Compromisso com SP cancela entrevista de Rodrigo Maia

 

Rodrigo Maia

 

Agendada há mais de uma semana e confirmada ontem por sua assessoria, a entrevista de Rodrigo Maia (sem partido) na manhã desta sexta (22), ao Folha no Ar, foi cancelada no início da tarde de hoje. Deputado federal licenciado para ocupar a secretaria estadual de Projetos e Ações Estratégicas de São Paulo, segundo sua assessoria, Maia foi convocado de última hora pelo governador paulista João Doria (PSDB), para uma reunião com investidores estrangeiros. O que comprometeu sua agenda entre a tarde de hoje e amanhã.

A Folha FM 98,3, que tem trazido uma série de entrevistas com nomes na política nacional e estadual, tentará reagendar com o ex-presidente da Câmara Federal. Assim como já tem outros protagonistas da política fluminense e nacional confirmados aos ouvintes e telespectadores de Campos e da região.

 

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De SJB a Santa Catarina no Folha no Ar desta quinta

 

 

A partir das 7h da manhã desta quinta, o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é Danilo Barreto, administrador público, ex-candidato a vereador mais votado na cidade de São João da Barra em 2020 e diretor de Eficiência Governamental da Prefeitura de Brusque, em Santa Catarina. Ele falará dos projetos sanjoanenses que integra, do trabalho que desenvolve em Brusque e da inação ao avanço do mar em Atafona. Analisará também o saldo de SJB no 17º ano de governos de ou eleito pela prefeita Carla Machado (PP).

Por fim, Danilo falará da sua experiência eleitoral em 2020, projetará os pleitos estadual e federal de 2022, e das alternativas do seu município para 2024. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Paes lança Santa Cruz a governador em 2022, visando 2026

 

Eduardo Paes, Felipe Santa Cruz e Cláudio Castro no jogo eleitoral de 2022, com vistas a 2026 (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Enquanto os detalhes de quem dominou a política fluminense nos anos 1980 e 2000, com Brizola e Garotinho, tem que ser contado em livros, a disputa real de poder de 2022 no estado é escrita. Na tarde de ontem, o jornalista Lauro Jardim noticiou em O Globo que o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), vai lançar o presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz, como seu pré-candidato oficial a governador. Será no encontro nacional do PSD deste sábado (23), o primeiro no Rio desde que Paes foi para a legenda.

Após garantir ao Folha no Ar que não disputará o pleito a governador, o que o torna seu eleitor mais forte, o que Paes teria ganha confirmando um pré-candidato com pouca ou nenhuma chance real de vitória?

Primeiro, o prefeito carioca se fortalece no PSD para eleger fortes bancadas estadual e federal. Com Santa Cruz, ele não cria dificuldade real ao governador Cláudio Castro (PL) ou ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Como poderia tirar o bode da sala e descartar seu pré-candidato, para indicar o vice na chapa de Castro, sonho deste. O que poderia ser ainda mais fácil se o governador compusesse com Lula a presidente e o presidente da Alerj, André Ceciliano (PT), a senador.

Se Paes eleger em 2022 o vice de Castro, este sairia 9 meses antes em 2026, já que não poderia se reeleger, para se lançar a deputado ou senador. O que deixaria Paes, reeleito prefeito em 2024, com a cidade e o estado do Rio nas mãos. E o caminho aberto em 2026 a governador ou a presidente da República.

 

Publicado hoje na coluna Ponto Final, na Folha da Manhã.

 

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Garotinho, Sérgio Mendes, a história da Uenf e de Campos

 

Anthony Garotinho, Sérgio Mendes,Darcy Ribeiro e a história de Uenf e de Campos passada a limpo na Folha FM (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Em entrevista na última sexta (15) ao programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, o ex-governador Anthony Garotinho (sem partido), que também foi prefeito de Campos duas vezes, fez duras críticas aos seus antecessores Sérgio Mendes e Rafael Diniz (ambos, Cidadania). Aos dois foi oferecido o mesmo espaço na rádio mais ouvida da região, zelosa do espaço jornalístico ao contraditório. Rafael declinou, como tem optado por ficar em silêncio desde que saiu do poder em 2021, muito mal avaliado pelas urnas de novembro de 2020. Sérgio, no entanto, aproveitou. E foi o entrevistado do Folha no Ar na manhã de ontem.

 

Livro sobre o garotismo

Sérgio revelou estar escrevendo um livro a seis mãos sobre o período inicial do garotismo, em que foi o segundo prefeito eleito pelo movimento, governando Campos entre 1993 e 1996. Seus parceiros no livro compuseram sua gestão, como tinham participado do primeiro governo municipal Garotinho, entre 1989 e 1992: o empresário, líder lojista e colunista da Folha, Murillo Dieguez; e o jornalista, servidor federal e advogado Ricardo André Vasconcelos. Os dois se mantiveram leais a Sérgio, quando Garotinho rompeu com quem elegeu prefeito, para voltar a ocupar ele mesmo a Prefeitura em 1997. E, no ano seguinte, se eleger governador.

