Lula, Bolsonaro, Piupiu, Frajola e o Pateta no Mercado Municipal de Campos

 

Lado a lado, Lula e Bolsonaro, acompanhados do Pipiu, do Frajola e do Pateta, no Mercado Municipal de Campos (Foto: Leda Lysandro)

Psicóloga, servidora municipal, oficial do Corpo de Bombeiros, politicamente progressista e amiga querida, a Leda Lysandro fez um registro fotográfico interessante na última quinta (15). No Mercado Municipal de Campos, um ambulante vendia toalhas, expondo uma estampada com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e outra do atual, Jair Bolsonaro (sem partido). Ao lado, também eram estendidas uma toalha do Piupiu e do Frajola, e outra de personagens da Disney, tendo ao centro o Pateta. Leda disse que lembrou de mim quando fez a foto, e pediu uma análise. Que tento abaixo, neste domingo de raro descanso em tempos de eleição municipal.

A primeira análise é a mais óbvia: a apropriação que o capitalismo faz de qualquer ícone pop. Pode ser de um líder político de esquerda, mais próximo em tese ao socialismo. Mas que só chegou ao poder, em 2002, após acenar ao mercado — não o Municipal de Campos — com a sua “Carta aos Brasileiros”. E pode ser também de um líder político de extrema-direita que sempre foi um estatista em seus 30 anos de vida parlamentar. Mas que, para chegar ao poder em 2018, teve que se vender como “liberal”, conquistando o voto daqueles que dizem sê-lo sem aspas — a despeito de serem eleitores de memória política seletiva, desinteligentes, ou ambos.

Outra semelhança inegável entre Lula e Bolsonaro, apesar da aparente diferença do conteúdo, está na forma do discurso. Os dois falam a linguagem do frentista do posto. Atingem as camadas populares de forma direta, sem a “tecla SAP” necessária a oradores superiores, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ou o ex-governador cearense Ciro Gomes. Ademais, os dois primeiros marcaram bem a mudança da linguagem da propaganda política no Brasil. Dos programas eleitorais caríssimos e hollywoodianos dos marqueteiros que ajudaram a eleger Lula (e Dilma), para a mesa de café de Bolsonaro, sem toalha de mesa ou sousplat, em tosco doloso e fake para refletir a suposta naturalidade das filmagens de celular das redes sociais.

 

Das campanhas eleitorais de 2010, com Lindbergh, Lula, Dilma e Cabral, e de 2020, abraçado a Bolsonaro, Crivella é uma bússola das tentativas do Executivo Federal, à esquerda ou à direita, de se aproximar do voto de cabresto evangélico

 

Em outra semelhança, Lula e Bolsonaro são populistas. E populares. Mas, cada qual a sua maneira, apresentam adaptações tupiniquins da realpolitik do alemão Otto von Bismarck. Para poderem governar, fazem aliança no Congresso com o fisiologismo do Centrão — carimbada pela mesma falta de pudor do dinheiro público que continua desviado dentro de cuecas. Como os dois também tentam se aproximar do eleitorado de cabresto evangélico, tomando benção a charlatães da fé como Edir Macedo. Cujo sobrinho e atual prefeito do Rio, Marcello Crivella, foi ministro da Pesca de Dilma. Antes do Republicanos do tio abrigar os filhos do clã Bolsonaro, saídos do PSL com o pai, após briga mesquinha pelo controle das verbas públicas do fundo partidário.

 

 

Apesar do pragmatismo político, Lula e Bolsonaro não têm constrangimento em estimular o radicalismo, sempre que julgam necessário. Pais e filhos do maniqueísta “nós contra eles”, os dois o ministram como sal dado no coxo ao gado, para manter a unidade das suas bases ideológicas e orgânicas. São aqueles que o próprio Lula alcunhou de “aloprados”. Que, durante os 13 anos do PT no poder, chamavam de “coxinha” e “fascista” qualquer um que ousasse criticar as várias contradições do lulopetismo. Como hoje são as tias e tios do WhatsApp. Que classificam de “mortadela” e “comunista” qualquer um que ouse criticar as muitas idiossincrasias do bolsonarismo. Na impossibilidade lógica de estarem ambos certos, valem a um lado e ao outro também os versos de Herbert Vianna: “E o mal está nos olhos de quem vê/ O grande monstro a se criar”.

 

 

Por fim, Lula e Bolsonaro têm inimigos comuns. Os dois maiores, declarados, são a operação Lava Jato e seu ícone, o ex-juiz federal Sérgio Moro. Cuja máscara — e isenção necessária ao exercício da magistratura — caiu de vez quando ele liberou a delação do ex-ministro petista Antonio Palocci, a seis dias do primeiro turno presidencial de 2018, que não tinha aceito no julgamento da ação penal, mas usou para influenciar as eleições. Isso, antes de aceitar ser ministro da Justiça do principal beneficiado.

Ainda assim, foi visível a inveja emergindo das entranhas dos aloprados lulopetistas, como a cara de tacho dos “patriotas” que até pouco tempo inflavam boneco do Moro como Super-Homem, quando Bolsonaro cuspiu no prato que comeu e decretou (relembre aqui) no último dia 7: “É um orgulho, é uma satisfação que eu tenho, dizer a essa imprensa maravilhosa que eu não quero acabar com a Lava Jato. Eu acabei com a Lava Jato”. Com a conivência dos quatro cavaleiros do apocalipse no Supremo, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio Mello. E sob o silêncio gritante do procurador-geral da República, Augusto Aras.

Sobre a foto feita por Leda no Mercado Municipal de Campos, dá para dizer que Lula e Bolsonaro são antagonistas políticos, sim.  Mas precisam um do outro, como o Piupiu do Frajola. E o Pateta é quem finge não ver.

