Garotinho a deputado federal e Clarissa a senadora

 

Anthony e Clarissa Garotinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Anthony Garotinho (União) não será mais candidato a governador. E sua filha Clarissa (União) não será mais candidata à reeleição como deputada federal. Clarissa deve ceder a vaga para o pai, que não conseguiu com o União a vaga para disputar a governador e deve se candidatar a deputado federal.

Na semana passada, já com a impossibilidade de concorrer a governador à vista, o grupo cogitava lançar Garotinho a deputado estadual. Mas tudo hoje indica que, se tiver condições jurídicas, ele deve concorrer mesmo a deputado federal.

Com a dificuldade de eleição para deputada estadual, com outras pré-candidaturas do grupo já lançadas, Clarissa acabou se lançando ao Senado, que este ano oferece apenas uma vaga ao Estado do Rio.

 

Confira todos os bastidores dessa movimentação na coluna Ponto Final da Folha da Manhã desta quarta (20).

 

Morre o historiador João Monteiro Pessôa, professor do IFF

 

João Monteiro Pessôa, historiador e professor do IFF-Guarus (Foto: Raquel Azevedo)

 

Morreu no início da madrugada de hoje, de complicações de um câncer de intestino, o historiador João Monteiro Pessôa, professor do IFF-Guarus. Ele tinha apenas 43 anos, não tinha filhos, e deixa o pai Wagner, a mãe Verônica, a irmã Mariana e a namorada Raquel. Seu corpo será velado no Campo da Paz, a partir do meio-dia, e sepultado às 16h de hoje.

Apesar da pouca idade, João era um dos mais brilhantes historiadores de Campos. Tinha conhecimento profundo de geopolítica e história militar, da Antiguidade à Idade Contemporânea. Ele descobriu o câncer no início deste ano. E lutou por sua vida, na guerra pessoal contra a doença, com a mesma coragem dos mais bravos personagens que conheceu nos livros. Submeteu-se a três cirurgias e vinha fazendo sessões de quimioterapia. Ele morreu por volta da 0h de hoje, em sua casa, onde tinha montado uma estrutura de homecare.

Jefferson Manhães de Azevedo

— Todos nós estamos muito abalados no Instituto, especialmente o nosso campus Guarus, todos nós que tivemos a oportunidade de conviver com o professor João, um destacado professor, muito comprometido com a educação. Tem uma família que também faz parte da nossa instituição, seja o seu pai, o professor Wagner, ou seja a sua irmã, a bibliotecária Mariana. Todos estamos muito sentidos. É uma perda muito precoce. E, neste momento, o que temos que fazer é estar solidários a todos os amigos e familiares por essa dor profunda — disse o professor Jefferson Manhães de Azevedo, reitor do IFF.

 

Minha história com o historiador João

Conheci o João há cerca de 10 anos, quando ele apresentou o filme “Dien Bien Phu” (1992), de Pierre Schoendoerffer, no Cineclube Goitacá. O filme era homônimo da última batalha da Guerra da Indochina (1946/1954), na qual os colonizadores franceses foram expulsos à bala do sudeste da Ásia. Foi o prelúdio da Guerra do Vietnã (1955/1975), na qual outra potência militar do Ocidente, os EUA, acabariam também derrotados.

No debate após a exibição do filme, João estava falando do fracasso da Ofensiva de Tet, em 1968. Quando as forças comunistas do Vietnã do Norte e as da guerrilha vietcong do capitalista Vietnã do Sul surpreenderam ao tomar neste várias cidades, que não conseguiram manter. Fui me meter a besta de contestar, dizendo que a Ofensiva de Tet, embora tenha sido um fracasso tático, foi um sucesso estratégico, no sentido de provar ao mundo que os EUA poderiam ser derrotados. E recebi uma aula de João, de quem reconheci os conhecimentos superiores no assunto, me rendendo como os franceses em Dien Bien Phu.

Tempos depois, na eleição de 2018, numa das matérias que fiz sobre as pesquisas presidenciais que indicavam a vantagem de Jair Bolsonaro na disputa, foi João quem me questionou nas redes sociais. E, desta vez, creio ter sido eu a demonstrar conhecimentos superiores na cobertura jornalística de pesquisas eleitorais. Que muitos eleitores convertidos em torcedores, a favor ou contra um candidato, confundem com simpatia pessoal do jornalista por quem é apontado como favorito na frieza dos números. Veio a palavra final das urnas e Bolsonaro, confirmando as pesquisas, se elegeu presidente.

Mais algum tempo se passou quando, em janeiro de 2020, resolvi criar um grupo de WhatsApp para o blog Opiniões e o programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3. E dado o gosto de João pelo debate, bem como por seu conhecimento enciclopédico de História, o adicionei logo na primeira leva de convidados. E, confirmando minhas previsões, ele se tornou um dos debatedores mais brilhantes do grupo.

Quando alguém, que não ele, puxava no grupo um assunto sobre História, particularmente sobre a II Guerra Mundial (1939/1945), tema que dominava como poucos, ficava a pensar: “Lá vem o João, descendo a ladeira”. Tê-lo no grupo era também um desafio pessoal. Em qualquer debate, tenho a mesma tática dialética: em caso de dificuldade, puxo o assunto para a História. E, diante de João, puxar para a História era perder o debate de antemão. Debater com ele me forçou a novos caminhos retóricos.

Um desses debates, que se desenrolou no grupo entre João, o servidor federal Edmundo Siqueira, o advogado Hanania Monjin e mim, acabou convertido em crônica. Passando por integralismo, nazifascismo, Bolsonaro, Lula e FHC, foi publicada na Folha da Manhã e neste blog em 9 de outubro de 2021. João também brilhou como o entrevistado duas vezes no Folha no Ar, em 20 de janeiro de 2021 e 22 de fevereiro deste ano. Quando passeou, com a mesma aguda capacidade de análise, da planície goitacá à geopolítica do mundo.

Sempre quando saio de férias, me desligo de grupos de trabalho, retomando-os só ao retornar à lida. Em abril deste ano, quando voltei das minhas últimas férias, notei que João havia saído do grupo. E, como sempre faço na saída de alguém, indaguei no particular do motivo da decisão. Foi quando João me revelou a descoberta do câncer no intestino e de como estava completamente focado na sua luta contra ele.

Passamos a nos falar com regularidade quinzenal, por telefone. Acompanhando seu caso, tentei ajudar como podia. Com a experiência de quem já acompanhou de perto outras pessoas em luta contra o câncer, posso testemunhar a coragem e a dedicação com que João lutou. Nunca demonstrou revolta com a sua situação. Até que, a manhã de hoje, por sua cunhada Gedaias, soube da sua morte.

