir a semana do Folha no Ar nesta segunda (25), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará sobre os governos Lula (PT) e Cláudio Castro (PL), além da Caravana Federativa (confira aqui e aqui) nestas quinta (28) e sexta (29). Na qual receberá prefeitos e secretários dos 92 municípios fluminenses para estreitar laços com ministérios e os bancos federais.

Por fim, Ceciliano analisará sua sucessão na presidência da Alerj pelo deputado estadual campista Rodrigo Bacellar (União), assim como o governo Wladimir Garotinho (PP) e a pacificação entre Garotinhos e Bacellar. Ele também tentará projetar as eleições de 2024 a prefeito do Rio e em Campos (confira aqui), como suas possíveis consequências (confira aqui) na eleição a governador de 2026.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta segunda poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Crédito Rural: agropecuária da região convocada ao dia 26

 

(Arte: Mapa)

 

Em parceria do Banco do Brasil (BB) e o ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), os prefeitos, secretários de Agricultura e produtores rurais do Norte e Noroeste Fluminense têm encontro marcado às 10h da manhã desta terça, dia 26. Na sede do Mapa em Campos, na rua Saldanha Marinho, 378, Centro, o superintendente da pasta federal, Agnaldo Pinto, sua equipe e a gerência local do BB receberão a todos para detalhar o acesso ao Crédito Rural, no Plano Safra 23/24. A convocação, fundamental à agropecuária da região, está sendo feita por Carlos Faria Café, engenheiro chefe da Unidade Técnica do Mapa.

 

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Carla Caputi e Frederico Paes também na Caravana Federativa

 

Carla Caputi, Fredrico Paes, André Ceciliano, Wladimir Garotinho e Francimara Barbosa Lemos se reunirão na Caravana Federativa do governo Lula (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A prefeita de São João da Barra, Carla Caputi (sem partido), e o vice-prefeito de Campos, Frederico Paes (MDB), confirmaram presença na Caravana Federativa (confira aqui), na cidade do Rio, nos dias 28 e 29 de setembro. À qual prefeitos e secretários dos 92 municípios do RJ foram convocados, em nome do governo Lula, pelo secretário de Assuntos Federativos do ministério das Relações Institucionais, André Ceciliano (PT/RJ).

O objetivo do evento é aproximar e ampliar o acesso dos municípios fluminenses a todos os serviços oferecidos por ministérios e bancos públicos federais, como o Banco do Brasil (BB), Caixa Econômica Federal (CEF) e BNDES. Ontem, os prefeitos de Campos e São Francisco de Itabapoana, Wladimir Garotinho (PP) e Francimara Barbosa Lemos, também tinham confirmado que atenderão pessoalmente ao chamamento do Governo Federal.

 

 

Caputi levará os secretários de Comunicação (Rodrigo Florêncio), Assistência Social (Sharlene Barbosa), Saúde (Arleny Valdez) e Planejamento (Alan Barcelos) de SJB. Francimara levará os tiulares das pastas de Saúde (Sebastião Campista), Educação (Robson Santana), Agricultura (Enaldo Barreto), Fazenda (Júlio Marcos) e Turismo (Júnior Junqueira) de SFI.

Já Wladimir e Frederico levarão à Caravana Federativa os secretários de Desenvolvimento Econômico (Mauro Silva), Educação (Marcelo Feres), Gabinete (Thiago Ferrugem), Comunicação (Sérgio Cunha), Desenvolvimento Humano (Rodrigo Carvalho), Guarda Municipal (Wellington Levino), Esportes (Luciano Viana), Saúde (Paulo Hirano), Agricultura (Almy Junior) e Controle (Rodrigo Resende Ramos) de Campos.

