Presidente da Câmara, Fábio Ribeiro no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta terça (05), o convidado do Folha no Ar é o vereador Fábio Ribeiro (PSD), eleito em 1º de janeiro presidente da Câmara de Campos, como este blog havia adiantado (aqui) desde 15 de dezembro.

Fábio analisará as urnas de novembro e projetará o governo municipal Wladimir Garotinho (PSD), falará da eleição da nova Mesa Diretora (confira aqui como ficou a composição adiantada pelo blog aqui) e do papel do Legislativo diante da crise financeira do município (confira a série da Folha sobre o tema aquiaquiaquiaquiaqui, aquiaqui, aqui, aquiaqui e aqui).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Pausa no blog com pedido a você, o outro que sou

 

 

Não foi um ano fácil. Dos 48 que tenho de vida, certamente foi o mais difícil ao mundo. E não creio que ninguém abaixo da casa dos 80 e poucos anos, que traga alguma memória de infância da II Guerra Mundial (1939/1945), possa dizer diferente. Foi o ano da Covid-19, doença que data em seu nome o ano em que surgiu. Para parar o mundo no ano seguinte, ainda presente, a menos de 48 horas de se tornar passado.

O blog faz a partir de hoje uma pequena pausa. Para retornar à ativa no dia 4. Enquanto 2021 não vem, o desejo sincero é de que ele chegue com realizações, paz e muita saúde a você, leitor. De coração, que seja um ano menos difícil para todos.

E, especialmente a você, que passou o ano pregando contra o uso da máscara e o isolamento social, que primeiro defendeu a Cloriquina como “cura” à Covid, para depois questionar a vacina como cura, peço, por favor: reflita! Ainda há tempo.

O pedido não é só por você. “I believe in you my soul, the other I am” (“Eu creio em ti alma minha, o outro que sou”) versejaria Walt Whitman, poeta maior dos EUA. É por alguém que sente dor, amor, ódio, alegria, tristeza, desejo, saudade e sofre, exatamente como você.

Caso contrário, você nunca sairá de 2020. Este ano terrível jamais o abandonará, preso como uma bola de ferro acorrentada ao pé da sua alma. Em nome dela, que é o outro, peço mais uma vez: por favor, reflita! Ainda há tempo.

Se Deus quiser, até um ano melhor. Para você, para mim e o outro. Inté!

 

EUA de Joe Biden e o Brasil de Jair Bolsonaro sem Donald Trump

Página 5 da Retrospectiva de 2020 publicada hoje na Folha da Manhã

A eleição a presidente dos EUA sempre chamou a atenção do mundo. Mas nunca tanto quanto a de 2020, vencida pelo democrata Joe Biden sobre o polêmico republicano Donald Trump — primeiro presidente a perder a reeleição em seu país desde George Bush para Bill Clinton, em 1992, há 28 anos. No Brasil e em Campos, o interesse não foi diferente, e chegou a se igualar ao gerado pelas eleições municipais de 15 de novembro. Doze dias antes, o pleito presidencial estadunidense se deu em 3 de novembro. Mas com cédulas de papel e apuração manual, onde se vota de membro de conselho tutelar a presidente, o resultado só seria confirmado (confira aqui) no dia 7. Ao leitor da Folha da Manhã, a certeza foi dada (relembre aqui) um dia antes (06), desde que a fatura do complexo colégio eleitoral dos EUA foi matematicamente definida com a virada democrata no estado da Geórgia, tradicionalmente republicano. No resultado final, totalizado só em 13 de novembro, a vitória de Biden foi incontestável: 306 votos dos delegados estaduais, contra apenas 232 de Trump. No voto popular, em que Trump já havia perdido em 2016, a diferença quatro anos depois foi ainda maior: 7 milhões de eleitores a mais para Biden.

 

Complexa cédula de votação dos EUA em novembro, de conselheiro tutelar a presidente dos EUA, do estado da Carolina do Norte (Foto: Jonathan Drake -Reuters)

 

O adiantamento de um jornal de Campos à mídia internacional, sobre o resultado da eleição ao cargo mais importante da Terra, não se deu por acaso. Mas, em 6 de novembro, culminou uma cobertura jornalística em tempo real, que se iniciou desde as convenções democrata (confira aqui) e republicana (confira aqui) de agosto. E passou pelos debates presidenciais de 29 de setembro (confira aqui) e 22 de outubro (confira aqui), até chegar à eleição e sua lenta apuração (confira aqui, aqui, aqui e aqui). Prevista em todas as pesquisas, Trump chamou sua derrota de “fraude”, sem apresentar uma única prova e com derrotas em todas suas ações na Justiça.

 

Suprema Corte dos EUA autorizou os votos pelos Correios em 2020, que são utilizados em eleições no país desde a década de 1860

 

O artifício de Trump também era previsível. Sabendo que perderia, ele conclamou seus eleitores a votarem no dia do pleito, expondo-os ao risco de contaminação pela Covid. E acusou de “fraude” os votos antecipados pelos Correios, estimulados pelos democratas para proteger a população, prática do país desde sua Guerra Civil (1861/1865) e que havia sido autorizado por sua Suprema Corte. Como os votos presenciais são contabilizados antes, Trump apostou na vantagem inicial, como de fato se deu, para tentar parar a apuração nos estados com denúncias sem provas de “fraude”, antes de entrarem os votos pelos Correios.

 

Caixa de correio do Serviço Postal dos Estados Unidos em Washington (Foto: Leah Millis – Reuters)

 

A tática trumpista deu tão errado, eleitoral e juridicamente, quanto sua estratégia sanitária de combate à Covid-19, considerada responsável pelos EUA serem o país do mundo mais afetado pela doença. Que, com suas devastadoras consequências também econômicas, foi o principal adversário de Trump, não Biden. Coube a este apostar na esperança e na promessa de enfrentamento franco à pandemia, subordinado à ciência. E não ao seu negacionismo por ideologia política que pode ainda viralizar como fake news nas redes sociais, mas é incapaz de combater um vírus real, no mundo real. Presidente eleito mais velho da história dos EUA, o democrata venceu nas urnas com 77 anos e assumirá a Casa Branca em 20 de janeiro aos 78, após aniversariar em 20 de novembro.

 

Joe Biden e Kamala Harris, primeira mulher, primeira negra e primeira descendente de asiáticos a ser eleita vice-presidente dos EUA (Foto: Twitter)

 

Vice-presidente nos dois mandatos de Barack Obama, Biden elegeu na sua chapa uma ex-adversária dura nas primárias democratas, a ex-senadora da Califórnia Kamala Harris, como a primeira mulher, primeira negra e primeira de ascendência asiática, como vice-presidente dos EUA. Os jovens que tomaram as ruas do país no movimento “Black Lives Matter” (“Vidas Negras Importam”), após a morte do negro George Floyd por um policial branco em 25 de maio, entenderam o recado. E, em um país onde o voto não é obrigatório, compareceram em massa nas urnas de novembro. Assim como os negros, a quem o presidente eleito dos EUA agradeceu por sempre tê-lo apoiado em seu discurso de vitória.