A última conversa que tivemos foi no sábado do dia 9. Após falarmos longamente durante a tarde daquele dia, estendemos o papo pela noite, em troca de mensagens de WhatsApp. Mandei-lhe um poema da minha autoria. E pedi que não mostrasse a ninguém, por ainda não ter sido publicado. Ao que ele respondeu:

— Fica entre nós e obrigado por compartilhar comigo. De qualquer experiência, por pior que seja, a gente sempre pode tirar coisas boas. Posso dizer com toda sinceridade que uma delas tem sido descobrir seu carinho, boa vontade e solidariedade comigo. Algo pelo qual serei sempre grato. Espero poder, parafraseando o policial francês em Casablanca, dizer que isso pode ser o começo de uma bela amizade. Obrigado por tudo meu amigo, e um grande abraço.

Ao lado do professor Arthur Soffiati, João foi o mais brilhante historiador que tive a oportunidade de conhecer pessoalmente. Tinha um que de polemista, mas também de gentileza. Conhecedor dos campos de batalha da História, encarou o seu com força de caráter incomum. Foi-se cedo demais, mas lutou o bom combate em várias frentes.

Nunca comungamos o chope que vivíamos adiando. E que, agora, fica para a próxima. Reserve o lugar na mesa, amigo. Na daqui, o seu lugar precocemente vazio é saudade.

 

França e a luz que brilha mais que todas as outras

 

Luiz Carlos Pontes França (Foto: Kid Soares)

Conheço Luiz Carlos Pontes França, ou simplesmente França, desde que me entendo por gente. Ele foi diretor da Folha da Manhã, alguns anos depois da fundação do jornal em 1978, até sua saída no final dos anos 1990. Coube a mim, ao vivo no programa Folha no Ar, na Folha FM 98,3, na manhã de ontem (15), noticiar sua morte. Que se dera algumas horas antes do mesmo dia, no Hospital das Clínicas de Niterói, onde estava internado desde 29 de junho.

Antes de anunciar sua morte na sexta, sabia desde o dia anterior (14), por meio do jornalista e amigo comum José Cunha Filho, da irreversibilidade do quadro clínico de França. Que confirmei em sequência de ligações com Márcio Sidney, médico que se tornou amigo de França quando os dois trabalharam jutos, nos ultimos 25 anos, na Unimed-Campos e na Fundação Benedito Pereira Nunes, mantenedora do Hospital Escola Álvaro Alvim e da Faculdade de Medicina de Campos. Assim como confirmei com Paula, esposa de França, sua companheira há 53 anos e minha madrinha.

Por conta dessas coisas da vida, estávamos afastados desde a sua saída da Folha. Sempre que nos víamos, em encontros ocasionais de mesas de bar, nos cumprimentávamos com afeto. Mas não tínhamos mais o convívio intenso que tanto marcou minha infância, adolescência e juventude. Fases do período formativo, para mim, profundamente marcadas por um tio França carinhoso, amigo. E, comigo mais do que com meu irmão Christiano, disposto a ser também uma espécie de tutor por interesses comuns. Lacônico e profundo, sem a condescendência que costuma marcar as relações de homens já maduros com os ainda muito jovens.

Em 14 de janeiro deste ano, na morte do poeta amazonense Thiago de Mello, França e eu nos reaproximamos. Muito amigo de Thiago, foi França quem me havia apresentado a ele, ainda menino. Mais velho, após ler o poeta, lembro muito de comungar com França não só o apreço comum pelo todo da obra de Thiago, sobretudo a inicial, como por um dos seus pontos altos: “Narciso Cego”. Era o título de um poema e um livro de 1952, que França e eu julgávamos o grande oxímoro da língua portuguesa. Esta, tão rica, desde sua fundação pelo luso Luís de Camões, dessa figura de linguagem que reúne expressões antagônicas para reforçar uma ideia.

Depois da reaproximação pelas memórias afetivas comuns que emergiram na morte do poeta, França e eu marcamos para nos reencontrar fisicamente, sem acaso. Foi ainda no verão deste ano. Combinamos de tomar algo e botar o papo em dia no Botequim do Amin, no parque Nova Brasília. Era uma noite de dia de semana e mesas vazias na Campos que migra sazonalmente às praias. Mas preenchida até a preamar naquele reencontro. Entre um gole e outro, conversamos sobre Thiago, poesia, arte, política, economia, Campos e suas hipocrisias, Brasil, mundo, mídia, a Folha, a saída dele dela, meus pais, Paula, seu filho Pedro e sua neta Alice, de apenas 3 anos, pela qual brilhava os olhos miúdos, por cima dos óculos, de maneira diferente.

Depois do verão, o acaso voltou a nos reunir. Foi no Vovó Dizia, no Parque Tamandaré. Estava acompanhado, como ele, de outro amigo comum de Folha, o jornalista Celso Cordeiro Filho. A princípio separados, por iniciativa minha, nos sentamos à mesma mesa. Com fome, após o dia no trabalho, devorei o pote de torresmo já pedido por França e Celso. A vergonha após o sacio acabou sendo boa. Pois, com a desculpa de pedir outro pote de torresmo, para comê-lo dessa vez todos, alongamos um pouco mais o papo. Entre goles de cerveja comungados, disse que este ano, enfim, lançaria meu livro de poesia.

A última vez que falei com França foi por telefone. O convidei ao churrasco por conta do meu aniversário, no último 24 de junho, dia de João Batista. Ele disse que não poderia ir, pois estava com viagem marcada naquele dia ao Rio, com Paula, para verem o filho e a neta. Mas garantiu que não faltaria ao lançamento do meu primeiro livro. França foi ao Rio, para não voltar. A Campos em que era uma exceção. Por sua cultura vasta, gostos refinados, elegância de gestos e tiradas mordazes. Internado desde o dia 29 em Niterói, cidade onde nasci, ele lá morreu ontem e será cremado hoje. No mesmo lugar em que meu pai o foi também.

De todos muitos momentos que guardo com França, alguns dentro de um estojo, lembro de um com especial carinho. Que, ainda adolescente, me fez desde compreender melhor minha relação comigo mesmo, com meu semelhante e o mundo. Na varanda do apartamento dos meus pais, era uma festa. Ele já via o mesmo mundo duas doses de uísque abaixo. E, só nós dois, me disse diante das luzes da planície goitacá espraiadas em noite alta:

— Está vendo todas aquelas luzes lá embaixo? Uma daquelas luzes é a sua. E, para você e só para você, ela sempre vai brilhar mais do que todas as outras.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Costura pode levar Garotinho a se candidatar à Alerj

 

Anthony Garotinho, David Loureiro, Juninho Virgílio, Wladimir Garotinho e Juninho Virgílio (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Embora mantenha o discurso “serei candidato a governador ou nada”, antecipado pela coluna Ponto Final, da Folha da Manhã, desde 18 de maio, o ex-governador Anthony Garotinho (União) pode acabar se candidatando a deputado estadual. A despeito de qualquer declaração pública, Garotinho só se decidirá na convenção estadual do União, que se projeta para 31 de julho. Mas, enquanto não se decide, quem esquentará a vaga da candidatura de Garotinho à Alerj é David Loureiro (União), ex-prefeito de São Fidélis.

