Wladimir analisa Câmara, RJ e seu governo no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Joseli Mathias)

 

A partir das 7h desta sexta (11), quem fecha a semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PSD). Ele falará sobre o racha na base governista na Câmara, do seu projeto do novo Código Tributário do município e as contas de 2016 da ex-prefeita Rosinha Garotinho (hoje, Pros).

O prefeito falará também da entrada do seu opositor Rodrigo Bacellar (SD, de saída para o PL) e da saída do seu aliado Bruno Dauaire (PSC) do governo estadual Cláudio Castro (PL). E, por fim, analisará os seus cinco primeiros meses de administração.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Farsa, TCU e Covid: Bolsonaro se desmente e bolsonarista é afastado

 

(Foto: Divulgação)

 

Primeiro, o presidente Jair Bolsonaro soprou na segunda (7) seu berrante (confira aqui) e reuniu seu gado no cercadinho do Alvorada para distribuir sal no coxo. “Em torno de 50% dos óbitos por Covid no ano passado não foram por Covid, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU)”, regurgitou ele. E foi exclamado pelo mugido das suas reses, daquelas que caminham em manada alegre e saltitante ao precipício: “Eu sabia!”

 

(Foto: Divulgação)

 

Daí, horas depois, na mesma segunda, o TCU desmentiu (confira aqui) mais uma fake news do presidente: “não há informações em relatórios do Tribunal que apontem que ‘em torno de 50% dos óbitos por Covid no ano passado não foram por Covid’, conforme afirmação do presidente Jair Bolsonaro. O documento refere-se a uma análise pessoal de um servidor do Tribunal compartilhada para discussão e não consta de quaisquer processos oficiais desta Casa. Ressalta-se, ainda, que as questões veiculadas no referido documento não encontram respaldo em nenhuma fiscalização do TCU. Será instaurado procedimento interno para apurar se houve alguma inadequação de conduta funcional no caso”.

Na terça (08), Bolsonaro foi obrigado a se desmentir (confira aqui) diante do mesmo cercadinho do Alvorada: “o TCU está certo. Eu errei, quando falei tabela (com o número de mortes que não seriam por Covid). O certo é acórdão”. Quem não se reúne em cercadinho para “discutir de que borda da Terra Plana vamos pular”, como definiu na CPI da Covid (confira aqui) a médica infectologista Luana Araújo, pensou consigo sem alarde: “Eu sabia!”

Na mesma terça, o TCU identificou (confira aqui) o autor da tentativa de fraude: o auditor Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques. Ele é amigo dos filhos de Jair Bolsonaro. Quando começou a pandemia, passou a elaborar seu “estudo paralelo”. Ao apresentar os resultados de sua tese foi veemente repreendido pelos próprios colegas de trabalho, que denunciaram o caso aos ministros do TCU. Nenhum outro auditor do Tribunal endossou o “estudo” por considerá-lo uma farsa. Alexandre é conhecido por difundir fake news bolsonaristas sobre a Covid em suas redes sociais.

 

Amigo dos filhos de Bolsonaro, auditor Alexandre Marques usava suas redes sociais para fazer propaganda de remédios sem ação comprovada no tratamento de Covid (Foto: Instagram)

 

Hoje, na quarta (09), o corregedor do TCU, ministro Bruno Dantas, pediu (confira aqui) à presidente do Tribunal, Ana Arraes, que determine à Polícia Federal a abertura de um inquérito criminal para investigar o auditor Alexandre Marques. E, para evitar novas tentativas bolsonaristas de fraude no órgão de fiscalização federal, ele foi afastado do cargo.

Mesmo diante dos fatos, em amostra grátis do que espera o Brasil em 2022, houve entre os muares da baixa bolsonaria quem ainda tentasse defender o presidente em mais esse episódio lamentável. Para, como o auditor fraudador do TCU, ser desmentido pelos próprios colegas de trabalho: “Defender uma postura presidencial, na qual o próprio presidente teve de desmentir, é abdução demais”.

Infelizmente nada parece ser demais a quem, mesmo abençoado pela sorte de ter sobrevivido à Covid, padece de patologia congênita ainda pior: anemia de caráter.

