Entre jornal, futebol, prosa e música, histórias de Seu Léo

 

José Leonardo Moreira
José Leonardo Moreira

 

Histórias de Seu Léo

 

Coube a mim contratar Leonardo Moreira, Seu Léo, no início dos anos 1990, como motorista da Folha da Manhã. Da qual vestiu a camisa como poucos por mais de três décadas, até o início da pandemia da Covid. E foi na data do meu aniversário de 50 anos, no último 24 de junho, dia de João Batista, que ele fez a passagem após 71 anos de vida, no Oncobeda. Não resistiu à cirurgia para extrair um câncer de garganta.

Soube no início da noite por meu afilhado, Aquiles, que viu a notícia no celular. E a redação da Folha, por conta da data, evitou de me passar. Estava junto também da minha mãe, Diva, que chorou muito ao saber. Tomado de sentimentos contraditórios entre minha própria vida em interseção com a morte de um amigo muito querido, pensei em cancelar o churrasco de aniversário que tinha marcado, também com amigos, no dia seguinte. Mas Diva, refeita, me disse a verdade: “Seu Leonardo seria o primeiro a te dizer para não fazer isso”.

Léo foi bem mais do que um motorista de jornal. Como o saudoso Valdelan Paes antes dele, foi um condutor de volante convertido em jornalista. Repórter e pauteiro inato, não chegou, como Paes, a se aventurar como escriba. Mas qualquer jornalista que já tenha convivido com ele numa redação ou cobertura de rua, mente se disser que não achou um novo fato, personagem, ou ângulo para texto ou foto, a partir dos seus olhos e ouvidos atentos. E da sua boca verborrágica, que quase sempre pontuava as frases com “meu camarada!”.

Passada uma semana da sua morte, faço o que não consegui anestesiado pelo impacto dela. Conto algumas das suas muitas histórias, meu camarada!

Flamenguista típico, a justificar a fama de ufanista chato, responsável pelo prazer que vascaínos, tricolores e botafoguenses têm ao ver o Flamengo perder, superior ao que sentem quando seus próprios times vencem, Léo assistiu ao meu lado às conquistas rubro-negras do Penta e do Hexa no Brasileirão, em 1992 e 2009. Ambas testemunhadas por nós, espremidos nas arquibancadas de quando o Maracanã era o Maracanã.

Na conquista do Brasileiro de 1992, após a vitória de 3 a 0 contra o Botafogo na primeira partida da final, fomos de Campos ao Rio para a segunda. Junto também do amigo Hervezinho Lyzandro, em meio a mais de 122 mil outras pessoas, assistimos ao empate de 2 a 2 que deu o título ao Flamengo do Maestro Júnior, autor do primeiro gol. O jogo ficou tragicamente marcado pela queda do alambrado, pelo qual centenas despencaram da arquibancada ao anel inferior do maior estádio do mundo, matando três pessoas a poucos metros de nós.

 

 

Na conquista do Brasileiro de 2009, no meio da torcida Raça Rubro-Negra, estávamos Léo, eu e meu filho Ícaro, então com apenas 10 anos. E assustado com o gigantismo de um Macara apinhado de mais de 84 mil torcedores. Com o gol de cabeça do zagueiro Ronaldo Angelim, o Flamengo do sérvio Petkovic e de Adriano Imperador suou, mas deu números finais à vitória de virada por 2 a 1, após o Grêmio abrir o placar.

 

 

Entre os Brasileiros de 1992 e 2009, foi em outro Flamengo e Grêmio a passagem para mim mais marcante, por hilária, com Léo. E foi não na conquista, mas na perda de um título nacional. Após o empate de 0 a 0 em Porto Alegre, o Rubro-Negro e o Tricolor Gaúcho decidiram a Copa do Brasil de 1997 no Maracanã.

Com Romário no comando do ataque em dupla com o driblador ponta esquerda Sávio, o Flamengo era favorito. E levava o caneco por 2 a 1 até os 39 minutos do segundo tempo, quando o meia gremista Carlos Miguel igualou o placar. Com o critério de desempate a partir do saldo de gols marcados fora de casa, o clima na saída dos mais de 95 mil torcedores, em sua imensa maioria flamenguistas, era de velório. Descemos as rampas do Maracanã até o metrô, todos calados e de cabeça baixa. Dava para ouvir um alfinete caindo no chão.

 

 

Entramos no vagão do metrô, com a multidão rubro-negra ainda mais espremida do que no Maraca. Leonardo, que nunca conseguia ficar calado muito tempo, quebrou o silêncio sepulcral com uma de suas típicas bravatas. E disse em voz alta:

— É, camarada, o Flamengo tem que pegar é Mirandinha! — bradou em meio à mudez até então só quebrada pelo solavanco de aço conta aço, das rodas nos trilhos, sobre o ponta direita veloz que fazia relativo sucesso à época no Paysandu do Pará, antes de ser comprado para não dar em nada no Corinthians.

