Do riso e do colo de Dani

Daniela Duncan (Foto: Facebook)

No início da noite de ontem, o amigo comum Pedro Vianna me ligou para dizer que Daniela Duncan tinha morrido, vítima de infarto, em Grussaí, de onde foi levada à Santa Casa de São João da Barra, à qual já chegou sem vida. Ela tinha apenas 45 anos, completos no último dia 2 de janeiro, e deixa a filha Bárbara, de 18 anos, fruto do seu primeiro casamento com Horácio Duncan, e viúvo Edlucio Paes. Era professora de educação física, vocação profissional da sua família materna desde o avô, e lecionava no Centro Escola Riachuelo e no Externato Brasil, como informou aqui o Christiano Abreu Barbosa, ao noticiar sua morte, sentida por toda uma geração de classe média que foi adolescente e jovem nas décadas de 80 e 90 do século passado. Quando éramos mais conhecidos pelos apelidos com os quais nos tratávamos.

Dani Coxuda era irmã de Marcelo Duncan, o Colorau, que depois também seguiria a tradição familiar, ao se formar e lecionar como professor de educação física. Mas naquela época, muito antes do termo “empoderamento” se tornar moda às mulheres que se afirmam entre homens, Dani já convivia, conversava e bebia de igual para igual com qualquer um da galera. Fosse seu irmão, seu então namorado Grilinho (Leonardo Rosa), Pedro Maluco, Ovo (Christiano), Gordinho (Marcelo Cordeiro), Aranha (Paulo Vitor Cortes Lopes), Otacílio (Luiz Rodrigo Cortes Lopes), Fred Calcinha (Frederico Rangel), Pancinha (Vinícius Teixeira), Sili (Luiz Otávio Moreira) e a “Lenda Viva”, como se autointitulava Rodrigo Rosa, irmão de Grilinho e de Flávia Rosa, outra mulher que habitava em igualdade de termos aquela nossa juventude masculina de província. Outros, como César Boynard, Gustavo Emílio e eu, tínhamos a vantagem de ter como apelidos apenas o diminutivo dos nossos nomes de batismo.

Conheci Dani entre o final dos anos 80 e início dos 90, na casa que seu pais, tia Iêda e Márcio, tinham em Grussaí. Era um carnaval e Dani comandava as meninas que nos maquiavam para sair no bloco de piranhas. Alta e vigorosa, então atleta de vôlei, tinha presença física imponente, com corpo e atitude de mulher desde a adolescência. Sempre de alto astral, sua característica mais marcante talvez fosse aquele riso largo, fácil e cheio de dentes. Que, creio, não será esquecido por ninguém que teve a chance de conviver com ela. Desde a ligação ontem de Pedro, várias são as histórias, caras e de parto dolorido, que brotaram na lembrança sobre Dani. Mas existe uma, capital, da qual talvez só nós dois saibamos.

Era o verão de 1992, quando meus pais tinham alugado uma casa em Grussaí. Jogávamos frescobol, quando minha inabilidade de vida inteira para esse esporte fez com que isolasse a bola de borracha com a raquete de madeira em cima do telhado da garagem. Subi no muro para pegá-la, escorreguei e caí de uma altura de três metros, arrebentando a fronte interna do meu crânio ao bater com força no chão de cimento, ainda que não tivesse produzido nem um galo na parte externa. Meu irmão e minha mãe tinham saído com o saudoso Fernandinho Gomes, para comprar cerveja. Fred Calcinha, com muita presença de espírito, pela qual devo a vida, arrumou um carro, para me levar ao Hospital Ferreira Machado.

Por todo caminho pela BR 356, até chegar ao HFM, fui deitado no banco de trás do carro, com a cabeça no colo de Dani, que me fazia cafuné e tentava me acalmar com palavras de carinho. Em meus lapsos de consciência, como ocorre com pancadas na cabeça, lembro de ter aberto os olhos uma vez, enxergando o rosto de preocupação amiga e solidária de Dani, enquanto, pelo vidro do carro, passava o Solar dos Airizes. Depois der operado por Makhoul Moussallem na Santa Casa de Misericórdia de Campos, e de ter alta do hospital, voltando à mesma casa alugada de Grussaí, descobri que a galera tinha pegado a tal bolinha de frescobol, pintado nela com esmalte uma cara de mau, apelidando-a de “Chucky, o Brinquedo Assassino”. Não perderam o amigo, nem a piada. Mas o fato é que, ainda sem poder sair de casa em meu processo de recuperação, Dani todo dia ia me ver.

Sobrevivi aos 29 anos seguintes àquele episódio. No qual, não tenho dúvida, o carinho de Dani foi tão fundamental em minha briga para continuar vivo, como foram a presença de espírito de Fred e a habilidade de Makhoul como neurocirurgião. Mesmo estando em Atafona, bem perto da Grussaí onde Dani ontem passou mal e morreu, não pude estar ao seu lado, como ela esteve do meu naquela mesma praia, quase três décadas atrás. E por isso lhe pedirei desculpas pessoalmente, de preferência com uma gelada, se existirem vida e cerveja depois daqui.

Até lá, guardo a risada aberta e o colo de Dani, no qual apoiei a cabeça e a vida, dentro de mim.

 

0

Crônica — Petistas e bolsonaristas no juízo da mesa de bar

 

 

 

Petistas e bolsonaristas no juízo da mesa de bar

 

— E o PT, hein?! — abriu os trabalhos Artur, no papo regado a cerveja com o amigo no boteco.

— Essa é a pergunta preferida dos bolsonaristas. Talvez a única que tenham para tentar justificar a excrecência que colocaram no Palácio do Planalto — devolveu Aníbal, antes de virar seu primeiro copo de Eisenbahn.

— Mas Bolsonaro elegeu na segunda-feira o presidente do Senado e da Câmara. Esta, no primeiro turno, por 302 votos de Arthur Lira contra 145 de Baleia Rossi, dando uma coça em Rodrigo Maia.

 

Erguido nos ombros dos parlamentares que o apoiaram, Arthur Lira comemora sua eleição no primrio turno a presidente da Câmara Federal (Foto: Marcelo Camargo – Agência Brasil)

 

— Sim, Maia perdeu não só o Centrão, ao qual Bolsonaro sempre pertenceu e que reconquistou com o general Luiz Eduardo Ramos, ministro-chefe da secretaria de Governo apelidado de “Maria Fofoca” pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo “Passando a Boiada” Salles. O “Nhonho”, como chamam os bolsonaristas, perdeu até o DEM na reta final.

— E ao perder o DEM no domingo, Maia ameaçou botar na roda um dos 60 pedidos de impeachment contra Bolsonaro.

— Esse foi um erro que Arthur Lira não irá cometer. Ex-pupilo de Eduardo Cunha e também condenado por corrupção na Justiça, o deputado das Alagoas sabe bem o poder que o presidente da Câmara tem. Se Bolsonaro fez barba, cabelo e bigode no Legislativo, o barbeiro e dono da navalha agora é o Centrão. Se o capitão se engraçar, como fez com Maia, Lira não terá pudor de pressionar o fio da navalha contra a carótida de quem quer manter a cadeira.

— Vou perguntar de novo: e o PT?

 

 

— Estou começando a achar você virou mesmo bolsonarista, Artur. O PT só faz merda. Foi por conta da sua incompetência amazônica que perdeu o prazo e permitiu a Lira, como seu primeiro ato na presidência da Câmara, anular todo o bloco que apoiou Rossi. Os petistas pisaram no próprio rabo e acabaram perdendo a poderosa primeira secretaria da Mesa Diretora, por serem a maior bancada, para terem que se contentar com a segunda secretaria. Não é à toa que, no Rio, Lula é Vasco. Até como coadjuvante, acabou vice mais uma vez.

— E se puder concorrer a presidente em 2022? Será que vai ser vice de novo?

— O PT não aprendeu nada com o impeachment de Dilma e a prisão de Lula. Só pensa no tal hegemonismo que herdou do leninismo de Zé Dirceu. Na mesma segunda-feira em que Bolsonaro fez os presidentes do Senado e Câmara, para se segurar na cadeira até tentar a reeleição de 2022, Lewandowski liberou à defesa de Lula o que os hackers da Vaza Jato descobriram nos celulares de Moro e Dallagnol. E, em todo o país, os petistas invadiram as redes sociais para gritar que Lula é inocente, tentando vencer pela altura e insistência do grito.

— E Moro e Dallagnol são inocentes?

 

Dupla dinâmica da Lava Jato: o procurador da República Deltan Dallagnol e o ex-juiz federal Sergio Moro (Foto: Jorge Araújo – Folhapress)

 

— Moro ultrapassou seus limites de juiz desde que liberou, a seis dias do primeiro turno de 2018, uma delação de Palocci que não aceitou no julgamento da ação penal do ex-homem forte do PT. Só para prejudicar Haddad e favorecer a Bolsonaro, de quem aceitou depois ser ministro da Justiça. A Vaza Jato do site esquerdista Intercept só revelou depois, com o trabalho sujo dos hackers, o que todos já sabiam. E Lewandowski, amigo de Lula desde os velhos tempos dos dois em São Bernardo do Campo, tornou a coisa oficial pelo STF.

— Então?

— Então um erro não justifica os outros. Os erros de Moro não apagam a montanha de evidências da corrupção sistêmica dos 13 anos do PT no governo. Que os petistas pensam poder fazer desaparecer, como em um passe de mágica. E são tão incompetentes para Houdini como são para cumprir os prazos regimentais da Câmara.

 

Harry Houdini, morto em 1926 e até hoje considerado o maior ilusionista do mundo

 

— Realmente, só os petistas e os “não sou petista, mas…” acreditam na inocência de Lula. Tirando eles, você conhece alguém capaz de dar alguma credibilidade a um site como o Brasil 247? A Janaina Paschoal ficou famosa por ter assinado o pedido de impeachment de Dilma. Mas sua maior contribuição à história política recente do Brasil foi quando ela definiu, ainda na campanha presidencial de 2018, o bolsonarismo do qual fazia parte: “petismo de sinal trocado”.

— Bolsonaristas e petistas vivem em suas bolhas. Criam e acreditam em seus mundos paralelos. Até que o real lhes estapeia as fuças. E, pior, também a de quem nada tem a ver com seus delírios e tem vergonha na cara. Pode ser pela maior recessão econômica da história do Brasil, com a desastrosa “nova matriz econômica” de Dilma e Mantega. Pode ser pelos 230 mil brasileiros mortos em asfixia lenta e sôfrega, como o Cristo crucificado, pela condução criminosa da pandemia da Covid por Bolsonaro e Pazuello.

Lula e Bolsonaro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

— Mas você não respondeu: se puder concorrer em 2022, Lula tem chance contra Bolsonaro?

— Cada um sairia da base aparentemente consolidada de 20% de intenções de voto. E seria muito difícil para qualquer outro presidenciável chegar lá. Os dois teriam, portanto, boa chance de ir ao segundo turno. Lá, Bolsonaro quer Lula e Lula quer Bolsonaro. Lulistas e bolsonaristas sonham confirmar seu universo binário nas urnas de 2022. Nós somos a realidade dos 60% espremida entre essa esquizofrenia. Lula é a melhor aposta à reeleição de Bolsonaro. Como Bernie Sanders seria, caso levasse as primárias democratas que esteve perto de ganhar, para o mundo ter que suportar mais quatro anos de Donald Trump.

— E como fazer para o Brasil rumar ao centro, pacificar o país como Joe Biden tenta fazer nos Estados Unidos?

— A melhor chance que tivemos foi com Marina Silva em 2014, catapultada pela comoção da morte de Eduardo Campos. Mas aí a ex-petista foi alvo das mesmas fake news, ecoadas cruelmente por Lula e Dilma contra sua ex-correligionária, que o PT acusa Bolsonaro de ter usado em 2018. A direita histérica dos tios e tias bolsonaristas só levou para o WhatsApp o que o PT introduziu nas eleições presidenciais brasileiras quatro anos antes, em suas campanhas milionárias de TV, custeadas com dinheiro público desviado. É que em 2014 ainda não havia o termo “fake news”, criado em 2016 pela imprensa dos EUA para classificar as notícias falsas de Trump contra Hillary Clinton, na disputa presidencial deles naquele ano.

 

 

— Em 2018, também tivemos uma chance. Ciro tinha um projeto para o país. Podia ter erros, mas tinha projeto. Tentou chegar ao centro, colocou a pecuarista Kátia Abreu de vice. Era o único com condições, em todas as pesquisas, de bater Bolsonaro no segundo turno. E daí, da cadeia, o Lula entregou a cabeça de Marília Arraes, neta do Miguel Arraes, de bandeja para o PSB dos Campos em Pernambuco, só para tirar o apoio nacional do partido ao cearense. E depois os petistas ainda tiveram a cara de pau de reclamar que ele foi para Paris, no lugar de abraçar o afogamento do nado poste de Haddad. Ironia do destino, mesmo sem o apoio do seu PT, Marília levou agora a segunda secretaria de Lira na Câmara.

 

Marília Arraes (Foto: Divulgação)

 

— O “projeto” do PT é parnasiano: é o poder pelo poder. Só para fazer contra as instituições, até pela inveja danada e não admitida pelo que seu carbono Bolsonaro já fez, para tentar se perpetuar no poder. Você leu o projeto de governo de Haddad? Viu o que o PT propunha para o Ministério Público e a imprensa? Já se o capitão conseguir mais quatro anos, o general Emílio Garrastazu Médici é o limite. Só não será porque, com Biden no poder dos EUA, se voltar a ensaiar golpe por aqui para cantar de macho, Bolsonaro apanha como moleque ou mia. Como já fez em sua cartinha tipo “Não esqueça da minha Caloi” ao novo ocupante da Casa Branca.

— Mas você não vê diferença entre os petistas e os bolsonaristas, além do “sinal trocado”?

— Os petistas geralmente são mais inteligentes. E, em geral, pessoas mais interessantes. Mesmo que a grande maioria deles seja de pequeno-burgueses que se veem “revolucionários” ao espelho no qual o próprio ridículo é como vampiro: não reflete. Mas os bolsonaristas, além de gente obtusa em sua maioria, são muito cafonas, né? O fato é que, quando tão parecidos em método, causa e efeito, é menos difícil perdoar o burro que o inteligente — distinguiu Aníbal, antes de outro gole longo de Eisenbahn gelada.

 

Publicado hoje (06) na Folha da Manhã

 

0

Lira, “dinheiro novo” e Wladimir com Hugo Leal no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta sexta, quem fecha a semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o deputado federal Hugo Leal (PSD/RJ). Ele falará da eleição de Arthur Lira (PP/AL) à presidência da Câmara Federal (confira aqui), que o parlamentar apoiou, e seu reflexos ao Brasil, ao Estado do Rio, ao Norte Fluminense e a Campos.

Hugo também falará do papel que desempenhará na busca do “dinheiro novo” no Congresso Nacional para Campos. Que foi prometido pelo seu correligionário Wladimir Garotinho (PSD), ainda como candidato a prefeito em 2020, para enfrentar a grave crise financeira do município (confira a série da Folha sobre o tema, em 11 painéis publicados entre junho e setembro de 2020, aquiaquiaquiaquiaqui, aquiaqui, aqui, aquiaqui e aqui).

Por fim, o deputado analisará o primeiro mês do governo Wladimir. Assim como o do seu aliado e representante político em Campos, o vereador reeleito Igor Pereira (SD), que se licenciou da Câmara Municipal para assumir a Fundação Municipal da Infância e Juventude (FMIJ).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

0

Lira, “dinheiro novo” e Wladimir com Clarissa no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7 da manhã desta quinta (04), a convidada do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é a deputada federal Clarissa Garotinho (Pros). Ela falará da eleição de Arthur Lira (PP/AL) à presidência da Câmara Federal (confira aqui), que a parlamentar campista apoiou, e seu reflexos ao Brasil, ao Estado do Rio, ao Norte Fluminense e a Campos.

Clarissa também falará da sua busca do “dinheiro novo” prometido pelo irmão na campanha eleitoral a prefeito de Campos em 2020, para enfrentar a grave crise financeira do município (confira a série da Folha sobre o tema, em 11 painéis publicados entre junho e setembro de 2020, aquiaquiaquiaquiaqui, aquiaqui, aqui, aquiaqui e aqui). E analisará o primeiro mês do governo Wladimir Garotinho (PSD).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

0

Fim da Lava Jato une Bolsonaro e Lula na torcida para 2022

 

Bolsonaro, Lula e Moro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) cumpriu a promessa feita em 7 de outubro de 2020, quando afirmou (relembre aqui): “eu não quero acabar com a Lava Jato, eu acabei com a Lava Jato”. Desde hoje a Lava Jato do Paraná, que teve início em 2014 e gerou outras forças-tarefa homônimas em outros estados brasileiros, inclusive no Rio e São Paulo, deixou oficialmente de existir (confira aqui). Suas investigações agora passam ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Federal (MPF) do Paraná.

Augusto Aras, procurador-geral da República de Bolsonaro

O crédito ao fim oficial da Lava Jato cabe à Procuradoria Geral da República (PGR), comandada por Augusto Aras. Advogado de fato do governo Bolsonaro, em inversão institucional extremamente perigosa à República, o chefe da PGR tem outra aparente bipolaridade: é amigo do ex-ministro petista José Dirceu. Este, em agosto de 2013, prestigiou uma festa para a cúpula do PT, dada (confira aqui) por Aras em sua casa. A quem Bolsonaro escolheria a dedo, em setembro de 2019, para ocupar a PGR fora da lista tríplice do MPF.

A Lava Jato, por certo, merece críticas. Pelo menos desde a eleição presidencial de 2018, onde o então juiz federal Sérgio Moro liberou (relembre aqui) uma delação do ex-ministro petista Antonio Palocci, a seis dias das urnas do 1º turno, que não havia aceitado no julgamento da ação penal. E depois de prejudicar política e dolosamente o PT, aceitou ser ministro da Justiça de Bolsonaro, principal beneficiado da ação eleitoral de quem deveria ter a isenção de um magistrado.

Ricardo Lewandowski, ministro do Supremo Tribunal Federal de Lula

Moro ultrapassou o limite da função de juiz, atuando em parceria com a acusação. Os fatos vieram à tona (confira aqui) com a Vaza Jato do site esquerdista Intercept, em junho de 2019. E desde a última segunda-feira, 1º de fevereiro, ganharam tom oficial, quando o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu (confira aqui) à defesa de Lula. Que terá acesso ao material que o grupo de hackers da Vaza Jato conseguiu ao invadir os celulares de Moro e do procurador Deltan Dallagnol, entre outros nomes da Lava Jato.

Ignorar os erros de Moro e Dallagnol só é comparável a quem pensa que, a partir deles, desaparecerá, como em um passe de mágica, a montanha de evidências da corrupção sistêmica dos 13 anos do PT no poder (confira aqui e aqui). Como as evidências reunidas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro de que o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos) é um ladrão reles, com suas “rachadinhas”. Ou ignorar que, bem antes do então presidente Lula nomear Lewandowski ao STF, em 2006, eles já eram amigos de longa data (confira aqui), desde os velhos tempos de ambos em São Bernardo do Campo. Falecida esposa de Lula, Marisa Letícia foi muito amiga de Karolina, mãe de Lewandowski.

 

Arthur Lira, Jair Bolsonaro e Rodrigo Pacheco (Foto: Pablo Jacob – Agência O Globo)

 

Ao eleger (confira aqui) Rodrigo Pacheco (DEM/MG) e Arthur Lira (PP/AL), respectivamente, presidentes do Senado e da Câmara Federal, no mesmo dia 1º de fevereiro em que Lewandowski liberou o material de Moro e Dallagnol para Lula, Bolsonaro em tese garantiu o necessário para se manter no cargo e longe da abertura de um dos seus 60 pedidos de impeachment, até tentar sua reeleição em 2022. E ela estará mais próxima se seu adversário no provável 2º turno for novamente o PT, que voltou a apostar todas suas fichas em Lula, a partir de uma eventual anulação das suas condenações judiciais.

Chamados por seus detratores, respectivamente, de “Miliciano” e “Presidiário”, Bolsonaro, sem Lula, é o Piupiu sem o Frajola (relembre aqui). E vice-versa. Se reeditarem em 2022 a polarização de 2018, conseguirão impedir que o país siga naturalmente o pêndulo político do mundo. Que rumou ao centro — não ao direitista Centrão — com a eleição de Joe Biden (confira aqui) como presidente dos EUA, em novembro de 2020. Caminho alternativo ao binário “nós contra eles” em que o Brasil se meteu desde as eleições presidenciais de 2014. E onde chafurda, entre os aloprados de esquerda e direita guinchando seus dogmas, até hoje.