 

Eleição a presidente, governador e Campos no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Joseli Mathias)

 

A partir das 7h da manhã desta quinta (10), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o estrategista político Orlando Thomé Cordeiro, articulista (confira aqui) do jornal Correio Braziliense. Ele tentará projetar a eleição presidencial, assim como a disputa ao Governo do Estado do Rio em 2022. E, com a visão de fora de Campos, também analisará a política goitacá.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Bacellar atrai legendas a Castro e nomeia Joilza e Pudim no RJ

 

Cláudio Castro, Joilza Rangel, Joilza Rangel e Geraldo Pudim (Montagem: Joseli Mathias)

 

Desde que ganhou a disputa pela secretaria estadual de Governo em 27 de maio (confira aqui), Rodrigo Bacellar (atual SD) vem trabalhando para afinar sua parceria com o governador Cláudio Castro (PL). Hoje, o jornal carioca Extra noticiou que o político de Campos recebeu a missão de correr atrás de legendas pequenas para Castro, que assumiu após o impeachment de Wilson Witzel (PSC), tentar se eleger governador em 2022. Para tanto, Bacellar e o xará Rodrigo Betlhem já teriam fechado com PTC, PMN, Pros e PRTB.

Na via de mão dupla, Rodrigo hoje conseguiu emplacar dois aliados de Campos no Executivo fluminense. Joilza Rangel foi nomeada subsecretária estadual de Educação, enquanto Geraldo Pudim levou uma subsecretaria estadual de Governo. Os dois já foram aliados próximos do ex-governador Anthony Garotinho (sem partido). Mas hoje encontram abrigo no grupo político do principal opositor do prefeito Wladimir Garotinho (PSD).

De mudança para o PL de Castro, Rodrigo também trabalha junto ao governador para levar o projeto Segurança Presente, por enquanto restrito ao Grande Rio, ao interior fluminense. A intenção é começar por Campos, que registrava até ontem (07) 53 homicídios em 2021. O objetivo é preparar PMs para atuar especialmente no policiamento comunitário.

 

Contas de Rosinha, ITBI, Wladimir e Carla no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Joseli Mathias)

 

A partir das 7h da manhã desta quarta (09), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o vereador Fred Machado (Cidadania). Ele falará sobre a proposta do novo ITBI de Campos e da votação das contas da ex-prefeita Rosinha Garotinho (hoje, Pros) de 2016, reprovadas (confira aqui) pela Legislatura passada em 2018 e anuladas na atual (confira aqui), em fevereiro.

Fred analisará também o governo Wladimir Garotinho (PSD) em Campos e o da sua irmã, Carla Machado (PP), em São João da Barra, assim como as Câmaras dos dois municípios.

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Jacarezinho, Amazonas, Campos e Câmara no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Joseli Mathias)

 

A partir das 7h da manhã desta terça (08), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o policial federal e especialista em Segurança Pública Roberto Uchôa. Ele analisará a ação da Polícia Civil na favela do Jacarezinho em 6 de maio (confira aqui), com saldo de 24 mortos, e de bandidos no Amazonas (confira aqui), durante o último final de semana.

Uchôa também falará sobre a troca de comando no 8º BPM de Campos (confira aqui) e a política de Segurança Pública do governo Wladimir Garotinho (PSD), que ele apoiou politicamente no segundo turno a prefeito de 2020. E falará da sua experiência como candidato a vereador, além de fazer uma análise da nova Câmara Municipal de Campos.

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Cinema em casa — Deus e conflito disponíveis na Amazon e Netflix

 

Cartazes de “The Quarry” e “Fé Corrompida” (Montagem: Joseli Mathias)

 

Filmes sobre pregadores religiosos não são exatamente uma novidade. “As Sandálias do Pescador” (1968), de Michael Anderson, traz o grande Anthony Quinn como um Papa fictício. É parcialmente inspirado no italiano João XXIII e seu revolucionário Concílio Vaticano II. Mas, pela origem do personagem no Leste Europeu, parece também antever a realidade do polonês João Paulo II. Que só seria eleito Papa 10 anos após o lançamento do filme. Para ter papel protagonista na queda do “socialismo real” na Europa.

Filme mais recente e abertamente inspirado nos dois últimos ocupantes do Trono de Pedro, “Dois Papas” (2019) é dirigido pelo brasileiro Fernando “Cidade de Deus” Meirelles. Na transição entre o alemão Bento XVI e o argentino Francisco, traz Anthony Hopkins como o primeiro e Jonathan Price, como seu sucessor. Há ficção no roteiro adaptado de Anthony McCarten para contar fatos reais, com sucesso razoável de público e crítica. Ainda que, indicados ao Oscar de 2020 em categorias diferentes, Hopkins, Price e McCarten não tenham levado a estatueta dourada de Hollywood por seus trabalhos.

