Bolsonaro não bate a meta no dia de Haddad

 

Adversários no segundo turno presidencial de 2018, Fernando Haddad e Jair Bolsonaro na última quinta-feira (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O Lula 3 dará certo? No Brasil, é lugar comum dizer que o ano só começa, de fato, após a quarta-feira de cinzas. Que este ano foi em 22 de fevereiro. No mundo, a partir da sentença de James Carville, estrategista do ex-presidente dos EUA Bill Clinton, virou lugar comum a receita para o sucesso ou fracasso de um governo: “é a economia, estúpido”.

Na junção dos dois lugares comuns, é correto dizer que o novo governo Lula começou, de fato, na última quarta, 29 de março. Naquele dia, o ministro da Fazenda Fernando Haddad apresentou e teve de Lula o sinal verde para a sua proposta de “arcabouço fiscal”. Que, no mesmo dia e em ato contínuo, Haddad levou ao presidente da Câmara dos Deputados, Artur Lira (PP/AL). De quem busca apoio para a aprovação da sua proposta no Congresso.

Da quarta de cinzas à quarta desta semana, foi mais de um mês. O atraso se deu pelas divisões internas do PT e do governo Lula, sobre o que e como substituir o teto de gastos. Que foi instituído em 2016 no governo Michel Temer. E foi arrombado no governo Jair Bolsonaro, sob o “liberalismo” de Paulo Guedes, na tentativa de compra de voto mais escandalosa da História do Brasil. Que, fracassada nas urnas, deixou o rombo de R$ 300 bilhões nas contas públicas.

O que determinou o sucesso de Lula 1 e Lula 2, entre 2003 e 2010, foi a economia. Assim como o fracasso de Dilma 1 e Dilma 1 e ½, entre 2011 e 2016. E o que elegeu o Lula 3 em 2022, na resiliência do eleitor com renda até 2 salários mínimos, foi a sua lembrança econômica: o carrinho de compras. Na comparação com o que cabia nele mais de uma década antes, o brasileiro pobre ignorou o Auxílio Brasil anabolizado de R$ 600,00 e o empréstimo consignado de Bolsonaro/Guedes. Tomou esse dinheiro com uma mão, votou e elegeu Lula com a outra.

Para os eleitores de classe média (2 a 5 salários mínimos), classe média alta (5 a 10 salários) e alta (acima de 10), sobretudo se da iniciativa privada, “a cervejinha e a picanha” de Lula podem parecer populismo demagógico. Por quê? Podem bancar sua cerveja e churrasco no final de semana com as coisas como estão.

E há contrapartida em setores tradicionalmente petistas. Por exemplo, os servidores públicos. Têm vida econômica ativa e seguridade garantidas, com opção a cerveja e churrasco no final de semana, a partir da meritocracia do concurso. Mas, não raro, consideram que o ressentimento dos empresários obrigados a demitir, diminuir ou fechar seus negócios na condução do país por Dilma à maior recessão econômica da sua História, ou na pandemia da Covid-19, é só populismo demagógico do “deus mercado”.

Os dois nichos estão errados ao não compreender o outro como semelhantes em condições econômicas distintas. Mas se assemelham, para garantir sua cerveja e seu churrasco, no mesmo “farinha pouca, meu pirão primeiro”.

O fracasso do governo Dilma foi fruto da “nova matriz econômica” do seu ministro da Fazenda, Guido Mantega. Esticaram até estourar a política anticíclica de Lula para enfrentar a crise econômica mundial de 2008, chamada pelo então presidente de “marolinha”. Na sua sucessão, Dilma e Mantega superdimensionaram o papel do Estado na economia, para fazer da exceção a regra. Como a nossa última ditadura militar (1964/1985), que legou aos civis a hiperinflação dos anos 1980 e 1990. Foi a ressaca do “Milagre Econômico” de 1968 a 1973.

Antes de Dilma repetir os erros econômicos de uma ditadura que tomou em armas para combater, para instalar no Brasil outra ditadura de viés ideológico oposto, a ressaca só parou de latejar à têmpora com o Plano Real. Estabilizou a economia do país em 1994 no governo Itamar Franco, capitaneado por seu ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. E elegeu este presidente duas vezes em primeiro turno. Feito que nem Lula conseguiu repetir, ao se eleger três vezes, sempre em dois turnos. Literalmente, foi “a economia, estúpido”!

O Real, no entanto, tinha problemas. Que se agravaram com a crise econômica de países emergentes como o Brasil. A dos Tigres Asiáticos em 1997; a da Rússia, em 1998. A solução só viria após o economista Armínio Fraga assumir o Banco Central em 1999. Ao introduzir o câmbio flutuante com o dólar à busca da meta de inflação, ele adicionou a ela um novo instrumento, compondo o tripé macroeconômico: as metas fiscais. No que todo gestor do seu orçamento pessoal sabe de cor e salteado: não gaste mais do que arrecada.

É isso que Haddad promete fazer com seu projeto de “arcabouço fiscal”. E deveria, pois foi a receita do bolo de FHC 1 e 2, chamada de “neoliberal” e “herança maldita” pelo PT, que gerou o sucesso econômico a Lula 1 e Lula 2. Quando Dilma e Bolsonaro se afastaram do tripé meta de inflação/câmbio flutuante/meta fiscal, o resultado foi igualmente desastroso. Sempre lembrada pelos bolsonaristas como desculpa, a pandemia da Covid não serve. Entre 24 países emergentes, o Brasil ficou em 18º em desempenho de PIB no período da gestão do capitão.