 

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Caravana Federativa: Ceciliano convoca municípios do RJ

 

Em nome do governo Lula, Ceciliano convoca prefeitos e secretários do Estado do Rio para a Caravana Federativa, na cidade do Rio de Janeiro, nos próximos dias 28 e 29 (Foto: Governo Federal)

 

Sob o comando do secretário de Assuntos Federativos do ministério das Relações Institucionais, André Ceciliano (PT/RJ), chega ao Rio de Janeiro, nos dias 28 e 29 de setembro, a segunda edição da Caravana Federativa. O objetivo é aproximar e ampliar o acesso de estados e municípios a todos os serviços oferecidos por ministérios e bancos públicos federais, como o Banco do Brasil (BB), Caixa Econômica Federal (CEF) e BNDES.

— A ideia é facilitar a vida dos gestores municipais. Em vez de eles irem a Brasília, Brasília vai até eles — resumiu o secretário federal André Ceciliano, que conhece muito bem os municípios fluminenses por ser ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Confira abaixo à convocação de Ceciliano, feita em seu perfil de Instagram (confira aqui), aos prefeitos e secretários dos municípios fluminenses:

 

 

QUEM VAI DE CAMPOS? — Espera-se que vários municípios do Norte Fluminense compareçam com prefeitos e secretários. Em Campos, o prefeito Wladimir Garotinho (PP) deve comparecer.  Já estão certas as idas dos secretários das pastas de Desenvolvimento Econômico, Educação, Gabinete, Desenvolvimento Humano, Guarda Municipal, Esportes, Saúde, Agricultura e Controle.

QUEM VAI DE SFI E NF? — Em São Francisco de Itabapoana, a prefeita Francimara Barbosa Lemos (SD) também pode ir. E já estão definidas as presenças dos seus titulares das secretarias de Saúde, Educação, Agricultura, Fazenda e Turismo. O Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento do Norte e Noroeste Fluminense (Cidennf), por meio da sua assessoria, também confirmou “a participação no evento da Caravana Federativa agendado para os dias 28 e 29 de setembro, no Rio de Janeiro”.  E “reforçou o convite a todas as 18 prefeituras que fazem parte de nosso Consórcio”.

OS 18 MUNICÍPIOS DO NF E NOF — Criado em outubro de 2018, o Cidennf é formado atualmente pelos municípios de Aperibé, Bom Jesus do Itabapoana, Cambuci, Campos dos Goytacazes, Carapebus, Cardoso Moreira, Conceição de Macabu, Italva, Itaocara, Itaperuna, Macaé, Miracema, Porciúncula, Quissamã, São Fidélis, São Francisco de Itabapoana, São João da Barra e Varre-Sai.

Na primeira edição da Caravana Federativa no governo Lula, realizada em Salvador (BA) em 24 e 25 de agosto, de um total de 417 prefeitos baianos, 288 compareceram. Outros 129 mandaram secretários, totalizando 355 cidades presentes, ou 85% do total. Na ocasião, foram realizados 3.500 atendimentos.

— Só a Advocacia Geral da União (AGU) fez acordos que somaram mais de R$ 100 milhões. A primeira dama da Bahia me disse que dois problemas que ela tinha para resolver foram solucionados em um dia, sem que ela tivesse necessidade de se deslocar para Brasília — exemplificou Ceciliano.

Os erros e acertos verificados no evento da Bahia, segundo o secretário, também serviram como aprendizado. Desta vez, foi montada uma cartilha que vai reunir, numa única publicação, todo o “cardápio” de programas e convênios existentes no Governo Federal e que estão à disposição das prefeituras. “Assim, os gestores já chegam indo direto ao que lhe interessa”, resumiu Ceciliano.

A Caravana Federativa no Rio ocorrerá no Expo Mag, antigo Centro de Convenções Sul América, na Cidade Nova, no Centro da capital fluminense. E tem o apoio do governo estadual Cláudio Castro (PL).