 

Auge do movimento

Após governar o estado do Rio entre 1999 e 2002, Garotinho deixou o cargo para se lançar candidato a presidente da República. Chegou a ultrapassar Ciro Gomes (então, PPS) e ficar próximo a José Serra (PSDB), que fez e perdeu o segundo turno para Lula (PT), na primeira vez que este chegou ao poder. Apesar da derrota, o político da Lapa fez mais de 15 milhões de votos a presidente. E elegeu a esposa, Rosinha (então, PSB), governadora ainda no primeiro turno. Como o próprio Garotinho admitiu no Folha no Ar de sexta, foi o seu auge. Desde então, só conquistaria mais um mandato nas urnas, de deputado federal, em 2010.

 

“Página virada”?

O ex-prefeito reconheceu que Garotinho, se tiver condições jurídicas de se candidatar em 2022, não teria dificuldade eleitoral para voltar à Câmara Federal. Mas, em contraste com o auge que conheceu do ex-aliado transformado em desafeto, Sérgio destacou o presente: “O Folha no Ar tem duas horas? Garotinho passou 40 minutos explicando processos, prisões, se ele está elegível, se está inelegível. Antigamente, ele falava das suas realizações. Agora ele precisa, em toda a entrevista, levar quase metade explicando seus problemas na Justiça. Acho que é uma página virada. Garotinho deu uma contribuição à cidade, mas ele errou muito”.

 

A história da Uenf

Entre as afirmações de Garotinho que deverá contestar em seu livro com Murillo e Ricardo, Sérgio também refutou que o ex-governador seja o “pai” da Uenf. E, por conseguinte, da condição de polo universitário que Campos ganhou com a implantação do projeto do antropólogo Darcy Ribeiro. “Dia 7 de janeiro (de 1993), na primeira semana do meu governo, o professor Darcy veio a Campos. Ele me levou (à área onde está a Uenf) e falou: ‘prefeito, eu preciso que o senhor desaproprie aqui 500 mil metros quadrados. O governador Brizola vai construir a universidade, mas só se o senhor doar a área’”, lembrou Sérgio na Folha FM.

“Como era início de governo, fui a Garotinho, que estava saindo. Disse a ele o que Darcy queria, para saber se seria para valer. Sabe o que ele me disse? ‘Sérgio, não desapropria, que isso aí é devaneio de Darcy’. Eu fui à professora Ana Lúcia Boynard, que fazia essa interface do governo municipal na questão da universidade. E falei que Garotinho disse que não iria dar em nada. Ela me disse, lembro que com lágrimas nos olhos: ‘Prefeito, a universidade é a redenção de Campos e toda a região’. Naquele mesmo ano de 1993, desapropriei e doei a área. E, em agosto, o governador Brizola inaugurou a Uenf”, contou Sérgio ontem ao Folha no Ar.

 

Confira abaixo o vídeo do primeiro bloco da entrevista do ex-prefeito de Campos Sérgio Mendes ao Folha no Ar da manhã de ontem. Que em parte responde à entrevista do ex-governador Anthony Garotinho à Folha FM na sexta, e passa a limpo a história da Uenf e de Campos, do final dos anos 1980 ao presente:

 

 

Publicado hoje, na coluna Ponto Final, da Folha da Manhã.

 

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Vereador Helinho Nahim no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta quarta (20), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é Helinho Nahim, empresário e vereador de Campos pelo PTC. Ele falará sobre o rompimento com o governo do primo Wladimir Garotinho (PSD), da vitória na não aprovação do Código Tributário e do IPTU. Falará também do seu compromisso pessoal com a aprovação das contas de 2016 da tia e ex-prefeita Rosinha Garotinho (Pros) e da eleição à Mesa Diretora da Câmara no próximo ano.

Por fim, Helinho dará sua projeção das eleições de 2022. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Garotinho, Rafael e Wladimir no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta terça, o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é Sérgio Mendes, ex-prefeito de Campos e coordenador do Cidadania no Norte Fluminense. Ele falará sobre o legado do seu governo, entre 1993 e 1996, e do processo de ruptura com o ex-governador Anthony Garotinho (sem partido), seu ex-aliado e que lhe dirigiu críticas no Folha no Ar da última sexta. Correligionário de Rafael Diniz, ele analisará a trajetória do também ex-prefeito, dos 151,4 mil votos de 2016 aos 13,5 mil que teve em 2020.

