“O que Garotinhos x Bacellar muda na vida das pessoas?”

 

Por Aluysio Abreu Barbosa, Cláudio Nogueira e Matheus Berriel

 

“O que essa briga (entre os grupos políticos dos Garotinhos e dos Bacellar) muda na vida das pessoas? Ou é uma briga mera e simplesmente pelo poder? Em que a Câmara de Vereadores trocando de mãos vai fazer a diferença na vida das pessoas?”. As indagações foram feitas no início da manhã de ontem, no programa Folha no Ar, na Folha FM 98,3, por Marcão Gomes (PL), pré-candidato a deputado federal, ex-vereador por dois mandatos e ex-presidente da Câmara Municipal de Campos. A crise que esta vive, na visão dele, remonta à eleição da atual Mesa Diretora, costurada ainda em 2020. E, por inabilidade do governo Wladimir Garotinho (sem partido) no Legislativo, teria se agravado até gerar a eleição do vereador de oposição Marquinho Bacellar (SD) a presidente da Câmara. Apesar de depois anulada, Marcão foi taxativo: “De fato, o presidente eleito foi o Marquinho (…) a gente não tem o que questionar quanto a isso”. Ele deu nota 5 ao primeiro ano e meio da gestão Wladimir, elogiando a reabertura do Restaurante Popular e o Cartão Goitacá. Mas não vê a curto prazo como o governo municipal resolverá seus dois principais problemas: o reajuste ao servidor e a questão do transporte público. Elogiou também a atuação do deputado estadual Rodrigo Bacellar e do governador Cláudio Castro, seus correligionários no PL.

 

Marcão Gomes (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)

 

Crise na Câmara de Campos — No final de dezembro de 2020, pós-vitória de Wladimir, a situação da composição da Câmara de Vereadores não era fácil. O presidente atual, Fábio Ribeiro (PSD), foi eleito com 24 votos e uma abstenção. Mas, essa aparente vitória maiúscula, na verdade, estava indefinida até às vésperas da votação. O Rodrigo Bacellar (hoje, PL) entrou no jogo com os vereadores que o apoiavam e, no finzinho, houve um acordo pactuado de bastidores entre o Wladimir e o Caio Vianna (hoje, PSD), que deu a vitória para o Fábio Ribeiro. A eleição estava muito disputada e poderia ser vencida ou perdida por um voto apenas. O Rodrigo não esperava que o Caio fosse fazer um acordo com Wladimir, que acabou dando uma rasteira em todo mundo nos bastidores. Naquele momento, o PDT (então, partido de Caio) divulgou uma carta dizendo do apoio e da governabilidade para o prefeito recém-eleito. A partir daquele instante, o Rodrigo Bacellar liberou a sua bancada para que pudesse apoiar ou não o governo. Então, foi uma vitória aparente de 24 a 1. Desde os primeiros dias da presidência do Fábio Ribeiro, já se via que não seria uma gestão simples. E logo após, quando foram encaminhados alguns projetos por parte do Poder Executivo (em maio de 2021), alguns vereadores se posicionaram contrários. Eu acho que faltou habilidade ali do governo. Culminou com a eleição do Marquinho Bacellar (em 15 de fevereiro de 2022). Ao meu ver, de forma muito precoce, o presidente atual, Fábio Ribeiro, colocou em votação. E acabou acontecendo o que aconteceu. Teve a eleição, depois se discutiu o descumprimento do regimento interno; anulou a eleição. De fato, o presidente eleito foi o Marquinho Bacellar. Todos nós sabemos disso, a gente não tem o que questionar quanto a isso.

O que a briga entre Garotinhos e Bacellar muda na vida das pessoas? — Nós temos dois núcleos hoje que se combatem o tempo inteiro: o núcleo garotista e o núcleo dos Bacellar. Mas, fora dessas bolhas, a sociedade civil organizada quer saber: o que essa briga muda na vida das pessoas? Qual é a entrega que elas vão ter? Ou é uma briga mera e simplesmente pelo poder? Em que a Câmara de Vereadores trocando de mãos vai fazer a diferença na vida das pessoas? Eu acho que o governo do Wladimir ele tem alguns calcanhares de Aquiles para poder resolver, problemas que são antigos. O governo do Rafael também tinha, só que tinha esses problemas com muito menos recursos. Então, ele (Wladimir) precisa saber como é que ele vai dar essa resposta para a população.

Nota 5 para 1 ano e meio do governo Wladimir — De 0 a 10, dou nota 5. Passa raspando. Porque os principais problemas que o município tem hoje, ao meu ver, são problemas já pré-existentes. Na área de Saúde, tem 73 unidades básicas que estão de pé, não todas funcionando. Nós temos hospitais, o Ferreira Machado e o HGG. Temos unidade lá em Ururaí, temos unidade em Morro do Coco, mais avançadas. Temos unidades pré-hospitalares que precisam de insumos, os seus prédios precisam estar funcionando da maneira adequada. Ele vem equilibrando essa entrega na Saúde. Na Educação, ficamos um tempo enorme parados na pandemia. Agora, com o retorno à sala de aula, nós vimos também a situação precária de várias unidades, de várias creches. Também é um número muito elevado de equipamentos: 180 escolas e 60 creches. Não é fácil a manutenção de toda a estrutura. Mas, os três principais problemas que eu elenco, e aí eu vou explicar porque eu dei a nota cinco. O problema social é um problema global hoje, do Brasil: a fome. Nós temos 137 mil pessoas em Campos, segundo dados do CadÚnico, em situação de extrema pobreza. Neste ponto, eu acho que é onde o governo do Wladimir consegue atingir a média para passar raspando de ano. Por quê? Ele conseguiu formular a reabertura do Restaurante Popular e agora a entrega do Cartão Goitacá, que é para poder amenizar. Salvo engano, está entregando a cerca de 3 mil pessoas. Vai amenizar um pouquinho dessa questão do problema social do município. Na área social, a meu ver, ele está indo bem. Na questão da pavimentação, do cuidado com a cidade, também eu acho que está passando na média. Alguns buracos existentes estão começando a ser tapados. A sensação de limpeza na cidade em alguns pontos da cidade ainda não é a ideal, mas ele acaba passando raspando.

Dois principais problemas — Os dois principais problemas, e aí a nota dele (Wladimir) não vai subir de jeito nenhum num curto espaço de tempo, são as questões dos servidores públicos e a do transporte público do município. Para poder agradar uma classe (dos servidores) que, merecidamente, precisa de uma recomposição salarial, que não tem desde 2016, a cada 1% de aumento que o prefeito escolha dar aos servidores públicos, vai ter um impacto de R$ 10 milhões na folha de pagamento por ano, mais ou menos. Eu vejo com muita dificuldade ele conseguir equacionar essa relação, onde os servidores já têm mais de 40% de perdas salariais desde 2016. Vamos supor que a Prefeitura resolva dar 10% de recomposição de perdas. Isso vai ter um impacto na folha da Prefeitura de R$ 100 milhões, mais ou menos, durante o ano. Então, esse é um problema muito grande. E aí, essa briga política de Câmara e de Poder Executivo não contribui em nada para a resolução desse problema. Às vezes, o servidor público acaba depositando a esperança: “Ah, o Marquinho Bacellar, o grupo Bacellar vai resolver o problema do nosso aumento”. Não vai resolver. Presidente algum que assuma a Câmara de Vereadores vai resolver esse problema, porque esse é um problema que só pode ser resolvido pelo prefeito. É inconstitucional qualquer proposta que saia da Câmara Municipal para resolução do problema dos servidores públicos. Podem os 25, de forma unânime, propor um projeto de lei para aumentar em x% o salário dos servidores públicos; esse projeto é inconstitucional, porque não é competência da Câmara de Vereadores. Mas acho que isso traz um desgaste muito grande, político, hoje para o prefeito Wladimir. E o outro grande problema, que também não enxergo com possibilidade de resolução num curto prazo, é o transporte público, onde as pessoas sofrem todos os dias. Se você for olhar em vários terminais do município, as pessoas se transportam feito sardinha em lata. É um problema antigo, não tem solução também num curto espaço de tempo. E também não é uma solução que a Câmara de Vereadores vai conseguir dar sem, obviamente, todos os atores: Poder Legislativo, Poder Executivo, os empresários de transporte, sejam os concedidos ou os de transporte alternativo. Não vai conseguir dar solução sem que eles estejam à mesa para encontrar um caminho para entregar um serviço de transporte melhor para a população.

Desempenhos de Rodrigo Bacellar e Cláudio Castro — É um triste cenário do desenho atual da nossa política esse enfrentamento dos dois grupos políticos (dos Garotinho e Bacellar). Mas, como eu disse anteriormente, fora dessa bolha alimentada por esses grupos políticos, a sensação que a população tem, até não só aqui na pedra, mas naquela situação do povo mais humilde, o que eles querem saber? O que essa briga contribui para melhorar a qualidade de vida e a entrega de serviços à população campista? Essa briga não contribui em nada. Mas, ao mesmo tempo, a gente tem que reconhecer a atuação do deputado Rodrigo Bacellar em favor do nosso município e de toda a região. Importantes programas do estado foram implementados: Segurança Presente, Esporte Presente, RJ Para Todos. Tem entrega de serviços. Então, a gente tem que enaltecer o trabalho que o Rodrigo vem fazendo. Nós perdemos para a Covid dois deputados estaduais: o nosso saudoso João Peixoto e o nosso saudoso Gil Vianna. Mas a atuação do Rodrigo tem sido muito forte ao lado do governador Cláudio Castro. O Governo do Estado hoje tem feito um verdadeiro canteiro de obras no entorno dos municípios do Norte e do Noroeste Fluminense. Aqui em Campos, além do Parque Saraiva, tem previsão de mais de R$ 300 milhões também de investimentos para a Vila dos Pescadores, para o Parque Santa Clara, para alguns bairros do nosso município. Tem o investimento, salvo engano, de R$ 16 milhões para o HGG. Então, o Governo do Estado tem contribuído muito nessa parceria do deputado Rodrigo Bacellar, do governador Cláudio Castro. Tem havido essa entrega. A população quer saber efetivamente disso. O que satisfaz a população é a entrega. Fora o pessoal da bolha que foi lá para brigar, a população, o povo do Parque Saraiva estava muito satisfeito com a entrega. O que eles queriam ouvir ali dos agentes públicos era sobre a entrega.

