Acossada pela grande diferença de votos no primeiro turno, 27,71% contra os 42,94% de Wladimir Garotinho (PSD), e pelo grande número de vereadores eleitos que este começou a atrair (confira aqui) para o segundo turno, a candidatura Caio Vianna (PDT) acordou hoje com duas boas notícias. A primeira foi a declaração de apoio do vereador reeleito Abdu Neme (Avante), campeão de votos (5.574) na eleição proporcional, feita na manhã de hoje (confira aqui), no programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3. A segunda boa notícia para Caio foi a divulgação, também na manhã de hoje, da pesquisa Paraná. Que registrou a liderança do pedetista no segundo turno pela Prefeitura de Campos: 52,6% dos votos válidos, contra 47,4% de Wladimir. É um empate técnico na margem de erro de 3,5 pontos da pesquisa que ouviu 800 campistas entre 17 e 19 de novembro, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo RJ-07084/2020. O contratante, em fato inusual, é o próprio instituto.
Nos votos válidos são excluídos brancos e nulos. Esse é o mesmo procedimento adotado pela Justiça Eleitoral. Nos votos gerais, segundo a pesquisa, o filho de Arnaldo Vianna aparece com 42,5%, enquanto o filho do casal Garotinho chega a 38,3%. Nesse levantamento, brancos e nulos somam 12%, e, ainda, 7,2% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder. A sondagem também apresenta alta rejeição aos dois candidatos. Segundo o levantamento, 33,3% dos eleitores responderam que não votariam em Caio Vianna de jeito nenhum. O índice negativo é ainda mais alto para Wladimir Garotinho, com 45,1%.
— Repito o que disse no primeiro turno: o instituto do Paraná não conhece a cidade e já errou feio nos números divulgados no primeiro turno (confira aqui). Nesse segundo turno já começou mal, tendo uma pesquisa impugnada e tendendo a mostrar o que não existe. A relação estreita deles com o prefeito de Niterói, do PDT, já explica tudo — reagiu Wladimir Garotinho. O líder do primeiro turno, quando teve os votos divulgados como “Anulado Sub Judice” por questão ainda a ser decidida no TSE (compreenda o caso aqui), fez menção ao fato de uma outra sondagem do Paraná para o segundo turno ter sido impugnada ontem (18) pelo juiz da 76ª Zona Eleitoral (ZE), Glicério de Angiolis Gaudard. Ele viu irregularidade no fato da pesquisa registrada no TSE sob o protocolo RJ-01278/2020 ter excluído Wladimir, colocando como opções apenas Caio e Dr. Bruno Calil (SD), terceiro colocado do primeiro turno, com 13,17% dos votos.
Pesquisa Ibope no forno
O candidato Caio Vianna ainda não respondeu à tentativa de contato, feita às 10h42 da manhã, para repercutir a pesquisa Paraná que lhe foi favorável. Se e quando o fizer, será incluído na postagem. Instituto que no Brasil é quase sinônimo de pesquisa eleitoral, o Ibope tem uma sondagem sobre o segundo turno a prefeito de Campos, ouvindo 602 campistas e com divulgação prevista para a próxima quarta-feira (25), a quatro dias das urnas do dia 29, como informa aqui o Blog do Arnaldo Neto. Registrada no TSE sob o protocolo RJ-09178/2020, a nova pesquisa foi contratada pela rádio Metropolitana, do Rio de Janeiro, no valor de R$ 57.200,00.
Campos vive a segunda onda da Covid-19, como alertaram ontem (confira aqui) o diretor-clínico da Santa Casa, Cléber Glória, e uma fonte do Hospital Dr. Beda, que preferiu não se identificar? E a cidade poderá ter que voltar adotar o lockdown parcial para conter o novo avanço da doença, como o médico infectologista Nélio Artiles também disse ontem ser “inevitável”? Segundo a infectologista e chefe da Vigilância em Saúde, Andreya Moreira, só os números da doença na próxima semana dirão. Nas estatísticas que ela fechou hoje com Eduardo Shimoda, professor da Universidade Candido Mendes, que analisa dados como taxa de mortalidade, ocupação de leitos clínicos e de UTI nas redes privada e pública, além dos casos novos ativos, a escore semanal de Campos foi 9,8. Foi maior que os 9,5 da semana anterior. Só se passar de 10, Campos sairia da atual fase Verde para voltar à Amarela.