Ainda que seja mais sobre a ambição do homem na Terra, “Sangue Negro” (2007), de Paul Thomas Anderson, é considerado por muita gente boa uma obra-prima do cinema no século 21. Muito por conta da atuação visceral de Daniel Day-Lewis, como amoral e incansável prospector de petróleo. Que dialoga em nível mais alto com o pastor pentecostal, de moral igualmente duvidosa, vivido por Paul Dano. Entre algumas cenas antológicas do filme, está a que Day-Lewis usa a ambição material de Dano para obrigá-lo a repetir: “Eu sou um falso profeta e Deus é uma superstição”.

Instiga imaginar o que personagens como Jair Bolsonaro, Edir Macedo, Silas Malafaia, R. R. Soares, ou Valdemiro Santiago diriam na mesma cena…

Sobre denominações protestantes menos fetichistas, há dois filmes talvez pouco conhecidos sobre pregadores religiosos que merecem a conferência. E ambos estão disponíveis pelo streaming.

 

Atores geralmente relegados a coadjuvantes, Shea Whigham e Michael Shannon são os protagonistas de “The Quarry”, escrito e dirigido por Scott Teems

 

Um deles, no Prime Vídeo, da Amazon, é “The Quarry” (2020). Dirigido e roteirizado por Scott Teems, traz como protagonistas dois atores quase sempre relegados a papéis coadjuvantes, geralmente como “vilões”. Shea Whigham é um andarilho que assume o lugar de um pastor itinerante numa igrejinha nos cafundós do Texas, frequentada por fiéis mexicanos e pobres. Michael Shannon é o xerife da cidade, que começa a desconfiar do novo “homem de Deus”. Seus passados e motivos vão sendo revelados sem “milagres”, no correr do thriller. Até que a última parte do quebra-cabeças se encaixa aguda na sentença: “Não sou eu quem pode perdoar!”

O outro filme, disponível na Netflix, é “Fé Corrompida” (2017), escrito e dirigido pelo veterano Paul Schrader. Apenas como roteirista, ele traz no currículo clássicos como “Taxi Driver” (1976), “Touro Indomável” (1980) e “A Última Tentação de Cristo” (1988), todos dirigidos pelo mestre Martin Scorsese. Também como diretor, Schrader assinou obras de peso, como “Gigolô Americano” (1980), “Mishima — Uma Vida em Quatro Capítulos” (1985) e “Temporada de Caça” (1998), que rendeu o único Oscar da longeva e brilhante carreira do ator James Coburn.

 

Ethan Hawke é um pastor protestante em conflito em “Fé Corrompída”, de Paul Schrader

 

Em “Fé Corrompida”, Ethan Hawke prova ser mais que um galã envelhecido ao interpretar um ex-capelão militar e pastor encarregado de uma igreja protestante de tradição secular. Ele revela seus próprios conflitos internos ao aconselhar um ambientalista, a pedido da esposa deste, desencantado com os rumos do mundo e a perspectiva de colocar nele um filho. A relação do religioso de meia idade com o jovem casal vai se estreitando. Até desfechos tão fortes quanto, não de todo, inesperados. A catequese vai se dando em via de mão dupla, na busca da resposta à pergunta: “Deus nos perdoará?”

O filme de Scott Teems é uma obra promissora de um diretor e roteirista com a carreira ainda pela frente. O de Paul Schrader, a prova de que nem tudo já ficou para trás. Ambos, encarnados por atores inspirados.

Na vida ou na arte que a imita para ser imitada, Deus só prevalece na vida dos homens pelo amor.

 

Confira abaixo os trailers de “The Quarry” e de “Fé Corrompida”:

 

 

 

Comunicação social e de governo no Folha no Ar desta 2ª

 

(Arte: Joseli Mathias)

 

A partir das 7h desta segunda (07), quem abre a semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o jornalista Luiz Costa, subsecretário de Comunicação de Campos. Ele falará sobre comunicação social e de governo no tempo das redes sociais e fake news. E das diferenças entre jornalismo e comunicação na assessoria ao poder público. Por fim, ele analisará a comunicação e o governo Wladimir Garotinho (PSD).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

CPI da Covid — “Estamos discutindo de que borda da Terra Plana vamos pular”

 

Ilustração de Vitor Flynn na capa do jornal francês Le Monde, na paródia gráfica do Brasil de Bolsonaro na Covid com uma icônica cena do filme “Dr. Fantásticio” (1964), única comédia do mestre do cinema Stanley Kubrick

O mal que o governo Jair Bolsonaro fez e faz ao país vai além da condução criminosa da pandemia da Covid-19. Está nas sombras em que mergulha a mente dos seus seguidores. Deprimente ver o negacionismo, encampado em pleno Senado da República, no depoimento esclarecedor e corajoso que presta à CPI da Covid a médica infectologista Luana Araújo.