Para apoiar a pré-candidatura — por enquanto — de David, o vereador Juninho Virgílio (União) retirou a sua própria pré-candidatura à Alerj. No que já estaria costurado entre Garotinho, a ex-prefeita Rosinha (União) e o prefeito Wladimir (sem partido), Juninho seria o candidato a presidente da Câmara de Campos, em eleição que tem até o fim do ano para acontecer. E na qual o governo hoje tem pouca chance contra o oposicionista Marquinho Bacellar (SD), eleito em 15 de fevereiro no pleito depois anulado pela atual Mesa Diretora.

Nessas costuras do grupo, primo de Juninho e seu principal cabo eleitoral, Thiago Virgílio (União) pode também ser o próximo secretário de Governo de Wladimir, cargo hoje ocupado por Angelo Rafael. Tudo depende, como a própria elegibilidade de Garotinho, da confirmação da anulação das condenações da Chequinho no Supremo Tribunal Federal (STF). Cujo placar parcial está em 3 a 2 pela nulidade das provas, após a reviravolta no voto do ministro Nunes Marques, em 1º de julho.

O que parece certo é afunilar as candidaturas do grupo à Alerj em duas: a de David/Garotinho e a natural do deputado estadual Bruno Dauaire (União), aliado de Wladimir. Sem contar as pré-candidaturas à Alerj dos vereadores governistas Thiago Rangel (Podemos) e Pastor Marcos Elias (PSC). Fechado também parece estar o apoio do Garotinhos à reeleição de Clarissa (União) a deputada federal. O que deixaria de fora a pré-candidatura ao mesmo cargo do líder lojista Marcelo Mérida (União).

 

Morre Luiz Carlos Pontes França, ex-diretor da Folha

 

Com Dora Paula Paes, Matheus Berriel e Mario Sergio Junior

 

Luiz Carlos Pontes França (Foto: Kid Soares)

Morreu por volta das 6h da manhã de hoje, no Hospital das Clínicas de Niterói, Luiz Carlos Pontes França, aos 75 anos. Seu corpo será velado e depois cremado, a partir das 10h15 da manhã deste sábado (16), no Cemitério Parque da Colina, também em Niterói. França, como era mais conhecido, deixa a esposa Paula, o filho Pedro e a neta Alice. Ele foi diretor da Folha da Manhã, um pouco depois da sua fundação em 1978, até o final dos anos 1990. Depois trabalhou por cerca de 15 anos no marketing da Unimed-Campos e outros oito anos na Fundação Benedito Pereira Nunes, mantenedora do Hospital Escola Álvaro Alvim e Faculdade de Medicina de Campos.

Resindentes em Campos, França estava com a esposa Paula desde 24 de junho na cidade do Rio de Janeiro. Tinham ido visitar o filho Pedro e a neta Alice, de 3 anos. No dia 29, ele começou a sentir fortes dores nas costas, sendo internado no Hospital das Clínicas de Niterói. Inicialmente foi diagnosticada uma anemia profunda, sendo depois descoberta uma massa considerável na altura do seu pescoço, que se supõe ser um câncer. Ele foi internado na UTI do hospital três vezes. Na última, após ser entubado, seu quadro era considerado desde ontem (15) clinicamente irreversível. O que, infelizmente, veio a se confirmar na manhã de hoje. O mais importante, segundo a esposa, é que “França partiu com toda a assistência médica e sem nenhuma dor”.

 

Paula França

— Muito inteligente, culto, autodidata brilhante, um grande companheiro nestes 53 anos de casados, uma pessoa muito especial. Conheci França quando tinha 17 anos, hoje estou com 70. Antes da Folha, ele trabalhou como marceneiro e teve escritório de publicidade. Era meio fechado, mas ao mesmo tempo adorava bater papo, que pontuava com tiradas sarcásticas, ácidas. Mas não guardava rancor e nunca falava mal de ninguém. Ele sempre dizia: “não posso perder as minhas mãos, pois elas são o meu ganha pão”. E com as suas mãos desenhou com o mesmo talento móveis, imóveis, campanhas publicitárias. Levou a vida que quis levar, bebeu todas, gostava muito de viver — testemunhou Paula França sobre o marido falecido.

 

Diva Abreu Barbosa

— França ajudou a fundar a Folha, era um grande artista gráfico. Fez toda a campanha de abertura da Folha. Ficou bastante tempo aqui, chegou a ser diretor, e, mesmo depois que saiu, continuou amigo. Tanto é que, nos 40 anos da Folha, ele foi um dos ex-diretores que fizeram parte da escolha da logomarca comemorativa. Resumindo, ele é Folha de coração. Ajudou o jornal a nascer, foi seu criador também. As pessoas nobres não deveriam morrer nunca! Vá em Paz, companheiro de tantas jornadas na Folha e na Vida! Meu abraço fraterno à sua forte companheira Paula e ao seu filho Pedro! Que Deus esteja convosco! — disse Diva Abreu Barbosa, diretora do Grupo Folha.

 

Cláudio César Soares

— O chamava de Seu Francinha. Era inteligente e gentil. Seu papo variado atraía ouvintes atentos e encantados. Com sua verve de artista gráfico de extremo bom gosto, seus traços mudaram a história do grafismo de Campos e deixaram marca eterna na Folha da Manhã. Vai encantar o Céu com suas histórias — falou Cláudio César Soares, publicitário e ex-diretor da Folha.

 

Márcio Sidney

— O passamento de Luiz Carlos Pontes França deixa uma enorme lacuna entre nós, que demandará muito tempo para ser absorvida.
Possuidor de inúmeros saberes e raro senso de humor, Francinha é um amigo singular, de rara inteligência, sempre em busca de novos conhecimentos e aprendizados. Um insaciável apreciador das artes e da cultura, as quais mantinha em constante atualização.
A sua amizade fraterna, leal, sadia e sincera deixa em nós uma grande marca registrada. Trabalhamos juntos nos últimos 25 anos seguidos. França foi o carro-chefe do marketing da Unimed-Campos durante os 16 anos em que respondi pela presidência. Cumprida esta etapa, ingressamos imediatamente depois na Fundação Benedito Pereira Nunes, onde Luiz Carlos França foi o chefe do setor de comunicação e marketing ao longo dos últimos 9 anos. E de onde também saímos juntos há seis meses, após cumprida mais essa missão. Já estou com uma imensa saudade deste meu grande amigo e irmão do coração. À querida Amiga Paula, ao filho Pedro e à neta Alice, a minha solidariedade, o enorme pesar e o compartilhamento da dor. Descanse em paz, amigo França! Que Deus o receba para a Vida Eterna no Reino dos Céus! — contou Márcio Sidney, médico e ex-diretor da Unimed-Campos.

