Questão militar do Brasil no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Joseli Mathias)

 

A partir das 7 da manhã desta quarta, o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o cientista político Frederico Sá, professor da UFF e pesquisador da relação civil-militar no Brasil. Ele falará da questão militar do Império à República, passando da Guerra do Paraguai (1864/1870) à Guerra de Canudos (1896/1897).  Analisará também o movimento do Tenentismo nos anos 1920, o Estado Novo (1937/1946), o envolvimento do Brasil na II Guerra (1939/1945), o Golpe Militar de 1964 e a ditadura que a ele se seguiu até 1985.

Por fim, o cientista político falará dos militares brasileiros, das missões de paz no Haiti ao governo Jair Bolsonaro (sem partido). Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Faixa-preta de luto — Mestre Cerqueira morre de Covid aos 63

 

Mestre Cerqueira do alto da sua habilidade como lutador de Taekwondo  (Foto: Arquivo)

 

Cercqueira e sua mãe, dona Maria Helena, morreram pela Covid entre o sábado e a segunda (Foto: Facebook)

Morreu na manhã de hoje, aos 63 anos, no Centro de Controle e Combate ao Coronavírus em Campos (CCC) da Beneficência Portuguesa, José Cerqueira de Oliveira Júnior. Para gerações de praticantes e ex-praticantes de artes-marciais, desde os anos 1980, ele era mais conhecido como mestre Cerqueira. E foi um dos introdutores e principais atletas do Taekwondo (no coreano da origem da luta: “O caminho do pé e da mão”) de Campos e região.

Em tragédia que se abateu sobre várias famílias brasileiras durante a pandemia da Covid-19, Cerqueria havia perdido sua mãe, Maria Helena de Paula, aos 80 anos, no sábado (17). Também infectada por Covid, ela faleceu no Hospital Geral de Guarus (HGG) dois dias antes do filho, que não chegou a saber da notícia. Ele deixa viúva Helena da Silva e dois filhos adultos: José Cerqueira de Oliveira Neto e Bruno Viana Cerqueira. Seu funeral será às 16h de hoje, no Cemitério do Caju.

Cerqueira, como vários veteranos do Taekwondo em Campos, era cria do sul-coreano Woo Jae Lee, o mestre Lee. Que montou, na primeira metade dos anos 1980, a academia Faixa-Preta nos altos de um sobrado na rua João Pessoa. Depois que mestre Lee se mudou para Vitória, o mestre Marcelino Moreira assumiu como professor, que tinha em Cerqueira, ainda faixa-vermelha, anterior à preta, seu atleta mais destacado. Ele pegaria a faixa-preta pouco depois. E se tornou proprietário da academia, quando esta se mudou ao espaço mais amplo, nos altos de outro prédio, na Rua do Ouvidor.

 

Na Folha da Manhã de 20 de julho de 1984, o registro feito ainda na academia dos altos da João Pessoa, com o Mestre Lee diante de Cerqueira, primeiro faixa-preta de Taekowndo formado em Campos (Foto: Arquivo)

 

Depois, entre os anos 1990 e início dos 2000, Cerqueira, assim como Marcelino, se mudariam para a academia TKD, de propriedade de outro veterano atleta do Taekwondo, o empresário Clodomir Crespo. Funcionava nos altos da Averj, na rua Saldanha Marinho.

Tive chance de treinar Taekwondo, ainda adolescente, nas academias da João Pessoa e da Ouvidor. E depois, já adulto, boxe inglês com Marcelino, na TKD. Nas três, sempre tive, como tantos outros praticantes de artes-marciais mais talentosos, uma referência em Cerqueira. Como lutador, em que compensava sua baixa estatura com muita elasticidade, destreza e visão de combate, mas também e principalmente como homem.

Cerqueira participou do projeto “Meninos do Amanhã” no primeiro governo municipal Anthony Garotinho (hoje, sem partido), entre 1989 e 1992. E, através do esporte, ajudou a tirar centenas de crianças campistas das ruas e das drogas. Ele também chegou a ser presidente da Associação de Moradores do Jardim Carioca, em Guarus, onde residia. Como homem, essas também foram suas lutas. Não contra outros homens, mas por eles.

Vá em paz, mestre!

 

Atualizado às 15h51.

 

Teatro e cultura de Campos no Folha no Ar desta 2ª

 

(Arte: Joseli Mathias)

 

A partir das 7h da manhã desta segunda (19), quem abre a semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é a diretora teatral Kátia Macabu, diretora executiva de Arte e Cultura da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL). Ela falará sobre a polêmica que mexeu com a classe artística de Campos, a partir da proposta de juntar o anfiteatro Antonio Roberto de Góis Cavalcanti, o Kapi com a Praça da Bíblia (confira aqui, aqui e aqui), no Parque Alberto Sampaio.

Kátia também vai falar da sua experiência como diretora teatral, com seu trabalho de 26 anos à frente do grupo “Nós do Teatro”, e da implantação que coordenou do curso de licenciatura em Teatro no IFF. Por fim, ela também vai falar do Plano de Cultura de Campos e do seu programa de gestão pela FCJOL, anunciado (confira aqui) no Trianon, na última quarta (14).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta segunda pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Coronavac 3x mais cara, mentira de Pazuello e “honestidade” do governo Bolsonaro

 

 

Em outubro de 2020, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) desautorizou (confira aqui) o então ministro da Saúde Eduardo Pazuello a comprar a vacina Coronavac do Butantan. Tudo por vaidade política contra o esforço do governo paulista João Doria (PSDB) pelo obtenção do imunizante. Isto, mais o fato do ministério da Saúde sob Pazuello ter ignorado solemente mais de 80 e-mails da Pfizer, atrasou o início da vacinação no país, que poderia ter começado desde dezembro. E condenou à morte dezenas de milhares de brasileiros.