Ela foi convidada e chegou a ser anunciada com secretária da Covid do ministério da Saúde. Mas não teve o nome confirmado por ser contra o “tratamento precoce”. Tratado pela infectologista como o que de fato é: “neocurandeirismo”. Questão que, no mundo, só existe no Brasil. Ou sua porção caída, como Lúcifer, no Bolsoquistão que os negacionistas pensam ter o poder de fundar.

“Estamos discutindo de que borda da Terra Plana vamos pular”, definiu a questão Luana. Diante de senadores da República como Marcos Rogério (DEM/RO), Luis Carlos Heinze (PP/RS) e quetais. Que, em defesa do seu “mito” obscurantista e suas fantásticas emendas parlamentares do governo, lembram até (confira aqui) alguns vereadores de Campos dos Goytacazes.

 

Médica infectologista Luana Araújo na CPI da Covid (Foto: Reprodução de TV)

 

Médicos, servidores, Wladimir, Bolsonaro, PT e memória

 

 

Médicos e servidores na Folha FM

Na manhã de ontem (1º), o Folha no Ar entrevistou as presidentes do Sindicato dos Profissionais Servidores Públicos Municipais de Campos (Siprosep), Elaine Leão, e do Sindicato dos Médicos de Campos (Simec), Maria das Graças Rangel. Numa cidade só com homens entre seus 25 vereadores, ter mulheres à frente de duas categorias tão importantes é referência. Na pauta principal, o jornalista Arnaldo Neto, editor-geral da Folha da Manhã, e o radialista Cláudio Nogueira, gerente da Folha FM 98,3, repercutiram o pacote aprovado parcialmente pelo governo Wladimir Garotinho (PSD), na tensa semana passada (confira aqui) da Câmara Municipal.

 

Cortes x contrato

Além do que está retratado (confira aqui) na matéria página 3 desta edição, a entrevista ao vivo na rádio mais ouvida de Campos trouxe alguns outros pontos. “Tivemos uma reunião com Frederico, solicitando a retirada desse item (da complementação) do pacote. Mas agora, infelizmente, já foi sancionado (…) E que economia vai se fazer com a complementação de 57 médicos, em um município que está programando um contrato de R$ 33 milhões?”, disse a presidente do Simec. O contraponto crítico dos cortes aos servidores Saúde, sancionados ontem por Wladimir, com o contrato da Saúde suspenso (confira aqui) na sexta (28), era inevitável.

 

Tiro no pé

Com apresentação anunciada para sexta, o contrato do município com a empresa MX Gestão de Saúde para “a gestão profissional das unidades hospitalares” foi suspenso no mesmo dia. Segundo a Prefeitura, porque “na fase final de avaliação, para a formalização do contrato, foi identificado o não preenchimento dos pressupostos exigidos em Lei”. O contrato emergencial de 180 dias seria firmado sem licitação, no valor total de R$ 33,6 milhões, conforme publicação do processo em Diário Oficial. Para fechar a semana conturbada, em que o governo começou com 22 vereadores e terminou com 15, foi um desgaste absolutamente desnecessário.

 

Pergunta do vice-prefeito

Na interatividade do Folha no Ar, Maria das Graças responderia à indagação enviada por WhatsApp pelo vice-prefeito Frederico Paes (MDB). Que relatou que a presidente do Simec estava em uma reunião com ele, mais representantes do Ministério Público, quando anunciou previamente a intenção do contrato na Saúde. E, segundo o vice-prefeito, com a aquiescência da representante dos médicos de Campos. “Ele (Frederico) realmente relatou o interesse da gestão pública de instalar OS (Organização Social) no município”, confirmou parcialmente Maria das Graças, antes de reafirmar a posição contrária do Simec.

 

Simec e Siprosep firmam posição

“Nós, do Simec, contestamos o motivo pelo qual não se faria a gestão dos hospitais com profissionais de carreira do município. Em momento nenhum fomos a favor de se trazer uma empresa, nem nos foi relatado o valor que seria gasto. A princípio, o Simec é contra a privatização da rede pública municipal. É a nossa bandeira: somos contra”, reiterou Maria das Graças. E foi ecoada pela presidente do Siprosep: “O que eles (o governo municipal) estão tentando fazer? Andam alinhados, claramente, com o governo federal na questão de cortes de direitos, terceirização de serviços”, disse Elaine Leão também à Folha FM.