Eleitor mal representado e envergonhado — A bolha e a briga dos dois grupos políticos não têm contribuído em nada. As pessoas se sentem muito mal representadas e envergonhadas. Se você for fazer uma enquete, por exemplo, e perguntar: hoje, quem são os 25 vereadores eleitos que estão na Câmara Municipal? Pouquíssimos sabem elencar pelo menos 1/3 dos vereadores lá fora, porque o que chama a atenção é a briga, e não a entrega. Então, eu acho que deve haver uma revisão. Eu acho que a briga pelo poder de certa forma é legítima, é salutar. Mas, que haja sempre um encontro de vontade para entregar à população uma melhor qualidade de serviço. Essa terra de Marlboro não contribui em nada para ninguém. Essa é a sensação que a gente tem conversando com as pessoas.

Briga com Rodrigo e aliança deste desde 2018 com Rafael Diniz — Hoje, nós (Marcão e Rodrigo Bacellar) somos companheiros no Partido Liberal. Naquele momento (em que Marcão era secretário de Rafael Diniz), aquela discussão que nós travamos não tinha impacto nenhum social, de entrega, nem político. Na verdade, foi uma fala do Rodrigo que eu rebati, e aí a gente ficou falando a respeito, à época, de ele não ter tido nenhuma ajuda do governo Rafael Diniz durante o processo eleitoral. Eu discordei, publiquei que ele teve ajuda e disse onde ele teve ajuda. E aí, a gente começou. A gente vê hoje a proximidade do Rodrigo e do Rafael, e você vê que eu tinha razão; que, na verdade, eles tinham um entendimento político desde antes. Mas, isso é uma questão política que a gente superou. Inclusive, a gente acabou fazendo as pazes, conversando, durante a Feijoada da Folha. Ele me chamou, ele estava com o presidente (da Alerj) André Ceciliano: “Marcão, vamos zerar aquela conversa da gente, aquela discussão que a gente teve”. Por mim, tranquilo, tudo bem, vida que segue. Até porque, não tem importância política. Era uma questão de gratidão, de ingratidão, olhares a respeito de apoio ou não apoio durante uma campanha eleitoral (de 2018, com apoio do governo Rafael à eleição de Rodrigo a deputado estadual), o que não traz, como eu disse anteriormente, impacto nenhum na vida das pessoas. Nós, agentes públicos, temos que nos preocupar com o que a gente pode construir em parceria para entregar à população. Por isso, em resposta anterior, eu elogiei muito o trabalho do Rodrigo, porque ele vem demonstrando essa entrega para a população, não só de Campos, mas de vários municípios do estado do Rio de Janeiro. E hoje nós somos companheiros de partido, nós temos o nosso governador Cláudio Castro fazendo, a meu ver, um belo trabalho. O que interessa é mudar a qualidade de vida da população, é entregar serviço para a população. É isso que a população espera dos representantes eleitos.

Hoje com Rodrigo, grupo de Rafael torce por governo ruim de Wladimir? — Eu acho que a gente tem que torcer pela nossa cidade. O Wladimir foi eleito pela maioria da população de Campos, ele tem o encargo de ser prefeito do município até o dia 31 de dezembro de 2024. E tenho conversado muito isso com as pessoas. Estou numa pré-candidatura, onde a gente não pode pedir voto, mas a gente pode conversar sobre política com todo mundo. Hoje, nós acabamos por ficar sem deputado federal da cidade, porque a Clarissa (Garotinho, União) não reside em Campos. O intuito de a gente ter um deputado federal é de ajudar. O Rodrigo, mesmo com esse clima bélico entre os dois grupos, ele tem feito pela cidade. Até o governador tem ajudado muito o município. Então, nós temos que torcer pela entrega, pela melhoria da qualidade do serviço, e não pura e simplesmente para um governo não dar certo.

Alvo de Rodrigo no Parque Saraiva foi Garotinho, não Wladimir? — Essa colocação do Rodrigo Bacellar na entrega das obras do Parque Saraiva, a meu ver, ela tem muito mais a ver com as críticas contundentes e insinuações feitas pelo pré-candidato Anthony Garotinho ao Governo do Estado do que com o vídeo gravado pelo prefeito Wladimir (em que criticou o governo Rafael por não ter retomado as obras no Parque Saraiva abandonadas pelo governo Rosinha Garotinho). Eu acho que o que mais incomoda e estava incomodando ao deputado, a meu ver. Ele pode ter externado daquela forma, citando o vídeo, mas eu acho que o que tem de pano de fundo nisso são as insinuações. Esses dias eu estava vendo um vídeo do ex-governador e pré-candidato ao Governo do Estado onde ele insinua que as obras do Governo do Estado são superfaturadas. Ele fez um vídeo dizendo que, ao invés de entregar paridade para os policiais, para os bombeiros, piso nacional do magistério, o governador tem feito obras suspeitas. E aí faz gestos nos seus vídeos, como se tivesse tendo dinheiro. Eu acho que tudo isso incomoda muito a um cara, deputado estadual, que foi secretário de Governo, está ao lado do governador, está aqui no município entregando uma obra muito importante, e o pai do prefeito, por trás, minando, fazendo insinuações. Eu acho que tudo isso aí acabou por culminar naqueles discursos mais fortes. A questão do vídeo, a citação dela foi justamente para não dar luz ao que o Garotinho vem fazendo nos bastidores e o que o que a própria deputada Clarissa Garotinho também vem fazendo, que são críticas muito contundentes a um parceiro, que é o governador. Cláudio Castro não tem sido parceiro, tem sido um pai para o município de Campos e para a gestão de Wladimir. Desde os primeiros momentos da gestão do Wladimir Garotinho ele vem atuando, inclusive para pagamento de folhas de servidores públicos, obras do HGG. Então, acho que o incômodo de fundo são essas insinuações maldosas da deputada Clarissa e do ex-governador Garotinho, em sua pré-candidatura desesperada, querendo desqualificar um governador que vem fazendo muito pelo nosso município.

“Ausência de diálogo com a Câmara” — O que eu tenho acompanhado, conversando com alguns atores envolvidos nesse processo, é que de fato há uma ausência muito grande de política, da política de bastidores, entre o governo Wladimir Garotinho e a Câmara de Vereadores: ausência de diálogo. É o estilo dos Garotinhos ao administrar. Quando a prefeita Rosinha encaminhava projetos à Câmara de Vereadores no meu primeiro mandato (2013/2016), a gente recebia os projetos faltando minutos para entrar em pauta; os vereadores mal tinham tempo de ler o projeto para votar. Me parece que vem sendo uma prática recorrente a ausência de diálogo sobre os principais problemas a serem enfrentados, sobre projetos de lei a serem discutidos e votados. Essa falta de diálogo entre o Poder Executivo e o Poder Legislativo acaba acarretando na insatisfação de muitos vereadores, o que faz com que eles possam pular nesse muro baixinho aí (dos Garotinhos aos Bacellar), que depois o Marquinho (Bacellar) falou (em entrevista do Folha no Ar) que vai ser uma esteira rolante. Agora, impacto disso na vida das pessoas, que é o que as pessoas esperam? Nos dois principais problemas da Prefeitura que eu elenquei aqui, que são a questão do aumento dos servidores e a do transporte público, impacto zero.

Governo Wladimir com uma Câmara na mão da oposição — No que vai dificultar a administração de Wladimir a tomada do poder do Legislativo pela oposição? Ele vai ter que ser quase perfeito na elaboração do seu orçamento. Por quê? Provavelmente os vereadores vão colocar diminuta a margem de realocação do orçamento, de remanejamento. Vão colocar de forma diminuta tanto na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDA) e na Lei Orçamentária Anual (LOA). Então, o pessoal da secretaria de Fazenda, do Controle da Prefeitura, vai ter que ser quase perfeitos, porque se eles vacilarem um pouquinho na hora de confeccionar o orçamento, todo remanejamento solicitado a posteriori terá que ter o aval da Câmara de Vereadores. E aí, por certo, os vereadores irão impor ao Poder Executivo algumas dificuldades na concessão da liberação desses créditos. Então, esse é um problema muito grave. Da mesma forma que o outro grande benefício que poderá ser dado à população por uma Câmara com maioria de oposição é que assegure ao cidadão campista que não vai haver aumento de tributos, não vai haver nenhuma recolocação de nenhuma taxa de uma contribuição. Então, na verdade, o Poder Legislativo vai ele vai conseguir controlar a entrada de recursos do Poder Executivo e a saída de recursos. Mas, ele não vai poder impor em momento algum aonde aquele recurso deve ou não deve ser aplicado, a quem ele deve ou não deve ser entregue.

