O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) hoje resolveu testar sua popularidade. Em Vitória (ES) para entregar casas populares em campanha antecipada para 2022, ele entrou em um vôo comercial da Azul, que seguia da capital capixaba à cidade paulista de Campinas.
O resultado? Confira no vídeo abaixo:
Ao ouvir os gritos de “genocida” do fundo do avião, bem ao estilo Bolsonaro de ser, o presidente debochou dos passageiros que protestaram contra sua presença no avião: “Quem fala “fora, Bolsonaro” devia estar viajando de jegue”,
A pouco mais de 16 meses das urnas presidenciais, nada está definido. Mas, na prática, o ocorrido em Vitória deve servir para aumentarem as apostas em cavalo paraguaio para outubro de 2022. A ver…
Ao lado da esposa Michelle e do ministro do Meio Ambiente, Ricardo “Passando a Boiada” Salles, Bolsonaro desfila de cavalo em manifestação de 15 de maio, em Brasília (Foto: Evaristo Sá/AFP)
A partir das 7h desta sexta (11), quem fecha a semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PSD). Ele falará sobre o racha na base governista na Câmara, do seu projeto do novo Código Tributário do município e as contas de 2016 da ex-prefeita Rosinha Garotinho (hoje, Pros).
O prefeito falará também da entrada do seu opositor Rodrigo Bacellar (SD, de saída para o PL) e da saída do seu aliado Bruno Dauaire (PSC) do governo estadual Cláudio Castro (PL). E, por fim, analisará os seus cinco primeiros meses de administração.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Primeiro, o presidente Jair Bolsonaro soprou na segunda (7) seu berrante (confira aqui) e reuniu seu gado no cercadinho do Alvorada para distribuir sal no coxo. “Em torno de 50% dos óbitos por Covid no ano passado não foram por Covid, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU)”, regurgitou ele. E foi exclamado pelo mugido das suas reses, daquelas que caminham em manada alegre e saltitante ao precipício: “Eu sabia!”
(Foto: Divulgação)
Daí, horas depois, na mesma segunda, o TCU desmentiu (confira aqui) mais uma fake news do presidente: “não há informações em relatórios do Tribunal que apontem que ‘em torno de 50% dos óbitos por Covid no ano passado não foram por Covid’, conforme afirmação do presidente Jair Bolsonaro. O documento refere-se a uma análise pessoal de um servidor do Tribunal compartilhada para discussão e não consta de quaisquer processos oficiais desta Casa. Ressalta-se, ainda, que as questões veiculadas no referido documento não encontram respaldo em nenhuma fiscalização do TCU. Será instaurado procedimento interno para apurar se houve alguma inadequação de conduta funcional no caso”.
Na terça (08), Bolsonaro foi obrigado a se desmentir (confira aqui) diante do mesmo cercadinho do Alvorada: “o TCU está certo. Eu errei, quando falei tabela (com o número de mortes que não seriam por Covid). O certo é acórdão”. Quem não se reúne em cercadinho para “discutir de que borda da Terra Plana vamos pular”, como definiu na CPI da Covid (confira aqui) a médica infectologista Luana Araújo, pensou consigo sem alarde: “Eu sabia!”
Na mesma terça, o TCU identificou (confira aqui) o autor da tentativa de fraude: o auditor Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques. Ele é amigo dos filhos de Jair Bolsonaro. Quando começou a pandemia, passou a elaborar seu “estudo paralelo”. Ao apresentar os resultados de sua tese foi veemente repreendido pelos próprios colegas de trabalho, que denunciaram o caso aos ministros do TCU. Nenhum outro auditor do Tribunal endossou o “estudo” por considerá-lo uma farsa. Alexandre é conhecido por difundir fake news bolsonaristas sobre a Covid em suas redes sociais.
Amigo dos filhos de Bolsonaro, auditor Alexandre Marques usava suas redes sociais para fazer propaganda de remédios sem ação comprovada no tratamento de Covid (Foto: Instagram)
Hoje, na quarta (09), o corregedor do TCU, ministro Bruno Dantas, pediu (confira aqui) à presidente do Tribunal, Ana Arraes, que determine à Polícia Federal a abertura de um inquérito criminal para investigar o auditor Alexandre Marques. E, para evitar novas tentativas bolsonaristas de fraude no órgão de fiscalização federal, ele foi afastado do cargo.