 

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Prefeitáveis analisam encontro da Diocese para debater Campos

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Diocese nivela debate a prefeito

Com o objetivo de nivelar por cima o debate da eleição a prefeito de Campos, que deve dominar a vida do campista no próximo ano, a Diocese da Igreja Católica Romana promoverá (confira aqui) um encontro entre os pré-candidatos. Marcado pelo bispo Dom Roberto Ferrería Paz, será na Igreja Nossa Senhora do Rosário, a popular Igreja do Saco, às 10h da manhã do próximo dia 25 de novembro. Quando faltarão pouco mais de 10 meses para as urnas municipais de 6 de outubro de 2024. O convite frisa que o evento será para debater a cidade, mas não um debate entre os que pretendem governá-la.

 

Os prefeitáveis

Com base no levantamento da Folha da Manhã, sobretudo nesta coluna, lastreado nas três pesquisas eleitorais deste ano de 2023, foram convidados pela Diocese de Campos o prefeito Wladimir Garotinho (PP); o presidente da Câmara Municipal, vereador Marquinho Bacellar (SD); o professor Jefferson Azevedo (PT), reitor do IFF; o ex-prefeito Sérgio Mendes (Cidadania); o militante bolsonarista CVC Direita Campos; o deputado estadual Thiago Rangel (sem partido); e o deputado federal Caio Vianna (PSD). À exceção deste, todos confirmaram à coluna que estarão presentes. E quase todos deram suas expectativas ao evento.

 

Wladimir Garotinho

“É um espaço de ideias que, em todas as eleições municipais de Campos, o bispo Dom Roberto e a Diocese promovem. É um momento de falar sobre valores democráticos e de projetos para a cidade. Mais uma vez estarei presente, como em todas as outras”, disse o prefeito Wladimir. Que fez menção ao fato da Diocese e Pastoral da Cidadania terem promovido um encontro parecido (relembre aqui), na mesma Igreja do Saco, com os prefeitáveis de Campos em maio de 2019. Como agora, era o ano de véspera da eleição a prefeito. Que acabaria vencida no segundo turno de 2020 por Wladimir.

 

Marquinho Bacellar

“Desde sua chegada ao município, o bispo Dom Roberto Ferrería tem estimulado importantes reflexões, sempre aberto ao diálogo e preocupado com o desenvolvimento de Campos. Vai ser um espaço importante para apontar caminhos e refletir sobre o atual momento de Campos. Uma cidade com mais de 140 mil pessoas, ou 30% da população em situação de extrema pobreza. Retrato de uma pobre cidade bilionária. Não podemos fechar os olhos para essa realidade. Isso sem falar de outros problemas crônicos que serão analisados”, lembrou Marquinho Bacellar. Ao alfinetar o prefeito e a pacificação do seu grupo com os Garotinhos.

 

Jefferson Azevedo

“Parabenizo à Diocese, em especial nosso bispo Dom Roberto. A proposta tem compromisso de construir uma sociedade mais justa, fraterna e solidária da fé cristã. Bem como compromisso com a vida de todos, em atendimento ao pedido do Papa Francisco para que não haja ‘nenhuma família sem casa, nenhum agricultor sem terra e nenhum trabalhador sem direitos’. Apresentar proposições para superar as enormes desigualdades econômicas e sociais de nosso município sempre terá meu apoio como educador, cristão e cidadão”, enumerou Jefferson Azevedo, reitor do IFF e provável candidato do PT a prefeito de Campos em 2024.

 

CVC Direita Campos

“A Igreja tem um papel importantíssimo na sociedade civil organizada. Os debates de ideias devem, como o bispo Dom Roberto se programa para promover, têm que se tornar cada vez mais presentes entre líderes políticos e líderes religiosos. Para que assim possamos evitar que pautas anticristãs se tornem uma realidade. A Igreja Católica condena expressamente o comunismo e isso deve ser propagado e divulgado por todos”, pregou CVC Direita Campos. E revelou a visão bolsonarista do cristianismo e do catolicismo, como em quase tudo mais, diametralmente oposta à visão petista.