Além do Congresso de maioria conservadora, o maior problema do Lula 3 é que a proposta do seu ministro da Fazenda vincula as despesas ao aumento da receita. Todavia, na coletiva de quinta (30), Haddad disse também que não vai aumentar impostos. Quando se prega que gastos em saúde, educação, assistência social e infraestrutura não são gastos, mas investimento, o discurso ecoa. Mas, sobre questão semântica, sempre haverá a econômica: de onde sairá o dinheiro? Quando ninguém diz, a conta no final é sempre paga pelos mais pobres.

Um dia antes do 31 de março dos 59 anos do golpe civil-militar de 1964, dois do 1º de abril, a piada da eleição presidencial de 2018 se inverteu. O poeta advertiria: “ainda é cedo”. Mas, pelo menos na quinta da volta de Bolsonaro ao Brasil, onde foi recebido no aeroporto e na sede do PL em Brasília por um público muito longe de bater a meta, o dia foi de Haddad.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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O que os lulopetistas e os bolsonaristas fingem não ver

 

Já disse e escrevi mais de uma vez que considero Elio Gaspari, nascido na Itália, o maior jornalista brasileiro entre os vivos. É impressão que se reforça a cada nova leitura ansiosa dos seus artigos, às quartas e aos domingos, que faço sempre questão de conferir pelo impresso, no jornal O Globo.

No artigo do Gaspari de hoje, não sem orgulho, constato que a análise dele das semelhanças comportamentais que Lula 3 tem apresentado com Bolsonaro é muito próxima à do artigo “A semana Bolsonaro de Lula antes da China”, que escrevi e publiquei sobre o mesmo assunto na edição de sábado da Folha da Manhã e no blog Opiniões, quatro dias antes. Montadas em fatos, deveriam alertar aos petistas e aos “não sou petista, mas…”, tão passadores de pano no seu próprio “mito” quanto os bolsonaristas e os “não sou bolsnarista, mas…”.

Quem finge não ver, de um lado e do outro também, com seu consensual uso dos antolhos de muar “ideológico”, ajuda a afundar o Brasil ainda mais na polarização política acéfala em que chafurda desde 2014. Que, a seguir nessa briga de cegos, pode guardar fim ainda mais vergonhoso do que a tentativa fracassada de golpe de estado de 8 de janeiro.

Aqui e na sua transcrição abaixo, aguda como adaga, a análise do Gaspari:

 

Lula tem o ombro esquerdo tocado pela mão direita de Bolsonaro no primeiro debate do segundo turno presidencial de 2022, promovido pela Band em 16 de outubro (Foto: Reprodução de TV)

 

 

Elio Gaspari, jornalista e escritor

Lula com Bolsonaro na cena

Por Elio Gaspari

 

Confirmadas as expectativas, a partir de amanhã Jair Bolsonaro estará no Brasil, procurando espaço para fazer contraponto a Lula. Será uma situação inédita, com um ex-presidente, derrotado nas urnas por pequena margem (1,8 ponto percentual dos votos), opondo-se ao titular. Até agora, os ex-presidentes recolheram-se em elegante silêncio. Além disso, Bolsonaro e Lula 3.0 têm a marca comum de uma agressividade tóxica para a paz política.

O ex-capitão mostrou-se um criador de casos em toda a sua carreira política. Nos quatro anos de governo, brigou com as vacinas, com a China e com as urnas eletrônicas, para citar apenas três exemplos. Lula, que se define como uma “metamorfose ambulante”, fez sua campanha prometendo uma pacificação política e entrou no Planalto brigando com o presidente do Banco Central e vendo uma “armação” do senador Sergio Moro numa investigação da Polícia Federal.

Lula foi eleito por um arco de forças que defendiam a democracia. Quem acha que esse é um simples palavrório deve se lembrar da tarde de 8 de janeiro em Brasília. O arco democrático é algo diferente da frente de partidos que apoiou Lula. No primeiro estão pessoas como o ex-ministro Pedro Malan. Na segunda está a força do Partido dos Trabalhadores. Bolsonaro e os golpistas juntaram esses dois blocos, mas, desde que chegou ao governo, Lula pouco fez para manter o arco. Pelo andar da carruagem, pouco fará.

Bolsonaro foi alimentado pelo sentimento antipetista e batido por sua agressividade irracional e errática. Regressando, ele quer liderar a direita que tirou do armário, mobilizou e acabou por avacalhar. Pode ser que sonhe em ser um novo Carlos Lacerda, que o francês Charles de Gaulle chamou de “demolidor” de presidentes. Lacerda foi um grande governador da cidade do Rio de Janeiro. Falta ao ex-capitão um legado semelhante.

Bolsonaro volta menor, até porque o conservadorismo nacional já dispõe de dois quadros racionais: os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e de Minas Gerais, Romeu Zema. O ex-presidente, contudo, precisa voltar a se alimentar com o antipetismo. Já se abasteceu dele, com sucesso. Precisa da colaboração do PT, e daquilo que se supõe ser a esquerda, para voltar a crescer.

