Dr. Geraldo Gusmão em homenagem pelos filhos

 

 

Parabéns ao nosso pai, nosso grande amor!

Por Beatriz Maria, Bernadette, Ana Teresa e Artur Gusmão

 

Dr. Geraldo Gusmão

Hoje nosso coração está em festa! É tempo de celebrar e agradecer ao Senhor a vida do nosso pai que completa 90 anos!

Em 31/10/1931 nascia nesta cidade Geraldo Arthur Gusmão Rodrigues, filho de Zita Gusmão Rodrigues e João Higino Rodrigues. Aqui cresceu sob os cuidados e o colo amoroso da sua tia avó materna, D. Josefa Gusmão. Sua infância foi também marcada pela formação religiosa, que teve início na Catedral de São Salvador, onde atuou como coroinha junto ao saudoso Pe. Rosário. Nascia aí uma história de fé, entrega e amor aos ensinamentos do Pai.

Papai iniciou sua escolaridade nos colégios da cidade, tendo sido marcante na sua vida a passagem pelo Liceu de Humanidades de Campos, onde cursou o antigo ginasial e o curso clássico. Tamanha identificação fez dele um liceísta apaixonado, carregado de memórias e saudade, sempre cantando os versos do Hino do Liceu: “Liceísta sempre avante pela glória do Liceu… Que evocamos com orgulho, ó Liceu, Liceu, Liceu!”

Com a maioridade, mudou-se para o Rio de Janeiro onde foi servir ao Exército, em 1950. Em seguida passou a residir em Niterói, a fim de cursar Medicina na Universidade Federal Fluminense. Niterói foi palco não só da sua formação profissional, mas também do encontro com o grande amor da sua vida, Ariema Barbeitas Gusmão. Ali começava a nossa história.

Com o término dos cursos, ele formado em Medicina e ela em Letras, retornaram a Campos onde se casaram em 1958 na Capela Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, sob o manto protetor de Maria. Foi mamãe quem possibilitou a construção do maior sonho da sua vida: nossa família. Somos cinco filhos frutos de um imenso amor, de uma profunda fé e retidão em todos os passos e escolhas feitas por eles ao longo da vida.

Como médico traumato-ortopedista trabalhou em diversos hospitais: Hospital Ferreira Machado, Santa Casa de Misericórdia de Campos, Sandu, Plantadores de Cana e Beneficência Portuguesa, sempre comprometido com a vida humana.

Ao se aposentar realizou o sonho de voltar ao Liceu novamente como aluno nos cursos de Francês, Inglês e Espanhol. Essa paixão por aprender preenche os seus dias até hoje, se dedicando com afinco às palavras cruzadas, leitura de livros, jornais e do Evangelho. Nesse período ele também aproveitou para intensificar as suas caminhadas pela cidade, percorrendo as pontes que cruzam o rio Paraíba.

Cada caminhada na planície Goitacá, sobretudo nas manhãs de sol e céu azul, enchem os seus dias de emoção, ânimo e luz! Encontrá-lo caminhando é sempre uma alegria contagiante! Tamanha paixão por Campos, revivida em pequenos passeios, o faz recitar outros versos, aqueles do hino da nossa cidade: “Campos intrépida Formosa, terra feita de luz e madrigais”, além de lembrar histórias que nunca saíram do seu coração.

Papai é um eterno apaixonado pela natureza. Seu encanto pela lua e suas fases, pelas estrelas que brilham e saltam na imensidão da noite, o tornam uma pessoa simples, desprendida, tomado pela esperança. Olhando para ele, a gente pensa que a felicidade está logo ali, ao alcance da mão.

Difícil em meio a tantas lições que ele nos dá diariamente, falar apenas de algumas. Mas talvez uma das maiores seja o exercício permanente da sua fé em Deus. Parece que quanto mais surgem os imprevistos e dificuldades da vida, maior é a sua fé! Guiado pelo Salmo 22, do Bom Pastor, ele segue firme, amparando todos nós.

Um outro presente que guardamos em nós é o seu amor por mamãe, um amor cuidadoso, companheiro, eterno e cheio de encanto pela mulher admirável que ela sempre foi. E ainda o seu amor pela família, por nós, seus filhos e netos, um amor sempre carregado de preocupação, comprometido com a nossa felicidade, respeitoso com as nossas escolhas e atento às nossas necessidades, mesmo depois que crescemos e nos tornamos pais.

Papai chega aos 90 anos com uma autonomia admirável, uma memória cristalina e com o mesmo encanto pela vida, que tanto nos apaixona, apesar das perdas imensuráveis vividas ao longo desses anos. Ao celebrar 90 anos ele continua sendo um exemplo e uma força incomparáveis nas nossas vidas!

Hoje nós escolhemos um verso da canção “Oração pela Família”, para o seu aniversário: “Que seus filhos vejam a força que brota do amor”. Sua história de vida, papai, traduz essa força que brota do amor. Nós, seus filhos, netos, genros e noras, somos testemunhas deste amor. Não há no mundo presente como esse! Seu amor e a sua oração nos acompanham e nos inspiram todos os dias!

Para o senhor, a nossa admiração sem tamanho, a nossa gratidão mais profunda e o nosso eterno amor!

Dos seus filhos,

Geraldo José (in memorian), Beatriz Maria, Bernadette, Ana Teresa e Artur.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Acordo Alerj/Uenf/Campos pela reforma do Arquivo

 

Presidente da Alerj, André Ceciliano; reitor da Uenf, Raul Palacio; e o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho, em parceria pela restauração do Arquivo Público de Campos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

A Alerj, via Uenf, vai bancar a restauração do prédio secular do Arquivo Público Municipal de Campos, assim como a digitalização do seu arquivo. Foi o que informou ao blog nesta tarde o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PSD), em acordo firmado com o presidente da Alerj, deputado André Ceciliano (PT). Em visita desde ontem a Campos, ele deu na manhã de hoje uma entrevista exclusiva ao programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3.

O valor do acordo será de R$ 20 milhões, resultado da economia da Alerj, que será repassado na forma de recursos duodécimos à Uenf. Que executará junto à Prefeitura a reforma do Arquivo. O projeto é fruto da parceria do município com a Sociedade Artística Brasileira (Sabra). E já se encontra sob análise do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Pelo qual é tombado o prédio erguido pelos jesuítas no século XVII, que abriga o Arquivo.

Na próxima semana, junto com Ceciliano, o deputado estadual Bruno Dauaire (PSC), aliado político de Wladimir, vai levar a proposta do convênio entre Alerj, Uenf e Prefeitura de Campos, para a aprovação da Mesa Diretora do Legislativo fluminense. A reforma do Arquivo é um pleito antigo, considerado fundamental pelo setor cultural goitacá.

— Sem dúvida alguma, é uma bela iniciativa. Mais uma vez, a Uenf participando como indutora e realizadora de ações coletivas, de projetos de interesse da sociedade. De qualquer forma, preciso conversar com o prefeito sobre a metodologia para a execução do projeto — explicou o professor Raul Palacio, reitor da Uenf.

Rafaela Machado, diretora do Arquivo Público de Campos

— A notícia desse acordo entre a Alerj, a Uenf e a Prefeitura Campos pela viabilização financeira da reforma do Arquivo chega para concretizar e efetivar os projetos que o Arquivo vem desde o início do ano trabalhando em conjunto com a Sociedade Artística Brasileira. Essa é a concretização de anos de trabalho e de luta pública empenhada pelo Solar e pelo Arquivo. É o reconhecimento da importância do Arquivo e do Solar para a nossa história regional e para a cultura fluminense. Registro de público meus agradecimentos ao prefeito Wladimir Garotinho, ao deputado André Ceciliano e ao reitor da Uenf, Raul Palacio, pela demonstração de interesse e apoio nessa causa e pelo real comprometimento com o Arquivo e com o Solar — comemorou a historiadora Rafaela Machado, diretora do Arquivo.

