A partir das 7h da manhã desta sexta (22), quem fecha a semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o médico infectologista Rodrigo Carneiro, diretor de Atenção Básica de Saúde do governo Wladimir Garotinho (PSD). Ele falará sobre a decisão do poder público municipal de fechar o comércio (confira aqui e aqui), para tentar conter o avanço da Covid em Campos, e das reações geradas (confira aqui).
Rodrigo falará também da chegada do primeiro lote de vacinas contra a doença à cidade (confira aqui), do início do processo de imunização (confira aqui) e de outras polêmicas dela geradas (confira aqui) entre os próprios profissionais de saúde. E analisará o que mudou e o que o campista pode esperar do combate à pandemia com o novo governo municipal.
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Após ameaçar com “pólvora” os EUA de Biden já eleito presidente (relembre aqui), cuja vitória só reconheceu 38 dias após sua confirmação oficial, tudo por conta de ameaças de sanções comerciais ao Brasil pelas queimadas criminosas da Amazônia, Jair Bolsonaro hoje arregou. E mandou ao novo ocupante da Casa Branca uma carta. Nela, pasme você, meu amigo machão deste “país de maricas”, o capitão disse:
— Estamos prontos, ademais, a continuar nossa parceria em prol do desenvolvimento sustentável e da proteção do meio ambiente, em especial a Amazônia, com base em nosso Diálogo Ambiental, recém-inaugurado. Noto, a propósito, que o Brasil demonstrou compromisso com o Acordo de Paris com a apresentação de suas novas metas nacionais.
Por sua vez, quando ainda disputava uma vaga nas primárias democratas para ser candidato a presidente contra Donald Trump, Biden afirmou em março de 2020, em entrevista ao site America Quarterly:
— O presidente Bolsonaro deve saber que se o Brasil deixar de ser um guardião responsável da Floresta Amazônica, minha administração reunirá o mundo para garantir que o meio ambiente seja protegido.
Com Biden hoje no primeiro dia dessa mesma administração, Bolsonaro lembrou aquele “valente” de bar, que fala o que quer a outro cliente e escuta o que não quer. Levanta-se da mesa simulando braveza e, só após ser seguro por outra pessoa, passa a bradar, estufando o peito como pombo:
— Me solta! Me solta! Agora é na porrada! Agora é na porraaadaaa!!!!
Mas, ao ser atendido e solto, suplica no ouvido de quem o soltou:
A partir das 7h da manhã desta quinta (21), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o historiador João Monteiro Pessôa, professor do IFF-Guarus. Ele analisará os primeiros dias do governo Wladimir Garotinho (PSD) em Campos e o combate à pandemia da Covid-19 no Brasil de Jair Bolsonaro (sem partido) e da posse hoje (confira aqui) de Joe Biden como presidente dos EUA, em uma Washington sitiada por 25 mil soldados da Guarda Nacional, após a invasão do Capitólio por radicais trumpistas (relembre aqui) no último dia 6.
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No início da manhã de ontem (confira aqui), no aeroporto Bartolomeu Lisandro, enquanto esperava o primeiro lote de vacinas contra a Covid para Campos, o vice-prefeito Frederico Paes (MDB) falou ao Folha no Ar, na Folha FM 98,3, não só sobre a chegada da Coronavac, mas dos motivos que levaram o município a retroagir, também ontem, à Fase Laranja, com fechamento de todo o comércio considerado não essencial. Ele falou das reuniões que teve com representantes do setor, na manhã e na noite de segunda, para passar a decisão tomada “sem hesitação” pelo prefeito Wladimir Garotinho (PSD) no domingo, a partir do trabalho científico coordenado pelo médico infectologista e epidemiologista Charbell Kury, subsecretário de Atenção Básica e Vigilância Sanitária. E revelou que Campos, na terça e quinta da semana passada, chegou a ter quase 100% de ocupação dos seus leitos de UTI reservados aos doentes de Covid. Para orientar e fiscalizar o novo decreto, o poder público municipal conta com a Vigilância Sanitária, sob comando da médica veterinária Vera Cardoso de Melo. A alternativa ao seu descumprimento, alertou Frederico, “é Campos virar Manaus”. E ter pessoas mortas na cidade por sofrimento extremo e sem assistência médica. “A gente não pode deixar isso acontecer”, garantiu.
Frederico Paes, vice-prefeito de Campos (Foto: Folha da Manhã)
Vacina contra Covid a Campos e região – Ontem (segunda, 18) nós fomos até surpreendidos. Já eram mais de 22h, quando nós tivemos a notícia que as vacinas estariam chegando (ontem, 19) à região. A gente está muito feliz, lógico, mas essa logística (nacional de distribuição) foi até improvisada. Mas que seja improvisada, desde que vacina chegue à população, ela é bem-vinda. Realmente houve uma antecipação, o governador (João) Doria (PSDB), de São Paulo, que antecipou (fez a primeira vacinação no Brasil no domingo, 17) e isso forçou o governo federal a antecipar o seu calendário em um dia, as vacinas estavam previamente agendadas para o dia de amanhã (hoje, 20). Nós estamos aqui no aeroporto Bartolomeu Lisandro, com uma movimentação muito grande. Porque, na verdade, não é só Campos que está recebendo as vacinas, são cinco município da região (também São João da Barra, São Francisco de Itabapoana, Cardoso Moreira e São Fidélis). É um dia histórico para a nossa população, que vem sofrendo muito com a questão dessa doença, dessa maldita doença. E aqui, neste dia, a gente traz esperança às pessoas, a esperança em dias melhores. Nós vamos nos empenhar ao máximo para que a vacina chegue o mais rápido possível às pessoas.
Para não virar Manaus – Nós sempre dissemos, desde o início do governo, que nós iríamos seguir a ciência. Por mais que a gente entenda a problemática do comércio, inclusive ontem (segunda) na reunião com os comerciantes, de manhã, no Cesec, e à noite com o pessoal de shopping, eu fico bastante à vontade, porque eu sou do meio produtivo. Então, eu sei o quanto é duro para o comerciante fechar o seu estabelecimento, com contas a pagar, com salários a pagar. Nós entendemos, mas sempre dissemos que iríamos seguir a ciência. E essa análise dos nossos médicos, da nossa equipe toda da Saúde, com o acompanhamento de curva (do aumento de número de casos, internações e mortes), nós não poderíamos deixar acontecer o que aconteceu em Manaus.