Mesmo diante dos fatos, em amostra grátis do que espera o Brasil em 2022, houve entre os muares da baixa bolsonaria quem ainda tentasse defender o presidente em mais esse episódio lamentável. Para, como o auditor fraudador do TCU, ser desmentido pelos próprios colegas de trabalho: “Defender uma postura presidencial, na qual o próprio presidente teve de desmentir, é abdução demais”.
Infelizmente nada parece ser demais a quem, mesmo abençoado pela sorte de ter sobrevivido à Covid, padece de patologia congênita ainda pior: anemia de caráter.
A partir das 7h da manhã desta quinta (10), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o estrategista político Orlando Thomé Cordeiro, articulista (confira aqui) do jornal Correio Braziliense. Ele tentará projetar a eleição presidencial, assim como a disputa ao Governo do Estado do Rio em 2022. E, com a visão de fora de Campos, também analisará a política goitacá.
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Desde que ganhou a disputa pela secretaria estadual de Governo em 27 de maio (confira aqui), Rodrigo Bacellar (atual SD) vem trabalhando para afinar sua parceria com o governador Cláudio Castro (PL). Hoje, o jornal carioca Extra noticiou que o político de Campos recebeu a missão de correr atrás de legendas pequenas para Castro, que assumiu após o impeachment de Wilson Witzel (PSC), tentar se eleger governador em 2022. Para tanto, Bacellar e o xará Rodrigo Betlhem já teriam fechado com PTC, PMN, Pros e PRTB.
Na via de mão dupla, Rodrigo hoje conseguiu emplacar dois aliados de Campos no Executivo fluminense. Joilza Rangel foi nomeada subsecretária estadual de Educação, enquanto Geraldo Pudim levou uma subsecretaria estadual de Governo. Os dois já foram aliados próximos do ex-governador Anthony Garotinho (sem partido). Mas hoje encontram abrigo no grupo político do principal opositor do prefeito Wladimir Garotinho (PSD).
De mudança para o PL de Castro, Rodrigo também trabalha junto ao governador para levar o projeto Segurança Presente, por enquanto restrito ao Grande Rio, ao interior fluminense. A intenção é começar por Campos, que registrava até ontem (07) 53 homicídios em 2021. O objetivo é preparar PMs para atuar especialmente no policiamento comunitário.
A partir das 7h da manhã desta quarta (09), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o vereador Fred Machado (Cidadania). Ele falará sobre a proposta do novo ITBI de Campos e da votação das contas da ex-prefeita Rosinha Garotinho (hoje, Pros) de 2016, reprovadas (confira aqui) pela Legislatura passada em 2018 e anuladas na atual (confira aqui), em fevereiro.
Fred analisará também o governo Wladimir Garotinho (PSD) em Campos e o da sua irmã, Carla Machado (PP), em São João da Barra, assim como as Câmaras dos dois municípios.
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A partir das 7h da manhã desta terça (08), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o policial federal e especialista em Segurança Pública Roberto Uchôa. Ele analisará a ação da Polícia Civil na favela do Jacarezinho em 6 de maio (confira aqui), com saldo de 24 mortos, e de bandidos no Amazonas (confira aqui), durante o último final de semana.
Uchôa também falará sobre a troca de comando no 8º BPM de Campos (confira aqui) e a política de Segurança Pública do governo Wladimir Garotinho (PSD), que ele apoiou politicamente no segundo turno a prefeito de 2020. E falará da sua experiência como candidato a vereador, além de fazer uma análise da nova Câmara Municipal de Campos.