À época, o general da ativa do Exército Brasileiro reagiu, diante da ordem de Bolsonaro de não comprar as vacinas Coronavac do Butantan: “Senhores, é simples assim: Um manda e o outro obedece”.

 

 

Já em 16 de julho deste ano, ao depor na CPI da Saúde, o ex-ministro da Saúde Pazuello disse: “Sou (era) o dirigente máximo, eu sou o decisor, eu não posso negociar com a empresa. Quem negocia com a empresa é o nível administrativo, não o ministro. Se o ministro… Jamais deve receber uma empresa, o senhor deveria saber disso“. Respondeu à pergunta do relator, senador Renan Calheiros (MDB/AL).

Agora, o jornal Folha de São Paulo revela (confira aqui) que Pazuello negociou pessoalmente, em 11 de março, a compra de Coronavac com atravessadores. Por R$ R$ 154,99 a dose. A mesma vacina que era vendida pelo Butantan a R$ 58,20 a dose, quase 1/3 do preço.

Nessa reunião de março, fora da agenda, mas gravada em vídeo, o general disse: “Nós estamos aqui reunidos no ministério da Saúde, recebendo uma comitiva (…) que veio tratar da possibilidade de nós comprarmos 30 milhões de doses numa compra direta com o governo chinês (…) Mas saímos daqui hoje já com memorando de entendimento assinado e com o compromisso do ministério de celebrar no mais curto prazo um contrato”.

Na acareação entre Pazuello e Pazuello feita pelo site Metrópoles, assista aos dois vídeos abaixo, o de 16 de julho e o de 11 de março. Que provam que o general cometeu crime ao mentir descaradamente à CPI do Senado Federal:

 

 

Se você ainda acredita na honestidade, na competência e na responsabilidade do governo Bolsonaro com a vida dos 160 milhões de brasileiros, 78 milhões deles ainda sem uma dose de vacina no braço, sua demanda de imunizante não é contra a Covid. É contra a febre aftosa!

 

Cuba entre smurfs, a música e o testemunho de cubanos

 

José Martí

“Liberdade é o direito que todo homem tem de ser honrado e a pensar e a falar sem hipocrisia. No mundo tem de haver uma certa quantidade de decoro, como certa quantidade de luz. Quando há muitos homens sem honra, há sempre outros que têm em si o decoro de muitos homens. Estes são os que se rebelam com força terrível contra os que roubam dos povos a sua liberdade, que é como roubar-lhes aos homens sua dignidade. Nestes homens vão milhares de homens, vai um povo inteiro, vai a dignidade humana”.

(José Martí, jornalista, poeta, filósofo e herói da independência de Cuba no séc. 19, pela qual foi morto e teve o corpo mutilado pelos espanhóis)

 

Acordo cedo na manhã deste domingo, lavo o rosto, escovo os dentes e vou conferir as primeiras mensagens do grupo de WhatsApp que este blog divide com o programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3. E, após ler manifestações matinais de dogmas de fé opostas à realidade tensa de Cuba, que dominou os noticiários do mundo na última semana e já havia tentado analisar aqui, com a devida condenação ao bloqueio comercial dos EUA à ilha caribenha, me senti obrigado a novamente escrever no grupo o que transcrevo abaixo:

 

 

Acordei, li as primeiras mensagens de hoje do grupo e me senti em um túnel do tempo. Não o da Guerra Fria, que ficou para trás há 30 anos, com a dissolução da União Soviética em 1991. E que, infelizmente, ainda tem Cuba como passageiro perdido daquele período. Mas um túnel do tempo pessoal mesmo. Com a manhã de domingo aberta na TV por smurfs azuis, felizes e contentes, cantando “tra-lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá”, em meio aos cogumelos do seu mundo idílico, numa floresta encantada. Até que um deles grita “Gargamel!” e todos saem correndo com medo do mal encarnado no estereótipo do feiticeiro careca e narigudo, com seu gato emblematicamente de orelha furada e chamado Cruel.

É mais ou menos a ideia que alguns querem vender, junto dos seus anacronismos políticos: a Cuba dos smurfs felizes em seu isolamento do mundo e os EUA dos malvados Gargamel e Cruel, que querem literalmente devorá-los. Enquanto isso, na vida real, ontem o presidente Miguel Díaz-Canel falou em autocrítica do regime. E a alta comissária da ONU para os direitos humanos, a ex-presidente de esquerda do Chile Michelle Bachelet, exigiu respeito aos direitos universais dos cubanos que foram às ruas de 20 cidades da ilha pedir por liberdade, além da libertação imediata dos até 130 deles presos pelo regime.

Liberdade que já não pode ser concedida a Diubis Laurencio Tejeda, de 36 anos, morto durante “abordagem policial” em Havana.

Assim, enquanto senhores tupiniquins de meia e terceira idade festejam seus dogmas de fé, em cópia carbono com mais leitura dos tiozões bolsonaristas do WhatsApp, a música de afrocubanos que inspirou os protestos no país segue ecoando seu versos pelo mundo: “No más mentiras! Mi pueblo pide libertad, no más doctrinas!” (“Chega de mentiras! Meu povo exige liberdade, não mais doutrinas!”).

