Eleição de 2022 e governo Wladimir no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Joseli Mathias)

 

A partir das 7h da manhã desta quinta, o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o cientista político Vitor Peixoto, professor da Uenf. Ele falará sobre o retorno híbrido às salas de aula e o impacto da pandemia da Covid-19 na educação. Também analisará o quadro político nacional, tentando projetar as eleições de 2022. E, por fim, fará sua avaliação sobre os seis primeiros meses do governo Wladimir Garotinho (PSD) em Campos.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

De Garotinho prefeito em 1988 ao Código Tributário de Wladimir

 

 

Anthony Garotinho, Arnaldo Vianna, Rosinha Garotinho, Marcos Bacellar, Rafael Diniz, Wladimir Garotinho, Rodrigo Bacellar e Caio Vianna em 33 anos da história de Campos (Montagem: Joseli Mathias)

 

De 1988 ao Código (I)

Quem tem mais de 45 anos e se lembra da primeira eleição de Anthony Garotinho (hoje, sem partido) a prefeito de Campos, em 1988, recorda do sopro de renovação que ela trouxe a uma cidade conservadora. Encheu as velas de um governo criativo, composto em sua maioria de jovens com menos de 30 anos, no clima de esperança na redemocratização de um país saído de uma ditadura militar (1964/1985) e com uma nova Constituição. Bafejado pela sorte do começo da entrada dos recursos dos royalties no orçamento da cidade. Que sedimentaria a transição política na troca do eixo econômico da cidade, da cana para o petróleo.

 

De 1988 ao Código (II)

Os royalties a Campos cresceram gradativamente na década de 1990, em exata proporção às ambições do novo grupo político, cada vez mais individuais e menos de grupo. Após a tentativa frustrada de chegar a governador do Estado do Rio em 1994, Garotinho se elegeu prefeito de Campos novamente em 1996. E deixou seu vice, Arnaldo Vianna (PDT), governando a cidade, para se eleger ao Palácio Guanabara em 1998. Já o médico conceituado se manteve no Cesec no pleito de 2000. Em 16 de fevereiro daquele ano, seria o primeiro a receber, além dos royalties, as ainda mais polpudas Participações Especiais (PEs) da produção de petróleo.

 

De 1988 ao Código (III)

Após quase chegar ao segundo turno presidencial de 2002, quando errou ao queimar suas pontes políticas com o vencedor Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Garotinho conseguiu eleger sua esposa, Rosinha Garotinho (hoje, Pros), governadora no primeiro turno. Ao final da gestão estadual dela, já rachado com Arnaldo em Campos, brigaria também com os aliados estaduais Sérgio Cabral (MDB), Eduardo Cunha (MDB) e o hoje falecido Jorge Picciani (MDB), que dominaram a política fluminense até a Lava Jato. E, sem outra saída, trouxe a mulher para se assenhorar novamente da planície goitacá, em 2008, quando bateu Arnaldo.

 

De 1988 ao Código (IV)

Entre Arnaldo e Rosinha, no auge dos recursos do petróleo, a cidade foi governada por outro médico, Alexandre Mocaiber (hoje, fora da política). Era presidente da Câmara Municipal, quando o prefeito Carlos Alberto Campista (outro, hoje, fora da política) foi cassado pela Justiça. Eleito no pleito suplementar de 2006, Mocaiber foi um prefeito fraco, com pouco controle sobre o próprio secretariado e emparedado por um presidente da Câmara Municipal forte, o ex-vereador Marcos Bacellar (hoje, SD). Força que opôs com coragem aos Garotinho, mas foi insuficiente para impedir a volta destes ao poder, onde ficaram de 2009 a 2016.

 

De 1988 ao Código (V)

Com a queda vertiginosa do preço do barril de petróleo, no final de 2014, no segundo governo Rosinha, veio a época das vacas magras. Refletida na política daquele mesmo ano, quando Garotinho começou a campanha a governador favorito nas pesquisas, mas não conseguiu nem chegar ao segundo turno. Jovem vereador de oposição de brilho, Rafael Diniz (Cidadania) trazia a mística de ser neto do ex-prefeito Zezé Barbosa, liderança de Campos superada pelo Garotinho de 1988. Seria eleito no primeiro turno em 2016, com uma votação consagradora. Mas, sem recursos, seu governo naufragou também pelos próprios erros.