Edmundo Siqueira, blogueiro do Folha1 que tem se dedicado à luta pelo Arquivo Público de Campos

— O Arquivo Público de Campos tem um valor inestimável, não apenas para Campos, mas como guardião de memória e história de toda região. É sem dúvida o equipamento cultural mais importante que temos, pelo seu acervo, seus serviços prestados e por estar instalado em uma construção tão simbólica e representativa. Nesses 20 anos de existência, o Arquivo enfrentou muitas dificuldades. E, mesmo negligenciado em alguns momentos, soube resistir, principalmente por contar com uma equipe tão qualificada e apaixonada. Parabéns ao prefeito Wladimir por ter a sensibilidade de reconhecer a importância desse patrimônio, desse essencial equipamento cultural, que pode fazer ainda muito mais, inclusive com a recente indicação legislativa para criação do Fundo do Arquivo. Parabéns a todos que contribuíram com essa história até aqui. E agradeço também ao deputado André Ceciliano pela oportunidade de continuarmos essa bela construção de identidade de toda região — disse o servidor federal Edmundo Siqueira, que tem se dedicado à luta pela preservação do Arquivo Público como blogueiro do Folha1.

 

Presidente da Alerj, Ceciliano no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta sexta (29), quem fecha a semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, André Ceciliano (PT). Ele integra a série de entrevistas que a rádio mais ouvida de Campos e região tem feito com vários protagonistas da política estadual e nacional.

Ceciliano falará sobre a proposta do Fundo Soberano Estadual dos Royalties, e sobre a atuação da Alerj na pandemia da Covid-19 e na venda da Cedae. Por fim, ele falará da sua pré-candidatura a senador, da sua sucessão no comando da Alerj e do casamento entre as eleições de 2022 a governador do RJ e presidente da República.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Às escuras e esburacada, procura-se governo em SJB

 

Registros de ruas escuras, esburacadas e alagadas em todo o município de SJB revelam quadro de abandono (Fotos: Facebook/Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Jorge Fernando Hissa, secretário de Obras de SJB

SJB tem explicações a dar

Na manhã de hoje, o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o secretário de Obras de São João da Barra, Jorge Fernando Hissa. Como responsável pela pasta no governo Carla Machado (PP), ele terá muitas perguntas a responder da bancada do programa de rádio mais ouvida de Campos e região, composta pelo radialista Cláudio Nogueira e pelo Arnaldo Neto, que é sanjoanense, criado no balneário de Atafona. Não só na praia tradicionalmente frequentada também por campistas, o quadro de abandono de todo o município de SJB tem causado revolta em seus moradores. Inclusive naqueles que sempre foram carlistas.

 

Analiel Vianna, vereador governista de SJB

Município refém da escuridão e buracos

As reclamações sobre a iluminação pública e os buracos espalhados por todas as vias sanjoanenses são generalizadas. O quadro de abandono já é ecoado na Câmara Municipal de SJB, até entre os vereadores da situação. No último dia 19, o vereador governista Analiel Vianna (Cidadania) levou ao plenário do Legislativo um requerimento à secretaria municipal de Obras, para substituição de postes e refletores do campo de futebol do Açu. Em tom de desabafo, ele lembrou das constantes aprovações de excesso de arrecadação municipal, enquanto munícipes reclamam de ruas esburacadas e falta de iluminação.

 

Elísio Rodrigues, vereador governista de SJB

Cinco mil postes apagados

Naquela sessão da Câmara de SJB, o presidente governista da Casa, vereador Elísio Rodrigues (PL), contabilizou que o município já tem cerca de 5 mil postes apagados. Ele cobrou ação por parte da Prefeitura para a solução do problema, que também é de segurança pública. Elísio salientou, ainda, que a secretaria de Obras já prometeu três vezes que a falta de manutenção do serviço de iluminação pública seria solucionada, sem que nenhum prazo tenha sido cumprido. A Casa aprovou uma indicação assinada por todos os parlamentares, propondo ao Executivo a elaboração de um processo licitatório para terceirizar a iluminação pública.

 

Junior Monteiro, vereador governista de SJB

Contraste gritante

Cidade tradicional em sua polarização entre Congos e Chinês, “abelhas” e “marimbondos”, as cobranças ao governo Carla hoje são uma unanimidade em SJB. O vereador governista Analiel lembrou que as queixas não são mais de “figurinhas carimbadas”, ou “reclamões” das redes sociais. A situação chegou a tal ponto, que outro vereador governista, Junior Monteiro (Cidadania), relatou que moradores de Quixaba estavam arrecadando dinheiro para pagar um eletricista e buscar uma solução à iluminação pública. Isso no mesmo 5º distrito onde está instalado o Porto do Açu, no contraste gritante entre desenvolvimento e abandono.

 

Alan de Grussaí,vereador governista, e Danilo Barreto, candidato a vereador de SJB mais votado na “pedra”

Dinheiro não falta

Outro vereador governista, Alan de Grussaí (Cidadania) chegou a cobrar que o secretário de Obras Jorge Hissa entregue seu cargo, se não atender à população. Alan ressaltou que o município deve ter recorde de arrecadação. Com orçamento previsto de R$ 430 milhões para 2021, é esperado que ultrapasse os R$ 500 milhões. Candidato a vereador mais votado na “pedra” em 2020, embora não tenha sido eleito, o jovem administrador público Danilo Barreto (Patri), hoje diretor de Eficiência Governamental da Prefeitura de Brusque (SC), foi direto ao falar do seu município no Folha no Ar do último dia 21: “Não falta dinheiro, falta governo”.

 

Alcimar Chagas, economista, professor da Uenf e residente de SJB

Receita sem bem-estar

Professor da Uenf e residente em SJB, o economista Alcimar Chagas analisou a contradição: “São João contraria a tese de que uma maior receita orçamentária garante o bem-estar do cidadão. Neste ano, as receitas orçamentárias devem atingir R$11.842,85 por habitante, valor 3,63 maior que Campos. Mas o governo não tem compromisso com a população. O atendimento na saúde pública é precário. Os constantes alagamentos na área rural isolam os produtores. Na área urbana, os jovens não têm perspectiva. Empreendedores são inibidos e avança o desemprego. Isso numa cidade que tem o Porto do Açu e é produtora de petróleo”.

 

Hamilton Garcia, cientista político, professor da Uenf e residente de SJB

Descaso ambiental

Outro professor da Uenf e residente em Atafona, ontem o cientista político Hamilton Garcia denunciou que o abandono de SJB também é ambiental. Ele denunciou um bugre sem placa cujos ocupantes tiraram estacas de proteção para trafegar à beira-mar, mas nada foi feito: “O Projeto Tamar deixou de atuar nas praias de SJB por falta de colaboração municipal. Tenho conhecimento de fiscais ambientais que atuam sem apoio e são motivo de riso, por parte de colegas comissionados. Não vejo intencionalidade contra o meio-ambiente, mas de um descaso universal com a coisa pública, numa sociedade que valoriza o favor e o compadrio”.

 

Prefeita Carla Machado e deputado estadual Bruno Dauaire

Única obra que avança

Vereador governista de SJB, Elísio foi direto: “nossa prefeita e alguns secretários, não só o de Obras, não tratam o assunto da forma emergencial como deveriam”. No Folha no Ar de 28 de maio de 2020, quando o entrevistado foi o deputado estadual Bruno Dauaire (PSC), foi dito a ele que Carla Machado conquistaria seu quarto mandato como prefeita com 70% dos votos válidos. Em novembro, ela seria reeleita com 69,72%. Com a mesma independência na análise dos fatos, alvo da reprovação popular geral, Carla hoje teria sérias dificuldades para fazer seu sucessor. Em SJB, as únicas obras que avançam são no antigo bar da prefeita em Atafona.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

Bolsonaro a senador ou deputado federal em 2022?

