O palhaço, o capitão e o PT sendo o PT

 

Bolsonaro, Tiririca e Lula (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Bernardo Mello Franco, jornalista

O palhaço e o capitão

Por Bernardo Mello Franco

 

Tiririca é produto da avacalhação da política. Em 2010, levou seu besteirol de circo para o horário eleitoral gratuito. Sem saber onde ficava o Congresso, tornou-se o deputado mais votado do país.

Bolsonaro é produto da descrença nos políticos. Em 2018, misturou seu discurso de ódio com uma pregação antissistema. Sem saber governar, recebeu quase 58 milhões de votos e virou presidente.

Em duas semanas, o palhaço e o capitão devem se transformar em colegas de sigla. Vão dividir espaço no Partido Liberal, acostumado a fazer negócios com todos os governos. As duas filiações foram costuradas pelo mesmo personagem: o ex-deputado Valdemar Costa Neto.

O chefão do PL é um mestre na arte da sobrevivência. Deputado por seis mandatos, renunciou duas vezes para escapar da cassação. Foi condenado no mensalão e delatado na Lava-Jato. Amargou um ano na cadeia, mas nunca deixou de mandar na legenda.

“Escolha de partido é igual a casamento”, disse Bolsonaro em outubro. Neste caso, um casamento de interesses. O presidente precisava de uma sigla para disputar a reeleição, e o PL buscava um puxador de votos para engordar o fundo eleitoral.

O capitão perambulava atrás de um partido havia dois anos. Não conseguiu registrar o Aliança pelo Brasil e foi chutado pelo Patriota antes de assinar a ficha. Agora vai arrastar seu grupo para uma legenda com força nos estados e tempo na TV.

O histórico dos noivos sugere que o enlace pode durar pouco. Bolsonaro já passou por oito siglas diferentes. Deixou o PSL porque perdeu a disputa pelo cofre. Valdemar não gosta de dividir poder nem dinheiro. Aceita aliados de todas as tribos, desde que não contestem suas ordens.

Tiririca se lançou na política com o lema “Pior que tá, não fica”. Desde que subiu a rampa, Bolsonaro se empenha em mostrar que ele estava enganado.

Venezuela e Nicarágua

O PT deu uma força ao bolsonarismo ao insistir no apoio a Nicolás Maduro, que mergulhou a Venezuela no caos político e econômico. Agora repete a dose ao festejar a “reeleição” de Daniel Ortega na Nicarágua. O ex-revolucionário prendeu os líderes da oposição e promoveu uma disputa de fachada para se perpetuar no poder. A burocracia petista descreveu a farsa como “uma grande manifestação popular e democrática”.

 

Publicado em O Globo.

 

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Lula da Silva, Jair Bolsonaro, Sergio Moro ou Ciro Gomes?

 

É possível se debater em alto nível, com argumentos no lugar das ofensas, a renhida eleição presidencial do Brasil de 2022? Na manhã de ontem, ao vivo e durante duas horas, o sociólogo José Luis Vianna da Cruz, o odontólogo Alexandre Buchaul, o advogado Cristiano Sampaio e o sociólogo Roberto Dutra provaram que sim. Eles defenderam, respectivamente, suas simpatias pelos presidenciáveis Lula (PT), Jair Bolsonaro (sem partido), Sergio Moro (Podemos) e Ciro Gomes (PDT), mais bem colocados nas últimas pesquisas. No programa Folha no Ar, na Folha FM 98,3, os quatro justificaram o voto nos nomes das suas preferências, falaram sobre as propostas que cada um tem à grave crise econômica do país e teceram prós e contras que enxergam nas demais pré-candidaturas ao Palácio do Planalto. Com algumas palavras fortes, mas sobretudo com respeito à diversidade de pensamento com a qual se constrói a democracia. Presidente do Brasil que marcou época, e alvo até hoje de paixões favoráveis e contrárias, a Getúlio Vargas é atribuída a frase: “Campos é o espelho do Brasil”. Pelo que o lulista, o bolsonarista, o morista e o cirista campistas demonstraram, seria uma boa pedida. Independentemente do resultado das urnas de daqui a 11 meses.

 

José Luis Vianna da Cruz, Alexandre Buchaul, Cristiano Sampaio e Roberto Dutra, simpatizantes, respetivamente, dos presidenciáveis Lula, Jair Bolsonaro, Sergio Moro e Roberto Dutra (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Folha – Por que votar no seu pré-candidato a presidente da República em 2022?

José Luis Vianna da Cruz – A minha intenção de votar em Lula, primeiro, é porque é o candidato que se coloca no campo do anticonservadorismo, não do conservadorismo no sentido ideológico, válido, mas sim da sua distorção. Que atenta contra a democracia no neofascismo com o qual estamos convivendo. O Brasil é conservador, sempre tive convicção disso. Faltavam liderança, partido e organização que expressassem isso politicamente de forma mais consistente. E isso aconteceu com o Bolsonaro, um personagem de ocasião. E o Lula continua representando o campo que pode se aglutinar, para poder ser capaz de superar essa onda reacionária do ponto de vista econômico e político, recuperando a ideia dos direitos. Neste sentido, o Lula, quando foi feita justiça com relação à ausência de provas capazes de condená-lo, voltou a imagem daquele que fez um excelente governo, foi o melhor presidente da história do Brasil. É o que foi mais longe na distribuição de renda e no enfrentamento das desigualdades.