Por fim, Sérgio analisará o governo Wladimir Garotinho (PSD), além de dar sua projeção para as eleições de 2022. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Quebrou a placa de Marielle e foi expulso por mulheres

 

“Valentes” contra uma mulher assassinada a tiros por milicianos, Rodrigo Amorim, com sua paixão estampada no peito, e Daniel Silveira sorriem enquanto quebram a placa de Marielle Franco

 

Deputado estadual mais votado do RJ na onda bolsonarista de 2018, Rodrigo Amorim (PSL) ganhou fama ao participar naquela campanha eleitoral do ato de vandalismo, mais o hoje deputado federal preso Daniel Silveira (PTB) e o ex-governador Wilson Witzel (PSC), afastado por corrupção, quando quebraram uma placa da ex-vereadora carioca Marielle Franco (Psol), assassinada a tiros por milicianos também em 2018. Mais recentemente, Rodrigo Amorim ficou conhecido dos campistas. Aliado do seu xará e secretário estadual de Governo, Rodrigo Bacellar (SD), Amorim usou a tribuna da Alerj para atacar de maneira torpe a honra de Tassiana Oliveira, primeira-dama de Campos.

Por seus ataques contra mulheres vivas e mortas, Rodrigo Amorim ontem foi vaiado e expulso do bairro carioca de Santa Teresa. Ele acompanhava o governador Cláudio Castro (PL) no evento de lançamento do programa Bairro Seguro. O parlamentar bolsonarista tentou afrontar os manifestantes, mas foi obrigado a deixar o local acompanhado da polícia e sob vaias e gritos que o chamavam de “assassino”. No Twitter, o deputado disse que encontrou uma “matilha de maconheiros” e “zumbis”.

Amorim também tentou alegar que não foi expulso do espaço público: “Está pra nascer o homem que vai me expulsar de qualquer lugar nessa cidade. Não tem sujeito homem pra isso”. Bravatas à parte, o deputado parece não ter faltado integralmente com a verdade. Como o vídeo abaixo deixa claro, o “valente” bolsonarista não foi expulso de Santa Teresa por homens. Na verdade, foi enxotado por mulheres.

 

 

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Astor, xará do Piazzolla e o cão mais belo que conheci

 

Atafona, 26 de julho de 2020 (Foto: Leila Félix)

Morreu hoje Astor, dogo argentino branco, pirata pela mancha negra em seu olho esquerdo. Foi o cão mais belo, forte, bruto, agressivo com estranhos e carente de carinho com os da casa, que já vi em meus 49 anos de vida. Os últimos sete em sua companhia, em Atafona, onde foi enterrado e sempre morou desde que o escolhi já com uns seis meses, em canil dedicado à raça. Foi um presente da minha mãe, Diva, que ironicamente padece de cinofobia, o medo irracional de cachorros. Superado no ato de amor por seu filho mais velho, que adora cães.

O dogo argentino foi uma raça criada nos anos 1920 por dois irmãos argentinos, médicos e caçadores, da região de Córdoba, província da região dos pampas daquele país. Foi desenvolvida a partir da cruza seletiva entre outras raças, como o bull terrier, o mastim dos pirineus, o boxer, o pointer inglês, o dogue de bordeaux, o buldogue inglês, o dogue alemão (ou dinamarquês), o irish wolfhound e o cão de luta cordobês — esta, já extinta. O dogo foi feito para ser o cão de combate perfeito e para caça de animais de grande porte, como onças e javalis. Para abatê-los, o caçador não leva arma de fogo, mas um ou mais dogos.

Sob minha criação, Astor nunca combateu, nem caçou nada, além dos desafortunados gambás que cruzassem seu caminho no quintal de Atafona. Seu nome foi em homenagem ao músico Astor Piazzolla, gênio do bandoneón e espécie de Tom Jobim argentino. Que mesclou a melodia e o ritmo do tango com a harmonia do jazz, exatamente como seu par brasileiro fez com o samba. Como o cão, Piazzolla também se marcou pelo equilibro entre grande sensibilidade e explosões de fúria, seja na música, ou na vida.

Extremamente dominante com outros cães, mesmo rottweilers machos que, apesar de fortes, nunca lhe foram fisicamente parelhos, Astor era docilíssimo com as pessoas da casa. Mesmo crianças, como meu afilhado Aquiles, hoje com 12 anos, mas que sempre foi respeitado pelo titã canídeo, desde que tinha só 5 anos. O único porém de Astor era, quando ele estava solto e nós de pé, termos o cuidado de ficar com um à frente do outro, em base. Com os dois pés abertos lateralmente e distraído, se corria o risco de ser atirado no chão pelo fortíssimo e explosivo cão, em suas estabanadas demonstrações de afeto.