 

Jair Bolsonaro, Aluysio Abreu Barbosa, Elio Gaspari e Diogo Mainardi (Montagem: Joseli Mathias)

 

Ninguém que conhece algo de política tem dúvida: o Auxílio Brasil de R$ 400,00 é a última cartada do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para tentar sua reeleição em 2022, daqui a menos de um ano. Com 59% de rejeição, segundo a última pesquisa Datafolha, índice negativo muito próximo ao aferido por todos os demais institutos, o capitão hoje não tem chance aritmética de vencer uma eleição em dois turnos — em que o segundo só existe para que um dos candidatos atinja o mínimo de 50% +1 dos votos válidos.

Se não conseguir reverter sua rejeição proibitiva, e acossado pelo relatório da CPI da Covid no Senado, que pediu seu indiciamento por nove crimes, é possível que Bolsonaro desista da corrida presidencial para se candidatar a senador ou deputado federal. Eleições que poderia conquistar com relativa facilidade, assegurando o foro privilegiado do Supremo Tribunal Federal (STF). Pois se concorrer à reeleição a presidente e perder, vira cidadão comum a partir de 1º de janeiro de 2023. Quando poderá ser acusado, julgado e condenado, como foi Lula (PT), em qualquer tribunal de 1ª instância do país.

Sem contar que, com o pedido de indiciamento por crimes contra a humanidade, Bolsonaro poderá também ser julgado pela Corte Penal Internacional de Haia, na Holanda, segundo o Estatuto de Roma, do qual o Brasil é signatário.

Essa possibilidade de Bolsonaro concorrer a senador ou deputado federal em 2022, a depender do impacto no Auxílio Brasil — nome bolsonarista ao Bolsa Família, por sua vez um nome petista ao Bolsa Escola implantado no governo federal Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 2001 — nas pesquisas, foi levantada na abertura do programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, no início da manhã da última quinta (21). Foi no dia seguinte à apresentação do relatório da CPI da Covid. Confira no vídeo abaixo:

 

 

E, para confirmar que, da planície goitacá, é possível se enxergar as vereadas abertas no horizonte do Planalto Central, hoje o Elio Gaspari, mestre do jornalismo brasileiro, aventou a mesma possibilidade. Confira na transcrição abaixo da nota em sua coluna dominical de O Globo:

 

“Bolsonaro no Congresso

Um leitor de folhas de chá acredita que se Jair Bolsonaro perceber que não terá chances de vitória na eleição presidencial procurará abrigo numa disputa para o Senado, ou mesmo para a Câmara.

Se isso acontecer, o recuo do capitão nada terá a ver com apreço pelo Legislativo. Será uma busca de imunidade.”

 

Outro jornalista de renome nacional, o Diogo Mainardi também dialogou hoje com a possibilidade de Bolsonaro desistir da corrida presidencial e concorrer a senador, pelo medo de ser preso. Confira abaixo:

 

“Senador Bolsonaro

Para escapar da cadeia, Jair Bolsonaro pode desistir do Palácio do Planalto e buscar a imunidade elegendo-se para o Congresso Nacional.

Jair Bolsonaro, se perceber que não tem chance de se reeleger, pode desistir da disputa presidencial e se refugiar no Senado, segundo Elio Gaspari.

‘Será uma busca de imunidade’.

É só um chute do jornalista, que não importa como previsão sobre o futuro, e sim como retrato do presente: a prioridade do sociopata — e que condiciona todas as suas escolhas — não é mais permanecer no Palácio do Planalto. Neste momento, pressionado pelo relatório final da CPI da Covid, que revelou seus crimes contra a humanidade, ele pensa sobretudo em evitar a Papuda.”

 

Bolsonaristas certamente negarão a possibilidade — ou “chute”, como bem definiu o Mainardi. Assim como negam todas as pesquisas. Mas, a depender das próximas, poderão ser deixados pelo seu “mito” de broxa na mão. Como já ficaram na tentativa frustrada de golpe no último 7 de setembro. Na dúvida, refresque a memória com o vídeo abaixo:

 

 

Após miar no golpe militar, Bolsonaro tenta o golpe fiscal

 

(Foto: Orlando Brito)

 

 

Ricardo Noblat, jornalista

O golpe fiscal poderá fazer tanto mal ao país quanto faria o militar

Por Ricardo Noblat

 

Os demais Poderes assistem em silêncio, assim como os aspirantes à presidência na eleição do ano que vem, o avanço do governo de Jair Bolsonaro sobre o dinheiro público no esforço de permanecer no poder pelo menos até 2026 — quem sabe mais. Bolsonaro sempre se disse contra a reeleição. Se reeleito, por que não abolir a proibição de se candidatar pela terceira vez consecutiva?

No final do seu segundo mandato, Lula flertou com essa possibilidade. Era o presidente mais popular da história do país e deixaria o cargo com mais de 80% de aprovação. Tomara de Getúlio Vargas a legenda de “o pai dos pobres”. Talvez não lhe faltasse apoio no Congresso para obter o que desejava. Convenceu-se que não deveria tentar porque pagaria um preço alto por isso.

Mais fácil seria esperar que se esgotasse o primeiro governo de Dilma para retornar em triunfo à presidência. Foi o cálculo que também fez Fernando Henrique Cardoso depois de governar por oito anos. Transferiu a faixa à Lula com a esperança de que ele se desse mal e que, ao cabo, o país suplicasse por sua volta. No caso de Lula, Dilma bateu o pé, disputou a reeleição e venceu.

Bolsonaro provou à farta até aqui que não se apega a escrúpulos. Não é que tenha poucos, não tem nenhum. Ninguém é seu amigo o bastante para que não possa ser descartado. Acima dos interesses do país estão suas conveniências e as de sua família. Pegou carona na Lava Jato para se eleger, mandou para o lixo o combate à corrupção. Desprezou vidas para que a economia não afundasse.

Convenceu-se de que só terá alguma chance de se reeleger se arrombar o teto dos gastos, pedalar a lei de responsabilidade fiscal e provocar mais inflação, tudo a pretexto de socorrer os brasileiros mais pobres em troca, naturalmente, do seu voto. E é assim que fará, pouco importa que minta dizendo o contrário. E nada se desenha no momento capaz de detê-lo.

É como se o país tivesse concluído que pior foi quando Bolsonaro conspirou a céu aberto para destruir a democracia. Golpe por golpe, o fiscal seria menos gravoso. Mas quem disse que ele se converteu à democracia? Só por que deu para elogiar a Justiça com medo de que prenda seus filhos? Ou por que nunca mais falou em contestar os resultados das próximas eleições?

À vontade para agir com o firme propósito de reverter uma possível derrota, Bolsonaro ainda dispõe de mais de um ano para fazer muito mal ao Brasil. Cabe impedi-lo de ser bem-sucedido.

 

Publicado hoje no Metrópoles.

 

A semana de Campos e do Brasil na mesa do bar

 

 

Rafael Diniz

— E as contas de Rafael de 2020? Como diria o Bento Carneiro, vampiro brasileiro do genial Chico Anysio: “se lascou-se”? — abriu os trabalhos Ivan, após molhar a palavra na mesa de bar com o primeiro gole de Original gelada.