 

Protesto do Black Lives Matter em 1º de junho, em frente à Casa Branca (Foto: Olivier Douliery – AFP)

 

Considerado um moderado em seus 47 anos de vida pública, Biden acenou à diversidade de gênero, além da racial. Tanto no discurso de vitória, quanto na sua equipe de transição, à qual nomeou Shawn Skelly, militar veterana transexual, para um dos setores mais emblemáticos ao poder que os EUA ainda exercem no mundo: seu Departamento de Defesa. Além das questões identitárias, o presidente eleito fez promessas ousadas enquanto candidato: além de enfrentar a Covid, revitalizar o Obama Care dilapidado por Trump em um país sem SUS, taxar as grandes fortunas para bancar a assistência social aos mais pobres e impor um salário mínimo aos EUA de US$ 15 por hora. E o democrata será tão cobrado para implementá-las, quanto se não surtirem o efeito desejado, após assumir a Casa Branca.

 

Emblematicamente, a veterana transgênero Shaw Skelly foi nomeada por Biden para a transição de governo no Departamento de Defesa dos EUA (Foto: Dallas Voice)

 

Fruto da primeira revolução do Iluminismo, com sua mesma Constituição aprovada desde 1787, elegendo George Washington seu primeiro presidente em 1789 — quando só então se deu a Revolução Francesa —, os EUA são a democracia mais longeva do mundo. E, nestes mais de 230 anos, Trump foi seu primeiro presidente a usar a Casa Branca como palco do lançamento da sua candidatura à reeleição. Como foi o primeiro ao não admitir sua derrota nas urnas, o primeiro a atacar sua própria democracia e, ao fazê-lo, o primeiro a ter um pronunciamento ao vivo cortado, por mentir descaradamente, pelas principais redes de TV do seu país. Mesmo com o apoio do governo democrata Lyndon Johnson ao golpe militar no Brasil em 1964, em plena Guerra Fria (1947/1991), Trump também foi o primeiro a permitir tanto a aproximação de um presidente brasileiro: seu fã confesso Jair Messias Bolsonaro (sem partido).

 

 

Estimulado por essa proximidade pessoal com Trump, que só rendeu vantagens comerciais aos EUA e nenhuma ao Brasil, será difícil que Bolsonaro e seus apoiadores voltem, por exemplo, a ameaçar veladamente um golpe militar, como fizeram em manifestações públicas em abril e maio de 2020. Após Biden assumir o poder em 2021, a “brincadeira” bolsonarista de golpe acaba — por bem ou por mal. Sobretudo após o presidente brasileiro ameaçar os EUA com “pólvora” em 11 de novembro. E ser repreendido internamente pelo núcleo militar do seu governo, por ter conseguido ridicularizar as Forças Armadas Brasileiras em todo o mundo.

 

 

A bravata foi uma tentativa de resposta a Biden, já presidente eleito dos EUA, que aventou punir o Brasil com sanções comerciais, caso não cessem as queimadas criminosas da Amazônia. Só que o democrata disse isso quando ainda era candidato, no debate com Trump de 29 de setembro, 43 dias antes da “ameaça” de Bolsonaro. O que não torna tão estranho que o presidente brasileiro só tenha admitido a vitória eleitoral de Biden em 15 de dezembro, 44 dias após seu anúncio oficial. O tempo de reação do capitão teve retardo quase igual.

 

Bolsonaro e Trump trocaram camisas personalizadas das seleções de futebol do Brasil e dos EUA, em visita à Casa Branca de 19 de março de 2020 (Foto: Kevin Lamarque – Reuters)

 

Enquanto comete sucessivos erros que atrasam também a vacinação da população brasileira contra a Covid, que até Trump tentou abreviar nos EUA, Bolsonaro pode ser obrigado a repensar a presença em seu governo de ministros negacionistas como Ernesto Araújo, nas Relações Exteriores, e Ricardo Salles, no Meio Ambiente. Além de reafirmar que seu governo exercerá liderança firme no combate ao aquecimento global, Biden nomeou John Kerry como seu “czar do clima”.

 

Em janeiro de 2020, antes das primárias democratas, John Kerry já apoiava a candidatura de Biden a presidente, de quem será o “czar do clima” (Foto: Andrew Harnik – AP Photo)

 

Ex-governador e ex-senador de Massachusetts, ex-candidato democrata a presidente em 2004 — quando perdeu por diferença inferior a Trump em 2020 — e ex-secretário de Estado do governo Obama, Kerry é também um veterano condecorado por bravura na Guerra do Vietnã (1955/1975). Que se tornou um líder no movimento contra aquela guerra, ao voltar ao seu país e entrar na política. O “czar do clima” de Biden tem o seu aval. E muito mais experiência de fogo que Bolsonaro. A partir de 20 de janeiro, quando mudam os ocupantes e os rumos da Casa Branca, 2021 promete. Aos EUA e ao mundo.

 

Publicado hoje (30) na Folha da Manhã

 

Com Nildo, Fábio deve chegar a 23 votos a presidente da Câmara

Fábio deve chegar a 23 votos para presidente da Câmara, confirmado hoje o de Nildo (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Anunciado aqui, desde 15 de dezembro, está praticamente confirmado: o vereador Fábio Ribeiro (PSD) será o novo presidente da Câmara Municipal de Campos. Além do PDT de Campos oficializar ontem (confira aqui) o apoio aos Garotinho que a Folha havia adiantado em detalhes (confira aqui e aqui) desde o final de semana, hoje o vereador Nildo Cardoso (PSL) também confirmou seu voto em Fábio para presidente:

— Já tinha dito, só vou votar em quem me pedir voto. Fábio me pediu há cerca de duas semanas. Como nenhum outro candidato a presidente da Câmara se apresentou, confirmei hoje: meu voto será dele. Agora, que já defini, não mudo nem se outro candidato aparecer e me pedir. Mas fechei meu voto a presidente em separado, como serão os votos de cada um dos 25 vereadores, a cada cargo da Mesa Diretora. O resto da chapa, pelo meu voto, vamos ainda analisar — ressalvou Nildo.

Junto com Fábio, praticamente certo à presidência da Casa do Povo — com 23 votos, à exceção talvez dos votos dos ainda em aberto dos edis Abdu Neme (Avante) Marquinho Bacellar (SD) —, o mais provável para o resto da Mesa Diretora é: Juninho Virgílio (Pros) na 1ª vice-presidência, Leon Gomes (PDT) como 1º secretário, Maicon Cruz (PSC) como 2º vice-presidente, e Dandinho Rio Preto (PSD) como 2º secretário.

 

Câmara de Campos — PDT oficializa a Folha e ecoa conselho dos EUA

O que a política de Campos, de Wladimir, Caio e Fábio, tem a aprender com a dos EUA, de Biden, Trump e Kenney? (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Na segunda-feira retrasada (21), através deste blog, a Folha anunciou (confira aqui) “a reunião ontem (20) entre o prefeito Wladimir Garotinho (PSD) e seu adversário no segundo turno, o ex-prefeitável Caio Vianna (PDT)”. Assim como seu efeito prático: “a confirmação do apoio dos vereadores pedetistas Marquinhos do Transporte, Luciano Rio Lu e Leon Gomes à candidatura do garotista Fábio Ribeiro (PSD) à presidência da Casa”.