 

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Prefeito eleito em novembro assume Campos devendo R$ 17 milhões por mês

 

(Foto: Rogério Azevedo)

 

 

Ricardo André Vasconcelos, jornalista, ex-secretário de Comunicação de Camspos e servidor federal

Por Ricardo André Vasconcelos

Quem, entre os 11 candidatos que disputam a Prefeitura de Campos, assumir o cargo em janeiro de 2021, vai ter que administrar um déficit orçamentário de pelo menos R$ 200 milhões no primeiro ano, o que significa  uma despesa de R$ 17 milhões maior que a arrecadação a cada 30 dias. Para chegar a esses números, basta analisar os dados oficiais da secretaria municipal de Fazenda, publicados no Diário Oficial do Município e à disposição do cidadão no Portal da Transparência. Os números são um banho de água fria ou choque de realidade nos candidatos que insistem (confira aqui) em apresentar promessas de campanha como o retorno da passagem a R$ 1,00, entre outros, como se os cofres municipais ainda vivessem os dias de bonança que duraram até 2015.

A arrecadação prevista para o próximo ano está estimada em R$ 1,7 bilhão, mas há economistas menos otimistas e apostam em algo em torno de R$ 1,5 bilhão. E o maior quinhão, de R$ 1,1 bilhão, já está comprometido com a folha de pagamento dos servidores durante 12 meses. O que sobra já está comprometido com despesas para pagamento de serviços essenciais por ano. Como R$ 220 milhões para os hospitais contratualizados, R$ 125 milhões para pagamento de dívidas já parceladas, R$ 73 milhões do contrato para limpeza pública, R$ 40 milhões para iluminação pública, R$ 18 milhões com energia elétrica e R$ 12 milhões de água e esgoto para os prédios públicos, além do repasse obrigatório de R$ 30 milhões para a Câmara Municipal, e R$ 75 milhões para pagar funcionários contratados sob o regime de RPA (Recibo de Pagamento a Autônomo), entre outras.

Só com essas despesas consideradas essenciais — veja a lista abaixo —, a administração municipal compromete pouco mais de R$ 1,8 bilhão. Só que nesta relação não entram gastos com transportes de alunos, R$ 8,3 milhões; material de consumo e limpeza, R$ 4,9 milhões; manutenção de vias, R$ 7,5 milhões; e combustível, R$ 5 milhões.  Além disso, a Prefeitura tem uma dívida, que vem sendo rolada há décadas, de aproximadamente R$ 850 milhões com o Governo Federal, sendo R$ 105 milhões com o Fundo de Garantia (FGTS) e R$ 745 milhões com o INSS.

Para pagamento dos salários dos servidores ativos, inativos e pensionistas, num total de R$ 1,1 bilhão por ano, a Prefeitura desembolsa de recursos próprios R$ 575 milhões. Os outros valores são oriundos do Previcampos, R$ 190 milhões), Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), R$ 180 milhões; Fundo Nacional de Saúde (FNS), R$ 3 milhões; fundos e receitas indiretas,R$ 800 mil) e Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), R$ 150 mil.

 

 

 

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Wladimir é provocado durante carreata e tem reação física. Mas nega agressão

 

 

Em carreata hoje (17) do deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) como candidato a prefeito de Campos, no bairro São José, no Jardim Carioca, em Guarus, ele foi provocado e reagiu fisicamente. Tudo foi gravado por quem armou. O candidato negou que tenha agredido quem o provocou:

— Não houve agressão alguma e sequer encostei ou mirei o rosto de alguém. Isso é claro no vídeo. Foi um movimento natural pela situação. Estou com pai e mãe acamados pela Covid, mesmo assim sigo firme nas ruas — disse Wladimir.

No vídeo, o provocador é instruído por alguém fora da câmera para falar em “ladrão” e pergunta “como assim?”. Na sequência, caminhando, diz “vou tirar uma foto com ele aqui” e se aproxima da picape em cuja caçamba está Wladimir em carreata, acompanhado de apoiadores. A quem cumprimenta, é retribuído e pergunta sobre o número do candidato:

— E aí, jovem, 55?

Wladimir morde a isca e responde:

— Vamos lá, 55 na cabeça!

É a senha para o provocador revelar o “anzol”:

— Você vai roubar igual ao seu pai e sua mãe?

Wladimir abaixa sua a máscara de proteção facial, pergunta “Hã?”. E ouve a pergunta repetida:

— Você vai roubar igual ao seu pai e sua mãe? Não, né?

Após dizer mais alguma coisa, o candidato reage fisicamente, com a mão esquerda em direção ao rosto do provocador, sendo contido por um apoiador.

 

Confira abaixo o vídeo:

 

 

Em artigo de análise da corrida pela Prefeitura de Campos, publicado hoje, foi alertado (confira aqui): “se a eleição de 15 de novembro fosse hoje, salvo o imponderável, não há aposta desapaixonada que indique Wladimir Garotinho fora do segundo turno de 29 de novembro”.

Pois o “imponderável” surgiu em sua forma mais previsível. E, na provocação mais boba do mundo, o candidato caiu. Embora o vídeo tenha viralizado desde o final da manhã nas redes sociais, não deve ser nada que altere a disputa eleitoral. Ainda mais em um país que, infelizmente, parece já ter se acostumado aos destemperos habituais do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Todavia, como o episódio certamente será explorado na campanha pelos adversários do filho do casal Garotinho, todos igualmente passíveis de serem ou terem os pais ofendidos por provocadores, Wladimir precisa ter mais inteligência emocional. E fazer prevalecer a característica pessoal que sempre o distinguiu positivamente do pai: o equilíbrio.

Quem quer que seja eleito prefeito de Campos em novembro, ele ou ela vai encontrar, a partir de 1º de janeiro de 2021, problemas muito mais sérios (confira o tamanho da encrenca aqui, aqui, aquiaquiaqui, aquiaqui, aqui, aquiaqui e aqui) que uma provocação de rua.

 

Atualizado às 13h55 para acrescer a postagem do contraditório de Wladimir.

 

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Prefeito de Campos entre apostas e promessas a eleitor com Alzheimer

 

(iStock – Getty Images)

 

 

Com muitas pesquisas, mas poucas registradas, não há critério estatístico para se avaliar a corrida pela Prefeitura de Campos. Mas se a eleição de 15 de novembro fosse hoje, salvo o imponderável, não há aposta desapaixonada que indique Wladimir Garotinho (PSD) fora do segundo turno de 29 de novembro. Segundo essas mesmas apostas, de quem conhece os bastidores da política goitacá, a briga mais acirrada hoje seria pela segunda vaga. Que estaria sendo disputada por Caio Vianna (PDT), ainda com vantagem, mas encurtada pela força da campanha de Dr. Bruno Calil (SD), comandada (confira aqui) pelo deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD).