— É possível. Mas convém esperar para ver o que o TCE diz das alegações dele, de que a recomendação pela reprovação, que será decidida na Câmara Municipal, foi baseada em informações viciadas repassadas pelo governo Wladimir. Mas se o TCE confirmar o parecer, exigirá 2/3 dos vereadores de Campos para ir contra e aprovar. De volta ao poder no município, os Garotinho não conseguiram isso para aprovar retroativamente as contas de 2016 de Rosinha. Cuja anulação da reprovação pela atual Legislatura é um aborto jurídico. Mas o fato é que fora do poder, com seus pífios 13 mil votos na tentativa de reeleição a prefeito em 2020, quando ficou em quarto lugar no primeiro turno e quase foi ultrapassado pela estreante Natália Soares, do Psol, a situação do ex-prefeito agora parece muito difícil — respondeu Aníbal, com a garganta também já umedecida de cerveja.

Marquinho Bacellar

— O vereador Marquinho Bacellar disse na tribuna da Câmara que, para o TCE reprovar no mesmo dia as contas de Rafael e aprovar as contas de Rosinha, “é só saber dar o milho à égua, que tem mágica; e o que tá chegando é milho para dar à égua”.

— Foi leviano e duas vezes desinteligente. Leviano porque, depois da prisão de vários conselheiros na operação Quinto do Ouro, o TCE foi saneado em 2017. O juiz de Campos Glaucenir Oliveira insinuou coisa semelhante, falando de “mala grande” para Gilmar Mendes tirar Garotinho da cana dura, também em 2017.

Anthony Garotinho

— Eu lembro. Foi pela operação Secretus Dommus e a última das cinco prisões de Garotinho. E olha que Glaucenir tomou um gancho do CNJ, a mando de Gilmar, pelo que falou, sem ter como provar, em um grupo de WhatsApp. O vereador falou publicamente. Mas você disse que ele foi leviano e teria sido duas vezes desinteligente. Desinteligente por quê?

— Porque divulgou fake news favorável aos Garotinho. O TCE só reviu uma única questão, relativa ao salário de Chicão, mas manteve sua indicação pela reprovação das contas de Rosinha. Bastava ler o blog do Arnaldo Neto, no Folha1, para ter acesso a jornalismo de verdade e não usar a tribuna legislativa para divulgar informação falsa em benefício dos seus inimigos políticos. E foi desinteligente de novo porque, ao defender Rafael, assumiu por tabela a “acusação” garotista de união entre os Bacellar e o ex-prefeito.

— Deve estar sendo mal orientado, como foi Rafael.

— Rafael, Ivan, talvez seja o sujeito de melhor caráter que foi prefeito ou prefeita de Campos nos últimos 25 anos. Mas também foi desinteligente e confundiu coerência com teimosia. Ele ignorou todos os conselhos para substituir alguns colaboradores mais próximos. Que até foram bem na campanha vitoriosa de 2016. Mas se revelaram um desastre no governo. E contaminaram este como a Covid, que terminou seus dias entubado em um leito de UTI.

Igor Pereira

— Fato, Aníbal. Governo não deve ser de áulicos, como os de Garotinho. Como não deveria ser uma patota de amigos, como foi o de Rafael. Mas ele também teve muito azar com as finanças, sobretudo em seu último ano de governo, com duas PEs zeradas, o que nunca tinha acontecido. Ele chegou a 2020 sem sequer ter Orçamento. Foi emparedado na Câmara, no final de 2019, pelo G8 liderado pelo vereador Igor Pereira, ligado aos Bacellar. E só conseguiu aprovar o Orçamento, com 20% de remanejamento, no início de 2020. O acordo foi costurado pelo então presidente da Câmara, Fred Machado, com o então deputado federal Wladimir.

— São as voltas que a planície dá. Esperto talvez seja o Caio, que só dá as caras por aqui em tempo de eleição. Nunca se elegeu, mas é sempre bem votado.

— E o Planalto?

— Em 1992, Collor sofreu impeachment por uma dúvida: usou ou não dinheiro de caixa 2 de campanha para comprar um Fiat Elba? Em 2016, Dilma sofreu o impeachment por uma dúvida: pedalada fiscal é ou não crime? Agora nós temos o relatório da CPI da Covid no Senado que pede o indiciamento do atual presidente por nove crimes. E deixou uma dúvida: Bolsonaro cometeu genocídio na pandemia, ou “só” crime contra a humanidade?

 

Fernando Collor de Mello e Dilma Rousseff, com Renan Calheiros à direita

 

— Você não está defendendo a Dilma ou dizendo que o relator Renan é um cara sério, está?

— Quem finge ignorar a corrupção sistêmica do PT em seus 13 anos no poder, a catástrofe econômica do governo Dilma, ou que Renan é mais sujo que pau de galinheiro, merece ser levado tão a sério quanto quem afirma que Piquet foi melhor piloto que Senna, ou diz ter esperança de que algo que preste saia de Bolsonaro.

 

Jair Messias Bolsonaro, presidente do Brasil com mais de 600 mil mortos pela Covid-19

 

— Sim, a CPI certamente não é feita de anjos. E, bom lembrar aos do “Deus acima de todos”, Lúcifer era um anjo.

— No mundo dos homens, o que importa é que a CPI provou, com fartura de evidências e testemunhos, a culpa do governo e seus generais vendidos no incentivo à contaminação dos brasileiros para se atingir a tal imunidade de rebanho, na produção e distribuição de cloroquina a quem morria sem oxigênio, no combate a medidas não farmacológicas como uso de máscaras, no atraso doloso na compra de vacinas, na corrupção na compra de outras, nos experimentos humanos da Prevent Senior, que nada ficam a dever ao que os nazistas fizeram no campo de concentração de Auschwitz, sob comando do médico da SS Josef Mengele. Que, talvez não por acaso, morreria afogado nadando na praia de Bertioga, no Brasil.

 

“Anjo da Morte”, Joseph Mengele foi responsável pela execução de 400 mil em Auschwitz

 

— E o novo Auxílio Brasil de Bolsonaro com o Chicago Boy convertido em fura teto Paulo Guedes? Que causou a debandada de quatro secretários do primeiro escalão do ministério da Economia?

 

Paulo Guedes

 

— Tiveram mais compromisso com suas biografias liberais do que Guedes. Como não teve com seu jaleco o ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, hoje ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Tão colega de Mengele quanto o tal do Mauro Luiz de Britto Ribeiro, presidente do Conselho Federal de Medicina. Que teriam seus CRMs cassados se a medicina no Brasil fosse mais digna do juramento de Hipócrates do que do seu corporativismo.

 

Colegas de Mengele, os também médicos Mauro Luiz de Britto Filho e Marcelo Queiroga

 

— Dar assistência social a quem está revirando o lixo para ter de comer, é uma necessidade. Mas, como tudo nesse governo, é uma medida eleitoreira feita à galega.

 

Cenas de brasileiros catando no lixo para ter o que comer se reproduzem no país

 

— Exato. Dinheiro não nasce em árvore. Até porque a causa é justa, deveria ser tratada com mais responsabilidade e compromisso. O governo não aprovou a PEC dos Precatórios, para dar o beiço em quem tem dívidas a receber transitadas em julgado com a União. Nem tem coragem de tirar das tais “emendas secretas”, feitas por Bolsonaro para os deputados e senadores do Centrão roubarem bilhões à vontade. É o suborno pago com dinheiro público para não ser posto em votação um dos mais de 120 pedidos de impeachment do capitão.

Lula e o deputado do PT Paulo Teixeira, autor da PEC que queria colocar canga no MP, derrotada na Câmara com Arthur Lira

— Bem, pelo menos Arthur Lira, líder do Centrão e presidente da Câmara, teve sua primeira derrota no Congresso, que barrou a PEC que queria colocar canga no Ministério Público. E sabe quem é o autor? O deputado Paulo Teixeira, do… PT!

— A vitória do MP, contra a união entre PT, Bolsonaro e Centrão, foi da sociedade. E, em nome dela, os doutores procuradores e promotores deveriam aproveitar a lição e instituir para ontem seu código de ética. Sua inexistência até hoje não é só um flanco aberto; é um absurdo!