Do canto do mesmo vagão, um negão de uns 2 metros de altura por uns 3 de largura, com camiseta do Flamengo das quais saíam braços musculosos mais grossos que as minhas pernas, gritou em voz grave. E resumiu a reação geral à provocação de Léo:

— Cala a boca, gordo burro!

Leonardo ficou vermelho, se contendo para não mandar a tréplica ao colosso de ébano. Ao que asseverei, com voz firme, ao ouvido dele, ambos em pé e agarrados como podíamos pelas mãos às barras superiores do metrô:

— Cale a porra da boca, Léo. Olhe o tamanho do sujeito! E estamos trancados aqui com ele até a próxima estação. Se você der uma resposta e ele partir pra cima, no lugar de apanhar junto, eu vou ajudar a te bater — disse, entre risos e o nervosismo contidos.

Novamente no Rio, mas por motivo diverso, era 2002 quando fui comprar a edição de luxo que a Ediouro havia acabado de lançar da obra prima do prosador francês Marcel Proust. “Em Busca do Tempo Perdido” vinha em três tomos. Na tradução primorosa do hoje falecido poeta carioca Marcelo Py, o primeiro volume reunia “No Caminho de Swann” e “À Sombra das Moças em Flor”; o segundo, “O Caminho de Guermantes” e “Sodoma e Gomorra”; com “A Prisioneira”, “A Fugitiva” e “O Tempo Recuperado” no terceiro.

 

 

 

Sempre curioso e entrão, Léo veio ao quarto do apartamento do Rio, onde estávamos com minha família. E viu como eu estava feliz, como criança de brinquedo novo, com aqueles livros. Expliquei um pouco a ele sobre Proust e sua obra. E percebi que, na saída do quarto, o velho Aluysio Barbosa estava sentado sozinho no sofá da sala, fumando um cigarro que mataria ele e seu inseparável companheiro de compras no Mercado Municipal de Campos.

Como dizia a Léo e algumas pessoas mais próximas, embora bem diferentes de corpo, ele se parecia muito só de face com o grande ator Robert DeNiro, inclusive pela pinta na bochecha. E, o roteiro que lhe dei de improviso, antevendo a reação de Aluysio, seguiu como o veterano astro de Hollywood. Dei-lhe o primeiro tomo de “Em Busca do Tempo Perdido”. E passei com ele o rápido ensaio, cumprido à risca:

— Léo, você vai sair do quarto à sala, com o livro aberto às mãos, fingindo estar concentrado na leitura, indiferente a todo o resto. E, certo como dois e dois são quatro, Aluysio vai perguntar: “O que você está fazendo, Leonardo?”. Ao que, sem tirar os olhos do livro, você vai responder, sem dar confiança: “Agora, não, Seu Aluysio. Por favor, eu estou lendo Proust”.

Roteiro executado à perfeição, meu pai vociferou avermelhado de raiva ao ser esnobado:

— Leonardo, vão você e Proust para a casa do…! — praguejou, enquanto eu me segurava para não urinar de tanto rir, assim como Léo.

Não lembro o ano, mas numa das nossas incontáveis viagens entre Campos e Rio, nas curvas entre o Atlântico e a Serra do Mar, que Leonardo conhecia de cor como nenhum outro condutor, eu e Aluysio estávamos querendo ouvir a gravação do trompetista e cantor Chet Baker de “My Funny Valentine” no CD player do carro. Que meu pai me ensinou a amar como aquela estrada. E Léo, para variar, não parava de falar, atrapalhando a audição.

 

 

Era exatamente a mesma gravação que eu estava ouvindo, na casa da minha mãe, junto com meu afilhado, no último 24 de junho do meu aniversário e da morte de Leonardo, quando dela soube. Crente de sinais, não coincidências: vá em paz, meu irmão!

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Reviravolta do STF revela acordo entre Garotinho e Castro?

 

Futuro do ex-governador Anthony Garotinho entre o ministro bolsonarista do STF Nunes Marques, o atual presidente Jair Bolsonaro, o governador Cláudio Castro e o deputado estadual Rodrigo Bacellar (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

STF libera Garotinho

A pré-candidatura de Anthony Garotinho (União) em outubro continua viva. Em reviravolta no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Nunes Marques, que já tinha votado pela validação das provas na condenação da Chequinho, retirou seu voto na tarde dessa sexta-feira (01), para à noite votar pela nulidade. O placar parcial, que pode ser alterado até 5 de agosto, agora é de 3 a 2 favorável ao recurso do ex-vereador Thiago Ferrugem (União), no mesmo processo que poderia tornar Garotinho inelegível.