Num cenário em que Lula 3.0 e Bolsonaro compartilhem a cena, abundam os maus presságios. São trazidos pelas características de dois personagens atraídos pela onipotência. A do ex-capitão está no DNA. A de Lula é recente e, de certa forma, pontual. Por mais que se entendam as razões da malquerença de Lula por Sergio Moro, sua elevação à categoria de ideia fixa é inútil e derrogatória para um presidente. As caneladas de Lula em Michel Temer mostram sua disposição de estreitar o arco de forças que se comprometeram com a democracia. O ex-presidente manteve-se neutro na disputa, defendendo seu governo, a democracia e a Constituição. Atacá-lo foi no mínimo uma inutilidade.

Os maus presságios cristalizam-se no risco de um debate de polarizações irracionais. O Brasil já foi governado por um presidente que hostilizava a vacinação durante uma pandemia. Depois da derrota, Bolsonaro disse que teria feito melhor se deixasse a Covid-19 por conta do ministro da Saúde. Pedir desculpas a Luiz Henrique Mandetta e a Nelson Teich? Nem pensar.

 

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Vereador e Saúde na aprovação e reprovação de Wladimir

 

 

 

Wladimir lidera disputa aberta

Feita entre 10 e 12 de março, com 600 eleitores de Campos, a pesquisa do Instituto GPP sobre as eleições municipais de 2024 foi divulgada pela Folha no dia 18. Na consulta estimulada, com os nomes dos possíveis candidatos, o prefeito Wladimir Garotinho (sem partido) teve 50,4% das intenções de voto, ou 61,4% dos válidos. Com chance de vencer no primeiro turno, seu adversário mais próximo foi Caio Vianna (PSD), com 18,1%, ou 22% dos válidos. Já a consulta espontânea revelou uma disputa aberta: com 38,6%, Wladimir ficou bem à frente dos 2,7% de Caio, mas atrás dos 46% — quase metade do eleitorado —  que não souberam responder.

 

Pesquisa a vereador (I)

No ano eleitoral, a consulta que mais conta na pesquisa é a estimulada. Mas, a mais de um ano e meio para as urnas de 6 de outubro de 2024, a consulta espontânea tem peso muito grande. De prognóstico sempre mais complexo, a eleição proporcional também esteve na pesquisa GPP, como a Folha noticiou no último sábado (25). O melhor colocado foi o vereador governista Bruno Pezão (PL), com 2,2% das intenções de voto. Abaixo dele, ficaram outros edis: Juninho Virgílio (União) e Pastor Marcos Elias (sem partido), com 1% de intenção de voto cada; e Marcione da Farmácia (União) e Maicon Cruz (sem partido), com 0,8% cada.

 

Pesquisa a vereador (II)

Caio apareceu com 0,7%, em sexto lugar na consulta espontânea à Câmara Municipal, cargo que nunca manifestou intenção de disputar. Ele ficou empatado com Marquinho Bacellar (SD), presidente do Legislativo goitacá, que ficou em terceiro na consulta estimulada a prefeito: 5,8% das intenções de voto, ou 7,1% dos válidos. Em oitavo lugar a vereador, com 0,6% de intenção de voto cada, ficaram empatados o vereador Leon Gomes (PDT) e Robertinho. Depois, empatados com 0,5%, o edil governista Cabo Alonsimar (Podemos) e Rodrigo Thomaz. Atrás deles, empatados com 0,4% cada, ficaram Kelinho Povão e Madeira Parque Aurora.

 

Pesquisa a vereador (III)

Com 0,3% de intenções de voto cada um, a pesquisa GPP à Câmara Municipal seguiu com os edis Bruno Vianna e Kassiano Tavares (ambos, do PSD), os ex-vereadores Jorge Magal e Albertinho, além de Juninho Jubiraca e Gilsinho da Pecuária. Com eles, também ficaram empatados a ex-deputada federal Clarissa Garotinho (União), o presidente da Alerj, deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL), e o clã político deste e do irmão Marquinho: “Família Bacellar”. Como Caio, Clarissa e Rodrigo nunca manifestaram intenção de concorrer a vereador em Campos.

 

Pesquisa a vereador (IV)

O GPP só fez consulta espontânea a vereador. Sem a apresentação de nomes, se a sondagem a prefeito revelou uma maioria de 46% ainda indecisos, essa indefinição é muito maior à Câmara Municipal de Campos: em março de 2023, 73,9% dos campistas ainda não souberam responder em quem votarão em outubro de 2024. Isso, somado à margem de erro de 4 pontos para mais ou menos da pesquisa, nivela numericamente todos os candidatos à estaca zero. Por isso a disputa por cargos para cabos eleitorais no governo Wladimir, em sua pacificação com os Bacellar, segue tão acirrada entre os edis governistas e os de oposição/“independentes”.

 

Saúde: aprovação e reprovação

Na disputa a prefeito, outros dados da pesquisa GPP também são curiosos. Fora da margem de erro, a liderança folgada de Wladimir nas intenções de voto claramente advém dos 55,5% que consideram seu governo bom (33,8%) ou ótimo (21,7%). Que é regular para 34,8%, ruim para 3,3%, péssimo para 5,5%, enquanto 0,9% não souberam responder. Entre os que aprovam a administração municipal, o segundo motivo, dado por 17,7% dos eleitores, é a Saúde. Que é também o segundo motivo para reprovar a gestão. Entre os que o fazem, 24,2% também apontam a Saúde como causa.