— Mas e o Guedes? E o Guedesssh? — sibilou Ivan, como Caetano cantando “Qualquer Coisa”, com a boca molhada por mais um gole de Original gelada.

 

 

— Foi rebaixado. De Posto Ipiranga vendendo gasolina a R$ 7,50 o litro, a tesoureiro da campanha de Bolsonaro. A conta, com o aumento do desemprego e da recessão, será paga por todos nós — disse Aníbal, mirando a espuma restante no fundo do copo vazio.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Campos e região começam a sair da crise econômica?

 

Com aumento das receitas do petróleo em mais de 92% em relação a 2020, quando teve duas Participações Especiais (PEs) zeradas, Campos começa a sair da crise econômica nestes quase 10 primeiros meses de 2021? Esta, entre outras perguntas, foram feitas, em ordem alfabética, a Fábio Ribeiro (PSD), vereador, presidente da Câmara de Campos e do Parlamento Regional dos 22 municípios do Norte e Noroeste Fluminense; Igor Franco, especialista em finanças e professor do Uniflu; José Francisco Rodrigues, empresário e presidente da CDL, e o petroleiro José Maria Rangel (PT), diretor do Sindipetro-NF. Suas respostas, se não chegam a ser desanimadoras, demonstram o quanto a cidade e a região estão e continuarão a estar à mercê da incontrolável conjuntura internacional do petróleo. Assim como de suas próprias limitações de infraestrutura física, capital humano e desigualdade social. Cuja resolução urge para encarar processos inevitáveis, como a metropolização da região da Bacia de Campos. Entre as várias sugestões dadas por quatro pensamentos muitas vezes distintos, pontos de interseção, como o diálogo entre poder público e sociedade civil, foram estabelecidos neste painel.

 

Vereador Fábio Ribeiro, especialista em finanças Igor Franco, empresário José Francisco Rodrigues e petroleiro José Maria Rangel (Montagem: Elaibe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Folha da Manhã – Após um ano de 2020 economicamente muito difícil, com duas PEs ineditamente zeradas em agosto e novembro, tudo até aqui aponta um 2021 com finanças menos apertadas a Campos. Dá para dizer que saímos da crise?

Fábio Ribeiro – Lógico que não dá para dizer que saímos da crise, porém posso afirmar que estamos no caminho certo. Tivemos neste ano de 2021 a preocupação com equilíbrio fiscal. O município de Campos reduziu as despesas correntes e vem aumentando as suas receitas, tanto as de transferência como as próprias. Algumas medidas duras infelizmente precisaram ser tomadas, mas contribuíram com a redução com gasto de pessoal referente à Lei de Responsabilidade Fiscal, que bateu 54,5% em dezembro de 2020, em 54,5% e fechou o segundo quadrimestre de 2021 em 44,98%. Acredito que estamos no caminho certo.

Igor Franco – Se entendermos como “crise” a fase mais aguda, dado os preços de petróleo, que devem permanecer altos; e a cotação do dólar, que deve permanecer elevada; possivelmente teremos um 2022 mais tranquilo. O grande problema do município, entretanto, é estrutural: temos gastos elevados demais, rígidos e uma baixa eficiência geral na prestação de serviços à população. O grande perigo é imaginar que nosso problema foi superado pelo simples fato de não estarmos mais atrasando salários dos servidores. Devemos aproveitar o alívio momentâneo para buscar respostas de longo prazo para os nossos problemas fiscais.

José Francisco Rodrigues – De certa forma sim. As Participações Especiais estão sendo importantes para arrumar a economia do poder público municipal. Em uma visão maior, posso dizer que o setor produtivo privado também, aos poucos, vai se recuperando. Existem sinais claros disso, embora muitas empresas tenham fechado por causa da pandemia. Se não é um quatro bastante animador agora, posso dizer que não é mais tanto desanimador. E que estamos recuperando o tempo e o espaço perdidos.

José Maria Rangel – Essa melhora da situação fiscal é algo completamente conjuntural, em função do aumento do preço do petróleo internacional e de desvalorização do câmbio. É importante que a sociedade compreenda que a entrada dessas receitas não tem relação com a gestão do município, mas sim com o mercado internacional de petróleo. Por isso, se houver uma nova piora da situação externa, a cidade de Campos será afetada novamente. Infelizmente, esse resultado reflete os ciclos da indústria mundial de petróleo e não uma melhora robusta das finanças municipais.

 

Folha – O principal indicador da melhora na situação econômica é o acréscimo substancial o município que teve em royalties e PEs: somados de janeiro a setembro de 2020, foram R$ 208,4 milhões, 92,8% a menos que os R$ 401,9 milhões no mesmo período de 2021. Até quando Campos continuará refém das rendas do petróleo? Por que ainda somos dependentes após 30 anos de recebimento de royalties e mais de 20 de PEs?

Fábio – A independência dos royalties está sendo discutida pelo nosso Parlamento Regional, que reúne os 22 municípios das regiões Norte e Noroeste do estado. No mesmo período da pergunta, vivemos uma grande covardia, pois o estado vizinho do Espírito Santo, com uma alíquota bem menor que a nossa, acaba ganhando um grande número de investidores. Temos que lutar pela equiparação da alíquota e criar um grande plano de desenvolvimento econômico, que conste a vocação de cada município e o ponto em comum que é o agronegócio, os dois visando a industrialização. Estou muito motivado com o nosso futuro.

Igor – Poucos conseguem formular alternativas viáveis de receitas que suplantem a renda do ouro negro. A explicação é trivial: trata-se de uma receita que não tem qualquer esforço de arrecadação pelo município. A extração é privada ou a cargo de outro ente da federação; as receitas são calculadas e pagas por entes externos ao município e os valores são extremamente elevados. Do ponto de vista político, ainda haveria o desgaste de justificar para a população a necessidade de criar novos tributos, enquanto os cofres estão sendo plenamente abastecidos. Ou seja: é impopular e dá trabalho, tudo que qualquer político odeia.

José Francisco – Campos ainda vai continuar por um bom período refém dessas PEs e do petróleo propriamente dito. Isso porque continuamos não fazendo o chamado dever de casa. A gente continua usando mal os royalties. Esse dinheiro deveria ser acondicionado em um fundo de reserva, que muitos chamam de fundo soberano, para ser aplicado em momentos difíceis e também incentivar a nossa economia. Experimentos como o Fundecam não deram certos porque não se cobraram garantias. O certo seria usar esse dinheiro como uma reserva para momentos críticos e chamar a sociedade para debater.

José Maria – A miopia do grupo político que governa o município há 30 anos, com exceção de Rafael Diniz, mas que também fez uma gestão catastrófica, tem como efeito colateral essa dependência econômica de Campos em relação à indústria petróleo. Enquanto não houver nenhum governo que utilize esses recursos para criar alternativas as receitas do petróleo, tentando atrair novos empreendimentos e outras indústrias para o município, continuaremos dependentes dos royalties e PE até quando existir produção de petróleo por aqui.

 

Folha – Com a partilha dos royalties aprovada no Congresso Nacional e suspensa por uma liminar no Supremo desde 2013, a mudança de matriz energética para fontes limpas perseguida pela Europa e os EUA sob governo Joe Biden, e o fato dos nossos campos de petróleo serem maduros, explorados comercialmente desde 1977, qual o futuro da atividade? E para Campos?

Fábio – Observando com cautela a mudança das matrizes energéticas. Trazendo isso para nossa realidade, percebemos que Campos pode seguir essa tendência. Essa é uma crise que pode ser uma oportunidade para o nosso município, desde que haja planejamento. Nós temos a questão da energia solar que pode ser uma solução, as termoelétricas, a eólica. Podemos, sim, com planejamento, criar uma alternativa para o nosso município e regiões. Mesmo com a busca de energias limpas, acredito que teremos a manutenção da atividade petrolífera por um bom tempo, mas cientes de que é uma atividade finita.