 

Márcia Angela

— França foi meu colega de Liceu. Nós estudamos juntos, e ele sempre gostava muito de desenhar, estava sempre desenhando, com um traço muito bonito. E depois a gente se encontrou na Folha da Manhã, onde ele era um dos diretores da casa. Ele sempre com aquele jeito dele, quieto, observando, mas brincalhão, tinha umas tiradas engraçadas. Sempre gostei muito dele. Participei de festas animadas na casa dele, com grupo da nossa época. França foi uma pessoa importante, que também marcou a minha vida desde a juventude, no Liceu de Humanidade de Campos – recordou Márcia Angela, jornalista e colunista da Folha da Manhã.

 

Saulo Pessanha

— A minha relação com França começou no princípio dos anos 1970, quando ele integrou um grupo de colaboradores do (hoje extinto) jornal A Notícia, do mestre Hervé Salgado Rodrigues, e eu estava lá, atuando como repórter. Desenhista de mão cheia, França foi o responsável por um mural no Bar Doce Bar, sob o nosso comando, que pontuou à época na noite de Campos. Profissionalmente, reencontrei França anos depois, ele fazendo parte dos quadros de diretores da Folha da Manhã, e eu atuando na redação. Recebo com pesar o seu passamento. Muita luz para ele e sua família!” – disse Saulo Pessanha, jornalista e colunista da Folha da Manhã.

 

Genilson Soares

— Conheci o Luiz Carlos França em 1980, quando eu colaborava com a Folha da Manhã. E ele sempre foi motivo de inspiração. Na época, tinha o suplemento infantil A Folhinha, com ilustrações de e para crianças. Eu já conhecia o trabalho de França e passei a lidar diretamente com ele. Posteriormente, na publicidade, sempre trocávamos informações. Sempre tive admiração pela pessoa e pelo artista que ele foi — disse Genilson Soares, publicitário e artista plástico.

 

Ricardo André Vasconcelos

— Me uno aos amigos, parentes, especialmente a Paula, neste momento difícil em que oramos por uma passagem tranquila para o França, com quem convivi em várias de minhas passagens pela Folha, eu como repórter e depois editor, e ele, como diretor. Para mim, França sempre foi muito “na dele”, quase distante. Mas nos aproximamos nos primórdios da informatização da Folha. A coluna quase sagrada do jornalista Carlos Castello Branco, que a Folha publicava junto com o Jornal do Brasil, chegava à Redação via telex. Com a informatização incipiente, o texto do justificadamente festejado Castelinho, passou a ser enviado à redação por um complexo e quase incompreensível sistema de comandos e códigos, via o pioneiro computador que ficava na sala dele (França). Bastava seguir a sequência quase interminável para o qual só Luiz Carlos França fora treinando. Um belo dia, por ter uma viagem de férias pela frente, França me escolheu para transmitir os secretos códigos para receber a sagrada coluna do Castello. Tarefa que exerci com orgulho, por duas semanas, com o desesperado medo do insucesso. Anos depois, em mais um interregno de minhas vivências na Folha, foi França quem me ajudou a montar meu primeiro PC (Personal Computer), um 386, hoje jurássico. Acho que ainda tenho o orçamento desta minha primeira aventura pelo mundo da informática  com a caligrafia dele. Que Deus, em sua infinita bondade, lhe permita uma boa passagem e conforte o coração de Paula, parentes, amigos e admiradores — testemunhou Ricardo André Vasconcelos, jornalista e advogado.

 

Jane Nunes

— Ah, meu Deus! Eu perturbava tanto ele para me deixar colocar um “macarrão”, como chamávamos a página avulsa de jornal, nas edições que tinham muitos assuntos. E ele, sempre tão paciente, falava “vamos ver com o comercial”, mas nunca negou. Tinha uma visão ampla do jornal, das notícias . Que dor! — lamentou Jane Nunes, jornalista.

 

Sérgio Cunha

— Nossos sentimentos à esposa Paula, ao filho Pedro. França foi colega com quem tive a honra de trabalhar, era profissional de talento e uma pessoa de humor e inteligência fina. E era uma presença em nossa família: amigo, colega e irmão de meu pai, José Cunha, trabalhamos ainda eu e meu irmão, Marcus, com o Francinha. Deus conforte a todos da família e amigos — desejou Sérgio Cunha, jornalista e secretário de Comunicação de Campos.

 

 

Wellington Cordeiro

— Trabalhei com França na assessoria de comunicação da Fundação Benedito Pereira Nunes e realmente era uma pessoa muito especial. Dono de uma memória privilegiada e de conhecimentos de cultura geral impressionantes. Com ele aprendi muito, seja seriedade no trabalho, ou descontração na mesa de bar. Tinha um gosto musical, gastronômico e etílico apuradíssimo. Se associou à Associação de Imprensa Campista, a meu convite, e logo aceitou fazer parte da chapa na minha eleição, no Conselho Fiscal. A tristeza desse momento se justifica pela falta que ele fará — disse Wellington Cordeiro, jornalista e presidente da Associação de Imprensa Campista (AIC).

 

 

— A Associação de Imprensa Campista registra com profundo pesar, o falecimento do Conselheiro Fiscal da Associação de Imprensa Campista, Luiz Carlos França, aos 75 anos. França estava internado no Hospital das Clínicas de Niterói, onde veio a falecer às 6h da manhã desta sexta-feira (15). Ele foi diretor do jornal Folha da Manhã e atuou cerca de 16 anos no Setor de Marketing da Unimed-Campos. Finalizou sua carreira como assessor de comunicação da Fundação Benedito Pereira Nunes, entre os anos de 2013 e 2021. Seu corpo será cremado neste sábado no Cemitério Parque da Colina, em Niterói. A AIC expressa solidariedade e as mais sinceras condolências a seus familiares e amigos — registrou em nota oficial a Associação de Imprensa Campista.