 

Confira abaixo a música “Pátria e Vida”, em oposição ao “Pátria ou Morte” ecoado em vida por Fidel Castro (1926/2016) como líder da ilha caribenha:

 

 

E como o debate sobre Cuba, sempre controverso no Brasil, tem muito mais propriedade quando tratado longe do maniqueísmo raso de quem nunca molhou seus pés no mar caribenho de azul profundo, segue abaixo o relato da médica cubana Arleny Valdés Arias. Residente em São João da Barra, ela usou as redes sociais para dar seu testemunho (confira aqui) sobre o que ocorre de fato em seu país:

 

 

Arleny Valdés Arias, médica cubana (Foto: Facebook)

13 de julho de 2017. Eu desertei de meu país. Hoje fazem exatamente 4 anos que decidi não voltar a Cuba, quando meu contrato acabou no Programa Mais Médicos. Foi uma decisão difícil porque estava ciente que meu governo tomaria medidas contra mim pela decisão de viver diferente, de decidir por mim e pelo bem de minha família e não deixar mais eles decidirem onde e como devo trabalhar.

Foi o dia que decidi deixar de ser propriedade de um governo que hoje reprime seu povo que está nas ruas pedindo liberdade de forma pacífica. Lembro que solicitei ao meu governo renovar meu contrato no Brasil, ainda eles ficando com 85% de meu salário. Mas a resposta foi que meu relacionamento com os munícipes da cidade onde eles me enviaram a trabalhar era muito forte e isso era risco para eu desertar. Mais uma vez me trataram como propriedade, eu deveria trabalhar e não me envolver? Eu deveria simplesmente ser mais um objeto que eles utilizam?

Hoje meu coração está apertado pelos meus irmãos cubanos, pelo meu povo que com coragem está na rua porque não aguenta mais não poder se expressar e viver com as necessidades básicas cobertas. Meu povo que está sendo reprimido pelo mesmo Exército que deveria defendê-los, meu povo que enfrenta com palavras, valentia e o peito aberto os militares com armas.

Eu sofri as medidas de meu país, oito anos sem poder entrar a Cuba e sem ver minha família, meus documentos muitas vezes negados, meus diplomas de estudo negados para me privar de avançar na vida.

Eu falo a vocês que eu venci e meu povo vai vencer, eu estou bem e ajudando a minha família, eu fui acolhida por um povo lindo no Brasil. Em São João da Barra, construí meu lar feliz e livre, revalidei meu diploma ainda com todos os obstáculos impostos. E essa é minha forma de mostrar que não podem ser donos de minha vida, vencendo sempre…

Meu povo cubano corajoso, seja firme. Estamos longe ajudando. E se pudéssemos estaríamos aí junto a vocês.

Meus amigos brasileiros compartilhem as notícias de Cuba, apoiem meu país. O governo bloqueou o sinal de internet para que não possam compartilhar o que acontece lá e pedir ajuda.

Vamos pedir ajuda por eles, em Cuba os direitos humanos estão sendo violentados cruelmente.

Não estou falando de direita e esquerda, não falo da política no Brasil, é uma realidade totalmente diferente. Falo hoje de vidas e pessoas que precisam de ajuda, da verdade da opressão sendo escondida pelo governo.

Viva Cuba livre!!!

Pátria e Vida!!!

 

Campos já é palco para disputa ao Governo do Estado

 

 

Cláudio Castro, Rodrigo Neves, Marcelo Freixo, Eduardo Paes, Wladimir Garotinho, Caio Vianna, Rodrigo Bacellar e Bruno Calil

 

Neves pré a governador em Campos

Todas as conversas políticas giram em torno da eleição presidencial de 2022. Sobre a liderança isolada do ex-presidente Lula (PT) em todas as pesquisas, o derretimento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e a possibilidade de uma terceira via conseguir furar, ou não, essa polarização. Mas e a eleição a governador do estado do Rio, nas mesmas urnas de outubro de 2022? Sem perder de vista as consequências regionais da disputa nacional, os candidatos a protagonista na eleição ao Governo do Estado já se movimentam. Ontem, um deles, o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves (PDT), esteve em Campos para lançar (confira aqui) sua pré-candidatura.

 

Caio pré a federal

Após eleger seu sucessor em Niterói no 1º turno de 2020, Axel Grael (PDT), Rodrigo Neves comandou a campanha de Caio Vianna (PDT) no 2º turno a prefeito de Campos. Não conseguiu virar a grande vantagem de Wladimir Garotinho (PSD), que ficou perto de fechar a fatura em turno único, mas encurtou bastante a diferença. E levou muitos a apostarem que, se a eleição tivesse mais uma semana, o resultado seria outro. Hoje secretário de Ciência e Tecnologia de Niterói, Caio acompanhou ontem Rodrigo, que o lançou pré-candidato a deputado federal. Pai de Caio, o popular ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT) também esteve presente.

 

Wladimir e Bacellar com Castro

Hoje, esta mesma página de Opinião da Folha da Manhã traz um artigo (confira aqui) do consultor em estratégia Orlando Thomé Cordeiro. “Carioca da gema”, como se auto-intitula, ele fez uma análise sobre a disputa a governador do Rio a partir do ponto de vista da capital. Mas não deixou de observar como o jogo jogado do governador Cláudio Castro (PL) a 2022 tem se espraiado também ao interior. Na Campos governada por seu aliado Wladimir, cujo maior adversário na Câmara Municipal tem sido o secretário estadual de Governo Rodrigo Bacellar (SD), é até desnecessário dizer. Com Castro, os dois agora têm Caio com Neves.

