Nas duas últimas semanas, caiu em quase metade a vantagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o presidente Jair Bolsonaro (PL), na corrida às urnas de 2 de outubro, daqui a exatos 55 dias. Feita dos dias 5 (sexta) a 7 (domingo) e divulgada hoje (8, segunda), a nova pesquisa BTG/FSB deu ao petista 41% das intenções de voto na consulta estimulada, contra 34% do capitão. A diferença de 7 pontos entre os dois líderes era de 13 pontos (44% a 31%) na pesquisa anterior do mesmo instituto, feita de 22 a 24 de julho, e divulgada no dia 25, há exatos 14 dias. Lula continua vencendo na projeção de segundo turno de 30 de outubro, no qual bateria Bolsonaro por 51% a 39%. A diferença atual de 12 pontos entre os dois líderes era de 18 pontos (54% a 36%) na BTG/FSB do final de julho. Índice fundamental à definição do segundo turno, o capitão também diminuiu na rejeição, de 58% aos atuais 53%, enquanto o petista cresceu de 47% a 49%. A margem de erro é de 2 pontos para mais ou menos.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Na consulta estimulada ao primeiro turno, depois de Lula e Bolsonaro, vieram o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), com 7%; a senadora Simone Tebet (MDB), com 3%; o deputado federal André Janones (Avante), com 2% e que no dia 4 (quinta) retirou sua candidatura a presidente para apoiar Lula; e do ex-deputado federal José Maria Eymael (DC) e do influenciador digital Pablo Marçal (Pros), com 1% cada. No bloco de cima da disputa, a melhora do presidente e correspondente queda do ex-presidente em todos os índices são atribuídos à percepção do eleitor de melhora na economia:
— Hoje, menos de metade do eleitorado (44%) acredita que os preços continuarão subindo nos próximos três meses (no final de maior, eram 70%). E em duas semanas subiu de 54% a 63% a fatia do eleitorado que percebeu a redução no preço dos combustíveis. Para 74% dos eleitores, a economia é muito importante para a definição do voto a presidente — analisou o relatório da pesquisa BTG/FSB de hoje.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Na classe média, onde a redução temporária do preço da gasolina é mais sentida, entre as BTG/FSB de 25 de julho e de hoje, Lula caiu de 39% aos atuais 30% de intenções de voto no com renda familiar mensal de 2 a 5 salários mínimos, faixa em que Bolsonaro cresceu de 36% a 42%. São movimentos inversos e fora da margem de erro. Já com o eleitor pobre, que raramente tem carro, houve aparente estabilidade. O petista passou dos 61% aos atuais 60% das intenções de voto com renda familiar mensal até um salário mínimo, faixa em que o capitão tinha 19% e passou a 20%. Na faixa acima de renda, Lula passou de 52% a 50% nas intenções de voto das famílias que ganham mensalmente de 1 a 2 salários mínimos, com o qual Bolsonaro teve queda fora da margem de erro, de 26% a 22%.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Entre esse eleitor mais pobre, com o qual Lula tem sua maior vantagem, o reflexo do aumento do Auxílio Brasil por Bolsonaro que começa a ser pago nesta terça (9), mas só até 31 de dezembro, é bastante esperado nas próximas pesquisas presidenciais. Que, na série da BTG/FSB, desde março deste ano, registrou hoje a menor diferença de intenções de voto e de rejeição entre o petista e o capitão.
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE
— A exatos 55 dias para 2 de outubro, a pesquisa do Instituto FSB, encomendada pelo Banco BTG Pactual, a exemplo das demais pesquisas realizadas por telefone, confirma projeção de segundo turno, com redução da diferença entre Lula e Bolsonaro, fora da margem de erro. Na pesquisa estimulada a diferença é de 7 pontos: Lula caiu de 44% para 41%, em relação à pesquisa divulgada duas semanas atrás, enquanto Bolsonaro subiu de 31% para 34%. 82% dos eleitores do atual presidente afirmaram que a decisão do voto já está tomada, sem chance de alteração, o mesmo percentual dos eleitores de Lula (81%) dentro da margem de erro. As intenções de voto para o segundo turno também tiveram alteração fora da margem de erro: Lula caiu de 54%, na pesquisa de 25 de julho, para 51%, no levantamento divulgado hoje, enquanto Bolsonaro subiu de 36% para 39%. Na rejeição aos candidatos, Bolsonaro reduziu a sua em 5 pontos, passando de 58%, duas semanas atrás, para 53%. Já Lula aumentou em 3 pontos a rejeição, também acima da margem de erro, de 42% para 45% — analisou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.
Morreu hoje, por volta das 11h30 da manhã, de causas naturais, Audrey Coutinho. Matriarca da família Coutinho, proprietária da usina Paraíso, onde estava, ela tinha 86 anos. Deixa os filhos Tina, Gel, Maurício, Marcelo e (in memoriam) André, 12 netos e 2 bisnetos. Seu corpo será velado a partir da noite de hoje e sepultado às 11h da manhã desta terça (8) no Campo da Paz. De onde deverá ser transferido, após o prazo de 5 anos, para o jazigo particular da família na usina, como o seu marido Geraldo Coutinho, falecido em 2007.
Homônima de uma das divas de Hollywood, Audrey era estadunidense de origem irlandesa, da cidade de New Orleans, capital do estado da Luisiana, colônia francesa de origem anexada pelos EUA. Ela conheceu o pernambucano Geraldo quando ambos cursavam, no final dos anos 1950, a Universidade Estadual da Luisiana (Louisiana State University, LSU). Casaram-se ainda nos EUA e ratificaram o matrimônio no Brasil, quando vieram em 1958. Primeiro para Pernambuco e depois para Alagoas, onde Geraldo ajudava a administrar a usina da sua família. Viriam para Campos em 1967, após a compra da usina Paraíso, na Baixada Campista, de onde não sairiam mais.
Formada em História na LSU, Audrey não chegou a lecionar, a não ser aulas informais de inglês para amigas. Através dos anos, se tornou uma figura conhecida e querida da sociedade goitacá. Sempre muito gentil e simpática, anfitriã acolhedora, de riso fácil, sabia ser também assertiva quando julgava necessário. Adorava estar com as pessoas e conversar com elas. No eixo Brasil/EUA, foi uma referência do século 20 na terra do escritor José Cândido de Carvalho, entre seus coronéis e lobisomens, que sobreviveu ao 21 de memória quase sempre curta e superficial do tempo das redes sociais. Mais portuguesa do que muitos brasileiros de nascimento, era também torcedora fanática do Vasco da Gama.
Gostava muito de Audrey. Foi uma das mulheres mais elegantes que conheci. Sem nunca perder essa característica, sempre soube se impor, mesmo em tempo felizmente passado quando isso era menos comum entre as mulheres. À família numerosa que criou e aos muitos amigos que cativou durante a vida, os mais sinceros sentimentos.
Por Aluysio Abreu Barbosa, Cláudio Nogueira e Matheus Berriel
Embora a eleição de outubro, daqui a exatos a 57 dias, não seja municipal, as consequências das suas alianças ameaçam redesenhar a relação acirrada entre oposição e governo em Campos. Como foi encarado o giro de 180º do ex-governador Anthony Garotinho (União) no último domingo (31), quando declarou seu apoio à reeleição do governador Cláudio Castro (PL), a quem vinha dirigindo “críticas bastante ferozes”. A definição é do cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos. No Folha no Ar do início da manhã de ontem (5), ele e o também cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf, foram entrevistados. E fizeram ressalvas à pacificação da política goitacá, entre Garotinhos e Bacellar, a partir do realinhamento estadual. Mas analisaram essa correlação, assim como a eleição a governador e senador do RJ, além das candidaturas a deputado federal e estadual da região. Na eleição presidencial, com intenções de votos polarizadas e cristalizadas entre o ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL), George lembrou episódios de pleitos anteriores para manter a disputa aberta ao imponderável. Já Hamilton cravou: “Você também nunca teve uma eleição onde o presidente da República ameaça dar um golpe. Isso é ponderável”.