 

Votos de FHC, PT e Bolsonaro

Relator, o ministro Ricardo Lewandowski, indicado pelo ex-presidente Lula (PT), tinha votado pela nulidade das provas, no que foi seguido por Gilmar Mendes, indicado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Indicados, respectivamente, pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL), Edson Fachin e Nunes Marques tinham votado pela validação. Último ministro indicado pelo atual presidente, André Mendonça também decidiu contrário ao grupo dos Garotinho na noite de quinta-feira (30). No dia seguinte, Nunes Marques, ministro mais bolsonarista da Corte, retirou seu voto e deu uma volta de 180º.

 

Acordo por cima?

Fato é que Garotinho, até aqui, não tem impedimento para se candidatar. Embora alguns analistas arrisquem que, após o susto, ele possa desistir de concorrer contra o governador bolsonarista Cláudio Castro (PL). E se contentar com a disputa de outro cargo, como deputado federal ou estadual. Isso pacificaria a relação em Campos entre os Bacellar e os Garotinho, inclusive na composição da nova Mesa da Câmara, em costura feita por cima. Ninguém duvida de mais nada, mesmo que não seja fácil pensar em composição entre os clãs, até que de fato ela esteja consumada. Mas sem a possibilidade de virar o voto, como fez Marques.

 

Com o jornalista Arnaldo Neto.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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STF libera Garotinho a se candidatar. A governador?

 

Anthony Garotinho

A pré-candidatura de Anthony Garotinho (União) em outubro cotinua viva. Em reviravolta no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Nunes Marques, que já tinha votado pela validação das provas na condenação da Chequinho, retirou seu voto na tarde de hoje, para agora à noite votar pela nulidade. O placar parcial, que pode ser alterado até 5 de agosto, agora é de 3 a 2 favorável ao recurso do ex-vereador Thiago Ferrugem (União), no mesmo processo que poderia tornar Garotinho inelegível.

No julgamento da 2ª turma do STF, o ministro relator Ricardo Lewandowski tinha votado pela nulidade das provas, no que foi seguido pelo ministro Gilmar Mendes. Pela validação da condenação, tinham votado os ministros Edson Fachin e Nunes Marques. Voto que faltava, na noite de ontem (30) o ministro André Mendonça também decidiu contrário ao grupo dos Garotinho. Na tarde de hoje, Nunes Marques, ministro mais bolsonarista da instância máxima do Judicário do país, primeiro retirou seu voto na tarde de hoje, para à noite dar uma volta de 180º.

Capaz de ser explicado só pelos juristas, impossível de ser entendido pelos leigos e imcompreensível até aos jornalistas que se aventuram a cobrir o caso, o fato é que Garotinho, até aqui, não tem impedimento legal nenhum para se candidatar em outubro. Embora alguns analistas arrisquem que, após o susto, ele possa desistir de concorrer contra o governador bolsonarista Cláudio Castro (PL). E, até as convenções partidárias, se contentar com a disputa de outro cargo eletivo, como deputado federal ou estadual. O que pacificaria a relação em Campos entre os Bacellar e os Garotinho, inclusive na composição da nova Mesa Diretora da Câmara Municipal, em costura feita por cima.

À esta altura, ninguém, jurista, jornalista, ou leigo, duvida de mais nada.

 

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STF: pré-candidatura de Garotinho a governador segue aberta

 

Anthony Garotinho

Ainda não está definido o julgamento da Chequinho no Supremo Tribunal Federal (STF). E, por conseguinte, segue aberta a possibilidade jurídica de Anthony Garotinho (União) poder se candidatar a governador do RJ em outubro. Após o ministro do STF André Mendonça votar na noite de ontem (30) com os colegas Edson Fachin e Nunes Marques, com o placar de 3 a 2 pela validação das provas da Chequinho na condenação do ex-vereador Thiago Ferrugem (União), as mesmas contra Garotinho, Nunes Marques retirou seu voto na tarde de hoje.

Assim, o placar fica parcialmente empatado em 2 a 2, já que votaram pela nulidade das provas os ministros Ricardo Lewandowski, relator do caso, e Gilmar Mendes. Os cinco ministros da 2ª turma do STF têm até 5 de agosto para apresentarem o voto final. No programa Folha no Ar da manhã de hoje, a deputada federal Clarissa Garotinho (União), embora frustrada com o placar parcial de 3 a 2 que implicaria no impedimento jurídico da candidatura do pai a governador, já tinha frisado que a fatura não estava fechada:

— Estou muito surpresa, inclusive decepcionada com esse resultado (os 3 a 2 parciais na 2ª turma do STF). Vamos ver daqui para frente. O julgamento não acabou, ele foi reaberto. Ele só acaba até o dia 5 de agosto. Isso significa que os próprios ministros têm condição de fazer revisão dos seus votos. Esse julgamento não está encerrado — apostou Clarissa ao microfone da Folha FM.