 

De 1988 ao Código (VI)

Além de neto de Zezé, Rafael trazia uma novidade. Foi o primeiro expoente promissor de uma geração de políticos que não foi sufocada, como as anteriores, pela gravidade política de Garotinho, pesada nas arrobas das vacas gordas do petróleo. Foram recursos que Campos nunca teve, desde a fundação da Capitania de São Thomé, em 1536. E dificilmente voltará a ter nos próximos 485 anos. Como Rafael, Wladimir Garotinho (PSD) teve um elogiável desempenho legislativo, como deputado federal. Que deixou para se eleger prefeito em 2020 com o objetivo político e pessoal de exceder a condição de filho de Garotinho.

 

De 1988 ao Código (VII)

Wladimir venceu o pleito de novembro ao bater, além do Rafael desidratado pelo insucesso administrativo, dois outros expoentes da mesma geração de políticos promissores: Rodrigo Bacellar (SD) — que teve o médico Bruno Calil (SD) de preposto — e Caio Vianna (PDT). Não por coincidência, dois herdeiros de adversários políticos de Garotinho: Marcos Bacellar e Arnaldo Vianna. Após conquistar a secretaria estadual de Governo, que a imprensa carioca deu como perdida, Rodrigo definiu a dúvida do vereador Maicon Cruz (PSC) aos 46 do segundo tempo. E, por um voto, colocou na gaveta da Câmara o Código Tributário de Wladimir.

 

De 1988 ao Código (VIII)

Além de Rodrigo, quem provou força na derrota parcial do Código foi o comércio. É o maior empregador do município, junto da Prefeitura. Político promissor ainda mais jovem que Wladimir, Rafael, Rodrigo e Caio, o vereador Bruno Vianna (PSL) votou com o governo em 12 dos seus 13 projetos. Mas, como os edis Raphael Thuin (PTB) e Fred Machado (Cidadania), ficou com o comércio contra o Código. Em 15 de maio, Garotinho disse à base do filho: “O governo tem dentes. E pode morder”. Ontem, na Folha FM, o filho do falecido deputado Gil Vianna completou: “O governo tem dente, o Legislativo e a população também têm”.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

Descontrolado, Bolsonaro agride repórter e ABI pede sua renúncia

 

 

 

NOTA OFICIAL DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE IMPRENSA (ABI) — RENUNCIE, PRESIDENTE!

Descontrolado, perturbado, louco, exaltado, irritadiço, irascível, amalucado, alucinado, desvairado, enlouquecido, tresloucado. Qualquer uma destas expressões poderia ser usada para classificar o comportamento do presidente Jair Bolsonaro nesta segunda-feira (ontem, 21/06), insultando jornalistas da TV Globo e da CNN.

Com seu destempero, Bolsonaro mostrou ter sentido profundamente o golpe representado pelas manifestações do último sábado. Elas desnudaram o crescente isolamento de seu governo.

Que o presidente nunca apreciou uma imprensa livre e crítica, é mais do que sabido. Mas, a cada dia, ele vai subindo o tom perigosamente. Pouco falta para que agrida fisicamente algum jornalista.

Seu comportamento chega a enfraquecer o movimento antimanicomial – movimento progressista e com conteúdo profundamente humanitário. Já há quem se pergunte como um cidadão com tamanho desequilíbrio pode andar por aí pelas ruas.

Mas a situação é ainda mais grave: esse cidadão é presidente de um país com a importância do Brasil.

Diante da rejeição crescente a seu governo, Bolsonaro prepara uma saída autoritária e, mesmo a um ano e meio da eleição, tenta desacreditar o sistema eleitoral. Seu objetivo é acumular forças para a não aceitação de um revés em outubro de 2022.

É preciso que os democratas estejam alertas e mobilizados.

Diante desse quadro, com a autoridade de seus 113 anos de luta pela democracia, a ABI reitera sua posição a favor do impeachment do presidente. E reafirma que, decididamente, ele não tem condições de governar o Brasil.

Outra solução – até melhor, porque mais rápida – seria que ele se retirasse voluntariamente.

Então, renuncie, presidente!