Igor – A indústria do petróleo ainda deve ter vida longa. A tentativa de mudança rápida na matriz energética para fontes limpas, não-nucleares, está cobrando um alto preço no momento com a crise do gás natural na Europa. Os campos maduros da Bacia de Campos são menos produtivos e podem tornarem-se economicamente inviáveis, reduzindo substancialmente as receitas petrolíferas. Isso torna ainda mais urgente a estruturação de um plano de longo prazo para desenvolver ou resgatar vocações econômicas da cidade e da região. Que deveria ser uma preocupação não só municipal, mas também federal e estadual.

José Francisco – Ainda vamos ter, por algum tempo, uma economia regional girando em torno do petróleo. Mas temos que nos livrar dessa dependência, até porque uma hora o STF vai bater esse martelo. O Porto do Açu que tem uma termelétrica já funcionando e outra com obras iniciadas. Mas a gritaria ambiental contra o uso de combustível fóssil é uma agenda forte. Defendemos investimento em energia limpa e temos todas as condições para isso. Podemos ter grandes usinas de energia solar espalhadas pelo município e eólica também. Governos e instituições financeiras deveriam incentivar. São as matrizes energéticas do futuro.

José Maria – Não há dúvida que o mundo atravessa um período de grande mudança para produzir energia mais limpa. Apesar disso, o petróleo e o gás natural continuam sendo as principais fontes de energia do mundo, e ainda serão importantes por algumas décadas. O ideal é que as empresas de petróleo comecem a criar sinergia com a indústria de energia limpa. Na Noruega, já há casos de operadoras utilizando plataformas de petróleo para instalar estruturas de eólica offshore. Estudos realizados aqui na região, já indicam a Bacia de Campos pode seguir esse exemplo. Sou otimista com essa possibilidade para o nosso município.

 

Folha – Há notícias positivas também em receita própria. Em todo o ano de 2020, Campos gerou R$ 1,6 bilhão em notas fiscais de serviço emitidas pelos CNPJs do município. Em setembro de 2021, esse valor já tinha chegado a R$ 2,2 bilhões. E o governo Wladimir projeta que possa chegar perto dos R$ 3 bilhões até o fim do ano. Como você analisa?

Fábio – Discordo sobre esses números (na verdade, repassados por Wladimir). Temos um orçamento em 2021 de 1,7 bilhões e poderemos chegar no final do ano, perto de 2 bilhões, e a previsão do governo Wladimir para 2022 é de 1,9 bilhões. Eu acredito que devido à austeridade do governo Wladimir e pela busca do equilíbrio fiscal, poderemos ter um superávit no final do ano. E isso é logico, implicará no orçamento de 2022. Não sei precisar o valor corretamente. Essa discussão tem que ser com a sociedade civil em todos os segmentos, uma outra forma tributária, considerando a credibilidade que o governo vem conquistando.

Igor – A expansão da atividade econômica sempre deve ser comemorada. Campos é um polo geograficamente estratégico, possui uma infraestrutura universitária invejável e protagonismo histórico no interior do estado. Com a retomada forte dos investimentos no Porto do Açu, temos a oportunidade de estar entre duas grandes indústrias mundiais, petróleo e operações portuárias, além da tradicional força do comércio e serviços da planície. O trabalho do poder público deve ser buscar a sustentabilidade de longo prazo do crescimento. Commodities como petróleo e minério de ferro, que movimentam o Porto, são cíclicos por natureza.

José Francisco – São bons números, mas para que possamos deixar a condição de reféns dos royalties precisamos aumentar essa chamada receita própria. Não através de aumento de impostos e, sim, com o aumento da produção. Aumentar impostos neste momento é justamente impedir que o setor produtivo se recupere. Temos que aumentar essa arrecadação própria aumentando a produção, atraindo novos investimentos, incentivando a empregabilidade. As possibilidades são muitas.

José Maria – Vejo com bons olhos essa notícia. Além de gerar mais recursos para que o município possa investir, a emissão das notas fiscais evita a sonegação, com produtos e serviços de melhor qualidade. No entanto, acredito que Campos pode avançar mais, dando incentivos à população para solicitar nota fiscal, como fazem outros municípios do estado. Em Niterói, por exemplo, o programa NitNota fornece desconto do IPTU do próximo ano, quando uma pessoa exige a nota fiscal. A cada pagamento, o cliente receberá crédito de 10% do ISS efetivamente recolhido. Experiências como essas precisam ser adotadas em Campos.

 

Página 10 da edição de hoje da Folha

 

 

Folha – Passada a fase mais crítica da pandemia da Covid-19, em setembro a Azul retomou a venda de passagens para voos de Campos, Macaé e Cabo Frio aos EUA. E, no início deste mês, a inédita venda de voos comerciais regulares de Campos e Macaé à Europa. O que o mundo parece ver economicamente na região que nós temos que aprender a enxergar?

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Fábio – Campos está no centro das regiões Norte e Noroeste Fluminense e sendo uma cidade que é a maior do interior do estado, possui muitas características importantes: o maior numero de população, maior PIB, alternativas das matrizes energéticas, agronegócio, o petróleo, um comércio que pode voltar a ser pungente e um polo universitário que representa muito. O que vemos é uma circulação grande de dinheiro e depósitos bancários que são significativos. Porém, temos que melhorar muito a distribuição de renda e, principalmente, a oportunidade de crescimento e desenvolvimento de vida.

Igor – Campos e Macaé são as principais cidades do estado do RJ fora da região metropolitana da capital. Além disso, a presença de multinacionais ligadas à área de petróleo torna o eixo mais estratégico para companhias aéreas. Porém, a notícia me parece menos surpreendente do que à primeira vista. No site da companhia aérea que opera o trecho, é possível localizar passagens de São Félix do Araguaia (MT) para a Europa. Em tempo, a cidade mato-grossense possui 10 mil habitantes e um PIB de R$ 140 milhões de reais.

José Francisco – É uma boa expectativa, sinal de que estamos no mapa. Mostra que Campos é grande e tende a crescer ainda mais. A demanda para esse tipo de serviço, por tudo que passamos e ainda estamos passando, é pequena. Mas essa decisão da empresa Azul mostra que ela acredita no nosso potencial. Então digo que é uma expectativa plausível e animadora.

José Maria – Na melhor das hipóteses, como Campos possui dois voos diários para o Rio de Janeiro, um pouco menos de 5 mil cidadãos viajam todo mês, o que representa menos de 1% da população. Enquanto isso, o número de pessoas na miséria só cresce. Já são mais de 120 mil pessoas diretamente beneficiadas pelo Bolsa Família. Não acredito que esse seja o melhor parâmetro para medir uma suposta recuperação econômica, mas sim para mostrar a gigantesca desigualdade do município.

 

Folha – Representativo no passado, o setor produtivo de Campos tem retomado sua força política. Já havia enquadrado o governo Rafael Diniz e voltou a fazê-lo com Wladimir, no engavetamento do novo Código Tributário e na resistência ao reajuste do IPTU. Como equilibrar interesses muitas vezes antagônicos entre iniciativa privada e poder público?

Fábio – Estivemos reunidos com os representantes do setor produtivo e combinamos de fazer um fórum permanente de debates para um banco de ideias para o Legislativo e possíveis ações do Executivo. Não concordo com o engavetamento do Código Tributário ter sido só por força do setor produtivo, nós tivemos uma má condução do processo político. Dos 13 projetos apresentados pelo Executivo, 12 foram aprovados. O que teve reflexo na aprovação do TAG (Termo de Ajustamento de Conduta) junto ao TCE. E, agora, de uma forma mais tranquila podemos discutir juntos uma nova forma de participação na questão tributária.