Comandante do enfrentamento do município contra o novo coronavírus, Andreya ressaltou que o pior cenário, com a fase Vermelha, só se daria com 90% de ocupação dos leitos do município para a doença. Ela detalhou os números atuais. Como o aumento de casos estaria sendo registrado na rede privada da cidade, hoje a taxa de ocupação dos seus leitos clínicos, para pacientes menos graves, estaria em 33,3%. Caiu em relação à média semanal anterior, registrada em 11 de novembro, quando chegou a 42,3%. Já a ocupação os leitos de UTI da rede privada, destinados aos pacientes mais graves, foi contabilizada hoje em 36,1%. Como subiu bem dos 19,4% da média semanal anterior, indica o aumento na gravidade dos casos.
Em relação ao Sistema Único de Saúde (SUS) reservados à Covid no município, tanto na rede pública, quanto nos hospitais conveniados, a taxa de ocupação dos leitos clínicos foi fechada hoje em 37%. E aumentou um pouco em relação à média semanal anterior, de 35,2%. Já nos leitos de UTI reservados para a pandemia no SUS, a ocupação hoje está em 50%, com queda em relação à média aos 57,1% da semana anterior.
Comandante do enfrentamento à Covid em Campos, a médica infectologista Andreya Moreira, chefe da Vigilância em Saúde (Foto: Folha da Manhã)
— Pelos dados estatísticos, que fechamos hoje com o professor Eduardo Shimoda, é possível afirmar que Campos não está vivendo a segunda onda da doença. E que não há, pelo menos por enquanto, a necessidade de mudança de fase ou de se voltar a adotar o lockdown. Mas acredito que são os dados da semana que vem, fechados na quarta, que vão nos dar essa certeza. As pessoas, infelizmente, relaxaram nas medidas de proteção, o que foi agravado também pelos feriados, com reuniões e festas em residências, e os comícios, caminhadas e corpo a corpo da eleição municipal. Nós tivemos vários candidatos infectados nesse período, o que também aconteceu com militantes e eleitores. Mas é muito difícil falar em segunda onda no Brasil, onde ocorre uma oscilação, sobe, desce e sobe de novo, mas sem alcançar um platô. E é o que acontece em Campos. Se subir mais, vamos tomar as medidas necessárias — garantiu Andreya.
Após noticiar ontem o aumento de casos de Covid, o blog pediu uma posição também ao Sindicato dos Médicos de Campos (Simec). Seu presidente, o médico Hélio da Nóbrega Novais, acha que “talvez seja precoce falar em ‘segunda onda’ da infecção em um momento que a primeira sequer foi superada”. No entanto, ele também disse ser “necessário ainda repensar a atual fase de flexibilização”. Confira abaixo a íntegra da nota do Simec:
O Sindicato dos Médicos de Campos (Simec) informa que, desde o início da pandemia, mantem- se atento às medidas de enfrentamento à Covid-19 no município. Campos encontra-se em um cenário, em relação à doença, parecido aos diversos outros pontos do país. Talvez seja precoce falar em “segunda onda” da infecção em um momento que a primeira sequer foi superada. Entretanto, faz-se imprescindível nos mantermos devidamente alertas ao risco concreto de retomada da curva de contágio pelo novo coronavírus no município, o que nos levaria a um novo evento crítico de adoecimento e mortes.
O Simec, como entidade representativa da classe médica do município, observa que, a partir das experiências adquiridas nos primeiros meses da pandemia, é preciso investir em melhores condições de trabalho para os profissionais da saúde, estocar medicamentos, equipamentos de proteção e aumentar a testagem da população para fins de minimizar a subnotificação de casos. Faz-se necessário ainda repensar a atual fase de flexibilização, e ampliar o investimento em conscientização da população, para melhorar a adesão das principais medidas preventivas com a finalidade de evitar a transmissão da doença e suas consequências terríveis.