Alexandre Buchaul – O Brasil é um país conservador, como bem disse o professor José Luis, e o conservador, por definição, é alguém que reage. Não é alguém que promove revoluções, mas reage quando sente seus valores subvertidos. Essa sensação de agressão fez com que essa direita se organizasse; esse conservador que ainda precisa amadurecer muito, precisa estudar muito. A figura que se encontrou como representante nesse momento era o Bolsonaro, que precisava existir para essa direita conservadora rompesse as amarras que até então existiam num discurso que foi praticamente banido. A partir da eleição de Bolsonaro, você tem pessoas que começam a assumir esse discurso com mais ou menos qualidade, como é em qualquer campo. Nossa situação econômica se deve muito à situação econômica mundial. Isso precisa amadurecer, vai acontecer numa eventual reeleição de Bolsonaro, para que nós tenhamos o avanço desse perfil conservador, o avanço do debate, da discussão conservadora.

Cristiano Sampaio – Sequer posso afirmar que Moro será candidato. A gente tem essa perspectiva. Eu sou simpatizante dele quando se iniciou a operação Lava Jato. E embora alguns críticos digam que ele foi tendencioso, quando você olha, na boa técnica, não há essa inclinação. Bolsonaro foi muito inteligente no momento em que ele puxou o Moro para si. Acredito que Moro talvez venha, mas ele tem que vir com a cabeça mais política. O Bolsonaro vendeu aquela imagem de uma pessoa fora da política, o que ele nunca foi. Quem colocou Moro no páreo foram os próprios políticos. Quando se discutiu um projeto de emenda à Constituição que falava da quarentena para juízes, promotores, que não logrou êxito, o que se pretendia era tirar Moro, Deltan, todos eles do páreo. Só queria discordar um pouco do professor Luiz Vianna quando ele diz que Lula, agora, nessas reavaliações do Supremo, não houve provas. Houve provas, sim, provas robustas. O que o STF simplesmente entendeu é que Moro seria suspeito.

Roberto Dutra – Como o Cristiano falou, política é um jogo complexo. Ontem (quinta), por exemplo, nesse gesto arriscado, que a gente não sabe que resultado vai ter, o Ciro deu um recado para a sociedade que, por exemplo, o Moro não deu. Eu coloco na mesa o meu capital político em nome de uma ideia (votar contra a PEC dos Precatórios): eu risco uma linha no chão. Se for para ser pré-candidato, tem que ter o mínimo de coerência. Eu gostaria muito que os outros pré-candidatos, da chamada terceira via, e o Moro está aí bem nas pesquisas, mas não se posicionou. E é um tema delicadíssimo, envolve o principal tema da candidatura Moro, que é a questão da corrupção. O PT foi uma decepção. Eu vou discordar do meu amigo José Luis Vianna. Lula foi um bom presidente, sim, mas piorou muito no fim. A tragédia Dilma não pode ser esquecida, um governo fracassado economicamente. Nós precisamos de um presidente que assuma os riscos. A população, em 2018, votou em Bolsonaro pelo risco.

 

Folha – Quais são as propostas do seu candidato à grave crise econômica do país?

José Luis – A questão econômica demonstra também a falência desse governo. Eu lamento que o Alexandre ainda defenda o Bolsonaro, quando no campo da direita você tem pessoas menos contundentes na pregação de uma necropolítica. Nós somos um país periférico e dependente. A questão da América Latina, da Ásia e da África é romper com essa dependência na economia. Isso implica em investir em ciência e tecnologia, o que foi zerado no governo atual. E preservar os setores da economia que garantem a soberania, como a cadeia do petróleo. Hoje, nós nos tornamos exportadores de petróleo. Como a gente importa os produtos beneficiados do petróleo? O nosso agronegócio é negativo, por incrível que pareça. Os insumos são importados. Não adianta você exportar produto primário, se os bens industriais são importados. O que justifica você aumentar a pobreza, jogar os pobres na vala comum dos mortos por inanição, quando a direita considera o Bolsa Família uma ameaça porque “alimenta vagabundo”?

Buchaul – Vivemos o fenômeno de inflação mundial pela pandemia; uma fuga do capital internacional em direção ao dólar para se proteger. A Petrobras importa combustível, porque a autossuficiência de petróleo foi uma mentira. Nós produzimos em extração, mas compramos gasolina, diesel, gás. E tudo vendido em dólar. A opção é subsidiar, só que isso tem custo muito alto, leva a Petrobras à quebradeira. A nossa infraestrutura precisa de muita melhoria. O ministro Tarcísio está conseguindo avançar, mas nós estamos aqui, em Campos, que é um entroncamento. A gente tem uma BR 101 passando agora por um processo de relicitação, porque na primeira não se cumpriu o contrato. Era para a gente já ter a BR 101 duplicada, o contorno de Campos, e ainda não conseguiu. A gente precisa que a EF 118, que é o projeto de ferrovia que vem do Espírito Santo, passa por Campos e vai para Rio, São Paulo e Mato Grosso, avance. O Bolsa Família ou o Auxílio Brasil é essencial. É um grande movimentador da economia.

Cristiano – Sequer se cogitava o nome de Moro como candidato, então não existe um plano. Acredito que ele escolherá um bom nome para conduzir a economia. E não é demérito não conhecer de economia. Lula não conhecia, Fernando Henrique não conhecia. O Guedes não conseguiu implementar suas ideias, quedou-se para o Centrão e virou um fantoche. A verdade é essa, e o mercado não respeita. A nossa inflação já alcançou dois dígitos, que a gente só teve no primeiro ano do Plano Real. E muito responsável pelo dólar alto é o presidente, com o dom da palavra para derrubar as bolsas, trazer instabilidade. Lula, por muito tempo resistiu ao mercado, mas depois se curvou. O professor José Luiz coloca o Bolsa Família. Eu sou de direita, conservador, mas vejo, sim, que é um projeto importante. A gente tem que socorrer o nosso irmão. É ser cristão. Só que Bolsonaro só viu agora como o viés político de reeleição. Há um desastre em curso. Bolsonaro, com essa PEC fura teto, fragiliza ainda mais a economia.

