A partir das 7h da manhã desta quarta (23), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é Benjamin Sicsú, ex-ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do governo Fernando Henrique Cardoso e presidente do conselho administrativo da Fundação Amazônia Sustentável, maior ONG a atuar na Floresta Amazônica.
Sicsú falará sobre Amazônia, seu desmatamento no governo Jair Bolsonaro (sem partido) e o prejuízo que isso tem causado ao Brasil no mundo. Com vasta experiência no setor público e privado, ele analisará também as atuais políticas nacionais de industrialização e de geração de energia, com risco de novo apagão no país. Por fim, ele projetará as eleições de 2022 a presidente e governador do Estado do Rio.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Anderson de Matos, Álvaro Oliveira e Psol (Montagem: Joseli Mathias)
Continua a disputa política por conta da proposta do novo Código Tributário pelo governo Wladimir Garotinho (PSD), engavetado sem data para votação (confira aqui) na sessão do dia 16. Hoje, quem divulgou um vídeo crítico ao Código foi o edil Anderson de Matos (Republicanos). E foi respondido pelo líder governista, vereador Álvaro Oliveira (PSD).
— Eu quero falar sobre a construção civil, caso seja aprovada pela Câmara de Vereadores a alteração do Código Tributário, proposta pelo gabinete do prefeito. Eu destaquei 13 dos 30 itens que sofrem reajuste de até 500% (…) Desmembramento e remembramento de imóvel por metro quadrado, era 1% de uma Ufica (Unidade Fiscal do Município, hoje R$ 134,03) e passa a ser 6% de uma Ufica, 500% de reajuste. Nós, repito, estamos falando da taxa de licença para execução de obras particulares, estamos falando da construção civil — destacou Anderson de Matos.
— Não quero personalizar discussões. Mas é bom que se diga que há, sim, preferência de pessoas ou grupos por outros grupos. Que, direta ou indiretamente, foram secretários, vereadores, deram sustentação ao governo passado, que destruiu a nossa cidade. Essas pessoas estão defendendo os grupos que os apoiaram, os grupos que querem manter a cidade só para ricos, esquecendo que temos pessoas passando fome. Nossa luta é para sanar as contas e trazer o mais humilde para dentro do orçamento do município — defendeu Álvaro Oliveira.
Ontem (confira aqui), o vereador Raphael Thuin (PTB) já havia postado outro vídeo nas redes sociais, para protestar contra a exoneração de pessoas ligadas a ele na Fundação Municipal dos Esportes (FME), após sua posição contrária ao Código. E foi respondido pelo prefeito próprio prefeito Wladimir, que ressaltou sua necessidade de aumentar arrecadação própria para firmar um Termo de Ajustamento de Gestão (TAG) com o Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Hoje, além dos questionamentos ao Código Tributário, o vereador Anderson de Matos, que também é pastor da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), se envolveu em outra polêmica. No dia 4 de maio, ele subiu na tribuna da Câmara Municipal para atacar militantes do Psol que atuam na luta das 700 famílias de baixa renda que ocuparam o conjunto habitacional Novo Horizonte, no Pq. Aeroporto. Hoje, como o Blog do Edmundo Siqueira registrou (confira aqui), o Psol de Campos emitiu nota repudiando as declarações do edil.
A partir das 7h da manhã desta terça (22), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o vereador Bruno Vianna (PSL). Ele falará do seu voto favorável a 12 projetos do pacote de austeridade (confira aqui) do prefeito Wladimir Garotinho (PSD), três deles com cortes ao servidor, e sua posição contrária (confira aqui) ao novo Código Tributário de Campos. Como consequência, falará também sobre a exoneração dos seus indicados (confira aqui) em represália do governo municipal.
Por fim, Bruno projetará o pleito de 2022, não só a presidente e governador, mas também ao Legislativo, onde ele mesmo é pré-candidato a deputado estadual. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta segunda pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
O termo autoficção foi criado em 1977 pelo falecido escritor e teórico da literatura francês Serge Doubrovsky. Apesar de não ser novo, está na crista da onda dos modernosos das letras, para designar a mistura de ficção com autobiografia. Da literatura ao cinema, um bom exemplo de autoficção está no último filme escrito e dirigido pelo espanhol Pedro Almodóvar. Em tempos de pandemia, seu “Dor e Glória” (2019) está disponível por streaming, no Prime Video, da Amazon.