Sistema perto do colapso — Na semana passada nós tivemos dois dias (12 e 14) de extrema tensão, onde nós tivemos praticamente 100% dos leitos de UTI para Covid preenchidos. Foram dias muito difíceis, não só para nós, mas principalmente para as equipes médicas que estão lá na linha de frente. E nos foi passado que, se nós não tomássemos essas medidas, medidas duras e que a gente fica até triste de ter que tomar, porque a gente não esperava isso na nossa cidade, mas se a gente não tomasse, nós teríamos na semana que vem um colapso do sistema de saúde em Campos. É importante destacar que os hospitais particulares, os hospitais que atendem plano de saúde, eles estão praticamente lotados. Quando esses hospitais lotam, eles passam também a utilizar o serviço público de Saúde. Foram picos. E é importante destacar que isso não é uma foto, é um filme, que de manhã, por exemplo, você está com 90% de lotação, ou com 95%, e à tarde, se alguém entrar no sistema, vai ver que está com 80%. Então, a gente não poderia deixar a população de Campos correr esse risco.
“Freio de arrumação” – Todos os estudos, dr. Charbell (Kury), que é um grande estudioso, com outros médicos que estão na nossa equipe, mostraram a necessidade desse freio de arrumação. Para que por uma semana a gente evite a circulação de pessoas, a gente consiga frear essa doença, para que na outra semana a gente tenha uma normalidade e possa voltar à Fase Amarela.
Dificuldade de equipe médica – É importante destacar também que os 10 leitos (de UTI, para o Centro de Controle e Combate ao Coronavírus em Campos, o CCC) que a gente conseguiu no final de semana, nós ainda não estamos com eles abertos. Eles estão lá instalados, mas nós estamos tendo uma dificuldade enorme de equipe médica. E eu não faço aqui nenhuma crítica aos médicos. Porque é um trabalho, é uma situação muito difícil, em que eles estão há 10 meses trabalhando na linha de frente. E nós, provavelmente, vamos ter que trazer gente de fora do município de Campos para fazer esses leitos funcionarem.
“Repito: para não virar Manaus” – Dando uma parada (no comércio e na circulação de pessoas) esta semana, provavelmente abrindo os 10 novos leitos, que vão estar funcionando na medida que nós tivermos médicos lá para atender. Então, nós vamos conseguir estabilizar a situação do nosso município, dar segurança à nossa população para, repito: para não acontecer o que aconteceu em Manaus. Lá se tentou parar a cidade, houve uma reação muito forte por parte do comércio, a Justiça tombou e deu no que deu. A gente não pode deixar isso acontecer. A responsabilidade do prefeito Wladimir é muito grande. Nós sempre vamos ouvir a ciência, ouvir o que a medicina está nos mandando fazer.
Comércio x mortes – Eu prefiro ter embate com pessoas vivas, com comerciantes que, com toda a razão, estão reclamando, estão chateados e preocupados com essa situação, do que lidar com as mortes crescentes na região. E o pior: mortes que poderiam ser causadas por falta de assistência. A gente entende que a população de Campos já sofreu demais e eu dedico este dia histórico, onde nós vamos estar recebendo a vacina hoje (ontem) no aeroporto, às vítimas da Covid em Campos. Ontem (na segunda), eu fiz uma pergunta lá na reunião com os comerciantes à noite: “Alguém aqui já perdeu um ente querido de Covid?”. Então, a gente precisa ter muita calma nesta hora e entender que é um período curto. E assim que a coisa der uma normalizada, nós vamos estar aí, voltando às atividades de forma gradual, para que a população de Campos não sofra mais.
“Não deixar ninguém morrer por falta de assistência médica” – É importante mostrar também que muitos desses leitos (de UTI) que ficaram disponíveis na semana passada, isso se deu por morte, e não por alta hospitalar. Isso é muito triste. Nas últimas 72 horas, nós tivemos o registro de 13 mortes. Isso vai ser divulgado hoje (ontem) e eu estou dando aqui em primeira mão. Então, isso é uma situação muito crítica. Nós não podemos deixar ninguém morrer por falta de assistência médica. E isso é uma determinação do prefeito Wladimir. Nós estamos empenhados em resolver isso o mais rápido possível, ou pelo menos amenizar isso o mais rápido possível.
Pregação de desobediência civil pelo comércio aberto? – Nós hoje temos uma Vigilância Sanitária que é liderada pela dra. Vera Cardoso de Melo, uma pessoa de conhecimento amplo na sua área, é uma pessoa preparada, que nos últimos anos atuou na Copa do Mundo (2014) e nas Olimpíadas (2016) no Rio de Janeiro. Ela foi convidada para coordenar esses dois grandes eventos. Ela hoje é a nossa coordenadora de Vigilância Sanitária, que infelizmente estava desarrumada, não estava funcionando, a verdade é essa. E hoje nós temos a dra. Vera coordenando um grupo de 25 profissionais de nível superior e mais outros 20, de apoio, dando uma total, eu diria inicialmente orientação e, depois, assistência no sentido até punitivo a quem não cumprir o decreto. A nossa equipe vai estar na rua, nós pedimos apoio, inclusive, ao Ministério Público, porque o decreto tem que ser cumprido a rigor. A gente tem que entender que a chamada desobediência civil, além de negacionista, ela é até macabra, porque você está lidando com a vida e morte do ser humano.
Desgaste político para preservar vidas – A gente tem que entender que o prefeito Wladimir e nossa equipe, ninguém toma uma medida dessa sem total embasamento científico. Não há nenhum ato político, eu diria político até no sentido ruim da palavra. Porque há um desgaste claro na liderança do prefeito e nossa também, no sentido de que é um desgaste imenso a gente ter que fechar comércio. Mas não há nada mais importante que a preservação da vida. E a gente não pode aceitar em hipótese nenhuma que um residente do município de Campos fique sem assistência. Então, há a necessidade dessa parada. A Vigilância Sanitária vai atuar de forma bastante forte.