Considerando o atual cenário e o possível segundo influxo de casos no município, o Simec solicitou ao prefeito Rafael Diniz, em reunião realizada no último dia 04, a revogação do decreto 322/2020, publicado em edição suplementar no dia 23 de outubro, que determinou o retorno as atividades presenciais dos profissionais da secretaria de Saúde e da Fundação Municipal de Saúde (FMS), com idade entre 60 e 65 anos, que não possuam comorbidades.
Reiteramos publicamente que condenamos e nos posicionamos totalmente contrários à determinação municipal, a qual desvaloriza a vida dos profissionais de forma irresponsável e fere as recomendações do Simec que, após análise criteriosa do atual cenário epidemiológico do município, indica que trabalhadores pertencentes ao grupo de risco, com 60 anos ou mais ou que apresentem condições clínicas de risco para o desenvolvimento de complicações da Covid-19, devem receber atenção especial, priorizando-se sua permanência na residência em teletrabalho ou trabalho remoto
Atenciosamente,
Dr. Hélio da Nóbrega Novais, presidente do Sindicato dos Médicos de Campos
A partir da 7h15 da manhã desta sexta (20), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o vereador reeleito Abdu Neme (Avante). Ele foi o campeão de votos na eleição proporcional de 15 de novembro, com a manutenção da sua cadeira na Câmara Municipal de Campos por 5.574 eleitores
Abdu falará na Folha FM sobre a eleição ao Legislativo goitacá, renovado pelo voto em 80% para 2021, bem como sobre o pleito da nova Mesa Diretora e a grave crise financeira de Campos (confira a série da Folha sobre o tema aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui). Ele analisará também o primeiro turno do pleito a prefeito da cidade, bem como o segundo turno entre Wladimir Garotinho (PSD) e Caio Vianna (PDT).
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Em suas redes sociais (confira aqui) o prefeito Rafael Diniz (Cidadania) declarou sua neutralidade no segundo turno da eleição para sucedê-lo, que será disputada em 29 de nombro entre seus adversários Wladimir Garotinho (PSD) e Caio Vianna (PDT). Na prática, após chegar em quatro lugar no primeiro turno de 15 de outubro, ele libera seus liderados para seguirem o caminho eleitoral que quiserem. Também garantiu que, após a definição das urnas e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE, confira aqui), fará “uma transição transparente e responsável” ao prefeito eleito.
Confira abaixo a manifestação de Rafael:
(Foto: Facebook)
“Fiz uma campanha limpa, que me deixa a sensação do dever cumprido. Agora passo a me dedicar integralmente à administração de Campos, com o mesmo empenho e dedicação do primeiro dia de mandato.
Como os candidatos que concorrem no segundo turno não me representam, prefiro me manter neutro. Mas os companheiros que caminharam ao meu lado estão livres para apoiar quem quiserem.
Aguardo com serenidade o resultado da eleição e vou garantir ao prefeito eleito uma transição transparente e responsável.
Quero agradecer aos eleitores que confiaram em mim e dizer à população de Campos que, independentemente do resultado das urnas, vou continuar contribuindo pelo desenvolvimento da nossa cidade, que está acima dos interesses pessoais”.
Na disputa do 2º turno, Wladimir jogou a tarrafa sobre o grupo político dos Bacellar e conseguiu o apoio dos vereadores eleitos Helinho Nahim, Rogério Matoso, Igor Pereira e Silvinho Martins, mais o edil Anderson de Matos, da Universal (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Líder do primeiro turno da eleição a prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PSD) somou mais dois apoios importantes de vereadores eleitos, na disputa do segundo turno contra Caio Vianna (PDT), em 29 de novembro. Na noite de ontem (18), algumas horas após a declaração de neutralidade (confira aqui) do grupo do deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD), o vereador eleito Helinho Nahim (PTC, 2.271 votos), divulgou em vídeo (confira aqui) seu apoio ao primo Wladimir. Na manhã de hoje, na entrevista do vereador eleito Rogério Matoso (DEM, 3.086 votos) ao Folha no Ar, da Folha FM 98,3, ele também declarou outro apoio do grupo dos Bacellar à candidatura a prefeito dos Garotinho. Que receberia também nesta manhã o apoio de outro vereador, o pastor Anderson de Matos (Republicanos, 4.905 votos), da Igreja Universal, segundo mais votado para a nova Câmara Municipal.
