Wladimir Garotinho e Caio Vianna (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Em 10 de outubro, antes da divulgação de qualquer pesquisa a prefeito de Campos, foi registrado aqui, em artigo de análise: “se o encontro entre eleitor e urna fosse hoje, um segundo turno entre Wladimir Garotinho (PSD) e Caio Vianna (PDT) não pagaria muito nas casas de aposta”. O encontro foi hoje, 36 dias depois. E com 43,47% das urnas de Campos apuradas, já é possível confirmar o que só a leitura político/eleitoral pode antecipar: Wladimir e Caio disputarão o segundo turno em 29 de novembro.
Naquele mesmo artigo publicado em 10 de outubro, foi também registrada a força da campanha de Dr. Bruno Calil (SD), comandada pelo deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD). Se não foi suficiente para tomar a segunda posição de Caio, foi fundamental para evitar que Wladimir ganhasse no primeiro turno.
A questão não está nos números absolutos, mas na proporção, que pouco se importa se o universo são de 360 mil ou 36 milhões de eleitores. Campos tem quatro Zonas Eleitorais e, com menos da metade dos votos totais apurados, Wladimir só está levando no primeiro turno em uma: a 129ª ZE (53,4% a 23,5% de Caio). Ganha também, mas bem abaixo dos 50,1%, na 76ª ZE (44,9% a 30,7%) e na 75ª ZE, (36,3 a 29,5%). Em empate técnico, ele vem perdendo para Caio na 98ª ZE (28,3% a 28,5%). O fato é que se Wladimir só ganha no primeiro turno em uma, das quatro ZEs de Campos, a eleição terá segundo turno.
Com apenas 6,87% das urnas da cidade do Rio de Janeiro apuradas, ainda é muito cedo. Mas se a tendência já apontada da liderança do ex-prefeito Eduardo Paes (DEM, com 37,14%), seguido do atual, Marcelo Crivella (Republicanos, com 20,41%), for mantida no primeiro turno de hoje, o segundo em 29 de novembro será uma mera formalidade. Mesmo sem querer se meter na política nacional, Paes voltará à Prefeitura do Rio a partir de 1º de janeiro de 2021, após impor em 2020 mais uma derrota política importante ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Que apoiou o bispo da Universal e sobrinho de Edir Macedo, cuja péssima administração será exorcizada da vida do carioca, onde o capitão paulista fez sua vida política.
Prefeito paulistano Bruno Covas mandou recado ao presidente brasileiro Jair Bolsonaro
Com apenas 0,39% das urnas apuradas, liderando a apuração a prefeito de São Paulo, mais cidade brasileira, Bruno Covas (PSDB) lidera com 32,58% dos votos, seguido de Guilherme Boulos (Psol), com 20,33%. Atual prefeito paulistano, o neto de Mário Covas achou o suficiente para mandar um recado ao capitão, que apoiou o eterno “cavalo paraguaio” Celso Russomanno (Republicanos), em quarto lugar na apuração, com 10,44%:
— Parece que não foi um bom negócio para o presidente Jair Bolsonaro se meter na eleição a prefeito de São Paulo.
Elio Gaspari talvez seja o maior jornalista brasileiro vivo. Mais que qualquer historiador, seus cinco livros — “A Ditadura Envergonhada”, “A Ditadura Escancarada”, “A Ditadura Derrotada”, “A Ditadura Encurralada” e “A Ditadura Acabada” — são o mais completo retrato da última ditadura militar brasileira, entre 1964 e 1985.
Em jornal, Gaspari atua em opinião com um estilo muito próprio, quase literário. Nele, desenvolveu um personagem recorrente em suas análises políticas: “Eremildo, o idiota”. E com ele personificou, na sua coluna de hoje (confira ela completa aqui), os idiotas reais que ainda acreditam nos delírios do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Sejam os que sonham morar em Miami, sejam os idiotas que já estiveram por lá e infelizmente voltaram. Confira abaixo:
Eremildo, o idiota
Eremildo, o idiota
Eremildo é muito macho, não usa máscara e vai a Brasília para presentear o capitão com uma garrafa de sua caipirinha de açaí com cloroquina.
O cretino foi a única pessoa que entendeu a metáfora da pólvora. Ela pode ser usada pelos agrotrogloditas para explodir as árvores que não queimarem.
Mesmo que o capitão estivesse ameaçando Joe Biden com um uso da pólvora, Eremildo também acha a ideia ótima. Ele pretende se alistar na primeira tropa para combater os americanos. Espera ser feito prisioneiro e levado para Nova Jersey onde abrirá uma franquia de chocolates caso consiga ficar por lá.
De um domingo de comemoração pela vitória do democrata Joe Biden (relembre aqui) na eleição presidencial dos EUA, para aqueles que têm apreço à democracia no mundo, até o domingo de hoje, onde a democracia será exercida pelos mais de 360 mil campistas aptos a votar a prefeito e vereador. Quem não ignora as quatro operações matemáticas sabe que o principal problema de Campos não é político/eleitoral, mas econômico (confira a série da Folha sobre o tema aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui): como gerir um município com previsão de orçamento para 2021 entre R$ 1,5 bilhão a R$ 1,7 bilhão, com despesas totais estimadas em quase R$ 2 bilhões, sendo R$ 1,1 bilhão só em folha de pagamento de servidor?
Rafael Diniz (Foto: Folha da Manhã)
Atual prefeito, Rafael Diniz (Cidadania) tentou enfrentar o problema. E, mesmo governando quase três anos sem oposição relevante na Câmara Municipal, seu êxito popular pode ser medido pela rejeição que lidera em todas as pesquisas divulgadas. Quem sucedê-lo, além de evitar erros políticos e sociais como fechar o Restaurante Popular, pode ainda assim ser obrigado a tomar medidas duras, de maneira mais rápida e com uma comunicação mais competente com a população. Se não o fizer, poderá ter um destino ainda pior, junto com toda a cidade. E nada garante que será melhor se o prefeito fizer o que precisa ser feito, mas não colher os efeitos desejados. Como o Brasil, que adota o receituário liberal desde o segundo governo Dilma Rousseff (PT) — após quebrar o país no primeiro —, passando pelos governos Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (sem partido), sem grande resultado até aqui.
Wladimir Garotinho e Caio Vianna (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Do Planalto Central à planície goitacá, as pesquisas indicam três possibilidades. A que parece mais provável é o segundo turno entre Wladimir Garotinho (PSD) e Caio Vianna (PDT). Correndo por fora, uma única pesquisa registrada apontou a possibilidade de um segundo turno entre Wladimir e Dr. Bruno Calil (SD). A terceira possibilidade seria a vitória de Wladimir, líder em todas as pesquisas, ainda no primeiro turno. O que seria a única vitória comparável à derrota acachapante que Rafael impôs ao garotismo em 2016, quando venceu nas sete Zonas Eleitorais de Campos, hoje reduzidas a quatro: 75ª (249ª), 76ª (100ª), 98ª (99ª) e 129ª.