 

Sérgio Mendes

“Fundamental essa iniciativa de Dom Roberto, na medida que vamos participar dessa exposição cidadã imbuídos em oferecer opiniões diferentes ao desenvolvimento social, político e econômico de nosso município. Resumidamente, é fundamental compreendermos o que cada postulante à PMCG propõe como novos caminhos de uma governança participativa e transparente”, explicou o ex-prefeito Sérgio Mendes. O deputado estadual Thiago Rangel confirmou à coluna presença no dia 25, mas não passou sua expectativa. Já Caio Vianna, como de hábito, demonstrou pouco interesse nos assuntos de Campos em anos não eleitorais.

 

Pelo decoro na política goitacá

Àqueles que se interessam, fundamental a tentativa de elevar a qualidade do debate eleitoral de Campos. Antes da Diocese anunciar seu evento, o Grupo Folha já vinha trabalhando neste sentido. Em entrevistas ao programa Folha no Ar, na Folha FM 98,3, com reprodução nesta coluna, cobraram o limite do decoro à política goitacá os cientistas políticos George Gomes Coutinho (confira aqui) e Hamilton Garcia (confira aqui), o especialista em Finanças Igor Franco (confira aqui) e o sociólogo Fabrício Maciel (confira aqui), professores, respectivamente da UFF-Campos, Uenf, Uniflu e UFF-Campos. Assim como o delegado campista de Polícia Civil Pedro Emílio Braga (confira aqui), titular da 123ª DP de Macaé.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Desigualdade, Lula na ONU e Campos 2024 no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Professores da Uenf, o sociólogo Roberto Dutra e o cientista político Hamilton Garcia são os convidados do Folha no Ar desta quarta (20), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Eles falarão sobre desigualdade social e políticas públicas para combatê-la, tema do livro lançado recentemente por Roberto e do seminário com ele e outros, organizado por Hamilton, a partir das 16h15 do dia 27, no miniauditório do CCH da Uenf.

Roberto e Hamilton também analisarão o discurso do presidente Lula na manhã de hoje, na Assembleia Geral da ONU. Falarão ainda dos limites éticos na política goitacá (confira aqui) e tentarão projetar o pleito a prefeito de Campos (confira aqui as três pesquisas eleitorais feitas em 2023) em 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 12 meses.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Igreja Católica de Campos vai nivelar debate de prefeitáveis

 

Dom Roberto Ferrería Paz espera no dia 25 de novembro os prefeitáveis Wladimir Garotinho, Marquinho Bacellar, Jefferson Azevedo e Sérgio Mendes. Assim como Thiago Rangel, Caio Vianna e CVC Direita Campos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Como fez em maio de 2019 (relembre aqui), com os então pré-candidatos a prefeito à eleição de novembro de 2020, a Diocese da Igreja Católica Romana em Campos, liderada por seu bispo Dom Roberto Ferrería Paz, promoverá um encontro para tentar nivelar por cima o debate sobre a cidade. E entre os nomes que hoje têm a pretensão de governá-la. Está marcado para às 10h da manhã do próximo dia 25 de novembro, na Igreja Nossa Senhora do Rosário, a popular Igreja do Saco. Quando faltarão pouco mais de 10 meses para as urnas municipais de 6 de outubro de 2024.

Só a partir das convenções partidárias, em julho do próximo ano, se poderá falar em candidatos a prefeito. Mas a Diocese se baseou no levantamento dos prefeitáveis feito pela Folha, reforçado em três pesquisas de intenção de voto (confira seus números aqui), para convidar o prefeito Wladimir Garotinho (PP); o presidente da Câmara Municipal, vereador Marquinho Bacellar (SD); o reitor do IFF, professor Jefferson Azevedo (PT); o ex-prefeito Sérgio Mendes (Cidadania), o deputado estadual Thiago Rangel (sem partido), o deputado federal Caio Vianna (PSD) e o militante bolsonarista CVC Direita Campos.