 

Wladimir Garotinho, Caio Vianna, Bruno Calil e Rafael Diniz (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

As casas de aposta não desprezam a força da máquina municipal, a despeito da grande rejeição pelo desgaste de um governo em grave crise financeira — que é o principal problema de Campos (confira a série sobre o tema aqui, aqui, aquiaquiaqui, aquiaqui, aqui, aquiaqui e aqui) e independe do resultado das urnas. Mas, até elas, não se deve subestimar o carisma, a empatia e a capacidade oratória de Rafael, que talvez só tenha libertado essas virtudes da “prisão” do Cesec muito tarde. Como não pode ser desprezada a possibilidade de Tadeu Tô Contigo (Republicanos) ganhar impulso, caso seu “voto de cabresto” da Igreja Universal ganhe o apoio explícito e “laico” dos filhos de Jair Bolsonaro (sem partido) abrigados na legenda de Edir Macedo.

 

Tadeu terá o apoio do senador Flávio Bolsonaro e do vereador carioca Carlos Bolsonaro em sua campanha? (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Claro, sem pesquisas registradas, tudo são meras apostas, com o valor de qualquer outra antes da definição do páreo na linha de chegada. Até a decisão soberana do eleitor daqui a 29 dias, todos os 11 candidatos a prefeito têm, em tese, as mesmas chances. Muito embora, a menos de um mês do pleito, caiba observar que o chavão “eleição é na urna” é geralmente entoado por quem sabe não ter chance de vitória.

 

 

Além das apostas, há as reações dos candidatos que parecem confirmá-las. Assim, o desafio feito em vídeo na quarta (14) por Rafael a Wladimir, para um debate entre os dois, respondido com um desafio para os dois saírem juntos à rua, pode revelar duas coisas. A primeira, a certeza do prefeito de que o atual representante do clã que derrotou em 2016 é o concorrente mais forte na disputa de quatro anos depois para sucedê-lo. A segunda, relacionada à primeira, é que Rafael sabe não estar bem na corrida. E teria essa consciência refletida na tentativa de polarizar com que sabe liderá-la, como sua única saída.

 

(Print do Twitter)

 

A tática aparentemente deu resultados. No blog Opiniões, hospedado no portal Folha1, a postagem dos desafios trocados entre Rafael e Wladimir (confira aqui) teve 609 likes. Já a postagem seguinte, com as manifestações dos demais candidatos a prefeito — à exceção de Bruno Calil, que preferiu não se posicionar — colheu (confira aqui) apenas 29 curtidas. Nesta última, com todas as ressalvas de ordem prática que se faça aos dogmas identitários, pareceram corretas as únicas duas mulheres candidatas ao pleito:

 

Natália Soares, Odisséia Carvalho e Roberto Henriques (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

— Essa “briguinha” entre os dois, na busca de polarizar e ganhar holofotes, tão só demonstra como o ego e a sociabilidade masculina são destrutivas e até mesmo infantis — sentenciou Natália Soares (Psol).

— É um comportamento extremamente infantil, no meu entender. Os dois precisam é apresentar propostas à população. Esse tipo de comportamento parece coisa de escola — classificou Odisséia Carvalho (PT).

Ainda assim, pareceu estar errado o outro candidato a prefeito da esquerda dividida pelo governo de um município majoritariamente bolsonarista nas eleições presidenciais de 2018:

— A população não está nada interessada nessa briga entre Wladimir e Rafael Diniz — disse o experiente Roberto Henrique (PCdoB), em oposição ao interesse de fato gerado na população.

 

(Logo: Guto Leite)

 

Talvez equivocado sobre os desafios e sua capacidade de envolvimento no mundo virtual, Roberto Henriques, no entanto, está absolutamente correto sobre o mundo real. Nele, tolo é quem supõe que os danos provocados ao governo Rafael — a despeito dos seus próprios erros — pela crise financeira de Campos, não possam vitimar de maneira ainda mais grave qualquer outro prefeito que assumir o município em 1º de janeiro de 2021, incluído Wladimir. Em sua sabatina do último dia 8 no programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, Henriques disse:

— Eu sou favorável e vamos retornar os programas sociais (Passagem Social e Cheque Cidadão). Mas a gente tem que ser sincero em dizer: a curto e curtíssimo prazos, é impossível. A pessoa que fala isso é um demagogo — disse o candidato a prefeito do Partido Comunista do Brasil.

 

Impossibilidade de se retormar programas sociais como Passagem Social e Cheque Cidadão não é de desejo, mas aritmética (Montagem: Elaibe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

O limite da demagogia é imposto não por Roberto Henriques. Mas pela realidade financeira de um município com orçamento previsto para 2021 entre R$ 1,5 bilhão e R$ 1,7 bilhão, com R$ 2 bilhões estimados de despesas, sendo R$ 1,1 bilhão só com folha de pagamento de servidor. É questão de aritmética, não desejo. E o limite da começou a ser ultrapassado nas campanhas de Caio Vianna e Bruno Calil. O que confirma as apostas hoje se afunilando entre os dois na disputa por uma vaga ao segundo turno. Se nela um promete que Campos, em passe de mágica, se tornará uma Dinamarca a partir de 2021, o outro também promete o impossível.

Na série de sabatinas com os 11 candidatos a prefeito no Folha no Ar, Caio prometeu na terça (13) não apenas a Passagem Social e o Cheque Cidadão — exatamente como Rafael fez em 2016. Ao responder à pergunta de uma telespectadora, em comentário no streaming ao vivo do programa no Facebook, o pedetista prometeu até retomar o plano de saúde dos 14 mil servidores de Campos, suspenso pela então prefeita Rosinha Garotinho (hoje, Pros) desde 2015. Com que dinheiro? “Simples”! No mantra de campanha do candidato, é porque “Campos vai voltar a ser feliz”, como nos governos de Arnaldo Vianna (PDT), seu pai e principal cabo eleitoral.