Bruno Calil (Foto: Divulgação)
Nesta semana entre o resultado das eleições presidenciais dos EUA e a expectativa pela eleição a prefeito de Campos, o programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, ouviu cinco representantes da maior conquista da cidade em seus anos das “vacas gordas” dos royalties: sua condição de polo universitário. Nas manhãs de segunda (09) à sexta (13), todos os cinco analisaram individualmente cada um dos 11 candidatos a prefeito. O sociólogo Roberto Dutra, professor da Uenf, falou (confira aqui) sobre as três possibilidades consideradas ao resultado das urnas de hoje:
Sociólogo Roberto Dutra, professor da Uenf
— Pelo que a gente vê nas ruas, pelos que as poucas pesquisas divulgadas apontam, pelo que a gente na movimentação dos candidatos entre si, acho que o segundo turno entre Wladimir e Caio é o que se desenha hoje. O voto útil para o candidato que está na frente seria um fator que poderia levar o primeiro colocado a uma vitória no primeiro turno. Sinceramente, não acredito que o candidato Bruno Calil esteja disputando uma segunda vaga com Caio, eu acho que a distância entre os dois é grande. Acho que o Bruno Calil talvez consiga superar Rafael para ser o terceiro mais votado. Embora seja improvável, entre a probabilidade de Wladimir ganhar no primeiro turno e Calil ir para o segundo turno, eu acho mais provável Wladimir levar no primeiro turno, do que o segundo turno com a presença de Calil. Se tiver um segundo turno, Caio estará nele.
A aposta no segundo turno entre Wladimir e Caio também foi feita pelos demais entrevistados da semana. Nem todos, com bons olhos:
Cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf
— Por que que eles (Wladimir e Caio) estão lá em primeiro lugar (nas pesquisas)? Por causa das oligarquias familiares. Mas se elas são importantes para ocupar o espaço político que foi deixado com o fracasso do governo Rafael, não são suficientes para se instituir um governo. Sobretudo nos dois primeiros anos do próximo governo, você vai ter que distribuir sacrifícios. Para que as pessoas aceitem, se coloca a questão do pacto: sacrifício para quê? Sacrifício para o “meu grupo”? Não faz sentido. Ou sacrifício que você faz é para todos, ou o que você vai ter são greves, sabotagens, uma Câmara baseada em “Chequinho”. E não funciona mais, até porque o “Chequinho” murchou. Ou então vai afundar um pouco mais na crise e nas consequências da crise. Porque a gente acha que a situação está muito ruim, mas não há ruim que não possa piorar. A questão é se as pessoas vão correr para um falso porto seguro do passado, que as oligarquias representam. É aquela ideia de que ‘o passado era bom’. Mas, votando nas oligarquias, o passado não volta, não voltam as condições econômicas; voltam só as oligarquias — advertiu (confira aqui) o cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf.
Apesar da liderança na rejeição em todas as pesquisas, o que o torna o adversário dos sonhos para qualquer candidato no segundo turno, Rafael não foi tirado do jogo por alguns:
Cientista político e sociólogo George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos
— A lógica, o desenrolar dos acontecimentos, leva a um segundo turno. Pela seguinte razão: há um quantitativo de chapas para a Prefeitura que é algo que nós não tínhamos em outras eleições. Para que não tivéssemos segundo turno, nós teríamos que ter um grande favorito. Em um cenário em que não há grandes favoritos e, com o quantitativo de candidaturas que nós temos, é lógico e natural que exista a pulverização dos votos, que leve ao segundo turno. A não ser que, com esse grande quantitativo de indecisos, aconteça a migração dos mesmos para algum nome, que pode ser o Rafael Diniz, o Wladimir Garotinho, o Bruno Calil, o Caio Vianna, pelo que tem dado nas pesquisas. Eu arrisco esses quatro nomes com possibilidade numérica de chegar ao segundo turno — acautelou-se (confira aqui) o cientista político e sociólogo George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos.
Professor Raul Palacio, reitor da Uenf
— Eu projeto em dois turnos. Nós temos um percentual muito grande de pessoas que ainda não se decidiram. Mas os candidatos que estão à frente hoje, é inegável, em todas as pesquisas estão aparecendo, são o Wladimir e o Caio. Mas a gente não pode esquecer da força que o Rafael está tendo nos últimos momentos, do convencimento de algumas lideranças que poderiam estar ressentidas. Então, talvez, parte desses indecisos possa vir com Rafael. Eu, sinceramente, acho que vamos ter um segundo turno entre esses três candidatos, com uma porcentagem maior entre o Wladimir e o Caio. No segundo turno, vai ser pouco tempo para essa decisão, mas eu acho que vai ser muito acirrado, vai contar mais a rejeição. Neste processo, os candidatos vão ter que ter a capacidade de poder somar. E eu vejo Caio com capacidade de somar mais gente à sua campanha do que Wladimir — avançou o raciocínio (confira aqui) o professor Raul Palacio, reitor da Uenf, até o segundo turno de 29 de novembro.
Professor Jefferson Manhães de Azevedo, reitor do IFF
Embora também tenha apostado em um segundo turno entre Wladimir e Caio, como seus colegas da academia, o professor Jefferson Manhães de Azevedo, reitor do IFF, acompanhou Roberto Dutra ao não descartar (confira aqui) a possibilidade de definição já no primeiro:
— É possível se concluir no primeiro turno? É possível. Mas não acho que essa probabilidade é a mais alta. Quanto de probabilidade? Aí eu realmente não me arrisco. Há uma possibilidade de ganhar no primeiro turno, mas acho que ela é menor do que de ser levado para o segundo turno. Vai depender do dia da eleição, dos movimentos, desse fechamento que vai acontecendo, inclusive mobilidade de votos, votos que às vezes estão em um candidato que está muito ruim, que não vai ganhar, e mudam para o que acha que vai ganhar, para já definir no primeiro turno. Mas tudo indica Wladimir e o Caio em um provável segundo turno. E tudo indica que é essa a disputa. E lá, no segundo turno, como tudo vai se dar? Vai ser um ou outro? Aí entra a conjuntura dos outros candidatos.