No último sábado (26), na nota intitulada “Acordo entre Wladimir e Caio deve garantir a Câmara aos Garotinho”, o blog adiantou (confira aqui) como se daria a oficialização da aliança entre os dois que disputaram o segundo turno a prefeito de Campos: “A aliança deve ser oficializada em uma nota do PDT, com a anuência de Rodrigo Neves, prefeito de Niterói e principal apoiador de Caio”.

No último domingo (27), o blog adiantou (confira aqui) como se daria a participação do PDT na nova Câmara presidida por Fábio, ao relembrar o “acordo no último domingo (20) com seu adversário (Wladimir) no segundo turno a prefeito, Caio Vianna (PDT). Que fez quatro vereadores e, na nova Mesa Diretora, deve ter Leon Gomes (PDT) como 1º secretário”.

Pois ontem (28), uma semana após a Folha anunciar o acordo entre Wladimir e Caio, e dois dias depois de adiantar que esse mesmo acordo seria oficializado em uma nota do PDT, o partido escolheu um site local para divulgar a mesma nota. E causou tanta repercussão, que o blog só foi informado hoje, por terceiros, da oficialização do que já havia adiantado em detalhes.

De qualquer maneira, a divulgação seletiva do PDT de Caio, do que o blog adiantou que faria, serviu para explicar o motivo do vereador Leon Gomes ter desmarcado às 20h44 de ontem (28) sua participação no Folha no Ar da manhã de hoje. Isso, após ter confirmado, às 14h03 do mesmo dia, sua participação no programa da Folha FM 98,3. Em que Caio, democraticamente, participou duas vezes (confira aqui e aqui) como candidato a prefeito, como todos os outros.

Nas três notas que adiantou o que e como a bancada do PDT de Campos agiria em relação à eleição da Mesa Diretora, foram geradas, como manda a ética jornalística, pedidos de posicionamento a Caio. Por WhatsApp, todas as mensagens foram visualizadas, mas nenhuma respondida. O ex-prefeitável, lógico, está no seu direito. Se também é limitar a divulgação dos atos oficiais do PDT, isso é uma outra conversa. Cuja decisão, e seu ônus, cabem ao PDT.

Todavia, até como conselho de final de ano ao promissor político campista de apenas 32 anos, completos no último dia 8, fica o conselho dado um mês antes pelo prefeito da Filadélfia, o veterano democrata Jim Kenney, ao ainda presidente dos EUA, o republicano Donald Trump. Foi depois que este não se conformou com sua derrota nas urnas presidenciais (relembre aqui) para o democrata Joe Biden, em 3 de novembro:

— Precisa vestir as calças de menino grande — ponderou Kenney a Trump.

Sobre a Câmara Municipal, honrar o que acordou, do que foi seguida e até publicamente acusado de não fazer nas últimas eleições de Campos, seria um passo talvez interessante ao jovem pedetista para 2021.

 

Ana Cristina Barreto Guimarães, aos 46, morreu de amor

Ana Cristina Barreto Guimarães

Já escrevi, mais do que gostaria, que nada evidencia o tempo passando por nós, do que quando ele deixa de passar a quem nos servia de referência. Alguém que você namorou sempre será uma referência. Ana Cristina Barreto Guimarães era uma referência boa na minha vida, em que buscava porto após atravessar os mares sempre tempestuosos da paixão. Tínhamos perdido contato nos últimos anos, nessas coisas da vida que acontecem sem você saber por quê. Ela faleceu na manhã de hoje, no Hospital da Unimed, com apenas 46 anos, em consequência de um AVC. Este, por sua vez, consequência da Covid que a acometeu em agosto e matou seus pais. O pai naquele mesmo mês, a mãe em setembro, com os quais morava desde que nasceu e dedicava sua vida.

Formada em Direito pela FDC, Ana Cristina não chegou a exercer a profissão. Mas teve atuação ativa na Câmara Júnior, instituição tradicional de Campos, da qual foi a primeira mulher presidente, em 2002, aos 28 anos. Foi então que a conheci, mulher grande, com porte de guerreira Valquíria e voz doce, jovem promessa de liderança da cidade. Através de amigos comuns, como o advogado Andral Tavares Filho, ex-presidente da OAB-Campos, além do falecido economista Irezê Mesquita, ambos também da Câmara Júnior, minha relação com ela se aproximou. A amizade e atração mútua se consumariam depois em namoro, logo após eu ter saído do meu segundo casamento. Este com a maior e, talvez, única paixão que tive na vida.

Era o ano de 2005, quando eu e Ana Cristina namoramos. E o fato dela lembrar muito fisicamente minha segunda ex-esposa, não de rosto, mas de porte, acabou minando qualquer possibilidade de sucesso do nosso namoro. Em algo involuntário, mas tremendamente injusto, buscava o que nela me lembrava outra pessoa. E não pude me focar na pessoa maravilhosa que Ana Cristina era por si mesma. Lembro muito das nossas conversas alongadas, já madrugada alta, dentro do meu carro, após sairmos juntos à noite, quando ia deixá-la para dormir na casa dos seus pais, no Parque São Caetano. Independente do tema do papo, a doçura era sempre sua principal característica.

No final de semana prolongado pelo feriado de 15 de novembro, que caiu na terça daquele ano de 2005, Andral e Irezê, junto ao petroleiro hoje aposentado Rubens Muniz Filho, alugaram uma casa na praia de Geribá, em Búzios. E convidaram a mim e Ana Cristina. Reunidos em quatro casais, passamos ótimos momentos juntos. Lembro de uma noite em que, após algumas doses de whisky — bebida que, naquele tempo, eu ainda consumia —, convidei a todos para comer escargot no Chez Bigitte, na Rua das Pedras. E com a maioria de nós já alterada pelo destilado escocês, e pouca intimidade com a arte de segurar a concha do caramujo com uma pinça para retirar com um garfo de duas pontas a lesma preparada à base de manteiga e ervas, reproduziam-se cenas muito engraçadas. Não raro, protagonizadas por um caracol catapultado do prato pela mesa, como se vivo e transformado em animal ligeiro na pegada errada da pinça.

Àquela época, eu ainda praticava caça submarina. E independente do quanto a noite a madrugada anterior tivessem se estendido, Ana Cristina não só atendia ao pedido de me acordar assim que o sol nascia, melhor horário para a prática do esporte, quando os peixes maiores do oceano ainda se sentem seguros em suas incursões noturnas à beira mar. Após me despertar, o que nunca era fácil, ele me acompanhava até a praia de Ferradura, fundo de mar que até hoje eu talvez melhor conheça. E de cima de uma pedra esperava paciente e solitária, por horas, até que eu regressasse das águas azuis mais ou menos abençoado de sorte, em peixes vazados de arpão e pendurados pela fieira atada à cintura. Sempre me recebia de volta do mar com uma toalha seca e um beijo molhado de orgulho.