Roberto – Economia é a área onde eu acho que o Ciro mais tem buscado oferecer um projeto há muito tempo, desde quando era do PSDB e ajudou a implementar o Plano Real. O Brasil, cada vez mais, é um país que consome produtos que não produz e de cujas cadeias produtivas não participa. A gente vende soja e quer comprar um celular de última geração. Isso foi possível durante um período do populismo cambial. Mas não é mais. O que sustentava o populismo cambial era o boom de commodities. Faz diferença se um país produz chips ou se um país produz soja apenas. Não estou nada contra a soja, o agronegócio é o único setor da economia brasileira que aumentou a produtividade. Mas não é um sucesso de complexidade. Como o professor José Luiz falou, a gente importa os insumos, as sementes, os remédios, as máquinas. E complexidade é você reindustrializar o país a partir do que já tem. E aí, o Ciro vem propondo quatro áreas desde a campanha de 2018, que com essa pandemia se tornaram ainda mais atuais.

 

Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

Folha – Quais são os prós e contras das demais pré-candidaturas a presidente?

Roberto Dutra – O movimento que Bolsonaro representa, tem um mérito: deu voz, sim, a uma direita brasileira. Outro mérito é que, sem querer, Bolsonaro representa algo que está na alma do povo: a força. Ele distorce isso, coloca a força como violência. Mas tem a ver com a nossa capacidade de ser um povo batalhador. E Bolsonaro vocalizou isso. Negativamente, tudo. Mas resumiria na incapacidade de separar palanque de governo. Sobre Moro, a Lava Jato desnudou uma relação promíscua entre dinheiro e poder, que todo mundo sabia que existia, mas ninguém tinha visto ainda de um modo tão claro. Negativamente, Moro não tem projeto, não diz nada sobre como vai recuperar a economia brasileira. A grande obra de Lula foi ter possibilitado o povo brasileiro se identificar consigo mesmo. O lado negativo de Lula é, infelizmente, o desperdício do que poderia ter sido. Ele poderia, sim, ter sido o maior presidente da história desse país. Com 85% de aprovação, não fez uma mudança estrutural. Lula não acredita em ideias.

Cristiano – A crítica que faço, já de antemão pedindo desculpa ao José Luis, mas o Lula é um corrupto. Nada vai tirar isso da biografia dele. Foram milhões que a Odebrecht devolveu aos cofres públicos, confessando. Em caso do segundo turno entre Lula e Bolsonaro, com todos os defeitos, vou com o Bolsonaro. Lula foi um cara que tinha tudo, como Roberto colocou, para ser o maior dos líderes. Só que o cara virou um ladrão. Desculpa a expressão, não tem aqui como falar de uma forma mais suave, tem que falar o popular que o povo entende. A crítica que eu faço a Bolsonaro é que ele abandonou o bolsonarismo. A corrente armamentista não é feita de cristãos. Ele pegou aquele nicho cristão, que se sentia muito atingido por uma política de ideologia de gênero, que eu não concordo. E o Ciro, por sua vez, eu fiquei impressionado com a imaturidade dele diante dessa decisão que houve de colocar seu nome, retirar, suspender. Eu nunca vi uma suspensão de pré-candidatura, entendeu?

Buchaul – O Ciro tem uma experiência política que acho importante, mas tem o problema do destempero emocional. O Sergio Moro devia continuar sendo juiz. Acho que foi um erro o Bolsonaro tê-lo nomeado ministro, e foi um erro do Moro ter aceitado. Já o Lula deveria seguir o exemplo dos ex-presidentes americanos e manter-se fora da política eleitoral. Você não tem um governo violento só pela violência física, mas também pela violência financeira. E o PT acaba fazendo um pouco das duas coisas: a ameaça que é o MST, as invasões de prédios públicos, e também a violência financeira, quando compra adversários, outros partidos e impede a efervescência política, algo que nós vimos também aqui em Campos. Apesar de o Lula ter tido um mandato com alguns benefícios, eu os coloco muito mais na conta do bom momento internacional e uma herança que ele recebeu do governo Fernando Henrique, de reformas que iriam no contrário do que o Lula dizia que ia fazer e que por sorte não fez.

José Luis – Sobre o Bolsonaro, eu me sinto contemplado, particularmente, com o que o Roberto e o Cristiano falaram. Só reforçar que a questão pior sobre o Bolsonaro é que ele trouxe o protagonismo do que há de pior em termo de caráter e de comportamento, de conduta e de valores na sociedade brasileira. Não vejo nada positivo, a não ser o que o Roberto falou e eu falei também: ele deu voz e institucionalidade ao conservadorismo que existia no Brasil. Só que aí está misturado, tem que separar. O Moro, eu lamento dizer, Cristiano, mas acho, como talvez até você tenha colocado de uma forma mais branda, como figura política, eu acho ele é amorfo, inodoro e incolor. O Ciro é do campo da esquerda, do antifascismo, tem boas ideias na economia. O Ciro faz parte do campo que tem que se juntar para enfrentar o fascismo. O Ciro é um campo ombro. Mas, eu acho que foi bom para a democracia e a história brasileira o Bolsonaro ter sido eleito, como o Roberto falou, porque agora nós sabemos a nossa cara.