Comércio, ciência e decisão sem hesitação – Gostaria de destacar também que várias entidades de classe estiveram ontem (na segunda) na nossa reunião do comitê de crise, 9h da manhã, lá no Cesec, nós mostramos toda a situação, mostramos que não é um índice só, não é só ocupação de leito de UTI. São vários índices que, somados, eles nos dão em que fase nós deveremos entrar. Esse estudo é completamente alicerçado pela ciência, com oito parâmetros, entre número de internação, número de mortes, que vão sendo jogados numa fórmula científica que mostra qual fase nós devemos estar. Na semana passada, nós tivemos por duas vezes bicando ali, apontando a Fase Laranja, apontando lá, mas voltou um pouquinho. Mas a curva se mostrando crescente; é um gráfico onde essa curva estava crescente e já indo para Fase Vermelha, que é o que se encontra em Manaus hoje. Então repito: nós não poderíamos deixar chegar nesse ponto. A medida foi tomada neste sentido, para que a gente inverta essa curva e retorne à Fase Amarela o mais rápido possível. Essa curva veio crescendo, atingiu a Fase Laranja no domingo de manhã. E nós fomos imediatamente alertados por nossa equipe e o prefeito Wladimir não teve hesitação em nenhum momento em decretá-la. Mas a gente espera que essa Fase Laranja seja rápida, que ela não demore, para que a atividade do comércio, que é tão importante para a cidade, gera milhares e milhares de empregos, é a maior empregadora do município, que ela possa voltar o mais rápido possível.
Como faltam médicos se a folha da Saúde é uma das maiores do município? – Nós estamos aí com 18, 19 dias de governo. Porque foi no dia 4, na segunda-feira (primeira do ano), que a coisa realmente começou. A gente teve uma transição péssima, que foi incialmente dificultada pelo (ex-)prefeito Rafael (Diniz, Cidadania), que entendeu que deveria esperar o resultado do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e nós tivemos um prejuízo aí de quase duas semanas. E quando de fato se abriu a transição, além de muito rápida, pelo tamanho e complexidade do município de Campos, nós tivemos muita dificuldade de acesso ao que a gente precisava. E uma dessas situações é a quantidade de médicos e onde eles atuam, onde eles estão trabalhando. Para se ter uma ideia, nós conseguimos isso na semana passada e eu estou articulando isso com o secretário de Saúde (Aldesir) Barreto, que infelizmente pegou Covid; o dr. Geraldo (Venâncio), por questão de saúde também não pode assumir (chegou a ser anunciado como secretário), o dr. Paulo Hirano (subsecretário) também não. Então, nós tivemos que trabalhar com essas pessoas, líderes da Saúde de Campos, de home-office, e buscando essa listagem de médicos do nosso município. Hoje ela está na nossa mão, nós estamos fazendo contato, nós temos cerca de 980 médicos concursados na ativa. Isso não é pouco médico, é bastante médico, e nós estamos em contato com vários deles para montar essas equipes no CCC. São 10 novos leitos que o prefeito Wladimir conseguiu, cedidos pela Prefeitura de Duque de Caxias; nós conseguimos esses leitos na sexta-feira (15) à tarde, onde teve o ok lá do prefeito Washington Reis (MDB), e no sábado (16), pela manhã, esses leitos já estavam montados, todos com respiradores, com equipamentos novos, para UTI. E eu acredito que até amanhã (hoje), no máximo quinta-feira (amanhã, 21), nós vamos estar com esses leitos abertos. Porque eles estão montados, faltam as equipes médicas. Eu sei que a linha de frente não é fácil, o desgaste físico e emocional é terrível desses profissionais. Mas fazemos um apelo à classe médica de Campos, para que nos ajude a formar essas equipes, para que a gente consiga atender essa população, sobretudo a população carente. Eu diria que seria até triste para Campos se a gente tivesse que trazer médico de fora, mas não é uma opção descartada. Uma das situações para a gente sair da Fase Laranja é a abertura desses leitos.
Publicado hoje (20) na Folha da Manhã
Confira nos três blocos abaixo, a íntegra em vídeo da entrevista de Frederico Paes ao Folha no Ar:
Os EUA nunca mais serão os mesmos depois dos turbulentos quatro anos de Donald Trump na Casa Branca. Mas a mais longeva democracia do mundo começa a tentar conduzir hoje este mesmo mundo de volta à normalidade, assim que Joe Biden assumir como 46º presidente dos EUA. Cargo ao qual foi eleito (relembre aqui) nas urnas de 3 de novembro, com uma vitória incontestável: 306 a 232 votos do colégio eleitoral, com mais de 7 milhões de votos populares de vantagem. Sua posse e da vice Kamala Harris, primeira mulher, primeira negra e primeira descendente de asiáticos e caribenhos a assumir a vice-presidência do país, ocorrerá às 11h30 de Washington (13h30 de Brasília), sob um esquema de segurança nunca antes visto. No mesmo Capitólio invadido em 6 de janeiro (relembre aqui) pelos supremacistas brancos de Trump, incitados publicamente por este, causando cinco mortes. O fato, inédito em 232 anos de democracia, ainda não tem todas as suas consequências dimensionadas ou conhecidas. Certo é que passará à História. Dos EUA e do mundo — incluindo o Brasil de Jair Bolsonaro (sem partido).
Além do emblemático ineditismo da diversidade de gênero e raça que levará à Casa Branca, Kamala Harris terá outro papel importante no governo Joe Biden. No sistema dos EUA, a presidência do Senado cabe ao vice-presidente. Depois que o segundo turno do estado da Geórgia, tradicionalmente conservador e republicano, elegeu (relembre aqui) dois senadores democratas, o placar ficou 50 a 50 na Câmara Alta dos EUA. Onde o voto de minerva caberá a Kamala, ex-senadora pelo estado da Califórnia. Com a maioria conquistada também na Câmara Federal, pela vitória eleitoral completa de Biden, este terá carta branca do Poder Legislativo para aprovar as reformas que quiser, pelo menos em seu primeiro biênio de governo.
Apesar de moderado em seus 47 anos de vida pública, as promessas de campanha de Biden foram ousadas: enfrentar a segunda onda da Covid onde ela tirou o maior número de vidas humanas no planeta Terra, revitalizar o Obama Care dilapidado por Trump em um país sem SUS, taxar as grandes fortunas para bancar a assistência social aos mais pobres e impor um salário mínimo aos EUA de US$ 15 por hora. E o experiente ex-senador e ex-vice-presidente nos oito anos do governo Barack Obama será tão cobrado para implementá-las agora à frente do país mais poderoso do mundo, quanto se elas não surtirem o efeito desejado.