Igor – No Brasil, toda classe possui algum tipo de benefício que precisaria revisto à luz do melhor interesse nacional. Alguém que esteja perdendo algum benefício não acredita que esse sacrifício será arcado por outros e, então, sente-se na posição perdedora. Isso é verdade, visto que políticas de ajustes no Brasil nunca são horizontais e, invariavelmente, algumas partes interessadas mantém seu quinhão preservado. O empresário sente que os políticos mantêm privilégios; o assalariado se acha mais afetado que o empresário; o pensionista se julga prejudicado em relação ao profissional da ativa. O resultado é um equilíbrio ruim para todos.

José Francisco – Com diálogo e debatendo exaustivamente cada ponto antagônico. A CDL defende os interesses do comércio, do segmento produtivo e da sociedade em geral. Não fizemos outra coisa este ano senão debatermos exaustivamente essas questões as quais você se referiu. O diálogo é uma ferramenta importante. Temos feito isso e colhidos resultados na medida do possível.

José Maria – O problema é que atualmente a maioria dos nossos representantes, na Câmara Municipal, estão atrelados, de alguma forma, ao setor produtivo. Por isso, quando são colocadas pautas que atendem seus interesses, mas prejudicam a maior parte da sociedade, são aprovadas tranquilamente. Todavia, quando o contrário acontece, há um grande tensionamento. Por isso, a dificuldade de aprovar o IPTU, mas a facilidade em aprovar a contribuição para iluminação pública. Esse maior equilíbrio só ocorrerá quando tivermos uma Câmara de Vereadores com mais representação da sociedade civil.

 

 

 

Folha – Na série de 11 painéis sobre a crise financeira de Campos (confira aquiaquiaquiaquiaqui, aquiaqui, aqui, aquiaqui e aqui), que ouviu 34 representantes diversos da sociedade civil organizada de julho a setembro de 2020, a Folha combateu o estelionato eleitoral na eleição a prefeito. Entre as discordâncias, houve três opções consensuais: retomada da vocação agropecuária, parceria com o polo universitário e pregão eletrônico integral nas compras. O que precisamos avançar em cada uma delas?

Fábio – Precisamos avançar muito na área agropecuária. Porém, dentro dessa nova perspectiva do Parlamento Regional precisamos fazer um planejamento junto aos outros municípios, fortalecendo não cada um isoladamente, mas toda a região. Quanto à participação das universidades é indiscutível, já que temos aqui instituições de grandes qualidades. Referente ao pregão eletrônico integral, isso hoje é uma realidade que hoje está estabelecida por lei (na verdade, só às compras com verbas federais). Faço só uma ponderação quanto à reserva às empresas locais, pois com a nova lei empresas de todo Brasil poderão participar.

Igor – Há diversos pontos que podem ser levantados para cada uma das iniciativas. Porém, algo que une todas elas e que deve ser trabalhado pelo poder público é a publicidade das medidas que estão sendo tomadas nesse sentido. Sinto falta de um plano de desenvolvimento de longo prazo, tão comentado ao longo da entrevista, e que seja facilmente consultado e acompanhado pelos cidadãos. A publicidade das iniciativas públicas, principalmente as mais aclamadas pela população e pela sociedade civil organizada, promovem o controle social do trabalho executado pelo governo e o aperfeiçoamento das políticas desenvolvidas.

José Francisco – Começo destacando que essa foi uma boa iniciativa do Grupo Folha. Sempre tivemos uma grande vocação agropecuária que andou meio esquecida. Hoje, neste momento, o agronegócio do país é a locomotiva da nossa economia. Acreditamos que possa ser aqui também. A universidade é importante neste processo com suas pesquisas e na educação em geral, porque a educação liberta. Quanto ao pregão eletrônico já é uma realidade (na verdade, só é, por imposição legal, para as compras municipais com verbas federais).

José Maria – Para avançar é necessário que o governo também envolva a sociedade civil na execução das políticas públicas para o município. Na minha opinião, o que falta é vontade política de dialogar com todos os setores da sociedade para que propostas desse tipo de proposta se efetive, como ocorreu quando foi criado o Conselho do Desenvolvimento Econômico e Social (Conselhão) em 2003. O Conselhão, por exemplo, trouxe a proposta de implementação do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Propostas como essa apenas surgem se toda a sociedade civil for envolvida na construção de políticas públicas.

 

Folha – Na questão da parceria com o polo universitário e, sobretudo, na retomada da centenária vocação agropecuária do município, uma iniciativa importante foi o Projeto Fênix. Com apoio da Folha e reunindo 20 entidades, já entregou documento base ao governador Cláudio Castro e firmou apoio com a Assessoria Especial da Presidência da República. Como vê a iniciativa?

Fábio – Importantíssima a iniciativa do projeto fênix. Quero convidar o projeto para estar junto com a Câmara de Campos e o Parlamento Regional institucionalizando ou conversando sobre possíveis projetos de lei, e caso seja da vontade das instituições participantes disponibilizamos a Casa Legislativa para que haja debates e participação institucional.

Igor – A retomada da vocação agropecuária parece ser uma das alternativas mais promissoras à dependência do petróleo. Dessa forma, as iniciativas nesse sentido têm minha simpatia, são boas notícias. O otimismo fica ainda maior quando tais propostas são embasadas em estudos acadêmicos, evidências científicas, e estruturados de forma planejada, algo que deveria ser padrão em todas as iniciativas de governo. Mas que nem sempre ocorre, principalmente em nível municipal.

José Francisco – Repito que apostamos no agronegócio e estamos vendo algumas iniciativas se desenhando. A agroindústria açucareira hoje já gera 10 mil empregos no curso da safra. A pecuária, tanto de leite quanto de corte, está ganhando corpo. Novas culturas estão sendo introduzidas. Esse é um dos caminhos e o projeto Fênix vai impulsionar com certeza tudo isso.

José Maria – A iniciativa, sem dúvidas, é importante, mas minha maior preocupação é a falta de envolvimento do trabalhador do campo na discussão desse projeto. Entre os parceiros, a maior parte é de associações ligadas aos empresários, como a Associação Fluminense dos Plantadores de Cana (Asflucan). É fundamental que iniciativas como essa tenha a participação dos trabalhadores, que têm uma visão da realidade diferente do empresariado. O impacto de questões como escoamento da produção e a falta de estradas asfaltas são melhores entendidas pelos trabalhadores.

 

Municípios no processo de metropolização da região fluminense da Bacia de Campos

 

Folha – Atento a esses sinais de retomada de crescimento, o geógrafo William Passos, especializado em estatística e desenvolvimento regional, e produto do polo universitário goitacá, tem sua tese de doutorado no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (Ippur) da UFRJ dedicada ao processo de metropolização da região da Bacia de Campos, que seu estudo aponta como inevitável. Campos e região estão prontas para ele?

Fábio – Vejo com bastante satisfação o processo de metropolização e naturalidade. Campos, como já disse, é um município com grandes potencialidades: posição geográfica privilegiada, próxima ao Porto do Açu, um aeroporto agora internacional. Porém, preocupa a falta de planejamento do uso do solo dos municípios da região, da mobilidade urbana e, repito, aproveitando um dos nossos pontos fortes que é ser polo universitário. Podemos planejar através dos nossos universitários.

Igor – Com olhos de hoje, não me parece que a região esteja preparada para um salto de desenvolvimento no curto prazo. Havendo a necessidade de uma expansão produtiva em larga escala, teríamos muitos gargalos de infraestrutura, de capital humano, dentre outros problemas. Entretanto, um planejamento de longo prazo que estabeleça diretrizes claras e que consiga ser bem executado, poderia facilmente sanar tais limitações. Nem tudo é vontade política, mas o primeiro passo precisa ser dado pelo poder público.