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Cartazes de “The Quarry” e “Fé Corrompida” (Montagem: Joseli Mathias)
Filmes sobre pregadores religiosos não são exatamente uma novidade. “As Sandálias do Pescador” (1968), de Michael Anderson, traz o grande Anthony Quinn como um Papa fictício. É parcialmente inspirado no italiano João XXIII e seu revolucionário Concílio Vaticano II. Mas, pela origem do personagem no Leste Europeu, parece também antever a realidade do polonês João Paulo II. Que só seria eleito Papa 10 anos após o lançamento do filme. Para ter papel protagonista na queda do “socialismo real” na Europa.
Filme mais recente e abertamente inspirado nos dois últimos ocupantes do Trono de Pedro, “Dois Papas” (2019) é dirigido pelo brasileiro Fernando “Cidade de Deus” Meirelles. Na transição entre o alemão Bento XVI e o argentino Francisco, traz Anthony Hopkins como o primeiro e Jonathan Price, como seu sucessor. Há ficção no roteiro adaptado de Anthony McCarten para contar fatos reais, com sucesso razoável de público e crítica. Ainda que, indicados ao Oscar de 2020 em categorias diferentes, Hopkins, Price e McCarten não tenham levado a estatueta dourada de Hollywood por seus trabalhos.
Ainda que seja mais sobre a ambição do homem na Terra, “Sangue Negro” (2007), de Paul Thomas Anderson, é considerado por muita gente boa uma obra-prima do cinema no século 21. Muito por conta da atuação visceral de Daniel Day-Lewis, como amoral e incansável prospector de petróleo. Que dialoga em nível mais alto com o pastor pentecostal, de moral igualmente duvidosa, vivido por Paul Dano. Entre algumas cenas antológicas do filme, está a que Day-Lewis usa a ambição material de Dano para obrigá-lo a repetir: “Eu sou um falso profeta e Deus é uma superstição”.
Instiga imaginar o que personagens como Jair Bolsonaro, Edir Macedo, Silas Malafaia, R. R. Soares, ou Valdemiro Santiago diriam na mesma cena…
Sobre denominações protestantes menos fetichistas, há dois filmes talvez pouco conhecidos sobre pregadores religiosos que merecem a conferência. E ambos estão disponíveis pelo streaming.
Atores geralmente relegados a coadjuvantes, Shea Whigham e Michael Shannon são os protagonistas de “The Quarry”, escrito e dirigido por Scott Teems
Um deles, no Prime Vídeo, da Amazon, é “The Quarry” (2020). Dirigido e roteirizado por Scott Teems, traz como protagonistas dois atores quase sempre relegados a papéis coadjuvantes, geralmente como “vilões”. Shea Whigham é um andarilho que assume o lugar de um pastor itinerante numa igrejinha nos cafundós do Texas, frequentada por fiéis mexicanos e pobres. Michael Shannon é o xerife da cidade, que começa a desconfiar do novo “homem de Deus”. Seus passados e motivos vão sendo revelados sem “milagres”, no correr do thriller. Até que a última parte do quebra-cabeças se encaixa aguda na sentença: “Não sou eu quem pode perdoar!”
O outro filme, disponível na Netflix, é “Fé Corrompida” (2017), escrito e dirigido pelo veterano Paul Schrader. Apenas como roteirista, ele traz no currículo clássicos como “Taxi Driver” (1976), “Touro Indomável” (1980) e “A Última Tentação de Cristo” (1988), todos dirigidos pelo mestre Martin Scorsese. Também como diretor, Schrader assinou obras de peso, como “Gigolô Americano” (1980), “Mishima — Uma Vida em Quatro Capítulos” (1985) e “Temporada de Caça” (1998), que rendeu o único Oscar da longeva e brilhante carreira do ator James Coburn.
Ethan Hawke é um pastor protestante em conflito em “Fé Corrompída”, de Paul Schrader
Em “Fé Corrompida”, Ethan Hawke prova ser mais que um galã envelhecido ao interpretar um ex-capelão militar e pastor encarregado de uma igreja protestante de tradição secular. Ele revela seus próprios conflitos internos ao aconselhar um ambientalista, a pedido da esposa deste, desencantado com os rumos do mundo e a perspectiva de colocar nele um filho. A relação do religioso de meia idade com o jovem casal vai se estreitando. Até desfechos tão fortes quanto, não de todo, inesperados. A catequese vai se dando em via de mão dupla, na busca da resposta à pergunta: “Deus nos perdoará?”