 

Bilhões da Cedae até SFI

Orlando destacou “a bolada superior a R$ 22 bilhões” da venda da Cedae. Que propiciou a Castro “acordos e parcerias com prefeitos, tanto de municípios da região metropolitana quanto do interior (…) São R$ 7,688 bilhões distribuídos (…) pelos 28 municípios que aderiram ao plano de concessão de saneamento, sendo que 80% do total será repassado ainda nos anos de 2021 e 2022”. O consultor carioca exemplificou esse impacto a um vizinho de Campos: “São Francisco de Itabapoana, cujo orçamento anual em 2021 previa uma receita total de pouco mais de R$ 72 milhões e vai receber cerca de R$ 22 milhões ainda neste ano”.

 

Dr. Bruno na UPA de Campos

Outros dois pontos favoráveis a Castro foram analisados. Primeiro, o apoio de Bolsonaro, explicitado tanto na venda da Cedae, quanto na filiação do governador ao PL. Noves fora a simpatia, Orlando constatou: “no nosso estado as pesquisas indicam que o apoio ao presidente é superior à média nacional”. O outro ponto? “Recompor o secretariado, atraindo deputados (…) de diferentes partidos”. Nesta leva, Bacellar cavou (confira aqui) sua vaga. E ontem entregou o comando da UPA de Campos ao seu candidato a prefeito em 2020, Dr. Bruno Calil (SD). Que agradeceu “a confiança do secretário Rodrigo Bacellar e do governador Cláudio Castro”.

 

Piso de Freixo, teto de Neves

O consultor carioca afirmou em sua análise: “Enquanto o governador se movimenta com desenvoltura cada vez maior, os possíveis concorrentes ainda não se apresentaram para a disputa. A única exceção é o deputado federal Marcelo Freixo, que recentemente migrou do Psol para o PSB”. Isto foi escrito na quinta, um dia antes de Neves se lançar ontem pré-candidato a governador na Campos governada pelos Garotinho, mas rachada em 2020 com os Vianna. Na briga pelo eleitor antibolsonaro do RJ, Freixo tem piso mais alto, que define dois no 1º turno. Mas Neves tem teto mais alto, que define entre os dois que chegarem ao 2º turno.

 

Paes, a “noiva preferida”

Entre as pré-candidaturas a governador de Castro, Freixo e Neves, uma certeza: a “noiva preferida” é o prefeito do Rio, Eduardo Paes, correligionário de Wladimir no PSD. Se entrasse na corrida ao Palácio Guanabara de 2022, seria um candidato fortíssimo. Mas prometeu na campanha a prefeito de 2020, na qual bateu Marcelo Crivella (Republicanos) com a graça de Deus, que não seria. O que voltou a afirmar (confira aqui) em entrevista ao programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, no último dia 9. Quando disse ao microfone da rádio mais ouvida de Campos: “isso (ser candidato a governador) não vai acontecer em 2022, em hipótese nenhuma”.

 

Pingo é letra

À Folha FM, Paes disse: “tenho uma pré-candidatura colocada, que é a do presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz”. Já ontem, o jornal carioca Extra anunciou: “(Paes) pôs na mesa a possibilidade de lançar outro nome (…) o secretário de Saúde Daniel Soranz”. Também ontem, Neves revelou em Campos manter conversas com Paes. Que foi lembrado no Folha no Ar de um seu encontro com Castro. E que este leva vantagem para ter o apoio do prefeito do Rio: eleito vice-governador em 2018, caso se eleja governador em 2022, Castro não pode tentar se reeleger em 2026. Indagado sobre isso, Paes não gostou. Da capital ao interior, pingo é letra.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

A força dos prefeitos na eleição a governador do Rio

 

 

Orlando Thomé Cordeiro, consultor em estratégia

A força dos prefeitos

Por Orlando Thomé Cordeiro

 

A crise que vive o estado do Rio de Janeiro guarda elementos estruturais de enorme gravidade. O maior deles é que nos últimos 40 anos os governos deixaram de lado políticas públicas embasadas em um mínimo de planejamento estratégico para focar quase que exclusivamente nas ações de curto prazo. E para piorar o quadro, nos últimos quatro anos vimos seis governadores presos ou afastados do mandato.

Portanto, é importante que cidadãos fluminenses olhem com atenção para as eleições de 2022, quando poderemos escolher quem será responsável pela gestão estadual no período 2023/2026.

Como mostram diferentes pesquisas, a maioria da população ainda não está interessada no assunto, mas isso não diminui sua relevância nem inibe as inciativas de lideranças e partidos que já se movimentam realizando entendimentos preliminares com vistas a futuras alianças.

Em um cenário onde muitos dos nomes tradicionais passam por desgaste, ou impedimentos legais, há uma chance real da disputa vir a ser protagonizada por personagens ainda pouco conhecidos, entre os quais o próprio governador Cláudio Castro.

Sua posição atual foi fruto de uma sequência de fatores pertencentes ao chamado imponderável. Eleito em 2016 para um primeiro mandato de vereador na capital com 10.262 votos, em 2018 aceitou concorrer como vice-governador na chapa encabeçada por Witzel, que à época não havia conseguido atrair outros partidos para se coligarem com o PSC. O que aconteceu depois já faz parte da história.