Sobretudo mais jovem, Astor também tinha um incômodo instinto destruidor. Certa vez, comeu os dois paralamas das rodas traseiras da minha picape. Fui aconselhado a passar pimenta malagueta nas partes externas do carro a que o cão tinha acesso. Fiz, mas o efeito foi ainda pior. Ele pareceu ter gostado do tempero e comeu o parachoque traseiro, de metal, e minha câmera de ré.

Astor também fazia coisas que nunca vi em nenhum outro cão. Comeu e derrubou uma árvore do quintal, demonstrando que sua boca era, literalmente, uma motosserra. E sobre o piso de cimento do quintal, seco há anos, deixou fincados os sulcos das suas garras. Se alguém me contasse isso, diria que era coisa de filme de terror de lobisomem. Mas as marcas das suas garras continuam impressas no piso de concreto, para evidenciar a realidade.

 

Atafona, 12 de junho de 2017 (Foto: Diomarcelo Pessanha)

 

Quando caminhávamos à beira-mar, com guia e enforcador, também ficavam patentes suas diferenças para os rottweilers. Tenho um macho, Bismarck, que mesmo sendo do mesmo tamanho de Astor, só faz força na parte inicial do trajeto. Mesmo se caminhássemos duas horas sob o sol e na areia, Astor continuava fazendo a mesma força, sem jamais baixar a tensão da guia, até voltar à casa. Não se cansava, ao contrário do ombro do seu condutor. Também tinha resistência impressionante à dor física. Uma vez, no veterinário, tomou pontos a seco, sem anestesia, como se nada fosse. Além da força, sua resistência e insensibilidade à dor eram características de um cão feito para matar onças e javalis a dentadas.

Apesar de tudo isso, Astor não foi páreo para o câncer que o matou. Como nenhum de nós é. Forte, grande e longilíneo, sempre disse que ele parecia um Muhammad Ali branco. Seu porte poderoso e altivo evocava a estátua grega de um cachorro. Se dogos argentinos existissem na Grécia Antiga de Fídias, tenho certeza que um hoje estaria imortalizado em mármore em algum museu, como estão os cavalos do escultor.

Escrevo diante da mesa da área externa de Atafona, sentado na mesma cadeira em que, tantas vezes, Astor enfiava sua cabeça poderosa de molosso em meu colo, pedindo carinho. E olho ao lado sua cova recém coberta, ao lado do buldogue francês Zidane, que tinha a mesma idade e também nos deixou precocemente neste ano de tantas perdas, ao Brasil e ao mundo.

Já tive vários cães. Três, os rottweilers Bismarck e Manfred, além do american bully Dempsey, estão nos canis, onde hoje Astor amanheceu morto. Os sobreviventes estão quietos. Acho que sentirão muita falta do macho alfa da matilha, que à noite lhes puxava o coro em uivos de lobo. Entre os cachorros que passaram por minha vida e os que ainda nela estão, tenho certeza que Astor foi um dos que mais me amou. Talvez ao lado dos rottweillers Rommel e Lutero, além do buldogue inglês Moe, todos também falecidos.

 

Atafona, 12 de junho de 2017 (Foto: Diomarcelo Pessanha)

 

Quem ama cães sabe que o amor deles, por quem escolhem como donos, é incondicional. Como o de um fiel a Deus. Mesmo um tão imperfeito como eu. Astor era diferente. Não só fisicamente, como em seu espírito que vive agora em mim, ele foi um cão perfeito.

Para lembrar de você, ouvirei minha música preferida nesta vida, “Adiós Nonino”, obra prima do seu xará que agora ganha ainda mais significado:

 

 

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Folha traz Brasil e RJ a Campos. E, destes, fala ao mundo

 

Folha traz Brasil e RJ a Campos. E, de Campos, fala ao mundo

 

Grupo Folha, Folha FM 98,3, Folha da Manhã. Folha1, Plena TV, Antonhy Garotinho, João Amoêdo, Fernando Gabeira, Vinicius Farah, Ciro Gomes, Marcelo Freixo, Alessandro Molon, Marina Silva, Rodrigo Neves, Paulo Ganime, Francisco Mamede de Britto Filho, Eduardo Paes, Cristovam Buarque, Cesar Maia, Cláudio Castro e Luiz Carlos Bresser-Pereira (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Ontem, o programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3 fechou a semana entrevistando Anthony Garotinho (sem partido). Pelo histórico de polarização entre o ex-governador do estado do Rio e ex-prefeito de Campos com o principal grupo de comunicação do município e do interior fluminense, a entrevista gerou muita expectativa. E teve grande audiência, como interação nas redes sociais.