 

Confira abaixo, em vídeo, os três blocos do Folha no Ar da manhã de ontem com o debate presidencial entre José Luis Vianna da Cruz, Alexandre Buchaul, Cristiano Sampaio e Roberto Dutra na manhã de ontem (05), nas Folha FM 98,3:

 

 

 

 

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Precatórios — Último tiro de Bolsonaro e a cabeça do país

 

Jair Bolsonaro e Arthur Lira

 

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos Precatórios virou tema nacional desde sua aprovação em primeiro turno na madrugada de quinta, na Câmara dos Deputados. Embora de consequência direta à vida de todos, é assunto árido à maioria. Precatórios são as dívidas que pessoas físicas e jurídicas têm a receber da União, após transitadas em julgado na Justiça. Sobre as quais Jair Bolsonaro (sem partido), pretende impor o dito popular: “devo, não nego; pago quando puder”. Após a tentativa desastrada de golpe no último 7 de setembro, talvez seja seu último tiro para tentar resgatar sua popularidade perdida em 2021.

Após a vitória, o governo agora terá que aprovar a PEC no segundo turno da Câmara, nesta terça (09). E, depois, no Senado onde a CPI da Covid prova as dificuldades maiores. Terá também que passar pelo crivo do Supremo Tribunal Federal (STF), onde a aprovação da PEC em primeiro turno teve ontem (05) sua constitucionalidade questionada. Se passar por tudo isso, terá ainda que acertar o alvo nas urnas a menos de 11 meses. Mas, a julgar pela queda de 2,09% do Ibovespa e a alta do dólar em 0,29% sobre o Real, na mesma quinta da aprovação da PEC em primeiro turno, pode antes alvejar uma economia brasileira já moribunda.

A despeito de todos os obstáculos que ainda terá pela frente, Bolsonaro mira nas suas melhores taxas de aprovação popular. Que foram registradas pelas pesquisas no segundo semestre de 2020, na esteira do Auxílio Emergencial de R$ 600,00 à população carente na pandemia. Agora, o governo quer lançar o Auxílio Brasil, no valor de R$ 400,00. É o novo nome ao Bolsa Família dos 13 anos do PT no poder. Que, por sua vez, rebatizou o Bolsa Escola implantado em 2001, durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Seria agora pago só enquanto durar o ano eleitoral de 2022, sem nenhuma garantia de continuidade após o pleito.

Ninguém pode negar a necessidade de socorro a mais de 20 milhões de brasileiros em situação de pobreza extrema. Mas, se fosse o caso de apenas socorrê-los, bastaria enviar ao Congresso uma Medida Provisória (MP). Para aprovar uma MP, o governo precisaria de maioria legislativa simples, não dos 3/5 necessários a uma PEC. Com a qual se pretende impor moratória aos credores da União, furar o teto de gastos e, segundo todos os economistas, levar ainda mais brasileiros à miséria. Com o país inteiro se afundando ainda mais numa inflação que, pela primeira vez desde a implantação do Plano Real em 1994, já ultrapassa a casa dos dois dígitos.

Para alocar os recursos necessários pare atender aos pobres, sem produzir outros com a bancarrota da economia nacional, bastaria tirar o dinheiro das “emendas secretas”. São assim chamadas porque as indicações parlamentares e o destino final das verbas não ficam registrados no Orçamento ou no Diário Oficial, com objetivo doloso de dificultar sua fiscalização. É o Mensalão de Bolsonaro, criado no final de 2020 para beneficiar deputados e senadores, tentando blindar o presidente contra seus mais de 120 pedidos de impeachment na Câmara, bem como seus filhos de investigações nas duas Casas.

Se Bolsonaro conseguir mandar às favas o compromisso fiscal do país, o Orçamento Secreto reservará R$ 20 bilhões do dinheiro que a União não tem a deputados e senadores em pleno ano eleitoral de 2022. Em 2021, foi liberando fiado R$ 1,2 bilhão em emendas aos deputados na véspera da votação da PEC dos Precatórios, que o governo conseguiu os 312 votos, apenas quatro a mais que o mínimo de 308 necessário à sua aprovação no primeiro turno na Câmara. Na falácia de ajudar aos pobres, até deputados de oposição do PDT, do PSB e do PSDB deram ao governo sua margem de vitória apertada.

Presidenciável do PDT, Ciro Gomes reagiu já na manhã de quinta, suspendendo sua pré-candidatura para tentar forçar os deputados de seu partido que votaram a favor da PEC a mudarem a posição na próxima terça. A atitude de cearense elevou o tom da oposição, que ontem arguiu no STF as manobras na votação da PEC por parte do presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP/AL). Que, com Bolsonaro refém do Centrão ao qual sempre pertenceu, é hoje o homem mais poderoso do país. Diferente do capitão, que nunca mostrou nenhuma capacidade de articulação política em 30 anos de vida parlamentar, Lira é um mestre do “jogo jogado”. Os dois aliados só se assemelham nos escrúpulos de ordem moral.

Bolsonaro chegou ao Palácio do Planalto pela capacidade de agitação. Que foi catapultada virtualmente com fake news e disparos em massa por robôs nas redes sociais. Como já havia acontecido com a votação do Brexit pela saída da Grã-Bretanha da União Europeia e com Donald Trump na eleição presidencial dos EUA, ambos em 2016. Fenômeno aqui acrescido, dois anos depois, do antipetismo real disseminado na sociedade pela corrupção sistêmica eviscerada na Lava Jato. E pela catástrofe econômica dos cinco anos e meio de governo Dilma Rousseff. Que o atual presidente, perto de completar três anos no cargo, conseguiu a façanha de superar.

Incapazes, inábeis, arrogantes, confusos, maniqueístas e anacronismos vivos de uma Guerra Fria que acabou no mundo desde 1989, o capitão do Exército e a ex-guerrilheira que combateu a ditadura militar, para instalar no Brasil outra ditadura, têm também muitas diferenças. A mais emblemática? Quando testada, Dilma demonstrou coragem física superior à da maioria dos homens. Seu sucessor é um covarde ao molde assumido dos que torturaram mulheres.

Último tiro de Bolsonaro para 2022, o resultado da votação na madrugada de 4 e outubro de 2021 foi uma vitória parcial de um governo acuado. E do que há de mais fisiológico no Congresso Nacional. Em aliança espúria que ainda tem muitas blindagens para tentar perfurar. Se será um disparo no alvo ou no pé, só o tempo dirá. Na dúvida, a certeza: nessa brincadeira de roleta-russa, contra a boca do cano da arma, a cabeça é a do país.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Lula, Bolsonaro, Moro ou Ciro no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta sexta (05), os convidados para fechar a semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, são o sociólogo José Luis Vianna da Cruz, o odontólogo Alexandre Buchaul, o advogado Cristiano Sampaio e o sociólogo Roberto Dutra. Eles representarão, respectivamente, suas simpatias pelas pré-candidaturas a presidente de Lula (PT), Jair Bolsonaro (sem partido), Sergio Moro (Podemos) e Ciro Gomes (PDT), líderes nas últimas pesquisas. Será um exemplo, no Grupo Folha, de que a acalorada disputa presidencial de 2022 pode ser dar no melhor nível.

José Luis, Buchaul, Cristiano e Roberto elencarão os motivos para se votar nos presidenciáveis dos quais são simpatizantes, falarão das propostas de cada um para a grave crise econômica do Brasil, além de analisarem, por fim, prós e contras dos demais pré-candidatos ao Palácio do Planalto em 2022. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Vereador Álvaro Oliveira no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta quinta (04), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o vereador Álvaro Oliveira (PSD), líder do governo na Câmara de Campos. Ele falará sobre sua troca de farpas com o edil de oposição Rogério Matoso (DEM), Código Tributário e IPTU. Também analisará a eleição da Mesa Diretora no ano que vem e a administração Wladimir Garotinho (PSD).

Por fim, Álvaro analisará o caminho de 11 meses que nos separa das urnas estaduais e federais do Brasil de 2022. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Matoso cobra abstenção de Álvaro nas contas de Rafael

 

Rogério Matoso, Álvaro Oliveira, Wladimir Garotinho e Rafael Diniz (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Nas contas de 2019 de Rafael Diniz, quando teve oportunidade de julgar a gestão, Álvaro não votou contra (optou pela abstenção). Será que aconteceu o quê? Apagão? Falta coerência ao vereador, que se posicionava de uma forma quando oposição e hoje, como líder governista, esqueceu tudo o que defendia. Mas patrocina essa guerra retórica para continuar sendo dentro do grupo governista um dos maiores puxa-sacos da história, desde que teve a insanidade de pintar postes de rosa (em 2012, gerando uma das condenações à inelegibilidade da ex-prefeita Rosinha Garotinho) quando estava à frente do IMTT, com fidelidade canina à sua patroa”. Foi assim que o vereador de oposição Rogério Matoso (DEM) reagiu às críticas a ele feitas pelo colega Álvaro Oliveira (PSD), líder governista na Câmara de Campos.

No programa Folha no Ar da última terça (02), Matoso teceu críticas ao governo Wladimir Garotinho (PSD), que foram resumidas na coluna Ponto Final, na edição de hoje da Folha da Manhã. Também hoje, pela manhã, Álvaro respondeu ao colega de oposição: “É uma tentativa de tirar o lamaçal do seu quintal, jogando por cima do muro, no quintal dos outros. Ele fez parte (Matoso foi subsecretário de Desenvolvimento Humano e Social e superintendente de Trabalho e Renda), até quase o final, do governo passado (Rafael Diniz)”. A tréplica de Matoso, hoje à tarde, também foi forte:

— Álvaro faz parte de uma família marcada por prisões, condenações e até escândalo com o “doleiro dos doleiros” (como era conhecido Daniel Messer, marido da sobrinha do líder governista, preso em julho de 2019 pela Polícia Federal, na operação “Câmbio Desligo”). E quer falar de lama no quintal? Não há nem mais espaço para colocar mais lama no quintal dele. Estão chafurdados.

Na troca de farpas com Álvaro, Matoso lembrou seu apoio no segundo turno de 2020, já vereador eleito, ao então candidato a prefeito Wladimir Garotinho (PSD). Com quem o parlamentar romperia em maio deste ano, na polêmica do pacote governista com 13 projetos à Câmara de Campos, que teve 12 aprovados, à exceção da proposta do novo Código Tributário:

— Apoiei Dr. Bruno em 2020 (candidato a prefeito do SD, terceiro colocado no primeiro turno) e, no segundo turno, Wladimir. Em 2016 fui candidato a prefeito adversário de Rafael Diniz (que venceu aquela eleição no primeiro turno) e Dr. Chicão, irmão dele (de Álvaro) e candidato da gestão Rosinha, que promoveu esse inchaço da máquina e arrasou com as contas públicas, com integrantes e correligionários presos. E hoje o vereador Álvaro e o prefeito tentam reduzir a importância do meu trabalho por eu ter feito parte, por um certo período, do governo Diniz. Mas quando meu apoio foi importante para eleger o candidato Wladimir, ele soube elogiar meu trabalho. Na questão do IPTU retroativo, as irregularidades foram comprovadas na ação do dr. Carlos Alexandre de Azevedo Campos — disse o edil do DEM.