O filme de Scott Teems é uma obra promissora de um diretor e roteirista com a carreira ainda pela frente. O de Paul Schrader, a prova de que nem tudo já ficou para trás. Ambos, encarnados por atores inspirados.
Na vida ou na arte que a imita para ser imitada, Deus só prevalece na vida dos homens pelo amor.
Confira abaixo os trailers de “The Quarry” e de “Fé Corrompida”:
A partir das 7h desta segunda (07), quem abre a semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o jornalista Luiz Costa, subsecretário de Comunicação de Campos. Ele falará sobre comunicação social e de governo no tempo das redes sociais e fake news. E das diferenças entre jornalismo e comunicação na assessoria ao poder público. Por fim, ele analisará a comunicação e o governo Wladimir Garotinho (PSD).
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Ilustração de Vitor Flynn na capa do jornal francês Le Monde, na paródia gráfica do Brasil de Bolsonaro na Covid com uma icônica cena do filme “Dr. Fantásticio” (1964), única comédia do mestre do cinema Stanley Kubrick
O mal que o governo Jair Bolsonaro fez e faz ao país vai além da condução criminosa da pandemia da Covid-19. Está nas sombras em que mergulha a mente dos seus seguidores. Deprimente ver o negacionismo, encampado em pleno Senado da República, no depoimento esclarecedor e corajoso que presta à CPI da Covid a médica infectologista Luana Araújo.
Ela foi convidada e chegou a ser anunciada com secretária da Covid do ministério da Saúde. Mas não teve o nome confirmado por ser contra o “tratamento precoce”. Tratado pela infectologista como o que de fato é: “neocurandeirismo”. Questão que, no mundo, só existe no Brasil. Ou sua porção caída, como Lúcifer, no Bolsoquistão que os negacionistas pensam ter o poder de fundar.
“Estamos discutindo de que borda da Terra Plana vamos pular”, definiu a questão Luana. Diante de senadores da República como Marcos Rogério (DEM/RO), Luis Carlos Heinze (PP/RS) e quetais. Que, em defesa do seu “mito” obscurantista e suas fantásticas emendas parlamentares do governo, lembram até (confira aqui) alguns vereadores de Campos dos Goytacazes.
Médica infectologista Luana Araújo na CPI da Covid (Foto: Reprodução de TV)
Na manhã de ontem (1º), o Folha no Ar entrevistou as presidentes do Sindicato dos Profissionais Servidores Públicos Municipais de Campos (Siprosep), Elaine Leão, e do Sindicato dos Médicos de Campos (Simec), Maria das Graças Rangel. Numa cidade só com homens entre seus 25 vereadores, ter mulheres à frente de duas categorias tão importantes é referência. Na pauta principal, o jornalista Arnaldo Neto, editor-geral da Folha da Manhã, e o radialista Cláudio Nogueira, gerente da Folha FM 98,3, repercutiram o pacote aprovado parcialmente pelo governo Wladimir Garotinho (PSD), na tensa semana passada (confira aqui) da Câmara Municipal.
Cortes x contrato
Além do que está retratado (confira aqui) na matéria página 3 desta edição, a entrevista ao vivo na rádio mais ouvida de Campos trouxe alguns outros pontos. “Tivemos uma reunião com Frederico, solicitando a retirada desse item (da complementação) do pacote. Mas agora, infelizmente, já foi sancionado (…) E que economia vai se fazer com a complementação de 57 médicos, em um município que está programando um contrato de R$ 33 milhões?”, disse a presidente do Simec. O contraponto crítico dos cortes aos servidores Saúde, sancionados ontem por Wladimir, com o contrato da Saúde suspenso (confira aqui) na sexta (28), era inevitável.