Como fez em 2019, véspera do pleito de 2020 que elegeria Wladimir prefeito no segundo turno, a Diocese e sua Pastoral da Cidadania frisam que o evento da véspera das urnas de 2024 não será um debate, apenas uma oportunidade para exposição de ideias. Ainda assim, dois meses antes do evento, confira as expectativas de alguns dos principais convidados que já confirmaram presença na Igreja do Saco, na manhã de 25 de novembro:

 

(Arte: Diocese de Campos)

 

Wladimir Garotinho — “É um espaço de ideias que, em todas as eleições, o bispo Dom Roberto e a Diocese promovem. É um momento de falar sobre valores democráticos e de projetos para a cidade. Mais uma vez estarei presente, como em todas as outras”.

Marquinho Bacellar — “Desde sua chegada ao município, o bispo Dom Roberto Ferrería tem estimulado importantes reflexões, sempre aberto ao diálogo e preocupado com o desenvolvimento de Campos. Vai ser um espaço importante para apontar caminhos e refletir sobre o atual momento de Campos. Uma cidade com mais de 140 mil pessoas e 30% da população em situação de extrema pobreza. Retrato de uma pobre cidade bilionária. Não podemos fechar os olhos para essa realidade. Isso sem falar de outros problemas crônicos que serão analisados”.

Jefferson Azevedo — “Gostaria de parabenizar a Diocese de Campos, em especial nosso bispo Dom Roberto, pois propostas como essa revelam o compromisso de construção de uma sociedade mais justa, fraterna e solidária da fé cristã. Bem como o compromisso com a vida plena para todos, em atendimento ao pedido de atenção do Papa Francisco para que não haja ‘nenhuma família sem casa, nenhum agricultor sem terra e nenhum trabalhador sem direitos’. Pensar a realidade e apresentar proposições de futuro que visem superar as enormes desigualdades econômicas e sociais de nosso município são iniciativas que sempre contarão com meu apoio como educador, cristão e cidadão.

Sérgio Mendes — “Acho fundamental essa iniciativa de Dom Roberto, na medida que vamos participar dessa exposição cidadã imbuídos em oferecer opiniões diferentes com relação ao desenvolvimento social, político e econômico de nosso município. Resumidamente, é fundamental compreendermos o que cada postulante a PMCG propõe como novos caminhos de uma governança participativa e transparente”.

 

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Quatro meses sem Ícaro — Gota por gota brilhante vermelha

 

Aluysio e Ícaro Abreu Barbosa, Iquipari, 2004 (Foto: Rosana Vinhosa)

 

Álvares de Azevedo

Era chamado de 1º grau naquela primeira metade dos anos 1980. Todo cursado no Liceu de Humanidades de Campos, quando o ensino público era referência. Hoje, acrescidos ao antigo primário como últimos quatro anos do ensino fundamental. Lá tomou conhecimento do Romantismo no Brasil. Entre outros, ouviu falar pela primeira vez no poeta Fagundes Varela. E varou madrugadas assombrado pelo retrato em branco e preto do poeta Álvares de Azevedo.

Castro Alves

Naquela época, aos 14 anos, seria capturado pela poesia. Não em nenhuma didática escolar. Mas, por indicação paterna, da primeira leitura de “O navio negreiro”, de Castro Alves. Ainda sem saber como, ali destinou-se: queria despertar nas pessoas, antes de ler Pessoa, a “turba de infantes inquieta”. Em empatia às “Legiões de homens negros como a noite,/ Horrendos a dançar” no canto daquele baiano libérrimo, audaz. Que, aos 21 anos, a brisa do Brasil beijou e balançou. Na visão do albatroz alçada em 1868, quando o homem ainda não voava.