José Francisco – O crescimento é inevitável e o ambicionamos. Quem não quer crescer? Campos já começa a ganhar traços metropolitanos. Crescer é bom, mas de forma ordenada. Então, se em médio prazo vamos nos tornar uma metrópole, precisamos nos preparar para isso, principalmente com infraestrutura em todos os sentidos, até para que esse crescimento aconteça. É a infraestrutura em todos os seus níveis, em saneamento, educação, saúde e transporte, que atrai os investimentos e as empresas.

José Maria – Há um otimismo, a meu ver, exagerado em realização à metropolização da região. Há um crescimento da indústria solar e a construção de novas térmicas na região que podem criar um certo dinamismo econômico. Mas, essas atividades têm um potencial de geração de renda e expansão da infraestrutura muito mais limitado que a indústria do petróleo. E, quando vivemos o auge do petróleo na região, boa parte da indústria de fornecedores permaneceu no Rio, muito em função das dificuldades do Norte Fluminense de prover a infraestrutura necessária para atraí-los.

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Folha – Sem ideologia política ou declaração de voto, o que espera como consequências econômicas das eleições a presidente da República e governador de 2022, nas quais as pesquisas até aqui apontam à polarizações entre Lula e Jair Bolsonaro? Acredita que, antes de 2023, o Brasil sairá do seu grave quadro de estagflação, associando estagnação do crescimento com altas da inflação e desemprego?  

Fábio – Para desenvolver precisamos investir. É verdade que estamos paralisados. Não temos geração de emprego, a inflação vem mantendo o índice ou com aumento mensalmente. O brasileiro está desempregado ou recebendo mal e tendo que pagar uma cesta básica mais alta, consequência imediata da inflação. Não vejo a possibilidade de mudança de quadro antes da eleição de 2022. Por causa do isolamento politico do presidente, falta articulação com os governadores e prefeitos. Não estou avaliando o governo do presidente, mas ponderando sobre a paralisação econômica do nosso país.

Igor – Após sucessivas violações das regras fiscais e frustração completa das medidas econômicas prometidas, o mercado parece não diferenciar a eleição de Lula ou de Bolsonaro. Com a derrubada informal do teto de gastos, os juros futuros e a inflação implícita lembraram os piores momentos do governo Dilma. Nesse cenário, dificilmente teremos qualquer notícia muito positiva até o fim do ano que vem, não descartando uma possível recessão econômica. A inflação deve ceder, já que parte do impacto foi causado por restrições de oferta que devem se dissipar nos próximos meses. Mas essas são péssimas notícias para o desemprego.

José Francisco – Incentivar essa polarização, embora exista, não é saudável. Hoje esperamos da política resultados econômicos. Acho que mais do que os políticos, a sociedade tem que buscar soluções dos problemas que vive em todos os níveis. E uma dela é fazer o bom uso do voto. Os governos atuais e eleitos, ou reeleitos, deveriam ter como prioridade baixar a inflação e fazer subir o nível de empregos.

José Maria – Não acredito que em um país onde as pessoas estão se alimentando de pé de galinha possa se imaginar uma melhora significativa do cenário econômico atual. A responsabilidade da crise é do atual governo, mas há uma tendência, com as proximidades das eleições, de que alguns setores transfiram essa responsabilidade à polarização política, por conta do favoritismo do ex-presidente Lula. Nos últimos três anos, o atual governo teve todas as condições políticas para conduzir o país e foi ele que nos levou a essa situação de miséria, desemprego e inflação. Por isso não vejo nenhuma possibilidade de mudança em 2022.

 

Página 11 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

Contas de Rafael, SJB, CPI e 2022 no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta sexta, o Folha no Ar trará o balanço da Folha FM 98,3 de uma semana cheia em Campos, São João da Barra e no Brasil. Serão debatidos a recomendação do Tribunal de Contas do Estado (TCE) pela reprovação das contas de 2020 do ex-prefeito Rafael Diniz (Cidadania), as Câmaras Municipais goitacá e sanjoanense, bem como as críticas feitas à gestão Carla Machado (PP) em SJB.

Por fim, entram na pauta o relatório final da CPI da Covid no Senado, o anúncio do governo Jair Bolsonaro (sem partido) do Auxílio Brasil furando o teto do Orçamento da União, mais as eleições federal e estadual de 2022. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Compromisso com SP cancela entrevista de Rodrigo Maia

 

Rodrigo Maia

 

Agendada há mais de uma semana e confirmada ontem por sua assessoria, a entrevista de Rodrigo Maia (sem partido) na manhã desta sexta (22), ao Folha no Ar, foi cancelada no início da tarde de hoje. Deputado federal licenciado para ocupar a secretaria estadual de Projetos e Ações Estratégicas de São Paulo, segundo sua assessoria, Maia foi convocado de última hora pelo governador paulista João Doria (PSDB), para uma reunião com investidores estrangeiros. O que comprometeu sua agenda entre a tarde de hoje e amanhã.

A Folha FM 98,3, que tem trazido uma série de entrevistas com nomes na política nacional e estadual, tentará reagendar com o ex-presidente da Câmara Federal. Assim como já tem outros protagonistas da política fluminense e nacional confirmados aos ouvintes e telespectadores de Campos e da região.

 

De SJB a Santa Catarina no Folha no Ar desta quinta

 

 

A partir das 7h da manhã desta quinta, o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é Danilo Barreto, administrador público, ex-candidato a vereador mais votado na cidade de São João da Barra em 2020 e diretor de Eficiência Governamental da Prefeitura de Brusque, em Santa Catarina. Ele falará dos projetos sanjoanenses que integra, do trabalho que desenvolve em Brusque e da inação ao avanço do mar em Atafona. Analisará também o saldo de SJB no 17º ano de governos de ou eleito pela prefeita Carla Machado (PP).

Por fim, Danilo falará da sua experiência eleitoral em 2020, projetará os pleitos estadual e federal de 2022, e das alternativas do seu município para 2024. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Paes lança Santa Cruz a governador em 2022, visando 2026

 

Eduardo Paes, Felipe Santa Cruz e Cláudio Castro no jogo eleitoral de 2022, com vistas a 2026 (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Enquanto os detalhes de quem dominou a política fluminense nos anos 1980 e 2000, com Brizola e Garotinho, tem que ser contado em livros, a disputa real de poder de 2022 no estado é escrita. Na tarde de ontem, o jornalista Lauro Jardim noticiou em O Globo que o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), vai lançar o presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz, como seu pré-candidato oficial a governador. Será no encontro nacional do PSD deste sábado (23), o primeiro no Rio desde que Paes foi para a legenda.

Após garantir ao Folha no Ar que não disputará o pleito a governador, o que o torna seu eleitor mais forte, o que Paes teria ganha confirmando um pré-candidato com pouca ou nenhuma chance real de vitória?

Primeiro, o prefeito carioca se fortalece no PSD para eleger fortes bancadas estadual e federal. Com Santa Cruz, ele não cria dificuldade real ao governador Cláudio Castro (PL) ou ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Como poderia tirar o bode da sala e descartar seu pré-candidato, para indicar o vice na chapa de Castro, sonho deste. O que poderia ser ainda mais fácil se o governador compusesse com Lula a presidente e o presidente da Alerj, André Ceciliano (PT), a senador.

Se Paes eleger em 2022 o vice de Castro, este sairia 9 meses antes em 2026, já que não poderia se reeleger, para se lançar a deputado ou senador. O que deixaria Paes, reeleito prefeito em 2024, com a cidade e o estado do Rio nas mãos. E o caminho aberto em 2026 a governador ou a presidente da República.

 

Publicado hoje na coluna Ponto Final, na Folha da Manhã.