Após gravar e divulgar nas redes sociais um vídeo com pesadas críticas a Wladimir, na reta final do primeiro turno, Rodrigo reuniu os seis vereadores eleitos em seu grupo político, dos quais quatro já manifestaram apoio ao representante dos Garotinho no segundo turno a prefeito de Campos (Foto: Divulgação)
À tarde tarde, foi a vez dos vereadores reeleitos Igor Pereira (SD, 3.271 votos) e Silvinho Martins (MDB, 2.194 votos), aliados dos Bacellar, também manifestarem seu apoio a Wladimir. Igor, em sua foto de WhastApp; Silvinho, em outro vídeo nas redes sociais. O que reforça a análise feita ontem pelo blog: Rodrigo declarou a neutralidade do seu grupo para não perder o controle dos seus edis, já sabendo que quatro dos seis que ajudou a eleger caminhariam no segundo turno com os Garotinho. Confira abaixo a foto de Igor e os vídeos de Rogério Matoso, Anderson de Matos e Silvinho, todos declarando apoio a Wladimir:
No final da noite de ontem (18), poucas horas depois do deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) declarar a neutralidade (confira aqui) do seu grupo político no segundo turno a prefeito de Campos entre Wladimir Garotinho (PSD) e Caio Vianna (PDT), o vereador eleito Helinho Nahim (PTC) gravou um vídeo para divulgar seu apoio ao primeiro prefeitável. Primo de Wladimir, o apoio de Helinho suplanta o racha político entre os pais dos dois, respectivamente, Anthony Garotinho (sem partido) e Nelson Nahim (MDB), irmãos e ex-prefeitos de Campos. E evidencia que a declaração de neutralidade de Rodrigo pode ter servido para este não perder o controle sobre os seis vereadores eleitos por seu grupo político. Parte deles tomaria posição com liberação ou não.
Vereadores eleitos Helinho Nahim (PTC), Silvinho Martins (MDB), Igor Pereira (SD), Marcione da Farmácia (DEM), Marquinho Bacellar (SD) e Rogério Matoso (DEM) compõem hoje o grupo de Rodrigo Bacellar (Foto: Divulgação)
Cada eleição conta uma história. Na do segundo turno de 29 de novembro — com os votos de Wladimir ainda dependendo de validação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que julga (relembre o caso aqui) o indeferimento do vice da chapa, Frederico Paes (MDB), nas próximas terça (24) ou quinta (26) — outros apoios de vereadores eleitos são esperados, independentemente do lado.
Nas últimas duas semanas, com o aumento da procura de pacientes com sintomas de Covid-19, de internações em leitos clínicos e de UTI pela doença, autoridades médicas de Campos alertam que o município vive a segunda onda da pandemia, registrada em todo o mundo e em várias outras cidades brasileiras. “Não tenho dúvida ao afirmar que Campos começa a viver a segunda onda da Covid”, afirmou Cléber Glória, diretor-clínico da Santa de Misericórdia. “A volta da fase Verde para a Laranja, com adoção do lockdown parcial, é inevitável, vai acontecer”, projetou o médico infectologista Nélio Artiles, referência regional na área. “A percepção é de tendência de aumento nas últimas semanas, mas não ao ponto de segunda onda. Aliás, pensando sob o ponto de vista estatístico, me parece que não haverá segunda onda”, questionou Eduardo Shimoda, professor da Universidade Candido Mendes, que trabalha na contabilidade e projeção dos casos, com base em modelos estatísticos, que determina o combate à Covid em Campos.