Ana Cristina morreu hoje como prova viva do poder destruidor da Covid. Capaz de dizimar uma família inteira, não só pelo que provoca no corpo, mas na alma humana de quem sobrevive. Não por mim ou nenhum outro idiota com quem se relacionou, ela morreu pela mulher e o homem que lhe deram a vida.

Doce como era, Ana Cristina morreu de amor.

 

No Folha no Ar desta 2ª: como resgatar a agropecuária em Campos?

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta segunda (28), o convidado do Folha no Ar será o professor Almy Junior, ex-reitor da Uenf e secretário de Agricultura confirmado (confira aqui) do governo eleito Wladimir Garotinho (PSD). Ele falará sobre o que pretende fazer para resgatar a vocação agropecuária de Campos, eixo econômico do município do séc. 17 até os anos 1990, e desde então abandonada pelo dinheiro fácil do petróleo.

Almy também analisará outra alternativa para Campos sair da crise financeira: a parceria do poder público municipal com as universidades instaladas na cidade. E como, em sua pasta, fará isso no equilíbrio entre o agronegócio e a agricultura familiar. Por fim, ele falará da importância que a cana ainda tem na economia campista, cuja safra movimentou este ano, com apenas duas usinas, em torno de R$ 500 mil (confira aqui), cerca de 1/3 do orçamento previsto para a cidade (confira aqui) em 2021.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta segunda pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Aumenta a vantagem de Fábio a presidente da Câmara de Campos

 

Com apoio de Wladimir, Fábio se elegerá presidente da Câmara Municipal de Campos com o voto de Igor e talvez até o de Nildo, a despeito das críticas ao prefeito eleito que Nahim fez ontem em defesa do filho, Helinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Desde 15 de dezembro, o blog anunciou (confira aqui): Fábio Ribeiro (PSD) será o novo presidente da Câmara. O acordo então feito entre o prefeito eleito Wladimir Garotinho (PSD) e o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) azedou, depois que o grupo político do último, que elegeu seis vereadores, passou a exigir (confira aqui) a 1ª vice-presidência na nova Mesa Diretora. Mas Wladimir flanqueou os Bacellar, como a tática militar chama o movimento para evitar o confronto frontal e cercar o inimigo, ao firmar um acordo no último domingo (20) com seu adversário no segundo turno a prefeito, Caio Vianna (PDT). Que fez quatro vereadores e, na nova Mesa Diretora, deve ter Leon Gomes (PDT) como 1º secretário. O 1º vice-presidente, cargo que os Bacellar queriam, será do garotista Juninho Virgílio (Pros).

Em reconhecimento tácito da derrota, Rodrigo Bacellar liberou seus vereadores antes do Natal para a eleição interna pela Câmara Municipal. Dois deles, Silvinho Martins (MDB) e Rogério Matoso (DEM) indicaram ontem (confira aqui) que podem seguir o exemplo de Marcione da Farmácia (DEM), apoiando os Garotinho na disputa pela Mesa Diretora. Hoje, outro vereador dos Bacellar, Igor Pereira (SD) revelou ao blog que seguirá o mesmo caminho. Após chegar a ser apontado como alternativa dos Bacellar como candidato à presidência contra Fábio Ribeiro, o edil Nildo Cardoso negou a possibilidade. E revelou que Fábio, em quem admitiu poder votar, “foi o único a pedir meu voto para presidente”.

Se conseguir o apoio até de Nildo, Fábio poderia chegar a 23 entre os 25 votos. Caso consiga, hoje ficariam de fora apenas os vereadores Marquinho Bacellar (SD) e Abdu Neme (Avante). Helinho Nahim (PTC), primo de Wladimir, chegou a ser dúvida, depois que seu pai, o ex-prefeito Nelson Nahim (MDB), usou as redes sociais na noite de ontem para declarar, antes de apagar a postagem na manhã de hoje:

— Quero pedir desculpas a todas as pessoas que pedi para votar em Wladimir no segundo turno para prefeito de Campos. Desejo a ele sucesso na administração da nossa cidade, mas não posso admitir a ingratidão a meu filho Hélio que fez de tudo para ajudá-lo não só na sua difícil eleição, mas também no sentido de levar o maior número de vereadores para apoiar o seu governo. Vida que segue. Vá em frente meu filho. Conte sempre com seu pai. Deus te abençoe — desejou Nelson Nahim.

Mas, após a divulgação da postagem, Helinho entrou em contato com o blog para esclarecer  que a posição do pai nada tem a ver com a sua na eleição da Mesa Diretora:

— Política é feita de conversa. O único candidato (a presidente da Câmara) com que falei, o único candidato que até agora se apresentou, é Fábio Ribeiro. A manifestação do meu pai nas redes sociais reflete sua insatisfação pela maneira que ele entende que os vereadores que apoiaram Wladimir no segundo turno a prefeito estão sendo agora tratados, em detrimento de vereadores quem apoiaram o outro candidato. Mas nada tem a ver com a eleição da Mesa Diretora — garantiu o vereador eleito e filho de Nelson Nahim.

Vereadores com reduto eleitoral na Baixada Campista, Igor e Nildo também se posicionaram hoje ao blog:

— Eu gosto de política de grupo. Wladimir ganhou a eleição, mas sabe que não foi uma vitória fácil ou confortável. Por mais que consiga parcerias, não vai ter o dinheiro que precisa para administrar a cidade. Conversei com ele e estou conversando ainda, até o dia 1º (de janeiro). Política é conversa. Mas vou votar em Fábio a presidente. Nele e em sua chapa — declarou Igor Pereira, considerado um dos vereadores mais próximos aos Bacellar.

— A Mesa está decidida, a presidência é de Fábio Ribeiro. Há muitos vereadores de “primeira viagem”, que não têm como bancar oposição, nem mesmo uma postura independente, no primeiro biênio. Até 1º de janeiro, tudo será definido. Não pedi voto a ninguém (para presidente). Então não tem sentido alguém ficar dizendo se vai votar em mim, ou não. Rogério (Matoso, que declarou ontem que não votaria em Nildo), quem ajudou a colocar no governo Rafael (Diniz, Cidadania) fui eu. Até agora, Fábio foi o único a pedir meu voto a presidente, em duas conversas reservadas. Se não aparecer nenhuma novidade, voto nele. Não vou fazer oposição em uma cidade quebrada, não vou radicalizar, até porque sei que o município precisa da nossa experiência. Mas também não vou ser um “puxadinho” do Executivo — contrapôs Nildo Cardoso.

 

Atualizado às 13h23 para incluir a posição de Helinho Nahim.