Só não dá para saber se a entrevista de Garotinho superará outras em envolvimento. Já que o Folha no Ar tem levado semanalmente, aos ouvintes, telespectadores e leitores de Campos e região, encontros diretos com outros protagonistas da política do Brasil e do RJ. A com João Amoêdo (Novo), por exemplo, empresário e candidato a presidente da República em 2018, foi feita em 1º de outubro na Folha FM. E publicada dia 2 no jornal Folha da Manhã e no blog Opiniões, hospedado no Folha1. Onde registrou mais de 10 mil likes só no Facebook.

Além de Garotinho e Amoêdo, na sinergia entre rádio, redes sociais, jornal, site, blogs e TV, O Grupo Folha vem de uma batida muito forte. O jornalista e ex-deputado federal Fernando Gabeira, foi o entrevistado do Folha no Ar em 9 de outubro; o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico e deputado federal Vinicius Farah (MDB), em 24 de setembro; o ex-governador do Ceará e presidenciável Ciro Gomes (PDT), em 10 de setembro; o deputado federal e pré-candidato a governador Marcelo Freixo (PSD), em 26 de agosto; o deputado e líder da oposição na Câmara Federal, Alessandro Molon (PSD), em 24 de agosto; a ex-senadora e três vezes candidata a presidente da República, Marina Silva (Rede), em 20 de agosto; o ex-prefeito de Niterói e pré-candidato a governador, Rodrigo Neves (PDT), em 13 de agosto; o deputado federal e pré-candidato a governador Paulo Ganime (Novo), em 5 de agosto; o general da reserva do Exército Francisco Mamede de Brito Filho, em 23 de julho; o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), em 9 de julho; e o ex-senador e ex-governador de Brasília, Cristovam Buarque (Cidadania), em 25 de maio.

Isso tudo entre Folha no Ar, Folha da Manhã, Folha1 e Plena TV. Apenas no jornal e no site, neste mesmo período de tempo, também foram entrevistados o ex-prefeito do Rio e atual vereador carioca, Cesar Maia (DEM), em 18 de setembro; o governador Cláudio Castro (PL), em 7 de agosto; e o economista e ex-ministro dos governos Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e José Sarney (MDB), Luiz Carlos Bresser-Pereira, em 15 de maio. Até aqui, foram 16 entrevistas exclusivas com figuras de proa da República e do estado do Rio, só nestes últimos seis meses. Que compõem uma série contínua e ainda longe do fim, na linha direta com Campos e região pelo Grupo Folha, talvez sem paralelo na secular história do jornalismo goitacá.

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Com todos esses entrevistados de peso nacional e estadual, outras novidades importantes, também noticiadas em primeira mão pelo Grupo Folha, colocaram Campos e a região no cenário do mundo. Em 20 de setembro, o blog Opiniões noticiou que, passada a fase mais crítica da pandemia da Covid-19, a companhia aérea Azul estava retomando a venda de passagens de voos de Campos, Macaé e Cabo Frio para Fort Lauderdale, na Flórida, costa sudeste dos EUA. E, no último dia 5, divulgou que a mesma Azul estava vendendo passagens de Campos e Macaé para Lisboa, capital de Portugal. Será a primeira vez na história que a região se conectará diretamente, por via aérea comercial e regular, com a União Europeia.

William Passos, geógrafo e consultor especializado em estatístca e desenvolvimento regional

São fatos que comprovam o processo de metrolopolização da Bacia de Campos, e o papel protagonista da região na encomia fluminense, alvos da tese de doutorado do geógrafo William Passos, consultor especializado em estatística e desenvolvimento regional. Que apontou as declarações de vários desses líderes políticos, ouvidos na série de entrevistas da Folha, ressaltando publicamente a importância política e econômica de Campos no estado do Rio. Seria a mera constatação, por parte deles, do que é projetado como irreversível no estudo do jovem acadêmico. Este, fruto do polo universitário em que se constituiu o município.

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Como as entrevistas do Grupo Folha com nomes de peso do cenário nacional e estadual, o ineditismo também da abertura de voos comerciais de Campos e a região da Bacia de Campos com a Europa gerou bastante interação nas redes sociais. Só no Facebook, a postagem ultrapassou os 1,3 mil likes. Ficou atrás, bem verdade, dos mais dos 10 mil likes da entrevista do Amoêdo, publicada três dias antes.

Apesar do grande envolvimento, ambas as postagens geraram interação inferior à de um artigo, publicado em 31 de julho, no blog Opiniões e na Folha da Manhã. Intitulado “Nazifascismo, bolsonarismo, uniforme e marca na testa” aquele texto de opinião viralizou nacionalmente. E superou os 15 mil likes.