Cléber Glória, Nélio Artiles e Eduardo Shimoda (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Uma fonte do Hospital Dr. Beda, que preferiu não se identificar, informou que a demanda de pacientes com o novo coronavírus também aumentou muito nas duas últimas semanas. Atualmente, o hospital da rede privada tem 16 doentes de Covid internados em leitos clínicos, com outros sete na UTI. O ápice de ocupação do Dr. Beda pela doença foi em agosto, quando chegou a ter 25 internos pela pandemia em leitos clínicos e outros 15, na UTI. Nesta quinta (19), dado o aumento de casos, o hospital decide se suspenderá, ou não, suas cirurgias eletivas. No Hospital da Unimed, pelo mesmo motivo, elas chegaram a ser suspensas em 4 de novembro, mas foram retomadas na semana seguinte de “forma contingenciada”. O hospital privado, no entanto, não informou sua ocupação de leitos pela doença.
Diferente do que aconteceu na primeira onda da Covid em Campos, que cresceu em junho e julho, até atingir seu pico em agosto, agora a procura dos doentes se dá mais na rede privada, sem crescimento substancial ainda na rede pública. É o que explica o infectologista Nélio Artiles:
— Na primeira onda, quem tinha que sair de casa para trabalhar e garantir sua subsistência, se infectou e buscou a rede pública. Na privada, houve muitos casos também, mas as pessoas que recorrem a ela geralmente têm condições financeiras de fazer o isolamento. Agora, parece que as classes média e alta se comportam como se a pandemia tivesse acabado. Como não acabou, acabam se infectando. Daí a procura maior na rede privada. Mas ainda há vagas no CCC (Centro de Controle e Combate ao Coronavírus, instalado na Beneficência Portuguesa). Eu mesmo consegui a transferência de um paciente assintomático do Hospital Ferreira Machado (HFM), mas que testou positivo, para lá. Para ser sincero, não sei se estamos na segunda onda. Talvez ainda não tenhamos saído da primeira. As próximas semanas dirão. Mas em Campos e no Brasil não parou de morrer gente por Covid. Não foi como na Europa, onde os casos explodiram, caíram com o lockdown e voltaram a subir muito após a flexibilização — comparou Nélio.
Conveniada à rede pública pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas que também atende pacientes privados, a Santa Casa também registra o crescimento dos casos da pandemia nas duas últimas semanas. Segundo seu diretor-clínico, Cléber Glória, o hospital pensou em desativar leitos de UTI para a Covid, com a queda dos casos em setembro e outubro, mas repensou com o aumento da demanda pela doença:
— Hoje, dos nossos 30 leitos de UTI, 10 são reservados a pacientes com Covid. E nossa taxa de internação oscila na casa dos 90%. Temos também oito leitos clínicos, em um espaço reservado para evitar a contaminação, com a taxa de ocupação atual de 70%. Baseado no que tenho visto no dia-a-dia da Santa Casa, e no que vimos entre junho e agosto, não tenho dúvida agora: a coisa vai piorar — projetou Cléber.
O blog tentou contato com a chefe de Vigilância em Saúde, Andreya Moreira, sem sucesso. Às 20h30 de hoje, a superintendência de Comunicação (Supcom) divulgou a atualização dos números da pandemia em Campos: 9.942 casos confirmados de Covid, com 8.358 recuperados e 454 mortes confirmadas.
Vereadores eleitos Helinho Nahim (PTC), Silvinho Martins (MDB), Igor Pereira (SD), Marcione da Farmácia (DEM), Marquinho Bacellar (SD) e Rogério Matoso (DEM) compõem hoje o grupo de Rodrigo Bacellar (Foto: Divulgação)
Responsável pela existência do segundo turno para prefeito em Campos (relembre aqui, na antecipação com exclusividade do resultado da eleição), ao comandar e coordenar no primeiro a campanha de Dr. Bruno Calil (SD), o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) declarou hoje (18) a neutralidade do seu grupo político na disputa entre Wladimir Garotinho (PSD) e Caio Vianna (PDT). Ontem, para mostrar a unidade do seu grupo, Rodrigo fez circular nas redes sociais (confira aqui) uma foto dos seis vereadores eleitos que hoje o compõem: Helinho Nahim (PTC), Silvinho Martins (MDB), Igor Pereira (SD), Marcione da Farmácia (DEM), Marquinho Bacellar (SD) e Rogério Matoso (DEM). Para prefeito, a candidatura de Bruno Calil ficou em terceiro lugar, com 32.673 votos (13,17%); atrás de Caio, com 68.732 votos (27,71%); e do líder Wladimir, com 106.526 (42,94%).