Bolsonaro e Trump trocaram camisas personalizadas das seleções de futebol do Brasil e dos EUA, em visita à Casa Brancade 19 de março de 2020 (Foto: Kevin Lamarque – Reuters)
Foi também na campanha que o Brasil de Bolsonaro entrou na disputa presidencial dos EUA. No primeiro debate entre Trump e Biden, em 29 de setembro, o então candidato democrata condenou os incêndios criminosos na Amazônia, os maiores registrados na última década. E ameaçou adotar sanções comerciais, a exemplo do que é feito com párias internacionais como Irã, Coréia do Norte ou Venezuela, caso o governo brasileiro insista em não combater as queimadas. Só em 11 de novembro, 43 dias após aquele primeiro debate e já quatro dias após a confirmação oficial (confira aqui) da eleição de Biden, mas sem ainda admitir a derrota do seu “mito” Trump, Bolsonaro respondeu ao presidente dos EUA que assume hoje. E ameaçou (relembre aqui) a maior potência bélica do mundo com “pólvora”, gerando a humilhação internacional das Forças Armadas Brasileiras. Pela qual o capitão foi repreendido internamente pelos generais do seu governo.
Líderes da China, Xi Jinping; da Alemanha, Angela Merkel; da França, Emmanuel Macron, da Grã-Bretanha, Boris Johnson; e de Israel, Benjamin Netanyahu (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
A partir de hoje, com Biden na Casa Branca, cessam os tiros de festim na relação geopolítica entre os EUA e o Brasil. Que, com Bolsonaro no poder e o olavista Ernesto Araújo no ministério das Relações Exteriores, já não era visto com bons olhos também pela China de Xi Jinping e a União Europeia da chanceler alemã Angela Merkel e do presidente francês Emmanuel Macron. A Trump e seus seguidores pelo mundo, não sobraram nem ex-aliados como os primeiros-ministros de Grã-Bretanha e de Israel, respectivamente Boris Johnson e Benjamin Netanyahu. Os dois condenaram com veemência a invasão do Capitólio, na Washington hoje sitiada por 25 mil soldados da Guarda Nacional dos EUA, para garantir a segurança da posse de Biden e Kamala. Enquanto Bolsonaro preferiu usar o episódio condenado pelo mundo como ameaça ao que pode acontecer no Brasil, na eleição presidencial de 2022.
Jair Bolsonaro e Donald Trump (Foto: Alan Santos – PR)
Donald Trump acabou agora há pouco seu discurso de despedida da Casa Branca. Durou cerca de 20 minutos. Não falou uma única vez em “fraude” nas eleições presidenciais de 3 de novembro. Que perdeu em uma coça de 306 a 232 votos do colégio eleitoral, e mais de 7 milhões de votos populares de vantagem para Joe Biden. Que ainda levou a maioria na Câmara e no Senado dos EUA.
Ao abandonar o discurso de “fraude” com o qual incitou seus supremacistas brancos à inédita invasão do Capitólio em 6 de janeiro, ao saldo de cinco mortos, Trump deixou órfãos seus propagadores de fake news. Nos EUA e no mundo. Inclusive seu fiel latin cover Jair Bolsonaro.
Pode ter sido por medo da cana dura, pelo crime que Trump cometeu contra a sua própria democracia. Mas o fato é que o “Malvado Favorito” deixou seus minions e suas inacreditáveis fake news, literalmente, de broxa na mão.
A partir das 7h da manhã desta quarta (20), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o antropólogo Carlos Abraão Moura Valpassos, professor da UFF-Campos. Ele analisará os primeiros dias do governo Wladimir Garotinho (PSD) em Campos e o combate à pandemia da Covid-19 no Brasil de Jair Messias Bolsonaro (sem partido).
O antropólogo falará também sobre a invasão do Congresso dos EUA (relembre aqui) no último dia 6, que dará posse às 13h30 (horário de Brasília) desta quarta a Joe Biden como 47º presidente dos EUA. E a Kamala Harris como primeira mulher, primeira negra e primeira descendente de asiáticos e caribenhos a ser vice-presidente do país. Isso em uma Washington sitiada por 25 mil soldados da Guarda Nacional.
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A partir das 7h da manhã desta terça (19), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o vice-prefeito de Campos, Frederico Paes (MDB). Com funções administrativas também na coordenação das pastas de Saúde e Agricultura, por sua experiência como gestor hospitalar, engenheiro agrônomo e industrial do açúcar e do álcool, ele falará (confira aqui) sobre o retorno de Campos à Fase Laranja, com fechamento de templos e do comércio nos setores não essenciais, para tentar conter o avanço da Covid-19. Medida que vem sendo questionada por comerciantes e pela militância negacionista da ciência na cidade.
Ainda sobe a pandemia, Frederico analisará a ocupação dos leitos clínicos e de UTI no município destinados aos infectados pelo novo coronavírus, assim como a previsão de início da vacinação (confira aqui e aqui) dos campistas. Por fim, o vice-prefeito falará sobre a crise financeira de Campos detalhada pela Folha entre junho e setembro de 2020 (confira a série aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), que gerou o decreto de calamidade pública do novo governo em janeiro de 2021 (confira aqui) e o consequente atraso do pagamento dos servidores (confira aqui e aqui). E de como a retomada da secular vocação agropecuária do município pode servir como alternativa econômica.
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Jair Bolsonaro (sem partido) terminou dezembro de 2020 com 37% de aprovação popular pela Datafolha e 35%, pelo Ibope. Como provaram Fernando Collor de Mello (hoje, Pros) em 1992 e Dilma Rousseff (PT), em 2016, a linha histórica para o impeachment de um presidente no Brasil é 10% ou menos de aprovação popular. E ele só é consumado pelo Congresso após o povo tomar as ruas. O que só deve ser possível, por conta da Covid, no segundo semestre deste ano de 2021.
Em outras palavras, por mais besteiras que diga e faça, sobretudo em relação à pandemia e na condução econômica do país, Bolsonaro deve ficar onde foi eleito para estar. Pelo menos até 2022, ano em que a decisão será novamente no voto popular. A não ser que a aprovação popular do presidente caia, ao menos, pela metade. O que, dada a resiliência bovina do eleitor alcunhado pela oposição de “gado”, parece hoje pouco provável.