O êxito não é de um articulista. Mas do trabalho sério e sempre coletivo no qual se consiste o jornalismo. Ao trazer protagonistas do Brasil e do estado do Rio para falarem diretamente a Campos e região. E, ao falar a partir destas, é capaz de alcançar o mundo.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Ministro da Saúde de um governo de ressentidos

 

 

 

Carlos Andreazza, jornalista

Entrar e então morrer

Por Carlos Andreazza

 

Circularam, no último fim de semana, ao menos duas falas barbarizantes de Marcelo Queiroga, ministro da Saúde e médico. E ressentido. É um governo de ressentidos. De ressentidos e oportunistas, não raro também incompetentes. Tudo previsível. Este perigo: o ressentido de súbito com — o que supõe ser — poder. O perigo: este tipo — o ressentido empoderado, ademais incompetente, um agente grato, mostrador de serviço — sob a gestão do bolsonarismo; sob o controle da máquina de genuflexão bolsonarista. E então as falas de Queiroga, previsíveis.

Numa, comparou a exigência do uso de máscaras — como medida de contenção da peste, um vírus transmitido por via aérea — ao de preservativos contra doenças sexualmente transmissíveis. Decerto se tendo por mui esperto, perguntou se, por esse motivo, deveríamos obrigar as pessoas a usar camisinha. Na outra, confrontado com a marca de 600 mil mortes, sentiu-se autorizado — estava irritadinho — a relativizar o volume: seriam, afinal, 380 mil os que morrem do coração anualmente no Brasil, outros muitos de câncer.

Terá faltado somente um “e daí?” — talvez um “não sou coveiro” — para que fosse Jair Bolsonaro absolutamente. Nunca será. Mas precisa — pode e deve — se esforçar. É estimulado a se esforçar, a se humilhar. Pelo poder. Estimulado — desafiado — a debulhar seu ressentimento. Pela existência.

Nunca será. Nunca terá. Mas não por falta de entrega. É o ciclo de uma submissão infinita, cuja humilhação jamais será o bastante. E que resulta em mortos-vivos. Mortos-vivos pelo poder. Mortos-vivos que se julgam com poder.

É a chance da vida. O homem, ressentido fundamental, luta por — ao mesmo tempo — existir e sobreviver. Não existe. Nem sobreviverá. Mas peleja. É a chance da vida do morto-vivo.

A rápida radicalização bolsonarista da linguagem de Queiroga demonstra como um indivíduo fraco — e deslumbrado pela cadeira — reage quando sob pressão. Nunca será um bolsonarista puro-sangue. Jamais um admitido. Será sempre um útil perseguidor da condição de aceito no bolsonarismo, o que equivalerá a ser algo — a continuar ministro. Uau! O que equivale a descartável.

Nunca será, mas por que não iludi-lo, manipulá-lo? Por que não iludi-lo — atraí-lo — com a oferta de perenidade do que pensa lhe dar existência?

A estrutura do jogo de subjugação tem fartos exemplos de dinâmica. Na semana passada, a rádio CBN, por meio dos repórteres Cézar Feitosa e Isa Stacciarini, informou que o chefe de gabinete do ministro da Saúde acusava Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho no ministério (na prática, a divulgadora-mor da cloroquina desde dentro da pasta), de conspirar — em parceria com Onyx Lorenzoni, o ministério de si mesmo — para derrubar Queiroga; alguém cujo poder, pelo qual vai apaixonado, nem sequer o alça a lugar de conseguir demitir a subordinada.

Fraco e dependente do cargo, refém do cargo, para ser alguém, para ser alguém e ao mesmo tempo sobreviver sendo o que é, ao ministro só restou — só resta — se defender radicalizando. Padrão. E então o vimos, de novo segundo reportagem de Feitosa, mobilizar-se, sob ordem de Bolsonaro, para que a Conitec alterasse a pauta de sua reunião e não analisasse — não votasse a favor de — um relatório que se manifesta contrariamente ao tratamento precoce.

Assim será doravante, até a lata de lixo em que o chefe o jogará. Para quê? Para ser ministro, mais um cavalo do presidente. Para ser nada; para sobreviver — até o descarte — sendo o que é. Nem sequer um Onyx, cuja radicalização — a inexistência — mira o governo do Rio Grande do Sul. O que mira Queiroga? Ser, acima de Pazuello, o ministro da Saúde de Jair Bolsonaro?

À pressão bolsonarista, carga por submissão total, reage Queiroga com mais demonstrações de bolsonarismo. Chamado de vacinista, acusado de vacilante em defender a queda das máscaras, o ministro da Saúde, médico e ressentido, mais ressentido que médico, produz e multiplica, em busca de pontos no mercado interno reacionário, a oferta de dedos médios à população brasileira, conforme visto em Nova York.

Quer existir. Mal sobrevive.