Durante os oito meses em que exerceu o governo interinamente, adotou um estilo cauteloso, reiterando sua condição de governador em exercício. Porém, a partir de 30 de abril, data em que Witzel foi afastado definitivamente, sentou-se na cadeira com força e muita vontade. E quis o destino que nesse mesmo dia fosse realizado o leilão da Cedae, que rendeu ao estado e aos municípios uma bolada superior a R$ 22 bilhões.

Com dinheiro em caixa, o governador e seus principais aliados entraram em campo já definindo o principal objetivo: viabilizar sua candidatura à reeleição. O primeiro movimento foi recompor o secretariado, atraindo deputados estaduais e federais de diferentes partidos que, diretamente ou por meio de indicados, passaram a exercer a titularidade em diversas secretarias.

O segundo movimento foi filiar-se ao PL, em uma solenidade prestigiada pelo presidente da República, deixando claro que o bolsonarismo seria seu campo de atuação política. Tal movimento é estratégico porque no nosso estado as pesquisas indicam que o apoio ao presidente é superior à média nacional.

E o terceiro movimento foi a formalização de acordos e parcerias com prefeitos, tanto de municípios da região metropolitana quanto do interior, destacando-se a liberação do repasse de recursos decorrentes do leilão da Cedae supracitado. São R$ 7,688 bilhões distribuídos proporcionalmente pelos 28 municípios que aderiram ao plano de concessão de saneamento, sendo que 80% do total será repassado ainda nos anos de 2021 e 2022 e o restante em 2025.

Para se ter uma noção do impacto para os municípios, vejamos o exemplo de São Francisco de Itabapoana, cujo orçamento anual em 2021 previa uma receita total de pouco mais de R$ 72 milhões e vai receber cerca de R$ 22 milhões ainda neste ano. É equivalente a 30% de acréscimo!

Lembrando que o governador já deixou claro não existir qualquer restrição para a utilização desses recursos. “Cada prefeito e estado gastam como quiserem. Não há destinação prevista, é um dinheiro livre”, declarou. Com base nessa premissa, para atender aos demais 63 municípios (excluída a capital) o estado terá à disposição o montante de R$ 14,478 bilhões.

Está claro que a opção preferencial pela aliança com prefeitos e prefeitas traz a ele dois benefícios diretos com vistas às eleições. O primeiro é torná-lo, desde já, mais conhecido do eleitorado fluminense. E o segundo, permitir que sua futura campanha esteja presente nos municípios sob a responsabilidade direta das principais lideranças locais.

Enquanto o governador se movimenta com desenvoltura cada vez maior, os possíveis concorrentes ainda não se apresentaram para a disputa. A única exceção é o deputado federal Marcelo Freixo, que recentemente migrou do Psol para o PSB, sinalizando uma clara tentativa de se reposicionar politicamente de modo a romper o cerco eleitoral que o levou a derrotas em disputas anteriores para cargos no Executivo. Porém, seu nome carrega uma forte rejeição em razão do histórico político, praticamente inviabilizando sua vitória.

Nesse cenário há um espaço aberto para a construção de uma candidatura alternativa capaz de furar o cerco e disputar em melhores condições com o atual governador. Quem se habilita?

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

Internação de Bolsonaro e a morte como arma política

 

(Foto: Reprodução)

 

Thiago Amparo, advogado e professor da FGV-SP

A morte em Bolsonaro

Por Thiago Amparo

 

Ao abrir o jornal vejo a imagem escatológica postada pelo presidente. Vê-se um Jair sem camisa, fragilizado, deitado, com os dizeres: “Estaremos de volta em breve, se Deus quiser. O Brasil é nosso!”.

Tanto na época do deplorável atentado em 2018 quanto nesta intervenção médica a que se submete o presidente nesta quarta (14), o capitão-presidente se expõe com a fragilidade da carcaça à qual estamos todos presos.

A política é feita de símbolos, e, no caso de Jair Messias Bolsonaro, o símbolo é a morte.

O que faz a morte? Torna-o soberano e mito. O riso espalhafatoso ao simular morrer sem ar, imitando pacientes graves de Covid-19. A defesa do fuzilamento de 30 mil pessoas.

O tratamento hospitalar do presidente, o sétimo desde 2018, é necessário. Não é imprescindível, no entanto, expor-se em frangalhos, desnudo, em imagem jogada às multidões. Isso é uma escolha política.

Ao se colocar como um líder a navegar contra os infortúnios da mortalidade que nos une, ao lado de uma figura religiosa ao pé da maca, o presidente mitifica-se ou assim quer ser visto. E, ao mitificar-se, reforça sua pulsão da morte como arma política.

Toda a resposta presidencial à pandemia que vitimou meio milhão de brasileiros foi um longo beijo necrófilo. Bolsonaro precisa da morte porque é essa a sua forma de governo. “Eu não sou coveiro, tá certo?”. “Mortes vão haver”. “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?”. “A gente lamenta todas as mortes, está chegando ao número 100 mil, mas vamos tocar a vida”. “Todos nós vamos morrer um dia, aqui todo mundo vai morrer”.

Os humanos e outros primatas são os poucos seres vivos que ritualizam a morte, porque é da capacidade do luto que é feita nossa humanidade. Contra a necrópolis em que Bolsonaro nos meteu a todos devemos lutar com a pulsão de vida. Desejo ao presidente que se recupere rápida e plenamente para que possa, enfim, ser responsabilizado pelo governo da morte que preside.

 

Publicado aqui na Folha de São Paulo.