Lógico, a relação do Brasil com os EUA de Joe Biden, que assume a Casa Branca nesta quarta (20), e uma eventual vitória de Baleia Rossi (MDB) sobre Arthur Lira (PP), na eleição a presidente da Câmara Federal de 1º de fevereiro, podem mudar — e acelerar — o rumo dos fatos. Mas, por mais que possam ter razões lógicas, jurídicas e sanitárias os que passaram recentemente a elevar o coro pelo impeachment de Bolsonaro, ele ainda não está no horizonte de qualquer análise política dissociada do desejo.
Donald Trump, Jair Bolsonaro e Wladimir Garotinho (Montagem: Joseli Matias)
Carlos Abraão Moura Valpassos, antropólogo e professor da UFF-Campos
2021: EUA, Brasil e Campos
Por Carlos Abraão Moura Valpassos
Processos sociais e fenômenos biológicos, como o coronavírus, podem até ser influenciados pelos calendários definidos pelos humanos, mas certamente a virada de um ano para outro não representa o arquivamento do que estava em andamento. Assim que o novo ano se apresentou, os desdobramentos de 2020 não tardaram a se manifestar. Nos Estados Unidos, em menos de uma semana em 2021, tivemos o evento que ficou conhecido como “Invasão do Capitólio” — quando apoiadores de Donald Trump entraram no Congresso estadunidense para contestar a derrota de seu líder nas eleições presidenciais. Cabe recordar que um discurso de Trump incitou o ato e que, além das cenas de balbúrdia em pleno templo da democracia, cinco pessoas morreram. Os desdobramentos disso ainda estão em curso, com a possibilidade de impeachment de Trump e de novos tumultos antes da posse do presidente eleito Joe Biden, marcada para o próximo dia 20. Todavia, já é certo afirmar que os eventos de 6 de janeiro entraram para História como uma mácula para o sistema democrático dos Estados Unidos e que os discursos e as posturas de Trump ali manifestaram um pouco de seu potencial destrutivo – poderia ter sido ainda mais grave.
Enquanto a loucura vivenciada nos Estados Unidos era observada com pavor por quase todo o mundo, no Brasil tudo caminhava como em 2020, de tal modo que os eventos do Capitólio, se fossem aqui, poderiam ser confundidos com mais uma das aglomerações causadas por nosso presidente Bolsonaro — que, não por acaso, já foi chamado de “Trump dos trópicos”. Sem manifestar repúdio aos acontecimentos, o presidente limitou-se a declarar que, em 2022, algo ainda pior pode acontecer no Brasil caso não seja implementado um sistema de votos impressos. Obviamente que, tal como em 2020, o presidente continuou flutuando a cinco metros do solo da realidade e desconsiderou que as suspeitas de fraude nos EUA ocorreram justamente em um sistema eleitoral que faz uso de votos impressos.
O recrudescimento do contágio pelo coronavírus, previsto e anunciado por inúmeros profissionais de epidemiologia como efeito das festas de final de ano, se confirmou. A cidade de Manaus, um dos locais mais intensamente atingidos durante a primeira onda, que chegou a ser considerada como um exemplo da suposta imunidade de rebanho, voltou a sofrer drasticamente com os efeitos da combinação entre pandemia e incompetência governamental. E nos últimos dias não faltaram relatos sobre hospitais superlotados, falta de leitos de UTI e, por fim, falta de cilindros de oxigênio. Enquanto isso, o presidente continua a insistir na cloroquina e a questionar as vacinas, afastando-se de qualquer responsabilidade.
Em Campos, 2021 trouxe Wladimir Garotinho como prefeito. Depois de afirmar em campanha que os problemas da cidade eram decorrentes da falta de gestão de Rafael Diniz, pois havia dinheiro, Wladimir não demorou para declarar estado de calamidade pública, confirmando o que Rafael Diniz passou quatro anos repetindo. Em um ato prático e repleto de simbolismo, a gestão de Wladimir começou por realizar mutirões de limpeza, retirando toneladas de entulho da cidade. E se podemos dizer que Rafael Diniz passou parte substantiva de seu mandato tentando, sem êxito, resolver o problema do transporte público, podemos afirmar que ao menos as lotadas ilegais estavam controladas. Com Wladimir, em menos de 15 dias de governo, o problema do transporte público ainda não apresenta respostas e as lotadas voltaram como se nada tivesse acontecido. Enquanto isso, o prefeito repete a fórmula de Rafael Diniz: culpa a antiga gestão por todos os problemas. A diferença é que, agora, a tomada de empréstimos está no horizonte. E mesmo que a sabedoria popular ensine que “ninguém tem uma segunda chance de causar uma primeira boa impressão”, ainda estamos em meados de janeiro e pode ser cedo para afirmar que “de onde menos se espera, daí é que não sai nada”.
A partir das 7h da manhã desta segunda, quem abrirá a semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é a servidora e presidente do Sindicato dos Profissionais Servidores Públicos de Campos dos Goytacazes (Siprosep), Elaine Leão. Ela falará sobre o não pagamento dos salários de dezembro e 13ª ao servidor municipal de Campos, cujo prazo para pagamento o prefeito Wladimir Garotinho (PSD) disse (confira aqui) ao Folha no Ar de terça (12) que divulgará ainda este mês.
Elaine falará também da possibilidade de uma nova tomada de empréstimo ao município a partir do patrimônio do PreviCampos, como foi aventado por Wladimir no Folha no Ar. E do alinhamento político do Siprosep, bem como da sua atuação institucional em conjunto com o Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe) e com o Sindicato dos Médicos de Campos (Simec) em defesa dos servidores municipais.