Tiro no pé
Com apresentação anunciada para sexta, o contrato do município com a empresa MX Gestão de Saúde para “a gestão profissional das unidades hospitalares” foi suspenso no mesmo dia. Segundo a Prefeitura, porque “na fase final de avaliação, para a formalização do contrato, foi identificado o não preenchimento dos pressupostos exigidos em Lei”. O contrato emergencial de 180 dias seria firmado sem licitação, no valor total de R$ 33,6 milhões, conforme publicação do processo em Diário Oficial. Para fechar a semana conturbada, em que o governo começou com 22 vereadores e terminou com 15, foi um desgaste absolutamente desnecessário.
Pergunta do vice-prefeito
Na interatividade do Folha no Ar, Maria das Graças responderia à indagação enviada por WhatsApp pelo vice-prefeito Frederico Paes (MDB). Que relatou que a presidente do Simec estava em uma reunião com ele, mais representantes do Ministério Público, quando anunciou previamente a intenção do contrato na Saúde. E, segundo o vice-prefeito, com a aquiescência da representante dos médicos de Campos. “Ele (Frederico) realmente relatou o interesse da gestão pública de instalar OS (Organização Social) no município”, confirmou parcialmente Maria das Graças, antes de reafirmar a posição contrária do Simec.
Simec e Siprosep firmam posição
“Nós, do Simec, contestamos o motivo pelo qual não se faria a gestão dos hospitais com profissionais de carreira do município. Em momento nenhum fomos a favor de se trazer uma empresa, nem nos foi relatado o valor que seria gasto. A princípio, o Simec é contra a privatização da rede pública municipal. É a nossa bandeira: somos contra”, reiterou Maria das Graças. E foi ecoada pela presidente do Siprosep: “O que eles (o governo municipal) estão tentando fazer? Andam alinhados, claramente, com o governo federal na questão de cortes de direitos, terceirização de serviços”, disse Elaine Leão também à Folha FM.
Formandos da Faculdade de Medicina de Campos (FMC) em 18 de março de 2016 (Foto: Blog Ponto de Vista)
Medicina da memória (I)
Aludido pela presidente do Siprosep, se esse alinhamento com o governo Jair Bolsonaro (sem partido) realmente existe, não é exclusivo do governo Wladimir. Dois anos e meio antes do capitão ser eleito presidente da República, quando sua pré-candidatura ainda não era levada a sério por boa parte dos brasileiros, uma categoria de Campos ganhou a grande mídia por pensar o contrário. Em 18 de março de 2016, estudantes da Faculdade de Medicina de Campos (FMC) postaram (confira aqui) nas redes sociais uma foto de formatura segurando cartazes onde se lia: “Bolsomito”. E tiveram repercussão nacional pelo ato de apoio.
Em maio de 2016, a Faculdade de Medicina de Campos (FMC) pichada em vermelho por lulopetistas (Foto: Blog Ponto de Vista)
Medicina da memória (II)
Em 28 de outubro de 2018, Bolsonaro foi eleito no segundo turno presidencial com 55,13% dos votos válidos. Em Campos, teve diferença positiva em relação ao resto do país, com 64,87%, quase 10 pontos a mais. Ninguém duvida que o percentual foi ainda maior na classe médica campista, boa parte dela servidora do município e descontente com os cortes de Wladimir. Como não convém duvidar que entre os 35,13% dos votos que Fernando Haddad (PT) teve na cidade em 2018, o percentual também foi mais alto. Entre aqueles que, em 2016, picharam os muros da tradicional instituição de ensino superior goitacá: “FMC golpista”.
Página 11 da edição da Folha da Manhã de 5 de setembro de 2020
Jefferson Manhães de Azevedo, professor e reitor do IFF
“Não há soluções mágicas e de curtíssimo prazo. Caso alguém apresente, desconfie”. Em 5 de setembro de 2020, em plena campanha eleitoral, o alerta foi ecoado (confira aqui) na Folha da Manhã pelo reitor do Instituto Federal Fluminense (IFF), professor Jefferson Manhães de Azevedo. Foi em um painel, entre os 11 promovidos (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) pelo jornal de 18 de julho a 26 de setembro, dedicados à busca de soluções para a grave crise financeira de Campos. A advertência do gestor da maior instituição de ensino da região servia não só aos 11 candidatos a prefeito do município, como também aos seus 810 candidatos a vereador. E, a julgar pela semana que se encerra, no momento mais tenso dos cinco primeiros meses dos novos Executivo e Legislativo goitacá, carecerá de melhor entendimento entre os representantes eleitos aos dois Poderes — independentes, mas harmônicos entre si.