 

 

José Cunha Filho

— Era para ser a “Navalha de Ockam”. Tal como preconizam os monges cartuxos. Simples, rápida, direta e objetiva. Assim se procede uma informação correta. Não dá. Meu amigo Luiz Carlos Pontes França, o querido Francinha, morreu no quarto de UTI de um hospital em Niterói. Atendi o telefone na sexta, cedo ainda, crente de que falaria com Dom Luiz, como o chamava Marcio Moreira Alves, outro amigo de ontem. Mas, não era ele, era o Pedro, seu filho e meu aprendiz de xadrez quando tinha ainda 6 anos. Com a voz embargada, Pedro me disse que o Dom Luiz estava à morte, vítima de uma doença parida por algum monstro como o câncer ou ataques hemofílicos. Caí do chão ou no chão, lá sei, minha mulher me ergueu e me consolou. E eu fiquei órfão da presença/ausência do amigo/irmão. Dom Luiz encantou-se de repente. Possa que tenha tomado carona na lua cheia e bela, viaje rumo ao infinito, em paz. Sim, em paz, diz o Pedro, chorando, que ele parece dormir, calmo e tranquilo. Há muitas moradas na casa do Pai, falam as Escrituras. Mas, poderiam ter permitido que ele gozasse mais um pouco deste louco país e alucinado planetinha azul que marcha para a extinção a galope. Êi, Francinha! Dá para degustar, entre as constelações reveladas pelo James Webb um gole de Periquita, que nem o bebido por nós num restaurante de Grussaí?Aproveite, exija o da melhor safra dourada pelo sol português e brindemos que é boa a vida, boa deve ser a sua viagem também, que você é merecedor, artista, poeta, ilustrador, bom conversador e se bobear até mesmo, se lhe dessem chance, convenceria a “indesejada das gentes” a lhe dar mais um tempinho a ser compartilhado com a gente aqui. Náufragos que somos. Somos todos. Órfãos de sua presença, amigo! Esteja em paz, Francinha! — escreveu José Cunha Filho, jornalista.

 

 

Ana Helena Ribeiro Gomes

— Amanheço mais pobre. Menos amizade, menos brindes. Perco também um pouco da memória de décadas, sem ter a quem recorrer por lembranças, datas, acontecimentos. Dom Luiz, nome cunhado pelo poeta Thiago de Mello diante da fidalguia de Luuiz Carlos França fala bem do seu refinado humor, aponta para seu gosto pela cozinha, a casa sempre impecável, as flores e as cores espalhadas. Nossa navegação pelo Amazonas, a travessia de quatro baías de águas avassaladoras, dias até chegar a Belém dormindo em rede e comendo a comida de bordo, no terceiro dia da viagem, já mais acostumado voltou do almoço no andar de baixo da embarcação. Diante da estrada do infinito que meu amigo tomou, urge evocar a arte de perder, poema da inglesa Elizabeth Bishop que fala da sensibilidade que exigem os vazios. Já os ganhos podem ser espalhafatosos e costumam ser alardeados. Perder é arte. Luz no portal, Dom Luiz! Vou fazer um réquiem em sua homenagem —testemunhou Ana Helena Ribeiro Gomes, jornalista.

 

Castro lidera a governador em empate técnico com Freixo

 

Claúdio Castro e Marcelo Freixo (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

O governador Cláudio Castro (PL) lidera a corrida ao Palácio Guanabara, nas urnas de 2 de outubro, daqui a exatos 80 dias. Mas em empate técnico com o deputado federal Marcelo Freixo (PSB). Foi o que mostrou a pesquisa Genial/Quaest feita de 8 a 11 de julho e divulgada hoje. Nela, Castro apareceu com 24% das intenções de voto na consulta estimulada, com 22% para Freixo. Na margem de erro de 2,8 pontos para mais ou menos, estão tecnicamente empatados. O governador também venceria o segundo turno de 30 de outubro contra o deputado, mas em outro empate técnico: 36% a 31%.

Na consulta estimulada do primeiro turno, Castro e Freixo vieram seguidos do ex-governador Anthony Garotinho (União) e do ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves (PDT), com 6% cada; do ex-presidente nacional da OAB Felipe Santa Cruz (PSD) e dos professores Cyro Garcia (PSTU) e Eduardo Serra (PCB), com 2% cada; e do deputado federal Paulo Ganime (Novo) e do coronel reformado da PM Emyr Laranjeira (PMB), com 1% cada. A pesquisa foi feita antes de o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, anunciar ontem (13) a aliança com o PSD, na qual Santa Cruz passa a integrar como vice a chapa encabeçada por Neves.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público pelo IBGE

— A exatos 80 dias das eleições, Cláudio Castro e Marcelo Freixo fazem a disputa mais acirrada a governador em todo o país. O que deixa indefinido qualquer tipo de prognóstico, a não ser a existência de um segundo turno entre os dois. Com margem de erro de 2,8 pontos para mais ou para menos, Castro está numericamente à frente do deputado federal na consulta estimulada: 24% a 22% no cenário com Garotinho. Até o segundo turno está tecnicamente empatado, com Castro à frente de Freixo por 36% a 31%. Porém com possibilidade de inversão da vitória, no primeiro e no segundo turnos, dentro da margem de erro — analisou o geógrafo William Passos, com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

Eleição ainda aberta

Embora não conte tanto tão próximo das urnas, a pesquisa espontânea da Genial/Quaest revela que, apesar da polarização entre os dois líderes da corrida, a eleição a governador do RJ ainda está aberta. Sem a apresentação dos nomes dos pré-candidatos, 79% dos eleitores disseram ainda estar indecisos, com 10% das intenções de voto a Castro, 5% a Freixo e 3% a outros candidatos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Pela Genial/Quaest a eleição ao Palácio Guanabara também aparece ainda aberta: ainda podem mudar o voto 41% dos eleitores de Castro, 55% de Freixo, 59% de Garotinho e 61% de Neves. Além disso, 36% dos eleitores disseram preferir um govenador que não fosse ligado ao presidente Jair Bolsonaro (PL), como Castro; nem ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como Freixo. Já outros 32% preferem um governador mais ligado a Lula, enquanto 28% preferem um governador mais ligado a Bolsonaro.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Segundo turno e rejeição

Nas demais simulações da Genial/Quaest ao segundo turno, Castro bateria fora da margem de erro tanto a Neves, por 37% a 21%; quanto a Garotinho, por 44% a 19%. Freixo também derrotaria num eventual segundo turno o ex-prefeito de Niterói, por 31% a 24%; e o ex-governador campista, por 38% a 21.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Freixo tem, no entanto, um agravante contra sua pré-candidatura a governador no segundo turno. Só abaixo de Garotinho, com 70% do eleitorado que não votaria nele de maneira nenhuma, Freixo tem 41% de rejeição. No índice negativo, Castro ficou com 29% e Neves, 21%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Eleição a governador no interior