 

Em traço, música, prosa e verso, homenagem ao Dia do Rock

 

O Dia do Rock foi ontem. Mas nunca é tarde para lembrar desse estilo musical nascido da amplificação elétrica do blues. Quando o violão das paisagens agrárias e amplas do delta do rio Mississipi não era mais suficiente para ecoar o lamento de ex-escravos negros. Que, mesmo depois de libertos na Guerra de Secessão (1861/1865), seriam segregados pelo século seguinte no racismo institucionalizado do sistema Jim Crowe, nos estados do Sul dos EUA. E se mudaram para buscar sua humanidade em meio à cacofonia urbana das grandes cidades do Norte do país.

Concebido, gestado e parido nos anos 1940 e 1950, já foi dito que o guitarrista Chuck Berry seria o pai do rock and roll, enquanto o pianista Little Richard seria a “mãe”. O filho pródigo, quando garotos brancos dos EUA começaram a requebrar os quadris como negros, para quebrar paradigmas morais de comportamento, foi Elvis Presley. O estilo seria reinventado na Inglaterra dos anos 1960, por outros garotos brancos talentosos, reunidos em bandas como The Beatles, The Rolling Stones e Cream.

A coisa se alastraria pelo mundo do pós-II Guerra, chegando ao Brasil também nos anos 1960, com o movimento baiano da Tropicália, como baiano era Raul Seixas, a banda paulista Os Mutantes e a popular Jovem Guarda do Iê-iê-iê, parida no bairro carioca da Tijuca, que teria como rei o capixaba Roberto Carlos. E explodiu de vez nos anos 1980 do BRrock, com bandas como as cariocas Blitz e Barão Vermelho, as paulistas Titãs e RPM e as brasilienses Legião Urbana e Paralamas do Sucesso.

Embora tenha sido marcado pelo standard da MPB “O bêbado e a equilibrista”, na voz de Elis Regina, o rock brasileiro foi a trilha sonora real da redemocratização do país que saía da sua última ditadura militar (1964/1985). “Que país é este?”, indagava Renato Russo no chamado. “Brasil, mostra a tua cara”, clamava Cazuza na resposta.

Bandleader dos Beatles, John Lennon chamava Chuck Berry de “meu herói”. Já o batismo da banda de Mick Jagger e Keith Richards viria de um verso da música do mestre do blues Muddy Watters, que nasceu no Mississipi e se mudou para Chicago, trocando o violão pela guitarra: “a rolling stone gatter no moss” (“pedra que rola não cria limo”).

Mas seria o Cream quem desceria mais às raízes do rock, ao resgatar o mestre do delta blues Robert Johnson, regravando seu sucesso “Crossroads”, para influenciar outras gerações pelo mundo. Muito por influência do seu tímido guitarrista, que já vinha da experiência em outras bandas, entre elas a Yarbirds, antes desta mudar de nome para Led Zeppelin. Conhecido como “deus da guitarra” e amigo em vida dos seus pares precocemente falecidos Jimi Hendrix e Stevie Ray Vaughan.

Foi de Eric Clapton que vi na manhã de hoje uma charge no grupo de WhatsApp deste blog, postada na noite de ontem, em homenagem ao Dia do Rock, por seu talentoso autor, Walter Silva Jr. Inspirado nela e com o mesmo dolo, deitou-se esta prosa. Abaixo o traço do Waltinho, a música de Johnson por Clapton, o baixista Jack Bruce e o baterista Ginger Baker, mais os versos escritos quase um quarto de século atrás, pelo jovem que fui:

 

Eric Clapton, em homenagem ao Dia do Rock, por Walter Silva Jr.

 

 

 

 

slowhand blues

 

olho pro paraíba

ouço delta do mississipi

no tâmisa que corre

onde correu da silva

alguém canta quem ama

sem mais ter

falo de encruzilhadas de vida

atravessadas a cabeçadas

nas convenções

mesmo a que convenciona não tê-las

do parentesco entre choro e saudade

de família reunida em três acordes

no lamento de escravos negros

enquanto if significar se

man!

meu irmão!

clapton is god!

é verdade…

vi num carro do metrô de londres

na viagem à inglaterra que nunca fiz

foi quando tirei a lata

de collor-jet vermelho

do bolso do meu casaco

de couro curtido na alma

e pichei abaixo:

gods don’t die!

 

campos, 01/10/96

 

Protestos contra ditadura de Cuba e consequências a Lula

 

Decano do jornalismo campista com sólida formação marxista na juventude, José Cunha Filho tem uma expressão que define boa parte da militância de esquerda brasileira: “marxista de axila”. É o indivíduo que põe “O Capital” de Karl Marx embaixo do braço, sem nunca ter lido nem o mais fininho “O Manifesto do Partido Comunista”, e sai gritando palavras de ordem.

Não é o caso do também jornalista Luiz Carlos Azedo (confira aqui), outro de sólida formação marxista, que escreveu artigo publicado hoje no Correio Braziliense. O texto é necessário à compreensão dos protestos populares de cubanos (confira aqui e aqui) contra a ditadura comunista de Cuba, com um didático passeio pelo “socialismo real” no mundo, até suas consequências ao Brasil de hoje. Onde o ex-presidente Lula (PT) lidera com folgas todas as pesquisas à eleição presidencial de outubro de 2022, daqui a pouco mais de 14 meses.