 

Motivos da aprovação

Aparentemente contraditória, mas talvez complementar, a avaliação da Saúde Pública de Campos foi feita em consulta espontânea. “Reformou hospital”, “reformou posto de saúde”, “agora tem vagas para cirurgias”, “mais médicos”, “ele está vacinando as pessoas”, “tem remédios no posto de saúde”, “está melhorando o atendimento nos hospitais”, “consegue agendar consultas”, “aumentou a ajuda a quem tem problema de coração” estão entre os motivos citados da boca dos 17,7% dos eleitores que elencam a Saúde como motivo para aprovar o governo Wladimir.

 

Motivos da reprovação

“A Saúde está abandonada”, “poderia melhorar a Saúde Pública”, “não muda nada na Saúde”, “falta de investimento na Saúde”, “ele não faz nada pela Saúde”, “não reformou o posto médico do bairro”, “fechou o posto de saúde do bairro”, “as pessoas são maltratadas nos hospitais”, “fiquei passando por necessidade no Ferreira Machado”, “não tem médicos”, “o atendimento no posto de saúde é péssimo”, “faltam remédios no posto de saúde”, “fila para exames” e “faltam vagas para cirurgias” são os motivos citados pela boca dos 24,2% dos eleitores que elencam a Saúde como motivo para desaprovar o governo Wladimir.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Mulher na política e contra violência no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Professora e candidata revelação na eleição a prefeito de 2020, Natália Soares (Psol) é a convidada do Folha no Ar desta terça (28), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará a pesquisa GPP de março com vistas à eleição a prefeito e vereador de Campos em 2024.

Natália também analisará os governos municipal de Wladimir Garotinho (sem partido), estadual de Cláudio Castro (PL) e federal de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Por fim, Natália falará de uma Câmara Municipal composta só de homens, como com as 25 cadeiras de Campos, e dos casos reincidentes de violência contra a mulher na cidade.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Com 74% de indecisos, Pezão é o mais citado a vereador

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Realizada entre 10 e 12 de março, com 600 eleitores do município, a pesquisa do Instituto GPP com vistas às eleições municipais de outubro de 2024 movimentou a semana, após ser divulgada com exclusividade pela Folha da Manhã no último sábado (18). Mas o levantamento não foi restrito à disputa a prefeito, onde o atual, Wladimir Garotinho (sem partido), aparece hoje como favorito numa eventual tentativa de reeleição, daqui a um ano e meio. Já no pleito proporcional, de prognóstico sempre mais complicado, o vereador governista Bruno Pezão (PL) apareceu como o mais citado na consulta espontânea, com 2,2% das intenções de voto.

Abaixo dele, os quatro mais citados na pesquisa também foram vereadores que tentariam buscar a reeleição: Juninho Virgílio (União) e Pastor Marcos Elias (sem partido), com 1% de intenção de voto cada; e Marcione da Farmácia (União) e Maicon Cruz (sem partido), com 0,8% cada. Caio Vianna (PSD) apareceu com 0,7%, em sexto lugar na consulta espontânea à Câmara Municipal, cargo que nunca manifestou a intenção de disputar. Ele ficou empatado com Marquinho Bacellar (SD), presidente do Legislativo goitacá. Na pesquisa a prefeito, Caio ficou em segundo lugar, atrás de Wladimir, enquanto Marquinho ficou em terceiro.

Em oitavo lugar na espontânea, com 0,6% de intenção de voto cada, ficaram empatados o vereador Leon Gomes (PDT) e Robertinho. Depois, empatados com 0,5%, o edil governista Cabo Alonsimar (Podemos) e Rodrigo Thomaz. Atrás deles, empatados com 0,4% cada, ficaram Kelinho Povão, presidente da Associação de Ambulantes, e Madeira Parque Aurora, supervisor do município no bairro que usa como nome político.

Com 0,3% das intenções e voto cada, o resultado da consulta espontânea seguiu com os edis Bruno Vianna e Kassiano Tavares (ambos, do PSD), os ex-vereadores Jorge Magal e Albertinho, além de Juninho Jubiraca e Gilsinho da Pecuária. Com eles, também ficaram empatados em intenções de voto a ex-deputada federal Clarissa Garotinho (União), o presidente da Alerj, deputado Rodrigo Bacellar (PL), e o clã político deste e do irmão Marquinho: “Família Bacellar”. Como Caio, Clarissa e Rodrigo nunca manifestaram intenção de concorrer à Câmara Municipal de Campos.

Se na consulta espontânea da pesquisa GPP a prefeito, apesar da liderança folgada de Wladimir, os 46% de eleitores que não souberam ou quiseram responder evidenciaram uma eleição ainda aberta, a indefinição é muito maior no pleito a vereador. Sem a apresentação dos nomes dos candidatos, 73,9% dos eleitores campistas ainda não têm voto definido ao Legislativo goitacá.

 

Página 3 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

 

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A semana Bolsonaro de Lula antes da China

 

Lula é tocado Bolsonaro no primeiro debate do segundo turno presidencial de 2022, promovido pela Band em 16 de outubro (Foto: Reprodução de TV)

 

 

“Meu voto não é um cheque em branco”. Ressalvei isso ao declarar publicamente, em 28 de outubro de 2022, o meu voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e contra Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno presidencial. Que consumei dois dias depois, na urna eletrônica de uma cidade que confirmaria sua ampla maioria bolsonarista: 63,14% dos votos contra 36,86% do petista, 26,28 pontos atrás. Como a eleição não era a prefeito de Campos, Lula foi eleito presidente do Brasil. Mas por apenas 1,8 ponto de vantagem: 50,9% a 49,1%.