Possibilidade de impeachment de Wladimir pela Câmara com a oposição? — O risco ele sempre vai existir, a partir do momento em que ele não tenha no mínimo 2/3 dos vereadores ao lado dele. Mas, o risco sempre existe. Isso acabou virando moda no país desde o afastamento da Dilma (PT, em 2016). Em vários outros momentos se fala em impedimento no país. Durante o período do atual presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), em vários momentos o Rodrigo Maia (hoje no PSDB), à época (quando era presidente da Câmara Federal), recebeu vários pedidos de impedimento. Então, isso pode acontecer. Um fato político pode ser criado, desde que tenha uma base jurídica relevante e consubstanciada. Então, esse é um outro grande impacto e uma outra grande preocupação política do chefe do Poder Executivo quando ele não tem minimamente uma maioria consolidada ou no mínimo um pouco mais de 1/3 dos vereadores que possam assegurar essa defesa para ele na Câmara dos Vereadores. Pelo clima bélico que a gente vê entre um grupo e outro, muitas vezes quase até chegando às vias de fato, o querer pode ser 10. Agora, eu não vejo hoje, não enxerco nenhum fato jurídico relevante que possa provocar este pedido de impedimento, porque você tem que ter os requisitos, tem que atender aos requisitos da lei.  Não basta apenas a vontade política, tem que ter o cumprimento do que exige na lei.

 

Confira em vídeo, nos dois blocos abaixo, da íntegra da entrevista de Marcão Gomes ao Folha no Ar de ontem (17):

 

 

 

Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

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Câmara de Campos e eleições no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ex-presidente da Câmara Municipal de Campos e pré-candidato a deputado federal, Marcão Gomes (PL) é o convidado desta sexta (17) para fechar a semana do Folha no Ar, ao vivo a partir das 7h, na Folha FM 98,3. Ele analisará o ano e meio do governo Wladimir Garotinho (sem partido) e a crise na Câmara de Campos, na disputa de poder entre os Bacellar e os Garotinhos.

Marcão também tentará projetar a eleições de outubro a deputado estadual e governador do RJ. Assim como o pleito a deputado federal, que pretende disputar mais uma vez, e a presidente da República.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Lula e Bolsonaro nas pesquisas presidenciais, IBGE e Campos

 

Lula e Bolsonaro pelas pesquisas Datafolha, Genial/Quaest, BTG/FSB e do IBGE (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Lula pode vencer no 1º turno?

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode ganhar a eleição de outubro no primeiro turno? A pesquisas Datafolha de maio e a Genial/Quaest de junho, apontam essa possibilidade. O petista teria 54% dos votos válidos pela Datafolha de maio. E 52,87%, pela Genial/Quaest de junho. Também de junho, a BTG/FSB deu a Lula 48% dos votos válidos. Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, as três indicam que Lula está hoje, a 109 dias das urnas de 2 de outubro, perto de fechar a fatura em turno único contra o presidente Jair Bolsonaro (PL). Como de disputar o segundo turno de 30 de outubro com o capitão.

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE

Pesquisas x IBGE

Nos recortes dessas três pesquisas presidenciais, onde o eleitor é dividido entre sexo, idade, escolaridade, raça ou cor de pele e renda mensal, surgem dados ainda mais reveladores. Sobretudo quando esses números são cruzados com os da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Trimestral do IBGE atualizado em 13 de maio. Para tanto, a coluna recorreu a um especialista, o geógrafo campista William Passos. Que tem especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do próprio IBGE.

 

Brasileiro por sexo

“Segundo a pesquisa socioeconômica do IBGE, a população brasileira é, na sua maioria, feminina. Existem cerca de 109.185.000 mulheres no país, ou 51,1% da população; contra 104.381.000 homens, ou 48,9% dos brasileiros. Segundo as últimas pesquisas Datafolha e Genial/Quaest, que são realizados presencialmente, a intenção de voto feminina é cerca de 25% mais favorável a Lula. Já na pesquisa BTG/FSB divulgada na última segunda (13), a vantagem de Lula no voto feminino cai para 19%. Esta última, por ouvir os eleitores por telefone, acaba trabalhando com um perfil de eleitor mais elitizado”, explicou William.

 

Por idade

O geógrafo especializado em estatística seguiu em sua análise cruzada entre as pesquisas presidenciais e a do IBGE: “a PNAD mostrou que 5,7% dos brasileiros têm de 14 a 17 anos, enquanto 10,7% têm de 18 a 24 anos. Nas últimas pesquisas Datafolha e Genial/Quaest, a vantagem de Lula sobre Bolsonaro foi 37% e 21%, respectivamente, nos eleitores entre 16 e 24 anos. Já a BTG/FSB reduziu a vantagem de Lula nessa faixa etária para apenas 7%. Ainda segundo a PNAD, 23,9% dos brasileiros tem de 25 a 39 anos, 25,5% da população tem de 40 a 59 anos e 15% dos brasileiros tem mais de 60 anos”.

 

Por escolaridade

“Na divisão por escolaridade, 32,8% dos brasileiros não completaram o ensino fundamental, enquanto 7,7% da população tem ensino fundamental completo. A soma dos dois estratos dá 40,5% da população. Que compõe o eleitorado com ensino fundamental apurado pelo Datafolha e Genial/Quaest, no qual Lula lidera com diferença de cerca de 35%. Na BTG/FSB, as intenções de voto de Lula sobre Bolsonaro nesse eleitorado caem para 24%. Já 7,3% dos brasileiros não completaram o ensino médio, 26,5% conseguiram concluir e 4,6% chegaram a entrar na faculdade. Mas só 13,8% completaram o ensino superior”, detalhou William.

 

Por cor da pele

Da escolaridade à questão da cor de pele, o geógrafo com especialização doutoral em estatística pintou um quadro com mais dados: “por cor ou raça, segundo a PNAD, 43% dos brasileiros se declara branco, enquanto 45,9% se diz pardo e somente 10% se reconhece como negro. Por divergência de metodologia, é possível que dentro da composição étnico-racial denominada ‘preta’ nas pesquisas Datafolha e Genial/Quaest, onde Lula supera Bolsonaro em cerca de 35% das intenções de voto, estejam inseridos os autodeclarados pardos e negros do IBGE. Por sua vez, a pesquisa BTG/FSB não mediu as intenções de voto por cor”.

 

Por renda

“Já em relação à renda mensal, o IBGE revela que 46,34% dos brasileiros ganha até 2 salários mínimos. É nesta camada que Lula supera Bolsonaro em cerca de 35% das intenções de Bolsonaro, na Datafolha e Genial/Quaest. O número chega a 40%, na média entre os 44% de vantagem do petista entre os eleitores até 1 salário mínimo, e dos 35% entre os que ganham de 1 a 2 salários, faixas pesquisas pelo instituto. Já 14,91% dos brasileiros recebe entre 2 e 10 salários, enquanto apenas 1,66% aufere mais de 10 salários. Este é o único extrato de renda em que Bolsonaro supera Lula, mas em apenas 10 pontos percentuais”, ressalvou William.

 

População de rua improvisa abrigo no Jardim São Benedito (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

E em Campos?

Considerada uma cidade conservadora, Campos não tem pesquisa presidencial registrada. Mas em 2018 deu a Bolsonaro 64,87% dos seus votos válidos no segundo turno a presidente. Foram quase 10 pontos a mais do que os 55,13% dos brasileiros que elegeram o capitão. Matéria da Folha de 16 de abril revelou que o município tem 137.067 pessoas com renda de até R$ 89. Outros 10.919 têm renda entre R$ 89 e R$ 178. Com o salário mínimo a R$ 1.212, o país vivendo a maior inflação nos últimos 26 anos e a maior queda de renda na última década, em quem esses campistas pobres votarão a presidente? Se você fosse um deles, em quem votaria?

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Alan Turnovsky: “traficantes armados não são cidadãos”

 

Por Aluysio Abreu Barbosa, Cláudio Nogueira e Matheus Berriel

 

“A gente tem que parar de tratar criminosos, esses traficantes fortemente armados, como cidadãos. Eles não são cidadãos; eles enfrentam a polícia, eles enfrentam o Estado, eles tentam matar os policiais que te protegem”. No início da manhã de ontem (14), ao microfone da Folha FM 98,3, a declaração foi feita pelo delegado e ex-secretário estadual de Polícia Civil, Alan Turnovsky (PL), pré-candidato a deputado federal. Para ele a operação policial na comunidade do Jacarezinho, que autorizou contra a maior facção criminosa do Rio e acabou em 28 mortes, foi “cirúrgica”: “os 27 mortos (sem contar o policial civil morto em serviço) todos eram traficantes, sem exceção. Não tinha nenhum inocente ali, nenhum morador”. Assim como a operação policial da Vila Cruzeiro, em maio deste ano, que acabou com 23 mortos: “A polícia não está lá para matar, mas está lá para não morrer. Policial bom é o policial que não morre. Ele não pode dar a vida porque não pode atirar no traficante que não para de atirar nele (…) Volto a repetir: se eles fazem isso com a polícia, imagina o que eles não fazem com a população local”. Turnovsky elogiou políticos de Campos, como o deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL), o prefeito Wladimir Garotinho (sem partido) e o ex-governador Anthony Garotinho (União). Também apostou na reeleição de Cláudio Castro (PL) a governador e numa “reviravolta”, com base nas abstenções, para reeleger o presidente Jair Bolsonaro (PL).