Estrelado pelo casal espanhol considerado mais belo, apesar de Antonio Banderas já ser um sessentão e de Penélope Cruz já estar perto dos 50, eles interpretram, respectivamente, filho e mãe. Escritor e diretor de cinema em crise por conta de doenças e da chegada à terceira idade, o filho é a autoficção do próprio Almodóvar. O clima romântico, portanto, quando pinta, é homossexual. E traz o beijo tão cobrado pelos militantes da causa LGBT em “Filadélfia” (1993), do falecido diretor Jonathan Demme, em que Banderas fez par romântico com Tom Hanks.
Independente da orientação sexual de cada um, o filme cala fundo a quem achou que seria jovem para sempre nos anos 1980 — década perdida para quem, cara pálida? — e não envelheceu o suficiente, mais de três décadas depois, para se tornar um morto-vivo defensor de Bolsonaro. Ou, no caso espanhol, do generalíssimo Francisco Franco — que Lúcifer o tenha! — e seu herdeiro político de extrema-direita, Santiago Abascal.
Em sua carreira de altos e médios, mas sempre original, “Dor e Glória” é um ponto elevado de Almodóvar. No qual o caminho percorrido conta mais que atingir o cume. Mesmo já na descida, dá para olhar, não sem saudade, de onde viemos, o que fomos e fizemos. E, com a ajuda da ciência dos homens e do Deus católico das nossas mães, projetar o que ainda temos pela frente. Em passos mais lentos, por certo, mas ainda de esperança.
Vereador Raphael Thuin e prefeito Wladimir Garotinho (Montagem: Mario Sergio Junior)
O vereador Raphael Thuin (PTB) postou hoje vídeo nas redes sociais, em reação à demissão de nomes ligados a ele, assim como ao edil Bruno Vianna (PSL), da Fundação Municipal dos Esportes (FME) de Campos (confira aqui). A decisão do governo Wladimir Garotinho (PSD) foi uma represália à posição contrária de Thuin e Bruno à proposta de novo Código Tributário de Campos, que na sessão da última quarta (16) foi engavetado por conta de apenas um voto para sua aprovação. O prefeito também reagiu à posição do vereador.
Em seu vídeo, Thuin elencou as realizações dos servidores demitidos, ligados a ele desde que era presidente da FME no governo Rafael Diniz (Cidadania). Mas reafirmou sua posição contra o novo Código e denunciou “compra de voto” do governo municipal:
— Aumentar importo, eu sou contra, totalmente contra. Os empresários estão sofrendo, a gente está vivendo uma pandemia. Ninguém aguenta mais pagar, que seja ITBI (Imposto de Transmissão de Bens Imóveis), que seja taxa de lixo, que seja um centavo a mais de aumento de imposto. Infelizmente, por eu ser contra, funcionários excelentes, pessoas maravilhosas, infelizmente estão desempregadas. A gente fica muito triste de ver a política ainda andando de marcha à ré, não tem seis meses de governo (Wladimir). E fica nesse troca-troca de presidente (da FME) em cima de compra de votos (de vereadores).
Ouvido pelo blog, o prefeito Wladimir Garotinho também se posicionou sobre o vídeo do vereador:
— Respeito a posição dele (Thuin), apesar de achar equivocada. A celebração do Termo de Ajuste de Gestão (TAG) perante o Tribunal de Contas e necessária para a cidade fazer a virada de chave da admistração pública, o que eles pediram foram gestos e o executivo encaminhou à Câmara algumas possibilidades. Lamentavelmente politizaram o assunto ao ponto de não querer diálogo e para imputar derrota ao governo. Foi oportunizado a todos a liberdade de flexibilização de algumas das medidas apresentadas. Mas se preferiu caminhar para um discurso político cheio de inverdades sobre o tema. Não quero esticar a corda com Câmara e as entidades. Na minha opinião deveria ter sido votado, independente do resultado, pois precisamos virar a página e seguir em frente. O TAG já foi protocolado e vamos trabalhar para aprová-lo.
Confira abaixo o vídeo com a íntegra do posicionamento do vereador Raphael Thuin sobre as demissões do governo Wladimir na FME:
Atualização às 8h49 de 21/06: Nesta manhã, em comentário ao link da postagem no Facebook, o vereador fez sua tréplica ao prefeito:
— Com todo respeito ao prefeito, mas o que que o TAG tem a ver com a demissão dos funcionários da FME? Funcionários que estão lá há mais de quatro anos, fazendo um excelente trabalho. Se por acaso eu votasse a favor do aumento de tributos, eles seriam demitidos? Lógico que não, né?! — questionou Raphael Thuin.