Natália Soares (Foto: Divulgação)
Entre os outros seis prefeitáveis, houve o reconhecimento dos cinco acadêmicos ao bom desempenho da candidata Professora Natália (Psol). Que merece o reconhecimento de qualquer um que entenda algo da política goitacá. À espera do reconhecimento das urnas, em que os votos do favorito Wladimir serão contabilizados e divulgados (confira aqui) como “Anulado Sub Judice”, embora ele conste como candidato “Deferido” na mesma Justiça Eleitoral. Enquanto se aguarda (confira aqui) que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) defina a questão, gerada pelo indeferimento da candidatura de Frederico Paes (MDB), vice de Wladimir, no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), fica outra questão ao campista: complicadas são as eleições dos EUA?
Campos tem poucas heranças boas dos quase R$ 25 bilhões, em valores corrigidos, das receitas petrolíferas dos royalties e Participações Especiais (PEs) que recebeu nos últimos 20 anos. Uma delas, certamente, é a condição de polo universitário da cidade. Em um país onde as universidades públicas, a despeito dos ataques sofridos pelo governo Jair Bolsonaro (sem partido) e seus apoiadores, ainda mantêm uma grande diferença de qualidade sobre as privadas, a Folha FM 98,3 ouviu cinco representantes da Uenf, da UFF-Campos e do IFF na última semana antes do pleito a prefeito de hoje. E através deles, buscou entender melhor o processo eleitoral que determinará o governo dos mais de 507 mil campistas, como os 11 nomes que se candidataram à missão. Que é particularmente difícil pela grave crise financeira do município, que teve suas duas últimas PEs zeradas, fato inédito nesses últimos 20 anos.
Professores Hamilton Garcia, Raul Palacio, Goerge Gomes Coutinho, Roberto Dutra e Jefferson Manhães de Azevedo (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
No programa Folha no Ar, carro-chefe da rádio mais ouvida de Campos e região, a Folha FM ouviu o cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf, no início da manhã de segunda (09); o professor Raul Palacio, reitor da Uenf, na terça (10); o cientista político e sociólogo George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos, na quarta (11); o sociólogo Roberto Dutra, professor da Uenf, na quinta (12); e o professor Jefferson Manhães de Azevedo, reitor do IFF, na sexta (13). E, após analisar a eleição a prefeito de Campos, onde quase todos apostaram em um segundo turno entre Wladimir Garotinho (PSD) e Caio Vianna (PDT), eles se dispuseram a analisar individualmente cada um dos 11 candidatos. Homens da ciência, sendo que Raul e Jefferson acrescem sua bagagem teórica da experiência administrativa das duas maiores instituições de ensino da região, eles não pretenderam ditar verdades. Mas suas opiniões têm o valor do que de melhor a cidade produziu em pensamento nos últimos 20 anos. E podem ajudar o cidadão comum a formar sua opinião, nem que seja para discordar:
Wlademir Garotinho
Wladimir Garotinho — “É o desafio da mudança geracional. Nem sempre a gente tem bons sinais disso”, advertiu Hamilton Garcia. “Está no segundo turno. Tem grande possibilidade de ser o prefeito de Campos”, apostou Raul Palacio. “Wladimir Garotinho é o herdeiro do maior capital político que Campos conseguiu gerar pós-1988”, historicizou George Gomes Coutinho. “É um jovem político promissor que tenta se descolar da imagem de filho de um grupo político”, analisou Roberto Dutra. “É um jovem que vai ter que mostrar que tem identidade própria, se ele quiser construir um futuro diferente”, projetou Jefferson Manhães de Azevedo.
Caio VIanna
Caio Vianna — “Wladimir teve a experiência parlamentar (como deputado federal), está mais apetrechado que o Caio Vianna, que me parece muito arrogante”, comparou criticamente Hamilton. “É o candidato que eu acho que pode somar todas as outras forças. Caio, no caso de ir para o segundo turno, vai se colocar como o candidato que pode somar todas aquelas forças”, projetou Raul. “Para a imaginação política local, ele representa as boas memórias que eu acho que parte da população tem do governo Arnaldo Vianna”, destacou George. “Um jovem político promissor também, mas ainda muito inexperiente e que não faz um esforço tão grande de se descolar da imagem de filho de um grupo político”, apontou Roberto. “Uma pessoa que tem, pelo menos, consciência das questões. Mas também precisa da experiência prática para verificar se a fala, o discurso, e o fazer são coerentes”, cobrou Jefferson.
Bruno Calil
Dr. Bruno Calil — “Acho que ele não se preparou adequadamente para essa eleição”, questionou Hamilton. “Talvez não seja este o seu momento, mas é uma pessoa que tem futuro na política”, analisou Raul. “Agente político que se apresenta neste pleito com bastante ambições. Mas, politicamente, me parece um artefato muito recente ainda”, ressalvou George. “Um jovem político sem experiência, mas que representa algo muito promissor no município de Campos, que é a diversidade regional”, destacou Roberto. “Não foi ao debate do Fidesc (em 5 de novembro) e a nenhum outro. O que é uma postura, para mim, muito ruim para um jovem que se coloca para os desafios da sociedade”, criticou Jefferson.
Rafael Diniz
Rafael Diniz — “Um prefeito que enfrentou a crise, não foi bem sucedido, mas pelo menos ele sabe o tamanho do pepino que ele tem que administrar”, frisou Hamilton. “O prefeito que eu acho que todo mundo deveria avaliar o que ele fez. E realmente, em algum momento, entender a situação (financeira) em que está a cidade. Hoje, certamente, é o cara que melhor conhece a cidade”, avaliou Raul. “Ele assumiu demais uma postura gerencialista, demasiadamente gerencialista. Que, sem dúvida alguma, é pauta de parte da classe média e dos grupos empresariais de Campos, mas não é pauta majoritária da população”, questionou George. “Rafael Diniz é uma pessoa respeitável, honesta, honrada. Mas que, infelizmente, eu votei nele, fracassou na gestão política das expectativas que ele criou e que se criaram em torno dele”, lamentou Roberto. “Teve uma gestão que não conseguiu superar, dentro dos limites; ou não comunicar a complexidade para que as pessoas pudessem compreender. Então, isso talvez seja o indicador da rejeição que ele vem trazendo”, ponderou Jefferson.