 

Alan Turnovsky (Foto: Divulgação)

 

Segurança Pública – Tenho 27 anos como delegado de polícia. Em minha carreira, atuei na área operacional praticamente toda ela. Às vezes em que eu não estava na área operacional, fui chefe de Polícia Civil de 2009 a 2011 (no governo Sérgio Cabral) e, agora, com o governador Cláudio Castro, fui secretário estadual da Polícia Civil. Em Segurança Pública, eu acho que, para início, a pessoa tem que saber que quando comete um crime, ela tem que ter punição; ela tem que ser presa. Isso vem desde os primórdios da civilização. Penso que segurança é o feijão com arroz: tem os crimes previstos; você comete o crime e é preso. Se você, a partir daí, começar a trabalhar a sua política de Segurança, acho que você não vai ter grandes dificuldades de resultado. O problema é quando você começa a confundir o criminoso com a população de bem. Muitas vezes falam que o Rio de Janeiro é violento, tem muitas comunidades. Mas 99% das pessoas das comunidades ou até mais um pouco são pessoas de bem, trabalhadoras, que querem uma oportunidade, buscam seu trabalho, seu emprego, seu estudo. O problema é aquele 1%, até menos de 1% em muitas vezes. A gente pode dar um exemplo da comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro. Você vai ter 120 mil pessoas lá, pelo último Censo, sendo mais de 119 mil pessoas do bem. Então, confundir essas 119 mil com aqueles criminosos que fazem barulho, mas são minoria, faz com que a população fique meio descrente na Segurança Pública. Eu não vejo grande dificuldade se a gente não confundir criminoso com trabalhador.  De criminoso, a polícia cuida, e de trabalhador, todos nós cuidamos.

“Pessoas de bem”? – Comecei falando da comunidade porque é onde você tem mais violência, fuzis, armamentos mais pesados. A delegacia de bairro é responsável por dar segurança à localidade. Com a Polícia Militar fazendo preventiva, e a delegacia fazendo as investigações. Depois, você vai ter as delegacias especializadas, também da Polícia Civil, que trabalham o crime organizado. E, por último, você tem, a partir de 2001, desde o atentado das Torres Gêmeas (de Nova York, em 11 de setembro aquele ano), todas as polícias do mundo trabalhando corrupção e lavagem de dinheiro. É o “follow the money”, seguindo o dinheiro das grandes quadrilhas. E para isso a gente tem um departamento hoje de lavagem e corrupção da polícia, também fortíssimo, que ocupa dois andares do nosso prédio da secretaria e, junto com a inteligência, faz um grande trabalho de rastreamento desse dinheiro desviado. E a gente consegue, no meio de 2022, agora, quando eu me afastei (da secretaria de Polícia Civil para ser pré-candidato a deputado federal), ter mais de R$ 150 milhões de investimento em equipamentos de investigação, de inteligência, busca em internet, cruzamento de dados. Ou seja, a polícia investiu não só no crime mais beligerante, que é o crime onde usam armas de guerra, mas também naqueles que desviam dinheiro público, perseguindo o dinheiro das grandes organizações criminosas: seja tráfico, seja desvio de dinheiro público. A gente teve, logo de cara, duas grandes operações contra milicianos no Rio de Janeiro, em que a gente, primeiro, neutralizou cinco milicianos. Depois, numa troca de tiro em Itaguaí, outros 12 também acabaram morrendo no confronto com a polícia. As investigações contra milícia começam numa força-tarefa solicitada pelo TRE, para que as eleições fossem livres, as pessoas pudessem votar em quem elas quisessem. E, a partir daí, a gente desenvolveu toda uma mecânica de investigação contra as milícias. A gente tem mais de 1.200 milicianos presos nessa gestão. As pessoas que estou falando são as pessoas do mal. E todas as outras que não cometeram nenhum tipo de crime nesses três segmentos são as pessoas do bem.

Operação no Jacarezinho com 28 mortos – Em primeiro lugar, eu era o secretário de Polícia Civil e autorizei a operação do Jacarezinho. Ninguém vai a uma operação para matar outras pessoas. Quando a gente faz uma operação, vai para busca e apreensão de armas e drogas, e prisões de traficantes. Naquele dia, a polícia, num beco em que ela demoraria 30 segundos para passar, ela demorou uma hora e meia. A violência da ação dos criminosos era tamanha, que já tinha um policial morto e a gente não conseguia progredir. Ele toma um tiro na cabeça numa barricada. Já tinha quase uma hora e meia, a gente não conseguia entrar, até que um policial conseguiu penetrar na primeira barreira e a gente conseguiu, depois de uma hora e meia, entrar no Jacarezinho. A triste coincidência é que esse policial (que conseguiu entrar) não morreu de tiro nessa incursão. Ele foi heroico naquele momento inicial para entrar, e morreu duas, três semanas depois, da Covid. Ele até se arriscou jogando uma granada de luz e som. Naquela em que os bandidos se assustaram, ele conseguiu entrar sozinho pelo beco, e foi ele quem furou o bloqueio. A operação do Jacarezinho era a luta do Estado contra a maior facção criminosa do Estado do Rio de Janeiro. Essa facção foi a mesma que tinha matado três crianças na Baixada, que furtavam passarinho. A facção que enfrentou a gente no Jacarezinho foi a mesma que, quando uma menina terminou o namoro com um traficante, esquartejou a menina. E por que eles querem sempre o enfrentamento? Porque cada vez que tiver mortes, cada vez que eles conseguirem essa discussão na sociedade sobre as nossas operações, eles não estão mais preocupados com aquela operação do dia; estão preocupados em não ter a próxima. Então, no Jacarezinho, primeiro lugar: os 27 mortos, todos eram traficantes, sem exceção. Não tinha nenhum inocente ali, nenhum morador. Comprovadamente, todos eram envolvidos com tráfico. A quantidade de armas e drogas apreendidas lá foi um número absurdo. Dezenas de fuzis, pistolas, granadas. Foi uma hora e meia de tiro em cima da entrada da polícia, enfrentando o Estado, sim. Eu fico imaginando como é a vida do cidadão tendo que conviver com traficantes que enfrentam o estado dessa forma. O dia a dia desse cidadão deve ser muito penoso, com certeza é. É neles que a gente tem que pensar, e não nos 27 traficantes que enfrentaram o estado e acabaram, numa operação legítima da Polícia Civil, morrendo.

Operação na Vila Cruzeiro com 23 mortos – Na Vila Cruzeiro eu já não era mais secretário. (Como especialista na área) eu vejo que a polícia não pode ir lá recuperar carga. Você liga para a gente, aí você fala: eu só posso fazer operações hoje se eu preencher um questionário com 50 perguntas para poder justificar a excepcionalidade da minha operação. Então, sem essas operações no dia a dia, proibidas pela Justiça, a tendência é que o traficante vá se fortalecendo. E aí, quando eles se fortalecem, eles passam a acreditar que aquele território ali é impenetrável. Na semana da operação na Vila Cruzeiro, que foi uma operação da Polícia Militar, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, eles tinham atirado num helicóptero que passava em cima daquela comunidade. Um helicóptero civil, passageiros normais, sem nenhum ataque a eles, nenhum tiro efetuado. Eles tentaram derrubar um helicóptero e postaram isso na rede, como se aquilo fosse uma área deles no Rio de Janeiro, impenetrável. Aí a Polícia Militar, Polícia Federal e Polícia Rodoviária vão lá. E você deve ter visto a imagem da forma que eles atiravam na equipe de perícia que estava perto da mata e feriram o papiloscopista no rosto. Os policiais civis que foram lá fazer perícia sendo alvejados. Então, a gente tem que parar de tratar criminosos, esses traficantes fortemente armados, como cidadãos. Eles não são cidadãos; eles enfrentam a polícia, eles enfrentam o Estado, eles tentam matar os policiais que te protegem. Então, enquanto eles continuarem com esse tipo de atitude, a polícia é mais preparada, o Estado é mais forte, e eles vão continuar sendo neutralizados nas operações. Qual é a solução? A solução melhor era eles pararem de traficar. Repito: a reação da polícia depende da ação deles. Se a ação é violenta, a polícia tem que atirar para se defender. A polícia não está lá para matar, mas está lá para não morrer. Policial bom é o policial que não morre. Ele não pode dar a vida porque não pode atirar no traficante que não para de atirar nele. É muito simples. Quando você tem 27 mortes sem nenhum inocente, é que a polícia foi cirúrgica. E se eles morreram foi porque eles enfrentaram a polícia. Volto a repetir: se eles fazem isso com a polícia, imagina o que eles não fazem com a população local.

Liberação da maconha – Eu estava acompanhando a Marcha da Maconha. E vamos deixar uma coisa bem clara, eles usam a maconha para pedir a liberação da droga, mas quando você vai ver a leis que eles querem criar, é a liberação das drogas para gerar recursos. Todas as drogas. Então, essa história do romantismo da maconha é uma armadilha para a liberação das drogas. Quando você for ver as leis que eles propõem, eles falam de liberação de drogas. Inclusive, tinha um documentário, já de 2007, 2009, com o Fernando Henrique (Cardoso, PSDB), ex-presidente, em que eles falam abertamente isso: na produção de impostos para gerar riqueza. E aí, com relação a liberação das drogas, é óbvio que eu sou contra isso. De todas.