Não estava no Brasil em 8 de janeiro. Mas, do Egito, pude testemunhar a vergonha faraônica que o bolsonarismo fez o Brasil passar mais uma vez aos olhos do mundo. Com a invasão das sedes dos três Poderes em Brasília por muares zebrados de verde e amarelo. Isso, mais a subsequente revelação de que o ex-presidente, antes de fugir do país com o rabo entre as pernas, usou seus últimos dias no poder para tentar consumar sua ação criminosa como traficante internacional de joias, facilitou os primeiros meses do governo Lula.

Nenhuma facilidade circunstancial nubla a tarefa hercúlea do novo governo: reunificar um país politicamente rachado, superar o rombo de mais de R$ 200 bilhões legado pelo “liberalismo” de Paulo Guedes e aprovar qualquer coisa em um Congresso de maioria conservadora. Controlado por um Artur Lira (PP/AL) empoderado pelo Orçamento Secreto do capitão e seus generais de pijama. Se não são dificuldades pequenas, Lula tem contribuído para agigantá-las com o festival de besteiras que anda dizendo. No lugar do ex-sindicalista com ambição a estadista dos seus dois primeiros governos, entre 2003 e 2010, tem lembrado mais o macaco em loja de louças que, do cercadinho do Alvorada, brincou de governar o Brasil de 2019 a 2022.

No seu cercadinho mal travestido de “entrevista” ao site 247 (2 + 4 + 7 = 13), Lula marcou dois gols contra na última terça (21): acusou o Departamento de Justiça dos EUA de estar “mancomunado” com o Ministério Público e a Polícia Federal do Brasil na operação Lava Jato. Não apresentou uma única evidência, como nos delírios bolsonaristas contra a urna eletrônica. E gerou, com sua fake news, embaraço diplomático irresponsável com o governo Joe Biden, fiador da democracia brasileira e seu resultado. Não bastasse, na mesma “entrevista” ao 2 + 4 + 7 = 13, Lula usou verbo de baixo calão para assumir seu maior fetiche nos 580 dias de prisão em Curitiba: “f(…) o Moro”.

 

 

A confissão foi ainda mais desastrosa porque, no dia seguinte (24), o ministro da Justiça Flávio Dino revelou que o hoje senador Sergio Moro (União/PR) e outras autoridades eram alvos de um plano de vingança da maior facção criminosa do país. Que foi descoberto em investigação da Polícia Federal. Ex-juiz federal como Dino, Moro foi alvo por decisões corretas no mesmo ministério da Justiça que lhe foi dado por Bolsonaro. Como paga pela interferência incorreta no pleito presidencial de 2018, com decisões judiciais tão parciais quanto o “jornalismo” 2 + 4 + 7 = 13. Pela infeliz coincidência de datas, a declaração infeliz de Lula foi usada e abusada em ilações pela máquina de fake news ainda ativa do bolsonarismo.

 

 

Lula marcaria outros dois gols contra na quinta (25), no Rio de Janeiro do Maracanã. O primeiro? Ao anúncio da manutenção da taxa de juros em 13,75% pelo Banco Central, disse que o presidente da instituição financeira autônoma, Roberto Campos Neto, “não foi eleito pelo povo”. Se o debate sobre juros é absolutamente válido em termos republicanos, o petista preferiu a mesma falácia antidemocrática do bolsonarismo contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao qual Lula pretende nomear seu advogado pessoal, Cristiano Zanin. Como já declarou que não respeitará a democracia dos pares na lista tríplice do Ministério Público para indicar o próximo procurador-geral da República. Exatamente como Bolsonaro fez com Augusto Aras.

O segundo gol contra de Lula na quinta, quatro em apenas dois dias, porém, foi o pior. Após afastar investimentos estrangeiros com seu novo ataque ao presidente do Banco Central, o da República creditou a uma “armação de Moro” a investigação republicana da Polícia Federal. Que, sob o seu governo, usou a inteligência para impedir o plano de assassinar e sequestrar autoridades e seus familiares, arquitetado pela principal organização criminosa do país.

 

 

Lula tem todo o direito de se ressentir pessoalmente pela conduta comprovadamente parcial do então magistrado da 13ª Vara Federal de Curitiba, por mancomunada com representantes do Ministério Público Federal de Curitiba — não do Departamento de Justiça dos EUA. Que gerou sua condenação, prisão e o impediu de concorrer no voto contra Bolsonaro em 2018. Mas, após jurar não guardar ressentimento na campanha vitoriosa de 2022, Lula não tem o direito de mentir descaradamente por conta desse ressentimento.

O presidente da República não só se reduziu a um revanchista destrambelhado. Colocou sob suspeita a atuação do seu ministro da Justiça, Flávio Dino; do seu diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues; da própria instituição Polícia Federal; e do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD/MG). Ou todos estão mentindo, ou a única armação no caso foi de Lula. Que só serviu para colocar Moro de volta ao palco. E contra o próprio Lula. Com o mesmo desapreço à verdade que tanto era criticado em Bolsonaro.