 

Formandos da Faculdade de Medicina de Campos (FMC) em 18 de março de 2016 (Foto: Blog Ponto de Vista)

 

Medicina da memória (I)

Aludido pela presidente do Siprosep, se esse alinhamento com o governo Jair Bolsonaro (sem partido) realmente existe, não é exclusivo do governo Wladimir. Dois anos e meio antes do capitão ser eleito presidente da República, quando sua pré-candidatura ainda não era levada a sério por boa parte dos brasileiros, uma categoria de Campos ganhou a grande mídia por pensar o contrário. Em 18 de março de 2016, estudantes da Faculdade de Medicina de Campos (FMC) postaram (confira aqui) nas redes sociais uma foto de formatura segurando cartazes onde se lia: “Bolsomito”. E tiveram repercussão nacional pelo ato de apoio.

 

Em maio de 2016, a Faculdade de Medicina de Campos (FMC) pichada em vermelho por lulopetistas (Foto: Blog Ponto de Vista)

 

Medicina da memória (II)

Em 28 de outubro de 2018, Bolsonaro foi eleito no segundo turno presidencial com 55,13% dos votos válidos. Em Campos, teve diferença positiva em relação ao resto do país, com 64,87%, quase 10 pontos a mais. Ninguém duvida que o percentual foi ainda maior na classe médica campista, boa parte dela servidora do município e descontente com os cortes de Wladimir. Como não convém duvidar que entre os 35,13% dos votos que Fernando Haddad (PT) teve na cidade em 2018, o percentual também foi mais alto. Entre aqueles que, em 2016, picharam os muros da tradicional instituição de ensino superior goitacá: “FMC golpista”.

 

Publicado hoje (02) na Folha da Manhã

 

Artigo do final de semana — Não!

 

Página 11 da edição da Folha da Manhã de 5 de setembro de 2020

 

Jefferson Manhães de Azevedo, professor e reitor do IFF

“Não há soluções mágicas e de curtíssimo prazo. Caso alguém apresente, desconfie”. Em 5 de setembro de 2020, em plena campanha eleitoral, o alerta foi ecoado (confira aqui) na Folha da Manhã pelo reitor do Instituto Federal Fluminense (IFF), professor Jefferson Manhães de Azevedo. Foi em um painel, entre os 11 promovidos (confira aquiaquiaquiaquiaqui, aquiaqui, aqui, aquiaqui e aqui) pelo jornal de 18 de julho a 26 de setembro, dedicados à busca de soluções para a grave crise financeira de Campos. A advertência do gestor da maior instituição de ensino da região servia não só aos 11 candidatos a prefeito do município, como também aos seus 810 candidatos a vereador. E, a julgar pela semana que se encerra, no momento mais tenso dos cinco primeiros meses dos novos Executivo e Legislativo goitacá, carecerá de melhor entendimento entre os representantes eleitos aos dois Poderes — independentes, mas harmônicos entre si.

Naquela série de painéis da Folha, a voz não foi a do jornal. Tampouco a do reitor do IFF, apenas uma na polifonia de 34 representantes da sociedade civil organizada, entre outros gestores universitários, economistas, sindicalistas, empresários, servidores, juristas, jornalistas, cientistas políticos, antropólogos e sociólogos. A despeito das muitas diferenças de formação e visão entre eles, houve consensos. Não só sobre a gravidade da crise enfrentada desde o final de 2014 por meio milhão de campistas, com a queda nas receitas do petróleo, mas para alternativas a ela: resgate da secular tradição agropecuária do município, adoção integral do pregão eletrônico nas compras do poder público e parceria deste com as universidades.

 

(Foto: Petrobras)

 

Ex-presidente Lula e o presidente Jair Bolsonaro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Esse tipo de respeito às diferenças de experiência e opinião, na busca de consensos mínimos, deveria servir de exemplo. Não só a um Brasil que, também desde 2014, se divide entre petismo e antipetismo, virando o lado do disco em 2018 à bipolaridade entre bolsonarismo e antibolsonarismo. Mesmo que, a cada novo depoimento da CPI da Covid no Senado, seja cada vez mais difícil não classificar como criminosa a condução da pandemia no país. Tanto quanto foi, em passado recente, não enxergar a corrupção sistêmica dos 13 anos do PT no poder, a despeito dos erros também inegáveis da operação Lava Jato. Ou a desastrosa condução nacional da economia no governo Dilma Rousseff. Que não alcança resultados muito melhores agora, nas mãos do liberal Paulo Guedes.