 

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STF deixa Garotinho mais distante da candidatura a governador

 

Anthony Garotinho

Como os votos dos dois ministros bolsonaristas do Supremo Tribunal Federal (STF), Anthony Garotinho (União) ficou mais distante da possibilidade de se candidatar a governador em outubro. Na 2ª turma do STF, o ministro André Mendonça votou na noite de ontem (30) pela validação das provas da condenação da Chequinho no processo do ex-vereador Thiago Ferrugem (União). E formou a maioria de 3 a 2 que, tudo indica, valerá também à condenação de Garotinho no mesmo processo. Cujos embargos declaratórios estão para ser julgados também no Tribunal Regional Eleitoral do estado do Rio de Janeiro (TRE-RJ). Condenado, Garotinho seria barrado pela Lei da Ficha Limpa.

Relator do caso no STF, o ministro Ricardo Lewandowski, indicado pelo ex-presidente Lula (PT), tinha votado pela nulidade das provas na condenação de Ferrugem na Chequinho. E foi seguido pelo ministro Gilmar Mendes, indicado ao STF pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Indicados, respectivamente, pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL), os ministros Edson Fachin e Nunes Marques tinham votado pela validação. Coube a André Mendonça, último ministro do STF indicado por Bolsonaro, desempatar pela confirmação da condenação por 3 a 2.

No programa Folha no Ar da manhã de hoje, na Folha FM 98,3, o assunto foi abordado com a deputada federal Clarissa Garotinho (União), filha do ex-governador que vinha tentando novamente se candidatar ao Palácio Guanabara. Como Clarissa apoia o governo Bolsonaro, foi perguntado a ela se a influência do governador Claúdio Castro (PL), também bolsonarista, teria contado mais do que a dela junto aos dois ministros do STF indicados pelo atual presidente da República — Marques e Mendonça.

Clarissa respondeu que, se existir, a influência de um governador tem mais peso do que a de uma deputada federal.

 

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Deputada Clarissa Garotinho no Folha no Ar desta sexta

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Deputada federal e pré-candidata à reeleição, Clarissa Garotinho (União) é a convidada para fechar a semana do Folha no Ar nesta sexta (1º), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará sua tentativa de reeleição e as demais candidaturas do seu grupo político a deputado. Também falará do racha com o governador Cláudio Castro (PL), da rixa com os Bacellar, da troca de farpas entre sua própria família e da pré-candidatura do pai, Anthony Garotinho (União), a governador.

Por fim, Clarissa falará da sua aproximação com o presidente Jair Bolsonaro (PL) e dará sua projeção às urnas de outubro. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Transporte público de Campos no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Presidente do Instituto Municipal de Trânsito e Transportes (IMTT), Nelson Godá é o convidado do Folha no Ar desta quinta (30), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará a aprovação na Câmara de Campos dos projetos governistas do controle da bilhetagem e do subsídio ao diesel no transporte público do município.

Godá também falará do planejamento para o encontro técnico entre IMTT e os permissionários de ônibus e vans, que irá anteceder o encontro entre governo e oposição para tentar solucionar hoje o principal problema de Campos.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Transporte público de Campos, enfim, gera união na Câmara

 

Manifestação na rodoviária antiga, no dia 21, por falta de transporte público para Três Vendas, Serrinha e Caxeta (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

 

Wladimir Garotinho no Folha no Ar

Transporte é unanimidade na Câmara

Apesar de novamente em clima quente, a Câmara Municipal aprovou ontem (28), por unanimidade, dois projetos do governo Wladimir Garotinho (sem partido): o controle da bilhetagem de ônibus e vans pela Prefeitura, que dará em contrapartida um auxílio para compra de diesel aos permissionários. A intenção é solucionar o principal problema hoje do município: o transporte público.  A temperatura se elevou quando o vereador de oposição Marquinho do Transporte (PDT), na tribuna, se irritou com a manifestação dos permissionários de vans. E disparou contra eles: “se estão insatisfeitos, que deixem o transporte”.

 

Consenso vai reunir Garotinho e Bacellar

Após a grita geral, a sessão foi interrompida por 1h30. Mas, num raro momento de consenso, os vereadores voltaram para aprovar os dois projetos do Executivo. O problema maior é o preço da passagem de vans para pontos mais distantes do município. Ficou acertado um encontro de estudos de viabilidade técnica dos permissionários de vans e ônibus, e do Instituto Municipal de Trânsito de Transportes (IMTT). Depois do qual será marcada, em data e local ainda a serem definidos, uma reunião entre permissionários, edis do governo e oposição — entre eles Marquinho Bacellar (SD) —, técnicos do IMTT e o prefeito Wladimir.

 

Marquinho Bacellar no Folha no Ar

“Tem que ter culhão”?