 

(Foto: Petrobras)

 

Como a questão nunca é simples, em seus quatro últimos anos de governo, entre 2001 e 2004, Arnaldo arrecadou de royalties e participações especiais (PEs) a média/ano de R$ 972 milhões, em valores corrigidos pelo INPC. Em seus três primeiros anos de governo, entre 2017 e 2019, Rafael teve de royalties e PEs a média/ano de 569 milhões, corrigidos pelo mesmo INPC. Com quase metade das receitas petrolíferas de quase duas décadas atrás, geriu uma cidade bem maior em população, demandas, custo e tamanho da máquina pública. Que, em agosto de 2020, teve R$ 0,00 de PE, fato inédito desde que a receita começou a ser paga, em 2000. E na qual o atual prefeito é acusado de estelionato eleitoral por ter prometido em 2016, sem conseguir cumprir, os mesmos Cheque Cidadão e Passagem Social que Caio agora promete.

Embora tenha se mantido dentro do limite do possível no Folha no Ar de 5 de outubro, que abriu a rodada da sabatina com os prefeitáveis, Bruno Calil ontem (16) veiculou dois vídeos nas redes sociais. No primeiro, prometeu revogar a lei que suspende pagamento de gratificação ao servidor de licença por atestado médico. No segundo, prometeu que qualquer servidor nomeado DAS receberá 100% pela nova função, quando decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) relativa ao município já definiu esse limite em 75%. A generosidade com o dinheiro público de Campos — que se já não é suficiente para cobrir as atuais despesas, muito menos para aumentá-las — obedece a outra contra: a dos votos dos 14 mil servidores, multiplicada no barato por três, pelo reflexo na receita das suas famílias.

 

 

Caio e Bruno são candidatos tão legítimos quanto qualquer outro. Mas, pelos motivos postos, suas promessas não são. Sobretudo quando acusam o prefeito, adversário nas urnas de 2020, de estelionato eleitoral por ter prometido coisas muito parecidas, quando não o mesmo, em 2016. E hoje paga o preço que a realidade, a despeito do desejo, se encarregou de cobrar. Ao eleitor que não sofre de Alzheimer, a emissão da fatura é adiantada.

 

Publicado hoje (17) na Folha da Manhã

 

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Churrascão do Asilo do Carmo — Opção de almoço no domingo alimenta obra social

 

 

Sempre precisando de ajuda finaceira para manter seu serviço de atendimento aos idosos, o Asilo do Carmo vai promover neste domingo (18), das 11h às 15h, um Churrascão Delivery. O valor é R$ 15 e os interessados em ter uma opção de almoço que alimente também uma importante obra assistencial, devem fazer seus pedidos pelo número: (22) 999812969.

No grupo de WhatsApp deste blog e do programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, o aviso foi do advogado Artur Gusmão, procurador do município. Cristão genuíno, em um tempo de tantos falsos profetas e seus cultuadores do ódio, ele está sempre atento às iniciativas que resgatam o humanismo da cidade.

 

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Na lembrança materna e liceísta de 1961, homenagem ao Dia do Professor

 

Clube de História do Liceu de Humanidades de Campos, em 1961 (Foto: Arquivo)

 

Hoje, no Dia do Professor, a homenagem do blog à categoria, fundamental em qualquer lugar do mundo e tão pouco valorizada no Brasil, o que fala muito sobre o país, é feita a partir do registro enviado pela jornalista e ex-liceísta Jane Nunes. A fotografia de 1961 é do Clube de História do Liceu de Humanidades de Campos, formadora centenária de tantas gerações de campistas. Na parte inferior da foto, da esquerda para a direita, estão os professores Aldano de Barros, João Baptista da Hora, Evangelina Guedes, Maria Rita dos Santos Silva e Tarcísio Tupinambá. Depois deles, então com 17 anos, a primeira aluna é Diva dos Santos Abreu.

Pouco depois, Diva sairia dali para se formar em história, na Universidade Santa Úrsula, no Rio de Janeiro. E, muito antes da Folha da Manhã, voltaria a Campos para ser professora de outras tantas gerações de campistas, inclusive a de Jane, no mesmo Liceu pelo qual se aposentaria como servidora estadual. Na aluna transformada em professora e uma das mulheres mais extraordinárias que conheci — no que há de racional no juízo passional de qualquer filho — fica a reverência ao magistério pelo dia. Que deveria se dar na volarização da classe nos demais 364 dias de todos os anos.

 

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Candidatos a prefeito de Campos além do desafio que favorece a Rafael e Wladimir

 

(Foto: Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

Sobre os desafios eleitorais trocados hoje (confira aqui) entre o prefeito Rafael Diniz (Cidadania) e o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) — para um debate entre os dois e para os dois saírem juntos à rua —  faltou perguntar: o que pensam os demais 9 candidatos a governar Campos, nas urnas de 15 de novembro? Como a resposta é necessária à democracia goitacá, o blog fez a pergunta a todos os que foram deixados de fora da celeuma, em uma polarização em tese favorável apenas aos dois envolvidos.

Na ordem do envio respostas, confira abaixo o que pensam os candidatos a prefeito de Campos Beethoven (PSDB), Jonathan Paes (PMB), Caio Vianna (PDT), Cláudio Rangel do Boa Viagem (PMN), Professora Natália (Psol), Odisséia (PT), Tadeu Tô Contigo (Republicanos) e Roberto Henriques (PCdoB):

 

 

Lesley Beethoven (Foto: Divulgação)

 

— Desafio interessante. Estou curioso com o resultado… Quanto ao debate que será realizado pelo Fidesc (confira aqui) com os 11 candidatos, eu também participarei. Debater ideias em alto nível é fundamental para a democracia! — pontuou Beethoven.

 

 

 

— Rafael Diniz, acabei de assistir a um vídeo seu chamando o candidato Wladimir Garotinho para um debate, para mostrar a verdade. Então, aproveitando o gancho, eu, Jonathan Paes, candidato a prefeito da cidade de Campos, estou te desafiando. Aí que você realmente vai ver quem está falando a verdade. E aproveitando o gancho, eu desafio também o Wladimir Garotinho, o Caio Vianna (PDT) e os demais. Sabe por quê? Porque nós estamos aqui para falar a verdade à nossa população. E é por isso que eu digo: quem quer a verdade, é com Jonathan Paes e Dr. Constantino Ferreira (candidato a vice). Quem quer mentira, continue com eles — disse Jonathan Paes, também em vídeo gravado e divulgado nas redes sociais.