A pesquisa Genial/Quaest fez sua pesquisa por regiões dividindo o Estado do Rio em apenas três: capital, Baixada Fluminense e interior. Assim, não é possível dizer como a eleição está só no Norte e Noroeste Fluminense. Em todo o interior, incluindo Campos, Castro registra sua maior vantagem sobre Freixo: 24% a 15% das intenções de voto. O governador bate o deputado também na Baixada: 24% a 17%. Freixo só ganha na capital: 31% a 23%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

A presidente no RJ

Se Castro lidera a corrida a governador em empate técnico com Freixo, a situação do Estado do Rio é invertida entre direita e esquerda a presidente da República. A Genial/Quaest registrou que Lula lidera sobre Bolsonaro entre o eleitorado fluminense, por 39% a 34% das intenções de voto na consulta induzida. Na margem de erro de 2,8 pontos da pesquisa, o ex-presidente e o atual estão tecnicamente empatados no RJ.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

A senador do RJ

Se Lula lidera a presidente em empate técnico com Bolsonaro no RJ, a Genial/Quaest deu vantagem folgada ao pré-candidato bolsonarista a senador. O ex-craque Romário (PL) se reelegeria ao cargo com 32% de intenções de voto na consulta induzida. Ele veio seguido na pesquisa pelos deputados federais Alessandro Molon (PSB), com 11%; e Clarissa Garotinho (União), com 9%. Em entrevista ao Folha no Ar de 1º de julho, Clarissa disse que tentará a reeleição à Câmara Federal em outubro.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Uenf, Solar dos Jesuítas e outubro no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Reitor da Uenf, o professor Raul Palacio é o convidado do Folha no Ar desta quinta (14), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará a vida da maior universidade de Campos e região após a retomada das aulas presenciais.

Raul falará também sobre o papel da Uenf, entre Alerj e Prefeitura de Campos, na reforma do Solar dos Jesuítas, que abriga o Arquivo Público Municipal. Por fim, ele tentará projetar as eleições de outubro a deputado federal e estadual na região, a governador e presidente.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Críticas a Wladimir e à “covardia” dos 5% da oposição

 

Frederico Barbosa Lemos, Wladimir Garotinho e Marquiho Bacellar (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Nota 9,5 a Francimara em SFI

“Digo sem medo de errar: Francimara (Barbosa Lemos, SD) merece nota 9,5 (pelo seu 1º ano e meio do segundo governo em São Francisco de Itabapoana). A saúde do município hoje se tornou um espelho para a região, atendendo 90% da demanda. Com o tomógrafo, zeramos a fila de espera. Agora foi licitado o mamógrafo para entregar à população. Saímos do último lugar do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) para 31º entre os 92 municípios do RJ”. Foi o que disse na manhã de ontem, ao programa Folha no Ar, o marido da prefeita, Frederico Barbosa Lemos (SD), ex-prefeito de SFI e pré-candidato a deputado estadual.

 

 

“Marquinho é o presidente”

Ao comentar a situação tranquila entre Executivo e Legislativo em SFI, onde o governo tem 12 dos 13 vereadores, Frederico fez críticas à situação de beligerância entre poderes vivida hoje em Campos e São João da Barra. “Não me cabe julgar Wladimir (Garotinho, sem partido) em Campos, e a ex-prefeita Carla (Machado, atual PT), em São João da Barra. Mas tenho certeza que faltou diálogo. Esticou demais a corda, com uma eleição de (presidente da) Câmara (de Campos, em 15 de fevereiro) antes do prazo. Pagaram para ver. E vamos dar a César o que é de César: Marquinho Bacellar (SD) é o novo presidente da Câmara de Campos”.

 

“Remanejamento de 5% é covardia”

Apesar de reconhecer a vitória de Marquinho Bacellar na eleição (depois anulada) a presidente da Câmara, como a atuação do deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL), Frederico foi crítico à tentativa arquitetada pelos Bacellar, nos Legislativos de Campos e SJB, de emparedar os prefeitos Wladimir e Carla Caputi (sem partido) com apenas 5% de remanejamento no Orçamento, a partir de 2023. “No meu entender, 5% é covardia. Tudo tem que ter um consenso: se não dá 40%, dá 30%, dá 20% (de remanejamento), independente de quem esteja sentado na cadeira (de prefeito). Que a Câmara não consiga engessar o Poder Executivo”.

 

“Sou único independente à Alerj”

Ao falar sobre a sua pré-candidatura a deputado estadual pelo SD, Frederico traçou sua meta eleitoral, depois que o partido homologar em convenção seu nome à disputa de uma vaga na Alerj. Ele projetou que, com 25 mil votos, conseguiria se eleger em outubro. E disse que trabalhará para tentar fazer 12 mil em São Francisco e 10 mil em Campos. “Estou construindo ainda o nosso projeto. Mas digo sem medo de errar: sou o único pré-candidato (a deputado estadual) da região independente. Em Campos principalmente. Sou o único (da região à Alerj) que não está ligado a nenhum grupo político”.

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Lula e Bolsonaro no 2º turno?

Na parte final da entrevista de Frederico de ontem ao Folha no Ar, ele apostou no segundo turno presidencial. Sobretudo após ser lembrado pela bancada do programa que, na segunda (11), a pesquisa BTG/FSD foi a terceira na sequência do mês de julho a projetar a existência do segundo turno, em 30 de outubro, entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL). Após as pesquisas de maio e junho, sobretudo as Datafolha dos dois meses, indicarem a possibilidade de Lula fechar a fatura presidencial ainda no primeiro turno, em julho a Genial/Quest, a PoderData e a BTG/PSB projetaram o segundo turno.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Números de julho a presidente

Feita de 29 de junho a 2 de julho, a pesquisa Genial/Quaest induzida — com a apresentação dos nomes dos presidenciáves — deu 45% de intenções de voto a Lula e 31%, a Bolsonaro, no primeiro turno. E a vitória do petista no segundo turno por 53% a 34%. Feita de 3 a 5 de julho, a PoderData induzida deu 44% de intenções de voto a Lula e 36%, a Bolsonaro, no primeiro turno. E a vitória do petista no segundo turno por 50% a 38%. Divulgada na segunda-feira e feita de 8 a 10 de julho, a BTG/Pactual induzida deu 41% a Lula e 32%, a Bolsonaro, no primeiro turno. E a vitória do petista no segundo turno por 53% a 37%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

No que 13 e 22 se nivelam

Quem trabalha com análise de pesquisas eleitorais pode observar fenômeno curioso. Que revela semelhança entre bolsonaristas e lulopetistas, a despeito das muitas diferenças. Todas as pesquisas que dão vantagem de Lula, sobretudo as de maio e junho que apontavam sua eleição ainda no primeiro turno, são questionadas em atos de fé bolsonaristas. Com as três pesquisas mais recentes de julho, que projetam o segundo turno, muitos lulopetistas agora reagem religiosamente, também questionando a ciência estatística. Aos abduzidos na polarização Lula/Bolsonaro, sua paixão irracional vale mais que a lógica fria dos números.