A maior virtude de Lula, até aqui, foi tirar Bolsonaro do poder. E era o único candidato com voto para isso. Presidente do Brasil pela terceira vez, o maior erro de Lula, até aqui, tem sido reeditar Bolsonaro. Na diarreia verbal, na destilação de ressentimentos mesquinhos e no emprego de fake news. Que o conhecido pragmatismo da China lhe renove os ares. Inclusive para curá-lo da pneumonia. Ou perderá seu fôlego e a paciência de quem, mesmo com críticas ao lulopetismo, definiu em 2022 uma eleição muito, muito dura.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Saúde, pesquisa e pacificação no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O médico, professor e presidente da Fundação Benedito Pereira Nunes, além de ex-vereador e ex-secretário municipal, Geraldo Venâncio é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar nesta sexta (24), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará sobre a Faculdade de Medicina de Campos (FMC), o Hospital Escola Álvaro Alvim e do seu primeiro ano à frente da Fundação.

Geraldo também falará do novo programa municipal SOS Coração e da Saúde Pública de Campos. Por fim, analisará a pesquisa GPP de março sobre avaliação de governo e a eleição a prefeito de Campos em 2024, além da pacificação entre o prefeito Wladimir Garotinho (sem partido) e o presidente da Alerj, deputado Rodrigo Bacellar (PL), selada com a aprovação das contas de 2016 da ex-prefeita Rosinha Garotinho (União) pela Câmara Municipal.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Pesquisa, pacificação e economia no Folha no Ar nesta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Diretor do instituto pesquisa Pro4, empresário do setor de confecções e colunista da Folha da Manhã, Murillo Dieguez é o convidado desta quinta (23) no Folha no Ar, ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará a pesquisa GPP de março sobre a avaliação do governo de Campos e a disputa à eleição a prefeito em 2024, bem como sua repercussão entre os prefeitáveis.

Murillo também falará da pacificação entre o presidente da Alerj, deputado Rodrigo Bacellar (PL), e o prefeito Wladimir Garotinho (sem partido), que garantiu a aprovação das contas de 2016 da ex-prefeita Rosinha Garotinho (União) na Câmara Municipal; além dos governos estadual Cláudio Castro (PL) e federal Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Por fim, ele também analisará a herança, o presente e as perspectivas da economia no Brasil para o empresariado. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Prefeitáveis de 2023 analisam pesquisa a prefeito para 2024

 

Wladimir Garotinho, Marquinho Bacellar, Thiago Rangel, Jefferson Manhães de Azevedo, CVC da Direita, Professora Natália e Sérgio Mendes analisaram pesquisa GPP de março de 2023 a prefeito de Campos em 2024. Só Caio Vianna não comentou (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Pesquisa a prefeito de Campos

Publicada pela Folha no último sábado (18), a pesquisa do Instituto GPP sobre a eleição a prefeito de Campos em 2024 foi copiada por diversos veículos da região. Feita entre os dias 10 e 12 de março, com 600 eleitores, ela registrou na consulta estimulada uma grande vantagem do prefeito Wladimir Garotinho (sem partido) na eventual tentativa de reeleição, talvez ainda no primeiro turno, com 50,4% das intenções de voto (ou 61,4% dos votos válidos). Mas, na consulta espontânea, revelou uma eleição ainda aberta: 46% dos campistas hoje não sabem em quem votarão a prefeito daqui a um ano e meio.

 

Wladimir Garotinho

Fruto do maior conhecimento de Wladimir pelos campistas — 81,1% afirmam conhecê-lo “muito bem” — do que têm os potenciais adversários, a liderança na corrida a 2024 é fruto também da boa avaliação do seu governo: 55,5% o consideram ótimo (21,7%) ou bom (33,8%). “Os números refletem a administração, com a reabertura do Restaurante Popular, o asfaltamento de ruas, a volta dos Bairros Legais, a melhora substantiva na Saúde, com a reforma do HGG e a reabertura de postos. Pesquisas refletem o momento. E o nosso, há dois anos e três meses, é o mesmo: bora trabalhar”, disse o prefeito.

 

Marquinho Bacellar

Segundo colocado, Caio Vianna (PSD) não quis comentar a pesquisa. Mas foi só ele. “Eleição se discute em ano par, não ímpar. O nosso foco é no trabalho na Câmara de Campos. O eleitor não quer saber agora de eleição. E os números mostram isso: a liderança da pesquisa espontânea é dos indecisos. O povo de Campos quer que a gente trabalhe por um transporte melhor, saúde melhor, mais oportunidades”, pregou Marquinho Bacellar (SD), presidente do Legislativo goitacá. Ele ficou em terceiro lugar na estimulada a prefeito: 5,8% das intenções de votos, ou 7,1% dos válidos.

 

Thiago Rangel

Quarto colocado na estimulada GPP a prefeito — com 2,9% das intenções de voto, ou 3,5% dos válidos —, o deputado estadual Thiago Rangel (Podemos) questionou a pesquisa. E deu seus próprios números: “Cerca de 1/3 da população de Campos rejeita a família Garotinho, enquanto outros 15% são voláteis. Se acreditasse na pesquisa GPP, eu não teria me elegido à Alerj. Em 2020, 118 mil campistas votaram em mim, Rodrigo (Bacellar, PL), Carla (Machado, PT) e candidatos a deputado estadual fora do grupo do prefeito. Haverá segundo turno em 2024, diferente do que Wladimir quer fazer parecer”.