Pré-candidatura de Rodrigo Bacellar, ex-secretário estadual, à Alerj – Quando fui chamado, em setembro de 2020, pelo governador Cláudio Castro para assumir a secretaria de Polícia Civil, ele me disse: “Delegado, talvez a gente não tenha dinheiro para pagar o salário no segundo semestre, porque a gente tem que renegociar a nossa dívida e está difícil. Eu queria você nesse momento difícil, com a sua experiência, para me ajudar a tocar o governo”. E eu topei. E, para minha agradável surpresa e de todo o Estado do Rio de Janeiro, o governador e a equipe econômica dele conseguiram reverter a situação financeira, conseguiram gerar recursos com a venda da Cedae, os royalties subiram, renegociaram a dívida (do Estado do Rio com a União). Ele conseguiu colocar novamente o estado financeiramente viável, e aí o governador Cláudio Castro passou a poder investir também nas prefeituras parte dessa verba, ajudando o Rio de Janeiro a sair de uma grande estagnação. Como eu falei, só na Polícia Civil foram quase R$ 200 milhões de investimento. Com isso, a base do governo, quando sai para candidatura na Alerj, sai muito forte, porque, efetivamente, conseguiram fazer um grande trabalho. O secretário, que agora é pré-candidato a deputado, Rodrigo Bacellar, também fez parte desse núcleo duro do governo, na Segov; fez um grande trabalho liderado pelo governador Cláudio Castro e é um nome de força dentro do governo, que saiu da teoria e conseguiu aplicar, na prática, uma melhoria para o Rio de Janeiro. Então, tem todo o seu valor.

Eleição a governador – Eu vejo o governador Cláudio Castro numa crescente. O governador chegou como vice-governador desconhecido, e foi o trabalho dele apresentado que está o tornando um candidato viável. Na área da segurança, foi o governador que enfrentou a milícia, enfrentou o tráfico e enfrentou a lavagem de capitais. Ele me chamou e me disse que os crimes de bairro, crime do interior, crime dos municípios, deveriam ter o mesmo valor que as organizações criminosas. Então, ele acerta área de segurança. Eu acho que quando o governador acerta área de segurança, é o primeiro passo para ter credibilidade junto à população. Você pode ser rico, você pode ser pobre, mas todos nós precisamos de Segurança Pública. Você talvez você possa pagar um plano de saúde, talvez você possa pagar um bom lugar para você dormir, para você jogar futebol, fazer um esporte. Mas, em Segurança Pública, todos são iguais, todos precisam que o Estado forneça. Então, com os menores índices de criminalidade desde 2011 na sua gestão, eu acho que ele sai na frente, porque ele deixa de ser algum teórico para ser um cara que acerta na prática. E quando ele acerta na área econômica, conseguindo tirar o estado do buraco, distribuir riqueza para os prefeitos e distribuir desenvolvimento econômico para o estado, eu acho que ele passa a ser um candidato muito forte, um candidato que faz, um candidato que está testado. Essa, para mim, é a grande diferença. Então, esse fato de ele não ter disparado numa pesquisa eu acho ótimo, porque quer dizer que as pessoas estão analisando a essência do governo dele. Acho que até o final deste governo, as pessoas vão ter a consciência de saber o que funciona na prática e o que funciona na teoria. E o governador funcionou na prática. Eu aprendi muito com o governador Cláudio Castro. Ele tem uma habilidade de lidar com as pessoas muito grande.

Wladimir – Você vê grandes confusões no estado e o governador consegue atender a todos. Eu já vi lá no Palácio várias vezes diversos prefeitos. O próprio prefeito de Campos, que eu conheço a família, já trabalhei com o pai dele. O Wladimir lá, a gente se encontrava nos bastidores, sempre muito bem atendido pelo governador. Então, ele atende a todos os prefeitos. Ele procura fazer o bem para todo mundo, independente da bandeira, se a bandeira é do lado de direita ou de esquerda. Essa foi uma das qualidades muito fortes do governador Cláudio Castro. É um homem de diálogo e que faz.

Pré-candidatura de Garotinho a governador – Primeiro, quero mandar um abraço para o ex-governador Garotinho. Trabalhei com ele. Eu era diretor de Polícia Especializada, foi um governador me deu uma função de fazer várias prisões no Rio de Janeiro, e a gente fez. Sabe que cumpri minha missão com ele, tenho meus créditos da missão cumprida. Como eu falei do Wladimir, o prefeito, também me dou bem.

Eleição a presidente – As pessoas reclamam muito das pesquisas, mas tem um fator que leva todas essas pesquisas a serem problemáticas, que é a abstenção. Na última eleição para a Prefeitura do Rio, a abstenção foi maior que os votos dos candidatos. Então, essa questão da abstenção é que vai definir a eleição. Evidentemente, eu estou no Partido Liberal, eu acredito nos conceitos defendidos pelo presidente Bolsonaro e pelo governador Cláudio Castro: é dureza com a criminalidade, que é a minha área; investimento em tecnologia, investigação; supremacia do Estado perante o crime organizado. Então, isso tudo na minha área me faz, obviamente, optar por Cláudio Castro e Jair Bolsonaro. Porém, o que eu vejo hoje é que votos válidos, isso tem que ser analisado. O fato é que está polarizado, e quem vai decidir são aqueles que agora, hoje, dizem que não vão votar em nenhum dos dois. Se essas pessoas votarem, eu acho que a decisão ainda está muito aberta, e tanto o presidente Jair Bolsonaro, que na vez passada teve essa abstenção a seu favor, pode muito bem fazer uma reviravolta nessas pesquisas e sair vencedor. Eu acho que está totalmente indefinido.

 

Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

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Bandeira LGBTQIA+ e eleições no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Professor e pré-candidato a deputado estadual, Renato Batista (PSB) é o entrevistado do Folha no Ar nesta quarta (15), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará das bandeiras da educação e LGBTQIA+, que fazem parte da sua militância política. Analisará também a aliança entre seu PSB e o PT no Estado do Rio, que se equilibra entre as pré-candidaturas do deputado federal socialista Alessandro Molon e do deputado estadual petista André Ceciliano ao Senado, além da disputa a governador.

Por fim, Renato tentará projetar a eleição de outubro ao Palácio do Planalto, polarizada em todas as pesquisas entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL). Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Ex-chefe de Polícia Civil, Alan Turnovsky no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Delegado, ex-secretário estadual de Polícia Civil e pré-candidato a deputado federal, Alan Turnovsky (PL) é o convidado desta terça (14) no Folha no Ar, ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará sobre a Segurança Pública e a letalidade das operações policiais no Rio de Janeiro, como as da Vila Cruzeiro, em maio deste ano, e a do Jacarezinho, em maio de 2021, cada uma com mais de 2o mortos.

Turnovsky tentará também projetar as eleições à Alerj, em que espera homologação em convenção para tentar uma vaga, e para governador. Por fim, ele também tentará projetar as urnas de outubro ao Congresso Nacional e a presidente da República.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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BTG/FSB: Lula na margem de erro para definir, ou não, no 1º turno

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Líder em todas as pesquisas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode ou não definir a eleição no primeiro turno? Não na pesquisa BTG/FSB divulgada hoje, feita entre 10 e 12 de junho. Mas com 48% dos votos válidos ao petista na consulta estimulada, a existência do segundo turno ficou dentro da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos. Hoje, a 111 dias das urnas de 2 de outubro, Lula ficou com 44% das intenções na consulta estimulada, contra 32% do presidente Jair Bolsonaro (PL), 9% do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), 2% da senadora Simone Tebet (MDB) e 1%, cada um, do deputado federal André Janones (Avante) e do cientista político Felipe D’Avila (Novo). Não votariam em nenhum, 5%; em branco e nulo, 2%; enquanto outros 2% não souberam responder.

Os demais seis presidenciáveis ficaram abaixo de 1 ponto. Mas o ex-deputado federal José Maria Eymael (DC), a socióloga Vera Lúcia (PSTU), a economista Sofia Manzano (PCB), o bacharel em Direito Leonardo Péricles (UP), o deputado federal Luciano Bivar (União) e o influenciador digital Pablo Marçal (Pros) têm, juntos, 2% das intenções de voto. Comparada com a de maio, a nova pesquisa BTG/FSB mostrou estabilidade de Bolsonaro, que tinha e manteve 32% das intenções de voto. Já Lula oscilou para baixo dentro da margem de erro de 2 pontos: de 46% do mês passado aos 44% de agora. A vantagem atual do petista para o capitão é de 12 pontos, ou 18 milhões de eleitores. É mais que todo o estado de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, com seus 15,6 milhões de eleitores.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Na pesquisa BTG/FSB anterior, feita entre 27 e 29 de maio, Lula definiria a eleição no primeiro turno, também dentro da margem de erro, com 51% dos votos válidos. Projeção que confirmou a Datafolha feita entre 26 e 26 de maio, na qual o ex-presidente apareceu com 54% dos votos válidos (48% contra 27% de Bolsonaro, na consulta estimulada). Como seria depois confirmada pela Genial/Quaest feita entre 2 e 5 de junho, na qual o petista apareceu com 52,87% dos votos válidos (46% contra 30% de Bolsonaro, na consulta estimulada). Nas pesquisas BTG/FSB de maio e junho foram ouvidos 2 mil eleitores de todo o país.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ainda que todas as pesquisas apontem a liderança de Lula, há aquelas que sempre dão diferença menor entre ele e Bolsonaro. Sobretudo as que, como a BTG/FSB ou o PoderData (43% do petista, contra 35% do capitão, entre 5 a 7 de junho), fazem pesquisa por telefone. A Datafolha e a Genial/Quaest fazem as suas presencialmente. Onde é mais difícil ao eleitor mentir, pela exposição das suas expressões da face e corpo, do que à distância do telefone. Pelo telefone, também é mais difícil consultar o eleitor mais pobre, com o qual Lula tem sua maior vantagem sobre Bolsonaro, como ressalva o Agregador de Pesquisas do jornal Estadão. Nele, na média entre as últimas pesquisas presidenciais de 14 institutos do país, Lula tem hoje 46% contra 30% de Bolsonaro. São os mesmos números da Genial/Quaest.