 

Paulo Jeronimo

Presidente da ABI

 

Publicado aqui no site da ABI

 

 

Confira no vídeo abaixo, do site Poder360, ligado ao mercado financeiro, como o presidente Jair Bolsonaro foi recebido ontem por populares nas ruas de Guaratinguetá (SP), antes de mandar “calar a boca” a jornalista mulher que lhe perguntou sobre o uso da máscara e o fato de não ter se solidarizado com mais de 500 mil mortos pela Covid-19 no Brasil:

 

 

Presidente da maior ONG da Amazônia no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Joseli Mathias)

 

A partir das 7h da manhã desta quarta (23), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é Benjamin Sicsú, ex-ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do governo Fernando Henrique Cardoso e presidente do conselho administrativo da Fundação Amazônia Sustentável, maior ONG a atuar na Floresta Amazônica.

Sicsú falará sobre Amazônia, seu desmatamento no governo Jair Bolsonaro (sem partido) e o prejuízo que isso tem causado ao Brasil no mundo. Com vasta experiência no setor público e privado, ele analisará também as atuais políticas nacionais de industrialização e de geração de energia, com risco de novo apagão no país. Por fim, ele projetará as eleições de 2022 a presidente e governador do Estado do Rio.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Anderson, Álvaro, Código Tributário, Psol e luta de classes em Campos

 

Anderson de Matos, Álvaro Oliveira e Psol (Montagem: Joseli Mathias)

 

Continua a disputa política por conta da proposta do novo Código Tributário pelo governo Wladimir Garotinho (PSD), engavetado sem data para votação (confira aqui) na sessão do dia 16. Hoje, quem divulgou um vídeo crítico ao Código foi o edil Anderson de Matos (Republicanos). E foi respondido pelo líder governista, vereador Álvaro Oliveira (PSD).

— Eu quero falar sobre a construção civil, caso seja aprovada pela Câmara de Vereadores a alteração do Código Tributário, proposta pelo gabinete do prefeito. Eu destaquei 13 dos 30 itens que sofrem reajuste de até 500% (…) Desmembramento e remembramento de imóvel por metro quadrado, era 1% de uma Ufica (Unidade Fiscal do Município, hoje R$ 134,03) e passa a ser 6% de uma Ufica, 500% de reajuste. Nós, repito, estamos falando da taxa de licença para execução de obras particulares, estamos falando da construção civil — destacou Anderson de Matos.

— Não quero personalizar discussões. Mas é bom que se diga que há, sim, preferência de pessoas ou grupos por outros grupos. Que, direta ou indiretamente, foram secretários, vereadores, deram sustentação ao governo passado, que destruiu a nossa cidade. Essas pessoas estão defendendo os grupos que os apoiaram, os grupos que querem manter a cidade só para ricos, esquecendo que temos pessoas passando fome. Nossa luta é para sanar as contas e trazer o mais humilde para dentro do orçamento do município — defendeu Álvaro Oliveira.

Ontem (confira aqui), o vereador Raphael Thuin (PTB) já havia postado outro vídeo nas redes sociais, para protestar contra a exoneração de pessoas ligadas a ele na Fundação Municipal dos Esportes (FME), após sua posição contrária ao Código. E foi respondido pelo prefeito próprio prefeito Wladimir, que ressaltou sua necessidade de aumentar arrecadação própria para firmar um Termo de Ajustamento de Gestão (TAG) com o Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Hoje, além dos questionamentos ao Código Tributário, o vereador Anderson de Matos, que também é pastor da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), se envolveu em outra polêmica. No dia 4 de maio, ele subiu na tribuna da Câmara Municipal para atacar militantes do Psol que atuam na luta das 700 famílias de baixa renda que ocuparam o conjunto habitacional Novo Horizonte, no Pq. Aeroporto. Hoje, como o Blog do Edmundo Siqueira registrou (confira aqui), o Psol de Campos emitiu nota repudiando as declarações do edil.

 

Servidor, Código Tributário, represália e 2022 no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Joseli Mathias)

 

A partir das 7h da manhã desta terça (22), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o vereador Bruno Vianna (PSL). Ele falará do seu voto favorável a 12 projetos do pacote de austeridade (confira aqui) do prefeito Wladimir Garotinho (PSD), três deles com cortes ao servidor, e sua posição contrária (confira aqui) ao novo Código Tributário de Campos. Como consequência, falará também sobre a exoneração dos seus indicados (confira aqui) em represália do governo municipal.