Natália Soaes
Professora Natália — “É uma promessa interessante, mas que ainda não galgou o lugar de uma alternativa política”, definiu Hamilton. “A Natália talvez seja a melhor candidata que tem neste momento. Vai ter um futuro político tremendo dentro da cidade. Não vai ser nesta eleição, infelizmente, mas ela vai ter um bom resultado nas próximas eleições”, apostou Raul. “Tive o prazer e a honra de ter Natália como estudante na UFF, na graduação; eu fui professor dela. Primeiro, ela é uma excelente estudante, aplicadíssima, apaixonada pelo conhecimento. Ela me parece uma liderança ascendente, uma liderança popular sensível e ascendente”, testemunhou George. “Acho que é uma liderança promissora, mas que, em algum momento, se quiser se tornar uma liderança popular, vai ter que enfrentar os problemas do seu partido e do seu entorno político universitário, que não é popular, mas acha que é”, questionou Roberto. “Fiquei muito impressionado com essa jovem. Não sei se ela vai ter êxito, não me parece. Mas o êxito na política não se dá no momento, se dá na história. É uma pessoa que está alavancando esperanças”, registrou Jefferson.
Odisséia Carvalho
Odisséia — “Não sei naturalmente nos números (de intenções de voto nas pesquisas), me parece que não vai ter êxito. Mas é uma pessoa que tem uma história de vida muito importante”, disse Jefferson. “Representa a irrelevância que o PT sempre teve em Campos. Inclusive, ela teve participação com o PT em governos (municipais) anteriores, apoiou, e representa o fracasso do PT no Estado do Rio”, criticou Roberto. “É uma mulher que tem longa tradição sindical no Sepe, ela conhece as questões, os desafios da educação regional”, elogiou George. “Ela representa o PT e talvez, no meu ponto de vista, o que o pessoal denomina como a ‘política velha’. Eu a considero uma professora muito boa, uma candidata boa, mas eu teria gostado que o PT trouxesse nomes novos”, questionou Raul. “Ainda muito presa à pauta sindicalista e também pouco projetada numa candidatura política ampla da cidade”, avaliou Hamilton.
Alexandre Tadeu
Tadeu Tô Contigo — “Respeito profundamente porque me parece ser uma pessoa que representa um campo, seja como ele diz, conservador, mas de muitos valores, de muitas tradições importantes e necessárias”, pontuou Jefferson. “Um candidato com cara moderada de um projeto de uma igreja aliada a um projeto político, aliado a um projeto político nacional do bolsonarismo, que graças a Deus não tem chance de prosperar”, profetizou Roberto. “Parece que ele faz um pouco da linha dos comunicadores que se lançam, que têm um apelo popular importante e se lançam como nome político. Como o Celso Russomano, por exemplo, em São Paulo, mas com menos capital político que ele”, comparou George. “Tadeu representa o grupo da Record. Embora ele tenha as suas propostas, eu acho que não tem um futuro político. E acho, sinceramente, que ele já foi vereador e não conseguiu se reeleger”, lembrou Raul. “Pode vir a surfar ondas como comunicador, com as suas promessas. Mas acho que está distante de entender o que está acontecendo com a cidade”, ressalvou Hamilton.
Roberto Henriques
Roberto Henriques — “Acho que ele é um nome importante da nossa cidade. E mostrou isso ao longo do tempo, a sua coerência”, elogiou Jefferson. “Ele representa alguma coisa que Campos já teve, é um candidato que vem do Muda Campos (movimento político que levou Garotinho à Prefeitura pela primeira vez, em 1989), mas é irrelevante também, sem nenhuma chance no jogo”, avaliou Roberto, o Dutra. “É um político experiente, tem uma trajetória de ter circulado em diversos partidos. É um homem que conhece a política local e, assim como eu falei no caso da Odisséia, eu acho que ele seria um interlocutor importante em qualquer governo”, avaliou George. “Eu diria que é o ‘camaleão’ entre todos os candidatos. É uma pessoa excelente de conversa, eu já tive muito relacionamento com ele. Mas, talvez, já tenha passado o tempo dele”, ressalvou Raul. “Talvez seja o único candidato com uma consciência muito clara, essa visão; eu não vejo nos outros”, destacou Hamilton.
Cláudio Rangel
Cláudio Rangel da Boa Viagem — “Desconheço completamente. Também não esteve no debate nosso (do Fidesc), eu não tive essa oportunidade. Não posso falar nada, porque realmente não o conheço”, registrou Jefferson. “Considero um candidato irrelevante politicamente, não o conheço como pessoa”, disse Roberto. “Eu acho que ele também é um sintoma desse movimento da direita brasileira. Você criou os comunicadores, você criou a ideia do empresário/político. Às vezes o cara pode ser muito bem sucedido no âmbito privado e ser um desastre na vida pública”, analisou George. “Como empresário, eu acho que ele demonstra capacidade. Mas, como político, eu acho que ele não se preparou”, questionou Raul. “Ele me surpreendeu nas entrevistas com vocês (no Folha no Ar). Porque apesar do pouco preparo escolar, de expressão, de mídia, ele surpreendeu pelas boas ideias, pelo entendimento que ele tem da realidade”, elogiou Hamilton.
Jonathan Paes
Jonathan Paes — “Acho que ele ainda precisa amadurecer um pouco nas reflexões e na abordagem, na forma que fala. As pessoas públicas, os líderes, têm que ser firmes, mas têm que ser muito cautelosos no formato, na sua ênfase e nas palavras que usam”, aconselhou Jefferson. “Ele até me surpreendeu, é uma pessoa articulada retoricamente, representa bem essa verve agressiva do bolsonarismo, mas mostra também como as eleições municipais são municipais. Campos é uma cidade conhecidamente bolsonarista, que elegeu Bolsonaro, que deu muito voto a Bolsonaro e nem por isso colocou um candidato de Bolsonaro em condições de ganhar, ou de disputar a prefeito agora”, ressaltou Roberto. “Parece um pouco o representante do bolsonarismo avant la léttre (“antes do estado definitivo”). Porque é o tipo de nome que poderia acontecer mesmo, para surfar uma onda. Mas me parece que não colou, não vingou”, endossou George. “Representa, talvez, o pior candidato de todos. É o candidato do ódio, o candidato da agressividade e ele se esforça para poder colocar isso”, criticou Raul. “É muito impetuoso, mas talvez não tenha condições de assumir responsabilidades maiores”, resumiu Hamilton.
Carla Waleska
Dra. Carla Waleska — “Eu realmente não a conheço. Sei que é uma médica, uma pessoa que tem uma formação, me parece, de bastante densidade”, disse Jefferson. “Acho que o PSDB em Campos não tem uma candidatura ainda à altura do que o partido buscou ser aqui. E já foi até, como por exemplo com Paulo Feijó (ex-deputado federal e 3º colocado a prefeito de Campos na eleição disputada de 2004)”, lembrou Roberto. “A Carla é um nome muito recente. Mas eu acho que o PSDB e o PT local têm desafios que ainda não conseguiram responder totalmente, dado o tamanho dos dois partidos nacionalmente”, analisou George. “Foi muito conturbado o processo do PSDB: primeiro não tinha (candidato a prefeito), depois tinha, depois não tem mais e, agora, colocaram a Carla Waleska. Não se faz uma imagem política assim, aos 45 minutos do segundo tempo”, avaliou Raul. “Eu não tenho grandes informações, não saberia dizer. Entrou no final do segundo tempo e não fez aquecimento”, concordou Hamilton.
Wladimir Garotinho e Frederico Paes (Foto: Divulgação)
A um dia da eleição a prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PSD) conseguiu mudar o status da sua candidatura na Justiça Eleitoral: de “indeferida com recurso”, para “deferida”. A primeira classificação constava desde que o vice na sua chapa, Frederico Paes (MDB), teve o indeferimento da sua candidatura confirmada (confira aqui) pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) na última quinta (13), no julgamento dos embargos declaratórios à decisão desfavorável do Tribunal (confira aqui) em 30 de outubro. Após ter sua candidatura deferida em 18 de outubro (confira aqui), desde quinta Wladimir passou a constar no sistema da Justiça Eleitoral como “indeferido com recurso”. Até que hoje o juízo da 76ª Zona Eleitoral (ZE) de Campos atendeu ao pedido do candidato, mudando sua condição para “deferido”.
A questão de Frederico ainda será julgada (confira aqui) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Até lá, a condição dos votos dados a chapa se mantém: eles serão contabilizados e divulgados, mas esperarão a decisão da instância máxima da Justiça Eleitoral para sua validação. No aplicativo do TSE, já disponível, os votos de Wladimir serão divulgados amanhã com o condicionante “Anulado Sub Judice”. Embora o registro da sua candidatura já conste como “Deferido”, fruto da vitória jurídica de hoje, que deve ser explorada politicamente pelo prefeitável dos Garotinho, na véspera das urnas do primeiro turno deste domingo (15).
Confira abaixo a aparente contradição entre a divulgação da candidatura de Wladimir e a divulgação da apuração dos seus votos, seguido da decisão do juiz eleitoral Glicério de Angiolis Gaudard:
(Imagens: prints da Justiça Eleitoral – Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
DECISÃO
Candidato a prefeito de Campos dos Goytacazes, Wladimir Barros Assede Matheus de Oliveira requer a retificação de seu registro no sistema de candidaturas para que nele conste o status DEFERIDO, em substituição da INDEFERIDO COM RECURSO. Afirmando surpresa sobre tal situação, aduz que o pedido de registro de candidatura do respectivo candidato a vice prefeito (Frederico Rangel Paes) foi indeferido; sustenta, porém, crer no provimento de recurso nas instâncias superiores. Alegando prejuízo, desequilíbrio no pleito eleitoral, pretende que no CAND conste a sua a real situação.
Informação cartorário a dar conta do procedimento observado para o lançamento das informações no sistema de registro de candidatura – CAND (index 39663420).
Sobre a questão, decido.
Tem razão o requerente.
Com efeito, verificando o processo de registro de candidatura o cidadão Wladimir Barros Assede Matheus de Oliveira teve seu registro prontamente deferido pela Justiça Eleitoral: acolhida a pretensão pelo juízo desta Zona Eleitoral, sequer houve a interposição de recurso, caso transitado em julgado.
Logo, a situação do requerente, no registro de candidatura, deve ostentar pura e simplesmente o status DEFERIDO.
Faço ressaltar que, na verdade, o lançamento do status INDEFERIDO COM RECURSO se deu por conta da orientação então vigente à época, segundo a qual, em síntese, o indeferimento em relação a um dos candidatos (“cabeça de chapa” ou respectivo vice) levava à tal anotação.
Todavia, conforme a bem lançada certidão da serventia, agora, recentemente, sobreveio o AVISO VPCRE N. 115/2020 estabelece que no caso de candidatos a cargos majoritários, deve ser anotada no CAND a situação individual de cada um.
Então, tudo isso considerado, acolho o pedido e determino a imediata retificação do registro de candidatura de Wladimir Barros Assede Matheus de Oliveira para que passe a constar DEFERIDO.
Jefferson Manhães de Azevedo, reitor do IFF, analisou as eleições dos EUA e Campos na manhã de hoje, no Folha no Ar (Foto: Folha da Manhã)
“A vantagem pelas pesquisas que eu vi (Wladimir Garotinho, PSD, lidera todas as registradas), e olhando as rejeições também, é possível se concluir (a eleição a prefeito de Campos) no primeiro turno? É possível. Mas não acho que essa probabilidade é a mais alta. Quanto de probabilidade? Aí eu realmente não me arrisco. Há uma possibilidade de ganhar no primeiro turno, mas acho que ela é menor do que de ser levado para o segundo turno. Se você me perguntasse: ‘Ah, Jefferson, faz uma aposta aqui: segundo turno ou primeiro turno?’ Eu me sentiria mais à vontade colocando o segundo turno, mas não descartando o primeiro. E vai depender do dia da eleição, dos movimentos, desse fechamento que vai acontecendo, inclusive mobilidade de votos, votos que às vezes estão em um candidato que está muito ruim, que não vai ganhar, e mudam para o que acha que vai ganhar, para já definir no primeiro turno. Então, isso é possível. Mas o que os números vêm mostrando, a gente vem percebendo, tudo indica Wladimir e o Caio (Vianna, PDT) em um provável segundo turno. Nas pesquisas que eu tive acesso, e a gente tem colegas candidatos a vereador, a diferença nessa eleição dos dois para os demais candidatos é grande. Wladimir e Caio são os dois nomes que se colocaram nesse processo com destaque. E tudo indica que é essa a disputa. E lá, no segundo turno, como tudo vai e dar, vai ser um ou outro? Aí entra a conjuntura dos outros candidatos”. Foi o que projetou o reitor do IFF, professor Jefferson Manhãs de Azevedo, para daqui a pouco mais de um dia, nas urnas do domingo (15) a prefeito de Campos. Ele deu entrevista ao vivo no início da manhã de hoje ao Folha no Ar, na Folha FM 98,3.
Reitor da maior instituição de ensino de Campos e região, o professor Jefferson também analisou cada um dos 11 candidatos a governar Campos a partir de 1º de janeiro de 2021:
Wladimir Garotinho — “Da minha experiência pessoal, uma pessoa que é acessível e grande facilitadora de processos no seu mandato de deputado federal. (Como candidato a prefeito de Campos) É um jovem que vai ter que mostrar que tem identidade própria, se ele quiser construir um futuro diferente”.
Caio Vianna — “Tenho poucas referências do Caio, mas vou falar do debate (do Fidesc, em 5 de novembro, em parceria com o Grupo Folha e o mais prestigiado pelos candidatos a prefeito de Campos). Parece uma pessoa muito articulada, uma pessoa que tem, pelo menos, consciência das questões. Mas também precisa da experiência prática para verificar se a fala, o discurso, e o fazer são coerentes. Eu realmente não o conheço, eu não tive essa experiência. Mas me limito a isso: um jovem que me parece muito articulado de pensamento e na proposição”.
Dr. Bruno Calil — “Desconheço. Desconheço. Não tenho nenhuma referência. Não foi ao debate do Fidesc e a nenhum outro. O que é uma postura, para mim, muito ruim para um jovem que se coloca para os desafios da sociedade, que precisa de diálogo, que precisa de discussão. Eu acho isso uma postura muito ruim. Mas não o conheço e não tenho referência”.
Rafael Diniz — “Pelo que a gente vê nas conversas com as pessoas, apesar da sua grande boa vontade, ele talvez possa não ter tomado as decisões melhores, mas um contexto que ele assumiu uma grande complexidade. E grande parte do insucesso, a partir da rejeição que aparece no meio popular, talvez não tenha se devido só a ele, mas a uma conjuntura muito difícil. Mas eu, pessoalmente, acho ele uma pessoa de muita dignidade, pelo menos no trato com a gente, de boas referências. Mas, de fato, teve uma gestão que não conseguiu superar, dentro dos limites; ou não comunicar a complexidade para que as pessoas pudessem compreender. Então isso talvez seja o indicador da rejeição que ele vem trazendo. Mas é uma pessoa que está na minha conta, do meu lidar. E fico muito sentido se o resultado das eleições confirmarem o que está posto, porque poderia ser também uma grande liderança da nossa cidade; estamos precisando”.
Professora Natália — “Uma boa surpresa, uma boa surpresa. Também não a conheço pessoalmente, não tive esse prazer. Mas vi aí, no debate do Fidesc, uma jovem com uma história de vida, com uma formação, que a credenciam a ser uma líder da nossa região. Fiquei muito impressionado com essa jovem. Não sei se ela vai ter êxito, não me parece. Mas o êxito na política não se dá no momento, se dá na história. É uma pessoa que está alavancando esperanças”.
Odisséia — “Odisséia é uma pessoa muito experimentada, uma professora, uma educadora, por quem eu tenho um carinho muito grande. Acho que ela tem todas as credenciais para exercer a função de liderança municipal. Não sei naturalmente nos números (de intenções de voto nas pesquisas), me parece que não vai ter êxito. Mas é uma pessoa que tem uma história de vida muito importante, como mulher, como sindicalista, uma pessoa com muita integridade. Pelo menos em todos os momentos que eu pude viver, ou presenciar com ela. Eu tenho uma admiração pela professora Odisséia”.
Tadeu Tô Contigo — “O Tadeu, ele é uma pessoa assim, do meu contato, sempre muito solícito, muito facilitador quando a gente (IFF) precisava de espaços e ele pode participar e ceder; uma pessoa muito atenciosa. Acho apenas que ele vem de um campo político ao qual eu não tenho uma aderência. Mas respeito profundamente porque me parece ser uma pessoa que representa um campo, seja como ele diz, conservador, mas de muitos valores, de muitas tradições importantes e necessárias. Então tem aqui o meu respeito”.
Roberto Henriques — “Roberto Henriques é uma pessoa com que a gente tem muita identidade de formação, uma pessoa muito desprendida, muito comprometida, de fato, muito honestamente com a nossa população, com a nossa cidade; uma pessoa muito articulada. Eu tenho um afeto muito grande pelo Roberto, acho que ele é um nome importante da nossa cidade. E mostrou isso ao longo do tempo, a sua coerência. Ele sempre nos pareceu uma pessoa de grande confiabilidade”.
Cláudio Rangel da Boa Viagem — “Desconheço completamente. Também não esteve no debate nosso (do Fidesc), eu não tive essa oportunidade. Não posso falar nada, porque realmente não o conheço”.
Jonathan Paes — “O mesmo, também não o conheço. Vi no debate (do Fidesc). Acho que ele é uma pessoa bem intencionada, mas me parece mais naquele campo ainda, que eu acho, na minha percepção, vai ter cada vez menos espaço na política. O respeito, naturalmente, mas o contato que tive foi só a impressão do debate e de algumas falas. Mas acho que ele ainda precisa amadurecer um pouco nas reflexões e na abordagem, na forma que fala. As pessoas públicas, os líderes, têm que ser firmes, mas têm que ser muito cautelosos no formato, na sua ênfase e nas palavras que usam. É uma impressão muito à distância, mas é também um jovem que acredito que ao se colocar à Prefeitura mostra aí uma virtude, de se preocupar com as pessoas”.
Dra. Carla Waleska — “Não a conheço, não a conheço mesmo. Até porque ela era a vice do Beethoven (que desistiu da candidatura a prefeito por problemas de registro), que é um ex-aluno da escola (hoje, IFF) e eu conheci um pouco mais, era muito ativo lá, como aluno da escola. Mas a Dra. Waleska eu realmente não a conheço. Sei que é uma médica, uma pessoa que tem uma formação, me parece, de bastante densidade. Mas me reservo aqui o direito de falar pouco”.
Confira abaixo os dois blocos da entrevista com o professor Jefferson Manhães de Azevedo, reitor do IFF. O primeiro dedicado ao resultado às eleições presidenciais dos EUA. O segundo, que compôs a matéria acima, sobre as eleições municipais de Campos:
Wladimir Garotinho e Frederico Paes (Foto: Divulgação)
Desde ontem (13), quando foi divulgado (confira aqui) que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) havia negado por 6 votos a 0 o recurso contra o indeferimento da chapa Wladimir Garotinho (PSD) e Frederico Paes (MDB), a prefeito e vice de Campos, surgiu a dúvida: seus votos em 15 de novembro serão contabilizados e divulgados? A resposta é sim. Com base no artigo 195 da resolução 23.611 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a quem caberá definir a questão, os votos de Wladimir e Frederico serão computados e divulgados. Mas com a ressalva “indeferido com recurso”, indicando que ainda não são válidos. A defesa dos candidatos aposta que o TSE possa definir a questão antes de 20 de novembro, quando recomeça a propaganda eleitoral do segundo turno, com pleito no dia 29 deste mês.
A decisão de ontem do TRE se resumiu à formalidade do julgamento dos embargos declaratórios sobre o indeferimento decidido pelo Tribunal (relembre aqui) desde 30 de outubro. A ação contra Frederico, alegando sua desincompatibilização fora do prazo da direção da Hospital Plantadores de Cana (HPC), foi movida pela coligação do candidato Dr. Bruno Calil (SD), coordenada pelo deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD). O indeferimento teve manifestação contrária do Ministério Público Eleitoral em 14 de outubro (relembre aqui), que foi seguida dois dias depois (16) no deferimento da candidatura pelo juízo da 76ª Zona Eleitoral (ZE) de Campos. Após a candidatura de Bruno recorrer à segunda instância, Frederico teve outro parecer favorável da Procuradoria Regional Eleitoral (relembre aqui) em 24 de outubro. Até que o TRE indeferiu a candidatura no dia 30, por 5 votos a 1, decisão ratificada ontem por unanimidade. O que teria mudado o entendimento no TRE foi o fato de o HPC receber verbas públicas do Sistema Único de Saúde (SUS).
Para um jurista do Ministério Público Eleitoral local, que preferiu se manter sob sigilo, a análise do mérito se resume a dois pontos: 1) a elegibilidade do candidato a vice-prefeito, Frederico Paes; e 2) a unicidade, ou não, da chapa, que poderia também comprometer a candidatura de Wladimir — e encontra jurisprudência para os dois lados. O prefeitável do PSD poderia ter feito uma mudança, mas preferiu manter quem é considerado o candidato a vice mais forte entre as 11 chapas que disputam a Prefeitura de Campos. Até o prazo para troca na chapa, em 26 de outubro, Frederico tinha sua candidatura deferida pela Justiça Eleitoral de Campos e parecer favorável da Procuradoria Regional Eleitoral. Ao manter o vice que, em tese, soma votos na “pedra” hoje concentrada na 98ª ZE de Campos, o representante dos Garotinho ganharia terreno no bastião historicamente mais refratário ao garotismo.
Líder na eleição a prefeito de daqui a menos de dois dias, em todas as pesquisas registradas, Wladimir joga todas suas fichas no deferimento da candidatura de Frederico no TSE. Ou, caso contrário, que a eventual confirmação do indeferimento do vice não contamine toda a chapa. Se a decisão da instância máxima da Justiça Eleitoral não se der antes do início da campanha do segundo turno, isso gerará um ambiente de incerteza jurídica como o que o ainda presidente dos EUA, Donald Trump, busca criar em seu país após sua derrota eleitoral (relembre aqui) para o democrata Joe Biden. Um jurista da Justiça Eleitoral de Campos, que também preferiu se manter anônimo, esclareceu que para reinseminar todas as urnas, isso levaria um dia para cada uma das quatro ZEs do município, mais outro dia para o transporte destas mesmas urnas. O que levaria o total de cinco dias e poderia gerar o adiamento da eleição do segundo turno em Campos, caso a decisão do TSE saísse do dia 24 em diante. Como geraria incerteza, caso Wladimir vencesse, no voto, ainda no primeiro turno. A maioria das pesquisas aponta Caio Vianna (PDT) em segundo lugar e Dr. Bruno, em terceiro.
Com vasta experiência em Justiça Eleitoral, o advogado João Paulo Granja afirmou que os votos em Wladimir serão contabilizados sub judice, mas vão aparecer normalmente na apuração. Mas o jurista ressalvou que se o candidato terminar o pleito de domingo entre duas primeiras colocações e o plenário do TSE julgar o caso, mantendo o indeferimento, antes do segundo turno, o terceiro colocado será convocado para a disputa. Por outro lado, se o julgamento ocorrer após o segundo turno, e Wladimir tiver sido o vencedor, uma nova eleição será convocada.
Por sua vez, o empresário Frederico Paes se disse confiante no seu deferimento pelo TSE:
— Meus advogados estão confiantes na vitória em Brasília, por que o TSE vem julgando casos similares ao meu concedendo o registro de candidatura. Dessa forma, os argumentos de Bruno Calil e da sua coligação para me impugnar não se sustentam. O que foi apreciado no Rio (ontem) foi um pedido da minha defesa, através de embargos de declaração, para que o Tribunal justificasse melhor os motivos que eles estavam utilizando para alterar a sentença do juiz de Campos, que já havia me garantido o direito de concorrer. Não recorremos ao TRE, só precisávamos que os argumentos fossem claros para que possamos entrar com o recurso (ao TSE) ainda antes da data eleição — explicou o vice de Wladimir.
Por enquanto, o candidato a prefeito dos Garotinho só se manifestou, de forma genérica, através da sua assessoria jurídica:
— Wladimir Garotinho é candidato a prefeito de Campos com registro deferido pela Justiça e nome inseminado nas urnas eletrônicas.
O candidato Bruno Calil e o deputado Rodrigo Bacellar, advogado com atuação no Rio, foram contactados para dar a versão jurídica da coligação Nova Força (SD, DEM, PTC e PV) sobre a ação movida contra a candidatura a vice de Frederico Paes. Assim que retornarem, se o fizerem, ela será aqui acrescida.
Com o jornalista Aldir Sales
Atualização às 20h22 para colocar o vídeo veiculado ontem nas redes sociais sobre o caso, gravado pela ex-prefeita de Campos, Rosinha Garotinho (hoje, Pros), mãe de Wladimir:
Sociólogo e professor da Uenf, Roberto Dutra apostou no Folha no Ar em segundo turno entre Wladimir Garotinho e Caio Vianna (Foto: Folha da Manhã)
“Eu concordo com o que o George (Gomes Coutinho, cientista político e professor da UFF-Campos, entrevistado da quarta, aqui, no Folha no Ar) disse ontem. A pulverização eleitoral das candidaturas majoritárias impossibilita a vitória de um candidato no primeiro turno. Eu acho que tudo caminha para um segundo turno entre Wladimir (Garotinho, PSD) e Caio (Vianna, PDT). Pelo que a gente vê nas ruas, pelos que as poucas pesquisas divulgadas apontam, pelo que a gente na movimentação dos candidatos entre si, acho que o segundo turno entre Wladimir e Caio é o que se desenha hoje. O voto útil para o candidato que está na frente seria um fator que poderia levar o primeiro colocado a uma vitória no primeiro turno. Ontem eu conversei com alguns amigos, com quem eu sempre converso sobre política, que fazem pesquisas internas para partidos com seriedade. Sinceramente, não acredito que o candidato Bruno Calil (SD) esteja disputando uma segunda vaga com Caio, eu acho que a distância entre os dois é grande. Acho que o Bruno Calil talvez consiga superar Rafael (Diniz, Cidadania) para ser o terceiro mais votado. Embora seja improvável, entre a probabilidade de Wladimir ganhar no primeiro turno e Calil ir para o segundo turno, eu acho mais provável Wladimir levar no primeiro turno, do que o segundo turno com a presença de Calil. Se tiver um segundo turno, Caio estará nele”. Foi o que projetou no início da manhã de hoje, no programa Folha no Ar, na Folha FM 98,3, o sociólogo Roberto Dutra, professor da Uenf.
Roberto também lembrou que o debate e exposição da crise financeira de Campos pela Folha (confira a série sobre o tema aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) elevou o nível a qualidade das campanhas pela Prefeitura. Que ganharam teflon contra “soluções mágicas” ao grave problema real do município:
— Neste ano, parece ser uma eleição morna, por conta da pandemia. Mas nessa reta final, a disputa ficou mais quente, as tentativas de judicialização aumentam, mas o quadro parece estável. Acho que tudo indica que vamos ter um segundo turno, não uma decisão no primeiro turno. É uma campanha que tem um lado positivo também, apesar do lado negativo de um envolvimento ne rua menor, eu tenho visto um debate um pouco mais qualificado, um debate pelo menos tentando levar em conta o que é possível fazer e o que não é possível fazer. Claro, eu estou tirando principalmente das entrevistas dos candidatos que eu vi aqui, na Folha, e em alguns debates, há a tentativa de não ignorar o problema fiscal de Campos. Eu vejo os políticos já tendo essa preocupação, os principais candidatos mais que os outros, Wladimir e o Caio demonstrando essa preocupação grande: ganhar, sim, mas preocupados com o que vai ser o governo municipal com a situação fiscal. Eu estou levemente otimista, independentemente de quem vai ganhar, me parece que por várias razões nós não corremos o risco de retroceder a uma irresponsabilidade fiscal, e que acabou sendo social também, como nós vivemos no período do governo (municipal) Garotinho e Rosinha, que deixou sequelas muito graves até hoje.
O sociólogo também analisou cada um dos 11 candidatos a governar Campos a partir de 1º de janeiro de 2021:
Wladimir Garotinho — “É um jovem político promissor que tenta se descolar da imagem de filho de um grupo político”.
Caio Vianna — “Um jovem político promissor também, mas ainda muito inexperiente e que não faz um esforço tão grande de se descolar da imagem de filho de um grupo político”.
Dr. Bruno Calil — “Um jovem político sem experiência, mas que representa algo muito promissor no município de Campos, que é a diversidade regional. Eu acho muito interessante haver a mobilização do interior na candidatura dele”.
Rafael Diniz — “Rafael Diniz é uma pessoa respeitável, honesta, honrada. Mas que infelizmente, eu votei nele, fracassou na gestão política das expectativas que ele criou e que se criaram em torno dele. É um governo que ainda aposta que as pessoas vão premiar politicamente a gestão, porque ela foi capaz de racionalizar, de melhorar administrativamente o município, o que é questionável, e combater a corrupção. Isso tudo é fundamental, mas é a preliminar, é a condição para um governo como agenda. E o governo até hoje não tem uma agenda. É um governo que não saiu das preliminares”.
Professora Natália — “É uma jovem política, uma pessoa que eu conheço, gosto muito dela. Acho que é uma liderança promissora, mas que, em algum momento, se quiser se tornar uma liderança popular, vai ter que enfrentar os problemas do seu partido e do seu entorno político universitário, que não é popular, mas acha que é”.
Odisséia — “Odisséia, eu não a conheço pessoalmente, mas conheço politicamente, representa a irrelevância que o PT sempre teve em Campos. Inclusive, ela esteve participação com o PT em governos (municipais) anteriores, apoiou, e representa o fracasso do PT no Estado do Rio e a irrelevância que nos sempre observamos aqui em Campos”.
Tadeu Tô Contigo — “Um candidato com cara moderada de um projeto de uma igreja aliada a um projeto político, aliado a um projeto político nacional do bolsonarismo, que graças a Deus não tem chance de prosperar. Espero não queimar a língua nesses dias que faltam para as eleições”.
Roberto Henriques — “É um político que merece respeito, uma figura controversa, mas apesar disso eu acho que merece algum respeito por sua insistência em participar da política. Eu sou uma pessoa que tende a admirar os políticos, até que eles façam muita coisa errada. O Roberto Henriques não tem a relevância política que ele busca, é um candidato que existe mais para marcar a sua posição. Ele representa alguma coisa que Campos já teve, é um candidato que vem do Muda Campos (movimento político que levou Garotinho à Prefeitura pela primeira vez, em 1989), mas é irrelevante também, sem nenhuma chance no jogo”.
Cláudio Rangel da Boa Viagem — “Considero um candidato irrelevante politicamente, não o conheço como pessoa”.
Jonathan Paes — “É um candidato bolsonarista. Ele até me surpreendeu, é uma pessoa articulada retoricamente, representa bem essa verve agressiva do bolsonarismo, mas mostra também como as eleições municipais são municipais. Campos é uma cidade conhecidamente bolsonarista, que elegeu Bolsonaro, que deu muito voto a Bolsonaro e nem por isso colocou um candidato de Bolsonaro em condições de ganhar, ou de disputar a prefeito agora. Então, eu acho que ele representa o fracasso do bolsonarismo em Campos, como nas eleições como um todo. Se há uma boa notícia nessas eleições é o fracasso do bolsonarismo, espero”.
Dra. Carla Waleska — “Acho que o PSDB em Campos não tem uma candidatura ainda à altura do que o partido buscou ser aqui. E já foi até, como por exemplo com Paulo Feijó (ex-deputado federal e 3º colocado a prefeito de Campos na eleição disputada de 2004). Eu não conheço a candidata Carla, então não tenho como opinar. Mas eu diria que é uma candidatura tentando de algum modo recuperar e manter os ideais do PSDB vivos em Campos. Que já foram relevantes até. Nós já tivemos aqui, como eu falei, o Paulo Feijó como principal candidato de oposição”.
Confira abaixo os dois blocos da entrevista com o sociólogo Roberto Dutra, professor da Uenf. O primeiro dedicado ao resultado às eleições presidenciais dos EUA. O segundo, que compôs a matéria acima, sobre as eleições municipais de Campos:
Entre as eleições presidenciais dos EUA e as municipais de Campos, o convidado do Folha no Ar, a partir das 7h15 desta sexta (12), é o professor Jefferson Manhãs de Azevedo, reitor do IFF. Ele falará sobre a eleição do democrata Joe Biden a presidente dos EUA e suas consequências ao Brasil de Jair Bolsonaro (sem partido). E analisará as possibilidades ao pleito deste domingo, a dois dias da urnas a prefeito de Campos.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.