George Gomes Coutinho e Hamilton Garcia diante do apresentador do Folha no Ar, Cláudio Nogueira (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)
George – Garotinho adere à campanha do governador Cláudio Castro, com um histórico de críticas bastante ferozes. E nós, que conhecemos bastante o repertório do Garotinho, sabemos o quão ferozes podem ser. Nesse momento em que ele adere, se isso vai arrefecer a disputa local? Talvez não. Embora, neste momento, na disputa eleitoral do estado do Rio de Janeiro, você possa ter uma convergência dos Bacellar e do Garotinho em torno do Cláudio Castro, não quer dizer que necessariamente os ânimos vão se acalmar em âmbito local. Por que esta minha perspectiva? Você nota que há uma proximidade, em diferentes pesquisas, do primeiro lugar, que é o Cláudio Castro, e o segundo lugar, que é o Marcelo Freixo. O Freixo, neste momento, ele ameaça e parece que chega ao segundo turno. Então, o que o Cláudio Castro, o homem da máquina, está fazendo? Ele tem tentado ampliar as suas possibilidades de aliança no estado. Neste sentido, ele pode trazer, inclusive, para o campo de aliança dele inimigos mortais locais. Tem que se olhar a perspectiva do Cláudio Castro, não a disputa local. Na perspectiva do Cláudio Castro, é coerente ele ter como apoio Garotinho e Bacellar, porque, neste momento, ele está vivendo uma disputa muito acirrada. Agora, isso vai traduzir a um reset da disputa local? Não consigo vislumbrar essa possibilidade. Acompanhando as discussões dos grupos em disputa no âmbito local, fico bastante constrangido com os termos que têm sido utilizados: um nível de debate padrão 12 anos de idade. Não estou me referindo a ninguém específico, mas às vezes tenho a impressão de que vai chegar a dizer: “Você é cara de melão”. O nível é muito baixo. A questão da disputa para o Governo do Estado pode, de repente, se traduzir numa paz eleitoral momentânea. Mas não mais do que isso.
Hamilton – Creio que cada grupo está fazendo o seu cálculo de modo a utilizar a disputa local e se inserindo na disputa regional. Isso, aliás, está acontecendo também na esfera da candidatura presidencial, com a disputa entre o PT e o PSB no Rio de Janeiro. Cada um faz o seu cálculo do que é melhor para ele na disputa maior para alavancar o seu público, seu eleitorado, e se cacifar nas eleições, quer no Senado ou nas disputas locais. Mesmo no caso de Campos, que é um município empoderado por rendas petrolíferas, que no passado até desdenhava dessas conexões. Mas o fato é que a crise veio e Campos teve que restaurar essas conexões entre o local, o estadual e o federal. Agora, acho que isso se dá num contexto da democratização que o país está vivendo desde 1984, que é a do aumento do protagonismo do Legislativo. Mas os municípios também não estão refletindo esse avanço do Legislativo sobre o orçamento público. Não é só a discussão do quanto de liberdade tem o prefeito. É o avanço mesmo de verbas, de emendas impositivas que começam a aparecer nos legislativos estaduais e locais. Alguns prefeitos da região, inclusive, se referem às câmaras dos vereadores como câmaras de extorsão. Não é uma coalisão legislativa programática que resolve engessar o orçamento e dar uma liberdade exígua ao prefeito. O protagonismo do Legislativo tem se dado mais ou menos em torno da questão de distribuir dinheiro. Isso é uma coisa meio ao acaso, não tem planejamento. Isso representa muito mais a capacidade desses agentes legislativos de fidelizarem o voto popular, o que é uma corrupção da democracia. Porque, na democracia, o que se espera é que o eleitor seja o árbitro das disputas, dizendo quem tem maioria e quem não vai ter maioria. Mas o que acontece é que os agentes políticos se empoderam de recursos para corromper o voto popular, e aí neutralizam o poder da população de arbitrar. Não é uma exclusividade do Legislativo, não é uma novidade. Essa é uma política que o Executivo já fazia, mas agora o Legislativo faz de maneira mais ativa. O orçamento está sendo disputado para sufocar, e não tem uma conexão com a sociedade. É uma degradação generalizada, embora em cada município isso vai aparecer de uma forma. Aqui, a disputa é entre duas oligarquias muito fortes, que conseguem fidelizar o voto popular e vão estar aí nas eleições. Parece que a disputa aqui vai se dar no interior de um mesmo bloco que está se organizando para a disputa regional, porque são duas oligarquias que não vão ser apaziguar. Eles estão disputando o voto à próxima eleição municipal. O problema é o que está por trás disso: no nosso caso, nada. A não ser interesses particularistas de grupos às vezes inconfessos e até inconfessáveis.
George – Como ainda é fato recente, e eu acho também que a gente pode falar isso sem ferir suscetibilidades: é uma aproximação tanto envergonhada. Eu acho que, num primeiro momento, o que nós vimos foram trocas de farpas entre os Bacellar, o grupo que está gravitando em torno dos Bacellar, e os Garotinho. Mas, não sei se nós vamos ter uma prorrogação dessa discussão em termos de beligerância nos próximos tempos. Mais uma vez, a gente tem que olhar um pouco pela perspectiva do Cláudio Castro. É um cara que é situação no Governo do Estado neste momento, tem máquina, o Ceperj que o diga. E, nesse momento, numa disputa quente para o Governo do Estado, o que o Cláudio Castro fez ao se aproximar de grupos que estão em disputa no âmbito local, acho que se trata de garantir os dois palanques, garantir a possibilidade de dialogar com os eleitores, sejam dos Bacellar ou sejam dos Garotinho. O fogo agora são as eleições. E o próprio Garotinho tem que cuidar da campanha dele para deputado federal também. Então, talvez continue esse clima de Guerra Fria, beirando a quente. Mas creio que, agora, há um trabalho de concentração dos agentes que estão na disputa eleitoral. As próximas semanas serão decisivas para definir resultados, saber se determinadas campanhas serão bem-sucedidas; pode poder disputar espaço, inclusive, dentro do partido. Acho que tende a arrefecer um pouco o tom da disputa local, que, sem dúvida alguma, não é das mais civilizadas.
Folha – E a eleição de deputado federal e estadual na região, e a senador no RJ?