O sujeito não seria — jamais será — suficientemente bolsonarista, por isso tem a cabeça pedida, porque nunca será suficientemente bolsonarista; e a isso, a esse desafio, responde, porque quer provar que pode, com mais bolsonarismo, e não pode; e por isso perderá a cabeça, cedo ou tarde, de qualquer modo. Os dedos ficarão. Eis o ciclo.

Não existe. Não sobreviverá. Neste governo captador de moralidades corrompidas: é entrar e então morrer.

Queiroga: o ressentido consciente de que só poderia chegar a ministro num governo disfuncional como o de Bolsonaro; e que, sob pressão para inexistir ainda mais, consciente de que sua permanência — que toma por existência — dependerá de se extremar, radicaliza na linguagem progressivamente, para agradar ao chefe e a seus sectários. Para sobreviver, o morto-vivo. É uma descida sem fim.

Entrar e então morrer. Na história: Marcelo Queiroga, o ministro da Saúde de Bolsonaro.

 

Publicado hoje em  O Globo.

 

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UFF, IFF e Uenf cobram social na metropolização da região

 

Ana Costa, pela UFF-Campos; Jefferson Manhães de Azevedo, pelo IFF; e Raul Palacio, pela Uenf, foram convocados pelo deputado Chico D’Ângelo ao debate sobre a metropolização da região da Bacia de Campos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O processo de metropolização da região da Bacia de Campos é uma realidade irreversível, mas tem que acontecer com inclusão social. Em resumo, foi o que pontuaram os três dirigentes das maiores instituições de ensino público superior de Campos e da região: os professores Ana Costa, diretora da UFF-Campos; Jefferson Manhães de Azevedo e Raul Palacio, respectivamente reitores do IFF e da Uenf. Os três foram convocados ao debate, neste blog, pelo deputado federal campista Chico D’Ângelo (PDT), na última sexta (8).

Reflexo desse processo de metropolização regional, na terça (5) o blog anunciou que a Azul já está vendendo passagens na inédita abertura de voos comerciais regulares de Campos e Macaé para a Europa, com destino a Lisboa, capital de Portugal. Abaixo dos aviões de carreira, mas acima na prioridade, os dirigentes universitários deixaram claro que há muitas questões sociais a serem resolvidas nesse protagonismo econômico da região, tendo Campos como polo:

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

— Em função da complexidade desse debate sobre a metropolização e a reprodução do espaço no mundo contemporâneo em que ocorre o aprofundamento da contradição entre o processo de produção social do espaço e sua apropriação privada; momento em que os processos de trabalho e das condições de vida das pessoas são muito precarizados, necessário se faz ampliar esse debate, junto às universidades, faculdades e demais instituições de pesquisa, movimentos populares, sindicais e setores da sociedade que pensam e se envolvem, no sentido da redução das desigualdades e injustiças sociais, como apontou o deputado Chico D’Ângelo. O volume e a forma de incorporação de novas áreas pelos grandes projetos mostram como a terra ainda é um dos recursos naturais fundamentais de apropriação privada com fins de acumulação — ressaltou Ana Costa, diretora da UFF-Campos.

— Sabemos que esse processo de metropolização pode trazer consequências danosas para nossa região, tais como a urbanização descontrolada e a falta de infraestrutura e equipamentos públicos para a população, problemas de impactos ambientais, entre outros. Nesse sentido, temos que nos organizar para pensarmos, planejarmos e criarmos soluções para os diversos problemas que possam surgir. Todos os atores que compõem a chamada Bacia de Campos, o parque universitário de toda a região, os poderes públicos locais, as entidades classistas e as da sociedade civil organizada, deverão participar desse grande debate. Que, em defesa da região, deve ser inclusivo, sem acentuar a exclusão já exacerbada. O compromisso do IFF é o de colaborar para minimizar, pelo diálogo, os efeitos negativos; bem como maximizar as oportunidades desse fenômeno que, ao que tudo indica, é irreversível — projetou Jefferson Manhães de Azevedo, reitor do IFF.

— Temos que diferenciar entre crescimento e desenvolvimento. O crescimento metropolitano será uma realidade. Mas esse crescimento será no sentido do desenvolvimento sustentável, com aumento da qualidade de vida e criando um forte capital social? Para desenvolver, precisamos que sejam implementadas políticas públicas que tenham como figura central a liberdade do ser humano. O deputado Chico D’Ângelo está certo, pois a participação das universidades é fundamental. Só a modo de exemplo, na sexta, estávamos, representantes da Uenf, UFF, IFF e o presidente da Câmara Municipal (vereador Fábio Ribeiro, do PSD, que também já se posicinou ao blog sobre o processo de metropolização da região da Bacia de Campos), trabalhando na solução do assentamento Cícero Guedes e as necessidades das suas 260 famílias. Deixar o crescimento à espontaneidade do momento vai piorar a desordem que já temos hoje. Onde o sono dos moradores da Pelinca é atrapalhado pelo som que vem dos bares — exemplificou Raul Palacio, reitor da Uenf.