Apesar do consenso no transporte público, antes a Câmara também esquentou por conta da entrevista ao Folha no Ar do prefeito Wladimir Garotinho na última sexta (24). Quando ele fez o balanço do seu primeiro ano e meio de governo, ao qual deu nota 7. Eleito presidente da Câmara em 15 de fevereiro, em pleito anulado pela atual Mesa Diretora, Marquinho Bacellar atacou: “Quem não tem diálogo é o mimado do prefeito. Ele diz que vereador quis ser sócio da Prefeitura, mas não teve coragem para falar o nome. Tem que ter culhão”. Talvez devesse cobrar o mesmo “atributo” a quem foi para a oposição após ter a delirante proposta recusada.

 

Quem assume?

Marquinho também falou da possibilidade de impeachment do prefeito, que foi tratada no programa da Folha FM 98,3 de sexta. Sobretudo se a oposição confirmar a vantagem que hoje possui na eleição da nova Mesa Diretora, com prazo até dezembro: “Você (Wladimir) não é preparado, não deveria sair de Brasília (deixou o mandato de deputado federal para disputar e ganhar a Prefeitura em 2020). Disse que ouviu que estamos tramando impeachment. É mentira, se você viesse aqui, ouviria a verdade. Se algum vereador que falou, assuma”, cobrou o vereador da oposição ao prefeito e aos próprios colegas.

 

Nélio Artiles no Folha no Ar

Covid volta a matar

Após um tempo sem produzir óbitos em Campos, a Covid voltou a assustar quem achava que a pandemia já era coisa do passado. Nos boletins semanais, o divulgado na última sexta-feira, registrou seis mortes pela doença. Cinco na própria semana passada e um nela confirmado, mas ocorrido no dia 9. No programa Folha no Ar do início da manhã de ontem (28), o médico infectologista Nélio Artiles alertou para a necessidade de reforço das vacinas. Segundo a secretaria municipal de Saúde, 87% dos campistas receberam a primeira dose, enquanto 78,16% tomaram a segunda dose, 41,6% a terceira dose e apenas 8,69% a quarta dose.

 

 

Vacinas e máscaras

“A grande maioria das pessoas dos que estão nas UTI brasileiras com Covid é de não vacinados. Quanto aos vacinados, qual a quantidade de doses? Entre os vacinados, a gente sabe que, passados seis meses, a proteção diminui de maneira significativa. Há a necessidade de repetição da vacina a cada seis meses. Há também a questão da mutação do vírus. Essa variante Ômicron já veio com uma perspectiva de letalidade menor, embora com maior transmissibilidade. As pessoas também passaram a se proteger menos, abandonando o uso de máscaras, o que aumenta a circulação do vírus”, analisou o infectologista Nélio Artiles.

 

Graziela Escocard no Folha no Ar

Dia do Museu

No início da manhã de hoje, a entrevistada do Folha no Ar é a historiadora Graziela Escocard, diretora do Museu Histórico de Campos, que completa 10 anos nesta quarta. O programa da Folha FM 98,3 deve se encerrar às 9h. Depois, a agenda do Museu está cheia. Às 10h, haverá apresentação musical da Lyra de Apolo na Praça do Santíssimo Salvador. Às 11h, se dará a cerimônia de enterramento de uma cápsula do tempo, com cartas impressas e salvas em pendrive. Às 18h, será aberta a exposição “SB Cultural”, com quadros de Renato Pessanha. Às 19h, fecha o dia o debate “Museu Histórico de Campos — 10 anos contando nossas histórias”.

 

Ao Livro Verde

As homenagens desta quarta à história viva de Campos não se resumem ao seu Museu. Presidente da CDL, o empresário e arquiteto Edvar Junior convida para celebrar, a partir das 9h30 da manhã, os 178 anos da livraria Ao Livro Verde. Fundada em 13 de junho de 1844, no período imperial, é a livraria mais antiga do Brasil, sem nunca ter sido fechada ou mudado de endereço. Há quase um século sob o comando da Família Sobral, hoje a Ao Livro Verde tem como proprietário o comerciante Ronaldo Sobral, dando continuidade ao trabalho do seu pai, o saudoso Dr. João Sobral. Depois, a intenção é todos irem juntos à homenagem ao Museu.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Museu de Campos, solares e TB no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Historiadora e diretora do Museu Histórico de Campos, Graziela Escocard é a convidada do Folha no Ar desta quarta (29), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ela falará da história e da programação dos 10 anos do Museu.

Graziela também analisará a demanda de reforma dos solares dos Jesuítas, que abriga o Arquivo Público Municipal, e dos Airizes, além da reabertura do Teatro de Bolso (TB), dentro da política cultural do governo Wladimir Garotinho (sem partido).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Covid e dengue em Campos no Folha no Ar desta terça

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Médico infectologista, Nélio Artiles é o convidado do Folha no Ar desta terça (28), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará sobre o aumento de casos e mortes de Covid-19 em Campos, assim como o abandono de cuidados como o uso de máscaras e higienização das mãos.