Diante de meio milhão de brasileiros mortos pela Covid-19, com cerca de 375 mil vidas perdidas desnecessariamente, este país de pouco mais de 500 anos marcou seu nome para sempre na História. E, por esta tragédia humana sem precedentes, certamente será falado e estudado para além dos 500 anos seguintes.
E toda a sua vida talvez seja lembrada apenas pelas respostas a duas perguntas: O que você fez diante dessas 501 mil mortes? E por quê?
A partir das 7h da manhã desta segunda (21), quem abre a semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o empresário Edvar Júnior, vice-presidente da CDL-Campos. Ele falará sobre o papel protagonista do setor produtivo goitacá na não aprovação (confira aqui) da proposta do novo Código Tributário pela Câmara Municipal, assim como no fim do lockdown do comércio em abril (confira aqui), que havia sido decretado em março (confira aqui) para tentar conter a segunda onda da pandemia da Covid-19.
Por fim, o líder lojista falará também sobre alternativas à crise financeira de Campos (confira a série de 11 painéis da Folha sobre o tema, de julho a setembro de 2020, publicada aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta segunda pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Acompanhado dos filhos Flávio e Carlos, Jair Bolsonaro é batizado no rio Jordão, em Israel, em 12 de maio de 2016, pelo pastor Everaldo, preso por corrupção desde 28 de agosto de 2020 (Foto: Reprodução)
Deus conosco?
“Deus está morto”. Polêmica, a sentença foi proferida em “Assim falou Zaratustra”, livro lançado pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche em 1883. De lá para cá, foi tirada de contexto para ser muito mal usada e interpretada, inclusive pela maioria que nunca leu a obra. Que, embora de filosofia, foi escrita em linguagem profética.
Antes de terminar a vida falando com cavalo, Nietzsche retomou a figura do profeta persa Zaratustra. Que viveu no séc. VII a.C. e foi primeiro a fundamentar um sistema de valores e crença baseado nos conceitos de bem e mal. Sendo por isso chamado pelo grego Platão de “o primeiro filósofo”.
Primeiro império do mundo, a Pérsia enraizou seu pensamento na religião judaica e, depois, em suas variações cristã e islâmica. O filósofo alemão reconhecia essa contribuição à humanidade. Mas pregou que só a partir da superação do bem e do mal, o homem se faria super-homem, indivíduo adequado às novas prerrogativas morais da civilização industrial.
Atentado às Torre Gêmeas do Word Trade Center em 11 de setembro de 2001 (Foto: Reprodução)
Após o 11 de setembro de 2001, quando militantes islâmicos da Al Qaeda sequestraram e atiraram jatos comerciais contra as Torres Gêmeas do World Trade Center, levando-as abaixo, e o Pentágono, o cineasta e jornalista Arnaldo Jabor escreveu um artigo. Que finalizou em diálogo com o Zaratustra de Nietzsche: “Deus está vivo. E se chama Alá”.
O presidente dos EUA naquele episódio era George W. Bush. Trazia o apoio político dos neopentecostais, outro grupo fundamentalista religioso, ao qual se convertera após anos de uso abusivo de álcool e cocaína. De cara limpa, liderou uma suposta nova Cruzada entre Ocidente e Oriente, cristianismo x islamismo, com as invasões do Iraque e do Afeganistão.
Acossado na Casa Branca pelos protestos do “Black Lives Metter”, o então presidente dos EUA Donald Trump saiu às ruas de Washington, em 1º de junho de 2020, para posar uma Bíblia nas mãos, em frente a Igreja Episcopal St. John (Foto: Tom Brenner/Reuters)
Donald Trump nunca foi religioso. Mas também soube apostar no fundamentalismo cristão dos neopentecostais para fazer deles importantes aliados políticos nos EUA. Em nova roupagem à Cruzada entre Ocidente e Oriente, deixou o fundamentalismo islâmico em segundo plano para eleger como novo “Grande Satã” o capitalismo de Estado ateu da China.
Católico praticante, Joe Biden também assumiu o antagonismo com Pequim. Mas, em moldes laicos, o fez resgatando esta semana os laços entre EUA e Europa na Organização do Atlântico Norte (Otan). Que tinham sido abandonados por Trump, a mando do presidente vitalício da Rússia, Vladimir Putin. Este, popular em seu país pela reaproximação do Kremlin com a Igreja Ortodoxa Russa.