A partir das 7h da manhã desta quinta (04), o líder governista Álvaro Oliveira será o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3. Citado por ele e Matoso, o ex-prefeito Rafael Diniz (Cidadania) foi procurado pelo blog, mas preferiu não se posicionar, mantendo a discrição que adotou desde que saiu do poder. Hoje na oposição, Matoso também enviou um vídeo com a declaração do seu apoio a Wladimir no segundo turno a prefeito de 2020. Confira abaixo:

 

 

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Álvaro a Matoso: “Tenta tirar o lamaçal do seu quintal”

 

Álvaro Oliveira, Rogério Matoso, Wladimir e Anthony Garotinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

“É uma tentativa de tirar o lamaçal do seu quintal, jogando por cima do muro, no quintal dos outros. Ele fez parte (como subsecretário de Desenvolvimento Humano e Social e superintendente de Trabalho e Renda), até quase o final, do governo passado (Rafael Diniz). E tudo que está sendo atualmente reconstruído na cidade foi por conta do desgoverno que ocorreu durante quatro anos em Campos. Onde ele foi, por ação ou omissão, partícipe”. Foi assim que o líder governista na Câmara de Campos, vereador Álvaro Oliveira (PSD), reagiu na manhã de hoje às críticas à gestão Wladimir Garotinho (PSD), feitas ontem pelo edil de oposição Rogério Matoso (DEM).

No programa Folha no Ar da manhã de terça, Matoso chamou de “black fraude” o fato do governo Wladimir ter enviado o projeto do Refis — financiamento das dívidas com o município — à Câmara na mesma semana de agosto em que cobrou reajuste de IPTU retroativo aos últimos cinco anos. E também foi respondido hoje por Álvaro:

— O Refis foi um sucesso. E o vereador também tenta jogar lama. A procura do contribuinte foi imensa, tanto que está sendo mais uma vez prorrogado. A cobrança do IPTU retroativo se deve a um ato de 30 de dezembro de 2020, no governo passado, em que se fez um plano de fiscalização aos próximos quatro anos, para tentar atender ao TCE. Acho que isso o vereador esqueceu de dizer. Porque se o governo (Wladimir) deixa essas dívidas remanescentes não cobradas, o secretário (de Fazenda, Walter Jobe) e o prefeito respondem à Lei de Responsabilidade Fiscal — disse o líder da situação.

Álvaro admitiu que a derrota governista, até aqui, em tentar aprovar o novo Código Tributário na Câmara, talvez tenha perdido seu objeto central. Ele admitiu também o erro da gestão municipal, em não ter dialogado mais com a sociedade, antes de propor no Legislativo. Mas questionou os motivos pelos quais Matoso disse ter rompido com o prefeito:

— Quanto ao Código Tributário à época (o projeto foi ao Legislativo em maio), talvez não sejam hoje mais necessários todos aqueles ajustes. Antes, tínhamos que fazê-los para tentar fechar com o TCE um Termo de Ajuste de Gestão (TAG) que já foi feito. Agora, com muita cautela, temos que ver que ajustes ainda precisam ser feitos e seguir em frente. Talvez não tenha tido a conversa necessária com toda a sociedade, foi muito rápido. Mas nada foi feito para tentar prejudicar ninguém, só para atender a algumas exigências. Já sobre o rompimento do vereador (Rogério com o governo Wladimir), creio que esse não é o verdadeiro motivo, mas o motivo que ele tenta dizer. Se ele colocar a cabeça para funcionar, pode ser que lembre — deixou no ar, Álvaro.

Também criticado por Rogério Matoso, que disse sair “por uma porta, se ele entrar pela outra”, referindo-se à possibilidade de Anthony Garotino (sem partido) ir para o União Brasil, na fusão do PSL com o DEM do vereador, o ex-governador foi procurado desde ontem pelo blog. Mas, até agora, preferiu não se manifestar.

 

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Matoso: “Garotinho entra por uma porta, saio pela outra”

 

No Folha no Ar de terça, Rogério Matoso questionou Wladimir Garotinho, José Maria Rangel e Anthony Garotinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“Black fraude”?

Em entrevista na manhã de ontem ao Folha no Ar, o vereador Rogério Matoso (DEM) fez críticas ao governo Wladimir Garotinho (PSD). Disse que a ruptura com o prefeito, a quem apoiou no segundo turno de 2020, se deu pelo envio em maio de um pacote à Câmara, sem tempo para estudo. Ainda que 12 dos 13 projetos tenham sido aprovados, incluindo três com cortes ao servidor, a oposição conseguiu até aqui segurar o do novo Código Tributário. Matoso chamou de “black fraude” o fato de o governo ter enviado o projeto do Refis à Câmara na mesma semana de agosto em que cobrou reajuste de IPTU retroativo aos últimos cinco anos.

 

Matoso x Rangel

A resistência da oposição no Legislativo ao Código Tributário e ao IPTU tem encontrado eco na sociedade. Do contribuinte em geral, mas sobretudo do setor produtivo. No painel econômico da Folha de 23 de outubro, o petroleiro José Maria Rangel, diretor do Sindipetro, disse que “o problema é que atualmente a maioria dos nossos representantes na Câmara Municipal estão atrelados, de alguma forma, ao setor produtivo”. Empresário e vereador eleito com 3.086 votos, Matoso considerou a fala “política”. Candidato a vereador em 2020 pelo mesmo PT de Ceciliano, Rangel não se elegeu, mas fez 2.934 votos.

 

E se Garotinho entrar?