Confira abaixo:

 

(Arte: Correio Braziliense)

 

Luiz Carlos Azedo, jornalista

Saia justa na esquerda

Por Luiz Carlos Azedo

 

Milhares de cubanos foram às ruas, no domingo, protestar contra o governo em meio ao agravamento da pandemia e da crise econômica no país. A crise cubana pôs uma saia justa nos partidos e nas lideranças de esquerda, principalmente no ex- presidente Luiz Inácio Lula da Silva, amigo da liderança cubana desde quando Fidel Castro deu uma força à criação do PT, recomendando que todos os partidos de esquerda — então na ilegalidade — se somassem ao líder operário que despontava na política após as greves no ABC de 1978.

Leonel Brizola, no PDT; Miguel Arraes, no PSB; e Luís Carlos Prestes, até então no PCB, não embarcaram no partido operário criado por líderes sindicais, intelectuais e estudantes na reforma partidária de 1979. A maioria dos militantes de esquerda que havia participado da luta armada contra o regime militar, cujo grande expoente foi o líder comunista Carlos Marighela (ALN), porém, encabeçada por José Dirceu, seguiu a orientação do “Comandante”.

O livro A Ilha, do jornalista Fernando de Moraes, fez a cabeça de muita gente, em cores vibrantes: em Cuba, todos ganhavam o suficiente para sobreviver com dignidade, com políticas de educação e saúde exemplares. O sonho do “homem novo”, de Che Guevara, fazia do socialismo cubano, com seus comitês revolucionários, um contraponto ao burocrático modelo da União Soviética e do Leste Europeu. A Revolução Cubana rivalizava até com a Revolução Cultural de Mao Tse Tung, o líder chinês que deu todo poder aos jovens estudantes da Guarda Vermelha e perseguiu a velha liderança comunista, inclusive Deng Hisiao Ping, que seria reabilitado após a morte de Zhou En Lai e se tornaria o pai da modernização da China.

O presidente cubano e novo líder do Partido Comunista, Miguel Díaz-Canel, culpou os Estados Unidos pelas manifestações. Convocou apoiadores a irem às ruas “em defesa da revolução”. O apelo à mobilização partidária é um sinal de que a situação é grave: “Estamos convocando todos os revolucionários do país, todos os comunistas, para que saiam às ruas em todos os lugares onde ocorram essas provocações”, disse. O regime cubano mantém um sistema de mobilização popular no qual jovens trabalhadores e estudantes das províncias são levados para Havana, com o objetivo de participar das manifestações oficiais e, eventualmente, munidos de tacos de beisebol, pôr para correr os grupos dissidentes que realizam protestos.

 

Cortina mágica

Cuba sofre com o agravamento da crise econômica, foi fortemente impactada pela queda drástica do turismo durante a pandemia. O país lida com escassez de remédios, longas filas para acesso a alimentos e cortes de energia elétrica desde o fim da ajuda soviética. Ultimamente, tem recebido apoio da China. O principal aliado do regime cubano na América Latina é Nicolás Maduro, que mantém milhares de técnicos e assessores cubanos na Venezuela, mas o regime bolivariano também anda mal das pernas. A mesma coisa acontece com a Nicarágua, de Daniel Ortega. Os governos Lula e Dilma Rousseff também ajudaram muito o governo cubano, inclusive com a construção do estratégico porto de Mariel, concebido para ser uma espécie de “hub” portuário do Caribe. Mas, agora, com o presidente Jair Bolsonaro no poder, toda a colaboração econômica foi suspensa.

A crise cubana veio em péssima hora para a candidatura de Lula, pois o regime comunista cubano é um mau exemplo para qualquer candidato democrata. Cuba perdeu o charme político, mesmo que a narrativa do boicote dos Estados Unidos como causa de seus problemas econômicos ainda tenha alguma razão de ser. Não justifica, porém, o seu fracasso econômico, diante do esplendor do capitalismo de Estado chinês. Pode ser que a crise leve à aceleração das reformas econômicas, como aconteceu com a China depois do massacre estudantes da Praça da Paz Celestial. A outra possibilidade é o colapso político do regime, semelhante ao da União Soviética, que se desmilinguiu após a queda do Muro de Berlim e a vaia em Mikhail Gorbatchov, em plena Praça Vermelha, no Primeiro de Maio de 1991. Em dezembro daquele mesmo ano, a União Soviética se autodissolveu.

Só o futuro dirá o que vai acontecer, mas a crise cubana rasgou a cortina mágica que cerca a ilha, tecida por mitos revolucionários. Como diria o escritor tcheco Milan Kundera, quando o mundo corre em direção aos cubanos, já está maquiado, mascarado, pré-interpretado. “E os conformistas não serão os únicos a ser enganados; os seres rebeldes, ávidos de se opor a tudo e a todos, não se dão conta do quanto também estão sendo obedientes, não se revoltarão a não ser contra o que é interpretado (pré-interpretado) como digno de revolta.”

 

Publicado aqui, no Correio Braziliense.

 

Cuba e Chile em debate no grupo de WhastApp do blog

 

 

Este blog tem um grupo de WhatsApp, que divide com o programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, considerado por muita gente entre os mais qualificados de Campos. Talvez por sua diversidade entre profissionais liberais, professores, sindicalistas, empresários, políticos e religiosos de matizes variados. Que funciona como laboratório virtual da democracia real goitacá e tupiniquim. Com o objetivo de alimentar o Grupo Folha com pautas e análise crítica.

Moderá-lo é uma honra e uma responsabilidade. Que testa a capacidade de convivência entre pensamentos opostos, dentro do limite de respeito ao contraditório, eventualmente transposto. Quando a placa de “não ultrapasse” se faz necessária. Sobretudo em relação à disseminação de fake news e a grupos que pensam poder disputar uma pretensa hegemonia política dentro do grupo, visando torná-lo mais uma dispensável bolha virtual.