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Conhecido pelo estilo aguerrido, com o qual se destacou como vereador de oposição no segundo governo Rosinha Garotinho (hoje, Pros), Marcão Gomes (PL) é 1º suplente de deputado federal e líder da sua legenda no Norte e Noroeste Fluminense. Ele disse em entrevista à Folha FM, na manhã da última quinta (14), que se manterá na oposição ao governo Wladimir Garotinho (PSD), com distinção entre os verbos “ser” e “fazer”. Com a experiência de quem foi presidente da Câmara de Campos no biênio 2017/2018 e depois secretário de Desenvolvimento Humano e Social da administração Rafael Diniz (Cidadania), ele fez críticas à maneira de governar do ex-prefeito. Sobretudo nas decisões restritas ao núcleo duro deste, como foi a de fechar o Restaurante Popular. Mas também defendeu Rafael, lembrando as muitas limitações financeiras que este encontrou, herdadas de Rosinha, que permanecem para seu filho. Ele analisou a recente eleição à Mesa Diretora do Legislativo goitacá, vencida com folga pelo garotismo, a partir da sua aliança com o ex-prefeitável Caio Vianna (PDT). A quem definiu como “Caio 3M”: “menino, mimado e mentiroso”. Marcão revelou que voltou a militar como advogado, condição na qual estará acompanhando e divulgando os resultados da CPI do PreviCampos, junto aos órgãos competentes. Ele defendeu que os servidores têm que receber os atrasados de dezembro e do 13º, mas admitiu que Wladimir não tem hoje dinheiro para saldar a dívida, que estimou em R$ 106 milhões. E falou do seu “fightzinho” com o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) em 2019, a quem teceu vários elogios neste início de 2021.
No Folha no Ar de quinta (14), Marcão Gomes fez análise crítica de Rafael Diniz, Wladimir Garotinho, Caio Vianna e Rodrigo Bacellar (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Rafael dos 151 mil votos de 2016 aos 13 mil de 2020 — Vou falar não quanto às ações do governo Rafael Diniz, mas da perda de capital político. Durante o período em que a gente esteve à frente da presidência, no primeiro biênio da Câmara, conduzimos as votações mais importantes do governo Rafael, que foram as adequações tributárias no Código do município. Tivemos o encerramento de programas sociais importantes, a gente teve também dificuldade de atender aos anseios dos servidores públicos, algo que o prefeito Wladimir, nos primeiros dias, também está sentindo a pressão e a quentura dessa panela. Temos sindicatos muito fortes, pessoas que trabalham na busca dos seus direitos, e é legítimo. Mas, em um momento de dificuldade, o (ex-)prefeito acabou criando arestas com muitos segmentos da sociedade; segmentos que são importantes, que formam opinião e que acabaram provocando esse desgaste político que se refletiu nas urnas.
Ausência nas bases — O próprio Rafael constatou, e foi o que ele mais ouviu durante a campanha eleitoral de 2020, a ausência dele junto aos eleitores nas bases. Ele não esteve ausente no diálogo em momento nenhum. Ele ouviu as pessoas, ele recebeu os representantes das instituições, das entidades. Mas o que mais ouviu na campanha eleitoral foi: “Por que você não me explicou isso antes? Por que você não colocou que era assim? Por que você não esteve próximo à gente?”. Ele ouviu isso muito na campanha eleitoral, só que em um período de pandemia, em um tempo muito curto, é muito difícil você reverter o desgaste de três anos e meio de gestão. Então, esses foram os principais motivos que levaram a essa queda no número de eleitores que escolheram Rafael Diniz como opção para prefeito da cidade.
Núcleo duro e Restaurante Popular – Quando Rafael assumiu (em 2017), ele como chefe do Poder Executivo, eu como chefe do Poder Legislativo, a gente procurava dialogar no início do governo sobre alguns pontos importantes, sobre como ele havia encontrado as contas do município. Eu cheguei a participar de algumas reuniões no gabinete do prefeito para tomadas de decisões, naqueles primeiros dias do governo. E eu tenho um jeito muito peculiar de fazer política: eu falo aquilo que eu penso, sempre. Mas, nessas reuniões mais fechadas, eu me coloquei de forma contundente, contrária a algumas decisões do grupo político do prefeito, dos secretários. Foi algo que, com o tempo, a gente foi entendendo que existia um núcleo duro do governo. E alguns posicionamentos não eram bem vindos. Como essa decisão, de fato, não teve nada a ver com nenhum membro do Poder Legislativo: a decisão de fechar o Restaurante Popular. Não foi comunicado a mim, como presidente da Câmara, antes que estivesse decidido pelo núcleo duro do prefeito Rafael Diniz. Então, é um dos exemplos, com o qual eu não concordaria e não concordei. E lutei, enquanto estive secretário de Desenvolvimento Humano e Social, pela sua reabertura com todas as minhas possibilidades, com todas as limitações financeiras do município. Mas houve, sim, um distanciamento de diálogo. Como também tenho que enaltecer o prefeito Rafael Diniz sobre a total ausência de influência dentro do Poder Legislativo. Mas, enquanto políticos que participamos de uma campanha juntos, levando o prefeito Rafael Diniz à vitória (em 2016), eu acho que faltou esse diálogo. Da mesma forma que faltou diálogo com as suas bases políticas, antes de algumas decisões do núcleo duro.
Nova Mesa Diretora da Câmara — Vi uma eleição muito disputada nos bastidores. E, de fato, o que decidiu essa eleição foi a articulação política do prefeito Wladimir Garotinho e do candidato derrotado a prefeito Caio Vianna (PDT). Porque certamente o resultado seria bem mais apertado, podendo ter uma vitória do grupo que estava sendo liderado pelo deputado estadual Rodrigo Bacellar. Ele tinha boas possibilidade de conquistar a vitória. Mas o Caio, infelizmente, e eu acompanhei isso nas redes sociais, muitos dos eleitores que depositaram a confiança nele no segundo turno, quando fez 110 mil votos. E um político a quem eu tenho muito carinho, o deputado (federal) Alessandro Molon (PSB), diz que no primeiro turno, o povo vota; no segundo turno, o povo veta. O Caio não teve votos, ele teve vetos a seu favor, vetos ao garotismo, à maneira de governar dos Garotinho. Foi isso que fez Caio ascender aos 110 mil votos, que não foram votos dele, foram votos de veto aos Garotinho. E muitos desses vetos, que votaram nele, se sentiram traídos por essa aliança política que ele fez com Wladimir Garotinho.