 

Jefferson Manhães de Azevedo

A GPP não deu o nome, mas sua estimulada a prefeito deu ao “Candidato do PT” o quinto lugar, com 2,6% de intenções de voto, ou 3,2% dos válidos. Considerado nome com potencial para furar essa bolha em Campos, o reitor do IFF, professor Jefferson Manhães de Azevedo (PT), analisou a pesquisa: “É uma fotografia. Usando a frase do (ex-vice-presidente) Marco Maciel, que o Ponto Final (de sábado) citou, até a eleição: ‘tudo pode acontecer, inclusive nada’. Mas, à medida que as conquistas do governo Lula (PT) forem aparecendo, isso certamente ajudará seu candidato a prefeito em Campos”.

 

CVC da Direita

No espectro ideológico oposto, o suplente de vereador Carlos Victor Carvalho (Republicanos), ou “CVC da Direita Campos”, ficou em sexto lugar na estimulada GPP a prefeito. Com 2,3% das intenções de votos, ou 2,8% dos válidos, ele analisou: “A pesquisa apresentou um cenário bastante positivo ao prefeito, mas não consigo ver nas ruas essa aceitação ao ponto da vitória no primeiro turno. Esse cenário pode mudar sensivelmente, se considerada a força da direita na cidade. O ‘CVC da Direita’ não é conhecido por 84% da população, um terreno eleitoral gigantesco a ser explorado”.

 

Professora Natália

Oposta à força bolsonarista na cidade e candidata revelação da eleição a prefeito de 2020, onde ficou em quinto lugar e quase ultrapassou o então prefeito Rafael Diniz (Cidadania), a Professora Natália (Psol) apareceu na espontânea GPP com 0,2% das intenções de voto. “Apesar da avaliação boa e ótima do governo, o cenário ainda está aberto para 2024. Os partidos de esquerda ainda não definiram sua tática eleitoral. E a oposição de direita também aparece fragmentada. O combate à fome, com a extrema pobreza saltando a 76 mil campistas, é o maior desafio da cidade”, priorizou Natália.

 

Sérgio Mendes

Prefeito de Campos entre 1993 e 1996, no auge do garotismo, o jornalista Sérgio Mendes (Cidadania) não teve seu nome citado nas consultas GPP estimulada e espontânea. Mas se mantém prefeitável e analisou a pesquisa: “Wladimir Garotinho iniciou seu governo com R$ 2,7 bilhões de arrecadação, pela alta do petróleo, e com o governador Cláudio Castro (PL) investindo maciçamente em Campos. É o que deu esses índices de popularidade ao prefeito. Mas a euforia do já ganhou é deveras precipitada. Faltam 18 meses para a eleição. Até lá, pode surgir o DNA que o prefeito leva consigo”.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Prefeito 2024 e reitor da Uenf 2023 no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Sociólogo e professor da Uenf, Roberto Dutra é o convidado do Folha no Ar desta quarta (22), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará da pacificação entre o prefeito Wladimir Garotinho (sem partido) e o deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL), que rendeu na quarta passada (15) a aprovação das contas de 2016 da ex-prefeita Rosinha Garotinho (União) na Câmara Municipal.

Roberto também analisará a pesquisa GPP de março sobre Campos, projetando as urnas de 2024 a prefeito da cidade, além das de 2023, na eleição a reitor da Uenf. Por fim, falará da ascensão de Rodrigo à presidência da Alerj, e dos governos estadual Cláudio Castro (PL) e federal Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Paz entre Bacellar e Garotinhos no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Vereador de Campos, aliado político do deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL) e primo do prefeito Wladimir Garotinho (sem partido), Helinho Nahim (Agir) é o convidado desta terça (21) do Folha no Ar, ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará sobre a reunião da qual participou no Rio de Janeiro na terça passada (14), que na sessão de quarta (15) da Câmara Municipal concretizou a pacificação entre Garotinhos e Bacellar, com o seu voto e a aprovação das contas de 2016 da ex-prefeita Rosinha (União).

Helinho analisará também a pesquisa do Instituto GPP de março sobre Campos, com vistas ao pleito municipal de 2024, e o governo de Wladimir. Por fim, analisará também as gestões do governador Cláudio Castro (PL) no RJ e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no país.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Com 55% de aprovação de governo, Wladimir lidera a 2024

 

Wladimir, Caio, Marquinho, Thiago, o PT e CVC pela pesquisa do Instituto GPP (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O governo Wladimir Garotinho (sem partido) é aprovado pela maioria da população campista. E, se o pleito municipal de 2024 fosse hoje, o prefeito de Campos seria reeleito, talvez ainda no primeiro turno. Seu possível adversário mais competitivo, a pouco mais de 18 meses das urnas, é o mesmo que disputou com ele o segundo turno em 2020: Caio Vianna (PSD). Este foi o cenário goitacá retratado pela pesquisa do Instituto GPP entre 10 e 12 de março, com 600 eleitores do município e margem de erro de 4 pontos para mais ou menos. O contratante foi o próprio instituto.