 

Acordo entre Wladimir e Caio deve garantir Câmara aos Garotinho

Câmara de Campos deve ser presidida por Fábio Ribeiro, em acordo costurado entre Wladimir e Caio para derrotar Rodrigo (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Seja para prefeito, vereador ou Mesa Diretora do Legislativo, eleição só acaba quando termina. Mas salvo algo muito fora da curva nos próximos quatro dias, o prefeito eleito Wladimir Garotinho (PSD) venceu a queda de braço com o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) pelo controle da Câmara Municipal de Campos, que deve mesmo ser presidida pelo vereador Fábio Ribeiro (PSD). A sensação entre os 25 vereadores eleitos, é que Wladimir venceu a disputa após selar um acordo no dia 20 (relembre aqui) com seu adversário no disputado segundo turno a prefeito, Caio Vianna (PDT), que fez três vereadores. A aliança deve ser oficializada em uma nota do PDT, com a anuência de Rodrigo Neves, prefeito de Niterói e principal apoiador de Caio.

 

Vice-prefeito eleito, Frederico Paes entrou no jogo político e costurou acordo com o vereador Marcione (Foto: Divulgação)

 

Ciente da derrota, Rodrigo Bacellar já teria liberado antes do Natal seus seis vereadores. À exceção de Marquinho Bacellar (SD), irmão de Rodrigo, que deve ficar na oposição, o deputado estadual teria liberado os outros cinco edis eleitos por seu grupo político, para a eleição da nova Mesa Diretora. Assim, além dos 18 vereadores que a candidatura de Fábio a presidência já teria — contando com Bruno Pezão (PL), mais os pedetistas Marquinhos do Transporte, Luciano Rio Lu e Leon Gomes — os edis do grupo dos Bacellar também podem apoiar os Garotinho no Legislativo, fazendo a conta chegar a 21 ou 22. Marcione da Farmácia (DEM) já é considerado certo, em acordo costurado também pelo vice-prefeito eleito Frederico Paes (MDB). Silvinho Martins (MDB), Rogério Matoso e Helinho Nahim (PTC), podem seguir o mesmo caminho.

 

Vereadores Silvinho Martins e Rogério Matoso (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

— Rodrigo conversou com a gente antes do Natal e nos liberou. Caminharíamos com uma candidatura própria do grupo à mesa diretora se tivéssemos chance. Mas eles (os Garotinho) já têm 18 vereadores. O xeque-mate foi o acordo entre Wladimir e Caio. Agora, o que nós ainda tentamos pleitear é a segunda secretaria da mesa diretora. Acredito que Marquinho (Bacellar) vai ficar na oposição. Mas isso é uma opinião pessoal minha — disse o edil Silvinho Marins, aliado dos Bacellar

— Para nosso grupo disputar a presidência da Casa, tem que definir quem seria o presidente. Quem seria? Em Marquinho, eu talvez votasse. Mas não em Abdu Neme (Avante) ou Nildo Cardoso (PSL). Com todo o respeito que eu tenho aos dois, por que votaria em um deles? Com quem eles caminharam no segundo turno a prefeito? E como eu vou explicar isso ao meu eleitor e ao meu grupo político, depois de ter apoiado Dr. Bruno Calil (SD) no primeiro turno, mas apoiando publicamente Wladimir no segundo? Como eu vou apoiar um candidato a presidente do Legislativo só porque ele (Nildo) foi o último voto a se definir? Isso não é critério. Se ele foi o último eu sou o penúltimo voto. Campos precisa de paz, de diálogo — pregou Rogério Matoso, que também confirmou a reunião em que Rodrigo Bacellar teria liberado os votos na Mesa Diretora.

Com a admissão, dentro do grupo dos Bacellar, de que os Garotinho devem vencer a disputa pela Mesa Diretora, esta tem duas contas praticamente fechadas: Fábio Ribeiro na presidência e Juninho Virgílio (Pros) na 1ª vice-presidência. Confirmado o acordo com Caio, também seria certo um dos três vereadores do PDT na 1ª secretaria. As outras duas vagas ainda dependem de composição. Maycon Cruz (PSC) surge com força para a 2ª vice presidência, enquanto a 2ª secretaria pode ficar com Dandinho do Rio Preto (PSD), embora este possa ceder o cargo para algum vereador que vier dos Bacellar.

— Só posso elogiar a maturidade de Caio nas negociações. Após um segundo turno a prefeito bastante acirrado, ele demonstra capacidade de articulação e seu compromisso com a governabilidade. Até por ter ficado próximo de levar a Prefeitura, ele sabe o tamanho das dificuldades que teremos pela frente. Teremos Poderes independentes, sim, mas trabalhando em harmonia pela cidade. Não podemos ser oposição a Campos. E Caio até aqui tem mostrado estar bem ciente disso — ressaltou Fábio Ribeiro.

 

Jesus em prosa e verso — “Amor da carpintaria” é presente do Natal

 

“Cristo de São João da Cruz” (1951), óleo sobre tela de Salvador Dalí, Museu e Galeria de Arte de Kelvingrove, em Glasgow, Escócia (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

Hoje, véspera do dia a que se atribui o aniversário do Cristo, deveria ser de reflexão. Sobretudo ao final de um ano tão difícil ao mundo quanto foi 2020. Questão de fé é uma coisa muito particular. E, dentro da mesma fé, há particularidades. Assim, o seu Cristo, leitor, é o seu. Ele não é exatamente o mesmo Cristo do Papa Francisco, por sua vez diferente do Cristo do Patriarca Teodoro II, diferente do Cristo de Lutero, diferente do Cristo de Tomás de Aquino, diferente do Cristo de Agostinho, diferente do Cristo de Saulo de Tarso, diferente do carpinteiro e rabi da Galileia chamado em vida de Yeshua, Iisoús em grego, Iesus em latim.

O fato histórico é que Jesus morreu jovem, aos 33 anos. E como parece ser uma infeliz coincidência com outros grandes líderes que pregaram a paz, teve uma morte muito violenta. Mas sua vida curta e grande obra bifurcaram o mundo. Por isso o nosso calendário romano e cristianizado serve de referência mesmo às civilizações humanas de outra matriz, que mantêm suas próprias datações. E o faz dividido em antes e depois do nascimento de Cristo. Que hoje o Ocidente e parte do Oriente celebram em reuniões familiares reduzidas, ou como deveriam ser, em tempos de pandemia da Covid-19.

Sobretudo na Civilização Ocidental, a influência de Jesus está no seu éthos, no seu alicerce moral. A despeito dos crimes cometidos em seu nome ao longo da História. Como, de resto, em nome de todas as religiões. Mesmo as que assim não se consideram, em seu pretensioso ateísmo iluminista, como o liberalismo, o marxismo e o nazifascismo. Ainda assim, o legado de Jesus ao Ocidente — e mesmo à Civilização Islâmica, onde é considerado profeta e chamado por seu nome árabe de Issa — teve peso agregador e civilizatório. Que manteve a Europa unida no milênio da Idade Média, ou “das Trevas”, entre a queda de Roma e a colonização das Américas.