 

Na tragicomédia da política brasileira, fique com seu resumo híbrido na animação do carturnista André Guedes:

 

 

0

Bruno fala de Restaurante, Wladimir e Carla no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h desta quarta-feira (03), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o secretário estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos Bruno Dauaire (PSC). Ele falará da sua trajetória política e do Estado do Rio entre a liderança do governo Wilson Witzel (PSC) na Alerj até a secretaria do governo Cláudio Castro (PSC). Nesta, falará do seu papel na reabertura do Restaurante Popular em Campos. Também analisará o primeiro mês de governo do seu aliado Wladimir Garotinho (PSD) e da sua adversária Carla Machado (PP).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

0

Barba, cabelo e bigode de Bolsonaro com navalha na mão do Centrão

 

Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, respectivamente novos presidentes da Câmara e Senado Federal

 

O governo Jair Bolsonaro (sem partido) teve uma vitória maiúscula com as eleições de Rodrigo Pacheco (DEM/MG) para presidente do Senado (confira aqui) e, sobretudo, da Câmara Federal (confira aqui), vencida por Arthur Lira (PP/AL) no 1º turno. Ele obteve 302 votos contra os 145 de Baleia Rossi (MDB/SP), apoiado pelo ex-presidente Rodrigo Maia (DEM/RJ). Que foi alvo do primeiro ato de Lira como seu sucessor: anular o bloco que apoiou Rossi (PT, MDB, PSDB, PSB, PDT, SD, PCdoB, Cidadania, PV e Rede) na eleição da Mesa Diretora.

Bolsonaro fez barba, cabelo e bigode com as eleições a presidente da Câmara e do Senado. Os bolsonaristas só não devem esquecer: a partir de agora, o barbeiro e dono da navalha é o Centrão.

 

Paródia do clássico de animação Picapau com a órea-bufa “O Barbeiro de Sevilha”, com música de Gioachino Rossini e libreto de Cesare Sterbini

 

0

Planalto na planície com Chico D’Ângelo no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h desta terça (02), o Planalto Central abre a manhã da planície goitacá, quando o Folha no Ar recebe como convidado da Folha FM 98,3 o deputado federal Chico D’Ângelo (PDT/RJ). Campista de nascimento e radicado em Niterói, o experiente parlamentar falará das consequências das eleições a presidência da Câmara e do Senado (confira aqui e aqui), realizadas hoje (01), para o Brasil, o Estado do Rio, o Norte Fluminense e Campos.

Chico avaliará também a presidência de Rodrigo Maia (DEM/RJ) na Câmara Federal, considerado “inimigo” do bolsonarismo, bem como o retorno do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao Centrão, ao qual sempre pertenceu em 30 anos de vida parlamentar. O deputado também falará da derrota de Caio Vianna (PDT) no segundo turno a prefeito de Campos (confira aqui e aqui), na aliança pedetista com o garotismo pelo controle da Mesa Diretora do Legislativo goitacá (confira aqui, aqui e aqui) e analisará o primeiro mês do governo municipal Wladimir Garotinho (PSD).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

0

Morre de Covid Vera Maria Lessa, mãe de quem lutou contra a Covid

 

Após voo de ultraleve entre Atafona e Lagoa Doce, dona Vera Maria Lessa, vítima da Covid, com seu filho mais velho, o promotor Marcelo Lessa, que lutou contra o descaso com a Covid (Foto: arquivo de família)

A vida não é um ato de justiça. Conheço o promotor de Justiça Marcelo Lessa, titular da 2ª Promotoria de Tutela Coletiva de Campos, há alguns anos. E, pelo convívio que por vezes excede a relação profissional entre repórter e fonte, nos tornamos amigos. Foi por ele que soube hoje da morte de sua mãe ontem, a dona de casa Vera Lúcia Lessa de Lima, de 70 anos, por complicações da Covid-19, na cidade do Rio de Janeiro, onde residia. Ela aniversariou no último dia 19, no Hospital Rio D’Or, em Jacarepaguá, onde ficou internada por cerca de 40 dias, desde antes do Natal. Deixa três filhos e três netos.

Não conheci a mãe de Marcelo, mas não posso deixar de registrar que a morte dela, por Covid, foi diametralmente oposta à atuação profissional do filho. Que foi decisiva no enfrentamento ao negacionismo e à primeira onda da pandemia da Covid-19 em Campos e outros municípios da região, entre março e abril de 2020. Quem dúvida tiver que confira as matérias nos links aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Profissional do Direito dedicado à afirmação institucional e cidadã do Ministério Público, Marcelo acabou se revoltando pessoalmente com o descaso das pessoas com a pandemia. E, em 20 de abril, deu uma declaração polêmica à InterTV (relembre aqui e aqui), quando sugeriu a adoção de critérios médicos que privilegiassem o tratamento dos doentes de Covid que cumpriam as regras de isolamento social, em detrimento de quem as quebrou e questionou. A grande repercussão, até nacional, acabaria lhe tirando da linha de frente do enfrentamento à doença. Que ora vive a sua segunda onda, fruto do mesmo descaso que o promotor denunciou há mais de nove meses.