Matoso foi indagado como ficará com a união entre o seu DEM e o PSL que serviu para eleger os Bolsonaro em 2018. E seria abandonado pelo clã presidencial na briga por verbas do fundo partidário. Em fusão a ser homologada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o novo partido se chamará União Brasil. E teria quatro vereadores em Campos. No DEM, Matoso e Marcione da Farmácia, que tem votado com o governo Wladimir; no PSL, o veterano Nildo Cardoso e o jovem Bruno Vianna. A ida do ex-governador Anthony Garotinho (hoje, sem partido) à nova legenda é tida como certa. “Ele entra por uma porta e eu saio pela outra”, respondeu Matoso.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Fundo Soberano com Ceciliano da Folha ao Extra

 

André Ceciliano no Folha no Ar de sexta (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)

 

Ceciliano e Fundo Soberano

“Presidente da Assembleia Legislativa, André Ceciliano (PT) roda o estado promovendo o Fundo Soberano criado pelo parlamento em junho de 2021”. Foi o que o público carioca descobriu ontem (02), através da colunista Berenice Seara, no jornal Extra, do Grupo Globo. Ouvinte e telespectador da Folha FM 98,3, o público campista e do Norte Fluminense já sabia do fato desde a manhã de sexta (29). Foi quando o próprio Ceciliano detalhou, ao vivo no programa Folha no Ar, a importância e o impacto que o Fundo Soberano terá para o desenvolvimento econômico de Campos e da região.

 

Da Folha ao Extra

Além da Folha FM, o roteiro de Ceciliano por Campos foi acompanhado na sexta, pelo site Folha1, e na edição da Folha da Manhã de sábado (30). Ontem, o Extra também escreveu: “O Fundo será custeado com dinheiro de petróleo e do gás natural: 30% do estado com os recursos de Participação Especial (PE); e 50% recuperado em Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) relacionados à exploração. Com o aumento do preço internacional do petróleo, pode dar a largada com R$ 3 bilhões. A legislação prevê que sejam realizadas audiências públicas nos 92 municípios fluminenses para a tomada de decisões sobre a aplicação desses recursos”.

 

Uenf promoveu debate do Fundo Soberano com a presença do presidente da Alerj, deputado André Ceciliano, na última sexta (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)

 

Alcimar das Chagas Ribeiro, economista e professor da Uenf

Diálogo com a Uenf

Na sexta, depois do Folha no Ar, Ceciliano foi à Uenf ainda pela manhã. E lá foi recebido, ente outros, pelo economista Alcimar Chagas, professor da universidade e estudioso da região. Ele escreveu em artigo publicado domingo (31) no blog Opiniões, hospedado no Folha1: “o Fundo Soberano é fundamental e representa um elemento no processo de reestruturação produtiva, cuja estratégia precisa considerar a visão mesoeconômica, ação coletiva, conhecimento científico, comprometimento governamental, cooperação e governança, para atender o seu objetivo de desenvolvimento econômico do estado e das regiões fluminenses”.

 

William Passos, geógrafo e consultor especializado em estatística e desenvolvimento regional

Exemplo de SJB

No mesmo domingo e blog, o geógrafo William Passos dialogou com Alcimar para advertir: “o esforço estadual fluminense de desenvolvimento, embora deva ser combinado com uma maior participação efetiva dos municípios, em particular da Bacia de Campos, não pode ter este maior protagonismo municipal confundido com prefeiturização”. Estudioso do fenômeno de metropolização da região da Bacia de Campos, William citou o exemplo que não deve ser seguido: “o professor Alcimar citou o caso de São João da Barra, que não conseguiu converter em investimentos o superávit de 38% de suas receitas realizadas de janeiro a agosto de 2021”.

 

Arthur Soffiati, historiador

Painéis e Soffiati

O Grupo Folha tem se dedicado a discutir alternativas econômicas para Campos desde 2020. De julho a setembro daquele ano, foram realizados 11 painéis, ouvindo (confira aquiaquiaquiaquiaqui, aquiaqui, aqui, aquiaqui e aqui) 34 representantes da sociedade civil organizada. Outro desses painéis foi publicado pela Folha no último dia 23, com o presidente da Câmara Municipal, Fábio Ribeiro (PSD); o especialista em finanças Igor Franco; o presidente da CDL-Campos, José Francisco Rodrigues; e José Maria Rangel (PT), diretor do Sindipetro-NF. Com eles, o historiador Arthur Soffiati dialogou em artigo na Folha de sábado, onde listou nove pontos ao desenvolvimento econômico no Norte e Noroeste Fluminense.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Finados com a vida entre dois poemas e um arco-íris

 

Entre a chuva e o sol deste dia dos mortos, dois poemas separados por 18 anos e as cores vivas do arco-íris hoje sobre o céu de Campos:

 

finados

 

se a chuva que cai sobre mim

cair também sobre ela

que minha lembrança a aqueça

a conta-gotas

dos pingos às folhas

das folhas à terra

 

que minha lembrança se enrosque

à raiz de uma erva daninha

daquelas que brotam de novo

depois da erva arrancada

 

se a chuva que cai sobre mim

cair também sobre ela

que minha lembrança adormeça

em sonhos de carnes fartas

revista de língua na alma

deitado no colo dela

 

atafona, 02/11/03

 

Arco-íris no final da tarde de hoje sobre Campos (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

rj 158

 

sob as cinzas nuvens, finados

fresco de nado o robalo frito

voo branco de vida acelerada

esquadrilha paraibava estrada

garças contra corrente do rio

 

no regresso da picape negra

assombravam nelores lentos

o verde morro, a tarde morta

da noite anterior sem sono

afluente entre imbé e planície

 

campos, 01/11/21

 

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Jornalismo e arte com Esdras no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta quarta (03), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é Esdras Pereira, mestre do fotojornalismo goitacá e colunista social da Folha da Manhã. Ele falará da sua transição da reportagem-fotográfica ao colunismo social, e do papel do jornalismo profissional em tempo de redes sociais.