Nélio falará também sobre a varíola dos macacos, com 17 casos confirmados até agora no Brasil, sendo quatro no estado do Rio de Janeiro, dengue e hepatite. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Destino de Garotinho na pauta do TRE e ciclovia na Formosa

 

Garotinho tem seu destino na pauta do TRE desta quinta (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Futuro de Garotinho no TRE

Ex-prefeito de Campos e ex-governador, Anthony Garotinho (União) poderá ou não concorrer em outubro ao Palácio Guanabara? A pergunta suscita dúvidas até entre os juristas. Mas tem previsão de estar mais perto da resposta amanhã. Nesta quinta (23) está marcado o julgamento dos embargos de declaração de Garotinho, por sua condenação na Chequinho, no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). O resultado, após publicado o acórdão, deve definir se o político da Lapa está ou não elegível. A Lei da Ficha Limpa veda a participação eleitoral dos condenados em segunda instância, como é o caso do TRE.

 

Se fosse a deputado…

Além da Chequinho, Garotinho também tem condenação em segunda instância por improbidade. Mas a nova lei do crime para políticos aprovada este ano no Congresso, que liberaria também o ex-governador, está sob análise do ministro Alexandre Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O que deve definir o destino do político de Campos é o TRE. Em um estado democrático de direito, com Poderes independentes, não deveria ser assim. Mas quem conhece o jogo jogado da política aposta que Garotinho correria menos risco se fosse candidato a deputado federal ou estadual. Eleições em que seria considerado pule de 10.

 

“Filme de kung-fu”

“Serei candidato a governador ou nada”. Foi o que Garotinho definiu a si para 2022, como esta coluna adiantou em 18 de maio. Pesou o grande espaço do deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL), rival dos Garotinho, na gestão Cláudio Castro. As pesquisas hoje apontam pouca chance do político da Lapa voltar ao Palácio Guanabara, mas ele certamente tiraria votos de Castro. Em abril de 2014, quando liderava as pesquisas a governador, antes de não ir nem ao segundo turno daquele pleito, Garotinho e sua beligerância foram definidos pelo então presidente da Alerj, ex-deputado Paulo Melo (MDB): “Só em filme de kung-fu é que um bate em 50”.

 

Engenheiro civil Sérgio Mansur, subsecretário municipal de Mobilidade, e arquiteto urbanista Edvar Júnior, presidente da CDL-Campos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Formosa com ciclovia (I)

No trecho entre seus cruzamentos com a avenida José Alves de Azevedo (Beira Valão) e a rua Felipe Uebe, a rua Tenente Coronel Cardoso, a popular Formosa, deve estar inteiramente recapeada e com as faixas da sua nova ciclovia pintadas até a próxima semana. A projeção foi feita ontem à coluna pelo subsecretário de Mobilidade de Campos, Sérgio Mansur, engenheiro civil com especialização em transporte. A possibilidade de a ciclovia ser substituída por vagas para carros chegou a ser discutida com comerciantes da área, no Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Campos. Mas seu próprio presidente, o empresário Edvar Júnior, defende a ciclovia.

 

Formosa com ciclovia (II)

“Campos está integrada ao Plano Nacional de Mobilidade Urbana, do ministério das Cidades. Para receber verbas federais na área, é uma exigência se ampliar alternativas de transporte. Com o combustível no preço em que está e os problemas no transporte público, a bicicleta é o meio de transporte de muitos trabalhadores”, explicou Mansur. “Falo como arquiteto e urbanista, não como comerciante: é necessário ampliar as faixas a ciclistas. As ciclovias em Campos não são interligadas. Isso tem que mudar. Fiz uma enquete e 70% das pessoas querem a ciclovia na Formosa. Só 30%, quase todos lojistas, querem vagas a carros”, constatou Edvar.

 

 

Oportunidade do imóvel

Campos recebe entre 8 e 10 de julho, no Boulevard Shopping, a 3ª edição do Salão do Imóvel. Como nas duas edições anteriores, o evento promete condições únicas de aquisição de imóveis, com descontos de até R$ 85 mil, financiamentos em até 120 parcelas e opções com ITBI, escritura e registro do imóvel grátis. Serão mais 1.000 imóveis prontos e em construção, com opção de zero na entrada, com construtoras e imobiliárias de Campos, no maior evento do setor no Norte Fluminense. “Estamos trazendo condições exclusivas para que todos possam adquirir sua casa e seu terreno”, destacou Otávio de Souza, sócio da Ideal Imobiliária.