“Caio 3M” — Eu sempre fui muito franco, muito direto. Eu acho que o Caio é um Caio 3M: é um menino, mimado e mentiroso. Porque os argumentos que ele usou para falar dessa decisão, de uma aliança programática (com os Garotinho), não são verdadeiros. Nos bastidores da política, ele comentou com diversos atores: “Na verdade, eu estou indo à forra com o Rodrigo (Bacellar), porque o Rodrigo não quis me apoiar, colocou os vereadores que foram eleitos no grupo dele para apoiar o Wladimir no segundo turno. E agora eu vou dar o troco para ele, colocando os meus vereadores, eleitos pelo PDT, na votação da Mesa para auxiliar o Fábio Ribeiro (PSD, eleito presidente da Câmara”. No meu partido (o PL), em que a gente fez a eleição de um único vereador, Bruno Pezão, eu o liberei para fazer parte do grupo do prefeito Wladimir Garotinho, pois ele me solicitou. E eu falei: “Se é da sua vontade, eu não vou ficar prendendo você”. Mas seria uma eleição muito apertada se não fosse o acordo de Wladimir com o Caio. Com todo o respeito que eu tenho ao dr. Arnaldo Vianna (PDT), uma pessoa pela qual eu tenho muito carinho, muito respeito. A Ilsan Vianna (PDT) também, gosto muito dela. Mas o Caio não está preparado para ser político. O falecido e saudoso (deputado estadual e vice na chapa de Caio em 2016) Gil Vianna (PSL) já dizia isso em letras garrafais. Eu nunca tive proximidade com Caio, mas no segundo turno acabei me aproximando um pouco, por conta de lideranças que queriam se engajar na campanha dele, e eu acabei sendo um agente facilitador; o PL já estava na aliança. Mas os relatos que eu tive, de candidatos a vereador na coligação com ele, foram muito ruins. Relatos de falta de compromisso, relatos de ausência junto às bases, relatos de promessas não cumpridas, relatos de isolamento em estúdio, não querendo atender ninguém, relatos de só sair do estúdio para fazer carreata; parece que não gosta do contato com o eleitor, não gosta do diálogo próximo, não está no dia a dia do trabalho, acorda tarde. Os candidatos (a vereador) do PL, que estavam na aliança, recorriam muito a mim, por ser a liderança do partido, e esses eram os relatos. Parecia que ele acordava meio-dia para ficar dentro do estúdio. De fato, ele precisa trabalhar, precisa arrumar uma profissão, precisa aprender sobretudo a honrar a palavra.
Rosinha/Rafael/Wladimir – Se o grupo político ao qual Wladimir pertence, que era capitaneado pelo pai e a mãe dele, se eles tiveram dificuldade com mais de R$ 700 milhões nos cofres, em relação ao governo Rafael, e tiveram que recorrer à “venda do futuro”, tiveram que recorrer a recursos retirados do Fundo de Previdência dos servidores (PreviCampos); se com tudo isso e ainda esse orçamento executado vultuoso, eles ainda tiveram que recorrer a uma série de medidas que, ao meu ver, não devem ser praticadas, imagina agora, ele (Wladimir) governando com menos recursos e com as dificuldades que nós temos.
Dinheiro novo – O tal dinheiro novo, que o Wladimir está falando que vai trazer para a cidade, eu torço muito. Inclusive, encontrei com ele, no aeroporto Santos Dumont (na cidade do Rio), depois da vitória dele, o parabenizei, e torço muito para que ele traga esse dinheiro novo. O que eu puder junto à nossa bancada de deputados (federais do PL), para ajudar o município, eu sem dúvida farei. Mas que esse dinheiro novo seja oriundo de parcerias políticas junto ao governador, aos senadores, aos deputados federais. Mas que esse dinheiro novo, em hipótese nenhuma, seja objeto de um novo empréstimo, de um novo endividamento, de um novo recurso aos cofres do PreviCampos, que prejudicou demais os aposentados e pensionistas da nossa cidade. Que esse dinheiro novo surja de boas articulações, do aumento da receita do município, de atração de indústrias para que nós possamos arrecadar mais.
Legado de Rafael, crise financeira e diminuição dos serviços – O legado de Rafael é um legado de trabalho, não é um legado de investimentos, de obras públicas. Porque não existe hoje no município esse conforto. Eu tenho visto vereadores já solicitando: “Ah, eu preciso que construa uma escola, eu preciso que construa uma Unidade Básica de Saúde (UBS)”. Nós não temos mais possibilidade de aumentar o custeio da nossa cidade. Hoje, o momento é de diminuir a oferta de serviços, não é de aumentar. O município não tem condições de pagar o seu custeio. Inclusive, o próprio prefeito Wladimir Garotinho vem reconhecendo isso.
Servidor sem salário de dezembro e 13º – As finanças do município estão em estado caótico. Eu estou fazendo uma análise técnica, não política. O trabalhador tem que ser remunerado, senão é trabalho escravo. Minha mãe é servidora pública aposentada do município, eu sou servidor público federal, tenho diversos amigos que são servidores públicos, e a gente sabe que no final do mês a conta não espera. Todo mundo tem sua conta de água e luz para pagar, tem a manutenção da sua residência, tem os itens básicos para a manutenção dos seres humanos. E é muita dificuldade que o município e o prefeito Wladimir Garotinho estão encontrando. Trazendo à lembrança toda aquela receita que existia no governo da prefeita Rosinha Garotinho, mesmo com valores acima da média, mesmo tendo a receita das “vendas do futuro”, com tudo isso, o salário de dezembro e do 13º de 2016 só foi pago graças a um saque de R$ 96 milhões do Fundo de Previdência do PreviCampos. Porque, senão, não seria quitado em 2016. Pegou, segundo auditoria, sem autorização de ninguém, e isso acabou levando a posteriori à reprovação das contas da prefeita (pelo Tribunal de Contas do Estado, TCE) confirmada depois na Câmara, gerando oito anos de inelegibilidade.