 

(Infográfico: Estadão)

 

Confirmado o segundo turno, marcado para 30 de outubro, Lula vence em qualquer cenário da pesquisa BTG/FSB: 54% contra 36% de Bolsonaro, 48% contra 32% de Ciro Gomes e 55% contra 25% de Simone Tebet. Além de Lula, Bolsonaro perderia também para Ciro, com 38% a 48%. E empataria com Tebet: 40% a 40%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O que explica a projeção de derrota de Bolsonaro para Lula e Ciro no eventual segundo turno é a rejeição. O segundo turno só existe para que o vencedor alcance o mínimo de 50% mais um dos votos válidos. Para passar pelo primeiro turno, valem as intenções de voto. Aos dois que chegam ao segundo turno, vale a rejeição. É ela que fixa o teto de crescimento dessas mesmas intenções de voto entre os dois turnos.

Pela Datafolha, Bolsonaro tem 54% de rejeição, contra 33% de Lula. Pela Genial/Quaest, Bolsonaro tem 60% de rejeição, contra 40% de Lula. Pela nova BTG/FSB divulgada hoje, Bolsonaro tem 59% de rejeição, contra 44% de Lula. Para quem tem 54%, ou 60%, ou 59% de rejeição, como o atual presidente da República tem, é aritmeticamente impossível alcançar o mínimo de 50% mais um dos votos. Entre os analistas do mundo, o limite prudencial para um candidato vencer uma eleição ao Executivo em dois turnos é 35% de rejeição. Desde que o segundo turno foi adotado no Brasil, na eleição presidencial de 1989, Bolsonaro tem a maior rejeição entre todos os ocupantes do Palácio do Planalto que já tentaram a reeleição.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Dado curioso da nova pesquisa presidencial BTG/FSB? Contratante regular do instituto PSB Pesquisas, que coloca Lula na margem de erro para definir, ou não, a eleição presidencial no primeiro turno, o BTG Pactual é um banco de investimento que tem entre seus fundadores Paulo Guedes, ministro da Economia do governo Jair Bolsonaro.

 

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Eleição a presidente aberta ao fechamento no 1º turno?

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Após a instituição do segundo turno ser adotada no Brasil, com a Constituição de 1988, só um candidato chegou ao Palácio do Planalto em turno único. Fernando Henrique Cardoso (PSDB) se elegeu presidente, ainda no primeiro turno, em 1994 e 1998. Quando deu coças eleitorais em Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conferindo a este a aura de perdedor. Que já vinha da derrota no segundo turno presidencial de 1989, para Fernando Collor de Mello (hoje, PTB).

Tudo isso foi antes de o petista também se eleger duas vezes presidente, mas só no segundo turno, em 2002 e 2006. E sair do cargo aclamado como a maior liderança popular do país, desde Getúlio Vargas. Elegeu Dilma Rousseff (PT) sua sucessora, também no segundo turno, em 2010 e 2014. Após o impeachment desta, em 2016, Lula passaria 580 dias preso por corrupção na operação Lava Jato. Quando foi impedido de concorrer no pleito presidencial de 2018, cujas pesquisas liderava. E que, sem ele, elegeu também no segundo turno a Jair Bolsonaro (hoje, PL).

 

Fernando Henrique Cardoso assume a presidência da República de Itamar Franco, em 1º de janeiro de 1995, entre a esposa, a antropóloga Ruth Cardoso, que implantou o Bolsa Escola, depois transformado pelo PT em Bolsa Família, e seu vice, Marco Maciel

 

Segundo as últimas pesquisas Datafolha e Genial/Quaest, é real a possibilidade de Lula não só ultrapassar Fernando Henrique em número de mandatos de presidente e conquistar o terceiro nas eleições de outubro. Mas de finalmente também se igualar ao tucano no feito de fechar a fatura ainda no primeiro turno.

Segundo a Datafolha feita nos últimos dias 25 e 26, Lula tem 48% de intenções de voto, contra 27% de Bolsonaro. São 21 pontos de vantagem, ou 31,5 milhões de eleitores. É quase todo o estado de São Paulo, maior colégio eleitoral do país, com seus 32,6 milhões de eleitores. Descontados os 7% de branco e nulo, o petista seria eleito presidente do Brasil ainda no primeiro turno, com 54% dos votos válidos, contra 30% do capitão.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Segundo a Genial/Quaest feita entre os últimos dias 2 e 5, Lula tem 46% de intenções de voto, contra 30% de Bolsonaro. São 16 pontos de vantagem, ou 24 milhões de eleitores. É bem mais que todo o estado de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, com seus 15,6 milhões de eleitores. Descontados os 6% de branco e nulo, o petista seria eleito presidente do Brasil ainda no primeiro turno, com 52,87% dos votos válidos, contra 34,48% do capitão.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ainda que todas as pesquisas apontem a liderança de Lula, há aquelas que dão diferença menor entre ele e Bolsonaro. Sobretudo as que, como o PoderData (43% do petista, contra 35% do capitão, entre 5 a 7 de junho), fazem pesquisa por telefone. A Datafolha e a Genial/Quaest fazem as suas presencialmente. Onde é mais difícil ao eleitor mentir, pela exposição das suas expressões da face e corpo, do que à distância do telefone. Por este também é mais difícil consultar o eleitor mais pobre, no qual Lula se sai bem melhor que Bolsonaro.

Se não tem seu próprio instituto, como a Folha de S.Paulo tem a Datafolha, seu principal concorrente, O Estadão, tem oferecido um serviço muito relevante. É o Agregador de Pesquisas, que tira uma média das últimas consultas Datafolha, Ipec (antigo Ibope), Quaest, Paraná Pesquisas, Vox Populi, Sensus, MDA, PoderData, Ipespe, Ideia, Futura, FSB, Gerp e Real Time Big Data. As seis primeiras fazem pesquisas face a face com os eleitores, na rua ou em suas casas. As sete últimas promovem sondagens por telefone. O MDA usa os dois métodos.

 

(Infográfico: Estadão)

 

Na média atualizada desses 14 institutos de pesquisa, Lula tem hoje 46% de intenções de voto, contra 30% de Bolsonaro. São os mesmos números da Genial/Quaest, que indicam a possibilidade de o petista fechar a fatura no primeiro turno. Reforça essa tendência o fato de que a XP Investimentos, contratante da nova pesquisa Ipespe cuja divulgação estava prevista para ontem (10), foi cancelada pela corretora. O fez por pressão do governo Bolsonaro sobre a XP, após a Ipespe ter revelado em consulta da semana passada que 35% dos eleitores consideram a honestidade um atributo do petista, contra 30% que dizem o mesmo do capitão.

Na margem de erro de dois pontos para mais ou menos da Datafolha e da Genial/Quaest, os números se traduzem a mesma tendência: a exatos 113 dias das urnas, hoje Lula estaria entre se eleger presidente no primeiro turno, ou fazê-lo sem grande dificuldade no segundo. Neste, pela Datafolha, o petista bateria o capitão no turno final de 30 de outubro por 58% a 33%. Seriam 32 pontos de vantagem, ou 37,5 milhões de eleitores. Pela Genial/Quaest, Lula bateria Bolsonaro no segundo turno por 54% a 32%. Seriam 22 pontos de vantagem, ou 33 milhões de eleitores. Qualquer uma das duas vantagens seria superior a todo o estado de São Paulo.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O que explica a projeção da derrota de Bolsonaro para Lula numa eventual prorrogação de turno é a rejeição. O segundo turno só existe para que o candidato vencedor alcance o mínimo de 50% mais um dos votos válidos. Para passar pelo primeiro turno, valem as intenções de voto. Aos dois que chegam ao segundo turno, vale a rejeição. É ela que fixa o teto de crescimento dessas mesmas intenções de voto entre os dois turnos.

Pela Datafolha, Bolsonaro tem hoje 54% dos brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, contra 33% de Lula. Pela Genial/Quaest, Bolsonaro tem hoje 60% de brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, contra 40% de Lula. Para quem tem 54% ou 60% de rejeição, como o atual presidente da República tem, é aritmeticamente impossível alcançar o mínimo de 50% mais um dos votos. Entre os analistas do mundo, o limite prudencial para um candidato vencer uma eleição ao Executivo em dois turnos é 35% de rejeição.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Após seu ex-ministro Sergio Moro (União) ter desistido da pré-candidatura a presidente em 31 de março, Bolsonaro herdou naturalmente esses votos. O que foi registrado nas pesquisas. Mas, ao se sentir empoderado por essas mesmas pesquisas que os bolsonaristas agora negam, o presidente voltou a abrir a boca. E ao fazê-lo contra o Supremo Tribunal Federal (STF), o TSE e a urna eletrônica — que, desde 1996, o elegeu cinco vezes deputado federal e uma a presidente —, pode agradar ao radical de direita que sempre teve. Mas o afasta do eleitor do centro. Sem o qual nem ele, nem Lula, ganham a eleição.

 

 

Lula também voltou a abrir a boca. Após decretar que “acabou” o PSDB de onde foi buscar seu vice, o ex-governador paulista Geraldo Alckmin (hoje, PSB), na última quarta (8) o ex-presidente voltou a falar em censura da mídia digital, da TV e do Instagram. Pode agradar aos eleitores com amnésia seletiva de que o governo Dilma jogou o Brasil na pior recessão da sua história, agravada pela pandemia da Covid e sua péssima gestão por Bolsonaro. Ou que acreditam que o impeachment da ex-presidente foi “golpe”— mas não o de Collor em 1992. Ou que o STF atestou a inocência da “alma mais honesta desse país”. Mas não atrai a quem, sem crer em nada disso, não quer mais quatro anos do capitão.