Muitos pensadores consideram o amor como o maior legado de Jesus, sua grande revolução. Não só o amor na relação do homem com Deus, que permitiu ao cristianismo entrar na Europa e nas Américas de uma maneira que o judaísmo e o islamismo — religiões do mesmo Deus de Abraão — nunca conseguiriam, mas também no amor do homem pelo homem. “Amarás ao próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:39) nas palavras com que Jesus, abaixo apenas do amor a Deus, deu seu segundo mandamento. E com ele universalizou o que o judaísmo do Velho Testamento reservava só aos filhos de Israel: “Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo, mas amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Levítico 19:18).

Essa capacidade de olhar o semelhante como irmão, independente de raça ou tribo, sobretudo em caso de necessidade, é a maior contribuição do cristianismo à humanidade. Ao final de um ano bastante difícil para esta mesma humanidade, de muito trabalho e muitas perdas, mas também de relativo sucesso profissional ao Grupo Folha (relembre aqui), que o amor pregado por Jesus seja o grande presente a você, leitor. E a todos a quem o aniversariante nos ensinou a olhar como irmãos.

 

Abaixo, seguem três poemas. O primeiro, junto com sua interpretação pelo falecido ator Paulo Autran, é de Alberto Caeiro, heterônimo do poeta português Fernando Pessoa. O segundo, um soneto de Gregório de Matos, nosso maior barroco, segue com sua interpretação pelo ator Miguel Falabella. E o terceiro, com o perdão aos dois primeiros autores pela companhia, assim como ao modernista Carlos Drummond de Andrade, que abre o poema final de minha autoria:

 

Menino Jesus e Fernando Pessoa

 

Num meio-dia de fim de Primavera

(Alberto Caeiro/Fernando Pessoa, parte VIII de “O guardador de rebanhos”)

 

Num meio-dia de fim de Primavera

Tive um sonho como uma fotografia.

Vi Jesus Cristo descer à terra.

Veio pela encosta de um monte

Tornado outra vez menino,

A correr e a rolar-se pela erva

E a arrancar flores para as deitar fora

E a rir de modo a ouvir-se de longe.

 

Tinha fugido do céu.

Era nosso demais para fingir

De segunda pessoa da Trindade.

No céu era tudo falso, tudo em desacordo

Com flores e árvores e pedras.

No céu tinha que estar sempre sério

E de vez em quando de se tornar outra vez homem

E subir para a cruz, e estar sempre a morrer

Com uma coroa toda à roda de espinhos

E os pés espetados por um prego com cabeça,

E até com um trapo à roda da cintura

Como os pretos nas ilustrações.

Nem sequer o deixavam ter pai e mãe

Como as outras crianças.

O seu pai era duas pessoas —

Um velho chamado José, que era carpinteiro,

E que não era pai dele;

E o outro pai era uma pomba estúpida,

A única pomba feia do mundo

Porque não era do mundo nem era pomba.

E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.

 

Não era mulher: era uma mala

Em que ele tinha vindo do céu.

E queriam que ele, que só nascera da mãe,

E nunca tivera pai para amar com respeito,

Pregasse a bondade e a justiça!

 

Um dia que Deus estava a dormir

E o Espírito Santo andava a voar,

Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.

Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.

Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.

Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz

E deixou-o pregado na cruz que há no céu

E serve de modelo às outras.

Depois fugiu para o Sol

E desceu pelo primeiro raio que apanhou.

Hoje vive na minha aldeia comigo.

É uma criança bonita de riso e natural.

Limpa o nariz ao braço direito,

Chapinha nas poças de água,

Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.

Atira pedras aos burros,

Rouba a fruta dos pomares

E foge a chorar e a gritar dos cães.

E, porque sabe que elas não gostam

E que toda a gente acha graça,

Corre atrás das raparigas

Que vão em ranchos pelas estradas

Com as bilhas às cabeças

E levanta-lhes as saias.

 

A mim ensinou-me tudo.

Ensinou-me a olhar para as coisas.

Aponta-me todas as coisas que há nas flores.

Mostra-me como as pedras são engraçadas

Quando a gente as tem na mão

E olha devagar para elas.

 

Diz-me muito mal de Deus.

Diz que ele é um velho estúpido e doente,

Sempre a escarrar no chão

E a dizer indecências.

A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.

E o Espírito Santo coça-se com o bico

E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.

Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.

Diz-me que Deus não percebe nada

Das coisas que criou —

«Se é que ele as criou, do que duvido.» —

«Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,

Mas os seres não cantam nada.

Se cantassem seriam cantores.

Os seres existem e mais nada,

E por isso se chamam seres.»

E depois, cansado de dizer mal de Deus,

O Menino Jesus adormece nos meus braços

E eu levo-o ao colo para casa.

 

……

 

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.

Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.

Ele é o humano que é natural,

Ele é o divino que sorri e que brinca.

E por isso é que eu sei com toda a certeza

Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

 

E a criança tão humana que é divina

É esta minha quotidiana vida de poeta,

E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre.

E que o meu mínimo olhar

Me enche de sensação,

E o mais pequeno som, seja do que for,

Parece falar comigo.

 

A Criança Nova que habita onde vivo

Dá-me uma mão a mim

E a outra a tudo que existe

E assim vamos os três pelo caminho que houver,

Saltando e cantando e rindo

E gozando o nosso segredo comum

Que é o de saber por toda a parte

Que não há mistério no mundo

E que tudo vale a pena.

 

A Criança Eterna acompanha-me sempre.

A direcção do meu olhar é o seu dedo apontando.

O meu ouvido atento alegremente a todos os sons

São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.

 

Damo-nos tão bem um com o outro

Na companhia de tudo

Que nunca pensamos um no outro,

Mas vivemos juntos e dois

Com um acordo íntimo

Como a mão direita e a esquerda.

 

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas

No degrau da porta de casa,

Graves como convém a um deus e a um poeta,

E como se cada pedra

Fosse todo um universo

E fosse por isso um grande perigo para ela

Deixá-la cair no chão.

 

Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens

E ele sorri, porque tudo é incrível.

Ri dos reis e dos que não são reis,

E tem pena de ouvir falar das guerras,

E dos comércios, e dos navios

Que ficam fumo no ar dos altos mares.

Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade

Que uma flor tem ao florescer

E que anda com a luz do Sol

A variar os montes e os vales

E a fazer doer aos olhos os muros caiados.

 

Depois ele adormece e eu deito-o.

Levo-o ao colo para dentro de casa

E deito-o, despindo-o lentamente

E como seguindo um ritual muito limpo

E todo materno até ele estar nu.

 

Ele dorme dentro da minha alma

E às vezes acorda de noite

E brinca com os meus sonhos.

Vira uns de pernas para o ar,

Põe uns em cima dos outros

E bate as palmas sozinho

Sorrindo para o meu sono.

 

……

 

Quando eu morrer, filhinho,

Seja eu a criança, o mais pequeno.

Pega-me tu ao colo

E leva-me para dentro da tua casa.

Despe o meu ser cansado e humano

E deita-me na tua cama.

E conta-me histórias, caso eu acorde,

Para eu tornar a adormecer.

E dá-me sonhos teus para eu brincar

Até que nasça qualquer dia

Que tu sabes qual é.