Patriarca Cirilo I, líder da Igreja Ortdoxa Russa, com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ex-agente da KGB na União Soviética comunista e ateia (Foto: Reprodução)
No Brasil, Jair Bolsonaro trocou sua formação católica pelo filão eleitoral neopentecostal, ao ser batizado no rio Jordão, em 2016, pelo Pastor Everaldo. Que foi preso por corrupção em agosto de 2020. No meio do caminho, o batizado se elegeu presidente em 2018, reduzindo Deus a slogan de campanha: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.
Com apoio da irmã de Nietzsche, o nazismo chegou ao poder pelo voto na Alemanha e, depois, pelas armas na Europa, nos anos 30 e 40 do séc. 20. E corrompeu racialmente o conceito de super-homem do filósofo morto em 1900, creditando-o ao ariano puro. Mesmo que a maioria dos alemães se mantivesse luterana e católica romana.
Na fivela do cinto, soldados alemães da SS que exterminaram 6 milhões de judeus na Europa, levavam inscrito: “Gott mi uns” (“Deus conosco”)
Eram, portanto, cristãos todos os nazistas que assassinaram em escala industrial 6 milhões de judeus em campos de extermínio durante a II Guerra (1939/1945) na Europa. Sufocando-os com gás e depois queimando seus corpos em fornos. Semelhante ao slogan bolsonarista, os soldados da SS que praticaram o Holocausto levavam escrito nas fivelas do seu cinto um antigo dito prussiano: “Gott mit uns” (“Deus conosco”).
“Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” é um conselho do Cristo em três dos quatro Evangelhos: Marcos 12:13-17, Mateus 22:15-22 e Lucas 20:20-26. Que pareceu ser seguido pelo bispo católico auxiliar de Belo Horizonte, Dom Vicente de Paula Ferreira. No último domingo (13), dia santo aos cristãos, ele usou sua conta no Twitter (confira aqui) para clamar a Deus:
— Senhor, tu que fugiste de jegue para o Egito, mostra-nos um meio de nos livrar desse fascista brasileiro. Tu que entraste em Jerusalém montado num jumento, dá-nos a coragem de enfrentar o tirano que mata nossa gente. Livra-nos, Senhor, do desgoverno da morte. Está pesado demais.
Conhecido pelo seu trabalho em Brumadinho, palco de outra tragédia brasileira, Dom Vicente é doutor em Ciência da Religião pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com estágio pós-doutoral em Teologia, na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (Faje). É graduado em Filosofia pela UFJF e em Teologia pela Faje e integrante da Sociedade de Estudos Psicanalíticos de Juiz de Fora.
Poeta maior do nosso Romantismo, não é difícil supor como Castro Alves (1847/1871) seria hoje tratado por escrever: “Quebre-se o cetro do Papa./ Faça-se dele — uma cruz!/ A púrpura sirva ao povo/ P’ra cobrir os ombros nus”. Ou por seus versos ecoados à beira dos 500 mil mortos por Covid no Brasil: “Senhor Deus dos desgraçados!/ Dizei-me vós, Senhor Deus!/ Se é loucura… se é verdade/ Tanto horror perante os céus…”
Publicado originalmente aqui e republicado hoje (19), na Folha da Manhã
Uma ligação na tarde de ontem (16), do secretário estadual de Governo, Rodrigo Bacellar (SD), ao vereador Maicon Cruz (PSC), definiu a posição deste contrária à aprovação do Código Tributário. Isso e a ausência do vereador Marcione da Farmácia (DEM) definiram o adiamento da votação ontem do Código na Câmara (confira aqui), que agora fica na gaveta do presidente Fábio Ribeiro (PSD), junto com as contas de 2016 da ex-prefeita Rosinha Garotinho (Pros).
Marcione já tinha se ausentado da polêmica sessão de 25 de maio, que se estendeu à madrugada do dia 26, em que foram aprovados (confira aqui) 12 dos 13 projetos do pacote de austeridade de Wladimir — o 13º era justamente a proposta no novo Código. O vereador da Baixada Campista ontem (16) pediu (confira aqui) a renovação de sua licença, alegando questão de saúde, por mais 15 dias.