Por fim, Bruno projetará o pleito de 2022, não só a presidente e governador, mas também ao Legislativo, onde ele mesmo é pré-candidato a deputado estadual. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta segunda pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

“Dor e Glória” na Amazon — Autoficção no último filme de Almodóvar

O termo autoficção foi criado em 1977 pelo falecido escritor e teórico da literatura francês Serge Doubrovsky. Apesar de não ser novo, está na crista da onda dos modernosos das letras, para designar a mistura de ficção com autobiografia. Da literatura ao cinema, um bom exemplo de autoficção está no último filme escrito e dirigido pelo espanhol Pedro Almodóvar. Em tempos de pandemia, seu “Dor e Glória” (2019) está disponível por streaming, no Prime Video, da Amazon.

Estrelado pelo casal espanhol considerado mais belo, apesar de Antonio Banderas já ser um sessentão e de Penélope Cruz já estar perto dos 50, eles interpretram, respectivamente, filho e mãe. Escritor e diretor de cinema em crise por conta de doenças e da chegada à terceira idade, o filho é a autoficção do próprio Almodóvar. O clima romântico, portanto, quando pinta, é homossexual. E traz o beijo tão cobrado pelos militantes da causa LGBT em “Filadélfia” (1993), do falecido diretor Jonathan Demme, em que Banderas fez par romântico com Tom Hanks.

Independente da orientação sexual de cada um, o filme cala fundo a quem achou que seria jovem para sempre nos anos 1980 — década perdida para quem, cara pálida? — e não envelheceu o suficiente, mais de três décadas depois, para se tornar um morto-vivo defensor de Bolsonaro. Ou, no caso espanhol, do generalíssimo Francisco Franco — que Lúcifer o tenha! — e seu herdeiro político de extrema-direita, Santiago Abascal.

Em sua carreira de altos e médios, mas sempre original, “Dor e Glória” é um ponto elevado de Almodóvar. No qual o caminho percorrido conta mais que atingir o cume. Mesmo já na descida, dá para olhar, não sem saudade, de onde viemos, o que fomos e fizemos. E, com a ajuda da ciência dos homens e do Deus católico das nossas mães, projetar o que ainda temos pela frente. Em passos mais lentos, por certo, mas ainda de esperança.

 

Confira o trailer do filme:

 

 

Thuin reage a demissões na FME e Wladimir responde

 

Vereador Raphael Thuin e prefeito Wladimir Garotinho (Montagem: Mario Sergio Junior)

 

O vereador Raphael Thuin (PTB) postou hoje vídeo nas redes sociais, em reação à demissão de nomes ligados a ele, assim como ao edil Bruno Vianna (PSL), da Fundação Municipal dos Esportes (FME) de Campos (confira aqui). A decisão do governo Wladimir Garotinho (PSD) foi uma represália à posição contrária de Thuin e Bruno à proposta de novo Código Tributário de Campos, que na sessão da última quarta (16) foi engavetado por conta de apenas um voto para sua aprovação. O prefeito também reagiu à posição do vereador.

Em seu vídeo, Thuin elencou as realizações dos servidores demitidos, ligados a ele desde que era presidente da FME no governo Rafael Diniz (Cidadania). Mas reafirmou sua posição contra o novo Código e denunciou “compra de voto” do governo municipal:

— Aumentar importo, eu sou contra, totalmente contra. Os empresários estão sofrendo, a gente está vivendo uma pandemia. Ninguém aguenta mais pagar, que seja ITBI (Imposto de Transmissão de Bens Imóveis), que seja taxa de lixo, que seja um centavo a mais de aumento de imposto. Infelizmente, por eu ser contra, funcionários excelentes, pessoas maravilhosas, infelizmente estão desempregadas. A gente fica muito triste de ver a política ainda andando de marcha à ré, não tem seis meses de governo (Wladimir). E fica nesse troca-troca de presidente (da FME) em cima de compra de votos (de vereadores).