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Lula x Bolsonaro em Campos

No próximo sábado (25) o vereador carioca e ex-senador petista Lindbergh Farias estará em Campos para o evento “Roda de Samba Lula Lá”. Será no espaço cultural Santa Paciência, a partir do meio-dia, com entrada franca. No segundo turno presidencial, os campistas deram a eleição de Jair Bolsonaro (hoje, PL) 64,87% dos votos válidos. Foi quase 10 pontos a mais do que os 55,13% dos brasileiros que elegeram o presidente. Não há dados confiáveis para precisar a força eleitoral do capitão hoje no município. Mas, como apontam todas as pesquisas nacionais após três anos e meio de governo Bolsonaro, ela hoje tende a ser menor.

 

Gustavo Petro, presidente eleito da Colômbia no domingo, mais um da esquerda na América do Sul

De Campos à América do Sul

Se o bolsonarismo será maior que o petismo na Campos de 2022 (Fernando Haddad teve 35,13% dos votos campistas no segundo turno de 2018) só pesquisas registradas ou as urnas dirão. Mas um termômetro será o número entre os presentes no evento petista de sábado e as dezenas que saíram em apoio a Bolsonaro nas ruas do município, em meio às manifestações nacionais do último 7 de setembro. Que devem se repetir no próximo, bicentenário de Independência. Na América do Sul, com outra vitória da esquerda na eleição de Gustavo Petro a presidente da Colômbia no último domingo (19), os ventos não sopram favoráveis à direita.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Péssimo exemplo aos estudantes do Liceu, Garotinhos x Bacellar já encheu

Intervenção de PMs armados nas confusões na Câmara Municipal e no Liceu de Humanidades de Campos (Fotos: Folha da Manhã)

Desde a eleição do vereador de oposição Marquinho Bacellar (SD) a presidente da Câmara Municipal de Campos em 15 de fevereiro, e sua posterior anulação pela atual Mesa Diretora derrotada no voto, a mesma cena se repetiu em vários dias de sessão no Legislativo goitacá. Eram militantes dos vereadores tentando forçar a entrada para a tribuna, alguns aparentando estar armados com volume visível na cintura, sendo contidos por PMs armados de fuzil. O péssimo exemplo dos edis de Campos foi refletido na última segunda-feira (13). Do outro lado da praça do Liceu, na tradicional escola estadual que a batiza, um PM armado de fuzil que passava de serviço teve que intervir para separar uma briga generalizada de estudantes.

No último episódio da disputa política entre Garotinhos e Bacellar traduzida em violência física, na última quinta (16), quatro enfrentamentos entre militantes dos dois grupos tiveram que ser novamente separados por policias militares armados. Sem nenhum constrangimento, foi diante do palanque onde estava o governador Cláudio Castro (PL). Em evento para marcar a retomada de obras no Parque Saraiva, enquanto discursava o deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL), as quatro confusões espocaram em meio à plateia, demandando a intervenção dos PMs do bom programa estadual “Segurança Presente”.

Após os deputados presentes discursarem, o prefeito Wladimir Garotinho (sem partido) fez uso da palavra. Em meio aos aplausos da sua claque e vaias da claque dos Bacellar, pregou concórdia, mas não deixou de cutucar seu antecessor, o ex-prefeito Rafael Diniz (Cidadania):

— A gente entende perfeitamente que as militâncias fazem parte da política, mas hoje é dia de gratidão. É dia que nossa cidade precisa agradecer pela parceria, pela dedicação de todos os atores políticos. (…) Independente das plateias que aplaudem A ou B, o importante, neste momento, é que a cidade de Campos está ganhando. Eu costumo dizer que a obra é do município. Todo gestor que assume, deve terminar a obra que o outro começou. Infelizmente, isso não foi o que aconteceu com o prefeito que me antecedeu e parou a obra (…) As brigas e diferenças a gente deixa para o lado de fora. Aqui, hoje, é dia de celebrar e agradecer.

Depois de Wladimir, o microfone passou a Rodrigo, com a disputa entre vaias e aplausos se invertendo entre as claques. E, ao melhor estilo Bacellar, tocou fogo no parquinho:

— Quem conhece a família Bacellar sabe que não temos papas na língua. Não tenho medo de vaia, de cara feia, de porrada, de nada (…) É muito fácil chegar no palco, como tem acontecido há muito tempo nesta cidade, e pregar a paz, dizer que é dia de festa. Mas ontem à noite o prefeito saiu de casa com aquele frio que estava e veio aqui na rua às 23h para falar mal do ex-prefeito (Rafael). Não tenho procuração para falar do ex-prefeito, mas falar dele é sacanagem porque quem veio aqui tirar o paralelepípedo do Parque Saraiva foi a mãe do prefeito (Rosinha Garotinho, hoje no União). Falar de Parque Saraiva é mole… Gravar vídeo falando que a obra é em parceria com o Estado. Que parceria é essa? É o governador que paga 100% da obra (…) Tem que parar com essa palhaçada de vídeo, de blábláblá, de atacar os outros. Tem que parar de ser ingrato com o governador que faz tudo por Campos. Que o pai do prefeito chama de ladrão todo dia. Que parceria é essa?