 

 

Salvo uma queda de avião, uma prisão, uma facada ou um golpe de fato e com validade real de laticínio, a eleição de outubro parece sorrir a Lula como a Fernando Henrique em 1994 e 1998. E pelos mesmos motivos que elegeram o tucano após ele capitanear a estabilização econômica do país com a implantação do Plano Real como ministro da Fazenda no governo Itamar Franco (então, MDB). Num Brasil com sua pior inflação nos últimos 26 anos e sua pior queda de renda na última década, bastaria ao petista comparar seus dois governos de prosperidade ao de Bolsonaro. Com foco na sentença mais famosa de James Carville, estrategista do ex-presidente dos EUA Bill Clinton: “É a economia, estúpido!”.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Sem um terceiro colocado na casa dos dois dígitos — o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) tem 7% de intenções de voto na Datafolha e Genial/Quaest —, a eleição realmente parece aberta à possibilidade de fechamento no primeiro turno. Você, empresário e/ou que ganha acima dos 10 salários mínimos, com base em sua bolha nas duas únicas faixas em que Bolsonaro vence fora da margem de erro, não crê? Pense de novo e responda: quantas mulheres pretas, entre 16 e 24 anos, com ensino fundamental, que ganham até dois salários mínimos, fazem parte do seu convívio sem ser como empregadas? Porque elas são as eleitoras majoritárias de Lula.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Bruno Vianna traz Eduardo Paes à sua pré-candidatura à Alerj

Bruno Vianna e Eduardo Paes (Foto: Divulgação)

Prefeito do Rio, presidente fluminense do PSD e considerado um dos principais cabos eleitorais do estado, Eduardo Paes (PSD) tem vinda a Campos prevista para esta quinta (9). Ele vem à planície goitacá prestigiar o lançamento da pré-candidatura do vereador de oposição Bruno Vianna (PSD) a deputado estadual. O evento está marcado para às 19h, no Salão da Multipeças, na avenida Arthur Bernardes. O jovem edil tenta reconquistar o mandato do seu pai, o falecido deputado estadual Gil Vianna, vítima da Covid em 19 de maio de 2020.

— Meu pai foi um grande líder político. Com o seu jeito conciliador, ele construiu uma família, ao invés de um grupo de trabalho na política. A decisão de me candidatar a vereador em Campos foi um sonho nosso. Nós queríamos trabalhar em conjunto para a nossa cidade, ele na Alerj e eu no Legislativo municipal. Infelizmente, essa não foi a vontade de Deus. Não pude ter ele ao meu lado quando vencemos a eleição, nem durante o nosso trabalho. Mas, eu acredito que essa história tão precocemente interrompida pode ser continuada. Nós precisamos buscar a representatividade que a nossa região perdeu — disse Bruno.

 

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Após Datafolha, Genial/Quaest também dá Lula no 1º turno

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode fechar a fatura presidencial no primeiro turno? Divulgada hoje, a exatos 114 dias das urnas de 2 de outubro, a pesquisa Genial/Quaest reforçou essa possibilidade — que já havia sido apontada pela Datafolha do último dia 26. Pela consulta do primeiro instituto, o petista tem hoje 46% de intenções de votos na pesquisa induzida, contra 30% do presidente Jair Bolsonaro (PL), 7% do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), 2% do deputado federal André Janones (Avante) e 1% da senadora Simone Tebet (MDB). Os demais presidenciáveis não pontuaram. Descartados os 6% de indecisos, ou que pretendem votar em branco ou anular, Lula venceria a eleição em turno único, com 52,87% dos votos válidos.

A margem de erro da Genial/Quest é de dois pontos para mais ou menos. Feita entre os dias 2 e 5 deste mês de junho, a pesquisa ouviu 2.000 pessoas presencialmente — o que sempre gera maior confiabilidade aos resultados — em 27 estados. E foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03552/2022. Em um universo eleitoral de quase 150 milhões de brasileiros aptos a votar, Lula tem hoje 16 pontos de vantagem na corrida presidencial sobre Bolsonaro, ou 24 milhões de eleitores. Segundo maior colégio eleitoral do país, o estado de Minas Gerais tem 15,6 milhões de eleitores. Lula tem bem mais que uma Minas Gerais de vantagem sobre Bolsonaro.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE

— A Genial/Quaest utilizou entrevistas presenciais, a de maior precisão e confiabilidade, entrevistando 2.000 eleitores com 16 anos ou mais em 120 municípios brasileiros. Com nível de confiança de 95% e margem de erro de 2 pontos percentuais, a Genial/Quaest reproduziu a metodologia do Datafolha, porém utilizando uma amostragem um pouco menor, já que o Datafolha só trabalha com amostra acima de 2.500 entrevistados. Como a diferença entre as duas amostragens é bem pequena, as diferenças dos resultados são mínimas, tornando-se irrelevantes. Na intenção de voto para presidente na consulta estimulada, a Genial/Quaest apontou vitória de Lula no primeiro turno, com 46% no cenário mais provável, com André Janones e Simone Tebet. Ele também supera a soma de todos os demais candidatos (41%), excluindo indecisos, brancos, nulos e quem declarou que não vai votar. Assim, na análise consolidada, a Genial/Quaest aponta que, neste momento, Lula está entre a vitória e a quase vitória no primeiro turno, confirmando o Datafolha — analisou o geógrafo William Passos, com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

Se as projeções de vitória de Lula no primeiro turno não se confirmarem, a Genial/Quaest aponta que ele venceria Bolsonaro com facilidade também em um eventual segundo turno, marcado para 30 de outubro. Lá, se fosse hoje, o petista bateria o capitão por 54% a 32% das intenções de voto. Seriam 33 milhões de eleitores de vantagem. Maior colégio eleitoral do país, o estado de São Paulo tem 32,6 milhões de eleitores. Lula teria mais do que isso à frente de Bolsonaro no segundo turno. Nele, o ex-presidente também venceria, mas por margem ainda maior, se o adversário fosse Ciro Gomes: 52% a 25%, com 27 pontos de vantagem, ou 40,5 milhões de eleitores. Assim como a Simone Tebet, a quem o petista bateria no segundo turno por 56% a 20%, com 36 pontos de vantagem, ou 54 milhões de eleitores.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O que explica a projeção de derrota para Bolsonaro no segundo turno contra Lula é a rejeição. O segundo turno só existe para que o candidato vencedor alcance o mínimo de 50% mais um dos votos válidos. Para passar pelo primeiro turno, valem as intenções de voto. Aos dois que chegam ao segundo turno, vale a rejeição. É ela que fixa o teto de crescimento dessas mesmas intenções de voto entre os dois turnos. Pela Genial/Quest, Bolsonaro tem hoje 60% de brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, contra 40% de Lula. Para quem tem 60% de rejeição, como Bolsonaro tem, é aritmeticamente impossível alcançar 50% mais um dos votos. Entre os analistas do mundo, o limite prudencial para um candidato vencer uma eleição em dois turnos é 35% de rejeição.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Definidora da vitória do candidato Jair Bolsonaro em 2018, três anos e meio de governo Jair Bolsonaro depois, o antipetismo aparece também em 2022. Mas é suplantado de longe pelo antibolsonarismo. São 52% os eleitores brasileiros que têm mais medo da continuidade do capitão no Palácio do Planalto, contra 35% que temem mais a volta do PT ao poder. Os que temem os dois são 5%; nenhum, 2%; com 6% que não souberam responder. Embora seja menos considerada tão perto das urnas, a pesquisa espontânea revela uma eleição claramente polarizada. Sem que sejam apresentadas as opções de candidato ao eleitor, este, por conta própria, dá a Lula 32% de intenções de voto, contra 20% de Bolsonaro e 1% de Ciro.

 

 

— Na espontânea, Lula vence Bolsonaro por 32% a 20% e na rejeição, o ex-presidente apresenta 20% a menos de rejeição que o atual presidente (40% contra 60%), indicando inexistência de espaço para uma terceira via — concluiu William.

 

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Cartão postal de Campos, Solar dos Airizes espera reforma

 

Solar dos Airizes (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)

 

 

Edmundo Siqueira

Solar dos Airizes

A Prefeitura de Campos terá que reformar o Solar dos Airizes. Como o Blog do Edmundo Siqueira, hospedado no Folha1, acompanha de perto, não é mais só uma demanda de preservação do patrimônio histórico. É uma decisão da 2ª Vara Federal de Campos transitada em julgado, em ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF), que o governo Wladimir Garotinho (sem partido) será obrigado a cumprir. Erguido em meados do século 19, o Solar dos Airizes foi a primeira construção da cidade a ser tombada pelo Iphan, em 1940. E se tornou famoso com a novela “Escrava Isaura”, de 1976 e baseada no romance homônimo do mineiro Bernardo Guimarães.

 

Alberto Lamego e Alberto Ribeiro Lamego (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Dos livros à retina de Campos

Da ficção que ganhou o mundo com o sucesso de uma telenovela, o Solar dos Airizes foi o lar de dois dos maiores escritores de Campos. Que se dedicaram a contar as origens reais da terra e do homem que formam a planície goitacá: Alberto Lamego (1870/1951), autor de “A Terra Goytaca”; e seu filho, Alberto Ribeiro Lamego (1896/1985), autor de “O Homem e o Brejo”, “O Homem e a Restinga”, “O Homem e a Serra” e o “Homem e a Guanabara”. Mesmo a quem não leu nenhuma dessas obras, o Solar dos Airizes é personagem vivo na retina dos mais de 511 mil campistas que percorreram, pelo menos uma vez, a BR-356 no trecho Campos/Atafona.