Ouvido pelo blog, o prefeito Wladimir Garotinho também se posicionou sobre o vídeo do vereador:

— Respeito a posição dele (Thuin), apesar de achar equivocada. A celebração do Termo de Ajuste de Gestão (TAG) perante o Tribunal de Contas e necessária para a cidade fazer a virada de chave da admistração pública, o que eles pediram foram gestos e o executivo encaminhou à Câmara algumas possibilidades. Lamentavelmente politizaram o assunto ao ponto de não querer diálogo e para imputar derrota ao governo. Foi oportunizado a todos a liberdade de flexibilização de algumas das medidas apresentadas. Mas se preferiu caminhar para um discurso político cheio de inverdades sobre o tema. Não quero esticar a corda com Câmara e as entidades. Na minha opinião deveria ter sido votado, independente do resultado, pois precisamos virar a página e seguir em frente. O TAG já foi protocolado e vamos trabalhar para aprová-lo.

Confira abaixo o vídeo com a íntegra do posicionamento do vereador Raphael Thuin sobre as demissões do governo Wladimir na FME:

 

 

Atualização às 8h49 de 21/06: Nesta manhã, em comentário ao link da postagem no Facebook, o vereador fez sua tréplica ao prefeito:

— Com todo respeito ao prefeito, mas o que que o TAG tem a ver com a demissão dos funcionários da FME? Funcionários que estão lá há mais de quatro anos, fazendo um excelente trabalho. Se por acaso eu votasse a favor do aumento de tributos, eles seriam demitidos? Lógico que não, né?! — questionou Raphael Thuin.

 

Meio milhão de brasileiros mortos pela Covid — O que você fez? E por quê?

 

 

Diante de meio milhão de brasileiros mortos pela Covid-19, com cerca de 375 mil vidas perdidas desnecessariamente, este país de pouco mais de 500 anos marcou seu nome para sempre na História. E, por esta tragédia humana sem precedentes, certamente será falado e estudado para além dos 500 anos seguintes.

E toda a sua vida talvez seja lembrada apenas pelas respostas a duas perguntas: O que você fez diante dessas 501 mil mortes? E por quê?

Quem dúvida tiver, assista ao vídeo abaixo:

 

 

Comércio, Código Tributário e fim do lockdown no Folha no Ar de 2ª

 

(Arte: Joseli Mathias)

 

A partir das 7h da manhã desta segunda (21), quem abre a semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o empresário Edvar Júnior, vice-presidente da CDL-Campos. Ele falará sobre o papel protagonista do setor produtivo goitacá na não aprovação (confira aqui) da proposta do novo Código Tributário pela Câmara Municipal, assim como no fim do lockdown do comércio em abril (confira aqui), que havia sido decretado em março (confira aqui) para tentar conter a segunda onda da pandemia da Covid-19.

Por fim, o líder lojista falará também sobre alternativas à crise financeira de Campos (confira a série de 11 painéis da Folha sobre o tema, de julho a setembro de 2020, publicada aquiaquiaquiaquiaqui, aquiaqui, aqui, aquiaqui e aqui).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta segunda pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Artigo do final de semana — Deus conosco?

 

Acompanhado dos filhos Flávio e Carlos, Jair Bolsonaro é batizado no rio Jordão, em Israel, em 12 de maio de 2016, pelo pastor Everaldo, preso por corrupção desde 28 de agosto de 2020 (Foto: Reprodução)

 

 

Deus conosco?

 

“Deus está morto”. Polêmica, a sentença foi proferida em “Assim falou Zaratustra”, livro lançado pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche em 1883. De lá para cá, foi tirada de contexto para ser muito mal usada e interpretada, inclusive pela maioria que nunca leu a obra. Que, embora de filosofia, foi escrita em linguagem profética.

Antes de terminar a vida falando com cavalo, Nietzsche retomou a figura do profeta persa Zaratustra. Que viveu no séc. VII a.C. e foi primeiro a fundamentar um sistema de valores e crença baseado nos conceitos de bem e mal. Sendo por isso chamado pelo grego Platão de “o primeiro filósofo”.