AVALIAÇÃO DE GOVERNO E INTENÇÃO DE VOTO ESTIMULADA — Hoje, Wladimir tem sua gestão considerada ótima (21,7%) ou boa (33,8%) por 55,5% dos campistas, enquanto 34,8% a consideram regular e outros 8,8%, ruim (3,3%) ou péssima (5,5%), com 0,9% que não souberam ou não responderam. Quanto às intenções de voto para 2024, na pesquisa estimulada, com a apresentação dos nomes ou referências dos possíveis candidatos, o prefeito liderou com 50,4% (61,4% dos votos válidos). E veio seguido por Caio, com 18,1% (22% dos válidos); o presidente da Câmara Municipal, Marquinho Bacellar (SD), com 5,8% (7,1% dos válidos); o deputado estadual Thiago Rangel (Podemos), com 2,9% (3,5% dos válidos); o “Candidato do PT”, com 2,6% (3,2% dos válidos); e o suplente de vereador Carlos Victor Carvalho (Republicanos), ou “CVC da Direita Campos”, com 2,3% (2,8% dos válidos). Os que declararam votar nulo ou em nenhum desses nomes, foram 9,7%. Outros 8,2% não souberam ou quiseram responder.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

PESQUISA ESPONTÂNEA — No ano eleitoral, sobretudo após as convenções e definições de chapa, conta mais a consulta estimulada. A pouco mais de 1 ano e seis meses para a eleição, no entanto, ainda pesa muito a pesquisa espontânea, na qual o eleitor revela sua intenção de voto sem apresentação de nomes. E, nela, o prefeito hoje lidera com 38,6%; seguido de longe por Caio, com 2,7%; pela ex-prefeita Rosinha Garotinho (União), com 1%; o ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT), com 0,9%; a ex-prefeita de São João da Barra deputada estadual, Carla Machado (PT), com 0,6%; e o presidente da Câmara Municipal, Marquinho Bacellar (SD), e o ex-prefeito Rafael Diniz (Cidadania), com os mesmos 0,4% cada.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

ELEIÇÃO ABERTA — Após quase ter ultrapassado Rafael na eleição a prefeito de 2020, sendo a revelação daquela disputa, a Professora Natália (Psol) registrou 0,2% de intenções de voto na consulta espontânea de março de 2023. Os que declararam votar nulo ou em nenhum nome foram 7,7%. Enquanto outros 46%, quase metade do eleitorado, ainda não souberam ou não quiseram responder. O que ressalta o óbvio: a pouco mais de um ano e seis meses da urna, a eleição de outubro de 2024 ainda está completamente aberta.

GOVERNOS WLADIMIR X ARNALDO — A liderança de Wladimir com mais de 32 pontos de vantagem sobre Caio na consulta estimulada (50,4% das intenções de voto contra 18,1%) se dá pela boa avaliação do atual governo de Campos. Entre os 50,4% dos campistas que votariam na reeleição do prefeito, a maior parte, ou 27,6% deles, o faria respondendo “boa administração, bom gestor, melhor que os anteriores”. Já entre os 18,1% das intenções de voto de Caio, a maior parte, ou 29,1%, não soube ou não respondeu. Já outros 28,4% votariam por gostar do seu pai, Arnaldo Vianna, e dos dois governos deste em Campos, entre 1997 e 2004.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

CONHECIMENTO — Além da boa avaliação do seu governo, a liderança de Wladimir com quase 36 pontos de vantagem sobre Caio na consulta espontânea se dá porque o prefeito é também o mais conhecido entre os possíveis candidatos a prefeito em 2024. Na pesquisa GPP deste mês de março, 81,1% da população afirma “conhecer muito bem” Wladimir, enquanto 18,6% conhecem só “de ouvir falar” e apenas 0,3% afirma ainda “não conhecer”. Entre os demais nomes do levantamento, 55,1% do eleitorado “conhece muito bem” Caio; 35,9%, Marquinho Bacellar; 25,7%, Thiago Rangel; e, apenas 9%, CVC da Direita Campos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

IMAGENS POSITIVA E NEGATIVA — O maior desconhecimento do eleitor sobre os possíveis adversários eleitorais do atual prefeito, em tese, revela também um terreno mais amplo a ser explorado. Como foi, por exemplo, pela campanha do até então desconhecido governador Cláudio Castro (PL) em 2022. Só que, além de ter a máquina na mão, como Castro teve no ano passado, Wladimir lidera também na questão da imagem, que é positiva para 69,7% dos campistas. A de Caio é positiva a 48,2%; de Marquinho, a 33%; de Thiago, a 26,3%; e de CVC, a 5,9%. Em medição análoga à rejeição, Caio lidera a imagem negativa, com 24,3%. E é seguido de Wladimir, com 18,4%; de Marquinho, com 17,7%; de Thiago, com 11,3%; e de CVC, com apenas 7%. Entre estes três últimos, as imagens negativa e positiva são relacionadas ao conhecimento do eleitor sobre cada um.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

HOMOGENEIDADE — Daqui até outubro de 2024, a maior dificuldade que os eventuais adversários de uma tentativa de reeleição de Wladimir devem enfrentar é a homogeneidade da boa avaliação do governo de Campos e das intenções de voto do atual mandatário:

— De acordo com o cadastro eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), distribuição que foi reproduzida pela GPP, o que atesta a qualidade do seu levantamento, 49,1% do eleitorado campista tem 45 anos ou mais de idade e 53,8% são mulheres. Mas a pesquisa revela uma distribuição relativamente homogênea da intenção de voto em Wladimir, que aparece sempre com a preferência entre 40% e 60% do eleitorado em suas diferentes faixas. Mesmo a 1 ano e 6 meses da urna, a boa avaliação até aqui do governo, a forte percepção de bom gestor e o controle da máquina fazem do filho mais velho de Rosinha e Anthony Garotinho, dois ex-prefeitos e ex-governadores, o pré-candidato mais competitivo neste momento para a eleição de outubro de 2024 — analisou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE.

 

Publicado hoje da Folha da Manhã.

 

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