É verdade que a obra no Parque Saraiva foi iniciada e paralisada em 2016, no último ano do governo Rosinha. Como várias outras ainda inconclusas, foi feita a toque de caixa para tentar eleger Dr. Chicão (PP) prefeito de Campos, derrotado ainda no primeiro turno por Rafael Diniz. Como é verdade que este passou os quatro anos do seu governo sem retomar a obra, durante um período de “vacas magras” dos royalties do petróleo. São verdadeiros, portanto, tanto o argumento de Wladimir, de que a obra não foi retomada por Rafael, quanto o de Bacellar, de que a obra foi abandonada por Rosinha. E faz parte do jogo político realçar os fatos positivos e tentar esconder os negativos. O que não é normal, ou não deveria, é levar a ferro e fogo as amnésias seletivas dos adversários. Sobretudo quando estes estão no mesmo palanque.

Protagonista do palanque, Cláudio Castro falou depois de Rodrigo. Realçou a parceria com Wladimir, mas não deixou de alfinetar os pais deste:

— O Parque Saraiva precisa de dignidade, de gente que respeita o povo. Não viemos aqui para criar briga. Campos é assim, o sangue ferve mesmo. A gente entende que isso faz parte. (…) O mais importante não é quem fez a obra, é que a obra chegue na população. Ninguém nunca me viu em palanque bradar que eu fiz isso ou aquilo. (…) Não tenho como deixar de ser verdadeiro e, sem querer colocar lenha, mas tem gente que colocou muita lama (Garotinho e Rosinha) e quer voltar. Não tenho como agradecer a parceria com muita gente boa. Quero agradecer a parceria com Rodrigo Bacellar, mas quero, sim, agradecer a parceria com o prefeito Wladimir Garotinho. Meu amigo. Ninguém faz nada sozinho.

Após ouvir os elogios do governador ao prefeito de Campos, Rodrigo desceu do palanque esbravejando. Depois do evento, apareceu de cabeça fria no almoço que organizou para Castro na Estância Jacyntho. Ao reunir em torno de Castro quase todos os ex-prefeitos de Campos desde os anos 1990, à exceção emblemática de Garotinho, Rosinha e do atual, Wladimir, a mensagem do deputado estadual foi clara: sem os Garotinhos, Campos está em paz. O problema dessa mensagem é que, em meio a um bom mandato de deputado federal, Wladimir foi eleito prefeito em 2020. E se não sofrer impeachment por uma Câmara presidida por Marquinho, irmão de Rodrigo, só sairá se perder sua reeleição — como aconteceu com Rafael.

Entre o Parque Saraiva e a Estância Jacyntho, o jornalista da Folha Aldir Sales ouviu de um Castro descendo do palanque no bairro esquecido por Rosinha e Rafael: “Garotinho é uma piada”. O governador mostrou o quanto a pré-candidatura de Garotinho ao seu cargo incomoda, assim como os ataques deste ao atual ocupante do Palácio Guanabara. Por sua vez, outro jornalista da Folha, mais atento à população do que aos políticos e suas brigas de interesse, Ícaro Barbosa registrou a opinião de quem interessa:

Essa obra vai ser uma melhoria indispensável para o bairro, asfalto, calçada, esgoto. Hoje vivemos uma realidade que, quando chove, é de lama, quando faz calor, é de poeira. Mesmo essa praça onde está acontecendo o evento, está vendo (ao apontar ao local onde estava o palanque)? Isso era um lixão, estava tudo bagunçado. Limparam por causa dessa visita. Tinha rato, cobra, barata e isso tudo jogava a gente para dentro da bagunça. Vamos ver se melhora daqui para frente. Essa é nossa esperança. Já vai fazer quase 10 anos nessa situação e não aguentamos mais — testemunhou o vigilante Giovani Viana Fernandes, de 55 anos. Falou à Folha da porta da sua casa e alheio às brigas entre militantes dos Garotinhos e dos Bacellar.

Desde a retomada do ano letivo após a pandemia da Covid, os jovens estudantes do Liceu só precisaram olhar do outro lado da praça homônima para testemunhar as confusões constantes na Câmara Municipal, apartadas por PMs armados de fuzil. E, como exemplo costuma vir de cima, parecem ter reproduzido o péssimo que vem sendo dado há meses pelos homens públicos da cidade. Encontrariam referência mais digna se buscassem, entre a lama ou a poeira do Parque Saraiva, o exemplo de cidadãos como o Giovani.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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