Estado de calamidade financeira – A ausência de pagamento está se dando, não é por má vontade do prefeito Wladimir; é porque não tem recurso mesmo. Tem uma coisa que é a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Uma coisa é a campanha, e a campanha já passou. Na campanha, o então candidato Wladimir Garotinho, ainda não prefeito, dizia que dinheiro tem e o que faltava era gestão (mesmo discurso de Rafael na campanha de 2016). Agora, depois da campanha, o que ele (Wladimir) está dizendo: “Olha, vamos decretar o estado de calamidade fiscal e financeira”. Ou seja, concorda com Rafael Diniz. A cidade está em um estado de calamidade fiscal e financeira. E é verdade. Com a diferença que Rafael fez essas promessas de boa-fé. Nós não tínhamos nenhuma informação. Tudo que nós solicitávamos enquanto vereadores, era negado. E o governo Rafael ganhou prêmio de transparência. Todos os candidatos (a prefeito de Campos), quando foram solicitar o voto ao eleitor nessas eleições (de 2020) sabiam. E isso foi amplamente divulgado na imprensa. Inclusive parabenizando ao Grupo Folha da Manhã, o que mais divulgou esse estado de calamidade (entre 18 de junho e 26 de setembro, a Folha promoveu 11 painéis sobre o tema, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), que é verdadeiro. E porque levou (com Rafael) a tantas decisões que acabaram desagradando às pessoas. Foram decisões difíceis o tempo inteiro: a quem se paga e a quem se deve. Entre 13º e dezembro a pagar, acho que é algo em torno de R$ 106 milhões. Que o prefeito Wladimir realmente não tem na conta, ele precisa arrecadar para pagar. E aí cabe ao servidor público o quê? Ele pode pressionar, no sentido de que os primeiros recursos que entrem sejam para pagar aos trabalhadores.
“Fightzinho” com Rodrigo Bacellar — Falando daquilo que ocorreu lá atrás (na troca de farpas em 2019, quando Marcão era secretário de Desenvolvimento Humano e Social de Rafael, e Rodrigo, já deputado estadual), são situações que acontecem no dia a dia da política: João fala de José, José responde a João, João retruca. Ele (Rodrigo) fez uma análise política ao meu respeito em cima da eleição (de 2018). Eu devolvi a análise política, fazendo uma análise política em cima dos votos que ele teve no município, da forma de obtenção desses votos, dos apoios políticos concedidos à época, e a gente acabou entrando em um “fightzinho” (luta aberta) ali. Ele falava, eu respondia; é o meu jeito. Mas depois nós conversamos, inclusive na Feijoada da Folha, depois daquilo. A gente bateu um papo, eu gosto muito do seu Marcos Bacellar (SD, vereador), pai dele. Ele foi presidente da Câmara e eu ainda não era vereador. Mas depois fui presidente da Câmara, com o pai dele (de Rodrigo). Seu Marcos é uma pessoa que eu tenho muito carinho, muito respeito. E aí a gente conversou, zeramos (com Rodrigo) as nossas diferenças na Feijoada da Folha daquele ano de 2019. Ele estava junto com o presidente (da Alerj) André Ceciliano (PT). Ele (Rodrigo) tem feito um mandato de destaque, tem se tornado um líder regional, é reconhecido por todos, é um excelente articulador político. Torço pelo sucesso do mandato dele, que seja profícuo, que seja de ajuda à nossa cidade, à nossa região. A gente teve a infelicidade de perder dois deputados estaduais para a Covid, o saudoso Gil Vianna e o saudoso João Peixoto. Torço muito pelo sucesso do Rodrigo.
CPI do PreviCampos – Ela deve estar sendo analisada, a gente está no período agora de recesso do Poder Judiciário. Além do IFF, estou trabalhando também em um escritório de advocacia. E nossos companheiros lá do escritório vão estar acompanhando também essa questão. Infelizmente foi desviada (no governo Rosinha) uma quantia muito grande de recursos dos servidores públicos. O PreviCampos ficou durante 15 anos só capitalizando recursos. Em dezembro de 2015, o PreviCampos tinha em seu caixa R$ 1,3 bilhão. Em dezembro de 2016, um ano depois, quando terminou o mandato da prefeita Rosinha Garotinho, o PreviCampos só tinha no caixa R$ 804 milhões. Foram R$ 501 milhões de perdas. Isso sem contar os mais de R$ 450 milhões em investimentos de alto risco. Então, foram constatados diversos crimes praticados pela gestão anterior, pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara, a análise está sendo feita pelos órgãos e nós vamos estar acompanhando e também informando à sociedade sobre essa análise.
Oposição e análise do início do governo Wladimir — Vou falar primeiro de algumas escolhas do secretariado do prefeito, em que eu acho que ele foi extremamente feliz, com pessoas que têm muito conhecimento em diversas áreas. Tenho gostado das escolhas dele. Espero que a prática de gestão seja feita priorizando mais a gestão e menos política. Não é zerar a política, como aconteceu no governo anterior, o que acabou se refletindo nas urnas sobre Rafael. Então, eu torço para que Wladimir encontre um equilíbrio, entre os controles das contas, entre trazer esse dinheiro novo. E mais uma vez eu volto a enfatizar: tem que ser dinheiro novo e não dinheiro de empréstimo. Eu torço pela minha cidade, vou torcer para que o governo seja exitoso, para que dê certo; eu moro aqui, minha família mora aqui, meus três filhos estão aqui, sou servidor público aqui, advogo aqui. Mas, politicamente, a gente tem que dividir a conjugação dos verbos ser e fazer. Eu sou oposição, mas não significa que estarei fazendo oposição ao governo. Até lembrando uma fala que o Wladimir deu em uma entrevista à Folha da Manhã: “Somos oposição ao governo Rafael Diniz desde o primeiro dia. Não acreditamos no projeto político de Rafael Diniz”. A mesma coisa eu falo em relação ao Wladimir: eu sou oposição ao governo dele e eu não acredito no projeto de governo da família dele. Mas ser oposição não significa fazer oposição cega. Tanto que eu estou reconhecendo as boas escolhas que ele fez para algumas pastas e estou reconhecendo as limitações, as dificuldades que ele vai encontrar durante o seu governo. Nós vamos acompanhar o modelo de gestão, vamos estar acompanhando as atitudes e vamos estar pontuando, enquanto líder do Partido Liberal (PL) no Norte e no Noroeste Fluminense. Eu vou estar utilizando a minha ascendência política e a minha parceria com alguns atores locais e regionais para estar pontuando algumas coisas. Agora Wladimir vem com um discurso de que Campos precisa unir todas as forças políticas, do diálogo. Concordo com ele, mas foi um diálogo que ele não ofertou lá atrás ao Rafael. Também precisava unir todas as forças políticas e ter diálogo. Mas faz parte do jogo, é vida que segue. Como eu disse, vou conjugar de forma correta o verbo ser e o verbo fazer.
Página 2 da edição de hoje (14) da Folha da Manhã
Confira nos vídeos abaixo, em seus três blocos, a íntegra da entrevista de Marcão ao Folha no Ar da manhã de quinta (14):