 

 

 

— Acho fundamental termos debate na campanha. É muito importante para a população campista ter a oportunidade de ouvir as propostas de todos e todas e conhecer um pouco mais sobre as irresponsabilidades e falta de competência das últimas gestões. Vamos juntos reviver o que o melhor governo que essa cidade já teve, fez por pela nossa cidade e o que juntos vamos construir para, enfim, retomarmos o caminho do crescimento — pregou Caio Vianna, também em vídeo divulgado nas redes sociais.

 

 

Cláudio Rangel (Foto: Divulgação)

 

— A maior necessidade do mundo é a de homens,  homens que não se comprem nem se vendam; homens que, no íntimo da alma, sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao polo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus. A população precisa de homens verdadeiros, honestos e de mãos limpas. A população campista não merece que seus representantes entram em confronto por questões que vem se arrastando há anos, nada se resolve em confronto, mas sim em diálogo e união. É preciso ser um líder para a nossa população campista — manifestou-se Cláudio Rangel.

 

 

Professora Natália (Foto: Divulgação)

 

— Acerca do vídeo divulgado pelo prefeito Rafael Diniz sinalizando o desejo de debater apenas com um candidato de sua escolha, digo que recebo isso com surpresa e decepção, pois estamos em um processo democrático em que ele deveria buscar o mais amplo debate. Esta reação intempestiva mostra que o desespero tomou conta de uma administração que se caracterizou pela retirada de políticas sociais, fechamento de escolas, e pelo desrespeito aos direitos dos servidores municipais. Essa “briguinha” entre os dois, na busca de polarizar e ganhar holofotes, tão só demonstra como o ego e a sociabilidade masculina são destrutivas e até mesmo infantis. De minha parte, estou disponível para debater democraticamente com todos os candidatos, acredito que a população mereça um debate aberto. Fora que assistir a um debate entre Rafael e Wladmir seria ouvir duas faces da mesma moeda: projetos que priorizam grupos específicos em detrimento dos mais pobres — alfinetou Natália Soares.

 

 

Odisséia Carvalho (Foto: Folha da Manhã)

 

— Eu acho que tanto Rafael, quanto Wladimir, eles têm que apresentar, como os demais candidatos, as propostas, o programa de governo. Quem vai julgar, quem vai definir, é a população no voto, no dia 15 de novembro. Então, considero incoerente esse tipo de atitude dos dois. É um comportamento extremamente infantil, no meu entender. Os dois precisam é apresentar propostas à população. Esse tipo de comportamento parece coisa de escola — classificou Odisséia Carvalho.

 

 

Alexandre Tadeu (Foto: Divulgação)

 

— É o sujo falando do mal lavado. São herdeiros de famílias gananciosas, lutando pelo poder para deixar a cidade e os cidadãos cada vez mais pobres e dependentes da Prefeitura. Querem se perpetuar no governo. Vou acabar com isso. Campos vai ficar 10 — criticou Tadeu Tô Contigo, aproveitando para fazer sua propaganda eleitoral.

 

 

 

— A população não está nada interessada nessa briga entre Wladimir e Rafael Diniz, sobre o convite que Rafael fez para que Wladimir debatesse com ele. Sabe o que a população quer? É o grande debate com todos os candidatos. Eu pediria aqui, inclusive, que as principais redes de televisão do nosso município revissem as suas posições de não realizar os debates. Esse debate, sim, é que o povo de Campos está esperando. Agora, quanto que Wladimir fala de Rafael, e o Rafael fala do Wladimir, quando um fala do outro sobre essa questão dos desafios deles, os dois têm razão. Porque realmente Wladimir não aceitou o convite do Rafael. E Rafael também, por sua vez, não aceitou o convite do Wladimir para ir às ruas debater com o povo. Fica esperto! Essas brigas menores, em nada contribuem para uma eleição limpa, democrática, que a população de Campos espera que façamos. Fica esperto! — aconselhou Roberto Henriques, em mais um vídeo sobre a polêmica.

 

As posições dos demais candidatos a prefeito de Campos serão postadas tão logo sejam geradas.

 

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Rafael desafia Wladimir a um debate entre os dois e é desafiado para irem à rua

 

Rafael Diniz e Wladimir Garotinho (montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Candidato à reeleição em novembro, o prefeito Rafael Diniz (Cidadania) publicou e divulgou hoje nas redes sociais um vídeo (confira aqui). E nele desafiou o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), também candidato a prefeito, para um debate a ser organizado pelos dois comitês de campanha. Nele, o neto do falecido ex-prefeito Zezé Barbosa disse ao filho do casal Garotinho:

— Candidato, a gente está vendo aí que infelizmente a Globo (InterTV) e a Record não vão realizar o debate no primeiro turno. Eu acho que seria importante a gente estar debatendo a cidade. Mas já que você fala tanto do futuro, o que pode ou não pode ser feito, e já que sou eu que vivo o presente e a sua mãe (a ex-prefeita Rosinha, hoje Pros) que estava aqui em um passado recente, com todo o respeito a todos os outros (nove) candidatos a prefeito, eu queria propor a você: eu e você num debate presencial. A minha assessoria se junta com a sua, para poder montar as regras e a gente poder debater: o passado recente de Campos, o presente de Campos e o futuro para Campos. E acho que assim a gente vai ter condição de dar oportunidade ao eleitor dizer quem fala a verdade e quem fala a mentira. Te aguardo.

 

Confira o vídeo abaixo:

 

 

Adversário de Rafael nas urnas de 15 de novembro, Wladimir respondeu ao prefeito em duas postagens no Twitter (confira aqui e aqui). Nelas, lembrou que o debate virtual e ao vivo entre os 11 candidatos, promovido pelo do Fórum Institucional de Dirigentes do Ensino Superior de Campos (Fidesc) está marcado (confira aqui) para 5 de novembro. E também fez um desafio, chamando o adversário para os dois saírem juntos às ruas do município cujo governo disputarão:

— Acabei de ver um vídeo onde o prefeito Rafael Diniz me chama pra um debate. Desde o primeiro dia do meu mandato eu me propus a dialogar para ajudar a cidade e ele ignorou. O ofício 001 do meu gabinete foi endereçado ao “prefeito”, que nunca pediu nada pela cidade.