Entre um e outro extremo da política tupiniquim, ressalvado que Lula foi preso sem nunca atentar contra as instituições como Bolsonaro, a lição mais valiosa talvez esteja nos erros do centro. Que, se marchar novamente dividido a mais uma eleição presidencial, como indicam até aqui todas as pesquisas, deve assistir a outro segundo turno entre o lulopetismo — agora com a “lâmpada” no lugar do “poste” — e o bolsonarismo. Do Planalto Central à planície goitacá, políticos jovens como o prefeito Wladimir Garotinho (PSD), o virtual secretário estadual de Governo Rodrigo Bacellar (SD) e o secretário de Ciência e Tecnologia de Niterói, Caio Vianna (PDT), poderiam aprender.  E buscar consensos mínimos, no lugar de ter dois se opondo a um pelo que também seriam obrigados a fazer, se as urnas lhes tivessem sorrido. Caso contrário, prevalecerá a ressalva de Mahatma Gandhi: “Olho por olho e acabará todo mundo cego”.

 

 

Fábio Ribeiro, vereador e presidente da Câmara de Campos

De uma geração anterior à dos três, o presidente da Câmara Municipal Fábio Ribeiro (PSD) parece ter aprendido a lição de uma semana conturbada. Em que, a despeito do governo ter aprovado 12 dos seus 13 projetos, três deles com cortes a servidores, outra contabilidade revela o preço: uma situação que tinha no último domingo 22 vereadores e chega a este sábado com apenas 15. No programa Folha no Ar de ontem, na Folha FM 98,3, falando sobre a aprovação parcial do pacote de Wladimir, Fábio admitiu o erro (confira aqui) de não dar aos seus colegas edis mais tempo para apreciação devida dos projetos. E garantiu que não irá repeti-lo.

O presidente da Câmara faria outro favor ao prefeito se, antes deste esgotar sua complexa pauta administrativa, não desengavetasse mais a pauta política de tentar aprovar retroativamente as contas de 2016 da ex-prefeita Rosinha (Pros). O ex-governador Anthony Garotinho (sem partido) quer porque quer. E, pelo bem do governo do filho, tem que finalmente aprender a ouvir: não!

 

Publicado hoje (29) na Folha da Manhã

 

Semana mais tensa do governo Wladimir Garotinho sob análise

 

Prefeito Wladimir Garotinho (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)

 

Era uma sexta-feira 13 de dezembro de 2019, quando oito vereadores decidiram romper com o governo Rafael Diniz (Cidadania) e barraram seu pacote de oito projetos de austeridade. Nas sessões de terça (25) e quarta (26) da semana até aqui mais tensa do governo Wladimir Garotinho (PSD), este conseguiu aprovar 12 dos 13 projetos do seu pacote de austeridade. Os três mais polêmicos, de cortes em benefícios do servidor, pelo placar de 14 a 9. Mas teve que tirar da pauta a proposta de alteração do Código Tributário, porque nela perderia os votos dos vereadores Fred Machado (Cidadania), Raphael Thuin (PTB) e Bruno Vianna (PSL), que apoiaram a posição contrária do setor produtivo da cidade. As dificuldades do Executivo no Legislativo existiram porque outros seis edis romperam com o governo. O que com Rafael demorou quase três anos para acontecer, não esperou cinco meses com Wladimir.

 

Mobilização do setor produtivo de Campos na Câmara na quarta (26) foi fundamental para o projeto de alteração do Código Tributário ser retirado de pauta (Foto: Folha da Manhã)

 

Deputado estadual e virtual secretário de Governo do RJ, Rodrigo Bacellar

Oposição de Rodrigo

O governo acusou interferência do deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD), que teria estimulado a ruptura de vereadores até esta semana governistas: Helinho Nahim (PTC), Maicon Cruz (PSC), Thiago Rangel (Pros), Rogério Matoso (DEM), Anderson de Matos (Republicanos) e Igor Pereira (SD). Este, aliado antigo dos Bacellar, anunciou na segunda (24) que deixava a Fundação Municipal da Infância e Juventude para voltar à Câmara. E votar contra a gestão que abandonava. Em 2019, Igor liderou o racha na base legislativa de Rafael.