Primeiro império do mundo, a Pérsia enraizou seu pensamento na religião judaica e, depois, em suas variações cristã e islâmica. O filósofo alemão reconhecia essa contribuição à humanidade. Mas pregou que só a partir da superação do bem e do mal, o homem se faria super-homem, indivíduo adequado às novas prerrogativas morais da civilização industrial.

 

Atentado às Torre Gêmeas do Word Trade Center em 11 de setembro de 2001 (Foto: Reprodução)

 

Após o 11 de setembro de 2001, quando militantes islâmicos da Al Qaeda sequestraram e atiraram jatos comerciais contra as Torres Gêmeas do World Trade Center, levando-as abaixo, e o Pentágono, o cineasta e jornalista Arnaldo Jabor escreveu um artigo. Que finalizou em diálogo com o Zaratustra de Nietzsche: “Deus está vivo. E se chama Alá”.

O presidente dos EUA naquele episódio era George W. Bush. Trazia o apoio político dos neopentecostais, outro grupo fundamentalista religioso, ao qual se convertera após anos de uso abusivo de álcool e cocaína. De cara limpa, liderou uma suposta nova Cruzada entre Ocidente e Oriente, cristianismo x islamismo, com as invasões do Iraque e do Afeganistão.

 

Acossado na Casa Branca pelos protestos do “Black Lives Metter”, o então presidente dos EUA Donald Trump saiu às ruas de Washington, em 1º de junho de 2020, para posar uma Bíblia nas mãos, em frente a Igreja Episcopal St. John (Foto: Tom Brenner/Reuters)

 

Donald Trump nunca foi religioso. Mas também soube apostar no fundamentalismo cristão dos neopentecostais para fazer deles importantes aliados políticos nos EUA. Em nova roupagem à Cruzada entre Ocidente e Oriente, deixou o fundamentalismo islâmico em segundo plano para eleger como novo “Grande Satã” o capitalismo de Estado ateu da China.

Católico praticante, Joe Biden também assumiu o antagonismo com Pequim. Mas, em moldes laicos, o fez resgatando esta semana os laços entre EUA e Europa na Organização do Atlântico Norte (Otan). Que tinham sido abandonados por Trump, a mando do presidente vitalício da Rússia, Vladimir Putin. Este, popular em seu país pela reaproximação do Kremlin com a Igreja Ortodoxa Russa.

 

Patriarca Cirilo I, líder da Igreja Ortdoxa Russa, com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ex-agente da KGB na União Soviética comunista e ateia (Foto: Reprodução)

 

No Brasil, Jair Bolsonaro trocou sua formação católica pelo filão eleitoral neopentecostal, ao ser batizado no rio Jordão, em 2016, pelo Pastor Everaldo. Que foi preso por corrupção em agosto de 2020. No meio do caminho, o batizado se elegeu presidente em 2018, reduzindo Deus a slogan de campanha: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

Com apoio da irmã de Nietzsche, o nazismo chegou ao poder pelo voto na Alemanha e, depois, pelas armas na Europa, nos anos 30 e 40 do séc. 20. E corrompeu racialmente o conceito de super-homem do filósofo morto em 1900, creditando-o ao ariano puro. Mesmo que a maioria dos alemães se mantivesse luterana e católica romana.

 

Na fivela do cinto, soldados alemães da SS que exterminaram 6 milhões de judeus na Europa, levavam inscrito: “Gott mi uns” (“Deus conosco”)

 

Eram, portanto, cristãos todos os nazistas que assassinaram em escala industrial 6 milhões de judeus em campos de extermínio durante a II Guerra (1939/1945) na Europa. Sufocando-os com gás e depois queimando seus corpos em fornos. Semelhante ao slogan bolsonarista, os soldados da SS que praticaram o Holocausto levavam escrito nas fivelas do seu cinto um antigo dito prussiano: “Gott mit uns” (“Deus conosco”).

“Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” é um conselho do Cristo em três dos quatro Evangelhos: Marcos 12:13-17, Mateus 22:15-22 e Lucas 20:20-26. Que pareceu ser seguido pelo bispo católico auxiliar de Belo Horizonte, Dom Vicente de Paula Ferreira. No último domingo (13), dia santo aos cristãos, ele usou sua conta no Twitter (confira aqui) para clamar a Deus:

— Senhor, tu que fugiste de jegue para o Egito, mostra-nos um meio de nos livrar desse fascista brasileiro. Tu que entraste em Jerusalém montado num jumento, dá-nos a coragem de enfrentar o tirano que mata nossa gente. Livra-nos, Senhor, do desgoverno da morte. Está pesado demais.