— Você vai ter a oportunidade de debater comigo no debate que vai ser organizado pelas universidades com todos os candidatos. Mas eu queria te propor um outro desafio: VEM PRA RUA!  Vem tentar explicar de perto as pessoas tudo que você destruiu. E aí? Vai?

 

Confira o print das postagens abaixo:

 

(Print do Twitter)

 

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Capitão do mato do capitão exclui Marina Silva da Fundação Palmares

 

O capitão do mato e o capitão (Foto: Facebook)

 

“Capitão do mato” (1823), aquarela de Johann Moritz Rugendas

Já externei ressalvas (confira aqui) à baixa inteligência emocional e política do identitarismo e seu “lugar de fala”. Como também orgulho pela identificação pessoal e histórica com minhas origens índia, negra e portuguesa. Entre uma coisa e outra, como reagir ao capitão do mato que o capitão colocou na Fundação Cultural Palmares para perseguir negros que não negam o racismo no Brasil?

Lacaio negro do senhor branco, o tal Sérgio Camargo hoje anunciou no pelourinho bolsonarista das redes sociais que excluiu a ex-senadora Marina Silva (Rede) da lista de personalidades negras da Fundação Palmares. Segundo ele, ela “não tem contribuição relevante para a população negra do Brasil”.

Parida pela avó parteira no Acre de 1958, Marina foi seringueira, empregada doméstica e analfabeta até os 16 anos. Com 26, se formava em história pela Universidade Federal do Acre, em 1984. Em 1988, foi eleita a vereadora mais votada de Rio Branco, capital do seu estado. Em 1990, repetiu o feito ao se eleger deputada estadual. Em 1994, aos 36 anos, foi eleita a senadora mais jovem da história da República. Reeleita ao cargo em 2002, se licenciou para assumir o ministério do Meio Ambiente do primeiro governo Lula. No segundo, em 2008, pediu exoneração e voltou ao Senado, após se desentender com a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

 

O então presidente Lula e Marina Silva, sua ministra do Meio Ambiente (Foto: Celso Junior – Estadão)

 

Marina saiu do PT para se candidatar a presidente da República pelo PV em 2010. E foi a primeira ameaça real à disputa entre PT e PSDB, desde que este chegou ao poder com Fernando Henrique Cardoso em 1994. Dezesseis anos depois, mesmo com 19,6 milhões de votos, a candidata verde teve que assistir ao segundo turno entre sua antiga desafeta Dilma e o tucano José Serra.

 

Marina, José Serra e Dilma Rousseff no debate da Folha de São Paulo e UOL em 18 de julho de 2010 (Foto: Nelson Antoine – Fotoarena – Veja)

 

Em 2014, após ter o registro do seu novo partido negado, aceitou ser vice na chapa do PSB à presidência, encabeçada pelo governador pernambucano Eduardo Campos. Após a morte deste em acidente de avião, assumiu a candidatura e ameaçou ainda mais a polarização entre PT e PSDB. Conquistou 22,1 milhões de votos, mas ficou novamente em 3º lugar. Atacada de forma mentirosa e covarde pelo PT no primeiro turno, Marina apoiou Aécio Neves no segundo. E nunca foi perdoada por quem seria apeado do poder com o impeachment de Dilma em 2016.

 

 

Em 2018 começou bem nas pesquisas, disputando com Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB) a vaga para furar a polarização que o PT agora tinha com Bolsonaro. Mas, após a facada levada por este e o impedimento da candidatura de um Lula preso, Marina derreteu nas intenções de voto. Terminou em 8º lugar, com pouco mais de 1 milhão de votos.

Com muita convicção, que se mantém, votei em Marina a presidente em 2010 e 2014. Nesta, se não fossem as fake news que o PT de Dilma e Lula usou para quatro anos mais tarde acusar Bolsonaro de usar, a ex-seringueira tinha chances reais de se eleger. Mas, como definiu o poeta português Fernando Pessoa pela pena do seu heterônimo Álvaro de Campos, isso é “a história do que poderia ter sido”. Não sem depois completar: “A verdadeira história da humanidade”.

 

Antes de receber a facada que o elegeu, em um dos pucos debates presidenciais de que participou em 2018, Bolsonaro foi enquadrado por Marina por “pegar a mãozinha de uma criança e ensinar como é que faz para atirar. É esse o ensinamento que você quer dar? Você acha que pode resolver tudo no grito, na violência?” (Foto: Diego Padgurschi – Folhapress)

 

Em 2018, com o derretimento de Marina, fiz o voto útil em Ciro ainda no primeiro turno. Era o único que as pesquisas antes das urnas apontavam ser capaz de bater Bolsonaro no segundo. No qual bateu o PT, como previsto, e se elegeu presidente em um fenômeno eleitoral talvez sem precedentes. Para colocar na Fundação Palmares um negro que diz que “a escravidão foi benéfica aos negros”.

Na história do que foi — e na que será contada — o capitão do mato do capitão terá menos importância do que a malária, ou as contaminações por mercúrio e leishmaniose a que Marina sobreviveu.

 

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Declaração de voto a vereador de Campos entre Edmundo, Uchôa, Thuin e Gilberto

 

Do meu tempo de vida, os melhores jogadores de futebol que vi atuarem foram Zico, Maradona, Zidane e Messi. Não necessariamente nesta ordem, coloco os quatro acima de todos os outros. Por motivos de memória emocional, no par ou ímpar, fico com Zico. Mas, dos anos 1980 para cá, se alguém afirmar que o melhor foi Maradona, ou Zidane, ou Messi, admito que o palpiteiro pode estar certo e eu errado. Certeza, só uma: para qualquer dos lados, não será por muito.

 

Zico, Maradona, Zidane e Messi (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A analogia vale à declaração do meu voto de vereador. Que a isto se resume, minha opção cidadã e pessoal, sem nenhuma influência na linha editorial deste blog e, sobretudo, da Folha da Manhã, do seu portal Folha1, ou da rádio Folha FM 98,3. Claro que há vereadores entre os atuais 25 que, no meu ponto de vista, merecem a reeleição. Entre os quais tenho amigos, critério que não define minha escolha enquanto eleitor. Mas citaria Jorginho Virgílio (DC), nº 27777, por sua independência e trabalho no comando da CPI do Fundecam.

Mas minha opção, diante da urna e de uma Legislatura no geral de pouco brilho, será pela renovação. E esta confluiu entre outros quatro nomes: o servidor federal Edmundo Siqueira (Rede), nº 18718; o policial federal Roberto Uchôa (Patri), nº 51456; o ex-presidente da Fundação Municipal dos Esportes Raphael Thuin (PTB), nº14000; e o estudante universitário Gilberto Gomes (PT), nº 13333.

Respeito as escolhas diversas. Mas creio que o trabalho de Edmundo na defesa embasada da cultura do município, o de Uchôa como especialista sério e gabaritado na área da Segurança Pública, o de Thuin em seu belo legado no esporte e paraesporte de Campos, além do potencial de Gilberto como jovem cabeça pensante da esquerda campista, aberta à autocrítica, mesmo a despeito de eu considerar o governo Dilma Rousseff desastroso, fizeram que a opção se definisse entre os quatro. Que poderiam ser cinco, se o jornalista Rogério Siqueira, do movimento negro e também da cultura, confirmasse sua candidatura a vereador pelo PSB.

 

 

Pelo aspecto pessoal da minha própria militância na cultura goitacá, desde os anos 1990, meu voto a vereador em 15 de novembro será do Edmundo Siqueira. Que, entre as opções listadas no início, obedece ao mesmo paralelo de escolha estabelecido incialmente entre Zico, Maradona, Zidane e Messi. Seja em suas áreas respectivas ou na política, Edmundo, Uchôa, Thuin e Gilberto não alcançaram e muito dificilmente alcançarão o mesmo patamar dos quatro gênios do campo. Mas não tenho dúvida que qualquer um deles, se eleito, baterá um bolão na Casa do Povo.

 

 

P.S. Antes que alguém pergunte, ainda não defini meu voto a prefeito. Certeza, só duas. A primeira? Será alguém que não minta sobre seus próprios erros e deficiências, que todos os 11 candidatos possuem. Como os têm os eleitores da natimorta “nova política”, baseados no “mito” de que políticos são filhos de chocadeira, não da sociedade que igualmente formam. Mas, sobretudo, será o candidato a governar Campos que não minta sobre o grave quadro financeiro que qualquer um deles irá encontrar em 2021. Que já afeta e continuará afentando diretamente a vida dos mais de 507 mil campistas.

Na dúvida, você, leitor, pode ter ciência da realidade aquiaquiaquiaquiaqui, aquiaqui, aqui, aquiaqui e aqui.

 

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Futuro de Campos entre a economia e as apostas políticas para novembro

 

Deputado estadual Rodrigo Bacellar (Foto: Folha da Manhã)

 

 

Após os 11 painéis promovidos pela Folha sobre a grave crise financeira de Campos (confira-os aquiaquiaquiaquiaqui, aquiaqui, aqui, aquiaqui e aqui), publicados de 18 de julho a 26 de setembro, ouvindo 34 representantes da sociedade civil organizada, entre especialistas de economia, finanças, ciência política, antropologia e sociologia, além de juristas, jornalistas, gestores universitários, empresários e sindicalistas, restou pouca dúvida racional. Muito mais importante que saber o vencedor das eleições a prefeito de novembro está a necessidade de resposta à principal questão aos mais de 507 mil campistas: com um orçamento para 2021 projetado entre R$ 1,5 bilhão e R$ 1,7 bilhão e gasto previsto de R$ 2 bilhões, entre os quais R$ 1,1 bilhão já comprometido só com folha de pagamento de servidor, como Campos pode fechar essa conta?

 

Grandes pensadores da economia, Adam Smith, John Keynes e Karl Marx (Montagem: Eiabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

É uma pergunta difícil e complexa, feita e refeita pela Folha aos 11 candidatos a prefeito do município. E, com R$ 0,00 de Participação Especial (PE) de agosto, fato inédito desde que a receita petrolífera começou a ser paga em 2000, mais o julgamento da partilha dos royalties no Supremo Tribunal Federal (STF) marcado para 3 de dezembro, a pergunta fica ainda mais difícil e complexa. Mesmo que a resposta coubesse a uma chapa majoritária ao Executivo goitacá composta por Adam Smith a prefeito e John Maynard Keynes de vice — ou Karl Marx, a depender da torcida ideológica, no lugar de um dos dois cânones universais da economia.

 

(Foto: Petrobras)

 

Tão cego quanto quem finge não enxergar a gravidade problema, é não buscar alternativas. Na série de 11 painéis, entre as muitas diferenças de formação e visão que marca a sociedade civil e seus representantes qualificados em diversas áreas, pelos menos três opções foram consensuais: a implantação integral do pregão eletrônico nas compras do município, a parceria do poder público com o polo universitário e a retomada da vocação agropecuária. E na rodada de sabatinas do jornal Folha da Manhã e o programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, com os candidatos a prefeito, pelo menos até aqui, nenhum deixou de se comprometer com as três.

 

 

As possibilidades falam por si. Exigido pelo governo federal no repasse de verbas e integralmente adotado no município vizinho de Macaé, o pregão eletrônico é responsável pela economia de até 30% nas compras públicas. Por sua vez, a parceria com o polo universitário é evidenciada pelo prefeito Rafael Diniz (Cidadania), candidato à reeleição. Em entrevista nas páginas 2 e 3 desta edição, ele conta (confira aqui) a importância que essa união teve no enfrentamento contra a pandemia da Covid. Como poderia ser pela condução do deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), também candidato a prefeito, na emenda de bancada (confira aqui) para retomar as obras do novo prédio da UFF-Campos. Ou pelo serviço prestado à democracia goitacá pelo Fórum Institucional de Dirigentes do Ensino Superior de Campos (Fidesc), que promoverá (confira aqui) em 5 de novembro, a 10 dias das urnas, seu debate entre os 11 candidatos a prefeito.