Na passagem dos séculos seguintes, o adolescente já era homem e pai do filho único, nascido em 1999. Um pouco mais tarde, em 2007, o poeta e ensaísta Alexei Bueno lançou “Uma história da poesia brasileira”. Que, no Romantismo, pinça a resposta de Castro Alves sobre o poeta que mais admirava: “Entre os mortos, Álvares de Azevedo; entre os vivos, Fagundes Varela”.

Fagundes Varela

No livro de Bueno, o pai deu com o poema “O cântico do calvário”, considerado a obra-prima de Varela, e suas circunstâncias. Que o poeta romântico, então aos 21 anos, dedica “à memória de meu Filho morto a 11 de dezembro de 1863”. E no qual sentencia antes de beber até morrer 12 anos depois: “Eras a glória, — a inspiração, — a pátria,/ O porvir de teu pai!”.

Impactado, como quando adolescente e leu a primeira vez “O navio negreiro”, o pai tremeu com aquela nova perspectiva. Não mais do albatroz sobrevoando “um sonho dantesco”. Mas de dentro deste, em sua visão mais profunda. Em empatia próxima à que teve pelos africanos escravizados e acorrentados no “porão negro, fundo,/ Infecto, apertado, imundo” de um navio, anotou à caneta no branco lateral da página do livro. Como não poderia sentir um homem que nunca teve filho: “Sei de Fagundes Varela. Sei da sua dor. E o amo por isso”.

Manuel Bandeira

Modernista após o início parnasiano, o poeta e crítico Manuel Bandeira foi outro impactado pela leitura de “O cântico do calvário”. Que classificou como “uma das mais belas e sentidas nênias da poesia em língua portuguesa. Nela, pela força do sentimento sincero, o Poeta atingiu aos 21 anos uma altura que, não igualada depois, permaneceu como um cimo isolado em toda a sua poesia”.

Pensava em tudo isso enquanto caminhava no Boulevard de Campos, no final da manhã da última quarta-feira, dia 13, em direção à Catedral. Onde a mãe havia colocado na missa do meio-dia o nome do filho de ambos. Cuja morte precoce, aos 23 anos, completava quatro meses naquele dia contrastante de setembro, em vento e sol igualmente fortes.

Paula Meehan

O pai encontrou a mãe. Chorava sob a sombra de uma das colunas da entrada da igreja matriz. Veio-lhe a lembrança imediata de um poema que havia enviado a ela dois dias antes. Considerada entre os maiores nomes da poesia contemporânea da Irlanda, terra dos poetas por excelência, a pós-moderna Paula Meehan desvelou em versos a face materna da dor do romântico Varela. Indizível a qualquer mãe ou pai, “gota por gota brilhante vermelha”:

 

O enterro da criança

(Tradução de André Caramuru Aubert)

 

Seu caixão parecia irreal,

bonito como um bolo de casamento.

 

Escolhi suas roupas com cuidado

sua camisa listrada favorita,

 

suas calças azuis de algodão.

Cheirando a lenha queimada, a outubro,

 

seu próprio aroma ali também.

Escolhi uma malha de lã tricotada à mão,

 

quente e felpuda para você. É tão

frio lá embaixo, no escuro.

 

Nenhuma luz te alcançará para poder mostrar

os voos dos pássaros selvagens,

 

os nomes das flores,

dos peixes, das criaturas.

 

Você nada saberá

do sol e do que ele faz,

 

meu cordeiro, meu bezerro, minha aguiazinha

meu filho, meu filhote, minha cria,

 

meu bebê, meu potrinho. Eu voltaria

no tempo, trazendo-o de volta

 

para o meu útero, sua toca amniótica,

e o levaria ainda mais para trás

 

através de nove acalentados meses

para o momento da compartilhada semeadura

 

em que você decidiu se fazer carne,

promessa dentro de mim.

 

Eu cancelaria a celebração do amor

a noite quente de sua criação.

 

Eu viajaria sozinha

para um lugar tranquilo coberto de musgo,

 

e você transbordaria de mim para a terra

gota por gota brilhante vermelha.

 

Página 4 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

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