Hamilton – Existe uma certa perspectiva de partido regional, de você tentar maximizar uma representação dentro desse sistema que a gente tem do voto proporcional com lista aberta, que o eleitor escolhe quem botar. Todo mundo vem aqui para conseguir voto. O partido regional tem que se organizar para limitar um pouco o número de concorrentes em cada uma dessas esferas para maximizar as chances de uma representação regional. Isso parece que não é possível, em função das disputas. O que eu perguntaria a quem conhece mais essa realidade do é o risco de, com nomes fortes, você acabar fragmentando o voto e beneficiar quem vem pescar de fora e que tem outras fontes de voto para além da região. Eu acho também que em Campos, acontece também aqui, para a questão do voto regional, o fato de que a disputa local está muito degradada. Campos, de fato, está perdendo a oportunidade de ser um polo de liderança política do Norte Fluminense. Eu vejo, neste momento, um protagonismo maior de Macaé, que tem conseguido projetar mais em termos de política, em termos de debate de aperfeiçoamento institucional. Então, as dificuldades econômicas e políticas de Campos, e a pulverização de candidatos competitivos, podem ter um efeito negativo para a representação local. Em relação ao voto a senador, e essa observação talvez sirva em alguma medida para deputado, é a presença dos currais eleitorais no Rio de Janeiro. Isso deforma muito qualquer previsibilidade. O voto do senador é um voto majoritário, é um pouco impreciso. Tem umas incertezas, sobretudo na disputa para o Senado, tanto em termos programáticos, porque vão pesar de fato os programas de cada senador, como também o curral eleitoral: em que medida essa distorção do curral eleitoral, seja por traficante, seja por miliciano, impactam no voto para senador e também para deputado. Na minha lógica, talvez a questão que seja decisiva é o quanto de curral eleitoral Ceciliano (PT) vai conseguir fechar para concorrer com Romário (PL). Esse pode acabar sendo o fator decisivo na disputa entre eles, e aí eu acho que o Molon (PSB) fica um pouco em desvantagem, porque o Molon só vai entrar nas áreas libertas.
George – Quando a gente está falando sobre curral, é sobre capital eleitoral, ou seja, como você vai construir capital eleitoral numa perspectiva de ter domínio geográfico do território. Acho que a discussão sobre o Senado, pelo menos neste momento, está muito matizado pela questão da disputa nacional. Você vê isso nitidamente na atual polêmica entre a centro-esquerda, entre o André Ceciliano e o Alessandro Molon. A discussão é menos pragmática, talvez, e mais de quem talvez representaria melhor, no campo da centro-esquerda ou em certos grupos de uma direita democrática; quem seria o melhor nome anti-Bolsonaro. Porque o Romário aderiu com os dois pés ao bolsonarismo. Então, a disputa ao Senado está muito saturada na disputa nacional, além dessa questão da manutenção ou não de capital eleitoral pelos currais. Para discussão sobre o voto proporcional, seja para a Alerj ou seja para a Câmara dos Deputados, a região tem vários nomes relevantes a nível regional. Há alguns nomes que são nomes relevantes na política atual nesta conjuntura, vide inclusive (Rodrigo) Bacellar, Garotinho também. Mas, como eu avalio essa disputa? Eu acho que não é uma disputa do voto proporcional como foram as anteriores, o que dificulta as campanhas menores. Acho que há um entendimento na formulação das nominatas para poder concorrer tanto à Câmara quando às assembleias legislativas estaduais. Está se apostando muito em nomes puxadores de voto, tanto no campo da direita quanto no campo da esquerda. Isso faz com que nomes que não têm tanta projeção estadual ou nacional, digo os postulantes que estão saindo aqui na região: eles estão lidando com uma disputa desigual que lhes é desvantajosa. Esses outros nomes muito populares são puxadores de voto, eles vão capitalizar a atenção do eleitor; e as pequenas candidaturas vão, no máximo, acrescentar, levar votos para seus partidos, mas não vão conseguir muito além disso. Não me parece que nomes pouco conhecidos nesse momento das eleições das redes sociais vão ser bem-sucedidos na concorrência eleitoral. Eu acho que a situação das pequenas candidaturas regionais é muito dramática se se pretende que sejam eleitas. Não estou discutindo a qualidade dos nomes, mas o quanto eles podem bem-sucedidos nessa disputa.
Folha – E a eleição a presidente, polarizada em todas as pesquisas entre Lula e Bolsonaro, e talvez a com a intenção de voto mais cristalizada desde 1989?
George – Se fizer a linha histórica das pesquisas para a presidência, há mais ou menos uma regularidade. E há, no geral, uma perspectiva de que parece que tudo mais constante, algo mais ou menos consolidado. A grande questão é que sempre tem o imponderável. Nós já tivemos, nas últimas campanhas a presidente, tentativa de assassinato (com Bolsonaro em 2018); tivemos acidente de avião (com Eduardo Campos, em 2014). Os imponderáveis podem modificar cenários que estão consolidados. O que explica essa estabilidade, inclusive quando você faz pesquisa espontânea, são dois personagens absolutamente populares. Lula e Bolsonaro são políticos extremamente populares, tão conhecidos quanto nota de R$ 2. Todo mundo sabe quem são ambos. Inclusive, é o que ajuda a explicar o grau de rejeição também elevado de ambos. Às vezes acho engraçado quando fulano de tal fala: “Fulano de tal tem baixíssima rejeição”. Mas é claro, ninguém conhece. Nós temos uma cultura política bastante antipolítica. A perspectiva popular sobre a política no Brasil é muito negativa. Então, esses nomes também têm esse grau de rejeição por conta justamente de uma rejeição importante da opinião pública brasileira. Nesse momento, ainda, tudo bem que tem a expansão do Auxílio Brasil, que os mais críticos chamam de auxílio eleição. Quanto o Auxílio Brasil vai acelerar a diminuição da rejeição ao Bolsonaro é uma discussão. Neste momento, ainda há uma expectativa do eleitor, sobretudo do eleitor que vive neste momento uma situação mais periclitante, do quanto esse Auxílio Brasil pode mudar para melhor a vida dele. A questão é que esse Auxílio Brasil vai entrar, está entrando agora em (9 de) agosto. Esse auxílio vai atender à expectativa do eleitor de modo a reverter a tendência de rejeição de Bolsonaro? Não necessariamente o auxílio vai se traduzir numa reversão do segundo colocado da pesquisa para primeiro lugar. Mas ainda há os imponderáveis. Há um dado da última pesquisa Genial/Quaest: uma parte importante do eleitorado hoje, quase 1/3, se informa sobre política por rede social e WhatsApp. Ou seja, a modulação da intenção de voto e a percepção de mundo desse eleitor vai se dar das formas mais tresloucadas possíveis.
Hamilton – É uma eleição que expressa a polarização social. Minhas análises anteriores eram de que havia um espaço, sobretudo na centro-direita, na fragilidade da candidatura Bolsonaro. Mas, essa possibilidade se fechou, porque a única figura que poderia ser o antídoto ao Bolsonaro seria o Sérgio Moro (União), por ser uma figura que emergiu na esfera pública não pela política, mas pelo sistema de Justiça. Esse seria o remédio à antipolítica do Bolsonaro. Me parecia que o estelionato eleitoral praticado pelo Bolsonaro o colocaria numa situação difícil na eleição, mas isso dependeria de ter uma alternativa a ele, que seria o Sérgio Moro. O fato é que o espaço está muito difícil de ser mudado. O Ciro sempre me pareceu, embora seja um candidato que tenha feito críticas muito coerentes e contundentes ao lulopetismo, me parece que ele perdeu o tempo. Ele começou a fazer essa crítica muito tarde. Por isso, sempre considerei que, pelo lado do Ciro, seria muito difícil abrir brecha. Para não falar na solidez partidária. O PT, apesar da sua degeneração, é o único partido moderno e organizado que a gente tem na sociedade brasileira. Então, me parecia sempre que a despolarização da sociedade em torno desses dois mitos dependeria da oferta de alternativas. No caso do Ciro, do meu ponto de vista, o tempo foi perdido quando ele defendeu Dilma e defendeu Lula (em 2016) na esperança de ser o candidato desse campo. Quando o Lula, na prisão, lançou o Haddad, caiu a ficha, mas acho que caiu tarde para a imagem que ficou dele, diante da opinião pública de esquerda. Então, este é o quadro que nós temos, que me parece irreversível. Existe o imponderável, mas também existe o ponderável. A Nova República (de 1985 até o presente) nunca teve uma eleição com um presidente da República e um ex-presidente. Você também nunca teve uma eleição onde o presidente da República ameaça dar um golpe. Isso é ponderável. Isso está colocado como uma variável dessa disputa. Inclusive, eu diria que esse é o plano A do Bolsonaro. Olhando a campanha do Bolsonaro, a impressão que dá para quem está de fora, como analista, é de que quem se empenha pela candidatura do Bolsonaro é o Centrão; o filho dele Flávio Bolsonaro, os empresários bolsonaristas, os evangélicos. A sociedade civil bolsonarista se empenha, mas o plano A do Bolsonaro e do núcleo duro do bolsonarismo é dar um golpe.
Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã
Confira em vídeo, nos dois blocos abaixo, a íntegra da entrevista dos cientistas políticos George Gomes Coutinho e Hamilton Garcia ao Folha no Ar de sexta:
Na segunda: vice-prefeito Frederico Paes, candidato a vice-governador na chapa de Castro, Washington Reis; o governador Cláudio Castro, o prefeito Wladimir Garotinho e o deputado estadual Bruno Dauaire. No domingo: Castro e o ex-governador Anthony Garotinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Wladimir esteve com Castro no dia seguinte ao seu pai, o ex-governador Anthony Garotinho (União), declarar apoio à reeleição do atual governador, a quem vinha fazendo pesadas críticas. Desde então, especula-se que o realinhamento estadual teria como consequência a pacificação em Campos. Em entrevista ao Folha no Ar na quarta (3), o vereador de oposição Helinho Nahim (Agir) fez a ressalva: “Existe o 022 (DDD do de Campos) e o 021 (DDD da cidade do Rio de Janeiro). O 021 que pode interferir em Campos, não com o grupo inteiro (os 13 vereadores de oposição), mas com boa parte do grupo, chama-se Rodrigo Vieira Bacellar”.
(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Genial/Quaest e PoderData a presidente
A semana trouxe mais duas pesquisas presidenciais. E repetem as tendências, a partir das diferenças de metodologia. As presenciais indicam a vitória do ex-presidente Lula (PT) ainda no 1º turno de 2 de outubro. As por telefone também indicam a vitória do petista, mas só no 2º turno de 30 de outubro, contra o presidente Jair Bolsonaro (PL). Divulgada na quarta (3), a Genial/Quaest presencial deu Lula no 1º turno. Mas dentro da margem de erro, com 51% dos votos válidos, contra 37% do capitão. Divulgada na quinta (4), a PoderData por telefone também deu a vitória do petista. Mas só no 2º turno, com 50% x 40% de Bolsonaro.
Diferença fácil de entender
A diferença dos números das pesquisas, a partir da diferença das metodologias, é fácil de entender. Todas mostram que a maior vantagem de Lula sobre Bolsonaro é entre o eleitor de baixa renda. Como muitos deles estão com dificuldade para fazer três refeições por dia, pagar a conta telefônica passou a ser um “luxo”. São brasileiros menos acessíveis às pesquisas por telefone, como a PoderData, onde a vantagem do petista ao capitão é sempre menor. Essa dificuldade de falar com o eleitor mais pobre inexiste às pesquisas presenciais, como a Genial/Quaest e a Datafolha, onde a vantagem de Lula sobre Bolsonaro é sempre maior.
Em busca do pobre
Clara em todas as pesquisas de 2022, a liderança de Lula só é questionada por quem trocou a razão pela torcida. Ninguém parece acreditar mais nas pesquisas do que Bolsonaro. Quanto mais elas confirmam o favoritismo do petista, mais o capitão questiona as urnas eletrônicas que o elegeram presidente em 2018. E usa um incerto apoio das Forças Armadas para ameaçar a democracia. Dentro dela, a última esperança eleitoral do presidente parece ser o reforço do Auxílio Brasil, custeado com os R$ 41,2 bilhões da PEC Kamikaze, que começa a ser pago a partir da próxima terça (9). Justamente ao eleitor pobre, onde Lula tem sua maior vantagem.
Posição dos ricos
Apesar de registrar vantagem menor de Lula a Bolsonaro, a PoderData evidenciou como é difícil a missão de tentar virar o voto do eleitor pobre. Nas três últimas pesquisas do instituto, duas em julho e a de agosto, o petista subiu suas intenções de voto de 43%, a 52%, aos atuais 58% dos eleitores que recebem o Auxílio Brasil. Entre estes mesmos brasileiros pobres, o capitão caiu de 37%, a 32%, aos atuais 25%. Isto, mais a posição no outro lado da pirâmide social, assumida por banqueiros e pela poderosa Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em defesa da democracia, não desenham quadro favorável a quem a ameaça.
Padroeiro
Campos celebra hoje (6) o padroeiro da cidade, o Santíssimo Salvador — para os católicos, o próprio Jesus. A festa, em sua 370ª edição, tem a marca especial do reencontro. Nos últimos dois anos, como aconteceu com praticamente todas as atividades econômicas e sociais, as celebrações foram de forma virtual ou restrita. A novena em preparação para o dia maior dos festejos terminou nessa sexta-feira (5). Hoje, as missas na Catedral acontecem às 6h30, 7h30, 10h, 13h30, 15h e 16h, sendo a das 10h presidida pelo bispo titular da Diocese de Campos, Dom Roberto Francisco Ferrería Paz.
Tradições
Após a missa das 16h, haverá a procissão do Santíssimo Salvador. No retorno à Catedral, Dom Roberto dará a benção aos quatro cantos da cidade. Além da programação religiosa, a festa conta com a retomada de outras tradições. Ao lado da Catedral, o canteiro. Na principal praça da cidade, além de shows, os vendedores ambulantes e o 31º Festival da Comissão de Entidades Sociais e Assistenciais do Município de Campos (Coesa), com barracas de entidades filantrópicas e de doceiras. O período também sempre foi de atividades esportivas. E, na sua 75ª edição, a prova ciclística do Santíssimo Salvador volta a acontecer neste dia 6 de agosto.
Na segunda: vice-prefeito Frederico Paes, candidato a vice-governador na chapa de Castro, Washington Reis; o governador Cláudio Castro; o prefeito Wladimir Garotinho e o deputado estadual Bruno Dauaire. No domingo: Castro e o ex-governador Anthony Garotinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Ampliar o percentual de remanejamento de 5% (atualmente, são 30%), que a maioria da oposição legislativa quer impor ao prefeito Wladimir Garotinho (sem partido) no Orçamento de 2023, mais a composição na formação da nova Mesa Diretora da Câmara, a ser eleita até dezembro. Estes teriam sido os pontos acordados entre o governador Cláudio Castro (PL) e Wladimir Garotinho na segunda (1º), a partir do apoio no domingo (31) à tentativa de reeleição do primeiro pelo pai do segundo, o ex-governador Anthony Garotinho (União).
As possibilidades da consequência em Campos do alinhamento estadual para a eleição de outubro foram colocadas na tarde de ontem, numa reunião no gabinete do prefeito, entre este e os 12 vereadores da sua base na Câmara Municipal. Entre eles, Dandinho do Rio Preto (PSD), que vota com o governo, mas deve apoiar a tentativa de reeleição a deputado estadual de Rodrigo Bacellar (PL), líder da oposição.
No Folha no Ar de quarta (3), o vereador de oposição Helinho Nahim (Agir), primo de Wladimir, refutou a possibilidade de acordo municipal a partir do apoio do tio Garotinho ao governador Castro:
— Existe o 022 (DDD de Campos) e existe o 021 (DDD da cidade do Rio de Janeiro). O 021 que pode interferir em Campos, não com o grupo inteiro (os 13 vereadores de oposição), mas com boa parte do grupo, chama-se Rodrigo Vieira Bacellar. O 021, para mim, que pode mudar alguma coisa em Campos é o 021 Rodrigo Bacellar. Não estou falando pelos 13, estou falando por boa parte dos 13. E só haverá isso por parte de Rodrigo, conhecendo ele como eu conheço, se houver maturidade por parte do prefeito. Não vai ser golea abaixo. Não vai!”
Se as últimas pesquisas presenciais (Datafolha, divulgada em 28 de julho, e Genial/Quaest, em 3 de agosto) apontam para a decisão da eleição presidencial no primeiro turno, a exatos 59 dias para 2 de outubro, a pesquisa PoderData, divulgada hoje, a exemplo das demais pesquisas realizadas por telefone, confirma projeção de segundo turno, caso as eleições fossem hoje. Realizada entre 31 de julho e 2 de agosto de 2022, com 3.500 eleitores com 16 anos de idade ou mais em 322 municípios brasileiros, Lula (PT) aparece com 43% das intenções de voto na pesquisa estimulada, quando os nomes dos demais candidatos são apresentados, contra 35% de Jair Bolsonaro (PL).
Na pesquisa PoderData anterior, realizada entre 17 e 19 de julho, Lula aparecia com 43% e Bolsonaro com 37%. Como a margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou menos, os resultados da pesquisa divulgada hoje são idênticos aos da pesquisa divulgada no dia 20 de julho, mostrando estabilidade, consolidação e cristalização do cenário eleitoral. A soma da intenção de voto de todos os demais candidatos juntos é de 15%. Com isso, nos votos válidos, descontando brancos e nulos, Lula alcançaria 45% no primeiro turno e Bolsonaro, 37%. Para vencer no primeiro turno, o primeiro colocado precisa alcançar 50% + 1 do total dos votos válidos.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Diferença entre Lula x Bolsonaro no 2º turno cai em 2 meses
Na simulação de segundo turno entre Lula e Bolsonaro, o ex-presidente venceria com 50% dos votos, contra 40% do atual presidente – uma diferença de 10 pontos percentuais. A vantagem do petista, porém, já foi maior. Há duas semanas, era de 13% (51% a 38%, oscilando dentro da margem de erro), mas no final de junho, chegou a 17% (52% a 35%).
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Lula sobe entre quem recebe Auxílio Brasil
Na pesquisa divulgada hoje, a PoderData não mediu a rejeição aos candidatos, mas calculou a intenção de voto para presidente entre os eleitores que receberam alguma parcela do Auxílio Brasil, que substituiu o Bolsa Família, criado no primeiro governo Lula (2003-2006). Entre os que receberam o benefício no último mês, 58% pretendem votar no ex-presidente, enquanto somente ¼ deste eleitorado (25%) tenciona votar em Bolsonaro.
Desde o início de julho, os percentuais de intenção vêm crescendo progressivamente em favor do ex-presidente e diminuindo em relação ao atual. Há um mês, 43% dos beneficiários do Auxílio Brasil pretendiam votar em Lula, contra 37% dos que preferiam Bolsonaro. Há 15 dias, Lula cresceu para 52% e Bolsonaro caiu para 32% de intenção sobre este eleitorado, até a diferença ampliar para 33% na sondagem divulgada hoje. No caso da intenção de voto entre os beneficiários do Auxílio Brasil, a margem de erro é de 3,4% para mais ou para menos.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Metodologia
O PoderData ouviu, por telefone, 3.500 eleitores em todo o Brasil, entre 31 de julho e 2 de agosto de 2022, com margem de erro de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo. O intervalo de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no TSE como BR-08398/2022.
Wiliam Passos
(*)William Passos é geógrafo com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.
A Prefeitura de Campos informa que saiu o acordo com a Caixa Econômica Federal (CEF), sancionado em 1º de agosto pela Justiça Federal, para a retomada dos pagamentos da cessão de crédito, usando como garantia os royalties do petróleo, feita em 2016 pelo governo Rosinha Garotinho (hoje, União) e chamada à época de “venda do futuro”. Após várias reuniões do prefeito Wladimir Garotinho (sem partido) com a direção da CEF, em Brasília, ficou pactuado que a Prefeitura de Campos pagará mensalmente 10% da sua arrecadação de royalties e, trimestralmente, das Participações Especiais.
Os pagamentos de Campos à CEF tinham sido interrompidos desde julho de 2017, quando o governo Rafael Diniz (Cidadania) ganhou uma decisão no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF 2). Pela resolução 43/2001 do Senado, assim como pela autorização da Câmara Municipal de Campos em 2016, os pagamentos da operação financeira não poderiam exceder 10% das receitas petrolíferas do município. Só que o limite, agora restabelecido, não foi obedecido pelo contrato entre a CEF e o governo municipal Rosinha, no apagar das luzes do Governo Federal Dilma Rousseff (PT).
A CEF recorreu da vitória judicial momentânea do governo Rafael e a juíza federal Rosângela Martins determinou, em 2021, que as duas partes fizessem um acordo. Desde então, Wladimir se reuniu várias vezes com a direção da CEF em Brasília, contando com a intermediação da deputada federal Clarissa Garotinho (União) e do senador Carlos Portinho (PL/RJ), para restabelecer o diálogo e fechar os termos do acordo.
O valor da dívida, considerada impagável, estava na casa do R$ 1,2 bilhão. Se o município insistisse na contenda judicial, é quase unânime entre os juristas que a CEF ganharia o direito de executar, com quisesse, a dívida. O que significaria a insolvência do município.
— A Prefeitura de Campos galgou mais um degrau, no 1º de agosto, no processo de recuperação de sua capacidade de pagamento e de avaliação por organismos federais de crédito e receitas, com a homologação do acordo com a Caixa, por força da decisão da Justiça Federal. Com a decisão judicial, ficou pactuado que a Prefeitura de Campos pagará 10% de sua arrecadação de royalties e Participações Especiais. A retomada do diálogo com o Governo Federal e estadual estão recolocando o município no caminho do equilíbrio institucional e no radar de novos investimentos governamentais e privados — comemorou o prefeito Wladimir.
George e Hamilton também darão suas projeções às eleições de deputado federal e estadual na região, a senador e governador do RJ. Por fim, tentarão projetar também a eleição ao Palácio do Planalto, bem como as ameaças à democracia no país feitas pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Faltam, hoje, exatos 60 dias para as urnas de 2 de outubro. E o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue na liderança isolada da corrida presidencial, com possibilidade de definir a eleição já no primeiro turno. Segundo colocado, o presidente Jair Bolsonaro (PL) vem diminuindo gradativamente a diferença para o petista nas intenções de voto, assim como na rejeição, fundamental para definir o vencedor no eventual segundo turno. Na pesquisa Genial/Quest divulgada hoje, e feita entre 28 e 31 de julho, Lula tem 44% de intenções de voto na consulta estimulada, seguido por Bolsonaro, com 32%. São 12 pontos de diferença. Mas, na soma dos votos válidos, o ex-presidente venceria em turno único, com 51% dos votos válidos. Na margem de erro de 2 pontos da pesquisa, a possibilidade do segundo turno segue aberta.