Confira a posição do grupo divulgada aqui, no Instagram do deputado estadual, e na sua reprodução abaixo:
“Respondendo a todos os questionamentos sobre um eventual apoio a algum dos candidatos neste segundo turno, venho a público esclarecer que a posição adotada é de neutralidade.
Justamente por não acreditar que nenhuma das chapas que disputam o segundo turno possa trazer alguma coisa positiva para melhorar os serviços e a infraestrutura do município, bem como a vida dos campistas.
Os dois grupos já tiveram a oportunidade de governar a cidade e todo mundo se lembra de como foram esses governos e ainda vivemos as consequências dessas administrações.
Assim, por não vislumbrar em nenhum dos candidatos a mudança que Campos precisa e merece, prefiro me recolher, na torcida que seja feita a melhor escolha, diante da opinião da população.
Deixo claro que os vereadores eleitos pelo nosso grupo, assim como os suplentes e todas as demais pessoas têm liberdade para escolher o caminho que bem entendem. Fazemos a política das ideias e não do cabresto.
Como um campista de fé, continuarei torcendo pela nossa querida e amada cidade, sempre.
Que vença o melhor. E, independente de qualquer resultado, desde já afirmo que continuarei a ajudar o município naquilo que puder e se fizer necessário, seja na Alerj ou junto ao governo do Estado. Campos é maior que as nossas diferenças e todos nós com mandatos eletivos estamos aqui para, acima de tudo, servi-la de corpo e alma.
Ass: Rodrigo Bacellar”
Atualização às 20h42 para acrescentar também a manifestação de neutralidade do ex-candidato a prefeito, Dr. Bruno Calil, enviada por ele por WhatsApp:
NOTA OFICIAL
Durante toda a nossa campanha, deixamos claro o nosso repúdio e descontentamento com a forma de governar dos dois grupos políticos que hoje disputam o comando da nossa cidade. Não seria possível, dessa forma, nos aliarmos a qualquer um deles.
Então, em respeito aos 32.673 votos de confiança que recebi no último domingo, venho comunicar a todos que por não concordar com o projeto político dos dois candidatos que estão no segundo turno e não ver em nenhum desses a mudança que a cidade precisa, adotarei a medida da neutralidade.
De todo modo, desejo sorte ao futuro prefeito eleito, e farei o que estiver ao meu alcance para contribuir com o crescimento do município.
A partir da 7h da manhã desta quinta (19), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o vereador eleito Rogério Matoso (DEM). Ele volta à Câmara Municipal da qual já foi integrante e presidente.
Matoso falará na Folha FM sobre a eleição ao Legislativo goitacá, renovado pelo voto em 80% para 2021, bem como sobre o pleito da nova Mesa Diretora e a grave crise financeira de Campos (confira a série da Folha sobre o tema aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui). Ele analisará também o primeiro turno do pleito a prefeito da cidade, bem como o segundo turno entre Wladimir Garotinho (PSD) e Caio Vianna (PDT).
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
A partir da 7h da manhã desta quarta (18), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o vereador eleito Bruno Vianna (PSL). Segundo edil mais novo da história política goitacá, ele é filho do falecido deputado estadual Gil Vianna, morto de Covid-19 (relembre aqui) em 19 de maio.
Bruno falará na Folha FM sobre a eleição à Câmara Municipal, renovada pelo voto em 80% para 2021, bem como sobre o pleito da nova Mesa Diretora e a grave crise financeira de Campos (confira a série da Folha sobre o tem aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui). Ele analisará também o primeiro turno do pleito a prefeito da cidade, bem como o segundo turno entre Wladimir Garotinho (PSD) e Caio Vianna (PDT).
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
A partir da 7h da manhã desta terça (17), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o vereador reeleito Igor Pereira (SD). Ele falará sobre a eleição à Câmara Municipal, à qual o eleitor campista impôs o elevado índice de 80% de renovação para 2021, bem como sobre a eleição da nova Mesa Diretora e a grave crise financeira de Campos (confira a série da Folha sobre o tem aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui). Igor analisará também o primeiro turno do pleito a prefeito da cidade, bem como o segundo turno entre Wladimir Garotinho (PSD) e Caio Vianna (PDT).
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Em 10 de outubro, antes da divulgação de qualquer pesquisa a prefeito de Campos, foi registrado aqui, neste mesmo espaço, em outro artigo de análise: “se o encontro entre eleitor e urna fosse hoje, um segundo turno entre Wladimir Garotinho (PSD) e Caio Vianna (PDT) não pagaria muito nas casas de aposta”. O encontro foi ontem, 36 dias depois, quando as urnas revelaram: Wladimir e Caio disputarão o segundo turno em 29 de novembro. A certeza foi antecipada (confira aqui) às 22h15 de ontem, no blog Opiniões e no site Folha1, quando havia só 43,47% das urnas apuradas, por conta da divulgação lenta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). E só seria oficialmente confirmada meia hora depois.
Com 42,94% dos votos de ontem, Wladimir ficou e continua muito perto de ganhar a Prefeitura de Campos. Terá que fazê-lo em uma nova eleição contra Caio, que sai de 27,71% do eleitorado. Se o filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT) conquistar, em 14 dias, os outros 22 pontos percentuais que precisa para se eleger, será um feito talvez sem precendentes. Mais que seu adversário nas urnas do segundo turno, o principal obstáculo que separa Wladimir do governo municipal é o TSE. Que ontem contabilizou seus votos como “Anulado Sub Judice”. O filho dos ex-governadores Anthony (sem partido) e Rosinha Garotinho (Pros) terá que tentar reverter no TSE o indeferimento do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) ao seu vice (confira aqui), o industrial Frederico Paes (MDB). Ou, caso contrário, impedir que a condição do vice contamine toda a chapa.
Se a questão eleitoral de Campos não tivesse que ser definida na Justiça, infelizmente, não seria Campos.
TSE irá determinar o destino eleitoral de Campos (Foto: Divulgação)
Naquele mesmo artigo publicado em 10 de outubro, foi também registrada a força da campanha de Dr. Bruno Calil (SD). Comandada pelo deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD), eles fizeram ontem 13,17% dos votos. Se não ficaram nem perto de ameaçar a segunda posição de Caio, foi o suficiente para evitar que Wladimir ganhasse no primeiro turno. Também foi da candidatura de Bruno que, articulada por Rodrigo, saiu a ação contra Frederico, vice de Wladimir, por desincompatibilização fora do prazo da direção do Hospital Plantadores de Cana (HPC).
Força da campanha de Bruno Calil, comandada por Rodrigo Bacellar, não ameaçou o segundo lugar de Caio nas urnas, mas impediu a vitória de Wladimir no primeiro turno (Foto: Divulgação)
Justiça Eleitoral à parte, democracia só se constrói com debate. E um candidato como Bruno, que não foi a nenhum debate, cometeu um erro que nenhuma força de campanha pode ou deve superar na democracia. Ainda que Wladimir e Caio também tenham faltado a alguns, foram ao principal: o do Fórum Institucional de Dirigentes do Ensino Superior de Campos (Fidesc), em 5 de novembro, com transmissão ao vivo pela Folha FM 98,3 e pela PlenaTV. Presidente do Fidesc e reitor do IFF, o professor Jefferson Manhães de Azevedo, disse sobre Bruno, em entrevista (confira aqui) no Folha no Ar de sexta (13):
Transmitido ao vivo na Folha FM 98,3 e PlenaTV, o debate do Fidesc foi o mais prestigiado pelos pefeitáveis de Campos na campanha do primeiro turno (Arte: IFF e Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
— Não foi ao debate do Fidesc e a nenhum outro. O que é uma postura, para mim, muito ruim para um jovem que se coloca para os desafios da sociedade, que precisa de diálogo, que precisa de discussão. Eu acho isso uma postura muito ruim.