 

……

 

Esta é a história do meu Menino Jesus.

Por que razão que se perceba

Não há-de ser ela mais verdadeira

Que tudo quanto os filósofos pensam

E tudo quanto as religiões ensinam?

 

 

 

Gregório de Matos

Buscando a Cristo

(Gregório de Matos)

 

A vós correndo vou, braços sagrados,

Nessa cruz sacrossanta descobertos

Que, para receber-me, estais abertos,

E, por não castigar-me, estais cravados.

 

A vós, divinos olhos, eclipsados

De tanto sangue e lágrimas abertos,

Pois, para perdoar-me, estais despertos,

E, por não condenar-me, estais fechados.

 

A vós, pregados pés, por não deixar-me,

A vós, sangue vertido, para ungir-me,

A vós, cabeça baixa, pra chamar-me

 

A vós, lado patente, quero unir-me,

A vós, cravos preciosos, quero atar-me,

Para ficar unido, atado e firme.

 

 

 

“Pois que, eu essência, não habito
Vossa arquitetura imerecida;
Meu Deus e meu conflito”

(carlos drummond de andrade)

 

A Morte e o cavaleiro Antonius Block, interpretado por Max von Sydown, jogam xadrez em “Sétimo Selo” (1956), clássico do cinema escrito e dirigido pelo sueco Ingmar Bergman

 

sétimo selo

(aluysio abreu barbosa)

 

há os dias em que busco Deus

há aqueles em que topo o dedão

e O chamo de filho da puta

mas guardo na cômoda, por utopia

um pequeno grão de mostarda

e o amor da carpintaria

 

eu, quase sempre distante

como filho criado por outros

numa ilha sem fé no mar

e às vezes, meu Deus, tão seu íntimo

agarrado como uma criança

a quem a salvou de se afogar

 

minha imagem e semelhança?

falho demais para meu Deus

— teria mais em conta um gorila

ou a árvore que o aproxima do céu

 

caminho em sua vida

abençoado por sua sorte

encontro marcado com a morte

delirando chorar como hamlet

na certeza química dos anjos

nas dúvidas de antonius block

 

campos, 11/12/06

 

Covid — Médicos respondem a vereador e pastor, questionado por fiel

 

Pastor da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) e vereador eleito de Campos com a segunda maior votação (4.905 eleitores), Anderson de Matos (Republicanos) questionou ontem (confira aqui) a defesa do lockdown imediato para tentar frear (confira aqui) o aumento de casos de Covid-19 no município. E foi questionado não só pelos médicos que a defendem, como por acadêmicos das ciências humanas e até por uma fiel da Iurd, também estudante da Uenf.

No vídeo que gravou e veiculou ontem contra o lockdown em Campos, Anderson dirigiu seus questionamentos ao médico Geraldo Venâncio, secretário de Saúde confirmado (confira aqui) pelo governo eleito Wladimir Garotinho (PSD). Em tempo de eleição da nova Mesa Diretora da Câmara Municipal, Geraldo não quis responder ao vereador eleito. Postura política que foi seguida pelo novo subsecretário municipal de Saúde, o também médico Paulo Hirano.

Médicos Rodrigo Carneiro, Cléber Glória e Nélio Artiles responderam aos questionamentos do vereador eleito Anderson de Matos, pastor da Iurd, sobre a adoção ou não do lockdown em Campos para conter o aumento dos casos de Covid (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Outros médicos, porém, fora da política, que também defenderam o lockdown em Campos pelos mesmos motivos científicos de Geraldo e Hirano, reagiram às declarações do vereador eleito e pastor da Iurd:

— O vereador eleito diz que “sempre meu posicionamento será a favor da ciência”. O que os estudos mostram, os maiores especialistas dizem é exatamente o contrário do que ele afirma.
A população não adere satisfatoriamente ao distanciamento mesmo com toda orientação passada. A obrigação do Estado é proteger a população mesmo que para isso medidas impopulares tenham que ser tomadas — destacou o médico infectologista Rodrigo Carneiro, cuja entrevista (confira aqui) na última quinta (17) ao programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, gerou o debate sobre a necessidade da adoção imediata do lockdown para Campos.

— Com todo o respeito ao ilustre edil recém eleito, seu posicionamento apresenta uma série de contradições principalmente no que diz respeito a dados científicos de eficiência de lockdown. Isso é totalmente compreensível por não se tratar de um profissional da área de saúde. Acho que todos têm direto a opinião, porém ao se tratar de assunto técnico e relacionado a área de saúde pública, devemos deixar as autoridades sanitárias, dr. Geraldo Venâncio principalmente, à vontade para tomar suas condutas com o objetivo claro de salvar vidas. Sabemos de todas as dificuldades econômicas, mas o que vemos diariamente no hospital é o reflexo da total irresponsabilidade da população em não seguir medidas de isolamento e a falta de ação do governo municipal para conter a Covid-19 em Campos. Espero que o próprio vereador e a população campista entendam que medidas amargas devem ser adotadas para salvar vidas — disse o médico Cléber Glória, diretor-clínico da Santa Casa de Misericórdia, e um dos primeiros a alertar (confira aqui) sobre o novo aumento dos casos de Covid em Campos.

— O lockdown deve ser avaliado considerando diversas variáveis desde as taxas de transmissão como de ocupação de leitos hospitalares assim como também questões econômicas. É uma decisão de política pública de grande responsabilidade. O vírus continuará transmitindo mesmo com um lockdown mais radical e caso haja uma decisão técnica pela secretaria de Saúde, o objetivo seria prevenir uma saturação na rede de assistência e impedir filas para leitos de UTI, por exemplo. O lockdown não é desejado por ninguém, porém liberar serviços sem a devida fiscalização resultará em um início de ano bem conturbado, após perspectivas reais de novas aglomerações. Quanto menos restrições, maiores devem ser as responsabilidades — alertou o médico infectologista Nélio Artiles.

A matéria com o vídeo do vereador eleito e pastor da Iurd, questionando a orientação de vários médicos de Campos pela adoção do lockdown, também gerou críticas nas redes sociais:

João Monteiro Pessôa, historiador e professor do IFF-Guarus

— Essa notícia (o questionamento do vereador eleito Anderson de Matos ao lockdown em Campos) lembra uma cena da série da HBO sobre Chernobil (usina nuclear da extinta União Soviética que, em 1986, teve um incêndio em um dos seus reatores, causando contaminação e mortes por radiação). Um chefão do Partido (Comunista) esnoba o alerta de uma cientista e ela lembra que é física nuclear, enquanto ele era gerente de uma fábrica de sapatos. Ao que o burocrata responde: “eu trabalhei numa fábrica e agora comando o Partido em Minsk, viva a República Socialista dos Trabalhadores Soviéticos”! Pois só faltou o cidadão (o vereador eleito) dizer igual: “vocês são médicos e eu sou vereador”! — comparou o historiador João Monteiro Pessôa, professor da IFF-Guarus, no grupo de WhatsApp do blog e do Folha no Ar.