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE
— Com metodologia de entrevistas presenciais, a mesma do Datafolha, que representa a coleta de informação mais confiável, a Genial/Quaest confirma os resultados das suas duas pesquisas anteriores (junho e julho), apontando vitória de Lula (PT) no 1º turno com 51% dos votos válidos, contra 37% de Jair Bolsonaro (PL). Com os resultados da pesquisa Datafolha divulgada no dia 28 de julho, que apontou 52% dos votos válidos para Lula no primeiro turno, as duas principais pesquisas que utilizam o tipo de levantamento com maior precisão estatística, sinalizam para a vitória do ex-presidente já no dia 2 de outubro — analisou o geógrafo William Passos, com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Bem atrás de Lula e Bolsonaro na consulta estimulada, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) tem hoje 5% das intenções de voto. Atrás dele vêm a senadora Simone Tebet (MDB) e o deputado federal André Janones (Avante), cada um com 2%; e o influenciador digital Pablo Marçal (Pros), com 1%. Janones estuda abrir mão da sua candidatura para apoiar Lula. Como afirmou Felipe Nunes, diretor do instituto Quaest, em seu Twitter (@felipnunes): “Hoje, é impossível afirmar se a eleição será definida em primeiro ou em segundo turno, porque a soma de Bolsonaro e outros candidatos (42%) fica na margem de erro da soma de intenção de votos de Lula (44%)”. Se for ao segundo turno, marcado para 30 de outubro, o petista ganharia fora da margem de erro. E bateria o capitão por 51% a 37%. Bolsonaro segue liderando a rejeição, com 55% dos brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, contra 44% do petista.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Erro muitas vezes cometido não só pelos (e)leitores, mas também pela mídia, o hábito é se olhar apenas os resultados finais da útima pesquisa. Mas é na comparação com as anteriores, feitas pelo mesmo instituto e com a mesma metodologia, que se revelam as tendências. Comparadas as Genial/Quaest de junho e julho com a divulgada hoje, no início de agosto, Lula vem caindo nas intenções de voto no primeiro e segundo turno, como crescendo na rejeição. Sempre dentro da margem de erro, essas tendências se revelam inversas nas curvas de Bolsonaro.
Na consulta estimulada ao primeiro turno, Lula tinha 46% de intenções de voto em junho, caiu a 45% em junho e hoje tem 44%. Por sua vez, Bolsonaro tinha 30% em junho, subiu a 31% em julho e hoje tem 32%. Na simulação de segundo turno entre os dois, a vantagem do petista sobre o capitão era de 23 pontos em junho (55% a 32%), caiu para 19 pontos em julho (53% a 34%) e hoje está em 14 pontos (51% a 37%). Fundamental à vitória no segundo turno, a rejeição mantém Bolsonaro como líder, mas diminuindo gradativamente: dos 60% de junho, aos 59% de julho, aos 55% de hoje. Em curva inversa, Lula vem aumentando no índice negativo: dos 40% de junho, aos 41% de julho, aos 44% de hoje.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
— A Genial/Quaest ouviu presencialmente 2.000 eleitores de 120 municípios do Brasil com 16 anos ou mais, entre 28 e 31 de julho de 2022. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança dos resultados é de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-02546/2022. O levantamento custou R$ 139.005,86 e foi pago pela Genial Investimentos. Na simulação de segundo turno, Lula segue vencendo Jair Bolsonaro, agora por 51% a 37%. Brancos e nulos somam 9% e indecisos, 3%. Na pesquisa de junho, Lula vencia por 55% a 32% e, na de julho, por 53% a 34%. Em junho, a rejeição a Lula era 40%, passando para 41% em julho e 44% agora em agosto. Já 60% dos eleitores declararam não votar em Bolsonaro de jeito nenhum em junho, percentual que caiu para 59% em julho e 55% agora em agosto — reforçou William.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Numa eleição em que boa parte dos eleitores de Lula são os que não querem a continuidade do governo Bolsonaro, ao passo que a maioria dos eleitores deste não quer a volta do PT ao poder, a pesquisa Genial/Quaest também confirma que o anibolsonarismo hoje é mais forte que o antipetismo. Os que têm mais medo de outros quatro anos do capitão são 48% dos brasileiros, contra 38% que têm mais medo do retorno do PT. O antibolsonarismo, no entanto, tem diminuído gradativamente: dos 52% de junho, aos 51% de julho, aos 48% de hoje. Estável nos 35% de junho e julho, o antipetismo cresceu aos 38% de hoje.
Por Matheus Berriel, Aluysio Abreu Barbosa e Cláudio Nogueira
O novo presidente do Brasil tende a ser decidido pelo carrinho de supermercado. Foi o que indicou nessa terça-feira (2) o jornalista e analista político Luiz Carlos Azedo, dos jornais “Correio Braziliense” e “Estado de Minas”, em entrevista ao Folha no Ar, da Folha FM 98,3. Além de destacar a influência do fator econômico no voto da população brasileira, ele também indicou a alta taxa de rejeição, especialmente a Jair Bolsonaro (PL), como um fator importante para o resultado das urnas, citando um favoritismo de Lula, mas em cenário aberto graças à existência de brasileiros que têm no voto sua única participação nas decisões do Brasil. Azedo também vê como polarizada, mas não cristalizada, a corrida ao governo do Rio de Janeiro, tendo na possibilidade de apoio do PT à candidatura de Rodrigo Neves (PDT) uma chance de alteração no quadro. Na visão dele, ao anunciar apoio a Cláudio Castro (PL) após a retirada da sua candidatura ao cargo, o ex-governador Anthony Garotinho (União) buscou a “saída mais pragmática” para sobreviver politicamente. Porém, o fato de ter saído do caminho não significa que ele irá carregar Castro “nas costas”. No que se refere ao Senado, Azedo enxerga como provável a vitória de Romário (PL).
Luiz Carlos Azedo (Foto: Divulgação)
Possível apoio do PT a Neves – A eleição no Rio de Janeiro tem uma peculiaridade: você tem dois processos políticos eleitorais em curso simultaneamente e com característica completamente diferente. As eleições na capital e na Baixada, principalmente, têm característica de guerra de movimento. Você tem um contingente eleitoral muito grande que se desloca rapidamente na reta final. Já a eleição nos demais municípios do estado, tem as características tradicionais da política fluminense, que é uma política refinada desde o Império, de muita articulação. Então, a dificuldade do Marcelo Freixo (PSD) na eleição contra o Cláudio Castro (PL) é sair do Rio (capital). O voto da esquerda no Rio de Janeiro vai do Grajaú ao Leblon, que é onde também está o voto conservador mais ideológico. Quem sair dali e conseguir ir para o subúrbio, e agora para a Barra da Tijuca, ganha a eleição. Mas, a esquerda tem, tradicionalmente, dificuldade de sair desse universo. Então, esse movimento que o PT está fazendo de aproximar o Rodrigo Neves e o André Ceciliano (PT), que é um político com mais características do político do antigo estado do Rio, do que do petista da Zona Sul do Rio, ela tem muito mais possibilidades de ganhar eleição no interior, do que o Freixo ganhar a eleição na capital e disputar o voto no interior. É aí que o Cláudio Castro leva uma vantagem, porque ele tem a máquina do estado trabalhando, está com dinheiro em caixa por causa da venda da Cedae, oferecendo recursos aos prefeitos no interior. Agora, ele tem um problema: está fazendo aliança com o que existe de mais queimado na política do antigo estado do Rio. São personalidades políticas desgastadas por envolvimento em denúncias de corrupção, e ele está se alinhando a esse povo. A possibilidade de apoio do PT a Rodrigo Neves é uma tendência que está posta. Se acontecer, muda todo o cenário, porque a candidatura do Rodrigo Neves ganha um aliado poderosíssimo, e a do Freixo vai se enfraquecer. Não sei como isso vai evoluir, mas a possibilidade de essa aliança se consolidar é real. Ela se consolidando, muda o cenário. Quer dizer que vai mudar a eleição? Não sei. Mas, em termos de ação política das forças que disputam o poder, muda o jogo.