 

Monumento ao desperdício dos royalties em Campos, Cepop foi erguido por R$ 100 milhões no governo Rosinha Garotinho, eleito em 2008 com a promessa abandonada de reformar o Solar dos Airizes (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)

 

R$ 100 milhões no Cepop

A reforma do Solar dos Airizes e sua transformação no Museu do Açúcar constavam do projeto de governo quando Rosinha Garotinho (hoje, União) foi eleita a primeira vez prefeita de Campos, em 2008. E mesmo que tivesse dinheiro dos royalties de sobra, até a queda do preço do barril de petróleo no final de 2014, em seu sexto ano consecutivo de governo, ela nunca cumpriu a promessa de campanha. Preferiu gastar mais de R$ 100 milhões para erguer o Cepop, símbolo maior do desperdício de bilhões em rendas petrolíferas. Ironicamente às margens da avenida Alberto Lamego, o Cepop fica a apenas 2,9 km do Solar dos Airizes.

 

Edvar Junior e Rapahel Thuin (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr)

 

Agora, como fazer?

Em outra ironia, a batata quente agora sobrou para Wladimir, filho de Rosinha. A decisão judicial fala até em crime de improbidade se o Solar dos Airizes não for recuperado pelo atual prefeito. Pela importância histórica e arquitetônica do prédio, que visivelmente corre risco de desabamento em várias partes, assim como por sua condição de referência afetiva dos campistas, a sua reforma ganhou entusiastas. Presidente da CDL-Campos, além de arquiteto, o empresário Edvar Junior levantou essa bandeira. Assim como o vereador de oposição Raphael Thuin (PTB). Mas a pergunta que ninguém até agora sabe responder é: como fazer?

 

Iphan e Sabra

A alternativa mais racional foi apontada no Blog do Edmundo. A ele, o Iphan informou que “o pedido de reforma simplificada do Solar dos Airizes e intervenção emergencial” foi feito pela Sociedade Artística Brasileira (Sabra), associação civil e captadora de recursos e sem fins lucrativos, com sede em Minas Gerais. Presidente da Sabra, Márcio Miranda confirmou ao blogueiro do Folha1: “Temos a aprovação pelo Iphan de nosso projeto para a intervenção emergencial no Solar dos Airizes. As equipes só podem ser escolhidas após contratação dos serviços. Não temos previsão para início das obras. Isso está a cargo do poder público”.

 

Erguido no séc. 17 pelos jesuítas, o Solar do Colégio abriga hoje o Arquivo Público Municipal e espera a reforma pelo Sabra, com R$ 20 milhões liberados na parceria Alerj/Uenf/Prefeitura de Campos (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)

 

R$ 73 milhões de royalties

A Sabra já está envolvida na reforma do Solar do Colégio, erguido pelos jesuítas no século 17 e onde hoje funciona o Arquivo Público de Campos. Que já tem R$ 20 milhões alocados, em parceria da Alerj, da Uenf e do poder público municipal. Já em relação ao Solar dos Airizes, com a pergunta de como fazer parcialmente respondida pelos contatos já estabelecidos entre Sabra, Iphan e Prefeitura, resta ainda a indagação: com que dinheiro? Depois que Campos recebeu R$ 73,4 milhões no último dia 20, maior repasse mensal de royalties da sua história em valores correntes, não é preciso ter lido os Lamego pai e filho para responder.

 

Morto ontem com facada no pescoço, à luz do dia, em plena Praça do Santíssimo Salvador (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)

 

Terra de Marlboro (I)

Ao ex-presidente Getúlio Vargas é atribuída a frase: “Campos é o espelho do Brasil”. Nos seus piores aspectos, os últimos dias parecem confirmar. Enquanto o mundo indaga o paradeiro do indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira, servidor da Fundação Nacional do Índio (Funai), e do jornalista inglês Dom Phillips, colaborador do jornal The Guardian, desaparecidos desde domingo (5) na Amazônia, ontem (7) um flanelinha foi morto com um golpe de faca no pescoço, à luz do dia, em plena Praça São Salvador. Na vida urbana da cidade ou no que resta de área selvagem no país, Campos e Brasil lembram um filme violento de western.

 

Bruno Araújo Pereira, servidor da Funai, e o jornalista inglês Dom Phillips, desaparecidos na Amazônia transformada em terra de Marlboro no Brasil de Jair Bolsonaro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Terra de Marlboro (II)

O indigenista brasileiro era ameaçado por seu trabalho, em nome do Governo Federal, de proteção aos índios. Cujas reservas na Amazônia, na prática, foram liberadas pela administração Jair Bolsonaro (PL) à ação criminosa de garimpeiros, madeireiros e pescadores. O Vale do Javari, onde o servidor brasileiro da Funai e o jornalista inglês desapareceram, concentra o maior número de povos isolados do mundo. São indígenas que não querem contato com o homem branco. Sobretudo nos últimos três anos anos e meio, quando a realidade do Brasil passou a refletir um filme do Velho Oeste dos EUA.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Poeta Ronaldo Junior e os muros de Campos hoje na ACL

 

Ronaldo Junior, o rio, a cidade e a ponte no sua livro “Muros impalpáveis” (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

“O rio da minha aldeia não faz pensar em nada”, versejou Alberto Caeiro, heterônimo do poeta português Fernando Pessoa. Não é o caso do Paraíba do Sul ao poeta carioca/campista Ronaldo Junior. Para quem o rio que corta e forma planície goitacá é também muro. A separar — e segregar — Campos de Guarus. “O rio/ é muro/ que separa/ as versões/ de pobreza/ de riqueza/ de quem acha que é/ de quem não sabe o que ser” compõe estrofe do poema “Travessia”, um dos 16 do livro “Muros impalpáveis”. Lançado em fevereiro de 2021, deu de cara com o muro da pandemia da Covid-19. E o superou 16 meses depois, no lançamento físico da obra. Será a partir das 16h deste sábado (4), na Academia Campista de Letras (ACL), da qual Ronaldo é membro.

— “Travessia” resume o motivo do título: Campos é um município em que as relações sociais são fortemente guiadas a partir das divisões sociais, os muros impalpáveis, criando barreiras interpessoais simbolizadas na própria divisão do município oriunda do rio Paraíba do Sul — explicou Ronaldo

Em outra “Travessia”, de Milton Nascimento e Fernando Brant, a voz do primeiro imortalizou os versos: “Minha casa não é minha/ E nem é meu este lugar/ Estou só e não resisto/ Muito tenho pra falar”. Dolosamente ou não, são versos que ecoam em “A rua onde não nasci”, outro poema do carioca Ronaldo: “identifico/ que jamais nasceria/ em certas ruas,/ mas nasço em/ tantas outras// — urbano que sou,/ restrito aos lugares/ de luz/ e pedra// ainda assim,/ permaneço carioca/ em Campos dos Goytacazes”.

Ronaldo disse — ainda — não conhecer a obra do grande poeta modernista grego, nascido no Egito, Konstatínos Kaváfis. Mas seu “A rua onde nasci” tem impressionante aparência de diálogo com os versos do último heleno de Alexandria. Que sentencia em seu poema “A cidade”: “Novas terras você não há de encontrar, não encontrará outros mares./ A cidade o seguirá. Você voltará a percorrer as mesmas ruas”.

— De fato, as referências parecem explícitas. Muito bom esse enriquecimento da obra pelos diálogos que ela gera. Não conheço o poeta grego, mas começarei a ler em breve. Em “A rua onde não nasci”, falo sobre o sentimento de ser campista sem ser nascido aqui, o que também simboliza a mensagem do livro — revelou Ronaldo.

O poema escolhido para abrir “Muros impalpáveis” foi um diálogo intencional com outro autor. Em “PaleoGênesePoética”, diz o poeta e literato campista Joel Ferreira Mello: “Como TeluriCidade/ camposAluvional/ HeteroIdentidade/ regioNacioUniversal”.

— Essa obra de Joel é marcada pela criticidade voltada ao urbano, à desigualdade social que ele aponta. É marcada pela universalidade e regionalidade da qual ele vem. Até então, eu nunca havia escrito sobre Campos. Passei a escrever por provocação do professor Antônio Cardoso, coordenador da Casa das Artes do Alpha, depois de uma palestra sobre as possíveis datas de nascimento de Campos feita pelo Instituto Histórico e Geográfico de Campos — lembrou Ronaldo.

A partir da provocação, o poeta carioca escreveu “Do nascimento de Campos”, a partir da discussão da data de fundação da cidade que o adotou, que tem provocado tantas polêmicas entre historiadores e intelectuais locais. E, ao revistar o passado campista, traz à tona versos com crítica contundente ao presente brasileiro e bolsonarista: “o seu berço seria/ a criação da Câmara/ com os homens ditos de bem”.

Para dar fim à polêmica do aniversário de Campos, o poeta se vale de metáfora cara às velas do bolo: “uma data/ é faísca/ em meio a chamas”. Em seus versos com jeito de prosa, o carioca/goitacá finaliza o poema no questionamento que deveria mais interessar: “mas é preciso especular/ a formação de cada alma/ — em contexto desigual —/ para fazer das ferramentas/ (educação/ passado/ poema)/ expressão/ de uma gente/ que resiste pelos anos/ sem nem sempre saber/ a dimensão/ de ser/ campista”.

 

Capa da Folha Dois de hoje

 

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