 

Em julho de 2021, enquanto pitava um grafite contratado em muro particular na rua Conselheiro Otaviano, o artista plástico Andinho Ide foi ameaçado com um revólver por um bolsonarista de Campos. O grafite foi apagado por bolsonaristas (Foto: Instragram)

 

No que não há nivelamento

No que não há nivelamento, o país se consternou com a morte a tiros do guarda civil petista Marcelo Arruda, na festa dos seus 50 anos com Lula de tema. Marcelo foi assassinado a tiros no seu aniversário pelo invasor bolsonarista José Guaranho, agente penal federal, ferido a tiros na reação. O fato se deu na noite de sábado (9), em Foz do Iguaçu (PR). Em Campos, por sorte, tragédia muito parecida não aconteceu em 31 de julho de 2021. Contratado para trabalho de grafite crítico a Bolsonaro pelo proprietário de um muro da Conselheiro Otaviano, o artista plástico Andinho Ide teve uma arma apontada contra ele na rua por um bolsonarista goitacá.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Destino da UFF-Campos e IFF no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Diretora da UFF-Campos e reitor do IFF, respectivamente, os professores Ana Costa e Jefferson Manhães de Azevedo são os convidados do Folha no Ar desta quarta (13), ao vivo a partir das 7h, na Folha FM 98,3. Eles analisarão os cortes propostos pelo governo Jair Bolsonaro (PL) no Orçamento da União de 2023 para as Universidades e Institutos Federais, bem como suas consequências diretas em Campos e região.

Ana e Jefferson também darão suas projeções de outubro para deputado federal e estadual na região, a governador do RJ e a presidente da República. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Frederico Barbosa Lemos no Folha no Ar desta quarta

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ex-prefeito de São Francisco de Itabapoana (SFI), empresário, radialista e pré-candidato a deputado estadual, Frederico Barbosa Lemos (SD) é o convidado do Folha no Ar desta quarta (12), ao vivo a partir das 7h, na Folha FM 98,3. Ele avaliará o governo da esposa, Francimara Barbosa Lemos (SD), em SFI, assim como a sua relação com a Câmara Municipal.

Frederico também analisará as pré-candidaturas da região a deputado estadual, como a sua, e a deputado federal. Por fim, tentará projetar as eleições de outubro a governador do RJ e a presidente da República.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

BTG/FSB também aponta 2º turno com vitória de Lula

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Divulgada hoje, a 83 dias das urnas do primeiro turno de 2 de outubro, pesquisa presidencial BTG/FSB indica que haverá segundo turno entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), marcado para 30 de outubro. O petista lidera a consulta induzida, com 41% das intenções de voto, seguido pelo capitão, com 32%. Na projeção de segundo turno, Lula bateria Bolsonaro por 53% a 37%. Após as pesquisas de maio e junho projetaram a vitória do ex-presidente já em turno único, a BTG/FSB divulgada hoje é a terceira na sequência neste mês de julho a apontar — depois da Genial/Quaest e da PoderData — na definição presidencial só no segundo turno. Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, a nova pesquisa foi feita entre 8 e 10 de julho, ouvindo 2.000 eleitores por telefone.

Na consulta induzida BTG/FSB, depois de Lula (41%) e Bolsonaro (32%), vieram o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), com 9%; a senadora Simone Tebet (MDB), com 4%; o deputado federal André Janones (Avante), com 3%; e o cientista político Felipe D’Ávila (Novo), a socióloga Vera Lúcia (PSTU), e o influenciador Pablo Marçal (Pros), cada um com 1% de intenções de voto. Atrás de Lula, se somados, todos os demais presidenciáveis teriam hoje 51% dos votos válidos. O que hoje afasta fora da margem de erro a possibilidade de definição da eleição presidencial no primeiro turno.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE

— Na consulta estimulada FSB, Lula atingiu 41%, contra 43% da pesquisa anterior do mesmo instituto, de junho, e Bolsonaro 32%, contra 33%, na mesma comparação. Assim, a exemplo das pesquisas divulgadas por outros institutos, o levantamento da FSB, encomendado pelo Banco Pactual, mostra estabilidade do cenário eleitoral, a 83 dias da abertura das urnas. Por ter sido realizada por telefone, de maneira semelhante às ligações por telemarketing, a metodologia do Instituto FSB possui viés mais elitizado, entrevistando uma camada da população mais disposta ao voto bolsonarista. Ainda assim, faltando pouco menos de três meses para as eleições, o cenário produzido pela pesquisa mostra estabilidade tanto da intenção de voto em Lula ou Bolsonaro, quanto da diferença percentual desta intenção — analisou o geógrafo William Passos, com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

Nas projeções de segundo turno, além Bolsonaro, Lula ganharia também de Ciro, por 48% a 30%; e de Tebet, por 52% a 27%. Já Bolsonaro, além de Lula, perderia também para Ciro, por 38% a 48%; e para Tebet, por 40% a 42%. Apenas contra a senadora, o capitão alcançaria um empate técnico dentro da margem de erro.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O que explica a projeção de derrota de Bolsonaro, fora da margem de erro, para Lula e Ciro no eventual segundo turno é a rejeição. O segundo turno só existe para que o vencedor alcance o mínimo de 50% mais um dos votos válidos. Para passar pelo primeiro turno, valem as intenções de voto. Aos dois que chegam ao segundo turno, vale a rejeição. É ela que fixa o teto de crescimento dessas mesmas intenções de voto entre os dois turnos.

Bolsonaro lidera a rejeição na BTB/FSB, com 58% de brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma. Para quem tem 58% de rejeição, como o atual presidente da República tem, é aritmeticamente impossível alcançar o mínimo de 50% mais um dos votos. Entre os analistas do mundo, o limite prudencial para um candidato vencer uma eleição ao Executivo em dois turnos é 35% de rejeição. Lula, com 44% de brasileiros que não votariam nele de maneira; e Ciro, com 49%, têm rejeições altas, mas não proibitivas como a de Bolsonaro.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

—  No levantamento estimulado para o segundo turno, Lula venceria Bolsonaro por 53% a 37%. Em junho, venceria por 52% contra os mesmos 37%. No caso da rejeição, Lula mantém os 44% de rejeição do levantamento anterior, enquanto Bolsonaro oscilou de 57% para 58% — comparou William.