Wladimir reagiu exonerando os DAS indicados pelos seis edis que votaram contra seu pacote, prometendo fazer o mesmo com os RPAs. O golpe pareceu doer na quarta, quando a imprensa carioca deu como perdida a pretensão de Rodrigo de ser secretário estadual de Governo. Mas em reviravolta na quinta (27), a mesma mídia da capital noticiou que o deputado de Campos ganhou a pasta que queria do governador Cláudio Castro (PSC). Nela poderá abrigar os demitidos pelo prefeito de Campos. E alimentar a oposição goitacá.

 

Página 11 da Folha da Manhã de 5 de setembro de 2020

 

Crise sem “solução mágica”

Para submeter as disputas políticas à demanda da sociedade que os políticos deveriam servir, entre julho e setembro de 2020, a Folha promoveu uma série de 11 painéis (confira aquiaquiaquiaquiaqui, aquiaqui, aqui, aquiaqui e aqui) sobre a grave crise financeira de Campos. Que serviu de freio à boca de qualquer “solução mágica” dos 11 candidatos a prefeito da cidade, na eleição vencida por Wladimir. Naquele trabalho de três meses, foram ouvidos 34 representantes da sociedade civil organizada. Quatro deles voltaram para analisar os cinco meses, pontuados neste final de maio tenso, do governo eleito nas urnas de novembro. Em ordem alfabética, falaram o economista Alcimar Chagas, professor da Uenf; o advogado Cléber Tinoco, especialista em Direito Público; o cientista político Hamilton Garcia, outro professor da Uenf; e o jornalista político e servidor federal Ricardo André Vasconcelos.

Alcimar Chagas, economista e professor da Uenf

— O pacote do governo não traz impactos relevantes nas receitas correntes e cria conflitos desnecessários com os servidores e a população. No pacote tributário que foi retirado, fica evidente a inobservância sobre a baixa relevância das receitas próprias como elemento de base de cálculo. Em 2020, o município recolheu R$ 71 milhões de IPTU e R$ 14 milhões de ITBI, equivalentes, respectivamente, a 4,16% e 0,83% das receitas correntes. A tentativa de economia com pessoal é outro equívoco. A justificativa do prefeito, de se tratar de cobrança do TCE-RJ sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal, não é razoável. Em 2020, as despesas com pessoal e encargos representaram 55,47% das receitas correntes realizadas, acima do limite de 49%, em função do início da pandemia. Mas em 2019, ano anterior à pandemia, as mesmas despesas representaram 45,03% das receitas correntes. Apesar da pandemia, a economia vem dando algumas respostas. Para o município existe a expectativa de crescimento das receitas correntes em torno de 17% em relação ao ano passado — analisou em números o economista Alcimar Chagas.

Cléber Tinoco, advogado especialista em Direito Público

— Se o município pode contratar pagando menos com o pregão eletrônico, por que ainda usa a forma presencial, que é menos eficiente? Não fazendo economia, o governo perde legitimidade para adotar medidas amargas contra servidores e contribuintes. A Câmara está claramente dividida, não existe consenso sobre as propostas do Executivo, especialmente quanto à elevação da carga tributária. A oposição, para se livrar das críticas, deve propor um debate público sobre o orçamento, envolvendo a sociedade civil e servidores, em busca de soluções para a queda da arrecadação. Deve discutir o pregão eletrônico e cobrar o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, a começar pela divulgação de documentos de transparência, que permitem diagnosticar problemas e apontar soluções. Utilizar cargos e empregos precários, como RPAs, em troca de apoio político, embora seja prática antiga, não deixa de ser uma forma de corrupção. Em todo cenário de crise econômica e fiscal, as discussões se tornam mais duras e ásperas. Em Campos não é diferente — observou o jurista Cléber Tinoco.

 

Caio Vianna, ex-candidato a prefeito e secretário de Ciência e Tecnologia de Niterói

Oposição de Caio

Durante a semana, quem também tentou engrossar a oposição a Wladimir foi seu adversário no segundo turno de 2020, mais disputado da história política de Campos: Caio Vianna (PDT). Na segunda (24), véspera da votação do pacote da Prefeitura na Câmara, o hoje secretário de Ciência e Tecnologia de Niterói divulgou comunicado oficial como presidente do PDT goitacá. Nele tentou orientar a bancada do partido: “Voto contrário a todo e qualquer projeto que implique no corte de direitos e salários dos servidores municipais, bem como o voto contrário a qualquer projeto que proponha aumento de tributo”. E os três vereadores pedetistas, Luciano Rio Lu, Marquinho do Transporte e Leon Gomes, ignoraram solenemente o filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT). Não só votaram para aprovar os três projetos com cortes ao servidor, como votariam pela alteração do Código Tributário, não fossem Fred, Thuin e Bruno.