Muitas vezes debates se desenrolam no grupo. E, algumas vezes, ensejam participação da moderação. Como na noite especial de ontem. Em meio a uma overdose de espetáculos esportivos de primeira qualidade. Como a final da Copa América de futebol e as artes marciais mistas (MMA) do UFC 264, no sábado. Seguidos no domingo da final de Wimbledon do tênis, da final da Eurocopa de futebol e do terceiro jogo das finais do basquete da NBA. Tudo isso a pouco mais de 10 dias da abertura das Olimpíadas de Tóquio.

E, entre a Argentina de Lionel Messi 1×0 Brasil de Neymar Júnior, a trilogia nos pesos leves entre o estadunidense Dustin Poirier e o irlandês Conor McGregor, o Itália 1×1 Inglaterra definido na disputa pênaltis pelos goleiros Gianluigi Donnarumma e Jordan Pickford, a consagração do sérvio Novak Djokovic entre os maiores vencedores de Grand Slams da história, e do duelo que segue entre o Milwaukee Bucks do ala-pivô greco-nigeriano Giannis Antetokounmpo e o Phoenix Suns do armador estadunidense Chris Paul, o mundo gira entre outros personagens, países e disputas.

O debate sobre Cuba sempre gera polêmicas. Travado ontem à noite no grupo, inicialmente, entre o liberal Fernando Loureiro, empresário e ex-subsecretário de Planejamento e Orçamento de Campos, e a comunista Graciete Nunes, professora estadual e secretária de Comunicação do Sepe-Campos, que também pôs o Chile na discussão. Acesa por um link do UOL (confira aqui) sobre Cuba, postado no grupo pelo jurista Cleber Tinoco, advogado da Uenf.

Antes de o debate ser complementado no grupo, com maior conhecimento de causa, pelo cubano Raul Palacio, professor e reitor da Uenf — “entendo que os problemas atuais de Cuba deveriam ser resolvido pelos cubanos que moram em Cuba” —, a moderação também meteu sua colher. Segue abaixo a tentativa de análise feita, neste caldeirão borbulhante chamado mundo, após a provocação da Graciete sobre Cuba. E a perspectiva dos comunistas como ela chegarem ao poder pelo voto, nas eleições presidenciais do Chile em novembro:

 

 

Não criminalizo Cuba, Graciete. Entendo o contexto histórico da Revolução de 1959, inicialmente anti-Fulgêncio Batista e depois marxista no diapasão da Guerra Fria, pela reação dos EUA à perda do seu “quintal” caribenho. E sobretudo após a tentativa de invasão à Baía dos Porcos em 1961, chegando ao ápice no ano seguinte, em que toda a humanidade foi posta em risco, com a Crise dos Mísseis soviéticos. Mas, me desculpe, não entendo uma elite de burocratas de partido como trabalhadores. Ainda que reconheça e admire características como o acesso popular integral à saúde e à educação.

O que não concordo é com ditaduras. E penso que a defesa da democracia é um valor da tal civilização greco-romana-judaico-cristã. Talvez não universal, por sua aplicação bem mais complexa em outras civilizações, como a chinesa, a islâmica e a indiana. Embora, nesta última, uma transição interessante tenha sido feita pelo liberalismo inglês, com todas as mazelas do domínio britânico sobre a Índia. Hoje governada pelo populista de direita Narenda Modi.

Cuba integra a Civilização Ocidental. E, mais cedo ou mais tarde, terá que fazer a transição de passageiro perdido do túnel do tempo da Guerra Fria, oprimido por um bloqueio que não tem nenhuma justificativa desde a queda do Muro de Berlim em 1989 e da dissolução da União Soviética em 1991. Trinta anos depois, oxalá consiga fazê-lo com democracia e as conquistas sociais do socialismo.

Já o Chile parece ser o oposto. Montou a economia mais acertada da América do Sul com o liberalismo na ponta da baioneta da ditadura militar mais sangrenta do continente. E desde os protestos de 2019, que testemunhei diante da La Moneda, não aceita mais ter estabilidade econômica com injustiça social, sobretudo aos idosos. Se, neste contexto, os comunistas chegarem ao poder pela democracia, e dela se mantiverem zelosos, palmas para vocês.

 

Bolsonaro na Argentina, Bolívia, EUA, Peru e Copa América

 

(Montagem: Reprodução)

 

Bolsonaro apoiou a reeleição de Maurico Macri e Alberto Fernandéz foi eleito presidente da Argentina.

Bolsonaro apoiou Carlos Mesa e Luis Acre foi eleito presidente da Bolívia.

Bolsonaro apoiou a reeleição de Donald Trump e Joe Biden foi eleito presidente dos EUA.

Bolsonaro apoiou Keiko Fujimori e Pedro Castillo foi eleito presidente do Peru.

Bolsonaro apoiou a Copa América no Brasil. Que perdeu a final na noite de ontem para a Argentina de Messi, dentro do Maracanã.

O que Bolsonaro entende de música é melhor definido no seu lamento pela morte do MC Reaça e no seu silêncio pela morte de João Gilberto.

Ainda assim, não dá para negar: Bolsonaro é o nosso Mick Jagger. Espécie de Sadim, Midas às avessas, tudo que ele toca não rende nem esterco.

 

(Sensacionalista)