 

 

Já a importância da retomada da vocação agropecuária do município, seu eixo econômico do séc. 17 ao final do séc. 20, quando foi suplantada e abandonada pelo dinheiro fácil do petróleo, é colocada em números na matéria da página 11 desta edição. Nela, o empresário Renato Abreu, presidente do Grupo MPE, que atua na Sapucaia junto à Coagro, revelou (confira aqui) que a safra de cana 2019/2020, com duas usinas, vai movimentar R$ 500 milhões na economia local. É cerca de 1/3 do orçamento de 2021 para Campos. Cujo campo não se resume à cana, nem à agroindústria.

 

Colheita de cana mecanizada da Coagro/MPE/Sapucaia (Foto: Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

Para quem sabe fazer contas, o principal problema de Campos é econômico, não eleitoral. Mas, se fosse, pode se enganar quem julga que o poder político real do município estará com quem for eleito prefeito, ou em 15 de novembro, ou, mais provavelmente, no dia 29 do mesmo mês. Na primeira data, com a nova Câmara Municipal e os dois candidatos do segundo turno ao Executivo definidos, o cacife maior poderá estar nas mãos de quem optou por não disputar nenhum cargo eletivo em 2020.

 

Com a Prefeitura de Campos em sérias dificuldades financeiras, independente do prefeito eleito em novembro, poder real de 2021 pode estar na próxima Câmara Municipal

 

Eleito deputado estadual em 2018, Rodrigo Bacellar (SD) trabalha com a maior estrutura de campanha na Campos de dois anos depois. Tentará eleger até sete vereadores por sua coligação. Entre eles, o edil Igor Pereira (SD) é aposta para estar entre os mais votados, o que o cacifaria à disputa pela presidência da Casa do Povo. Além disso, Rodrigo pretende fazer outros dois vereadores, entre os candidatos ligados a outras chapas majoritárias que já pularam ao seu barco. Lógico, é preciso combinar antes com o eleitor. Mas a força na disputa pelos cabos eleitorais impressiona. Ainda que às vezes negativamente, como foi o caso da aglomeração de gente e carros no lançamento da candidatura de Bruno Calil (SD) a prefeito, na casa de shows Multiplace, no último dia 15, que gerou (confira aqui) reação do Ministério Público Eleitoral.

 

Wladimir Garotinho e Caio Vianna (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A despeito da falta de pesquisas e seus critérios estatísticos, como de debates para discussão e enfretamento de ideias, em uma eleição atípica com pandemia e muitos candidatos a prefeito, se o encontro entre eleitor e urna fosse hoje, um segundo turno entre Wladimir e Caio Vianna (PDT) não pagaria muito nas casas de aposta. Mas o pleito é daqui a 36 dias. Até lá, são observadas com atenção as corridas por fora de Rafael, que conseguiu recuperar parcialmente sua força na “pedra” (98ª), mas enfrenta grande rejeição na periferia; e de Bruno, ainda fraco na “pedra”, mas forte na sua 76ª natal e na 75ª, base eleitoral de Igor — como do candidato a vereador Nildo Cardoso (PSL), aliado de Caio. O que não impede nenhum dos outros sete candidatos a prefeito de surpreender. Sobretudo se o clã Bolsonaro colocar sua mão sobre a candidatura de Tadeu Tô Contigo (Republicanos).

 

Rafael Diniz e Bruno Calil (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

No que ninguém aposta, salvo algo fora das condições normais de temperatura e pressão, é um segundo turno sem Wladimir. Se isso se confirmar e Rodrigo eleger algo próximo da bancada que trabalha com a “alavanca no canto” para fazer, sua força nesse hipotético segundo turno pode independer do adversário do filho do casal de ex-governadores. Se for Bruno, o filho do ex-vereador Marcos Bacellar (SD) investirá no tradicional “todos contra os Garotinho”. Mas se for Caio, Rafael ou qualquer outro, a situação pode ser ainda mais cômoda: Rodrigo se transformaria na “noiva mais bonita” para 29 de novembro.

 

Locomotiva a todo o vapor com a “alavanca no canto”, enquanto houver carvão

 

Qualquer que seja o resultado final das urnas a prefeito, a grave situação financeira que este encontrará dará pouca ou nenhuma oportunidade para “voo solo”. Se o apoio do presidente da Alerj, deputado André Ceciliano (PT), as boas relações com o governador interino Cláudio Castro (PSC), mais o conhecimento dos bastidores do Tribunal de Contas do Estado (TCE), for acrescido de uma bancada expressiva na Câmara de Campos — o que, até 15 de novembro, não passa de uma aposta —, Rodrigo teria contra ele apenas a delação (confira aqui) do ex-secretário estadual de Saúde, Edmar Santos. Que já derrubou o governador Wilson Witzel (PSC).

Noves fora o imponderável, o vencedor das eleições de 2020 em Campos talvez não precise disputá-las. A despeito da pouca idade, é um hábil operador da “velha política”, a única que há desde a República de Roma e à qual Bolsonaro sempre pertenceu — e se submeteu para poder governar. Do Planalto Central à planície goitacá, a ver.

 

Publicado hoje (10) na Folha da Manhã

 

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Coletânea sobre Didi, que hoje completaria 92 anos, republicada no Ultrajano

 

Em 12 de maio deste ano, quando se completaram 19 anos da morte de Waldir Pereira, o Didi, publiquei uma antologia de textos sobre o maior jogador de futebol da história de Campos e considerado entre os maiores meias da história do futebol mundial. Hoje, quando ele faria 92 anos, um craque de outros campos, o jornalista José Trajano, republicou em seu portal Ultrajano, aquela antologia sobre Didi. Que reuniu textos dos jornalistas Péris Ribeiro, Chico de Aguiar, do falecido Carlos Heitor Cony e meu, sobre o gênio da Folha Seca. Era o nome do chute venenoso que ele criou e que batiza o prêmio entregue anualmente pelo Grupo Folha a um campista que tenha elevado o nome da cidade em plano nacional ou mundial. E que foi entregue pela primeira vez em 2000, ao próprio Didi.

Confira aqui a publicação original do texto neste Opiniões e aqui a sua republicação hoje no Utrajano.

 

(Clique na imagem para ler o texto)

 

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