Naquela série de painéis da Folha, a voz não foi a do jornal. Tampouco a do reitor do IFF, apenas uma na polifonia de 34 representantes da sociedade civil organizada, entre outros gestores universitários, economistas, sindicalistas, empresários, servidores, juristas, jornalistas, cientistas políticos, antropólogos e sociólogos. A despeito das muitas diferenças de formação e visão entre eles, houve consensos. Não só sobre a gravidade da crise enfrentada desde o final de 2014 por meio milhão de campistas, com a queda nas receitas do petróleo, mas para alternativas a ela: resgate da secular tradição agropecuária do município, adoção integral do pregão eletrônico nas compras do poder público e parceria deste com as universidades.
(Foto: Petrobras)
Ex-presidente Lula e o presidente Jair Bolsonaro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Esse tipo de respeito às diferenças de experiência e opinião, na busca de consensos mínimos, deveria servir de exemplo. Não só a um Brasil que, também desde 2014, se divide entre petismo e antipetismo, virando o lado do disco em 2018 à bipolaridade entre bolsonarismo e antibolsonarismo. Mesmo que, a cada novo depoimento da CPI da Covid no Senado, seja cada vez mais difícil não classificar como criminosa a condução da pandemia no país. Tanto quanto foi, em passado recente, não enxergar a corrupção sistêmica dos 13 anos do PT no poder, a despeito dos erros também inegáveis da operação Lava Jato. Ou a desastrosa condução nacional da economia no governo Dilma Rousseff. Que não alcança resultados muito melhores agora, nas mãos do liberal Paulo Guedes.
Entre um e outro extremo da política tupiniquim, ressalvado que Lula foi preso sem nunca atentar contra as instituições como Bolsonaro, a lição mais valiosa talvez esteja nos erros do centro. Que, se marchar novamente dividido a mais uma eleição presidencial, como indicam até aqui todas as pesquisas, deve assistir a outro segundo turno entre o lulopetismo — agora com a “lâmpada” no lugar do “poste” — e o bolsonarismo. Do Planalto Central à planície goitacá, políticos jovens como o prefeito Wladimir Garotinho (PSD), o virtual secretário estadual de Governo Rodrigo Bacellar (SD) e o secretário de Ciência e Tecnologia de Niterói, Caio Vianna (PDT), poderiam aprender. E buscar consensos mínimos, no lugar de ter dois se opondo a um pelo que também seriam obrigados a fazer, se as urnas lhes tivessem sorrido. Caso contrário, prevalecerá a ressalva de Mahatma Gandhi: “Olho por olho e acabará todo mundo cego”.
Fábio Ribeiro, vereador e presidente da Câmara de Campos
De uma geração anterior à dos três, o presidente da Câmara Municipal Fábio Ribeiro (PSD) parece ter aprendido a lição de uma semana conturbada. Em que, a despeito do governo ter aprovado 12 dos seus 13 projetos, três deles com cortes a servidores, outra contabilidade revela o preço: uma situação que tinha no último domingo 22 vereadores e chega a este sábado com apenas 15. No programa Folha no Ar de ontem, na Folha FM 98,3, falando sobre a aprovação parcial do pacote de Wladimir, Fábio admitiu o erro (confira aqui) de não dar aos seus colegas edis mais tempo para apreciação devida dos projetos. E garantiu que não irá repeti-lo.
O presidente da Câmara faria outro favor ao prefeito se, antes deste esgotar sua complexa pauta administrativa, não desengavetasse mais a pauta política de tentar aprovar retroativamente as contas de 2016 da ex-prefeita Rosinha (Pros). O ex-governador Anthony Garotinho (sem partido) quer porque quer. E, pelo bem do governo do filho, tem que finalmente aprender a ouvir: não!