Por sua vez, na manhã de ontem, Maicon estava (confira aqui) em dúvida da sua posição. O blog gerou demanda a ele às 11h04 e 11h36. Ele visualizou, mas não retornou, reforçando a dúvida, que foi confirmada por fontes do próprio grupo de Rodrigo. Até que este ligou ao vereador à tarde. Maicon chegou a se queixar, dizendo que o secretário não atendia ou retornava suas ligações. Mas fez o que Bacellar determinou. E depois postou vídeo nas redes sociais dizendo que sua posição era em defesa do setor produtivo, contrário ao novo Código.
Sem Maicon e Marcione, o governo só tinha 12 votos, um a menos que o necessário para aprovação do Códito Tributário, forçando sua retirada de pauta. Curiosamente, oposição e situação votaram juntos para tirar o regime de urgência da proposta. Que seria o principal alvo da arguição da sua inconstitucionalidade na Justiça, caso fosse aprovada.
Após a postagem, nova demanda foi gerada ao vereador Maicon Cruz, que desta vez retornou ao blog. Ele negou a influência de Bacellar em sua posição. Em respeito ao contraditório, confira abaixo:
— Diferente da narrativa da matéria, meu posicionamento já era claro desde quando a matéria chegou à Casa, e, inclusive, me pronunciei dias antes em uma entrevista de rádio. Com as alterações feitas no projeto que foi reencaminhado para a pauta, fiz uma nova avaliação para que meu voto pudesse ser com base no texto da PL complementar 00097/2021 e nos anseios da população, de forma consciente, sem qualquer interferência política. Não tenho ligação com o deputado (atual secretário estadual de Governo) Rodrigo Barcellar, não caminhamos juntos no último pleito, não faço parte de seu grupo político e, na Câmara, o meu compromisso é com a população campista.
Atualizado às 18h15 para incluir a posição do vereador Maicon.
Witzel disse hoje na CPI da Covid que Rodrigo Bacellar, Cláudio Castro e André Ceciliano teriam sido pressionados pelo MPF no seu processo de impeachment (Montagem: Matheus Berriel)
Em depoimento hoje na CPI da Covid no Senado, o ex-governador Wilson Witzel (PSC) citou o secretário estadual de Governo Rodrigo Bacellar (SD). Quando o político de Campos exerceu a relatoria do seu pedido de impeachment, segundo Witzel, teria sido pressionado a trabalhar para consumá-lo por um pedido de busca e apreensão do Ministério Público Federal (MPF). O ex-governador disse que também seu vice e sucessor, o governador Cláudio Castro (PL), e o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), deputado André Ceciliano (PT), teriam sido pressionados da mesma maneira:
— Na medida que o Ministério Público Federal pede a busca e apreensão na casa do vice-governador, a busca e apreensão na casa do presidente da Alerj, a busca e apreensão na casa do relator do relator do meu processo de impeachment, o deputado estadual Bacellar, todos foram colocados com a corda no pescoço (…) Essas pessoas, o presidente da Assembleia Legislativa, o vice-governador, o relator do meu processo de impeachment na Alerj, todos investigados, com a corda no pescoço. E, ao final, quando eu sou cassado, isso aqui simplesmente acabou, morreu, não tem mais investigação — disse Witzel aos senadores da República.
Confira no vídeo abaixo:
Ao blog do jornalista Octavio Guedes, no G1, Cláudio Castro respondeu (confira aqui) ao ex-companheiro de chapa, que também acusou o atual governador de ter colocado em “banho-maria” a investigação do assassinato da ex-vereador Marielle Franco (Psol), executada a tiros em março de 2018 por milicanos do Escritório do Crime:
— Witzel é um coitado. Ele é inimputável pelo que fala, mas não pelo que fez — disse Castro.
Demandas de posição sobre o que Witzel disse hoje à CPI da Covid também geradas a Rodrigo Bacellar, André Ceciliano e ao MPF do Rio Janeiro.