Romário favorito ao Senado – O Alessandro Molon (PSB) tem dificuldade de entrar no interior do estado. Já o André Ceciliano tem mais facilidade de entrar na capital por causa da estrutura do PT na capital. A candidatura do Romário é muito forte, porque o Romário é um cara popular, tem uma personalidade que faz com que ele se identifique muito com o povão, fora o fato de que foi um craque, campeão do mundo. Sempre foi um jogador polêmico, corajoso. Mas, ele não é um político de expressão como um cara que articula, que tem grandes projetos. O Molon, embora não seja senador, tem uma atuação parlamentar muito mais expressiva do que o Romário. Então, ele tem um reconhecimento da sociedade. Agora, não sei se ele sai da capital. Já o André Ceciliano é um cara que é da política do estado, articulador. Acho que a única coisa que pode tirar a eleição do Romário é a desconstrução da imagem dele como um bom representante do povo.
Eleição ao governo do Rio polarizada, mas não cristalizada – Isso ocorre primeiro porque o Cláudio Castro não foi eleito governador; ele assumiu o governo. Então, ele não tem uma memória na população de uma campanha eleitoral em que a figura dele foi confrontada por outros candidatos. Na minha avaliação, a projeção eleitoral dele deriva do peso da máquina da administração do estado na política e no dia a dia das pessoas. Mas, esse peso também vai se relativizando, porque, se você pegar as grandes corporações do estado, o posicionamento delas é diferente. Talvez o pessoal da área de segurança pública o apoie, mas, por exemplo, professores não vão apoiar; o pessoal da área da saúde. Então, esse peso acaba, de uma certa forma, sendo neutralizado no processo eleitoral. Você não tem nenhum outro candidato que já tenha sido governador. O que tinha era o Garotinho (União) e ele desistiu. Os 10% (de intenção de voto) do Garotinho vão se transferir automaticamente para ele? Não acredito, porque o empenho do candidato a governador não é o mesmo quando ele deixa de ser candidato e passa a apoiar alguém. Então, é uma eleição que a gente ainda pode considerar aberta.
Garotinho de crítico a apoiador de Castro – O Garotinho correria sério risco de ser impugnado, por causa dos problemas dele com a Justiça. Por outro lado, é uma figura política importante do Rio de Janeiro, foi governador, mas cuja liderança eu acho que ficou muito contingenciada à política do Norte do estado, principalmente Campos. Ele perdeu muita influência no estado, embora tenha um potencial eleitoral expressivo, porque se você entra numa disputa com 10%, você tem expressão. Mas, acho que, na armação da política, ele estava com muita dificuldade, porque tinha que buscar uma possibilidade de ele sobreviver na política. Ele buscou a saída mais pragmática que poderia fazer. Até porque, não sei se os outros quereriam tirar essa foto com ele. Não acredito que o Freixo e o Rodrigo Neves fariam essa foto (com Garotinho).
Lula favorito à presidência – Em 2018, o candidato favorito era o Lula. A prisão do Lula abriu espaço para Bolsonaro, e ele surpreendeu no processo eleitoral. Foi o ápice da insatisfação popular em relação aos partidos e aos políticos tradicionais. Aquele era um momento que passou, porque houve um processo de acomodação, haja vista a aliança do Bolsonaro com o Centrão, que é o eixo da sua candidatura à reeleição. Uma coisa que tem que se levar em conta é que todo presidente candidato à reeleição se reelegeu, mesmo a Dilma depois de 2013, Lula depois do Mensalão. Então, a lógica nessa eleição seria o Bolsonaro ser o candidato favorito, e não o Lula. Agora, o Lula é o candidato favorito primeiro porque ele tem um legado de serviços prestados à população de baixa renda. Ele deixou o governo com o país crescendo, com regime de pleno emprego. Então, existe essa memória. E se nós levarmos em conta que o Lula em 2018 era o favorito, é uma coisa que explica um pouco o que está acontecendo. Agora, não explica tudo. O fenômeno Bolsonaro tem uma componente antropológica: capturou a ideia de que a família unicelular patriarcal tem que ser preservada a qualquer custo; e é um sentimento muito forte na população de baixa renda, especialmente entre os evangélicos. Isso dá ele um lastro eleitoral na população e é quase imune às críticas que ele recebe por causa das coisas que fala, por causa das alianças esdrúxulas. E do outro lado, o Lula tem um partido enraizado nos movimentos sociais. O Lula esteve preso, e o PT em momento algum o abandonou. E o PT, na oposição, se voltou para entidades da sociedade civil, passou a atuar de novo nos movimentos sociais, a fazer alianças. O Lula virou uma espécie de mono opção à esquerda. Você não tem outro candidato a presidente de esquerda (entre os principais nas pesquisas), a não ser o Ciro Gomes (PDT). Essa coisa explica um pouco a polarização. Agora, o que pode mudar esse cenário é a rejeição, principalmente do Bolsonaro.
Candidaturas de terceira via têm sua função – Acho que as candidaturas que estão disputando o espaço do que seria uma terceira via têm uma funcionalidade nesse processo eleitoral, que é de fazer com que a distância entre o Bolsonaro e o Lula se mantenha grande. Isso pode ser muito importante na virada do primeiro para o segundo turno, porque desfaz a narrativa da fraude eleitoral, que tende a se fortalecer muito se o Bolsonaro virar encostado no Lula. Ao mesmo tempo em que isso pode levar uma eleição para o segundo turno, leva obrigando tanto o Lula como o próprio Bolsonaro a tentar ampliar as suas alianças ao centro, principalmente esse centro liberal, democrático, o que vai ser bom para a democracia. Mas não sei se é o que vai acontecer. Eu acho que o Lula pode ganhar a eleição no primeiro turno com essa diferença que ele tem em relação ao Bolsonaro, que o Datafolha (do final de julho) mostrou, e essas forças vão contribuir para que essa diferença se mantenha. Do ponto de vista eleitoral, o PT fazer campanha por voto útil é mais que legítimo. Mas, numa análise política do que está acontecendo, é bobagem achar que essas candidaturas não têm um papel a cumprir na eleição.
O peso do carrinho do supermercado – O Bolsonaro conseguiu a proeza, naquela reunião com os embaixadores, de perder o apoio do establishment brasileiro empresarial, do mundo jurídico. Depois que começar o horário eleitoral, se ficar evidente pela rejeição do Bolsonaro, que é muito alta, que ele não tem a menor chance de ganhar do Lula, a candidatura dele pode se inviabilizar junto a esses setores, e eles buscarem uma alternativa. É nisso que o Ciro Gomes aposta, é nisso que a Simone Tebet (MDB) aposta: no Bolsonaro se inviabilizar como alternativa de poder por causa da rejeição dele, e ao mesmo tempo numa alta rejeição do Lula, que pode crescer na campanha, porque eles vão se atacar mutuamente. Isso pode mudar o cenário. É a tendência principal? Não. A tendência principal é de voto muito consolidado, uma margem muito estreita, uma diferença muito pequena entre os resultados das pesquisas espontâneas e as pesquisas induzidas. Acho que isso vai ser decidido no carrinho do supermercado. O que o povo faz é o seguinte: como está o carrinho do supermercado? No governo Lula, ele vinha cheio ou vinha vazio? No governo Bolsonaro, ele vem cheio ou vem vazio?