Por fim, Esdras também da sua exposição Flores & Papiros, que terá vernissage nesta quinta (04). Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Financial Times: “Bolsonaro incapaz na pandemia e economia”

 

 

Referência internacional do capitalismo, ontem (01) o jornal econômico britânico Financial Times (FT) publicou um editorial muito crítico ao governo Jair Bolsonaro (sem partido). Com questionamentos às conduções da pandemia à Covid-19 e da economia no Brasil, o FT foi pragmático quanto à blindagem de Bolsonaro na Procuradoria Geral da República de Augusto Aras e na Câmara Federal de Arthur Lira (PP/AL). Mas também severo na conclusão do que nos espera até as urnas presidenciais de outubro próximo:

— Ao entrar no último ano de seu mandato, Bolsonaro se mostra incapaz de administrar a economia ou a pandemia, e a maior nação da América Latina está pagando um preço alto. Para o Brasil, as eleições de 2022 vão demorar a chegar.

Aos “pouco mais de 20%” dos brasileiros que só tem um “argumento” de defesa do bolsonarismo — “E o PT?” —, o Financial Times lembrou que os “13 anos (do lulopetismo) no poder terminaram em uma grave crise econômica”. Assim como, desde 24 de fevereiro de 2015, o influente jornal britânico elencou 10 motivos para o impeachment da então presidente Dilma Rousseff, que se cumpriria no ano seguinte.

A 11 meses das urnas brasileiras de 2022, confira abaixo a íntegra do que o Financial Times assume em editorial como a sua opinião, não raro traduzida como a voz do mercado internacional, sobre o atual inquilino do Palácio do Planalto:

 

 

As falhas de Jair Bolsonaro vão muito além da pandemia

 

Poucos presidentes no exercício do mandato enfrentam tantos problemas jurídicos quanto o líder de extrema-direita do Brasil, Jair Bolsonaro. Uma CPI do Senado recomendou na semana passada que promotores públicos o acusem de nove infrações, incluindo crimes contra a humanidade, por erros no confronto à pandemia.

Mais de 600 mil brasileiros morreram de Covid-19, e o presidente tornou fácil culpá-lo pela magnitude desse número. Suas tentativas de minimizar a pandemia como “uma gripezinha”, sua prevaricação sobre as vacinas, sua veemente oposição aos bloqueios e a promoção obstinada de remédios duvidosos forneceram ampla evidência para os críticos.

Bolsonaro considerou o inquérito do Congresso sobre o coronavírus uma “piada’, mas o dano à sua reputação já foi feito. Seis meses de depoimentos sobre o manejo inadequado da pandemia por parte do governo, grande parte deles transmitidos ao vivo, reduziram seu índice de aprovação para pouco mais de 20%.

Este é apenas o começo dos problemas do líder brasileiro antes do que promete ser uma luta difícil pela reeleição em outubro de 2022. O aliado próximo de Trump também é o alvo de mais de cem pedidos de impeachment no Congresso brasileiro. O Supremo Tribunal Federal está investigando denúncias de que ele e seus filhos, também políticos, espalharam notícias falsas deliberadamente. Ativistas ambientais querem que o Tribunal Penal Internacional o investigue por crimes contra a humanidade, por seu suposto papel na destruição da Floresta Amazônica.

Independentemente de seus méritos, poucos desses casos têm probabilidade de progredir. O responsável por decidir se vai acusar Bolsonaro pela condução incorreta da pandemia é o procurador-geral Augusto Aras, nomeado pelo próprio presidente. Outro aliado, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, está convenientemente retendo todos os pedidos de impeachment. Por sua vez, o STF reluta em provocar uma crise constitucional, levando a julgamento um presidente em exercício.

No entanto, a ameaça mais poderosa às esperanças de reeleição de Bolsonaro poderá muito bem ser econômica, mais que jurídica. Os mercados brasileiros despencaram na semana passada devido ao temor de que seus planos de distribuir novos subsídios mensais de US$ 70 aos eleitores mais pobres prejudiquem as finanças já abaladas do país.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, que já foi um guru da ortodoxia fiscal, foi convencido a liberar US$ 14 bilhões a mais no próximo ano para ajudar a financiar a farra de gastos pré-eleitorais. Quatro membros de sua equipe renunciaram por causa dessa decisão; talvez Guedes venha a desejar que os tivesse ouvido com mais atenção. A indisciplina fiscal do governo e o espectro da inflação de dois dígitos já levaram o Banco Central, independente, a aumentar as taxas de juros em 5,75 pontos percentuais desde março, tornando-se o mais agressivo do mundo.

Como resultado, a rápida recuperação econômica do Brasil da pandemia está vacilando; alguns analistas preveem que o crescimento será negativo no próximo ano. O mercado de ações está tendo seu pior desempenho desde 2014, o Real enfraqueceu e o prêmio de risco do país subiu.

Bolsonaro venceu as eleições em grande parte porque os brasileiros acreditavam que ele seria um melhor administrador da economia do que a esquerda, cujos 13 anos no poder terminaram em uma grave crise econômica. Alguns eleitores se dispuseram a ignorar sua homofobia, sua obsessão por armas e generais, e suas sombrias credenciais ambientais, na esperança de que ele trouxesse prosperidade.

Em vez disso, ao entrar no último ano de seu mandato, Bolsonaro se mostra incapaz de administrar a economia ou a pandemia, e a maior nação da América Latina está pagando um preço alto. Para o Brasil, as eleições de 2022 vão demorar a chegar.

 

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