Difícil saber o que dizer a quem perdeu a mãe. A não ser que palavra nenhuma preencherá um vazio que apenas o tempo pode arrefecer. Mais difícil ainda a quem perdeu a mãe, que havia lutado e sobrevivido a dois cânceres, por uma doença e o descaso contra os quais o filho lutou. Que Marcelo continue se mirando no exemplo de quem o deu à luz para seguir na luta contra as sombras.

 

0

Ex-presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta sexta (29), quem fecha a semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o economista Sergio Gabrielli, presidente da Petrobras entre 2005 e 2012, nos governos petistas Lula e Dilma Rousseff, e professor licenciado da Universidade Federal da Bahia. Ele falará sobre as denúncias de desmonte da cadeia de óleo e gás da Petrobras na Bacia de Campos.

Gabrielli também analisará a decadência financeira dos municípios petrorrentistas, exemplificada em Campos, que pela primeira vez na sua história (confira aqui e aqui) teve duas Participações Especiais (PEs) zeradas, E dará sua projeção sobre a partilha dos royalties aprovada no Congresso Nacional desde 2012, e desde 2013 segura por uma liminar e até hoje (confira aqui) sem data de julgamento pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

0

Menáge à trois — Bolsonaro, o leite condensado e o Centrão

 

(Foto: Divulgação)

 

Jair Bolsonaro (sem partido) e o leite condensado são uma piada pronta. Que, dado o gosto do presidente pelo alimento açucarado, explorado em sua campanha presidencial de 2018 para se vender como homem do povo, desde ontem viralizou nas redes sociais. Foi após o site Metrópoles divulgar que o governo federal gastou (confira aqui) R$ 15,6 milhões com leite condensado em 2020. Que foi comprado da empresa de uma residente em Campos dos Goytacazes, como revelou desde ontem (confira aqui) o blog do Gilberto Gomes, hospedado no Folha1.

Alvo das fake news que tem o hábito de propagar pelo seu “gabinete do ódio”, mesmo contra a vida humana, como no caso da Covid-19, o governo respondeu dizendo que a maior parte da aquisição de leite condensado foi para as Forças Armadas Brasileiras. De fato, pelo menos desde a II Guerra (1939/1945), leite condensado faz parte da alimentação dos soldados pelo mundo. Mas o presidente, também ontem, jogou qualquer explicação racional pelo ralo, com a sua habitual retórica de esgoto:

— Vai pra puta que pariu, porra. Essa imprensa de merda, é pra enfiar no rabo de vocês, de vocês da imprensa, essas latas de leite condensado aí.

 

 

As metáforas sexuais parecem ser outra obsessão do presidente. Sobretudo quando envolvem a homossexualidade e outras vertentes mais, digamos, heterodoxas. Como fez no carnaval brasileiro de 2019, quando postou no Twitter o vídeo de um homem urinando sobre o outro. E perguntou:

— O que é golden shower?

 

 

Com apoio ostensivo de Bolsonaro, é bem provável que Arthur Lira (PP/AL) vença a eleição à presidência da Câmara Federal na próxima segunda, 1º de fevereiro. O que tornaria pouco provável um dos mais de 60 pedidos de impeachment do presidente da República, dormitando no Legislativo, ser apreciado até 2022. Mas, até lá, com o abandono da pauta liberal pelo governo federal que com ela se elegeu, seria providencial se pensar em outros gastos para 2021.

Muito além da largura de qualquer recipiente conhecido de leite condensado, talvez a aquisição de lubrificante tonasse menos doloroso o que o Centrão de Arthur Lira, ao qual Bolsonaro sempre pertenceu em seus 30 anos de vida parlamentar opaca, fará com o seu governo: devorá-lo pelas entranhas até o bagaço.

 

0

Defensoria Pública analisa Covid e vacinação no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta quinta (28), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o defensor público Lúcio Campinho. Ele analisará aos olhos da Defensoria Pública da comarca o combate à pandemia em Campos e a oferta de leitos na rede de saúde do para os doentes, os critérios adotados para a vacinação contra a Covid no município e falará também do planejamento para retomada das aulas, ainda que virtualmente.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

0