Patricia Matias, estudante universitária e fiel da Iurd

— Esse futuro vereador é uma piada. Sou da Universal, mas nem em sonho votaria em alguém que nem a cidade conhece, e o que conhece é por terceiros. Deveriam se preocupar com a capacidade máxima que a Igreja não está controlando. A Igreja tem colocado as faixas de contenção nos bancos sim, tem álcool em gel e medição de distância. Porém, os fiéis e até mesmo alguns obreiros retiram as faixas e sentam. A Igreja fica aberta o tempo todo durante o horário de culto e isso acaba fazendo com que as pessoas entrem e sentem. Não há obreiros, pastores ou seguranças para conter a capacidade. Acho que são 2.000 lugares sentados, o que deveria ser aí por volta de 600 pessoas por culto. Mas não é o que parece. Além do mais, pessoas sintomáticas, tossindo e espirrando, frequentam normalmente. As obreiras e obreiros usam luvas para proteção. Porém, ao pegar as crianças que choram no salão, estão com as mesmas luvas que estão usando o tempo todo. Apenas acho que deveria haver um controle maior e mais cuidado. Sou e tenho orgulho da minha fé, mas estão deixando a desejar — comentou no Facebook a estudante universitária Patrícia Matias, fiel da Iurd.

Procurada pelo blog para comentar as declarações do vereador eleito Anderson de Matos, a médica infectologista Andreya Moreira, chefe da Vigilância em Saúde do governo Rafael Diniz (Cidadania), preferiu deixar a resposta pelo gabinete de crise criado para combater a pandemia da Covid em Campos. Com a demanda gerada à superintendência de Comunicação (Supcom), o gabinete de crise enviou a nota:

— A decisão de mudança ou permanência de fase é tomada a partir de avaliação técnica criteriosa da Prefeitura, somada à análise do departamento de Vigilância em Saúde sobre o cenário epidemiológico. O modelo matemático e estatístico para avaliação da pandemia no município considera 12 indicadores que avaliam constantemente dois grandes grupos. Um diz respeito à disseminação do coronavírus nos últimos sete dias no município e o outro a capacidade de atendimento da Saúde. Esse plano existe desde 1º de junho, vem surtindo efeito até o momento e continua em vigor. Essa avaliação inclui a ocupação de leitos. Abaixo, segue a ocupação de leitos públicos, próprios e contratualizados, aptos ao tratamento da Covid-19 nessa terça, dia 22: UTI, 69%; clínica médica, 57%.

 

Covid — Vereador eleito questiona lockdown defendido por médicos

 

Vereador Anderson Matos gravou vídeo sobre posição do médico Geraldo Venâncio sobre lockdown, mas sem dizer que elas tiveram o endosso científico dos também médicos Rodrigo Carneiro, Nélio Artiles, Cléber Glória e Paulo Hirano (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O dia de hoje, que amanheceu (confira aqui) com a prisão por corrupção do prefeito carioca Marcelo Crivella, ex-ministro da Pesca do governo Dilma Rousseff (PT) e hoje aliado do clã presidencial Bolsonaro, não foi bom para o Republicanos — partido da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). Em novembro, a força eleitoral dos seus fiéis fez de Anderson de Matos, pastor da Iurd, o segundo vereador mais votado de Campos, com 4.905 votos. E hoje ele gravou um vídeo para questionar a necessidade de adoção do lockdown em Campos, defendida neste blog (confira aqui) pelo médico Geraldo Venâncio, secretário de Saúde confirmado (confira aqui) do governo eleito Wladimir Garotinho (PSD), para tentar conter o avanço da pandemia da Covid-19 no município:

— Eu gostaria de fazer uma análise da fala do médico, dr. Geraldo Venâncio, com respeito ao lockdown. Ele diz assim: “O lockdown em Campos tinha que ser decretado agora. E sem besteiras como o lockdown parcial”. O senhor (Geraldo) diz que essa medida radical deveria ser adotada agora porque nós estamos agora, como o senhor colocou, que nós não tivemos em abril, maio e junho: pessoas sentadas em poltronas com falta de ar e à espera de vaga (…) É triste, é lamentável, é revoltante saber que pessoas estão nessa situação, dependendo de um atendimento médico-hospitalar. Mas, doutor (Geraldo), não estamos falando de algo novo, não se trata de algo inédito — disse o vereador eleito no vídeo, passando a nele exibir reportagens sobre problemas de atendimento na Saúde Pública de Campos antes da chegada da pandemia. E prosseguiu:

— Por que só agora querem decretar lockdown (que já foi decretado em Campos, confira aqui, em maio) e trancar a cidade toda? (…) Eu penso que trancar a cidade toda, decretar o lockdown, como o senhor (Geraldo) está sugerindo, “medida radical” como o senhor mesmo colocou, na minha opinião é piorar a situação. Porque já foi feito lockdown em vários lugares (na Europa, confira aqui, vários países voltaram a adotá-lo desde o início de novembro, para combater o novo crescimento da Covid), faz o lockdown, volto do lockdown, volta para o lockdown de novo. E o vírus está aí, infectando todo o mundo. Essa é que é a realidade, triste, lamentável, mas é a realidade (…) Eu acredito que o enfrentamento da situação é a conscientização da população, com uma campanha fortíssima. A população precisa cooperar, necessita drasticamente de ter a utilização da máscara, manter o distanciamento. Isso não é algo para você fazer só quando vier ao Centro (…) Mas daí a se adotar esse tipo de medida radical (lockdown), eu também sou radicalmente contra. Eu acredito que o que tem que ser feito é o que o prefeito Wladimir anunciou que conseguiu hoje, mais 20 leitos de UTI (na verdade, Wladimir anunciou ontem, confira aqui, mais 20 respiradores). Confesso ao senhor (Geraldo), com todo respeito à sua autoridade, ao seu conhecimento científico, isso aqui não é negar a ciência de forma alguma, sempre o meu posicionamento será a favor da ciência; mas de forma equilibrada, onde possamos manter a cidade funcionando. Se não, vamos ter dois problemas depois, que são as empresas falidas, as pessoas desempregadas, na miséria, e o vírus contaminando, infectando todo o mundo.

 

Andreya Moreira, chefe da Vigilância em Saúde do governo Rafael

 

Embora tenha se dirigido a Geraldo Venâncio, o vereador Anderson não fez menção em seu vídeo aos outros médicos de Campos que concordaram com ele na mesma matéria deste blog: os infectologistas Rodrigo Carneiro (cujo alerta, feito aqui, no programa Folha no Ar da última quinta, projetando o pico da pandemia para o mês janeiro, gerou toda essa repercussão) e Nélio Artiles; Cléber Glória, diretor-clínico da Santa Casa; e Paulo Hirano, subsecretário de Saúde do governo municipal eleito. A médica ouvida que disse não ver necessidade de adoção agora do lockdown em Campos foi a infectologista Andreya Moreira, chefe da Vigilância em Saúde do governo Rafael Diniz (Cidadania), como o blog também noticiou.

 

Confira abaixo a íntegra do vídeo do vereador eleito Anderson Matos: