Tiros, bomba e… fezes — Japão de Shinzo Abe ao Brasil kamikaze

 

Shinzo Abe, Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

No final da manhã de ontem (8) do Japão, ainda noite brasileira de quinta (7), o ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, de 67 anos, foi assassinado a tiros. Que foram disparados covardemente pelas costas, enquanto discursava em ato de campanha eleitoral na cidade de Nara, no oeste do seu país.

 

 

Político liberal, conservador, nacionalista e populista, Abe foi o mais longevo chefe de governo do Japão, que comandou por 9 anos e quatro mandatos. Foi também o mais jovem a ser primeiro-ministro, aos 52 anos, em 2006. Ficou até 2007, para voltar em 2012 e se eleger ao cargo mais duas vezes, até sair em 2020, por motivos de saúde. Mas ainda controlava o Partido Liberal Democrata (LDP), que se mantém no poder com Fumio Kishida, sucessor de Abe.

Como o indigenista brasileiro Bruno Pereira e o jornalista inglês Don Phillips, assassinados no Vale do Javari, no oeste do estado do Amazonas, no último dia 5 de junho, Abe foi morto em 8 de julho a tiros de espingarda. As que mataram o brasileiro e o inglês, de caça. A que matou o japonês, de fabricação caseira. Na Amazônia, após a execução, houve esquartejamento dos corpos humanos, como sashimi. Com todas as suas muitas diferenças, Japão e Brasil têm mais semelhanças na violência política dos seus recentes fatos trágicos.

 

Indigenista brasileiro Bruno Pereira e jornalista inglês Don Phillips, assassinados a tiros de espingarda na Amazônia, em 5 de junho

 

Tiro disparado na noite de quarta-feira, no 4º andar do prédio do jornal Folha de S.Paulo (Foto: Reprodução)

Na noite de quarta (6), no Centro da cidade de São Paulo, um tiro foi disparado contra a janela do 4º andar do prédio do jornal Folha de S.Paulo. Por sorte, ninguém se feriu. Alvo de um tiro real, o conceituado veículo de mídia é um dos principais alvos virtuais nas redes sociais bolsonaristas. O caso está sendo investigado pelo 77º Distrito Policial da capital paulista.

Na tarde de quinta, em Brasília, o juiz Renato Borelli, da 15ª Vara da Justiça Federal da capital do Brasil, teve seu carro atingido por fezes de animais, ovos e terra. Ele já havia sofrido dezenas de ameaças virtuais, desde que havia determinado, no último dia 22, a prisão do pastor evangélico e ex-ministro da Educação do governo Jair Bolsonaro (PL), Milton Ribeiro. Assim como dos também pastores Arilton Moura e Gilmar Santos, suspeitos de cobrar propina para liberação de verbas públicas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

 

 

Em depoimento à Polícia Federal (PF), Milton Ribeiro já confirmou que seus dois colegas pastores, mesmo sem nenhum cargo público, tiveram atuação a ele recomendada pelo próprio presidente Bolsonaro. Se a ligação direta parece clara, mesmo com o para-brisa encoberto por fezes, o juiz Renato Borelli conseguiu controlar o carro. E, por sorte, ninguém se feriu. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) já havia sido acionado para apurar as ameaças, concretizadas na quinta, e recomendado providências à proteção do magistrado.

Na noite também de quinta, na Cinelândia, na cidade do Rio de Janeiro, pouco antes de Shinzo Abe ser assassinado no Japão, o ato público do ex-presidente e pré-candidato a presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi atingido por uma garrafa plástica contendo explosivo e um líquido mal cheiroso identificado como fezes. Após arremessá-la, André Stefano Dimitriu Alves de Brito, de 55 anos, tentou fugir. Mas foi preso em flagrante por policiais militares do 5º BPM.

 

 

Atirada por cima do tapume que cercava o ato de Lula na Cinelândia, a garrafa PET de 2 litros explodiu ao tocar o chão. Gerou confusão. Mas, novamente só por sorte, ninguém se feriu. O autor do atentado foi autuado na 5ª DP pelo crime de explosão. E será encaminhado à audiência de custódia. Em caso de condenação, a pena prevista é de três a seis anos de prisão.

Ainda na movimentada quinta, a PF prendeu em flagrante Rubens Villar Coelho, peruano conhecido como Colômbia, suspeito de ser o mandante dos homicídios de Bruno e Don. Ele se apresentou na delegacia federal de Tabatinga, no Amazonas, para negar envolvimento no crime. Mas acabou preso em flagrante por uso de documentos falsos.

Colômbia seria um traficante que bancaria a pesca ilegal em terras indígenas. Para venda ao tráfico e ao garimpo ilegal em terras indígenas. Em tudo que há de marginal na bravata “a Amazônia é do Brasil, não é de vocês”, dita por Bolsonaro a um Don ainda vivo. Foi em julho de 2019, quando o jornalista inglês questionou, cara a cara, o capitão: “Como o senhor presidente entende e pretende convencer e mostrar para o mundo que realmente o governo tem uma preocupação séria com a preservação da Amazônia?”.

 

 

O Japão, como as europeias Noruega e Finlândia, está entre os únicos países do mundo que ainda permitem a caça às baleias. No que é, junto com as queimadas da Amazônia e na sua transformação talvez irreversível de floresta tropical em savana, o maior símbolo universal de agressão ambiental.

Todavia, no respeito à vida do semelhante, a morte a tiros de Shinzo Abe é uma exceção entre os japoneses. Entre os quais nem policiais podem andar armados fora do serviço. O que, além das 12 horas no fuso horário, é uma das tantas diferenças entre o Brasil e o Japão. Mesmo que ambos hoje vivam sob governos de direita.

Governado por primeiros-ministros eleitos desde 1885, o Japão mantém como chefe de estado o imperador. No primeiro da nossa série de golpes militares, o Brasil depôs seu imperador e vive numa República desde 1889. Para, 133 anos depois, termos hoje um governante e filhos se comportando, sem traço de nobreza, como se tivéssemos família real. Tudo em nome do “deus” dos falsos profetas mal travestidos em crentes. Como no direito divino dos monarcas absolutistas. Melhor definido pelo rei francês Luís XIV: “o Estado sou eu”.

Em aparente inveja do Japão, agora temos também a PEC Kamikaze. Tentativa escancarada de compra de votos do governo Bolsonaro, é uma alteração na Constituição agilizada na Câmara Federal numa inédita sessão de… 1 minuto. Foi também na quinta, após passar no Senado com uma oposição tão acovardada quanto a esquerda tupiniquim capitaneada pelo PT. Na armadilha que o capitão armou e Lula caiu. Com o país junto.

Cabo Yukio Araki segura um filhote de cão, com outros quatro pilotos da 72ª Esquadrilha Shinbu em Bansei, Kagoshima, a 26 de maio de 1945. Araki morreu no dia seguinte, aos 17, em ataque suicida perto de Okinawa

A partir de 1944, quando a II Guerra (1939/1945) já estava irremediavelmente perdida, os kamikazes eram jovens pilotos dispostos a dar a vida pelo imperador do Japão. Suicidas como o Brasil que bateu em junho a inflação de 11,89% nos últimos 12 meses, puxada pelos alimentos. E a pretexto de ajudar os pobres que têm fome, mas só até 31 de dezembro de 2022, vai agora estourar o teto do Orçamento em mais R$ 41,2 bilhões, na fome desesperada pelos votos de outubro. A conta virá com a certeza de quem mergulha um avião de cara contra um encouraçado. Independe de quem governar a partir de 2023.

Enquanto a Constituição é estuprada no Congresso que a pariu, resta o receio pela violência política física dos tiros, bomba e… fezes. Que já está no meio de nós. Na hora exata de Brasília.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Seis anos depois, qual o saldo da operação Chequinho?

 

A operação Chequinho foi deflagrada em Campos no ano das eleições municipais de 2016, a partir da denúncia de assistentes sociais concursadas da Prefeitura, sobre distribuição sem critérios técnicos do antigo benefício do Cheque Cidadão para compra de voto. Gerou prisões de políticos, duas só ao ex-governador Anthony Garotinho (hoje, União), e de integrantes do governo Rosinha Garotinho (hoje, União). E alterou a composição da Câmara Municipal na Legislatura passada. Passados seis anos, ela parece mais perto do fim depois do julgamento pela nulidade das provas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no último dia 1º. Mas, mesmo assim, continuou cercada de polêmica: após o placar da segunda turma do STF indicar a validade das provas por 3 a 2, o ministro Nunes Marques primeiro retirou seu voto, para no mesmo dia votar pela nulidade. Como isso se explica? Qual o saldo da Chequinho? Ela seria possível sem o contexto nacional da Lava Jato, iniciada em 2014? E as acusações de “perseguição política” de Garotinho? Em busca de respostas, a Folha ouviu, em ordem alfabética, os advogados Carlos Alexandre de Azevedo Campos, ex-assessor do STF; Felipe Drummond, especializado em Direito Criminal; Pryscila Marins, especializada em Direito Eleitoral; e o promotor de Justiça Victor Queiroz, que participou da Chequinho.

 

Carlos Alexandre de Azevedo Campos, Feliep Drumond, Pryscila Marins e Victor Queiroz (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Folha da Manhã – Deflagrada nas eleições municipais de Campos em 2016, gerando condenações com prisões em ações criminais e eleitorais, que saldo faz hoje da operação Chequinho?

Carlos Alexandre de Azevedo Campos – À época, houve de fato um aumento exponencial do número de beneficiários do programa social envolvido, o que deflagrou a ação do MP em razão do uso de dinheiro público para “compra” de votos. Hoje, a condenação foi revertida por uma questão técnica: falta de perícia. Acho que o saldo tem duas vertentes: uso de política social como meio de conquistar votos é crime, e isso vale a todas as esferas; e que o MP e o Judiciário não podem deixar quaisquer dúvidas para a condenação. Nesse último ponto, os desmandos da Lava Jato abriram diferentes pontos de precedentes para nulidades.

Felipe Drummond – Difícil emitir opinião sem conhecer os autos do processo. Operações como a Chequinho e semelhantes marcam uma atuação de mais austeridade estatal com relação a acusações de má gestão da coisa pública. Por outro lado, frequentes desdobramentos desses casos indicam que os órgãos de persecução penal e do Judiciário ainda precisam conter o ímpeto punitivo e amadurecer nos direitos e garantias à realização de julgamentos mais seguros.

Pryscila Marins – A Chequinho foi deflagrada para impedir que o abuso do poder econômico e o uso da máquina pública influenciassem no resultado do pleito. Em que foi bem-sucedido, ao menos no primeiro momento. Mas seis anos após a operação, com as reviravoltas que o processo vem sofrendo constantemente, sem uma definição, fica a sensação de insegurança jurídica que pode gerar efeitos reversos para os próximos pleitos, como a vitimização.

Victor Queiroz – Não me parece possível identificar um saldo matemático, exato. O fato é que operações como a Chequinho servem ao amadurecimento das instituições e, de modo didático, ao avanço civilizatório, para que todos renovem algumas convicções. A saber: a de que a lisura do processo eleitoral é essencial à democracia e de que não vale a pena subverte-lo. E a de que a intervenção judicial no processo eleitoral é apenas um sintoma de que a sociedade está adoentada, além de dever ser feita em caráter excepcional, ainda que por vezes necessária.

 

Folha – A Chequinho nasceu de assistentes sociais da Prefeitura que denunciaram a subversão dos critérios técnicos para crescer, a toque do caixa eleitoral de 2016, o benefício do Cheque Cidadão. Operações como essa são possíveis sem a denúncia de dentro?

Carlos Alexandre – Por dever legal de transparência, como ocorre com toda e qualquer forma de execução orçamentária, esses dados, como o número de beneficiários e o volume de recursos envolvidos, devem ser disponibilizados mensalmente no site da Prefeitura ou por outro meio de comunicação. De posse desses números, e identificada a evolução, todo cidadão poderia realizar tal denúncia. Às vezes, falta transparência, às vezes, interesse da população em investigar.

Felipe – Delações e notícias de integrantes de órgãos públicos podem ser importantes meios de obtenção de prova. Entretanto, não são a única forma de apuração. Órgãos de fiscalização como os Tribunais de Conta e o Ministério Público são relevantes instrumentos de controle que, com atuação devida, podem identificar desvios e instaurar investigações pertinentes. As informações de dentro facilitam as apurações e fornecem direcionamento, mas não são a única solução.

Pryscila – A Justiça Eleitoral tem o poder fiscalizatório a fim de proteger a legitimidade do pleito. No entanto, é muito difícil chegar a um ilícito eleitoral sem uma denúncia, pois muitas das vezes a clandestinidade é a válvula propulsora desses crimes. No caso da operação Chequinho, a denúncia partiu “de dentro”, porém poderia ter surgido de adversários políticos, uma vez que é extremamente comum a fiscalização entre eles, o que move inúmeras ações na seara eleitoral.

Victor – Pessoas que fazem parte do aparato estatal e que presenciam práticas delitivas no âmbito da administração pública podem e devem noticiar eventuais malfeitos. É um dever. Ainda que eventuais notícias não venham “de dentro”, certamente testemunhos “de dentro” são importantes para a devida apuração dos fatos e para o descobrimento da verdade.

 

Folha – A Chequinho veio após operação Lava Jato de 2014. Que, por sua vez, foi inspirada Mãos Limpas da Itália, de 1992. A primeira redundou no governo Rafael Diniz; a segunda, no governo Jair Bolsonaro; a terceira, no governo Silvio Berlusconi. Politicamente, qual o saldo?

Carlos Alexandre – Acho que a eleição de alguém fora dos grupos tradicionais de poder responde a uma variedade de fatores, e não apenas a operações policiais e judiciais da espécie. Mas é claro que possui grande peso, ao lado da economia, da saturação pela falta de alternância do poder, de viradas ideológicas. Resta saber se o “pesadelo Bolsonaro” não fez com que o eleitor mediano não repensasse o peso que deve dar a operações como a Lava Jato.

Felipe – Há uma tendência de mais rigor na fiscalização para responsabilizar os acusados de práticas ilícitas. Isso inspira mais cuidado e desmotiva posturas inidôneas perceptíveis. Entretanto, seus desfechos indicam uma impulsividade persecutória açodada que não respeita adequadamente os limites constitucionais e legais. A pretexto de punir desvios, o Estado não violar direitos, sob pena de tornar o processo inócuo até para as pretensões punitivas.

Pryscila – Não acredito que a eleição dos representantes citados seja fruto direto de operações que descortinaram abuso de poder e corrupção, mas sobretudo na soma de vários outros fatores e, principalmente na rejeição de modelos de governos já postos, o que demonstra a fragilidade da capacidade de escolha. Isso porque, o eleitor deixa de escolher quem ele gostaria que o representasse para escolher aquele que vai derrotar quem ele não quer que o represente.

Victor – Espero que seja o amadurecimento dos atores políticos e especialmente do eleitorado, em prol do aperfeiçoamento da cidadania, da consciência dos eleitores, do pluralismo político e da probidade administrativa.

 

Folha – Essa acusação, de que a Chequinho teria sido montada por “perseguição política” e para favorecer a eleição de Rafael prefeito em 2016, foi feita pelo ex-governador Anthony Garotinho, apontado como chefe do “escandaloso esquema” revelado. Como você vê?

Carlos Alexandre – Vejo como normal a reação, o que não significa que seja correta. É o discurso padrão do populismo: sou sempre perseguido. A Chequinho teve um indício objetivo, numérico: o aumento, sem critérios, em ano eleitoral, de beneficiários de programa social. Havia interesse público? Improvável. Interesse particular do grupo que concorria. A resposta nunca é demonstrar o interesse público, e sim cogitar de perseguição.

Felipe – Não conheço o processo para emitir opinião sobre alegações de perseguição política. A defesa do acusado pode alegar, no processo penal, tudo que entende violar o seu direito, inclusive motivação inidônea da tese acusatória. Por outro lado, investigações criminais e o processo judicial jamais devem servir a interesses políticos. Cabe ao Judiciário observar a higidez do processo e anular, a qualquer tempo, qualquer violação de direitos que identifique.

Pryscila – A Chequinho denunciava um incremento significativo no programa social próximo às eleições, o que é vedado pela legislação eleitoral. Caracteriza abuso do poder econômico, além de apontar que o benefício não era concedido de acordo com estudo social realizado por assistente social. E isso não é perseguição política, tampouco favorecer candidato, mas desrespeito à lei que poderia viciar a vontade do eleitor, deslegitimando o pleito.

Victor – É compreensível e legítimo que pessoas submetidas à persecução penal também se defendam com argumentos ad hominem (falácias “contra a pessoa”), buscando desmerecer os seus acusadores ou menoscabando a motivação das acusações. O argumento da “perseguição política” faz parte do direito à ampla defesa e, em geral, tanto mais é invocado quanto menos argumentos o acusado tem ao mérito das acusações. O importante é respeitar o princípio do devido processo legal e saber que acusações de “perseguição política” também podem levar à responsabilização de quem as faz, se comprovadamente levianas.

 

Folha – A Chequinho e a Mãos Limpas não cometeram o mesmo erro aparente da Lava Jato, que foi personificar a operação em um “herói”. Como foi o caso do ex-juiz federal Sérgio Moro, hoje visto por muitos como “vilão”. Vaidade e Direito deveriam andar separados?

Carlos Alexandre – Não teria Sergio Moro, desde sempre, um projeto pessoal, político ou STF? Acho que pensavam no PSDB ocupar o vácuo que seria deixado pelo PT, apesar do Gilmar Mendes, indicado por FHC, ter sido sempre crítico da Lava Jato. Acho que foi ambição, e não vaidade pura. Mas, sim, Direito e vaidade estão quase sempre juntos, o que não deveria ocorrer.

Felipe – Sempre devem andar separados, em especial quando se considera o ofício de julgar. O magistrado não pode querer ser mais importante que sua própria função, sob pena de produzir injustiças, ao invés de assegurar direitos. A espetacularização de julgamentos, especialmente os criminais, se dá ao custo da realização da Justiça. Os direitos do acusado são violados e a sociedade também é deixada desprotegida, pois os processos deixam de atender à finalidade.

Pryscila – O Judiciário precisa ser imparcial, não pode e nem deve, sob pena de nulidade, divorciar-se desse princípio. Quando a vaidade contamina o julgamento, o que temos não é a justiça sendo feita, mas direitos sendo violados. O processo possui regras que precisam ser observadas para garantir devido processo legal. Quando há vaidade, o desrespeito a procedimentos acaba fragilizando a investigação e anulando o julgamento.

Victor – A vaidade é, em excesso, germe da quebra da legitimidade da atuação do sistema de Justiça. A vaidade extrema, por acentuar a pessoa em detrimento do senso de justiça, cria o risco de os fins justificarem os meios. Daí a importância da observância do devido processo legal e da impessoalidade da atuação dos operadores do Direito. Quanto menos estes se exibirem, melhor. A história nacional recente é pródiga em exemplos.

 

Folha – Juiz de Campos que decretou a prisão de Garotinho tanto na Chequinho, quanto na operação Caixa d’Água, Glaucenir Oliveira foi afastado da função pelo CNJ após ter um áudio vazado com críticas ao ministro Gilmar Mendes, do STF. Como você viu o episódio?

Carlos Alexandre – O Dr. Glaucenir tem todo o direito de pensar o que quiser sobre decisões de Tribunais Superiores. O direito de crítica intelectual deve ser absoluto. Porém, é necessário saber onde e como expressar essa opinião. A era digital criou uma terra de ninguém, onde não estamos seguros acerca do alcance do que fala, do que expõe. Vivemos tempos da necessária cautela. Mas não vejo mais qualquer razão à manutenção do seu afastamento.

Felipe – Não se pode tolher o direito de um juiz manifestar sua opinião pessoal em um grupo privado de aplicativo de mensagens. Mas há limites ao direito de expressão, em especial quando se considera a conduta de um membro da magistratura em relação à idoneidade de outro magistrado, já que as críticas não se limitaram à suposta inadequação das suas razões de decidir. De todo modo, a pena de afastamento das funções me pareceu exagerada para a hipótese.

Pryscila – Vivemos em um estado democrático de direito, onde o direito à livre manifestação de pensamento deve ser respeitado. Muito embora as críticas feitas tenham sido ásperas, entendo que foram feitas em um círculo fechado de aplicativo de mensagens, cuja manifestação se deu enquanto cidadão. Os ministros do STF, hoje conhecidos devido à exposição nos meios de comunicação, são pessoas públicas. E, como tal, estão sujeitos a críticas aos seus atos.

Victor – Tenho um apreço especial pelo juiz Glaucenir Oliveira, razão pela qual não me sinto à vontade para responder ao questionamento.

 

Folha – Alvo de críticas, o STF justificou parte delas com o ministro Nunes Marques, que primeiro retirou voto anterior pela validação das provas da Chequinho, só após esta alcançar 3 a 2 favoráveis na 2ª turma, para depois muda-lo pela nulidade? Como explicar isso?

Carlos Alexandre – Um problema do plenário virtual do STF, onde ministros não precisam lançar o seu voto, mas apenas indicarem se acompanham o relator ou divergem. Se divergirem, aí sim precisam justificar. Pelo que eu soube, o ministro Nunes Marques divergiu desde o primeiro momento, mas teria ocorrido um erro do sistema que o colocou como acompanhando o relator. Erros da espécie são raros, mas podem ocorrer realmente

Felipe – A assessoria do STF afirmou que não houve modificação no voto do ministro Marques. O posicionamento teria sido lançado equivocadamente no sistema, uma vez que, desde o início, teria votado dando provimento à nulidade. Entretanto, até o resultado oficial do julgamento, os ministros podem mudar o voto. É normal acontecer, por exemplo, quando um magistrado se convence de que os argumentos lançados em decisão de um colega seriam mais adequados.

Pryscila – O papel mais difícil é explicar que cada julgador possui independência para julgar de acordo com a sua convicção, principalmente quando casos semelhantes tem tratamentos diversos. Isso não quer dizer favorecimento a ninguém, mas simplesmente que um jurista possui entendimento diverso do outro; por isso vence a maioria. O grande problema, hoje em dia, é o julgamento popular que, isento de amarras processuais, quer pautar o julgamento jurisdicional.

Victor – Essa perplexidade parece ter sido causada pelo mecanismo do julgamento virtual, no qual os ministros do STF não apresentam seus votos presencialmente ou ao mesmo tempo. Isso agiliza os julgamentos, mas pode dar margem a equívocos e mudanças que soam surpreendentes, sem o debate verbal e de imediato dos julgamentos presenciais. O ministro Marco Aurélio, hoje aposentado, sempre foi crítico do julgamento virtual.

 

Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

Genial/Quaest e PoderData indicam 2º turno de Lula e Bolsonaro

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continua líder isolado às urnas presidenciais de 2 de outubro, daqui a exatos 88 dias. Mas a disputa, diferente do que as pesquisas chegaram a projetar em maio e junho, hoje parece caminhar ao segundo turno de 30 de outubro, contra o presidente Jair Bolsonaro (PL). Duas pesquisas divulgadas hoje sinalizam isso. Feita entre 29 de junho e 2 de julho, a Genial/Quaest deu Lula com 45% das intenções de voto na consulta induzida, seguido por Bolsonaro (PL), com 31%; o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), com 6%; a senadora Simone Teber (MDB) e o deputado federal André Janones (Avante), cada um com 2%; e o influenciador digital Pablo Marçal (Pros), com 1%. Feita entre 3 e 5 de julho, a PoderData deu Lula com 44% das intenções na consulta induzida, seguido por Bolsonaro, com 36%; Ciro, com 5%; e Tebet e Janones, cada um com 3%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A pesquisa Genial/Quaest, feita com 2.000 mil entrevistas presenciais, é considerada mais confiável na metodologia do que as 3.000 consultas por telefone do PoderData. Além disso, a Genial/Quaest é mais significativa por ter projetado em junho a possibilidade de vitória de Lula ainda no primeiro turno. Para neste mês de julho indicar a existência do segundo turno dentro da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, mesma do PoderData. Pela Genial/Quaest, Lula bateria Bolsonaro por 53% a 34% no segundo turno. Pela PoderData, o petista bateria o capitão por 50% a 38% no segundo turno.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Segundo os dados mais atuais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o país tem hoje 156.463.117 de brasileiros aptos a votar em outubro. Pela Genial/Quaest, a vantagem de Lula para Bolsonaro no primeiro turno hoje é de 14 pontos — ou 21,9 milhões de eleitores. Pela PoderData, a vantagem de Lula para Bolsonaro no primeiro turno hoje é de 8 pontos — ou 12,5 milhões de eleitores. A distância do petista sobre o capitão aumentaria substancialmente no eventual segundo turno. Nele, pela Genial/Quaest, Lula bateria Bolsonaro hoje por 19 pontos de vantagem — ou 29,7 milhões de eleitores. Pela PoderData, Lula bateria Bolsonaro no turno final por 12 pontos de vantagem — ou 18,7 milhões de eleitores.

Apesar da grande vantagem que ainda possui sobre o segundo colocado, as pesquisas Genial/Quest e PoderData indicam tendência discreta de queda de Lula, assim como tendência igualmente discreta de crescimento de Bolsonaro. Na consulta induzida da Genial/Quest ao primeiro turno, Lula caiu dos 46% de intenções de voto que mantinha em maio e junho aos 45% de julho. Já Bolsonaro cresceu dos 29% das intenções de voto que tinha em maio a 30% em junho e 31% em julho. Nas projeções do segundo turno entre os dois, Lula caiu dos 54% de junho aos 53% de julho, enquanto Bolsonaro cresceu de 32% a 34% no mesmo período.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Na consulta induzida do PoderData ao primeiro turno, Lula patinou nos 44% de intenções de voto entre junho e julho, enquanto Bolsonaro cresceu de 34% para 36% no mesmo período. Nas projeções do segundo turno entre os dois, Lula caiu dos 52% de junho para 50% em julho, enquanto Bolsonaro cresceu de 35% para 38% no mesmo período. Sempre dentro da margem de erro dos dois institutos, se apresentam hoje como tendências.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE

— A pesquisa Genial/Quaest de junho dava vitória de Lula no primeiro turno, enquanto na de julho a eleição iria para o segundo turno, com Lula oscilando para baixo, mas dentro da margem de erro. Com metodologia de entrevistas presenciais, que são o tipo de coleta de informação mais confiável, a Genial/Quaest continua dando Lula no primeiro ou no segundo turno. Entretanto, a comparação com as pesquisas anteriores da Genial/Quaest apontam para uma trajetória de suave ganho de intenção de voto para Bolsonaro e de suave perda para Lula. O atual presidente, comparando julho com os meses anteriores, vem ganhando 1% a cada mês, enquanto o ex-presidente vem perdendo menos de 1% a cada mês. Com isso, mantido este mesmo comportamento do eleitor até 2 de outubro, baseado apenas na Genial/Quaest, a diferença nas urnas entre Lula e Bolsonaro cairia dos 14% da pesquisa divulgada hoje para 10%, com Bolsonaro subindo de 31% a 33% e Lula oscilando de 45% a 43%. Mas isso pouco mudaria o resultado eleitoral, com Lula elegendo-se para o terceiro mandato — analisou o geógrafo William Passos, com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

O geógrafo com especialização em estatísticas pelo IBGE também analisou a nova pesquisa PoderData, comparando suas diferenças e semelhanças com a Genial/Quaest:

— Também divulgada hoje, a pesquisa PoderData apontou que a “chance da disputa terminar com 2º turno fica cada vez mais evidente”. Nessa pesquisa, Lula segue com 44% das intenções de voto, contra 36% de Bolsonaro, que subiu 2% em relação à pesquisa anterior, realizada de 19 a 21 de junho. A diferença de números em relação à Genial/Quaest se dá pela diferença da qualidade da metodologia. A PoderData realiza entrevistas por telefone, para linhas fixas e de celulares, por meio do sistema Unidade de Resposta Audível (URA), em que o entrevistado ouve perguntas gravadas e responde por meio do teclado do aparelho. Este tipo de metodologia tem viés mais elitizado e, dessa forma, pega proporcionalmente mais eleitores de Bolsonaro, fato que explica uma diferença menor na intenção de voto em relação a Lula. De qualquer forma, a comparação conjunta da Genial/Quaest e da PoderData apontam para três importantes conclusões: 1ª) as intenções de voto, a 88 dias das eleições, mantêm estabilidade; 2ª) a eleição presidencial caminha para um provável segundo turno; e 3ª) Lula largará na frente, elegendo-se pela terceira vez em um segundo turno — finalizou.

 

Oposição dos Bacellar engessa Orçamento em Campos e SJB

 

Prefeitos Wladimir Garotinho e Carla Caputi e o deputado estadual Rodrigo Bacellar (Montagem: Eiabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Wladimir com Rafael, Bacellar com Wladimir

Vereador Igor Pereira e ex-prefeito Rafael Diniz

“Ser oposição ao governo é uma coisa, à cidade é outra. Todo governo precisa de margem de remanejamento orçamentário”. Foi o que o então deputado federal Wladimir Garotinho (hoje, sem partido) disse ao blog Opiniões em 15 de janeiro de 2020. A discussão era sobre o percentual de remanejamento que um grupo de vereadores liderados por Igor Pereira (hoje, SD), ligado ao deputado estadual Rodrigo Bacellar (hoje, PL), queria impor ao então prefeito Rafael Diniz (Cidadania): de 30% a 10%. Com apoio de Wladimir, o percentual ficou em 20%. Voltou a 30% em 2022. E o grupo de vereadores dos Bacellar agora quer reduzir a 5%.

 

Recordar é viver

Campos entrou naquele ano eleitoral de 2020 sem Orçamento. A coisa só foi resolvida após o então presidente da Câmara, Fred Machado (Cidadania), aliado do prefeito Rafael, entrar em contato com o deputado Wladimir. Que orientou a bancada garotista, na oposição desde o primeiro dia da gestão anterior, a votar pelos 20%. Não nos 10% que queriam os ex-rafaelistas liderados por Igor, já aliado dos Bacellar. Deputado estadual eleito em 2018 com a ajuda de Rafael, Rodrigo apoiava naquele início de 2020 a pré-candidatura de Caio Vianna (hoje, PSD) a prefeito. Os dois romperiam pouco depois, mas hoje posam novamente como aliados.

 

Após romperem em 2020, Rodrigo Bacellar e Caio Vianna novamente aliados (Foto: Instagram de Caio Vianna)

 

Fred Machado

Advertência de Fred Machado

Desde o pleito à presidência da Câmara Municipal de 15 de fevereiro, que poderia ser marcado até dezembro e foi adiantado em erro primário do governo, a oposição mantém a maioria de 13 contra 12. Foi ela que elegeu Marquinho Bacellar (SD) presidente, em eleição anulada pela atual Mesa Diretora. Até pela união pontual com Wladimir para favorecer ao último ano do governo Rafael, Fred é o vereador que agora mais tem tentado convencer seus pares da oposição reduzir o remanejamento, dos atuais 30% a 20%. “Reduzir para 5% pode passar à população a impressão que queremos achacar a Prefeitura”, admitiu ele ontem à coluna.

 

“Votarei com o grupo”

Fred também advertiu sobre a crise institucional que o impasse pode criar. “Se a oposição tentar impor os 5% de remanejamento por maioria simples, o prefeito vai vetar. Para derrubar o veto, não temos os 2/3 necessários. Aí ficaria 0% de remanejamento ao governo e à Câmara. Se os 20% foram justos a Rafael, são justos a Wladimir. O Legislativo tem que fiscalizar, mas não chamar para si uma responsabilidade do Executivo. Também ajudaria se Wladimir ficasse quieto e parasse de provocar a oposição. Vou tentar o acordo até o último momento. Mas, se não vier, votarei com o grupo”, garantiu, endossando a unidade da oposição.

 

Presidente da Câmara de SJB, Elisio Rodrigues, e Rodrigo Bacellar no último sábado, em Barcelos (Foto: Facebook de Elísio Rodrigues)

De Campos a SJB

Apesar da iniciativa de Fred de chamar oposição e governo ao bom senso, a tentativa de tentar emparedar governos municipais não alinhados não é exclusiva de Campos. No último sábado (2), o presidente da Câmara São João da Barra, vereador Elísio Rodrigues (PL), fez da sua prestação de contas em Barcelos um evento para receber o aliado Rodrigo Bacellar em sua pré-candidatura à reeleição a deputado estadual. E, dois dias depois, o Blog do Arnaldo Neto anunciou na segunda (4) que a maioria legislativa da oposição em SJB quer impor à prefeita Carla Caputi (sem partido) o mesmo limite de remanejamento de 5%. Lá, atualmente, são 40%.

 

Presfeitas de SFI, Francimara Barbosa Lemos, e de Quissamã, Fátima Pacheco

E SFI e Quissamã?

Campos tem 25 vereadores e maioria mínima da oposição de 13 a 12, comandada pelos Bacellar. SJB tem 9 vereadores e maioria mínima da oposição de 5 a 4, aliada dos Bacellar. E, nos dois municípios vizinhos, seus prefeitos têm a mesma espada dos 5% de remanejamento orçamentário balançando sobre o pescoço. Para se ter elementos também vizinhos de comparação, em São Francisco de Itabapoana, a prefeita Francimara Barbosa Lemos (SD) tem 12 dos 13 vereadores, com 40% de remanejamento. Em Quissamã, a prefeita Fátima Pacheco (PSD) tem 9 dos 11 vereadores, com os mesmos 40% de remanejamento.

 

O que é remanejamento?

A questão do remanejamento orçamentário pode até parecer complexa. Mas, como exemplificada pela bancada do programa Folha no Ar de 17 de maio, quando o entrevistado foi o vereador Marquinho Bacellar, é relativamente simples. Remanejamento é o seguinte: na reforma da sua casa, o sujeito orçou gastar 2X na sala e 1X no banheiro. No correr da obra, a sala saiu por 1,7X, enquanto a do banheiro estourou o orçamento. No caso do prefeito, ele pega esses 30% que sobraram de um lugar e remaneja a outro. Com 5%, só poderia usar os 25% restantes da sala na reforma do banheiro com autorização da Câmara.

 

Ex-presidente Lula, presidente Jair Bolsonaro e presidente da Câmara Federal, Arthur Lira (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Da planície ao Planalto

Ganhe Lula (PT) ou Jair Bolsonaro (PL) nas urnas presidenciais de outubro, quem conhece política para além da torcida tem pouca dúvida em quem de fato manda e quer continuar a mandar no Brasil: o Centrão do atual presidente da Câmara, Arthur Lira (PP/AL). Mesmo que todas as pesquisas se confirmem e seu aliado Bolsonaro perca, Lira já articula não só para tentar se reeleger presidente da Câmara em fevereiro, como o controle do Orçamento Secreto em 2023, que já tem destinados R$ 19 bilhões do dinheiro público. No Mensalão em 2003 e 2004, dois primeiros anos dos oito do governo Lula, foram movimentados R$ 101 milhões.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Contra a ciclovia aos trabalhadores na nova rua Formosa

 

Pré-candidatos a deputado federal, Clarissa Garotinho e Marcelo Mérida (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Advertência a Mérida

A deputada federal Clarissa Garotinho confirmou ao Folha no Ar de ontem (1º), na Folha FM 98,3, ser pré-candidata à reeleição. O que, confirmada a possibilidade de Garotinho ser candidato, pode sofrer alterações até as convenções. Mas ela foi crítica à outra pré-candidatura ao cargo posta no seu grupo político: a do líder lojista Marcelo Mérida (União). “Nós não deveríamos lançar dois candidatos a federal. Mérida precisava aguardar um momento propício. As chances de ele se eleger são muito pequenas. Nós não deveríamos trabalhar na divisão do nosso grupo. Ele não conseguiu construir apoios políticos além de um pedaço de Campos”, analisou.

 

Ciclovia x vagas de carros

No “pequeno pedaço de Campos” construído por Mérida está o apoio de Wainer Teixeira, secretário municipal de Administração e Recursos Humanos, hoje entre os mais influentes na gestão Wladimir Garotinho (sem partido). O que talvez explique que o governo tenha passado a considerar, em reunião de quinta (30) na CDL-Campos, o pleito dos comerciantes da rua Tenente Coronel Cardoso, a popular rua Formosa, de trocar a instalação de uma ciclovia na tradicional via pela manutenção das vagas de carros. Isso em seu trecho reformado entre seus cruzamentos com a avenida José Alves de Azevedo (Beira Valão) e a rua Felipe Uébe.

 

Alternativa ao trabalhador

No último dia 22, esta coluna explicou a opção inicial pela ciclovia. “Campos está integrada ao Plano Nacional de Mobilidade Urbana, do ministério das Cidades. Para receber verbas federais na área, é uma exigência se ampliar alternativas de transporte. Com o combustível no preço em que está e os problemas no transporte público, a bicicleta é o meio de transporte para muitos trabalhadores”, justificou o engenheiro civil Sérgio Mansur, subsecretário municipal de Mobilidade. Presidente da própria CDL-Campos, o empresário e arquiteto urbanista Edvar Júnior também se mostrou favorável à ciclovia na Formosa.

 

Engenheiro Sérgio Mansur, subsecretário municipal de Mobilidade, e arquiteto Edvar Júnior, presidente da CDL-Campos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Urbanista x empresário

“Falo como arquiteto e urbanista, não como comerciante: é necessário ampliar as faixas a ciclistas. As ciclovias em Campos não são interligadas. Isso tem que mudar. Fiz uma enquete e 70% das pessoas querem a ciclovia na Formosa. Só 30%, quase todos lojistas, querem vagas a carros”, disse Edvar ao Ponto Final do dia 22. Mas, oito dias depois, pesou mais o comerciante na reunião de quinta na CDL, quando seu presidente preferiu pouco falar. Para deixar, em jogada ensaiada, que Mérida assumisse a defesa das vagas para carros. E do comércio da Formosa na contramão de Campos, em termos mobilidade urbana, ao resto do mundo.

 

Exemplo das farmácias

Mérida sempre foi cobrado por fazer pouco pelo seu setor, enquanto foi secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, até se desincompatibilizar em 1º de abril. Para tentar disputar o cargo ao qual Clarissa não vê chance de êxito. Ela também confirmou o que a coluna revelou em 18 de maio: a filiação de Mérida ao União, por Wladimir, descoberta por Garotinho na executiva estadual do partido, mas sem passar por ele, foi a causa dos desentendimentos entre o pai ex-governador e o filho prefeito. Como exemplo do comércio de Campos, ficam as farmácias, que bancam vagas de carros sem obstruir a mobilidade do resto da sociedade.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Entre jornal, futebol, prosa e música, histórias de Seu Léo

 

José Leonardo Moreira
José Leonardo Moreira

 

Histórias de Seu Léo

 

Coube a mim contratar Leonardo Moreira, Seu Léo, no início dos anos 1990, como motorista da Folha da Manhã. Da qual vestiu a camisa como poucos por mais de três décadas, até o início da pandemia da Covid. E foi na data do meu aniversário de 50 anos, no último 24 de junho, dia de João Batista, que ele fez a passagem após 71 anos de vida, no Oncobeda. Não resistiu à cirurgia para extrair um câncer de garganta.

Soube no início da noite por meu afilhado, Aquiles, que viu a notícia no celular. E a redação da Folha, por conta da data, evitou de me passar. Estava junto também da minha mãe, Diva, que chorou muito ao saber. Tomado de sentimentos contraditórios entre minha própria vida em interseção com a morte de um amigo muito querido, pensei em cancelar o churrasco de aniversário que tinha marcado, também com amigos, no dia seguinte. Mas Diva, refeita, me disse a verdade: “Seu Leonardo seria o primeiro a te dizer para não fazer isso”.

Léo foi bem mais do que um motorista de jornal. Como o saudoso Valdelan Paes antes dele, foi um condutor de volante convertido em jornalista. Repórter e pauteiro inato, não chegou, como Paes, a se aventurar como escriba. Mas qualquer jornalista que já tenha convivido com ele numa redação ou cobertura de rua, mente se disser que não achou um novo fato, personagem, ou ângulo para texto ou foto, a partir dos seus olhos e ouvidos atentos. E da sua boca verborrágica, que quase sempre pontuava as frases com “meu camarada!”.

Passada uma semana da sua morte, faço o que não consegui anestesiado pelo impacto dela. Conto algumas das suas muitas histórias, meu camarada!

Flamenguista típico, a justificar a fama de ufanista chato, responsável pelo prazer que vascaínos, tricolores e botafoguenses têm ao ver o Flamengo perder, superior ao que sentem quando seus próprios times vencem, Léo assistiu ao meu lado às conquistas rubro-negras do Penta e do Hexa no Brasileirão, em 1992 e 2009. Ambas testemunhadas por nós, espremidos nas arquibancadas de quando o Maracanã era o Maracanã.

Na conquista do Brasileiro de 1992, após a vitória de 3 a 0 contra o Botafogo na primeira partida da final, fomos de Campos ao Rio para a segunda. Junto também do amigo Hervezinho Lyzandro, em meio a mais de 122 mil outras pessoas, assistimos ao empate de 2 a 2 que deu o título ao Flamengo do Maestro Júnior, autor do primeiro gol. O jogo ficou tragicamente marcado pela queda do alambrado, pelo qual centenas despencaram da arquibancada ao anel inferior do maior estádio do mundo, matando três pessoas a poucos metros de nós.

 

 

Na conquista do Brasileiro de 2009, no meio da torcida Raça Rubro-Negra, estávamos Léo, eu e meu filho Ícaro, então com apenas 10 anos. E assustado com o gigantismo de um Macara apinhado de mais de 84 mil torcedores. Com o gol de cabeça do zagueiro Ronaldo Angelim, o Flamengo do sérvio Petkovic e de Adriano Imperador suou, mas deu números finais à vitória de virada por 2 a 1, após o Grêmio abrir o placar.

 

 

Entre os Brasileiros de 1992 e 2009, foi em outro Flamengo e Grêmio a passagem para mim mais marcante, por hilária, com Léo. E foi não na conquista, mas na perda de um título nacional. Após o empate de 0 a 0 em Porto Alegre, o Rubro-Negro e o Tricolor Gaúcho decidiram a Copa do Brasil de 1997 no Maracanã.

Com Romário no comando do ataque em dupla com o driblador ponta esquerda Sávio, o Flamengo era favorito. E levava o caneco por 2 a 1 até os 39 minutos do segundo tempo, quando o meia gremista Carlos Miguel igualou o placar. Com o critério de desempate a partir do saldo de gols marcados fora de casa, o clima na saída dos mais de 95 mil torcedores, em sua imensa maioria flamenguistas, era de velório. Descemos as rampas do Maracanã até o metrô, todos calados e de cabeça baixa. Dava para ouvir um alfinete caindo no chão.

 

 

Entramos no vagão do metrô, com a multidão rubro-negra ainda mais espremida do que no Maraca. Leonardo, que nunca conseguia ficar calado muito tempo, quebrou o silêncio sepulcral com uma de suas típicas bravatas. E disse em voz alta:

— É, camarada, o Flamengo tem que pegar é Mirandinha! — bradou em meio à mudez até então só quebrada pelo solavanco de aço conta aço, das rodas nos trilhos, sobre o ponta direita veloz que fazia relativo sucesso à época no Paysandu do Pará, antes de ser comprado para não dar em nada no Corinthians.

Do canto do mesmo vagão, um negão de uns 2 metros de altura por uns 3 de largura, com camiseta do Flamengo das quais saíam braços musculosos mais grossos que as minhas pernas, gritou em voz grave. E resumiu a reação geral à provocação de Léo:

— Cala a boca, gordo burro!

Leonardo ficou vermelho, se contendo para não mandar a tréplica ao colosso de ébano. Ao que asseverei, com voz firme, ao ouvido dele, ambos em pé e agarrados como podíamos pelas mãos às barras superiores do metrô:

— Cale a porra da boca, Léo. Olhe o tamanho do sujeito! E estamos trancados aqui com ele até a próxima estação. Se você der uma resposta e ele partir pra cima, no lugar de apanhar junto, eu vou ajudar a te bater — disse, entre risos e o nervosismo contidos.

Novamente no Rio, mas por motivo diverso, era 2002 quando fui comprar a edição de luxo que a Ediouro havia acabado de lançar da obra prima do prosador francês Marcel Proust. “Em Busca do Tempo Perdido” vinha em três tomos. Na tradução primorosa do hoje falecido poeta carioca Marcelo Py, o primeiro volume reunia “No Caminho de Swann” e “À Sombra das Moças em Flor”; o segundo, “O Caminho de Guermantes” e “Sodoma e Gomorra”; com “A Prisioneira”, “A Fugitiva” e “O Tempo Recuperado” no terceiro.

 

 

 

Sempre curioso e entrão, Léo veio ao quarto do apartamento do Rio, onde estávamos com minha família. E viu como eu estava feliz, como criança de brinquedo novo, com aqueles livros. Expliquei um pouco a ele sobre Proust e sua obra. E percebi que, na saída do quarto, o velho Aluysio Barbosa estava sentado sozinho no sofá da sala, fumando um cigarro que mataria ele e seu inseparável companheiro de compras no Mercado Municipal de Campos.

Como dizia a Léo e algumas pessoas mais próximas, embora bem diferentes de corpo, ele se parecia muito só de face com o grande ator Robert DeNiro, inclusive pela pinta na bochecha. E, o roteiro que lhe dei de improviso, antevendo a reação de Aluysio, seguiu como o veterano astro de Hollywood. Dei-lhe o primeiro tomo de “Em Busca do Tempo Perdido”. E passei com ele o rápido ensaio, cumprido à risca:

— Léo, você vai sair do quarto à sala, com o livro aberto às mãos, fingindo estar concentrado na leitura, indiferente a todo o resto. E, certo como dois e dois são quatro, Aluysio vai perguntar: “O que você está fazendo, Leonardo?”. Ao que, sem tirar os olhos do livro, você vai responder, sem dar confiança: “Agora, não, Seu Aluysio. Por favor, eu estou lendo Proust”.

Roteiro executado à perfeição, meu pai vociferou avermelhado de raiva ao ser esnobado:

— Leonardo, vão você e Proust para a casa do…! — praguejou, enquanto eu me segurava para não urinar de tanto rir, assim como Léo.

Não lembro o ano, mas numa das nossas incontáveis viagens entre Campos e Rio, nas curvas entre o Atlântico e a Serra do Mar, que Leonardo conhecia de cor como nenhum outro condutor, eu e Aluysio estávamos querendo ouvir a gravação do trompetista e cantor Chet Baker de “My Funny Valentine” no CD player do carro. Que meu pai me ensinou a amar como aquela estrada. E Léo, para variar, não parava de falar, atrapalhando a audição.

 

 

Era exatamente a mesma gravação que eu estava ouvindo, na casa da minha mãe, junto com meu afilhado, no último 24 de junho do meu aniversário e da morte de Leonardo, quando dela soube. Crente de sinais, não coincidências: vá em paz, meu irmão!

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Reviravolta do STF revela acordo entre Garotinho e Castro?

 

Futuro do ex-governador Anthony Garotinho entre o ministro bolsonarista do STF Nunes Marques, o atual presidente Jair Bolsonaro, o governador Cláudio Castro e o deputado estadual Rodrigo Bacellar (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

STF libera Garotinho

A pré-candidatura de Anthony Garotinho (União) em outubro continua viva. Em reviravolta no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Nunes Marques, que já tinha votado pela validação das provas na condenação da Chequinho, retirou seu voto na tarde dessa sexta-feira (01), para à noite votar pela nulidade. O placar parcial, que pode ser alterado até 5 de agosto, agora é de 3 a 2 favorável ao recurso do ex-vereador Thiago Ferrugem (União), no mesmo processo que poderia tornar Garotinho inelegível.

 

Votos de FHC, PT e Bolsonaro

Relator, o ministro Ricardo Lewandowski, indicado pelo ex-presidente Lula (PT), tinha votado pela nulidade das provas, no que foi seguido por Gilmar Mendes, indicado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Indicados, respectivamente, pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL), Edson Fachin e Nunes Marques tinham votado pela validação. Último ministro indicado pelo atual presidente, André Mendonça também decidiu contrário ao grupo dos Garotinho na noite de quinta-feira (30). No dia seguinte, Nunes Marques, ministro mais bolsonarista da Corte, retirou seu voto e deu uma volta de 180º.

 

Acordo por cima?

Fato é que Garotinho, até aqui, não tem impedimento para se candidatar. Embora alguns analistas arrisquem que, após o susto, ele possa desistir de concorrer contra o governador bolsonarista Cláudio Castro (PL). E se contentar com a disputa de outro cargo, como deputado federal ou estadual. Isso pacificaria a relação em Campos entre os Bacellar e os Garotinho, inclusive na composição da nova Mesa da Câmara, em costura feita por cima. Ninguém duvida de mais nada, mesmo que não seja fácil pensar em composição entre os clãs, até que de fato ela esteja consumada. Mas sem a possibilidade de virar o voto, como fez Marques.

 

Com o jornalista Arnaldo Neto.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

STF libera Garotinho a se candidatar. A governador?

 

Anthony Garotinho

A pré-candidatura de Anthony Garotinho (União) em outubro cotinua viva. Em reviravolta no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Nunes Marques, que já tinha votado pela validação das provas na condenação da Chequinho, retirou seu voto na tarde de hoje, para agora à noite votar pela nulidade. O placar parcial, que pode ser alterado até 5 de agosto, agora é de 3 a 2 favorável ao recurso do ex-vereador Thiago Ferrugem (União), no mesmo processo que poderia tornar Garotinho inelegível.

No julgamento da 2ª turma do STF, o ministro relator Ricardo Lewandowski tinha votado pela nulidade das provas, no que foi seguido pelo ministro Gilmar Mendes. Pela validação da condenação, tinham votado os ministros Edson Fachin e Nunes Marques. Voto que faltava, na noite de ontem (30) o ministro André Mendonça também decidiu contrário ao grupo dos Garotinho. Na tarde de hoje, Nunes Marques, ministro mais bolsonarista da instância máxima do Judicário do país, primeiro retirou seu voto na tarde de hoje, para à noite dar uma volta de 180º.

Capaz de ser explicado só pelos juristas, impossível de ser entendido pelos leigos e imcompreensível até aos jornalistas que se aventuram a cobrir o caso, o fato é que Garotinho, até aqui, não tem impedimento legal nenhum para se candidatar em outubro. Embora alguns analistas arrisquem que, após o susto, ele possa desistir de concorrer contra o governador bolsonarista Cláudio Castro (PL). E, até as convenções partidárias, se contentar com a disputa de outro cargo eletivo, como deputado federal ou estadual. O que pacificaria a relação em Campos entre os Bacellar e os Garotinho, inclusive na composição da nova Mesa Diretora da Câmara Municipal, em costura feita por cima.

À esta altura, ninguém, jurista, jornalista, ou leigo, duvida de mais nada.

 

STF: pré-candidatura de Garotinho a governador segue aberta

 

Anthony Garotinho

Ainda não está definido o julgamento da Chequinho no Supremo Tribunal Federal (STF). E, por conseguinte, segue aberta a possibilidade jurídica de Anthony Garotinho (União) poder se candidatar a governador do RJ em outubro. Após o ministro do STF André Mendonça votar na noite de ontem (30) com os colegas Edson Fachin e Nunes Marques, com o placar de 3 a 2 pela validação das provas da Chequinho na condenação do ex-vereador Thiago Ferrugem (União), as mesmas contra Garotinho, Nunes Marques retirou seu voto na tarde de hoje.

Assim, o placar fica parcialmente empatado em 2 a 2, já que votaram pela nulidade das provas os ministros Ricardo Lewandowski, relator do caso, e Gilmar Mendes. Os cinco ministros da 2ª turma do STF têm até 5 de agosto para apresentarem o voto final. No programa Folha no Ar da manhã de hoje, a deputada federal Clarissa Garotinho (União), embora frustrada com o placar parcial de 3 a 2 que implicaria no impedimento jurídico da candidatura do pai a governador, já tinha frisado que a fatura não estava fechada:

— Estou muito surpresa, inclusive decepcionada com esse resultado (os 3 a 2 parciais na 2ª turma do STF). Vamos ver daqui para frente. O julgamento não acabou, ele foi reaberto. Ele só acaba até o dia 5 de agosto. Isso significa que os próprios ministros têm condição de fazer revisão dos seus votos. Esse julgamento não está encerrado — apostou Clarissa ao microfone da Folha FM.

 

STF deixa Garotinho mais distante da candidatura a governador

 

Anthony Garotinho

Como os votos dos dois ministros bolsonaristas do Supremo Tribunal Federal (STF), Anthony Garotinho (União) ficou mais distante da possibilidade de se candidatar a governador em outubro. Na 2ª turma do STF, o ministro André Mendonça votou na noite de ontem (30) pela validação das provas da condenação da Chequinho no processo do ex-vereador Thiago Ferrugem (União). E formou a maioria de 3 a 2 que, tudo indica, valerá também à condenação de Garotinho no mesmo processo. Cujos embargos declaratórios estão para ser julgados também no Tribunal Regional Eleitoral do estado do Rio de Janeiro (TRE-RJ). Condenado, Garotinho seria barrado pela Lei da Ficha Limpa.

Relator do caso no STF, o ministro Ricardo Lewandowski, indicado pelo ex-presidente Lula (PT), tinha votado pela nulidade das provas na condenação de Ferrugem na Chequinho. E foi seguido pelo ministro Gilmar Mendes, indicado ao STF pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Indicados, respectivamente, pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL), os ministros Edson Fachin e Nunes Marques tinham votado pela validação. Coube a André Mendonça, último ministro do STF indicado por Bolsonaro, desempatar pela confirmação da condenação por 3 a 2.

No programa Folha no Ar da manhã de hoje, na Folha FM 98,3, o assunto foi abordado com a deputada federal Clarissa Garotinho (União), filha do ex-governador que vinha tentando novamente se candidatar ao Palácio Guanabara. Como Clarissa apoia o governo Bolsonaro, foi perguntado a ela se a influência do governador Claúdio Castro (PL), também bolsonarista, teria contado mais do que a dela junto aos dois ministros do STF indicados pelo atual presidente da República — Marques e Mendonça.

Clarissa respondeu que, se existir, a influência de um governador tem mais peso do que a de uma deputada federal.

 

Deputada Clarissa Garotinho no Folha no Ar desta sexta

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Deputada federal e pré-candidata à reeleição, Clarissa Garotinho (União) é a convidada para fechar a semana do Folha no Ar nesta sexta (1º), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará sua tentativa de reeleição e as demais candidaturas do seu grupo político a deputado. Também falará do racha com o governador Cláudio Castro (PL), da rixa com os Bacellar, da troca de farpas entre sua própria família e da pré-candidatura do pai, Anthony Garotinho (União), a governador.

Por fim, Clarissa falará da sua aproximação com o presidente Jair Bolsonaro (PL) e dará sua projeção às urnas de outubro. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Transporte público de Campos no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Presidente do Instituto Municipal de Trânsito e Transportes (IMTT), Nelson Godá é o convidado do Folha no Ar desta quinta (30), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará a aprovação na Câmara de Campos dos projetos governistas do controle da bilhetagem e do subsídio ao diesel no transporte público do município.

Godá também falará do planejamento para o encontro técnico entre IMTT e os permissionários de ônibus e vans, que irá anteceder o encontro entre governo e oposição para tentar solucionar hoje o principal problema de Campos.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.