 

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Brasil entre o inaceitável Bolsonaro e o indesejável Lula

 

 

 

Merval Pereira, jornalista e escritor

O inaceitável e o indesejável

Por Merval Pereira

 

O empresário Pedro Passos, sócio da Natura, deu recentemente entrevista ao Globo em que diz que o país tem que se afastar, na eleição presidencial do ano que vem, da polarização entre o “inaceitável”, referindo-se ao presidente Bolsonaro, e o “indesejável”, que seria o ex-presidente Lula. Passos cita algumas das características que tornaria “inaceitável” a reeleição de Bolsonaro: “Não é democrata, é perigoso, não tem programa, não tem empatia com a população”. Quanto a Lula, disse que “traz uma agenda velha, de atraso, de intervenção econômica”.

O que mais tornaria Bolsonaro “inaceitável” e Lula “indesejável”? A incapacidade de ambos de criar maiorias legítimas no Congresso é patente. Lula assumiu à frente de um partido forte que fundou, o PT, querendo distância do PMDB, que em 2002 representava a política fisiológica, a ponto de ter vetado um acordo do então poderoso José Dirceu com o partido.

Já Bolsonaro assumiu levando um partido nanico, o PSL, a ser a maior bancada da Câmara, querendo impor seu voluntarismo aos partidos políticos. Acabou se entregando de corpo e alma ao Centrão, e hoje é seu refém. Lula resolveu comprar o apoio dos partidos, para que não atrapalhassem seu governo. Deu no mensalão e no petrolão.

Apesar desses ataques à democracia representativa, Lula entende melhor a democracia do que Bolsonaro, que a rejeita. Mas o ex-presidente tem compreensão maior pelas ditaduras de esquerda, enquanto Bolsonaro gosta das de direita. A política externa brasileira saiu fortalecida nos governos petistas, embora tivesse um viés esquerdista que a limitava e distorcia. A agenda do meio-ambiente, por exemplo, foi exemplar até que a ministra Marina Silva pediu demissão justamente pela tendência do governo de aceitar uma visão desenvolvimentista do então ministro Mangabeira Unger e da chefe do gabinete civil, Dilma Rousseff.

A política externa de Bolsonaro é um desastre completo, tornando o país um pária internacional, especialmente na área de meio-ambiente, a agenda internacional mais importante no momento. Não há dúvida de que se Lula estivesse no governo durante a pandemia, a teríamos enfrentado com mais eficiência e humanismo, com um presidente que tentaria unir o povo no momento dramático que vivemos. Temos hoje um governo inoperante, insensível e envolvido em corrupção na compra de vacinas e equipamentos médicos em plena pandemia.

O aparelhamento do Estado foi tão forte nos governos do PT quanto está sendo agora no bolsonarismo. Como a visão cultural e humanista é mais contemporânea no lulismo do que no bolsonarismo, o país viveu período mais dinâmico e criativo sob Lula. Hoje, há uma política de desmonte cultural.

A intervenção governamental, no entanto, foi tentada diversas vezes, e de diversas formas, no petismo, com uma política de financiamento estatal considerada na ocasião como de “dirigismo cultural”, ou quando tentou, de várias maneiras, instituir o chamado “controle social da mídia”, sinônimo de controle governamental da informação, que, aliás, Lula ameaça retomar se eleito. Bolsonaro é menos sutil, quer simplesmente acabar com os órgãos independentes.

Na questão de valores, os governos petistas foram sempre mais próximos do que é consensual no mundo ocidental, enquanto Bolsonaro defende valores retrógrados e reacionários, fazendo o país regredir nos costumes. O populismo econômico teve seu lugar no segundo governo Lula, e seu ápice no último ano, quando a economia cresceu artificialmente a 7,5% para eleger Dilma sua sucessora. Daí para a debacle econômica foi uma tendência inevitável, até que Mantega resolveu adotar “a nova matriz econômica”, levando o país à bancarrota. O desgoverno Bolsonaro vai pelo mesmo caminho.

Em 2018, o receio de que o PT voltasse ao poder fez com que a votação de Bolsonaro inchasse circunstancialmente. Entre outros, havia o receio de que a vitória petista significasse o fim do combate à corrupção e a desmoralização da Justiça. Foi o que aconteceu, no entanto, no governo Bolsonaro. Hoje, Centrão, petistas, bolsonaristas estão todos unidos no desmonte da estrutura de combate à corrupção organizada depois da descoberta do mensalão e do petrolão. Situação inaceitável e indesejável.

 

Publicado hoje em O Globo.

 

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