Helinho Nahim, Rogério Matoso e Wladimir Garotinho (Montagem: Joseli Mathias)
Criticados (confira aqui) pelo prefeito Wladimir Garotinho (PSD), o ex-vereador Thiago Virgílio (Pros) e o ex-governador Anthony Garotinho (sem partido), alguns ex-secretários do governo Rafael Diniz (Cidadania) e hoje vereadores contrários ao novo Código Tributário, que será votado e (confira aqui) deve ser aprovado hoje, reagiram antes da votação aos ataques:
— A pior coisa é as pessoas não admitirem que erram. E aí começam a atacar, mentindo para tentar esconder todos os erros que cometeram. Erros estes que foram mexer em gratificação de médico, deixar de pagar a insalubridade a um grande número de pessoas, retirar o vale alimentação a mais de três mil servidores e aumentar os impostos, como eles querem e vão tentar ainda hoje. Sobre o governo Rafael, eu trabalhei no Entretenimento e Lazer. Tudo que for ligado a esta pasta e que quiserem me questionar, não só o atual governo, como qualquer cidadão, têm total direito de fazer isso. Agora, querer falar sobre outras pastas do governo Rafael, não poso responder, porque não tive nenhuma participação em qualquer setor, que não o Entretenimento e Lazer — explicou o vereador Helinho Nahim (PTC), primo de Wladimir e ex-secretário de Entretenimento e Lazer de Rafael.
— Estão falando coisas que não têm nexo. Fiz parte do governo Rafael e fui julgado pelas urnas, que me elegeram novamente vereador. Apoiei Bruno Calil (SD, ex-candidato a prefeito) no primeiro turno e subi no palanque de Wladimir no segundo turno, quando ele teve mais 7.400 votos na “pedra”. E torço para que seu governo dê certo. Só sou contra essa proposta de novo Código Tributário. Basta olhar o passado recente, quando Garotinho, Rosinha (Pros), Cabral (MDB) e Pezão (MDB) estavam no mesmo palanque. E, no governo, todos aumentaram tributos, quando o Estado do Rio perdeu muito investimentos. Campos é um município limítrofe do Espírito Santo, que tem metade do ICMS e estimula lá o setor produtivo, inclusive com empresas que estavam antes instaladas em território fluminense. Quando a tributação é menor, isso aumenta os investimentos, cria empregos e fluxo no caixa da Prefeitura. Aumentar os impostos, sobretudo em um momento de grave crise econômica, por conta da pandemia da Covid, aumenta a inadimplência, as portas de comércio fechadas, como já vemos em Campos — alertou o edil Rogério Matoso (DEM), ex-superintendente de Trabalho e Renda de Rafael.
Outros três outros ex-sceretários de Rafael, criticados pelos Garotinho pela posição contrária à proposta do Código Tributário, os vereadores Abdu Neme (Avante), Nildo Cardoso (DEM) e Raphael Thuin (Cidadania) não retornaram os contatos.
Os vereadores Maicon Cruz (PSC) e Marcione da Farmácia (DEM) também podem votar na sessão de hoje, da Câmara Municipal, pela aprovação do novo Código Tributário proposto pelo governo Wladimir Garotinho (PSD). Se a dúvida da posição de Marcione já era conhecida, a de Maicon passou a existir hoje. E são fruto do trabalho de articulação do presidente do Legislativo goitacá, o governista Fábio Ribeiro (PSD). Caso se confirme em votos, o projeto polêmico seria aprovado por 14 votos a 10. Marcione assinou emendas ao projeto de alteração do Código, junto aos 12 vereadores que votarão pela aprovação, mas não garantiu seu voto.
O mínimo de 12 votos à aprovação, com o desempate no voto de minerva do presidente, havia sido garantido com o vereador Thiago Rangel (Pros), como adiantou ontem aqui, em primeira mão, o Blog do Arnaldo Neto. A mudança de posição do edil se deu a partir da nomeação de nomes ligados a ele, também ontem, para a Empresa Municipal de Habitação (Emhab). No início das negociações, ele queria o Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT).
“Mordido” com a grande resistência ao novo Código por parte dos setores produtivos da cidade e dos vereadores de oposição, Fábio teria chamado para si o papel de articulador da aprovação. Wladimir precisa dela para ter mais chances de firmar, nesta quinta (17), um Termo de Ajustamento de Gestão (TAG) do município com o Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Mas, Se for aprovado, é certo que o Código Tributário será questionado na Justiça pelo setor produtivo de Campos. Alguns dos melhores juristas da cidade, que já se debruçam sobre a questão, julgam ser razoáveis as chances de derrubar o Código por inconstitucionalidade.
Atualização às 16h53: O blog gerou demanda ao vereador Maicon às 11h36 de hoje, que não retornou. Quando sua aparente indefinição da manhã se transformou em certeza à tarde, ele anunciou (confira aqui) seu voto contrário ao Código Tributário.