Em 2020, Caio e Rodrigo ensaiaram uma aliança, em que o primeiro apoiaria o segundo a prefeito. Mas que acabou desfeita quando o pedetista rejeitou os termos do acordo do deputado. Especula-se que, se confirmada, a união poderia ter mudado o rumo dos acontecimentos. O fato é ambos hoje parecem estar juntos, ainda que não necessariamente aliados, na oposição a Wladimir. Não só contra o pacote, como em relação à nova votação das contas de 2016 da ex-prefeita Rosinha Garotinho (Pros), cuja reprovação foi recomendada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), confirmada pela Câmara Municipal em 2018, sendo anulada na atual em fevereiro deste ano, sob presidência do vereador Fábio Ribeiro (PSD). Foi a primeira polêmica da nova Legislatura, que influenciou diretamente na mais recente.

 

Anthony Garotinho, ex-governador do Rio

Reunião com Garotinho

O plano inicial do governo era fazer em sequência as votações do pacote e das contas de Rosinha. Mas como estas precisariam de 17 vereadores para serem aprovadas, por conta do parecer contrário do TCE, e o governo só conseguiu 14 para aprovar parcialmente o pacote, a pauta política foi engavetada para aguardar momento mais favorável. Antes disso, na noite do dia 15, um domingo, o assunto foi tema de uma reunião na casa mais famosa da Lapa. Liderada pelo ex-governador Anthony Garotinho (sem partido), junto a Wladimir, Fábio e outros 13 vereadores então governistas. Muitos achavam que seria para discutir o pacote, mas ao defender unicamente a aprovação das contas da esposa, Garotinho advertiu aos edis: “Não é bom brigar com o governo. Ele tem dentes. E pode morder”. A declaração foi interpretada como ameaça e começou a gerar as distensões nos parlamentares em dúvida ou já dispostos a não votar contra o parecer do TCE, para se manterem aliados ao governo.

Hamilton Garcia, cientista político e professor da Uenf

— Garotinho luta por seu legado, o que é natural, assim como o opositor de Wladimir o faria diante de seu genitor. O que não deveria ser natural, embora o seja, é a aceitação popular dessas práticas. O custo delas, de certo modo, estava embutido na eleição de Wladimir, e seus custos serão rateados por todos no futuro. Assim como os custos do passado estão sendo no presente. Os vereadores ligados aos Vianna foram coerentes com o legado do patriarca do grupo, apesar de terem passado por cima da orientação do herdeiro, no papel de opositor. Caio, se estivesse no poder, certamente agiria da mesma maneira que Wladimir, diante da ameaça a seu legado familiar, com o apoio do pai provavelmente. E sofreria a mesma ação “oposicionista” dos Garotinho. Só vejo prejuízos para a governabilidade, na medida em que essa tentativa de autoproteção clânica arranha a imagem de um governo empenhado em mudanças de rumo. O que, guardadas as devidas proporções, encerra perigos semelhantes aos que acometeram o governo Bolsonaro — comparou o cientista político Hamilton Garcia.

Ricardo André Vasconcelos, jornalista, servidor federal e ex-secretário de Comunicação do primeiro governo Anthony Garotinho em Campos

— O jovem e até então promissor prefeito estava conseguindo construir uma imagem de administrador sensível em cinco meses de governo. Até que a politicagem colocou uma pedra em seu caminho. Essa história de anular a sessão realizada da Legislatura anterior que aprovou o relatório do TCE, que indicava reprovação das contas da mãe do prefeito, foi um tiro no pé. Seria o caso, por exemplo, se Caio tivesse vencido a eleição e convencesse a Câmara a anular a reprovação das contas de seu pai, Arnaldo, e votar de novo. A manobra não se sustenta juridicamente, revela a subordinação de parte da Câmara aos caprichos garotistas e desnuda o prefeito como fiador da malsinada tentativa. Aí se vê, pela primeira vez desde que Wladimir assumiu o governo, as digitais de Garotinho pai e muitos eleitores que acreditaram na prometida independência de Garotinho filho podem abandoná-lo. Isso, com certeza, vai criar obstáculos ao clima que estava se criando no município para reconciliação da sociedade civil com a política em busca de uma solução a médio prazo para a crise econômica — concluiu o jornalista Ricardo André Vasconcelos.

 

Página 2 da Folha da Manhã de hoje (29)