Rafael na noite da sua vitória consagradora, em 30 de outubro de 2016 (Foto: Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)
O atual prefeito Rafael Diniz (Cidadania), presente a todos os debates, foi o grande perdedor da eleição. Eleito no primeiro turno de 2016, com uma votação consagradora de 151.462 votos (55,19% dos válidos naquele pleito), ele só conseguiu manter 13.350 eleitores (5,45%) quatro anos depois. Chegou a prefeito como vereador de oposição com brilho que nenhum edil teve na atual Legislatura. E mesmo que esta não lhe tenha feito oposição relevante em seus quase três primeiros anos de gestão, sairá dela como governante ensimesmado na Prefeitura e em seu pequeno círculo de colaboradores. Que não foram capazes de compreender que nunca foram donos dos votos que os levaram ao poder. Ou de acabar de perdê-los dentro dos incontáveis buracos das ruas de Campos, que não conseguiram tapar nem nos meses da campanha eleitoral.
Alexandre Tadeu, Jonathan Paes e Cláudio Rangel tentaram surfar a onda do bolsonarismo e tiveram marolinha de votos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr)
Além de Rafael, o grande derrotado da eleição municipal de Campos, como em tantas outras cidades maiores e mais importantes do Brasil, foi o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Três candidatos pretendiam abocanhar ontem uma fatia dos campistas que deram ao capitão 147.437 votos (64,87%) no segundo turno presidencial de 2018. Dois anos depois, os prefeitáveis Tadeu Tô Contigo (Republicanos), Jonathan Paes (PMB) e Cláudio Rangel da Boa Viagem (PMN), juntos, não foram além dos 7.702 votos (3,11%). Somados, os representantes do bolsonarismo ficaram bem atrás da grande revelação da eleição majoritária de Campos, Professora Natália, do “comunista” Psol. Ela teve 11.622 votos (4,68%), pouco menos que Rafael.
Em sua primeira candidatura, Natália Soares se confirmou como a revelação da eleição pelo governo de Campos dos Goytacazes, ficando pouco atrás do atual prefeito (Foto: Divulgação)
“Campos é o espelho do Brasil”. A frase atribuída ao ex-presidente Getúlio Vargas foi confirmada pelas urnas da cidade, em reflexo às do país. Se Rafael foi fruto em 2016 da esperança no novo, ele antecipou o fenômeno nacional que alcançaria seu ápice em 2018, quando o “novo” foi encarnado em um parlamentar do baixo-clero há mais de 30 anos. Como, em 2020, Campos reflete o Brasil no retorno à aparente segurança dos grupos políticos tradicionais, ainda que representado por rostos novos. Na incerteza de um Brasil governado por um ex-militar, em disputas internas com militares, após ameaçar os EUA com pólvora, Campos afia a ponta das suas flechas goitacá para onde estava desde 2004. E reviverá outro segundo turno entre o garotismo e o arnaldismo.
Ilsan e Arnaldo Vianna, Anthony e Rosinha Garotinho, nos anos 1990, quando os dois casais eram amigos e aliados políticos (Foto: Arquivo do jornalista Ricardo André Vasconcelos)
A despeito do TSE e das urnas de 29 de novembro, a grande questão do município continua sendo a mesma colocada desde a abertura daquele mesmo artigo de 10 de outubro, que antecipou o resultado eleitoral de ontem:
— Após os 11 painéis promovidos pela Folha sobre a grave crise financeira de Campos (confira-os aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) publicados de 18 de julho a 26 de setembro, ouvindo 34 representantes da sociedade civil organizada, entre especialistas de economia, finanças, ciência política, antropologia e sociologia, além de juristas, jornalistas, gestores universitários, empresários e sindicalistas, restou pouca dúvida racional. Muito mais importante que saber o vencedor das eleições a prefeito de novembro está a necessidade de resposta à principal questão aos mais de 507 mil campistas: com um orçamento para 2021 projetado entre R$ 1,5 bilhão e R$ 1,7 bilhão e gasto previsto de quase R$ 2 bilhões, entre os quais R$ 1,1 bilhão já comprometido só com folha de pagamento de servidor, como Campos pode fechar essa conta?