Menos considerada tão perto da eleição, a pesquisa espontânea BTG/FSB, onde a opção é feita sem que sejam apresentados os nomes dos pré-candidatos, evidencia como a eleição presidencial está cristalizada na polarização entre Lula e Bolsonaro. Com 40% na espontânea, o petista só cresce 1 ponto na estimulada, onde chega aos 41%. Com 30% na espontânea, o capitão só cresce 2 pontos na estimulada, onde chega aos 32%. Lula e Bolsonaro não crescem suas intenções de voto, fora da margem de erro, entre espontânea e estimulada.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

— Com 40% das intenções de voto para Lula, na espontânea, contra 30%, para Bolsonaro, a pesquisa divulgada hoje mostra que os dois candidatos oscilaram dentro da margem de erro, em comparação à pesquisa FSB de junho, que registrou 39% para o ex-presidente contra 31% para o atual presidente — finalizou William, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

Golpe passa pelo adiamento das eleições de outubro

 

Adiamento das eleições brasileiras marcadas para 2 de outubro, com prorrogação dos mandatos do presidente, governadores e deputados. Essa é a forma de golpe contra a democracia no Brasil, que estaria sendo urdida pelo governo Jair Bolsonaro (PL). E teria duas arquiteturas e datas para execução. Uma no próximo 7 de setembro. Outra com apagão de energia elétrica provocado no dia da eleição, na tentativa de anulá-la.

As duas alternativas ao mesmo fim golpista foram detalhadas hoje pelo jornalista Elio Gaspari. Que lembrou a ressalva do falecido político conservador Marco Maciel: “pode acontecer muita coisa, inclusive nada”. Isto posto, Gaspari é reconhecido como um dos maiores jornalistas brasileiros. Inclusive por nunca dar “barrigada” — divulgar notícia falsa, no jargão do jornalismo. O que torna seu alerta ainda mais precoupante.

Confira abaixo:

 

(Foto: Alan Santos/PR)

 

Elio Gaspari, jornalista e escritor

Começou a temporada da magia negra

Por Elio Gaspari

 

Está em circulação mais um expediente magia para tumultuar a eleição. Ainda no nascedouro, nada indica que prospere, mas convém registrar sua existência. Afinal, as conversas chegaram a pessoas que já viram muita coisa, e elas não gostaram do que ouviram.

O lance de magia negra circula há mais de um mês, com duas versões. A primeira é recente. A segunda é mais velha.

A versão recente tem três fases.

Nela, milícias digitais e mobilizações semelhantes às do ano passado criariam um clima de instabilidade a partir da Semana da Pátria.

Armado o fuzuê, vozes pretensamente pacificadoras defenderiam o adiamento das eleições, com a votação de uma emenda constitucional. Junto com essa emenda seriam prorrogados todos os mandatos, de congressistas, governadores e, é claro, do presidente da República.

A segunda versão, mais velha, tem o mesmo desfecho, mas começa no dia da eleição, com ou sem tumultos populares. Nela, o coração da manobra está em provocar um apagão no fornecimento de energia por algumas horas em duas ou três grandes cidades, atingindo-se um significativo número de eleitores.

Melada a eleição, aparece a mesma turma pacificadora, marcando uma nova data. Calcula-se que isso só seria possível depois de pelo menos dois meses. Tendo ocorrido uma catástrofe dessas proporções, a totalização eletrônica estaria ferida. Nesse caso, o hiato seria maior. Assim, chega-se ao mesmo desfecho da versão anterior: prorrogam-se os mandatos.

Por todos os motivos, essas piruetas não teriam a menor chance de avançar. Contudo, os antecedentes dos principais personagens da manobra recomendam cautela e prevenção.

Bolsonaro cultiva o Apocalipse. Em 2019, quando o Chile foi sacudido por desordens, ele profetizou: “O que aconteceu no Chile vai ser fichinha perto do que pode acontecer no Brasil. Todos nós pagaremos um preço que levará anos para ser pago, se é que o Brasil não possa ainda sair da normalidade democrática que vocês tanto defendem.”

Em março de 2020, durante os meses dramáticos da pandemia, ele foi claro: “O caos está aí na nossa cara”. Não estava. A coisa mais parecida com o caos ocorrida durante a pandemia foi a administração do Ministério da Saúde, com seus quatro titulares.

Um ano depois, Bolsonaro dizia que o Brasil se tornou “um barril de pólvora”: “Estamos na iminência de ter um problema sério.”

Veio o Sete de Setembro, caravanas de ônibus foram a Brasília e caminhoneiros furaram o bloqueio da Esplanada, anunciando que invadiriam o Supremo Tribunal Federal. Aconteceram manifestações ordeiras em diversas cidades.

Bolsonaro escalou: “A partir de hoje, uma nova história começa a ser escrita aqui no Brasil.” Em São Paulo, insultou ministros do Supremo.

Uma intervenção do ex-presidente Michel Temer jogou água na fervura. De lá para cá, o “barril de pólvora” ficou em paz, o caos não veio e não aconteceu um só “problema sério” além da suspeição lançada sobre as urnas eletrônicas pelo presidente e pelos generais palacianos.

Na quinta-feira, Bolsonaro informou que se reunirá com os embaixadores estrangeiros para expor seus argumentos contra as urnas que o elegeram. Isso nunca aconteceu nos duzentos anos de Brasil independente. Bolsonaro deu seu recado críptico: “Você sabe o que está em jogo, sabe como deve se preparar.”

Como ensinava o sábio Marco Maciel, no dia Sete de Setembro e nos seguintes pode acontecer muita coisa, “inclusive nada”.

O sonho de um caos deliberadamente fabricado circula agora com o enfeite do adiamento das eleições e com o presente da prorrogação dos mandatos. Um Congresso que corre o risco de grande renovação pode gostar dessa ideia. Estima-se que metade dos deputados não voltem a Brasília. Afinal, Bolsonaro dispõe da benevolência do doutor Arthur Lira.

Em seus períodos democráticos, o Brasil nunca teve prorrogação de mandato presidencial. Na última ditadura, Castello Branco teve seu mandato prorrogado por um ano e rebarbou uma segunda prorrogação. Emílio Médici, o mais popular dos generais, matou no nascedouro uma manobra prorrogacionista.

 

Fachin avisou

Numa palestra em Washington, o ministro Edson Fachin, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, disse o seguinte:

“O que tem sido dito no Brasil… é que nós poderemos ter um episódio ainda mais agravado do 6 de janeiro daqui, do Capitólio.”

 

Publicado hoje em O Globo.