Rejeição – Acho que a polarização neutraliza a rejeição do ponto de vista da possibilidade de um terceiro nome, porque você tem uma rejeição muito alta do Bolsonaro, e aí o sujeito vai votar no Lula porque não quer o Bolsonaro de jeito nenhum e não tem outra opção; e vice-versa. Essa lógica está se mantendo, e tanto o Lula como o Bolsonaro se apropriaram disso. No jogo eleitoral, eles retroalimentam isso. Agora, o que pode acontecer é no horário eleitoral surgir uma alternativa a isso. Pode haver um deslocamento. Eu acho mais fácil esse deslocamento ocorrer em relação ao Bolsonaro, apesar do peso da máquina do Governo Federal, porque existe uma simetria entre o sistema de aliança do Bolsonaro e a sua base eleitoral. A base parlamentar do Bolsonaro no Congresso está muito vulnerável eleitoralmente, porque ela está se deslocando para o Lula. Se observar o cenário, o Lula vai ampliando as alianças dele, e o Bolsonaro vai se isolando. Agora, como eu disse, a tendência é a disputa ser entre os dois. Pode mudar. Prefiro deixar essas coisas acontecerem.
Possíveis apoios a Lula em eventual segundo turno – Geralmente, o que acontece nas eleições é que o deslocamento do eleitor aos candidatos no segundo turno se dá quase que espontaneamente. Os candidatos a presidente têm influência? Têm. Isso acontece quando você tem um político com a base fidelizada. E o Ciro tem um eleitor que é fiel a ele já há várias eleições. Mas, a dificuldade do Ciro é política, porque, como ele tem um programa nacional desenvolvimentista, e é o único que tem um programa, ele sofre uma rejeição muito grande dos setores liberais, dos setores de centro. E a esquerda está congestionada para ele, porque foi o espaço ocupado pelo Lula. Então, ele fica espremido ali. E tem a Simone, que fala bem, é preparada, tem traquejo político e tal. A gente vai ter que esperar chegar o horário eleitoral, acompanhar a primeira semana. É um momento de muita gente indecisa. Você tem razões objetivas para que a polarização exista; uma delas é o fato dos serviços prestados pelo Lula, quando foi presidente da República, e pelo Bolsonaro, no seu primeiro mandato. O confronto de realizações entre eles vai ser medido muito em função do carrinho de supermercado. É uma eleição polarizada, você tem uma tendência principal, que está evidente. Mas, ela tem linhas de força no processo que podem alterar esse resultado. Uma delas é a rejeição muito alta dos dois candidatos, que tende a aumentar mais na medida em que eles se atacaram reciprocamente. E já começou.
Ensaio de golpe no 7 de setembro – A mobilização que está sendo feita pela extrema direita tem um caráter golpista. Se ele forçar a barra nisso aí, o voto útil vai vir com toda força, na minha avaliação, para tirar ele; e esse voto vai favorecer a quem estiver na frente. Bolsonaro está usando a autoridade dele, de comandante em chefe das Forças Armadas, para constranger os generais, os militares. Essa é uma coisa que as pessoas às vezes não levam em conta: o militar é disciplinado. Quem está no vértice da hierarquia militar é o Bolsonaro. Quando ele fala um negócio desse, pode tanto estar querendo realmente fazer o tal desfile militar em Brasília e na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro como ele pode estar querendo testar a cadeia de comando para ver quem são os generais que vão se opor a ele nisso. É difícil saber o que passa pela cabeça dele. Agora, é uma coisa absurda ele transformar as Forças Armadas em instrumento de campanha eleitoral. O que a oposição tem que fazer? Recorrer ao tribunal e tomar a decisão proibindo. E aí, o Exército vai ter que escolher entre uma ordem ilegal ou cumprir a Constituição.
Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã
Confira abaixo, em dois blocos, os vídeos com a íntegra da entrevista do jornalista Luiz Carlos Azedo ao Folha no Ar de terça:
Rodrigo Bacellar, Cláudio Castro, Anthony Garotinho, Marquinho Bacellar, Frederico Paes, Washington Reis, Castro, Wladimir Garotinho e Bruno Dauaire (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Após fazer pesados ataques a Castro, Garotinho surpreendeu ao abraçá-lo no domingo. O constrangimento dos dois era visível. Tanto que foi alvo da mídia nacional. Em Campos, especula-se que o apoio poderia arrefecer a intenção da oposição de reduzir o remanejamento de Wladimir no Orçamento de 2023, dos atuais 30%, para apenas 5%. Como na composição da nova Mesa Diretora da Câmara, na qual Marquinho chegou a ser eleito presidente no último dia 15 de fevereiro. O pleito foi depois anulado pela atual Mesa, mas a oposição ainda detém a maioria dos votos. E nada indica que isso vá mudar até dezembro, limite para a eleição.
Castro/Garotinho/Campos (III)
Após o pai no domingo, na segunda (1) Wladimir também foi ao Rio se encontrar e posar para foto com Castro. E com o candidato a vice na chapa de reeleição do governador, Washington Reis (MDB). Ex-prefeito de Duque de Caxias, ele talvez seja a principal figura na reaproximação entre Castro e os Garotinhos. Aliado destes, Reis rivaliza com Rodrigo uma briga interna no poder estadual. Em que tinha sido derrotado com o irmão Rosenverg Reis (MDB) na eleição a conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Vencida pelo deputado estadual Márcio Pacheco (PSC), na paga por antes ter perdido a secretaria estadual de Governo para Rodrigo.
Castro/Garotinho/Campos (IV)
Não é preciso entender de política para constatar a diferença na expressão constrangida de Castro e Garotinho no domingo, com o alívio das expressões na segunda do mesmo Castro, de Reis e de Wladimir. Que, na noite do mesmo dia, foi nominalmente lembrado pelo jornalista da Globo News André Trigueiro, no telejornal Em Pauta das 20h, como o principal motivo para o giro de 180º do pai em relação a Castro. Que na segunda convidou o prefeito de Campos para, junto com o de Macaé, Welbert Rezende (Cidadania), coordenar a campanha de reeleição do governador em todo o Norte Fluminense e parte do Noroeste.
Castro/Garotinho/Campos (V)
Junto com Wladimir, Castro e Reis, estiveram também no Rio o deputado estadual Bruno Dauaire (União) e o vice-prefeito Frederico Paes (MDB). Todos ouviram o que foi acordado entre o governador e o prefeito. Este, no entanto, não quis adiantar. Na manhã de ontem, se limitou a dizer ao blog Opiniões: “Vou trabalhar pela reeleição de Cláudio Castro e confiar no que ele me disse, que neste momento cabe a mim e a ele”. Vale lembrar, no entanto, que quando foi vereador carioca, mesmo sendo de oposição ao então prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), Castro votou contra seu engessamento no remanejamento orçamentário.
A tréplica de Helinho viria na tribuna da Câmara: “O acordo do ex-governador nada passa por esta Câmara. Em meu nome, dos colegas vereadores e de Rodrigo Bacellar. Se é que tem acordo, passa pela vergonha na cara e lavar a boca de falar o que falou. Seja homem (Wladimir) como há muito tempo não é. Se for homem, fale qual é a chantagem. Se realmente falou, seja homem para dizer. Ou vai dizer que o jornalista errou? É afirmação: seja homem ou coloque o rabinho entre as pernas e peça desculpa”. Diante do jornalista que ouviu ele e o primo prefeito, Helinho é o convidado do Folha no Ar, ao vivo, no início da manhã de hoje.
Helinho também dará sua projeção das eleições a governador, deputado federal e estadual na região, além de presidente da República. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.