Conhecido pelo seu trabalho em Brumadinho, palco de outra tragédia brasileira, Dom Vicente é doutor em Ciência da Religião pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com estágio pós-doutoral em Teologia, na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (Faje). É graduado em Filosofia pela UFJF e em Teologia pela Faje e integrante da Sociedade de Estudos Psicanalíticos de Juiz de Fora.

Poeta maior do nosso Romantismo, não é difícil supor como Castro Alves (1847/1871) seria hoje tratado por escrever: “Quebre-se o cetro do Papa./ Faça-se dele — uma cruz!/ A púrpura sirva ao povo/ P’ra cobrir os ombros nus”. Ou por seus versos ecoados à beira dos 500 mil mortos por Covid no Brasil: “Senhor Deus dos desgraçados!/ Dizei-me vós, Senhor Deus!/ Se é loucura… se é verdade/ Tanto horror perante os céus…”

 

Publicado originalmente aqui e republicado hoje (19), na Folha da Manhã

 

Código Tributário — Ligação de Bacellar definiu posição de Maicon

 

Vereador Maicon Cruz e secretário estadual Rodrigo Bacellar (Montagem: Joseli Mathias)

 

Uma ligação na tarde de ontem (16), do secretário estadual de Governo, Rodrigo Bacellar (SD), ao vereador Maicon Cruz (PSC), definiu a posição deste contrária à aprovação do Código Tributário. Isso e a ausência do vereador Marcione da Farmácia (DEM) definiram o adiamento da votação ontem do Código na Câmara (confira aqui), que agora fica na gaveta do presidente Fábio Ribeiro (PSD), junto com as contas de 2016 da ex-prefeita Rosinha Garotinho (Pros).

Marcione já tinha se ausentado da polêmica sessão de 25 de maio, que se estendeu à madrugada do dia 26, em que foram aprovados (confira aqui) 12 dos 13 projetos do pacote de austeridade de Wladimir — o 13º era justamente a proposta no novo Código. O vereador da Baixada Campista ontem (16) pediu (confira aqui) a renovação de sua licença, alegando questão de saúde, por mais 15 dias.

Por sua vez, na manhã de ontem, Maicon estava (confira aqui) em dúvida da sua posição. O blog gerou demanda a ele às 11h04 e 11h36. Ele visualizou, mas não retornou, reforçando a dúvida, que foi confirmada por fontes do próprio grupo de Rodrigo. Até que este ligou ao vereador à tarde. Maicon chegou a se queixar, dizendo que o secretário não atendia ou retornava suas ligações. Mas fez o que Bacellar determinou. E depois postou vídeo nas redes sociais dizendo que sua posição era em defesa do setor produtivo, contrário ao novo Código.

Sem Maicon e Marcione, o governo só tinha 12 votos, um a menos que o necessário para aprovação do Códito Tributário, forçando sua retirada de pauta. Curiosamente, oposição e situação votaram juntos para tirar o regime de urgência da proposta. Que seria o principal alvo da arguição da sua inconstitucionalidade na Justiça, caso fosse aprovada.

Após a postagem, nova demanda foi gerada ao vereador Maicon Cruz, que desta vez retornou ao blog. Ele negou a influência de Bacellar em sua posição. Em respeito ao contraditório, confira abaixo:

— Diferente da narrativa da matéria, meu posicionamento já era claro desde quando a matéria chegou à Casa, e, inclusive, me pronunciei dias antes em uma entrevista de rádio. Com as alterações feitas no projeto que foi reencaminhado para a pauta, fiz uma nova avaliação para que meu voto pudesse ser com base no texto da PL complementar 00097/2021 e nos anseios da população, de forma consciente, sem qualquer interferência política. Não tenho ligação com o deputado (atual secretário estadual de Governo) Rodrigo Barcellar, não caminhamos juntos no último pleito, não faço parte de seu grupo político e, na Câmara, o meu compromisso é com a população campista.

 

Atualizado às 18h15 para incluir a posição do vereador Maicon.